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Primeira República - República Velha

Dados da Aula

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno


- O aluno precisa ter um conhecimento da história do Brasil Imperial.

Política (do Grego: πολιτικός / politikos, significa "de, para, ou relacionado a grupos
que integram a Pólis") denomina-se a arte ou ciência da organização, direção e administração de
nações ou Estados; a aplicação desta ciência aos assuntos internos da nação (política interna) ou
aos assuntos externos (política externa). Nos regimes democráticos, a ciência política é a
atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seus atos.
A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-
estado chamadas "pólis", nome do qual se derivaram palavras como "politiké" (política em
geral) e "politikós" (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim
"politicus" e chegaram às línguas europeias modernas através do francês "politique" que, em
1265 já era definida nesse idioma como "ciência dos Estados".
O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os
procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-
Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.
O livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία"
(Politeía).
“ [...] o homem é naturalmente um animal político [...] ”
—Aristóteles.

O que o aluno poderá aprender com esta aula

- Conhecer o fato histórico que marcou o fim da monarquia e o inicio da


República, avaliando a participação popular.
- Compreender a proclamação da República como um golpe desencadeado por
forças militares sem grande resistência monarquista.
- Analisar criticamente alguns fatos históricos.
- Problematizar fatos históricos, interessando-se pela busca de explicações e pela
ampliação de sua visão de mundo.
– Compreender a configuração política, econômica e social no contexto da Proclamação
da República no Brasil.
– Compreender os arranjos políticos e as principais características da Constituição de
1891.
– Compreender a adoção do federalismo e a sua relação com as oligarquias estaduais.
– Compreender a política do café com leite e/com a política dos governadores.
– Compreender o controle político local pelos coronéis: o coronelismo.

MONARQUIA – DEMOCRACIA- REPÚBLICA

"A partir de hoje, 15 de novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, pois pode-se
considerar finda a Monarquia, passando a regime francamente democrático com todas as
consequências da Liberdade. Foi o exército quem operou esta magna transformação; assim
como a de 7 de abril de 31 ele firmou a Monarquia constitucional acabando com o despotismo
do Primeiro Imperador, hoje proclamou, no meio da maior tranqüilidade e com solenidade
realmente imponente, que queria outra forma de governo. Assim desaparece a única Monarquia
que existia na América e, fazendo votos para que o novo regime encaminhe a nossa pátria a seus
grandes destinos, esperamos que os vencedores saberão legitimar a posse do poder com o selo
da moderação, benignidade e justiça, impedindo qualquer violência contra os vencidos e
mostrando que a força bem se concilia com a moderação. Viva o Brasil! Viva a Democracia!
Viva a Liberdade!"

Gazeta da Tarde, 15 de novembro de 1889.

http://www1.uol.com.br/rionosjornais/rj03.htm

Descrição

A ideia de proclamar uma república no Brasil esteve presente desde a época colonial. No
entanto, apenas na segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira passou por mudanças
políticas, econômicas e sociais que colaboraram para a decadência da Monarquia e o advento da
República. Nesta coleção, os alunos serão capazes de compreender alguns conceitos como:
forma de governo republicano, positivismo, carta constitucional, abolição da escravidão,
coronelismo e voto de cabresto, política do café com leite, cangaço, revoltas populares,
imigração europeia no Brasil, entre outros. Desta forma, na aula de número 1 os alunos poderão
compreender as razões que levaram à crise do regime monárquico, no final do século XIX e
identificar os grupos sociais que defendiam a substituição do regime monárquico pelo regime
republicano. Nas aulas de número 2 e número 3 os alunos reconhecerão os diferentes sujeitos
sociais envolvidos no processo de abolição da escravidão, conhecendo e confrontando
interpretações históricas distintas sobre a Lei Áurea. Ainda nas aulas de número 4 e número 5
serão capazes de contextualizar o racismo na história de nosso país e valorizar as contribuições
históricas e culturais dos afrodescendentes em nossa sociedade. Nas aulas de número 6 ao
número 8, compreenderão a estrutura política e econômica dentro da qual nasce a República no
Brasil e suas marcas em nossa bandeira e constituição. Perceberão nas aulas de número 9 ao
número 11 que, durante a República Velha, o Brasil foi governado pelas oligarquias cafeeiras
que usavam o voto de cabresto para chegar ao poder. Nas aulas de número 12 ao número 16,
conhecerão as principais revoltas populares no período da República Velha, o fenômeno
chamado cangaço e a cultura popular brasileira da literatura de cordel. Já nas aulas de número
17 ao número 21 perceberão que, na época da República Velha, muitos estrangeiros vieram para
o Brasil em busca de melhores condições de vidas e trouxeram na “bagagem” influências do
socialismo e anarquismo que contribuíram para o movimento operário brasileiro. E finalmente,
na aula de número 22, os alunos compreenderão a reação popular contra a vacinação obrigatória
imposta pelo governo brasileiro.

Autoria

Leila Floresta - Universidade Federal de Uberlândia - MG

Introdução

A Primeira República é o período da História do Brasil compreendido entre os anos de 1889 a


1930.

Esse foi o primeiro momento após a Proclamação da República, e compreendeu


importantes transformações políticas, econômicas, culturais e sociais no país; como a
promulgação da Constituição de 1891 e o investimento na formação de uma identidade
nacional consolidada.

A Primeira República também é comumente chamada de República Velha. Esse termo,


entretanto, foi criado pelos intelectuais da Era Vargas, na tentativa de atribuir características
ultrapassadas a esse período da História do Brasil.
Dentre os anos da Primeira República, pode-se fazer a distinção entre dois períodos:

 República da Espada (1889 - 1894): quando o Brasil foi governado por dois militares
- Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto.

 A República Oligárquica: começou em 1895 com Prudente de Moraes e só se


encerrou com a Revolução de 1930.

A consolidação

O período entre 1889 e 1898 foi marcado por uma forte crise política e econômica. As forças
políticas estavam ainda muito fragmentadas, gerando muitas disputas.

Além disso, a moeda brasileira passou por um processo de desvalorização muito grande,
enquanto a inflação cresceu subitamente. Entretanto, é esse o momento em que as instituições
republicanas se estabelecem e consolidam.

Características

Com a promulgação de uma nova constituição, a Constituição de 1891, houveram muitas


mudanças na configuração política do país, como por exemplo:

 a determinação do regime presidencial. Nesse caso, o presidente é considerado o chefe


supremo do poder executivo no país.

 eleições diretas para presidente, de 4 em 4 anos.

 abolição do Conselho de Estado e do Poder Moderador, instituições vigentes durante o


regime monárquico.

 declaração do sufrágio universal masculino. Ou seja, todos os cidadãos do sexo


masculino, alfabetizados, com mais de 21 anos, que não fossem soldados rasos ou
mendigos poderiam votar. É claro que em um país que havia acabado de abolir a
escravidão e somente uma pequena parcela da população era alfabetizada, o voto
permaneceu por muito tempo como privilégio de homens brancos e ricos.

 implantação do Federalismo, sistema político demandado já desde o Primeiro


Reinado, que veio a atribuir uma maior autonomia aos estados. As províncias passaram,
assim, a serem chamadas de estados. Além disso, o Federalismo permitia aos estados
que estes desenvolvessem forças militares próprias, fizessem empréstimos
internacionais, cobranças particulares de impostos etc. O Federalismo brasileiro,
entretanto, era bem diferente do Federalismo estadunidense, uma vez que ainda estavam
fortemente sujeitos ao poder da União.

Durante a Primeira República, o poder político do país estava centrado nas oligarquias locais,
pequenos grupos que sustentavam seu poderio a partir das riquezas produzidas em suas
propriedades rurais.

As principais oligarquias eram as do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio Grande
do Sul e Minas Gerais. O poder oligárquico fez com que, durante o período da Primeira
República, não houvesse um só partido político de alcance nacional. Eram as relações políticas
regionais que determinavam os rumos políticos do país.
Além disso, as práticas políticas estavam marcadas pelo coronelismo, clientelismo e
mandonismo. Essas práticas eram resultado do poderio econômico e político concentrado nas
mãos dos coronéis, que exerciam o poder local por meio de violência e troca de favores.

A Primeira República também foi o momento em que a economia agroexportadora, baseada


principalmente no café, se fortaleceu.

As revoltas populares, civis e militares, estiveram por toda extensão do período da Primeira
República. As insatisfações giravam em torno do sistema político e social implementado. Pode-
se destacar a Revolta de Canudos, a Guerra de Contestado, o Movimento do Cangaço, a
Revolta da Vacina, entre outros.

O auge

O período que vai de 1898 até 1921 é considerado o auge da Primeira República e se inicia
com a criação da Política dos Governadores, no governo de Campos Salles.

Política dos Governadores

Essa política consistia na troca de favores do Governo Federal com as oligarquias locais.

O Governo Federal, na intenção de acabar com as disputas regionais que aconteciam entre os
estados brasileiros, começa a apoiar as oligarquias mais poderosas, concedendo favores e
oferecendo recursos e cargos para aliados.

Em troca, as oligarquias se comprometeram a apoiar o Governo Federal a partir da eleição de


deputados que, no Legislativo, votariam a favor das medidas propostas pelo Governo.

Com essa política, o Governo brasileiro consolida seu poder sobre os estados, impedindo que o
Federalismo levasse a movimentos separatistas ou de guerra civil.

Ao mesmo tempo, as oligarquias tinham seu poder político reforçado. Para que esse acordo
fosse viável, era necessário que os candidatos certos fossem eleitos. Por isso, o coronel era peça
importante desse sistema, uma vez que através do voto de cabresto (compra de votos) e
das fraudes, garantia que certos políticos fossem eleitos. Esse movimento encabeçado pelos
coronéis foi chamado coronelismo.

Política do Café com Leite

Outra prática política desse momento no Brasil foi a Política do Café com Leite. Consistiu na
união das duas oligarquias mais poderosas do período: São Paulo e Minas Gerais.

Essa política pretendia garantir o revezamento entre os candidatos das duas oligarquias, uma
obtendo apoio da outra. Essa prática não aconteceu em todo período da Primeira República, ou
seja, não explica a eleição de todos os presidentes. Por vezes, os candidatos não foram eleitos ou
as oligarquias entraram em conflito, não apoiando o mesmo candidato.

A decadência

Entre 1921 e 1930, uma crise política muito grande se instaura no Brasil. A entrada de novos
personagens políticos gerou uma instabilidade no jogo político do país, levando até a tomada do
poder de Getúlio Vargas em 1930.
República Velha(1889 a 1930):
Esquema da Aula:
República Velha(1889 a 1930)
- Início: golpe dos militares em 15/novembro/1889
Pode ser dividida em:
A) República da Espada: dois primeiros presidentes eram militares (Deodoro e
Floriano)
B) República Oligárquica: presidentes cafeicultores (revezamento de paulistas e
mineiros)
– Cidades: modernização, luz elétrica, capital inglês, crescimento da burguesia, miséria,
criminalidade, crescimento do proletariado (imigrantes e brasileiros pobres) vivendo em
cortiços. Repressão à cultura negra.
– Campo: estático, pobreza, latifúndio, coronelismo, clientelismo, nepotismo.

A) REPÚBLICA DA ESPADA (militares) – 1889 a 1894


1. Governo Deodoro: Constituição de 1891, Encilhamento (causou inflação e dívida
externa). Revolta da Armada, Revolta Federalista no RS. Renúncia de Deodoro.
2. Governo Floriano Peixoto: Vice assumiu, colocou "ordem na casa" reprimindo as
revoltas e controlando a economia (tabelamento dos preços). Passou o poder aos cafeicultores.

B) REPÚBLICA OLIGÁRQUICA (cafeicultores) - 1894 a 1930


Início com Prudente de Morais
Características:
- Política dos governadores
- Política Café com Leite;
- Política de valorização do café (Convênio de Taubaté)
- Lucros do café: investimento na industrialização
- Venda do café: aliança com EUA (auxílio médico na I Guerra Mundial)
- Eleições fraudadas, voto aberto e voto de cabresto
- Revoltas populares (movimentos sociais) no campo e na cidade:

Capítulo 4 – Tensões Sociais na República Velha


Movimentos Sociais no Campo:
1. Cangaço
2. Padre Cícero
3. Canudos
4. Contestado

Movimentos Sociais na Cidade:


5. Contra a Reurbanização do Rio de Janeiro
6. Revolta da Vacina
7. Revolta da Chibata

Capítulo 6 – Fim da República Velha


- Reações contra a República Velha:
. Greve Geral de 1917
. Fundação do PCB em 1922
. Modernismo (Semana de Arte Moderna em 1922)
. Tenentismo – coluna Prestes
. Organização do Movimento Operário
- Crise do café (superprodução)
- Crise de 29 agrava a situação
- Crise política e surgimento da Aliança Liberal
Fim da República Velha: não conseguia corresponder às mudanças, à insatisfação
popular, e à necessidade de controlar os trabalhadores.
Ruptura: Revolução de 30 ("Façamos a Revolução antes que o povo a faça") e início da
Era Vargas.

República Velha (1889 - 1930)


A primeira fase do período republicano é subdividida em dois período: República
da Espada e República da Oligarquias. Este período da História do Brasil é marcado pelo
domínio político das elites agrárias mineiras, paulistas e cariocas. O Brasil firmou-se como um
país exportador de café, e houve deu um significativo desenvolvimento industrial. Na área
social, várias revoltas e problemas sociais aconteceram nos quatro cantos do território brasileiro.

A República da Espada ( 1889 a 1894 )


Em 15 de novembro de 1889, aconteceu a Proclamação da República, liderada pelo
Marechal Deodoro da Fonseca. Nos cinco anos iniciais, o Brasil foi governado por militares.
Deodoro da Fonseca, tornou-se Chefe do Governo Provisório. Em 1891, renunciou e quem
assumiu foi o vice-presidente: Floriano Peixoto. O militar Floriano, em seu governo,
intensificou a repressão aos que ainda davam apoio à monarquia. República da Espada, foi
governada por dois militares, os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Durante
essa época de transição do regime monárquico para o republicano, foram comuns os levantes
populares e a repressão a focos de resistência monárquica. O governo de Deodoro da Fonseca
foi marcado por greves e pela Primeira Revolta da Armada. Floriano Peixoto, ao assumir a
presidência, conquistou a confiança da população e consolidou a República.
Durante a República da Espada, as oligarquias agrárias formaram a base
governamental. O poder dos militares sucumbiu à força política dos barões do café de São Paulo
e aos pecuaristas de Minas Gerais. Com a instituição de eleições diretas, os cafeicultores
paulistas conseguiram eleger Prudente de Morais. Seu governo iniciou a política do café com
leite (divisão do poder entre paulistas e mineiros), que norteou a segunda fase da República
Velha, conhecido como República Oligárquica (1894-1930).
República das Oligarquias
O período que vai de 1894 a 1930 foi marcado pelo governo de presidentes civis,
ligados ao setor agrário. Estes políticos saiam dos seguintes partidos: Partido Republicano
Paulista (PRP) e Partido Republicano Mineiro (PRM). Estes dois partidos controlavam as
eleições, mantendo-se no poder de maneira alternada. Contavam com o apoio da elite agrária do
país.
Dominando o poder, estes presidentes definiram políticas que beneficiaram o setor
agrário do país, principalmente, os fazendeiros de café do oeste paulista.
Política do Café-com-Leite
A maioria dos presidentes desta época eram políticos de Minas Gerais e São Paulo.
Estes dois estados eram os mais ricos da nação e, por isso, dominavam o cenário político da
República. Saídos das elites mineiras e paulistas, os presidentes acabavam favorecendo sempre
o setor agrícola, principalmente do café (paulista) e do leite (mineiro). A política do café-com-
leite sofreu duras críticas de empresários ligados à indústria, que estava em expansão neste
período.
Se por um lado a política do café-com-leite privilegiou e favoreceu o crescimento da
agricultura e da pecuária na região Sudeste, por outro, acabou provocando um abandono das
outras regiões do país. As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste ganharam pouca atenção
destes políticos e tiveram seus problemas sociais agravados.
Entre 1889 e 1930, período da Primeira República o país adotou uma constituição
liberal que garantia a liberdade política, econômica e religiosa do cidadão. O poder permaneceu
com os grandes proprietários com a adesão de antigos monarquistas ao sistema republicano de
governo. Apesar do liberalismo defendido pelas elites brasileiras, o Estado intervinha
protegendo o setor exportador, principalmente os cafeicultores, quando o valor das exportações
desvalorizava. Durante esse período a população continuava sem amparo e seu direito à
cidadania resume em comparecer as urnas e votar nos candidatos indicados pelas famílias
poderosas. Nesse período, a indústria brasileira iniciou seus primeiros passos, sendo contudo
considerada por muitos desnecessária ao país e até perigosa, ao criar um operariado.

A Constituição de 1891 ( Primeira Constituição Republicana )


Após o início da República havia a necessidade da elaboração de uma nova
Constituição, pois a antiga ainda seguia os ideais da monarquia. A constituição de 1891,
garantiu alguns avanços políticos, embora apresentasse algumas limitações, pois representava os
interesses das elites agrárias do pais. A nova constituição implantou o voto universal para os
cidadãos (mulheres, analfabetos, militares de baixa patente ficavam de fora). A
constituição instituiu o presidencialismo e o voto aberto.
A República Velha foi marcada também pelo enfraquecimento do Poder Legislativo.
Eleito pelo Congresso Nacional (indiretamente), Deodoro passou a enfrentar a oposição do
Congresso e da população devido à crise econômica.
Entre agosto e novembro de 1891, o Congresso tentou aprovar a Lei de
Responsabilidades, que reduzia os poderes do presidente, mas Deodoro contra-atacou e decretou
a dissolução do Congresso em 3 de novembro de 1891. Na mesma data, lançou um "manifesto à
Nação" para explicar os motivos do seu ato. Tropas militares cercaram os prédios do Legislativo
e prenderam líderes oposicionistas.
Deodoro decretou estado de sítio (suspensão dos direitos civis) e oficializou a censura à
imprensa. Ao assumir, em 23 de novembro de 1891, Floriano Peixoto anulou o decreto de
dissolução do Congresso e suspendeu o estado de sítio. A Igreja foi desvinculada do Estado e
estabeleceram-se eleições diretas para os cargos públicos como presidente, governadores,
senadores, deputados estaduais e federais etc.

Política dos Governadores.


Instituída no governo de Prudente de Morais, foi a principal marca do período. Por meio
desse arranjo político, o poder federal passou a apoiar os candidatos dos governadores estaduais
(elites regionais). Em troca, os governadores davam apoio ao governo federal, a fim de garantir
a eleição de candidatos para o Senado e para a Câmara dos Deputados. Esta política visava
manter no poder as oligarquias. Em suma, era uma troca de favores políticos entre governadores
e presidente. O presidente apoiava os candidatos dos partidos governistas nos estados, enquanto
estes políticos davam suporte a candidatura presidencial e também durante a época do governo
Economia e política
No campo da economia, foi um período de modernização, com o surto de
industrialização impulsionado pela Primeira Guerra Mundial. Entretanto, o eixo da economia
continuou a ser o café até a quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929.
Ocorreram movimentos como a Guerra dos Canudos, a Revolta da Vacina, a Revolta da
Chibata, a Guerra do Contestado, a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, o Movimento
Tenentista e finalmente a Revolução de 1930, que marcou o fim da República Velha.
Aconteceram também as primeiras greves e o crescimento de movimentos anarquistas e
comunistas nos grandes centros urbanos.
O coronelismo
A figura do "coronel" era muito comum durante os anos iniciais da República,
principalmente nas regiões do interior do Brasil. O coronel era um grande fazendeiro que
utilizava seu poder econômico para garantir a eleição dos candidatos que apoiava. Era usado o
voto de cabresto, onde o coronel (fazendeiro) obrigava e usava até mesmo de violência para que
os eleitores de seu "curral eleitoral" votassem nos candidatos apoiados por ele. Como o voto era
aberto, os eleitores eram pressionados e fiscalizados por capangas do coronel, para que votasse
nos candidatos indicados. O coronel também utilizava outros "recursos" para conseguir seus
objetivos políticos, tais como: compra de votos, eleitores fantasmas, trocam de favores, fraudes
eleitorais e violência.
O Convênio de Taubaté
Essa foi uma fórmula encontrada pelo governo republicano para beneficiar os
cafeicultores em momentos de crise. Quando o preço do café abaixava muito, o governo federal
comprava o excedente de café e estocava. Esperava-se a alta do preço do café e então os
estoques eram liberados. Esta política mantinha o preço do café, principal produto de
exportação, sempre em alta e garantia os lucros dos fazendeiros de café.
A crise da República Velha e o Golpe de 1930
Em 1930 ocorreriam eleições para presidência e, de acordo com a política do café-com-
leite, era a vez de assumir um político mineiro do PRM. Porém, o Partido Republicano Paulista
do presidente Washington Luís indicou um político paulista, Julio Prestes, a sucessão, rompendo
com o café-com-leite. Descontente, o PRM se junta com políticos da Paraíba e do Rio Grande
do Sul (forma-se a Aliança Liberal) para lançar a presidência o gaúcho Getúlio Vargas.
Júlio Prestes sai vencedor nas eleições de abril de 1930, deixando descontes os políticos
da Aliança Liberal, que alegam fraudes eleitorais. Liderados por Getúlio Vargas, políticos da
Aliança Liberal e militares descontentes, provocam a Revolução de 1930. É o fim da República
Velha e início da Era Vargas.

Galeria dos Presidente da República Velha :


Marechal Deodoro da Fonseca (15/11/1889 a 23/11/1891),
Marechal Floriano Peixoto (23/11/1891 a 15/11/1894),
Prudente Moraes (15/11/1894 a 15/11/1898),
Campos Salles (15/11/1898 a 15/11/1902) ,
Rodrigues Alves (15/11/1902 a 15/11/1906),
Affonso Penna (15/11/1906 a 14/06/1909),
Nilo Peçanha (14/06/1909 a 15/11/1910),
Marechal Hermes da Fonseca (15/11/1910 a 15/11/1914),
Wenceslau Bráz (15/11/1914 a 15/11/1918),
Delfim Moreira da Costa Ribeiro (15/11/1918 a 27/07/1919),
Epitácio Pessoa (28/07/1919 a 15/11/1922),
Artur Bernardes (15/11/1922 a 15/11/1926),
Washington Luiz (15/11/1926 a 24/10/1930).

Ciclo da borracha
Outra característica da República Velha foi a valorização da borracha, no final do século
XIX, alimentada pelo aquecimento da indústria automobilística dos Estados Unidos. O interesse
norte-americano pela borracha levou o Brasil a comprar o território que hoje corresponde ao
estado do Acre, então pertencente à Bolívia. A negociação foi conduzida pelo barão de Rio
Branco. O Brasil pagou um milhão de dólares à Bolívia e construiu a estrada de ferro Madeira-
Mamoré, que facilitaria o escoamento da borracha e de produtos da Bolívia (país sem saída para
o mar).
O ciclo da borracha trouxe progresso à região amazônica, especialmente a Belém e
Manaus. A borracha chegou a ocupar o segundo posto de nossas exportações, perdendo apenas
para o café. Com o aumento da importância da borracha no cenário internacional, os ingleses
apanharam sementes de seringueira no Brasil e fizeram plantações na Malásia. Com o passar do
tempo, a produção da Malásia superou a brasileira.Fonte: www.camara.gov.br

Guerra do Contestado

Introdução
A Guerra do Contestado foi um conflito armado que ocorreu na região Sul do Brasil, entre
outubro de 1912 e agosto de 1916. O conflito envolveu cerca de 20 mil camponeses que
enfrentaram forças militares dos poderes federal e estadual. Ganhou o nome de Guerra do
Contestado, pois os conflitos ocorrem numa área de disputa territorial entre os estados doParana
e Santa Catarina
Causas da Guerra
A estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul estava sendo construída por uma
empresa norte-americana, com apoio dos coronéis (grandes proprietários rurais com força
política) da região e do governo. Para a construção da estrada de ferro, milhares de família de
camponeses perderam suas terras. Este fato, gerou muito desemprego entre os camponeses da
região, que ficaram sem terras para trabalhar.
Outro motivo da revolta foi a compra de uma grande área da região por de um grupo de
pessoas ligadas à empresa construtora da estrada de ferro. Esta propriedade foi adquirida para o
estabelecimento de uma grande empresa madeireira, voltada para a exportação. Com isso,
muitas famílias foram expulsas de suas terras.
O clima ficou mais tenso quando a estrada de ferro ficou pronta. Muitos trabalhadores
que atuaram em sua construção tinham sido trazidos de diversas partes do Brasil e ficaram
desempregados com o fim da obra. Eles permaneceram na região sem qualquer apoio por parte
da empresa norte-americana ou do governo.

Participação do monge José Maria


Nesta época, as regiões mais pobres do Brasil eram terreno fértil para o aparecimento de
lideranças religiosas de caráter messiânico. Na área do Contestado não foi diferente, pois, diante
da crise e insatisfação popular, ganhou força a figura do beato José Maria. Este pregava a
criação de um mundo novo, regido pelas leis de Deus, onde todos viveriam em paz, com
prosperidade justiça e terras para trabalhar. José Maria conseguiu reunir milhares de seguidores,
principalmente de camponeses sem terras.

Os conflitos
Os coronéis da região e os governos (federal e estadual) começaram a ficar preocupados
com a liderança de José Maria e sua capacidade de atrair os camponeses. O governo passou a
acusar o beato de ser um inimigo da República, que tinha como objetivo desestruturar o governo
e a ordem da região. Com isso, policiais e soldados do exército foram enviados para o local,
com o objetivo de desarticular o movimento.
Os soldados e policiais começaram a perseguir o beato e seus seguidores. Armados de
espingardas de caça, facões e enxadas, os camponeses resistiram e enfrentaram as forças oficiais
que estavam bem armadas. Nestes conflitos armados, entre 5 mil e 8 mil rebeldes, na maioria
camponeses, morreram. As baixas do lado das tropas oficiais foram bem menores.
O fim da Guerra

A guerra terminou somente em 1916, quando as tropas oficiais conseguiram prender Adeodato,
que era um dos chefes do último reduto de rebeldes da revolta. Ele foi condenado a trinta anos
de prisão.

Conclusão
A Guerra do Contestado mostra a forma com que os políticos e os governos tratavam as
questões sociais no início da Republica. Os interesses financeiros de grandes empresas e
proprietários rurais ficavam sempre acima das necessidades da população mais pobre. Não
havia espaço para a tentativa de solucionar os conflitos com negociação. Quando havia
organização daqueles que eram injustiçados, as forças oficiais, com apoio dos coronéis,
combatiam os movimentos com repressão e força militar.

Guerra de Canudos

Situação do Nordeste no final do século XIX (contexto histórico)


- Fome – desemprego e baixíssimo rendimento das famílias deixavam muitos sem ter o
que comer;
- Seca – a região do agreste ficava muitos meses e até anos sem receber chuvas. Este
fator dificultava a agricultura e matava o gado.
- Falta de apoio político – os governantes e políticos da região não davam a mínima
atenção para as populações carentes;
- Violência – era comum a existência de grupos armados que trabalhavam para
latifundiários. Estes espalhavam a violência pela região.
- Desemprego – grande parte da população pobre estava sem emprego em função da
seca e da falta de oportunidades em outras áreas da economia.
- Fanatismo religioso: era comum a existência de beatos que arrebanhavam seguidores
prometendo uma vida melhor.
Dados da Guerra de Canudos:
- Período: de novembro de 1896 a outubro de 1897.

- Local: interior do sertão da Bahia

- Envolvidos: de um lado os habitantes do Arraial de Canudos (jagunços, sertanejos pobres e


miseráveis, fanáticos religiosos) liderados pelo beato Antônio Conselheiro. Do outro lado as
tropas do governo da Bahia com apoio de militares enviados pelo governo federal.
Causas da Guerra:
O governo da Bahia, com apoio dos latifundiários, não concordavam com o fato dos
habitantes de Canudos não pagarem impostos e viverem sem seguir as leis estabelecidas.
Afirmavam também que Antônio Conselheiro defendia a volta da Monarquia.
Por outro lado, Antônio Conselheiro defendia o fim da cobrança dos impostos e era
contrário ao casamento civil. Ele afirma ser um enviado de Deus que deveria liderar o
movimento contra as diferenças e injustiças sociais. Era também um crítico do sistema
republicano, como ele funcionava no período.
Os conflitos militares
Nas três primeiras tentativas das tropas governistas em combater o arraial de Canudos
nenhuma foi bem sucedida. Os sertanejos e jagunços se armaram e resistiram com força contra
os militares. Na quarta tentativa, o governo da Bahia solicitou apoio das tropas federais.
Militares de várias regiões do Brasil, usando armas pesadas, foram enviados para o sertão
baiano. Massacraram os habitantes do arraial de Canudos de forma brutal e até injusta. Crianças,
mulheres e idosos foram mortos sem piedade. Antônio Conselheiro foi assassinado em 22 de
setembro de 1897.
Significado do conflito
A Guerra de canudos significou a luta e resistência das populações marginalizadas do
sertão nordestino no final do século XIX. Embora derrotados, mostraram que não aceitavam a
situação de injustiça social que reinava na região.

O Cangaço
Introdução
Entre o final do século XIX e começo do XX (início da republica, surgiu, no nordeste
brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram
em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio,
que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava as margens da sociedade a
maioria da população.
Entendendo o cangaço
Portanto, podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por
atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados,
espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios
e chegavam a seqüestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e
acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados.
Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte
da população da época.
Os cangaceiros não moravam em locais fixos. Possuíam uma vida nômade, ou seja,
viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam
recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a
violência.
Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos
policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da
vegetação cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os
conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de soloe
vegetação) para fugirem ou obterem esconderijos.
Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época
foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de
“Rei do Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de
1920 e 1930. Morreu numa emboscada armada por uma volante, junto com a mulher Maria
Bonita e outros cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e
expostas em locais públicos, pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na
região.
Depois do fim do bando de Lampião, os outros grupos de cangaceiros, já enfraquecidos, foram
se desarticulando até terminarem de vez ,no final da década de 1930.

Revolta da Vacina
Introdução
O início do período republicado da História do Brasil foi marcado por vários conflitos e
revoltas populares. O Rio de Janeiro não escapou desta situação. No ano de 1904, estourou um
movimento de caráter popular na cidade do Rio de Janeiro. O motivo que desencadeou a revolta
foi a campanha de vacinação obrigatória, imposta pelo governo federal, contra a varíola.
Situação do Rio de Janeiro no início do século XX
A situação do Rio de Janeiro, no início do século XX, era precária. A população sofria
com a falta de um sistema eficiente de saneamento basico Este fato desencadeava constantes
epidemias, entre elas, febre amarela e varíola. A população de baixa renda, que morava em
habitações precárias, era a principal vítima deste contexto.
Preocupado com esta situação, o então presidente Rodrigues Alves colocou em prática
um projeto de saneamento básico e reurbanização do centro da cidade. O medico e sanitarista
Oswaldo Cruz foi designado pelo presidente para ser o chefe do Departamento Nacional de
Saúde Pública, com o objetivo de melhorar as condições sanitárias da cidade.
Campanha de Vacinação Obrigatória
A campanha de vacinação obrigatória é colocada em prática em novembro de 1904.
Embora seu objetivo fosse positivo, ela foi aplicada de forma autoritária e violenta. Em alguns
casos, os agentes sanitários invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força, provocando
revolta nas pessoas. Essa recusa em ser vacinado acontecia, pois grande parte das pessoas não
conhecia o que era uma vacina e tinham medo de seus efeitos.
Revolta popular
A revolta popular aumentava a cada dia, impulsionada também pela crise econômica
(desemprego, inflação e alto custo de vida) e a reforma urbana que retirou a população pobre do
centro da cidade, derrubando vários cortiços e outros tipos de habitações mais simples.
As manifestações populares e conflitos espalham-se pelas ruas da capital brasileira.
Populares destroem bondes, apedrejam prédios públicos e espalham a desordem pela cidade.
Em 16 de novembro de 1904, o presidente Rodrigues Alves revoga a lei da vacinação
obrigatória, colocando nas ruas o exército, a marinha e a polícia para acabar com os tumultos.
Em poucos dias a cidade voltava a calma e a ordem.

Revolta da Chibata

Introdução
A Revolta da Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no início do século
XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22 de novembro de 1910.
Neste período, os marinheiros brasileiros eram punidos com castigos físicos. As faltas
graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta
entre os marinheiros.

Causas da revolta
O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado
com 250 chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais.
O navio de guerra estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos
outros marinheiros, desencadeou a revolta.
O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três
oficiais. Já na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do
encouraçado São Paulo. O clima ficou tenso e perigoso.

Reivindicações
O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta
reivindicando o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que
participaram da revolta. Caso não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos
ameaçavam bombardear a cidade doRio de Janeiro (então capital do Brasil).

Segunda revolta
Diante da grave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato
dos revoltosos. Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o
presidente solicitou a expulsão de alguns revoltosos. A insatisfação retornou e, no começo de
dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta na Ilha das Cobras. Esta segunda revolta foi
fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram presos em celas
subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida eram
desumanas, alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a
Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha.
O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de
Alienados. No ano de 1912, foi absolvido das acusações junto com outros marinheiros que
participaram da revolta.

Conclusão: podemos considerar a Revolta da Chibata como mais uma manifestação de


insatisfação ocorrida no início da Republica Embora pretendessem implantar um sistema
político-econômico moderno no país, os republicanos trataram os problemas sociais como
“casos de polícia”. Não havia negociação ou busca de soluções com entendimento. O governo
quase sempre usou a força das armas para colocar fim às revoltas, greves e outras manifestações
populares.

A Proclamação.

“A Proclamação da República não resultou de uma revolução, mas de um golpe


militar. Isso não quer dizer que não tenha havido um conteúdo ideológico no golpe. Este, no
entanto, foi produto da ação de homens pertencentes às classes média e alta, pequenos
comerciantes, advogados, jornalistas, professores, médicos, alguns fazendeiros progressistas e
oficiais do Exército que adotaram idéias republicanas, filiaram-se ao partido republicano e
empenharam-se desde sua fundação, nos anos 70, em fazer críticas à Monarquia e propor em
seu lugar um regime republicano. Apesar dos seus esforços, no entanto, a República resultou
não de um movimento popular, mas de uma conspiração entre uma minoria de republicanos
civis e militares.
Para se entender as razões que moveram esse punhado de homens a derrubar a
Monarquia não basta referirmos a suas idéias republicanas. É preciso explicar por que essas
idéias, presentes no Brasil antes mesmo da Independência, só então se concretizaram. Por que
a Monarquia foi derrubada sem que ninguém pegasse em armas para defendê-la? As respostas
a essas questões encontram-se na falta de flexibilidade e adaptabilidade do sistema político
existente em face das mudanças profundas que ocorreram no país no decorrer do século XIX e
o desgaste da Monarquia.
A Monarquia sempre fora uma anomalia na América. Todos os demais países adotaram
o regime republicano por ocasião da Independência. Circunstâncias históricas excepcionais: a
invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas e a transferência da Corte portuguesa para o
Brasil em 18O8, a Revolução Constitucionalista do Porto, anos mais tarde, forçando a volta de
D. João VI a Portugal, ficando em seu lugar o Príncipe D. Pedro fizeram com que o Brasil
seguisse um caminho diverso dos demais países da América. Embora houvesse republicanos no
Brasil, como demonstravam os movimentos em prol da Independência tais como a
Inconfidência Mineira, a Revolução de 1817, e as sublevações que ocorreram mais tarde
durante o período regencial, os monarquistas levaram a melhor e, com a ajuda do príncipe
regente, instituíram o regime monárquico, que duraria até 1889.
Quando Pedro I renunciou à coroa e deixou o filho de cinco anos como seu sucessor, os
políticos de então tiveram a oportunidade de estabelecer uma república, mas preferiram
manter a Monarquia e governar em nome do jovem imperador. Quando este chegou aos 14
anos, no entanto, apressaram-se em conceder-lhe prematuramente maioridade, na expectativa
de que sua presença na chefia do estado viesse a pôr fim à instabilidade política que existia no
país. A partir de então, Pedro II tornou-se Imperador, embora o clima de insatisfação e
faccionalismo continuassem. Somente a partir de 1848, com a derrota dos praieiros, a
Monarquia se consolidou no país.
Criou-se um regime altamente centralizado, elitista, e oligárquico, um sistema
bicameral, com um senado vitalício e uma câmara renovável periodicamente. O regime era
pouco representativo. Apenas uma minoria possuía o direito de voto. Ficaram excluídos os
escravos, as mulheres e a maioria dos trabalhadores e todos os que não possuíam renda
mínima estabelecida por lei. As eleições eram indiretas, isto é, os votantes qualificados como
tal escolhiam os eleitores e estes votavam nos candidatos. O resultado é que durante todo o
Império o corpo eleitoral correspondia a uma porcentagem mínima da população. Além disso,
a fraude eleitoral era generalizada. Pela carta constitucional outorgada por Pedro I após a
dissolução da Assembléia Constituinte, o Imperador possuía o Poder Executivo e o Poder
Moderador que além de outras atribuições permitia a ele interferir no Poder Legislativo,
dissolvendo a câmara e convocando novas eleições. Dois partidos: o conservador e o liberal
alternavam-se no poder, dependendo dos resultados eleitorais. Entretanto, quando o Imperador
usava do Poder Moderador convocando novas eleições e estas resultavam na queda do partido
que estava no poder e na vitória da oposição, os primeiros queixavam-se da interferência do
Imperador. Através desse processo o Imperador atraiu muitos inimigos e a Monarquia
desmoralizou-se.
A existência de um Conselho de Estado também vitalício e nomeado pelo imperador,
com o objetivo de assessorá-lo em questões vitais para a nação, também criou resistências.
Dessa forma, a organização política vigente no Império levava a um desgaste inevitável do
imperador e da Monarquia. Já nos fins da década de 70 começaram os ataques ao regime e o
partido republicano foi criado.
A Guerra com o Paraguai contribuiu ainda mais para desgastar o governo e irritar as
forças armadas, que sofreram sérias perdas, sentiram o seu despreparo e se ressentiram da
interferência dos políticos civis. O positivismo e o republicanismo cresceram entre os militares.
Ao mesmo tempo, a interferência do governo na vida eclesiástica e religiosa, em virtude do
direito que lhe fora conferido pela constituição, fez multiplicar os conflitos com a Igreja, base
natural da Monarquia. Ao mesmo tempo, levas de imigrantes protestantes que chegavam ao
país constituíam um desafio aos privilégios da Igreja Católica que até então monopolizava a
educação, presidia os casamentos e controlava os cemitérios. Crescia o número daqueles que
desejavam a separação entre Igreja e Estado. O número de descontentes aumentava.
O desenvolvimento econômico do país criava novas oportunidades de investimento na
construção de estradas de ferro, nas indústrias, no comércio interno, no sistema bancário, nas
companhias de seguros. No entanto, apesar das reformas eleitorais, a fraude eleitoral e a falta
de representatividade continuavam. Estas somadas à vitaliciedade do Senado e ao Conselho de
Estado garantiam a sobrevivência das oligarquias tradicionais dificultando a renovação dos
grupos dominantes mantendo marginalizada a maioria das classes subalternas. O desequilíbrio
entre o poder econômico e político e os conflitos de interesse entre as províncias alimentava o
número dos que condenavam a excessiva centralização e almejavam a federação.
Foi dentro desse clima de descontentamento crescente que o movimento abolicionista e as
idéias republicanas ganharam expressão política. Conquistada a abolição só restava dar o
golpe final à Monarquia, que se revelou incapaz de realizar as reformas almejadas.
Proclamada à República aboliu-se a vitaliciedade do senado, eliminou-se o Conselho
de Estado, decretou-se a separação da Igreja e do Estado, adotou-se o regime federativo e
instituiu-se o sufrágio universal, excluindo, no entanto, as mulheres do direito de voto.
Aboliram-se os títulos de nobreza. A família real foi exilada.
A fraude eleitoral e o domínio das oligarquias persistiram. Para muitos a República foi um
desapontamento. “Essa não era a república de meus sonhos”, expressão atribuída a um
republicano, simboliza a situação em que se acharam todos aqueles que almejavam uma
República mais inclusiva e democrática.”

(Emília Viotti da Costa)