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Tribunal Regional Eleitoral do Acre

Escola Judiciária Eleitoral

Curso Básico de Direito Eleitoral

Abordagem temática:

Ação de Investigação Judicial Eleitoral - AIJE

Representação Eleitoral fundada na Captação


Ilícita de Sufrágio (art. 41-A da Lei n.º 9.504/97)
Ação de Investigação
Judicial Eleitoral - AIJE
com fulcro no art. 22
da Lei Complementar
n.º 64, de 1990
“Art. 22. Qualquer partido político,
coligação, candidato ou Ministério Público
Eleitoral poderá representar à Justiça
Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral
ou Regional, relatando fatos e indicando
provas, indícios e circunstâncias e pedir
abertura de investigação judicial para
apurar uso indevido, desvio ou abuso do
poder econômico ou do poder de
autoridade, ou utilização indevida de
veículos ou meios de comunicação social,
em benefício de candidato ou de partido
político, obedecido o seguinte rito: [...]”
1 – BEM JURÍDICO PROTEGIDO

É a lisura do pleito.
2 – POTENCIALIDADE LESIVA DO
ATO ILÍCITO

É relevante que os fatos praticados


tenham potencial lesivo suficiente
para macular a legitimidade das
eleições, em virtude de o bem
jurídico protegido
ser a sua lisura.
Não se perquire o nexo de
causalidade entre os fatos narrados e
o resultado do pleito.

Esta relação é relevante somente


para o ajuizamento de ação de
impugnação de mandato eletivo.
“Representação.
Abuso do poder econômico.
Inelegibilidade. Tratando-se de práticas
ilegais, configuradoras de abuso de
poder econômico, hábeis para promover
um desequilíbrio na disputa política, não
é de exigir-se o nexo de causalidade,
considerados os resultados dos pleitos.”
(Recursos Especiais n.s 12.282, 12.394 e
12.577) (Resp. n.º 11.469. Rel. Min. Costa
Leite. JTSE, Brasília, v. 8, n.2, p. 112)
“Abuso de poder econômico.
Inexigível se demonstre a existência de
relação de causa e efeito entre a prática
tida como abusiva e o resultado das
eleições.
Necessário, entretanto, se possa
vislumbrar a potencialidade para tanto.”

(Resp. n.º 15.161. Ac. N.º 15.161.


Rel: Min. Eduardo Ribeiro. Publicado
no DJ em 8.5.98, p. 69.
“...A normalidade e legitimidade como
um todo, pressupõe a normalidade a
legitimidade dos diversos estágios do
processo eleitoral, de modo que o
comportamento abusivo adotado em
determinada fase (da propaganda
eleitoral, por exemplo) há de ser
apurado e punido, considerando-se a
sua aptidão para comprometer
aquela fase do processo eleitoral
e não obrigatoriamente o resultado
final do pleito” (Rec. N.º 12.224.
Rel: Min. Marco Aurélio.
Publicado no JTSE, v. 7, n.º 1, p. 251).
3 – TIPIFICAÇÃO

A ação de investigação judicial eleitoral


é ajuizada, por excelência, com fulcro no
caput dos arts. 19 e 22
da Lei Complementar 64, de 1990.

Observe-se, contudo, que há três outras


disposições, todas contidas na Lei n.º
9.504, de 1997, em seus art. 41-A, 73 e
74, que permitem a sua propositura,
sendo, portanto, também hipóteses de
cabimento da referida ação.
O art. 41-A dessa mesma

lei pode fundamentar ação

de investigação eleitoral, na

hipótese de corrupção por abuso

de poder econômico.
As condutas vedadas pelo art. 73
podem também servir como causa de
pedir para a ação de investigação
judicial eleitoral, tendo por efeito a
declaração de inelegibilidade, ex vi do
inciso XIV do art. 22 da Lei
Complementar, de 1990, muito embora
por meio do procedimento estabelecido
no art. 96 e seguintes da Lei n.º 9.504,
de 1997, seja possível aplicar a sanção
de multa e a cassação do registro ou do
diploma.
E o art. 74 traz previsão expressa de
ajuizamento de ação de investigação
judicial eleitoral, na hipótese de
conduta nele descrita.

Os fatos ilícitos atacáveis por ação de


investigação judicial eleitoral não se
confundem com as inelegibilidades
preexistentes ou a ausência de uma
condição de elegibilidade.
Aspectos relevantes na conduta
descrita no caput do art. 22 da Lei
Complementar n.º 64, de 1990:

 Uso indevido, desvio ou abuso do


poder econômico:
“O abuso econômico caracterizador de
infração eleitoral não se releva apenas
pelo negócio escuso, pela compra
direta de voto, mas também pelo
processo sugestivo ao eleitorado,
mediante gastos excessivos, favores e
dádivas concedidas sem razão
plausível e sem fundamento social
para tal”.

(TRE/MG. Recurso em AIME n.º 6/95,


85ª ZE, Rel. Juiz Ernane Fidélis.
 Uso indevido, desvio ou abuso do
poder de autoridade:

“Entretanto, no que diz respeito à relação


causal necessária para que determinada
conduta abusiva, antes de apurado o
resultado das eleições possa ser
considerado atentatório à normalidade e
à legitimidade da eleição, creio que a
Justiça Eleitoral deve satisfazer-se com a
probabilidade do comprometimento, seja
da normalidade, seja da legitimidade do
pleito.
(continua)
E essa probabilidade de
comprometimento (da normalidade ou da
legitimidade, mas não necessariamente
do resultado) do pleito caracteriza-se
sempre que resultem comprovados
comportamentos que revelam influência
do poder político ou econômico no
desenvolvimento do processo eleitoral.

(continua)
É que, em tais hipóteses, desaparecem
ou a imparcialidade que se exige da
administração pública, ou a neutralidade
do poder econômico, pressupostos
admitidos pela Constituição como
necessários à proteção da normalidade e
da legitimidade das eleições

(art. 14, §9º, CF/88) (...) (TSE. Rec. N.º


12.244. Rel. Min. Marco Aurélio. Publicado
no JTSE, v. 7, n.º 1, p. 251).
Utilização indevida de veículos ou
meios de comunicação social

O Tribunal Superior Eleitoral assim


definiu a matéria:

“abuso de poder econômico e


utilização indevida de meios de
comunicação social (LC 64/90,
art. 22)
(continua)
(...)
2 – Tais ações ilícitas ficam
caracterizadas quando o candidato,
durante o período de propaganda
eleitoral, e com recursos próprios,
publica e divulga livro de sua autoria,
versando matéria pertinente a
campanha eleitoral, e, mediante
“outdoor” e anúncios em jornais cujos
“lay outs” são coincidentes, na imagem
e na mensagens, com os outros
“outdoors” e anúncios de sua
candidatura a cargo eletivo. (continua)
3 – Irrelevante para a configuração
da conduta proibida o volume ou a
origem dos gastos não autorizados
por lei ou a vantagem de votos
eventualmente obtida.

(continua)
4 – A Constituição assegura, sob o
manto da isonomia legal, a igualdade
de oportunidade entre candidatos e
partidos, para tanto definindo,
explicitamente, como contrários à
normalidade e à legitimidade das
eleições, a influência do poder
econômico ou o abuso do exercício
de função, cargo ou emprego na
Administração direta ou indireta
(Constituição, art. 14, §9º).

(continua)
A lei complementar,
prevista na Constituição, prevê,
ainda, como expressões contrárias
ao sentido da Carta, a utilização
indevida de veículos ou meios de
comunicação social em benefício de
candidato ou de partido político
(Constituição, art. 14, §9º,
LC 69/90, art. 22) (...)”
Quanto ao art. 74 da Lei n.º
9.504/97, esclarece-se que o
desrespeito aos limites postos na
conduta prevista no art. 37, §1º, da
CF, constitui abuso de autoridade,
para fins do disposto no art. 22 da LC
64/90, ficando o responsável, se
candidato, sujeito ao cancelamento do
registro de sua candidatura.

(continua)
Significa que a realização, no período
eleitoral, de publicidade dos atos,
programas, obras, serviços e campanhas
dos órgãos públicos, que não tenha
caráter educativo, informativo ou de
orientação social, e ainda nela constando
nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos,
constitui tanto o abuso de autoridade
punível na esfera eleitoral, por meio da Lei
Complementar nº 64/90, quanto violação
da norma constitucional.
5 – Legitimidade Ativa

Estão legitimados a propor ação de


investigação judicial eleitoral os
candidatos a qualquer cargo
eletivo no pleito, os partidos
políticos, as coligações e o
Ministério Público.

(Art. 22, caput, da LC 64/90).


6 – Legitimidade passiva

Estão legitimados a figurar no pólo


passivo da relação processual os
candidatos beneficiados pela prática
dos atos ilícitos, qualquer pessoa,
candidato ou não-candidato, que
atue para beneficiar ilicitamente
algum candidato ou mesmo pré-
candidato, que obtenha seu registro
posteriormente.
7 – Foro competente

Na eleições municipais, a
representação deve ser dirigida
ao Juiz Eleitoral, que tem competência
para processá-la e julgá-la

(art. 24 da LC 64/90).
Nas eleições estaduais, a
representação deve ser dirigida ao
Corregedor Regional Eleitoral.
Eleitoral

Na eleição presidencial, a
representação deve ser dirigida ao
Corregedor Geral Eleitoral.
Eleitoral
“Representação. Investigação Judicial.
LC 64/90, art. 22. Competência do
Corregedor Regional para processá-la
e do Tribunal Regional Eleitoral
para o respectivo julgamento.
Impossibilidade de deslocar-se
a competência, com base na conexão,
dado seu caráter funcional e,
pois, absoluto”
(Resp. Nº 233. AC nº 20.435.
Rel. Min. Eduardo Ribeiro.
Publicado no DJ de 4.5.99, p. 44).
8 – Termos inicial e final para a
propositura da Representação

O entendimento do Tribunal Superior


Eleitoral é de que não existe termo
inicial para a propositura da ação de
investigação judicial eleitoral, sendo o
termo final a data da diplomação do
eleito, quando se finda a jurisdição
eleitoral.
“(...) II – Para a configuração do
ilícito previsto no art. 22 da LC nº
64/90, as condutas vedadas
podem ter sido praticadas antes
ou após o registro de
candidatura.”

(Resp. nº 19.566,
Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira.
Publicado no DJ n.º 26.4.2002)
“(...) I – A ação de investigação
judicial do art. 22 da LC 64/90 pode
ser ajuizada até a data da
diplomação (...)”

(Resp. n.º 15.263. Ac. Nº 15.263. Rel.


Min. Nelson Jobim.Publicação
DJ 11.6.99, p. 87
9 – Do rito

É sumário e suas fases e prazos


estão previstos no art. 22, incisos I
a IX da LC n.º 64/90
10 – Sanção

O art. 22 da LC 64/90, gera


a declaração de inelegibilidade do
representado e de quantos hajam
contribuídopara a prática do ato
considerado ilícito para as eleições
que se realizarem nos 3 (três) anos
subsequentes à eleição em que se
verificou tal ato, além da cassação
do registro do candidato
diretamente beneficiado.
11 – Efeitos da Decisão

A Ação de Investigação Judicial


Eleitoral não se destina, em princípio,
a cassar mandatos de cargos eleitos,
mas, tão-somente, a cassar o registro
da candidatura e a decretar a
inelegibilidade do candidato, e de
quantos hajam contribuído para a
prática do ato, por três anos,
contados da data da eleição em que
se verificou o ato ilícito a ele
imputado.
Com isso, o candidato perde a
capacidade eleitoral passiva, mas
mantém íntegros o seu direito à
filiação partidária e de fazer
propaganda eleitoral, que só
desaparecem quando ele tem
suspensos os direitos políticos, como
nas hipóteses do art. 15 da CF/88.
Como desdobramentos do
julgamento procedente do pedido
formulado em Ação Judicial
Eleitoral têm-se:

negação do registro ao candidato ou


seu cancelamento, se já tiver sido
feito;
Ocorrido o julgamento após a eleição
do candidato, sendo julgado
procedente o pedido, pode-se declarar
a inelegibilidade do candidato e de
quantos hajam contribuído para a
prática do ato para as eleições a se
realizarem nos três anos subsequentes
àquela em que se verificou a ilicitude
e o Ministério Público pode, ainda,
ajuizar ação de impugnação de
mandato eletivo e recurso contra a
expedição de diploma.
“Investigação Judicial a que se refere a
LC 64/90. Procedência. Sanção de
inelegibilidade.

1 – Julgada procedente a investigação


após a eleição do candidato, é lícito ao
Tribunal aplicar ao representado a
sanção de inelegibilidade para as
eleições subsequentes.
2 – Em tal caso, a conseqüência do
julgamento não é apenas a de
proceder-se à remessa de cópias ao
Ministério Público Eleitoral.

3- Recurso especial não conhecido.”

(Resp. nº 15.024. Ac. Nº 15.024. Rel.


Min. Nilson Naves. Publicação: DJ
22.5.98, p. 71)
“... Certo que o inciso XV dispõe que

‘se a representação for julgada


procedente após a eleição do
candidato, serão remetidas cópias
de todo o processo ao Ministério
Público Eleitoral, para os fins
previstos no art. 14, §§10 e 11, da
Constituição Federal, e art. 262,
inciso IV. do CE.’
Mas a remessa que se faz de cópias
tem por objetivo capacitar o Ministério
Público para a ação de impugnação
de mandato eletivo.

Não quer a disposição, porém,


significar esteja o Tribunal impedido
de declarar a inelegibilidade,
competindo-lhe então, em caso que
tal, limita-se a remeter cópias ao
órgão ministerial.
De que então serviria julgar-se
procedente a ação?

Apenas para remeter-se cópias?

Seria pouco, não seria?”

(Trecho do voto do Relator, Ministro Nilson


Naves, no Resp. nº 15.024. Ac. Nº 15.024.
Publicado no DJ 22.5.98 p. 71)
“A razão de ser da exigência contida no
referido inciso XV do art. 22 da LC 64/90
é a de preservar, em princípio, o
candidato escolhido pelas urnas.
Daí porque não basta a decretação da
procedência da investigação judicial, mas
se faz necessário também, o exame da
matéria em sede de AIME e em recurso
contra a expedição de diploma. Nessa
circunstância, a partir do momento em
que sejam conhecidos os candidatos
vitoriosos
– o que se dá com a proclamação -,

a lei passa a proteger o eleito com a


exigência de que seja examinada a
questão também mediante as vias
processuais específicas.
Ou seja, uma vez conhecidos os
eleitos, não se pode mais cogitar da
pura e simples cassação do registro
da candidatura, como estabelecido
pelo inciso XIV do mencionado
dispositivo, mas em respeito à
vontade popular, remeter a questão
à sede própria.”

(trecho do voto do Relator, Ministro Eduardo


Alvim, no Resp. 15.061, in Revista de
Jurisprudência do TSE, vol. 9, tomo 4.,
p. 184.)
12 – Recurso

Nas Eleições Municipais:

Cabe recurso inominado para o TRE


contra as decisões proferidas pelo Juiz
Eleitoral.

Cabe recurso especial das decisões


proferidas pelo TRE para o Tribunal
Superior Eleitoral, versando sobre
matéria constitucional.

Prazo: 3 dias
Nas Eleições Estaduais:

Cabe recurso ordinário para


o Tribunal Superior Eleitoral
das decisões proferidas pelo TRE,
nos termos do artigo 121, §4º,
inciso III, da CF.
A regra contida no inciso II do art. 22
da LC 64/90, não é aplicável no caso
de indeferimento da petição inicial
pelo Juiz Eleitoral, nas eleições
municipais, tendo seu alcance
circunscrito às investigações
processadas perante as Corregedorias
Geral e Regional, ou seja, nas eleições
presidencial e estaduais.
13 – Efeitos do Recurso

Segundo estabelece o art. 15 da


LC 64/90:

“transitada em julgado a decisão


que declarar a inelegibilidade do
candidato, ser-lhe-á negado
registro, ou cancelado, se já tiver
sido feito, ou declarado nulo
o diploma, se já expedido.”
Da leitura do referido dispositivo legal
extrai-se que a decisão de
procedência do pedido contido na
ação de investigação judicial somente
será executada após o seu trânsito em
julgado.

Portanto, tendo sido interposto


recurso, ele deverá ser recebido
como efetivo suspensivo, ex vi, do
referido artigo da LC 64/90,
perfeitamente aplicável à espécie.
Representação
com fulcro no art. 41-A
da Lei n.º 9.504/97

Introduzido pela Lei n.º 9.840/1999,


este artigo é fruto da primeira lei de
iniciativa popular criada sob a égide
da CF/1988
1 – Bem jurídico protegido:

VONTADE DO ELEITOR
“...no art. 41-A, o bem protegido não
é o resultado da eleição. O bem
protegido pelo 41-A é a vontade do
eleitor: Então, há um bem protegido
distinto [do bem protegido em sede de
ação de investigação judicial eleitoral,
intentada com fulcro no artigo 22 da
Lei Complementar 64/90], o que não
autoriza, com isso, se falar em
potencialidade”
(esclarecimento do Ministro Nelson Jobim, no
acórdão do Recurso Especial n.º 19.553
– Bacuri/MA, de 21.3.2002)
2 – Potencialidade lesiva do
ato ilícito

Não é relevante, pois apenas a sua


prática gera influência sobre a
liberdade da vontade do eleitor.
eleitor
3 – Tipificação

A conduta é a descrita no art. 41-A


da Lei n.º 9.504/97
Art. 41-A - Ressalvado o disposto no
art. 26 e seus incisos, constitui captação
de sufrágio, vedada por esta Lei,

o candidato

doar, oferecer, prometer, ou entregar,

ao eleitor,

com o fim de obter-lhe o voto, bem ou


vantagem pessoal de qualquer natureza,
inclusive emprego ou função pública,

(continua)
desde o registro da candidatura
até o dia da eleição, inclusive,

sob pena de multa de mil a cinqüenta


mil Ufir, e cassação do registro ou do
diploma, observado o procedimento
previsto no art. 22 da Lei
Complementar nº 64, de 18 de maio
de 1990.
“(...) II- Resta caracterizada a
captação de sufrágio prevista no art.
41-A da Lei n.º 9.504/97, quando o
candidato praticar , participar ou
mesmo anuir explicitamente às
condutas abusivas e ilícitas
capituladas naquele artigo”

(Resp. n.º 19.566, Ac. N.º 19.566, de


18.12.2001. Rel. Min. Sálvio de Figueiredo
Teixeira. Publicado no DJ, vol 1, de 26.4.02,
p. 185).
Aspectos relevantes

 O candidato – ou interposta
pessoa, provada a aquiescência do
candidato.
“Para a tipificação da conduta
descrita no art. 41-A é
imprescindível que o candidato
seja o autor da ação, ou dela
tenha participado ou anuído, e
não apenas o seu beneficiário”

(Ac. N.º 19.566,


Relator Ministro Sálvio de Figueiredo,
e Agravo Regimental
na Medida Cautelar n.º 1000,
Relator Ministro Sálvio de Figueiredo,
de 26.6.01, publicado em 7.2.01)
 Não se exige que o ato se
concretize

Basta a mera promessa para a


tipificação.

O procedimento é mais célere e não se


busca a verdade real como no processo
penal.
Bem ou vantagem pessoal, de
qualquer natureza, inclusive
emprego ou função pública

As propostas de campanha
não se confundem com as promessas
vedadas neste artigo.
“não configurada conduta vedada pelo
art. 41-A da Lei n.º 9.504/97 promessa
de campanha no sentido de manter
programa municipal de benefícios”

(Ag. de instrumento n.º 2.790,


de 8.5.01, publicado em 22.6.01)
“não configura captação de sufrágio a
promessa a ‘comunidade evangélica’
documentada em protocolo de
intenções, se não voltada a satisfazer
interesses patrimoniais privados.”

(Resp. n.º 19.176,


Rel. Min. Sepúlveda Pertence,
publicado no DJU de 22.2.02)”
 Em troca de voto
A promessa ou dádiva deve estar
vinculada à troca do voto

“A captação de sufrágio vedada por


lei constitui oferecimento ou
promessa de vantagem com o fim de
obter voto do leitor”

(Consulta n.º 552, de 14.12.99.


Resp. n.º 19.229,
de 15.2.01, publicado em 5.6.01)
“(...) 2 – Para a caracterização da
conduta descrita no art. 41-A da Lei
n.º 9.504/97, é imprescindível a
demonstração de que ela foi
praticada com o fim de obter o voto
do eleitor.”

(Resp. nº 19.229, Rel. Min.


Fernando Neves. Ac. nº 19.229)
4 - Instrumento Processual

É a representação.
“A representação para apurar a
conduta descrita no ar. 41-A não é a
investigação judicial,
apenas segue o procedimento
previsto no art. 22 da LC 64/90.”

(Ag. Regimental na Medida Cautelar n.º 970)


5 – Foro Competente

Cabe ao Juiz Eleitoral, nas eleições


municipais

e aos Juizes Auxiliares dos Tribunais


Regionais, nas eleições estaduais,

julgar a representação.
6 – Legitimidade Ativa

Estão legitimados a propor a


representação do art. 41-A da Lei n.º
9.504, de 1997,

os candidatos a qualquer cargo eletivo


no pleito, os partidos políticos, as
coligações e o Ministério Público

(Art. 96, caput, do referido diploma)


7– Legitimidade Passiva

Estão legitimados a figurar no pólo


passivo da relação processual os
candidatos, ou qualquer pessoa,
candidato ou não-candidato, que
atue a seu mando para praticar a
captação de sufrágio vedada por lei.
8 – Termos inicial e final
para a propositura da
Representação

Pode-se ajuizar a representação a partir


do pedido do registro de candidatura
perante a Justiça Eleitoral.

Não é a partir do seu deferimento ou da


escolha do nome do candidato em
convenção.
“O termo inicial dos atos
configuradores
da captação vedada de votos é a data
do pedido de registro de candidatura.”

(Resp. n.º 19.229, de 15.2.01, DJ 5.6.01)


“...III – Quanto à aferição do ilícito
previsto no art. 41-A, esta Corte já
decidiu que o termo inicial é o pedido
do registro da candidatura”

(Resp. n.º 19.566, Ac. 19.566.


Rel. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira.
Publicado no DJ, vol. 1, de 26.4.2002, p. 185).
“(...) 1- O termo inicial do período de
incidência da regra do art. 41-A da Lei
n.º 9.504, de 1997, é a data em que o
registro da candidatura é requerido,
e não a do seu deferimento.”

(Resp. n.º 1.229, de 15.2.01, DJ, 5.6.01)


9 – Rito

É rito sumário cujas fases


e prazos estão previstos no art. 22 da
Lei Complementar n.º 64, de 1990.

A representação será processada e


julgada pelo Juiz Eleitoral Auxiliar dos
Tribunais Regionais, na hipótese de
eleições estaduais.
10 - Sanção

O art. 41-A não gera a inelegibilidade.


Apenas afasta o candidato da disputa
imediatamente, além de cominar-lhe a
cassação do seu registro ou diploma e
multa.
“as punições para a conduta
prevista no art. 41-A estão
especificadas neste dispositivo legal,
não sendo aplicáveis as penas
estabelecidas no art. 22 da LC 64/90”

(Ag. Regimental na Medida Cautelar n.º 970).


11 – Efeitos da decisão

São imediatos.
“A decisão fundada no art. 41-A
da Lei n.º 9.504/97 terá
efeito imediato”.

(MC n.º 994, Rel. Min. Fernando Neves, de 31.5.01. Resp.


n.º 19.023, DJ 14.5.01, MC n.º 995, DJ 8.6.01, Resp. n.º
19.552, de 13.12.01, relados pelo Min. Sálvio de
Figueiredo. Resp. 19.176, 16.1.01.
Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Resp. n.º 19.420,
Rel. Min. Sálvio de Figueiredo).
“Cassação de registro
(L 9.504/97m art. 41-A):
a eficácia imediata.

1 – A decisão que, com base no


art. 41-A, cassa o registro de
candidatura tem eficácia imediata,
despidos os recursos cabíveis de
efeito suspensivo...”
(Questão de Ordem no Resp. n.º 19.528.
Ac. N.º 19.528 Rel. Min. Ellen Gracie.)
Trecho do voto do Ministro
Sepúlveda Pertence, relator da
Questão de Ordem no Recursos
especial n.º 19.528, citando o
Ministro Fernando Neves:

“Como observei no precedente já citado


(MC n.º 970), as alterações da Lei n.º
9.504, de 1997, entre as quais consta a
introdução do art. 41-A, vieram ao
encontro da vontade da sociedade de ver
rapidamente apurados e punidos os
ilícitos eleitorais.
Neste caso, o interesse a prevalecer é o
de afastar imediatamente da disputa
aquele que, no curso da campanha
eleitoral, tenha incidido no tipo captação
de sufrágio vedada por lei.

Por isso, o legislador, diferentemente de


quando tratou das declarações de
inelegibilidade, não condicionou ao
trânsito em julgado os efeitos da decisão
que cassa diploma por transgressão ao
referido ato. 41-A”
“ A representação para
apurar a conduta descrita no
art. 41-A tem efeito imediato,
não sendo aplicável
o art. 15 da LC 64/90”

(Ag. Regimental na Medida Cautelar


n.º 970)
“A permanência, na urna eletrônica, do
nome do candidato que tenha seu
registro cassado com base no artigo 41-A
da Lei n.º 9.504, 1997, bem como o
prosseguimento de sua propaganda
eleitoral – o que se dá por conta e risco
do candidato e/ou de seu partido político
em virtude da interposição de recurso –
não significa retirar o efeito imediato da
mencionada decisão, que, entretanto,
não pode ser tido como definitiva antes
de seu trânsito em julgado.”

(questão de ordem na instrução n.º 55)


Pergunta:

Qual a destinação dos votos obtidos


pelo candidato cujo nome constou na
urna eletrônica, sendo negado
provimento ao seu recurso após
o pleito?
12 – Efeitos do Recurso

Não tem efeito suspensivo o recurso


contra a decisão que cassa
o registro de candidato
ou o diploma a ele conferido,
com base no art. 41-A da Lei n.º 9.504,
de 1997.
“Cassação de registro ( L. 9.504/97, art.
41-A): eficácia imediata.

1 – A decisão que, com base no art. 41-A,


cassa o registro de candidato tem eficácia
imediata, despidos os recursos cabíveis de
efeito suspensivo.

2 – Decisão de TRE que, em sentido


contrário, determina que a cassação só
gere efeitos após o trânsito em julgado não
é oponível ao acórdão do TSE, que
substituindo o da instância a qua, ordena o
cumprimento do julgado.
3 – Entretanto, se se cuida de decisão
individual tomada no TSE pelo relator de
recurso, o seu cumprimento deve
aguardar a exaustão do prazo para o
agravo regimento ou o julgamento
desse."

(Questão de Ordem no Resp.


n.º 19.528. Ac. N.º 19.528.
Rel. Min. Ellen Gracie.)