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FUNDAMENTOS DA NOSSA CONFISSÃO

Romeu Bornelli

1- Introdução

1 Timóteo 3:14-16 e 4:1 - Escrevo-te estas coisas, esperando ir


ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como
se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo,
coluna e baluarte da verdade. Evidentemente, grande é o
mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi
justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre
os gentios, crido no mundo, recebido na glória. Ora, o Espírito
afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns
apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a
ensinos de demônios.

Vamos orar: Ó Pai, que alegria para o nosso coração nos


reunirmos como igreja do Deus vivo! Que privilégio para nós
podermos nos acercarmos de Ti mesmo, tendo o Senhor como
nosso foco, centro e fim! Obrigado porque podemos nos assentar
aos seus pés. Obrigado porque podemos ser ensinados do Senhor,
pastoreados do Senhor, cuidados do Senhor. Pedimos ao Senhor
que nos supra abundantemente com a Tua pessoa, através da Tua
palavra nesta noite. Oferecemos os nossos corações para ouvir-Te,
oferecemos o nosso espírito, a nossa mente, para que o Senhor
abra a nossa compreensão espiritual. E o Senhor nos propicie um
maior conhecimento espiritual de Cristo. Nós te pedimos, cubra-nos
com o teu precioso sangue, e fale aos nossos corações, cumprindo
o teu propósito para esta noite. Nós esperamos tudo de Ti. Em
nome de Jesus, amém.
Irmãos, o Senhor depositou algo no meu coração que gostaria
de compartilhar com os irmãos durante alguns dias e o encargo
que tenho tido é bastante abrangente. Deus tem depositado no
meu coração um desejo de partilhar com vocês, algo relacionado
aos alicerces da visão, aos alicerces do Evangelho, aos
fundamentos do Evangelho. Nós iremos gastar várias reuniões
nesse assunto, e teremos inicialmente quatro mensagens, e nesta,
eu não poderei fazer mais do que abrir um panorama. Mas gostaria

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que os irmãos tivessem muita atenção a esse panorama, porque
depois, quando retornarmos, nós poderemos tomá-lo por outros
ângulos, por outras facetas, poder quem sabe, dissecar um pouco
mais das verdades envolvidas nessa coluna central. Nós vamos
tomar esses quatro períodos que teremos, para passar para os
irmãos o eixo central a respeito da nossa confissão. Qual é a nossa
confissão como cristãos?
Irmãos, meu coração tem ficado muito alarmado com a
necessidade do povo de Deus, do povo cristão, do povo que se
chama pelo nome do Senhor, de ter alicerces sólidos, no que
concerne a essa visão central, a esse eixo central do propósito de
Deus. Daquilo que está no coração de Deus, nos seus tratos com o
homem, especialmente, com a sua igreja. Nós podemos nos perder
de muitas maneiras sem esse eixo.
Já disse anteriormente aos irmãos, que há como que uma
coluna vertebral (como acontece no corpo humano) no propósito de
Deus, na visão desse propósito, na nossa confissão,
conseqüentemente, essa coluna vertebral tem que estar clara para
nós. São elementos essenciais e fundamentais demais para nós
podermos estar oscilando, para podermos estar jogando de um
lado para o outro. São verdades pelas quais nós vivemos, e
devemos morrer. São verdades que formam o cerne da nossa
confissão.
Os irmãos sabem se estudam e conhecem algo da história da
igreja, que durante todos os períodos da história da igreja,
absolutamente todos! O Senhor sempre levantou homens, os
chamados “Apolojetas”, que se ocuparam com um encargo e uma
unção especial da parte de Deus, do Espírito Santo, para
levantarem verdades que estavam sendo obscurecidas, ou
negligenciadas ou até mesmo contrariadas, no meio do povo de
Deus, para prejuízo do testemunho de Deus. Porque nós nunca
podemos ter um testemunho adequado sem uma visão adequada
dos propósitos de Deus, do plano de Deus. Nós não podemos ter
um corpo, não podemos ter sustentação neste corpo, e nem
mesmo podemos ter os acessórios neste corpo (a carne, os
músculos, os tendões, os órgãos, os tecidos) se nós não tivermos
um esqueleto nesse corpo. Então, nós iremos gastar toda uma
série de mensagens a respeito do esqueleto, a coluna vertebral, no

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que concerne à visão e conseqüentemente no que concerne à
confissão.
Os irmãos se lembram do apóstolo Pedro quando escreveu a
sua epístola. Só para citar, eu gostaria de comentar alguma coisa
sobre esse texto de Timóteo que acabamos de ler, mas só para
lembrar sobre o que Pedro disse no seu escrito, já velhinho,
escrevendo a irmãos, filhos de Deus, igreja, que estavam ali na
dispersão por causa da perseguição que o império romano
deflagrou sobre a igreja nos primeiros séculos, principalmente no
primeiro século. Então quando Pedro escreve aquela carta tão
doce, a sua primeira epístola (1 Pedro 3:15) que nós “devemos
santificar a Cristo como Senhor em nossos corações, estando
sempre preparados para responder a todo aquele que nos
pedir qual a razão da esperança que há em nós”.
Quão importante é isso irmãos! Quantas vezes nós cristãos,
até mesmo nos envergonhamos de nossa fé. Muitas vezes nos
sentimos acuados diante daqueles ignorantes disfarçados que
tentam usar as suas filosofias e suas idéias mirabolantes contra o
Evangelho e nós nos sentimos como ratinhos acuados, porque
essa “espada”, como Paulo diz a Timóteo, essa “espada”, deve
estar em nossas mãos. Ele diz que o obreiro deve manejar bem a
Palavra da Verdade, manejar, como uma espada. Nós nos
sentimos, tantas vezes, despreparados com essa “espada”, para
estarmos lidando com estes inimigos, de tantas formas! Sejam eles
filosóficos, sejam eles idealistas, sejam eles sociais, sejam eles
políticos, sejam eles culturais, a Palavra de Deus como espada é
hábil, é útil.
Paulo diz isso também a Timóteo, em 2Timóteo 3:16-17: Toda
palavra inspirada por Deus é útil para o ensino, para correção,
para educação na justiça, para que o homem de Deus seja
perfeito, ou adulto, e preparado, perfeitamente habilitado para
toda boa obra. Irmãos, quando nós vemos o que Paulo diz aqui,
especialmente para Timóteo, já que ele era agora um velho homem
de Deus escrevendo para um jovem homem de Deus, Timóteo.
Então, nós vemos o quanto esse velho Paulo se preocupava com o
jovem Timóteo, dizendo: Não se envergonhe do testemunho do
nosso Senhor. (Lembra que ele diz isso para Timóteo?) Seja um
obreiro que maneja bem, (ou corta um caminho reto com a
palavra da verdade) porque é necessário que um homem de

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Deus, não viva a contender, mas que ele seja apto para
ensinar, que ele seja apto para convencer os que se
contradizem.
Irmão, qual é a tua posição nos teus níveis de
relacionamento? Você é uma pessoa apta para ensinar? Nem que
seja na tua esfera familiar, você é uma mulher apta a ensinar os
seus filhos? Você é uma pessoa capaz de ensinar no seu
relacionamento de trabalho? Você é capaz de ensinar, quem sabe,
na sua escola? Você é capaz de dar um testemunho de Deus
usando a “espada” afiada? Ou você é despreparada ou
despreparado? Pai, você é capaz de ensinar no seu lar, pastorear
a sua esposa, os seus filhos? Irmão, ou irmã, você é capaz de
ajudar na vida da igreja nesse sentido? Quão envergonhados
muitas vezes nós ficamos! Não é quando nós nos vemos
desarmados, despreparados, tentando combater uma idéia
montada com outra idéia montada, idéia contra idéia, ao invés de
usarmos a poderosa e eficaz Palavra de Deus, Palavra viva e
eficaz.
Como Paulo se preocupou com isso em relação a Timóteo!
Essa carta tão maravilhosa, essa epístola a Timóteo, precisa ser
lida por nós, precisa ser estudada. Paulo diz a Timóteo que Deus
não nos deu um espírito de covardia, mas Ele nos deu um
espírito de poder, de amor e de moderação, ou de domínio
próprio (2Timóteo 1:7). Sabendo usar a palavra certa, no tempo
certo, isso é moderação, é domínio próprio. Deus nos deu um
espírito de poder, de amor e de moderação. Não te envergonhes
do testemunho do Senhor, maneja bem a palavra da verdade
(2Timóteo 4:2). E quantas exortações mais! Prega a palavra,
quer seja oportuno quer não, exorta, insta, repreende, com
toda a longanimidade e doutrina. Exercita-te pessoalmente na
piedade, torna-te um padrão para os fiéis na palavra, em
primeiro lugar. Depois no conhecimento, na fé, na pureza
(1Timóteo 4:7).
Quão envergonhados muitas vezes nós ficamos, quando
lemos essa epístola de Timóteo! Especialmente a primeira epístola,
os seis capítulos. Nós nos vemos ali como ratinhos acuados no
canto da parede, enquanto pessoas ignorantes tem se levantado
para propagar tantas mentiras! Irmão, é necessário que o Senhor
hoje, nesses dias em que nós vivemos, novamente levante

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“Apologetas”, pessoas que sustentam. O apóstolo Paulo disse a
Timóteo que a igreja é casa de Deus, coluna, que significa
sustento, e baluarte, que serve para proclamar, é uma bandeira
que vai à frente de um exército, ela proclama uma ofensiva, a
posse de um território, é um baluarte. A igreja não só sustenta (isso
é coluna), mas ela é baluarte, ela proclama. Coluna sustenta e
baluarte proclama a verdade.
Irmão, você já pensou sobre você mesmo assim? O que você
pensa sobre você mesmo? Você pensa que é um simples
praticante do cristianismo? É assim que você se vê? Você pensa
que abraçou um conjunto de doutrinas que tem feito muito bem
para a sua alma, para as suas emoções, quem sabe até para o seu
intelecto? Ou você vê que, como filho de Deus é um porta-voz da
verdade? Isso devia encher o teu peito de orgulho santo, para usar
uma palavra adequada, “orgulho santo”, porque você é portador da
verdade. Não de uma verdade, não de um pedaço da verdade, mas
da Verdade. O Senhor Jesus disse: “Eu sou o Caminho, a
Verdade e a Vida”. “Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará”. “Maneja bem a palavra da verdade”. “A igreja é
coluna e baluarte da verdade”. Irmãos, quem temos sido nós, na
nossa vida cristã e no nosso testemunho cristão? Ratinhos
acuados? Ou porta-vozes da verdade? Coluna e baluarte.
O encargo do meu coração é colocar para os irmãos, a coluna
vertebral da verdade, o que Paulo chamou aqui em Timóteo de
piedade, ele diz: Grande é o mistério da piedade. Mas ele não diz
apenas isso, ele mostra qual é o mistério e qual é o foco e o centro
desse mistério: é Cristo. Aquele que foi manifestado na carne,
justificado em Espírito, pregado aos gentios... (1Timóteo 3:16).
Ele está falando de Cristo. Ele está dizendo que a verdade foi
totalmente manifestada em Cristo. Nós podemos agora pegar essa
manifestação da verdade, que é Cristo, e ver algumas facetas
centrais dessa verdade. O que Cristo que é a Verdade, fala sobre
essa verdade? Quais as facetas essenciais dessa verdade? Nós
vamos ver que em Cristo, que é a Verdade, nós conhecemos a
verdade sobre Deus. Em Cristo, que é a Verdade, nós conhecemos
a verdade sobre a encarnação. Em Cristo, que é a Verdade, nós
conhecemos a verdade sobre a justificação pela fé. Em Cristo que
é a Verdade, conhecemos outras verdades.

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Nós vamos abordar oito pontos, oito ossos, dessa coluna
vertebral. Irmão, cada um deles deve ser um ponto em que nós
façamos checar nosso espírito, nossa alma, nossa mente, tudo o
que há em nós, se tudo o que há em nós, tem sido regido por esse
eixo central. Irmão pense nessa nota que eu coloquei como
introdução. Pense nisso. Vá para casa hoje, pensando sobre você,
quem é você como filho de Deus. Você se vê assim como Paulo
falou usando a figura da igreja como um todo, é claro? Porque nós
não vivemos vidas individuais. A igreja é um corpo e a revelação de
Cristo está no corpo, sempre no corpo, nós somos membros
individuais desse corpo. Então, algo do depósito da verdade está
em nós, e deve ser evidenciado em nós, é claro, senão Paulo não
iria dizer para Timóteo: Maneja a palavra da verdade, prega a
palavra, seja apto para ensinar, poderoso para convencer os
que se contradizem.
Por que Paulo era assim tão ousado espiritualmente? Porque
ele compreendia muito bem que o Evangelho não é apenas mais
uma doutrina, um adendo filosófico. Paulo viu o que era o
Evangelho. Paulo viu que o Evangelho era uma espada que
cortava aquelas pernas de todas as filosofias e faziam com que
elas se prostrassem por terra, porque ela anuncia Cristo, o Filho de
Deus. Então irmão, pense sobre você e ore ao Senhor, porque
esse é um assunto de oração, assim como de arrependimento. Ore
sobre você, peça ao Senhor que faça que você não seja um ratinho
acuado, nem na sua família, nem no meio da sua vizinhança, nem
no seu trabalho, diante dos seus empregados, diante do seu
patrão, mas que você se veja como aquilo que você é, porque a
palavra de Deus te declara assim, um porta-voz da verdade, aquele
que conhece Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Nós
somos membros desse corpo, igreja do Deus vivo, coluna e
baluarte do Evangelho. Que essa palavra de Paulo a Timóteo, soe,
retine no seu ouvido interior: Não te envergonhes do Evangelho.
Irmãos, as pessoas estão morrendo sem Deus. A igreja
precisa ser edificada com o poder da verdade, e nós, que tipo de
resposta temos dado à graça do Senhor. Será que nós temos
tornado essa graça vã? Paulo disse quando ele escreveu aos
Coríntios em 1Coríntios 15:10, um tremendo versículo, ele diz
assim: Eu sou o que sou pela graça de Deus. Antes eu era um
perseguidor da igreja, o Senhor Jesus ressuscitado se

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manifestou a mim como um nascido fora de tempo, que nem
sou digno de ser chamado apóstolo, porque eu perseguia a
igreja de Deus, mas pela graça de Deus eu sou o que sou, e a
sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã. Olhe o que
Paulo disse. Sua graça que me foi dada não se tornou vã. Isso
significa que Paulo podia tornar vã a graça de Deus e eu e você
também. Eu e você podemos tornar vã a graça. Depende da
resposta que nós damos a ela. Depende do nosso arrependimento
diante da verdade, depende de como nós lidamos quando vemos a
nós mesmos, na nossa atual estatura espiritual. Nós podemos
tornar a graça leviana, a graça, vã.
A graça é eficaz, mas ela não trabalha em nós como uma mão
manejando uma marionete. Isso não é a graça de Deus, em
hipótese alguma. Esse é um ensino extrapolado do hiper
calvinismo. Isso não é doutrina bíblica reformada. Isso é um ultra,
hiper calvinismo errado, até mesmo herético, porque contraria a
palavra de Deus. Deus não maneja marionetes, mas Ele estimula a
ação em nossas vidas, porque tudo começa com Ele, Ele é a única
fonte, único autor, tudo provém Dele, mas de tal forma a graça
coopera conosco, que nós podemos resistir a ela. Então Paulo diz:
Eu não tornei vã a graça de Deus. Antes, trabalhei, trabalhei
mais do que todos os apóstolos. Trabalhei, viajei, preguei,
cooperei na edificação das igrejas. E para que nós não víssemos
que Paulo estava se gloriando nele mesmo, então ele termina o
mesmo versículo falando assim: Porém não eu, mas a graça de
Deus comigo. Ele não fala a graça de Deus em mim, ele fala a
graça de Deus comigo. Esse “co” fala de co-operação. Ele sabe
que Deus é quem faz tudo e é a única fonte de toda ação, de toda
a visão e de tudo. Mas ele sabe que essa graça pode ser tornada
vã por nós, se nós não respondermos a ela. Então ele fala que:
trabalhei mais do que todos eles, não eu, mas a graça de Deus
comigo (co-migo, co-operação). Que coisa importante irmão!
Eu creio que antes de entrar no que eu quero entrar, essa
noite e nas outras reuniões, eu queria que você visse isso: Quem é
você? Você é um cooperador da graça? Ou você tem tornado
leviana a graça? Quantas vezes Deus tem te falado sobre os
mesmos aspectos da verdade? Quantas vezes Ele tem te pedido a
mesma rendição no mesmo assunto? Quantas vezes Ele tem
tocado você num uníssono? A nossa vida, muitas vezes, não é um

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testemunho genuíno do Senhor e não atrai outras vidas. Porque
nós somos um piano que só toca o dó, aí, o que os outros têm é dó
de nós. Nós estamos só no dó! Só dá dó! Nós não tocamos uma
música, porque nós temos resistido ao falar de Deus, aqui, ali, e lá,
as notas que Ele tem tocado em nós. Você sabe muito bem quais
as notas que Ele tem tocado em você, as notas que Ele tem tocado
na sua vida familiar, na sua vida no trabalho, na sua vida na igreja.
Você sabe, porque a palavra diz que todos nós temos a unção que
vem do Santo e todos temos conhecimento. Essa unção que Dele
recebemos permanece em nós, e nos guia em toda a verdade, é o
que João diz na sua epístola. Então você sabe. A graça do ensino
da unção. Agora, qual é a nossa resposta a essas notas?
Então irmão, em primeiro lugar nós precisamos nos encaixar
nesse texto de 1Timóteo 3:14-16. Nós não somos um povinho
qualquer! Nós não somos mais uma escola filosófica nesse mundo
tão cansado de tanta filosofia! Nós somos casa do Deus vivo! Nós
somos coluna e baluarte da verdade! O que é que você acha
disso? Esse é você e eu. Então, qual é a nossa resposta a isso?
Quando você está em uma rodinha de amigos, de relacionamento,
aqui ou ali, você ouve algo, o que é que você faz? Você é capaz de
dar um testemunho, você é capaz de pregar a verdade, é capaz de
colocar a visão do Senhor? Você é capaz de pelo menos, buscar
uma hora, um momento, um tempo do Senhor para fazer isso?
Tem sensibilidade espiritual? Ou você se omite, se acua, se
ausenta?
Irmão, nesse aspecto, o papel da igreja é totalmente ofensivo.
Paulo fala em 2Coríntios 6 que a igreja tem armas defensivas,
lembra? Pelas armas da justiça, quer defensivas, quer
ofensivas. Nós como servos de Deus temos armas defensivas e
temos armas ofensivas. Claro que tudo ao seu tempo e à sua hora.
Mas são armas que precisam ser manejadas. Então, primeiro
busque diante do Senhor esse enquadramento nesse texto. Quem
é você diante desse chamamento de Deus? Você é um membro
desse corpo. Você foi chamado pelo Senhor, não foi chamado pelo
que está ao lado de você, pelo pregador, pelo fulano, sicrano, pelo
livro que você leu. Você foi chamado por Cristo, o Senhor.
Pedro diz assim no texto que citei (1Pedro 3:15): Santificai a
Cristo como Senhor nos vossos corações. Ele é o único
Senhor. Nós não temos outros senhores. Só um Senhor. Então

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Pedro diz separai, colocai à parte só Cristo, como Senhor nos
vossos corações, estando sempre preparados para responder a
todo aquele que pedir razão da esperança que há em vós.
Fazendo, todavia, com mansidão e temor. Está dizendo que
você não vai ser um arrogante tolo, você vai fazer isso com
ousadia, mas ao mesmo tempo com mansidão e temor. Que
maravilha o equilíbrio do cristão! Não é uma pessoa inconveniente,
mas é uma pessoa responsável, responsável e não acuada.

Irmão, você precisa ser cheio desse santo orgulho, como filho
de Deus. Você faz parte dessa coluna. Individualmente falando
você é uma coluna. Individualmente falando você é um baluarte. O
Senhor te separou para isso. Então que o Senhor nos ajude pela
sua graça a sondarmos esse eixo central para que o nosso coração
possa ser ajudado.
Irmãos, nós só iremos passar pinceladas nessas quatro
reuniões. Mas você vai poder levar depois delas oito aspectos para
casa para que você esteja checando, estudando, suando,
batalhando. Sabe qual é o segredo para você ser uma coluna e
baluarte da verdade, olhando o aspecto doutrinário, olhando o
aspecto da palavra de Deus? O segredo é: estude, estude, estude.
Ninguém conhece por acaso. Gaste tempo com a palavra de Deus.
Medite nela, ore, estude. Ore, estude. Isso é um lado. Outro lado é
o desenvolvimento dessa vida interior com o Senhor, a vida de
comunhão, a vida de permanecer Nele, de habitar Nele, de morar
Nele, cultivo dessa vida interior, para que nós sejamos equilibrados
nesses dois braços. Mas não pense que isso vai vir na sua vida,
caindo do céu de uma hora para outra. Você nunca será um
verdadeiro sustento um verdadeiro baluarte se você não aprender
a suar em cima da palavra de Deus, lendo e orando, lendo e
orando. Paulo aconselhou a Timóteo a fazer isso. Paulo mesmo
fazia isso.
Esse velho homem de Deus, já preso, quando escreve a
última carta dele, de toda a sua carreira (2Timóteo), diz para
Timóteo vir ter com ele depressa porque o inverno estava
chegando, e ele estava preso naquela masmorra fria de Roma,
aguardando o juízo, onde seria decapitado, durante o império de
Nero. Os irmãos sabem muito bem disso, e como as coisas se
inverteram a partir daí, não é? Nero era um grande homem na

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época e Paulo, como ele diz, era um lixo do mundo, escória de
todos. Esse homem, porta-voz da verdade! Mas hoje, dois mil anos
depois, nós colocamos nos nossos filhos o nome de Paulo, e nos
nossos cachorros, o nome de Nero. Então, quanto Paulo foi
martirizado, durante o império romano, Paulo escreveu, em
2Timóteo 4: vem ter comigo depressa, porque o inverno se
aproxima. E Paulo se lembra de duas coisas. Ele diz assim:
Traga-me os pergaminhos, e a minha capa que eu deixei em
Trôade. A capa e os pergaminhos. Irmãos, essa era a possessão
final desse homem de Deus: uma capa, e uns livros. Como esses
últimos escritos de Paulo nos envergonham! O que esse homem de
Deus possuía no final da sua vida? Um monte de livros e uma
capa, que ele estava sentindo falta lá na prisão, antes de partir
para o Senhor.
Então, irmãos, que desafio nós temos! Hoje nós temos tido
uma profissão de fé superficial, vidas medíocres, tantas vezes
irresponsáveis à graça do Senhor. Não é assim? E é porque o
Senhor tem em nós pela sua bondade, seu testemunho. Ele
colocou em nós o seu nome, e por amor do seu nome Ele tem
lidado com as nossas vidas com longanimidade, por amor do seu
nome. Porque Ele vai produzir o seu testemunho na vida da igreja.
Ele já tem feito isso, mas nós precisamos ser desafiados. Porque a
nossa vida de testemunho (de modo geral como igreja), não estou
me referindo aos irmãos especificamente, mas como igreja em
geral na face da terra, o nosso testemunho é medíocre diante do
que a igreja testemunhou nos séculos passados.
Então nós só podemos nos dobrar diante do Senhor e pedir
que na sua misericórdia, que largamente Ele já tem derramado
sobre nós (o problema não está com a misericórdia Dele), mas
pedir ao Senhor que na sua misericórdia, Ele desperte corações
que respondam, essa deve ser a nossa oração. Não é: Senhor
tenha misericórdia, tenha misericórdia, como se Ele não tivesse
misericórdia. Mas é: Senhor, na sua misericórdia, desperta os
nossos corações, ganha os nossos corações, levanta os nossos
corações para Ti, tira-nos da apatia, da mesmice, da mediocridade,
da superficialidade.
Irmãos, o Senhor tem de alguma forma, movido as águas, na
vida da igreja, com relação a esses assuntos. O Senhor tem me
dado oportunidade de estar com muitos outros irmãos, em muitos

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lugares e eu tenho visto isso. O Senhor tem despertado no seu
povo, um desespero por Ele. Os irmãos não imaginam até que
ponto esse desespero chega. O desespero de uma terra seca!
Pessoas que foram feitas filhos de Deus, mas tem recebido tão
pouco alimento, tão pouco alimento público, tão pouca pregação da
palavra genuína, tão pouca visão do Senhor, que elas estão
clamando em desespero pelo Senhor. E elas não querem ouvir
fulano daqui, sicrano de lá, beltrano dali. É desespero por Cristo
mesmo! Desespero pelo genuíno, pelo sagrado, pelo Senhor.
Graças a Deus, nós cremos que esse é um preparo para que o
Senhor possa nesses dias que antecedem a sua vinda, realmente
levantar um povo sólido, um povo que tem conteúdo, um povo que
ama o Senhor, um povo que é sustento e que é baluarte, que é
coluna e baluarte. Esse é o nosso desafio nos dias em que
vivemos.
Irmãos, naturalmente falando, ensino, pregação,
doutrinamento, nós temos tido muito, mas eu creio que nós
precisamos pedir ao Senhor que na sua misericórdia nós tenhamos
uma resposta adequada. Deixe que esse contexto localize você
como filho de Deus. Você não é alguém a mais, você não é um
membro a mais, você não é simplesmente um recém convertido,
nada disso, ou você não é simplesmente um velho convertido.
Quem sabe você pensa assim? “Vamos deixar aí para os mais
novos. Nós já somos veteranos de guerra”. Não há isso na casa de
Deus. Nós somos membros de um corpo, igreja do Deus vivo,
coluna e baluarte da verdade. Esse é um dos textos mais fortes,
não tenha dúvida, no sentido de ênfase de todo o Novo
Testamento. A igreja é a casa de Deus. É a igreja do Deus vivo.
Coluna para sustento, e baluarte para proclamação da verdade.
Agora, veja o que Paulo diz aqui no versículo 15 da verdade,
depois no versículo 16 da piedade: grande é o mistério da piedade.
E depois, no capitulo 4 verso 1, ele diz: O espírito afirma
expressamente que nos últimos tempos, alguns apostatarão
da fé. Então você está tendo três coisas aqui, que na verdade é
uma só: da verdade, da piedade e da fé. Por isso que eu disse que
nós iremos procurar passar esse eixo central. Oito aspectos que
são o fundamento da nossa confissão, o fundamento da nossa fé,
ou o fundamento da verdade, ou na outra palavra que aparece aí, o
fundamento da piedade. Todas essas verdades, colocandas no

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plural agora, têm relação com o próprio Cristo. Agora nós não
podemos deixar a coisa assim tão global. Nós precisamos dissecar
isto.
Quais são as verdades essenciais da nossa confissão, aquilo
que nós não abrimos mão em hipótese alguma? Aquilo irmão,
baseado no qual, se outra pessoa não tem a mesma confissão
(preste atenção nisso aqui) elas não podem ser chamadas de
irmãos? Não seja universalista, em nome do amor, porque isso é
ecumenismo e ecumenismo é você colocar todos os gatos no
mesmo balaio. A briga é feia! A Bíblia não nos ensina a fazer isso.
Nós devemos viver a unidade em torno da verdade. O que o
catolicismo romano faz é colocar a unidade acima da verdade.
Então vamos ser um. Jesus não orou para sermos um? Todos
sejam um como o Pai é um, no Filho, o filho é um no Pai, e todos
sejam um e nesse um, vale tudo! E você vê aí as celebrações
ecumênicas, não é? Você tem hoje formaturas de escolas, de
oitava série, segundo grau, seja lá o que for, e até de
universidades, você tem lá o sacerdote católico, você tem o
representante do budismo, você tem o representante do judaísmo,
não é? Tem o rabino, tem o pastor protestante, todas as religiões
na celebração ecumênica. Isso não é unidade. Isso é uma
perversão! A igreja é coluna e baluarte da verdade.
Irmão, nós, por natureza, somos a própria mentira em
pessoa. Quando eu falo isso, não é para que você se orgulhe de
você, porque nós, por natureza, somos trevas. É por causa de
Cristo, em Cristo, vós agora, (Paulo disse aos Efésios) fostes
feitos luz no Senhor, andai, pois, como filhos da luz (Efésios
5:8). Então nós enchemos o nosso peito de “orgulho santo” e por
outro lado dobramos o nosso joelho porque nós reconhecemos que
é em Cristo, não é em mim, não é porque eu sou mais espertinho,
demorou muito para eu compreender que essa era a verdade, mas
eu cheguei lá, tive um ensino de berço muito adequado... Nada
disso! É graça! Só graça! Ele nos pôs em Cristo, nós que éramos
trevas. Então nós temos o joelho dobrado, e ao mesmo tempo a
cabeça erguida. Nós fomos feitos luz no Senhor, e somos colunas
e baluartes da verdade. Uma verdade inegociável, uma verdade
completa. Não sobrou para ninguém, não sobrou para o budismo,
não sobrou para a filosofia, não sobrou para os islâmicos, não
sobrou para ninguém. A igreja é a coluna e o baluarte da verdade.

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E nesse corpo, estão incluídos você e eu. Então isso enche o
nosso peito de prazer, de satisfação, de um santo orgulho. Não é
assim com você? Comigo é assim. Que privilégio irmão, que graça
podermos abrir a nossa boca como porta-vozes. Todos nós
participamos desse privilégio.
Queria que você visse então essas três palavrinhas aí:
verdade, final do verso 15, piedade, começo do verso 16, e fé,
capítulo 4 versículo 1. Apostatarão da fé. Na Bíblia, fé é usada em
dois sentidos, ela tanto pode ser usada como ato de crer, crer no
Senhor Jesus, isso é um ato do crer (fé), como a fé é também
usada na Bíblia no sentido de um depósito. E o sentido que Paulo
usa aqui, em 1Timóteo, é esse segundo, do depósito e não do ato
de crer. Quando Paulo diz assim, que alguns apostatarão da fé
(apostatar, significa, literalmente abandonar, se afastar), eles
professavam essa fé. Sabe lá Deus e só Ele sabe em que nível
professavam.
Alguns têm problema com esse texto dizendo assim: “ah!
então, alguém que se converteu verdadeiramente, pode apostatar
da fé?” Eu creio que sim, por muitos motivos: por não andarem em
temor do Senhor, por não andarem em dependência do Senhor,
por se incharem no seu autoconhecimento, o seu conhecimento
por si mesmo, sem reter a cabeça que é Cristo, e se
desencaminharem, mesmo sendo filhos de Deus. Mas isso não
vem ao caso aqui. O que importa é que apostatar é abandonar,
tenha tido uma verdadeira realidade ou não tenha tido. Tenha tido
apenas uma profissão externa de fé... Mas o que importa é que o
Espírito afirma: muitos apostatarão. E aí ele mostra o motivo:
seguir espíritos enganadores. Olhem a palavra: e n g a n a d o r
e s. Não é obvio que essa expressão está confrontando com a
verdade dos versículos anteriores? Verdade em cima, engano
embaixo. Não é? A igreja é coluna e baluarte da verdade, e depois
no cap. 4 que no original não tem nada de capítulo e versículo, isso
aqui é um texto só, Paulo, quando termina o versículo 16 ele entra
no outro como sequencia, só faz uma parágrafo aí, e diz: Ora
(porque ele falou ora? Porque ele está ligando ao que falou antes.
Ora é conclusão. É uma partícula de conclusão. O que é que ele
vai concluir?). Ele vai dizer assim: “Eu estou falando isso aqui, a
igreja é isso, porque o Espírito afirma: muitos apostatarão da
fé”.

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E agora ele está mostrando que a fé é um depósito que a
igreja possui. Ninguém conhece esse assunto de fé, a não ser a
igreja. Ninguém conhece esse assunto da piedade, a não ser a
igreja. Ninguém conhece esse assunto da verdade, a não ser a
igreja. Não tem verdade em nenhuma religião ou filosofia, a não ser
na igreja, porque a igreja é como candelabro, lembra daquela visão
de Ezequiel? Aquele candelabro era mantido por aqueles tubos
que alimentava o candelabro de óleo. O Espírito Santo depositou
na igreja. Paulo chama nesses escritos em Timóteo de o bom
depósito. Guarda o bom depósito mediante o espírito que habita
em nós. O Espírito Santo depositou algo na igreja. Esse é um
depósito sublime, um depósito divino, esse é um depósito sagrado,
santo, e é o que a Bíblia chama de a verdade, ou a piedade. Eu
sei que estou gastando muito tempo nisso, mas eu tenho que
gastar, porque se você não vir isso você não viu nada. Você
precisa ver isso, para que você tenha joelho dobrado e cabeça
erguida ao mesmo tempo. Joelhos dobrados de adoração e
agradecimento, porque é por causa do Senhor, só por Ele, é só
Nele. E cabeça erguida, porque você foi objeto dessa revelação.
Você faz parte dessa casa do Deus vivo, coluna e baluarte da
verdade. Pense sobre isso.
Agora, observe 1Timóteo 4:1, o Espírito Santo diz assim: Ora,
o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos,
alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos
enganadores e a ensinos de demônio. A razão da apostasia é
essa: obedecer a espíritos enganadores. Então há um depósito da
verdade que precisa ser conhecido. Não é ecumênico, como nós
falamos, é a verdade. Qual é esse depósito? Paulo era claro sobre
ele. A maioria dos textos que vamos examinar durante esses dias,
está nas epístolas de Paulo. João era claro, Pedro era claro.
Barnabé era claro, Timóteo era claro, e muitos outros homens de
Deus por toda a história da igreja. Centenas de homens e até
mesmo mulheres de Deus, eram claras a respeito desse depósito
da verdade. E o Senhor sempre levantou esses “Apologetas” para
proclamarem, além de sustentarem esse depósito. Essa é a
primeira coisa importante para vermos nesse texto.
A palavra apostasia que eu estava falando significa
simplesmente abandono. Nada mais do que abandono no sentido
literal dessa palavra. Observe em Judas, versículos 3 e 4. Coloque

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bastante atenção nesse versículo, nós vamos terminar por aqui, e
eu queria que você fosse para casa com isso martelando no seu
ouvido. Peça ao Senhor que faça isso com você. Martelando no
seu ouvido tudo o que nós estivemos falando aqui por quase uma
hora. Quem é você? O que você foi tornado em Cristo? Coluna e
baluarte, casa do Deus vivo, porta-voz desse grande mistério. Se
você for examinar essa palavra mistério, você vai ver a beleza
dessa palavrinha. Paulo aos Coríntios e fala assim: O mistério que
estivera guardado dos séculos e das gerações, agora foi dado
a conhecer. Aos Efésios cap. 3 ele fala a mesma coisa: Agora,
vocês quando lêem podem compreender o meu discernimento
no mistério de Cristo. Ele termina da mesma forma a epístola aos
Romanos no cap. 16, dizendo que esse mistério foi guardado em
silêncio nos tempos eternos.
A palavra de Deus poderosa, maravilhosa como é, ela é tão
eficaz! Ela é eficaz porque ela é uma palavra que proveio do
silêncio, do silêncio eterno de Deus. Nesse silêncio eterno de Deus
havia uma palavra, um verbo, Cristo. E um dia essa palavra foi
encarnada, revelada. O Verbo se fez carne e habitou entre nós.
Então agora, os apóstolos quando pregam o Evangelho eles falam
assim: o Verbo de Deus se fez carne. Aquele mistério que estava
oculto nos séculos e das gerações, agora foi revelado aos santos,
apóstolos e profetas no espírito. Você vê a beleza disso irmão?
Uma palavra que veio lá do silêncio eterno. Deus um dia falou.
Deus tinha falado de muitas maneiras parciais, fragmentárias,
temporárias, transitórias, aos pais pelos profetas, aqui e ali, um
pouquinho aqui, um pouquinho ali, mas nesses últimos dias nos
falou no Filho. Nos falou, completamente, nos falou de forma final.
Ele rasgou literalmente. O verbo foi rasgado na cruz do Calvário e
o Senhor então rasgou totalmente esse Verbo a nós. Nós temos
pouco a pouco conhecido esse Verbo de Deus. Por isso que Paulo
centraliza o mistério nesse verbo: Evidentemente grande é o
mistério; aquele que foi manifestado em carne. Qual é o
mistério? O Verbo se fez carne. Ele foi justificado em Espírito,
pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.
Esse é o mistério, o cerne do mistério. E nós então somos os porta-
vozes desse mistério.
Irmão, não há nada que possa mudar vidas a não ser a
pregação do mistério. Tolice se ocupar com outras coisas. Você

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pode melhorar a psique de uma pessoa. Faz uma lanternagem
aqui, uma reforma ali, ensine algumas boas maneiras, dá um
pouco mais de educação, você pode reformar a lanternagem. Mas
nada pode mudar o homem, a não ser a pregação do Evangelho. É
por isso que pregar o Evangelho é a coisa mais sublime que um
homem ou uma mulher podem fazer sobre a face da terra. Porque
é a única coisa que pode produzir filhos para Deus, regenerados.
O resto faz só retoque de lataria, mas ainda vai para o inferno do
mesmo jeito, com lataria nova. Só o Evangelho produz filhos e
filhas de Deus, quando ele é proclamado. Irmãos sabem por que as
vezes nós somos tão defeituosos na proclamação do Evangelho?
Porque o Evangelho às vezes para nós é como um ratinho, e não
como um leão. Um leão não precisa ser defendido. Ele precisa ser
solto. Basta você abrir a porta da jaula, e ele toma conta de si
mesmo. A palavra de Deus precisa ser proclamada. E ela cuida de
si mesma. Ela tem poder para convencer, poder para repreender,
poder para regenerar, poder para edificar, poder para transformar,
poder para libertar, poder para salvar. Basta que ela seja solta, não
é? E nós, como igreja de Deus, somos esse baluarte, essa coluna.
Que benção! Enche o seu peito desse santo orgulho! É isso que
você é, foi isso que o Senhor te tornou, pela graça de Deus em
Cristo. Amém.
Vamos ler então, Judas 3 e 4: Amados, quando empregava
toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum
salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me
convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela
fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Pois certos
indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde
muito, foram antecipadamente pronunciados para esta
condenação, homens ímpios, que transformam em
libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único
Soberano e Senhor, Jesus Cristo.
A intenção de Judas ao escrever a epístola era fazer um
tratado sobre a fé. Era quem sabe fazer o que eu vou procurar
fazer durante as reuniões, colocando ali o eixo central da nossa
confissão de fé. Ele chamou isso de escrever acerca da nossa
comum salvação. Salvação é uma palavra muito grande na Bíblia.
Salvação fala de regeneração, de justificação, de santificação, de
glorificação, salvação é tudo isso. Então Judas queria escrever

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sobre a nossa comum salvação. É muito assunto. Paulo escreveu
sobre isso em Romanos e gastou 16 capítulos. Falou tudo sobre a
nossa salvação. Judas diz que: Eu queria escrever sobre a
nossa comum salvação, um tratado sobre a salvação, mais ou
menos como Romanos, mas olha que interessante. Ele fala que se
sentiu constrangido. É como se o Espírito Santo pegasse Judas e
falasse assim: Judas, não é isso que eu quero que você faça não.
Você vai escrever uma epistolazinha de vinte e cinco versículos.
Vão ser as suas únicas palavras na Bíblia. Vinte e cinco versículos,
mas vinte e cinco versículos arrasadores. É como uma pílula para
dormir uma semana. Então Judas escreve vinte e cinco versículos
arrasadores. Ele diz assim: Amados, quando empregava toda a
diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação,
foi que me senti obrigado - constrangido, aquela direção
espiritual, aquele mover do Espírito Santo no coração de Judas,
falando: Judas é aqui e é isso que você vai escrever, soprando a
palavra, porque isso aqui é a palavra inspirada de Deus, não é a
palavra de Judas, não é? Então o Espírito Santo o moveu como
Pedro fala: homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo
Espírito Santo. Então, o Espírito Santo, pega Judas e fala: Judas,
é isso aqui que você vai escrever - ...me senti obrigado a
corresponder-me convosco, exortando-vos (ele não escreve um
tratado. Ele escreve uma exortação). Veja o peso irmão. Se você
acha que a epístola aos Romanos em dezesseis capítulos é
pesada, não dê peso diferente para Judas. Porque Judas ia, quem
sabe, escrever um tratado de dezesseis capítulos, mas o Espírito
Santo pegou e falou: você vai falar vinte e cinco versículos que tem
o mesmo texto, a mesma potência, o mesmo valor, e olhe então
qual é a exortação de Judas que tem esse peso. Você vai ver que
seis vezes, ele usa nesta epístola a palavrinha guardar. É a palavra
chave da epístola de Judas, que é maravilhosa. Seis vezes
aparece a palavra guardar e a idéia é guardar o evangelho, guardar
o amor de Deus. Deus vai nos guardar de tropeço, guardar-nos na
fé.
Então o versículo 3 diz: me senti obrigado a corresponder-
me convosco, exortando-vos (a que?) a batalhardes (olhe o
baluarte aí), diligentemente, (pelo que?) pela fé. A palavra de
Paulo, piedade, verdade, é tudo a mesma coisa, depósito, bom
depósito, como ele falou para Timóteo. Essas palavras são

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intercambiáveis. Judas está falando de algo que foi depositado na
igreja que é santo, sublime. Estava no próprio coração de Deus,
era um mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, mas
agora, é um mistério rasgado, um mistério revelado: Cristo. E
facetas específicas dentro desse mistério. Então ele diz assim: a fé.
Essa é a fé, o depósito que de uma vez por todas e aqui uma
palavrinha tão linda, foi entregue aos santos. Que maravilha
irmão. Eu e você estamos incluídos nisso. A igreja não é um ramo
de filosofia. A igreja é a verdade, porque ela tem Cristo, ela
proclama a verdade. Ela é a expressão da verdade. Foi entregue
aos santos.
E no versículo 4 diz: Pois certos indivíduos (assim como
hoje, a mesma coisa) se introduziram com dissimulação
(disfarce daqui, falando que isso aqui é bom, Vejam que idéia
interessante! Veja o que fulano está falando, mas olha aqui o
rabino, olhe aqui o budista, olhe aqui o Dalai Lama, olha aqui não
sei mais quem. Certos indivíduos se introduziram com
dissimulação, no tempo deles trazendo elementos gnósticos,
elementos do judaísmo) os quais, desde muito, foram
antecipadamente pronunciados para esta condenação,
homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de
nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus
Cristo. Que texto de peso irmãos esse de Judas! Judas está
falando sobre esse depósito, essa fé, que tem que ser conhecida,
sustentada e proclamada pela igreja. Então esse é o nosso desafio
como igreja. Nós queremos que nós todos estejamos diante do
Senhor nesses dias, para que Ele possa literalmente rasgar diante
dos nossos olhos, os olhos do nosso espírito e do nosso coração,
esse mistério que é Cristo. Porque ele já foi rasgado na sua
palavra, tão claramente.
Vamos ver quais são os ossos dessa coluna vertebral, qual é
o eixo central dessa nossa confissão. Quais são essas verdades
essenciais que são inegociáveis, verdades que ninguém que não
as confesse, pode ser chamado de irmão, ou de filho de Deus,
porque elas são a essência, o fundamento. Então, que o Senhor
nos ajude assim a ter as nossas próprias vidas checadas,
estruturadas, estabelecidas e ousadas, responsáveis diante de tão
grande testemunho que foi confiado a nós. Irmão. Você faz parte

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disso. Não se omita. Você faz parte disso. Um santo privilégio.
Considere isso diante do Senhor. Amém.

Vamos orar. Ó Pai, ajuda-nos Senhor a darmos a Ti uma


resposta muito mais plena dos nossos corações a tudo aquilo que
o Senhor já tem tocado em nós, essas notas que o Senhor tem
tangido no nosso espírito, no nosso coração, na nossa consciência.
Ó Senhor. O Senhor já nos tem dado plenamente da tua graça e da
tua misericórdia, e nós queremos e pedimos a Ti que desperte em
nós, essa resposta mais completa Senhor, para que não tornemos
leviana ou vã, a graça de Deus. Possamos desenvolver a nossa
salvação, com temor e tremor. Não nos deixe encastelados no
nosso egocentrismo, Senhor. Não nos deixe escondidos atrás de
disfarces e justificativas, mas pela tua misericórdia, despe-nos
diante de teus próprios olhos, para que nós vejamos o quanto
carecemos ser revestidos de Ti. Muito obrigado por termos o
privilégio de sermos a casa do Senhor, a igreja do Deus vivo, a
coluna e o baluarte da verdade. Desafia o nosso coração Senhor,
nós te pedimos. Desafia-nos. Encha-nos com esse orgulho santo,
esse santo privilégio de termos sido feitos filhos de Deus, um povo
Teu. Nós te pedimos em nome de Jesus. Amém.

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