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CURSO ON-LINE – DIREITO PENAL – TEORIA E EXERCÍCIOS

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PAPILOSCOPISTA DA–POLÍCIA
DIREITO PENAL
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PROFESSOR PEDRO IVO
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AULA 05 – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Caros alunos,
A partir de agora começaremos a tratar de temas mais específicos do Direito
Penal e o que foi visto até agora será essencial para um bom entendimento.
Iniciaremos esta parte do seu futuro edital tratando dos crimes contra a
Administração Pública, um assunto recorrente em provas, para o qual deve ser
dada uma atenção MAIS DO QUE ESPECIAL.
A fim de facilitar o aprendizado ao máximo, vou ser o mais objetivo possível,
apresentando o que vocês precisam saber para a PROVA. Para isto, nesta aula,
serão estudados os primeiros delitos que vocês necessitam ter conhecimento e,
na aula seguinte, complementaremos o assunto com os restantes.
Vejo em sala de aula que, como são várias tipificações, muitos alunos acabam
fazendo uma grande confusão e, exatamente por isso, é necessário ter calma e
cuidado no estudo de cada tipo penal, entendendo o conceito e os caracteres que
compõem os crimes.
Mais do que nunca é importante praticar com exercícios, mas julgo que o
aprendizado fica extremamente comprometido quando as questões são separadas
de acordo com a classificação dos delitos (você entenderá isso em breve). Você
acha que o CESPE vai separar na hora da prova, por exemplo, a corrupção
passiva da ativa? Claro que não.
Sendo assim, deixarei os exercícios para a AULA 06, na qual finalizaremos TODOS
os tipos penais importantes para sua prova. Desta forma, você realmente testará
o seu aprendizado e poderá verificar as pendências e dúvidas.
Por falar em dúvidas, outra recorrente é quanto à necessidade ou não de guardar
as penalizações dos crimes (Ex: reclusão de dois a quatro anos). Meu “Bizu” é o
seguinte: Não perca tempo decorando as penas dos delitos. Pode ser cobrado
pelo CESPE? Claro que sim! Mas toda a lógica indica que tal conhecimento não
será exigido e a relação TEMPO/BENEFÍCIO, em minha opinião, é muito pequena.
Agora uma dica: Ao final da aula será apresentado um resumo a fim de organizar
as idéias. Sendo assim, procure entender bem cada delito e deixe para separá-los
no cérebro com o quadro-resumo. Não perca tempo indo e voltando em sua
primeira leitura. Bons estudos!!!

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5.1 CONCEITOS GERAIS

O Código Penal dedica o último título da parte especial para tratar dos crimes
contra a Administração Pública.
Pretende o legislador proteger o normal desenvolvimento da máquina
administrativa em todos os setores de sua atividade, proibindo, pela incriminação
penal, não só a conduta ilícita dos funcionários públicos, mas também a dos
particulares que venham expor a perigo de dano a função administrativa.
Mas qual o significado da expressão “Administração Pública” utilizada pelo Código
Penal?
A Administração Pública pode ser analisada sob duas óticas diferentes, ora no
sentido amplo, ora no sentido restrito.
O conceito de Administração em sentido restrito abrange apenas o poder
Executivo no exercício de sua função típica de administrar.
Diferentemente, a Administração Pública analisada no sentido amplo é o próprio
Estado, sendo composta pelos três poderes, ou seja, o Legislativo, o Executivo e
o Judiciário.
Vamos entender:
O poder Executivo tem como função principal a de administrar, desenvolvendo
todos os atos inerentes a esta função. Entretanto, tal como ocorre nos outros
poderes, detém também funções de editar leis, como no caso das Medidas
Provisórias, e julgar processos, como no caso das decisões proferidas em seus
processos administrativos.
O poder Legislativo, por sua vez, tem como funções principais a edição de Leis e
o controle. Todavia, exerce também a função de administrar, em se tratando da
administração de seu pessoal, por exemplo, e a função de julgar, como no caso
do crime de responsabilidade.
Por fim, o poder Judiciário tem como função principal a de julgar, exercendo a
função jurisdicional em todo o âmbito da administração. Entretanto, na
admissão, demissão e promoção de seu pessoal, por exemplo, pode ser verificada
a ocorrência da função administrativa.
Sendo assim, percebe-se que temos a função administrativa no âmbito dos três
poderes e, exatamente por isso, o legislador optou por utilizar no Código Penal o
conceito de Administração Pública em SENTIDO AMPLO, abrangendo assim o
poder EXECUTIVO, o LEGISLATIVO e JUDICIÁRIO.

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5.1.1 CLASSIFICAÇÕES

Os crimes contra a administração são classificados em três grupos:

1. CRIMES COMETIDOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A


ADMINISTRAÇÃO EM GERAL (ART. 312 A 326);
2. CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL (ART. 328 A 337); E
3. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA (ART 338 A
359).

5.1.2 CRIME FUNCIONAIS

Os crimes funcionais pertencem à categoria dos crimes próprios, pois só


podem ser cometidos por determinada classe de pessoas. Neste tipo de delito,
a lei exige do indivíduo uma condição ou situação específica. Os crimes
funcionais classificam-se em:

Crimes funcionais próprios  São aqueles cuja ausência da qualidade de


funcionário público torna o fato atípico. Exemplo claro de crime funcional
próprio é o delito de prevaricação, previsto no artigo 319 do Código Penal.

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de


ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer
interesse ou sentimento pessoal:

Se ficar comprovado que na época do fato o indivíduo não era funcionário


público, desaparece a prevaricação e não surge nenhum outro crime. Percebe-
se que a qualidade do sujeito ativo aparece como elemento da tipicidade
penal.

Crimes funcionais impróprios ou mistos  A ausência da qualidade


especial faz com que o fato seja enquadrado em outro tipo penal. Exemplo:
Concussão – Art. 316; se o sujeito ativo não for funcionário público, o crime é
de extorsão – art. 158.

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5.1.3 FUNCIONÁRIO PÚBLICO

Durante a aula, falarei por diversas vezes em “funcionário público”, mas qual o
real significado desta expressão?
Para responder a este questionamento, devemos buscar o conceito exposto no
artigo 327 do Código Penal. Observe:

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais,


quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo,
emprego ou função pública.

CARGO PÚBLICO  Segundo a doutrina, cargo público é a mais


simples unidade de poderes e deveres estatais a serem expressos
por um agente. Todavia, há conceito legal de cargo público. O
artigo 3º da lei 8112/90 (Estatuto dos Servidores Públicos Civis
da União) define cargo público como sendo o conjunto de
atribuições e responsabilidades previstas na estrutura
organizacional que devem ser cometidas a um servidor.

EMPREGO PÚBLICO  De acordo com a doutrina dominante,


emprego público tem, substancialmente, a mesma conceituação
de cargo público. O que os diferencia é que no emprego a relação
jurídica estabelecida entre seu titular e a Administração é regida
pela CLT.

FUNÇÃO PÚBLICA  De forma residual, conceituamos função


pública como a atribuição desempenhada por um agente que não
se caracteriza como cargo ou emprego público. Assim, considera-
se funcionário aquele que, sem ter cargo ou emprego público,
desempenha função pública extraordinária (contratado
extraordinariamente).

Com base no dispositivo supra, para fins de aplicação dos artigos de lei que
analisaremos a seguir, devemos entender por funcionários públicos todos
aqueles que desempenham função, submetidos a uma relação hierarquizada
para com o ente administrativo, independentemente de ser este ente da
administração direta ou indireta, bem como de ser este labor permanente ou
temporário, voluntário ou compulsório, gratuito ou oneroso.

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Deste modo, o nosso Código Penal adotou a noção ampliada do conceito de


funcionário público discutido na esfera do Direito Administrativo. E foi mais
longe. Não exige, para caracterizá-lo, nem sequer o exercício profissional ou
permanente da função pública.
Verifica-se que o funcionário público, diante do Direito Penal, caracteriza-se
pelo exercício da função pública. Portanto, o que importa não é a qualidade do
sujeito, de natureza pública ou privada, mas sim a natureza da função por ele
exercida.

5.1.3.1 FUNCIONÁRIO PÚBLICO POR EQUIPARAÇÃO

Dispõe o parágrafo 1º do art. 327 do CP:

Art. 327
[...]
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo,
emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha
para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada
para a execução de atividade típica da Administração Pública.

A lei nº 9.983/2000 estendeu o conceito de funcionário público,


equiparando a este:

1. QUEM TRABALHA EM ENTIDADE PARAESTATAL  As entidades


paraestatais integram o chamado terceiro setor, que pode ser
definido como aquele composto por entidades privadas da sociedade
civil, que prestam atividade de interesse social, por iniciativa
privada, sem fins lucrativos.
O terceiro setor coexiste com o primeiro setor, que é o próprio
Estado, e com o segundo setor, que é o mercado.

2. QUEM TRABALHA EM EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO


CONTRATADA OU CONVENIADA PARA A EXECUÇÃO DE
ATIVIDADE TÍPICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA  Difere o
contrato do convênio porque naquele é a Administração Pública,
mediante concessão, quem contrata o particular para o exercício de
atividade pública. Já no convênio, verifica-se um acordo de duas ou

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mais entidades para a realização de um serviço público de


competência de uma delas, que deve ser uma entidade pública.
O conceito de atividade típica da Administração Pública vincula-se às
tarefas essenciais do Estado, tais como saúde, educação,
transportes, cultura, segurança, higiene, dentre outras. Observe o
julgado:

STJ - RECURSO ESPECIAL: REsp 902037 SP 2006/0222308-1

PENAL. RECURSO ESPECIAL. ART. 317, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL.


CONCEITO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO PARA FINS PENAIS. ADVOGADO
CONTRATADO POR MEIO DE CONVÊNIO FIRMADO ENTRE A
PROCURADORIA GERAL DO ESTADO E A OAB PARA ATUAR EM DEFESA
DOS BENEFICIÁRIOS DA JUSTIÇA GRATUITA.

O advogado que, por força de convênio celebrado com o Poder Público,


atua de forma remunerada em defesa dos agraciados com o benefício da
Justiça Pública, enquadra-se no conceito de funcionário público para fins
penais (Precedentes). Recurso especial provido.

5.1.3.2 CAUSA DE AUMENTO DE PENA

Para o legislador, determinados cargos, tais como os em comissão ou de


direção ou assessoramento, pela importância e responsabilidade, devem ser
valorados de uma maneira diferenciada em relação aos demais. Sendo
assim, fez constar no Código Penal que:

Art. 327
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos
crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em
comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da
administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública
ou fundação instituída pelo poder público.

Resumindo:

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FUNCIONÁRIO PÚBLICO  PESSOA FÍSICA QUE EXERCE FUNÇÃO


PÚBLICA, A QUALQUER TÍTULO, COM OU SEM REMUNERAÇÃO.
(ADMINISTRAÇÃO DIRETA OU INDIRETA)
FUNCIONÁRIO PÚBLICO POR EQUIPARAÇÃO  PESSOA FÍSICA
QUE ATUA EM ENTIDADE PARAESTATAL OU EM EMPRESA
PRIVADA, CONTRATADA OU CONVENIADA, PARA A EXECUÇÃO
DE ATIVIDADE TÍPICA.
OBSERVAÇÃO 01  A EQUIPARAÇÃO APLICA-SE AO SUJEITO
ATIVO DO DELITO.
OBSERVAÇÃO 02  NO CASO DE OCUPANTES DE CARGOS EM
COMISSÃO OU DE FUNÇÃO DE DIREÇÃO OU ASSESSORAMENTO
DE ÓRGÃO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA OU INDIRETA, A PENA
SERÁ AUMENTADA DA TERÇA PARTE.

NOS DELITOS PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEVE-SE COMPROVAR A UTILIZAÇÃO DO CARGO,
DO EMPREGO OU DA FUNÇÃO; CASO CONTRÁRIO, NÃO HAVERÁ ESSE TIPO DE
CRIME.

5.2 DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO


CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

5.2.1 PECULATO

O peculato é o delito em que o funcionário público, arbitrariamente, faz sua ou


desvia em proveito próprio ou de terceiro, a coisa móvel que possui em razão
do cargo, seja ela pertencente ao Estado ou a particular, ou esteja sob sua
guarda ou vigilância.
Está definido assim no Código Penal:

Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou


qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a

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posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou


alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.

Observe que se trata de um crime funcional impróprio, pois se retirarmos a


qualidade de funcionário público passamos a ter o delito de apropriação
indébita, previsto no artigo 168 do Código Penal. Veja a semelhança:

Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse


ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

A definição do PECULATO prevista no artigo 312 se subdivide em duas


espécies:

• PECULATO-APROPRIAÇÃO  Definido na 1ª parte


do artigo 312. Ocorre quando o funcionário público
APROPRIA-SE.
• PECULATO-DESVIO  Previsto na 2ª parte do
artigo 312. Recebe esta denominação quando o
funcionário público DESVIA.

Para que haja a caracterização do peculato, faz-se necessário o cumprimento


das seguintes condições:

1. QUE O SUJEITO TENHA A POSSE LÍCITA DO OBJETO


MATERIAL;
2. QUE A POSSE LHE TENHA SIDO CONFIADA EM RAZÃO DO
CARGO; E
3. QUE HAJA UMA RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO ENTRE O CARGO
E A POSSE.

Podemos exemplificar o PECULATO com o seguinte caso:

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Tício, servidor público federal, “subtrai" de dentro da repartição onde trabalha


o teclado de seu computador. Para tanto, Tício utiliza-se de sua própria chave
da repartição, que só a possuia em razão do cargo.
Nessa situação, Tício está valendo-se da "qualidade especial de servidor
público", pois só tem a chave e o computador porque é servidor. Nese caso, o
crime é de "PECULATO".
Para finalizar, observe o elucidativo julgado.

TRF4 - APELAÇÃO CRIMINAL: ACR 22098 RS 2000.71.00.022098-3

O delito de peculato, para sua configuração, exige a condição de funcionário


público do agente ativo e que ele tenha se valido das facilidades que o cargo lhe
propicia para proveito próprio ou alheio, apropriando-se ou desviando valor ou
outro bem móvel. É mister que a posse - entendida em sentido amplo,
abrangendo não só o poder material de dispor da coisa como também sua livre
utilização facultada pela função exercida - seja lícita, ou seja, que a entrega do
bem resulte de mandamento legal ou inveterada praxe, não proibida por lei.

5.2.1.1 CARACTERIZADORES DO DELITO (MUITA ATENÇÃO!!!)

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público.
2. SUJEITO PASSIVO: Regra geral, é o ESTADO, entretanto, pode
figurar no pólo passivo um particular, caso o objeto material seja
de natureza privada.
Para exemplificar, imagine que Mévio está em um processo judicial
tentando a posse de um bem. Durante o processo, o Juiz coloca
este bem sob a guarda de um funcionário público, que o desvia.
Neste caso, figurará no pólo passivo o particular.

• ELEMENTOS:

Futuro(a) aprovado(a), lembra no início da aula quando eu falei que os


conceitos vistos em aulas anteriores seriam importantes...Então...Aqui é
mais do que necessário que você saiba a diferenciação entre elemento

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OBJETIVO, SUBJETIVO e NORMATIVO. Embora eu tenha certeza que


você já consolidou estes conceitos, eu vou ser “chato” e vou relembrar.
Observe:

• ELEMENTOS OBJETIVOS  OS ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO REFEREM-


SE AO ASPECTO MATERIAL DA INFRAÇÃO PENAL, DIZENDO RESPEITO À
FORMA DE EXECUÇÃO, TEMPO, MODO, LUGAR, ETC.
• ELEMENTOS SUBJETIVOS  OS ELEMENTOS SUBJETIVOS DO TIPO PENAL,
TAMBÉM CONHECIDOS NA DOUTRINA POR ELEMENTOS SUBJETIVOS DO
INJUSTO, DIZEM RESPEITO AO ESTADO PSICOLÓGICO DO AGENTE, OU
SEJA, À SUA INTENÇÃO.
• ELEMENTOS NORMATIVOS  OS TIPOS PENAIS PODEM CONTER ELEMENTOS
NA SUA FORMAÇÃO QUE NÃO SÃO DE COMPREENSÃO IMEDIATA, COMO OS
ELEMENTOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS, EM RAZÃO DA NECESSIDADE DE UM
JUÍZO DE VALOR SOBRE OS MESMOS. NESTES TIPOS PENAIS QUE CONTÉM
ELEMENTOS NORMATIVOS, ALÉM DE O LEGISLADOR INCLUIR EXPRESSÕES
COMO MATAR, SUBTRAIR, OFENDER, ETC., INCLUI ELE AINDA EXPRESSÕES
COMO SEM ‘JUSTA CAUSA’, ‘INDEVIDAMENTE’, ‘FRAUDULENTAMENTE’, ETC.,
QUE SÃO CONSIDERADOS ELEMENTOS NORMATIVOS.

Agora que você já relembrou, vamos voltar a tratar dos elementos do


PECULATO desvio e apropriação:

1. OBJETIVO: Conforme você já estudou, a conduta pode realizar-se


através da apropriação ou do desvio.
Na apropriação, ocorre a inversão do título de posse e o
funcionário passa a dispor da “coisa” como se sua fosse.
Diferentemente, no desvio o funcionário não tem a intenção do
apossamento definitivo, mas emprega o objeto em fim diverso
para proveito próprio.
Imagine que Tício ficou responsável pela guarda de uma Ferrari e
resolve utilizá-la para sair com uma “amiga”. Neste caso, comete
peculato-desvio.
2. SUBJETIVO: É o DOLO. Exige-se a intenção de não devolver o
objeto e a vontade de obter proveito próprio ou de terceiro.
Atenção que aqui estamos tratando unicamente do peculato
apropriação e desvio.
3. NORMATIVO: A expressão "proveito próprio ou alheio".

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• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. A consumação no peculato-apropriação ocorre quando o indivíduo


age como se fosse dono do objeto. Por sua vez, no peculato-desvio
ocorre quando o indivíduo desvia o bem, sendo irrelevante se
consegue ou não proveito próprio ou alheio.
Sendo assim, no exemplo da Ferrari, se o indivíduo não consegue
“impressionar” sua amiga e obter o “proveito” almejado...Azar o
dele!!!
2. O Peculato é um delito material e admite a figura da tentativa.

5.2.1.2 PECULATO-FURTO

Ainda no artigo 312 temos a caracterização do chamado peculato-furto que,


segundo o STF, ocorre quando o funcionário público não detém a posse da
coisa (valor, dinheiro ou outro bem móvel) em razão do cargo que ocupa,
mas sua qualidade de funcionário público propicia facilidade para a
ocorrência da subtração devido ao trânsito que mantém no órgão público
em que atua ou desempenha suas funções.
Observe o texto legal:

Art. 312
[...]
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora
não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre
para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se
de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Para melhor compreensão, veja o exemplo:


O funcionário A, sabedor de onde o seu colega, B, guarda o numerário
(dinheiro) recebido diariamente na repartição pública, vale-se de tal
conhecimento e, na ausência daquele, subtrai tal valor.
Observe que, “A” não tinha a posse do bem. Todavia, tinha conhecimento,
decorrente do seu cargo, de onde seu colega de trabalho guardava tal
numerário.

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Agora pergunto: Se um funcionário arromba a porta da repartição onde


trabalha, adentra o recinto e subtrai bens públicos, é PECULATO-FURTO?
A resposta é negativa, pois ele não está valendo-se da função. Logo,
responderá por furto qualificado e não peculato-furto.

PARA A TIPIFICAÇÃO DO PECULATO FURTO É INDISPENSÁVEL


QUE O FUNCIONÁRIO PÚBLICO TENHA DE ALGUMA FORMA SE
APROVEITADO OU VALIDO DA FUNÇÃO PARA TER ACESSO AO
BEM QUE SERÁ OBJETO DO CRIME.

5.2.1.2 PECULATO-CULPOSO

Está descrito no Código Penal nos seguintes termos:

Art. 312 [...]


§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de
outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se
precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é
posterior, reduz de metade a pena imposta.

Nesta forma típica, o funcionário, por imperícia, imprudência ou


negligência, concorre para a prática de crime de outrem. Assim, em face
da ausência de cautela que estava obrigado na preservação de bens do
poder público que lhe são confiados, o sujeito facilita a outrem a subtração,
apropriação ou desvio dos mesmos.
O crime se aperfeiçoa com a conduta dolosa de outrem, havendo
necessidade da existência de nexo causal entre os delitos, de maneira que
o primeiro (peculato-culposo) tenha permitido a prática do segundo. Seria o
caso, por exemplo, do chefe de determinado setor que, negligentemente,
esquece o armário com peças de computador aberto e estas são furtadas.
O instituto do Peculato Culposo, nos termos do § 3º do art. 312, apresenta
uma espécie anômala de arrependimento posterior. Normalmente, o
arrependimento posterior, que só pode ser argüido em crimes praticados

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sem violência ou grave ameaça, funciona como atenuante e deve acontecer


até o momento do recebimento da denuncia ou da queixa por parte do
magistrado. No caso do Peculato Culposo, este arrependimento funcionará
como excludente, caso ocorra até a sentença transitar em julgado, ou como
atenuante, manifestando-se depois do trânsito em julgado da sentença
penal, situação em que reduzirá a pena pela metade.

A EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA REPARAÇÃO DO


DANO SÓ E POSSÍVEL NO CRIME DE PECULATO CULPOSO.

5.2.2 PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM

Também denominado Peculato-Estelionato, encontra previsão no Código


Penal nos seguintes termos:

Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no


exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

A conduta consiste em o funcionário público apropriar-se de dinheiro ou


qualquer utilidade mediante aproveitamento ou manutenção do erro de
outrem.
É imprescindível, para que ocorra o delito, que a entrega do bem tenha sido
feita ao sujeito em razão do cargo que desempenha junto à administração e
que o erro tenha relação com seu exercício.
Exemplo 01: Tício comparece no terceiro andar de uma repartição a fim de
pagar uma determinada dívida, quando na verdade o pagamento deveria ser
feito no quarto andar. Mévio, que já havia trabalhado no quarto andar,
aproveitando-se do erro de Tício, apropria-se do dinheiro. Neste caso, temos o
Peculato-Estelionato.

Exemplo 02: José é intimado a levar seu relógio para perícia até a delegacia de
polícia. Lá chegando, entrega seu bem a João, o porteiro, sendo que o correto
seria entregá-lo ao Delegado de Polícia. João recebe o bem e, tendo
conhecimento do ato errôneo de José, resolve se apropriar do bem.

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OBSERVAÇÃO!!!
O ERRO DE QUEM ENTREGA O OBJETO MATERIAL
DEVE SER ESPONTÂNEO. CASO HAJA PROVOCAÇÃO,
NÃO É PECULATO E SIM ESTELIONATO.

5.2.2.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público.
2. SUJEITO PASSIVO: Regra geral, é o ESTADO, entretanto, pode
figurar no pólo passivo um particular, caso seja ele a vítima da
fraude.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• A apropriação de dinheiro ou qualquer outro bem;
• Que a apropriação tenha origem no ERRO de alguém; e
• Seja cometido por funcionário público
2. SUBJETIVO: É o DOLO. Deve abranger a consciência do erro de
outrem.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. O crime se consuma não no momento em que o funcionário recebe


a coisa, mas no momento em que, tendo sua posse, dela se
apropria.
2. O Peculato-Estelionato é um delito material e admite a figura da
tentativa. Seria o caso, por exemplo, do funcionário público que é
surpreendido no momento em que está abrindo uma carta
contendo valor, a ele entregue por erro de outrem.

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5.2.3 INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM SISTEMA DE


INFORMAÇÃO

Este delito foi inserido no Código Penal pela lei nº 9.983/00 nos seguintes
termos:

Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção


de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos
sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração
Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para
outrem ou para causar dano:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Segundo Damásio, “Essa incriminação tem por objetividade jurídica a


Administração Pública, particularmente a segurança do seu conjunto de
informações, inclusive no meio informatizado, que, para a segurança de toda a
coletividade, devem ser modificadas somente nos limites legais. Daí se punir o
funcionário que, tendo autorização para manipulação de tais dados, vem a
maculá-los pela modificação falsa ou inclusão e exclusão de dados incorretos.”

5.2.3.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público devidamente autorizado para a preparação
de informações armazenadas, via de regra, em bancos de dados.
2. SUJEITO PASSIVO: Regra geral, é o ESTADO, entretanto, pode
figurar no pólo passivo um particular, caso seja ele prejudicado
pela modificação dos dados.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:

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• Inserir, facilitar;
TRATA-SE DE UM TIPO MISTO
• Alterar; ALTERNATIVO, EM QUE A OCORRÊNCIA DE
MAIS DE UM DOS NÚCLEOS, EM UM MESMO
• Excluir CONTEXTO FÁTI-CO, CONSTITUI CRIME
ÚNICO.

2. SUBJETIVO: O tipo subjetivo é o DOLO, ou seja, a vontade livre e


consciente dirigida à inserção ou à facilitação da inclusão de dados
falsos e à alteração ou à exclusão indevida em dados corretos em
sistema de informações da Administração Pública.
Além do dolo, o tipo requer um fim especial de agir, o elemento
subjetivo do tipo contido na expressão com o fim de obter
vantagem indevida para si ou para outrem, qualquer que seja ela,
ou para causar dano à Administração Pública.
3. NORMATIVO: Cabe ainda apontar a existência de um elemento
normativo do tipo quando se exige que a conduta do funcionário
seja indevida.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. O crime é FORMAL, atingindo a consumação no momento em que


as informações falsas passam a fazer parte do sistema de
informações.
2. É admissível a tentativa em todos os seus núcleos.

5.2.4 MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA EM


SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Qualquer sistema de informação de dados sobre empresas, programa de


controle de arrecadação de contribuições sociais dos segurados, dentre outros,
está agora tutelado pela norma penal.
Poder-se-ia até criticar a utilização do Direito Penal para esse tipo de proteção,
mas dentro da sistemática moderna de dados e da fragilidade com que, ainda,
os programas podem ser invadidos por terceiros, o próprio funcionário
encarregado de manipulá-los poderá ser tentado à prática do ilícito. Assim, o
Direito Penal foi chamado para dar uma maior proteção ao sistema, dispondo
da seguinte maneira:

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Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de


informações ou programa de informática sem autorização ou
solicitação de autoridade competente:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.

O objeto da tutela penal é a Administração Pública, particularmente a


incolumidade de seus sistemas de informações e programas de informática,
que só podem sofrer modificações ou alterações quando a autoridade
competente solicita a determinado funcionário ou o autoriza. Desta forma,
mais precisamente como determina Julio Fabbrini Mirabete protege-se,
com o dispositivo, a regularidade dos sistemas informatizados ou bancos de
dados da Administração Pública.

5.2.4.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público, sem, no entanto, haver sido autorizado
pela autoridade competente para promover alteração no sistema.
2. SUJEITO PASSIVO: Regra geral, é o ESTADO, entretanto, pode
figurar no pólo passivo um particular, caso seja ele prejudicado.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:

TRATA-SE DE UM TIPO MISTO ALTERNATIVO, EM


• Modificar; QUE A OCORRÊNCIA DE MAIS DE UM DOS
NÚCLEOS, EM UM MESMO CONTEXTO FÁTICO,
• Alterar; CONSTITUI CRIME ÚNICO.

“Mas, professor, modificar e alterar não tem o mesmo significado?”

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A doutrina entende que não. Diz-se que modificar prende-se a


dados que dizem respeito à estrutura do sistema, já o alterar
vincula-se a informações contidas no sistema. Essa diferenciação
não é importante para a sua PROVA e entende-se que a colocação
de dois núcleos tão parecidos teve a finalidade de não deixar
dúvidas aos intérpretes e aplicadores da norma penal.
2. SUBJETIVO: Esse crime, para aperfeiçoar-se, não necessita senão
do dolo genérico, conforme classificação doutrinária, traduzido na
vontade livre e consciente de praticar a conduta típica, que é a de
modificar ou alterar o sistema de informações ou o programa de
informática.
3. NORMATIVO: Presente na expressão sem autorização ou
solicitação de autoridade competente.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Crime de MERA CONDUTA. Consuma-se com a alteração ou


modificação.
2. É admissível a tentativa. Exemplo: O funcionário, no momento em
que vai iniciar a modificação, é surpreendido.

• CAUSA DE AUMENTO DE PENA

O parágrafo único do art. 313-B dispõe que a penalização prevista


será aumentada caso da alteração ou modificação derive dano para a
Administração Pública. Observe:

Art. 313-B [...]


Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a
metade se da modificação ou alteração resulta dano para a
Administração Pública ou para o administrado.

5.2.5 EXTRAVIO, SONEGAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE


LIVRO OU DOCUMENTO

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O delito apresenta no CP a seguinte definição:


Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que
tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou
parcialmente:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime
mais grave.

Visa o dispositivo supra proteger a Administração no que diz respeito à ordem,


regularidade e segurança de livros oficiais e documentação de natureza pública
ou privada, que devem manter-se íntegros. Exatamente por isso, pune-se o
funcionário que, tendo a sua guarda em razão do cargo, vem a desviá-los,
escondê-los ou inutilizá-los.

5.2.5.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público que tem a guarda do objeto material em
razão do cargo.
2. SUJEITO PASSIVO: Regra geral, é o ESTADO, entretanto, pode
figurar no pólo passivo um particular, caso seja ele prejudicado
pela perda do objeto material.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Extraviar (dar destino equivocado);
• Sonegar (não restituir quando solicitado); e
• Inutilizar (tornar imprestável para o fim ao qual servia).
2. SUBJETIVO: É o DOLO.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

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1. Trata-se de crime de MERA CONDUTA. Consuma-se o delito com a


realização das condutas definidas na norma incriminadora, sendo
irrelevante a ocorrência de dano para a administração pública.
2. É admissível a tentativa nas modalidades de extraviar e inutilizar.
Com relação à sonegação, não é possível.

5.2.6 EMPREGO IRREGULAR DE VERBAS OU RENDAS


PÚBLICAS

Já pensou se o funcionário público pudesse aplicar as verbas públicas da


maneira que achasse mais conveniente? Obviamente, seria uma confusão
muito grande. Exatamente por isso, o “ordenador de despesas” está limitado
na sua atuação por diversos dispositivos legais.
Desta forma, a fim de proteger a regularidade da atividade administrativa no
que diz respeito à aplicação de verbas e rendas públicas, o conhecido crime de
desvio de verbas encontra sua previsão no CP. Observe:

Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da


estabelecida em lei:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

Com base no dispositivo supra, pergunto: Imagine que a lei orçamentária


de determinado Estado destine verbas públicas para a construção de um
hospital. O Governador, Mévio, acreditando que os problemas começam a
ser resolvidos com o fornecimento de educação, destina os recursos para a
construção de uma escola, criando o “CENTRO DE EXCELÊNCIA
ESTUDANTIL”. Neste caso, poderá ser ele processado e preso?
A resposta é positiva, pois não importa o fim almejado, a destinação do
recurso. O que é importante é se a destinação LEGAL foi cumprida ou não
e, no caso em tela, não foi.
“Mas professor, coitado do Mévio... Ele só estava querendo ajudar.”
Realmente, mas o examinador não está com nem um pouquinho de pena
dele...

5.2.6.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

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• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público que tem poder de disposição de verbas e
rendas públicas. É o caso, por exemplo, dos Governadores,
Ministros de Estado, Diretores de Autarquias, etc.
2. SUJEITO PASSIVO: É o ESTADO.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: O núcleo do delito consiste em o funcionário público


dar aos fundos públicos aplicação diversa da determinada ou não
autorizada em lei. Obviamente, surge como elementar
imprescindível à tipicidade do fato a existência de lei
regulamentando a aplicação do recurso financeiro.
2. SUBJETIVO: É o DOLO, ou seja, a vontade livre e consciente de
aplicar verbas ou rendas públicas de maneira diferente da
destinação preceituada em lei. Aqui independe se o fato ocorreu
visando ou não ao lucro.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. O crime é FORMAL. Consuma-se com a aplicação irregular de


rendas e verbas públicas, não bastando a simples indicação sem
execução.
2. É admissível a tentativa.

CASO O AGENTE DESVIE OU SE APROPRIE DE VERBAS OU


RENDAS, HÁ O CRIME DE PECULATO E NÃO O CRIME DE
APLICAÇÃO IRREGULAR DE VERBAS OU RENDAS PÚBLICAS.

5.2.7 CONCUSSÃO
Caro (a) Aluno (a), este é um dos delitos mais exigidos em prova e,
consequentemente, será necessário uma atenção especial e um
aprofundamento um pouco maior. Vamos começar:

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De acordo com o artigo 316, caput, do Código Penal, constitui delito o fato de
o funcionário público:

Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente,


ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela,
vantagem indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

Segundo Damásio Evangelista de Jesus, o termo “concussão” tem sua origem


etimológica derivada do verbo latino concutere, expressão empregada quando
se pretende indicar o ato de sacudir a árvore para que os frutos caiam.
Também significa “sacudir fortemente, abalar, agitar violentamente”.
Como visto no artigo 316, caput, a concussão materializa-se quando o
funcionário exige para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que
fora da função, ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagens
indevidas. É o desvio da função pública para esbulhar. É um dos crimes mais
graves contra a Administração Pública.
Assim, o delito de concussão se tipifica quando o funcionário público exige,
impõe, ameaça ou intima a vantagem espúria (este termo já foi utilizado em
provas) e o sujeito passivo cede à exigência pelo temor. Em outros termos, o
crime de concussão é uma espécie de extorsão praticada pelo funcionário
público, com abuso de autoridade, contra particular que cede ou virá a ceder
em face do metu publicae potestatis (medo do poder público).
Júlio Fabbrini Mirabete, quanto à objetividade jurídica do crime de concussão,
leciona:
“Objetiva a incriminação do fato tutelar a regularidade da administração, no
que tange à probidade dos funcionários, ao legítimo uso da qualidade e da
função por eles exercida. Em plano secundário, protegido está também o
interesse patrimonial de particular, ou mesmo de funcionário, de quem é
exigida a vantagem.”

5.2.7.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:
1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido
por funcionário público, MESMO QUE AINDA NÃO TENHA
ASSUMIDO O CARGO, mas desde que aja em virtude dele.

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2. SUJEITO PASSIVO: É o ESTADO e, secundariamente, o sujeito


passivo vítima da exigência ilegal.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: O núcleo do delito é o verbo EXIGIR. Nesse sentido,


ensina Júlio Fabbrini Mirabete que:
“A conduta típica é exigir, impor como obrigação, ordenar,
reclamar vantagem indevida, aproveitando-se o agente do medo
do poder público, ou seja, do temor de represálias a que fica
constrangida a vítima. Não é necessário que se faça a promessa de
um mal determinado; basta o temor genérico que a autoridade
inspira, que influa na manifestação volitiva do sujeito passivo. Há
um constrangimento pelo abuso de autoridade por parte do
agente.”
Ainda, sobre o tema, Antônio Pagliaro e Paulo José da Costa Júnior
manifestaram-se a respeito, afirmando que:
“O núcleo do tipo acha-se representado pelo verbo exigir. Exigir é
impor, é reivindicar de modo imperioso, é pedir com autoridade.
No caso específico, o agente deve exigir em razão da função por
ele exercida, ou que será por ele assumida. A conduta deve
comportar a assunção, explícita ou implícita. Em suma, a exigência
deverá relacionar-se com a função que o agente desempenha ou
irá desempenhar.”

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

1 – E SE O AGENTE EXIGE VANTAGEM QUE BENEFICIA A PRÓPRIA


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA?
NESTE CASO, NÃO HÁ CONCUSSÃO, PODENDO OCORRER O DELITO DE
EXCESSO DE EXAÇÃO, QUE AINDA TRATAREMOS.

2 – E SE NÃO HÁ EXIGÊNCIA, MAS MERA SOLICITAÇÃO?


NÃO HÁ CONCUSSÃO, PODENDO HAVER CORRUPÇÃO PASSIVA (AINDA
VEREMOS).

“MAS PROFESSOR, QUAL A DIFERENÇA ENTRE EXIGÊNCIA E


SOLICITAÇÃO?”
NÃO SE PREOCUPE COM DIFERENÇAS PRÁTICAS E, PARA A SUA PROVA,
ATENTE PARA O VERBO QUE ESTÁ SENDO UTILIZADO. SÓ SERÁ
CONCUSSÃO SE O VERBO FOR EXIGIR!!!

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2. SUBJETIVO: Aqui há dois elementos subjetivos. O primeiro é o


dolo. Além dele, exige-se outro, previsto na expressão “para si ou
para outrem”.
3. NORMATIVO: Encontra-se na expressão “indevida”, que qualifica a
vantagem.

A INDEVIDA VANTAGEM PODE SER QUALQUER UMA OU


PRECISA SER PATRIMONIAL?
PREVALECE O ENTENDIMENTO DE QUE PODE SER QUALQUER
VANTAGEM. EXEMPLO: SEXUAL.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. A concussão é um delito FORMAL e a consumação ocorre com a


exigência, no momento em que esta chega ao conhecimento do
sujeito passivo.
2. É admissível a tentativa. Exemplo: Uma carta é enviada com a
exigência e é interceptada pela autoridade policial. Neste caso,
temos a tentativa de concussão.

5.2.8 EXCESSO DE EXAÇÃO

Podemos dizer que o excesso de exação é uma espécie do gênero concussão.


Digo isto porque a diferença fundamental é que aqui o indivíduo não visa a
proveito próprio ou alheio, mas, no desempenho de sua função, excede-se nos
meios de execução.
Sobre o excesso de exação dispõe o Código Penal:

Art. 316
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe
ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança
meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

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Sendo assim, imagine que um Auditor Fiscal, a fim de obter o


pagamento do ISS devido pela construtora “JUVENAL S.A”,
estaciona dez carros de som em frente à empresa e começa a
cantar um “jingle” dizendo:
“JUVENAL, SEU CARA DE PAU, PAGUE O TRIBUTO E SEJA
LEGAL”.
Obviamente há o emprego de um meio vexatório (causa humilhação,
tormento, vergonha) e, consequentemente, excesso de exação.
Outra situação: Tício exige contribuição social de determinada empresa,
sabendo que ela é isenta. Claramente exigiu pagamento que sabe ser
indevido. Logo, caracteriza o delito de Excesso de Exação.

5.2.8.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público. É importante ressaltar que não há
obrigatoriedade de o sujeito ativo estar atuando na área tributária
ou, mais especificadamente, na arrecadação de tributos.
2. SUJEITO PASSIVO: Regra geral, é o ESTADO, entretanto, pode
figurar no pólo passivo um particular, vítima da conduta.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Exigir (tributo ou contribuição social);
• Empregar (na cobrança meio vexatório ou gravoso);
2. SUBJETIVO: São três:
• Dolo;
• A expressão “que sabe” (indevido);
• A expressão “deveria saber”;
3. NORMATIVO: São dois:

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• A expressão “indevido”;
• A expressão “que a lei não autoriza”, referindo-se à cobrança
vexatória ou gravosa.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Trata-se de crime Formal e o delito se consuma no momento da


exigência ou do emprego do meio vexatório ou gravoso.
2. É admissível a tentativa.

• TIPO QUALIFICADO

O Código Penal dispõe no parágrafo 2º do artigo 316:

Art. 316 [...]


§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o
que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa

Neste delito, o funcionário público resolve “chutar o balde”, ou seja,


fazer tudo errado. Além de receber indevidamente, ele ainda se apropria
do que recebeu.
Mas e se ele recolher aos cofres públicos e depois se apropriar? Neste
caso, teremos o PECULATO.

5.2.9 CORRUPÇÃO PASSIVA

O delito em questão encontra previsão no artigo 317 do CP nos seguintes


termos:

Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou


indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas

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em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal


vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Este crime, como você sabe, quase não ocorre em nosso país... É a famosa
“propina” exigida para “comprar” um ato de um funcionário público.

5.2.9.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público.
2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Solicitar (vantagem indevida);
• Receber (vantagem indevida);
• Aceitar (promessa de vantagem).
2. SUBJETIVO: São dois:
• Dolo;
• A expressão “para si ou para outrem”;
Observe que no delito não há qualquer exigência quanto à
intenção de realizar ou deixar de realizar o ato de ofício
objeto da corrupção.
3. NORMATIVO:
• A expressão “indevidamente”

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

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1. Trata-se de crime Formal e o delito se consuma no momento em


que a solicitação chega ao conhecimento do terceiro ou quando o
funcionário recebe a vantagem ou aceita a promessa de sua
entrega.
2. É admissível a tentativa no tocante à solicitação.

• TIPO QUALIFICADO

De acordo com o parágrafo 1º do artigo 317 temos:

Art. 317
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da
vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar
qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

O parágrafo supra trata de duas situações:


A primeira diz respeito ao retardamento ou à não prática de qualquer
ato. Seria o caso do Auditor Fiscal que retarda a lavratura de um Auto de
Infração a fim de operar-se a decadência. Para este tipo de situação,
temos a chamada corrupção passiva imprópria.
A segunda situação trata da chamada corrupção passiva própria, na qual
o funcionário realiza ato de ofício violando dever funcional.
Para os dois casos temos um aumento de pena de um terço.

• TIPO PRIVILEGIADO

Para a chamada corrupção passiva própria privilegiada, a pena é


reduzida. Diferencia-se das outras formas típicas pelo motivo que
determina a conduta do funcionário. Aqui, o funcionário não “vende” ato
funcional pretendendo receber uma vantagem, mas atende a pedido de
terceiro, influente ou não.
Sobre o tema, dispõe o Código Penal:

Art. 317[...]

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§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de


ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou
influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

5.2.10 FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO

Encontra previsão no artigo 318 do CP:

Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de


contrabando ou descaminho:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

CONTRABANDO É A ENTRADA OU SAÍDA DE PRODUTO PROIBIDO OU QUE


ATENTE CONTRA A SAÚDE OU A MORALIDADE.

DESCAMINHO É A ENTRADA OU SAÍDA DE PRODUTOS PERMITIDOS, MAS SEM


PASSAR PELOS TRÂMITES BUROCRÁTICOS-TRIBUTÁRIOS DEVIDOS.

5.2.10.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:
1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido
por funcionário público. Não qualquer, mas aquele a quem é
imposto o dever de reprimir ou fiscalizar o contrabando.
Mas e se o funcionário, sem infringir DEVER FUNCIONAL, concorre
para o contrabando?
Neste caso, ele responderá pelo delito previsto no artigo 334 do
Código Penal (Analisaremos na próxima aula):

Art. 334 Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir, no


todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido
pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria

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2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO

• ELEMENTOS:
1. OBJETIVO: É elementar do tipo:
• Facilitar (o descaminho ou contrabando ).
2. SUBJETIVO: São dois:
• Dolo
• A consciência de estar violando dever funcional.  Se o
indivíduo age com dolo, mas sem esta consciência,
responderá pelo já citado delito previsto no artigo 334.
3. NORMATIVO:
• A expressão “com infração de dever funcional”.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA
1. Crime FORMAL. Consuma-se o delito com a realização da conduta
de facilitação, seja ela comissiva (Ex: Aconselhar) ou omissiva (Ex:
Não criar obstáculos).
2. É admissível a tentativa.

A jurisprudência do STF já se firmou no sentido de ser possível a aplicação do


princípio da insignificância ao delito de facilitação de descaminho, desde que o
valor do tributo sonegado não ultrapasse R$ 10.000,00.
O STJ tinha posição firmada no sentido de que tal limite seria R$ 100,00, mas
em recente julgado mudou seu entendimento dispondo no seguinte sentido:
DESCAMINHO. PRINCÍPIO. INSIGNIFICÂNCIA. A Seção, ao julgar o recurso
repetitivo (art. 543-C do CPC e Res. n. 8/2008-STJ), entendeu que, em atenção
à jurisprudência predominante no STF, deve-se aplicar o princípio da
insignificância ao crime de descaminho quando os delitos tributários não
ultrapassem o limite de R$ 10 mil, adotando-se o disposto no art. 20 da Lei n.
10.522/2002. O Min. Relator entendeu ser aplicável o valor de até R$ 100,00
para a invocação da insignificância, como excludente de tipicidade penal, pois
somente nesta hipótese haveria extinção do crédito e, consequentemente,
desinteresse definitivo na cobrança da dívida pela Administração Fazendária (art.
18, § 1º, da referida lei), mas ressaltou seu posicionamento e curvou-se a
orientação do Pretório Excelso no intuito de conferir efetividade aos fins
propostos pela Lei n. 11.672/2008 (REsp 1.112.748/TO, Informativo 406).

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5.2.11 PREVARICAÇÃO

A prevaricação encontra sua definição no artigo 319 do Código Penal:

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de


ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer
interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Na prática do fato, o funcionário se abstém da realização da conduta a que


está obrigado ou a retarda ou a concretiza contra a lei, com destinação
específica de atender a sentimento ou interesse próprios.

5.2.11.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público.
2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Retardar (ato de ofício);
• Deixar de praticar;
• Praticar contra disposição expressa.
2. SUBJETIVO: São dois:
• Dolo;
• A expressão “para satisfazer interesse ou sentimento
pessoal”. Sem esta finalidade em consonância com o dolo, a
conduta é atípica.

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3. NORMATIVO:
• A expressão “indevidamente” ao retardar ou deixar de
praticar ato de ofício.
• A expressão “contra disposição expressa em lei” quando
pratica ato de ofício.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Crime FORMAL. Consuma-se o delito com a omissão, o


retardamento ou a realização do ato.
2. É admissível a tentativa.

QUAL A EXATA DIFERENÇA ENTRE OS CRIMES DE PREVARICAÇÃO E DE


CORRUPÇÃO PASSIVA?

NA CORRUPÇÃO PASSIVA, O AGENTE ATUA VISANDO A UMA


VANTAGEM INDEVIDA; NA PREVARICAÇÃO, NÃO EXISTE A FIGURA DA
VANTAGEM INDEVIDA. O INTERESSE PESSOAL PODE SER
PATRIMONIAL OU MORAL, MAS RESTRINGE-SE À ESFERA SUBJETIVA
DO AGENTE. CASO SEJA EXTERIORIZADO NUMA VANTAGEM
INDEVIDA, PASSA A EXISTIR CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA.

• PREVARICAÇÃO IMPRÓPRIA

Consiste na conduta de deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente


público de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho
telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros
presos ou com o ambiente externo. Encontra previsão no CP. Observe:

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público,


de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho
telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com
outros presos ou com o ambiente externo: (Incluído pela Lei nº
11.466, de 2007).

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

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QUAL A PRINCIPAL DIFERENÇA ENTRE A PREVARICAÇÃO PRÓPRIA


E A IMPRÓPRIA?
NA PREVARICAÇÃO PRÓPRIA, EXISTE O ELEMENTO ESPECIAL DO
TIPO (DOLO ESPECÍFICO) “PARA SATISFAZER INTERESSE OU
SENTIMENTO PESSOAL”.
NA IMPRÓPRIA, NÃO PRECISA EXISTIR ESSA FINALIDADE
ESPECIAL DO AGENTE. EM SÍNTESE, NA PRÓPRIA, O DOLO É
ESPECÍFICO; NA IMPRÓPRIA, É GENÉRICO.

5.2.12 CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA

Imagine que Tício ingressa em um cargo público e logo no primeiro mês de


trabalho, apaixona-se por Mévia, também recém aprovada.
Passa-se um ano e, após várias tentativas sem sucesso de aproximação, Tício
é nomeado para determinado cargo e Mévia passa a ser sua subordinada.
Algum tempo depois, Tício flagra Mévia recebendo dinheiro para retardar ato
de ofício, mas resolve tolerar tal atitude, pois, além de seu grande amor, sabe
que Mévia vem de uma família muito pobre.
Neste caso, responda: Qual delito Tício comete?

(A) Prevaricação
(B) Condescendência criminosa

A resposta correta é a letra “B”, pois no caso em tela Tício comete o crime que
encontra previsão no Código Penal nos seguintes termos:

Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar


subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando
lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da
autoridade competente:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

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“Mas, professor... Como diferenciar a condescendência criminosa da


prevaricação?”
Realmente, a diferença é tênue e você entenderá quando tratarmos dos
elementos subjetivos do tipo.

5.2.12.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público.
2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Deixar de responsabilizar (subordinado);
• Não levar o fato (cometido por subordinado à autoridade
competente).
2. SUBJETIVO: São dois:
• Dolo;
• A expressão “por indulgência”.

A EXPRESSÃO ‘‘POR INDULGÊNCIA” SIGNIFICA QUE O


SUPERIOR HIERÁRQUICO DEIXA DE AGIR POR TOLERÂNCIA,
CLEMÊNCIA, BRANDURA ETC.

SE A RAZÃO DA CONDUTA É O ATENDIMENTO DE SENTIMENTO


OU INTERESSE PESSOAL, O FATO CONSTITUI PREVARICAÇÃO.

SE HÁ PRETENSÃO DE OBTER VANTAGEM INDEVIDA, É CASO DE


CORRUPÇÃO PASSIVA.

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• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. É CRIME OMISSIVO PRÓPRIO, consumando-se com a simples


conduta negativa. É crime FORMAL.
2. NÃO ADMITE TENTATIVA.

5.2.13 ADVOCACIA ADMINISTRATIVA

Caro (a) concurseiro (a), você imaginava que existiam tantos delitos? Sei que
são muitos, mas o conhecimento de todos fará uma grande diferença na hora
da prova. Para aliviar um pouco, vou dar um tempinho para você ler um
jornal... MAS NÃO É A PARTE DE ESPORTES E NEM SOBRE AS NOVELAS... É o
interessantíssimo texto que eu separei especialmente para você descansar.
Observe:

“O agente da Polícia Federal de Presidente Prudente, Roland Magnesi Júnior,


foi condenado a um mês de prisão pelo crime de advocacia administrativa,
como dispõe o artigo 321 do Código Penal:

Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado


perante a administração pública, valendo-se da qualidade de
funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

A decisão foi do juiz federal Renato Câmara Nigro que entendeu que o agente
público valeu-se de sua função, e ofendeu a lisura da administração para
garantir vantagem indevida a particular.
Em uma interceptação telefônica, o dono da empresa Madureira Serviço de
Vigilância, Silvio César Madureira, conversa com Magnesi Junior sobre a
obtenção da autorização de funcionamento e renovação do certificado de
segurança da empresa junto à PF.
As exigências para a obtenção da autorização não haviam sido cumpridas.
Segundo a acusação, era nítido o favorecimento prestado pelo agente a
Madureira, já que foram passadas ao empresário informações ilícitas sobre
como conseguir a autorização.

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"Revelou-se claro o cometimento de advocacia administrativa por parte de


Roland Magnesi Junior, em defesa dos interesses de Sílvio César Madureira. O
policial vai muito além do mero dever de informação para aventurar-se em
terreno proibido, de forma totalmente parcial e ilícita em favor da mencionada
empresa", disse o juiz Renato Nigro.

Observe que no exemplo acima, o agente valeu-se de sua função, malferindo a


lisura administrativa para garantir vantagem indevida à particular em
detrimento do interesse público que deveria proteger. Neste caso, cometeu
advocacia administrativa.

5.2.13.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público.
2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: É elementar do tipo:


• Patrocinar (interesse privado)  Tal termo significa facilitar,
advogar etc.
2. SUBJETIVO:
• Dolo;

SE O INTERESSE PATROCINADO FOR COMPLETAMENTE LÍCITO, HAVERÁ


ADVOCACIA ADMINISTRATIVA?
SIM. O LEGISLADOR NÃO RESTRINGIU A NATUREZA DO INTERESSE
PRIVADO. SE FOR LEGÍTIMO, HAVERÁ A FORMA SIMPLES DO DELITO.
CASO SEJA ILEGÍTIMO, HAVERÁ ADVOCACIA ADMINISTRATIVA NA
FORMA QUALIFICADA, COM PENA DE DETENÇÃO DE 3 (TRÊS) MESES A 1
(UM) ANO.

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• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Consuma-se o delito com a realização do primeiro ato de


patrocínio, independentemente da obtenção do resultado
pretendido.É crime FORMAL.
2. É admissível a tentativa.

A ADVOCACIA ADMINISTRATIVA É UM DELITO EMINENTEMENTE


SUBSIDIÁRIO. DESSA FORMA, SE O FUNCIONÁRIO ESTIVER
RECEBENDO VANTAGEM INDEVIDA PARA PATROCINAR O INTERESSE
PRIVADO, HAVERÁ DELITO DE CORRUPÇÃO PASSIVA.

5.2.14 ABANDONO DE FUNÇÃO

Antes de traçar os aspectos pertinentes ao delito, veja como o conceitua o


Código Penal:

Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em


lei:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Perceba que, embora o próprio Código Penal atribua o nome abandono de


função ao crime, a tipificação do delito utiliza a palavra CARGO, que, como já
vimos, apresenta um conceito mais restrito que o termo função pública.
E os cargos em comissão, integram o conceito de cargo? A resposta é positiva.
Observe o que dispõe sobre o tema a lei nº 8.112/90 (que você conhece
bem):

Art. 3o Cargo público é o conjunto de atribuições e


responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem
ser cometidas a um servidor.

Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os


brasileiros, são criados por lei, com denominação própria e

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vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em


caráter efetivo ou em comissão. (grifo nosso)

Desta forma, o nome correto do crime deveria ser ABANDONO DE CARGO. E o


que isso interessa para você? Absolutamente nada, pois para sua prova o
crime denomina-se ABANDONO DE FUNÇÃO, mas restringe-se a CARGOS
públicos.
Com a tipificação da conduta, o legislador visa resguardar a Administração
Pública, garantindo a continuidade na prestação dos serviços.

5.2.14.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público, MAS este deve estar regularmente
investido em CARGO PÚBLICO.
2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: É elementar do tipo:

• Abandonar  Para caracterizar o delito, o abandono deve ser


por um período razoável e deve acarretar ao menos a
probabilidade de dano ao poder público.
Exemplo: Em um determinado setor, Tício exerce a função
de chefia e, visando participar de uma festa, abandona o
cargo. Mévio, amigo de Tício, sempre o substituiu quando
necessário e, no primeiro dia de ausência do colega, assume
as funções, dando andamento normal ao expediente.
Neste caso, poderá ser caracterizado o delito de abandono
de cargo?
A resposta é negativa, pois não houve probabilidade de dano
para a Administração.

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2. SUBJETIVO:
• Dolo;
3. NORMATIVO:
• A expressão “fora dos casos permitidos em lei”.
Imagine que Tício resolve viajar para Petrópolis, município
do Rio de Janeiro. Chegando lá, uma chuva anormal
acontece, gerando o deslizamento de barreiras e impedindo
o retorno de Tício por um longo período de tempo. Tal fato,
qual seja a ausência de Tício, gera danos para a
Administração Pública.
Neste caso, há crime?
Claro que não, pois a lei admite o abandono de cargo nas
ocasiões de força maior, estado de necessidade, doença, etc.
Diferentemente, se Tício abandona para participar de uma
festa que dura 60 dias, obviamente teremos a ocorrência do
crime.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Delito OMISSIVO PRÓPRIO. Consuma-se com o afastamento do


cargo por tempo juridicamente relevante. É crime FORMAL.
2. NÃO é admissível a tentativa.

• FORMA QUALIFICADA
O delito de abandono de função apresenta duas situações em que as
penas são agravadas. São elas:

1. QUANDO O ABANDONO EFETIVAMENTE GERA PREJUÍZO PARA A


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:

Art. 323 [...]


§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

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2. SE O ABANDONO OCORRE EM ÁREA DE FRONTEIRA.

Art. 323 [...]


§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de
fronteira:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

5.2.15 EXERCÍCIO FUNCIONAL ILEGALMENTE ANTECIPADO


OU PROLONGADO

Este delito não é muito exigido em prova, mas é importante, ao menos, ter
uma noção sobre ele. Encontra previsão no art. 324 do Código Penal nos
seguintes termos:

Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas


as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização,
depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido,
substituído ou suspenso:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Segundo Damásio, “o objeto jurídico é a regularidade da Administração


Pública. O irregular exercício do cargo público perturba a normal atividade da
máquina administrativa, causando prejuízo ao poder público em sua missão de
prestação de serviços. Daí a incriminação do fato.”

5.2.15.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público.
2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO

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• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Entrar (no exercício de função pública antes de satisfeitas as
exigências legais) Imagine que Tício, Auditor do ICMS-SP,
é aprovado para o concurso de AFT. Após a nomeação, por
já conhecer parte do trabalho, resolve iniciar o exercício de
suas funções, mesmo tendo plena consciência de que não
está legalmente investido no cargo. Neste caso, opera-se o
delito.
Mas quando o servidor está regularmente investido no
cargo?
Quando toma posse, nos seguintes termos da lei nº
8.112/90:
Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo
termo, no qual deverão constar as atribuições, os deveres,
as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo
ocupado, que não poderão ser alterados unilateralmente,
por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício
previstos em lei.
• Continuar (a exercê-la depois de exonerado, substituído,
suspenso ou removido)  Se o funcionário volta a trabalhar
durante as férias, incorre no tipo penal? A resposta é
negativa, pois não se trata de EXONERAÇÃO /
SUBSTITUIÇÃO / SUSPENSÃO ou REMOÇÃO.

APOSENTADORIA COMPULSÓRIA

NOS TERMOS DA LEI Nº 8.112/90, A APOSENTADORIA


COMPULSÓRIA É AUTOMÁTICA, OPERANDO-SE NO MOMENTO EM
QUE O FUNCIONÁRIO COMPLETA 70 ANOS. SENDO ASSIM, O
FUNCIONÁRIO QUE SE ENQUADRA NESTA SITUAÇÃO DEVE
AFASTAR-SE DO CARGO SOB PENA DE INCORRER NO DELITO
CASO AJA COM DOLO (ELEMENTO SUBJETIVO).

2. SUBJETIVO:
• No caso de antecipar o início da atividade  Dolo;

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• No caso da exoneração, remoção, substituição ou suspensão


 O dolo, somado com a expressão “depois de saber
oficialmente”.
Aqui não cabe a PRESUNÇÃO do conhecimento da
exoneração, substituição, etc., pelo simples fato de haver
sido publicado o ato no diário oficial. É indispensável provar
que o funcionário tomou conhecimento do ato, não sendo
cabível a PRESUNÇÃO DE CONHECIMENTO.
3. NORMATIVO:
• A expressão “sem autorização”.

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Trata-se de crime FORMAL. Consuma-se o delito no momento em


que o funcionário pratica o primeiro ato de ofício.
2. É admissível a tentativa. Seria o caso, por exemplo, de um
indivíduo suspenso que está prestes a finalizar um ato de ofício e é
interrompido pelo seu chefe.

5.2.16 VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL

Com certeza você se lembra do caso abaixo noticiado amplamente no pelos


jornais e tele-jornais.
“O delegado Protógenes Queiroz, mentor da Operação Satiagraha, foi indiciado
criminalmente ontem pela Polícia Federal.
O corregedor da PF, Amaro Ferreira, enquadrou o criador da Satiagraha em
dois crimes: quebra de sigilo funcional e violação da Lei de Interceptações.
Protógenes teria sido responsável pelo vazamento de dados secretos da
Satiagraha, investigação federal contra o banqueiro Daniel Dantas, do
Opportunity. Tal conduta, na avaliação da PF, caracteriza quebra do sigilo
funcional:

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que
deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:

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Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não


constitui crime mais grave.” (grifei)

A Administração Pública rege-se pelo princípio da publicidade, plasmado este no


“caput” do art. 37 da Carta Magna. Entretanto, tal princípio não é absoluto, pois
certos fatos relacionados com o poder público devem ficar a coberto do
conhecimento geral em razão do interesse funcional. Desta forma, o legislador
optou por tutelar penalmente estes segredos, punindo o autor da violação de
sigilo funcional.

CARÁTER SUBSIDIÁRIO

SOMENTE HAVERÁ O CRIME DE VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL (ART. 325, CP) SE


O FATO NÃO CONSTITUIR CRIME MAIS GRAVE (SUBSIDIARIEDADE EXPRESSA).
ASSIM, SE O FUNCIONÁRIO VIOLOU O SEGREDO, RECEBENDO VANTAGEM
INDEVIDA PARA ISSO, HAVERÁ CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA E NÃO VIOLAÇÃO
DE SIGILO (OU SEGREDO) FUNCIONAL.

5.2.16.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público. E se o indivíduo revela segredo depois de
uma demissão?
Inexiste crime, pois falta a qualidade de “funcionário público”.

O APOSENTADO PODE SER SUJEITO ATIVO DO CRIME DE VIOLAÇÃO


DE SIGILO FUNCIONAL?

SIM. É O ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DA DOUTRINA PORQUE O


APOSENTADO NÃO SE DESVINCULA TOTALMENTE DOS DEVERES
PARA COM A ADMINISTRAÇÃO.

2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO e, secundariamente, o particular,


caso seja afetado pela revelação.

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• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Revelar;
• Facilitar a revelação  Exemplo: Deixar uma gaveta aberta.
Aqui cabem algumas importantes considerações:
1- Se o terceiro já tinha conhecimento do fato, não se
caracteriza o delito, pois o crime exige a possibilidade de
dano.
2- Para a caracterização da violação de sigilo funcional, há
necessidade de que o funcionário tenha tomado
conhecimento do segredo EM RAZÃO DO CARGO.
Imagine que Tício trabalha no ICMS-RJ e toma
conhecimento, por circunstâncias alheias à sua função, de
um informe sigiloso da Polícia Federal. Nesta situação, caso
revele a informação, não será enquadrado no presente
delito.
2. SUBJETIVO:
• Dolo;
• A expressão “de que tem ciência em razão do cargo”

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. O delito é consumado no momento do ato da revelação do


segredo. Por ser um crime formal, independe da real ocorrência de
dano, bastando a potencialidade.
2. É admissível a tentativa.

• SIGILO FUNCIONAL DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

Com o avanço da informática, visando preservar também o sigilo de


sistemas de informações, a lei nº 9.983/00 inseriu os seguintes
dispositivos no Código Penal:

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Art. 325
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e
empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas
não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da
Administração Pública;
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou
a outrem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

5.2.17 VIOLAÇÃO DE SIGILO DE PROPOSTA DE


CONCORRÊNCIA

Um dos principais aspetos a ser verificado para a garantia da lisura de um


certame licitatório é o sigilo das propostas.
Em uma concorrência, a idéia é que os participantes coloquem seus “preços”
em um envelope lacrado e, após o julgamento, caso a licitação seja do tipo
menor preço, a empresa com a proposta de menor valor seja declarada
vencedora da licitação.
Obviamente que se as propostas forem violadas antes do julgamento, fica fácil
manipular o resultado, pois basta que determinada empresa, conhecendo as
propostas das outras, apresente um valor inferior. Exatamente para impedir
esta situação, o Código Penal preceitua:

Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou


proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo:
Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa.

5.2.17.1 CARACTERIZADORES DO DELITO

• SUJEITOS DO DELITO:

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1. SUJEITO ATIVO: Como é um crime próprio, só pode ser cometido


por funcionário público, MAS não qualquer funcionário. O tipo
exige mais uma qualidade específica do autor: Deve ser
funcionário público com a função de receber as propostas, guardá-
las e permitir o conhecimento a quem de direito só no momento
adequado.
2. SUJEITO PASSIVO: O ESTADO e, secundariamente, os
participantes prejudicados.

• ELEMENTOS:

1. OBJETIVO: São elementares do tipo:


• Devassar (tomar conhecimento indevido de proposta)
• Proporcionar (a terceiro o ensejo do devassamento)
2. SUBJETIVO:
• Dolo;

• CONSUMAÇÃO E TENTATIVA

1. Crime Material. A consumação ocorre no momento em que o


funcionário ou o terceiro toma conhecimento do conteúdo da
proposta.
2. É admissível a tentativa.

5.2.18 VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA

Há uma discussão na doutrina e na jurisprudência, não havendo posição


majoritária definida, sobre a vigência do artigo 322 do CP. Para alguns ele foi
revogado em virtude da lei que tipifica os delitos de abuso de autoridade. Para
outros não.
Exatamente por isso a cobrança pelo CESPE sobre o delito, embora muito
pouca, restringe-se a literalidade do Código Penal que dispõe:

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Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de


exercê-la:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena
correspondente à violência.
*****************************************************************
Futuros(as) Aprovados(as),

Chegamos ao final de mais uma aula e eu garanto a você que o conhecimento


dos CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A
ADMINISTRAÇÃO EM GERAL fará grande diferença na hora de sua prova.
No próximo encontro a parte teórica não será tão extensa. Seguiremos o assunto
com os crimes praticados por particular contra a administração em geral e
finalizaremos com vários exercícios sobre os CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA.
Sendo assim, consolide bem os conceitos, dedique-se e lembre-se sempre que só
DEPENDE DE VOCÊ!!!

Abraços e bons estudos!

Pedro Ivo

"A esperança se adquire. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o


preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a
esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite,
encontramos a aurora”.
(Georges Bernanos)

RESUMO DA MATÉRIA APRESENTADA


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CRIME CONDUTA CONSUMAÇÃO TENTATIVA

Apropriar-se o funcionário A consumação no


PECULATO público de dinheiro, valor ou peculato-apropriação
qualquer outro bem móvel, ocorre quando o indivíduo
DIVIDE-SE EM: público ou particular, de que age como se fosse dono do
PECULATO- tem a posse em razão do objeto. Por sua vez, no
APROPRIAÇÃO cargo, ou desviá-lo, em peculato-desvio ocorre
E proveito próprio ou alheio. quando o indivíduo desvia
o bem, sendo irrelevante
PECULATO-DESVIO se consegue ou não
proveito próprio ou alheio.

O funcionário público, embora Ocorre quando o


não tendo a posse do funcionário público subtrai
dinheiro, valor ou bem o ou concorre para que seja
subtrai ou concorre para que subtraído.
PECULATO-FURTO seja subtraído, em proveito
próprio ou alheio, valendo-se
de facilidade que lhe
proporciona a qualidade de
funcionário.

Quanto aos delitos acima, se Refere-se aos delitos


o funcionário concorre acima.
culposamente para o crime de
outrem.
PECULATO A reparação do dano, se
CULPOSO precede à sentença
irrecorrível, extingue a
punibilidade; se lhe é
posterior, reduz de metade a
pena imposta.

Apropriar-se de dinheiro ou O crime se consuma não


qualquer utilidade que, no no momento em que o
PECULATO
MEDIANTE ERRO DE exercício do cargo, recebeu funcionário recebe a coisa,
OUTREM por erro de outrem. mas no momento em que,
tendo sua posse, dela se
apropria.

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Inserir ou facilitar, o O crime é FORMAL,


funcionário autorizado, a atingindo a consumação
inserção de dados falsos, no momento em que as
alterar ou excluir informações falsas passam
INSERÇÃO DE
indevidamente dados corretos a fazer parte do sistema
DADOS FALSOS EM
nos sistemas informatizados de informações.
SISTEMA DE
INFORMAÇÕES ou bancos de dados da
Administração Pública, com o
fim de obter vantagem
indevida para si ou para
outrem ou para causar dano.

Modificar ou alterar, o Crime de MERA CONDUTA,


funcionário, sistema de consumando-se com a
informações ou programa de alteração ou modificação.
informática sem autorização
MODIFICAÇÃO OU ou solicitação de autoridade
ALTERAÇÃO NÃO competente.
AUTORIZADA DE
SISTEMA DE As penas são aumentadas de
INFORMAÇÕES um terço até a metade se da
modificação ou alteração
resulta dano para a
Administração Pública ou para
o administrado.

Extraviar livro oficial ou Trata-se de crime de MERA


qualquer documento de que CONDUTA. Consuma-se o
EXTRAVIO,
tem a guarda em razão do delito com a realização das
SONEGAÇÃO OU cargo; sonegá-lo ou inutilizá- condutas definidas na
INUTILIZAÇÃO DE lo, total ou parcialmente. norma incriminadora,
LIVRO OU sendo irrelevante a
DOCUMENTO ocorrência de dano para a
administração pública.

Dar às verbas ou rendas O crime é consumado com


EMPREGO públicas aplicação diversa da a aplicação irregular de
IRREGULAR DE estabelecida em lei. rendas e verbas públicas,
VERBAS OU RENDAS não bastando a simples
PÚBLICAS indicação sem execução.

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Exigir, para si ou para A concussão é um delito


outrem, direta ou FORMAL e a consumação
indiretamente, ainda que fora ocorre com a exigência, no
CONCUSSÃO
da função ou antes de momento que esta chega
assumi-la, mas em razão ao conhecimento do
dela, vantagem indevida. sujeito passivo.

Se o funcionário exige tributo Trata-se de crime Formal e


ou contribuição social que o delito se consuma no
sabe ou deveria saber momento da exigência ou
indevido ou, quando devido, do emprego do meio
emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso.
EXCESSO DE
vexatório ou gravoso que a lei
EXAÇÃO
não autoriza; OU se desvia,
em proveito próprio ou de
outrem, o que recebeu
indevidamente para recolher
aos cofres públicos.

Solicitar ou receber, para si Trata-se de crime Formal e


ou para outrem, direta ou o delito se consuma no
indiretamente, ainda que fora momento em que a
da função, ou antes de solicitação chega ao
assumi-la, mas em razão conhecimento do terceiro
dela, vantagem indevida, ou ou quando o funcionário
aceitar promessa de tal recebe a vantagem ou
CORRUPÇÃO vantagem. aceita a promessa de sua
PASSIVA entrega.
A pena é aumentada de um
terço se, em conseqüência da
vantagem ou promessa, o
funcionário retarda ou deixa
de praticar qualquer ato de
ofício ou o pratica infringindo
dever funcional.

Facilitar, com infração de Consuma-se o delito com a


dever funcional, a prática de realização da conduta de
FACILITAÇÃO DE contrabando ou descaminho. facilitação, seja ela
CONTRABANDO OU comissiva (Ex: Aconselhar)
DESCAMINHO ou omissiva (Ex: Não criar
obstáculos).

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Retardar ou deixar de Consuma-se o delito com a


praticar, indevidamente, ato omissão, retardamento ou
de ofício, ou praticá-lo contra realização do ato.
PREVARICAÇÃO
disposição expressa de lei,
para satisfazer interesse ou
sentimento pessoal.

Deixar o Diretor de O crime se consuma com o


Penitenciária e/ou agente acesso do preso ao
público de cumprir seu dever aparelho telefônico, ainda
de vedar ao preso o acesso a que não consiga utilizá-lo.
PREVARICAÇÃO
aparelho telefônico, de rádio
IMPRÓPRIA
ou similar, que permita a
comunicação com outros
presos ou com o ambiente
externo.

Deixar o funcionário, por É CRIME OMISSIVO PRÓ-


indulgência, de PRIO, consumando-se com
responsabilizar subordinado a simples conduta
CONDESCENDÊNCIA que cometeu infração no negativa.
CRIMINOSA exercício do cargo ou, quando
lhe falte competência, não
levar o fato ao conhecimento
da autoridade competente.

Patrocinar, direta ou Consuma-se o delito com a


indiretamente, interesse realização do primeiro ato
privado perante a de patrocínio,
administração pública, independentemente da
ADVOCACIA valendo-se da qualidade de obtenção do resultado
ADMINISTRATIVA funcionário. pretendido.
Há agravante se o interesse é
ILEGÍTIMO.

Abandonar cargo público, fora Delito OMISSIVO


dos casos permitidos em lei. PRÓPRIO. Consuma-se
ABANDONO DE com o afastamento do
FUNÇÃO cargo por tempo
juridicamente relevante.

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Entrar no exercício de função Consuma-se o delito no


pública antes de satisfeitas as momento em que o
EXERCÍCIO exigências legais ou continuar funcionário pratica o
FUNCIONAL a exercê-la, sem autorização, primeiro ato de ofício.
ILEGALMENTE depois de saber oficialmente
ANTECIPADO OU
que foi exonerado, removido,
PROLONGADO
substituído ou suspenso.

Revelar fato de que tem O delito é consumado no


ciência em razão do cargo, e momento do ato da
que deva permanecer em revelação do segredo. Por
VIOLAÇÃO DE segredo, ou facilitar-lhe a ser um crime formal,
SIGILO FUNCIONAL revelação. independe da real
ocorrência de dano,
bastando a potencialidade.

Permitir ou facilitar, mediante O delito é consumado no


atribuição, fornecimento e momento da permissão ou
empréstimo de senha ou facilitação.
VIOLAÇÃO DE qualquer outra forma, o
SIGILO FUNCIONAL acesso de pessoas não
DE SISTEMAS DE autorizadas a sistemas de
INFORMAÇÃO informações ou banco de
dados da Administração
Pública;
Utilizar, indevidamente, o
acesso restrito.

Devassar o sigilo de proposta A consumação ocorre no


VIOLAÇÃO DO de concorrência pública ou momento em que o
SIGILO DE proporcionar a terceiro o funcionário ou o terceiro
PROPOSTA DE ensejo de devassá-lo. toma conhecimento do
CONCORRÊNCIA
conteúdo da proposta.

Praticar violência, no exercício Consuma-se o delito com a


de função ou a pretexto de prática da violência.
VIOLÊNCIA exercê-la
ARBITRÁRIA

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PRINCIPAIS ARTIGOS TRATADOS NA AULA

DOS CRIMES PRATICADOS


POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro
bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou
desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a
posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído,
em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a
qualidade de funcionário.

Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença
irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena
imposta.

Peculato mediante erro de outrem


Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do
cargo, recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Concussão
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora
da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

Excesso de exação

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§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria


saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou
gravoso, que a lei não autoriza:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu
indevidamente para recolher aos cofres públicos:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.

Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente,
ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou
promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o
pratica infringindo dever funcional.
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com
infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Prevaricação
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou
praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou
sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Condescendência criminosa
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado
que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência,
não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Advocacia administrativa

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Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a


administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.

Violação de sigilo funcional

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva
permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui
crime mais grave.
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha
ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de
informações ou banco de dados da Administração Pública;
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.

Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função
em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço
contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração
Pública.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes
previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de
direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de
economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.

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