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CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

DO SERVIDOR PÚBLICO

Código de Ética Profissional do Servidor Público

Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal

O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal ou Código de
Ética do Servidor Público do Brasil[1] é um manual de conduta para os servidores públicos federais
do Brasil. Foi aprovado por meio do Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994[2].

História

A cronologia dos Estatutos do funcionalismo tem sido acompanhado por algum mecanismo, embora
disperso, sobre deontologia.[3] O atual tem sua nascença na Constituição federal, no caput e no
parágrafo quarto do artigo 37 com regulamentação conferida pela Lei Federal nº 8.112/1990 e foi
aprovado com a expedição do decreto presidencial nº 1171, de 22 de junho de 1994.

A instituição de um código de ética atual atendeu às necessidades observadas durante o governo


Itamar Franco. Em primeiro lugar, o movimento que havia conduzido ao impeachment do
presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, criou na opinião pública uma cobrança por
mecanismos eficientes de combate à corrupção. Além disso, a década de 1990 foi marcada por crises
institucionais, com mudanças no papel e na estrutura dos Estados-nações e, em consequência, uma
demanda por normas que orientassem a conduta dos agentes do Estado[4]. Assim, em dezembro
de 1993, o governo federal formou uma comissão especial presidida pelo jurista Modesto Carvalhosa,
que elaborou o documento aprovado no ano seguinte[5].

O Código foi complementado por iniciativas nos anos seguintes, como a criação de uma Comissão de
Ética Pública (em 1999) e o Código de Conduta da Alta Administração (2000)[6].

Recebeu alterações pelo Decreto nº 6.029, de 2007.[7]

Estrutura redacional

O Capítulo I trata das regras deontológicas, dos principais deveres do servidor público e das
vedações. O Capítulo II dispõe sobre as Comissões de Ética, responsáveis por fiscalizar o
cumprimento da norma. O funcionamento deficiente dessas comissões em cada órgão do serviço
público vem sendo o principal desafio para tornar o código efetivo[8].´

Recebeu alterações pelo Decreto nº 6.029, de 2007.[9]

Conclamações

A emanação do documento manda que todo servidor público busque autorrefletir-se na magistratura
do serviço público; entendendo que sua função serve ao engrandecimento da Nação.

O texto conclama a comunidade de servidores públicos que a consciência aos princípios morais para
com o bem público também refletirá na vida do próprio servidor, pois seu salário é custeado pela
comunidade de contribuintes, que inclui o servidor. Dispõe que o trabalho desenvolvido pelo servidor
deve ser compreendido, pelo próprio servidor, como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que,
como cidadão é integrante da mesma sociedade[10].

Norte Ético Mater

O documento aponta que o norte ético principal da ação do servidor público é decidir entre o honesto
e o desonesto e não somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o
inconveniente, o oportuno e o inoportuno.[11]

Função pública versus vida privada

O código reclama que o servidor deve perceber a sua função pública como exercício profissional e,
portanto, se integra na vida particular de cada servidor. Assim, as condutas, falatórios, fatos, atos e
atitudes construídas no cotidiano da sua vida privada e social poderão acrescer ou diminuir o seu
bom conceito funcional.[12]

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CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL
DO SERVIDOR PÚBLICO

Responsabilidades e etiquetas com os colegas

A letra do documento emana que o servidor deva ter como principio ético, respeito aos colegas, e no
capítulo das vedações diz que o servidor não pode prejudicar deliberadamente a reputação de outros
servidores ou de cidadãos que deles dependam.[13]

Alcoolismo

O código de ética veda que os servidores se apresentem embriagados no serviço e que mesmo fora
do serviço, a embriaguez habitual, atenta contra a moral da magistratura do serviço público.[14]

Abrangência

O diploma legal é da competência da administração Federal, porém, assim como a Lei 8.112/90 é
norteadora para os respectivos Estatutos do funcionalismo dos estados, Distrito Federal e dos
municípios, o Código de Ética da União também é base para a construção dos códigos das
administrações estaduais e municipais, por exemplo, o Código de Ética do Servidor Público Municipal
de São Carlos e ainda serve, por analogia, para entes que ainda não instituíram o código de ética que
lhes compete[15].

Socialização

O código deve ser divulgado por órgãos públicos, pelo próprio servidor público e pelos sindicatos.

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ÉTICA DO SERVIDOR

Ética do Servidor

Conteúdo:

1. Ética e Moral.

2. Princípios e Valores Éticos.

3. Ética e Democracia: exercício da cidadania.

4. Ética e Função Pública.

5. Ética no Setor Público.

5.1. Código de Ética Profissional do Serviço Público – Decreto n.º 1.171/94.

5.2. Código de Ética da ANATEL.

Ética

Atualmente, na sociedade contemporânea, há um questionamento muito grande sobre o que


éessencial e o que é secundário para o convívio social, levando a sociedade, por diversas vezes, a
umainversão de valores e sentimentos.

Embora esses questionamentos pareçam mais latentes em nossa época, na verdade elesnasceram
no momento em que o homem passou a viver em sociedade e, para tanto, começou aperceber a
necessidade de "regras" que regulamentassem esse convívio.

Dentro desse mundo de normas e regras, para obter-se o bom relacionamento social, destaca-se
sobremaneira a ética — objeto de nosso estudo.

A ética é uma ciência de estudo da filosofia e, durante toda a história, vários pensadores seocuparam
de entendê-la, visando à melhoria nas relações sociais. As normas éticas revelam a melhor forma de
o homem agir durante o seu relacionamento com a sociedade e em relação a si mesmo.

Sócrates, considerado o pai da filosofia, relaciona o agir moral com a sabedoria, afirmando quesó
quem tem conhecimento pode ver com clareza o melhor modo de agir em cada situação. Assimcomo
a teoria socrática, várias outras foram formuladas por meio da história, contribuindo de algumaforma
para a melhoria do agir humano e, conseqüentemente, para o convívio social.

Com o atual cenário político-social que vivemos, percebe-se que o estudo e aplicação denormas
éticas se fazem cada vez mais freqüentes e necessários ao desenvolvimento do país.

ÉTICA E MORAL

ÉTICA

Ética é a parte da filosofia que se ocupa do estudo do comportamento humano e investiga osentido
que o homem dá a suas ações para ser verdadeiramente feliz e alcançar, como diriam osgregos, o
"Bem viver".

A ética faz parte do nosso dia a dia. Em todas as nossas relações e atos, em algum grau,utilizamos
nossos valores éticos para nos auxiliar.

Em um sentido mais amplo, a ética engloba um conjunto de regras e preceitos de ordemvalorativa,


que estão ligados à prática do bem e da justiça, aprovando ou desaprovando a ação doshomens de
um grupo social ou de uma sociedade.

A palavra ética deriva do grego ethos, e significa "comportamento". Heidegger dá ao termo ethos o
significado de "morada do ser".

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ÉTICA DO SERVIDOR

A ética pode ser dividida em duas partes: ética normativa e metaética. A primeira propõe osprincípios
da conduta correta, enquanto a segunda investiga o uso de conceitos como bem e mal, certo e errado
etc.

O estudo da ética demonstra que a consciência moral nos inclina para o caminho da virtude, que
seria uma qualidade própria da natureza humana. Logo, um homem para ser ético
precisanecessariamente ser virtuoso, ou seja, praticar o bem usando a liberdade com
responsabilidadeconstantemente.

Nesse aspecto, percebe-se que "o agir" depende do ser. O lápis deve escrever, é de suanatureza
escrever; a lâmpada deve iluminar, é de sua natureza iluminar e ela deve agir dessa forma.

A única obrigação do homem é ser virtuoso, é de sua natureza ser virtuoso e agir comohomem.
Infelizmente um mal que tem aumentado é o de homens que não agem como homens.

Os preceitos éticos de uma sociedade são baseados em seus valores, princípios, ideais eregras, que
se con-solidam durante a formação do caráter do ser humano em seu convívio social.Essa formação
de conceitos se baseia no senso comum, que é um juízo ou conceito comumentesentido por toda
uma ordem, um povo ou uma nação, da sociedade em que esse homem estáinserido.

Para melhor entendimento do que é senso comum, tomemos o seguinte: uma criança queadoece
consegue explicar para os seus pais que está se sentindo mal, mesmo que racionalmente nãosaiba o
significado do termo "mal". Ela consegue dar a explicação porque tem a capacidade de "sentir"o que
a palavra significa.

Quando falamos em ética como algo presente no homem, não quer dizer que ele já nasce coma
consciência plena do que é bom ou mau. Essa consciência existe, mas se desenvolve mediante
o relacionamento com o meio social e com o autodescobrimento.

Nas palavras do intelectual baiano Divaldo Franco, "a consciência ética é a conquista dailuminação,
da lucidez intelecto moral, do dever solidário e humano".

Para uma vida plena é necessário recorrer à ética, à coragem para decifra-se, à confiança naprópria
vida, ao amor como a maior manifestação do ser humano no grupo social, ao respeito por si epelo
outro e, principal-mente, à verdade, estando acima de quaisquer interpretações, idéias ouopiniões.

MORAL

O termo moral deriva do latim — mos —, e significa costumes. A moral é a "ferramenta" detrabalho da
ética. Sem os juízos de valor aplicados pela moral, seria impossível determinar se a açãodo homem é
boa ou má.

Moral é o conjunto de normas, livre e consciente, adotado que visa organizar as relações
daspessoas, tendo como base o bem e o mal, com vistas aos costumes sociais.

Apesar de serem semelhantes, e por várias vezes se confundirem, ética e moral são termosaplicados
diferentemente. Enquanto o primeiro trata o comportamento humano como objeto de estudoe
normatização, procurando tomá-lo o mais abrangente possível, o segundo se ocupa de atribuir
umvalor à ação. Esse valor tem como referências as normas e conceitos do que vem a ser bem e
malbaseados no senso comum.

A moral possui um caráter subjetivo, que faz com que ela seja influenciada por vários fatores,
alterando, assim, os conceitos morais de um grupo para outro. Esses fatores podem ser sociais,
históricos, geográficos etc.

Observa-se, então, que a moral é dinâmica, ou seja, ela pode mudar seus juízos de valor deacordo
com o contexto em que esteja inserida.

Aristóteles, em seu livro A Política, descreve que "os pais sempre parecerão antiquados paraos seus
filhos". Essa afirmação demonstra que, na passagem de uma geração familiar para outra, osvalores
morais mudam radicalmente.

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ÉTICA DO SERVIDOR

Outro exemplo é o de que moradores de cidades praianas achem perfeitamente normal eaceitável
an-dar pelas ruas vestidos apenas com trajes de banho, ao passo que moradores de
cidadesinterioranas vêem com estranheza esse comportamento. Essa mudança de comportamento e
juízo devalor é provocada por um agente externo.

O ato moral tem em sua estrutura dois importantes aspectos: o normativo e o factual. Onormativo são
as normas e imperativos que enunciam o "dever ser". Ex: cumpra suas obrigações, nãominta, não
roube etc.

Os factuais são os atos humanos que se realizam efetivamente, ou seja, é a aplicação danorma no
dia a dia no convívio social.

O ato moral tem sua complexidade na medida em que afeta não somente a pessoa que age, mas
aqueles que a cercam e a própria sociedade. Portanto, para que um ato seja considerado moral,ou
seja, bom, deve ser livre, consciente, intencional e solidário.

Dessas características decorre a inserção da responsabilidade, exigindo da pessoa queassuma as


conseqüências por todos os seus atos, livre e conscientemente.

Por todos os aspectos que podem influenciar os valores do que vem a ser bom ou justo e, aliado a
isso, a diversificação de informações culturais que o mundo contemporâneo globalizado nosrevela em
uma velocidade espantosa, a ética e a moral tornam-se cada vez mais importantes, exigindoque sua
aplicabilidade se torne cada vez mais adequada ao contexto em que está inserida.

ÉTICA: PRINCÍPIOS E VALORES

Principios

Princípio é onde alguma coisa ou conhecimento se origina. Também pode ser definido como conjunto
de regras ou código de (boa) conduta pelos quais alguém governa a sua vida e as suasações.

Fazendo uma análise minuciosa desses conceitos, percebe-se que os princípios que regem anossa
conduta em sociedade são aqueles conceitos ou regras que aprendemos por meio do convívio,
passados geração após geração.

Esses conhecimentos se originaram, em algum momento, no grupo social em que estão inseridos,
convencionando-se que sua aplicação é boa, sendo aceita pelo grupo.

Quando uma pessoa afirma que determinada ação fere seus princípios, ela está se referindo aum
conceito, ou regra, que foi originado em algum momento em sua vida ou na vida do grupo social
emque está inserida e que foi aceito como ação moralmente boa.

Valores

Nas mais diversas sociedades, independentemente do nível cultural, econômico ou social emque
estejam inseri-das, os valores são fundamentais para se determinar quais são as pessoas queagem
tendo por finalidade o bem.

O caráter dos seres, pelo qual são mais ou menos desejados ou estimados por uma pessoa ougrupo,
é deter-minado pelo valor de suas ações. Sua ação terá seu valor aumentado na medida emque for
desejada e copiada por mais pessoas do grupo.

Todos os termos que servem para qualificar uma ação ou o caráter de uma pessoa têm umpeso
"bom" e um peso "ruim". Citam-se como exemplo os termos honesto e desonesto, generoso eegoísta,
verdadeiro e falso.

Os valores dão "peso" à ação ou caráter de uma pessoa ou grupo. Esse peso pode ser bom ouruim.
Kant afirmava que toda ação considerada moralmente boa deveria ser necessariamenteuniversal, ou
seja, ser boa em qualquer lugar e em qualquer tempo. Infelizmente o ideal kantiano devalor e
moralidade está muito longe de ser alcançado, pois as diversidades culturais e sociais fazemcom que
o valor dado a determinadas ações mude de acordo com o contexto em que está inserido.

ÉTICA E DEMOCRACIA

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ÉTICA DO SERVIDOR

O Brasil ainda caminha a passos lentos no que diz respeito à ética, principalmente no cenáriopolítico
que se revela a cada dia, porém é inegável o fato de que realmente a moralidade temavançado.

Vários fatores contribuíram para a formação desse quadro caótico. Entre eles os principais sãoos
golpes de estados — Golpe de 1930 e Golpe de 1964.

Durante o período em que o país viveu uma ditadura militar e a democracia foi colocada delado,
tivemos a suspensão do ensino de filosofia e, conseqüentemente, de ética, nas escolas
euniversidades. Aliados a isso tivemos os direitos políticos do cidadão suspensos, a liberdade
deexpressão caçada e o medo da repressão.

Como conseqüência dessa série de medidas arbitrárias e autoritárias, nossos valores morais esociais
foram se perdendo, levando a sociedade a uma "apatia" social, mantendo, assim, os valoresque o
Estado queria impor ao povo.

Nos dias atuais estamos presenciando uma "nova era" em nosso país no que tange àaplicabilidade
das leis e da ética no poder: os crimes de corrupção e de desvio de dinheiro estão sendomais
investigados e a polícia tem trabalhado com mais liberdade de atuação em prol da moralidade edo
interesse público, o que tem levado os agentes públicos a refletir mais sobre seus atos antes
decometê-los.

Essa nova fase se deve principalmente à democracia implantada como regime político com
aConstituição de 1988.

Etimologicamente, o termo democracia vem do grego demokratía, em que demo significa governo e
kratía, povo. Logo, a definição de democracia é "governo do povo".

A democracia confere ao povo o poder de influenciar na administração do Estado. Por meio dovoto, o
povo é que determina quem vai ocupar os cargos de direção do Estado. Logo, insere-se
nessecontexto a responsabilidade tanto do povo, que escolhe seus dirigentes, quanto dos escolhidos,
quedeverão prestar contas de seus atos no poder.

A ética tem papel fundamental em todo esse processo, regulamentando e exigindo dosgovernantes o
comporta-mento adequado à função pública que lhe foi confiada por meio do voto, econferindo ao
povo as noções e os valores necessários para o exercício de seus deveres e cobrançados seus
direitos.

E por meio dos valores éticos e morais – determinados pela sociedade – que podemosperceber se os
atos come-tidos pelos ocupantes de cargos públicos estão visando ao bem comum ouao interesse
público.

EXERCÍCIO DA CIDADANIA

Todo cidadão tem direito a exercer a cidadania, isto é, seus direitos de cidadão; direitos essesque
são garantidos constitucionalmente nos princípios fundamentais.

Exercer os direitos de cidadão, na verdade, está vinculado a exercer também os deveres decidadão.
Por exemplo, uma pessoa que deixa de votar não pode cobrar nada do governante que estáno poder,
afinal ela se omitiu do dever de participar do processo de escolha dessa pessoa, e com essaatitude
abriu mão também dos seus direitos.

Direitos e deveres andam juntos no que tange ao exercício da cidadania. Não se podeconceber um
direito sem que antes este seja precedido de um dever a ser cumprido; é uma via de mãodupla, seus
direitos aumentam na mesma proporção de seus deveres perante a sociedade.

Constitucionalmente, os direitos garantidos, tanto individuais quanto coletivos, sociais oupolíticos, são
precedidos de responsabilidades que o cidadão deve ter perante a sociedade. Por exemplo, a
Constituição garante o direito à propriedade privada, mas exige-se que o proprietário sejaresponsável
pelos tributos que o exercício desse direito gera, como o pagamento do IPTU.

Exercer a cidadania por conseqüência é também ser probo, agir com ética assumindo
aresponsabilidade que advém de seus deveres enquanto cidadão inserido no convívio social.

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ÉTICA E FUNÇÃO PÚBLICA

Função pública é a competência, atribuição ou encargo para o exercício de determinadafunção.


Ressalta-se que essa função não é livre, devendo, portanto, estar o seu exercício sujeito aointeresse
público, da coletividade ou da Administração. Segundo Maria Sylvia Z. Di Pietro, função "é oconjunto
de atribuições às quais não corres-ponde um cargo ou emprego".

No exercício das mais diversas funções públicas, os servidores, além das normatizaçõesvigentes nos
órgão e entidades públicas que regulamentam e determinam a forma de agir dos agentespúblicos,
devem respeitar os valores éticos e morais que a sociedade impõe para o convívio em grupo.A não
observação desses valores acarreta uma série de erros e problemas no atendimento ao públicoe aos
usuários do serviço, o que contribui de forma significativa para uma imagem negativa do órgão edo
serviço.

Um dos fundamentos que precisa ser compreendido é o de que o padrão ético dos servidorespúblicos
no exercício de sua função pública advém de sua natureza, ou seja, do caráter público e desua
relação com o público.

O servidor deve estar atento a esse padrão não apenas no exercício de suas funções, mas 24horas
por dia durante toda a sua vida. O caráter público do seu serviço deve se incorporar à sua
vidaprivada, a fim de que os valores morais e a boa-fé, amparados constitucionalmente como
princípiosbásicos e essenciais a uma vida equilibrada, se insiram e sejam uma constante em seu
relacionamentocom os colegas e com os usuários do serviço.

Os princípios constitucionais devem ser observados para que a função pública se integre deforma
indissociável ao direito. Esses princípios são:

Legalidade – todo ato administrativo deve seguir fielmente os meandros da lei.

Impessoalidade – aqui é aplicado como sinônimo de igualdade: todos devem ser tratados deforma
igualitária e respeitando o que a lei prevê.

Moralidade – respeito ao padrão moral para não comprometer os bons costumes da sociedade.

Publicidade – refere-se à transparência de todo ato público, salvo os casos previstos em lei.

Eficiência – ser o mais eficiente possível na utilização dos meios que são postos a suadisposição
para a execução do seu mister.

ÉTICA NO SETOR PÚBLICO

Durante as últimas décadas, o setor público foi alvo, por parte da mídia e de um senso
comumvigente, de um processo deliberado de formação de uma caricatura, que transformou sua
imagem noestereótipo de um setor que não funciona, é muito burocrático e custa muito caro à
população.

O cidadão, mesmo bem atendido por um servidor público, não consegue sustentar uma boaimagem
do serviço e do servidor, pois o que faz a imagem de uma empresa ou órgão parecer boadiante da
população é o atendimento de seus funcionários, e por mais que os servidores sérios eresponsáveis
se esforcem, existe uma minoria que con-segue facilmente acabar com todos os esforçoslevados a
cabo pelos bons funcionários.

Aliados a isso, têm-se, em nosso cenário político atual, constantes denúncias de corrupção,lavagem
de dinheiro, uso inadequado da máquina pública e muitos outros que vêm a contribuir deforma
destrutiva para a imagem do servidor e do serviço públicos.

Esse conjunto caótico de fatores faz com que a opinião pública, por diversas vezes, seposicione
contra o setor e os servidores públicos, levando em conta apenas aquilo que, infelizmente, édivulgado
nos jornais, revista e redes de televisão.

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Nesse ponto, a ética se insere de maneira determinante para contribuir e melhorar a qualidadedo
atendimento, inserindo no âmbito do poder público os princípios e regras necessários ao
bomandamento do serviço e ao respeito aos usuários.

Os novos códigos de ética, além de regulamentar a qualidade e o trato dispensados aosusuários e ao


serviço público e de trazer punições para os que descumprem as suas normas, tambémtêm a função
de proteger a imagem e a honra do servidor que trabalha seguindo fielmente as regrasnele contidos,
contribuindo, assim, para uma melhoria na imagem do servidor e do órgão perante apopulação.

Ética e Moral

O que é Ética e Moral:

No contexto filosófico, ética e moral possuem diferentes significados. A ética está associada ao
estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade,
enquanto a moral são os costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade.

Os termos possuem origem etimológica distinta. A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que significa
“modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra “moral” tem origem no termo latino “morales” que significa
“relativo aos costumes”.

Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao


tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão
sobre a moral.

Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão.
Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é
moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.

No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São ambas responsáveis por
construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo e
virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade.

O significado de Ética e Moral

O que é Ética:

Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é
derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter.

Num sentido menos filosófico e mais prático podemos compreender um pouco melhor esse conceito
examinando certas condutas do nosso dia a dia, quando nos referimos por exemplo, ao
comportamento de alguns profissionais tais como um médico, jornalista, advogado, empresário, um
político e até mesmo um professor. Para estes casos, é bastante comum ouvir expressões como:
ética médica, ética jornalística, ética empresarial e ética pública.

A ética pode ser confundida com lei, embora, com certa frequência, a lei tenha como base princípios
éticos. Porém, diferentemente da lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por
outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a
estas; mas a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas pela ética.

A ética abrange uma vasta área, podendo ser aplicada à vertente profissional. Existem códigos
de ética profissional que indicam como um indivíduo deve se comportar no âmbito da sua profissão.
A ética e a cidadania são dois dos conceitos que constituem a base de uma sociedade próspera.

Ética e Moral

Ética e moral são temas relacionados, mas são diferentes, porque moral se fundamenta na
obediência a normas, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos e a ética, busca
fundamentar o modo de viver pelo pensamento humano.

Na filosofia, a ética não se resume à moral, que geralmente é entendida como costume, ou hábito,
mas busca a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver; a busca do melhor estilo

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de vida. A ética abrange diversos campos, como antropologia, psicologia, sociologia, economia,
pedagogia, política, e até mesmo educação física e dietética.

Ética no Serviço Público

O tema da ética no serviço público está diretamente relacionada com a conduta dos funcionários que
ocupam cargos públicos. Tais indivíduos devem agir conforme um padrão ético, exibindo valores
morais como a boa fé e outros princípios necessários para uma vida saudável no seio da sociedade.

Quando uma pessoa é eleita para um cargo público, a sociedade deposita nela confiança, e espera
que ela cumpra um padrão ético. Assim, essa pessoa deve estar ao nível dessa confiança e exercer a
sua função seguindo determinados valores, princípios, ideais e regras. De igual forma, o servidor
público deve assumir o compromisso de promover a igualdade social, de lutar para a criação de
empregos, de desenvolver a cidadania e de robustecer a democracia. Para isso ele deve estar
preparado para pôr em prática políticas que beneficiem o país e a comunidade no âmbito social,
econômico e político.

Um profissional que desempenha uma função pública deve ser capaz de pensar de forma estratégica,
inovar, cooperar, aprender e desaprender quando necessário, elaborar formas mais eficazes de
trabalho. Infelizmente os casos de corrupção no âmbito do serviço público são fruto de profissionais
que não trabalham de forma ética.

Ética Imobiliária

A ética no ramo imobiliário diz respeito à forma como os agentes ou corretores imobiliários interagem
com os possíveis clientes.

No mercado imobiliário, um dos valores mais importantes é a credibilidade, que é um valor que se
conquista trabalhando de forma ética. Muitos agentes imobiliários forçam uma venda ou um imóvel,
sendo que muitas vezes escondem detalhes que sabem que irão prejudicar o cliente no futuro.
Trabalhar de forma ética é pensar no bem comum e deixar o individualismo para trás. O profissional
deve procurar a satisfação mútua das partes. Quando um negócio é conduzido e fechado e forma
ética, a probabilidade da fidelização do cliente é muito maior.

O mundo imobiliário lida com mercadorias intangíveis, como a ética, o bom senso, a criatividade, o
profissionalismo, o conhecimento do produto, etc. Desta forma, um agente imobiliário inteligente,
profissional e com ética atua com justiça e decência, sabendo que o âmago da sua profissão não é
lidar com imóveis e sim construir relações saudáveis e tornar sonhos em realidade.

O empresário Fábio Azevedo afirma que: "Para vender com ética, primeiro, venda para você mesmo,
depois compre de você mesmo, se você ficar satisfeito, estará no caminho."

Ética a Nicômaco

O livro intitulado "Ética a Nicômaco" é da autoria de Aristóteles e foi dedicado ao seu pai, cujo nome
era Nicômaco. Esta é a principal obra de Aristóteles sobre Ética e é constituída por dez livros, onde
Aristóteles é como um pai que está preocupado com a educação e felicidade do seu filho, mas
também tem por objetivo fazer com que as pessoas pensem sobre as suas ações, colocando assim a
razão acima das paixões, procurando a felicidade individual e coletiva, porque o ser humano vive em
sociedade e as suas atitudes devem ter em vista o bem comum. Nas obras aristotélicas, a ética é
vista como parte da política que precede a própria política, e está relacionada com o indivíduo,
enquanto que a política retrata o homem na sua vertente social.

Para Aristóteles, toda a racionalidade prática visa um fim ou um bem e a ética tem como propósito
estabelecer a finalidade suprema que está acima e justifica todas as outras, e qual a maneira de
alcançá-la. Essa finalidade suprema é a felicidade, e não se trata dos prazeres, riquezas, honras, e
sim de uma vida virtuosa, sendo que essa virtude se encontra entre os extremos e só é alcançada por
alguém que demonstre prudência.

Esta obra foi muito importante para a história da filosofia, uma vez que foi o primeiro tratado sobre o
agir humano da história.

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O significado de Ética está na categoria: Filosofia

O que é Ética e Cidadania:

Ética e cidadania são dois conceitos fulcrais na sociedade humana. A ética e cidadania estão
relacionados com as atitudes dos indivíduos e a forma como estes interagem uns com os outros na
sociedade.

Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada
do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter. A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que
significa “modo de ser” ou “caráter”.

Cidadania significa o conjunto de direitos e deveres pelo qual o cidadão, o indivíduo está sujeito no
seu relacionamento com a sociedade em que vive. O termo cidadania vem do latim, civitas que quer
dizer “cidade”.

Um dos pressupostos da cidadania é a nacionalidade, pois desta forma ele pode cumprir os seus
direitos políticos. No Brasil os direitos políticos são orquestrados pela Constituição Federal. O
conceito de cidadania tem se tornado mais amplo com o passar do tempo, porque está sempre em
construção, já que cada vez mais a cidadania diz respeito a um conjunto de parâmetros sociais.

A cidadania pode ser dividida em duas categorias: cidadania formal e substantiva. A cidadania
formal é referente à nacionalidade de um indivíduo e ao fato de pertencer a uma determinada
nação. A cidadania substantiva é de um caráter mais amplo, estando relacionada com direitos
sociais, políticos e civis. O sociólogo britânico T.H. Marshall afirmou que a cidadania só é plena se for
dotada de direito civil, político e social.

Com o passar dos anos, a cidadania no Brasil sofreu uma evolução no sentido da conquista dos
direitos políticos, sociais e civis. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer, tendo em conta
os milhões que vivem em situação de pobreza extrema, a taxa de desemprego, um baixo nível de
alfabetização e a violência vivida na sociedade.

A ética e a moral têm uma grande influência na cidadania, pois dizem respeito à conduta do ser
humano. Um país com fortes bases éticas e morais apresenta uma forte cidadania.

O significado de Ética e Cidadania

A diferença entre ética e moral

Embora estejam relacionados entre si, os termos 'ética' e 'moral' são dois conceitos distintos. Saiba
mais sobre cada um destes conceitos filosóficos

Os termos “ética” e “moral” são comumente utilizados como sinônimos, mas, embora estejam
relacionados entre si, são dois conceitos distintos. No contexto filosófico, ética e moral são dois
termos que se complementam, mas que possuem a origem etimológica e significados diferentes.

O que é ética?

A palavra “ética” é proveniente do grego “ethos”, que significa, literalmente, “morada”, “habitat”,
“refúgio”, ou seja, o lugar onde as pessoas habitam. No entanto, para os filósofos, este termo se
refere a “modo de ser”, “caráter”, “índole”, “natureza”.

O filósofo Aristóteles acreditava que a ética é caracterizada pela finalidade e pelo objetivo a ser
atingido, que seria viver bem, ter uma boa vida, juntamente e para os outros.

Neste sentido, pode-se considerar a ética como um tipo de postura e que se refere a um modo de
ser, à natureza da ação humana. Trata-se de uma maneira de lidar com as situações da vida e do
modo como estabelecemos relações com outra pessoa. Quais são as nossas responsabilidades
pessoais em uma relação com o outro? Como lidamos com as outras pessoas em sociedade? Uma
conduta ética pode ser um tipo de comportamento mediado por princípios e valores morais.

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A palavra “ética” também pode ser definida como um conjunto de conhecimentos extraídos da
investigação do comportamento humano na tentativa de explicar as regras morais de forma racional e
fundamentada. Neste sentido, trata-se de uma reflexão sobre a moral.

Desta maneira, pode-se afirmar que a ética é a parte da filosofia que estuda a moral, pois reflete e
questiona sobre as regras morais.

O que é moral?

A palavra “moral” é originária do termo latino “Morales”, que significa “relativo aos costumes”, isto é,
aquilo que se consolidou como sendo verdadeiro do ponto de vista da ação.

A moral pode ser definida como o conjunto de regras aplicados no cotidiano e que são utilizadas
constantemente por cada cidadão. Tais regras orientam cada indivíduo que vive na sociedade,
norteando os seus julgamentos sobre o que é certo ou errado, moral ou imoral, e as suas ações.

Desta maneira, a moral é fruto do padrão cultural vigente e engloba as regras tidas como necessárias
para o bom convívio entre os membros que fazem parte de determinada sociedade.

A moral é formada pelos valores previamente estabelecidos pela própria sociedade e os


comportamentos socialmente aceitos e passíveis de serem questionados pela ética.

Pode-se afirmar que, ao falarmos de moral, os julgamentos de certo ou errado dependerão do lugar
onde se está.

Por fim, pode-se considerar que a ética engloba determinados tipos de comportamentos, sejam eles
considerados corretos ou incorretos; já a moral estabelece as regras que permitem determinar se o
comportamento é correto ou não.

Se considerarmos o sentido prático, a finalidade da ética e da moral é bastante semelhante, pois


ambas são responsáveis por construir as bases que guiarão a conduta do homem, determinando o
seu caráter e a sua forma de se comportar em determinada sociedade.

Ética, princípios e valores

Para entendermos os princípios e valores éticos é necessário entender o que é ética.

Em termos mais práticos, a ética é a área da filosofia que estuda as condutas do ser humano em
sociedade. Comportamentos éticos são aqueles comportamentos considerados corretos, que não
ferem a lei, o direito de outra (s) pessoa (s) ou qualquer espécie de juramento feito anteriormente. Por
esses motivos é comum ouvir expressões como ética médica, ética jurídica, ética empresarial, ética
governamental, ética pública etc.

A ética pode parecer ser semelhante a lei, mas nem tanto. Certamente, todas as leis deveriam ser
regidas por princípios éticos. Mas a ética em si tem a ver com a conduta de um cidadão frente a seus
semelhantes, é uma questão de respeito pela vida, patrimônio e bem estar próprio e alheio. Ética é
questão de honestidade e de retidão de caráter. A lei não cobre todos os princípios éticos e nem toda
atitude antiética é criminosa. Por exemplo, a mentira é algo antiético, mas mentir em si não é
considerado crime.

Fonte: Meus dicionários

Princípios e valores éticos

Igualdade

Liberdade

Solidariedade

Honestidade

Justiça

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Responsabilidade

Respeito

Confiança

Disciplina

Igualdade:

Parte do princípio que as pessoas devem ser consideradas iguais, não deve haver preferência de
classe de pessoas. As pessoas devem ter as mesmas oportunidades e obrigações.

A ética sabe que existe uma desigualdade, muitas vezes por fatores históricos, biológicos e etc., mas
que todos devem ter as mesmas oportunidades e obrigações.

Aristóteles dizia que o princípio da igualdade não é tratar todos iguais e sim que os iguais devem ser
tratados de forma igual e os desiguais de maneira desigual na medida de sua desigualdade.

O princípio da igualdade busca fazer com que todos se tornem igual. Se duas pessoas estão na
mesma situação, sem distinção nenhuma, devem ser tratadas de forma igual. Agora se na pratica
existe alguma desigualdade, estas pessoas devem ser tratadas de forma diferente para reduzir esta
desigualdade

Liberdade:

Liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio, de acordo com a própria vontade,
desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém.
Liberdade é também um conjunto de ideias liberais e dos direitos de cada cidadão.

Liberdade é classificada pela filosofia, como a independência do ser humano, o poder de ter
autonomia e espontaneidade. A liberdade é um conceito utópico, uma vez que é questionável se
realmente os indivíduos tem a liberdade que dizem ter, se com as mídias ela realmente existe, ou
não. Diversos pensadores e filósofos dissertaram sobre a liberdade, como Sartre, Descartes, Kant,
Marx e outros.

A liberdade de expressão é a garantia e a capacidade dada a um indivíduo, que lhe permite


expressar as suas opiniões e crenças sem ser censurado. Apesar disso, estão previstos alguns casos
em que se verifica a restrição legítima da liberdade de expressão, quando a opinião ou crença tem o
objetivo discriminar uma pessoa ou grupo específico através de declarações injuriosas e difamatórias.

Com origem no termo em latim libertas, a palavra liberdade também pode ser usada em sentido
figurado, podendo ser sinônimo de ousadia, franqueza ou familiaridade. Ex: Como você chegou tarde,
eu tomei a liberdade de pedir o jantar para você.

De acordo com a ética, a liberdade está relacionada com responsabilidade, uma vez que um
indivíduo tem todo o direito de ter liberdade, desde que essa atitude não desrespeite ninguém, não
passe por cima de princípios éticos e legais. Segundo a filosofia, liberdade é o conjunto de direitos de
cada indivíduo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo do país em que
reside; é o poder qualquer cidadão tem de exercer a sua vontade dentro dos limites da lei.

Solidariedade

Solidariedade é o substantivo feminino que indica a qualidade de solidário e um sentimento de


identificação em relação ao sofrimento dos outros.

A palavra solidariedade tem origem no francês solidarité que também pode remeter para uma
responsabilidade recíproca.

Em muitos casos, a solidariedade não significa apenas reconhecer a situação delicada de uma
pessoa ou grupo social, mas também consiste no ato de ajudar essas pessoas desamparadas.

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Solidariedade etimologicamente significa “dar a quem está só”; portanto ela implica uma inter-relação
ou uma interdependência. A solidariedade é, então, é uma assistência recíproca. Ela brota da
percepção de que o mal do outro que está só não pertence só a ele, mas à coletividade, e esta deve
combatê-lo; é uma alteridade que supera o egoísmo. Aqui você deve estar se perguntando o por que
conhecer este valores e virtudes, a nós importa muito saber, compreender e executar, afinal, eis que
já percebemos quão complicado é o caos que nos encontramos e neste sentido a nós ficou a
incumbência de vivermos uma vida cada vez melhor. E vamos em frente!

Honestidade

Honestidade é a palavra que indica a qualidade de ser verdadeiro: não mentir, não fraudar, não
enganar. Quanto à etimologia, a palavra honestidade tem origem no latim honos, que remete para
dignidade e honra. A honestidade pode ser uma característica de uma pessoa ou instituição, significa
falar a verdade, não omitir, não dissimular. O indivíduo que é honesto repudia a malandragem e a
esperteza de querer levar vantagem em tudo.

Honestidade, de maneira explícita, é a obediência incondicional às regras morais existentes. Existem


alguns procedimentos para alguns tipos de ações, que servem como guia, como referência para as
decisões. Exercer a honestidade em caráter amplo é muito difícil, porque existem as convenções
sociais que nem sempre espelham a realidade, mas como estão formalizadas e enraizadas são tidas
como certas. Para muitos, a pessoa honesta é aquela que não mente, não furta, não rouba, vive uma
vida honesta para ter alegria, paz, respeito dos outros e boas amizades. Atualmente, o conceito de
honestidade está meio deturpado, uma vez que os indivíduos que agem corretamente são chamados
de “caretas”, ou são humilhados por outros.

Pressupondo clareza de intenção, a honestidade, pela qual o ser humano adquiri a si mesmo,
resolvendo e determinando seus atos, sendo um caminho do meio entre o medo e a temeridade. O
respeito aos bens alheios, sejam públicos ou privados; A honestidade é a consequência mais
imediata da justiça; é a qualidade ou o atributo ligado à inteireza, à honradez, à pureza e à decência;
portanto, é um apreço, consideração ou estima pelas ações boas; é um sentimento da própria
dignidade com o brio e a coragem dos deveres cumpridos alimentados por um ideal, moral.

Justiça

Justiça é a particularidade do que é justo e correto, como o respeito à igualdade de todos os


cidadãos, por exemplo. Etimologicamente, este é um termo que vem do latim justitia. É o princípio
básico que mantém a ordem social através da preservação dos direitos em sua forma legal.

A Justiça pode ser reconhecida por mecanismos automáticos ou intuitivos nas relações sociais, ou
por mediação através dos tribunais.

Em Roma, a justiça é representada por uma estátua, com olhos vendados, que significa que “todos
são iguais perante a lei” e “todos têm iguais garantias legais”, ou ainda, “todos têm iguais direitos”. A
justiça deve buscar a igualdade entre todos.

Conceito de Aristóteles: “O hábito segundo o qual, com constante e perfeita vontade, se dá a cada
qual o seu direito ou o que lhe pertence”. Sendo um hábito ela é adquirida pela pessoa com
exercícios e prática na vida em geral, e no caso que estamos estudando na empresa em particular.

A forma mais profunda encontra-se na delicadeza da consciência em promover os direitos


fundamentais do ser humano à vida, à liberdade, à segurança, à verdade, à felicidade, à honra, à
dignidade, etc., ultrapassando mesmo as medidas estabelecidas pela sociedade.

Em uma empresa o ser humano justo se preocupa não apenas com seu bem-estar, mas igualmente
com seu entorno, dedicando atenção, por exemplo, tanto às questões interpessoais quanto
socioambientais.

Responsabilidade

Responsabilidade é um substantivo feminino com origem no latim e que demonstra a qualidade do


que é responsável, ou obrigação de responder por atos próprios ou alheios, ou por uma coisa
confiada.

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A palavra responsabilidade está relacionada com a palavra em latim respondere, que significa
“responder, prometer em troca”. Desta forma, uma pessoa que seja considerada responsável por uma
situação ou por alguma coisa, terá que responder se alguma coisa corre de forma desastrosa.

Na nossa sociedade a responsabilidade é uma característica muito apreciada e muito procurada,


especialmente no mercado de trabalho, onde um trabalhador responsável é devidamente
recompensado pela sua responsabilidade.

A responsabilidade social é uma característica cada vez mais importante no mundo empresarial. Os
consumidores estão cada vez mais conscientes em relação à influência que as empresas têm na
sociedade e cada vez mais dão preferência às empresas que demonstram ter uma consciência
social.

Respeito

Respeito é um substantivo masculino oriundo do latim respectus que é um sentimento positivo e


significa ação ou efeito de respeitar, apreço, consideração, deferência.

Na sua origem em latim, a palavra respeito significava “olhar outra vez”. Assim, algo que merece um
segundo olhar é algo digno de respeito. Por esse motivo, respeito também pode ser uma forma de
veneração, de prestar culto ou fazer uma homenagem a alguém, como indica a expressão
“apresentar os seus respeitos”. Ter respeito por alguém também pode implicar um comportamento de
submissão e temor.

O respeito é um dos valores mais importantes do ser humano e tem grande importância na interação
social. O respeito impede que uma pessoa tenha atitudes reprováveis em relação a outra. Muitas
religiões abordam o tema do respeito ao próximo, porque o respeito mútuo representa uma das
formas mais básicas e essenciais para uma convivência saudável.

Uma das importantes questões sobre o respeito é que para ser respeitado é preciso saber respeitar,
o que em muitos casos não acontece. Respeitar não significa concordar em todos as áreas com outra
pessoa, mas significa não discriminar ou ofender essa pessoa por causa da sua forma de viver ou
suas escolhas (desde que essas escolhas não causem dano e desrespeitem os outros).

Confiança

A confiança é o sentimento de segurança ou a firme convicção (a fé) que alguém tem relativamente a
outra pessoa ou a algo. Também se trata da presunção de si próprio e de uma característica que
permite levar a cabo coisas ou situações por norma difíceis.

A confiança supõe uma suspensão, pelo menos temporária, da incerteza relativamente às ações dos
outros. Quando alguém confia no outro, está convicto de que consegue prever as ações e os
comportamentos deste. A confiança vem portanto simplificar as relações sociais.

Disciplina

Disciplina é a obediência ao conjunto de regras e normas que são estabelecidos por determinado
grupo. Também pode se referir ao cumprimento de responsabilidades específicas de cada pessoa.

Do ponto de vista social, a disciplina ainda representa a boa conduta do indivíduo, ou seja, a
característica da pessoa que cumpre as ordens existentes na sociedade.

Neste aspecto, o oposto de disciplina é a indisciplina, quando há a falta de ordem, regra,


comportamento ou de respeito pelos regulamentos.

Ética

A palavra "ética" vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao "bom costume", "costume
superior", ou "portador de caráter". Princípios universais, ações que acreditamos e não mudam
independentemente do lugar onde estamos.

Diferencia-se da moral pois, enquanto esta se fundamenta na obediência a costumes e hábitos


recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar as ações morais exclusivamente pela razão.[1][2]

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Na filosofia clássica, a ética não se resumia à moral (entendida como "costume", ou "hábito",
do latim mos, mores), mas buscava a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver
e conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida, tanto na vida privada quanto em público. A ética
incluía a maioria dos campos de conhecimento que não eram abrangidos
na física, metafísica, estética, na lógica, na dialética e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os
campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia,
às vezes política, e até mesmo educação física e dietética, em suma, campos direta ou indiretamente
ligados ao que influi na maneira de viver ou estilo de vida. Um exemplo desta visão clássica da ética
pode ser encontrado na obra Ética, de Spinoza.

Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu


à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente
da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que
atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais
nas sociedades humanas"[3] e busca explicar e justificar os costumes de um determinado
agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns.
Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a
qualidade desta conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e do Mal.

A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como
base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido,
pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela
desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo
da ética.

Definição e Objeto de Estudo

O estudo da ética dentro da filosofia, pode-se dividir em sub-ramos, após o advento da filosofia
analítica no século XX, em contraste com a filosofia continental ou com a tradição filosófica. Estas
subdivisões são:

• Metaética, sobre a teoria da significação e da referencia dos termos e proposições morais e como
seus valores de verdade podem ser determinados

• Ética normativa, sobre os meios práticos de se determinar as ações morais

• Ética aplicada, sobre como a moral é aplicada em situações específicas

• Ética descritiva, também conhecido como ética comparativa, é o estudo das visões, descrições e
crenças que se tem acerca da moral

• Ética Moral, trata-se de uma reflexão sobre o valor das ações sociais consideradas tanto no
âmbito coletivo como no âmbito individual.

Termo

Em seu sentido mais abrangente, o termo "ética" implicaria um exame dos hábitos da espécie
humana e do seu caráter em geral, e envolveria até mesmo uma descrição ou história dos hábitos
humanos em sociedades específicas e em diferentes épocas. Um campo de estudos assim seria
obviamente muito vasto para poder ser investigado por qualquer ciência ou filosofia particular. Além
disso, porções desse campo já são ocupadas pela história, pela antropologia e por algumas ciências
naturais particulares (como, por exemplo, a fisiologia, a anatomia e a biologia), se considerarmos que
o pensamento e a realização artística são hábitos humanos normais e elementos de seu caráter. No
entanto, a ética, propriamente dita, restringe-se ao campo particular do caráter e da conduta humana
à medida que esses estão relacionados a certos princípios – comumente chamados de "princípios
morais". As pessoas geralmente caracterizam a própria conduta e a de outras pessoas empregando
adjetivos como "bom", "mau", "certo" e "errado".

A ética investiga justamente o significado e escopo desses adjetivos tanto em relação à conduta
humana como em seu sentido fundamental e absoluto.

Outras Definições

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Já houve quem definisse a ética como a "ciência da conduta". Essa definição é imprecisa por várias
razões. As ciências são descritivas ou experimentais, mas uma descrição exaustiva de quais ações
ou quais finalidades são ou foram chamadas, no presente e no passado, de "boas" ou "más"
encontra-se obviamente além das capacidades humanas. E os experimentos em questões morais
(sem considerar as consequências práticas inconvenientes que provavelmente propiciariam) são
inúteis para os propósitos da ética, pois a consciência moral seria instantaneamente chamada para a
elaboração do experimento e para fornecer o tema de que trata o experimento. A ética é uma
filosofia, não uma ciência. A filosofia é um processo de reflexão sobre os pressupostos subjacentes
ao pensamento irrefletido. Na lógica e na metafísica ela investiga, respectivamente, os próprios
processos de raciocínio e as concepções de causa, substância, espaço e tempo que a consciência
científica ordinária não tematiza nem critica. No campo da ética, a filosofia investiga a consciência
moral, que desde sempre pronuncia juízos morais sem hesitação, e reivindica autoridade para
submeter a críticas contínuas as instituições e formas de vida social que ela mesma ajudou a criar.[4]

Quando começa a especulação ética, concepções como as de dever, responsabilidade e vontade –


tomadas como objetos últimos de aprovação e desaprovação moral – já estão dadas e já se
encontram há muito tempo em operação. A filosofia moral, em certo sentido, não acrescenta nada a
essas concepções, embora as apresente sob uma luz mais clara. Os problemas da consciência
moral, no instante em que essa pela primeira vez se torna reflexiva, não se apresentam, estritamente
falando, como problemas filosóficos.[4]

Ela se ocupa dessas questões justamente porque cada indivíduo que deseja agir corretamente é
constantemente chamado a responder questões como, por exemplo, "Que ação particular atenderá
os critérios de justiça sob tais e tais circunstâncias?" ou "Que grau de ignorância permitirá que esta
pessoa particular, nesse caso particular, exima-se de responsabilidade?" A consciência moral tenta
obter um conhecimento tão completo quanto possível das circunstâncias em que a ação considerada
deverá ser executada, do caráter dos indivíduos que poderão ser afetados, e das consequências (à
medida que possam ser previstas) que a ação produzirá, para então, em virtude de sua própria
capacidade de discriminação moral, pronunciar um juízo.[4]

O problema recorrente da consciência moral, "O que devo fazer?", é um problema que recebe uma
resposta mais clara e definitiva à medida que os indivíduos se tornam mais aptos a aplicar, no curso
de suas experiências morais, aqueles princípios da consciência moral que, desde o princípio, já eram
aplicados naquelas experiências. Entretanto, há um sentido em que se pode dizer que a filosofia
moral tem origem em dificuldades inerentes à natureza da própria moralidade, embora permaneça
verdade que as questões que a ética procura responder não são questões com as quais a própria
consciência moral jamais tenha se confrontado.[4]

O fato de que os seres humanos dão respostas diferentes a problemas morais que pareçam
semelhantes ou mesmo o simples fato de que as pessoas desconsideram, quando agem
imoralmente, os preceitos e princípios implícitos da consciência moral produzirão certamente, cedo ou
tarde, o desejo de, por um lado, justificar a ação imoral e pôr em dúvida a autoridade da consciência
moral e a validade de seus princípios; ou de, por outro lado, justificar juízos morais particulares, seja
por uma análise dos princípios morais envolvidos no juízo e por uma demonstração de sua aceitação
universal, seja por alguma tentativa de provar que se chega ao juízo moral particular por um processo
de inferência a partir de alguma concepção universal do Supremo Bem ou do Fim Último do qual se
podem deduzir todos os deveres ou virtudes particulares.[4]

Pode ser que a crítica da moralidade tenha início com uma argumentação contra as instituições
morais e os códigos de ética existentes; tal argumentação pode se originar da atividade espontânea
da própria consciência moral. Mas quando essa argumentação torna-se uma tentativa de encontrar
um critério universal de moralidade – sendo que essa tentativa começa a ser, com efeito, um esforço
de tornar a moralidade uma disciplina científica – e especialmente quando a tentativa é vista, tal como
deve ser vista afinal, como fadada ao fracasso (dado que a consciência moral supera todos os
padrões de moralidade e realiza-se inteiramente nos juízos particulares), pode-se dizer então que tem
início a ética como um processo de reflexão sobre a natureza da consciência moral. [4]

História Da Ética

Ética Na Filosofia Pré-Socrática

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A especulação ética na Grécia não teve início abrupto e absoluto. Os preceitos de conduta, ingênuos
e fragmentários – que em todos os lugares são as mais antigas manifestações da nascente reflexão
moral –, são um elemento destacado na poesia gnômica dos séculos VII e VI a.C. Sua importância é
revelada pela tradicional enumeração dos Sete Sábios do século VI, e sua influência sobre o
pensamento ético é atestada pelas referências de Platão e Aristóteles. Mas, desde tais
pronunciamentos não-científicos até à filosofia da moral, foi um longo percurso.

Na sabedoria prática de Tales, um dos Sete, não se distingue nenhuma teoria da moralidade. No
caso de Pitágoras, que se destaca entre os filósofos pré-socráticos por ser o fundador não apenas de
uma escola, mas de uma seita ou ordem comprometida com uma regra de vida que obrigava a todos
os seus membros, há uma conexão mais estreita entre as especulações moral e metafísica. A
doutrina dos pitagóricos de que a essência da justiça (concebida como retribuição equivalente) era
um número quadrado indica uma tentativa séria de estender ao reino da conduta sua
concepção matemática do universo; e o mesmo se pode dizer de sua classificação do bem ao lado
da unidade, da reta e semelhantes e do mal ao lado das qualidades opostas.

Ainda assim, o pronunciamento de preceitos morais por Pitágoras parece ter sido dogmático, ou
mesmo profético, em vez de filosófico, e ter sido aceito por seus discípulos, numa reverência não-
filosófica, como o ipse dixit do mestre. Portanto, qualquer que tenha sido a influência da mistura
pitagórica de noções éticas e matemáticas sobre Platão, e, por meio deste, sobre o pensamento
posterior, a escola não é considerada uma precursora de uma investigação socrática que busca uma
teoria da conduta completamente racional. O elemento ético do "obscuro" filosofar de Heráclito (c.
530-470 a.C.) – embora antecipasse o estoicismo em sua concepção de uma lei do universo, com a
qual o sábio buscará se conformar, e de uma harmonia divina, no reconhecimento da qual encontrará
sua satisfação mais verdadeira – é mais profunda, mas ainda menos sistemática.

Apenas em Demócrito, um contemporâneo de Sócrates e último dos pensadores originais


classificados como pré-socráticos, encontra-se algo que se pode chamar de sistema ético. Os
fragmentos que permaneceram dos tratados morais de Demócrito são talvez suficientes para nos
convencer de que reviravolta da filosofia grega em direção à conduta, que se deveu de fato a
Sócrates, teria ocorrido mesmo sem ele, ainda que de uma forma menos decidida; mas, ao comparar-
se a ética democriteana com o sistema pós-socrático com o qual tem mais afinidade – o epicurismo –
percebe-se que ela exibe uma apreensão bem rudimentar das condições formais que o ensinamento
moral deve atender antes que possa reivindicar o tratamento dedicado às ciências.

A verdade é que nenhum tipo de sistema de ética poderia ter sido construído até que se direcionasse
a atenção à vagueza e inconsistência das opiniões morais comuns da humanidade. Para esse
propósito, era necessário que um intelecto filosófico de primeira grandeza se concentrasse sobre os
problemas da prática. Em Sócrates, encontra-se pela primeira vez a requerida combinação de um
interesse proeminente pela conduta com um desejo ardente por conhecimento. Os pensadores pré-
socráticos devotaram-se todos principalmente à pesquisa ontológica; mas, pela metade do século V
a.C. o conflito entre seus sistemas dogmáticos havia levado algumas das mentes mais afiadas a
duvidar da possibilidade de se penetrar no segredo do universo físico.

Essa dúvida encontrou expressão no ceticismo arrazoado de Górgias, e produziu a famosa


proposição de Protágoras de que a apreensão humana é o único padrão de existência. O mesmo
sentimento levou Sócrates a abandonar as antigas investigações físico-metafísicas. Essa desistência
foi incentivada, sobretudo, por uma piedade ingênua que o proibia de procurar coisas cujo
conhecimento os deuses pareciam ter reservado apenas para si mesmos. Por outro lado, (exceto em
ocasiões de especial dificuldade, nas quais se poderia recorrer a presságios e oráculos) eles haviam
deixado à razão humana a regulamentação da ação humana. A essa investigação Sócrates dedicou
seus esforços.[4]

Ética Sofistica

Embora Sócrates tenha sido o primeiro a chegar a uma concepção adequada dos problemas da
conduta, a ideia geral não surgiu com ele. A reação natural contra o dogmatismo metafísico e ético
dos antigos pensadores havia alcançado o seu clímax com os sofistas. Górgias e Protágoras são
apenas dois representantes do que, na verdade, foi uma tendência universal a abandonar a
teorização dogmática e estritamente ontológica e a se refugiar nas questões práticas –
especialmente, como era natural na cidade-estado grega, nas relações cívicas do cidadão.

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A educação oferecida pelos sofistas não tinha por objetivo nenhuma teoria geral da vida, mas
propunha-se ensinar a arte de lidar com os assuntos mundanos e administrar negócios públicos. Em
seu encômio às virtudes do cidadão, apontaram o caráter prudencial da justiça como meio de obter
prazer e evitar a dor. Na concepção grega de sociedade, a vida do cidadão livre consistia
principalmente em suas funções públicas, e, portanto, as declarações pseudoéticas dos sofistas
satisfaziam as expectativas da época. Não se considerava a ἀρετἠ (virtude ou excelência) como uma
qualidade única, dotada de valor intrínseco, mas como virtude do cidadão, assim como tocar bem a
flauta era a virtude do tocador de flauta.

Percebe-se aqui, assim como em outras atividades da época, a determinação de adquirir


conhecimento técnico e de aplicá-lo diretamente a assuntos práticos; assim como a música estava
sendo enriquecida por novos conhecimentos técnicos, a arquitetura por teorias modernas de
planejamento e réguas T (ver Hipódamo), o comando de soldados pelas novas técnicas da "tática" e
dos "hoplitas", do mesmo modo a cidadania deve ser analisada como inovação, sistematizada e
adaptada conforme exigências modernas. Os sofistas estudaram esses temas superficialmente, é
certo, mas abordaram-nos de maneira abrangente, e não é de se estranhar que tenham lançado mão
dos métodos que se mostraram bem-sucedidos na retórica e tenham-nos aplicado à "ciência e arte"
das virtudes cívicas.

O Protágoras de Platão alega, não sem razão, que ao ensinar a virtude eles simplesmente faziam
sistematicamente o que todos os outros faziam de modo caótico. Mas no verdadeiro sentido da
palavra, os sofistas não dispunham de um sistema ético, nem fizeram contribuições substanciais,
salvo por um contraste com a especulação ética. Simplesmente analisaram as fórmulas
convencionais, de maneira bem semelhante a de certos moralistas (assim chamados) "científicos".

Ética Socrática

Sócrates, "o primeiro nome importante na filosofia ética antiga."

A essa arena de senso-comum e vagueza, Sócrates trouxe um novo espírito crítico, e mostrou que
esses conferencistas populares, a despeito de sua fértil eloquência, não podiam defender suas
suposições fundamentais nem sequer oferecer definições racionais do que alegavam explicar. Não só
eram assim "ignorantes" como também perenemente inconsistentes ao lidar com casos particulares.
Desse modo, com o auxílio de sua famosa "dialética", Sócrates primeiramente chegou ao resultado
negativo de que os pretensos mestres do povo eram tão ignorantes quanto ele mesmo afirmava ser,
e, em certa medida, justificou o encômio de Aristóteles de ter prestado o serviço de "introduzir
a indução e as definições" na filosofia.

No entanto, essa descrição de sua obra é muito técnica e muito positiva, se avaliada com base nos
primeiros diálogos de Platão, em que o verdadeiro Sócrates encontra-se menos alterado. Sócrates
sustentava que a sabedoria preeminente que o oráculo de Delfos lhe atribuiu consistia numa
consciência única da ignorância. No entanto, é igualmente claro, com base em Platão, que houve um
elemento positivo muito importante no ensinamento de Sócrates, que justifica afirmar, junto
com Alexander Bain, que "o primeiro nome importante na filosofia ética antiga é Sócrates".

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ÉTICA DO SERVIDOR

A união dos elementos positivo e negativo de sua obra tem causado alguma perplexidade entre os
historiadores, e a consistência do filósofo depende do reconhecimento de algumas doutrinas a ele
atribuídas por Xenofonte como meras tentativas provisórias. Ainda assim, as posições de Sócrates
mais importantes na história do pensamento ético são fáceis de harmonizar com sua convicção de
ignorância e tornam ainda mais fácil compreender sua infatigável inquirição da opinião comum.
Enquanto mostrava claramente a dificuldade de adquirir conhecimento, Sócrates estava convencido
de que somente o conhecimento poderia ser a fonte de um sistema coerente da virtude, assim como
o erro estava na origem do mal.

Assim, Sócrates, pela primeira vez na história do pensamento, propõe uma lei científica positiva de
conduta: a virtude é conhecimento. Esse princípio envolvia o paradoxo de que a pessoa que sabe o
que é o bem não pratica o mal. Mas esse é um paradoxo derivado de seus truísmos irretorquíveis:
"Toda a pessoa deseja o seu próprio bem e obtê-lo-ia se pudesse" e "Ninguém negaria que a justiça
e a virtude em geral são bens; e entre todos, os melhores". Todas as virtudes, portanto, estão
sintetizadas no conhecimento do bem. Mas esse bem, para Sócrates, não é um dever que se opõe ao
interesse próprio.

A força do paradoxo depende de uma fusão do dever e do interesse numa única noção de bem, uma
fusão que era prevalecente no modo de pensar da época. Isso é o que forma o núcleo do
pensamento positivo de Sócrates, segundo Xenofonte. Ele não podia oferecer nenhuma abordagem
satisfatória do Bem em abstrato, e esquivava-se de qualquer questão sobre esse ponto dizendo que
não conhecia "nenhum bem que não fosse bom para alguma coisa em particular", mas esse bem
particular é consistente consigo mesmo. Quanto a si, estimava acima de todas as coisas a virtude da
sabedoria; e, no intuito de alcançá-la, enfrentava a penúria mais severa, sustentando que uma vida
assim seria mais rica em satisfação que uma vida de luxo. Essa visão multidimensional é ilustrada
pela curiosa mistura de sentimentos nobres e meramente utilitários em sua abordagem sobre a
amizade: um amigo que não nos traga benefícios não vale nada; no entanto, o maior benefício que
um amigo pode nos trazer é o aperfeiçoamento moral.

As características historicamente importantes de sua filosofia moral, tomando-se conjuntamente seus


ensinamentos e o seu caráter pessoal, podem ser sintetizados da seguinte maneira: (1) uma busca
apaixonada por um conhecimento que não está disponível em lugar algum, mas que, se encontrado,
aperfeiçoará a conduta humana; (2) simultaneamente, uma exigência de que os homens deveriam
agir na medida do possível conforme uma teoria coerente; (3) uma adesão provisória à concepção
recebida sobre o que é bom, com toda a sua complexidade e incoerência, e uma prontidão
permanente em sustentar a harmonia de seus diversos elementos, e em demonstrar a superioridade
da virtude mediante um apelo ao padrão do interesse próprio; (4) firmeza pessoal em adotar essas
convicções práticas. É só quando se tem em vista todos esses pontos que se pode compreender
como, das conversações socráticas, brotaram as diferentes correntes do pensamento ético grego.

Quatro escolas diferentes têm sua origem imediata no círculo que se reuniu em torno de Sócrates –
a escola megárica, a platônica, a cínica e a cirenaica. A influência do mestre manifesta-se em todas
apesar das grandes diferenças que as separam; todas concordam em sustentar que a possessão
mais importante do homem é a sabedoria ou o conhecimento, e que o conhecimento mais importante
a ser adquirido é o conhecimento do Bem. Aqui, no entanto, termina a concordância.

A parte mais filosófica do círculo socrático constituiu um grupo do qual Euclides de Mégara foi
provavelmente o primeiro líder. Esse grupo admitia que o Bem era objeto de uma investigação ainda
inconclusa e foram levados a identificá-lo com o segredo do universo e, desse modo, a passar da
ética à metafísica. Outros, cujas exigências por conhecimento eram mais facilmente satisfeitas e
estavam ainda sob a impressão causada pelo lado positivo e prático dos ensinamentos do mestre,
tornaram a busca um assunto bem mais simples. Consideraram que o Bem já era conhecido e
sustentaram que a filosofia consistia na aplicação rígida desse conhecimento às ações. Entre esses
estavam Antístenes, o cínico, e Aristipo de Cirene.

Ambos admitiram o dever de viver consistentemente conforme a teoria, em vez de conduzi-la por
impulso ou pelo costume. Por sua noção de um novo valor conferido à vida por meio dessa
racionalização, e por seus esforços em manter uma firmeza inabalável, calma e tranquila, de têmpera
socrática, é que Antístenes e Aristipo são reconhecidos como "homens socráticos", apesar de terem
dividido a doutrina positiva do mestre em sistemas diametralmente opostos. Acerca de seus
princípios conflitantes, pode-se dizer que, enquanto Aristipo efetivou a transição lógica mais óbvia

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para reduzir os ensinamentos de Sócrates a uma clara unidade dogmática, Antístenes certamente
extraiu a inferência mais natural que se poderia tirar da vida socrática.

Aristipo argumentava que, se tudo o que é belo ou admirável no comportamento deriva essas
qualidades de sua utilidade, isto é, de sua aptidão em produzir um bem maior; e, se a ação virtuosa é
essencialmente uma ação realizada com previsão – com a apreensão racional de que a ação é o
meio adequado para a aquisição daquele bem –; então aquele bem só pode ser o prazer. Aristipo
sustentava que os prazeres e dores corporais são os mais incisivos, mas não parece ter defendido
essa ideia em termos de uma teoria materialista, pois admitia a existência de prazeres
exclusivamente mentais, tais como alegrar-se com a prosperidade da terra natal. Admitia plenamente
que esse bem poderia se realizar apenas em partes sucessivas, e deu ênfase até exagerada à regra
de buscar o prazer do momento e não se preocupar com o futuro.

Para Aristipo, a sabedoria manifestava-se na seleção tranquila, resoluta e habilidosa dos prazeres
que as circunstâncias ofereciam de momento a momento, sem se deixar perturbar pela paixão, pelo
preconceito ou pela superstição; e a tradição representa-o como alguém que realizou esse ideal em
grau impressionante. Entre os preconceitos dos quais o homem sábio estaria livre, Aristipo inclui a
obediência às convenções ditadas pelo costume que não tivessem penalidades vinculadas à sua
transgressão; no entanto, sustentava, assim como Sócrates, que essas penalidades tornavam
razoável adotar uma postura de conformismo. Assim, logo nos primórdios da teoria ética, já aparecia
uma exposição completa e minuciosa do hedonismo.

Bem diferente era a compreensão de Antístenes e dos cínicos a respeito do espírito socrático. Eles
igualmente sustentavam que nenhuma pesquisa especulativa seria necessária à descoberta do bem
e da virtude, e defenderam que a sabedoria socrática não se exibiu numa busca habilidosa pelo
prazer; mas, ao contrário, numa indiferença racional em relação ao prazer – numa nítida
compreensão de que não há valor algum no prazer nem em outros objetos dos desejos mais comuns
acalentados pelos homens.

Antístenes, com efeito, declarou taxativamente que o prazer é um mal: "É melhor a loucura que ceder
ao prazer". Ele não desconsiderou a necessidade de complementar o insight meramente intelectual
com a "força de espírito socrática"; mas parecia-lhe que, por uma combinação de insight e
autocontrole, a pessoa poderia conquistar uma independência espiritual absoluta que nada deixaria
faltar a um perfeito bem-estar (ver também Diógenes de Sínope). Pois, quanto à pobreza, à labuta
extenuante, ao desapreço e aos outros males que apavoram os homens, esses seriam úteis,
argumentava ele, como meios de avançar na liberdade e virtude espiritual. Entretanto, na concepção
cínica de sabedoria, não há um critério positivo além da mera rejeição dos preconceitos e dos
desejos irracionais.

Vimos que Sócrates não alegava ter descoberto uma teoria abstrata sobre a boa ou sábia conduta;
ao mesmo tempo, entendia essa falta, em sentido prático, como motivo para a execução confiante
dos deveres costumeiros, sustentando sempre que sua própria felicidade estava condicionada a essa
prática. Os cínicos, de modo mais ousado, descartaram tanto o prazer como o mero costume por
considerarem ambos irracionais; mas, ao fazerem isso, deixaram a razão liberada sem nenhum
objetivo definido além de sua própria liberdade. É absurdo, tal como Platão apontou, dizer que o
conhecimento é o bem e, depois, quando nos indagam "conhecimento de quê?" não ter outra
resposta positiva senão "do bem"; mas os cínicos não parecem ter feito nenhum esforço sério de
escapar a esse contrassenso.[4]

Platão

A ética de Platão não pode ser tratada adequadamente como um produto acabado; mas sim como
um movimento contínuo, a partir da posição de Sócrates, em direção ao sistema mais completo e
articulado de Aristóteles, exceto por sugestões de teor ascético e místico em algumas partes dos
ensinamentos de Platão que não encontram correspondência em Aristóteles, e que, de fato,
desaparecem da filosofia grega logo após a morte de Platão, para bem mais tarde ressurgirem e
serem entusiasticamente desenvolvidas pelo neopitagorismo e pelo neoplatonismo. O primeiro ponto
em que se pode identificar uma concepção ética platônica distinta da de Sócrates está presente
no Protágoras. Nesse diálogo, Platão envida esforços genuínos, embora nitidamente tenteadores, em
definir o objeto daquele conhecimento que ele e seu mestre consideravam ser a essência de toda a
virtude.

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Esse conhecimento seria na verdade uma mensuração de prazeres e dores por meio da qual o sábio
evita erroneamente subestimar as sensações futuras em comparação com o que se costuma chamar
de "ceder ao medo e ao desejo". Esse hedonismo tem intrigado os leitores de Platão. Mas não há
razão para perplexidades, pois o hedonismo é o corolário mais óbvio daquela doutrina socrática
segundo a qual cada uma das diferentes noções de bem – o belo, o prazeroso e o útil – deve ser de
alguma forma interpretada em termos das outras. No que diz respeito a Platão, no entanto, essa
conclusão só podia ser mantida enquanto ele não tivesse executado o movimento intelectual de levar
o método socrático para além do campo do comportamento humano e desenvolvê-lo num sistema
metafísico.

Esse movimento pode ser expresso da seguinte maneira. "Se soubéssemos", dizia Sócrates, "o que é
a justiça, seríamos capazes de apresentar uma definição da justiça"; o verdadeiro conhecimento deve
ser um conhecimento do fato geral, comum a todos os casos individuais aos quais são aplicados a
noção geral. Mas isso também é verdade em relação a outros objetos de pensamento e discurso; a
mesma relação entre noções gerais e exemplos particulares se estende por todo o universo físico; só
se pode pensar e falar sobre ele por meio de tais noções. O conhecimento verdadeiro ou científico,
portanto, deve ser um conhecimento geral, relacionado primariamente não aos indivíduos, mas aos
fatos ou qualidades gerais que os indivíduos exemplificam; de fato, a noção de um indivíduo, quando
examinada, mostra-se como um agregado daquelas qualidades gerais. Mas, novamente, o objeto do
verdadeiro conhecimento deve ser o que realmente existe; assim, a realidade do universo deve se
apoiar em fatos ou relações gerais, e não nos indivíduos que exemplificam tais fatos e relações.

Até aqui os passos são suficientemente claros; mas ainda não se vê como esse realismo lógico
(como foi posteriormente chamada essa posição) resulta no caráter essencialmente ético do
platonismo. A filosofia de Platão está voltada para o universo inteiro do ser; no entanto, o objeto
último de sua contemplação filosófica ainda é "o bem", agora considerado como o fundamento último
de todo o ser e de todo o conhecimento. Ou seja, a essência do universo é identificada com esse fim
– a causa "formal" das coisas é identificada com a sua causa "final", conforme a posterior
terminologia aristotélica. Como isso ocorre?

Talvez a melhor maneira de explicá-lo esteja num retorno à aplicação original do método socrático
aos assuntos humanos. Uma vez que toda a atividade racional tem em vista alguma finalidade, as
diferentes artes e funções da indústria humana são naturalmente definidas por uma declaração sobre
seus usos ou finalidades; analogamente, ao oferecer uma explicação sobre os vários artistas e
funcionários, apresentamos necessariamente as suas finalidades – "aquilo em que eles são bons".
Numa sociedade organizada segundo os princípios socráticos, todos os seres humanos seriam
designados para alguma utilidade; a essência de suas vidas consistiria em fazer aquilo em que são
bons (o seu εργον próprio). Mas, novamente, é fácil estender essa concepção para todo o campo da
vida organizada; um olho que não alcança a sua finalidade de enxergar está destituído da essência
do olho.

Em resumo, pode-se dizer acerca de todos os órgãos e instrumentos que eles são o que pensamos
deles à medida que cumprem a sua função e alcançam sua finalidade. Assim, se o universo for
concebido organicamente como um arranjo complexo de meios para fins, entende-se por que Platão
pode sustentar que todas as coisas realmente são (ou "realizam sua ideia"), à medida que alcançam
o fim ou o bem especial para o qual foram dispostas. Mesmo Sócrates, apesar de sua aversão à
física, foi levado pela reflexão piedosa a expor uma visão ideológica do mundo físico, um mundo
organizado em todas as suas partes pela sabedoria divina para a realização de alguma finalidade
divina; e a viragem metafísica que Platão imprimiu a essa visão foi provavelmente antecipada por
Euclides de Mégara, que sustentava que o único ser real é "aquilo que chamamos por diversos
nomes: Bem, Sabedoria, Razão ou Deus", aos quais Platão, alçando a identificação socrática da
beleza com a utilidade a um significado mais elevado, acrescentou o nome do Belo Absoluto, ao
explicar como o amor à beleza mostra-se em última instância como um anseio pela finalidade e pela
essência do ser.

Platão, portanto, aderiu a essa vasta orientação filosófica, e identificou as noções últimas da ética
com as da ontologia. É necessário analise agora que atitude adotará em relação às investigações
práticas que foram o seu ponto de partida. Quais serão agora suas concepções de sabedoria, virtude,
prazer e de suas relações com o bem-estar?

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Buon Governo (detalhe), afresco de Ambrogio Lorenzetti. Na ética platônica, a Sabedoria (alto) e a
Justiça (centro) são as virtudes fundamentais para a boa condução tanto da vida particular como do
Estado.

A filosofia, agora, saiu da praça do mercado e entrou na sala de aula. Sócrates buscava uma arte de
se conduzir que seria exercida num mundo prático e entre semelhantes. Mas, se os objetos do
pensamento abstrato constituem o mundo real, do qual esse mundo de coisas individuais é apenas
uma sombra, é evidente que a vida mais elevada e mais real será encontrada naquela primeira
região, não nessa última. A verdadeira vida do espírito deve consistir na contemplação da realidade
abstrata que as coisas concretas obscuramente representam – na contemplação do arquétipo ou
ideal que os indivíduos sensíveis imitam imperfeitamente; e, como o homem é mais verdadeiramente
homem à medida que se identifica com a sua mente, o desejo pelo bem de si mesmo, que Platão,
seguindo Sócrates, sustentava ser permanente e essencial em todas as coisas vivas, revela-se em
sua forma mais elevada como o anseio filosófico por conhecimento.

Esse anseio surge – assim como a maioria dos impulsos sensuais – com uma percepção de que falta
ao indivíduo alguma coisa anteriormente possuída, alguma coisa da qual ele mantém
uma memória latente na alma. No aprendizado de uma verdade abstrata por demonstração científica,
o indivíduo simplesmente torna explícito o que já sabia implicitamente; traz à clareza da consciência
as memórias ocultas decorrentes de um estado anterior em que a alma contemplava diretamente a
Realidade e o Bem, antes de ela ser aprisionada num corpo estranho e antes da mistura de sua
verdadeira natureza com os sentimento e impulsos carnais.

Chega-se assim ao paradoxo de que a verdadeira arte de viver é, na verdade, uma "arte de morrer"
para os sentidos, a fim de existir em estreita união com a bondade e a beleza absoluta. Por outro
lado, dado que o filósofo deve ainda viver e atuar no mundo sensível, a identificação socrática entre
sabedoria e virtude é plenamente mantida por Platão. Somente aquele que capta o bem em abstrato
pode reproduzi-lo como bem transitório e imperfeito na vida humana, e é impossível que, dispondo
desse conhecimento, não aja de acordo com ele, seja em assuntos privados, seja em assuntos
públicos. Assim, no verdadeiro filósofo, encontra-se necessariamente o homem bom em sentido
prático, e também o estadista perfeito, caso a organização da sociedade permita-lhe exercer a sua
habilidade estadística.

Os traços característicos dessa bondade prática no pensamento maduro de Platão refletem as


noções fundamentais de sua concepção de universo. A alma do homem, em seu estado bom e
normal, deve estar organizada e harmonizada conforme a orientação da razão. Surge então a
questão: "Em que consiste essa ordem ou harmonia?" Para esclarecer a resposta elaborada por
Platão, convém notar que, embora mantivesse a doutrina socrática de que a virtude mais elevada é
indissociável do conhecimento do bem, Platão reconhecia uma espécie inferior de virtude, possuída
por homens que não eram filósofos. É evidente que, se o bem a ser conhecido é o fundamento último
de todas as coisas, ele só pode ser alcançado por um restrito e seleto grupo.

No entanto, não se pode restringir a virtude apenas a esse grupo. Que abordagem, então, deve ser
dada às virtudes "cívicas" ordinárias – coragem, temperança e justiça? Parece claro que os homens

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que cumprem os seus deveres, resistindo às seduções do medo e do desejo, devem ter, se não
conhecimento, ao menos opiniões corretas quanto ao bem e ao mal na vida humana; mas de onde
viriam essas "opiniões" corretas? Vêm em parte, diz Platão, da natureza e da "alocação divina"; mas,
para seu adequado desenvolvimento, são necessários "o costume e a prática". Daí a importância
basilar da educação e da disciplina para a virtude cívica; e mesmo para os futuros filósofos é
indispensável essa cultura moral, em que também cooperam o treinamento físico e estético (uma
preparação apenas intelectual não basta). O conhecimento perfeito, por outro lado, não pode ser
implantado numa alma que não tenha passado por uma preparação que inclui bem mais que o
treinamento físico. O que é essa preparação? Um passo importante na análise psicológica foi dado
quando Platão reconheceu que o efeito dessa preparação era produzir a "harmonia" acima
mencionada entre as diferentes partes da alma, de modo que os impulsos se subordinassem à razão.
Platão distinguiu esses elementos não-racionais num componente concupiscível (το επιθυµητικον) e
num componente irascível (το θυµοειδες ou θυµος) – e afirmou que a separação entre esses dois
elementos, e entre esses e a razão, é estabelecida pela experiência que o indivíduo tem de sua vida
interior.

Nessa tripartição da alma, Platão encontrou uma concepção sistemática das quatro espécies de
virtudes reconhecidas pela moral estabelecida da Grécia – mais tarde chamadas de Virtudes
Cardinais. Dessas, as duas mais fundamentais eram a sabedoria – que em sua forma superior
identifica-se com a filosofia – e aquela atividade harmoniosa e regulada de todos os elementos da
alma, que Platão toma como a essência da retidão nas relações sociais (δικαιοσινη). O sentido desse
termo é essencialmente social; e só se pode explicar o uso desse termo por Platão numa referência
à analogia que ele traça entre o homem individual e a comunidade. Numa polis justamente ordenada,
tanto o bem-estar social como o bem-estar individual dependeriam da interação harmoniosa daqueles
diversos elementos, cada um deles desempenhando a sua função própria, a qual, em sua aplicação
social, é mais naturalmente denominada δικαιοσινη. Vemos, além disso, como na concepção
platônica as virtudes fundamentais da Sabedoria e da Justiça estão interconectadas. A sabedoria
mantém necessariamente a atividade ordenada, e essa última consiste na regulação pela sabedoria;
enquanto que as duas outras virtudes especiais – a Coragem (ανδρεια) e a Temperança (σωφροσινη)
– são apenas lados ou aspectos diferentes dessa ação sabiamente regulada de uma alma composta.

Essas são as formas como o bem essencial se manifesta na vida humana. Resta saber se a
apresentação dessas formas fornece uma explicação completa do bem-estar humano ou se também
se deve incluir o prazer. Nesse ponto, o pensamento de Platão parece ter sofrido várias oscilações.
Depois de aparentemente sustentar que o prazer é o bem (Protágoras), ele passa para o extremo
oposto, rejeitando qualquer assimilação entre bem e prazer (Fédon, Górgias); pois (1), sendo algo
concreto e transitório, o prazer não é o bem verdadeiramente essencial que o filósofo está a buscar;
(2) as sensações mais prontamente reconhecidas como prazeres estão associadas à dor, num
vínculo completamente estranho à natureza do bem, uma vez que esse último jamais se associa ao
mal. No entanto, essa era uma concepção que discordava tanto do socratismo que Platão não
poderia permanecer nela. Que o prazer não fosse um bem absoluto não era justificativa para não
incluí-lo entre os bens da vida humana concreta; além disso, somente os prazeres brutos e vulgares
estão indissociavelmente ligados às dores da carência.

Desse modo, na República, ele não receia tomar o prazer como parâmetro para responder à questão
sobre a superioridade intrínseca da vida filosófica ou virtuosa, e argumenta que só o homem filosófico
(ou bom) desfruta o prazer genuíno, ao passo que o sensualista gasta a sua vida oscilando entre a
carência dolorosa e o estado neutral de falta-de-dor, que ele equivocadamente toma por prazer
positivo. Ainda mais enfaticamente, declara-se nas Leis que, quando se está "dissertando para
homens, não para deuses", deve-se mostrar que a vida que se estima como a melhor e mais nobre é
também aquela em que o prazer supera em maior proporção a dor. Mas, embora Platão mantenha
que essa conexão inquebrantável entre o melhor e o mais prazeroso seja verdadeira e importante, é
apenas em benefício do vulgo que ele dá essa ênfase ao prazer; pois, na comparação mais filosófica
apresentada no Filebo entre as alegações do prazer e as da sabedoria, as primeiras são
completamente subjugadas.

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ÉTICA DO SERVIDOR

Aristóteles

Aristóteles, importante filósofo da antiguidade.

Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômaco, afirma que a felicidade (eudemonia) não consiste nem
nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas honras, mas numa vida virtuosa. A virtude (areté), por sua
vez, se encontra num justo meio entre os extremos, que será encontrada por aquele dotado de
prudência (phronesis) e educado pelo hábito no seu exercício.

Para Epicuro a felicidade consiste na busca do prazer, que ele definia como um estado de
tranquilidade e de libertação da superstição e do medo (ataraxia), assim como a ausência de
sofrimento (aponia). Para ele, a felicidade não é a busca desenfreada de bens e prazeres corporais,
mas o prazer obtido pelo conhecimento, amizade e uma vida simples. Por exemplo, ele argumentava
que ao comer, o indivíduo obtém prazer não pelo excesso ou pelo luxo culinário (que leva a um
prazer fortuito, seguido pela insatisfação), mas pela moderação, que torna o prazer um estado de
espírito constante, mesmo se ele se alimenta simplesmente de pão e água.[5]

Para os estoicos, a felicidade consiste em viver de acordo com a lei racional da natureza e
aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo. O homem sábio obedece à lei
natural reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo assim
manter a serenidade e indiferença perante as tragédias e alegrias.

Para os céticos da antiguidade, nada podemos saber, pois sempre há razões igualmente fortes
para afirmar ou negar qualquer teoria, além do que toda teoria é indemonstrável (um dos argumentos
é que toda demonstração exige uma demonstração e assim ad infinitum). Defender qualquer teoria,
então, traz sofrimentos desnecessárias e inúteis. Assim, os céticos advogavam a "suspensão do
juízo" (epokhé). Por exemplo, aquele que não imagina que a dor é um mal não sofre senão da dor
presente, enquanto que aquele que julga a dor um mal duplica seu sofrimento e mesmo sofre sem
dor presente, sendo a mera ideia do mal da dor às vezes mais dolorosa que a própria dor. [6]

Ética na Idade Média, no Renascimento e no Iluminismo


Enquanto na antiguidade todos os filósofos entendiam a ética como o estudo dos meios de se
alcançar a plenitude (eudaimonia) e investigar o que significa felicidade, na idade média, a filosofia foi
dominada pelo cristianismo e pelo islamismo, e a ética se centralizou na moral como interpretação
dos mandamentos e preceitos religiosos.

No renascimento e nos séculos XVII e XVIII, os filósofos redescobriram os temas éticos da


antiguidade, e a ética foi entendida novamente como o estudo dos meios de se alcançar o bem estar,
a felicidade e o bom modo de conviver tendo por base sua fundamentação pelo pensamento humano
e não por preceitos recebidos das tradições religiosas.

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ÉTICA DO SERVIDOR

Espinoza, em sua obra Ética, afirma que a felicidade consiste em compreender e criar as
circunstâncias que aumentem nossa potência de agir e de pensar, proporcionando o afeto de alegria
e libertando-nos das determinações alheias (paixões), isto é, afirmando a necessidade de nossa
própria natureza (conatus). Unicamente a alegria nos leva ao amor ("alegria que associamos a uma
causa exterior a nós") no cotidiano e na convivência com os outros, enquanto a tristeza jamais é boa,
intrinsecamente relacionada ao ódio ("tristeza que associamos a uma causa exterior a nós"), a
tristeza sempre é destrutiva.[7][8] Espinosa dizia, quanto aos dominados pelas paixões: "Não rir nem
chorar, mas compreender."[9]

Visão

Protesto contra o aborto.

A ética tem sido aplicada na economia, política e ciência política, conduzindo a muitos distintos e não-
relacionados campos de ética aplicada, incluindo: ética nos negócios e Marxismo.

Também tem sido aplicada à estrutura da família, à sexualidade, e como a sociedade vê o papel dos
indivíduos, conduzindo a campos da ética muito distintos e não-relacionados, como a ética
feminista e a guerra, por exemplo.

A visão descritiva da ética é moderna e, de muitas maneiras, mais empírica sob a filosofia Grega
clássica, especialmente Aristóteles.

Inicialmente, é necessário definir uma sentença ética, também conhecido como uma afirmativa
normativa. Trata-se de um juízo positivo ou negativo (em termos morais) de alguma coisa.

Sentenças éticas são frases que usam palavras como bom, mau, certo, errado, moral, imoral, etc.

Aqui vão alguns exemplos:

• “Salomão é uma boa pessoa”

• “As pessoas não devem roubar”

• “A honestidade é uma virtude”

Em contraste, uma frase não-ética precisa ser uma sentença que não serve para uma avaliação
moral. Alguns exemplos são:

• “Salomão é uma pessoa alta”

• “As pessoas se deslocam nas ruas”

• "João é o chefe".

Ética nas ciências


• A principal lei ética na robótica é:

• Um robô jamais deve ser projetado para machucar pessoas ou lhes fazer mal.

• Na biologia:

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ÉTICA DO SERVIDOR

• Um assunto que é bastante polémico é a clonagem: uma parte dos ativistas considera que, pela
ética e bom senso, a clonagem só deve ser usada, com seu devido controle,
em animais e plantas somente para estudos biológicos - nunca para clonar seres humanos.

• Na Programação

• Nunca criar programas (softwares) para prejudicar as pessoas, como para roubar ou espionar.

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Decreto Nº 1.171, de 22 de junho de 1994

Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo


Federal

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84,
incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos
arts. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei
n° 8.429, de 2 de junho de 1992,

DECRETA:

Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal, que com este baixa.
Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta
implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de
Ética, inclusive mediante a constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três
servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente.
Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da
Administração Federal da Presidência da República, com a indicação dos respectivos
membros titulares e suplentes.
Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República.

ITAMAR FRANCO
Romildo Canhim
Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
do Poder Executivo Federal
CAPÍTULO I

Seção I

Das Regras Deontológicas

I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são


primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou
função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.
Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e
da tradição dos serviços públicos.
II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta.
Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o
conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o
honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da
Constituição Federal.
III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o
mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio
entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá
consolidar a moralidade do ato administrativo.
IV - A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou
indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que
a moralidade administrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de sua
aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como conseqüência em fator de legalidade.
V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser
entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante
da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.
VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra
na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na
conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom
conceito na vida funcional.
VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior
do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo previamente
declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo
constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento
ético contra o bem comum, imputável a quem a negar.
VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la,
ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração
Pública.
Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corretivo do hábito do erro,
da opressão, ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana
quanto mais a de uma Nação.
IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público
caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos
direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a
qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má
vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado,
mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas
esperanças e seus esforços para construí-los.
X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor
em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra
espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética
ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos
serviços públicos.
XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores,
velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente Os
repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de
corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública.
XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de
desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações
humanas.
XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando
seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua
atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da
Nação.

Seção II
Dos Principais Deveres do Servidor Público

XIV - São deveres fundamentais do servidor público:


a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que
seja titular;
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou
procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente diante
de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em
que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário;
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter,
escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa
para o bem comum;
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens,
direitos e serviços da coletividade a seu cargo;
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços, aperfeiçoando o processo de
comunicação e contato com o público;
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam
na adequada prestação dos serviços públicos;
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as
limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de
preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, cunho
político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral;
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer
comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal;
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e
outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em
decorrência de ações morais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida
e da segurança coletiva;
l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao
trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema;
m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao
interesse público, exigindo as providências cabíveis;
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais
adequados à sua organização e distribuição;
o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício
de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum;
p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função;
q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação
pertinentes ao órgão onde exerce suas funções;
r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de
seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo
tudo sempre em boa ordem.
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;
t) exercer, com estrita moderação, as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas,
abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço
público e dos jurisdicionados administrativos;
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com
finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades legais
e não cometendo qualquer violação expressa à lei;
v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste
Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento.

Seção III
Das Vedações ao Servidor Público

XV - E vedado ao servidor público;


a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para
obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem;
b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles
dependam;
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este
Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão;
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por
qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material;
e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu
conhecimento para atendimento do seu mister;
f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de
ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados
administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores;
g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira,
gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si,
familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar
outro servidor para o mesmo fim;
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências;
i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços
públicos;
j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;
l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento,
livro ou bem pertencente ao patrimônio público;
m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em
benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;
n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;
o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou
a dignidade da pessoa humana;
p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de
cunho duvidoso.

CAPÍTULO II
Das Comissões de Ética

XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indireta


autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições
delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de
orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor, no tratamento com as
pessoas e com o patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamente de
imputação ou de procedimento susceptível de censura.
XVII - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007).
XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da
execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética, para
o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos
próprios da carreira do servidor público.
XIX - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007).
XX - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007).
XXI - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007).
XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua
fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes,
com ciência do faltoso.
XXIII - (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007).
XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor
público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste
serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição
financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal,
como as autarquias, as fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas
públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o
interesse do Estado.
XXV – (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007)·.
DECRETO Nº 6.029, DE 1º DE FEVEREIRO DE 2007
Vide Resolução nº 10, de 29 de setembro de 2008

Institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal, e dá outras


providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,


inciso VI, alínea “a”, da Constituição,

DECRETA:

Art. 1o Fica instituído o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal com a
finalidade de promover atividades que dispõem sobre a conduta ética no âmbito do
Executivo Federal, competindo-lhe:

I - integrar os órgãos, programas e ações relacionadas com a ética pública;


II - contribuir para a implementação de políticas públicas tendo a transparência e o
acesso à informação como instrumentos fundamentais para o exercício de gestão da
ética pública;
III - promover, com apoio dos segmentos pertinentes, a compatibilização e interação de
normas, procedimentos técnicos e de gestão relativos à ética pública;
IV - articular ações com vistas a estabelecer e efetivar procedimentos de incentivo e
incremento ao desempenho institucional na gestão da ética pública do Estado brasileiro.

Art. 2o Integram o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal:

I - a Comissão de Ética Pública - CEP, instituída pelo Decreto de 26 de maio de 1999;


II - as Comissões de Ética de que trata o Decreto no 1.171, de 22 de junho de 1994; e
III - as demais Comissões de Ética e equivalentes nas entidades e órgãos do Poder
Executivo Federal.

Art. 3º A CEP será integrada por sete brasileiros que preencham os requisitos de
idoneidade moral, reputação ilibada e notória experiência em administração pública,
designados pelo Presidente da República, para mandatos de três anos, não coincidentes,
permitida uma única recondução.

§ 1o A atuação no âmbito da CEP não enseja qualquer remuneração para seus membros
e os trabalhos nela desenvolvidos são considerados prestação de relevante serviço
público.
§ 2o O Presidente terá o voto de qualidade nas deliberações da Comissão.
§ 3o Os mandatos dos primeiros membros serão de um, dois e três anos, estabelecidos
no decreto de designação.

Art. 4o À CEP compete:

I - atuar como instância consultiva do Presidente da República e Ministros de Estado em


matéria de ética pública;
II - administrar a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração Federal,
devendo:
a) submeter ao Presidente da República medidas para seu aprimoramento;
b) dirimir dúvidas a respeito de interpretação de suas normas, deliberando sobre casos
omissos;
c) apurar, mediante denúncia, ou de ofício, condutas em desacordo com as normas nele
previstas, quando praticadas pelas autoridades a ele submetidas;

III - dirimir dúvidas de interpretação sobre as normas do Código de Ética Profissional


do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal de que trata o Decreto no 1.171,
de 1994;
IV - coordenar, avaliar e supervisionar o Sistema de Gestão da Ética Pública do Poder
Executivo Federal;
V - aprovar o seu regimento interno; e
VI - escolher o seu Presidente.

Parágrafo único. A CEP contará com uma Secretaria-Executiva, vinculada à Casa Civil
da Presidência da República, à qual competirá prestar o apoio técnico e administrativo
aos trabalhos da Comissão.

Art. 5o Cada Comissão de Ética de que trata o Decreto no 1171, de 1994, será integrada
por três membros titulares e três suplentes, escolhidos entre servidores e empregados do
seu quadro permanente, e designados pelo dirigente máximo da respectiva entidade ou
órgão, para mandatos não coincidentes de três anos.

Art. 6o É dever do titular de entidade ou órgão da Administração Pública Federal, direta


e indireta:

I - assegurar as condições de trabalho para que as Comissões de Ética cumpram suas


funções, inclusive para que do exercício das atribuições de seus integrantes não lhes
resulte qualquer prejuízo ou dano;
II - conduzir em seu âmbito a avaliação da gestão da ética conforme processo
coordenado pela Comissão de Ética Pública.

Art. 7o Compete às Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2o:

I - atuar como instância consultiva de dirigentes e servidores no âmbito de seu


respectivo órgão ou entidade;
II - aplicar o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal, aprovado pelo Decreto 1.171, de 1994, devendo:

a) submeter à Comissão de Ética Pública propostas para seu aperfeiçoamento;


b) dirimir dúvidas a respeito da interpretação de suas normas e deliberar sobre casos
omissos;
c) apurar, mediante denúncia ou de ofício, conduta em desacordo com as normas éticas
pertinentes; e
d) recomendar, acompanhar e avaliar, no âmbito do órgão ou entidade a que estiver
vinculada, o desenvolvimento de ações objetivando a disseminação, capacitação e
treinamento sobre as normas de ética e disciplina;

III - representar a respectiva entidade ou órgão na Rede de Ética do Poder Executivo


Federal a que se refere o art. 9o; e
IV - supervisionar a observância do Código de Conduta da Alta Administração Federal
e comunicar à CEP situações que possam configurar descumprimento de suas normas.

§ 1o Cada Comissão de Ética contará com uma Secretaria-Executiva, vinculada


administrativamente à instância máxima da entidade ou órgão, para cumprir plano de
trabalho por ela aprovado e prover o apoio técnico e material necessário ao
cumprimento das suas atribuições.
§ 2o As Secretarias-Executivas das Comissões de Ética serão chefiadas por servidor ou
empregado do quadro permanente da entidade ou órgão, ocupante de cargo de direção
compatível com sua estrutura, alocado sem aumento de despesas.

Art. 8o Compete às instâncias superiores dos órgãos e entidades do Poder Executivo


Federal, abrangendo a administração direta e indireta:

I - observar e fazer observar as normas de ética e disciplina;


II - constituir Comissão de Ética;
III - garantir os recursos humanos, materiais e financeiros para que a Comissão cumpra
com suas atribuições; e
IV - atender com prioridade às solicitações da CEP.

Art. 9o Fica constituída a Rede de Ética do Poder Executivo Federal, integrada pelos
representantes das Comissões de Ética de que tratam os incisos I, II e III do art. 2o, com
o objetivo de promover a cooperação técnica e a avaliação em gestão da ética.

Parágrafo único. Os integrantes da Rede de Ética se reunirão sob a coordenação da


Comissão de Ética Pública, pelo menos uma vez por ano, em fórum específico, para
avaliar o programa e as ações para a promoção da ética na administração pública.

Art. 10. Os trabalhos da CEP e das demais Comissões de Ética devem ser
desenvolvidos com celeridade e observância dos seguintes princípios:

I - proteção à honra e à imagem da pessoa investigada;


II - proteção à identidade do denunciante, que deverá ser mantida sob reserva, se este
assim o desejar; e
III - independência e imparcialidade dos seus membros na apuração dos fatos, com as
garantias asseguradas neste Decreto.

Art. 11. Qualquer cidadão, agente público, pessoa jurídica de direito privado, associação
ou entidade de classe poderá provocar a atuação da CEP ou de Comissão de Ética,
visando à apuração de infração ética imputada a agente público, órgão ou setor
específico de ente estatal.

Parágrafo único. Entende-se por agente público, para os fins deste Decreto, todo aquele
que, por força de lei, contrato ou qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza
permanente, temporária, excepcional ou eventual, ainda que sem retribuição financeira,
a órgão ou entidade da administração pública federal, direta e indireta.

Art. 12. O processo de apuração de prática de ato em desrespeito ao preceituado no


Código de Conduta da Alta Administração Federal e no Código de Ética Profissional do
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal será instaurado, de ofício ou em
razão de denúncia fundamentada, respeitando-se, sempre, as garantias do contraditório e
da ampla defesa, pela Comissão de Ética Pública ou Comissões de Ética de que tratam o
incisos II e III do art. 2º, conforme o caso, que notificará o investigado para manifestar-
se, por escrito, no prazo de dez dias.

§ 1o O investigado poderá produzir prova documental necessária à sua defesa.


§ 2o As Comissões de Ética poderão requisitar os documentos que entenderem
necessários à instrução probatória e, também, promover diligências e solicitar parecer
de especialista.
§ 3o Na hipótese de serem juntados aos autos da investigação, após a manifestação
referida no caput deste artigo, novos elementos de prova, o investigado será notificado
para nova manifestação, no prazo de dez dias.
§ 4o Concluída a instrução processual, as Comissões de Ética proferirão decisão
conclusiva e fundamentada.
§ 5o Se a conclusão for pela existência de falta ética, além das providências previstas
no Código de Conduta da Alta Administração Federal e no Código de Ética Profissional
do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, as Comissões de Ética tomarão
as seguintes providências, no que couber:

I - encaminhamento de sugestão de exoneração de cargo ou função de confiança à


autoridade hierarquicamente superior ou devolução ao órgão de origem, conforme o
caso;
II -- encaminhamento, conforme o caso, para a Controladoria-Geral da União ou
unidade específica do Sistema de Correição do Poder Executivo Federal de que trata o
Decreto n o 5.480, de 30 de junho de 2005, para exame de eventuais transgressões
disciplinares; e
III - recomendação de abertura de procedimento administrativo, se a gravidade da
conduta assim o exigir.

Art. 13. Será mantido com a chancela de “reservado”, até que esteja concluído,
qualquer procedimento instaurado para apuração de prática em desrespeito às normas
éticas.

§ 1o Concluída a investigação e após a deliberação da CEP ou da Comissão de Ética do


órgão ou entidade, os autos do procedimento deixarão de ser reservados.
§ 2o Na hipótese de os autos estarem instruídos com documento acobertado por sigilo
legal, o acesso a esse tipo de documento somente será permitido a quem detiver igual
direito perante o órgão ou entidade originariamente encarregado da sua guarda.
§ 3o Para resguardar o sigilo de documentos que assim devam ser mantidos, as
Comissões de Ética, depois de concluído o processo de investigação, providenciarão
para que tais documentos sejam desentranhados dos autos, lacrados e acautelados.

Art. 14. A qualquer pessoa que esteja sendo investigada é assegurado o direito de saber
o que lhe está sendo imputado, de conhecer o teor da acusação e de ter vista dos autos,
no recinto das Comissões de Ética, mesmo que ainda não tenha sido notificada da
existência do procedimento investigatório.

Parágrafo único. O direito assegurado neste artigo inclui o de obter cópia dos autos e de
certidão do seu teor.

Art. 15. Todo ato de posse, investidura em função pública ou celebração de contrato de
trabalho, dos agentes públicos referidos no parágrafo único do art. 11, deverá ser
acompanhado da prestação de compromisso solene de acatamento e observância das
regras estabelecidas pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal, pelo
Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e
pelo Código de Ética do órgão ou entidade, conforme o caso.

Parágrafo único . A posse em cargo ou função pública que submeta a autoridade às


normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal deve ser precedida de
consulta da autoridade à Comissão de Ética Pública, acerca de situação que possa
suscitar conflito de interesses.

Art. 16. As Comissões de Ética não poderão escusar-se de proferir decisão sobre
matéria de sua competência alegando omissão do Código de Conduta da Alta
Administração Federal, do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do
Poder Executivo Federal ou do Código de Ética do órgão ou entidade, que, se existente,
será suprida pela analogia e invocação aos princípios da legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência.

§ 1o Havendo dúvida quanto à legalidade, a Comissão de Ética competente deverá


ouvir previamente a área jurídica do órgão ou entidade.
§ 2o Cumpre à CEP responder a consultas sobre aspectos éticos que lhe forem dirigidas
pelas demais Comissões de Ética e pelos órgãos e entidades que integram o Executivo
Federal, bem como pelos cidadãos e servidores que venham a ser indicados para ocupar
cargo ou função abrangida pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal.

Art. 17. As Comissões de Ética, sempre que constatarem a possível ocorrência de


ilícitos penais, civis, de improbidade administrativa ou de infração disciplinar,
encaminharão cópia dos autos às autoridades competentes para apuração de tais fatos,
sem prejuízo das medidas de sua competência.

Art. 18. As decisões das Comissões de Ética, na análise de qualquer fato ou ato
submetido à sua apreciação ou por ela levantado, serão resumidas em ementa e, com a
omissão dos nomes dos investigados, divulgadas no sítio do próprio órgão, bem como
remetidas à Comissão de Ética Pública.

Art. 19. Os trabalhos nas Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2o
são considerados relevantes e têm prioridade sobre as atribuições próprias dos cargos
dos seus membros, quando estes não atuarem com exclusividade na Comissão.

Art. 20. Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal darão tratamento


prioritário às solicitações de documentos necessários à instrução dos procedimentos de
investigação instaurados pelas Comissões de Ética .

§ 1o Na hipótese de haver inobservância do dever funcional previsto no caput, a


Comissão de Ética adotará as providências previstas no inciso III do § 5o do art. 12.
§ 2o As autoridades competentes não poderão alegar sigilo para deixar de prestar
informação solicitada pelas Comissões de Ética.

Art. 21. A infração de natureza ética cometida por membro de Comissão de Ética de
que tratam os incisos II e III do art. 2o será apurada pela Comissão de Ética Pública.

Art. 22. A Comissão de Ética Pública manterá banco de dados de sanções aplicadas
pelas Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2o e de suas próprias
sanções, para fins de consulta pelos órgãos ou entidades da administração pública
federal, em casos de nomeação para cargo em comissão ou de alta relevância pública.

Parágrafo único. O banco de dados referido neste artigo engloba as sanções aplicadas a
qualquer dos agentes públicos mencionados no parágrafo único do art. 11 deste Decreto.

Art. 23. Os representantes das Comissões de Ética de que tratam os incisos II e III do
art. 2o atuarão como elementos de ligação com a CEP, que disporá em Resolução
própria sobre as atividades que deverão desenvolver para o cumprimento desse mister.

Art. 24. As normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal, do Código


de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e do Código
de Ética do órgão ou entidade aplicam-se, no que couber, às autoridades e agentes
públicos neles referidos, mesmo quando em gozo de licença.

Art. 25. Ficam revogados os incisos XVII, XIX, XX, XXI, XXIII e XXV do Código de
Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, aprovado pelo
Decreto no 1.171, de 22 de junho de 1994, os arts. 2o e 3o do Decreto de 26 de maio de
1999, que cria a Comissão de Ética Pública, e os Decretos de 30 de agosto de 2000 e de
18 de maio de 2001, que dispõem sobre a Comissão de Ética Pública.

Art. 26. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação.

Brasília, 1º de fevereiro de 2007; 186o da Independência e 119o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Dilma Rousseff