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O Republicano

Ernesto Maggiotto Caxeiro

Escola Virtual

1
2
O REPUBLICANO

Por

ERNESTO MAGGIOTTOCAXEIRO

Professor e Advogado

Rio de Janeiro

2014

3
Prefácio

Este livro é o primeiro que eu posso

considerar como feito por mim e numa

condição que eu considero

profissional,porque ele expressa anos

de estudos e dedicação aos temas aqui

comentados.

Ele não é original,porque é uma

coletânea de artigos que estão no meu

blog,mas também não é totalmente

um cópia dos primeiros sessenta e dois


4
artigos que estão lá,porque foram

acrescentados outros.

Finalmente,depois de muitos anos

pude comentar os fatos da sociedade

brasileira e porque não do estrangeiro

de uma maneira que eu penso ser útil

aos que lêem,na medida em que

fomentam de modo democrático

possíveis discussões sobre estes temas.

Neste sentido ,eu procurei,seguindo o

que faço no blog,não tornar estes

artigos crônicas do tempo,para que não

caducassem rapidamente.Procurei tratar

5
de temas que são permanentemente

objeto de discussões em todas as

mídias,antigas e modernas,como a

nação,a política,as possibilidades do

homem na sua vida social e natural.

Procurei fazer artigos,e até hoje, que

tenham um fio condutor.O presente

tem o nome de o republicano,por causa

disto.É minha intenção,neste

livro,defender,como em um dos artigos

presentes no livro,uma proposta de

resgate do pensamento republicano.

É lógico que eu posso retornar a este

fio condutor em próximos livros,que já


6
os tenho na linha de produção,mas o

centro deste é este conceito:o cidadão

republicano.

Ele é publicado por minha escola

virtual,uma escola on-line,sobre a qual

se alguém quiser obter informações

veja os meios de comunicação no final

do texto.

7
8
Oportunidade e esforço

9
Se olharmos a história da humanidade

vemos que a escola nem sempre esteve

presente.A escola ,como nós

entendemos hoje,é criação de

Melanchton,sequaz de Lutero.Os dois

perceberam a importância de uma

instituição capaz de formar um novo

cidadão,um novo cristão.

Contudo,antes e depois desta inovação

o conhecimento sempre foi produzido

por todas as pessoas que,de alguma

forma,tinham acesso ao conhecimento e

10
tinham a oportunidade histórica objetiva

de produzir algo que a sociedade

requeria.

Foi assim com Leonardo Da Vinci,filho

bastardo,que teve a oportunidade de

estudar num local próximo de onde

morava.Foi assim com Thomas

Edison,que estudou enquanto trabalhava

nas ferrovias estadunidenses e pode ter

uma oportunidade de apresentar um

invento na bolsa de valores.Foi assim

com Abraham Lincoln.Poderíamos ficar

aqui citando muitos exemplos,mas

existem duas verdades a eles

11
subjacentes.Oportunidade e

esforço.Uma das tragédias do processo

educacional é atribuir a estas pessoas

características de genialidade,que

explicariam supostamente as suas

realizações.Em outro artigo pretendo

discutir este problema.Por hora quero

afirmar que o esforço é que é a razão

destas realizações.Uma das coisas

deploráveis do marxismo é ter

exacerbado o papel da teoria.Dentro do

movimento comunista qualquer um

podia fazer uma teoria e o pior :era tida

como verdadeira de forma imediata.A

12
teoria faz o sucesso duvidoso de muita

gente na mídia porque as pessoas estão

acostumadas a reconhecer todo o

teórico como um realizador,o que não é

evidentemente verdade,pois a maioria

das teorias não é confirmada.

Não existe a profissão de

teórico.Marx,por exemplo,não era

profissional...

A genialidade é uma forma ,muitas

vezes,de valorizar,de forma

superficial,uma instituição.O exagero

cria o interesse,deixando de lado

13
pessoas,que,em função de outras

variáveis se esforçam,mas não têm

ajuda,porque não aparecem.Quem não é

visto não é reconhecido.

Basta liberar as amarras,superar a tutela

para propiciar a oportunidade que o

esforço espera para realizar,em qualquer

lugar do mundo,nos palácios ou nas

comunidades.

Ainda me lembro do jornalista João

Saldanha se referindo ao fato de como

os Holandeses,depois da segunda

guerra,fomentaram em seu pequeno

14
país,o futebol:espalharam campos de

futebol,que ficavam à disposição das

crianças 24 horas por dia.

Política do marxismo

Falar em marxismo ainda hoje parece

uma imposição,porque ninguém quer

saber.Contudo,existem alguns

problemas,tanto aqui como em outros

lugares que dão justificativa para estas

minhas reflexões.
15
Quando se vê o tipo de política de

esquerda que se faz no Brasil ou os

protestos desorganizados na Europa e

nos estados unidos,onde inclusive a

figura de Michael Moore desponta

como comunista finalmente,algumas

considerações são necessárias.

Trotski disse uma vez que ,depois de

identificar a stalinismo como a reação

termidoriana na revolução russa,ou

seja,o seu fim,esperava o seu

ressurgimento,semelhantemente ao que

acontecera com a reforma protestante,a

qual teve,segundo ele,um impulso

16
inicial extraordinário e depois teria

parado,pra ,superado o interregno

recomeçar.

No entanto,observando a História da

Reforma Protestante,vemos que não

houve este interregno.

Após Lutero afixar as 95 teses,houve as

conseqüências :a guerra camponesa na

Alemanha,as guerras religiosas na

França ,que foram até 1610,quando

Henrique de Navarra foi assassinado e

então as guerras religiosas na

17
Europa,conhecidas como Guerra dos

Trinta Anos.

Como a reforma Protestante o

marxismo não sofreu interregno ,mas

diferentemente dela,vaticino,não vai

voltar.

O que continua é a Questão Social.

18
O que é um Filósofo.

Aproveitando esta discussão sobre o

pensamento de Hume eu gostaria de

analisar epistemológica,em função das

mudanças provocadas por ele e por

Kant nos paradigmas

conhecimento.Quando há esta mudança

na história da filosofia,uma mudança

lenta,mas segura,certos conceitos

antigos são deixados de lado.Me

interessa estabelecer

profissionalmente,quando surge o

filósofo,no sentido próprio do termo.

19
Dentro de uma concepção dedutiva é

melhor analisarmos esta questão a partir

de hoje e aplicá-la se possível no

passado.

Sabemos que o que chamamos de

filósofos hoje não era bem o que muitos

entendiam como tal.Assim também no

caos a física,da biologia e assim

sucessivamente.É o acminho histórico

das profissões.

Em primeiro lugar nós observamos na

trajetória Locke–hume-kant alguns

quesitos interessantes pra

20
discutir.primeiro que para grandes

filósofos aparecerem é preciso um

anterior que direta ou indiretamente

coloque condições para surgimento de

pensamentos posteriores a favor ou

contra.

É uma observação que eu gosto sempre

de fazer no caso do Brasil.O Brasil não

é um país com um povo diferente dos

outros,mas ele não cria filósofos e

outros contributivos do mesmo naipe da

Europa porque o conhecimento

acumulado é muito menor do que

21
aquele que o foi na Europa desde o

surgimento do ocidente na Grécia.

Não somos atrasados por causa da

língua ou do calor dos trópicos,é porque

somos dependentes desta produção

enorme de dois mil anos com a qual não

nos ombreamos nunca.

A oportunidade havida foi o

renascimento,mas Portugal,que é nossa

base cultural não teve a rigor nenhum

tipo de renascimento pro causa da

repressão católica(Antero de Quental

ver).

22
Como dizia Mário de Andrade para ter

um grande poeta é preciso seis ou sete

muito bons.para ser um Dante ou um

Shakespeare ,sintetizadores de sua

época e lugar é preciso que tudo de

avançado nesta época e lugar esteja a

disposição deles.

Gosto muito de Machado de Assis ,mas

ele,como outros,não é igual a estes

citados artistas.

O que permitiu a Hume ser um filósofo

original é interpretar um pensamento do

23
qual discordava ,de Locke e partir daí

produzir o seu próprio pensamento.

Aí eu entro com uma proposta de

definição do filósofo a partir desta

originalidade.a rigor não há ninguém

original no sentido próprio do

termo,não referencia do a nada ou a

ninguém.A originalidade é ser fonte

específica para outros pensamentos ,um

elemento distinto que pode ser

retomado por outro como Kant,que

usou Hume.

24
Filósofo é aquele que tem um

pensamento original ou melhor original

no sentido de o pensamento ser fonte

de outros.

O filósofo tem como finalidade e meio

o pensamento em si mesmo,auto-

referenciado,mas não dissociado do

mundo ou do ser.O Filósofo não é um

cientista porque ela analisa a

natureza,porque não analisa a natureza

analisa o ser ou tudo o que existe.Não

há um objeto de investigação na

filosofia,tudo pode ser objeto de sua

reflexão.

25
Kant foi virgem a vida toda

26
Dostoievski

Assistindo no domingo a um programa

sobre os filhos de criminosos nazistas

pensei em Dostoievski,em " Crime e

Castigo" mais exatamente.A grande

questão é como saber os efeitos de ser

filho de um criminoso nazista e porque

não de um ditador totalitário como

Stálin.A questão não é a culpa,porque a

culpa é individualizada pelo estado de

direito moderno,desde o século

XVIII,com o Marquês de Beccaria e o

iluminismo francês.Contudo a marca ou

mácula de ser filho de um criminoso

27
,isto não se pode evitar.Acima de tudo

também as relações afetivas ficam

totalmente prejudicadas ou diluídas

quando a consciência aparece,depois da

infância.

No caso de Raskolnikov,personagem

de Dostoievski,a remição é o

sofrimento,mas a destes filhos não há

como exigir remição pelo

sofrimento,porque não são

culpados,então ficam sem esta

possibilidade.É possível que pelo

reconhecimentos dos crimes de seus

parentes adquiram um certo alívio ,mas

28
as condições de reatar a relação com

suas famílias ficam na dependência da

decisão destes mesmos parentes.E como

se sabe a característica de criminosos

totalitários é a mesma dos psicopatas,ou

seja,não têm remorso.

O crime político é diferente do crime

comum,como o de Raskolnikov,que

achando iguais achou que poderia ser

como Napoleão e receber aplauso por

matar uma agiota por

necessidade.Vendo-se isolado

reconhece o erro e pelo sofrimento

expia a culpa.

29
No caso das relações com o

totalitarismo,a culpa não existe,o

isolamento pode ser superado mas a

família pode ser perdida.

Rússia,centro geopolítico do mundo

rússia centro geopolítico do mundo

30
Teoria do fim do comunismo ou Marx

era Liberal

A teoria do fim do comunismo

começou quando a esquerda de modo

geral reconheceu que a sua necessidade

de legitimação passava pela democracia

e pelos princípios liberais do estado de

direito.Contudo o elemento mais

importante de todos é o reconhecimento

de sua vinculação liberal,por uma

leitura mais acurada de

Marx,especificamente a sua obra

"Crítica ao programa de Gotha de

1875,na qual ele afirma que reconhece a

31
desigualdade natural dos

homens(seguindo Locke e os

liberais),mas sem admitir que isto sirva

de justificativa de dominação.O

comunismo que ele defendia igualava

os indivíduos na medida em que cada

um ,segundo a sua capacidade(diferente

da dos outros),servia ao

outro(solidariamente)segundo sua

necessidade.

A igualação se dava pela

superprodução de bens que a sociedade

,agora livre da exploração

capitalista,punha-os em comum para

32
toda a humanidade,não havendo por

isso,dominadores e dominadores,mas

fruidores do bem comum,de fato.

Para isto o comunismo devia ser

implantado imediatamente,por uma

sociedade previamente muito

produtiva,mas limitada pelo capitalismo

e que,liberada,sem as peias do estado

capitalista explorador,alcançava este

objetivo.

Tal não se viu na história do

socialismo,que foi implantado em

33
sociedades atrasadas e nas quais o

estado cresceu e criou um outro tipo de

opressão muito identificado com esta

sociedade atrasada.A sociedade

capitalista produtiva que como a base

da revolução para Marx,era também a

das liberdades " burguesas"(que ele não

reconhecia senão como formas de

mascaramento da

exploração)demonstrou ser um anteparo

ao que estas sociedades ditas socialistas

e pró-comunistas fizeram de

errado(violações,tortura,coletivização

forçada),pelo quê a esquerda que quis se

34
desvencilhar destes erros(partidos

europeus,principalmente o italiano),as

incorporou.

Mas reconheceu também o fato

subjacente e reprodutivo dos erros

segundo o qual uma idéia mal

compreendida do comunismo

justificou:que os homens são desiguais

e igualá-los é favorecer aos mais

espertos,aos mais fortes que se colocam

na surdina e manipulam esta

coletividade ,onde os indivíduos

diluídos temem pensar diferente para

não se colocar acima dos outros.Igualar

35
desiguais é acima de tudo diluir a

responsabilidade de cada segundo a sua

capacidade.Marx era rousseauista

enquanto critico ,mas liberal enquanto

comunista.

Futebol e Amazônia ou o futebol como

o início da consciência política

Pode-se entender muito do Brasil

analisando o futebol.Não é que se possa

explicar o Brasil só pelo futebol,mas

parte dele sim e principalmente só se

entende o dia-a-dia do Brasil,em quatro

36
mediações:quando se entra

freqüentemente num táxi;na relação

com seu parceiro ;assistindo novela e

...no futebol.A visão da política,a

relação amorosa,perspectivas de

futuro,tudo se resume nas discussões

sobre futebol.Quem o acompanha acaba

sabendo.

No caso da Amazônia,o futebol

também contribui,pois a exclusão dos

clubes amazônicos(e de outros lugares

do Brasil) da partilha do capital,que

ocorre,a partir do clube dos treze,no

sudeste e em relação à FIFA,demonstra

37
um mecanismo claro de colonialismo

,de imperialismo,que continua.Até

mesmo do ponto de vista simbólico

vemos isto.Em 1997 Edmundo era o

maior atacante do mundo,mas como

hoje,só o jogador que atua na Europa

recebe o prêmio de melhor do mundo.

A exclusão dos clubes amazônicos é

justificada pelos grandes centros porque

supostamente lá não estão os melhores

jogadores e as maiores torcidas,dois

conceitos falsos.Muitos jogadores que

fazem sucesso no sudeste vieram de

lá(Bebeto ,da Bahia) e a potencialidade

38
de crescimento das torcidas é

imensa,basta lembrar como ficou o

estádio do Payssandu,quando este time

enfrentou e ganhou há quatro anos o

Boca Juniors.

Esta estratégia se conecta com

outra,referente à própria

Amazônia,onde se joga um discurso que

não existem grupos sociais autóctones

ou que são poucos e sem organização e

que portanto é preciso dominar estas

regiões sem levar estes grupos em

consideração,tanto em suas

39
necessidades,como em seus direitos

políticos.

É a reedição da política da

ditadura,desde a transamazônica,pela

qual era preciso "levar o homem sem

terra do nordeste para ocupar a terra

sem homens da Amazônia".

Esta política continua até hoje em

diversos empreendimentos

econômicos,privilegiando a relação

entre capital nacional e estrangeiro,bem

como o latifúndio,a extração pura e

simples do minério e

40
,subliminarmente,favorecendo o

imperialismo,o neo-colonialismo,na

medida em que se passa a impressão de

que só a civilização estrangeira é capaz

de fazer a Amazônia prosperar.No

futuro,se isso se tornar um conceito

hegemônico,só o estrangeiro deverá

cuidar dela.

Tanto a televisão,como os

patrocinadores e os clubes endividados

brasileiros enveredam por este mesmo

caminho aceitando já a tutela desta

civilização superior não só por não

protestar pela não premiação de

41
Edmundo mas por ganhar dinheiro com

jogadores feitos nestes clubes e que são

vendidos para jogar a vida toda no

estrangeiro,inclusive em lugares

estranhos e sem futebol,como a Arábia

e a Ucrânia,o que é uma flagrante

desnacionalização(vestíbulo do domínio

imperialista e condição de sua

hegemonia),já que o certo era que este

jogadores devolvessem o investimento

dos clubes aos mesmos gerando rendas

em grandes jogos.

Mas os sob as do futebol,estes

péssimos dirigentes esportivos

42
brasileiros,os empresários de jogador,a

televisão e os patrocinadores fazem o

jogo do capitalismo predatório

periférico do Brasil,periférico porque

gerado no colonialismo,cujo pacto

continua até aos dias de hoje,como se

vê,sendo o futebol,uma medida clara e

próxima do povo,o qual devia analisar e

compreender.

43
O revolucionário

O revolucionário,e eu uso esta

expressão no sentido geral,ou

seja,aquele que quer mudar(mesmo que

seja com reformas),não pode nunca ser

institucional,no sentido de aceitar o

princípio da tutela,tanto ativa como

passivamente.Ele não é inimigo do

princípio da justiça ,que o Estado

eventualmente administra,mas é a

vida,o conceito de justiça,que precede e

fundamenta o Estado.

44
O marxismo que identificou o direito

com o Estado(sem saber que direito

quer dizer justiça),colocou o

revolucionário,na média,contra o Estado

e o Direito.No processo gorado da auto-

reforma do socialismo, a incorporação

do Direito teve o efeito contrário de

colocar os agora pseudo-revolucionários

como integrantes do Estado,co-

participes dele.Esta postura subverte o

sentido inicial da oposição entre

revolução e Estado,mudança e Estado.

Ser a favor da instituição é ser contra o

movimento,porque a forma em geral se

45
sempre legitimada,paralisa.Além do quê

colocar algo fora de si como

fundamento de si é como andar de

cabeça pra baixo.Não é à toa que a

religião cristã ao se tornar católica,pela

identificação com o Estado

Romano,criou formas de idolatria e

culto ao Estado e ao chefe para induzir

à paralisia e aceitação da tutela da mãe

igreja.

No processo de democratização da

revolução,a estratégia democrática e

reformista da mudança não impõe por

princípio a aceitação da tutela,mas a

46
participação crítica institucional,no

Estado e nos seus

departamentos,universidades,órgãos de

decisão e mesmo no setor privado,onde

há forte responsabilidade pública.(como

entre outros a universidade).

Para um revolucionário,repito,no

sentido geral,ser crítico ao mainstream e

participar dele é contraditório.Não sei

se é possível acabar com o Estado mas

o sentido de mudança não é acrescê-lo

ou inchá-lo,mas diminuí-lo(como

querem os liberais) e dentro das

universidades ele deve participar mas de

47
modo crítico,sem reproduzir os

esquemas de poder ou,no caso das

universidades particulares apoiar a

reprodução do capital,ao arrepio da

qualidade de ensino.

É preciso mapear os direitos e deveres

do revolucionário em nossa época tão

cheia de incertezas.

O conhecimento é de todos,todos têm

que produzir,pelo esforço.Não há

revolucionário escolarino,ou seja,que só

aceita o conhecimento que vem da

escola,mas ele o procura também e o

48
produz,PELO ESFORÇO,sem mamãe

mandar,desde pequeno.

Uma das coisas terríveis do marxismo é

ter privilegiado,em detrimento deste

esforço,a teoria,só podendo fazê-la o

gênio,como Marx.Na verdade ele

mesmo,na "Ideologia Alemã",afirma

que criando tempo livre,todo homem

poderia produzir obras de elevado nível

(Hannah Arendt trabalha esta idéia pelo

viés liberal em outro livro importante "

A Condição Humana").Dentro desta

contradição podemos ver que o

revolucionário é senso de

49
justiça,vontade fundada e busca e

produção de conhecimento.

O Papel da Filosofia

Uma das questões mais importantes de

minha atividade de professor de

filosofia e que tive que enfrentar sempre

foi ada sua utilidade.A Filosofia é tida

como algo que só pode ser exercitado

por vagabundos com dinheiro.Contudo

este tipo de visão me parece nos

reportar a um erro que o senso-comum

tem em relação a ela e que foi difundido

pelo cientificismo do mundo

50
moderno,segundo o qual discutir sexo

dos anjos ,a relação da alma com o

corpo são inúteis,bem como a natureza

de Deus e sua existência mesmo.

Até crentes de diversas religiões

reproduzem este pensamento,mas eles

não sabem,como a maioria não sabe

,que o fundamento de suas concepções

está na filosofia.Não há uma religião

que não tenha no pensar filosófico a sua

base.

51
Até as religiões africanas têm ligação

com o pensamento,que é matéria da

Filosofia.

O senso-comum,não afinado com a

religião ,também por outras razões

,acusa a filosofia.O cientificismo do

século XIX afirma que só os saberes

úteis,quantitativos,com uma expressão

econômica imediata ,são

importantes.Ele repete um conceito que

já era comum na Igreja Católica da

Idade Média,para quem a filosofia deve

se submeter a uma coisa mais

52
importante do que ela e que a deveria

dirigir.

No caso da Igreja,Deus,evidentemente

intercedido por ela.No caso do

cientificismo a utilidade com relação à

vida é o princípio diretor da atividade

filosófica.Menos que isso,para a ciência

a filosofia nem devia existir.

Acrescento um outro utilitarismo

recente,que bem pode ser associado ao

cientificismo:o marxismo.Só que este

tem uma maneira mais refinada de

dizer que a filosofia nem devia

53
existir,afirmando que,como a

literatura,a filosofia é um divertimento

que alivia o sofrimento mas deve deixar

a solução dos problemas para

o...marxismo.

A filosofia,no entanto,estabeleceu as

bases das religiões como já

disse.Estabeleceu os princípios do

pensamento e da linguagem que permite

a muitos dizerem estas baboseiras.Sem

isso a ciência não podia ser feita.

A Filosofia como qualquer saber

humano erra e comete até erros com

54
conseqüências ruins para a

humanidade,mas isto não é privilégio

dela,porque foi a ciência que dotou os

homens de instrumentos de destruição

de massa;foi a religião quem criou as

fogueiras da inquisição e foi o

marxismo quem permitiu em seu seio

alguns dos maiores carrascos das

pessoas inocentes ,de Stalin a Pol Pot.

Critérios políticos ou a Dignidade de

Cuba

55
Todo mundo sabe que eu faço muitas

críticas aos descaminhos do socialismo

que eu defendi ao longo da

vida,principalmente os exemplos que

restaram,como China e Cuba,que é

mais importante aqui na América

Latina,porque fundamenta os nossos

militantes de esquerda,que defendem

uma democracia burguesa aqui,mas

uma democracia definitiva ,a de Fidel

Castro,50 anos no poder,e a de Chávez

que quer isto aí também.

56
Contudo aprendi a analisar os

fenômenos históricos e os fatos

políticos(que se tornam história)sem

ódios desnecessários.Só quando isto é

absolutamente inelutável,como

acontece com o nazismo;mas mesmo

neste último caso uso um critério de

análise dos fatos subjacentes aos

grandes acontecimentos,que privilegia

esta frieza,de modo a não obscurecer

lutas legitimas,causas que devem ser

conhecidas,responsabilidades

individuais e coletivas,variáveis

57
complexas,ocorridas no campo social

das nações e das regionalidades,onde

os fatos históricos de fato acontecem e

têm o seu fundamento.Uso um critério

sociológico e nacional e regional.

A história ocorre nas nações e no seu

entorno,nos processos associativos

abordados pela sociologia.

Neste sentido existe um

acontecimento extraordinário na

Revolução Cubana,de tamanha

grandeza,que até mesmo os seus

maiores inimigos(entre os quais não

58
me incluo),reconhecem,que é a

Operação Carlota,a ajuda que Cuba deu

à libertação de Angola,o último prego

no caixão do colonialismo.

Não me extenderei no relato dos

fatos,só os mais importantes,que

remontam à necessidade de Angola,ou

mais precisamente,o MPLA de

Agostinho Neto,de tomar a capital

Luanda,antes que os outros

pretendentes financiados por outros

países e pelo imperialismo

estadunidense,chegassem lá primeiro.

59
A ajuda inicial de Cuba permitiu que o

MPLA chegasse antes e proclamasse a

independência em Novembro de

1975.Pouca gente se dá conta do

contexto em que esta independência

ocorreu.

O colonialismo queria se renovar

através do apartheid,que continuava na

África do Sul,e tinha um anteparo num

país fantoche,ao norte deste país,a

Rodésia.A questão era manter os

diamantes,os recursos naturais,nas

mãos dos interesses que ainda estão

60
até hoje aí causando prejuízos e

fazendo fortunas em detrimento da

população local(como é o caso dos

diamantes de sangue).

Com a eclosão por parte dos outros

pretendentes de uma guerra civil

angolana ,Cuba permaneceu neste país

e o ajudou a se manter e a se fixar.

As duas coisas que devem ser retiradas

como lição desta atitude

internacionalista de Cuba é que não

procuraram recursos naturais ou de

outra natureza,o fizeram por

61
internacionalismo.E a segunda coisa

,pouca gente sabe disto:foi essa ação

de Cuba que permitiu desmontar o

apartheid,pois nas negociações de

paz,os cubanos,que tiveram um papel

decisivo,pediram a libertação dos

presos da África do Sul,entre eles

Mandela.

A Rodésia foi desmontada e o regime

do apartheid,cujo líder diz até

hoje,falsamente, que foi ele quem fez a

transição,acabou.

62
Embora,pois,eu seja crítico em relação

a Cuba e defenda uma transição para

uma sociedade democrática,quero que

nada aconteça a este país,que deve

resolver seus problemas sozinho,sem

ninguém em volta e muito menos com

a presença dos Estados Unidos,que

nada têm a fazer lá,nem têm nenhum

direito.Entre cubanos,no plano

sociológico da nação,da sua

regionalidade,porque Cuba contribuiu

de maneira digna para o fim do

colonialismo.Temos que reconhecer.

63
O Barão do Rio Branco foi convidado

no inicio do século passado para se

candidatar à presidência do Brasil,mas

recusou porque era

monarquista.Contudo,recebeu do

Imperador Pedro II uma lição,segundo

a qual os regimes passam,mas o país

fica.Este é o meu critério.Que Cuba e os

países ,apesar dos erros do

passado,melhorem e não

piorem.Quero que Cuba evolua para

uma democracia moderna,preservando

as conquistas sociais.Não quero que

64
aconteça lá o que aconteceu na

URSS,em nome deste grande momento

histórico que foi a operação Carlota.

Eu costumo dizer:nunca quis participar

de guerras,mas se eu tivesse idade e

tivesse condições políticas,teria

participado da frente russa na segunda

guerra e da operação Carlota.

Universalização da educação I

Um dos temas que mais me interessam

nestas postagens é a questão da

65
educação.Sou professor.Procurar

passar aqui a minha opinião sobre os

problemas atuais da educação,depois

da redemocratização.

Eu faço questão sempre de,no inicio

destas postagens falar um pouco sobre

os fundamentos destas minhas

opiniões.

No que tange ao problema

educacional,os fundamentos são

filosóficos e políticos.Mas

principalmente políticos e estes são a

base de outras opiniões sobre

66
atualidade geral e do Brasil.NO caso da

educação brasileira e os demais

assuntos que nos interessam,os meus

parâmetros remontam ao problema da

Ditadura.

Muita gente me critica porque alega

que recuar até a ditadura para explicar

fatos atuais é um pouco de covardia e

um pouco de auto-justificação dos

políticos atuais,no afã de esconder sua

incapacidade e desinteresse em

resolver os problemas de fundo de

nosso país.

67
Talvez no plano pessoal,das condutas

pessoais este raciocínio seja válido,mas

no plano social,político e histórico é até

uma irresponsabilidade aceitar,de

pronto,este argumento,porque

desmobiliza a análise que devemos

fazer,com coragem,das razões de nosso

atraso.

As razões de nosso atraso são

longínquas e os grandes pesquisadores

e intérpretes brasileiros demonstraram

muita coisa.Contudo o Brasil não pára e

68
as características deste atraso

adquirem novas feições com o tempo.

Costuma-se dizer que a ditadura

marcou um grande desenvolvimento e

modernização do Brasil,mas se

observarmos este modelo de

desenvolvimento não mudou as

características concentradoras do

modelo social brasileiro.

Somos modernos porque temos

indústrias modernas,mas o povo passa

fome e é quase escravo como há 150

anos;temos uma ciência moderna,mas

69
ela é importada de fora;temos uma

cultura que se esforça para não ser

dependente.

Quando houve a redemocratização em

1985 o que se falava era recuperar

todo o movimento nacional que

crescera desde o último governo

Vargas para ,partindo daí,produzir uma

originalidade nacional,que era o

objetivo daqueles tempos.

Em função o processo de transição,que

foi feito por um antigo defensor do

regime,o atual Senador Sarney,esta

70
recuperação não ocorreu,porque

ele,sem muita legitimidade,jogou todos

os problemas fundamentais da

nação,para debaixo do problema

econômico,da luta contra a

inflação,que unificava o país em torno

de seu governo.O problema das

reparações ,da cultura,da

educação,foram todos

esquecidos,porque Sarney precisava

evitar todos estes espinhos em seu

caminho,cercado que estava(como

Tancredo também),pelos militares

71
desconfiados e que esperavam uma

oportunidade para retorno dos quadros

da ditadura.

Muitas decisões tomadas ao longo do

processo de redemocratização,que

começou não em 85,mas em 74 ,com

Geisel.Não foram revertidas pelo

governo da “ Nova República”.

A ditadura criou uma pós-graduação e

um sistema educacional que podou a

criatividade humanística das escolas

que a contestaram até ao AI-5.A

ditadura dividiu a esquerda com o

72
pluripartidarismo e dentro dela,os

comunistas,favorecendo a ascensão do

PT.O pensamento de esquerda perdeu

força.A ditadura deixou um sistema

político-eleitoral esdrúxulo que até

hoje dificulta a expressão pular.E

mesmo o MDB e as forças que estão aí

não conseguem se renovar porque não

sabem enfrentar estes problemas sem

colocar-se em perigo de morte.

O projeto de universalização de ensino

ficou em suspenso.

73
Porque defendo o Parlamentarismo

Em outro lugar eu já me referi a este

tema ,falando sobre o que eu considero

importante nesta forma de governo.A

maioria trata o parlamentarismo como

um problema eleitoral,que eu acho

importante,mas não tão importante

quanto um outro aspecto:a separação

entre a chefia do estado e a chefia de

governo.

O que mais me interessa no regime

parlamentarista é esta separação.A

74
essência do poder democrático é a

divisão do poder.Enfeixar numa mão só

todo o poder é absolutamente

inadmissível.

A tradição política e personalista do

ocidente,de direita ou de

esquerda,sempre acha que o

voluntarismo é a forma de adiantar o

progresso,mas na verdade é o respeito à

norma e ao limite que garante o

começo,pelo menos,disto.O que

atrapalha esta constatação racional é a

miséria ,a desigualdade social.Penso

que o parlamentarismo pode,se bem

75
equilibrado,evitar esta perversidade e

fomentar esta racionalidade.

Não há regime ideal,cada povo tem o

seu regime mais adaptado e as formas

de estado e de governo dependem muito

realmente de fatos concretos,como a

geografia;contudo o regime

parlamentarista parece reunir a média

da sociedade

democrática,tecnológica,civilizada

,moderna.Pode haver variações,mas de

modo geral,postas certas

características,certos elementos ,é o

parlamentarismo que responde melhor a

76
eles.O elemento central é antinomia já

posta entre chefia de estado e chefia de

governo.

O melhor sistema político é aquele em

que se divide o poder e em que existem

contrapesos,mas também aquele que

mostra eficiência.Tradicionalmente

divisão de poder é visto como

ineficiência e eficiência a

responsabilidade individual,identificada

com algum tipo de personalismo,que se

expressa em concentração de poder.Mas

a verdade é que a sua divisão é já um

começo de inclusão.

77
O desafio,pois,é fazer da forma um

meio de se chegar aos conteúdos

políticos da transformação.Por isto

passa também a questão da educação,da

formação do cidadão e também da

prática democrática do

parlamentarismo.Eu não sou daqueles

que entende a vida como práxis,isto é

uma ilusão muitas vezes repetida.A vida

á práxis,mas é consciência.Costuma-se

citar o critério da verdade prática na

afirmação de Engels “ a prova do pudim

está em comê-lo”,mas aquele que o

come sabe que é um pudim,se visse

78
uma porca não comeria.A criança que

não sabe o que é um pudim o que faz?A

criança está fora da filosofia e da razão?

Aprender fazendo a democracia é um

argumento falacioso porque os erros

muitas vezes causam o seu fim.Por isso

não se fala em democracia sem estado

de direito,sem limites jurídicos que não

podem ser ultrapassados.Não é tudo

prática,mas compromisso,pacto.E não

há de falar em prática sem busca

consciente de um regime mais

equilibrado. Não posso me furtar de

analisar o que aconteceu em santa

79
Maria. Enseja o episódio trágico uma

nova,mas recorrente reflexão sobre os

costumes brasileiros,que se sobrepõem

ao direito à cidadania.

Não vou repetir o que sabemos

errado:que o Brasil não tem lei,que

existe corrupção,jabá para abrir

estabelecimentos s em condições,que o

dinheiro é que manda,etc,etc,mas tudo

isto serve para exemplificar fenômenos

que compõem o fato social decisivo que

explica tudo isto aí:anomia.

80
Tudo isto,o predomínio do dinheiro

sobre a lei,a dependência do poder

pública em relação a ele,são unificados

por um elemento que é anomia .

Anomia é a falta de internalização da

norma pelos cidadãos,que,por isto

mesmo,não pode ser todos como

tal,pois a chave da cidadania é o

respeito à norma.

Também as causas históricas só serão

resumidas aqui.

81
Uma sociedade escravista,sem uma

sociedade civil organizada não poderia

não cair esta situação de anomia.

A escravidão e um Estado explorador

criaram esta passividade que é

reproduzida séculos adentro pela

ausência de uma educação universal

,democrática e que se perpetua pela

falta evidente dos poderes públicos que

nem de cima pra baixo pensam em

mudar esta situação,tal a incapacidade e

despreparação dos dirigentes do

país,beneficiados ,falemos a

verdade,por tudo isto.

82
Contudo o que faz as pessoas

continuarem se encaminhando para

essas tragédias inevitáveis

Como a do Andraus e do Joelma,do

andorinha é a confiança abstrata dos

cidadãos ,a esperança de que tudo pode

melhorar,que se está fazendo alguma

coisa.Confiança no entanto não é norma

e nem a desconfiança absoluta.

Um equilíbrioentre este dois termos

talvez começasse a colocar o cidadão

brasileiro no processo universal de sua

efetiva formação.Uma desconfiança

83
hobbesiana combinada com uma

esperança fundada em alguma coisa

decisiva:participação

A demissão

A demissão surpreendente de um

papa,depois de 600 anos,levanta

reflexões necessárias sobre o destino da

religião que é formadora da consciência

nacional.

Acima de tudo existe a

constatação,extra-muros,portanto mais

crítica,de que as contradições do

vaticano e a impossibilidade de o Papa

84
as resolver,impuseram algo novo,que

pudesse servir para um novo

impulsionamento.

Bento XVI apareceu como aquele que

embora sem se opor ao vaticano

II,desejava por um freio ao ecumenismo

que ameaçava diluir a religião católica.

Logo que foi entronizado contava-se

uma piada muito interessante sobre

ele.Tendo ido com representantes de

outras religiões rezar,alguns repórteres

lhe perguntaram no final da cerimônia

se aquilo representava a aceitação

85
definitiva ,por parte dele,do

ecumenismo,porque todos tinham “

rezado juntos”,ao que ele respondeu:”

não fomos rezar juntos,fomos juntos lá

rezar”.

E dentro deste propósito a o essencial

para ele era impedir que a Igreja se

diluísse neste ecumenismo,mas também

que as contradições dentro da

igreja,entre conservadores e

progressistas,europeus e terceiro-

mundistas,ajudasse a que acontecesse

isto.

86
Uma outra contradição ,no entanto,é

mais séria e grave:o comportamento dos

católicos no dia-a-dia.

Depois de vir ao Brasil a primeira e

agora única vez,Bento XVI instou a

igreja brasileira a fazer um congresso

da CNBB em Aparecida do Norte com

o seguinte mote:quem quiser ficar na

igreja católica deve obedecer aos seus

ditames.

Seguindo os ditames de seu mentor

João Paulo II, Ratzinger queria que os

católicos fizessem o que não fazem

87
nunca.Procriar em vez de sentir prazer

no sexo;viver dentro de uma hierarquia

e não aproveitando as supostas benesses

da democracia;obedecer ao papa,dentro

desta hierarquização.Mas olhando o

cotidiano dos católicos vemos que nada

disto acontece ,não só pelos itens

citados,mas também por eles

misturarem o catolicismo com crenças

reencarnacionistas ,chegando a

radicalismo de juntá-la com religiões

afro.

A verdade é que um outro homem vai

precisar fazer aquilo que um homem

88
velho não pode,manter a coerência da

igreja,coerência que em qualquer

movimento é a sua condição de

sobrevivência,muito embora procurando

fazer o que a igreja sempre fez muito

bem ,atualizar-se

89
O high society histórico

Quando um homem(ou uma mulher)

entram para a história,seja ela esta

história com H maiúsculo que

conhecemos admitimos de pronto o

mérito por parte delas.Com o tempo

percebemos que existem muitas

questões envolvidas neste

mérito,porque ele é discutível,é dividido

com outras pessoas ou tem

conseqüências que não são assim tão

positivas para a história da

humanidade.Se está na história é porque

fez algo de bom ou considerável.Muita

90
gente suspende o critério crítico e ético

quando analisa certas figuras.Fulano

cometeu muitos erros (ou crimes),mas

lutou e isto por si só já vale.

Além de discutir o erro desta premissa

quero,neste trabalho,discutir um outro

aspecto importante,que,a meu ver,é o

que fundamentalmente embasa

psicologicamente esta atitude por parte

das pessoas.O fenômeno da idolatria é o

que causa,mesmo no plano laico(já que

a idolatria é um conceito religioso),este

problema.

A História é como um High

91
Society.Quem entra nela adquire foros

de exemplaridade.Nela,existem aqueles

que são mais bem-sucedidos,seja na

História mesmo,seja na ciência ou na

arte,na filosofia ou por estar no lugar

certo ou na hora,ou por possuir dotes

físicos ou por não tê-los..

Nem sempre o que se faz em termos de

conteúdo é o que define,mas o simples

fato de aparecer.É o que acontece nos

dias atuais e entre outras coisas que

motiva estas linhas.De qualquer

maneira o que garante a entrada na

história é o " ser lembrado",a memória

92
dos homens,o conceito de

imortalidade,de permanência do que se

faz após a morte,na mente de quem fica.

Aparecer e ser lembrado nem sempre

significa produzir uma obra ou

conteúdo ,mas fazer algo que a

sociedade entende ser importante para

ela ,mesmo que discutível

evidentemente.

E esta medida que eu quero examinar

aqui.Esta medida e as suas

conseqüências ,positivas ou negativas

93
para a sociedade.

O critério de verdade e da medida pode

ser o que duas pessoas afirmam ser

verdade.Esta e a regra nos dias atuais.Se

duas ou mais pessoas dizem que viram

um E isto e mais importante do que

qualquer prova cientifica.Se duas ou

mais pessoas afirmam que a derrière de

uma mulher e mais importante do que

tudo isto tem mais foros de verdade e

importância do que as pirâmides.

94
O que é mudança.

O movimento ecológico não se

identifica só com o Partido Verde.No

entanto os Partidos Verdes pelo mundo

expressam ainda um desejo de

unificação da espécie em torno de bons

ideais.Expressam a possibilidade de se

construir esta unidade,são a mediação

para isto.

Embora eu não seja contra as

nações(sem elas não se pode falar em

unidade da espécie humana),é preciso

superar os resquícios primitivos do

95
nacionalismo:as barreiras nacionais,a a

xenofobia,estas coisas que estamos

cansados de criticar.

O movimento põe o problema de que o

planeta é assunto de todos e

que,portanto,as nações,os governos,não

podem colocar óbices à participação de

todos,para além das fronteiras.

Se um alemão nos critica por usar

trabalho escravo ,nós temos o direito de

criticá-lo e ao seu país(bem como aos

outros países)por depredarem o

ambiente,poluindo-o,como acontece

96
com os grandes países do G7 que se

recusam a diminuir o nível de

crescimento industrial ,para não

prejudicar aos seus países e

supostamente às suas populações.

Mas quanto ao G7 é fácil de perceber

as raízes históricas desta atitude.O que

não é compreensível é que um país dito

socialista,cantado em prosa e verso aqui

no Brasil por certos restos

radicais,defenda esta mesma

atitude,alegando inclusive que se os

outros fizeram ele deve fazer também

ou tem o direito de fazer.

97
Uma coisa eu aprendi no processo

revolucionário,que eu não defendo

mais:se você quer mudar a sociedade

você não pode ser igual a ela.

Se você é contra uma tirania não pode

ser um tirano.

O movimento ecológico apresenta não

só uma perspectiva conseqüente de

internacionalismo,mas oferece uma

ruptura com aquilo que está errado,no

que eu considero ser a postura de

mudança,quiçá revolucionária,num

sentido amplo,real e verdadeira

98
Atualização de Perfil

Volto aqui a este blog e ao contato com

meus amigos para fazer,a bem da

verdade,uma atualização de perfil,para

que todos compreendam o meu corpo

de valores políticos e pessoais que

orientam as minhas postagens e

intervenções aqui e em outros lugares.

Devo dizer que fui comunista grande

parte da minha vida,comunista pró-

soviético.Mas eu fui um comunista pós-

56,isto é,pós revelação(pelos próprios

99
comunistas),dos crimes de Stálin.O que

caracteriza este período para um

comunista sincero é a auto-reforma do

comunismo no sentido de incluir a

democracia no processo de constituição

da sociedade comunista.

Esta conexão não

é,evidentemente,fácil,nem tranqüila

,mas complexa.Complexa no sentido de

que muitas versões de que como isto

deveria se dar apareceram.Para alguns a

democracia seria um instrumento para

se chegar ao comunismo o qual

representaria a democracia

100
verdadeira,superior.Para outros,a

democracia tinha um valor

universal,sendo meio e fim da atividade

política,inclusive dos comunistas.No afã

de cercar e acabar com o capitalismo e a

exploração ,era necessário ampliar os

espaços da democracia para que todos

participassem dela definitivamente.

O meu pensamento se conecta com esta

última visão.A democracia,no entanto,é

preciso esclarecer,sendo meio e fim não

é ,no seu sentido

formal,suficiente.Explico.A democracia

não é só forma,não é só forma de

101
participação,fundada no direito.A

democracia é um regime de

governo,uma forma de administração

dos problemas da sociedade.Como tal

ela não é o regime da conversa e do

discurso ou das pessoas que querem se

mostrar simplesmente,ela é o regime

disto tudo,orientado para a resolução

destes problemas.

Quando faço estas afirmações muitos

rebatem que eu estou na espera das

ditaduras,porque se a democracia

fracassa só a ditadura resolve os

problemas.Eu teria ainda um " pé no

102
monstro" do comunismo,que admitia a

" ditadura do proletariado" para chegar

ao comunismo.

Não é bem assim.A democracia tende

mais ao fracasso porque ela é

deliberativa.Ela tenta resolver os graves

problemas da sociedade deliberando,em

sociedade,em sociedades populosas e

complexas,o que freqüentemente

emperra e burocratiza esta " forma de

governo".

Isto não significa que eu defenda a

ditadura.Só digo que este é um perigo

103
inevitável e permanente das

democracias em todas as épocas e que

no momento em que as demandas da

sociedade não são reconhecidas por ela

,inevitavelmente,sem controle de

ninguém,sobrevêm as ditaduras e as

revoluções.

Mesmo a revolução russa,que os

comunistas dizem ser obra de Lênin,foi

um fenômeno assim.

Eu apenas digo isto: que ninguém

controla esta possibilidade e que por

isso a chance de salvar a democracia

104
não é em cima da hora,mas agora,bem

antes,conectando com ela as questões

sociais e impedindo que o plenário da

democracia seja para os políticos,para

as pessoas,mas ,ao contrário,seja para o

povo e suas demandas.

Como conclusão,não sou mais

comunista neste sentido,me considero

de esquerda e social democrata,mas isto

é assunto para mais adiante.

105
Cotidiano

Volto aqui para discutir uma questão

que eu considero muito importante:o

que é o principal da política?Para mim

,fazer política é discuti-la no

cotidiano.Não é a eleição.Vamos entrar

agora no período eleitoral e toda a

discussão política vai ficar submetida

aos interesses individuais dos

políticos.No cotidiano,antes das

eleições,tudo é preparação para a

eleição.Muitos dirão:isto é normal,a

política é isto mesmo,a eleição é que

decide o futuro das

106
pessoas.Absolutamente,o que muda um

país é a capacidade de discussão

permanente e consciente do povo no

cotidiano.

Coloca-se freqüentemente a culpa no

povo por eleger maus políticos,mas a

culpa não é do povo ,é dos partidos que

não promovem as discussões no seu

interior,não abrem este espaço e não

escolhem bons políticos.

Os bons políticos vão nascer desta

discussão e ela tem que ser feita dentro

dos partidos.

107
O fazer política

Amigos,estou aqui de volta para

retomar as minhas postagens e

compartilhar com vocês,idéias.Este lado

do blog é para idéias pessoais,políticas e

culturais.Não escondo o meu interesse

político,mas o separo das atividades

profissionais que estão do lado direito

do blog.

Espero que compreendam esta divisão

e não se sintam impactados com

ela.Faço isso apenas para me colocar

diante de vocês sem nenhum véu.

108
E também porque a minha atividade

profissional tem muito a ver com a

política e vice-versa.A mediação que

associa estes dois momentos é a da

cultura.

A cultura é definida como tudo aquilo

que é produzido material e

espiritualmente pelo homem,por suas

mãos ou por sua consciência.Não existe

uma divisão absoluta entre este

termos,portanto:profissão,cultura e

política,não nessa ordem

necessariamente.

109
A compreensão de si mesmo se dá na

cultura,que oferece a possibilidade de

escolha profissional e daí a capacidade

crítica de intervenção política.

O elemento decisivo da política,a meu

ver,é a cidadania e a condição de

intervenção completa do cidadão é o

seu interesse em contribuir

produtivamente para a sociedade e isso

não exclui a juventude que estuda,pois

ela o faz pensando em produtividade no

futuro.E daí a possibilidade direito de

intervenção política se fundamenta.

110
Digo possibilidade porque fazer

política,no espaço público, é uma

escolha.Mas a verdade é que como

Aristóteles disse há dois mil anos,o

homem é o " zoon polítikon",o " animal

político".Na sua gregariedade,que se

manifesta nas relações sexuais,na

família,está presente a política,a

persuasão,o convencimento,o direito,as

carências e necessidades que são o

fundamento do fazer crítico da política

no plano público.

Pois fazemos política para defender o

direito pleno de satisfação destas

111
carências,para defender nossas

necessidades e exigir respeito aos

nossos valores.Mas acima de tudo,nós

fazemos política para obter retorno do

nosso esforço de contribuição pelo

trabalho.Se contribuímos temos o

direito de exigir,inclusive a melhoria

coletiva das condições de existência e

dentro dela,a melhoria da condição

individual.

112
Questão Social III ou nós somos os

próximos dinossauros

O que eu proponho,com todas estas

dúvidas explícitas,é que

,independentemente de haver um

problema de aquecimento,as condições

de bem-viver no planeta podem ser

resolvidas na relação com a natureza e

se o homem é natureza, com ele mesmo.

Vejamos o grande problema que

colocamos mais atrás,o problema

populacional..Com o crescimento

113
desordenado não há como alimentar as

pessoas.Parte da humanidade vive na

fome há décadas e nem tem qualidade

de vida.Não adianta fazer

assistencialismo,ou seja,dar de comer

ou bolsas que não ajudam a pessoa a se

inserir na sociedade,pela

educação,porque a escola também não

acompanha este crescimento e o Estado

não consegue inserir a

todos,desenvolvendo a nação de modo a

receber mais e mais população capaz de

trabalhar.

114
Como conseqüência , a pobreza

aumenta com seus atributos de doenças

e falta de higiene,que atingem em cheio

a natureza.As soluções imediatistas

também prejudicam a

natureza(encostas,com moradia

precária,solos sem aproveitamento,ou

com aproveitamento inadequado)e tudo

isto a desequilibra de modo amplo e

permanente,pondo a sua

tessitura,formada em bilhões de anos

,em perigo ,causando o já referido

processo rotativo de extinção das

115
espécies,entre as quais,se continuar

assim,a espécie humana pode se incluir.

Reparem:nem me referi ao afã do

lucro,do desenvolvimento

predatório,que já em si mesmo põe em

risco a natureza.

Desenvolver com um crescimento

populacional ordenado é a forma menos

chorosa de amor pelos filhos e pelos

descendentes.O amor realista,quiçá

verdadeiro,é só procriar aquele pode ser

alimentado,ter saúde e educação.A

procriação não é uma questão

116
privada,íntima,mas meio-a-meio

dividida com a necessidade coletiva.

Camadas e camadas de problemas vão

se acumulando ,até quando?Até quando

acontecer conosco o que aconteceu com

os dinossauros.

117
Universalização do ensino II

Feitas estas ressalvas podemos agora

discutir com mais base este assunto tão

importante nos dias de hoje em que o

governo atual implementa novas

reformas para conseguir a sua

realização.Agora o governo brasileiro

implementou o projeto de

universalização do ensino,mas sem

modificar a bases,o ensino básico, e

sem levar em consideração as

diferenças entre uma região e

118
outra,entre uma escola rica e

pobre,entre um aluno e outro.

Corremos o risco pois de universalizar

um fenômeno que existe até

hoje,principalmente em universidades

particulares ,mas em toda a escola, que

faz a aprovação automática,repete notas

etc.O fenômeno da mediocrização ,pelo

não reconhecimento das desigualdades

legítimas,de aptidão,entre uma pessoa e

outra.

Parece-me que o que tem acontecido ó

que vem desde a ditadura,referida no

119
outro artigo,só que com o significado

mais abrangente da

demagogia,vendendo uma

universalização por baixo,falsa,que

continuará mantendo as elites,que

podem dar a seus filhos boas escolas e o

resto da população que receberá uma

educação de má

qualidade,separados,como hoje.

É certo que o governo alegará que no

decorrer do processo fará as devidas

correções.Contudo ninguém sabe se

será assim mesmo,por não sabermos se

este governo continuará,com seu projeto

120
e se dentro dele haverá força para

mantê-lo.Confesso que não vi esta

preocupação de correção,mas não posso

crer que estas questões que eu estou

colocando são desconhecidas pelo

Ministério.

O fato é que esta é uma solução,como

todas no Brasil,que começa pelo

final,nunca pelo início.O certo seria

resolver o problema do ensino básico e

depois ou pari passu fazer estas

correções,levando em consideração as

diferenças inevitáveis entre as

pessoas,entre os alunos,mas,como no

121
caso das cotas,busca-se forçar uma

solução geral que obrigue todas as

outras a virem no rastro.Uma maneira

de ,pelo menos,adiar, o problema social

inerente e subjacente à exclusão da

maioria do estudo e da escola.

Joga-se o problema e depois vamos

resolvê-lo.Um mal começo,o primeiro

passo errado,pode significar um

caminho ainda pior ou a continuidade

do que aí está.Pode haver uma

igualdade de acesso,mas não uma

qualificação real do brasileiro.Pior,uma

exacerbação das distâncias entre

122
aqueles que podem se qualificar

privadamente e aqueles que não.

123
Aristóteles e a Política

Depois de muito anos pude aceitar as

posições de Aristóteles sobre o zoon

politikon,aceitado que a gregariedade

humana implica em política,mas isto

não significa estado ou partido.

Desde que o homem existe ,existe a

política,não sendo necessários,pela

ordem,o partido ou o Estado.Nas

relações de família,nas relações na

comunidade primitiva,nas relações

homem/mulher existe a política.

124
Na família e nas relações privadas toda

a técnica e toda a motivação da política

estão presentes.isto é uma contradição

em termos com a definição,pois política

vem de polis,” cidade” e mais ainda a

própria definição de Aristóteles ,que

consagra a política privado revela o seu

preconceito em relação aos povos

bárbaros,que possuíam família também

e tinham política.

Aristóteles,como seu seguidor,São

Tomás de Aquino,falava em política

como gregariedade,” tendência a se unir

a outros”,mas a gregariedade é

125
característica da humanidade como um

todo e é incrível que o estagirita tenha

deixado este fato escapar,se é que

deixou...

Contudo,para nós é tarefa recuperar o

verdadeiro sentido e as verdadeiras

possibilidades deste termo.

Separando política,partido e estado

vemos que “ política é destino”,como

dizia Napoleão,é visceral,não se pode

abrir mão dela.podemos esquecê-la,no

cotidiano,ou jogá-la para o

inconsciente,mas ela é uma medida

126
inicial de amadurecimento.Quando se

aprende o sentido do não e se deixa de

ser criança já se tem noção(e

necessidade )de política.

Os psicólogos afirmam que já se pode

ter condições de sobreviver

individualmente precisamente quando

se deixa pra trás a infância,e a

sobrevivência já impõe a política,seja

vivendo nos palácios ou nos lixões.

127
A Questão Social II

Pois bem,se a questão social é

importante e decisiva também para a

preservação da espécie humana,que

parece ser o prioritário de uma política

ecológica e se partirmos do pressuposto

de que a questão populacional é

decisiva neste aspecto,porque o

movimento ecológico não a

incorpora,como elemento natural de seu

programa?

Esta é uma pergunta que deixarei no

ar.A minha dúvida é o modo de minha

128
inserção neste movimento,enquanto

professor de filosofia.Não é uma

pergunta,é uma dúvida que serve de

sugestão para inserir este problema no

programa dos partidos.

129
A Questão Social e a Ecologia

Em que medida pode a ecologia ser o

meio de resolver a questão social?A

questão social começou

naEuropa,depois da Revolução

Francesa e com o advento do socialismo

moderno.

No Brasil costuma-se fixar a data de

1930,com a revolução de outubro,como

o do reconhecimento(não

nascimento)da questão social.

Nos dias atuais,vivemos uma situação

esdrúxula,entre a resignação governista

130
que parece estar convencido de sua

resolução e a falta de disposição de

fazer uma oposição consciente a esta

ilusão perigosa.Perigosa pois põe o

problema social sob o

tapete,favorecendo a crescimento do

mesmo e apontando para um futuro

igualmente perigoso.

Se parto do pressuposto de que o único

movimento que tem um fundamento na

realidade é o ecológico,porque defende

a preservação da vida,ele não fica muito

longe da questão social,porque esta diz

respeito também à vida,à defesa da

131
vida,porque a defesa da vida é a do bem

estar,da qualidade de vida,algo que está

no bojo do problema social.

Esclarecer qual a conexão entre estes

dois movimentos,sem conspurcar o

movimento ecológico é uma tarefa

possível ao meu ver,a partir de uma

mediação:a do crescimento

populacional.

Todo mundo sabe que o movimento

ecológico começou na década de

sessenta diante da percepção clara da

sua existência,do desequilíbrio na

132
qualidade de vida.Mas o movimento

ecológico cresceu enormemente e

adquiriu um papel decisivo quando se

falou no efeito estufa.O efeito estufa

não foi só identificado como

conseqüência possível de uma guerra

nuclear,na época de Ronald Reagan.O

efeito estufa foi identificado como algo

grave com os estudos sobre o planeta

Marte e principalmente o planeta

Vênus.

Contudo a discussão sobre a

sobrevivência em todo este complexo

de problemas,da espécie humana,foi

133
derivação da chamada extinção

repentina dos dinossauros,que não foi a

única,mas parece ser uma constante da

renovação da vida no planeta.

Antes da extinção repentina dos

dinossauros,a explosão cambriana

também veio e foi numa rapidez

impressionante.

Os cientistas afirmam que a tendência

de renovação da vida no planeta é

esta,que inevitavelmente as espécies

têm que morrer para outras

134
nascerem,como acontece com os

indivíduos dentro das espécies.

Contudo o motor desta transformação

não foi bem compreendido no âmbito

da discussão sobre os dinossauros.A

suposta queda do meteoro não foi a

causa direta do fenômeno,mas o fato de

que os dinossauros só se reproduzem

uma vez na vida ,o que inviabilizou a

sua continuidade diante da explosão e

das condições climáticas subseqüentes

:os ovos de dinossauros morreram antes

da eclosão e só aqueles animais mais

fortes

135
reprodutivamente(ratos,roedores)pudera

m resistir e superar os grandes répteis.

A conexão entre o problema social e a

ecologia e a sobrevivência da espécie

humana se dá precisamente nesta

mediação.

Filiação ao PV

Eu fui em grande parte da minha

vida,vermelho,mas agora me tornei

verde pelo mesmo motivo pelo qual era

vermelho:a utopia.Constatando que os

antigos métodos de construção da

utopia eram ilusórios e se tornaram

136
progressivamente falsos e até

perversos,cheguei à conclusão de que só

existe hoje um movimento que tem um

programa,um fundamento na realidade

que é o partido verde.O fundamento na

realidade é a preservação da terra e da

vida.

Não existe outro movimento que tenha

uma ligação real com o mundo e com

uma questão decisiva,como o PV.Diga-

se o que se disser este fato,de que é

preciso preservar a terra e a vida é a

questão de nossos dias e ,quiçá,para

sempre.

137
E eu tenho um sonho:de que é possível

resolver a questão social a partir da

questão ecológica.

Educação

Há notícias muito graves vindas de São

Paulo,dando conta de que a São Marcos

está sendo despejada do seu local

tradicional de atuação.Da mesma forma

a Anhanguera-Morumbi está em

processo falimentar e está se desfazendo

de seus mestres e doutores porque não

tem mais condições de pagar.Aqui no

138
Rio de Janeiro,o venerando Cândido

Mendes,comparável à Einstein segundo

uma obscura agência fomentadora teve

que assinar ele mesmo um documento

de penhora de sua coleção particular de

pinturas,para pagar um professor.Eu

mesmo venci há anos uma ação contra a

Univercidade.

Para onde iremos se esta situação

continuar?As universidades públicas

não dão vazão aos professores das

universidades particulares que estão

ficando desempregados.A questão

decisiva dos dias de hoje para os

139
professores é a sua empregabilidade.O

professor também tem estágio

probatório e pode receber

estabilidade,mas o fato é que pela lei de

Diretrizes e Bases da Educação o

professor só pode ser mandado embora

se houver um motivo impeditivo de

extrema gravidade,porque o professor é

alguém em que o Estado investe e não

pode por qualquer motivo se desfazer

dele.Isto deveria ser válido para

qualquer profissão,mas no caso do

professor isto é um elemento direto de

sua qualificação.Não há como exigir

140
formação se esta não garante o emprego

do professor.

Um novo ano

Um novo ano se aproxima e o lugar-

comum de sempre:esperanças.Qual é a

esperança para o próximo

ano?Educação?Saúde?Segurança?Os

mesmos itens de sempre todos os

anos.Qualquer movimento,como os dos

últimos anos e dias,pacificação das

comunidades,copa e Olimpíada,sexta

economia do mundo parecem indicar a

realização das esperanças.

141
Ocorre que o essencial,a questão

social,a inclusão,o fim da fome,nada

disso está próximo.Portanto a esperança

é o que é passado.Cada vez mais o

passado comanda o presente.cada vez

mais nos tornamos obsessivos ou antes

banais em reconhecer o óbvio muitas e

muitas vezes.

É a banalização do mal.A banalização

do mesmo,do sempre.

O que esperamos é que saiamos da

banalização,do mesmo.Esperamos a

142
realização,mas como não vai acontecer

esperamos.

O conhecimento é de todos

A morte recente,de esteve Jobs,prova

algo que parecia acabado:que o

conhecimento pode e deve ser

produzido fora das universidades.A

universidade como a escola em geral,foi

criada pela igreja católica,pelo

cristianismo para controlar o

conhecimento.

143
Existe uma razão de ser para toda a

instituição universitária,em

determinados cursos:fiscalizar a

atividade profissional em seus aspectos

ético e profissional mesmo.Mas

extender este tipo de fiscalização para

todos os cursos é superficial.

Vejamos os cursos de ciências

humanas,filosofia por exemplo.Não há

razão nenhuma para,entre tantas

opiniões que podem ser seguidas ou

não,determinar uma fiscalização das

responsabilidades quanto à transmissão

das mesmas.

144
O critério de verificabilidade e

conseqüência social da atividade

profissional me parece justificar a

fiscalização e a cobrança,mas em

filosofia e em saberes teóricos não há

como estabelecer uma conseqüência

benéfica ou maléfica para a

sociedade,digna de acompanhamento.

De outro lado,como disse no início,a

época da terceira onda industrial tinha

sepultado os cientistas solitários,que em

porões,fizeram grandes descobertas.Não

era mais possível que alguém,em

garagens,sem recursos ,pudesse trazer

145
algo de novo,mas a informática

desmentiu tudo isto,porque duas

grandes descobertas ,a Microsoft e o

facebook foram feitas exatamente

nestes lugares por jovens sem recursos.

O caso de Steve Jobs pode parecer

diferente destes ,mas não é.Embora

tivesse ele recursos da indústria para

fazer as suas invenções que mudaram a

face do mundo,começou sem nada e

mais do que isto,estes três casos

mostram que o conhecimento pode e

deve ser produzido por todos,porque ele

é de todos e não das instituições.

146
147
O primeiro republicano

Quem será o primeiro republicano do

Brasil?Depois de mais de cem anos a

pergunta que não quer calar é esta:quem

vai colocar os interesses coletivos do

Brasil acima dos seus?Quem respeitará

integralmente o estado de direito?Qual

o político,o partido,que vai respeitar a

soberania popular?Ou seja depois de

ganhar os votos,não vai fazer um

conchavo e virar as costas ao

povo?Quem vai separar o público do

privado?Quem não vai usar o estado a

seu favor?

148
Perguntas e mais perguntas que

fazemos há cem anos sem obter

resposta.O pior é que as coisas parecem

piores agora.Todas estas tendências

citadas adquiriram níveis paroxísticos e

estratosféricos.Vejamos:nunca as

campanhas eleitorais foram tão

dependentes das máquinas e do dinheiro

que mantêm estas máquinas;jamais

houve tanta promiscuidade entre a

política e o crime e jamais se fez

política com tão pouco programa,com

tão pouca preocupação com os

problemas da coletividade brasileira.

149
República não é um regime de

governo,mas um conceito.O espaço

público é de todos.Existem monarquias

que são mais republicanas do que a

nossa república,porque respeitam mais

esta regra do que nós.

Sabemos que a educação é o meio para

começar a superar este problema,mas a

educação padece dos mesmos

problemas que as outras áreas da vida

social.O ensino para o povo é o pior

possível,para as elites o melhor.Não

existe universalização do

conhecimento.Quem paga obtém

150
diploma,nas universidades

particulares.Muitos não vão pra

escola,pois precisam trabalhar.A

dotação para a educação é

pequena.Enfim,qual poder,qual

pessoa,quais pessoas,qual partido,qual

político quererá ser o primeiro

republicano para começar a enfrentar

isto?

151
As Eleições

As eleições acabaram.Todos foram

para casa certos de uma democracia

plena.Nossos esforços para acabar com

a ditadura foram realizados.Tudo

melhora a olhos vistos e com estas

eleições tudo tende a melhorar mais

ainda.

Esse cenário não é o que eu percebo ao

voltar para casa depois de votar.Em

primeiro lugar democracia plena para

mim não é apenas votar,muito embora

isto seja importantíssimo e

152
decisivo.Democracia é abrir espaço

para as pessoas de bem participar e sem

necessidade de fortunas para fazer a

campanha eleitoral.Se os partidos

admitissem um debate permanente

dentro deles,sobre as questões do dia-a-

dia e sobre questões de programa era

possível evitar estes gastos com

fortunas porque as idéias teriam um

peso decisivo.

Isto tiraria o emprego de muita gente

que teria que procurar um trabalho de

verdade e não colocaria a democracia

como refém das fortunas,das fortunas

153
nas mãos de poucos.Os partidos

deixariam de ser reféns das fortunas de

poucos,bem como a democracia.

As discussões de como resolver o

financiamento das campanhas

diminuiriam e os assuntos que viriam à

tona seriam os mais importantes:toda a

pessoa de bem tem precedência diante

do corrupto nos partidos;os partidos têm

que escolher estes candidatos e não

outros;têm que escolher de acordo com

um programa(que nenhum partido

tem);que a educação é a base para

salvar o país de qualquer crise ,não

154
indução de consumo e assim

sucessivamente.

155
Crítica de Cinema

Vou dar uma pausa nos assuntos

políticos e voltar para assuntos

culturais.Dia destes quando a minha tv a

cabo ofereceu canais de cinema,de

graça,revi um dos filmes mais

impactantes para mim:o planeta dos

macacos I,com este monstro do

Charlton Heston(monstro no sentido

próprio da expressão-veja tiros em

columbine),que faz um personagem que

não é muito diferente

dele:cínico,oportunista,excessivamente

iconoclasta.

156
O filme em si é uma aventura

simples,até sem muito brilho,mas os

elos da narrativa,alguns episódios,ou eu

diria mais exatamente,algumas

cenas,fazem um real inventário do que o

homem era no mesmo ano em que

chegava à lua(1969),fato que para

muitos denotava o ápice da sua

capacidade civilizatória.

Estas cenas mostram o contrário,que

tecnologicamente nunca o homem tinha

avançado tanto,mas que no plano

espiritual,mental,não deixara ainda as

estepes ,onde os bárbaros e os

157
civilizados praticavam violências.É só

ver que no decorrer da aventura o

personagem principal fica sem

roupa,monta um cavalo e tem uma

fêmea que não fala.No inicio,quando os

três tripulantes da nave não sabem onde

estão(descoberta terrível no final do

filme),um deles põe a bandeira dos

Estados Unidos na beira de um

rio,provocando em Heston uma risada

que o humaniza ,numa única vez no

filme.

No decorrer da aventura outras cenas

demonstram isto,mas o que caracteriza

158
o miolo do filme é a contraposição

clássica do homem,como num

espelho,entre a sua visão de si e a

realidade.

Em primeiro lugar os macacos que

herdam a terra(porque eles estão na

terra),herdam o primitivismo do

homem,que na figura dos três

tripulantes ainda recusam a aceitar este

fato.

Um deles é lobotomizado e o outro

empalhado para pesquisa o que já dilui

esta confiança em Heston.A polêmica

159
central é sobre se o homem pode falar e

os cientistas orangotangos que

representam o reacionarismo da

descrença e a perseguição das

heresias(parece uma época semelhante

ao da inquisição)embora sabendo que

podem,escondem esta verdade para

manter o seu poder.

No final o personagem de Heston nas

roupagens supra ditas se defronta com

uma outra verdade, claustrofóbica,que

nos coloca diante de nosso mundo

inexoravelmente.Mas eu não vou contar

160
o final do filme.Espero que o vejam e

mandem as suas impressões para cá.

161
Petição de Princípio

Às vezes,ao longo destas

postagens,sinto necessidade de explicar

os fundamentos que me movem para

opinar nestes artigos.Tenho horror da

contradição,principalmente quando trato

da política.A contradição é o meio

próprio do oportunista,que é o projeto

mais próximo do traidor.Aquele que

não tem critério,faz qualquer coisa e é

escravo das maiorias,que não são

expressão da verdade(desde que a

maioria elegeu Hitler deixou de sê-

lo).Aliás ele não é escravo,ele é

162
espiroqueta,ele usa as maiorias para

predominar.Ele escraviza aos

outros,com estas maiorias,que é a

mediação de todas as ditaduras.

Evidente que eu defendo aqui o oposto

e por isso gosto de escrúpulos e para ter

escrúpulos é preciso ter critérios e

fundamentos

revisados,analisados,discutidos,pensado

s,permanentemente,a vida toda,atitude

que,como eu já disse aqui,mais

atrás,profissionaliza da mesma forma

que a academia.

163
Eu me coloco aqui como o cidadão.A

esfera da solidariedade necessária para

o progresso da sociedade é a república,a

res-pública,coisa pública.A

solidariedade republicana é formal e

baseada na busca incessante de

justiça.O socialismo,como muitos

ismos,misturam o público e o

privado,criando uma solidariedade

pessoal que tem mais a ver com o

congraçamento universal da

religião,principalmente a católica,do

que com o mundo real.

164
No mundo real não predominam os

Francisco de Assis ou Gandhis.Não é o

mundo de Rousseau,mas de Hobbes e

buscar este congraçamento não é o

prioritário,porque muito difícil, e talvez

contrário à natureza humana.

As razões da divisão entre os homens

não residem só no que mostra o

pensamento de Hobbes,mas nas

relações materiais de existência,nas

divisões de classes e na repartição

desigual da riqueza.

165
Resolver isto é que é a forma de

resolver o problema destas

divisões.Contudo,não está claro que

resolvendo estas questões os homens

abandonem outras paixões,tendências

egoísticas,desejos irrefreáveis.

Não é certo esperar isto.

De modo que uma postura realista é

não misturar os homens,mas mostrar

que desde o início da humanidade o que

facilitou as coisas para a espécie foi

uma coletividade orientada para um

determinado fim.

166
Quando os primitivos se reuniam para

caçar podiam enfrentar e vencer animais

maiores,capazes de oferecer mais

recursos à sobrevivência,tanto em

termos alimentícios como de guarida.

Não adianta as pessoas dizerem,como

hoje,que a democracia é

consenso.Absolutamente.A democracia

é pensar diferente,é antagonismo

controlado,é criatividade admitida como

normal e não uniformidade do

pensamento.Não é mistura,mas

discernimento.Não é misturar o privado

e o público,dividir as famílias e as

167
mulheres,mas agir segundo a lei na vida

privada e agir da mesma forma,segundo

a lei e considerando o outro,na vida

pública.

O cidadão é este ator,este sujeito,que

atua na vida pública.Ele faz

política,atua politicamente,quando sai

para o trabalho e é nesta condição que

eu me coloco.Eu faço política,atuo

politicamente,pensando diferente

aqui,manifestando com liberdade a

minha formação e aptidão adquirida no

esforço.

168
Hoje a política não é feita segundo o

princípio da soberania popular.Em

nenhum lugar do mundo.Nem nos

parlamentarismos.Existe uma distinção

entre os esquemas de cima e os " de

baixo" ,os cidadãos,que acham que o

seu papel é só votar com má vontade.

Quero,aqui,mudar isto,ou

apenas,protestar.

Uma Filosofia brasileira?

169
Todos os grandes pensadores do

Brasil,como Darci Ribeiro e Gilberto

Freire,são unânimes em afirmar que o

Brasil é um país moderno,pois tem

indústrias modernas,tecnologia moderna

e assim por diante.Contudo nós somos

um país reflexo dos outros,dos países

centrais.Não temos a patente das

realizações.

Não é diferente no caso da

cultura.Como legatários da tradição

portuguesa,nós recebemos uma herança

sem Renascimento,sem as mudanças da

transição da Idade Média para a

170
sociedade moderna,como aconteceu nos

outros países da Europa.

Esta tragédia histórica,cujas causas

estão na influência totalitária da Igreja

Católica,criou esta situação de

dependência externa,que não é só

econômica,mas cultural e tecnológica.

A saída para este estado de coisas é o

desenvolvimento,a partir da criação

original e própria do nosso país,de

idéias que fundamentem tais

realizações.

171
E aí vem a pergunta recorrente segundo

a qual se temos tantas pessoas

capazes,tantos intelectuais e

cientistas,porque não nos ombreamos

aos outros países.Muitos respondem a

isto dizendo que os países centrais são

mais antigos e por isso possuindo mais

experiência são capazes de produzir

sempre algo novo e original.Isto é uma

meia-verdade.Outros dizem que é

porque eles possuem o controle do

mainstream e da propaganda.Eu não

comungo desta opinião.

172
Em primeiro lugar,originalidade não

existe,de vez que ex-nihilo nihil,do nada

não nasce nada.Originalidade quer

dizer, acima d e tudo, que a idéia ou a

criação original são novas e são ,a partir

de criadas ,fonte primeira de outras

idéias e realizações.

O Brasil pode discutir se é o país do

futebol,mas quem criou o futebol,quem

inventou o futebol não foi o nosso

país.Que nós temos reconhecimento

nesta área em nível de primeiro mundo

é verdade,mas a nossa realização

provavelmente não vai ter

173
transcendência trans-histórica ou

validade trans-histórica(ou seja terá

importância do mesmo jeito para outras

épocas além daquela em que foi criada).

O que nos falta é esta originalidade e

,no meu entender,ela só pode ser

criada,ou as condições de seu

surgimento,no processo de acúmulo de

conhecimentos e experiências,de um

determinado povo.

Por isso disse que os povos centrais

conseguem o que conseguem porque

174
possuem esta experiência e este

acúmulo de conhecimento.

Não tem nada a ver com língua ou com

espírito do povo,tem a ver com o que

cada geração faz e deixa para a outra.

Euclides da Cunha já tinha dito :" No

Brasil o que uma geração ganha a outra

perde"e Mário de Andrade afirmava que

para uma geração possuir um grande

poeta era preciso outros bons poetas à

sua volta.

Eu lembro aqui que em volta de um

Chaplin havia dezenas de outros

175
grandes cômicos,como em nenhuma

outra época.Em volta de Einstein,outros

grandes físicos e assim por diante.

Lembro também de uma das últimas

entrevistas dadas por Tristão de

Athayde,Alceu Amoroso Lima,ao

Pasquim,em que ele dizia que qualquer

pessoa que entrasse em um vilarejo da

Europa e conversasse com um

camponês ele saberia dizer onde um

grande pintor menos conhecido tinha

vivido e assim por diante,revelando que

existem muitas figuras importantes

desconhecidas e que o camponês médio

176
de uma França ou Alemanha tem um

nível cultural maior do que o nosso..

Shakespeare e Dante são universais e

epocais como todo transcendente trans-

histórico é.Como todo modelo histórico

e cultural é.Eles são capazes de resumir

toda a experiência humana e tudo o que

se fez de mais importante na sua

época,a qual,por sua vez,expressa todo

um passado de experiências que chegou

até eles,através de todo o Renascimento

que durou 200 anos,no mínimo,para o

caso deDante e 300 para o de

Shakespeare.

177
Machado de Assis ou Carlos

Drummond de Andrade são importantes

para nós mas não são universais.A

filosofia brasileira é importante pra nós

mas ela não é universal e é caudatária

do que se faz fora.Para superar isto

teremos que superar as barreiras postas

por estes autores citados,principalmente

Euclides da Cunha.

178
Teoria do fim do comunismo ou Marx

era Liberal

A teoria do fim do comunismo

começou quando a esquerda de modo

geral reconheceu que a sua necessidade

de legitimação passava pela democracia

e pelos princípios liberais do estado de

direito.Contudo o elemento mais

importante de todos é o reconhecimento

de sua vinculação liberal,por uma

leitura mais acurada de

Marx,especificamente a sua obra

"Crítica ao programa de Gotha de

1875,na qual ele afirma que reconhece a

179
desigualdade natural dos

homens(seguindo Locke e os

liberais),mas sem admitir que isto sirva

de justificativa de dominação.O

comunismo que ele defendia igualava

os indivíduos na medida em que cada

um ,segundo a sua capacidade(diferente

da dos outros),servia ao

outro(solidariamente)segundo sua

necessidade.

A igualação se dava pela

superprodução de bens que a sociedade

,agora livre da exploração

capitalista,punha-os em comum para

180
toda a humanidade,não havendo por

isso,dominadores e dominadores,mas

usufruidores do bem comum,de fato.

Para isto o comunismo devia ser

implantado imediatamente,por uma

sociedade previamente muito

produtiva,mas limitada pelo capitalismo

e que,liberada,sem as peias do estado

capitalista explorador,alcançava este

objetivo.

Tal não se viu na história do

socialismo,que foi implantado em

sociedades atrasadas e nas quais o

181
estado cresceu e criou um outro tipo de

opressão muito identificado com esta

sociedade atrasada.A sociedade

capitalista produtiva que como a base

da revolução para Marx,era também a

das liberdades " burguesas"(que ele não

reconhecia senão como formas de

mascaramento da

exploração)demonstrou ser um anteparo

ao que estas sociedades ditas socialistas

e pró-comunistas fizeram de

errado(violações,tortura,coletivização

forçada),pelo quê a esquerda que quis se

desvencilhar destes erros(partidos

182
europeus,principalmente o italiano),as

incorporou.

Mas reconheceu também o fato

subjacente e reprodutivo dos erros

segundo o qual uma idéia mal

compreendida do comunismo

justificou:que os homens são desiguais

e igualá-los é favorecer aos mais

espertos,aos mais fortes que se colocam

na surdina e manipulam esta

coletividade ,onde os indivíduos

diluídos temem pensar diferente para

não se colocar acima dos outros.Igualar

desiguais é acima de tudo diluir a

183
responsabilidade de cada segundo a sua

capacidade.Marx era roussauísta

enquanto critico ,mas liberal enquanto

comunista.

A Culpa é de Quem?

Costuma-se falar muito,no Brasil,de

que a culpa dos maus políticos

deixarem o país do jeito que está é do

povo brasileiro,que vota neles,mas eu

pergunto:os partidos criam

alternativas,escolhem bons políticos

para apresentar?Qual é a

184
responsabilidade maior?Do povo ou dos

Partidos?

Os Partidos são a consciência da

nação.Se eles têm consciência de que o

povo reclama da qualidade dos

políticos,porque não tomam a iniciativa

de escolhê-los segundo esta expectativa

popular?Dir-se-ia que com a lei da ficha

limpa isto foi suprido,mas a julgar pela

quantidade de políticos que continuam

dando demonstrações de falta de

qualidade,depois da lei proposta,pode-

se afirmar,com segurança,que não

adianta a lei se as pessoas não a

185
cumprem.Como as pessoas não a

cumprem,algum poder sobre elas deve

exigir o seu cumprimento e evitar o seu

descumprimento:os partidos.

Não tem saída.E também não vai

adiantar voto distrital,voto distrital

misto,voto proporcional,não vai

adiantar nada disso.As pessoas é que

têm que mudar,agindo dentro daquilo

que afirmam ser o certo.O Partido,como

as pessoas,são o que devem ser.Se o

cidadão não se empenha ele próprio

neste caminho,não adianta fiscalização.

186
A carne é fraca,existem muitos

elementos sociais que induzem à

corrupção e faz bem reprimir com

eficiência,mas enquanto a maioria das

pessoas,a consciência das pessoas,não

se decidir pelo certo, não adianta.O

começo certo desta luta são os partidos

tomarem a tarefa de exigir,pela

repressão e educação, dos seus

candidatos, aquilo que o povo quer.

O Direito dos Animais

187
Nesta minha primeira postagem,que é

também ligada à minha escola virtual

faço uma palestra sobre o direito dos

animais.Quer dizer coloco à disposição

minhas idéias sobre este tema objeto de

uma das minhas palestras.

Em primeiro lugar o termo direito dos

animais é impreciso porque dentro da

lógica jurídica os animais não tem

direitos,porque não são " sujeitos de

direitos",pois não são

conscientes,capazes de entender o

direito e de nele atuar.

188
Os animais devem ser protegidos pelo

Direito ,pelos homens e aí aparece o

problema filosófico e histórico desta

questão,desta proteção,qual seja,porque

fazê-lo,já que os animais devem ser

mortos para nossa sobrevivência.Já que

na natureza todos atacam a todos para

que possam sobreviver.

Vemos um País como a Índia que sofre

de fome e não ataca as vacas,fonte de

alimentação de qualidade,por questões

religiosas.

189
A questão filosófica básica é não

impingir sofrimento.É reconhecer o

elemento de dor como algo que não faz

parte da vida senão como algo a ser

evitado e que mostra a sua finitude, a

sua unidade.Tudo o que existe,como

vida,sofre e o direito de impingir

sofrimento sem finalidade é reproduzir

o mal,tornar o mal finalidade.

Como diz o Filósofo Schopenhauer:" A

presença do Homem na Terra tornou a

vida dos animais um inferno".

190
O mau tratamento do animal é o mau

tratamento do homem,pois a dor é a

mesma,a manipulação científica sem

objetivo definido é o mal,o mal como

finalidade,é reproduzir uma perversão.

A questão dos animais se insere na

questão ecológica pois trata-se do modo

como se trata a natureza.Tratá-la mal é

reverter a relação com a natureza e

consigo próprio,quero dizer,com o

homem,que egocentricamente pensa

estar fora dela.

191
Ficou determinado com o avanço do

pensamento ecológico que o progresso

não é mais importante do que o homem

,antes que só existe o progresso,com o

homem,pelo homem e para

homem,numa visão democrática radical

de relação homem/natureza.

192
Escola Virtual:

Email.:ecaxeiro@hotmail.com

Endereço on-line da escola

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