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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.390.193 - PB (2013/0192011-6)

RELATORA

: MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES

RECORRENTE

: JOESEL GOMES DA SILVA E OUTROS

ADVOGADOS

: FLAVIANO SALES CUNHA MEDEIROS

RECORRIDO

IRACEMA PINTO DE MEDEIROS : UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

REPR. POR

: PROCURADORIA-GERAL FEDERAL

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial, interposto por JOESEL GOMES DA SILVA E OUTROS, contra acórdão do TRF da 5ª Região, assim ementado:

-
-

EMBARGOS INFRINGENTES. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. VIGILANTE. UNIVERSIDADE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. AUSÊNCIA DE AMPARO LEGAL.

Ausência de amparo legal à concessão de adicional de periculosidade aos servidores públicos que exercem atividade de vigilância, independente

do uso ou não de arma de fogo, pois eventual risco a que estes estejam submetidos não se enquadra entre aqueles previstos na legislação trabalhista a ser adotada, segundo a remissão feita pelos arts. 68 da Lei 8.112/90 e 1º do Decreto-lei 1.873/81. - O art. 193 da CLT considera operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. A Lei 7.369/85 assegura o pagamento de tal adicional com relação à atividade com exposição à eletricidade.

- As normas regulamentadoras expedidas pelo Ministério do Trabalho não

poderiam estabelecer a atividade de vigilância como periculosa, para fins de percepção do adicional, pois do contrário extrapolariam a norma legal a ser regulamentada, não sendo, por esse motivo, o caso de adotar o entendimento de que tal rol é meramente exemplificativo.- Embargos infringentes não providos.

Daí a interposição do Recurso Especial, com base na alínea a, do permissivo constitucional, no qual se afirma violação dos arts. 1º da Lei 1.873/81, 68 da Lei 8.112/90 e 193 da CLT. Sustentam os recorrentes que são vigilantes de instituições federais e que têm direito ao adicional de periculosidade, com base nos diplomas legais supracitados. Afirmam que o rol de atividades elencadas na Norma Regulamentadora 16 é meramente exemplificativo, não abarcando todas as atividades que expõe a vida do trabalhador.

Com as contrarrazões (fls. 358/366e), foi o Recurso Especial admitido pelo

Superior Tribunal de Justiça

Tribunal de origem.

É o relatório.

A irresignação merece acolhimento.

Em outros casos idênticos aos dos presentes autos, em que vigilantes, inclusive da própria instituição recorrida, pleiteiam o adicional de periculosidade, o posicionamento desta Corte foi no sentido deles terem direito ao aludido adicional, porquanto o rol de atividades consideradas insalubres, perigosas ou penosas, previsto na lei, é meramente exemplificativo. No mesmo sentido, confira-se o precedente:

1.
1.

ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO

AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. VIGILANTE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO.

O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que o art. 68 da Lei 8.112/90,

por se tratar de regra de eficácia imediata e plena, não necessita de regulamentação. Precedente: REsp 378.953/RS, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, Quinta Turma, DJ 13/5/02. 2. Diversamente da base de cálculo, o Regime Jurídico dos servidores públicos não definiu os demais parâmetros para a concessão da vantagem, tais como os percentuais devidos a cada adicional, tampouco especificou quais seriam as atividades albergadas. Dessa forma, para

aferição dos demais pressupostos, deve ser observado o disposto na legislação trabalhista, nos moldes do art. 1º do Decreto-Lei n° 1.873/81. 3. A ausência do enquadramento da atividade desempenhada não inviabiliza a sua consideração para fins de percepção de adicional, desde que as instâncias ordinárias tenham como comprovada sua periculosidade, como na espécie.

4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1.375.562/RN, Rel. Min.

Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 02/02/2012).

Confiram-se, ainda, as seguintes decisões monocráticas: REsp n. 1.443.068/PB, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/12/2014; REsp n. 1.458.389/PB, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe 16.6.2014. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial para restabelecer a

sentença.

Intimem-se. Brasília, 23 de fevereiro de 2015.

MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES Relatora

21/03/2011 16:47 - Sentença. Usuário: VRV

Ação Ordinária nº 2009.82.00.007314-4

Sentença TIPO "A"

(Res. CJF nº 535/2006)

Autores: JOESEL GOMES DA SILVA e OUTROS

: UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB

S E N T E N Ç A

Vistos, etc.

JOESEL GOMES DA SILVA, SEVERINO AVELINO DE SOUZA, PAULO ALVES DE SOUZA, JOSÉ WILLIAM DE SOUZA SILVA, GENIVAL GOMES PONTES e JOSÉ MANUEL PINHEIRO, qualificados nos autos, propuseram ação ordinária, com pedido de antecipação de tutela, em desfavor da UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB objetivando a implantação de adicional de periculosidade de 30% (trinta por cento) sobre os vencimentos conforme a CLT, art. 193, § 1º, e/ou, alternativamente, de 10% (dez por cento) conforme a Lei nº 8.270/91, art. 12, I, § 3º, mais juros, correção monetária e honorários advocatícios de 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação.

2.

Requereram também justiça gratuita.

3.

procuração (fls. 11) e documentos (fls. 12/95), expôs textualmente o seguinte:

A

petição

inicial

(fls.

03/10),

que

veio

acompanhada

"(

)

são servidores públicos federais e exercem a função de vigilantes junto à promovida.

de

Trabalham portando arma de fogo, fazendo a segurança e guarda nas guaritas que dão acesso à instituição, no Hospital Universitário, bem como em todos os demais setores da autarquia federal, zelando pelo seu patrimônio, servidores, estudantes e visitantes. Fazem também a segurança dos automóveis que se encontram no estacionamento privativo da UFPB.

Válido registrar que nas dependências da promovida existem instituições financeiras como a Caixa Econômica Federal, Banco Real, Banco do Brasil, Santander e cooperativas de crédito, a exemplo da CREDUNI, e em todas existe transporte e movimentação de valores. Há também agência de venda de passe estudantil.

Quando ocorre alguma situação suspeita ou de perigo real nessas instituições financeiras, a despeito das mesmas possuírem segurança própria, o setor de vigilância da UFPB é comunicado e os promoventes têm o dever funcional de comparecer no local de perigo a fim restabelecer a ordem.

Ocorre que os promoventes, apesar de desempenharem atividade de risco às suas integridades físicas, perigosas, com o porte de arma de fogo, não percebem o adicional de periculosidade a que fazem jus."

4.

justiça gratuita e indeferiu de antecipação de tutela.

Decisão

fundamentada (fls.

104/105) deferiu o

pedido

de

5.

A citação foi realizada (fls. 111vº) consoante o CPC, art. 285.

6.

A contestação

tempestiva (fls. 115/126), acompanhada de

documentos (fls. 127/143), argüiu a improcedência do pedido, dizendo principalmente o

seguinte:

"De início, impende ressaltar que a atividade de vigilante, exercida pelos autores, não é considerada, por lei, como perigosa, tampouco, foi demonstrado nos autos prova em contrário. No caso, restou claro que suas atividades limitam-se a identificação de pessoal, controle de entrada e saída de veículos e rondas de inspeções - atividades estas que não lhes

impunham

"riscos

de

vida",

senão

aqueles

ordinariamente

suportados

por

qualquer

trabalhador.

As atividades de vigilante não se revestem, repita-se, de caráter perigoso, pressuposto fático autorizador da concessão do adicional pretendido. Com efeito, a atividade dos vigilantes, regra geral, é, basicamente, zelar pelo patrimônio da instituição."

7. A impugnação (fls. 147/150) a essa contestação renovou os pedidos inicialmente

formulados.

8.

Autos conclusos (fls. 151).

 

9.

Autos

foram,

em

seguida,

convertidos

em

diligência

para

juntada de petição (fls. 152vº).

10.

Petição dos AA (fls. 153/154) pela juntada de documentos (fls.

156/175).

11.

Autos foram, finalmente, conclusos (fls. 151) para sentença.

Relatados, DECIDO.

12.

O caso admite julgamento antecipado na conformidade do que

dispõe o CPC, art. 330, I, e a matéria dos autos está regida, principalmente, pelos seguintes diplomas legais e regulamentares: as Leis nºs 8.112/90, arts. 61, IV, 68, § 2º, e 70, 8.270/91, art. 12, § 3º, o Decreto-Lei nº 1.873/81, art. 1º, a CLT, art. 193, § 1º, a Norma Regulamentadora nº 16, do Ministério do Trabalho e a Orientação Normativa nº 17, da

Secretaria da Administração Federal.

13.

ocupantes do cargo de vigilante e os respectivos vencimentos funcionais (fls. 16/20, 24/27,

Os AA. comprovaram serem servidores públicos federais

33/38, 43/48, 54/58 e 63/68).

14.

Comprovaram também, no que mais importa, que trabalham

portando arma de fogo e que freqüentam habitualmente ambientes considerados de riscos e

em condições de periculosidade (fls. 164 e 168/174, respectivamente).

15.

produzida pela contra-parte (fls. 115/126), considerando que restou comprovado que os AA.

freqüentam habitualmente ambientes considerados de riscos e em condições de periculosidade.

A R., por sua vez, desconstituiu apenas em parte a prova

Com efeito, quanto à implantação de adicional de

periculosidade de 30% (trinta por cento) sobre os vencimentos, é procedente, porque a atividade de vigilância, por si só, já pressupõe a exposição da vida do trabalhador, nos limites da razoabilidade, ao perigo, o que resulta no direito à percepção do adicional de periculosidade, nos termos da CLT, art. 193, aplicável ao servidor público, conforme o Decreto- Lei n° 1.873/81, art. 1º (AC nº 377846, TRF - 5ª Região, DJ de 26/setembro/2008, pág. 1104), já que para a concessão do adicional de periculosidade deverão ser observadas as situações

16.

estabelecidas em lei específica.

17.

pelas armas utilizadas pelos AA. (cnf. item 14, retro) e fornecidas pela R. (fls. 164) para poder

ter condições de garantir a segurança de suas instalações.

O perigo da atividade de vigilância decorre principalmente

18.

Regulamentadora n° 16, do Ministério do Trabalho, é meramente exemplificativo, motivo pelo qual, apesar de não estar textualmente prevista, a atividade de vigilância também deve ser

O rol das atividades enumeradas como perigosas pela Norma

abarcada (AC nº 377785, TRF - 5ª Região, DJ de 27/março/2008, pág. 994 - Nº 59).

19.

(dez por cento), é improcedente, porque para a concessão do referido adicional de periculosidade deverão ser observadas as situações estabelecidas em lei específica, mais precisamente o Decreto-Lei nº 1.873/81, art. 1º, c/c a CLT, art. 193, § 1º, em razão de o adicional ser concedido nas condições disciplinadas pela legislação trabalhista, e não pela

aplicação da Lei nº 8.270/91, art. 12, I, § 3º.

Quanto à implantação de adicional de periculosidade de 10%

20.

A respeito, o seguinte julgado mutatis mutandis aplicável á

espécie:

"EMENTA: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR. IFET. VIGILANTE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. POSSIBILIDADE.

1. Hipótese de ação ordinária em que buscou a implantação na remuneração dos autores do

adicional de periculosidade no percentual de 30%(trinta por cento), ou, alternativamente, de 10%(dez por cento), bem como o pagamento das parcelas vencidas até o quinquenio anterior

ao ajuizamento da ação.

2. As armas utilizadas pelos vigilantes são adquiridas e fornecidas pela própria administração

da autarquia ré, que proporciona, inclusive, treinamento aos seus servidores por meio de cursos ministrados pela Polícia Federal, para poderem ter condições de garantir a segurança de suas instalações.

(

).

4. A atividade de vigilância, por si só, já pressupõe a exposição da vida do trabalhador, nos

limites da razoabilidade, ao perigo, o que resulta no direito à percepção do adicional de periculosidade, nos termos do art. 193, da CLT, aplicável ao servidor público, conforme o art. 1°, da Lei n° 1.873/81. ( TRF 5ª Região - AC - Apelação Cível - 377846- Processo:

200284000068663 - UF: RN - Órgão Julgador: Terceira Turma - Data da Decisão: 21/08/2008 -

Relator(a): Desembargadora Federal Joana Carolina Lins Pereira).

5. A hipótese é de se dar provimento à apelação para que seja implantado nos vencimentos

dos apelantes, o adicional de periculosidade no percentual de 30%, nos termos do art. 1º do Decreto-lei nº. 1.873/81 c/c com o art. 193, parágrafo 1º, do CLT, bem como o pagamento das parcelas atrasadas a este titulo, ate o quinquênio anterior ao ajuizamento da ação em face da prescrição das parcelas anteriores a esse periodo.

( ).

7. Apelação provida."

(AC nº 508210, TRF - 5ª Região, DJE de 24/fevereiro/2011, pág. 632)

21.

adicional de periculosidade no percentual de 30% (dez por cento) sobre os seus vencimentos

básicos, além do pagamento das diferenças.

Conseqüentemente, têm os AA. direito ao recebimento do

22.

legislação e jurisprudência referidas acolho, em parte, o pedido, com resolução de mérito, para condenar a R. UNIÃO a implantar nos vencimentos dos AA. JOESEL GOMES DA SILVA, SEVERINO AVELINO DE SOUZA, PAULO ALVES DE SOUZA, JOSÉ WILLIAM DE SOUZA SILVA, GENIVAL GOMES PONTES e JOSÉ MANUEL PINHEIRO o adicional de periculosidade, no percentual de 30% (trinta por cento) dos vencimentos básicos, mais o pagamento das parcelas atrasadas a este título, até o qüinqüênio anterior ao ajuizamento até sua efetiva quitação, a

Isto posto, fundamentado no CPC, art. 269, I, e demais

serem encontradas em liquidação, sobre o que incidirão juros moratórios de 0,5% (meio por cento) ao mês, a partir da citação, com correção monetária desde o vencimento do débito, na forma do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Res. CJF nº 561/2007; a partir da entrada em vigor da Lei nº 11.960/2009 (DOU de 30/junho/2009), que alterou a Lei nº 9.494/1997, art. 1º-F, incidirão, a título de atualização da dívida e de juros de mora, apenas os índices oficiais de remuneração básica e de juros aplicados às cadernetas de poupança, e a prescrição quinquenal.

23.

conforme o CPC, artigos 20, parágrafo 4º, e 21, caput, de 10% (dez por cento) sobre o valor

Honorários advocatícios proporcionalmente distribuídos,

total da condenação.

24.

Remessa de ofício, segundo o CPC, art. 475, inc. I.

25.

Custas ex lege.

26.

P.R.I.

João Pessoa, 21/março/2011

JOÃO BOSCO MEDEIROS DE SOUSA

Juiz Federal da 1ª Vara

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.443.068 - PB (2014/0064253-3)

RELATOR

: MINISTRO BENEDITO GONÇALVES

:

:

:

:

:

RECORRENTE

MANOEL PEDRO DA SILVA

RECORRENTE

JOSÉ ARIMATÉIA DE OLIVEIRA

RECORRENTE

DANIEL PEREIRA DE FONTES

ADVOGADO

FLAVIANO SALES CUNHA MEDEIROS E OUTRO(S)

RECORRIDO

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

REPR. POR

PROCURADORIA-GERAL FEDERAL EMENTA ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. VIGILANTE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE. IRRELEVÂNCIA. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.

:

DECISÃO 1. 2. integridade física dos suplicantes a situações de risco. 3. 03/08/2012). 4. Apelação
DECISÃO
1.
2.
integridade física dos suplicantes a situações de risco.
3.
03/08/2012).
4. Apelação e remessa providas.

Trata-se de recurso especial interposto por Manoel Pedro da Silva e outros, com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região que está assim ementado (fls. 182-186):

ADMINISTRATIVO. VIGILANTE DE UNIVERSIDADE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. RISCO À INTEGRIDADE. INOCORRÊNCIA.

O reconhecimento da atividade de vigilante como sujeita a condições especiais

reclama a necessária comprovação do uso de arma de fogo como fator caracterizador da periculosidade do labor.

Hipótese em que não restou comprovado que a função desempenhada expunha a

A simples notícia, veiculada na imprensa, de incidentes envolvendo a prática de

crimes no interior do campus universitário não assegura, por si só, a percepção da aludida vantagem. Precedente do Plenário desta Corte (EIAC 20878, DJE

Os aclaratórios foram rejeitados (fls. 200-203). Os recorrentes alegam violação dos arts. 1º da Lei n. 1.873/81, 68 da Lei n. 8.112/90 e 193 da CLT. Para tanto, argumentam que a legislação aplicável ao presente caso não faz nenhum menção à necessidade de uso de arma de fogo para que os vigilantes de instituições federais façam jus ao adicional de periculosidade. Sustentam que não se faz necessária à comprovação de utilização de armas de fogo pelos vigilantes de instituições federais para que os mesmos façam jus ao adicional de periculosidade, motivo pelo que deve o presente recurso especial ser provido. Nas contrarrazões oferecidas às fls. 222-231, a União opõe-se inicialmente dizendo que as pretensões recursais encontram óbices nas Súmulas 7 e 211 do STJ e 282 e 356 do STF. No mérito, consigna que as atividades prestadas em condições de periculosidades estão relacionadas na Norma Regulamentadora n. 16 do Ministério do Trabalho, aprovada pela Portaria n. 3.214/78 e pelo Decreto n. 93.412/86, "não estão inserta nesse rol a de vigilante " (fl. 228) e que: "o fato do Recorrente desempenhar a função de vigilante, munido, ou não de arma de fogo, não lhe confere o direito à percepção do adicional de periculosidade. em face da ausência de porevisão legal nesse sentido ." (fl. 229) Crivo positivo de admissibilidade juntado à fl. 233.

Superior Tribunal de Justiça

É o relatório. Passo a decidir.

No Juízo monocrático, julgou-se procedente o pedido formulado na inicial, condenando a Universidade Federal da Paraíba ao pagamento do adicional de periculosidade, no percentual de 30%, em favor dos autores, relativo ao exercício da função de vigilante. O Tribunal de origem deu provimento ao recurso de apelação, ao fundamento de que o reconhecimento da atividade de vigilante como sujeita a condições especiais reclama a necessária comprovação do uso de arma de fogo como fator caracterizador da periculosidade do labor. Ao contrário do sustentado nas contrarrazões, o recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, momento em que passo à análise do mérito recursal.

Conforme delimitado nos autos, o cerne da questão a ser dirimida diz respeito à possibilidade de concessão de adicional de periculosidade aos vigilantes do Instituição Superior de Ensino Público.

É

bom que se diga que a questão aqui trazida não é nova, porquanto esta Corte Superior já

1. 2.
1.
2.

firmou compreensão de que o rol de atividades consideradas insalubres, perigosas ou penosas, previsto na lei, é meramente exemplificativo, mormente porque a CLT limita-se a definir, de forma genérica, como atividades perigosas aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho (art. 193 com a redação dada pela Lei 6.514/77). Nesse sentido, mutatis mutandis :

ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO

AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. VIGILANTE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO.

O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que o art. 68 da Lei 8.112/90, por se

tratar de regra de eficácia imediata e plena, não necessita de regulamentação. Precedente: REsp 378.953/RS, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, Quinta Turma, DJ 13/5/02.

Diversamente da base de cálculo, o Regime Jurídico dos servidores públicos não

definiu os demais parâmetros para a concessão da vantagem, tais como os percentuais devidos a cada adicional, tampouco especificou quais seriam as

atividades albergadas. Dessa forma, para aferição dos demais pressupostos, deve ser observado o disposto na legislação trabalhista, nos moldes do art. 1º do Decreto-Lei n° 1.873/81.

3. A ausência do enquadramento da atividade desempenhada não inviabiliza a sua

consideração para fins de percepção de adicional, desde que as instâncias ordinárias tenham como comprovada sua periculosidade, como na espécie.

4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1375562/RN, Rel. Ministro Arnaldo

Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 02/02/2012)

Esse entendimento coaduna-se com a Súmula 198, do extinto Tribunal Federal de Recursos, segundo a qual: "atendidos os demais requisitos, é devida a aposentadoria especial, se perícia judicial constata que a atividade exercida pelo segurado é perigosa, insalubre ou penosa, mesmo não inscrita em regulamento ". Lado outro, o Juízo monocrático foi cristalino na afirmação de que: "a ré não desconstituiu a prova produzida pela contra-parte (fls. 77/92), considerando que restou comprovado que os autores frequentam habitualmente ambientes considerados de riscos e em condições de periculosidade ." (fl. 143) Destarte, a ausência do enquadramento da atividade desempenhada não inviabiliza a sua consideração para fins de percepção de adicional, desde que as instâncias ordinárias tenham como

Superior Tribunal de Justiça

comprovada sua periculosidade, tal qual ocorreu no caso sub examine em que o Tribunal de origem consignou, expressamente, que a atividade de vigilância desempenhada pelos recorridos os expõe a diversos perigos, o que torna necessário o uso de armamento. No mesmo sentido, envolvendo a mesma tese: REsp n. 1.282.822/RN, Relator o Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 12/3/2013; AREsp 17.858/RN, Relator o Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe de 25/4/2012; REsp n. 1.406.533/PB, Rel. Min. Sérgio Kukina, decisão no DJE 28.11.2013, com trânsito em julgado em 13.12.2013. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial para restabelecer a sentença. Publique-se. Intimem-se. Brasília (DF), 25 de novembro de 2014.

Ministro BENEDITO GONÇALVES Relator
Ministro BENEDITO GONÇALVES
Relator

Ação Ordinária nº 5247-38.2011.4.05.8200

Sentença TIPO "A"

(Res. CJF nº 535/2006)

Autores: MANOEL PEDRO DA SILVA e OUTROS

: UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB

S E N T E N Ç A

Vistos, etc.

MANOEL PEDRO DA SILVA, JOSÉ ARIMATÉIA DE OLIVEIRA e DANIEL PEREIRA DE PONTES, qualificados nos autos, propuseram ação ordinária em desfavor da UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB objetivando a implantação de adicional de periculosidade de 30% (trinta por cento) sobre os vencimentos conforme a CLT, art. 193, § 1º, e/ou, sucessivamente, de 10% (dez por cento) conforme a Lei nº 8.270/91, art. 12, I, § 3º, mais juros, correção monetária e honorários advocatícios de 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação.

3.

A petição inicial (fls. 03/12), que veio acompanhada de

procurações e documentos (fls. 13/66), expôs textualmente o seguinte:

"(

lotação no Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias, Campus III da UFPB, em

Bananeiras.

)

são servidores públicos federais e ocupam o cargo de vigilante junto à promovida, com

Trabalham fazendo a segurança e guarda nas guaritas que dão acesso à instituição promovida, bem como em todos os demais setores da autarquia federal, zelando pelo seu patrimônio, servidores, estudantes e visitantes. Fazem, também, a segurança do alojamento dos estudantes que residem na Universidade.

(

).

Pelas atividades elencadas no quadro acima, fácil concluir o risco a que estão submetidos os autores, vez que possuem, dentre as atribuições, a de evitar roubos, atos de violência, e escoltar e proteger pessoas encarregadas de transportar dinheiro e valores, podendo a qualquer momento, enfrentar situações em que coloquem suas vidas a perigo.

Acrescente-se ao perigo já exposto, o fato da UFPB-Bananeiras possuir seus portões de acesso sempre abertos ao público externo, ligando duas partes da cidade de Bananeiras-PB, de trânsito livre a todas as pessoas e automóveis que nele desejem transitar.

Quando ocorre alguma situação suspeita ou de perigo real nessas instituições financeiras, a despeito das mesmas possuírem segurança própria, o setor de vigilância da UFPB é comunicado e os promoventes têm o dever funcional de comparecer no local de perigo a fim restabelecer a ordem e apreender os infratores."

4.

gratuita e de prioridade na tramitação do feito.

Decisão fundamentada (fls. 74) deferiu os pedidos de justiça

5.

A citação foi realizada (fls. 75vº) consoante o CPC, art. 285.

6.

A contestação tempestiva (fls. 77/92), acompanhada de

documentos (fls. 93/104), argüiu a improcedência do pedido, dizendo principalmente o seguinte:

"De início, impende ressaltar que a atividade de vigilante, exercida pelos autores, não é considerada, por lei, como perigosa, tampouco, foi demonstrado nos autos prova em contrário. A Lei nº 1.873/81 estabeleceu que os adicionais de insalubridade e periculosidade devidos aos servidores públicos federais serão disciplinados na forma da legislação trabalhista.

O art. 193 da CLT, por sua vez, define como perigosas as atividades em que há contato

permanente com inflamáveis ou explosivos.

O Ministério do Trabalho e Emprego editou a Norma Regulamentar nº 16, que, conforme

citado pelo autor na exordial, apenas dispôs sobre atividades perigosas com explosivos e inflamáveis, não havendo previsão de periculosidade para a função de "vigilante".

No caso, restou claro que suas atividades limitam-se a identificação de pessoal, controle de entrada e saída de veículos e rondas de inspeções - atividades estas que não lhes impunham "riscos de vida", senão aqueles ordinariamente suportados por qualquer trabalhador.

As atividades de vigilante não se revestem, repita-se, de caráter perigoso, pressuposto fático autorizador da concessão do adicional pretendido. Com efeito, a atividade dos vigilantes, regra geral, é, basicamente, zelar pelo patrimônio da instituição."

7.

acompanhada de cópias de sentenças judiciais pertinentes ao caso (fls. 115/122), rebateu a

argumentação da parte contrária e requereu, se necessário, a designação de audiência.

A impugnação, igualmente tempestiva (fls. 108/114),

8.

requereram (fls. 126 e 129).

Facultada a especificação de provas (fls. 124), as partes nada

9.

Autos conclusos (fls. 130).

Relatados, DECIDO.

10.

A ação já pode ser julgada, nos termos do CPC, art. 330, I, por

tratar de matéria de direito e haver suficiente documentação nos autos, razão porque indefiro

pedido de audiência para prova testemunhal (fls. 108/114).

11.

públicos federais nos cargos de vigilante/agente segurança e os respectivos vencimentos funcionais (fls. 18/19, 24/26, 29/33 e 36/38) e trabalharem em ambientes de risco e de

periculosidade (fls. 39/42).

No mais, os AA. comprovaram a condição de servidores

12.

de vigilantes, na conformidade do constante da descrição das atividades típicas do cargo de

Ou seja, os AA. estão submetidos a riscos próprios à condição

vigilante (fls. 35) e, no caso, não se trata de aumento de vencimentos e, sim, de uma compensação pelo exercício de suas atividades laborativas, como é o caso do adicional de periculosidade.

13.

contra-parte (fls. 77/92), considerando que restou comprovado que os AA. freqüentam

habitualmente ambientes considerados de riscos e em condições de periculosidade.

A R., por sua vez, não desconstituiu a prova produzida pela

14.

periculosidade de 30% (trinta por cento) sobre os vencimentos, é procedente porque a atividade de vigilância, por si só, pressupõe a exposição da vida do trabalhador, nos limites da razoabilidade, ao perigo, o que resulta no direito à percepção desse adicional, nos termos da CLT, art. 193, aplicável ao servidor público, conforme o Decreto-Lei n° 1.873/81, art. 1º (AC nº

377846, TRF - 5ª Região, DJ de 26/setembro/2008, pág. 1104).

Consequentemente, a implantação de adicional de

15.

O rol das atividades enumeradas como perigosas pela Norma

Regulamentadora n° 16, do Ministério do Trabalho, é meramente exemplificativo, motivo pelo qual, apesar de não textualmente prevista, a atividade de vigilância também deve ser abarcada (AC nº 377785, TRF - 5ª Região, DJ de 27/março/2008, pág. 994 - Nº 59); a respeito, o seguinte julgado mutatis mutandis aplicável á espécie:

"EMENTA: ADMINISTRATIVO. VIGILANTE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. POSSIBILIDADE DE CONCESSÃO.

1. A atividade de vigilância gera exposição da vida do trabalhador, resultando no direito à

percepção do adicional de periculosidade, nos termos do art. 193, da CLT, aplicável ao servidor público, conforme o art. 1°, da Lei n° 1.873/81.

2. O rol de atividades enumeradas como perigosas pela Norma Regulamentadora n° 16, do

Ministério do Trabalho, é meramente exemplificativo, de modo que a atividade de vigilância

também deve ser abarcada, mesmo não estando prevista textualmente.

3. Apelação e remessa oficial improvidas."

(APELREEX nº 8399, TRF5, DJE de 26/maio/2011, pág. 520)

16.

de periculosidade de 30% (dez por cento) sobre os seus vencimentos básicos.

Dessa forma, os AA. têm direito ao recebimento do adicional

17.

Isto posto, fundamentado no CPC, art. 269, I, e demais

legislação e jurisprudência referidas acolho o pedido, com resolução de mérito, para condenar a R. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB a implantar nos vencimentos dos AA. MANOEL PEDRO DA SILVA, JOSÉ ARIMATÉIA DE OLIVEIRA e DANIEL PEREIRA DE PONTES o adicional de periculosidade, no percentual de 30% (trinta por cento) dos vencimentos básicos, mais o pagamento das parcelas atrasadas a este título, até o qüinqüênio anterior ao ajuizamento até sua efetiva quitação, a serem encontradas em liquidação, sobre o que incidirão juros moratórios de 0,5% (meio por cento) ao mês, a partir da citação, com correção monetária desde o vencimento do débito, na forma do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Res. CJF nº 561/2007; a partir da entrada em vigor da Lei nº 11.960/2009 (DOU de 30/junho/2009), que alterou a Lei nº 9.494/1997, art. 1º-F, incidirão, a título de atualização da dívida e de juros de mora, apenas os

índices oficiais de remuneração básica e de juros aplicados às cadernetas de poupança.

18.

mil e quinhentos reais), nos termos do CPC, art. 20, § 4º.

Honorários advocatícios pela R., fixados em R$1.500,00 (um

19.

Recorro de ofício, segundo o CPC, art. 475, inc. I.

20.

Custas ex lege.

21.

P.R.I.

João Pessoa, 10/setembro/2012

JOÃO BOSCO MEDEIROS DE SOUSA

Juiz Federal da 1ª Vara

APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA Nº 5003418-15.2015.4.04.7200/SC

RELATORA

:

Des. Federal VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA

APELANTE

:

ADALBERTO LEOPOLDO ADRIANO

:

ANTONIO WILSON DA COSTA SILVEIRA

:

CLAUDEMIR PEREIRA DO NASCIMENTO

:

DIVO DACRUZ

:

ELOIR RAMOS

:

IRENE MARIA BOING KAVULACK

:

LEANDRO LUIZ DE OLIVEIRA

:

LUIZ CARLOS BIANECKI

:

LUIZ GONZAGA DOS SANTOS

:

MARCAL JOAO DO AMARAL

:

MIROSLAU SIKORSKI

ADVOGADO

:

FLAVIANO SALES CUNHA MEDEIROS

APELANTE

:

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - UFSC

APELADO

:

OS MESMOS

EMENTA

ADMINISTRATIVO. SERVIDOR CIVIL. ARTIGO 12, CAPUT, DA LEI Nº 8.270/1991. ARTIGO 193 DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO - CLT. LEI Nº 12.740/2012. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE PERIGOSA. VIGILANTE. Nos termos do disposto no caput do artigo 12 da Lei nº 8.270/1991, os servidores civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais perceberão adicionais de insalubridade e de periculosidade, nos termos das normas legais e regulamentares pertinentes aos trabalhadores em geral. O artigo 193 da Consolidação das Leis do Trabalho, com a alteração determinada pela Lei nº 12.740/2012, considera como atividades ou operações perigosas aquelas que impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a inflamáveis, explosivos, energia elétrica, roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. A exposição a perigo dos vigilantes não decorre do reconhecimento pela Administração e pelo Ministério do Trabalho e Emprego - MTE de que a atividade de vigilância patrimonial é perigosa, mas sim, do exercício da atividade.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação dos autores e dar parcial provimento à apelação da Universidade e à remessa oficial, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

Porto Alegre, 14 de setembro de 2016.

Desembargadora Federal VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA Relatora

Documento eletrônico assinado por Desembargadora Federal VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA, Relatora, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 8518653v4 e, se solicitado, do código CRC A95BC371.

Informações adicionais da assinatura:

Signatário (a):

Vivian Josete Pantaleão Caminha

Data e Hora:

16/09/2016 15:30