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MEIRY ANGELA ALMEIDA PEREIRA

DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:


DEMOLIÇÃO

Leme
2017
MEIRY ANGELA ALMEIDA PEREIRA

DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:


DEMOLIÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Centro Universitário Anhanguera de Leme,
como requisito parcial para a obtenção do título
de graduado em Engenharia Civil.

Orientador:

Leme
2017
3

MEIRY ANGELA ALMEIDA PEREIRA

DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:


DEMOLIÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Centro Universitário Anhanguera de Leme,
como requisito parcial para a obtenção do título
de graduado em Engenharia Civil.

Orientador:

BANCA EXAMINADORA

Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)

Leme, 17 de setembro de 2017.


4

Dedico este trabalho ao meu esposo


Clayton Cândido, incansável em me
apoiar.
5

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu Senhor Jesus, porque Dele, por Ele e para Ele são todas as
coisas da minha vida.
A minha família, meu maior patrimônio, pais José Maria (in memorian) e Maria
Dolores, irmãos Mary Jose, Mary Helen e Waldeir, cunhados Roberto, Gederson e
Josyelem, sobrinhos Robert (in memorian), Wallace e Miquéias, a Ribinha meu tio, a
meu esposo Clayton e aos nossos filhos Nicolas e Andrey, vocês me mostram o
quão importante é lutar e continuar lutando.
Aos colegas de equipe, aos professores que sempre incentivam e mostram
novos rumos.
6

PEREIRA, Meiry Angela Almeida. Destinação dos resíduos de construção:


demolição. 2017. 33 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Engenharia Civil) – Faculdade Anhanguera, Leme, 2017.

RESUMO

O trabalho em questão trata da destinação dos resíduos de construção em especial


o de demolição, a temática ambiental que envolve a destinação dos mesmos, uma
vez que a legislação brasileira contempla de forma objetiva quem são os geradores
de resíduos e como os mesmos deverão agir para estarem de acordo com o que a
mesma preconiza. Alguns estados e municípios já aderiram e criaram seus próprios
instrumentos normativos, o objetivo geral é analisar qual o destino dos resíduos, o
levantamento foi feito através de pesquisa bibliográfica de relatórios de órgãos que
estudam o tema, na legislação brasileira que trata do assunto e vários autores que
se dedicaram na questão. È possível se adequar a lei, algumas ações precisam ser
tomadas para que a população tenha ciência da necessidade de agir corretamente,
geradores grandes e pequenos podem desempenhar de forma ambientalmente
correta.

Palavras-chave: Construção; Resíduos; Ambiental.


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PEREIRA, Meiry Angela Almeida. Disposal of construction waste: demolition.


2017. 33 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia
Civil) – Faculdade Anhanguera, Leme, 2017.

ABSTRACT

The work in question deals with the disposal of construction waste, especially the
demolition waste, the environmental theme that involves the destination of the waste,
since Brazilian legislation provides an objective view of who the waste generators are
and how they should act to to be in accordance with what it advocates. Some states
and municipalities have already adopted and created their own normative
instruments, the general objective is to analyze the destination of waste, the survey
was done through bibliographic research of reports of bodies that study the subject,
in the Brazilian legislation that deals with the subject and several authors who
dedicated themselves to the issue. It is possible to fit the law, some actions need to
be taken so that the population is aware of the need to act correctly, large and small
generators can play in an environmentally correct way.

Key-words: Construction; Waste; Environmental.


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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO........................................................................................................ 09

1 CONCEITO E ORIGEM DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:DEMOLIÇÃO.. 10

2 POLÍTICAS AMBIENTAIS E RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:DEMOLIÇÃO.. 15

3 DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:DEMOLIÇÃO............... 22

3.1 PEQUENOS GERADORES............................................................................. 25

3.2 GRANDES GERADORES............................................................................... 27

3.3 RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO ................................................................... 28

CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 31

REFERÊNCIAS....................................................................................................... 32
9

INTRODUÇÃO

A pesquisa abordou a situação do Brasil em 2017, num dado momento onde


a legislação está dando o devido direito ao meio ambiente, depois de muitos anos
em avanços lentos, mas significativos, se os números da formalidade de destinação
final dos resíduos de construção: demolição condizem com a aspiração da
legislação.
É importante analisar a destinação dos resíduos de construção,
especificamente no caso em estudo a demolição para saber se estes estão sendo
adequadamente destinados, uma vez que os mesmos podem gerar inconvenientes
quando não descartados corretamente. Tendo-se um panorama da atualidade no
Brasil pode-se saber se as políticas ambientais voltadas para essa área estão dando
resultados positivos.
Ao compreender a situação é importante salientar onde que está havendo
situação favorável e como se chegou nela para que possa ampliar ideias e projetos
voltados para o descarte desse tipo de material, onde a situação for desfavorável
como proceder para mudar o quadro.
Os resíduos de construção/demolição estão tendo uma destinação
ambientalmente correta?
O Objetivo Geral é analisar qual a destinação que os resíduos de construção:
demolição estão tendo no Brasil. Objetivos Específicos são: Analisar qual o destino
final estão tendo os resíduos de construção/demolição; Avaliar se esses destinos
são ambientalmente corretos de acordo com as políticas ambientais vigentes via
legislação; Identificar a ampliação dos destinos considerados ambientalmente
corretos.
A metodologia utilizada será a pesquisa bibliográfica com base em autores,
inicialmente foi feito um levantamento bibliográfico e posteriormente a pesquisa com
análise das informações adquiridas, as mesmas foram compiladas para um maior
entendimento da situação.
10

1 CONCEITO E ORIGEM DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:DEMOLIÇÃO

A construção é uma das atividades mais antigas que se tem conhecimento e


desde os primórdios da humanidade foi executada de forma artesanal, gerando
como subprodutos grande quantidade de entulho mineral (LEVY, 1995).
De acordo com a resolução 307 de 2002 do CONAMA em seu Art. 2º
I – Resíduos da construção civil: são os provenientes de construções,
reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da
preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos,
concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e
compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros,
plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de
obras, caliça ou metralha;
II - Geradores: são pessoas, físicas ou jurídicas, públicas ou privadas,
responsáveis por atividades ou empreendimentos que gerem os resíduos definidos
nesta Resolução;
III - Transportadores: são as pessoas, físicas ou jurídicas, encarregadas da
coleta e do transporte dos resíduos entre as fontes geradoras e as áreas de
destinação;
Classificados da seguinte forma no Art. 3º
I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais
como:
a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras
obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;
b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes
cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e
concreto;
c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em
concreto (blocos, tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras;
II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como:
plásticos,papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros;
11

III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas


tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua
reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso;
IV - Classe D: são resíduos perigosos oriundos do processo de construção,
tais como tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à
saúde oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas,
instalações industriais e outros bem como telhas e demais objetos e materiais que
contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde.
Com essa classificação os geradores podem se organizar de forma a separar
os resíduos corretamente e encaminhá-los ao destino.

Foto 1:Separação dos resíduos em baías

Fonte: PINIweb
Foto 2: Resíduos dispostos sem separação

Fonte: https://blogdopetcivil.com/2012/10/29/residuos-na-construcao-civil/
12

Segundo Pinto (1999), em cidades brasileiras de médio e grande porte, os


resíduos originados de construções e demolições representam de 40 a 70% dos
os sólidos, cujo destino incorreto traz prejuízos econômicos, sociais e ambientais.
Para Cardoso et. al (2008) o entulho surge não só da substituição de
componentes pela reforma ou reconstrução. Muitas vezes é gerado por deficiências
no processo construtivo: erros ou indefinições na elaboração dos projetos e na sua
execução, má qualidade dos materiais empregados, perdas na estocagem e no
transporte.
De acordo com Resende (2012) muitos resíduos descartados poderiam ser
reaproveitados, os resíduos das classes A e B apresentam grande um grande
potencial de uso, sendo o de classe A ainda reutilizável na própria obra onde foi
gerado. De acordo com uma pesquisa realizada em canteiros de obra em Brasília
constatou-se que cerca de 85% dos resíduos descartados eram recicláveis (30% de
classe A e 55% de classe B).
No Brasil, são recolhidas oficialmente 33 milhões de toneladas de entulho
por ano, material que seria suficiente para construir quase 500 mil casas
populares de 50 metros quadrados cada. Por isso, pensar em alternativas
de redução e reaproveitamento dos resíduos gerados é de extrema
importância. (RESENDE, p.1, 2012)
A construção civil é um importante segmento da indústria brasileira, tida com
um indicativo de crescimento econômico e social. Contudo, esta também se constitui
em uma atividade geradora de impactos ambientais (Pinto, 2005 apud Karpinsk et al,
2009).
O IPEA mostrou uma pesquisa do Sistema Nacional de Informações sobre
Saneamento (Brasil, 2010), com base nos dados de 2008, dando uma amostra os
municípios brasileiros que coletam RCC diretamente ou por contratação de terceiros.
A soma das quantidades coletadas nos municípios participantes da pesquisa pode
representar uma estimativa de geração de RCC nacional, conforme apresentado na
tabela a seguir. É importante esclarecer que estas quantidades não correspondem
ao total de RCC gerados, mas apenas aos coletados.
13

Segundo Pinto (1999), o Brasil apresenta uma produção média anual de RCD
de 500 kg/hab. Considerando que, pelo IBGE, o país possuía em 2014 202.033.670
de habitantes e que a massa unitária do RCD é de 1200 kg/m³, estima-se que a
geração anual de RCD seja de 84.180.696 m³.

A tabela a seguir mostra a origem e o tipo de material que cada uma produz:

Fonte: Levy (1997) apud Santos (2009)

Ângulo (2011) afirma que a metodologia de quantificação geralmente


emprega índices de geração dos Resíduos de Construção e Demolição por unidade
de área, dependendo da origem (construção, reforma e demolição). A quantificação
precisa sempre foi um desafio e tema relevante a ser investigado.
A cadeia da construção civil mostra o ciclo dos materiais envolvidos e a
ligação de todos com impactos ambientais.

Fonte: KARPINSK. et. al


14

Para Mendes e Oliveira (2008) as problemáticas ambientais envolvendo a


grande geração de resíduos da construção civil são notórias, bem como as inúmeras
interferências no meio ambiente devido ao acúmulo e destinação inadequada para
tal resíduo. Mesmo diante desse quadro, percebe-se ainda uma tímida reação, tanto
por parte do setor público como do setor privado, no sentido de buscar saídas
eficazes transcritas em mecanismos de absorção desse resíduo como agregado que
possa ser incorporado ou mesmo substituir recursos naturais em linhas de produção,
ou até mesmo no seu retorno para as fontes geradoras, como insumo.
Muitos municípios continuam com dificuldades para gerenciar os RCD, um
município pode apresentar mais de uma forma de disposição no solo a tabela
seguinte mostra a serviço de manejo disponibilizado:

Fonte: PNSB (IBGE, 2010).

Ainda pela visão de Ângulo (2011) aproximadamente 90% dos municípios


brasileiros possuem menos de 20.000 habitantes (IBGE, 2010), nos quais uma
grande parcela de RCD não está sendo devidamente gerenciada dentro do que
preconiza a resolução CONAMA 307 (CONAMA, 2002). Dentre as dificuldades
apontadas para a implantação dos planos de gerenciamento de RCD, Marques Neto
(2009) apud Ângulo (2011) destaca a falta de recursos financeiros e a inexistência
de corpo técnico qualificado nos quadros profissionais capazes de diagnosticar
fontes geradoras e implementar ações, como a fiscalização.
15

2 POLÍTICAS AMBIENTAIS E RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:DEMOLIÇÃO

Desde a promulgação da Lei Federal 6.938 de 31 de agosto de 1981 que é a


Política nacional do meio ambiente (PNMA) o País passou a ter um marco
regulamentador para inserir nas políticas públicas especificamente para o meio
ambiente, a partir desse feito foi instituído a criação dos órgãos competentes para
atuarem em todas as esferas públicas (Federal, Estadual e Municipal) como
regulamentadores de atividades e fiscalizadores das mesmas.

Instrumentos Legais e normativos em âmbito nacional:

Fonte: IPEA

A Criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA foi um desses


feitos da PNMA, pois o mesmo é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema
Nacional do Meio Ambiente- SISNAMA.
Ainda se tratando de resíduos de construção:Demolição, de acordo com a
resolução 307 de 2002 do CONAMA em seu Art. 2o
V - Gerenciamento de resíduos: é o sistema de gestão que visa reduzir,
reutilizar ou reciclar resíduos, incluindo planejamento, responsabilidades, práticas,
16

procedimentos e recursos para desenvolver e implementar as ações necessárias ao


cumprimento das etapas previstas em programas e planos;
O fluxograma demonstra uma ideia de estrutura de gestão dos resíduos de
acordo com o especificado acima:

Fonte: KARPINSK. et. al

Ao longo dos tempos os resíduos vêm ganhando espaço no quesito


preocupação com a destinação, para sanar essa situação a legislação vem sendo
implementada de forma que abranja o setor produtor e faça com que este seja
gestor dos seus resíduos, dando orientações em todos os quesitos.
A resolução 307 de 5 de julho de 2002 do Conselho Nacional do meio
Ambiente- CONAMA: Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a
gestão dos resíduos da construção civil. Define diretrizes para que os municípios e o
Distrito Federal desenvolvam e programem políticas estruturadas e
dimensionadas a partir de cada realidade local.
Os avanços na destinação correta aumentaram desde que o produtor passou
a ser responsável pelos resíduos gerados de acordo com a resolução 307 do
17

CONAMA, a formação de usinas e associações no setor da reciclagem do resíduo


de construção e demolição- RCD cresceu a partir desse período, pois foi uma
maneira encontrada dos geradores darem um destino ambientalmente correto e
terem outras vantagens.
Para a definição concreta de um Plano Integrado de Gerenciamento nos
moldes da Resolução 307/02 do CONAMA, é necessário realizar um
diagnóstico que permita identificar as condições de geração dos resíduos,
os fluxos de materiais e os impactos (tanto ambientais quanto econômicos)
decorrentes das atividades em cada local. Entretanto, essa resolução
estabelece a necessidade de serem implantadas duas redes de serviços
para possibilitar a destinação correta dos materiais: uma por parte dos
pequenos geradores e outra destinada aos grandes geradores. O novo
sistema de gestão deve, em princípio, estabelecer caráter distinto para as
ações e eventuais instalações físicas decorrentes do cumprimento desse
dispositivo. (KARPINSK. et. al, p.57, 2009)

Constata-se que já existe, no cenário nacional, conhecimento, por parte do


gerador e dos municípios (prefeituras), a respeito da Resolução CONAMA no
307/2002, que trata da responsabilidade do gerador sobre o gerenciamento dos
Resíduos da Construção Civil. Cabe ao Plano Municipal de Resíduos da Construção
Civil estabelecer metas relativas à coleta, ao tratamento e à disposição final
adequada, sendo necessária, principalmente, uma forte campanha para minimizar o
desperdício e intensificar as ações sobre os aspectos preventivos na gestão dos
resíduos (IPEA, 2012).
A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010: Institui a Política Nacional de
Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras
providências. No Art. 3° e seguintes incisos dá definições de:
IV - ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o
desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo
produtivo, o consumo e a disposição final;
V - coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados
conforme sua constituição ou composição;
VII - destinação final ambientalmente adequada: destinação de resíduos que
inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o
aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos
competentes do Sisnama, do SNVS e do Suasa, entre elas a disposição final,
observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à
saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos;
18

VIII - disposição final ambientalmente adequada: distribuição ordenada de


rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar
danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos
ambientais adversos.
Alguns estados e municípios já haviam instituído um PGRS e outros
instituíram depois da promulgação do PNRS.
No Rio Grande do Sul Lei Estadual nº 9.921 de 27 de julho de 1993, esta lei
dispõe sobre a gestão dos resíduos, a Lei Estadual nº 11.520 de 3 de agosto de
2000, institui o Código Estadual do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul
e dá outras providências.
A resolução 017/01 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) diz
que as ações de saneamento ambiental apresentam medidas que garantem a
adequada ocupação do solo urbano, como o gerenciamento de resíduos sólidos, o
controle de vetores e focos de doenças transmissíveis. Já a resolução CONSEMA nº
109/05 parte do princípio do desenvolvimento sustentável, pelo qual os municípios
devem incentivar atividades conjuntas entre os sindicatos da construção civil, órgãos
ambientais, empresas transportadoras e outros setores da sociedade.
No estado de São Paulo foi instituído pela Lei Estadual nº 12.300, de 16 de
março de 2006 em seu Artigo 19 - O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos,
a ser elaborado pelo gerenciador dos resíduos e de acordo com os critérios
estabelecidos pelos órgãos de saúde e do meio ambiente, constitui documento
obrigatoriamente integrante do processo de licenciamento das atividades e deve
contemplar os aspectos referentes à geração, segregação, acondicionamento,
armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final, bem como a
eliminação dos riscos, a proteção à saúde e ao ambiente, devendo contemplar em
sua elaboração e implementação:
Em São Paulo/SP, A Lei Municipal Nº. 14.973 de 11/09/2009 dispõe sobre a
organização de sistemas de coleta seletiva nos Grandes Geradores de Resíduos
Sólidos do Município de São Paulo e disciplina o armazenamento, a coleta, a
triagem e a destinação de resíduos sólidos produzidos em Grandes Geradores de
Resíduos Sólidos do Município de São Paulo.
19

Art. 1° Parágrafo único. Consideram-se, para os fins desta lei, Grandes


Geradores de Resíduos Sólidos: Os proprietários, possuidores ou titulares de
estabelecimentos públicos, institucionais, de prestação de serviços, comerciais e
industriais, entre outros, geradores de resíduos sólidos caracterizados como
resíduos da Classe 2, pela NBR 10.004, da Associação Brasileira de Normas
Técnicas – ABNT, em volume superior a 200 (duzentos) litros diários;
Os proprietários, possuidores ou titulares de estabelecimentos públicos,
institucionais, de prestação de serviços, comerciais e industriais, dentre outros,
geradores de resíduos sólidos inertes, tais como entulhos, terra e materiais de
construção, com massa superior a 50 (cinquenta) quilogramas diários, considerada a
média mensal de geração, sujeitos à obtenção de alvará de aprovação e/ou
execução de edificação, reforma ou demolição;
Os condomínios de edifícios não residenciais ou de uso misto, cuja soma dos
resíduos sólidos, caracterizados como resíduos Classe 2, pela NBR 10.004, da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, gerados pelas unidades
autônomas que os compõem, seja em volume médio diário igual ou superior a 1.000
(mil) litros.
Em Salvador/BA o decreto Nº 25316 de 12/09/2014 em seu Art. 2º diz que
são considerados grandes geradores, para fins deste Regulamento, os proprietários,
possuidores ou titulares de estabelecimentos públicos, institucionais, de prestação
de serviços, comerciais e industriais, terminais rodoviários e aeroportuários, entre
outros, exceto residenciais, cujo volume de resíduos sólidos gerados é superior a
300 (trezentos) litros/dia. No Art. 5° é exigido o cadastramento dos grandes
geradores no órgão público que para isso, devem obrigatoriamente apresentar um
Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – PGRS de sua atividade.
Para que essa política seja tanto ambientalmente, como economicamente
sustentável, Pinto e Gonzáles (2005 apud KARPINSK et al., 2009) afirmam que é
necessária uma busca permanente de soluções eficientes e duradouras.
A grande quantidade de entulho gerada no Brasil mostra que o desperdício
de material é um fato relevante e que deve ser pesquisado, analisado e
solucionado tanto pelas indústrias da construção civil como por prefeituras,
estados, população e universidades. Os custos desse desperdício são
20

distribuídos por toda sociedade, desde o aumento do custo final das edificações
até os encargos cobrados pelas prefeituras. Além disso, geralmente esse custo é
embutido em impostos para disponibilizar a remoção, o transporte e o tratamento do
resíduo de construção e demolição (MENDES et al., apud KARPINSK et al., 2009).
Algumas Normas técnicas foram criadas para especificar os resíduos e
orientar as múltiplas formas de usos e destinação, o quadro abaixo lista e descreve
as normas envolvidas no processo de resíduos sólidos.

Norma Descrição
NBR 10004/87 Resíduos sólidos - Classificação
Armazenamento de resíduos classe II
NBR 11174/89
(não-inertes) e III (inertes)
NBR 13221/94 Transporte de resíduos
NBR 13463/95 Coleta de resíduos sólidos
Resíduos da construção civil e resíduos
NBR 15112/04
volumosos
Resíduos sólidos da construção civil e
NBR 15113/04
resíduos inertes
Resíduos sólidos da construção civil -
NBR 15114/04
Áreas de reciclagem
Agregados reciclados de resíduos
NBR 15115/04 sólidos da construção civil execução
camadas pavimentação
Agregados reciclados de resíduos
sólidos da construção civil. Utilização
NBR 15116/04
em pavimentação e preparo de
concreto sem função estrutural.

A implementação de medidas para atenuação dos impactos ambientais


oriundos das atividades do setor da construção civil faz-se necessária, visto o
grande volume de geração desse resíduo, bem como dos transtornos que o mesmo
provoca. (OLIVEIRA, MENDES, 2008)
Salienta-se, ainda, o papel estratégico que o Plano Nacional de Resíduos
Sólidos deverá assumir, no sentido de estipular metas para o gerenciamento
de RCC e no estabelecimento das formas de recebimento e monitoramento
dos dados das diferentes localidades. As metas devem priorizar a
minimização dos resíduos, incentivar o adequado gerenciamento, a
ampliação dos serviços de processamento e a reciclagem dos RCC. Para
que estes objetivos sejam atingidos, serão necessários, entre outras
medidas, oferecer treinamentos aos gestores municipais e aos geradores
particulares, além de implantar um sistema de divulgação das experiências
de sucesso. (IPEA, p. 33, 2012)
21

Muitos municípios brasileiros criaram o seu plano de gerenciamento de


resíduos de construção, um instrumento normativo específico para tal finalidade,
outros de forma ampla introduziram os resíduos de construção no plano de resíduos
sólidos urbanos de maneira geral, mencionando quando se trata de resíduos de
construção, de uma forma ou outra o importante é que houve uma inserção dos
mesmos com o objetivo de dar uma destinação adequada para os mesmos.
22

3 DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO:DEMOLIÇÃO

A construção civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades


para o desenvolvimento econômico e social, mas, por outro lado, apresenta-se como
grande geradora de impactos ambientais, quer pelo consumo de recursos naturais,
quer pela modificação da paisagem ou pela geração de resíduos. O setor tem o
desafio de conciliar uma atividade produtiva dessa magnitude com condições que
conduzam a um desenvolvimento sustentável consciente e menos agressivo ao meio
ambiente (PINTO, 2005).
O ônus desta irracionalidade é distribuído por toda a sociedade, não só pelo
aumento do custo final das construções como também pelos custos de remoção e
tratamento do entulho. Na maioria das vezes, esse resíduo é retirado da obra e
disposto clandestinamente em locais como terrenos baldios, margens de rios e de
ruas das periferias, gerando uma série de problemas ambientais e sociais, como a
contaminação do solo por gesso, tintas e solvente; a proliferação de insetos e outros
vetores contribuindo para o agravamento de problemas de saúde pública (MENDES,
2004 apud OLIVEIRA, MENDES, 2008).
A Resolução 307/02 do CONAMA dividiu o processo de gerenciamento em
cinco etapas facilitando o gerenciamento os resíduos da construção civil:
I - caracterização: o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos;
II - triagem: deverá ser realizada, preferencialmente, na origem, ou ser
realizada nas áreas de destinação licenciadas para essa finalidade, respeitadas as
classes de resíduos estabelecidas no art. 3º da Resolução 307/02;
III - acondicionamento: o gerador deve garantir o confinamento dos resíduos
após a geração até a etapa de transporte, assegurando condições de reutilização e
de reciclagem;
IV - transporte: deverá ser realizado de acordo com as normas técnicas
vigentes;
V - destinação: deverá ser prevista de acordo com o estabelecido na
Resolução 307/02.
O Art. 3º da Política nacional de Resíduos Sólidos da algumas definições
sobre destino final:
23

XIV - reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos que


envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com
vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e
os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do
SNVS e do Suasa;
XV - rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as
possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis
e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a
disposição final ambientalmente adequada;
XVIII - reutilização: processo de aproveitamento dos resíduos sólidos sem sua
transformação biológica, física ou físico-química, observadas as condições e os
padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do
SNVS e do Suasa;
Embora as técnicas de reciclagem dos resíduos minerais de construção civil
tenham evoluído, não se pode afirmar com absoluta convicção que a reciclagem
tenha se tornado uma ideia amplamente difundida (LEVY, 1995).
Porém, aspectos importantes como classificação dos agregados e garantia de
qualidade ainda precisam de aprimoramento para consagração do emprego dessa
técnica. Dessa forma, faz-se necessário o desenvolvimento de pesquisas inerentes a
aplicação desse resíduo em obras civis (OLIVEIRA, MENDES, 2008)
A destinação dos resíduos de construção e demolição (RCD) tem sido um
dos problemas enfrentado pelas indústrias do setor, que até pouco tempo
atrás dispunham o resíduo de forma inadequada, por não possuírem
legislação pertinente sobre o tema. A destinação inadequada dos RCD gera
inúmeros problemas de contaminação, degradação e custos adicionais. É
importante destacar que o gerador do resíduo continua sendo o responsável
por isso, ainda que o tenha destinado com todas as autorizações do órgãos
ambientais. (KARPINSK. et. al, p. 60, 2009)
Ainda segundo Karpinsk. et. al (2009) a busca pela melhoria da qualidade
ambiental dos serviços e do ambiente que envolve todo o processo de geração até a
deposição final dos resíduos de construção e demolição de qualquer organização
pública ou privada, é um processo de aprimoramento constante do sistema de
gestão ambiental global de acordo com a política ambiental estabelecida pela
organização.
Segundo a resolução 307/02 do CONAMA Art. 10. Os resíduos da
construção civil deverão ser destinados das seguintes formas:
24

I - Classe A: deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou


encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de
modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura;
II - Classe B: deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas
de armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização
ou reciclagem futura;
III - Classe C: deverão ser armazenados, transportados e destinados em
conformidade com as normas técnicas específicas.
IV - Classe D: deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e
destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.

Fonte: Pinto e Gonzales (2005) apud Karpinsk. et. al (2009)

Com a promulgação da PNRS houve uma classificação para os geradores de


resíduos, podendo ser assim designados como pequenos e grandes geradores. Na
figura acima há uma representação do Plano Integrado de Gerenciamento de
25

Resíduos da construção civil, auxiliando os municípios nas ações a serem tomadas


para colocar em prática a legislação.
Para Pinto e Gonzáles (2005) apud Karpinsk et. al (2009) o conjunto de ações
deve ser direcionado, entre outros, aos seguintes objetivos:
➢ destinação adequada dos grandes volumes;
➢ preservação e controle do aterro de resíduo de construção e demolição;
➢ deposição facilitada para pequenos volumes;
➢ recolhimento sistematizado dos pequenos volumes;
➢ melhoria da limpeza e da paisagem urbana;
➢ preservação ambiental;
➢ incentivo às parcerias;
➢ incentivo à presença de novos agentes de limpeza;
➢ incentivo à redução de resíduos na fonte;
➢ redução dos custos municipais através da reciclagem.
Na figura seguinte alguns números sobre os resíduos da construção civil
coletados para dar dimensão da necessidade de gerenciamento adequado:

Fonte: Brasil (2010) apud Karpinsk. et. al (2009)

3.1 PEQUENOS GERADORES

È de responsabilidade do município criar um plano de gerenciamento para


que os pequenos geradores possam cumprir, destinando áreas de recebimento que
26

podem ser aterro para resíduos de construção ou área de transbordo, mas para que
o plano de gerenciamento municipal para pequenos geradores seja cumprido é
necessário um amplo trabalho de educação ambiental no município, para que haja
uma conscientização sobre os riscos de despejo em qualquer lugar, um trabalho que
deve ser realizado nas escolas e junto à comunidade em geral de forma intensa, é
um trabalho com resultados a longo prazo mas juntamente com ele tem que haver a
fiscalização com aplicação da penalidade para os não cumpridores.
È uma tarefa difícil quantificar os pequenos geradores, pois muitas reformas,
construções/ampliações, etc. não são notificadas para a prefeitura, são feitas por
pessoas físicas sem supervisão de um profissional habilitado o que ocasiona, até por
falta de conhecimento, o descarte em locais inapropriados.
O poder público deve oferecer uma rede de coleta e destinação
ambientalmente correta para os pequenos geradores, responsáveis por
reformas e autoconstruções e incapazes de implementar autogestão.
(ÂNGULO et. al, p. 300, 2011)
Os pequenos geradores precisam entender que possuem responsabilidade
quanto ao despejo desses resíduos, pois há uma responsabilidade quanto ao
destino final que a cabe ao poder público mas é necessário que todos os envolvidos
cumpram a parte que lhes é atribuída, nesse caso levando até o local indicado, o
compromisso de manter a cidade limpa cabe a todos os moradores, não podendo
eximir a responsabilidade de ambos lados.
Na maioria das vezes, o entulho é retirado da obra e disposto
clandestinamente em locais como terrenos baldios, margens de rios e de
ruas das periferias. O custo social total é praticamente impossível de ser
determinado, pois suas consequências geram a degradação da qualidade
de vida urbana em aspectos como: transportes, enchentes, poluição visual,
entre outros. (CARDOSO et. al, p.6, 2008)

RCD próximo a rio em Pelotas/RS

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-86212012000200008
27

Fonte: Ecolandsolution Fonte:SEMA-Joinville

Muitos municípios elaboraram o seu plano mas algumas tem pouco recurso
humano para fiscalizar, outras não conseguiram elaborar e nem sequer destinaram
uma área, licenciada, para recebimento desse material, seja por um motivo ou outro
a população continua criando inconvenientes ao despejar aleatoriamente como
mostrado nas fotos seguintes, pois o custo entre uma empresa privada que presta o
serviço e um carroceiro são significativos, e como não há um consciência das
possíveis consequências ocasionados pelo despejo clandestino ainda se encontra
com muita frequência.
Segundo a ABRECON (2015) no Brasil, a disposição irregular deste material
tem causado enchentes, perda de infraestrutura de drenagem por entupimento de
galerias e assoreamento de canais, além da proliferação de vetores, poluição e do
aumento desnecessário dos custos da administração pública. Em algumas cidades
este material ainda é depositado em aterros sanitários, procedimento este que é
considerado um desperdício duplo de dinheiro. E uma forma de se reduzir estes
impactos negativos é através da reciclagem de resíduos de construção.

3.2 GRANDES GERADORES

Os grandes geradores têm a responsabilidade de gerenciamento dos seus


resíduos, tendo que montar seu próprio Plano de Gerenciamento de Resíduos
Sólidos, tendo sua própria área de manejo licenciada, a fiscalização da mesma é de
28

responsabilidade do poder público municipal, sendo o mesmo direcionar todas as


etapas a serem seguidas.
Com esses cuidados previamente tomados, é possível articular com os
agentes privados interessados nas estratégias de gestão para o
processamento dos resíduos, contemplando algumas ações importantes,
como a instalação de diferentes áreas: áreas de triagem, áreas de
reciclagem de resíduos Classe A e aterros de resíduos Classe A da
construção civil. As áreas destinadas ao processamento de grandes
volumes de RCD, independentemente do fato de serem públicas ou
privadas, devem seguir as diretrizes do novo sistema e sempre passar por
uma rigorosa fiscalização do poder público municipal.
(KARPINSK. et. al, p.66, 2009)

Os RCD causam tantos problemas à vida urbana e ao meio ambiente que a


melhor solução é que o mesmo seja visto como fonte de materiais que podem ser
reutilizados na construção civil e pavimentação (MENDES, OLIVEIRA, 2008).
As empresas privadas de construção, que são grandes geradoras desse
resíduo, devem desenvolver projetos de gerenciamento específicos, por
exemplo, triagem em canteiros de obras, incluindo o uso de transportadores
cadastrados e de áreas licenciadas para manejo e reciclagem. (ÂNGULO et.
al, p. 300, 2011)

A seguir uma imagem de um grande gerador de RCD.

Fonte: EPTV

3.3 RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO

Segundo Pinto (1999), em cidades brasileiras de médio e grande porte, os


resíduos originados de construções e demolições representam de 40 a 70% de
todos os sólidos nas cidades brasileiras, cujo destino incorreto traz prejuízos
econômicos, sociais e ambientais.
29

Apesar de causar tantos problemas, o entulho deve ser visto como fonte de
materiais de grande utilidade para a construção civil. Seu uso mais
tradicional - em aterros - nem sempre é o mais racional, pois ele serve
também para substituir materiais normalmente extraídos de jazidas ou pode
se transformar em matéria-prima para componentes de construção, de
qualidade comparável aos materiais tradicionais. (CARDOSO et. al, p.3,
2008)

Houve um crescimento intenso na implantação de usinas de reciclagem de


RCD no Brasil segunda a ABRECON, a maioria destas são do setor privado como
mostra o gráfico a seguir.

Há um interesse da iniciativa privada em receber os RDC, pois são


beneficiados e se tornam novamente materiais para a cadeia produtiva da
construção civil, as usinas em operação no Brasil têm números expressivamente
maiores na iniciativa privada e recebem em maior parte de grandes geradores, é
uma forma de reintroduzir esse material, que seria descartado, novamente no
processo, dando resultados positivos, pois é deixado de se retirar da natureza.
A forma mais simples de reciclagem do entulho é a sua utilização em
pavimentação (base, sub-base ou revestimento primário), na forma de brita corrida
ou ainda em misturas do resíduo com solo (ZORDAN, 1997 apud MENDES,
OLIVEIRA 2008).
Segundo Cardoso et. al (2008) pode-se fabricar elementos de construção –
blocos, briquetes, tubos para drenagem e placas. Para todas estas aplicações, é
possível obter similaridade de desempenho em relação a produtos convencionais,
com custos competitivos.
30

Ainda de acordo com Cardoso et. al (2008) grandes pedaços de concreto


podem ser aplicados como material de contenção para prevenção de processos
erosivos na orla marítima e das correntes, ou usado em projetos como
desenvolvimento de recifes artificiais. O entulho triturado pode ser utilizado em
pavimentação de estradas, enchimento de fundações de construção e aterro de vias
de acesso.
A busca por soluções do problema dos RCD é um caminho que está sendo
trilhado, mesmo que haja reaproveitamento a questão que se esbarra é a coleta de
todo esse material diretamente do gerador até os pontos de processamento sem ter
que estar antes nas vias, margens de rios, aterros sanitários, etc. causando
inconvenientes, a educação ambiental é uma ferramenta das quais pode chegar a tal
objetivo.
31

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao se propor analisar os destinos dos resíduos de construção/demolição


buscou-se saber se as políticas ambientais vigentes estão sendo executadas como
foram propostas, com a verificação dos números de municípios viu-se que a maioria
dos mesmos ainda não disponibilizam os resíduos da maneira correta.
Embora a legislação esteja contemplando todos os geradores e dando
orientações de como descartar os resíduos falta uma maior fiscalização por parte do
poder público, que por vezes nem cumpre com a sua parte, pois muitos estados e
municípios não possuem um Plano de Gerenciamento de Resíduos, não
disponibilizam de áreas devidamente licenciadas para receber esses resíduos, o que
consequentemente abre precedente para pequenos e grandes geradores dispor em
locais inapropriados, causando vários transtornos a população e degradando o meio
ambiente.
Várias formas de reutilização dos RCD estão sendo executadas
principalmente pela iniciativa privada, são exemplos que precisam ser multiplicados,
mas é necessário que haja uma conscientização dos gestores públicos e
comunidades em geral, pois todos de alguma forma são geradores e é necessário
descartar, a legislação é clara, objetiva e precisa para o bem de todos ser colocada
em prática em cada município do país.
32

REFERÊNCIAS

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http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2015.pdf.> Acesso em: 20 de março
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v.16, n.3, p. 299-306, jul./set. 2011. Disponível em<
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2017.

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sólidos - Classificação. Rio de Janeiro, 2004.

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construção civil e resíduos volumosos: Áreas de transbordo e triagem: Diretrizes
para projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro, 2004.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15113: Resíduos


sólidos da construção civil e resíduos inertes: Aterros: Diretrizes para projeto,
implantação e operação. Rio de Janeiro, 2004.

BRASIL. Lei n° 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Regulamenta a Lei no 12.305, de


2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o
Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê
Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá outras
providências. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 2010.

BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de


Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras
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