Vous êtes sur la page 1sur 5

FICHAMENTO

GRAMSCI. Antonio. Caderno 12 (1932). Apontamentos e notas dispersas


para um grupo de ensaios sobre a história dos intelectuais. In: Cadernos
do Cárcere, volume 2. Rio de janeiro: Civilização Brasileira. 4ª edição, 2006.
Pp. 13-53.
Aluno: Marcelo Reis.
Tese do autor: Propõe uma alternativa a organização escolar que é o
formato da Escola Unitária, que, segundo ele (2004, p.40), somente seria
possível sobre as bases de “[...] novas relações entre trabalho intelectual e
industrial, não apenas na escola, mas em toda a vida social”, a partir de uma
escola unitária de caráter humanista que tenha o trabalho como princípio
educativo.

Sendo assim a “escola do trabalho”, identificada como escola


profissionalizante; e a “escola do saber desinteressado”, identificada como uma
escola humanista, porém, que não nega a necessidade da formação técnica do
trabalhador. A esta última, Gramsci se filia, posteriormente, desenvolvendo-a
nos termos da Escola Unitária.

ABORDA O SURGIMENTO, QUESTÕES E TIPOS DE INTELECTUAIS DOS


INTELECTUAIS
“Todo grupo social forma intelectuais. Todo grupo social, nascendo no
terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica,
cria para si, ao mesmo tempo, organicamente, uma ou mais camadas de
intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência da própria função, não
apenas no campo econômico, mas também no social e político” p.15

Construção da ideia de intelectual a partir de um resgaste histórico-


social. p.16.

Gramsci questiona-se se é possível ter um critério unitário que


agrupassem todas as variedades de intelectuais e distinguissem ao mesmo
tempo em suas particularidades e de outro agrupamentos sociais?

Nisso ele diz- “O erro metodológico mais difundido, ao que me parece, é


ter buscado este critério de distinção no que é intrínseco às atividades
intelectuais, em vez de buscá-lo no conjunto do sistema de relações no qual
estas atividades (e, portanto, os grupos que as personificam) se encontram no
conjunto geral das relações sociais”. p.18

“Por isso, seria possível dizer que todos os homens são intelectuais,
mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais (assim, o
fato de que alguém possa, em determinado momento, fritar dois ovos ou
costurar um rasgão no paletó não significa que todos sejam cozinheiros ou
alfaiates’. p.18.

ABORDA A ORGANIZAÇÃO DAS ESCOLAS


“A escola é o instrumento para elaborar os intelectuais de diversos
níveis”. p.19.
“A complexidade da função intelectual nos vários Estados pode ser
objetivamente medida pela quantidade das escolas especializadas e pela sua
hierarquização: quanto mais extensa for a “área” escolar e quanto mais
numerosos forem os “graus” “verticais” da escola, tão mais complexo será o
mundo cultural, a civilização, de um determinado Estado”. p.19.
Gramsci menciona que surgimento das camadas de intelectuais não
estar desconectado das realidades concretas em que essas camadas estão
imersas sócio historicamente
“Deve-se notar que a elaboração das camadas intelectuais na realidade
concreta não ocorre num terreno democrático abstrato, mas segundo
processos históricos tradicionais muito concretos”. p.20.
“A relação entre os intelectuais e o mundo da produção não é imediata,
como ocorre no caso dos grupos sociais fundamentais, mas é “mediatizada”,
em diversos graus, por todo o tecido social, pelo conjunto das superestruturas,
do qual os intelectuais são precisamente os “funcionários” p.20.
“ Por enquanto, podem-se fixar dois grandes “planos” superestruturais: o
que pode ser chamado de “sociedade civil” (isto é, o conjunto de organismos
designados vulgarmente como “privados”) e o da “sociedade política ou
Estado”, planos que correspondem, respectivamente, à função de “hegemonia”
que o grupo dominante exerce em toda a sociedade e àquela de “domínio
direto” ou de comando, que se expressa no Estado e no governo “jurídico”.
p.21.
Gramsci menciona que as classes dominantes detém as ideologias
dominantes por meio do consenso por meio da sua posição e função de
prestigio na sociedade e coerção do aparelho do Estado que assegura essa
hegemonia. p.21.
Gramsci aborda a crise do programa de organização escolar na Itália na
formação dos modernos quadros intelectuais, e como isto, influi numa escola
profissional de caráter instrumental imediato destinado as classes mais pobres,
e outra de caráter clássica destinada as classes dominantes. p.33.
“A tendência atual é a de abolir qualquer tipo de escola “desinteressada”
(não imediatamente interessada) e “formativa”, ou de conservar apenas um seu
reduzido exemplar, destinado a uma pequena elite de senhores e de mulheres
que não devem pensar em preparar-se para um futuro profissional, bem como
a de difundir cada vez mais as escolas profissionais especializadas, nas quais
o destino do aluno e sua futura atividade são predeterminados”. p.33.
Gramsci propõe uma solução
[...] “escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa, que
equilibre de modo justo o desenvolvimento da capacidade de trabalhar
manualmente (tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento das
capacidades de trabalho intelectual. Deste tipo de escola única, através de
repetidas experiências de orientação profissional, passar-se-á a uma das
escolas especializadas ou ao trabalho produtivo”. p.33.
Gramsci já esboça uma escola em que o Estado deve arcar com as
despesas integrais para permanência e formação do aluno de caráter
humanista em que não haja diferença na formação dos grupos, uma vez que
deixa de ter caráter privado e passa a ser pública predominantemente. p.36.
“Mas esta transformação da atividade escolar requer uma enorme
ampliação da organização prática da escola, isto é, dos prédios, do material
científico, do corpo docente, etc. O corpo docente, em particular, deveria ser
ampliado, pois a eficiência da escola é muito maior e intensa quando a relação
entre professor e aluno é menor, o que coloca outros problemas de solução
difícil e demorada”. p.37.
-[..] na escola unitária, a última fase deve ser concebida e organizada
como a fase decisiva, na qual se tende a criar os valores fundamentais do
“humanismo”, a autodisciplina intelectual e a autonomia moral necessárias a
uma posterior especialização, seja ela de caráter científico (estudos
universitários), seja de caráter imediatamente prático-produtivo (indústria,
burocracia, comércio, etc.)”. p.39.
“O advento da escola unitária significa o início de novas relações entre
trabalho intelectual e trabalho industrial não apenas na escola, mas em toda a
vida social. O princípio unitário, por isso, irá se refletir em todos os organismos
de cultura, transformando-os e emprestando-lhes um novo conteúdo”. p.40.
O TRABALHO COMO PRINCIPIO EDUCATIVO
“Pode-se dizer, por isso, que o princípio educativo no qual se baseavam
as escolas primárias era o conceito de trabalho, que não pode se realizar em
todo seu poder de expansão e de produtividade sem um conhecimento exato e
realista das leis naturais e sem uma ordem legal que regule organicamente a
vida dos homens entre si, ordem que deve ser respeitada por convicção
espontânea e não apenas por imposição externa, por necessidade reconhecida
e proposta a si mesmos como liberdade e não por simples coerção”. p.43.

“O conceito e o fato do trabalho (da atividade teórico-prática) é o


princípio educativo imanente à escola primária, já que a ordem social e estatal
(direitos e deveres) é introduzida e identificada na ordem natural pelo trabalho”.
p.43.

“Não é a aquisição de capacidades de direção, não é a tendência a


formar homens superiores que dá a marca social de um tipo de escola”. [..]”Se
se quer destruir esta trama, portanto, deve-se não multiplicar e hierarquizar os
tipos de escola profissional, mas criar um tipo único de escola preparatória
(primária-média) que conduza o jovem até os umbrais da escolha profissional,
formando-o, durante este meio tempo, como pessoa capaz de pensar, de
estudar, de dirigir ou de controlar quem dirige”. p.49.

“Deve-se convencer muita gente de que o estudo é também um trabalho,


e muito cansativo, com um tirocínio particular próprio, não só intelectual, mas
também muscular-nervoso: é um processo de adaptação, é um hábito
adquirido com esforço, aborrecimento e até mesmo sofrimento”. p.49

“Quando se distingue entre intelectuais e não-intelectuais, faz- se


referência, na realidade, somente à imediata função social da categoria
profissional dos intelectuais, isto é, leva-se em conta a direção sobre a qual
incide o peso maior da atividade profissional específica, se na elaboração
intelectual ou se no esforço muscular-nervoso.” p.52.

“No mundo moderno, a educação técnica, estreitamente ligada ao


trabalho industrial, mesmo ao mais primitivo e desqualificado, deve constituir a
base do novo tipo de intelectual”. p.53.

“O modo de ser do novo intelectual não pode mais consistir na


eloqüência, motor exterior e momentâneo dos afetos e das paixões, mas numa
inserção ativa na vida prática, como construtor, organizador, “persuasor
permanentemente”, [..] da técnica-trabalho, chega à técnica-ciência e à
concepção humanista histórica, sem a qual permanece “especialista” e não se
torna “dirigente” (especialista + político)”. p.53.