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studo: Os diferentes tipos de

tradução da Bíblia.
5 DE DEZEMBRO DE 2013 / MARCELOBREZENDE

Temos atualmente mais de 30 traduções da Bíblia em


português. A Bíblia evangélica usada no Brasil foi traduzida para o
português por João Ferreira de Almeida no século XVI, um português
católico que se converteu ao protestantismo em 1642 e logo em seguida
iniciou o trabalho de tradução. A versão de Almeida foi a primeira em
língua portuguesa.
Como é bem conhecido, os idiomas originais da Bíblia são: o hebraico
– para o Velho Testamento – contendo algumas breves seções em
aramaico – e o grego, para o Novo Testamento. Dentre as traduções mais
populares em circulação no Brasil estão:
Almeida RA – Revista e Atualizada
ARC – Almeida Revista e Corrigida
FIEL – Almeida Corrigida Fiel
Almeida Século 21 – revisão da Almeida
Almeida Original
BLH – Bíblia na Linguagem de Hoje
TLH – Tradução na Linguagem de Hoje
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje
NVI – Nova Versão Internacional
Bíblia de Jerusalém / Nova Bíblia de Jerusalém
Viva
Bíblia Pentecostal
A Mensagem

Confira a seguir alguns versículos da Bíblia em três traduções diferentes:


Existem dois métodos/tipos de tradução existentes:
1º – Por Equivalência Formal: a característica desse método é
transmitir palavra por palavra, ou seja, você vê o equivalente da palavra
em hebraico no português. O princípio da equivalência formal foi o que
orientou a maioria das traduções bíblicas até pouco tempo, e sobre ele
foram embasadas as traduções da Reforma Protestante do século 16.
Exemplo de Bíblia por tradução por Equivalência Formal: Almeida
Corrigida.
2º – Por Equivalência Dinâmica (ou funcional): a característica desse
método é primeiro se interpreta a frase no original e se pergunta qual
seria o equivalente dinâmico no idioma para qual estamos traduzindo. O
princípio da equivalência dinâmica busca transmitir o significado que
seguramente deveria ter o texto que se traduz, deixando em segundo
lugar o significado concreto das palavras (esse tipo de método ocasiona
abertura para paráfrases). Exemplo de Bíblias por tradução por
Equivalência Dinâmica (ou funcional): A Mensagem e a Bíblia na
Linguagem de Hoje.
Tipos de textos
Os principais textos em que são baseados as traduções são:
1º – Textus Receptus (texto tradicional ou da Reforma): as primeiras
versões impressas do Novo Testamento Grego foram feitas tendo como
base o Textus Receptus. O Textus Receptus era baseado em alguns dos
manuscritos chamados “Bizantinos” (porque acredita-se que sua origem
seja o Império Bizantino) ou “Majoritários” (porque são a maioria dos
manuscritos atualmente preservados). O Textus Receptus foi utilizado
para a maioria das traduções da Bíblia até o final do século XIX. A
tradução original de Almeida utilizou o Textus Receptus. Eles também
foram os textos que a Almeida usou para traduzir a Bíblia para o
português. Atualmente, a Almeida Corrigida Fiel, a Almeida Revista e
Corrigida e a Bíblia Livre usam o Textus Receptus.
2º – Texto Crítico (minoritário): datado dos séculos 2, 3 e 4 do qual são
baseadas as versões modernas, desde a atualizada como NVI e como
todas essas versões na linguagem de hoje que apareceu em 1881, data em
que foi encontrado. Essa edição utilizava predominantemente
manuscritos chamados de “Alexandrinos”, que são em menor quantidade
que os manuscritos bizantinos, porém os manuscritos alexandrinos ainda
existentes são mais antigos. Atualmente, as traduções Almeida Revista e
Atualizada, Nova Tradução na Linguagem de Hoje e Nova Versão
Internacional utilizam o texto crítico.
3º – Texto Majoritário ou Bizantino: datado dos séculos 8, 9 e 10,
atualmente existem três edições do Texto Majoritário ou Bizantino, uma
feita por Hodges e Farstad em 1982; outra por Robinson e Pierpont feita
em 2000 e revisada em 2005 e uma terceira, produzida por Pickering. A
diferença entre o Textus Receptus e o Texto Bizantino é pequena, sendo
talvez a mais relevante é 1 João 5:7-8, onde o Textus Receptus possui uma
referência a Trindade inexistente no Texto Bizantino e no Crítico.
Exemplos: Almeida Corrigida e Almeida Fiel.
A versão que se coloca no meio termo de todos os diferentes tipos de
textos é a NVI – Nova Versão Internacional. Portanto, temos esses três
textos gregos mais aceitos. Porém, o mais importante dizer é que nenhum
destes três textos contradiz qualquer doutrina do Cristianismo. No final a
diferença entre eles é mínima, divergindo em questões que não afetam a
teologia bíblica.
Segundo Augustus Nicodemus Lopes, teólogo e líder da Igreja
Presbiteriana do Brasil, as traduções mais recomendadas para o trabalho
pastoral e para a ministração da palavra são: Almeida Atualizada em 1º
lugar e a NVI em 2º lugar.
ANEXOS:
Sobre a SBB: A Sociedade Bíblica do Brasil é uma organização brasileira
que tem como finalidade traduzir, produzir e distribuir Bíblias, na íntegra
ou em partes e porções. Surgiu após a II Guerra Mundial, quando ocorreu
no país uma maior procura pelo livro, tendo sido fundada em 10 de junho
de 1948, no Rio de Janeiro. Faz parte das Sociedades Bíblicas Unidas,
associação mundial que reúne 146 sociedades bíblicas, atuantes em mais
de 200 países. Quase todas as traduções da Sociedade Bíblica se baseiam
no texto crítico: Almeida Atualizada, NVI, Bíblia na Liguagem de Hoje.
Sobre a SBTB: A Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil tem como
objetivo principal distribuir a Palavra de Deus, em todo mundo, mas
sempre com o cuidado de que seja a versão mais fiel possível aos textos
originais, Massorético, no Velho Testamento e, Textus Receptus, no Novo
Testamento. Estes foram os dois textos usados pelos reformadores a
partir do século XVI, período em que surgiram as Bíblias identificadas
como do povo realmente evangélico.
Fontes: Bíblia Livre, SBB, bible.com, Logos Apologética, solascriptura-
tt.org e evangelizacao.blog.br.
Princípios de tradução da Bíblia
27/06/2012Paulo Raposo Correia2 comentários

Há dois princípios de tradução da Bíblia que quero mencionar aqui: “equivalência formal” e
“equivalência funcional ou dinâmica”.
Na tradução literal ou por equivalência formal orienta-se basicamente pelo texto na língua
fonte ou original, preservando-se a mensagem e aspectos gramaticais.
Na tradução por equivalência funcional ou dinâmica orienta-se basicamente pelo
entendimento do leitor. Procura-se interpretar a mensagem ou ideia do texto original e
comunicá-la em linguagem contemporânea.
E, então, qual desses dois princípios produz uma tradução mais fiel ao texto original? Qual o
melhor? Está aí mais um daqueles assuntos polêmicos, que dividem opiniões, como alguns
outros: predestinação e livre arbítrio; batismo por aspersão ou imersão; milenismo e
amilenismo etc. Por se tratar de algo tão relevante, que mexe diretamente com a única regra
infalível de fé e pratica do cristão, isto é, a Bíblia Sagrada, a Revelação Escrita de Deus à
humanidade, é que não posso deixar de ter e defender uma opinião própria – “Cada um tenha
opinião bem definida em sua própria mente”. (Rm 14.5b). Não é a opinião de um especialista
nas ciências da linguística e outras. É a opinião de um cristão zeloso, com algum conhecimento
bíblico-teológico. No que diz respeito a este e aos outros assuntos polêmicos acima citados,
creio que é desperdício de energia ficar tentando mudar a opinião contrária do outro, com
debates, réplicas, tréplicas etc.
Nos artigos publicados neste blog (lista no final deste artigo), já me expressei bastante sobre
o “Novo Testamento na Linguagem de Hoje” (NTLH), que segue o princípio da equivalência
funcional ou dinâmica, comparando-o com a “Almeida Revista e Atualizada” (ARA) que é uma
tradução literal ou de equivalência formal. Vejamos mais alguns aspectos interessantes:
Tomemos, como exemplo, a tarefa mais fácil de traduzir para outro idioma a letra da famosa
canção brasileira de Chico Buarque “Cálice” (1973), portanto, algo da história recente. Fixemo-
nos apenas no seu refrão:
“Pai, afasta de mim esse cálice (3x)
De vinho tinto de sangue”
A letra desta canção é estruturada com duplos sentidos, ambiguidades e metáforas,
inteligentemente elaboradas para despistar a censura da ditadura militar brasileira da sua
época e comunicar sua mensagem ao povo. Como ficariam os textos traduzidos pelos dois
princípios já mencionados?
1ª tradução: Equivalência formal – tradução literal (usada na ARA):
“Pai, afasta de mim esse cálice (3x)
De vinho tinto de sangue”
2ª tradução: Equivalência funcional ou dinâmica (usada na NTLH):
“Deus, acaba com essa censura imposta pela ditadura (3x)
Manchada pelo sangue das vítimas da repressão e das torturas”
As traduções seriam aproximadamente isso que você está vendo. Na primeira tradução,
permanece o mesmo texto original, só que usando as palavras e a gramática da língua de
destino. No segundo caso, cria-se essa espécie de paráfrase usando a linguagem de destino.
E, então, qual dos textos expressa com mais precisão a mensagem original de Chico Buarque?
O leitor superficial e apressado talvez dissesse que é o segundo texto. Será, mesmo?
Vamos às considerações:
a) A ambiguidade aqui empregada pelo compositor, que explora a semelhança fonética entre
as palavras “cálice” e “cale-se”, onde o sentido velado que se deseja transmitir está na segunda
palavra, é praticamente impossível de ser reproduzido em outro idioma.
b) Em casos como este só há dois caminhos a seguir. O primeiro, que procura manter a
metáfora original que, neste caso, remeterá o pensamento do leitor para a oração de Cristo
nos momentos aflitivos pelos quais passou antes da sua morte (se este leitor tiver alguma
afinidade com o Cristianismo), o que era a intenção do compositor, porém, não faz qualquer
associação dessa situação com o padecimento do povo sob a ditadura militar brasileira (1964-
1985), o que era sua intenção comunicar, mas que nem de longe expressou. Esse é o caminho
trilhado na 1ª tradução acima. O segundo caminho, trilhado na 2ª tradução, desconsidera
completamente a metáfora original, subtraindo do leitor, neste caso, a inteligência e beleza
literárias da ambiguidade e a similaridade com o padecimento de Jesus, aspectos esses que o
compositor tinha a intenção de comunicar; e, procura interpretar e comunicar aquilo que
entende que o compositor queria expressar. Neste caso, foi fácil redigir a paráfrase porque o
texto original é recente e a mensagem original bem difundida. Mas, o que dizer de textos
escritos há 4000 anos atrás?
c) Ah, só pra lembrar. Qual das duas traduções da canção você acha que poderia ser cantada
na língua de destino. A primeira, é claro. Simples assim.
Sejamos honestos e práticos. Deixemos, por enquanto, a questão da tradução de lado e
façamos o seguinte teste: entreguemos uma cópia da letra original dessa canção a um
brasileiro que não a conheça e não conheça o seu compositor. Certamente, pela simples leitura
do texto ele não conseguirá captar tudo o que o compositor pretendia veladamente comunicar.
Quem poderia entender que os “caracóis dos cabelos” da música de Roberto Carlos seria uma
referência a Caetano Veloso se o compositor não revelasse?
Para tranquilidade dos tradutores, os duplos sentidos e ambiguidades encontradas nesta e em
outras tantas canções produzidas durante a ditadura militar (“Apesar de você” e “Tanto mar”
– Chico Buarque; “Alegria, Alegria” – Caetano Veloso; “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”
– Roberto Carlos, em homenagem a Caetano Veloso; “Pra não dizer que não falei das flores”
– Geraldo Vandré; etc) não constituem a essência do texto bíblico. Na Bíblia temos muita
linguagem direta (Livros históricos, Evangelhos, Atos, Epístolas etc). Mas há também as
poesias, os cânticos, as parábolas, as profecias, as metáforas etc. Traduções interpretativas e
paráfrases, nem pensar!
Vale ressaltar que, numa tradução literal como a ARA já houve certa flexibilização para facilitar
o entendimento. Por exemplo, em Gênesis 34.30 uma tradução mais próxima ao hebraico
original diria “…Tendes-me turbado, fazendo-me cheirar mal entre os moradores desta
terra,…”, pois “cheirar mal” significava naquela cultura “odiar”, “atrair o ódio”. Então a ARA
traduziu assim: “…Vós me afligistes e me fizestes odioso entre os moradores desta terra,…”
Por outro lado, vejam agora o texto de Eclesiastes 11.1:
“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.” (ARA)
“Atire o seu pão sobre as águas, e depois de muitos dias você tornará a encontrá-lo.” (NVI*)
(*NVI = Nova Versão Internacional)
Compare com:
“Empregue o seu dinheiro em bons negócios e com o tempo você terá o seu lucro.” (NTLH)
“Seja generoso porque o que você der a outros acabará voltando para você.”(A Bíblia Viva)
Vejam só o desserviço à verdade, a imprudência, o desatino, a estreiteza de mensagem, a
divergência, quando se quer traduzir a suposta ideia original!!! Os comentaristas dizem que
não há uma explicação certa e definitiva sobre este “provérbio”. Então, eles apresentam
algumas sugestões de interpretações:
1. Uma referência à maneira de semear sobre áreas alagadas, que se encarregam de espalhar a
semente. Quando as águas escoavam, aqueles grãos soterrados e esquecidos transformam-
se numa boa colheita.
2. Possivelmente, uma referência ao comércio de cereais que Salomão fazia por meio marítimo.
3. Uma exortação à liberalidade ou generosidade, que parece perda, mas que no tempo certo
dará o seu retorno, o seu ganho.
Vejam como os textos da ARA e NVI são muito mais amplos transmitindo, juntamente com os
textos dos versículos 2 a 6, a mensagem da chamada “lei da colheita, conforme a semeadura”.
As ideias centrais são de trabalho persistente, investimento, generosidade, repartir; para, no
futuro, colher o resultado dessa farta semeadura.
Então, que tal acabar com algumas falácias?
1ª) Sem essa de achar que o texto bíblico baseado em algum princípio de tradução irá, por si
só, promover o seu completo entendimento. Toda a produção humana, intelectual ou material,
precisa ser analisada à luz do contexto da época em que foi produzida para ser entendida. No
mundo secular, toda a produção literária precisa ser analisada à luz do contexto da época e
da vida do autor (sua história, personalidade, ideologias, frustrações, influências recebidas
etc). Jamais iremos prescindir de livros de apoio ou referência (dicionários etc) para ajudar no
entendimento do texto bíblico, pela explicação detalhada do seu contexto. Isso está cada vez
mais próximo do leitor através de arquivos digitais e páginas na internet. No caso da Bíblia,
ainda que muitos textos lancem luz sobre outros é essencial a iluminação do Espírito Santo
para o seu entendimento. Jesus ordenou: “Fazei discípulos”. Sempre houve e sempre haverá
a necessidade de ensinadores da Bíblia!
No caso da canção “cálice”, vejam como há recursos disponíveis para se saber melhor o que o
compositor quis dizer, conforme expresso pelos autores da matéria contida no link abaixo.
http://www.webartigos.com/artigos/chico-buarque-de-hollanda-e-sua-influencia-na-
sociedade-brasileira/56458/
“A análise é extensa, por conta de que todos os versos vêm impregnados de metáforas
utilizadas para narrar o drama da tortura no Brasil no período da ditadura militar.
(Pai, afasta de mim esse cálice)
Resume uma súplica por algo que se quer ver bem distante. Uma fração da música se faz
análoga à Paixão de Cristo e o padecer vivido pelo povo aterrorizado pelo regime autoritário.
O refrão faz uma alusão à agonia de Jesus Cristo no calvário, mas há ambiguidade na palavra
“cálice” em relação ao imperativo “cale-se”, levando-se à atuação da censura.
(De vinho tinto de sangue)
O “cálice” é um utensílio que contém algo em seu interior. Nas Sagradas Escrituras esse
conteúdo é o sangue de Cristo, na música é o sangue derramado pelas vítimas da repressão e
das torturas.”
2ª) Sem essa de empobrecer o texto bíblico, com essas traduções por equivalência funcional
ou dinâmica, alegando que o povo é ignorante e só entende uma linguagem popular. O maior
problema do cristianismo atual é o analfabetismo bíblico por desinteresse na leitura e estudo
da Bíblia. Tem muita gente culta, que se diz cristã, que tem tempo pra ler jornais, revistas,
livros, internet etc. Só não lê a Bíblia.
“No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Gn 1.1)(ARA) tem muito mais força e tanta
clareza quanto “No começo Deus criou os céus e a terra.” (Gn 1.1)(NTLH). Nesta troca aqui
do “seis” por “meia dúzia” eu prefiro ficar com o “seis”! Se você preferir “meia dúzia”, vai na
paz….
3ª) Sem essa de taxar de fundamentalistas e preconceituosos os que não concordam com
algumas “modernidades”. Se o mundo vai de mal a pior e o mundo influencia a igreja, temos
sim que manter a vigilância. A história do povo de Deus é uma história de contínuas
degradações e eventuais restaurações e avivamentos, para não degringolar de vez.
Finalmente, entendo que traduções devem ser revistas continuamente. A tradução ARA
tem algumas palavras fora de uso há várias décadas (talante, simulacro etc etc). Espero que
algum dia surja na SBB um projeto para substituir essas palavras ou, pelo menos, colocar uma
referência de “pé de página” ou ”margem de página” com os respectivos sinônimos.
Veja, também, os seguintes artigos, neste blog:
Hino Nacional na Linguagem de Hoje (HNLH)
“Bonde” sem freio….
NTLH – A “bola” murcha!
Vem aí uma nova atualização da Bíblia (Nova ARA)
Entenda como é feita a tradução
da Bíblia
8 de novembro de 2016Comente

Se você já foi a uma livraria para comprar uma bíblia, deve ter ficado perdido com
tantas versões. Além do material de estudo, existem diferentes traduções. Você já
parou para pensar como é feita a tradução da Bíblia, ou porque existem diferentes
traduções de um mesmo texto? Neste estudo, vamos abordar esta curiosidade que
passa desapercebido pela maioria de nós. Para o cristão, é importante
compreender como as escrituras são traduzidas para conseguirmos responder
questionamentos de pessoas que criticam e duvidam de nossa fé. Compreender os
diferentes tipos de tradução é um bom conhecimento que podemos adquirir para
fortalecer nossa fé.
O conceito básico de tradução é transferir uma mensagem, seja escrita ou falada,
de um idioma para outro. A função básica da tradução é tornar possível que esta
mensagem seja compreendida por seus receptores. Por muitos anos, a função de
tradutor foi muito útil. Inclusive, hoje este ofício possui uma função primordial na
comunicação do homem. Uma das profissões mais antigas de que se há registro, o
tradutor tem a função de realizar a interlocução entre mensageiro e receptor da
mensagem. Fazer este serviço parece fácil, mas existe uma questão muito
importante no trabalho de tradução. Nem sempre o que o mensageiro diz é
imediatamente compreendido pelo receptor após a tradução. Isso porque, por
exemplo, ditados, expressões, conceitos e outros tipos de conhecimentos de quem
envia a mensagem não coincidem nos conhecimentos de quem recebe a mensagem.

Um dos filósofos e teólogos mais conhecidos quando o assunto é tradução da bíblia


é o alemão Friedrich Schleiermacher. Para ilustrar bem este conceito, o filósofo
definiu o trabalho de tradução da seguinte forma: “ou o tradutor deixa o escritor
quieto em seu canto e leva o leitor até ele, ou o tradutor deixa o leitor quieto e leva
o escritor até ele”. O que ele queria dizer é que o trabalho de tradução da bíblia
pode funcionar, basicamente de duas formas. A primeira opção seria traduzir os
escritos da forma mais fiel possível, forçando o leitor a compreender o manuscrito.
A segunda opção é adaptar as escrituras para que o leitor possa compreender
segundo seus conhecimentos, sua cultura, sua época etc.

Tradução formal

Também conhecida como tradução literal, a tradução formal tem como método de
trabalho seguir os textos originais da forma mais fiel possível . Neste caso, as
adaptações gramaticais e a mensagem em si é praticamente imutável. Este tipo de
tradução nos faz compreender melhor os aspectos de seus escritos, sua cultura, sua
forma de pensar e seu ambiente. No caso da bíblia, a tradução formal nos remete
ao mundo antigo. Por outro lado, a compreensão de diversas passagens bíblicas
fica mais difícil. Um leigo, alguém que não tem profundo conhecimento
antropológico do tempo e pessoa que escreveu o texto, não vai compreender
inúmeras passagens.

Quando uma tradução é feita por equivalência formal, usa-se termos semelhantes e
palavras com funções gramaticais iguais, ou seja, verbo por verbo, substantivo por
substantivo. As palavras são consideradas quase que individualmente, com
exceções para termos e palavras que não há tradução individual. As versões mais
conhecidas de tradução da bíblia por equivalência formal são as bíblias Almeida e
King James.

Tradução dinâmica

A outra forma de tradução é a chamada por equivalência dinâmica, ou funcional.


Neste caso, o tradutor se esforça para que a passagem fique a mais clara possível
para o leitor. Neste caso, a tradução da bíblia é feita levando em consideração a
cultura e ambiente do leitor, por isso, algumas adaptações são feitas e algumas
expressões são adaptadas. O maior cuidado, neste caso, é que a interpretação não
fique distorcida ou diferente do que seria do texto original. As bíblias nas versões
Viva e linguagem de hoje são exemplos clássicos da tradução feita por equivalência
dinâmica. Poderíamos dizer que a bíblia na Nova Versão Internacional tende a
seguir por este caminho também, embora fique mais em um meio termo.

Comparações

Vamos ler Salmos 16:5 nas versões Almeida Revisada e Corrigida (ARC) e na Nova
Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH).

 Versão Almeida – O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice; tu


sustentas a minha sorte.
 Linguagem de hoje – Tu, Senhor Deus, és tudo o que tenho. O meu futuro está
nas tuas mãos; tu diriges a minha vida

Outro trecho bem interessante é Salmos 119:83

 Almeida – Pois estou como odre na fumaça; contudo não me esqueço dos teus
estatutos.
 Linguagem de hoje- Embora eu seja como uma vasilha inútil, não me esqueço
dos teus decretos.

Como pudemos ver, na maioria das vezes, de uma forma ou de outra podemos
compreender a essência do texto. No entanto, alguns críticos analisam que muitas
traduções para a linguagem moderna desvaloriza o texto e retira muita essência de
seus significados e poesia. A tradução da bíblia, para eles, perde muito de sua
essência com as versões mais modernas, o que pode levar a profecias e doutrinas,
por exemplo, distorcidas ou mal compreendidas.

No texto acima, de Salmos 119:83, devemos ressaltar que odre não era uma
vasilha, mas sim a pele ressecada de um animal, utilizado para armazenar líquidos.
Quando a pele ficava ressecada, era utilizada para tapar buracos nas tendas.
Normalmente, colocava-se a fogueira (que aquecia a tenda) na direção deste
retalho feito com a pele do animal (o odre). Por tanto, o significado deste versículo
é muito mais dramático e forte em sua tradução formal do que em sua tradução
dinâmica.
Da mesma forma, quando Jesus disse que não se coloca vinho novo em odres
velhos, ele nos ensina algo que só podemos compreender se realmente soubermos
o que é um odre. A tradução por vasilhas pode perder um pouco seu significado,
pois vasilhas velhas, ou novas, se comportam iguais com a fermentação do vinho. Já
o odre velho sim se rompe, porque é couro; e o couro velho fica ressecado e se
rompe com a fermentação do vinho. Existe uma diferença muito maior de odres
novos e velhos do que de vasilhas novas ou velhas.

Os críticos das traduções dinâmicas também acreditam que essas traduções


tornam as pessoas cada vez mais preguiçosas, pois não se esforçam para
compreender o real sentido do que estão lendo.

Já os tradutores dinâmicos defendem que não há mal algum em tornar a linguagem


fácil e acessível a todos os leitores. Os mais cultos podem optar pelas escrituras de
tradução formal, e as pessoas que não tiveram tanto acesso aos estudos podem
adquirir as traduções modernas, podendo optar por traduções mais literais com o
tempo, depois que tiver compreensão real das escrituras. Além disso, uma bíblia
lida por uma criança, por exemplo, é melhor compreendida se for uma tradução
dinâmica.

Para finalizar, ressaltamos que, na prática, não existe traduções 100% formais ou
100% dinâmicas. A versão King James possui, aproximadamente, 95% de seu texto
feito por tradução formal, cerca de 5% precisa ser traduzido de maneira dinâmica
para termos o mínimo de compreensão. Já a versão na linguagem de hoje (NTLH),
possui 85% de seu texto traduzido de forma dinâmica, ou seja, 15% da bíblia NTLH
ainda é de tradução formal (literal).

Leia também:

 Principais religiões do país


 Estudo do livro de Atos
 Achados arqueológicos que comprovam a veracidade da bíblia
 Como surgiu a bíblia sagrada
 Breve história da bíblia sagrada
 Como entender a bíblia
 A história da bíblia
 Como ler a bíblia e entendê-la