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INSTITUTO SUPERIOR MONITOR

Licenciatura em Gestão do Meio Ambiente

Impacto da Exploração Mineira Artesanal no Desenvolvimento das Comunidades:


Aplicação no Posto Administrativo de Iuluti-Comunidade de Marraca, Província de
Nampula.

Monografia apresentada com vista à culminação


da Licenciatura em Gestão do Meio Ambiente

Apresentado por: Domingos Luísa Eduardo (11-142)


Orientador: Msc. Eng.Virgílio António Livele

Nampula
Agosto de 2017
Impacto da Exploração Mineira Artesanal no Desenvolvimento das Comunidades: Aplicação no Posto
Administrativo de Iuluti-Comunidade de Marraca Província de Nampula.

DECLARAÇÃO DE COMPROMISSO DE HONRA

Declaro por minha honra que, esta monografia científica provém do meu trabalho de
pesquisa pessoal e sob orientação do meu supervisor, onde o seu conteúdo é de carácter fidedigna
e as fontes de consultas estão devidamente observadas e mencionadas no texto, nas notas e na
bibliografia do trabalho. Salientar ainda, que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra
instituição e nem por outro autor para obtenção de qualquer grau a académico.

Nampula, Agosto de 2017

_______________________
(Domingos Luísa Eduardo)

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Impacto da Exploração Mineira Artesanal no Desenvolvimento das Comunidades: Aplicação no Posto
Administrativo de Iuluti-Comunidade de Marraca Província de Nampula.

DEDICATÓRIA

Dedico esta, bem como todas as minhas demais conquistas, a minha amada mãe Luísa Assane
Ali, que falta você me faz e meus dois preciosos filhos Halley e Nicholy.

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço em allah, por ter me concedido a saúde no período que estive
em formação.

Do mesmo modo vão ao meu supervisor Msc. Eng.Virgílio António Livele pela sua
forma flexível e presente na orientação desta monografia científica, assim como as críticas que
subsidiaram as etapas da elaboração da monografia científica.

Extensivos agradecimentos vão aos meus tios Amisse e Manjura, pelo seu contributo
moral, meus pais Eduardo e Luísa por terem me dado a vida, a minha esposa Yara e os meus
filhos Halley e Nicholy por aparecerem na minha vida no período em que esteve em formação e
de forma muito especial.

Seria inevitável falar do apoio prestado pelos meus amigos Ageu, pelos subsídios na
elaboração da monografia, e aos que directa ou indirectamente contribuíram para o meu êxito na
formação.

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EPÍGRAFE

Se você tem metas para 1 ano, plante arroz.


Se você tem metas para 10 anos, plante uma árvore.
Se você tem metas para 100 anos, então eduque uma criança.
Se você tem metas para 1000 anos, então preserve o meio ambiente.
Porque aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente
degradado (CONFÚCIO, 2017)

Índice

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Impacto da Exploração Mineira Artesanal no Desenvolvimento das Comunidades: Aplicação no Posto
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DECLARAÇÃO DE COMPROMISSO DE HONRA....................................................................ii

DEDICATÓRIA.............................................................................................................................iii

AGRADECIMENTOS...................................................................................................................iv

EPÍGRAFE......................................................................................................................................v

LISTA DE TABELAS...................................................................................................................vii

LISTA DE FIGURAS...................................................................................................................viii

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS.....................................................................................ix

CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO.....................................................................................................11

1.1. Pergunta de Partida.............................................................................................................13

1.2. Hipóteses.............................................................................................................................13

1.3. Objectivos...............................................................................................................................13

1.3.1. Objectivo Geral....................................................................................................................13

1.3.2. Objectivos Específicos.........................................................................................................13

1.4. Objecto de estudo...................................................................................................................13

1.5. Justificativa.............................................................................................................................14

CAPÍTULO II: ESTADO DA ARTE.............................................................................................16

2.1. Breve Historial Sobre Actividade Mineira.............................................................................16

2.1.2. Actividade mineira em África..............................................................................................17

2.1.3. Critérios de Prática de Actividade Mineira Artesanal em Moçambique..............................20

2.2. Impactos Socioeconómicos e Ambientais da Mineração Artesanal.......................................21

2.2.1.Poluição atmosférica e química da água e do solo...............................................................23

2.2.2. Perturbações Ecológicas e Paisagísticas..............................................................................24

CAPÍTULO III: MODELO DE ANÁLISE...................................................................................25

3.1.Modelo de Análise (Diagrama)................................................................................................25

CAPÍTULO IV: METODOLOGIA...............................................................................................26

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4.1. Caracterização do Distrito de Mogovolas...............................................................................26

4.1.1. Caracterização físico-geográfica.........................................................................................26

4.2.Características socioeconómicas.............................................................................................27

4.3 Tipo de pesquisa......................................................................................................................28

4.3.1. Pesquisa Explicativa............................................................................................................28

4.4. Método qualitativo dedutivo...................................................................................................28

4.5. Técnicas de colecta de dados..................................................................................................29

4.6. Universo e Amostra................................................................................................................29

4.7.Análise e Apresentação de Dados............................................................................................29

CAPÍTULO V: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS......................................31

5.1. Idade dos inquiridos................................................................................................................31

5.2. Actividades de Rendimentos Praticadas pelos Garimpeiros antes da exploração mineira.....32

5.3. Qualidade de vida antes da actividade mineira.......................................................................33

5.4. Período de exploração mineira artesanal por parte da População..........................................35

5.5. Qualidade de vida e grau de satisfação com a prática da exploração mineira na comunidade
de Marraca.....................................................................................................................................36

5.6. Conhecimento sobre impactos ambientais gerados pela actividade mineira.........................38

Conclusão......................................................................................................................................41

Sugestões.......................................................................................................................................43

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................................44

APÊNDICE....................................................................................................................................46

LISTA DE TABELAS

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Tabela no1. Rios e Afluentes..........................................................................................................28


Tabela no 2.Efectivo Pecuário........................................................................................................29
Tabela no3.Faixa Etária dos inqueridos..........................................................................................32

LISTA DE FIGURAS

Figura no1. Poluição das águas e solos na comunidade de Marraca..............................................24

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Figura no 2. Outras actividades de rendimentos praticadas pelos garimpeiros..............................33


Figura no 3. Dados de avaliação da qualidade de vida antes da actividade mineira......................35
Figura no 4.Período de exploração mineira artesanal por parte da população de Marraca............36
Figura no 5.Qualidade de vida e grau de satisfação com prática de exploração mineira na
comunidade de Marraca.................................................................................................................38
Figura no 6. Nível de conhecimento de impactos ambientais gerados pela actividade mineira por
parte das populações de Marraca...................................................................................................40
Figura no7. Cova aberta no momento de extracção dos minérios na comunidade de Marraca e
sem devido tratamento...................................................................................................................41

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

CIP – Centro de Integridade Pública


FFM – Fundo do Fomento Mineiro
GDM – Governo do Distrito de Mogovolas

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HIV – Vírus de Imunodeficiência Adquirida


INE – Instituto Nacional de Estatística
MAE – Ministério da Administração Estatal
MCEL – Moçambique Celular
PEDD – Plano Estratégico Distrital de Desenvolvimento
RM – Rádio Moçambique
TDM – Telecomunicações de Moçambique
ITS – Infecções de Transmissão Sexual

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CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
A exploração mineira artesanal é uma actividade que cria condições para o melhoramento
da renda familiar, pese embora ser difícil quantificar os benefícios ganhos por uma população,
em virtude da informalidade, nomadismo e desorganização (ALEXANDRE, 2009).

De acordo com Mucanhiua (2009), actividade mineira envolve 30 milhões de pessoas em


todo mundo, contudo o autor relembra também que os postos de trabalho indirectos tendem a ser
considerados. Assim, de 250 à 300 milhões de pessoas constituem a quantidade de mão-de-obra
envolvida no sector mineiro.

É neste contexto que o "Impacto da exploração mineira artesanal no desenvolvimento das


comunidades: aplicação no Posto Administrativo de Iuluti-Comunidade de Marraca, Província de
Nampula", constitui o tema deste trabalho.

Para melhor compreender o tema houve a necessidade de colocar a seguinte pergunta de


partida qual é o impacto da actividade de exploração mineira artesanal no desenvolvimento da
comunidade de Marraca? Na qual obtivemos as seguintes respostas, em que justificava que a
expansão da actividade mineira artesanal, contribui para o desenvolvimento da comunidade de
Marraca e a oportunidade da exploração mineira na comunidade de Marraca diversificava as
fontes de produção de renda o que contribuía para o seu desenvolvimento.

O mesmo teve como objectivo principal analisar o impacto da exploração mineira


artesanal no desenvolvimento da comunidade de Marraca e especificamente houve a necessidade
de descrever a situação físico-geográfica e socioeconómica da comunidade de Marraca; conhecer
o nível de envolvimento da população da comunidade de Marraca na actividade de exploração
mineira artesanal bem como analisar os impactos socioeconómicos e ambientais da actividade
mineira artesanal na comunidade de Marraca.

Contudo, esta actividade, por outro lado tem gerado problemas a vários níveis, como por
exemplo a contaminação das águas, problemas entre as autoridades e os garimpeiros ilegais,
criminalidade nas comunidades envolvidas, bem como o abandono da prática de actividades

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agro-pecuárias, marginalização das terras exploradas, criando problemas ambientais como a


erosão dos solos, baixa fertilidade dos solos, desmatamentos e poluição do ar (MUCANHIUA,
2009).
Perante a situação acima referenciada, que por um lado, a actividade mineira artesanal
gera benefícios socioeconómicos, mas que por outro, origina problemas ambientais,
administrativos e políticos, se confere relevância a este trabalho, que tem como objectivo,
perceber o impacto da actividade mineira artesanal para o desenvolvimento de uma comunidade,
sob ponto de vista socioeconómico, administrativo e ambiental.

O trabalho realizado foi do tipo qualitativo explicativo pois, as análises e interpretações,


foram fundamentadas a partir das consultas bibliográficas de acordo com o trabalho de campo e
mediante o questionário do inquérito, assim como identificados os factores que determinaram ou
que contribuíram para a ocorrência dos fenómenos, aprofundando o conhecimento da realidade
ao explicar a razão, do porquê das coisas.

Os resultados deste trabalho irão contribuir na compreensão teórica dos impactos da exploração
mineira artesanal no desenvolvimento das comunidades, em particular de Marraca, que poderá
também perceber-se melhor sobre esta actividade económica, que trás consigo tantos benefícios
sociais positivos, e quanto negativos para o ambiente.

Este trabalho apresenta cinco capítulos: primeiro capítulo: aborda sobre a introdução do
trabalho onde descreve as motivações da escolha do tema, sua importância, finalidade da escolha
do tema, formulação dos objectivos e delimitação do objecto do trabalho; relação entre prática da
actividade mineira artesanal e o desenvolvimento da comunidade; o segundo capítulo versa sobre
apresentação do estado da arte, o terceiro capítulo fala da apresentação do modelo de análise; o
quarto capítulo: aborda a metodologia do trabalho e o quinto capítulo fala sobre análise dos
resultados. E por último espelha as conclusões, seguido das sugestões e no final apresenta
apêndice.

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1.1. Pergunta de Partida

 Qual é o impacto da actividade de exploração mineira artesanal no desenvolvimento da


comunidade de Marraca?

1.2. Hipóteses

 Hipótese 1: A expansão da actividade mineira artesanal, contribui para o desenvolvimento


da comunidade de Marraca;
 Hipótese 2: A oportunidade da exploração mineira na comunidade de Marraca diversifica
as fontes de produção de renda o que contribui para o seu desenvolvimento.

1.3. Objectivos
Este trabalho compreende objectivos gerais e específicos, tal como se apresentam a seguir:

1.3.1. Objectivo Geral


 Analisar o impacto da exploração mineira artesanal no desenvolvimento da comunidade
de Marraca.

1.3.2. Objectivos Específicos


 Descrever a situação físico-geográfica da comunidade de Marraca;
 Conhecer o nível de envolvimento da população da comunidade de Marraca na actividade
de exploração mineira artesanal;
 Analisar os impactos socioeconómicos e ambientais da actividade mineira artesanal na
comunidade de Marraca.
1.4. Objecto de estudo
O trabalho teve como objecto de estudo, actividade mineira artesanal e o seu impacto no
desenvolvimento da comunidade de Marraca, que se localiza na Província de Nampula, Posto
administrativo de Iuluti, no período compreendido entre 2012 á 2015.

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1.5. Justificativa
Segundo Almeida (2007), mais de metade da população moçambicana vive em situações
de pobreza absoluta. A agricultura constitui a principal fonte de sobrevivência. Contudo, a
escassez de chuvas, as técnicas usadas, aliadas as mudanças climáticas têm resultado no aumento
dos níveis de pobreza com o consequente agravamento das condições de vida.

A necessidade de sobrevivência, sobretudo nas zonas rurais, tem levado algumas famílias
a optarem por outras vias para a solução deste problema. Uma das saídas adoptadas para o
aumento do nível de rendimento nas comunidades é o seu envolvimento em várias outras
actividades incluindo o garimpo.1

Segundo Castel-Branco (2000), nota-se que o nível de vida das populações que vivem
nestas regiões, tende a melhorar uma vez que são substituídas as casas construídas com material
precário em material convencional, aquisição de meios de transportes como carros, motociclos;
criação de oportunidades de negócios, por exemplo cantinas rurais, salão cabeleireiro, internet-
café e fonte robusta para colecta de receita.

Para Almeida (2007), a relação existente entre actividade de exploração mineira e o


desenvolvimento de qualquer comunidade gera benefícios na vida da população mas também
contribui de forma negativa na área ambiental através da destruição dos ecossistemas, poluição
das águas, marginalização dos hectares de terras aráveis, minando a prática de agricultura e
pecuária, aquecimento global e a saúde pública, porque nos locais de ocorrências desta
actividade há movimentação de muitas pessoas dando o espaço de eclosão de doenças diarreicas
e de transmissão sexual, sendo um facto que afecta a este grupo alvo como consequência da
ignorância da população em relação a este fenómeno.

Na medida em que a existência de recursos minerais no país, em particular na província


de Nampula, é uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável da população
(comunidade), combatendo-se assim a pobreza, justifica-se o desenvolvimento deste trabalho que

1
Garimpo: é a forma mais rudimentar de mineração, pois são localizados em áreas remotas e não contam com apoio
de qualquer empresa ou órgão público, sendo muitas vezes considerado ilegal.

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vai contribuir de forma analítica, na prática desta actividade mineira artesanal de forma
sustentável, que é de fundamental importância para a preservação dos recursos naturais assim
como do meio ambiente para o bem-estar das actuais e futuras gerações.

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CAPÍTULO II: ESTADO DA ARTE

2.1. Breve Historial Sobre Actividade Mineira.


“Desde os primórdios da história da humanidade há 43.000 anos, o Homem vive na
procura constante da sobrevivência, da riqueza e da qualidade de vida. Por isso, desde muito
cedo o Homem aprendeu a retirar da terra as matérias-primas, que sempre utilizou para benefício
próprio” (SELEMANE, 2009).

Esta actividade de mineração veio evoluindo, porém foi na antiguidade que teve sua
maior importância histórica, já que era através dela que muitos recursos naturais iam sendo
descobertos. As pirâmides do Egipto, por exemplo, foram construídas com grandes blocos
extraídos das pedreiras; estes blocos tinham cerca de 15 toneladas cada. Em 3000 a.C. o Egipto
tornou-se a mais importante civilização do mundo, especialmente por terem dominado a
mineração de metais como o cobre. Este foi apenas um dos fatos históricos importantes que
envolviam a actividade de mineração (NHACA, 2009).

Um dos primeiros métodos de mineração foi documentado pelo povo romano, e consistia
em acender fogo sobre as rochas e esperar que elas se expandissem e rachassem, por conta do
calor. Além deste método, foi descoberto em seguida o uso de picaretas, martelos, bombeamento,
ventilação e carros de mão. Algumas das técnicas antigas ainda são utilizadas (SELEMANE,
2009).

De acordo Pereira (2005), com o passar do tempo, foi descoberto o uso da pólvora, o que
fez a técnica de mineração progredir, e da dinamite, que aumentou ainda mais este progresso. Em
seguida, foram desenvolvidas técnicas de perfuração, como a sonda rotativa, que existe desde
1813 e já recebeu diversas versões aprimoradas. Já na contemporaneidade, a exploração dos
minerais foi a base do progresso industrial e comercial, além de ser uma das bases do poder
económico, militar e político.

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Para Selemane (2009), “Nas explorações mineiras todas as fases desde a extracção, o
processamento e a beneficiação do minério têm um impacto negativo no ambiente. Os problemas
principais associados à extracção mineira são o grande volume de escombreiras 2 gerado e a
contaminação de solos e águas pelas drenagens dos efluentes.

Alguns métodos de exploração tiveram, e continuam a ter efeitos devastadores no


ambiente e na saúde pública, tais como: aumento do aquecimento global, a desertificação, as
secas, a contaminação e a poluição. (PEREIRA, 2005).

É reconhecido que as minas e os impactos ambientais associados a elas podem ser de


natureza física, química ou biológica. As espécies aí encontradas têm um papel fundamental na
caracterização do meio, sendo por isso utilizadas como bioindicadores. 3 É visível que os autores
convergem no pensamento de que a exploração mineira tem um impacto ambiental negativo, o
que concordaria (Idem).

2.1.2. Actividade mineira em África


De acordo com Pereira (2005), a realidade de muitos países africanos como Moçambique,
Nigéria, Angola, África do Sul, Zimbabwe, mostram que a exploração dos recursos minerais tem
sido destinada à exportação, facto que tendo em conta a fraca ligação deste sector com os
restantes sectores da economia, reduz ainda mais os ganhos dos países em via de
desenvolvimento, contrastando com os benefícios que os países ricos como Estados Unidos da
América, China, Japão e União Europeia ganham para alimentar as suas indústrias
manufactureiras.

A política geológico-mineira dos países como Líbia, Sudão, Lesoto, Suazilândia, Congo
devem tomar em conta a necessidade de incentivar as empresas a reservar recursos minerais a
serem usados em cada país. No caso de Moçambique, por exemplo, maior parte das empresas
como a MOZAL, SASOL faz a fundição do alumínio e exploração do gás natural para a

2
Escombreiras - é o local onde, numa exploração mineira, se acumulam os fragmentos de rochas que não tem
interesse económico (SELEMANE, 2009).
3
Bioindicadores: são fatores bióticos empregados para o reconhecimento de condições (passadas, presentes ou
futuras) de ecossistemas ( PEREIRA, 2005).

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exportação. E muitas vezes, mesmo que algumas empresas de processamento procurem matéria-
prima para usar no processo produtivo, o mercado não a disponibiliza, porque é exportada pelas
empresas mineiras. (NHACA, 2009).

A África do Sul é um dos países que já avançou na mineração, visto que a exploração
mineira responde, primeiro às necessidades internas do país, facto que é também justificado pelo
estado avançado da sua indústria mineira (NHACA, 2009). De acordo com o autor, é notório o
uso de bens, resultante da transformação de ouro bruto em jóias, o gás natural processado para o
uso doméstico.

Esta capacidade que África do sul tem internamente, em transformar a matéria-prima em


bens de consumo é ilustrada como acção representativa de vários países africanos como Malawi,
Congo, Zimbabwe e Moçambique, onde foi constituído um organismo com apoio dos governos
na exploração mineira através de investimentos elevados não especificados, bem como a não
aplicação de investimentos pelo qual foi direccionado (SELEMANE, 2009).

Segundo Mucanhiua (2009), as receitas dos recursos naturais podem quebrar o elo de
responsabilização entre o governo e os cidadãos, se os governos puderem confiar exclusivamente
em tais receitas sem a necessidade de cobranças adicionais de impostos aos cidadãos. O
ambiente institucional vai, consequentemente, desenvolver-se no sentido de garantir o poder do
governo e não a prosperidade e direitos comuns a todos.

A mineração em Moçambique começou desde a época colonial, a partir do século XV,


isto no ano de 1505, onde se falava duma exploração rudimentar ou artesanal, embora em
determinados contextos não se assumia a actividade de forma legal. A mineração no país é
praticada a dois níveis: industrial (mega projectos) e artesanal (garimpo) (FERNANDES, 2012).

O primeiro nível tem estado a dominar a atenção de investidores estrangeiros do Brasil,


África do sul, Inglaterra, América, China, Nigéria, Somália, Burundi entre outros, do governo, da
comunicação social e da comunidade doadora pelo facto de Moçambique se estar a tornar um
novo-rico nesse campo. E, por via disso, a pouca discussão que tem havido sobre a mineração no

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país concentra-se nas questões relacionadas com o quadro legal e fiscal, a transparência, as
exportações (CASTEL-BRANCO, 2010).

Para Fernandes (2012), “estima-se que mais de cem mil pessoas em Moçambique, entre
nacionais e estrangeiras, estejam envolvidas no exercício de mineração artesanal, alguns casos de
forma ilegal e clandestina, com maior incidência para as províncias de Manica, Tete, Zambézia,
Niassa, Nampula e Cabo Delgado, que apresentam alto potencial mineiro como águas marinhas,
ouro, quartzo, turmalinas, vernalite, granada”.

“No âmbito do Programa Quinquenal do Governo 2010-2015, a exploração sustentável


dos recursos minerais constitui uma das prioridades na promoção do crescimento económico,
melhoria da balança de pagamentos e garantia de aumento da participação do empresariado
nacional” (FERNANDES, 2012).

De acordo com Castel-Branco (2010), “a mineração artesanal precisa de ser tratada com
mais seriedade do que tem sido até agora. Está claro que nem a perseguição policial aos
garimpeiros, os projectos de “educação” dos garimpeiros, nem mesmo o incentivo ao
associativismo resolvem o problema da extracção desregrada de minérios. A medida central,
nestes casos, deve ser a criação de alternativas de sobrevivência, através de outras actividades
socioeconómicas. O Governo deve legislar, regulamentar e controlar o uso do mercúrio na
mineração artesanal no país”.

“Tal pode ser assegurado pelo Fundo do Fomento Mineiro (FFM), instituição
governamental que tem estado a comprar parte do ouro processado, com base em mercúrio
proveniente do mercado negro. E uma das principais razões da venda de ouro aos ilegais é
exactamente a garantia de acesso ao mercúrio para processamentos futuros, uma vez que o FFM
não possui mercúrio”.4
Castel-Branco (2010), sustenta que “A instalação de refinarias de ouro em Manica e nos
outros pontos do país, pode ser uma boa solução para estancar o garimpo ilegal e nocivo ao
ambiente. No entanto, será preciso colocar a questão de como fazer para que a instalação de
4
Idem

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refinarias de ouro contribua para a redução do garimpo ilegal, pois os aspectos salariais, os
termos contratuais e demais condições e benefícios sociais devem ser bem negociados, porque,
caso contrário, nenhum garimpeiro entregará o seu trabalho a uma refinaria para ganhar menos,
sabendo que pode ganhar muito mais se for cavar a terra para dela extrair ouro com os amigos,
mesmo na incerteza que rodeia o garimpo”.

Contudo, justifica Castel-Branco (2010), “que a situação da mineração artesanal é


preocupante, pois põe em causa as perspectivas de desenvolvimento económico em curso. Os
contornos desta prática envolvem cidadãos nacionais e estrangeiros, mulheres e até mesmo
crianças, cujos métodos usados perigam o meio ambiente através da destruição da vegetação,
solos e contaminação dos rios, com efeitos nefastos para a saúde pública”.

Nampula conta com reservas de minerais, uma riqueza explorada, actualmente, na sua
grande dimensão, em moldes artesanais de gemas, nomeadamente: Águas Marinhas (Turmalinas,
Corindo e Topázio), localizados nos distritos de Moma, Eráti, Monapo, Murrupula e Mogovolas.
Ocorrem do mesmo modo nos distritos de Lalaua, Eráti, Moma, Angoche, Murrupula, Nacala-a-
Velha, Ribáuè, Mecubúri, Memba e Monapo, minerais como ferro, grafite, ouro, fosfatos,
ilmenite, rutilo e zircão. As rochas de construção, granito, granito-gnaisse, calcário e basalto
ocorrem significativamente nos distritos de Nampula, Memba, Meconta, Nacala-a-Velha e
Mossuril. (PEP, 2010-2020)
A base geológica da província de Nampula é constituída fundamentalmente por rochas
metamórficas, como quartzitos, xistos e gnaisses, ocorrendo entre elas interferências de rochas
eruptivas, como gabros e doleritos.5

2.1.3. Critérios de Prática de Actividade Mineira Artesanal em Moçambique


Exploração Mineira Artesanal é uma actividade que extrai recursos minerais do solo ou
subsolo, bem como o seu tratamento e transformação, sendo que a exigência de normas para
exercer actividade Mineira Artesanal varia de país para país (PEREIRA, 2005)

5
Idem

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O Decreto nº31 (1995), sustenta que no âmbito da actividade mineira e em conformidade


com o título mineiro é permitida a comercialização dos produtos mineiros, caso contrário, a
comercialização só poderá ser feita ao abrigo de uma licença para o efeito, que possui
regulamentação própria. Para o exercício da actividade mineira existem os seguintes títulos e
autorizações:

Licença de Reconhecimento: é um documento atribuído a pessoas singulares ou


colectivas que pretendam fazer uma auscultação comunitária na área de ocorrência da mina
(MACHADO, 2000).

Concessão Mineira; é uma licença de prospecção mineira e de realização duma mina


experimental numa determinada área mediante o pedido do requerente (MACHADO, 2000).

Certificado Mineiro; é um título emitido pela entidade de tutela na área de minas, para
fins de exploração ou prospecção mineira industrial mediante o requerente singular ou
requerentes colectivos6

Senha Mineira: é uma licença de exploração mineira artesanal atribuída a pessoas


singular ou colectivas numa determinada área autorizada pelas entidades de tutela.7

O exercício da actividade mineira sem título, ou autorização constitui infracção punível


com multa que varia de 5 à 100 mil meticais, consoante a gravidade do caso em concreto,
apreensão do produto extraído e o confisco do equipamento utilizado (Decretonº31 /1995).

Taxa de Retorno: é uma taxa de desconto que quando aplicada a um fluxo de caixa, faz
com que os valores das despesas, trazidos ao valor presente, seja igual aos valores dos retornos
dos investimentos, trazidos ao valor presente (KEYNES, 2013).

6
Idem
7
Idem

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Administrativo de Iuluti-Comunidade de Marraca Província de Nampula.

2.2. Impactos Socioeconómicos e Ambientais da Mineração Artesanal


As pessoas envolvidas na actividade mineira artesanal tiram benefícios directos de
emprego, ao nível da extracção, e comercialização (Alexandre (2009).

Esta actividade de mineração artesanal gera fonte de emprego e auto emprego, fonte de
rendimento complementar das famílias, promove o melhoramento das condições habitacionais,
fonte de ocupação de jovens impossibilitados de continuar os estudos, contribui para a redução
da pobreza rural, contribui no crescimento de qualquer comunidade com potencialidades
mineiras em infra-estruturas e o comércio apesar de ser uma actividade de difícil controlo por
parte do Estado, devido ao seu carácter informal, desregulado e migratório (DONDEYNE,
2009).
Segundo Almeida (2007), “desde os primórdios da história da humanidade o Homem
vive na procura constante da sobrevivência, da riqueza e da qualidade de vida. Por isso, desde
muito cedo o Homem aprendeu a retirar da terra as matérias-primas minerais, que sempre
utilizou para benefício próprio. No entanto, percebe-se que a actividade mineira, juntamente com
a alteração rápida dos ecossistemas, o aumento do aquecimento global, a desertificação, as secas,
a contaminação e a poluição, provocou nos últimos cem anos uma grande degradação do
ambiente e da saúde pública”.

Assim, a exploração mineira tem sido usada principalmente como uma fonte de
rendimento económico, sendo que, Almeida (2007), nos faz perceber que a partir da exploração
mineira destacam-se os seguintes impactos ambientais:
 Formação de escombreiras;
 Formação de águas de drenagem ácidas;
 Erosão do material que compõe as escombreiras;
 Libertação de compostos químicos muito tóxicos;
 Modificação dos ecossistemas;
 Contaminação de solos e água;
 Drenagens dos efluentes.

No entanto, alguns métodos de exploração tiveram, e continuam a ter efeitos


devastadores no ambiente e na saúde pública. É reconhecido que as minas e os impactos
ambientais associados às minas podem ser de natureza física, química ou biológica. As espécies

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Administrativo de Iuluti-Comunidade de Marraca Província de Nampula.

aí encontradas têm um papel fundamental na caracterização do meio, sendo por isso utilizadas
como bio-indicadores (PEREIRA, 2005).

2.2.1. Poluição atmosférica e química da água e do solo


Um dos problemas é a poluição atmosférica devido à cimentação muito usada que
consistia na modificação de metais por acção do calor. Deste processo resultava a emissão de
gases sulfurosos para a atmosfera, que podem ser, transportados até grandes distâncias do local
de origem (PRESS et al., 2006).

A alteração dos sulfuretos por hidrólise juntamente com a oxidação do ferro e a presença
de bactérias do género Thiobacillus resulta num conjunto de processos químicos, que produzem
um fluido aquoso ácido e rico em metais pesados, como por exemplo, o Cobre, Zinco, Chumbo e
Prata.8
No contexto da indústria mineira os problemas de ordem “química” são os mais
preocupantes, bem como os mais relevantes face aos desequilíbrios gerados nos balanços
químicos naturais. Vários factores intrínsecos às minas são potencialmente nefastos para o
ambiente. A própria água da mina pode causar impacto no ecossistema envolvente, devido ao
valor de pH ser frequentemente baixo, contribuindo para aumentar a velocidade de dissolução
dos elementos químicos tóxicos, tais como o cádmio, o arsénio, o mercúrio, o zinco e o níquel,
bem como o seu transporte, sob a forma de lixiviados (drenagem ácida), até distâncias
consideráveis da origem, figura1 (PRESS et al., 2006).

8
Idem

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Administrativo de Iuluti-Comunidade de Marraca Província de Nampula.

Figura: 1-poluição das águas e solos na comunidade de Marraca


Fonte: O autor
De acordo Dondeyne (2009), "em actividade mineira o curso da água arrasta consigo os solos
provenientes do material extraído que os garimpeiros lavam para obtenção de minérios".
Portanto esta situação contribui para que a população e os animais consumam água
imprópria porque encontra-se turva e deixa as margens dos rios propensos a erosão. Como
espelha na figura a cima.

2.2.2. Perturbações Ecológicas e Paisagísticas


Segundo Press (2006), da exploração mineira resulta uma grande perda de habitat visto
que, para a extracção de minério, é necessário fazer escavações e construir infra-estruturas. Nas
zonas mineiras também se assiste ao crescimento da população e consequentemente aldeias para
os trabalhadores e suas famílias que desenvolvem na zona meios de subsistências dos quais
resulta a conversão de bosque em estruturas de carácter agrícola e pastoril. Estas zonas de agro-
pecuária dão origem, depois de abandonadas, a montados.

Outro dos problemas ecológicos é consequência da drenagem ácida. Esta pode dificultar
o desenvolvimento de uma cobertura vegetal espontânea nas áreas circundantes, bem como sobre
as escombreiras, e contribuir deste modo para o aumento da erosão. Das perturbações ecológicas

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resulta uma perda de biodiversidade e o desequilíbrio dos ecossistemas tanto terrestres como
aquáticos que existem nas zonas mineiras (PRESS et al., 2006).

Na extracção mineira nem todos os materiais extraídos são utilizados, muitas vezes
porque apresentam baixo teor do minério de interesse naquela exploração, sendo acumulados.
Nas minas também se pode observar o chamado “gossan”, que se refere às camadas de ferro
resultante da oxidação de sulfuretos maciços, que apresenta coloração laranja devido à sua
constituição em óxidos de ferro. A acumulação de produtos estéreis e de rejeitados da extracção
fazem com que os locais de actividade mineira apresentem carácter contaminado (PRESS et al.,
2006).

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CAPÍTULO III: MODELO DE ANÁLISE


3.1.Modelo de Análise (Diagrama)

Aumento da Renda Familiar

Diversificação de Fontes de Renda

Criação de Oportunidades de Negócio


Desenvolvimento Económico

Construção de vias de acesso

Implantação de infra-estruturas sociais


Desenvolvimento Social ( escola, hospital, fonte de água)

Melhoria nas condições de habitação


Exploração Mineira

Criação de Associações na
Exploração Mineira Artesanal comunidade

Grupos de protecção de recursos da


comunidade

Comunidade Nativa
Prestação de Serviços Realizados na
Comunidade
Comunidade

Representantes da comunidade
Comunidade Exótica
Criação de Projectos de
desenvolvimento sustentáveis

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CAPÍTULO IV: METODOLOGIA


Para a realização deste trabalho, foi efectuado uma pesquisa qualitativa, através do
método estatístico inferencial ou indutivo, porque os dados foram analisados e interpretados,
para além da sua forma objectiva, ganharam uma subjectividade lógica fundamentada de autores
consagrados de acordo com o trabalho de campo. De acordo com os objectivos fez-se, consultas
bibliográficas, assim como a colecta de dados a partir da técnica de inquérito onde obteve-se
informações relativas ao contributo da actividade mineira artesanal no desenvolvimento da
comunidade de Marraca, no distrito de Mogovolas.

4.1. Caracterização do Distrito de Mogovolas


4.1.1. Caracterização físico-geográfica
A Província de Nampula situa-se ao Norte de Moçambique, localizada com os seus
limites, a Norte, as províncias de Cabo Delgado e Niassa, a Sul a província da Zambézia, a Este
o Canal de Moçambique (Oceano Índico) e a Oeste as províncias de Niassa e Zambézia, com
uma a população de 3.985.285 habitantes (PEP, 2010-2020).
De acordo a projecção do instituto nacional de estatística, Distrito de Mogovolas dista a
72 Km da Cidade de Nampula, com uma população de 419.593 habitantes de acordo com a
projecção da população do ano 2015, cobrindo uma superfície total de 4.771 Km 2 o que
correspondente à 87.9 hab/km2. O Distrito é composto por 5 Postos Administrativos e 14
Localidades (PEDD, 2014).

 Limite:
Norte – Distritos de Nampula e Meconta;
Sul – Distrito de Moma;
Este – Distrito Angoche e Liupo; e
Oeste – Distrito de Murrupula e Distrito de Gilé.(Idem).

A comunidade de Marraca localiza-se na localidade de Naholoco , no posto


Administrativo de Iuluti, que situa-se a oeste do Distrito de Mogovolas e possui uma população
de 6.584 habitantes e composto por 3 localidades, dentre as quais Iuluti-sede, Mputo e Naholoco
(GDM, 2015).

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Quanto aos limites, a Comunidade de Marraca, limita-se a Norte com o rio Cavina,
Distrito de Murrupula; Sul-limita-se com o rio Nwarathepo, Posto Administrativo de Chalaua,
Distrito de Moma; Este-limita-se com o rio Murririmué, Posto Administrativo de Nametil; Oeste-
limita-se com o rio ligonha, Distrito de Gilé província da Zambézia (Idem).

 Clima e Hidrografia
De acordo MAE (2005:2), O distrito apresenta um clima do tipo sob húmido chuvoso
com temperaturas médias anuais entre 20-35ºc e uma precipitação média anual que varia de 800-
1200 mm. Em relação a hidrografia, é atravessado pelos rios e afluentes. Todos eles são de
regime periódicos excepto o rio Meluli que pode conservar a água durante o todo ano.

Tabela-1. Rios e Afluentes


Nome do Rio Seus Afluentes
Rio Meluli Rios Mutacaze e Murirrimue
Rio Naha Murirrimue
Rio pitamacanha Rios Naterre e Maculani,
Rio Murirrimue Rios Namboto, Namacassa e Napalavi rio Mutacaze
Fonte: MAE, 2005

 Relevo e Solos
O Distrito possui uma altitude que varia de 200-500m de relevo ondulado, os solos
predominantes são arenosos e argilosos que apresentam cor vermelha e escura, com uma textura
grossa, arenosa, pesada, sujeitas a inundações e estrutura profunda. (Idem).

4.2.Características socioeconómicas
 Agro-pecuária
Segundo o GDM (2015:06), ʹʹactividade predominante no distrito é prática de agricultura
familiar em pequenas explorações com culturas de variedades locais dependendo de chuvas.
Estima-se que cerca de 500.000 hectares de terra, é arável onde se praticam culturas de Castanha
de Caju, Amendoim, Mandioca, Gergelim Feijões, Algodão, Arroz e Milho.ʹʹ
Para além da actividade agrícola, o distrito tem registado grandes avanços no contexto de
criação de gado bovino ao nível da província de Nampula porque apresenta condições naturais

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favoráveis como a abundância de pastos doces e água suficiente para o abeberamento do gado
(GDM, 2015).

Tabela-2. Efectivo Pecuário


Espécies 2014 2015 Taxa de cresc.(%)
Bovinos 26.000 27.800 7
Caprinos 33.000 34.100 3
Ovinos 30.657 32,000 4
Suínos 10.381 11.210 8
Galinhas 97.573 97.890 0.3
Patos 13.750 13.987 2
Perus 810 980 21
Coelhos 1.133 1.145 1
Fonte: GDM, 2005

4.3 Tipo de pesquisa


4.3.1. Pesquisa Explicativa
Usou-se como tipo de pesquisa na realização do trabalho, a do tipo explicativa e quanto
aos procedimentos técnicos foi estudo de campo, porque segundo Gil (1991), a pesquisa quanto
aos objectivos são identificados os factores que determinam ou que contribuem para a ocorrência
dos fenómenos.
É o tipo que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, e
quanto aos procedimentos técnicos a pesquisa procura o aprofundamento de uma realidade
específica. É basicamente realizada por meio da observação directa das actividades do grupo
estudado e de entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações que
ocorrem naquela realidade”.

4.4. Método qualitativo dedutivo


Neste trabalho, a pesquisa foi centrada no método qualitativo dedutivo, visto que o uso
deste método foi determinada uma amostra de 50 residentes da comunidade de Marraca, através
de um inquérito direccionado ao grupo alvo, acompanhado com uma cadeia de raciocínio
descendente, isto é a partir da consulta bibliográfica de trabalhos realizados por
vários autores sobre o tema de uma forma geral e assim adequando a

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realidade e chegando a uma conclusão específica da comunidade em estudo. Porque


este método caracteriza-se pelo facto de tratar os aspectos do geral ao particular, justificando-
se ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenómeno.

4.5. Técnicas de colecta de dados


Como técnicas de colecta de dados foi usada a observação directa, uma vez que foi
observada a área de exploração mineira artesanal, a comunidade envolvida na exploração
mineira, e a comunidade residente nesta área, bem como o inquérito direccionado aos
garimpeiros, membros da comunidade e estruturas locais, e dados secundários buscados em
documentos dos governos da província de Nampula e distrito de Mogovolas.

4.6. Universo e Amostra


Segundo Gil (1991:30/32), “universo é o conjunto de fenómenos a serem trabalhados,
definidos como critério global da pesquisa”. Assim, a pesquisa decorreu na comunidade de
Marraca, com o tamanho da população de 6.584 habitantes, segundo o censo populacional 2007,
que constitui universo da pesquisa, donde foi extraída uma amostra aleatória de 50 residentes
desta comunidade, dentre os quais garimpeiros, membros da comunidade e estruturas locais da
comunidade.

4.7.Análise e Apresentação de Dados


O método estatístico usado, foi o inferencial ou indutivo, através do programa de
Microsoft 2010,nas planilhas Word e Excel, usados para gerar os gráficos e tabelas ilustrando as
suas respectivas percentagens ''porque se refere aos parâmetros da população, isto é, permitiu
com determinado grau de probabilidade, generalizar à população certas conclusões, por
comparação com os resultados amostrais e como usar os dados para obter conclusões acerca do
todo ou população de onde são originários os dados'' (SILVER, 2000).

Na perspectiva de colher informações relacionadas com a descrição físico-geográfica e


socioeconómica da comunidade de Marraca, conhecer o nível de envolvimento da população da
comunidade de Marraca na actividade de exploração mineira artesanal assim como analisar os
impactos socioeconómicos e ambientais da actividade mineira artesanal na comunidade de

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Marraca, desenvolveu-se este capítulo que está relacionado ao trabalho de campo. Assim, os
dados apresentados têm como origem os questionários de inquéritos feitos aos residentes desta
comunidade, dentre os quais garimpeiros, membros da comunidade e estruturas locais da
comunidade.

Para melhor apresentar os dados usou-se a categorização, que segundo BARDIN (1995)
apud IVALA (2002:122) '' consiste na classificação de elementos que constituem um conjunto.
Esta operação passa pela diferenciação seguida do reagrupamento dos elementos segundo o
género (análogo) com critérios previamente definidos''. A categorização foi feita mediante o
inquérito dirigido aos residentes da comunidade.
Assim, as respostas destas perguntas foram obtidas, criando-se subtítulos correspondentes
as perguntas e as respostas dadas pelos sujeitos da pesquisa, relacionadas com as informações
sobre a idade dos inqueridos, período de exploração mineira artesanal por parte da população,
outras actividades praticadas pelos garimpeiros, mudança de actividade, grau de satisfação na
prática de actividade de exploração mineira, qualidade de vida antes da actividade mineira e
conhecimento sobre a informação ambiental.

Já que as respostas fornecidas pelos sujeitos da pesquisa tendem a ser mais variadas,
sendo que houve a necessidade de codificar. Assim para garantir o anonimato por parte dos
inqueridos houve a necessidade de atribuir os seguintes códigos: GI1 que corresponde a
Garimpeiro inquirido 1, GI2 Garimpeiro Inquirido 2, GI3 Garimpeiro Inquirido 3....GI30; e para
o inquérito dirigido as estruturas locais em número de 5, foi necessário usar EL que significa
Estruturas Locais, e para o caso dos membros da comunidade num total de 15, usou-se o código
MC.
CAPÍTULO V: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

5.1. Idade dos inquiridos


Com objectivo de saber qual é a faixa etária predominante na prática da actividade mineira
artesanal, foi necessário colher dados dos 50 inquiridos. Os resultados obtidos, mostraram que 35
são do sexo masculino, 15 são do sexo feminino. Dos inquiridos, 8 são da idade compreendida

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entre 12-18 anos, 23 de 18-35 anos, 12 são da idade compreendida 36-49 anos e os 7 que
correspondem a 14% variam entre 50 à 60 anos.

Tabela-3. Faixas etárias dos inquiridos


Idade Número dos inquiridos Percentagem
12-18 8 16%
18-35 23 46%
36-49 12 24%
50-60 7 14%
Fonte: O autor

Assim, do apuramento dos dados apresentados, constatou-se que a população é


constituída na sua maioria por jovens por ser a camada activa desta comunidade, que nota-se
com maior predominância nesta actividade de exploração mineira e por ser um trabalho que
exige muito esforço físico no período da actividade de extracção dos mineiros.

Em Moçambique, de acordo a Lei de trabalho no 23/2007 de 1 de Agosto nos seus artigos


26 e 27, diz que a idade mínima para o trabalho perigoso é definida como 18 anos. Os
empregadores não podem dar aos menores de 18 anos de idade o trabalho que é insalubre,
perigoso ou que requer grande força física.

Assim, os resultados apurados do inquérito, contradiz com a lei do trabalho, porque


mostra claramente que esta actividade é praticada também por alguns menores de 18 anos,
gerando impactos sociais negativos para a comunidade, visto que as crianças e os jovens ainda
com a idade escolar chegam a abandonar a escola e dedicam-se apenas na actividade mineira por
ser uma actividade que oferece altos rendimento em curto espaço de tempo, facto que se alia a
predominância de casamentos prematuros na comunidade de Marraca.

5.2. Actividades de Rendimentos Praticadas pelos Garimpeiros antes da exploração mineira


O garimpo por se tratar de uma actividade que está sendo expandida pelos praticantes no
seio desta comunidade, os garimpeiros já vinham praticando outras actividades com destaque
para com agro-pecuária e o comércio, complementadas actualmente com actividade mineira
artesanal.

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Os membros da comunidade de Marraca ao complementar as actividades agro-pecuárias


e o comércio com o garimpo (exploração mineira), diversificaram e criaram mais uma fonte de
rendimento e a curto prazo, o que contribui positivamente no aumento da renda dos garimpeiros.

Dos 50 inquiridos, 27 garimpeiros afirmaram que praticavam também a agricultura, 18


membros da comunidade confirmaram que praticavam o comércio e as 5 estruturas locais
correspondentes a 10% praticam a pecuária, conforme a figura 2.

Figura-2.Outras actividades de rendimentos praticadas pelos garimpeiros


Fonte: O autor
Das conclusões obtidas, notou-se que todos os garimpeiros envolvidos na pesquisa
praticavam outras actividades para além da actividade mineira artesanal. Mas a actividade
agrícola é a mais exercida, registando 54%, porque esta comunidade é naturalmente potencial
para prática agrícola e, por outro lado, trata-se de uma actividade que é mais conhecida e
dominada com elevadas experiências no seio dos residentes.

A actividade agro-pecuária contribui na promoção de outras actividades como é o caso da


comercialização de produtos agrícolas, apesar de ser caracterizada como produtora lenta dos

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efeitos de impactos sobre o meio, exemplo ocorrências de queimadas descontrolas, abate


indiscriminado de árvores e uso de pesticidas químicos.

Nhaca (2009), explica que as zonas onde ocorre actividade mineira há geralmente pouca
disponibilidade de produtos agrícolas, isto porque a população chega abandonar esta actividade,
apesar de ser a que produz alimentos para comunidade, para aderir a exploração mineira por
conta dos altos rendimentos obtidos, e por outro lado, alia-se a baixa produtividade dos solos da
região devido a poluição dos solos.

Concordando com o autor acima, este caso também regista-se nesta comunidade de
Marraca, facto que leva a população a recorrer em outras comunidades para adquirir alimentos
através dos ganhos obtidos na actividade mineira. Desta feita, conduz para insuficiência
alimentar no seio da comunidade de Marraca.

5.3. Qualidade de vida antes da actividade mineira

Dos 50 inquiridos, que correspondem a 100%, 6 garimpeiros responderam que o nível de


vida era bom, 39 membros da comunidade responderam que era razoável e os 5, estruturas
locais, que correspondem a 10%, foram categóricos ao afirmar que a qualidade de vida era má,
figura 3.

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Figura-3.Dados de avaliação da qualidade de vida antes da actividade mineira


Fonte: O autor

Como percepção do gráfico acima, concluiu-se que a qualidade de vida antes da


actividade mineira artesanal, era razoável tendo em conta o número de respondentes que
constituem mais que a metade dos inquiridos, neste caso 78%, porque a comunidade praticava
uma única actividade que é agro-pecuária.

Sendo que 10% afirmaram que a vida antes não era boa, porque desta única actividade
agro-pecuária praticada gerava-se baixo rendimento, associado a vários factores tais como falta
de diversificação de mercado, prática de preços não justos e por se caracterizar actividade de
risco.
E os restantes 12% que corresponde a 6 inquiridos a firmaram que a vida era boa, visto
que os custos por estes empreendidos na agro-pecuária conseguiam tirar retornos, servindo para
o uso de vários fins.

Alexandre (2009), diz que não basta que a população obtenha benefícios directos a curto
prazo e definir que a qualidade de vida está bem ou não, na prática de qualquer actividade de
rendimento é necessário que se tenha em conta a existência de infra-estruturas básicas e o

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respectivo acesso como centro de saúde, vias de acesso que permitem a circulação bens e
pessoas, furos de água potável, acesso a educação, ligação a rede de telefonia móvel, ter acesso
alimentar durante 3 vezes ao dia e entre outros aspectos que garantem o bem-estar social, de um
individuo.
No entanto, os indicadores que o Alexandre define como um dos parâmetros de qualidade
de vida, são notórios na comunidade de Marraca como a construção de escola, ligação de furos
de água potável, ligação a rede de telefonia móvel, abertura de lojas rurais para facilitar o acesso
na aquisição de produtos, reduzindo assim o percurso das longas distâncias e alargamento de vias
de acesso, de modo que não haja o trânsito deficitário. Apesar os rendimentos obtidos serem com
maior destaque para os benefícios individuais. Exemplo a construção de casas convencionais,
compras de viaturas, criação de maiores efectivos de gado.

5.4. Período de exploração mineira artesanal por parte da População


Dos 50 inquiridos, 18% afirmaram que vem praticando esta actividade a menos de 1 ano, 22%
estão entre 1 a 5 anos nesta actividade, os restantes 30 inquiridos, que correspondem a 60% estão
nesta actividade a mais de 5 anos, figura 4.

Figura-4. Período de exploração mineira artesanal por parte da População


Fonte: O autor

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O gráfico acima, mostra que 60% dos garimpeiros inquiridos vem praticando esta
actividade a mais de 5 anos, isto porque gera maiores rendimentos em curto espaço de tempo e
não envolve muitos custos para a sua prática comparativamente a agro-pecuária e comércio,
actividades que antes do garimpo, eram as mais exercidas pela comunidade. Importa realçar que,
estes 60% já vinham praticando a actividade mineira, bem antes de se começar com a exploração
dentro da comunidade de Marraca.

Pereira (2005), explica que a exploração mineira deve ser praticada com uma consciência
pessoal, tendo em conta o presente e futuro das gerações, apesar de ser uma actividade que
oferece altos rendimentos directos, esta actividade caracteriza-se por estar a explorar os recursos
esgotáveis, porque na medida em que esta actividade é expandida e intensificada a longo período
empobrece e destrói a estrutura da terra através da retirada dos recursos não renováveis.

No entanto, os que exercem esta actividade nesta comunidade, a preocupação reside


apenas em ganhar e tirar rendimentos porque a realidade demonstrou diferente do que o autor
acima explica sobre a necessidade de salva guardar os interesses das nações, uma vez que a
sustentabilidade da aquela actividade em Marraca não é vista como factor de contribuição para a
manutenção dos recursos, por falta de conhecimento, por outro lado, acreditam apenas que
quanto maior for o tempo de inserção nesta actividade melhor será a resolução das dificuldades,
por eles encarados nas suas vidas.

Correlação aos garimpeiros inqueridos, 18% é que praticam esta actividade mineira a
menos de um ano, porque estes consideram como sendo uma actividade nova sem domínio, para
aquela comunidade de Marraca, motivo que abre o espaço de existir membros locais com
dificuldades na realização desta actividade.

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5.5. Qualidade de vida e grau de satisfação com a prática da exploração mineira na


comunidade de Marraca

Do total dos questionados que perfazem 50 (100%), um total de 26%, responderam que estavam
satisfeitos com a actividade, ao passo que 74%, responderam que não estão satisfeitos, figura 5.

Figura-5. Qualidade de vida e grau de satisfação com prática de exploração mineira na


comunidade de Marraca
Fonte: O autor

De acordo com o gráfico acima, nota-se que do total dos inquiridos, maior parte destes
afirmaram não estar satisfeitos com a prática da actividade mineira artesanal porque em algumas
vezes para a obtenção dos minérios requer experiência prática, por outro lado tem a ver com a
falta do mercado justo, dado que os compradores chegam a impor o valor de compra sem
observar o valor real do minério dada a fragilidade na fiscalização por parte do governo local.

Desta realidade registada, urge a necessidade de promover a formação do pessoal


envolvido na actividade, em matéria de cadeia de valor dos recursos minerais, na perspectiva de,
melhorar o mercado.

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Apesar de ser uma actividade que a maior parte dos inquéritos não se sentem satisfeitos,
nota-se no seio da comunidade uma evolução na melhoria das condições de vida através de casas
construídas de material convencional, compra de viaturas, garantia no ensino dos seus filhos,
disponibilidade alimentar, acesso aos serviços básico de saúde, aumento no poder de compra e
melhoria assim como a diversificação das fontes de renda familiar.

De acordo Selemane (2009), diz que apesar de ser uma actividade que oferece melhores
rendimento a curto prazo, ela gera enormes impactos nocivos sociais e sobre o meio ambiente,
facto que é desconhecido no seio da população sobre as consequências.

Concordando com o autor, trata-se de uma acção real e concreta que se vive na
comunidade de Marraca, visto que nota-se a retirada dos recursos minerais sem a devida
importância das consequências que esta actividade mineira trás para a sociedade e o ambiente.

Por outro lado são visíveis a ocorrência dos impactos negativos sociais nesta comunidade
de Marraca como por exemplo transmissão sexual, respiratória, criminalidade, violência corporal
das mulheres e crianças devido a movimentação de muitas pessoas de nacionalidades diferentes,
assim como a destruição de ecossistemas, poluição do ar através de emissão de poeiras e
contaminação de águas do rio.

5.6. Conhecimento sobre impactos ambientais gerados pela actividade mineira

Num total dos 50 inquiridos, 12% afirmaram ter algum conhecimento sobre a
preservação e conservação ambiental, ao passo que 44 dos inqueridos que representam 88%
responderam que não tem conhecimento ambiental relativo aos impactos ambientais de
exploração mineira como espelha a figura 6.

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Figura-6. Nível do conhecimento de impactos ambientais gerados pela actividade mineira por
parte das populações de Marraca
Fonte: O autor

Os dados do gráfico acima, mostram que uma boa parte dos garimpeiros inqueridos, não
possuem informações sobre impactos ambientais, porque registam-se acções como o abate
indiscriminado de árvores, ocorrência de queimadas descontroladas, falta de tratamento das
covas abertas no momento de extracção dos minérios, (figura 7), condicionando ocorrência de
erosão, poluição das águas dos rios murririmué e cavina, que em algum momento são usadas
para o consumo doméstico. Facto bastante preocupante atendendo as crescentes mudanças que se
tem registado ao nível do clima local como global, que afecta a saúde pública, influenciando
negativamente no crescimento e desenvolvimento das plantas e animais.

Pereira (2005), explica que o desconhecimento sobre os impactos que advêm em


qualquer comunidade que se pratica esta actividade mineira, pode levar a comprometer o bem-
estar as futuras gerações, porque a base de sobrevivência de qualquer comunidade rural são
recursos naturais.
Do inquérito direccionado ao grupo alvo em estudo e as observações feitas, percebeu-se
que não existe nenhum programa desenvolvido pelo governo local que permite o tratamento dos
impactos negativos proveniente no exercício desta actividade mineira, razão pela qual prevalece

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no seio da comunidade a situação de falta de informação relativa aos problemas que tem sobre o
meio ambiente.
Por outro lado, a fragilidade que tem-se registado na comunidade de Marraca em matéria
de fiscalização condiciona para maior concentração populacional nacionais e estrangeiros, a
exercer actividade mineira, sem a devida legalidade na aquela comunidade sobre tudo a
população estrangeira.
De igual modo, é imperiosa alocação da taxa de retorno, proveniente no pagamento das
senhas mineiras destas comunidades para assegurar a implementação do plano de maneio das
áreas exploradas em que são marginalizadas sem o prévio tratamento, que os interessados de
forma individual ou colectiva adquirem para formalizarem a sua actividade.

Figura: 7-Cova aberta no momento de extracção dos minérios na comunidade de Marraca e sem
devido tratamento
Fonte: O autor
Segundo Almeida (2007), "explica que é notório após a abertura das covas onde os garimpeiros
retiram os minerais, elas são deixadas abertas, poluídas e sem nenhum tratamento". Esta situação
põe em perigo a paisagem natural, bem como o meio ambiente em geral, uma vez que esta água
ao longo da lavagem dos solos extraídos, alguns minérios são nocivos a saúde pública como o
ouro, e quartzos. Como ilustra a figura 7.

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Conclusão
 Do trabalho feito, chegou-se a seguintes conclusões:

Quanto a situação físico-geográfica, os resultados apurados concluiu-se que a comunidade de


Marraca é dominada por um relevo ondulado, com formação rochosa e constituido por planaltos.
Apresenta solos argilosos e arenosos, com uma coloração vermelha e escura, textura grossa com
uma estrutura profunda. A vegetação predominante é floresta aberta, atravessado pelo dois rios,
sendo Cavina e Murririmué, a comunidade possui um grande potencial geológico para extração
dos seguintes minerais: Turmalinas, Ouro, Águas Marinhas e Quartso.

Quanto ao conhecimento do nivel de envolvimento da população de Marraca na exploração


mineira, concluiu-se que a população envolvida era constituída na sua maioria por jovens, que
são a camada activa da comunidade e os que compõem a maior parte dos garimpeiros envolvidos
na actividade de exploração mineira.
Este facto gera impactos sociais negativos para a comunidade, visto que as crianças e os jovens
ainda com a idade escolar chegam a abandonar a escola e dedicam-se apenas na actividade
mineira por ser uma actividade que oferece altos rendimento em curto espaço de tempo, facto
que se alia a predominância de casamentos prematuros.

Perante a situação sócio-económica da comunidade pode se concluir que com a actividade


mineira artesanal regista-se uma evolução nas condições de vida através de casas construídas
com material convencional, compra de viaturas, garantia no ensino dos seus filhos,
disponibilidade alimentar, acesso a serviços de saúde, aumento no poder de compra e assim na
melhoria da renda familiar. Por outro lado, a actividade está a criar mais oportunidades de
negócio, postos de trabalhos para além de infra-estruturas básicas erguidas pelo governo local de
forma a assegurar o bem-estar da comunidade de Marraca.

Concluiu-se ainda que, os membros da comunidade de Marraca ao complementar as actividades


agro-pecuárias e o comércio com a exploração mineira artesanal, diversificaram e criaram mais
uma fonte de rendimento, o que contribui positivamente no aumento da renda da população e o
desenvolvimento da aquela comunidade de Marraca.

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Quanto aos impactos ambientais, uma boa parte dos garimpeiros inquiridos, não possuem
informações sobre impactos ambientais, facto justificado pelas acções degradadoras do meio
ambiente como, o abate indiscriminado de árvores, ocorrência de queimadas descontroladas,
falta de tratamento das covas abertas no momento de extracção dos minérios condicionando a
ocorrência de erosão, poluição das águas dos rios de murririmué e cavina.

Sugestões

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O trabalho feito propõe-se colocar as seguintes sugestões:

 O governo local deve capacitar o pessoal envolvido em matéria de extracção,


conservação e comercialização de modo que haja maior produtividade e rentabilidade,
porque de um lado vai ajudar a melhorar o mercado, manuseamento dos recursos
minerais extraídos, o tratamento dos impactos que esta actividade gera tendo em conta a
cadeia de valor, os garimpeiros terão habilidades para discutir o preço estabelecido no
mercado, melhorando assim a competitividade.

 Tratando-se duma comunidade com muita potencialidade em recursos minerais a


manutenção de estradas e ponte é uma necessidade que o governo local deve ter em conta
como uma das acções prioritária por implementar, porque irá contribuir na criação de
mais oportunidades para a compra dos minérios extraídos e o escoamento com mais
facilidades para os outros mercados.

 No que tange aos impactos ambientais, há uma necessidade os lideres comunitários de


Marraca em mobilizar a população envolvida na actividade mineira, em assumir
actividade de reposição dos solos nas áreas exploradas e marginalizadas, de modo a
reduzir ocorrência dos processos erosivos.

 Necessidade do governo local criar comité local de gestão de risco e fiscalização dos
recursos naturais para evitar a ocorrência de queimadas descontroladas, exploração
desordenada e ilegal, assim como sensibilizar a comunidade de Marraca, de modo que a
população e animais não usem água poluída dos rios.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Escala como parte integrante do Desenvolvimento Rural, MIRE, Direcção Nacional de Minas,

CASM/09, 2009.

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selva académica. Rio de Janeiro: Objecto Direito, 1998.

BOGDAN, Roberto, BIRKLE, Sari. Investigação quantitativa em educação. Uma introdução à

teoria e aos métodos. Portugal, porto, editora. Lisboa, 1994.

CASTEL-BRANCO. CNE. Economia Extractiva e Desafios de Industrialização em

Moçambique, Cadernos IESE Nº 1, Maputo, 2010.

________. Exploração mineira em Moçambique e seus impactos económicos e sociais.

Disponível em: <http:// www.PROF.castel>. Acesso em: 20 de Julho, 2016.

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Acesso em 10 de Março, 2017.

Decreto no 31/95 de 25 de Junho, BR no 29, I Série, 3º Suplemento de Terça-feira, pág. 133 (4) à

134 (7). 25 de Junho, 1995.

DONDEYNE, S, et. Al. Em busca do Ouro-Garimpo e Desenvolvimento Sustentável, Uma

difícil Conciliação, Centro de Desenvolvimento Sustentável, Chimoio, 2007.

FERREIRA FERNANDES. Meio ambiente; disponível em<http://www.hp.sofia> acesso em. 22

de Julho 2016.

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GDM. Plano Estratégico Distrital de Desenvolvimento, 2014.

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GIL, António, Carlos. Como elaborar projecto de pesquisa. 3 ed. São Paulo. Atlas, 1991.

INE, Estatísticas Territoriais, 2007.

KEYNES, Maynard, Jonh. Manual de Gestão Financeira, 2013.

Lei do Trabalho nº 23/2007 de 1 de Agosto, artigos 26 e 27, BR nº 32, Pag. 20, 23 de Agosto de

2007.

MACHADO, P. A. L. Direito Ambiental Brasileiro. 7.ed., São Paulo: Malheiros, 2000.

MAE. Perfil Distrital de Mogovolas, 2005.

MUCANHIUA, T. O. A. Deniasse, Mineração Artesanal de Ouro, 2009.

NHACA, F. P. Castigo: Garimpo na Reserva Nacional de Chimanimani-Avaliação Ambiental e

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Bookman, 2006.

SELEMANE, T. Alguns Desafios na Industria Extractiva em Moçambique, CIP, Maputo, 2009.

SILVER, M. Estatística para Administração. São Paulo: Atlas, 2000.

Fonte oral. Citação pessoal: Ana Margarida Maldunato - Líder Comunitária

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APÊNDICE

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APÊNDICE 1
INSTITUTO SUPERIOR MONITOR
CURSO DE LICENCIATURA EM GESTÃO DO MEIO AMBIENTE
Guião de Questionário para o Garimpeiro

O presente guião tem por objectivo obter informações sobre O impacto da Exploração Mineira no
Desenvolvimento da Comunidade de Marraca: Posto Administrativo de Iuluti, Província de Nampula
2012-2015. A pesquisa tem em vista a obtenção do grau académico de Licenciatura em Gestão do Meio
Ambiente no Instituto Superior Monitor. Apela-se que se responda com clareza e precisão as questões
que lhes são colocadas sem omitir qualquer informação, pois, a utilidade destas informações é pura
exclusivamente académica.

Nota sobre o preenchimento:


Para responder as questões colocadas nesta ficha, marque com X na resposta certa.
Comunidade_______________________________________________________

1. Sexo M F
2. Idade
18 á 35 anos
36 á 49 anos
50 á 60 anos
61 Anos ou mais
3. Há quanto tempo que pratica esta actividade mineira?
De 3 a 12 meses
De 1 a 5
A mais de 5 anos
4. Antes de praticar a exploração mineira, praticava outra actividade?
Sim
Não
Se sim, qual? _______________________________
4.1. O que lhe fez/obrigou a mudar de actividade? ___________________________________

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4.2. Agora, para além da exploração mineira, tem uma outra actividade que pratica?
Sim
Não
Se sim, Qual?
____________________________________________________________________
5. Qual é a actividade que dá mais dinheiro?
Agricultura
Pecuária
Comércio
Outra se tiver
_____________________________________________________________________
6. Está satisfeito/a com a actividade de exploração mineira?
Sim
Não
7. Como era a sua vida economicamente antes desta actividade?
Boa

Razoável
8. Quantos membros da sua família praticam esta actividade?
Especifique o número
9. Seus filhos também praticam esta actividade?
Sim
Não
10. Se sim, também vão a escola ou não?
Sim
Não
10.1. Se não vão a escola, porquê?
___________________________________________________________________________
11. Tem conhecimentos sobre impactos ambientais que esta actividade gera?
Sim
Não
Se conhece enumere___________________________________________________________

Muito Obrigado pela colaboração.

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APÊNDICE 2
INSTITUTO SUPERIOR MONITOR
CURSO DE LICENCIATURA EM GESTÃO DO MEIO AMBIENTE
Guião de Questionário para os residentes e Estruturas Locais da comunidade de Marraca

O presente guião tem por objectivo obter informações sobre O impacto da Exploração Mineira no
Desenvolvimento da Comunidade de Marraca: Posto Administrativo de Iuluti, Província de Nampula
2012-2015. A pesquisa tem em vista a obtenção do grau académico de Licenciatura em Gestão do Meio
Ambiente no Instituto Superior Monitor. Apela-se que se responda com clareza e precisão as questões
que lhes são colocadas sem omitir qualquer informação, pois, a utilidade destas informações é pura
exclusivamente académica.

INFORMAÇÕES GERAIS
Comunidade

1. Nível académico
1ª á 5ª
6ª á 7ª
8ª á 10ª
11ª á 12ª
Ensino superior

2. Conhece a lei Mineira Moçambicana?


Sim
Não
3. A lei trás benefícios a comunidade?
Sim
Não
4. Que tipo de material é usado na construção de infra-estruturas sociais existentes na
comunidade?

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Material Convencional
Material precário

5. A exploração mineira melhorou a sua renda familiar?


Sim
Não
6. Quais são as outras fontes de rendimento na comunidade?
Agricultura
Pecuária
Comércio

7. Qualquer pessoa poderá ter a concessão de exploração mineira?


Sim
Não

8.Que tratamento dão as áreas após o término da actividade mineira.


______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
9.As pessoas autorizadas a praticar a actividade mineira são apenas de nacionalidade
Moçambicanas? Se não, mencione as outras nacionalidades.
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

Muito Obrigado pela colaboração.

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