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Aula 10

Legislação de Trânsito p/ DETRAN-CE (Agente de Trânsito e Fiscal de Transportes)


Com videoaulas

Professores: Alexandre Herculano, Marcos Girão


LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO P/ DETRAN-CE (TODOS CARGOS) 2017
Teoria e Questões
Aula 10 – Profs. Marcos Girão e Alexandre Herculano

AULA 10
Crimes de Trânsito

Sumário
APRESENTAÇÃO ..................................................................................... 3
I – OS CRIMES DE TRÂNSITO - PARTE GERAL ........................................ 4
1. Conceitos Iniciais ............................................................................ 4
2. Elementos Subjetivos da Conduta ................................................... 4
2.1. Crimes DOLOSOS......................................................................5
2.2. Crimes CULPOSOS.....................................................................5
3. Infração X Crime De Trânsito ......................................................... 6
4. Suspensões previstas no CTB .......................................................... 6
4.1. A Suspensão ADMINISTRATIVA................................................6
4.2. A Suspensão PENAL..................................................................7
4.3. Condições para o SUSPENSO voltar a dirigir............................10
5. As Multas previstas no CTB ........................................................... 13
5.1. A Multa ADMINISTRATIVA......................................................13
5.2. A Multa REPARATÓRIA............................................................13
5.3. A Multa PENAL........................................................................14
6. Crimes de Dano e de Perigo no CTB .............................................. 15
7. Circunstâncias Agravantes e Aumentativas de Pena ..................... 16
II – OS CRIMES DE TRÂNSITO - PARTE ESPECÍFICA ............................ 23
1. Os Crimes de Trânsito ................................................................... 23
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1.1. Homicídio Culposo...................................................................25


1.2. Lesão Corporal Culposa............................................................28
1.3. Crime de Omissão de Socorro..................................................36
1.4. Crime de Afastar-se do Local...................................................37
1.5. Crime de Embriaguez ao Volante.............................................38
1.6. Crime de Violação à Suspensão...............................................50
1.7. Crime de Racha........................................................................51
1.8. Crime de Dirigir sem Habilitação..............................................54
1.9. Permitir, Confiar, Entregar.......................................................54
1.10. Crime de Trafegar com Velocidade Incompatível...................56
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Teoria e Questões
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1.11. Crime de Inovar com Vítima..................................................59


QUESTÕES DE SUA AULA ...................................................................... 91
GABARITO ......................................................................................... 101

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Teoria e Questões
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APRESENTAÇÃO

Olá, caro aluno!

Nesta aula, estudaremos um assunto bastante importante e sempre muito


badalado nos últimos anos: os Crimes de Trânsito.

É um assunto que volta e meia tem ocupado grande espaço na mídia,


mas que, em se tratando provas de concursos, ainda não tem sido um alvo
muito grande de questões. O Cespe é a banca que mais tem questões sobre o
assunto e ainda assim não são tantas! Apesar disso, temos cerca de 50
questões, mais do que suficientes para a consolidação do seu aprendizado!
Pois bem, mais do que descrever os todos os crimes de trânsito trazidos
pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), vamos dar qualidade ao tema,
aprofundando-o no limite necessário.
Abordarei primeiramente a Parte Geral do Capítulo XIX (arts. 291 a 301) e,
em seguida, com a base dada pela parte geral, falarei sobre cada um dos
Crimes em Espécie (arts. 302 a 312), destacando as importantes mudanças
promovidas pela Lei nº 11.705/08, a famosa Lei Seca, e pelas recentíssimas Lei
nº 12.760/12, apelidada de “Lei da Tolerância Zero”, e Lei nº 12.971/2014.

Beleza?

Então, aperte o cinto e vamos em frente!

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I – OS CRIMES DE TRÂNSITO - PARTE GERAL

1. Conceitos Iniciais

O Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/97) – CTB - estabelece que


aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, nele previstos,
aplicam-se subsidiariamente as normas gerais do Código Penal e do Código de
Processo Penal, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que
couber.

Daí você já percebe que as consequências sofridas por quem comete


crimes no trânsito não se esgotam apenas nas disposições do referido Código. A
depender da gravidade e dos agravantes, o infrator pode também ser
submetido às imposições do Código Penal e do Código Processual Penal, assim
como da Lei nº 9.099/95 (Leis dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais).

Antes de mais nada, vamos trabalhar alguns conceitos que entendemos


serem importantes para a compreensão geral do assunto.

Tendo como referência o que diz o Código Penal, em se tratando de crime


de trânsito, o envolvido por ele responderá se o tiver cometido tanto em via
pública quanto em via particular, a não ser que no tipo penal venha de
maneira expressa o termo "via pública”.

Sendo assim, a primeira informação importante: aquele que pratica


homicídio culposo ou lesão corporal culposa na direção de veículo automotor
responde pelo CTB, ainda que esses crimes tenham ocorrido em vias
particulares, uma vez que o CTB, em seus artigos 302 e 303, nada menciona.
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Chegaremos já neles, guenta aí!

2. Elementos Subjetivos da Conduta

Para configuração do crime, é preciso que seja analisado se o agente


incorreu em dolo, em culpa, ou se esses elementos estavam ausentes, a fim
de que seja feita a correta tipificação do delito.
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2.1. Crimes DOLOSOS

O Código Penal Brasileiro define, em seu art.18, que um crime é doloso


quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Assim:

 A punição por conduta dolosa nos crimes de trânsito é a


regra; os crimes de trânsito tipificados no CTB são, em sua
maioria, punidos apenas na modalidade DOLOSA , mais
especificamente os dos arts. 304 ao 312 do CTB.

2.2. Crimes CULPOSOS

No mesmo artigo 18, o Código Penal Brasileiro diz que um crime culposo
é aquele em que o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência
ou imperícia.

Pois bem, a punição por conduta culposa, nos delitos em geral, constitui
regra de exceção. Assim, ao analisar um delito de trânsito qualquer, a
conduta será culposa se nele houver expressa previsão.

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 No CTB temos apenas dois delitos de trânsito, cometidos na


direção de veículo automotor com previsão de punição das
condutas culposas que são:

HOMICÍDIO CULPOSO  Art. 302

LESÃO CORPORAL CULPOSA  Art. 303


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3. Infração X Crime De Trânsito

É importante perceber que na infração de trânsito, não há que se


falar na valoração, pelo agente de trânsito, dos elementos subjetivos da
conduta, dolo e culpa, como requisito para tipificação, ou seja, esses
elementos não são levados em consideração pelo agente de trânsito nas
autuações. O que ele de fato analisa é somente se o condutor está ou não em
uma situação proibida.

Já no crime de trânsito, o magistrado (autoridade judiciária) sempre


valora os elementos subjetivos da conduta, a fim de fazer a correta tipificação
do delito, e, por conseguinte, aplicar a pena correspondente à conduta lesiva.

4. Suspensões previstas no CTB

Uma das penalidades impostas pela autoridade de trânsito aos


condutores que cometem infrações é a suspensão do direito de dirigir (art.
256, III, CTB). Trata-se de uma suspensão administrativa, já que é aplicada
pela autoridade de trânsito do órgão com circunscrição pela via.

Acontece que não temos apenas essa modalidade de suspensão prevista


no CTB. Há também um tipo de suspensão aplicada pela autoridade judiciária
em decorrência de crimes de trânsito. Esta pena é aplicável tanto ao
inabilitado quanto ao detentor da habilitação.
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Vamos analisá-las e conhecer suas diferenças!

4.1. A Suspensão ADMINISTRATIVA

A penalidade de suspensão do direito de dirigir (art. 256, III c/c


art. 261) será aplicada nos casos previstos no CTB, da seguinte forma:
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 06 meses a 01 ano e de 08 meses a 02 anos (se reincidentes)


- quando atingir 20 pontos na CNH;

 02 a 08 meses e de 08 a 18 meses (se reincidente) - nas


infrações que preveem a suspensão sem prazo fixo;

4.2. A Suspensão PENAL

Já a suspensão penal, prevista no art. 293 do CTB (esta interessa para


a sua prova!), proporciona ao magistrado uma possibilidade maior de sua
aplicação, se comparada com a suspensão administrativa aplicada pela
autoridade de trânsito.

 Pela imposição dessa pena, poderá ficar suspenso tanto


quem tem o direito de dirigir quanto o inabilitado ,
pelo prazo variável de 02 meses a 05 anos.

Quando aplicada essa suspensão, o habilitado tem seu direito de dirigir


veículo automotor suspenso. O inabilitado (aquele que ainda não tem ou
nunca teve CNH) tem proibido o direito de obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor.
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Essa suspensão somente pode ser aplicada por um Juiz de Direito, tem
natureza jurídica de pena restritiva de direito, apenas sendo possível aplicá-
la, em regra, após o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória.

O CTB estabelece que a suspensão penal pode ser aplicada isolada


(apenas ela) ou cumulativamente (com a pena privativa de liberdade ou
com a multa), e com prazo a ser estipulado pela autoridade judiciária, sem
nenhuma correlação com os prazos da pena privativa de liberdade, devendo,
entretanto, o juiz observar um mínimo de 2 meses e um máximo de 5
anos.
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Lei nº 12.971/14

 Com o advento dessa norma, a suspensão ou a proibição de se


obter a habilitação ou a permissão para dirigir não mais
pode ser aplicada como pena principal (art. 292, CTB)!
Fique ligado com essa mudança, ok?

Como assim, professor?!

Bom, essa penalidade só aparece expressamente descrita em quatro dos


doze crimes tipificados no CTB: no de homicídio culposo (art. 302); no de
lesão corporal culposa (art. 303); no de embriaguez ao volante (art. 306); e
no de promoção de competição esportiva (art. 308). Nesses crimes, ela
aparece de forma cumulativa com as respectivas penas restritivas de
liberdade (detenção ou reclusão).

Nenhum dos demais crimes do CTB sequer a prevê como penalidade! E


aí, a pergunta: como então ela pode ser aplicada de forma isolada professor,
já que só aparece junto com outra pena nos quatro crimes acima e não é
prevista em nenhum dos demais delitos?
É aí que vem pulo do gato! A restrição será aplicada isoladamente para
alguns delitos do CTB caracterizados como de menor potencial ofensivo, ou
seja, cujas penas restritivas de liberdade não tenham prazo máximo de 2 anos.
Nesses casos, o juiz poderá oferecer a chamada transação penal (art. 76 da Lei
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nº 9.099/95), que, grosso modo, significa substituir a pena restritiva de


liberdade por uma restritiva de direitos, como essa que estamos a estudar:
suspensão ou a proibição de se obter a habilitação ou a permissão para
dirigir.

Beleza? Ah, e mais: diferentemente da suspensão administrativa, o


cumprimento da suspensão penal está condicionado à soltura do réu; sendo
assim, enquanto o condenado estiver recolhido em
estabelecimento prisional, não há de ser deflagrada a
contagem da suspensão penal, não havendo esse impedimento na
aplicação de sanções administrativas.
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Por exemplo: você foi condenado por um crime de trânsito a 2 anos de


reclusão que também previa, de forma cumulativa, a suspensão de sua
habilitação. O magistrado decidiu que seria de 3 anos o prazo dessa suspensão.
Transitada em julgado a sentença, você primeiro cumprirá a pena restritiva de
liberdade e, somente após a sua soltura, é que começa a contar o prazo de
cumprimento da suspensão da habilitação. Em tese, você ficará 5 anos (2 de
reclusão + 3 de suspensão) sem poder conduzir veículos.

Existe, em caráter de exceção, a previsão no art. 294 do CTB, de que


poderá o juiz, como medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do
Ministério Público, ou ainda mediante representação da autoridade policial,
decretar, em decisão motivada, a suspensão da permissão ou da habilitação
para dirigir veículo automotor, ou a proibição de sua obtenção em qualquer
fase da investigação ou da ação penal, havendo necessidade para garantir
a ordem pública.

Nesse caso, o legislador deu ao judiciário a oportunidade de acalmar o


clamor público, a sensação de impunidade, e também uma maneira de calar a
imprensa, e outros meios de comunicação, em situações em que a
manutenção do direito de dirigir atente contra a tranquilidade social.

E sobre essa penalidade, mais um destaque:

 Se o réu for reincidente na prática de crime previsto no


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CTB Código, o juiz aplicará a penalidade de


suspensão da permissão ou habilitação para dirigir
veículo automotor, sem prejuízo das demais sanções
penais cabíveis (art. 296).

E você sabia que o CTB prevê condições para que esse condutor suspenso
volte a dirigir?

Vamos conhecê-las!
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4.3. Condições para o SUSPENSO voltar a dirigir

Segundo o art. 261, §2º, do CTB, aquele que for suspenso


administrativamente pela autoridade de trânsito terá como condição para
voltar a dirigir:

 o cumprimento do prazo da suspensão; e

 a participação em curso de reciclagem.

Pois bem, quanto ao suspenso penalmente, deve ser obedecida a regra


geral do artigo 160 do CTB, regulamentado pela Resolução CONTRAN nº
300/08. Tal regra estabelece que todo condenado por delito de trânsito, após
sentença definitiva, terá seu documento de habilitação apreendido, e só após
o cumprimento da decisão judicial e de submissão a novos exames, com a
devida aprovação neles, será emitido um novo documento de habilitação
mantendo-se o mesmo registro, sendo necessária também a participação em
curso de reciclagem.

 Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu


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será intimado a entregar à autoridade judiciária, em 48


horas, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.
 Depois de cumprida a pena o condenado por delito de trânsito
não precisa reiniciar todo o processo de habilitação ,
apenas refaz os exames exigidos para primeira habilitação, no
DETRAN de registro da sua habilitação.

Para você não se esquecer das diferenças:


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Suspensão Administrativa:
 imposta pela autoridade de trânsito;

 06 meses a 01 ano e de 08 meses a 02 anos (se reincidentes)


- quando atingir 20 pontos na CNH;

 02 a 08 meses e de 08 a 18 meses (se reincidente) - nas


infrações que preveem a suspensão sem prazo fixo;
 cumprido o prazo da suspensão, faz curso de reciclagem e volta a
conduzir.

Suspensão Penal:
 imposta pelo magistrado

 02 meses a 05 anos

 começa a cumprir depois de transitada em julgado a sentença

 cumprida a pena de suspensão, faz todos os exames da primeira


habilitação mantendo-se o primeiro registro + curso de
reciclagem.

Veja como essas primeiras informações foram cobradas:


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01. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2011] Qual a duração do prazo estabelecido pela
legislação de trânsito, quando da suspensão ou da proibição de se
obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor?
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(A) De dois meses a cinco anos.

(B) De dois meses a quatro anos.

(C) De três meses a cinco anos.

(D) De seis meses a quatro anos.

(E) De seis meses a cinco anos.

Comentário:

Questão bem simples, mas que lhe exige o conhecimento sobre a


suspensão para quem comete crimes de trânsito. A suspensão penal, prevista
no art. 293 do CTB, proporciona ao magistrado uma possibilidade maior de
sua aplicação, se comparada com a suspensão administrativa, aplicada pela
autoridade de trânsito.

Quando aplicada essa suspensão, o habilitado tem seu direito de dirigir


veículo automotor suspenso. O inabilitado (aquele que ainda não é habilitado)
tem proibido o direito de obter a permissão ou a habilitação para dirigir
veículo automotor. Pela imposição dessa pena, poderá ficar suspenso tanto
quem tem o direito de dirigir quanto o inabilitado, pelo prazo variável de 02
meses a 05 anos.

Gabarito: Letra “A”

02. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2011] Se o réu for reincidente na prática de crimes previstos
na legislação, o juiz aplicará a penalidade de suspensão da permissão ou
habilitação para dirigir veículos automotores, sem prejuízos das demais
sanções penais cabíveis.

Comentário:

Exato! Vimos que, se o réu for reincidente na prática de crime previsto no


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CTB, o juiz necessariamente terá que aplicar a penalidade de suspensão da


permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor, sem prejuízo das
demais sanções penais cabíveis.

Gabarito: Certo
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5. As Multas previstas no CTB

O termo multa torna-se relevante em virtude da confusão feita por muitos


candidatos, uma vez que no CTB existe a previsão de três tipos de multas de
naturezas diferentes:

 a de natureza CIVIL;

 a de natureza PENAL e;

 a de natureza ADMINISTRATIVA.

Vamos aprender a diferenciá-las!

5.1. A Multa ADMINISTRATIVA

A multa administrativa é uma sanção a ser imposta pela autoridade de


trânsito com circunscrição sobre a via onde tenha ocorrido uma infração de
trânsito (art. 256, II, CTB).

Poderíamos defini-la também como uma receita de natureza não tributária


de arrecadação vinculada, uma vez que tem destino certo, pois o CTB determina
que a receita arrecadada com a cobrança das multas de transito será aplicada,
exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego de campo,
policiamento, fiscalização e educação de transito.
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Cabe ressaltar que 5% do total da receita de multa arrecadada pelo


país são destinados ao FUNSET (Fundo Nacional de Segurança e Educação
para o Trânsito), que é administrado pelo DENATRAN.

5.2. A Multa REPARATÓRIA

Essa é uma multa de natureza civil, indenizatória, e exigida no juízo


penal. É, na verdade, uma antecipação de um ressarcimento imposta pelo
juiz da esfera penal, após reclamação da vítima ou seus sucessores.
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Para que a multa reparatória se torne exigível, é necessária a ocorrência


de um crime de transito, já que é aplicada no juízo penal, e também um dano
material - apenas este é indenizável a título de multa reparatória.

O destino da multa reparatória é, portanto, diferente do destino da multa


administrativa, pois esta vai para o Estado e aquela é paga à vítima ou aos seus
sucessores.

Convém ressaltar que o valor da multa reparatória terá como limite o do


prejuízo demonstrado no processo; porém, se posteriormente a vítima se achar
insatisfeita com o valor pago, poderá ainda reclamar o mesmo objeto, a mesma
indenização, na esfera cível, recebendo evidentemente apenas a diferença.

A forma de pagamento dessa multa está prevista no Código Penal, entre


seus arts. 49 e 52, devendo ser paga em dia-multa, a ser fixado pelo juiz. A
multa deve ser paga dentro de 10 dias depois de transitada em julgada a
sentença.

A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz


pode permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais, inclusive
mediante desconto no vencimento ou salário, sendo que o desconto não deve
incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e da sua
família.

5.3. A Multa PENAL

A pena de multa, também conhecida como pena pecuniária, é uma


sanção penal que consiste na imposição ao condenado da obrigação de pagar
ao Fundo Penitenciário determinada quantia em dinheiro, calculada na forma
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de dias-multa, atingindo o patrimônio do condenado.

O CTB prevê que a pena de multa pode ser cominada e aplicada


cumulativamente com a pena privativa de liberdade ou ainda de forma
alternativa com a pena de prisão (art. 292).

Quando a multa é punição única (comum na lei de contravenções


penais), ou nos casos em que ela se encontra cumulada com a pena de prisão,
ao magistrado, no caso de condenação, será obrigatória a sua aplicação,
sob pena de ferir o princípio da legalidade ou da inderrogabilidade da pena.
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Nos casos em que a pena de multa estiver prevista de forma


alternativa com a pena privativa de liberdade, o juiz terá uma
discricionariedade para escolher entre uma ou outra, conforme seja necessário
e suficiente para reprovação e prevenção do crime.

6. Crimes de Dano e de Perigo no CTB

Para entendermos melhor a dinâmica dos crimes de trânsito, é preciso


entender os conceitos de crimes de dano e de crimes de perigo (abstrato e
concreto).

Crime de dano é aquele que não se consuma apenas com o perigo, pois
é necessário que ocorra uma efetiva destruição a um bem jurídico penalmente
protegido. Na legislação de trânsito, mais especificamente no capítulo dos
crimes de trânsito, encontramos como crimes de dano apenas os culposos,
previstos nos artigos 302 e 303. São eles os crimes de homicídio culposo e
lesão corporal culposa.

Crime de perigo é aquele que se consuma com o simples perigo criado


para o bem jurídico. Divide-se em crime de perigo em concreto ou em
abstrato.

O crime de perigo concreto é aquele que precisa ser comprovado, isto é,


deve ser demonstrada a situação de risco corrida pelo bem juridicamente
protegido. Exemplos desse crime são o “crime de excesso de velocidade” e o
de “trânsito com veículos sobre calçadas”. Nos crimes de perigo em abstrato,
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a situação de perigo não precisa ser provada, pois a lei contenta-se com a
simples prática da ação que pressupõe perigosa.

Os crimes de perigo estão previstos nos artigos 304 ao 312, ora de


perigo em concreto, ora de perigo em abstrato, em ambos os casos sempre
dolosos. Você entenderá melhor essas diferenças quando tratarmos
individualmente cada um dos crimes previstos.
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7. Circunstâncias Agravantes e Aumentativas de Pena

O CTB traz algumas condutas que, caso praticadas por alguém na


condução de veículo, agravam as penas impostas aos crimes de trânsito.
Algumas dessas circunstâncias, além de agravarem a pena, também
aumentam o tempo máximo estabelecido para determinados crimes no CTB.

Quando eu digo que alguma circunstância agrava a pena de um crime,


eu quero dizer que o magistrado (o juiz), ao aplicar a sentença condenatória
por determinado crime de trânsito e observar que uma dessas circunstâncias
estava presente no ato do crime, ele tenderá a não aplicar a pena mínima e,
sim, a depender do caso, aplicará a pena máxima ou a mais próxima dela.

Quando eu digo que alguma circunstância é aumentativa de pena de


um crime, eu quero dizer que a pena restritiva de liberdade prevista para
aqueles tipos penais será aumentada de um terço à metade .

Se, por exemplo, um crime de trânsito prevê a pena máxima de 04 anos,


em havendo circunstância aumentativa de pena no cometimento desse crime, o
juiz poderá decidir em sua sentença por aplicar uma pena de até 06 anos!

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 As circunstâncias AUMENTATIVAS de pena aplicam-se


apenas aos crimes de homicídio culposo (art. 302) e de
lesão corporal culposa (art. 303).

 As circunstâncias AGRAVANTES aplicam-se a TODOS os


delitos.

Aí você me pergunta: e quais são então as circunstâncias agravantes de


pena estabelecidas pelo CTB?
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A resposta você encontra no art. 298 do nosso querido Código, que assim
estabelece:

 com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande


risco de grave dano patrimonial a terceiros;

 utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou


adulteradas;

 sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

 com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria


diferente da do veículo;

 quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com


o transporte de passageiros ou de carga;

 utilizando veículo em que tenham sido adulterados


equipamentos ou características que afetem a sua segurança
ou o seu funcionamento de acordo com os limites de velocidade
prescritos nas especificações do fabricante;

 sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada


a pedestres.

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E as aumentativas de pena, professor?

De todas as circunstâncias acima citadas, apenas três delas são


aumentativas de pena. Não é necessário que você tente decorá-las, pois se
você der uma lida cuidadosa em cada uma, perceberá que há algumas que,
pela sua gravidade, destacam-se frente às outras. São situações
aumentativas de pena, ter o condutor cometido crime (art. 302, parágrafo
único):
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 sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

(fácil de imaginar o quão sério é alguém cometer um crime de


trânsito sem sequer possuir habilitação, não é mesmo?)

 no exercício de sua profissão ou atividade estiver conduzindo


veículos de transporte DE PASSAGEIROS;

(Como agravante de pena, tanto faz ser condutor que exerce


atividade remunerada de veículo de carga e de passageiros.
Agora, essa agravante não será aplicada para motoristas de veículos
de transporte de PASSAGEIROS nos casos de lesão corporal ou
homicídio culposo, pois ela é uma situação aumentativa de pena.)

 sobre faixa de pedestres ou na calçada;

(cometer crime de trânsito em faixa de pedestre você há de


concordar comigo que é, sem dúvida nenhuma, boa razão para se
aumentar a pena!!)

 deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco


pessoal, à vítima do acidente.

(Bom, você deve ter estranhado esse item aparecer apenas como
aumentativo de pena e não ser sequer um agravante. É isso mesmo!
Esse é o único dos itens que só é aumentativo de pena. As razões
são bastante óbvias!!)
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As agravantes deverão ser consideradas na 2 ª fase da fixação da pena


(art. 68 do Código Penal) em relação às penas privativas de liberdade, multa e
de suspenso ou proibição de se obter a permissão ou habilitação para dirigir
veículo automotor.

Saiba ainda que as circunstâncias agravantes não serão consideradas


quando constituírem elementar, qualificadora ou causa de aumento de pena
do delito em espécie. Caso contrário, haveria bis in idem.

E antes de tratarmos dos crimes, mais uma informação importante:


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 Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito


de que resulte vítima, não se imporá a prisão em
flagrante, nem se exigirá fiança, se prestar pronto e
integral socorro àquela (art. 301).

Veja como foi cobrado:

03. [IUAPE – MOTORISTA - PREF. MUN. SURUBIM/PE – 2009] O


condutor de um veículo cometeu um crime de trânsito sobre a faixa de
trânsito temporária destinada a pedestres. Nesta circunstância, a pena
será

(A) atenuada.

(B) agravada.
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(C) aumentada em dobro.

(D) agravada apenas com multa.

(E) atenuada em um terço da pena.

Comentário:

O enunciado da questão nos diz que o condutor de um veículo cometeu


um crime sobre a faixa de trânsito temporária destinada a pedestres. Ele não
cita que crime foi esse. Poderá ter sido um dos dois únicos crimes culposos
previstos no CTB (homicídio culposo ou lesão corporal culposa), cuja situação
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ensejaria um aumentativo de pena de um terço à metade ou poderá ter sido


um crime de trânsito doloso (todos os demais crimes) que ensejaria em
agravantes de pena.

Como não está tão claro no enunciado, vamos buscar o item que melhor
se encaixa para uma possível resposta correta:

Item A - O CTB não prevê circunstâncias atenuantes de pena para crimes de


trânsito, e sim circunstâncias aumentativas ou agravantes. (Errado)

Item B - Opa! A situação descrita na questão pode nos levar sim a uma pena
agravada. A priori, o item está correto. Vamos checar os demais! (Certo)

Item C - Pode ser também uma circunstância aumentativa de pena, mas não
há previsão no CTB para que penas sejam aumentadas em dobro!! (Errado)

Item D - Não há agravantes de pena de multa, e sim de penas restritivas de


liberdade. (Errado)

Item E - Já vimos que não há circunstâncias atenuantes de pena previstas no


Código. (Errado)

Bom, diante do enunciado da questão e das opções que nos foram


apresentadas, o item “B” é a melhor resposta.

Gabarito: Letra “B”

04. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2008] De acordo com o


CTB, assinale a opção correta acerca das ações penais por crimes
cometidos na direção de veículos automotores.

(A) Em nenhuma hipótese se admite a aplicação aos crimes de trânsito de


disposições previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais criminais.

(B) A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para


dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade principal, mas
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sempre de forma isolada, sendo vedada a aplicação cumulativa com outras


penalidades.

(C) A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a


habilitação para dirigir veículo automotor tem a duração de dois anos.

(D) Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado a


entregar à autoridade judiciária, em 24 horas, a permissão para dirigir ou a
CNH.

(E) Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que resulte


vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se ele
prestar pronto e integral socorro àquela.
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Comentário:

Item A - Essa é uma das primeiras e mais importantes informações que você
deve ter ao estudar os crimes de trânsito:

O CTB, em seu primeiro artigo da Parte Geral dos Crimes de Trânsito, o


art. 291, estabelece que aos crimes cometidos na direção de veículos
automotores, nele previstos, aplicam-se subsidiariamente as normas gerais
do Código Penal e do Código de Processo Penal, bem como a Lei nº
9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais Criminais), no que couber.

Daí você já percebe que as consequências sofridas por quem comete


crimes no trânsito não se esgotam apenas nas disposições do referido Código.

A depender da gravidade e dos agravantes, o infrator pode também ser


submetido às imposições do Código Penal e do Código Processual Penal, assim
como da Lei nº 9.099/95 (Leis dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais). O
item em estudo afirma exatamente o contrário do que nos ensina o Código.
(Errado)

Item B - Vimos que, pela imposição dessa pena, poderá ficar suspenso tanto
quem tem o direito de dirigir quanto o inabilitado, pelo prazo variável de 02
meses a 05 anos.

O habilitado tem seu direito de dirigir veículo automotor SUSPENSO.

O inabilitado (aquele que ainda não é habilitado) tem PROIBIDO o


direito de obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Com as mudanças promovidas no art. 292 do CTB pela Lei nº


12.971/14, a suspensão penal pode ser aplicada ISOLADA (apenas ela) ou
CUMULATIVAMENTE (com a pena privativa de liberdade ou com a multa) e com
prazo a ser estipulado pela autoridade judiciária, sem nenhuma correlação com
os prazos da pena privativa de liberdade.
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O item erra, portanto, duas vezes: ao afirmar que a suspensão ou a


proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor pode ser imposta como penalidade principal; e ao asseverar que tal
pena terá que ser imposta sempre de forma isolada, sendo vedada a aplicação
cumulativa com outras penalidades. Acabamos de ver que ela pode sim ser
aplicada de forma cumulativa! (Errado)

Item C – Errado! Para a aplicação da penalidade de suspensão ou de proibição


de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor, o juiz
deve observar um prazo variável de no mínimo 2 meses a um máximo de
5 anos. Não é um prazo fixo de 2 anos! (Errado)

Item D – Cuidado com esses prazos! Transitada em julgado a sentença


condenatória e tendo sido aplicada pena de suspensão da habilitação para
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dirigir veículo automotor, o réu será intimado a entregar à autoridade


judiciária, em 48 horas, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de
Habilitação. O item fala em um prazo de 24 horas. As bancas gostam muito
de trocar esse prazo! (Errado)

Item E - Exatamente! Se você for envolvido em algum acidente e dele resultar


alguma vítima, caso preste pronto e integral socorro a ela, estará livre de ser
preso em flagrante ou de pagar fiança. Essa é a disposição estabelecida pelo
art. 301 do CTB. (Certo)

Gabarito: Letra “E”

Pronto. Estudada a parte geral sobre os crimes de trânsito, chegou a hora


de conhecermos os crimes em espécie, analisando-os à luz do que regula o CTB
e, sempre que possível, as posições doutrinárias e jurisprudenciais pertinentes.

Atenção a essa importantíssima parte do seu estudo, ok?!

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II – OS CRIMES DE TRÂNSITO - PARTE ESPECÍFICA

1. Os Crimes de Trânsito

Neste tópico, vamos estudar quais são os crimes de trânsito tipificados no


CTB e quais são suas principais peculiaridades para fins de provas de
concursos.

Estudaremos artigo por artigo, crime por crime, mas antes, precisamos
fazer algumas considerações doutrinárias, dando especial destaque às
importantes mudanças trazidas pela Lei 11.705/08 (A Lei Seca) para este
tema.

Para começar, vamos voltar ao disposto no primeiro artigo da PARTE


GERAL do capítulo XIX do CTB (crimes de trânsito).

Art. 291. Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos


neste Código, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código
de Processo Penal; se este Capítulo não dispuser de modo diverso, bem
como a Lei nº 9,099 de 26 de setembro de 1995, no que couber.

A Lei nº 9.099/95 acima citada trata dos Juizados Especiais Cíveis e


Criminais (JEC). Logo em breve você entenderá o porquê de sua relevância
para o tema.

Bom, a persecução penal, ou seja, os caminhos processuais a serem


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seguido pelos crimes de trânsito são dois:

 ou lavra-se um termo circunstanciado e encaminha-se o réu


para o JEC (Juizado Especial Criminal),

 ou é instaurado um inquérito policial e o réu é encaminhado para


a Vara Criminal.
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Importante você saber que os crimes de trânsito são, em sua maioria,


crimes de menor potencial ofensivo, que pedem procedimento sumário, no
mais das vezes, dispensando, inclusive, o procedimento preparatório do
inquérito policial. Como eu já ventilei anteriormente, a Lei nº 9.0999/95 assim
define:

 Consideram-se infrações penais de menor potencial


ofensivo as contravenções penais e os crimes a que a lei
comine pena máxima não superior a 02 anos, cumulada
ou não com multa.

Pois bem, fica fácil você entender que os crimes de menor potencial, por
agredirem menos a sociedade, não necessitam de um procedimento
preparatório do processo mais detalhado, como no inquérito policial. No termo
circunstanciado a materialidade é reduzida a termo, e uma vez assinada pelo
indiciado, tem-se a consignação de materialidade e autoria do delito, sendo,
portanto, dispensável o inquérito policial.

Em crimes de menor potencial, portanto, o processo perante o Juizado


Especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade, informalidade, economia
processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a reparação dos
danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade.
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 TODOS os crimes de trânsito são crimes de menor potencial


ofensivo, exceto:

 o HOMICÍDIO CULPOSO na direção de veículo automotor (art.


302 do CTB);

 o crime de EMBRIAGUEZ AO VOLANTE (art.306 do CTB) e;

 o crime de RACHA (art. 308 do CTB) e;

 em alguns casos (estudaremos esses casos em detalhes), a


LESÃO CORPORAL CULPOSA.

Vamos então aos crimes propriamente ditos e aos seus desdobramentos:

1.1. Homicídio Culposo

Art. 302. Praticar HOMICÍDIO CULPOSO na direção de veículo


automotor.

Penas - detenção, de 02 a 04 anos, e suspensão ou proibição de


se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.
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§ 1o No homicídio culposo cometido na direção de veículo


automotor, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) à metade ,
se o agente:

I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;

II - praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada;

III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco


pessoal, à vítima do acidente;

IV - no exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo


veículo de transporte de passageiros.
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A primeira informação que considero relevante sobre esse crime é que ele
é o único no CTB que trata de homicídio . Para o crime se configurar,
deve ser praticado na direção de veículo e o veículo tem que ser automotor.
Grave bem essa informação!

Além disso, já te adianto que você não há tipificação no CTB de crime de


homicídio doloso. Já citamos, inclusive, que esse é um dos dois únicos crimes
na modalidade culposa tipificados no Código.

Mas professor, e nos casos em que a pessoa atropela alguém


propositadamente?? Não responderá por homicídio doloso??

Responderá sim, mas não por crime tipificado como tal no CTB e, sim, no
Código Penal Brasileiro (art. 121).

Outro detalhe importante é que esse é o único dos crimes do CTB que
tem pena restritiva de liberdade com duração máxima de até 04
anos. Anota aí! Perceba também que não temos a pena de multa prevista para
esse crime.

E não se esqueça, vou reforçar, de que nesse crime a pena é aumentada


de um terço à metade, se o agente se enquadrar em uma daquelas situações
aumentativas por nós já estudadas!

Veja como o homicídio foi cobrado:

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05. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2011] A pena de detenção de dois a quatro anos será
imputada ao condutor que praticar homicídio culposo na direção dos veículos
automotores.

Comentário:

Exatamente! Lembre-se que esse é o único dos crimes do CTB que tem
pena restritiva de liberdade com duração máxima de até 04 anos.
Interessante perceber também que não está prevista a pena de MULTA para
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esse crime. Como a questão não foi restritiva, trazendo o tipo genérico desse
crime, ela está certinha.

Gabarito: Certo

[CESPE – CABO SELEÇÃO INTERNA – PM/DF - 2003] José e Geraldo,


maiores de idade que não possuem habilitação para dirigir, resolveram
participar de um racha com os automóveis de seus pais, sem o
conhecimento deles. Durante o racha, realizado na avenida principal da
cidade em que residem, o veículo conduzido por Geraldo, que não
utilizava cinto de segurança, desgovernou-se e atropelou Maria, que
ficou gravemente ferida. Desesperados com o ocorrido, os dois jovens
fugiram sem prestar socorro à vítima, que faleceu no hospital algumas
horas após identificar as placas dos veículos conduzidos por José e
Geraldo. Com relação à situação hipotética apresentada acima, julgue o
item a seguir, à luz do CTB.

06. Se, após o devido processo legal, Geraldo for condenado por homicídio
culposo pela morte de Maria, a pena será aumentada de, no mínimo, dois
terços.

Comentário:

Na situação hipotética da questão, teríamos um caso de homicídio


culposo em via pública, típico crime de trânsito, com a aumentativa de pena
por ter deixado de prestar socorro à vítima do acidente, quando aparentemente
era possível fazê-lo sem risco pessoal. (art. 302, caput c/c §1º, inciso IV).

Tal circunstância, acabamos de estudar, aumentaria a pena restritiva de


liberdade de um terço à metade. A questão, portanto, já estaria errada ao
afirmar que a pena de Geraldo seria aumentada de, no mínimo, dois terços.

Bom, mas para os dias atuais, após as mudanças no CTB promovidas


pela Lei nº 12.971/14, essa questão está desatualizada, pois por ter atropelado
Maria quando da prática de um racha, Geraldo cometeu o crime do art. 308
(crime de racha), qualificado com o resultado morte (§2º do mesmo
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artigo), o que agravaria por demasiado sua situação. Essa qualificadora do


crime de racha, a estudaremos logo mais na frente, assim dispõe:

§ 2o Se da prática do crime previsto no caput (crime de racha)


resultar MORTE, e as circunstâncias demonstrarem que o agente
não quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo, a pena
privativa de liberdade é de reclusão de 5 (cinco) a 10 (dez)
anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo.

Como a questão deixa a entender que Geraldo não quis o resultado nem
assumiu o risco de produzi-lo, sua conduta poderá perfeitamente ser
enquadrada nessa qualificadora aí, o que, de qualquer modo, não alteraria o
gabarito da questão, que continuaria errada. Beleza?
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Gabarito: Errado

07. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2002] Ao passar em


frente a uma parada de ônibus, conduzindo o seu veículo em avançada hora da
madrugada, Tício avistou um desafeto. Assim, retornou na avenida, de modo a
passar novamente em frente ao inimigo. Quando se aproximava, então, da
parada, acelerou o veículo, arremessando-o contra o pedestre, causando-lhe
morte instantânea. Para essa situação, há, no CTB, tipo específico que descreve
a conduta de Tício, no qual se prevê, ainda, o atropelamento ocorrido em
calçada como causa de aumento de pena do homicídio.

Comentário:

Ao atropelar intencionalmente o seu desafeto, Tício agiu com dolo, pois


quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Acontece que, até os dias
atuais, o CTB não tipificou no rol de seus crimes, o de homicídio doloso. Apenas
o de homicídio CULPOSO, no art. 302.

Ele deverá responder por homicídio doloso, mas não com base no CTB, e
sim no Código Penal Brasileiro (art. 121).

Gabarito: Errado

1.2. Lesão Corporal Culposa

Art. 303. Praticar LESÃO CORPORAL CULPOSA na direção de


veículo automotor.

Penas - detenção, de 06 meses a 02 anos e suspensão ou


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proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir


veiculo automotor.

Parágrafo único. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) à


metade, se ocorrer qualquer das hipóteses do § 1o do art. 302.

Estamos diante de mais um dos dois únicos crimes de natureza culposa


tipificados no CTB. Assim como o crime anterior, ele só será configurado se for
praticado na direção de um veículo e de um veículo automotor.
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Quero chamar sua especial atenção para disposições específicas do CTB e


da Lei nº 11.705/08 sobre esse crime o qual, com a referida Lei, tomou
desdobramentos mais complexos, interessantes e, diga-se de passagem, bons
de prova!

Vamos analisar os desdobramentos para as diversas variações do crime


de lesão corporal culposa tipificado no CTB:

 Lesão corporal culposa SEM os benefícios da Lei 9.099/95

Começamos pela análise do disposto no § 1º, do art. 291, do CTB:

 Art. 291. (...)

§ 1º Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o


disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de
1995, exceto se o agente estiver:

I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que


determine dependência;

II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição


automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de
veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente;

III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via


em 50 km/h (cinquenta quilômetros por hora).
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§ 29 Nas hipóteses previstas no § 1º deste artigo, deverá ser


instaurado inquérito policial para a investigação da infração penal.

Vamos entender!

Preste bastante atenção no parágrafo primeiro do artigo acima transcrito!


Ele cita os arts. 74, 76 e 88 da Lei nº 9.099/95. Por que esses artigos
especificamente?

Vamos responder a essa pergunta mostrando as correlações deles com o


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crime de lesão corporal culposa praticado na direção de veículo automotor.

Veja:

Lei nº 9.099/95:

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e,


homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de
título a ser executado no juízo civil competente.

Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de


ação penal pública condicionada à representação, o acordo homologado
acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação.

A composição civil de danos trata-se da possibilidade de acordo


homologado por juiz entre a vítima e o réu, tendo esse acordo eficácia de título
a ser executado e também acarretando, portanto, a renúncia ao direito de
queixa ou representação.

Para crimes de menor potencial ofensivo, o réu, de acordo com esse


artigo, pode ser beneficiado com essa possibilidade de fazer um acordo com a
vítima, esse acordo ser homologado pelo juiz e ter então a queixa ou
representação retirada.

Lei nº 9.099/95:

Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal


pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério
Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de
direitos ou multas, a ser especificada na proposta.

§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz


poderá reduzi-la até a metade.

§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:

I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena


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privativa de liberdade, por sentença definitiva;

II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco


anos, pela aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste
artigo;

III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade


do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e
suficiente a adoção da medida.

§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será


submetida à apreciação do juiz.

§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da


infração, o juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que
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não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir


novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.

§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação


referida no art. 82 desta Lei.

§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não


constará de certidão de antecedentes criminais, salvo para os fins
previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos
interessados propor ação cabível no juízo cível.

O que essas regras querem nos dizer?

Que nos crimes considerados de menor potencial ofensivo, pode o


Ministério Público negociar com o acusado sua pena. Ou seja, é um “bem
bolado” entre a acusação e a defesa, para evitar que o processo corra,
poupando o réu (e o Estado também) de todas as cargas consequentes (sociais,
psicológicas, financeiras etc.).

É a famosa transação penal, que deve ser proposta antes do


oferecimento da denúncia. A aceitação da proposta não pode ser considerada
reconhecimento de culpa ou de responsabilidade civil sobre o fato, não pode ser
utilizada para fins de reincidência e não consta de fichas de antecedente
criminal. O fato só é registrado para impedir que o réu se beneficie novamente
do instituto antes do prazo de 05 anos definidos na lei.

As propostas podem abranger só duas espécies de pena: multa e


restritiva de direitos. A primeira é obviamente pecuniária, a segunda pode
ser prestação de serviços à comunidade, impedimento de comparecer a certos
lugares, proibição de gozo do fim de semana etc., depende da criatividade dos
promotores (que atualmente só conhecem o pagamento de cesta básica).

Lei nº 9.099/95:

Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial,


dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de
lesões corporais leves e lesões culposas.
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Há quatro tipos de ação no Processo Penal brasileiro: a ação penal pública


incondicionada, a ação penal pública condicionada à representação, a ação
penal de iniciativa privada e a ação penal privada subsidiária da pública.

O art. 88, da Lei nº 9.099/95, nos traz a ação penal pública


condicionada à representação da vítima. Segundo deixa bem claro esse
dispositivo, os crimes de lesões corporais leves e de lesão corporal culposa
(esse que estamos a tratar!), dependerão da representação da vítima para
instauração do inquérito policial ou para o oferecimento da denúncia,
caso o inquérito seja desnecessário por já haver provas suficientes.
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Olhando agora para esses três dispositivos e fazendo um resumo bem


prático, temos que a Lei nº 9.099/95 nos traz os seguintes benefícios para
aqueles que cometem crimes de menor potencial ofensivo:

composição civil de danos

transação penal

ação penal pública condicionada à representação

Em termos práticos, o que isso significa então professor?

Significa que quem comete o crime de lesão corporal culposa na direção


de veículo automotor, via de regra, tem grande possibilidade de ter o direito
a tais benefícios. Digo "via de regra", porque esse indivíduo pode perder
essas prerrogativas caso cometa o crime, tendo sido o delito praticado em
determinadas situações. E que situações são essas? Aquelas previstas no §1º
do art. 291, abaixo transcritas:

Ter cometido o crime:

 sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que


determine dependência;

 participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição auto-


mobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de
veículo automotor não autorizada pela autoridade competente;
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 transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em


50km/h.

Antes de qualquer coisa, não confunda: tais situações em nada têm a


ver com aquelas agravantes e aumentativas de pena que aqui estudamos!

As do quadro acima são aquelas situações que, cometidas


conjuntamente com o crime de lesão corporal culposa na direção de
veículo automotor, fazem com que o réu perca os direitos à composição
civil, à transação penal e a ação penal condicionada a representação. Não
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esqueça!

Importante ressaltar que o crime continua sendo de menor potencial


ofensivo, ainda que combinado com as circunstâncias acima. O processo
ainda ocorrerá no JEC (Juizado Especial Criminal), porém não será
lavrado termo circunstanciado e passará NECESSARIAMENTE por
inquérito policial.

Duas questões interessantes:

08. [CESPE – ANALISTA DE TRANSITO – DETRAN/DF – 2009] Considere


que Gustavo conduza o seu veículo à velocidade de 110 km/h, quando a
sinalização do local aponta como limite máximo a velocidade de 50 km/h e, de
forma culposa, tenha atropelado Maria, que teve lesão corporal leve. Nesse
caso, Gustavo deverá responder por crime de lesão corporal culposa, desde que
haja representação da vítima.

Comentário:

Gustavo conduz o seu veículo à velocidade de 110 km/h, quando a


sinalização do local aponta como limite máximo a velocidade de 50 km/h. Veja
que ele está transitando com velocidade de 60 km/h a mais do que a permitida
pela via. Ao atropelar Maria de forma culposa, ele de fato cometeu o crime de
lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, tipificado no art. 303
do CTB.
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E o pior: por atropelar alguém transitando em velocidade superior à


máxima permitida da via em 50 km/h, Gustavo perde, conforme vimos, os
direitos à composição civil e à transação penal além do que a ação penal
passará a ser incondicional à representação. A assertiva erra, portanto, ao
afirmar que, nesse caso haveria a necessidade de representação da vítima.

Gabarito: Errado

09. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2008 - Adapt.] Em


nenhuma hipótese se admite a aplicação aos crimes de trânsito de disposições
previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais criminais.

Comentário:
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Teoria e Questões
Aula 10 – Profs. Marcos Girão e Alexandre Herculano

Você acabou de estudar que a Lei nº 9.099/95 é sim aplicável aos


crimes de trânsito, principalmente no que diz respeito ao crime de lesão
corporal culposa na direção de veículo automotor (art. 291 c/c art. 303).

Gabarito: Errado

 Lesão corporal culposa COM AUMENTATIVO de pena

Vamos pensar agora em duas situações:

Situação 1:

Imaginemos que alguém cometera o crime de lesão corporal culposa


na direção de determinado veículo automotor. Ao cometer o crime, não
estava sob influência de álcool, nem disputando corrida com outro veículo,
muito menos transitando com velocidade superior à máxima para a via em
50 km/h.

Acontece que esse motorista praticou o crime em faixa de pedestres, e


o pior: deixou de prestar socorro à vítima. O que temos nessa situação?
Duas situações aumentativas de pena. Sendo situações aumentativas de
pena, a pena máxima prevista para esse crime (que é de 02 anos) ficará,
segundo o que dispõe o parágrafo único do art. 303, aumentada de um
terço à metade e, por consequência, o crime deixa de ser de menor
potencial ofensivo e passa a ser de maior potencial ofensivo.

Nesses casos, não há que se falar em procedimento sumário, deendo


necessariamente ocorrer o inquérito policial e o respectivo processo em vara
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criminal. Mesmo assim, por força do que acabamos de estudar sobre as regras
do § 1º do art. 291, esse réu terá ainda o direito de gozar das prerrogativas
estabelecidas pelos artigos 74, 76 e 88 da Lei nº 9.099/95. Ou seja, mesmo
tendo cometido o crime sob uma das circunstâncias aumentativas de pena,
terão direito à composição civil, à transação penal e que a ação penal seja
condicioada a representação, obedecidos os demais requisitos estabelecidos na
Lei nº. 9.099/95, obviamente.
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Situação 2:

Vamos supor que o mesmo motorista da situação 1 tenha cometido o


crime de lesão corporal culposa em faixa de pedestre (situação aumentativa de
pena), estando ele ainda sob a influência de álcool.

Aí, meu amigo, o rapaz estará bem enroladão, porque vai responder a
processo criminal, perderá o direito à composição civil de danos, à transação
penal e a ação penal pública será incondicionada à representação.

Sigamos em frente!

 Lesão corporal com aplicação da Lei nº 9.099/95 na ÍNTEGRA

Esse é o caso mais simples!

Sempre que o agente praticar lesão corporal culposa na direção de veículo


automotor em situações diferentes das especificadas acima, a lesão corporal
culposa será considerada um crime de menor potencial ofensivo, com a
aplicação da Lei nº 9.099/95 na íntegra (bastará termo circunstanciado; terá
direito à transação penal, à composição civil de danos; a ação será
condicionada à representação; e etc.).

Tranquilo?

Bom, antes de continuar a estudar os outros crimes, sugiro que você,


caro aluno, dê mais uma revisada no que acabamos de mostrar, pois é muito
importante para sua prova que tenha consolidado esse conhecimento sobre as
nuances do crime de LESÃO CORPORAL CULPOSA na direção de veículo
automotor, art. 303 do CTB. 01312787384

E agora vamos ver como esse delito foi cobrado:

10. [FUNRIO – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2009 – Adapt.] No dia


15 de junho de 2007, por volta das 09h, pela Avenida Canal, proximidades do
"Atacadão Rio do Peixe”, José Antônio, guiando o veículo ônibus, ano 1998, de
cor branca, provocou atropelamento contra Marinalva, que pedalava uma
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Teoria e Questões
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bicicleta próximo à guia da calçada, sofrendo traumatismos generalizados. O


socorro foi prestado por solicitação de populares do SAMU ao Hospital Regional
de Urgência e Emergência de Campina Grande, e o infrator se evadiu. No que
se refere à conduta praticada, uma vez que o infrator se evadiu sem prestar
socorro à vítima, é correto afirmar que o condutor não merece aplicação do
aumento de pena daí decorrente, uma vez que a vítima não era pedestre,
conforme estipulado pela Lei nº 9503/97.

Comentário:

Ao ser atropelada, Marinalva não veio a falecer, mas sofreu traumatismos


generalizados. Com isso, podemos concluir que João Antônio cometeu o crime
de lesão corporal culposa na condução de seu veículo. Esse crime, como vimos,
é tipificado no art. 303 do CTB e é um de dois crimes culposos previstos no
Código. Para esses crimes culposos não se fala em situações agravantes de
pena, e sim em circunstâncias aumentativas de pena.

Pois bem, o enunciado nos fala ainda que o infrator evadiu-se sem
prestar socorro à vítima, ou seja, omitiu socorro. A omissão de socorro é
uma das situações aumentativas de pena para o crime de trânsito ora em
análise. Assim, ao contrário do que afirma a assertiva, o condutor merece a
aplicação, em tese, do aumento de pena daí decorrente, conforme
estipulado pela Lei nº 9.503/97 (art. 302, §1º, III).

Gabarito: Errado

1.3. Crime de Omissão de Socorro

Art. 304. DEIXAR O CONDUTOR DO VEÍCULO, na ocasião do


01312787384

acidente, de PRESTAR IMEDIATO SOCORRO À VITIMA, ou,


não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, DEIXAR DE
SOLICITAR AUXILIO DA AUTORIDADE PÚBLICA:

Penas - detenção , de 06 meses a 01 ano OU multa, se o fato


não constituir elemento de crime mais grave.

Parágrafo único. Incide nas penas previstas neste artigo o


condutor do veículo ainda que a sua omissão seja suprida por
terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com
ferimentos leves.
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Quanto ao crime de omissão de socorro, não há muito o que se falar,


com exceção de dois detalhes importantes:

1) mesmo que a vítima tenha morrido instantaneamente ao


acidente ou tenha apenas tido ferimentos leves, o motorista
ainda assim responderá pelo crime. Tais situações, por não
ensejarem necessidade de socorro, não tornam atípica a conduta
do motorista, ok?

2) a pena pode ser a de detenção OU a de multa, certo? A multa,


nesse caso, não será cumulativa. Não esqueça!

1.4. Crime de Afastar-se do Local

AFASTAR-SE o condutor do veículo DO LOCAL DO


Art. 305.
ACIDENTE, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe
possa ser atribuída:

Penas - detenção, de 06 meses a 01 ano, OU multa.

Não se pode confundir o delito acima exposto com o de omissão de


socorro do artigo anterior, uma vez que aqui o bem jurídico tutelado é a
administração da justiça (querer burlar a apuração do delito ou coisa
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parecida). Na omissão de socorro, por sua vez, o bem jurídico tutelado é a


vida, a saúde ou a integridade física.

Dessa forma, existe a possibilidade de se cometer o crime de afastar-se


do local, em acidente com vítima, sem, contudo, cometer a omissão de socor-
ro. Basta que, por exemplo, o condutor envolvido leve a vítima até um
hospital e lá a deixe sem se identificar para fugir da responsabilidade penal.

Ainda que, em um primeiro momento, não tenha ocorrido crime, como


no caso de acidentes envolvendo apenas danos materiais, é possível que o
condutor que fuja do local do acidente seja responsabilizado com fulcro no
artigo acima, se o seu objetivo é fugir da responsabilidade pela batida, ou
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melhor, de impedir que a justiça ocorra.

Beleza?

Agora vamos para um dos mais importantes crimes tipificados no CTB:


o de embriaguez ao volante, art. 306. Muita atenção a ele!

1.5. Crime de Embriaguez ao Volante (ou de Alteração da


Capacidade Psicomotora ao Volante)

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora


alterada EM RAZÃO DA INFLUÊNCIA de álcool ou DE OUTRA
SUBSTÂNCIA PSICOATIVA QUE DETERMINE
DEPENDÊNCIA:

Penas: detenção de 06 meses a 03 anos, multa e suspensão


ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir
veículo automotor.

Como eu disse, estamos diante de um dos principais, senão o principal,


crime de trânsito para as organizadoras de prova, justamente por toda a
polêmica em torno dele. Vamos tentar entendê-lo direitinho!
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Graças ao nosso bom Deus, este artigo vem sofrendo alterações


significativas nos últimos anos, sempre no intuito de diminuir o espantoso
número de acidentes e mortes no trânsito de nosso país, provocados pela
embriaguez ao volante.

Comecemos nossa análise por aquelas alterações promovidas pela Lei


Federal nº 11.705/08, a tão famosa e conhecida Lei Seca. Com o advento
dessa norma, o crime de embriaguez deixou de ser um crime de perigo em
concreto para ser um crime de perigo em abstrato.

Como assim, professor?


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Antes, para consumação do delito, era necessário que o condutor


estivesse ziguezagueando, transitando sobre calçadas, roletando cruzamentos,
ou seja, atentando objetivamente contra incolumidade pública. O perigo de sua
conduta tinha que ser concretamente demonstrado para que o condutor fosse
enquadrado!

Com as novas alterações, ainda que um condutor esteja conduzindo


adequadamente, se tiver acima dos índices permitidos de teor alcoólico, será
enquadrado no crime acima tipificado. Nesse sentido, o Superior Tribunal de
Justiça (STJ) já assentou entendimento de que dirigir com concentração
de álcool acima do limite legal CONFIGURA CRIME, independentemente
de a conduta do motorista oferecer risco efetivo para os demais
usuários da via pública (STJ, 2016, REsp 1.582.413, Relator Ministro Schietti
Cruz)

Para você ter uma ideia, o voto acima citado tem base em outros
vários julgados do próprio STJ de que o crime do art. 306 é de perigo em
abstrato. Quer ver só alguns dos mais importantes desses julgados?

STJ DIREÇÃO. EMBRIAGUEZ. PERIGO ABSTRATO.


A Turma reiterou que o crime do art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro é
de perigo abstrato, pois o tipo penal em questão apenas descreve a
conduta de dirigir veículo sob a influência de álcool acima do limite
permitido legalmente, sendo desnecessária a demonstração da efetiva
potencialidade lesiva do condutor. Assim, a denúncia traz indícios concretos
de que o paciente foi flagrado conduzindo veículo automotor e apresentando
concentração de álcool no sangue superior ao limite legal, fato que sequer é
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impugnado pelo impetrante, não restando caracterizada a ausência de justa causa


para a persecução penal do crime de embriaguez ao volante. Logo, a Turma
denegou a ordem. Precedentes citados: HC 140.074-DF, DJe 22/2/2010, e RHC
26.432-MT, DJe 14/12/2009. HC 175.385-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em
17/3/2011

STJ - HC 231566 RJ 2012/0013418-9

PENAL E PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. REMÉDIO CONSTITUCIONAL


SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO
CONHECIMENTO. CRIME DE EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. DELITO DE PERIGO
ABSTRATO. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE POTENCIALIDADE LESIVA
NA CONDUTA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. IMPOSSIBILIDADE. (...)
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3. Conforme reiterada jurisprudência desta Corte, o crime do art. 306 do


Código de Trânsito Brasileiro é de perito abstrato e dispensa a
demonstração de potencialidade lesiva na conduta, configurando-se pela
simples condução de veiculo automotor em estado de embriaguez.

4. No caso, a paciente foi submetida a teste em aparelho de ar alveolar pulmonar


(etilômetro) e ficou constatado que dirigia veículo automotor com concentração
alcoólica igual a 0,37 mg/l de ar expelido pelos pulmões, valor este que supera o
limite legal. Assim, o fato é típico e não há que se falar em trancamento da ação
penal. 5. Habeas corpus não conhecido.

STJ - RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 1. EMBRIAGUEZ AO


VOLANTE. 2. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. 3. TESTE DO BAFÔMETRO.
OCORRÊNCIA. 4. RECURSO IMPROVIDO. 14/10/2013

1. É prescindível à consumação do delito de embriaguez ao volante a


prova da produção de perigo concreto à segurança pública, bastando a
prova da embriaguez, por se tratar de delito de perigo abstrato.
Precedentes.
2. A Terceira Seção deste Tribunal Superior assentou entendimento, quando do
julgamento do REsp n.º 1.111.566/DF, realizado no dia 28 de março de 2012, no
sentido de que "apenas o teste do bafômetro ou o exame de sangue podem
atestar o grau de embriaguez do motorista para desencadear uma ação penal".
Hipótese ocorrente na espécie. 3. Recurso a que se nega provimento.

Professor, E como o STF entende esse crime?

Do mesmo jeito! Veja só famosos entendimentos da Suprema Corte:

STF - RHC 110.258, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 24.5.12 e
HC 109.269, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe
11.10.2011: 01312787384

“RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE (ART.


306 DA LEI Nº 9.503/97). ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DO TIPO POR SER
REFERIR A CRIME DE PERIGO ABSTRATO. NÃO OCORRÊNCIA. PERIGO
CONCRETO. DESNECESSIDADE. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência é pacífica no sentido de reconhecer
a aplicabilidade do art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro – delito de
embriaguez ao volante –, não prosperando a alegação de que o mencionado
dispositivo, por se referir a crime de perigo abstrato, não é aceito pelo
ordenamento jurídico brasileiro.
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2. Esta Suprema Corte entende que, com o advento da Lei nº 11.705/08,


inseriu-se a quantidade mínima exigível de álcool no sangue para se
configurar o crime de embriaguez ao volante e se excluiu a necessidade
de exposição de dano potencial, sendo certo que a comprovação da
mencionada quantidade de álcool no sangue pode ser feita pela utilização do teste
do bafômetro ou pelo exame de sangue, o que ocorreu na hipótese dos autos. 3.
Recurso não provido”.

“HABEAS CORPUS. PENAL. DELITO DE EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. ART. 306 DO


CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
DO REFERIDO TIPO PENAL POR TRATAR-SE DE CRIME DE PERIGO ABSTRATO.
IMPROCEDÊNCIA. ORDEM DENEGADA. I - A objetividade jurídica do delito
tipificado na mencionada norma transcende a mera proteção da incolumidade
pessoal, para alcançar também a tutela da proteção de todo corpo social,
asseguradas ambas pelo incremento dos níveis de segurança nas vias públicas. II
- Mostra-se irrelevante, nesse contexto, indagar se o comportamento do
agente atingiu, ou não, concretamente, o bem jurídico tutelado pela
norma, porque a hipótese é de crime de perigo abstrato, para o qual não
importa o resultado. Precedente. III No tipo penal sob análise, basta que se
comprove que o acusado conduzia veículo automotor, na via pública,
apresentando concentração de álcool no sangue igual ou superior a 6
decigramas por litro para que esteja caracterizado o perigo ao bem
jurídico tutelado e, portanto, configurado o crime. IV Por opção legislativa,
não se faz necessária a prova do risco potencial de dano causado pela conduta do
agente que dirige embriagado, inexistindo qualquer inconstitucionalidade
em tal previsão legal . V Ordem denegada”.

E mais: antes da Lei nº 11.705/08, a diferença entre a infração de


trânsito da embriaguez e o crime de embriaguez era a situação de perigo,
ou seja, para ocorrência do crime, era necessária a ocorrência da infração mais
uma situação de perigo em concreto. Com as novas disposições, a diferença
entre a infração de trânsito e o crime de trânsito passou a ser a concentração
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de álcool por litro de sangue ou por litro de ar alveolar.

E as boas notícias não param por aí!

Com a entrada em vigor da Lei nº 12.760/12, atualmente o crime já


estará configurado se também for provada que a capacidade psicomotora do
motorista foi alterada em razão da influência de ÁLCOOL ou de outra
SUBSTÂNCIA PSICOATIVA que determine dependência. Ou seja, pode-se dizer
que juridicamente o crime não é mais o de “embriaguez ao volante”, e
sim o de “alteração da capacidade psicomotora ao volante”!
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Ok, professor, mas como diferenciar a infração de embriaguez, do art.


165, desse crime tipificado no art. 306?!

Deixa eu te explicar!

Para que você entenda bem como se dá a diferença entre infração e


crime, precisamos entender como se configura uma infração de trânsito
relativa à embriaguez. Para isso, vamos ao importante e polêmico artigo 165
do CTB, transcrito a seguir:

 Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra


substância psicoativa que determine dependência:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (10 vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12


(doze) meses.

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e


retenção do veículo, observado o disposto no § 4o do art. 270 da Lei no
9.503, de 23 de setembro de 1997 - do Código de Trânsito Brasileiro.

Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de


reincidência no período de até 12 (doze) meses.

De posse das informações acima, vamos agora para o que estabelece o


art. 276 do CTB:

Esse artigo nos diz o seguinte:

 Art. 276. Qualquer concentração de álcool por litro de sangue ou por


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litro de ar alveolar sujeita o condutor às penalidades previstas no art.


165.

Parágrafo único. O Contran disciplinará as margens de tolerância quando


a infração for apurada por meio de aparelho de medição, observada a
legislação metrológica.

Ok, professor, mas como se prova que alguém está sob a influência de
álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência? Como
identificar se há alguma concentração de álcool por litro de sangue ou por litro
de ar alveolar?
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Bom, o artigo acima, em seu parágrafo único, estabelece que o CONTRAN


disciplinará as margens de tolerância quando a infração for apurada por meio
de aparelho de medição, não é verdade?

Pois bem, o CONTRAN já vinha regulamentando no passado, mas em


2013, por conta da Lei nº 12.760/2012, editou a Resolução nº 432/13. Nela,
ele regulamenta não só tais margens de tolerância como também os meios
para a caracterização da infração de trânsito do art. 165.

Segundo esta Resolução, a confirmação da alteração da capacidade


psicomotora em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa
que determine dependência dar-se-á por meio de, pelo menos, um dos
seguintes procedimentos a serem realizados no condutor de veículo
automotor:

 exame de sangue;

 exames realizados por laboratórios especializados, indicados pelo


órgão ou entidade de trânsito competente ou pela Polícia Judiciária,
em caso de consumo de outras substâncias psicoativas que
determinem dependência;

 teste em aparelho destinado à medição do teor alcoólico no ar


alveolar (etilômetro);

 verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade


psicomotora do condutor.

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 Além dos meios dispostos acima, também poderão ser


utilizados prova testemunhal, imagem, vídeo ou
qualquer outro meio de prova em direito admitido.

Perceba, caro aluno, como agora ficou muito mais difícil alguém negar
que está alcoolizado! Se ficou mais difícil para o condutor, ficou mais fácil
para o agente de trânsito autuar alguém suspeito de estar embriagado.
Segundo ainda o que dispõe a Resolução nº 432/13, a infração prevista no
art. 165 do CTB será caracterizada por:
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 exame de sangue que apresente qualquer concentração de


álcool por litro de sangue;

 teste de etilômetro (bafômetro) com medição realizada igual ou


superior a 0,05 miligrama de álcool por litro de ar alveolar
expirado (0,05 mg/L), descontado o erro máximo admissível.

 sinais de alteração da capacidade psicomotora.

E se o condutor não quiser submeter-se a nenhum desses exames? Se a


negativa for em relação aos exames de sangue e de etilômetro (os que
comprovam cientificamente a alteração da capacidade psicomotora):

 SERÃO APLICADAS AS PENALIDADES E MEDIDAS


ADMINISTRATIVAS PREVISTAS NO NOVÍSSIMO ART. 165-A
DO CTB ao condutor que recusar a se submeter a qualquer
um dos procedimentos previstos acima, sem prejuízo da
incidência do crime previsto no art. 306 do CTB caso o
condutor apresente os sinais de alteração da capacidade
psicomotora.

01312787384

E o que regula esse novíssimo art. 165-A? A seguinte infração:

Art. 165-A. Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico,


perícia ou outro procedimento que permita certificar
influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma
estabelecida pelo art. 277:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa (10x) e suspensão do direito de dirigir por 12
meses;
Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e
retenção do veículo, observado o disposto no § 4º do art. 270.
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Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em


caso de reincidência no período de até 12 (doze) meses

Resumo disso tudo:

 Não há margem de tolerância no exame de sangue para que


seja configurada a infração de trânsito. No entanto, se o teste
realizado for o do bafômetro, basta que a medição desse
aparelho seja igual ou superior à 0,05mg/L para que a
infração já esteja caracterizada.

 Se houver recusa do condutor a se submeter a qualquer dos


testes que comprovem cientificamente a embriaguez (sangue,
etilômetro), será também autuado com base no art. 165-A.

 Tal recusa, a depender da constatação dos sinais de alteração


da capacidade psicomotora, poderá o condutor responder pela
infração do art. 165, como ainda pelo crime do art. 306!!!

Beleza?

Bom, a pergunta agora é: e quando é que o uso do álcool (ou a alteração


da capacidade psicomotora) deixa de ser apenas uma infração e passa a
também ser considerados crimes de trânsito?

Os parágrafos 1º a 3º do art. 306 do CTB assim nos respondem:


01312787384

Art. 306 (...)

§ 1o As condutas previstas no caput serão CONSTATADAS por:

I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por


litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por
litro de ar alveolar; ou

II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran,


alteração da capacidade psicomotora.
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§ 2o A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante


teste de alcoolemia ou toxicológico, exame clínico, perícia, vídeo,
prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos,
observado o direito à contraprova.

§ 3o O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos


testes de alcoolemia ou toxicológicos para efeito de caracterização
do crime tipificado neste artigo.

E é também a Resolução nº 432/13 que regulamenta essa equivalência


entre os distintos testes de alcoolemia para efeito de caracterização do crime de
embriaguez no trânsito. Para falar bem a verdade, em seu art. 7º, ela só
detalha um pouco mais as disposições do quadro acima, estabelecendo que o
crime previsto no art. 306 do CTB será caracterizado por qualquer um dos
procedimentos abaixo:

 exame de sangue que apresente resultado igual ou superior a 6


(seis) decigramas de álcool por litro de sangue (6 dg/L);

 teste de etilômetro com medição realizada igual ou superior a


0,34 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expirado
(0,34 mg/L), descontado o erro máximo admissível;

 exames realizados por laboratórios especializados, indicados pelo


órgão ou entidade de trânsito competente ou pela Polícia Judiciária,
em caso de consumo de outras substâncias psicoativas que
determinem dependência;
01312787384

 sinais de alteração da capacidade psicomotora obtido


conforme já estudamos.

Isso significa que os valores de 06 dg/l (exame de sangue) e de 0,34 mg/l


(bafômetro) representam aqueles que, se detectados, incriminam o
condutor, ou seja, são suficientes para que ele, além de ser enquadrado na
infração de trânsito do art. 165 (dirigir embriagado), responda também
pelo crime de trânsito (embriaguez ao volante) tipificado no art. 306 do CTB.

Para facilitar o seu entendimento, extraímos o seguinte quadro-resumo a


respeito das dosagens de álcool detectadas em condutores por meio de exame
clínico ou do etilômetro (bafômetro):
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A precisão das medidas acima, respeita, é claro, o percentual tolerável de


erro do equipamento.

É, caro aluno, perceba que a coisa agora ficou difícil para quem bebe e em
seguida conduz um veículo...

Sobre a embriaguez ao volante era o que tínhamos a dizer. É mais do


que suficiente para a sua prova!

Veja agora como isso foi cobrado:

01312787384

[CESPE – ASSIST. TÉCNICO DE TRÂNSITO – DETRAN/ES – 2010] Com


relação às infrações de trânsito, julgue os itens subsecutivos.

11. Comprovada a embriaguez, o condutor terá seu veículo apreendido e sua


CNH cancelada pelo período de um ano e, caso queira voltar a conduzir veículo
automotor, terá de realizar, após este período, todos os exames para a
obtenção de nova habilitação.

12. A chamada Lei Seca diz respeito à fiscalização de condutores sob efeito de
álcool e também de qualquer outra substância psicoativa que cause
dependência. Portanto, o condutor que apresentar sintomas de torpor ou
euforia, mesmo que não se evidencie a existência de álcool em seu organismo
pelo bafômetro, pode ser submetido a outros exames pelas autoridades de
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trânsito e sofrer as mesmas penalidades.

Comentário 11:

Agora o cerco apertou, mas também não chega a ser assim! Comprovada
a embriaguez, o art. 165 do CTB prevê que condutor será autuado, incorrerá
nas penalidades de multa no valor de R$ 1.915,00 (10 vezes o da infração
gravíssima) e de suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses. Mas
tudo, é claro, deverá respeitar o devido processo legal não havendo, portanto,
o cancelamento automático da CNH pelo período de um ano.

Gabarito: Errado

Comentário 12:

Exatamente! Foi o que acabamos de estudar!

Com as mudanças promovidas pela Lei 12.760/12, mesmo que o


condutor se negue a realizar o exame clínico ou o teste de bafômetro, outros
exames poderão ser realizados para comprovar os sinais de alteração de sua
capacidade psicomotora. E não esqueça: a simples negativa do condutor já é
suficiente para que ele seja enquadrado na infração de trânsito do art. 165 do
CTB, sem prejuízo de também ser enquadrado no crime de embriaguez caso
apresente sinais de diminuição da capacidade psicomotora.

Gabarito: Certo

13. [CESPE - AGENTE DE TRANSITO – DETRAN/DF – 2003] O condutor


que, ao receber ordem de um agente de trânsito, se nega a realizar teste em
aparelho de ar alveolar para avaliar a concentração de álcool em seu
organismo, não apenas pratica infração administrativa, mas também comete
crime de desacato.

Comentário:

Vamos analisar essa questão à luz dos regramentos atuais:


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O agente de trânsito, ao desconfiar que o condutor apresenta sintomas


de embriaguez, pode pedir que ele realize o teste de bafômetro. O art. 277 do
CTB dá essa prerrogativa ao agente, assim como também a Resolução
CONTRAN nº 432/13. Acabamos de ver que a recusa do condutor em realizar
qualquer dos testes já é suficiente para enquadrá-lo na infração administrativa
prevista no art. 165 do Código. Agora, o fato de recusar a fazer os testes não
significa necessariamente que cometa o crime de desacato. Não há na assertiva
outros elementos que possam garantir isso!

Gabarito: Errado
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Teoria e Questões
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14. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2004 – Adapt.] A


conduta de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, em nível
superior ao permitido, não configura, necessariamente, crime perante a lei
brasileira, sendo punida administrativamente como infração gravíssima, com
penalidade de multa e suspensão do direito de dirigir. Para ser enquadrada na
categoria de crime, a embriaguez do condutor deve expor a dano potencial a
incolumidade de outrem.
Comentário:
Perceba que essa questão foi elaborada no ano de 2004. Nesta época,
ainda não estavam em vigor todos os desdobramentos do crime de embriaguez
trazidos pelas Leis nº 11.705/08 e 12.760/12.
O principal desses desdobramentos é exatamente o fato de que hoje a
embriaguez no trânsito é um crime de perigo abstrato, ou seja, não é
necessário que haja um dano para que um condutor embriagado seja
enquadrado nesse crime. Basta que esteja ao volante e a embriaguez seja
constatada pelos testes regulamentados ou por outros meios permitidos em lei.
Para os dias de hoje, portanto, a questão está errada.
Gabarito: Errado

15. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2004 - Adapt.] A


embriaguez pode ser constatada por provas técnicas e periciais, como exame
de sangue e teste em bafômetro, mas nunca, por prova testemunhal.

Comentário:

Claro que a prova testemunhal é válida sim e esta validade é um dos


maiores ganhos trazidos pela recentíssima Lei nº 12.760/12, que acrescentou o
§ 2º, no art. 306 do CTB, assim determinando:

Art. 306. (...)

§ 2o A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida


mediante teste de alcoolemia, exame clínico, perícia, vídeo,
prova testemunhal ou outros meios de prova em direito
01312787384

admitidos, observado o direito à contraprova. (Incluído pela Lei


nº 12.760, de 2012)

A assertiva erra ao afirmar o contrário.

Gabarito: Errado

Vamos continuar a análise dos demais crimes:


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Teoria e Questões
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1.6. Crime de Violação à Suspensão

Art. 307. VIOLAR A SUSPENSÃO OU A PROIBIÇÃO DE SE OBTER A


PERMISSÃO OU A HABILITAÇÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO
AUTOMOTOR imposta com fundamento neste Código:

Penas - detenção, de 06 meses a 01 ano e multa, com nova


imposição adicional de idêntico prazo de suspensão ou de
proibição.

Parágrafo único - Nas mesmas penas incorre o CONDENADO que


deixa de entregar, no prazo estabelecido no § 1º do art. 293 (em 48
horas), a permissão para dirigir ou a Carteira de Habilitação.

O que está sendo punido, verdadeiramente, é a desobediência à ordem


judicial, de forma específica. Num primeiro momento, viola-se a ordem, ou
seja, a suspensão imposta, se o condutor dirige após a aplicação dessa pela
autoridade judiciária; em outro momento, quando o condutor deixa de
entregar a CNH, em 48 horas, após imposição da pena pelo magistrado,
também viola o disposto no referido artigo.

Para que os agentes de trânsito tenham maior controle da imposição


da pena imposta pelo juiz, temos as seguintes previsões, no artigo 295 do
CTB e no artigo 41 da Resolução n° 168/04 do CONTRAN:

- CTB -

Art. 295. A suspensão para dirigir veículo automotor ou a proibição


de se obter a permissão ou a habilitação será sempre
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comunicada pela autoridade judiciária no Conselho Nacional de


Transito - CONTRAN, ao órgão de trânsito do Estado em que o
indiciado ou réu for domiciliado ou residente.

- Resolução nº 168/04 -

Art. 41. A Base Índice Nacional de Condutores - BINCO conterá um


arquivo de dados onde será registrada toda e qualquer restrição
no direito de dirigir de obtenção do ACC e da CNH, que será
atualizado pelo órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado
e do Distrito Federal.

§3º A suspensão do direito de dirigir ou a proibição de se obter a


habilitação, imputada pelo Poder Judiciário, será registrada na
BINCO.
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1.7. Crime de Racha

Art. 308. Participar, na direção de veículo automotor, em via


pública, de CORRIDA, DISPUTA ou COMPETIÇÃO
AUTOMOBILÍSTICA NÃO AUTORIZADA pela autoridade
competen te, GERANDO SITUAÇÃO DE RISCO à incolumidade
pública ou privada:

Penas - detenção, de 06 meses a 03 anos, multa e suspensão ou


proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.

O crime do artigo 308, por participação em corrida, disputa ou competição


não autorizada, teve uma ligeira alteração redacional, ao substituir a expressão
“desde que resulte dano potencial à incolumidade pública ou privada” por
“gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada”, dando a
entender que bastará a presença do risco abstrato à coletividade (e não
uma condição específica).

A redação anterior do crime citado, antes das mudanças promovidas pela


Lei nº 12.971/14, contentava-se com o perigo potencial de dano, ou seja,
cuidava de infração penal de perigo abstrato, onde a simples prática do
comportamento, independentemente de comprovação de perigo, já configurava
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o tipo em estudo.

No entanto, à luz das modificações trazidas pela Lei nº 12.971/2014 para


configuração desse tipo penal, alguns requisitos devem estar presentes para o
enquadramento no delito, como:

 veículo automotor,

 via pública e;

 a prova de situação de risco à incolumidade pública e privada.


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Ou seja, há a necessidade de ser comprovado que o comportamento


narrado pelo tipo penal, praticado pelo condutor do veículo automotor, gerou,
efetivamente, uma situação de risco à incolumidade pública ou privada.

É um dos 02 únicos crimes tipificados no CTB que trazem a


famosa TRINCA DE PENAS (detenção + multa + suspensão ou
proibição de se obter...). O outro crime que também traz a tal trinca é o de
embriaguez ao volante (art. 306).

A pena para este crime, hoje máxima de dois anos, passará a ser de
seis meses a três anos; o que fará com que esteja fora da alçada dos Juizados
Especiais Criminais, de acordo com o artigo 61 da Lei n. 9.099/95, não sendo,
portanto, registrado mediante Termo Circunstanciado, e acarretando a prisão
em flagrante do autor, quando presentes os indícios de autoria e materialidade,
nos termos do artigo 302 do Código de Processo Penal.

Ademais, este crime passará a ter duas formas qualificadas:

§ 1o Se da prática do crime previsto no caput resultar lesão corporal de


natureza grave, e as circunstâncias demonstrarem que o agente não quis o
resultado nem assumiu o risco de produzi-lo, a pena privativa de liberdade é
de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, sem prejuízo das outras penas
previstas neste artigo.

§ 2o Se da prática do crime previsto no caput resultar MORTE, e as


circunstâncias demonstrarem que o agente não quis o resultado nem assumiu o
risco de produzi-lo, a pena privativa de liberdade é de reclusão de 5 (cinco)
a 10 (dez) anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo.
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Caro aluno, muita atenção! É importante não confundir esse crime com
a seguinte infração de trânsito:

 Art. 174. Promover, na via, competição, eventos organizados,


exibição e demonstração de perícia em manobra de veículo, ou deles
participar, como condutor, sem permissão da autoridade de trânsito
com circunscrição sobre a via:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa (dez vezes), suspensão do direito de dirigir e
apreensão do veículo;
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Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e


remoção do veículo.
Parágrafo único. As penalidades são aplicáveis aos promotores e aos
condutores participantes.
§ 1o As penalidades são aplicáveis aos promotores e aos condutores
participantes.
§ 2o Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de
reincidência no período de 12 (doze) meses da infração anterior.

Neste delito, diferentemente da infração de trânsito, punem-se apenas


os condutores e não os promotores do evento, uma vez que não têm uma
ingerência direta no resultado lesivo. Para configuração desse tipo penal devem
estar presentes alguns requisitos, como:

 veículo automotor;

 via pública; e

 a prova de situação de risco à incolumidade pública e privada.

O sujeito passivo desse delito é a coletividade e, de forma


secundária, a pessoa exposta a risco em virtude da disputa. Como os
eventos "corrida", "disputa" ou "competição” explicitados no caput do artigo
308 do CTB, pressupõem a participação de pelo menos 02 (dois) veículos,
devemos entendê-lo como um crime de concurso necessário.

E atenção, em recente julgado do STF, o Ministro Gilmar Mendes, do


Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo, considerou que, segundo
as novas figuras do crime de racha do CTB, o agente que, ao tomar parte na
prática e causar lesão corporal de natureza grave ou morte, responde pelo
crime em modalidade qualificada, desde que o resultado tenha sido
causado apenas culposamente. 01312787384

De acordo com o relator:

"(...) a lei deixa claro que as figuras qualificadas são aplicáveis


apenas se as circunstâncias demonstrarem que o agente não
quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo (parágrafos
1º e 2º). Logo, se o agente assumiu o risco de causar o
resultado (lesão corporal grave ou morte), por eles responde
na forma dos tipos penais autônomos do Código Penal”.

Beleza? Guarda com carinho essa informação, ok?


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1.8. Crime de Dirigir sem Permissão ou Habilitação

Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, SEM A


DEVIDA PERMISSÃO PARA DIRIGIR OU HABILITAÇÃO ou,
ainda, SE CASSADO O DIREITO DE DIRIGIR, gerando
perigo de dano:

Penas - detenção, de 06 meses a 01 ano, OU multa.

Para a ocorrência do delito acima, alguns elementos são essenciais:

 deve haver condução de veículo automotor;

 é crime de via pública;

 é crime de perigo em concreto, e, por fim, o condutor deve ser


inabilitado ou estar cassado.

O delito de condução inabilitada de veículo automotor (art. 309 do Código


de Trânsito Brasileiro) é de perigo concreto indeterminado, pois o perigo
não precisa ser dirigido, bastando prova de que a condução do veículo rebaixou
o nível de segurança viário, gerando risco para a coletividade. Assim, se o
motorista inabilitado for surpreendido conduzindo de forma anormal seu
automóvel, temos crime; se apesar de inabilitado o conduzir dentro das regras
de segurança, caracteriza mera infração administrativa.

1.9. Crime de "Permitir", "Confiar" ou "Entregar"


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Art. 310. PERMITIR, CONFIAR OU ENTREGAR A DIREÇÃO DE


VEICULO AUTOMOTOR à pessoa não habilitada, com habilitação
cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem,
por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez,
não esteja em condições de conduzi-lo com segurança:

Penas - detenção, de 06 meses a 01 ano, OU multa.


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O crime de “permitir", "entregar" ou "confiar" é um crime de perigo em


abstrato, punível apenas na modalidade dolosa, sendo, portanto, necessário
que o magistrado avalie sempre os elementos subjetivos da conduta.

Já sei que você vai me perguntar: professor, as condutas acima não são
as mesmas que estudei lá no capítulo sobre infrações de trânsito? São infrações
ou crimes?

É verdade! Nos artigos 163, 164 e 166 do CTB, temos a descrição das
mesmas condutas previstas acima, passíveis de ser punidas
administrativamente. Entretanto, precisamos apontar algumas diferenças a fim
de diferenciarmos a infração de trânsito da infração penal.

A primeira diferença a ser apontada está nas autuações por cometimento


de infrações de trânsito, em que os critérios adotados pelo agente autuadores
devem ser puramente objetivos, ou seja, não são valorados os elementos
subjetivos dolo e culpa. Na tipificação do artigo acima citado, por sua vez,
pune-se a conduta praticada apenas na modalidade dolosa.

A segunda diferença é quanto à avaliação das responsabilidades.


Administrativamente, apenas serão punidos os proprietários dos veículos que,
por força do art. 257 do CTB, são os responsáveis pela habilitação legal de seus
condutores; porém, penalmente, o tratamento é outro, pois será punido quem
efetivamente entregou a direção a pessoa inabilitada, ou seja, aquele
que teve a vontade de praticar o delito, como um vendedor de uma agência de
automóveis, por exemplo, que sabia que o provável comprador era inabilitado,
e ainda assim entregou-lhe as chaves do veículo pertencente à pessoa jurídica
"agência de automóveis".

Observe que o crime acima é crime de perigo em abstrato!


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Isto quer dizer que:


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Ou seja, não se exige que o condutor inabilitado, com habilitação


cassada ou com o direito de dirigir suspenso, necessariamente dirija
indevidamente para que o crime seja tipificado.

Se dirigir indevidamente, ele poderá responder ao crime do art. 309, e


não ao do art. 310!

1.10. Crime de Trafegar com Velocidade Incompatível

Art. 311. Trafegar em VELOCIDADE INCOMPATÍVEL COM A


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SEGURANÇA NAS PROXIMIDADES de escolas, hospitais,


estações de embarque e desembarque de passageiros, logradouros
estreitos, ou onde haja grande movimentação ou concentração de
pessoas, gerando perigo de dano:

Penas - detenção, de 06 meses a 01 ano, OU multa.

O crime da velocidade incompatível é um crime de perigo em concreto, de


via pública e doloso.

Perigo em concreto? Como assim, professor?


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Aula 10 – Profs. Marcos Girão e Alexandre Herculano

É o seguinte:

 Para que o condutor responda pelo delito não é necessário


que ele esteja com excesso de velocidade , BASTA
QUE ESSA VELOCIDADE SEJA INCOMPATÍVEL COM A
SEGURANÇA, podendo causar um dano superveniente.

 Com isso, NÃO É EXIGIDO que a prova seja feita por


meio de radares ou equivalentes, podendo ser suprida
por provas testemunhais.

E atenção! Neste delito, após sofrer uma avaliação subjetiva de provável


dano superveniente, ainda que constatado o perigo de dano, é necessário que
a ocorrência se dê nos locais considerados perigosos pelo legislador ,
como nas proximidades de escolas; hospitais, estações de embarque e
desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja grande
movimentação ou concentração de pessoas.

Veja como foi cobrado:

01312787384

16. [CESPE – DELEGADO DE POLICIA – SEAD/TO – 2008] Os crimes de


lesão corporal culposa, embriaguez ao volante e participação em competição
não autorizada, elencados no Código de Trânsito Brasileiro, são apurados por
meio de termo circunstanciado de ocorrência, sendo vedada, em qualquer
hipótese, a prisão em flagrante em tais condutas, nos termos dispostos na Lei
dos Juizados Especiais Criminais.

Comentário:

Só os crimes de menor potencial ofensivo podem ser alcançados pelas


vantagens trazidas na Lei de Juizados Especiais Criminais (Lei 9.099/95).
LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO P/ DETRAN-CE (TODOS CARGOS) 2017
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Aula 10 – Profs. Marcos Girão e Alexandre Herculano

Dentre os crimes elencados no CTB, o de “lesão corporal culposa”, por ser de


menor potencial ofensivo, pode ser apurado por meio de termo circunstanciado
de ocorrência.

O erro da questão foi incluir o crime de embriaguez ao volante (art. 306)


e participação em competição não autorizada (art. 308) dentre o rol dos
beneficiados pela Lei 9.099/95. De jeito nenhum, pois esses são crimes de
maior potencial ofensivo (ambos têm penas restritivas de liberdade com prazos
máximos maiores que 2 anos). E no de lesão corporal culposa, vimos que, a
depender de outras condutas do condutor, ele pode perder o direito à
composição civil, à transação penal e a ação penal passará a ser incondicional à
representação.

Gabarito: Errado

17. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2002] A prova da


velocidade incompatível pode ser feita por testemunhas, não se exigindo a
prova de radares ou equivalentes.

Comentário:

Fácil demais! É só reler o que diz o quadro-destaque acima e você


constatará que a assertiva está corretinha!

Gabarito: Certo

[CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2004] O CTB, em seu art.


311, censura a conduta de trafegar em velocidade incompatível com a
segurança nos locais considerados pelo legislador como perigosos,
elegendo essa conduta como criminosa e impondo-lhe a pena de
detenção de 6 meses a 1 ano ou multa. Acerca desse assunto, julgue os
itens que se seguem.

18. Ter domínio do veículo significa que o condutor tem o controle do mesmo,
podendo, assim, detê-lo quantas vezes for necessário, diante de obstáculos
previsíveis.
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19. Para a consumação do delito tipificado no referido artigo, não é


estritamente necessário que ocorra dano, ou seja, as pessoas sejam lesionadas
ou mortas em virtude da velocidade incompatível.

Comentário 18:

Você tem alguma dúvida disso, caro aluno? Claro que não! Essa assertiva foi
um presentinho dado pela banca aos candidatos! De fato, ter domínio do
veículo significa que o condutor tem o controle do mesmo, podendo, assim,
detê-lo quantas vezes for necessário, diante de obstáculos previsíveis.

Gabarito: Certo
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Comentário 19:

Exato! Vamos repetir: para que o condutor responda pelo delito do art.
311 do CTB, não é necessário que ele esteja com excesso de velocidade, basta
que essa velocidade seja incompatível com a segurança, podendo
causar um dano superveniente.

Gabarito: Certo

E por fim, o último delito tipificado no CTB:

1.11. Crime de Inovar com Vítima

Art. 312 - INOVAR ARTIFICIOSAMENTE em caso de acidente


automobilístico com vítima, na pendência do respectivo
procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo
penal, O ESTADO DE LUGAR, DE COISA ou DE PESSOA, a fim
de induzir a erro o agente policial, o perito, ou juiz:

Penas - detenção, de 06 meses a 01 ano, OU multa.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo, ainda que não


iniciados quando da inovação, o procedimento preparatório, o
inquérito ou o processo aos quais se refere-

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Para este crime, a intenção do legislador foi punir aquele que, em


acidente com vítima, mexe no local do acidente para prejudicar, ou melhor,
atrapalhar a administração da justiça. A intenção do agente é sempre prejudicar
a apuração da verdade dos fatos; dessa forma, ainda que a regra seja pre-
servar o local, e este não é preservado, mas justificadamente, no intuito de
prestar socorro à vítima, por exemplo, aí não há que se falar em cometimento
deste delito. Tranquilo?

Vamos rever a infração correspondente a esse crime, analisando o art.


176 do CTB:
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 Art. 176. Deixar o condutor envolvido em acidente com vítima:


I - de prestar ou providenciar socorro à vítima, podendo fazê-lo;
II - de adotar providências, podendo fazê-lo, no sentido de evitar
perigo para o trânsito no local;
III - de preservar o local, de forma a facilitar os trabalhos da
polícia e da perícia;
IV - de adotar providências para remover o veículo do local, quando
determinadas por policial ou agente da autoridade de trânsito;
V - de identificar-se ao policial e de lhe prestar informações
necessárias à confecção do boletim de ocorrência:
Infração - gravíssima;
Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação.

Com relação a essa infração e ao crime em questão, analisemos as


seguintes situações:

1º - O condutor que deixa de preservar o local, em acidente com


vítima, com a intenção de ajudar:

Ainda assim pode responder com base na infração de trânsito do art.


176, uma vez que nas infrações de trânsito o agente de trânsito não
valora os elementos subjetivos (dolo e culpa). Nesse caso, ele nunca
responderá pelo crime do art. 312;

2º - Responsabilidades pela conduta:


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No que se refere às responsabilidades, perceba que o art. 176 abrange


apenas os condutores envolvidos em acidente com vitima, e no art.
312, qualquer pessoa que teve a intenção de prejudicar a
administração da justiça;

3º - O condutor que deixou de preservar o local, para evitar


perigo, para prestar socorro, ou por determinação de algum
policial:

Esse não responde nem pela infração do art. 176 nem pelo crime do
art. 312!
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As situações mais comuns em que temos a incidência do artigo 312 são:

 apagar a marca de derrapagem;

 retirar placas de sinalização;

 alterar o local dos carros;

 limpar estilhaços do chão;

 alterar o local do corpo da vítima;

 antes de apresentar seu veículo para perícia, alterar o local onde


ocorreu o abalroamento, sempre com a intenção de prejudicar.

Prontooooo!

Para fecharmos o estudo dos crimes de trânsito, vamos à recente


novidade do CTB, promovida pela Lei nº 13.281/2016 (art. 312-A):

Lei nº 13.281/16

 Para os crimes relacionados nos arts. 302 a 312 do CTB (ou


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seja, TODOS) deste Código, nas situações em que o juiz


aplicar a substituição de pena privativa de liberdade por pena
restritiva de direitos, esta deverá ser de prestação de
serviço à comunidade ou a entidades públicas, em uma
das seguintes atividades:

 trabalho, aos fins de semana, em equipes de resgate dos


corpos de bombeiros e em outras unidades móveis
especializadas no atendimento a vítimas de trânsito;
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 trabalho em unidades de pronto-socorro de hospitais da


rede pública que recebem vítimas de acidente de trânsito
e politraumatizados;

 trabalho em clínicas ou instituições especializadas na


recuperação de acidentados de trânsito;

 outras atividades relacionadas ao resgate, atendimento


e recuperação de vítimas de acidentes de trânsito.

Caro aluno, você lembra quando o nosso Direito Penal prevê a


possibilidade de substituição de pena restritiva de liberdade em restritiva de
direito?

Se sim, vamos revisar, se não, saiba que é o Código Penal Brasileiro


quem nos responde a essa pergunta em seus art.s 43 e 44, abaixo transcritos:

Código Penal Brasileiro:


Art. 43. As penas restritivas de direitos são:
I - prestação pecuniária;
II - perda de bens e valores;
III - limitação de fim de semana.
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas;
V - interdição temporária de direitos;
VI - limitação de fim de semana.
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem
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as privativas de liberdade, quando:


I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e
o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa
ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo
II – o réu não for reincidente em crime doloso;
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode
ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior
a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma
pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos.
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§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a


substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida
seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha
operado em virtude da prática do mesmo crime.
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de
liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição
imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será
deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado
o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro
crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo
deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena
substitutiva anterior.

Pois bem, a novíssima regra do CTB, trazida no quadro da página


anterior, representa uma importante e valorosa inovação no Direito do Trânsito
Brasileiro, pois tende a auxiliar na produção de resultados positivos no que
tange ao controle da violência no trânsito, que assola a sociedade brasileira.

A regra determina que a todos os crimes de trânsito previstos no CTB e


aqui estudados (arts. 302 a 312), sempre que o juiz aplicar a substituição
da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos, esta
DEVERÁ ser de prestação de serviços à comunidade ou a entidades
públicas. Ou seja: o magistrado tem que aplicar obrigatoriamente a pena do
art. 43, inciso IV, do Código Penal!

É certo que o condenado, alvo da substituição da pena, ao prestar


serviços à comunidade, nos locais e termos determinados pela lei, vendo as
consequências das irresponsabilidades no trânsito, com os danos físicos,
morais, psicológicos e todo o sofrimento à vítima e a seus familiares, vai refletir
e em grande maioria, na mudança de seu comportamento no trânsito. Bom,
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pelo menos esse é o sentido da lei e o que devemos fazer é torcer para que os
resultados sejam os mais positivos possíveis.

Então, é isso! Concluímos enfim a análise dos crimes de trânsito previstos


no CTB!

Para revisarmos ainda mais sobre os crimes, “pesquei” da relevante obra


do professor Leandro Macedo, “Legislação de Trânsito Descomplicada”, a
tabela-resumo a seguir:
LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO P/ DETRAN-CE (TODOS CARGOS) 2017
Teoria e Questões
Aula 10 – Profs. Marcos Girão e Alexandre Herculano

TABELA - RESUMO DOS CRIMES EM ESPÉCIES

SUSPEN-
INFRAÇÃO
ELEMENTO
ART. RESUMO AÇÃO PENAL DETENÇÃO SÃO/ MULTA
SUBJETIVO
ADMINISTRATIVA
PROIBIÇÃO

302 homicídio culposo pub.incond 2 a 4 anos E

pub. cond
lesão
303 culposo 6m a 2 anos E
corporal
(em geral)

omissão
304 doloso pub.incond 6m a 1 ano OU Art. 176,1
socorro

305 afastar-se doloso pub.incond 6m a 1 ano OU 176, V

306 álcool doloso pub.incond 6m a 3 anos E E 165

Nova
violar imposição
307 doloso pub.incond 6m a 1 ano E -
suspensão da
suspensão

participar de
308 doloso pub.incond 6m a 3 anos E E 173,174
corrida

Suspensa ou
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309 doloso Pub.incond 6m a 1 ano OU 162,1 e II


cassada

permitir, 163,164
310 confiar, doloso pub.incond 6m a 1 ano OU
entregar e 166

velocidade 218,220
311 doloso pub.incond 6m a 1 ano OU
incompatível XIV
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Inovar ac.
312 doloso pub.incond 6m a 1 ano OU 176,III
c/ vítima

E antes de terminarmos, mais umas superdicas para você:

CRIMES CULPOSOS  homicídio e lesão corporal (arts. 302 e 303).

Pena de detenção de 02 a 04 anos  só o de homicídio (art. 302).

Pena de detenção de 06 meses a 03 anos  embriaguez (art.306) e de


disputa de racha (art. 308).

Pena de detenção de 06 meses a 02 anos  o de lesão corporal (art.


303).

Pena de detenção de 06 meses a 01 ano  todos os demais.

DETENÇÃO+MULTA+SUSPENSÃO CNH  o de embriaguez, o de violar


suspensão e o de disputar racha (arts. 306, 307 e 308).

Para finalizarmos de vez, uma bateria de questõezinhas de revisão:

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20. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2006] Leia atentamente as seguintes sentenças:

1. crime: cometer homicídio culposo na direção de veículo automotor – pena:


detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

2. crime: afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à


responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída – pena:detenção, de
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seis meses a um ano, ou multa.

3. crime: conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool


ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de
outrem – pena: detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

4. crime: participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de


corrida, disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente, desde que resulte dano potencial à incolumidade pública ou
privada – pena: detenção, de seis meses a dois anos, multa e suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.

Diante do exposto, assinale a alternativa que enumera as sentenças


corretas quanto à correspondência entre as espécies de crime de
trânsito e as suas respectivas penas, de acordo com o disposto no
Código Brasileiro de Trânsito.

(A) 1, 2, 3 e 4.

(B) 1, 2 e 3.

(C) 2, 3 e 4.

(D) 1, 2 e 4.

(E) 1, 3 e 4.

Comentário:

Essa questão é uma revisão literal de alguns crimes previstos no CTB e


esquematizados na tabelinha cima. Abaixo de cada item vou reproduzir o
crime, tal qual disposto no CTB e checar sua conformidade.

Vamos lá!

Item 1. crime: cometer homicídio culposo na direção de veículo automotor –


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pena: detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a


permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Art. 302. Praticar HOMICÍDIO CULPOSO na direção de veículo automotor.

Penas - detenção, de 02 a 04 anos e suspensão ou proibição de se obter a


permissão ou a habilitação para dirigir veiculo automotor.

Os termos “cometer” e “praticar” são sinônimos! Item correto!


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Item 2. crime: afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para


fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída – pena:
detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à


responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída:

Penas - detenção, de 06 meses a 01 ano, OU multa.

Item correto também!

Lembrando que não se pode confundir o delito acima exposto com a


omissão de socorro do art. 304 do CTB, uma vez que aqui o bem jurídico
tutelado é a administração da justiça, e na omissão de socorro, o bem jurídico
tutelado é a vida, a saúde ou a integridade física.

Dessa forma, existe a possibilidade de se cometer o crime de afastar-se


do local, em acidente com vítima, sem, contudo, cometer a omissão de socorro.
Basta que, por exemplo, o condutor envolvido leve a vítima até um hospital e
lá a deixe sem se identificar para fugir da responsabilidade penal.

Item 3. crime: conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de


álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a
incolumidade de outrem – pena: detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Atenção, muita atenção para as novas disposições do crime citado


nesse item!

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada


EM RAZÃO DA INFLUÊNCIA de álcool ou de outra substância psicoativa que
determine dependência: 01312787384

Penas: detenção de 06 meses a 03 anos, multa e suspensão ou proibição de se


obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

À época que a questão foi elaborada, o item estava correto, mas para os
dias de hoje, você já sabe, está erradíssimo!

Item 4. crime: participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de


corrida, disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente, desde que resulte dano potencial à incolumidade pública ou
privada – pena: detenção, de seis meses a dois anos, multa e suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.
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Depois das mudanças efetivadas no CTB pela Lei nº 12.971/2014, o item


passa a estar errado. Vamos rever a nova redação do crime (as mudanças em
vermelho):

Art. 308 - Participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de


corrida, disputa ou competição automobilística não autorizada pela
autoridade competente, gerando situação de risco à incolumidade pública
ou privada:

Penas - detenção, de 06 meses a 03 anos, multa e suspensão ou proibição de


se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Pois bem, o gabarito oficial dessa questão foi, à época, a letra “A”, mas,
pelos motivos expostos quando da análise dos itens “3” e “4”, não há opções de
respostas plausíveis, tonando-se nula a questão.

Gabarito: Nula (para os dias atuais)

[CESPE – SARGENTO CURSO FORMAÇÃO – PM/DF - 2003] Os membros


de uma família reuniram-se para um churrasco em uma pequena
chácara localizada na zona rural de um município brasileiro. Após
beberem muita cerveja, José, filho do proprietário da chácara, e o
chacareiro discutiram, causando uma grande confusão, que só
terminou com a intervenção do proprietário, que deu razão ao seu
empregado e repreendeu publicamente o filho embriagado.

Completamente descontrolado, José, que é maior de idade e tem


habilitação para dirigir, conduziu seu próprio veículo pela estrada que
dá acesso à chácara, totalmente sem sinalização de trânsito, a 60
km/h. Já em via urbana de entrada da cidade, igualmente sem
sinalização e considerada de trânsito rápido, acelerou para 100 km/h.
Nesse momento, sentindo-se tonto, enjoado, freou bruscamente o
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veículo e o parou com apenas as rodas direitas no acostamento, abriu a


porta do veículo sem cautela alguma e correu para o matagal à direita
da via. Em face dessa situação hipotética, julgue o item subsequente à
luz do CTB.

21. José cometeu crime de trânsito para o qual está estipulada pena de
detenção.

Comentário:

Aqui não há a mínima dúvida que o filho de José, conduzindo embriagado


um veículo, comete sim crime de trânsito!

Dou um doce se você adivinhar!


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Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada


EM RAZÃO DA INFLUÊNCIA de álcool ou de outra substância psicoativa que
determine dependência:

Penas: detenção de 06 meses a 03 anos, multa e suspensão ou proibição de se


obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Lembrando que o crime de embriaguez deixou de ser um crime de


perigo em concreto para ser um crime de perigo em abstrato. Antes, para
consumação do delito, era necessário que o condutor estivesse
ziguezagueando, transitando sobre calçadas, roletando cruzamentos, ou seja,
atentando objetivamente contra incolumidade pública (como está na redação
do nosso item em estudo).

Com as novas alterações promovidas pela Lei Seca, ainda que um


condutor esteja conduzindo adequadamente, se tiver acima dos índices
permitidos para embriaguez, será enquadrado no crime acima tipificado.

Caro aluno, esse é o mais famoso, e porque não o mais importante, dos
crimes previstos no CTB! Tenho absoluta certeza que ele lhe será cobrado em
sua prova!

Gabarito: Certo

22. [CESPE – DELEGADO DE POLICIA SUBST.– POL. CIVIL/ES – 2006]


Os crimes definidos no CTB são, em sua maioria, de ação penal pública
condicionada à representação do ofendido para que haja a instauração de
processo contra o autor do delito.

Comentário:

Dessa informação você não pode se esquecer: quase todos os crimes


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previstos no CTB são de ação penal pública incondicionada.

Apenas um deles é, em geral, de ação penal pública condicionada à


representação da vítima: o crime de trânsito de lesão corporal culposa no
trânsito, art. 303 do CTB. Digo em geral, porque o art. 88 da Lei nº 9.099/95
estabelece que, além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial,
dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões
corporais leves e lesões culposas.

Pois bem, o art. 291 do Código de Trânsito diz que aplica-se aos crimes de
trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei nº
9.099/95.

Esse crime só será de ação pública incondicionada se o agente estiver:


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 sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que


determine dependência;

 participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição


automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra
de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente;

 transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em


50 km/h (cinquenta quilômetros por hora).

Nas hipóteses acima, deverá ser instaurado inquérito policial para a


investigação da infração penal.

Logo, podemos concluir que erra a assertiva ao afirmar que oss crimes
definidos no CTB são, em sua maioria, de ação penal pública condicionada à
representação do ofendido para que haja a instauração de processo contra o
autor do delito.

Gabarito: Errado

23. [CESPE – DELEGADO DE POLICIA – SEAD/TO – 2008] Os crimes de


lesão corporal culposa, embriaguez ao volante e participação em competição
não autorizada, elencados no Código de Trânsito Brasileiro, são apurados por
meio de termo circunstanciado de ocorrência, sendo vedada, em qualquer
hipótese, a prisão em flagrante em tais condutas, nos termos dispostos na Lei
dos Juizados Especiais Criminais.

Comentário:

Só os crimes de menor potencial ofensivo podem ser alcançados pelas


vantagens trazidas na Lei de Juizados Especiais Criminais (Lei 9.099/95). quase
todos os crimes do CTB são de menor potencial ofensivo. No entanto, dentre os
crimes citados no enunciado da questão, só o de lesão corporal culposa é,
na sua forma mais simples, de menor potencial ofensivo e, por isso, pode
ser apurado por meio de termo circunstanciado de ocorrência.
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Assim, quem comete os crimes de embriaguez ao volante (art. 306) e de


disputa de corrida (art. 308), por não serem esses de menor potencial
ofensivo, não pode ser beneficiado pela Lei 9.099/95. Lembre-se, no entanto,
que, a depender de outras condutas do condutor quando do cometimento da
lesão corporal culposa ao volante, pode ele perder o direito à composição civil,
à transação penal e o de ser a ação penal condicionada à representação.

Gabarito: Errado

[CESPE – DELEGADO DE POLICIA SUBST.– POL. CIVIL/ES – 2011] Em


relação à legislação que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, julgue
os itens subsequentes.
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24. É admissível a denominação de crime de trânsito para a conduta de dano


cometida com dolo, a exemplo daquele que, intencionalmente, utiliza o seu
veículo para a prática de um crime.

25. Os crimes de entregar a direção de veículo automotor a pessoa não


habilitada e de falta de habilitação se aperfeiçoam com a simples conduta, sem
que se exija prova da efetiva probabilidade de dano.

26. Considere a seguinte situação hipotética. Cláudia, penalmente responsável,


ao dirigir veículo automotor sem habilitação, em via pública, atropelou e matou
um pedestre. Nessa situação hipotética, Cláudia responderá por homicídio
culposo em concurso material com o delito de falta de habilitação.

27. Considere a seguinte situação hipotética. Lúcio, penalmente responsável,


ao dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, deu ensejo ao
capotamento do veículo e à morte de um dos passageiros. Logo após o
acidente, Lúcio foi conduzido à delegacia de polícia, onde se recusou a
submeter-se ao teste do bafômetro. Nessa situação hipotética, Lúcio será
punido pela figura do homicídio culposo em sua forma simples, sem a figura
cumulativa da embriaguez ao volante.

28. No caso de réu reincidente em crime de trânsito, é obrigatório que o


magistrado, ao julgar a nova infração, fixe a pena prevista no tipo, associada à
suspensão da permissão ou habilitação de dirigir veículo automotor.

Comentário 24:

O simples fato de se utilizar um veículo para a prática de um crime


qualquer, seja doloso ou não, não significa necessariamente que esse seja um
crime de trânsito. Para que seja configurando crime de trânsito, a conduta
dolosa deve estar expressamente tipificada no Capítulo XIX do CTB.

Se eu uso um veículo para sequestrar uma pessoa e matá-la dentro dele,


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não significa que estarei praticando um crime doloso de trânsito. O crime de


trânsito de homicídio culposo (art. 302), por exemplo, só se configurará como
crime se for praticado na direção de veículo e o veículo tem que ser automotor.
Além disso, você já sabe: não há tipificação de homicídio doloso no CTB!

Gabarito: Errado

Comentário 25:

O crime de “permitir", "entregar" ou "confiar" é um crime de perigo em


abstrato, punível apenas na modalidade dolosa, sendo, portanto, necessário
que o magistrado avalie sempre os elementos subjetivos da conduta. Isto quer
dizer que não se exige que o condutor inabilitado, com habilitação cassada ou
com o direito de dirigir suspenso, necessariamente dirija indevidamente para
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que o crime seja tipificado. A simples conduta já configura o crime.

Já o crime de dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida


permissão para dirigir ou habilitação, gerando perigo de dano, é crime de
perigo em concreto, ou seja, o agente tem que estar conduzindo veículo
automotor, em via pública, sem a devida permissão para dirigir ou habilitação
e, de forma anormal e irregular, ser inconsequente de modo a atingir o nível
de segurança de trânsito, que é o objeto jurídico tutelado pelo dispositivo.

Perceba que só no segundo crime (e não nos dois citados) é que temos a
exigência de prova da efetiva probabilidade de dano.

Gabarito: Errado

Comentário 26:

O concurso de crimes pode ser material ou real, formal ou ideal, e


continuado. As hipóteses de concurso podem ocorrer entre crimes dolosos e
culposos, consumados ou tentados, comissivos ou omissivos.

O concurso material ou real ocorre quando há duas ou mais condutas


(comissivas ou omissivas), que resultam em dois ou mais crimes, idênticos
ou não. As penas são somadas de acordo com o sistema da cumulatividade.

Já o concurso formal ou ideal ocorre quando há uma única conduta em


uma pluralidade de crimes. Aplica-se uma única pena, aumentada de um
sexto até a metade.

O enunciado da questão cita o possível cometimento de dois delitos de


trânsito: os do art. 302 e 309, sugerindo concurso material de crimes.

No caso em tela, Cláudia teve uma só conduta comissiva em um único


momento: assumiu o controle de um veículo. Ao atropelar um pedestre e matá-
lo, comete, sem dúvida, o crime de homicidio culposo na direção de víuclo
automotor (art. 302). Agora atenção: o fato de ela ter cometido o crime sem
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estar habilitada não necessariamente prova também a consumação do delito do


art. 309 do CTB, já que não há elementos no comando da questão que
comprovem qualquer perigo de dano de forma anormal e irregular, pelo
fato de ela não estar habilitada e estar na direção do veículo. Não há, portanto,
que se falar em concurso de crimes pelos elementos citados no caso hipotético
da questão.

Assim, erra a questão ao afirmar que houve concurso de crimes no


resultado das condutas de Cláudia.

Gabarito: Errado
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Comentário 27:

Primeira coisa: não nos consta que Lúcio tenha tido a intenção de matar
um dos passageiros. Logo, o crime de homicídio não será doloso, e sim
culposo.

Agora, ao recusar a fazer o teste de bafômetro, Lúcio, pelas regras


atuais, pode mesmo ser incriminando com base no crime de embriaguez
tipificado no art. 306 do CTB. À época, a questão estava correta, pois não
havia ainda as disposições da Lei 12.760/12 e, nesse caso, ele poderia recusar
o teste, livrando-se, com isso, de ser enquadrado no crime de embriaguez ao
volante. Para os dias atuais, a assertiva está errada, pois o agente de trânsito
pode usar de outras provas para enquadrar Lúcio no citado delito. Lembre-se:

CTB:

Art. 306. (...)

§2º. A verificação da influência de álcool ou de substância


psicoativa que cause dependência poderá ser obtida também
mediante perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios
de prova em direito admitidos, observado o direito à
contraprova.

Dessa forma, a questão vai bem ao afirmar que Lúcio será punido pela
figura do homicídio culposo em sua forma simples, mas erra ao asseverar que
ele não poderá ser enquadrado no crime de embriaguez ao volante.

Gabarito: Errado (para os dias atuais)

Comentário 28:

Exatamente o que estabelece o art. 296 do CTB: se o réu for


reincidente na prática de crime previsto no CTB, o juiz aplicará a
penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo
automotor, sem prejuízo das demais sanções penais cabíveis.
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Gabarito: Certo

29. [FGV – EXAME DE ORDEM – OAB - 2009] Guiando o seu automóvel


na contramão de direção, em outubro de 2010, Tício é perseguido por
uma viatura da polícia militar. Após ser parado pelos agentes da lei,
Tício realiza, espontaneamente, o exame do etilômetro e fornece aos
militares sua habilitação e o documento do automóvel. No exame do
etilômetro, fica constatado que Tício apresentava concentração de
álcool muito superior ao patamar previsto na legislação de trânsito.
Além disso, os policiais constatam que o motorista estava com a
habilitação vencida desde maio de 2009.
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Teoria e Questões
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Com relação ao relatado acima, é correto afirmar que o promotor de


justiça deverá denunciar Tício

(A) pela prática dos crimes de embriaguez ao volante e direção sem habilitação

(B) apenas pelo crime de embriaguez ao volante, uma vez que o fato de a
habilitação estar vencida constitui mera infração administrativa.

(C) apenas pelo crime de direção sem habilitação, uma vez que o perigo gerado
por tal conduta faz com que o delito de embriaguez ao volante seja absorvido,
em razão da aplicação do Princípio da Consunção.

(D) apenas pelo crime de direção sem habilitação, pois o delito de embriaguez
ao volante só se configura quando ocorre acidente de trânsito com vítima.

Comentário:

Pelo descrito na questão, não há dúvidas que Tício cometeu o crime de


embriaguez ao volante, tipificado no art. 306 do CTB. Estava conduzindo
veículo embriagado, cuja embriaguez foi devidamente testada por teste de
bafômetro.

Tício também apresentou habilitação vencida há mais de 30 dias. O crime


tipificado no art. 309, "dirigir sem habilitação gerando perigo de dano", não é
bem o caso do exposto na questão. Para essa última conduta de Tício, não há
crime algum tipificado no CTB. A bem da verdade, trata-se de uma infração
administrativa prevista no art. 162, inciso IV, do referido Código.

Veja:

Art. 162. Dirigir veículo:

(..)

V - com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida


há mais de trinta dias: 01312787384

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

Logo, é correto afirmar que o promotor de justiça deverá denunciar Tício


apenas pelo crime de embriaguez ao volante, uma vez que o fato de a
habilitação estar vencida constitui mera infração administrativa.

Gabarito: Letra "B"

30. [FGV – INSPETOR DE POLÍCIA – PC/RJ - 2008] Segundo o Código


de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), não constitui crime o seguinte
procedimento:
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(A) conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor sem usar capacete de


segurança com viseira ou óculos de proteção e vestuário de acordo com as
normas e especificações aprovadas pelo Contran.

(B) afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à


responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída.

(C) deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato


socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar
de solicitar auxílio da autoridade pública.

(D) praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.

(E) dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para
Dirigir ou Habilitação, gerando perigo de dano.

Comentário:

Item A - Pergunto: dentre os crimes aqui estudados, há esse citado no item?


De jeito nenhum! Na verdade, conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor sem
usar capacete de segurança com viseira ou óculos de proteção e vestuário de
acordo com as normas e especificações aprovadas pelo Contran é uma infração
administrativa prevista no art. 244, inciso I, do CTB. Essa já é a nossa
resposta!

Item B - afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à


responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída -> Ok -> art. 305,
CTB .

Item C - deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar


imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa
causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública. -> Ok -> art. 304,
CTB .

Item D - praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. ->


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Ok -> art. 303, CTB .

Item E - dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para
Dirigir ou Habilitação, gerando perigo de dano. -> Ok -> art. 305, CTB .

Gabarito: Letra "A"

[FUNIVERSA – SOLDADO MILITAR – PM/DF - 2013] Relativamente aos


crimes cometidos na direção de veículos automotores, segundo o
Código de Trânsito Brasileiro, julgue os itens a seguir.

31. Ao autor do homicídio culposo, ainda que tenha socorrido a vítima, caberá
a prisão em flagrante.
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32. A Lei autoriza a aplicação indistinta da transação penal aos crimes de


trânsito.

33. Participar de um “racha”, sem resultar dano potencial à incolumidade


pública ou privada, caracteriza o crime previsto na Lei.

34. No crime de trânsito de lesão corporal culposa, sob a influência de álcool, é


exigida a instauração de inquérito policial.

35. A multa reparatória em favor da vítima, ou de seus sucessores, poderá ser


superior ao valor do prejuízo demonstrado no processo.

Comentário 31:

Errado e você não deve se esquecer dessa tecla que tantas vezes já
batemos aqui:

Gabarito: Errado

Comentário 32:

A Lei NÃO autoriza a aplicação indistinta da transação penal aos crimes


de trânsito. A transação penal só é prevista nos crimes de menor potencial
ofensivo e em determinadas situações no crime de lesão corporal culposa.

Gabarito: Errado 01312787384

Comentário 33:

A redação anterior do crime citado, antes das mudanças promovidas pela


Lei nº 12.971/14, contentava-se com o perigo potencial de dano, ou seja,
cuidava de infração penal de perigo abstrato, onde a simlpes prática do
comportamento, independentemente de comprovação de perigo, já configurava
o tipo em estudo. A questão à época, portanto, estava errada.

No entanto, à luz das modificações trazidas pela Lei nº 12.971/2014 para


configuração desse tipo penal, alguns requisitos devem estar presentes para o
enquadramento no delito, como:
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 veículo automotor,

 via pública e;

 a prova de situação de risco à incolumidade pública e privada.

Ou seja, há a necessidade de ser comprovado que o comportamento


narrado pelo tipo penal, praticado pelo condutor do veículo automotor, gerou,
efetivamente, uma situação de risco à incolumidade pública ou privada.

Para os dias de hoje, portanto, a questão ficaria com interpretação


comprometida, pois mesmo sem resultar dano potencial, mas havendo a prova
de situação de risco à incolumidade pública, o crime pode assim se configurar.
Do jeito que está escrita, pode ou não haver o crime, pois falta a informação de
que se ficou provada ou não a situação de risco, entende?

Gabarito: Nula (para os dias atuais)

Comentário 34:

Exatamente! Vimos exaustivamente aqui que, se o autor do crime de


lesão corporal culposa tiver sob a influência de álcool, ele não terá direito às
vantagens trazidas pela Lei nº 9.099/95 e, por isso, deverá haver inquérito
policial para a sua apuração.

Gabarito: Certo

Comentário 35:

Erradíssima! Você já está cansado de saber que a multa reparatória em


favor da vítima, ou de seus sucessores, NÃO poderá ser superior ao valor do
prejuízo demonstrado no processo.

Gabarito: Errado

[FUNIVERSA – DELEGADO DE POLICIA – PC/DF - 2015 - Adapt.] Em


01312787384

relação à Lei n.º 9.503/1997, que trata dos crimes de trânsito, julgue
os itens subsecutivos.

36. De acordo com a referida lei, constitui crime de trânsito punido com
detenção a conduta do agente que trafegue em velocidade incompatível com a
segurança nas proximidades de escolas, gerando perigo de dano.

37. Não há, na lei, previsão de pena de reclusão, sendo os crimes previstos
puníveis com detenção e (ou) multa.

38. Não é prevista, entre as penalidades constantes na lei, multa reparatória.


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39. Consoante essa norma, é circunstância que pode agravar a penalidade do


crime de trânsito, conforme a apreciação subjetiva do juiz, ter o condutor do
veículo cometido a infração sobre faixa de trânsito destinada a pedestre.

40. Uma das críticas que a doutrina faz ao legislador em relação aos crimes de
trânsito se relaciona à ausência de previsão legal de benefício ao condutor do
veículo que, após a prática da infração, preste pronto e integral socorro à
vítima.

Comentário 36:

Certíssima e foi o que vimos aqui ao estudar o art. 311 do CTB:

Gabarito: Certo

Comentário 37:

Se você prestou atenção direitinho nas recentes mudanças promovidas


pela Lei nº 12.971/2014, aqui estudadas, não caiu na bobagem dessa questão!

Como o advento dessa norma, o "crime de racha", tipificado no art. 308


do CTB, passou a prever, em seus §§¹º e 2º, a pena de reclusão nas duas
qualificadoras ali tratadas: a de lesão corporal grave e a de morte,
respectivamente.

Assim, erra a questão ao afirmar que não há no CTB previsão de pena de


reclusão, sendo os crimes previstos puníveis com detenção e (ou) multa.
01312787384

Gabarito: Errado

Comentário 38:

É prevista multa reparatória sim!

Trata-se de multa de natureza civil, indenizatória, e exigida no juízo


penal. É, na verdade, uma antecipação de um ressarcimento imposta pelo juiz
da esfera penal, após reclamação da vítima ou seus sucessores. Segundo o que
nos ensina o art. 297 do CTB:

Art. 297. A penalidade de multa reparatória consiste no


pagamento, mediante depósito judicial em favor da vítima, ou seus
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sucessores, de quantia calculada com base no disposto no § 1º do


art. 49 do Código Penal, sempre que houver prejuízo material
resultante do crime.

§ 1º A multa reparatória não poderá ser superior ao valor do


prejuízo demonstrado no processo.

§ 2º Aplica-se à multa reparatória o disposto nos arts. 50 a 52 do


Código Penal.

§ 3º Na indenização civil do dano, o valor da multa reparatória


será descontado.

Gabarito: Errado

Comentário 39:

Consoante o CTB, é sim circunstância que pode agravar a penalidade do


crime de trânsito o condutor do veículo cometido a infração sobre faixa de
trânsito destinada a pedestre. Mas não conforme a apreciação subjetiva do
juiz!! Ou seja, não é o juiz quem decide se a situação é ou não uma
agravante!

Segundo o mandamento do art. 298 do CTB, são circunstâncias que


sempre agravam as penalidades dos crimes de trânsito ter o condutor do
veículo cometido a infração:

01312787384

Gabarito: Errado

Comentário 40:

Muito pelo contrário!

Há sim previsão legal de benefício ao condutor do veículo que, após a


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prática da infração, preste pronto e integral socorro à vítima. Lembre-se do que


aqui estudamos:

Gabarito: Errado

[VUNESP – ESCRIVÃO DE POLICIA – PC/CE - 2015 - Adapt.] Julgue os


itens a seguir no tocante à Lei no 9.503/97 (CTB).

41. Mesmo sem resultar dano potencial à incolumidade pública ou privada, é


crime (art. 308) participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de
disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente (“racha”).

42. É crime (art. 311) trafegar em velocidade incompatível com a segurança


nas proximidades de escolas, gerando perigo de dano.

43. O condenado por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor


(art. 303), além da pena privativa de liberdade sujeitar-se-á, obrigatoriamente,
à pena criminal de suspensão ou proibição de obter a permissão ou a
habilitação para dirigir veículo automotor.

44. A única possibilidade de configuração do crime de embriaguez ao volante


(art. 306) é por meio da constatação de concentração igual ou superior a
6decigramas de álcool por litro de sangue, ou igual ou superior a 0,3 miligrama
de álcool por litro de ar alveolar.
01312787384

45. A conduta de dirigir veículo automotor em via pública, sem a devida


permissão para dirigir ou habilitação, configura crime (art. 309), gerando ou
não perigo de dano.

Comentário 41:

Não, não! A questão agora não é se resulta ou não em dano potencial,


mas sim de gera ou não situação de risco à incolumidade pública ou privada! A
nova redação do art. 308, trazida pela Lei nº 12.971/2014, mudou a concepção
do crime! Vamos relembrá-la:
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Como você pode ver, para configuração desse tipo penal, devem estar
presentes alguns requisitos, como:

 veículo automotor;

 via pública; e

 a prova de situação de risco à incolumidade pública e privada.

O crime deixou de ser de perigo abdtrato para ser de perigo concreto, ou


seja, há a necessidade de ser comprovado que o comportamento narrado pelo
tipo penal, praticado pelo condutor do veículo automotor, gerou, efetivamente,
uma situação de risco à incolumidade pública ou privada.

Gabarito: Errado

Comentário 42:

Certíssima e foi o que acabamos de ver em comentário de questão


anterior! Como nunca é demais memorizar:

01312787384

Gabarito: Certo

Comentário 43:

Muito cuidado com essa afirmação, pois, se você bem está lembrado, a
pena criminal de suspensão ou proibição de obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor não é imposta de forma obrigatória, mesmo
sendo prevista no crime de lesão corporal culposa do art. 303 do CTB.
LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO P/ DETRAN-CE (TODOS CARGOS) 2017
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O CTB estabelece em seu art. 291 que a suspensão penal pode ser
aplicada isolada (apenas ela) ou cumulativamente (com a pena
privativa de liberdade ou com a multa), e com prazo a ser estipulado pela
autoridade judiciária, sem nenhuma correlação com os prazos da pena
privativa de liberdade, devendo, entretanto, o juiz observar um mínimo de
2 meses e um máximo de 5 anos.

É bom relembrar que, com o advento da Lei nº 12.971/2014, a


suspensão ou a proibição de se obter a habilitação ou a permissão para dirigir
não mais pode ser aplicada como pena principal.

Gabarito: Errado

Comentário 44:

De jeito nenhum!

Segundo o que dispõe o art. 306 do CTB, em seu §2º, além do exame por
bafômetro e exame clínico, também poderão ser utilizados prova
testemunhal, imagem, vídeo ou qualquer outro meio de prova em
direito admitido.

Gabarito: Errado

Comentário 45:

Errada e vou corrigir: a conduta de dirigir veículo automotor em via


pública, sem a devida permissão para dirigir ou habilitação, configura crime
(art. 309), desde que gere perigo de dano. Confira:

01312787384

Gabarito: Errado

[VUNESP – INSPETOR DE POLICIA – PC/CE - 2015 - Adapt.] Sobre o


Código de Trânsito Brasileiro, julgue os itens a seguir:

46. O crime do artigo 311 exige perigo de dano para a conduta de trafegar em
velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas.

47. A conduta de violar ordem de suspensão para dirigir veículo automotor é


punida, administrativamente, com nova suspensão.

Comentário 46:
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Exatamente e já é a terceira vez, em provas diferentes, que é cobrado o


crime do art. 311 do CTB! De fato, o crime citado exige perigo de dano para
a conduta de trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas
proximidades de escolas.

Gabarito: Certo

Comentário 47:

A punição não é administrativa para quem comete esse crime, e sim


penal!

A conduta de violar ordem de suspensão para dirigir veículo automotor é


punida, penalmente, com nova suspensão. Não esqueça:

Gabarito: Errado

48. [PRO-MUNICIPIO – AGENTE DE TRÂNSITO - PREF. JARDIM/CE –


2016] Sobre os crimes cometidos no trânsito, é CORRETO afirmar:

(A) Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor é punível com


detenção, de um a dois anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão
ou a habilitação para dirigir veículo automotor;
01312787384

(B) No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é


aumentada de 1/4 (um quarto) à metade, se o agente não possuir permissão
para Dirigir ou Carteira de Habilitação praticá-lo em faixa de pedestres ou na
calçada, deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à
vítima do acidente, ou, no exercício de sua profissão ou atividade, estiver
conduzindo veículo de transporte de passageiros;

(C) Se o agente conduz veículo automotor com capacidade psicomotora


alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que
determine dependência ou participa, em via, de corrida, disputa ou competição
automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra
de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente, a pena é de
reclusão, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor;
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(D) Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à


responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída, a pena é de
detenção, de seis meses a um ano, ou multa;

(E) Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato


socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar
de solicitar auxílio da autoridade pública, a pena é de 1 (um) a 2 (dois) anos de
detenção, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais grave.

Comentário:

Item A - Não, não! Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor


é punível com detenção, de 2 a 4 anos de um a dois anos, e suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor (art. 302). É o único delito do CTB que tem esse quantum de pena
restritiva de liberdade, lembra? (Errado)

Item B - Errado! No homicídio culposo cometido na direção de veículo


automotor, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) à metade de 1/4 (um
quarto) à metade, se o agente não possuir permissão para Dirigir ou Carteira
de Habilitação praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada, deixar de prestar
socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente, ou, no
exercício de sua profissão ou atividade, estiver conduzindo veículo de
transporte de passageiros (art. 302, §1º). (Errado)

Item C - Esse item de se referia a uma das mudanças promovidas no CTB pela
Lei nº 12.971/2014, a que inseriu a regra do §2 no art. 302, quase toda nele
copiada. Você já sabe que essa mudança durou pouco tempo e, pela celeuma
que ela causou no mundo jurídico, já foi revogada pela recente Lei nº
13.281/16. Só por aí, já se vê que o item está errado. No entanto, cabe
esclarecer que à época que a questão foi aplicada tal item já estava errado, por
trazer um quantum de pena incompatível com o que previa a redação. Como
houve a revogação do dispositivo citado no item, nem precisamos perder mais
tanto tempo nele, não é mesmo? Errado, repito, por revogação completa da
regra! (Errado) 01312787384

Item D - Aaah, agora sim!! Afastar-se o condutor do veículo do local do


acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser
atribuída, a pena é de detenção, de seis meses a um ano, ou multa (art. 305).
(Certo)

Item E - Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar


imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa
causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública, a pena é de 6 (seis)
meses a 1 (um) ano 1 (um) a 2 (dois) anos de detenção, ou multa, se o fato
não constituir elemento de crime mais grave. (Errado)

Gabarito: Letra "D"


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49. [PRO-MUNICIPIO – AGENTE DE TRÂNSITO - PREF. JARDIM/CE –


2016] Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida
Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de
dirigir, gerando perigo de dano, é punido com pena de:

(A) Detenção, de seis meses a um ano;

(B) Detenção, de um a dois anos, ou multa;

(C) Multa;

(D) Detenção, de seis meses a um ano, ou multa;

(E) Detenção, de um a dois anos.

Comentário:

Questão saidinha do forno e bem simples. Vamos replicar o tipo do art.


311 do CTB:

Gabarito: Letra "D"

50. [FUNRIO – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2009] Constitui


infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito do Código de
Trânsito Brasileiro, da legislação complementar ou das resoluções do
CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas
administrativas. Com relação aos crimes relacionados no Código de
Trânsito Brasileiro, é correto afirmar que
01312787384

(A) ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que resulte


vítima, se imporá a prisão em flagrante e se exigirá fiança, independente dele
prestar pronto e integral socorro àquela.

(B) é crime conduzir veículo automotor, na via pública, estando com


concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis)
decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que
determine dependência, contudo, com relação aos testes de alcoolemia, para
efeito de caracterização do crime tipificado, o Poder Executivo Federal não
poderá estipular a equivalência entre distintos testes de alcoolemia, devendo
estes ser regulados pelo CONTRAN.
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(C) no homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é


aumentada de um terço à metade, se o agente não possuir Permissão para
Dirigir ou Carteira de Habilitação; praticá-lo em faixa de pedestres ou na
calçada; se deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à vítima do acidente; se o praticar no exercício de sua profissão ou
atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.

(D) é considerado crime participar, na direção de veículo automotor, em via


pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, mesmo que
autorizada pela autoridade competente, já que sempre pode resultar dano
potencial à incolumidade pública ou privada.

(E) a multa reparatória poderá ser superior ao valor do prejuízo demonstrado


no processo.

Comentário:

Item A - De jeito nenhum! Caso um condutor seja envolvido em algum acidente


e deste resulte alguma vítima, estará livre de ser preso em flagrante ou de
pagar fiança, se prestar pronto e integral socorro à vítima. (Errado)

Item B – Para responder ao item e fixar bem a nova redação do art. 306 do
CTB (crime de embriaguez ao volante).

Vamos revisá-lo:

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora


alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância
psicoativa que determine dependência:

Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão


ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir
veículo automotor.

Parágrafo único. O Poder Executivo federal estipulará a


equivalência entre distintos testes de alcoolemia, para efeito
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de caracterização do crime tipificado neste artigo.

§ 1º As condutas previstas no caput serão constatadas por:

I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por


litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por
litro de ar alveolar; ou

II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran,


alteração da capacidade psicomotora.

§ 2º A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida


mediante teste de alcoolemia, exame clínico, perícia, vídeo, prova
testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos,
observado o direito à contraprova.
LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO P/ DETRAN-CE (TODOS CARGOS) 2017
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§ 3º O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos


testes de alcoolemia para efeito de caracterização do crime
tipificado neste artigo.

Se antes da Lei 12.760/12, o item já estava errado, por contradizer o


parágrafo único do artigo acima citado, imagine agora com a nova redação
desse dispositivo promovida pela citada norma! Aí é que está errado mesmo!

Item C - Exatamente! E para reforçar, vamos rever as circunstâncias


aumentativas de pena para os crimes de trânsito. São elas, praticar o crime:

 sem possuir permissão para dirigir ou carteira de habilitação;

 quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o


transporte de passageiros ou de carga;

 sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente destinada a


pedestres;

 e omitir o socorro.

Lembre-se que esses aumentativos de pena serão aplicados para os


crimes culposos previstos no CTB (homicídio culposo e lesão corporal culposa).
(Certo)

Item D - Vimos que para ser considerado crime, a participação na direção de


veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou competição
automobilística, deverá ter acontecido sem a autorização da autoridade
competente, e a conduta necessariamente terá que gerar um dano
potencial à incolumidade pública ou privada. (Errado)

Item E - A multa reparatória, prevista no art. 297 do CTB, é uma multa de


natureza civil, indenizatória, e exigida no juízo penal; é, na verdade, uma
antecipação de um ressarcimento imposta pelo juiz da esfera penal, após
reclamação da vítima ou seus sucessores.
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Para que a multa reparatória se torne exigível é necessária a ocorrência


de um crime de transito, já que é aplicada no juízo penal, e também um dano
material - apenas este é indenizável a título de multa reparatória.

Cabe destacar que o valor da multa reparatória terá como limite o do


prejuízo demonstrado no processo; porém, se posteriormente a vítima se
achar insatisfeita com o valor pago, poderá ainda reclamar o mesmo objeto, a
mesma indenização, na esfera cível, recebendo evidentemente apenas a
diferença. O erra ao afirmar que o valor da referida multa poderá ser superior
ao valor do prejuízo demonstrado no processo. (Errado)

Gabarito: Letra “C”


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E a seguir, a mais recente questão Cespe sobre o tema, aplicada para


cargo de alto nível:

51. [CESPE – JUIZ SUBSTITUTO – TJ/PR - 2017] Considerando a


jurisprudência do STF e do STJ em relação aos crimes de trânsito,
assinale a opção correta.

(A) Dirigir automóvel na via pública sem possuir permissão para dirigir ou
habilitação é crime de perigo concreto, cuja tipificação exige a prova de
geração do perigo de dano.

(B) O crime de omissão de socorro à vítima atropelada por imprudência do


motorista não se verifica quando se constata que a morte ocorreu
instantaneamente.

(C) A embriaguez ao volante é crime de perigo concreto, em que a ingestão de


bebida alcoólica e a condução perigosa do automóvel geram perigo de dano.

(D) O fato de dirigir perigosamente automóvel sem ser habilitado, vindo a


causar lesões corporais em transeunte, implica dois crimes praticados em
concurso formal.

Comentário:

Item A – Certíssimo! Para a ocorrência do delito acima, alguns elementos são


essenciais:

 deve haver condução de veículo automotor;

 é crime de via pública;

 é crime de perigo em concreto, e, por fim, o condutor deve ser


inabilitado ou estar cassado.

O delito de condução inabilitada de veículo automotor (art. 309 do Código


de Trânsito Brasileiro) é de perigo concreto indeterminado, pois o perigo
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não precisa ser dirigido, bastando prova de que a condução do veículo rebaixou
o nível de segurança viário, gerando risco para a coletividade. Assim, se o
motorista inabilitado for surpreendido conduzindo de forma anormal seu
automóvel, temos crime; se apesar de inabilitado o conduzir dentro das regras
de segurança, caracteriza mera infração administrativa. (Certo)

Item B – Oh, meu Deus! Ao estudarmos cobre o crime de omissão de socorro


m vimos que mesmo que a vítima tenha morrido instantaneamente ao acidente
ou tenha apenas tido ferimentos leves, o motorista ainda assim responderá
pelo crime. Tais situações, por não ensejarem necessidade de socorro, não
tornam atípica a conduta do motorista, ok? É esse o entendimento da Suprema
Corte! Confira:
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RECURSO ESPECIAL Nº 1.391.004 - GO (2013/0219024-8):

RECURSO ESPECIAL. CRIMINAL. HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO


DE VEÍCULO AUTOMOTOR. MAJORANTE RELATIVA À OMISSÃO DE
SOCORRO. CARACTERIZAÇÃO. MORTE INSTANTÂNEA DA VÍTIMA.
IRRELEVÂNCIA. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é no
sentido de ser irrelevante, no crime de homicídio culposo na
direção de veículo automotor, o fato de a vítima ter falecido
imediatamente no acidente para a incidência da causa de
aumento de pena relativa à omissão de socorro, uma vez que
não compete ao condutor do veículo levantar suposições
sobre as condições físicas da pessoa lesionada a fim de deixar
de prestar o devido auxílio. 2. Recurso especial provido.

(Errado)

Item C – Essa daqui você deve ter julgado num piscar de olhos, não é mesmo?
Para responder, basta relembrarmos o mais recente entendimento do STJ:
dirigir com concentração de álcool acima do limite legal configura crime,
independentemente de a conduta do motorista oferecer risco efetivo
para os demais usuários da via pública (STJ, 2016, REsp 1.582.413,
Relator Ministro Schietti Cruz). Ou seja: o crime citado é delito de perigo de
dano em abstrato! (Errado)

Item D – Não, não! Vamos tentar explicar! Se um indivíduo, que não possui
habilitação para dirigir (art. 309 do CTB), conduz seu veículo de forma
imprudente, negligente ou imperita e causa lesão corporal em alguém, ele
responderá pelo crime do art. 303, parágrafo único, do CTB (lesão corporal
culposa), ficando o delito do art. 309 do CTB (dirigir sem habilitação, com
perigo de dano) absorvido por força do princípio da consunção.

O princípio da consunção, conhecido também como Princípio da Absorção,


é um princípio aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com
existência de um nexo de dependência. De acordo com tal princípio, o crime
fim absorve o crime meio. 01312787384

O delito de dirigir veículo sem habilitação (crime meio , no caso) é crime


de ação penal pública incondicionada. Por outro lado, a lesão corporal culposa
(art. 303 do CTB, crime fim) é crime de ação pública condicionada à
representação. Imagine que a vítima não exerça seu direito de representação
no prazo legal. Diante disso, o Ministério Público poderá denunciar o agente
pelo delito do art. 309?

NÃO! O delito do art. 309 já foi absorvido pela conduta de praticar lesão
corporal culposa na direção de veículo automotor, tipificada no art. 303 do CTB,
crime de ação pública condicionada à representação. Como a representação
não foi formalizada pela vítima, houve extinção da punibilidade, que abrange
tanto a lesão corporal como a conduta de dirigir sem habilitação. Por quê?
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Porque o CTB estabelece que, se a lesão corporal culposa for praticada


por um motorista que não tenha habilitação para dirigir, haverá uma causa de
aumento de pena prevista no parágrafo único do art. 303 c/c o art. 302, § 1º,
I.
Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo
automotor:
Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) à metade, se
ocorrer qualquer das hipóteses do § 1º do art. 302.
Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:
Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição
de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.
§ 1º No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor,
a pena é aumentada de 1/3 (um terço) à metade, se o
agente:
I - não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de
Habilitação;

(Errado)

Gabarito: Letra “A”

***

Finalizamos o estudo do CTB! Espero sinceramente que tenham gostado!


Na próxima aula, o nosso Super-Simuladão!
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Até lá!
LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO P/ DETRAN-CE (TODOS CARGOS) 2017
Teoria e Questões
Aula 10 – Profs. Marcos Girão e Alexandre Herculano

QUESTÕES DE SUA AULA

01. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2011] Qual a duração do prazo estabelecido pela
legislação de trânsito, quando da suspensão ou da proibição de se obter
a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor?
(A) De dois meses a cinco anos.
(B) De dois meses a quatro anos.
(C) De três meses a cinco anos.
(D) De seis meses a quatro anos.
(E) De seis meses a cinco anos.

02. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2011] Se o réu for reincidente na prática de crimes previstos
na legislação, o juiz aplicará a penalidade de suspensão da permissão ou
habilitação para dirigir veículos automotores, sem prejuízos das demais sanções
penais cabíveis.

03. [IUAPE – MOTORISTA - PREF. MUN. SURUBIM/PE – 2009] O


condutor de um veículo cometeu um crime de trânsito sobre a faixa de
trânsito temporária destinada a pedestres. Nesta circunstância, a pena
será
(A) atenuada.
(B) agravada.
(C) aumentada em dobro.
(D) agravada apenas com multa.
(E) atenuada em um terço da pena. 01312787384

04. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2008] De acordo com o


CTB, assinale a opção correta acerca das ações penais por crimes
cometidos na direção de veículos automotores.
(A) Em nenhuma hipótese se admite a aplicação aos crimes de trânsito de
disposições previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais criminais.
(B) A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para
dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade principal, mas
sempre de forma isolada, sendo vedada a aplicação cumulativa com outras
penalidades.
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Aula 10 – Profs. Marcos Girão e Alexandre Herculano

(C) A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a


habilitação para dirigir veículo automotor tem a duração de dois anos.
(D) Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado a
entregar à autoridade judiciária, em 24 horas, a permissão para dirigir ou a
CNH.
(E) Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que resulte
vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se ele
prestar pronto e integral socorro àquela.

05. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2011] A pena de detenção de dois a quatro anos será imputada
ao condutor que praticar homicídio culposo na direção dos veículos
automotores.

[CESPE – CABO SELEÇÃO INTERNA – PM/DF - 2003] José e Geraldo,


maiores de idade que não possuem habilitação para dirigir, resolveram
participar de um racha com os automóveis de seus pais, sem o
conhecimento deles. Durante o racha, realizado na avenida principal da
cidade em que residem, o veículo conduzido por Geraldo, que não
utilizava cinto de segurança, desgovernou-se e atropelou Maria, que
ficou gravemente ferida. Desesperados com o ocorrido, os dois jovens
fugiram sem prestar socorro à vítima, que faleceu no hospital algumas
horas após identificar as placas dos veículos conduzidos por José e
Geraldo. Com relação à situação hipotética apresentada acima, julgue o
item a seguir, à luz do CTB.
06. Se, após o devido processo legal, Geraldo for condenado por homicídio
culposo pela morte de Maria, a pena será aumentada de, no mínimo, dois
terços.

07. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2002] Ao passar em


frente a uma parada de ônibus, conduzindo o seu veículo em avançada hora da
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madrugada, Tício avistou um desafeto. Assim, retornou na avenida, de modo a


passar novamente em frente ao inimigo. Quando se aproximava, então, da
parada, acelerou o veículo, arremessando-o contra o pedestre, causando-lhe
morte instantânea. Para essa situação, há, no CTB, tipo específico que descreve
a conduta de Tício, no qual se prevê, ainda, o atropelamento ocorrido em
calçada como causa de aumento de pena do homicídio.

08. [CESPE – ANALISTA DE TRANSITO – DETRAN/DF – 2009] Considere


que Gustavo conduza o seu veículo à velocidade de 110 km/h, quando a
sinalização do local aponta como limite máximo a velocidade de 50 km/h e, de
forma culposa, tenha atropelado Maria, que teve lesão corporal leve. Nesse
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caso, Gustavo deverá responder por crime de lesão corporal culposa, desde que
haja representação da vítima.

09. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2008 - Adapt.] Em


nenhuma hipótese se admite a aplicação aos crimes de trânsito de disposições
previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais criminais.

10. [FUNRIO – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2009 – Adapt.] No dia


15 de junho de 2007, por volta das 09h, pela Avenida Canal, proximidades do
"Atacadão Rio do Peixe”, José Antônio, guiando o veículo ônibus, ano 1998, de
cor branca, provocou atropelamento contra Marinalva, que pedalava uma
bicicleta próximo à guia da calçada, sofrendo traumatismos generalizados. O
socorro foi prestado por solicitação de populares do SAMU ao Hospital Regional
de Urgência e Emergência de Campina Grande, e o infrator se evadiu. No que
se refere à conduta praticada, uma vez que o infrator se evadiu sem prestar
socorro à vítima, é correto afirmar que o condutor não merece aplicação do
aumento de pena daí decorrente, uma vez que a vítima não era pedestre,
conforme estipulado pela Lei nº 9503/97.

[CESPE – ASSIST. TÉCNICO DE TRÂNSITO – DETRAN/ES – 2010] Com


relação às infrações de trânsito, julgue os itens subsecutivos.
11. Comprovada a embriaguez, o condutor terá seu veículo apreendido e sua
CNH cancelada pelo período de um ano e, caso queira voltar a conduzir veículo
automotor, terá de realizar, após este período, todos os exames para a
obtenção de nova habilitação.
12. A chamada Lei Seca diz respeito à fiscalização de condutores sob efeito de
álcool e também de qualquer outra substância psicoativa que cause
dependência. Portanto, o condutor que apresentar sintomas de torpor ou
euforia, mesmo que não se evidencie a existência de álcool em seu organismo
pelo bafômetro, pode ser submetido a outros exames pelas autoridades de
trânsito e sofrer as mesmas penalidades.
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13. [CESPE - AGENTE DE TRANSITO – DETRAN/DF – 2003] O condutor


que, ao receber ordem de um agente de trânsito, se nega a realizar teste em
aparelho de ar alveolar para avaliar a concentração de álcool em seu
organismo, não apenas pratica infração administrativa, mas também comete
crime de desacato.

14. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2004 – Adapt.] A


conduta de dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, em nível
superior ao permitido, não configura, necessariamente, crime perante a lei
brasileira, sendo punida administrativamente como infração gravíssima, com
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penalidade de multa e suspensão do direito de dirigir. Para ser enquadrada na


categoria de crime, a embriaguez do condutor deve expor a dano potencial a
incolumidade de outrem.

15. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2004 - ADAPT] A


embriaguez pode ser constatada por provas técnicas e periciais, como exame
de sangue e teste em bafômetro, mas nunca, por prova testemunhal.

16. [CESPE – DELEGADO DE POLICIA – SEAD/TO – 2008] Os crimes de


lesão corporal culposa, embriaguez ao volante e participação em competição
não autorizada, elencados no Código de Trânsito Brasileiro, são apurados por
meio de termo circunstanciado de ocorrência, sendo vedada, em qualquer
hipótese, a prisão em flagrante em tais condutas, nos termos dispostos na Lei
dos Juizados Especiais Criminais.

17. [CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2002] A prova da


velocidade incompatível pode ser feita por testemunhas, não se exigindo a
prova de radares ou equivalentes.

[CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2004] O CTB, em seu art.


311, censura a conduta de trafegar em velocidade incompatível com a
segurança nos locais considerados pelo legislador como perigosos,
elegendo essa conduta como criminosa e impondo-lhe a pena de
detenção de 6 meses a 1 ano ou multa. Acerca desse assunto, julgue os
itens que se seguem.
18. Ter domínio do veículo significa que o condutor tem o controle do mesmo,
podendo, assim, detê-lo quantas vezes for necessário, diante de obstáculos
previsíveis.
19. Para a consumação do delito tipificado no referido artigo, não é
estritamente necessário que ocorra dano, ou seja, as pessoas sejam lesionadas
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ou mortas em virtude da velocidade incompatível.

20. [UIAPE – AGENTE DE TRANS. TRANSPORTE – PREF. MUN.


OLINDA/PE – 2006] Leia atentamente as seguintes sentenças:
1. crime: cometer homicídio culposo na direção de veículo automotor – pena:
detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
2. crime: afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à
responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída – pena:detenção, de
seis meses a um ano, ou multa.
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3. crime: conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool


ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de
outrem – pena: detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
4. crime: participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de
corrida, disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente, desde que resulte dano potencial à incolumidade pública ou
privada – pena: detenção, de seis meses a dois anos, multa e suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor.
Diante do exposto, assinale a alternativa que enumera as sentenças
corretas quanto à correspondência entre as espécies de crime de
trânsito e as suas respectivas penas, de acordo com o disposto no
Código Brasileiro de Trânsito.
(A) 1, 2, 3 e 4.
(B) 1, 2 e 3.
(C) 2, 3 e 4.
(D) 1, 2 e 4.
(E) 1, 3 e 4.

[CESPE – SARGENTO CURSO FORMAÇÃO – PM/DF - 2003] Os membros


de uma família reuniram-se para um churrasco em uma pequena
chácara localizada na zona rural de um município brasileiro. Após
beberem muita cerveja, José, filho do proprietário da chácara, e o
chacareiro discutiram, causando uma grande confusão, que só terminou
com a intervenção do proprietário, que deu razão ao seu empregado e
repreendeu publicamente o filho embriagado. Completamente
descontrolado, José, que é maior de idade e tem habilitação para
dirigir, conduziu seu próprio veículo pela estrada que dá acesso à
chácara, totalmente sem sinalização de trânsito, a 60 km/h. Já em via
urbana de entrada da cidade, igualmente sem sinalização e considerada
de trânsito rápido, acelerou para 100 km/h. Nesse momento, sentindo-
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se tonto, enjoado, freou bruscamente o veículo e o parou com apenas


as rodas direitas no acostamento, abriu a porta do veículo sem cautela
alguma e correu para o matagal à direita da via. Em face dessa situação
hipotética, julgue o item subsequente à luz do CTB.
21. José cometeu crime de trânsito para o qual está estipulada pena de
detenção.

22. [CESPE – DELEGADO DE POLICIA SUBST.– POL. CIVIL/ES – 2006]


Os crimes definidos no CTB são, em sua maioria, de ação penal pública
condicionada à representação do ofendido para que haja a instauração de
processo contra o autor do delito.
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23. [CESPE – DELEGADO DE POLICIA – SEAD/TO – 2008] Os crimes de


lesão corporal culposa, embriaguez ao volante e participação em competição
não autorizada, elencados no Código de Trânsito Brasileiro, são apurados por
meio de termo circunstanciado de ocorrência, sendo vedada, em qualquer
hipótese, a prisão em flagrante em tais condutas, nos termos dispostos na Lei
dos Juizados Especiais Criminais.

[CESPE – DELEGADO DE POLICIA SUBST.– POL. CIVIL/ES – 2011] Em


relação à legislação que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, julgue
os itens subsequentes.
24. É admissível a denominação de crime de trânsito para a conduta de dano
cometida com dolo, a exemplo daquele que, intencionalmente, utiliza o seu
veículo para a prática de um crime.
25. Os crimes de entregar a direção de veículo automotor a pessoa não
habilitada e de falta de habilitação se aperfeiçoam com a simples conduta, sem
que se exija prova da efetiva probabilidade de dano.
26. Considere a seguinte situação hipotética. Cláudia, penalmente responsável,
ao dirigir veículo automotor sem habilitação, em via pública, atropelou e matou
um pedestre. Nessa situação hipotética, Cláudia responderá por homicídio
culposo em concurso material com o delito de falta de habilitação.
27. Considere a seguinte situação hipotética. Lúcio, penalmente responsável,
ao dirigir veículo automotor sob a influência de álcool, deu ensejo ao
capotamento do veículo e à morte de um dos passageiros. Logo após o
acidente, Lúcio foi conduzido à delegacia de polícia, onde se recusou a
submeter-se ao teste do bafômetro. Nessa situação hipotética, Lúcio será
punido pela figura do homicídio culposo em sua forma simples, sem a figura
cumulativa da embriaguez ao volante.
28. No caso de réu reincidente em crime de trânsito, é obrigatório que o
magistrado, ao julgar a nova infração, fixe a pena prevista no tipo, associada à
suspensão da permissão ou habilitação de dirigir veículo automotor.
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29. [FGV – EXAME DE ORDEM – OAB - 2009] Guiando o seu automóvel


na contramão de direção, em outubro de 2010, Tício é perseguido por
uma viatura da polícia militar. Após ser parado pelos agentes da lei,
Tício realiza, espontaneamente, o exame do etilômetro e fornece aos
militares sua habilitação e o documento do automóvel. No exame do
etilômetro, fica constatado que Tício apresentava concentração de
álcool muito superior ao patamar previsto na legislação de trânsito.
Além disso, os policiais constatam que o motorista estava com a
habilitação vencida desde maio de 2009.
Com relação ao relatado acima, é correto afirmar que o promotor de
justiça deverá denunciar Tício
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(A) pela prática dos crimes de embriaguez ao volante e direção sem habilitação
(B) apenas pelo crime de embriaguez ao volante, uma vez que o fato de a
habilitação estar vencida constitui mera infração administrativa.
(C) apenas pelo crime de direção sem habilitação, uma vez que o perigo gerado
por tal conduta faz com que o delito de embriaguez ao volante seja absorvido,
em razão da aplicação do Princípio da Consunção.
(D) apenas pelo crime de direção sem habilitação, pois o delito de embriaguez
ao volante só se configura quando ocorre acidente de trânsito com vítima.

30. [FGV – INSPETOR DE POLÍCIA – PC/RJ - 2008] Segundo o Código


de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), não constitui crime o seguinte
procedimento:
(A) conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor sem usar capacete de
segurança com viseira ou óculos de proteção e vestuário de acordo com as
normas e especificações aprovadas pelo Contran.
(B) afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à
responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída.
(C) deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato
socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar
de solicitar auxílio da autoridade pública.
(D) praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.
(E) dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para
Dirigir ou Habilitação, gerando perigo de dano.

[FUNIVERSA – SOLDADO MILITAR – PM/DF - 2013] Relativamente aos


crimes cometidos na direção de veículos automotores, segundo o
Código de Trânsito Brasileiro, julgue os itens a seguir.
31. Ao autor do homicídio culposo, ainda que tenha socorrido a vítima, caberá a
prisão em flagrante. 01312787384

32. A Lei autoriza a aplicação indistinta da transação penal aos crimes de


trânsito.
33. Participar de um “racha”, sem resultar dano potencial à incolumidade
pública ou privada, caracteriza o crime previsto na Lei.
34. No crime de trânsito de lesão corporal culposa, sob a influência de álcool, é
exigida a instauração de inquérito policial.
35. A multa reparatória em favor da vítima, ou de seus sucessores, poderá ser
superior ao valor do prejuízo demonstrado no processo.
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[FUNIVERSA – DELEGADO DE POLICIA – PC/DF - 2015 - Adapt.] Em


relação à Lei n.º 9.503/1997, que trata dos crimes de trânsito, julgue
os itens subsecutivos.
36. De acordo com a referida lei, constitui crime de trânsito punido com
detenção a conduta do agente que trafegue em velocidade incompatível com a
segurança nas proximidades de escolas, gerando perigo de dano.
37. Não há, na lei, previsão de pena de reclusão, sendo os crimes previstos
puníveis com detenção e(ou) multa.
38. Não é prevista, entre as penalidades constantes na lei, multa reparatória.
39. Consoante essa norma, é circunstância que pode agravar a penalidade do
crime de trânsito, conforme a apreciação subjetiva do juiz, ter o condutor do
veículo cometido a infração sobre faixa de trânsito destinada a pedestre.

40. Uma das críticas que a doutrina faz ao legislador em relação aos crimes de
trânsito se relaciona à ausência de previsão legal de benefício ao condutor do
veículo que, após a prática da infração, preste pronto e integral socorro à
vítima.

[VUNESP – ESCRIVÃO DE POLICIA – PC/CE - 2015 - Adapt.] Julgue os


itens a seguir no tocante à Lei no 9.503/97 (CTB).
41. Mesmo sem resultar dano potencial à incolumidade pública ou privada, é
crime (art. 308) participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de
disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente (“racha”).
42. É crime (art. 311) trafegar em velocidade incompatível com a segurança
nas proximidades de escolas, gerando perigo de dano.
43. O condenado por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor
(art. 303), além da pena privativa de liberdade sujeitar-se-á, obrigatoriamente,
à pena criminal de suspensão ou proibição de obter a permissão ou a
habilitação para dirigir veículo automotor.
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44. A única possibilidade de configuração do crime de embriaguez ao volante


(art. 306) é por meio da constatação de concentração igual ou superior a
6decigramas de álcool por litro de sangue, ou igual ou superior a 0,3 miligrama
de álcool por litro de ar alveolar.
45. A conduta de dirigir veículo automotor em via pública, sem a devida
permissão para dirigir ou habilitação, configura crime (art. 309), gerando ou
não perigo de dano.

[VUNESP – INSPETOR DE POLICIA – PC/CE - 2015 - Adapt.] Sobre o


Código de Trânsito Brasileiro, julgue os itens a seguir:
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46. O crime do artigo 311 exige perigo de dano para a conduta de trafegar em
velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas.
47. A conduta de violar ordem de suspensão para dirigir veículo automotor é
punida, administrativamente, com nova suspensão.

48. [PRO-MUNICIPIO – AGENTE DE TRÂNSITO - PREF. JARDIM/CE –


2016] Sobre os crimes cometidos no trânsito, é CORRETO afirmar:
(A) Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor é punível com
detenção, de um a dois anos, e suspensão ou proibição de se obter a ermissão
ou a habilitação para dirigir veículo automotor;
(B) No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é
aumentada de 1/4 (um quarto) à metade, se o agente não possuir permissão
para Dirigir ou Carteira de Habilitação praticá-lo em faixa de pedestres ou na
calçada, deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à
vítima do acidente, ou, no exercício de sua profissão ou atividade, estiver
conduzindo veículo de transporte de passageiros;
(C) Se o agente conduz veículo automotor com capacidade psicomotora
alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que
determine ependência ou participa, em via, de corrida, disputa ou competição
automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra
de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente, a pena é de
reclusão, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor;
(D) Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à
responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída, a pena é de
detenção, de seis meses a um ano, ou multa;
(E) Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato
socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar
de solicitar auxílio da autoridade pública, a pena é de 1 (um) a 2 (dois) anos de
detenção, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais grave.
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49. [PRO-MUNICIPIO – AGENTE DE TRÂNSITO - PREF. JARDIM/CE –


2016] Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida
Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de
dirigir, gerando perigo de dano, é punido com pena de:
(A) Detenção, de seis meses a um ano;
(B) Detenção, de um a dois anos, ou multa;
(C) Multa;
(D) Detenção, de seis meses a um ano, ou multa;
(E) Detenção, de um a dois anos.
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50. [FUNRIO – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2009] Constitui


infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito do Código de
Trânsito Brasileiro, da legislação complementar ou das resoluções do
CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas
administrativas. Com relação aos crimes relacionados no Código de
Trânsito Brasileiro, é correto afirmar que
(A) ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que resulte
vítima, se imporá a prisão em flagrante e se exigirá fiança, independente dele
prestar pronto e integral socorro àquela.
(B) é crime conduzir veículo automotor, na via pública, estando com
concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis)
decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que
determine dependência, contudo, com relação aos testes de alcoolemia, para
efeito de caracterização do crime tipificado, o Poder Executivo Federal não
poderá estipular a equivalência entre distintos testes de alcoolemia, devendo
estes ser regulados pelo CONTRAN.
(C) no homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é
aumentada de um terço à metade, se o agente não possuir Permissão para
Dirigir ou Carteira de Habilitação; praticá-lo em faixa de pedestres ou na
calçada; se deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à vítima do acidente; se o praticar no exercício de sua profissão ou
atividade, estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.
(D) é considerado crime participar, na direção de veículo automotor, em via
pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, mesmo que
autorizada pela autoridade competente, já que sempre pode resultar dano
potencial à incolumidade pública ou privada.
(E) a multa reparatória poderá ser superior ao valor do prejuízo demonstrado
no processo.

51. [CESPE – JUIZ SUBSTITUTO – TJ/PR - 2017] Considerando a


jurisprudência do STF e do STJ em relação aos crimes de trânsito,
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assinale a opção correta.


(A) Dirigir automóvel na via pública sem possuir permissão para dirigir ou
habilitação é crime de perigo concreto, cuja tipificação exige a prova de geração
do perigo de dano.
(B) O crime de omissão de socorro à vítima atropelada por imprudência do
motorista não se verifica quando se constata que a morte ocorreu
instantaneamente.
(C) A embriaguez ao volante é crime de perigo concreto, em que a ingestão de
bebida alcoólica e a condução perigosa do automóvel geram perigo de dano.
(D) O fato de dirigir perigosamente automóvel sem ser habilitado, vindo a
causar lesões corporais em transeunte, implica dois crimes praticados em
concurso formal.
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GABARITO

1 2 3 4 5 6
A C B E C E
7 8 9 10 11 12
E E E E E C
13 14 15 16 17 18
E E E E C C
19 20 21 22 23 24
C X C E E E
25 26 27 28 29 30
E E E C B A
31 32 33 34 35 36
E E X C E C
37 38 39 40 41 42
E E E E E C
43 44 45 46 47 48
E E E C E D
49 50 51
D C A

X = NULA

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