O autor afirma que sua sobre a França se dá não por sua língua ou sua origem, mas sim
por que pesquisei muito sobre ela, posteriormente destaca que “ao apresentar o modelo de
espaço social e de espaço simbólico que construí a propósito do caso particular da França,
falarei sempre do Japão (como, falando alhures, falarei dos Estados Unidos ou da
Alemanha).” (p.15-14).
Bourdieu destaca que seu desejo aos leitores é a ultrapassar uma leitura
particularista...(p.14)
O autor enfatiza que a sua obra “La distinction” está posta a tal leitura particularista,
pois a mesma não apresenta a “Grande Teoria”
Segundo Bourdieu “...não podemos capturar a lógica mais profunda do mundo social a
não ser submergindo na particularidade de uma realidade empírica, historicamente situada e
datada” (p.15).
“...uma análise do espaço social como a que proponho, a partir do caso da França dos
anos 70, é a da história comparada, que se interessa pelo presente, ou a da antropologia
comparativa, que se interessa por determinada região cultural, e cujo objetivo é apanhar o
invariante, a estrutura, na variante observada.” (p.15)
“Ele pode, assim, indicar as diferenças reais que separam tanto as estruturas quanto as
disposições (os habitus) e cujo princípio e preciso procurar, não na singularidade das naturezas
- ou das "almas" -, mas nas particularidades de histórias coletivas diferentes.” (p.15)
Exemplos...
“...o modo de pensar substancialista, que é do senso comum - e do racismo - e que leva
a tratar as atividades ou preferencias próprias a certos indivíduos ou a certos grupos de uma
1
certa sociedade, em um determinado momento, como propriedades substanciais, inscritas de
uma vez por todas em uma espécie de essência biológica ou - o que não é melhor - cultural,
leva aos mesmos anos de comparação - não mais entre sociedades diferentes, mas entre períodos
sucessivos da mesma sociedade.” (p.17)
“O espaço social e construído de tal modo que os agentes ou os grupos são ai distribuídos
em função de sua posição nas distribuições estatísticas de acordo com os dois princípio de
diferenciação que, em sociedades mais desenvolvidas, como os Estados Unidos, o Japão ou a
França, são, sem dúvida, os mais eficientes - o capital econômico e o capital cultural.” (p. 19)
“Uma das funções da noção de habitus e a de dar conta da unidade de estilo que vincula
as práticas e os bens de um agente singular ou de uma classe de agentes...” (p. 21)
“Os habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas [...] mas são
também esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão
e gostos diferentes.” (p. 22)
2
1.2 A LÓGICA DAS CLASSES (p. 24)
“As classes teóricas que construí, mais do que qualquer outro recorte teórico, mais, por
exemplo, do que os recortes conforme sexo, etnia etc.) estão PREDISPOSTAS a se tornarem
classes no sentido marxista do termo.” (p. 25)
“Não se passa da classe-no-papel a classe "real" a não ser por um trabalho político de
mobilização: a classe "real", se e que ela algun1a vez existiu "realmente", e apenas a classe
realizada, isto e, mobilizada, resultado da luta de classes como luta propriamente simbólica (e
política) para impor uma visão do mundo social ou, melhor, uma maneira de construi-la, na
percepção e na realidade, e de construir as classes segundo as quais ele pode ser recortado.” (p.
26)
3
APÊNDICE - A VARIANTE “SOVIÉTICA” E O CAPITAL POLÍTICO (p. 28)
“O modelo ai proposto e valido para além do caso especifico da França' Pode ser
aplicado também ao caso da RDA, e em que condições?” (p. 28)
“Para construir o espaço social no caso da França, era preciso, e bastava, levar em conta
OS diferentes tipos de capital cuja distribuição determina a estrutura do espaço social. Dado
que o capital econômico e o capital cultural tem, nesse caso, um peso importante, o espaço
social organiza-se de acordo com três dimensões fundamentais...” (p. 29)
“Para responder à questão colocada no início [...] é preciso, portanto, examinar quais
são os princípios de diferenciação característicos dessa sociedade (o que implica em admitir
que, contrariamente ao mito da "sociedade sem classes", isto é, sem diferenças, tais princípios
existem - como aliás o comprovam, de maneira evidente, os movimentos de contestação
atualmente existentes no pais) ...” (p. 30)
“...os princípios de diferenciação que os definem está no fato de que o capital econômico
- a propriedade privada dos meios de produção - se encontra oficialmente...” (p. 30-31)
“O peso relativo do capital cultural (que podemos supor ser altamente valorizado tanto
na tradição alemã quanto na francesa ou na japonesa), portanto, aumenta.” (p. 31)
“Os regimes que devemos chamar de soviéticos (antes que de comunistas) levaram ao
extrema a tendência a apropriação privada de bens e de serviços públicos” (p. 31)
4
“A introdução de um índice de capital político esperdiço de tipo soviético [...] sem
dúvida, permitiria construir uma representação do espaço social capaz de dar conta da
distribuição dos poderes, dos privilégios e também dos estilos de vida.” (p. 32)
“Não há dúvida de que, como já sugeri, os detentores do capital escolar são, e certo, os
mais inclinados à impaciência e à revolta contra os privilégios dos detentores do capital político
e, também, os mais capazes de utilizar contra a Nomenklatura as profissões de fé igualitárias
ou meritocracias que são o fundamento da legitimidade reivindicada por ela.” (p.32)
5
2. O NOVO CAPITAL (p.35)
“As famílias são corpos (corporate bodies) animados por uma espécie de conatus, no
sentido de Spinoza, isto e, uma tendência a perpetuar seu ser social, com todos seus poderes e
privilégios...” (p. 35)
“...uma verdadeira nobreza de Estado, cuja autoridade e legitimidade são garantidas pelo
título escolar.” (p. 39)
“...o novo capital, o capital cultural, deve alcançar seus interesses particulares a um grau
de universalização superior, e inventar uma versão que podemos chamar de "progressista"...”
(p. 41)
6
“Os "sujeitos" são, de fato, agentes que atuam e que sabem, dotados de um senso
prático...” (p. 42)
“O habitus e essa espécie de senso prático do que se deve fazer em dada situação - o que
chamamos, no esporte, o senso do jogo, arte de antecipar o futuro do jogo inscrito, em esboço,
no estado atual do jogo.” (p. 42)
“Dito de outra forma, a ação do sistema escolar e resultante de ações mais ou menos
grosseiramente orquestradas de milhares de pequenos demônios de Maxwell que, por suas
escolhas ordenadas de acordo com a ordem objetiva (as estruturas estruturantes são, como tenho
lembrado, estruturas estruturadas), tendem a reproduzir essa ordem sem saber, ou querer.”
(p.43)
“...reprodução social: cito como exemplo apenas o estatuto inferior que e objetivamente
atribuído pelas fanll1ias ao ensino técnico e o privilegio que elas atribuem ao ensino geral.” (p.
47)
“...consideram uma catástrofe a relegação de seus filhos ao ensino técnico...” (p. 47)
“Mas, se e permitido ao sociólogo, ao menos un1a vez, fazer previsões, e sem dúvida
na relação cada vez mais tensa entre a grande e a pequena nobreza de Estado que reside o
princípio dos grandes conflitos do futuro: de fato, tudo leva a crer que, opondo-se aos velhos
egressos das grandes escolas na França e das grandes universidades públicas no Japão, que
tendem cada vez mais a monopolizar duradouramente todas as grandes posições de poder, nos
bancos, na indústria, na política, os detentores de títulos de segunda ordem, pequenos samurais
da cultura, serão sem dúvida levados a invocar, em suas lutas pela ampliação do grupo no poder,
novas justificativas universalistas, como fizeram, na França do século XVI e até o início da
revolução francesa, os pequenos nobres provinciais ou, no século XIX, os pequenos samurais
excluídos que lideraram, em nome "da liberdade e dos direitos civis", a revolta contra a reforma
Meiji.” (p.48)
7
APÊNDICE – ESPAÇO SOCIAL E CAMPO DE PODER (p. 48)
“Marx, sábio e homem de ação, propôs soluções teóricas falsas - como a existência real
das classes...” (p. 49)
“A ciência social não deve construir classes, mas sim espaços sociais no interior dos
quais as classes possam ser recortadas - mas que existem apenas no papel. Ela deve, em cada
caso, construir e descobrir (para além da oposição entre o construcionismo e o realismo) o
princípio de diferenciação que permite reengendrar teoricamente o espaço social empiricamente
observado.” (p. 49)
“...o campo do poder (que não deve ser confundido com o campo político) não e um
campo como os outros: ele e o espaço de relações de força entre os diferentes tipos de capital
ou, mais precisamente, entre os agentes suficientemente providos de um dos diferentes tipos de
capital para poderem dominar o campo correspondente e cujas lutas se intensificam sempre que
o valor relativo dos diferentes tipos de capital e posto em questão” (p. 52)
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