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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2017.0000251629

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº


1003938-04.2015.8.26.0602, da Comarca de Sorocaba, em que é apelante
FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO, é apelado FELIVEL
DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA.

ACORDAM, em 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de


Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao
recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores


LUIZ SERGIO FERNANDES DE SOUZA (Presidente sem voto), MAGALHÃES
COELHO E EDUARDO GOUVÊA.

São Paulo, 10 de abril de 2017

Coimbra Schmidt
RELATOR
Assinatura Eletrônica
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Voto nº 34.534

APELAÇÃO nº 1003938-04.2015.8.26.0602 SOROCABA


Apelante: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Apelada: FELIVEL DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA.
MMª Juíza de Direito: Drª Karla Peregrino Sotilo

TRIBUTÁRIO. 1. Quem aliena veículo automotor


sem comunicar o ato à repartição encarregada do
registro e licenciamento responde pela obrigação
tributária do adquirente omisso, como devedor
solidário. Incidência dos arts. 4º, III, da LE nº
6.606/89; 6º, II, e § 2º, da LE nº 13.296/08 e 124, II,
do CTN. 2. Limitação da responsabilidade do
alienante, no caso, à comunicação da transferência
do veículo com alienação fiduciária efetuada pela
instituição financeira ao DETRAN, suficiente
para eximir a responsabilidade da antiga
proprietária. 3. Sentença confirmada. Recurso não
provido.

FELIVEL DISTRIBUIDORA DE
VEÍCULOS LTDA, já qualificada nos autos, ajuizou a presente ação precedida da
medida cautelar nº 1000456-48.2015 julgada em conjunto, contra a FAZENDA
PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO, também já qualificada, afirmando,
em síntese, que recebeu notificação de protesto de CDA em razão do
inadimplemento de IPVA dos exercícios de 2011 e 2012, referente ao veículo
VW/Gol placa DBX-2832. Contudo, noticia que o imposto se refere a veículo
automotor alienado em 2007. Argumenta que o fato de não ser a proprietária ou
possuidora do veículo é motivo suficiente para afastar sua responsabilidade tributária,
requerendo a antecipação da tutela para sustar os efeitos do protesto na cautelar em

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apenso. Assim, pede a procedência da ação para anular referido crédito tributário,
confirmando a antecipação da tutela. Por fim, requer a condenação da ré aos ônus de
sucumbência impostos por lei.

...

A Fazenda Pública do Estado de São Paulo


apresentou contestação às fls. 80/90, sustentando, em resumo, a sujeição da autora à
tributação impugnada, aduzindo que há responsabilidade solidária decorrente do
inadimplemento de obrigação acessória (comunicação de venda ao órgão de trânsito).
Isso porque consta comunicação de venda à autora em 2006, inexistindo nova
comunicação da alienação realizada em 2007. Assim, argumenta que por constar
como proprietária perante o DETRAN, se impõe o reconhecimento da
responsabilidade solidária da autora quanto ao pagamento de IPVA. Dessa forma,
requer a improcedência da ação e a condenação da autora aos ônus de sucumbência
impostos por lei.

Julgou-a procedente a sentença, de cujo


relatório extraí o fragmento acima transcrito (f. 108/11).

Apela a ré. Bate-se pela legalidade da


exação. Aduz, em síntese, que a não comunicação da alienação do
veículo ao órgão de trânsito responsável por seu registro e licenciamento
implica na solidariedade entre alienante e adquirente no pagamento do
IPVA, nos termos do art. 6º, II, da Lei nº 13.296/08 (f. 115/30).

Contrarrazões a f. 135/43.

É o relatório.

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O art. 4º, III, da Lei Estadual nº 6.606/89


atribui a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, por
solidariedade, ao proprietário de veículo de qualquer espécie, que o alienar e não
comunicar a ocorrência ao órgão público encarregado do registro e licenciamento,
inscrição ou matrícula. 1

A Lei Estadual nº 13.296, de 23 de


dezembro de 2008, que revogou a lei supracitada, contém em seu art. 6º,
II e § 2º, redação semelhante, também atribuindo a condição de sujeito
passivo da obrigação tributária, por solidariedade, ao proprietário de veículo
automotor que o alienar e não fornecer os dados necessários à alteração no Cadastro de
Contribuintes do IPVA no prazo de 30 (trinta) dias, em relação aos fatos geradores
ocorridos entre o momento da alienação e o do conhecimento desta pela autoridade
responsável.

A norma atende a regra geral do art. 124,


II, do Código Tributário Nacional . Não se liga a atribuição de
2

responsabilidade tributária de terceiros; tratada nos arts. 128 e seguintes


do diploma. É caso de pura e simples sujeição à obrigação tributária em
situação idêntica à do devedor principal, por falta de cumprimento de
obrigação acessória.

A lei local, como se vê, não ofende


norma maior. Assim, antes da comunicação da venda ao órgão do
trânsito, não há como infirmar o lançamento do tributo em nome do
1 Redação dada pelo inciso II do art. 1º da Lei nº 9.459, de 16/12/1996.
2 São solidariamente obrigadas (II) as pessoas expressamente designadas por lei.

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proprietário do veículo.

No caso, embora não comunicada


formalmente a alienação do bem, nota-se, no entanto, que a apelada
carreou aos autos documentos que comprovam que o veículo sobre o
qual incidem os débitos questionados foi alienado a Claudinei da Silva,
através de financiamento bancário junto ao Banco Safra S/A e que a
instituição financeira, em 31.1.2007, efetuou a anotação da alienação
fiduciária junto ao DETRAN (f. 37). Outrossim, os documentos de f.
38/43 demonstram que, posteriormente, o banco credor ajuizou ação de
busca e apreensão contra o devedor, onde foi determinada e cumprida
pelo Detran a ordem de bloqueio de transferência do veículo, em 5 de
novembro de 2008 (f. 93). Inquestionável, portanto, a ciência, pelo órgão
de trânsito, da transferência da propriedade do veículo.

Ademais, através da Portaria Detran nº


1.070, de 2 de agosto de 2001, foi “implantado, no âmbito do Estado de
São Paulo, o Sistema Eletrônico de Controle de Inserção e Baixa de
Gravames, doravante denominado “Sistema Nacional de Gravames
SNG”, consoante as disposições estabelecidas na Resolução CONTRAN
n. 124, de 14 de fevereiro de 2001” (art. 1º).

Tal sistema “compreende o


gerenciamento eletrônico dos dados técnicos informativos das
instituições financeiras, em consonância com o banco de dados do
DETRAN/SP, com transmissão e consultas on line” (art. 1º, § 2º).

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Verifica-se, assim, que sua finalidade é


facilitar o fluxo de informações entre instituições financeiras e o órgão
executivo estadual de trânsito, garantindo que este tenha acesso à
situação dominial de veículos financiados.

Logo, havendo comunicação do gravame


junto ao Sistema Nacional de Gravames - SNG, ao qual o DETRAN
tem acesso on line, considera-se comunicada a transferência definitiva da
propriedade do veículo ao adquirente, conforme determinado pelo art.
134 do Código de Trânsito Brasileiro e 34 da Lei nº 13.296/08.

Desse modo, a partir da referida data


(31.1.2007), não há que se falar em responsabilidade da apelante pelos
débitos irradiados do veículo.

Nesse sentido, em caso semelhante, já


decidiu esta Câmara que a instituição financeira informou o gravame aos órgãos
públicos, passando a constar do prontuário do veículo a restrição financeira, com data
de contrato de 09/05/2008 e como financiado “Roberto Farinas Rodrigues” (fls. 50).

Assim, embora o autor ainda estivesse


cadastrado como proprietário, a comprovação da tradição, bem como o
conhecimento desta pela autoridade responsável (conforme parte final do artigo 6º,
inciso II, da Lei Estadual nº 13.296/2008), bastam para afastar a sua responsabilidade
do pagamento do tributo incidente sobre a propriedade, para os fatos geradores que
ocorreram após a transação.3

3 Apelação nº 0012476-82.2013.8.26.0562, Des. Moacir Peres, j. 2.3.15

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Outrossim, essa orientação vem sendo


adotada em outros julgados desta Casa:

RECURSOS OFICIAL E DE APELAÇÃO AÇÃO DE


PROCEDIMENTO ORDINÁRIO - IPVA VEÍCULO
AUTOMOTOR PRETENSÃO À INEXIGIBILIDADE DE
DÉBITOS E RECEBIMENTO DE INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS - POSSIBILIDADE PARCIAL. 1. O
adquirente e o alienante de veículo automotor são responsáveis
solidários, pelo pagamento do IPVA, até a comunicação da
alienação perante o Órgão de Trânsito competente. 2. No caso dos
autos, há comprovação da comunicação da transferência de
propriedade, mediante a inclusão da intenção de gravame, pelo
Banco Bradesco S.A., no Sistema Nacional de Gravames, em nome
de terceiro. 3. Aplicação da Portaria nª 1.070/01 do DETRAN. 4.
Os elementos de convicção produzidos nos autos demonstram que
a parte autora não é responsável tributária pelo lançamento
tributário ora questionado. 5. Ação de procedimento ordinário,
julgada parcialmente procedente. 6. Sentença, ratificada. 7.
Recursos oficial e de apelação, apresentado pela parte ré,
desprovidos.4
APELAÇÃO - Ação declaratória de inexigibilidade de crédito
tributário cumulada com indenização por danos morais IPVA,
exercícios de 2008 a 2010. Veículo transferido a terceiro. Falta de
comunicação da alienação ao órgão de trânsito. Inscrição, contudo,
de gravame (bloqueio judicial e busca e apreensão), desde 2007 e
2008, no cadastro oficial do DETRAN. Prova suficiente da ciência,
pelo Fisco, de que o bem não pertencia à autora - Débito relativo
ao IPVA, inscrito em dívida ativa e no CADIN, que enseja a
reparação por danos morais Sentença reformada - RECURSO
PROVIDO.5
Apelação cível. IPVA referente aos exercícios de 2009 e seguintes.
Tributo incidente sobre veículo alienado em 2007. Anotação de
intenção de gravame, com indicação do nome do financiado e do
respectivo número de inscrição no CPF/MF. Responsabilidade
solidária do antigo proprietário que não subsiste quanto aos débitos
posteriores à ciência da transferência. Cancelamento dos protestos.
Recurso provido.6

4 Apelação nº 1002166-90.2015.8.26.0477, Des. Francisco Bianco, j. 27.6.16.


5 Apelação nº 0046503-05.2012.8.26.0602, Des. Vicente de Abreu Amadei, j. 21.6.16.
6 Apelação nº 1000769-78.2015.8.26.0482, Des. Luciana Bresciani, j. 17.6.16.

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Posto isso, nego provimento ao recurso.

Mercê da sucumbência recursal, elevo a


honorária a R$ 1.500,00.

Os recursos que deste se originarem


estarão sujeitos a julgamento virtual, a não ser que se manifeste
impugnação à forma, nos respectivos prazos de interposição.

COIMBRA SCHMIDT
Relator

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