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RESENHA

ABRIL/2018
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BIANCA LUÍZA SILVA

TAMBOR DE CRIOULA

Trabalho realizado para obtenção de créditos


na disciplina de Antropologia sob a
orientação da Profa. Ângela Paiva,
envolvendo alunos do Curso de História do
5º período.

ABRIL/2018
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Tambor de Crioula

Etnografia é um método de pesquisa utilizado por antropólogos (as) na coleta de


dados, começa a partir de um trabalho de campo, com duração de meses ou anos. Segundo
MATTOS1, é uma metodologia de pesquisa importante, principalmente nas pesquisas
qualitativas, o processo etnográfico não segue padrões pré-determinados.

Etnografia - Grafia vem do grego graf(o) significa escrever sobre, escrever


sobre um tipo particular - um etn(o) ou uma sociedade em particular. Antes
de investigadores iniciarem estudos mais sistemáticos sobre uma
determinada sociedade ele escreviam todos os tipos de informações sobre
os outros povos por eles desconhecidos. Etnografia é a especialidade da
antropologia, que tem por fim o estudo e a descrição dos povos, sua língua,
raça, religião, e manifestações materiais de suas atividades (...).
(MATTOS, P.53)

Logo, percebemos que etnografia é relatar com a maior riqueza possível de detalhes
o que é visto, que ocorre através da convivência (do ir a campo) com o grupo que se
pretende estudar. Ainda de acordo com MATTOS, na pesquisa etnográfica as
particularidades dos acontecimentos, e os significados que essa sociedade dão aos fatos não
são ignorados.

Com base no conceito de etnografia, será discorrido de forma breve sobre o


documentário etnográfico. Segundo COELHO2, o documentário etnográfico aparece por
volta do século XIX, contudo, não se sabe a data ao certo do primeiro registro. O
documentário e a pesquisa etnográfica estão atrelados, ou seja, andam juntos.

Tambor de Crioula3 é um documentário etnográfico, com roteiro, fotografia,


montagem e direção de Murilo Santos, que consta como classificação indicativa Livre. As
filmagens ocorreram em São Luís/MA Brasil, no ano de 1979, com duração de 12 minutos.
Desenvolveu-se pela Fundação cultural do Maranhão em convênio com a FUNARTE
(Fundação Nacional de Artes). Foi parcialmente restaurado em 2008, devido à importância
do tema retratado. O movimento Tambor de Crioula em 2007, foi registrado como

1
MATTOS, Carmem Lúcia Guimarães. A abordagem etnográfica na investigação científica.
2
COELHO, Rafael Franco. Algumas notas sobre a história do cinema documentário etnográfico.
3
Todas as informações citadas constam no documentário. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=g5fAq-cjlTE >.
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patrimônio cultural brasileiro. Um tema pertinente, é um movimento cultural único,


praticada por descendentes de escravos no Maranhão.
O documentário inicia com um breve relato do Brasil Colonial, um tanto quanto
importante para o maior entendimento do público sobre o assunto abortado, nesse período
Maranhão recebia um dos maiores contingentes de escravos, que da cidade ia para outros
lugares do Brasil: pequenas e grandes fazendas, engenhos, entre outras partes.

Os escravos sudaneses, que chegaram aqui no período colonial, sofreram grande


repressão por parte do branco de várias formas, pelos seus hábitos e valores culturais, mas
conseguiram manter alguns de seus costumes. Contudo, consta no Processo de Registro do
Tambor de Crioula (2007) e no próprio documentário (1979) a questão da apropriação
cultural, ela se faz percebida, o brancos que recrimina alguns movimentos toma “posse “de
outros, como por exemplo o Tambor de Crioula, um movimento de negros, que teve sua
origem em uma brincadeira de escravos.

Hoje o Tambor de Crioula vem sendo, de certa maneira, apropriado por


grupos sociais distintos, praticado por pessoas da classe média, estudantes,
artistas e intelectuais, em um processo que também apresenta pontos
favoráveis e desfavoráveis. O que era uma ‘brincadeira de negros’, e onde
predominavam brincantes mais idosos, hoje é praticada por um número
cada vez maior de ‘brancos’ e por jovens. (MARANHÃO, Processo nº.
01450.005742/2007-71. P.13)

Afinal, o que é o Tambor de Crioula? De forma sucinta é uma dança feita por negros
e são usados tambores de vários tamanhos, sua fabricação se dá em madeira e couro de boi e
são afinados com o calor do fogo. A dança ocorre como forma de pagamento de promessas
ou lazer. Em cada região a dança, o ritmo e o canto são diferentes, logo se percebe que são
movimentos singulares. O som dos instrumentos lembra um pouco o samba.

Assim que começam a bater os tambores, põem-se a dançar e cantar tudo na


improvisação, é nítido o sorriso e a felicidade que expressão nesse momento. Os temas
cantados são variados, cantam a São Benedito – santo protetor deles -, questões do cotidiano
e sátiras sociais, de acordo com o documentário. Todos podem cantar, tudo ocorre em uma
roda, um elemento importante citado é a PUNGA, um convite para dançar com um
determinado toque do tambor, pouco explorada no documentário, no qual, as mulheres
batem barriga com barriga e os homens coxa com coxa. Contudo, no documentário não fala
se há ou não alguma importância cultural, já o Processo de Registro relata que:
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A punga pode ser entendida como o elemento coreográfico e simbólico que


põe em destaque a relação de interdependência que existe entre todos os
elementos que estruturam e dão significado ao Tambor de Crioula. (...)
como a roda, que gira, e gira, sem nunca parar. É ainda um dos aspectos
que atestam a continuidade histórica desta manifestação cultural, mesmo
com as diferenças e variações verificadas em algumas localidades
específicas e/ou em situações determinadas. (MARANHÃO, Processo nº.
01450.005742/2007-71. P.7)

Há regiões em que rezam a ladainha, em homenagem a São Benedito, antes da


dança, inclusive o santo participa da dança, alguém segura sua imagem e dessa forma São
Benedito também “dança”. Logo, no documentário foi salientado que o Tambor de Crioula
varia de região para região.

A qualidade da resolução do vídeo e do áudio são analógicas, tendo em vista o ano


de sua filmagem, o que dificultou principalmente ouvir o canto que entoavam, além de haver
pouca informação sobre alguns termos, logo, foi percebido a necessidade de uma pesquisa
fora do documentário. O documentário salienta que o movimento Tambor do Crioulo é
diferente em cada região, assim, percebe-se que existem variações em cada local.

Ademais, o tema abordado é importante, uma vez que, conta um pouco da história
do Brasil e principalmente das culturas de um povo pouco valorizada – o negro, que ocupa
predominantemente as camadas mais pobres, que ainda hoje é marginalizado. Mostra a
repressão que determinadas classes sobrem de outras, nos faz refletir sobre como
determinadas culturas se impõem como melhor que a outra, nesse caso, e de como o branco
apropriou-se de elementos da cultura de negros.

Referências bibliográficas

COELHO, Rafael Franco. Algumas notas sobre a história do cinema documentário


etnográfico. Revista Comunicación, Nº10, Vol.1, año 2012, PP.755-766 ISSN 1989-600X.
Disponivel em: <
https://www.researchgate.net/profile/Rafael_Franco_Coelho/publication/267265561_Algum
as_notas_sobre_a_historia_do_cinema_documentario_etnografico/links/5790912908ae108a
a03fe93a/Algumas-notas-sobre-a-historia-do-cinema-documentario-etnografico.pdf >.
Acesso em: 20/04/2018.

MARANHÃO. Registro do Tambor de Crioula no Maranhão. Processo nº.


01450.005742/2007-71. Ministério da Cultura Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional – IPHAN. Departamento do Patrimônio Imaterial Gerência de Registro.
Disponível em: <
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http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/TambordeCrioulaParecerT%C3%A9cni
co.pdf >. Acesso em: 20/04/2018.
MATTOS, CLG. A abordagem etnográfica na investigação científica. In MATTOS,
CLG., and CASTRO, PA., orgs. Etnografia e educação: conceitos e usos [online]. Campina
Grande: EDUEPB, 2011. pp. 49-83. ISBN 978-85-7879-190-2. Available from SciELO
Books <http://books.scielo.org>.

SANTOS, Murilo. Tambor de Crioula. 1979 (12m58s). Disponivel em: <


https://www.youtube.com/watch?v=g5fAq-cjlTE >. Acesso:20/04/2018