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Texto complementar

Comunicação em
Matemática: instrumento
de ensino e aprendizagem
Kátia C. S. Smole e Maria Ignez de S. V. Diniz

MATEMÁTICA

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Matemática
Assunto: Competências e habilidades

Comunicação em Matemática: instrumento


de ensino e aprendizagem
A palavra comunicação esteve presente durante muito tempo ligada a áreas curriculares que não incluíam
a Matemática. Pesquisas recentes afirmam que em todos os níveis os alunos devem aprender a se comunicar
matematicamente, e que os educadores precisam estimular o espírito de questionamento e levar os seus
educandos a pensar e comunicar ideias.
A predominância do silêncio, no sentido de ausência de comunicação, é ainda comum em Matemática.
O excesso de cálculos mecânicos, a ênfase em procedimentos e a linguagem usada para ensinar Matemática
são alguns dos fatores que tornam a comunicação pouco frequente ou quase inexistente.
Se os educandos são encorajados a se comunicar matematicamente com seus colegas, com o educador ou
com os pais, eles têm oportunidade para explorar, organizar e conectar seus pensamentos, novos conhecimentos
e diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto.
Assim, aprender Matemática exige comunicação, no sentido de que é através dos recursos de comunicação
que as informações, conceitos e representações são veiculados entre as pessoas. A comunicação do significado
é a raiz da aprendizagem.
Promover comunicação em Matemática é dar aos alunos a possibilidade de organizar, explorar e esclarecer
seus pensamentos. O nível ou grau de compreensão de um conceito ou ideia está intimamente relacionado à
comunicação bem-sucedida deste conceito ou ideia.
Dessa forma, quanto mais os alunos têm oportunidade de refletir sobre um determinado assunto, falando,
escrevendo ou representando, mais eles compreendem o mesmo.
Somente trocando experiências em grupo, comunicando suas descobertas e dúvidas e ouvindo, lendo
e analisando as ideias do outro é que o aluno interiorizará os conceitos e significados envolvidos nessa
linguagem de forma a conectá-los com suas próprias ideias.
A capacidade para dizer o que se deseja e entender o que se ouve ou lê deve ser um dos resultados de
um bom ensino de Matemática.
Essa capacidade desenvolve-se quando há oportunidades para explicar e discutir os resultados obtidos
e para testar conjecturas.

A oralidade em Matemática
Em toda nossa vida de falantes, a oralidade é o recurso de comunicação mais acessível, que todos podem
utilizar, seja em Matemática ou em qualquer outra área do conhecimento, é um recurso simples, ágil e direto
de comunicação que permite revisões quase que instantaneamente, que pode ser truncada e reiniciada,
assim que se percebe uma falha ou inadequação, independentemente da idade e série escolar.
Criar oportunidades para os alunos falarem nas aulas faz com que eles sejam capazes de conectar sua
linguagem, seu conhecimento, suas experiências pessoais com a linguagem da classe e da área do conhecimento
que se está trabalhando. É preciso promover a comunicação pedindo que esclareçam e justifiquem suas respostas,
que reajam frente às ideias dos outros, que considerem pontos de vista alternativos.
Na essência, o diálogo capacita os alunos a falar de modo significativo, conhecer outras experiências,
testar novas ideias, conhecer o que eles realmente sabem e o que mais precisam aprender.

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A partir da discussão estabelecida, das diferentes respostas obtidas, o educador será capaz de aprender
mais sobre o raciocínio de cada aluno e poderá perceber a natureza das respostas, realizando assim
intervenções apropriadas.
A comunicação oral favorece também a percepção das diferenças, a convivência dos alunos entre si, o
exercício de escutar um ao outro numa aprendizagem coletiva. Possibilitando também aos alunos terem
mais confiança em si mesmos, se sentirem mais acolhidos e sem medo de se exporem publicamente.

A comunicação escrita
A escrita é o enquadramento da realidade. Quando escrevemos não podemos ir para tantos lados como
no oral, ela prevê um planejar, esse planejar não é necessariamente escrito, mas auxilia na escrita. Portanto,
o oral antecede a escrita e nesse sentido a escrita pode ser usada como mais um recurso de representação
das ideias dos alunos.
Temos observado que escrever sobre Matemática ajuda a aprendizagem dos alunos de muitas formas,
encorajando reflexão, clareando ideias, e agindo como um catalisador para as discussões em grupo. Escrever em
matemática ajuda o aluno a aprender o que está sendo estudado.
Além disso, a escrita auxilia o resgate da memória e muitas discussões orais poderiam ficar perdidas se
não as tivéssemos registrado em forma de texto. A História, como disciplina, originou-se graças a esse recurso
– escrita de recuperação da memória.
Trabalhar essas diferentes funções da escrita em sala de aula leva o aluno a procurar descobrir a importância
da língua escrita e seus múltiplos usos.
Os textos servem para informar alguma coisa ou para dar ao outro o prazer de ler. Nesse sentido, os
alunos precisam entender que ao produzir um texto é preciso se preocupar com as informações, com as
impressões e se necessário com as instruções.
A escrita também sofre evolução à medida que o educador tiver o cuidado nos momentos de correção
de não usar um modelo único, mas diversificá-lo, tendo a preocupação de escrever o melhor possível para
que a sua comunicação seja o mais eficiente possível.
Sugestões para auxiliar a melhoria dos processos de comunicação nas aulas de Matemática:
• Explorar interações nas quais os alunos explorem e expressem ideias através de discussão oral,
da escrita, do desenho de diagramas, da realização de pequenos filmes, do uso de programas de
computador, da elaboração e resolução de problemas.
• Pedir aos alunos que expliquem seu raciocínio ou suas descobertas por escrito.
• Promover discussões em pequenos grupos ou com a classe toda sobre um tema.
• Valorizar a leitura em duplas dos textos no livro didático.
• Propor situações-problema nas quais os alunos sejam levados a fazer conjecturas a partir de um
problema e procurar argumentos para validá-las.
Com esse trabalho nossos objetivos são levar os alunos a:
• Relacionar materiais, desenhos, diagramas, palavras e expressões matemáticas com ideias
matemáticas.
• Refletir sobre e explicar o seu pensamento sobre situações e ideias matemáticas.
• Relacionar a linguagem de todos os dias com a linguagem e os símbolos matemáticos.
• Compreender que representar, discutir, ler, escrever e ouvir Matemática são uma parte vital da
aprendizagem e da utilização da Matemática.
• Desenvolver compreensões comuns sobre as ideias matemáticas, incluindo o papel das definições.
• Desenvolver conjecturas e argumentos convincentes.
• Compreender o valor da notação matemática e o seu papel no desenvolvimento das ideias matemáticas.

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A avaliação e a comunicação
A avaliação tem a função de permitir que educador e educando detectem pontos frágeis, certezas e que
extraiam as consequências pertinentes sobre para onde direcionar posteriormente a ênfase no ensino e na
aprendizagem. Ou seja, a avaliação tem caráter diagnóstico, de acompanhamento em processo e formativo.
Nesta proposta a avaliação é concebida como instrumento para ajudar o aluno a aprender. Assim, o
educador revê os procedimentos que vem adotando e replaneja sua atuação, enquanto o educando vai
continuamente se dando conta de seus avanços e dificuldades.
A avaliação só é instrumento de aprendizagem quando o educador utiliza as informações conseguidas
para planejar suas intervenções, propondo procedimentos que levem o educando a atingir novos patamares
de conhecimento.
O recurso da comunicação, nesse sentido, é essencial, pois no processo de comunicar o educando nos
mostra ou fornece indícios de que habilidades ou atitudes está desenvolvendo e que conceitos ou fatos
domina, apresenta dificuldades ou incompreensões. Os recursos da comunicação são novamente valiosos
para interferir nas dificuldades encontradas ou para permitir que o educando avance mais, propondo-se
outras perguntas, mudando-se a forma de abordagem.
Como podemos ver, há muitas vantagens em estimular a comunicação nas aulas de Matemática.
Que tal você tentar?
SMOLE, Kátia C. S.; DINIZ, Maria Ignez de S. V. Comunicação em Matemática: instrumento de ensino e aprendizagem.
Disponível em: ‹www.mathema.com.br/reflexoes/comunicacao_mat.html›. Acesso em: fev. 2009.