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UNIDADE 2

CAPACIDADES FÍSICAS

Objetivos
• Compreender a aplicabilidade das diferentes capacidades físicas nos mé-
todos de treinamento.
• Analisar as qualidades físicas e suas particularidades.
• Identificar em cada capacidade física sua importância para as diferentes
modalidades de atividades físicas, exercícios ou esportes.

Conteúdos
• Velocidade.
• Flexibilidade.
• Resistência.
• Coordenação.

Orientações para o estudo da unidade


Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:

1) Procure buscar outras informações sobre os efeitos do envelhecimento.


Seu comprometimento será muito importante para obter sucesso acadê-
mico e profissional.

2) Realize um programa de estudos; crie uma rotina semanal que possa


ser cumprida integralmente; procure entender os conteúdos aqui apre-
sentados e colocá-los em prática, integrando seus estudos à sua futura
profissão.

3) Acesse sempre o Conteúdo Digital Integrador, buscando subsídios para


complementar seu entendimento. Os artigos e vídeos ali selecionados

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

foram cuidadosamente destacados para que você transponha o conhe-


cimento do conteúdo básico e realize novas construções conceituais e
práticas.

4) Procure praticar o conteúdo sempre que possível, empregue-o no seu dia


a dia, discuta-o com seus amigos, exponha o que aprendeu como uma
maneira de fixar o aprendizado.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

1. INTRODUÇÃO
As capacidades físicas são um conjunto de qualidades in-
dividuais desenvolvidas com o propósito de incrementar melho-
rias orgânicas que se refletirão em aspectos musculares e psi-
cológicos, por gerar alterações positivas que serão aproveitadas
durante a atividade física e no desempenho esportivo.
Nesta unidade, trataremos do desenvolvimento da veloci-
dade da flexibilidade e da coordenação. Na próxima, estudare-
mos o desenvolvimento da força e sua periodização, com aplica-
bilidade a todas as capacidades físicas expostas.

2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA


O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su-
cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão
integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú-
do Digital Integrador.

2.1. CAPACIDADES FÍSICAS

Velocidade
De maneira bem simples, podemos dizer que a velocidade
significa agir no menor espaço de tempo com a máxima intensi-
dade, ou seja, o desenvolvimento desta capacidade está relacio-
nado ao desenvolvimento de propriedades funcionais que per-
mitem a execução de ações motoras em tempos curtos e com
esforços vigorosos.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Tubino (2003) diz que a velocidade é a qualidade física


do músculo e das coordenações neuromusculares que permiti-
rão executar sucessivos gestos de maneira rápida, constituindo
uma só ação com intensidade máxima e duração breve ou muito
breve.
A velocidade não é somente uma capacidade física que nos
possibilita correr de maneira intensa, mas também é coordena-
da, pois nela há assimilação de movimentos motores que permi-
tem tanto a movimentação como a assimilação de outras capa-
cidades, como coordenação e força, por exemplo. A velocidade
é primordial em diversos esportes, como é o caso do caratê e
do boxe, em que os atletas se destacam pela movimentação por
meio de diversas e específicas formas de velocidade e também
em atividades acíclicas que envolvem maior coordenação, como
saltos e lançamentos, e movimentos cíclicos como patinação,
por exemplo (WEINECK, 2003).
Para Bompa (2001), a velocidade é uma das capacidades
físicas mais importantes do esporte, pois o poder de se mover
rapidamente faz com que se obtenha vantagens esportivas tan-
to em atividades simples quanto complexas. Quando integramos
esse raciocínio com o de Weineck (2003), entendemos que a ve-
locidade é um dos componentes mais importantes do desem-
penho esportivo (Figura 1), relacionada a outras capacidades,
como coordenação e força, por exemplo. Dessa forma, não deve
ser vista como uma capacidade isolada.
Segundo Weineck (2003, p. 379),
A velocidade motora resulta, portanto, da capacidade psíquica,
cognitiva, coordenativa e do condicionamento, sujeitas às in-
fluências genéticas, do aprendizado, do desenvolvimento sen-
sorial e neuronal, bem como de tendões, músculos e capacida-
de de mobilização energética.

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Individualidade
Biológica

Genótipo Fenótipo

Carga genética
transmitida à pessoa e Tudo que é somado ou
que determinará acrescido ao indivíduo
preponderadamente após o nascimento.
diversos fatores.

Fonte: adaptado de Weineck (2003, p. 381).


Figura 1 Características parciais da velocidade para a capacidade de desempenho de
jogadores.

Para Platonov (2004), a velocidade deve ser levada em con-


sideração em todas as formas elementares de sua manifestação,
sendo determinada principalmente por dois fatores: o grau de
ativação do mecanismo neuromotor e a capacidade de mobilizar
o conteúdo da ação motora rapidamente.
O grau de ativação do mecanismo neuromotor é uma ca-
racterística da individualidade biológica relacionada a fatores
genéticos, podendo ser aperfeiçoado com o treinamento de ma-
neira menos eficiente. Como exemplo, o autor cita que o tempo
de reação das pessoas não praticantes de atividades esportivas
pode variar entre 0,2 e 0,3 s. Em atletas de alto nível, esse tempo

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oscilará entre 0,1 e 0,2 s. Com o treinamento, o tempo de reação


poderá melhorar em aproximadamente 0,1 s.
O segundo fator, ou seja, a capacidade de mobilização da
ação motora, está relacionado à ação do treinamento e dos efei-
tos que este exerce sobre o desenvolvimento das diversas for-
mas de velocidade. Portanto, a capacidade de mobilizar a ati-
vação motora se dá devido à velocidade de uma ação motora,
que é obtida graças à adaptação do aparelho motor às condi-
ções programadas do objetivo e da aquisição de uma coordena-
ção muscular ótima, que auxiliará em uma utilização diversa as
possibilidades individuais do sistema neuromuscular, próprias de
cada pessoa e das características de cada modalidade.
A importância dada ao treinamento de velocidade irá ao
encontro das características de cada modalidade esportiva ou de
cada atividade física que se pretende desenvolver. Por exemplo,
para a população em geral, não atleta, o desenvolvimento da
capacidade física da velocidade pode ser irrelevante quando se
busca um treinamento voltado ao cotidiano e à saúde. Por outro
lado, notamos que, dependendo da especificidade da modalida-
de esportiva que se pratica, ou para qual modalidade esportiva
for o treinamento, e focando-se o desempenho, a importância
do treino de velocidade ganha importância considerável dentro
de requerimentos específicos exigidos por cada modalidade, tor-
nando a velocidade uma capacidade física complexa.
Weineck (2003, p. 379) define que: "A velocidade de joga-
dores é uma capacidade complexa composta de diferentes capa-
cidades psicofísicas secundárias", como veremos a seguir.
A capacidade de percepção em situações relacionadas ao
jogo e de alterações que acontecem em menor espaço e tempo
possível é também entendida como velocidade de percepção.

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A velocidade de antecipação é a capacidade de antecipa-


ção das ações e dos comportamentos do adversário durante o
desenvolvimento do jogo no menor tempo possível.
A habilidade para realizar ações rápidas e específicas com
a bola, diante de um adversário, em curto espaço de tempo, é
chamada de velocidade de ação.
A velocidade de ação está relacionada com a forma em
que se deve aplicar esta capacidade física em cada modalidade
esportiva, levando-se em consideração fatores espaciais, tempo-
rais, separando-se do aspecto puramente motor, ou seja, saber
em que momento, por qual espaço, com que intensidade deve-
-se empregar a velocidade. Está também ligada a outros fatores,
como percepção e velocidade de decisão, por exemplo.
A capacidade de tomada de decisão no menor tempo pos-
sível, quanto às atitudes potenciais necessárias, também pode
ser descrita como velocidade de decisão.
Já a capacidade de reação a uma situação ou jogada repen-
tina e imprevista no decorrer do jogo é a velocidade de reação
ou o tempo de reação.
A velocidade de reação pode ser definida como a "veloci-
dade com a qual um atleta é capaz de responder a um estímulo
com uma ação adequada" (TUBINO, 2003, p. 185). É uma quali-
dade física indispensável para atletas de velocidade de todas as
categorias, entre as quais destacamos atletismo, natação, fute-
bol (goleiros), lutadores, jogadores de vôlei, esgrimistas, entre
outros.
Para Weineck (2003), a velocidade de reação pode ser divi-
dida em reações simples, como a largada em uma corrida de ve-
locidade, e reações complexas, como as diferentes reações que

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o atleta deve ter durante um jogo, em que será necessário que


a velocidade de reação se adeque às diferentes situações que
ocorrerem.
Tubino (2003) indica como melhor forma de treinamento
para a melhoria da velocidade de reação a utilização de grande
número de repetições de exercícios de "estímulo-resposta rápi-
da", provocando automatismo nos gestos que exigem velocida-
de de reação aos aguilhoamentos. Essa velocidade poderá ser
mensurada por testes eletrônicos que irão registrar o tempo que
a pessoa leva para responder com uma específica ação desejada
a determinado impulso visual ou auditivo.
Na sequência, temos ainda a capacidade de realizar movi-
mentos cíclicos e acíclicos em ritmo acelerado, podendo-se en-
tender esta qualidade como velocidade de movimento cíclico e
acíclico.
A velocidade de movimento cíclica consiste em uma se-
quência de ações motoras, repetidas de forma rítmica, indepen-
dentemente do fato de se tratar de movimentos das extremida-
des superiores ou inferiores, assim como do tronco. A frequência
com que o movimento é realizado depende da velocidade de
cada segmento (WEINECK, 2003).
Já na velocidade de movimento acíclica, as ações ocorre-
rão de maneira síncrona entre os segmentos, porém não repe-
tida. As ações começam de uma maneira e terminam de outra.
Podemos exemplificar a velocidade acíclica durante um lan-
çamento, um arremesso, durante um salto ou mesmo em um
chute, em que a eficiência da velocidade está correlacionada à
somatória de diversos gestos integrados para culminar em uma
ação sem sucessivas repetições.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

• A capacidade de se ajustar de maneira rápida às pos-


sibilidades cognitivas, técnico-táticas e condicionais é
conhecida como velocidade de ajuste.
• A capacidade em que há um deslocamento espaço-tem-
poral é definida como a velocidade de movimento ou
velocidade de deslocamento. Podemos entender essa
velocidade como a representação espacial máxima das
capacidades locomotoras das extremidades de desloca-
mento de um ponto até outro.
Dentro das modalidades esportivas, a velocidade de deslo-
camento está representada de forma específica em cada modali-
dade nas provas de velocidade, geralmente mensuradas em um
espaço de tempo por cronometragem.
A capacidade de movimentação de braços e pernas é defi-
nida como velocidade segmentar ou velocidade dos membros,
relacionada à velocidade de movimentação de braços e pernas
da maneira mais incisiva possível, no menor tempo, com a máxi-
ma intensidade.
A velocidade dos membros é essencial em nadadores, cor-
redores, ciclistas de velocidade, lutadores, esgrimistas, entre ou-
tras modalidades, em que a ação rápida e eficiente dos membros
no menor tempo possível é preponderante.
A velocidade segmentar (ou velocidade dos membros)
nem sempre está relacionada à velocidade de deslocamento.
Um exemplo disso é que um corredor pode apresentar uma fre-
quência de passadas com boa velocidade dos membros e não
possuir uma boa velocidade de deslocamento.

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Shiffer (1993 apud WEINECK, 2003, p. 379) define a ve-


locidade diferenciando-a em formas de velocidade “puras” e
“complexas”.
São identificadas como formas de velocidade “puras”:
• Velocidade de reação, ou capacidade de reação a um
estímulo em um reduzido espaço de tempo.
• Velocidade de ação, ou capacidade de realizar movi-
mentos únicos, acíclicos, na maior velocidade contra
pequenas resistências.
• Velocidade de frequência, ou capacidade de realizar
movimentos cíclicos ou movimentos iguais e repetidos
com velocidade máxima contra pequenas resistências.
Já como formas "complexas" de velocidade, temos:
• Velocidade de força ou força de velocidade, que consis-
te na capacidade de resistência à força mais alta possí-
vel, pelo maior tempo determinado.
• Resistência de força rápida, ou a "capacidade de ma-
nutenção de uma velocidade sob fadiga mantendo a
velocidade de contração em movimentos acíclicos sob
resistência crescente" (WEINECK, 2003, p. 379).
• Resistência de velocidade máxima, que é a capacidade
de resistência sob fadiga, mantendo a velocidade em
movimentos de máxima velocidade de contração em
movimentos cíclicos.
Podemos notar de forma esquematizada a velocidade e as
suas subdivisões no esquema da Figura 2, a seguir.

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Fonte: adaptado de Shiffer (1993 apud Weineck, 2003, p. 380).


Figura 2 Velocidade motora.

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As formas “puras” de velocidade, segundo Shiffer (1993


apud WEINECK, 2003), estão diretamente ligadas às capacidades
do sistema nervoso central e de fatores genéticos, sendo as for-
mas "puras de velocidade" compostas pela velocidade de reação
ou a capacidade em reagir o mais rápido possível.
Uma informação pode ser visual, auditiva, tátil ou acústica.
Podemos mensurar esta variável em uma corrida de velocidade,
por exemplo, por meio do intervalo de tempo entre o estímulo
de start e a realização do primeiro movimento. Já a velocidade
de ação pode ser entendida pela velocidade de realização de
movimentos rápidos, não repetitivos, únicos, chamados de ací-
clicos, com a máxima velocidade e contra pequenas resistências.
Nas formas puras de velocidade, temos a velocidade de
frequência, em que são realizados gestos motores sequenciados
e repetidos, com máxima velocidade.
Já nas formas “complexas” de velocidade há a velocidade
de força, que se relaciona a trabalhos realizados com grande in-
tensidade, contra a resistência. Como exemplo, podemos citar
o momento em que o velocista dá a saída no bloco de partida,
acelerando até atingir a máxima velocidade.
Outra forma complexa de velocidade é a resistência de
força rápida. É a capacidade que caracteriza a manutenção da
máxima velocidade possível em movimentos acíclicos sob fadiga
e resistência crescente.
Finalizando, temos ainda como forma complexa a resistên-
cia de velocidade máxima, que é definida pela capacidade de se
manter a velocidade em movimentos cíclicos em máxima veloci-
dade, durante o maior tempo possível, sob fadiga.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Flexibilidade
Para Weineck (2003, p. 470, grifo nosso), a “flexibilidade é
a capacidade e a característica de um atleta executar movimen-
tos com grande amplitude de movimento. Sob forças externas,
ou ainda que requerem movimentação de muitas articulações".
Já para Tubino (2003), é a “qualidade física que condicio-
na a capacidade funcional das articulações a movimentarem-se
dentro dos limites ideais de determinadas ações”. Tal afirmação
é complementada por Barbanti (1997), que define a flexibilidade
como a capacidade física de aproveitar todas as possibilidades
articulares de movimento em todas as direções, de maneira mais
ampla possível.
Segundo Zakharov (1992), a flexibilidade é a capacidade
física que o organismo tem de obter grandes amplitudes de mo-
vimento. Frey (1977 apud Weineck, 2003) define ainda alguns
sinônimos de flexibilidade, como os termos “mobilidade”, “arti-
cularidade”, que se referem à flexibilidade articular, e “elasticida-
de”, relacionado à flexibilidade dos músculos, tendões, fáscias e
ligamentos.
Dantas (2005) elucida-nos diversos termos relacionados à
flexibilidade, fornecendo as seguintes definições:
• mobilidade: termo utilizado para designar o grau de li-
berdade de movimento da articulação.
• elasticidade: é quando tratamos do estiramento elásti-
co dos componentes musculares.
• plasticidade: refere-se ao grau de deformação temporá-
ria das estruturas musculares ou articulares para a rea-
lização do movimento, restando ainda um grau residual

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

de deformação após a aplicação do estímulo conhecido


como histeresis.
• maleabilidade: são as modificações da pele relaciona-
das às tensões parciais decorrentes das acomodações
do segmento utilizado.
Todos estes fatores podem ser estimuladores ou restriti-
vos à flexibilidade, assim como os apresentados pelo Quadro 1,
a seguir.

Quadro 1 Fatores que influenciam a resistência à flexibilidade.


ESTRUTURA RESISTÊNCIA À FLEXIBILIDADE
Cápsula articular 47%
Músculo 41%
Tendão 10%
Pele 2%
Fonte: adaptado de Dantas (2005, p. 58).

Platonov (2004) complementa as explanações de Dantas


(2005), dizendo que o nível de flexibilidade pode ser medido pela
eficácia da regulação nervosa da tensão muscular, pelo volume
muscular e pela integridade das estruturas das articulações.
Podemos dizer que a flexibilidade é uma qualidade física
que abrange propriedades morfofuncionais do aparelho motor
que determinarão a amplitude de movimento (ADM). A flexibili-
dade pode ser percebida de maneira integral e é o melhor termo
e o mais adequado para se referir quando se quer determinar a
mobilidade geral das articulações de todo o corpo. No entanto,
a flexibilidade também acontece de modo específico em cada
articulação e, neste caso, o mais adequado é utilizar o termo mo-
bilidade articular (DANTAS, 2005; PLATONOV, 2004).

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Podemos dizer que, se analisarmos a flexibilidade do nosso


aluno/atleta, é possível determinar em parte seu nível de habi-
lidade em diferentes modalidades ou atividades físicas. Restri-
ções na flexibilidade podem trazer prejuízos e atrasos no tempo
de treinamento e na assimilação de hábitos motores, limitando
também os níveis de força, coordenação e velocidade, o que au-
menta substancialmente a probabilidade de lesões musculares,
ligamentares e articulações. Além dos prejuízos físicos, os resul-
tados da performance também são afetados, uma vez que a falta
de flexibilidade afeta a mobilidade articular, não permitindo a
execução devida e total das amplitudes articulares nem a utili-
zação devida das propriedades elásticas musculares, prejudican-
do ainda as possibilidades metodológicas do treinamento que
visam à economia de energia (PLATONOV, 2004).
Barbanti (1997) acrescenta ainda que, com a flexibilidade,
a movimentação global do indivíduo é otimizada em uma ação
conjunta dos segmentos e complexos articulares, musculares e
ligamentares. É clara a ideia de que a mobilidade articular (a fle-
xibilidade é específica de cada articulação ou do conjunto de ar-
ticulações) estará também relacionada às exigências individuais
de cada modalidade esportiva ou atividade praticada.
Para Weineck (2003), podemos diferenciar a flexibilidade
em flexibilidade geral e específica, em ativa e passiva e, ainda,
em flexibilidade estática. A flexibilidade geral refere-se à flexibi-
lidade dos principais segmentos articulares em grande extensão
(quadril, ombro, coluna vertebral). Dantas (2003, p. 87) comple-
menta essa definição dizendo que a flexibilidade geral "é obser-
vada em todos os movimentos da pessoa, englobando todas as
articulações". Já a flexibilidade específica é referente a um ou
alguns movimentos realizados em determinadas articulações.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Definimos como flexibilidade ativa (Figura 3) a capacidade


de executar movimentos com a maior amplitude de movimento
(ADM) possível, sem ajuda, ou seja, pela contração da muscula-
tura agonista e, naturalmente, pelo relaxamento dos músculos
antagonistas.

Figura 3 Exemplo de flexibilidade ativa.

Para Barbanti (1996) e Platonov (2004), a flexibilidade pas-


siva é
a capacidade de alcançar a maior mobilidade ou a maior ampli-
tude de movimento por meio de forças externas e gerada por
outra pessoa, com sua própria força ou com o peso do próprio
corpo ou ainda com auxílio de aparelhos por exemplo, sendo
sempre maior que a ativa.

Pela Figura 4 podemos observar dois exemplos de alonga-


mento passivo.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Figura 4 Exemplos de alongamento passivo.

Frey (1977 apud WEINECK, 2003) explica que a diferença


na amplitude de movimento entre a flexibilidade passiva e ativa
é chamada de "reserva de movimento" (Figura 5). Essa diferença
é um indicador que fornece informações sobre as possibilidades
de melhoria na flexibilidade ativa, pela ativação direcionada dos
agonistas e pelo aumento da capacidade de extensibilidade e
elasticidade dos antagonistas.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Figura 5 Exemplo da reserva de movimento.

A flexibilidade estática é definida pela capacidade de ma-


nutenção de um estado de alongamento por determinado perío-
do de tempo. É realizada pela mobilização dos grupamentos cor-
porais, lenta e gradualmente, por um agente externo buscando
alcançar o limite máximo. Ela difere da flexibilidade passiva pela
velocidade de execução e por ser realizada pouco a pouco, mas
é comum alguns autores não diferenciarem esses dois conceitos,
integrando-os com o nome de flexibilidade estático-passiva.
Dantas (2005) define um tipo de flexibilidade, a flexibilida-
de dinâmica (Figura 6), que é expressa pela máxima amplitude
de movimento (ADM) e pode ser atingida pelos músculos moto-
res sem ajuda, de maneira voluntária, diferenciando da flexibili-
dade ativa devido à rápida forma de sua execução e dificultando,
inclusive, sua mensuração, sendo muito observada em práticas
esportivas. Como exemplo desse tipo de flexibilidade, temos o
goleiro que salta para alcançar a bola durante uma partida, evi-
tando um gol, ou o jogador de vôlei que salta e utiliza sua fle-
xibilidade corporal para atingir o ponto mais eficiente em uma
"cortada". Esses movimentos são realizados de forma abrupta,
isolada, sem ajuda de forças externas.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Figura 6 Exemplos de flexibilidade dinâmica.

Este mesmo autor (DANTAS, 2005, p. 86) explica que a fle-


xibilidade controlada "pode ser observada quando se realiza um
movimento sob a ação do músculo agonista de forma lenta, até

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

chegar à maior amplitude na qual seja possível realizar uma con-


tração isométrica". A flexibilidade controlada é extremamente
importante para ginastas, atletas, dançarinos e culturistas, "pois
permite ao praticante sustentar um segmento corporal, numa
contração estática realizada em um amplo arco articular".
A flexibilidade controlada (Figura 7) não depende somen-
te da elasticidade dos músculos antagonistas e da mobilidade
das articulações envolvidas, mas também da força isométrica do
agonista.

Figura 7 Exemplo da flexibilidade controlada na ginástica com argolas.

Estudando sobre os diferentes tipos de flexibilidade e


sua aplicabilidade geral ou específica em cada atividade física
ou modalidade esportiva, temos um consenso na literatura – a
importância da flexibilidade.
Dantas (2005) e Weineck (2003) evidenciam a flexibilidade
como requisito primordial para uma boa execução de
movimentos realizados dentro de amplitudes máximas dos
limites morfológicos, dependentes tanto da elasticidade muscular

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

quanto da mobilidade articular sob os aspectos qualitativos e


quantitativos. Seu desenvolvimento promove efeitos positivos
sobre fatores físicos do desempenho esportivo, contribuindo
para maior segurança do gesto motor e consequentemente
uma técnica mais apurada. Com o aumento da flexibilidade, os
exercícios podem ser executados com maior amplitude, maior
força, maior velocidade, de maneira mais harmônica e eficaz, não
somente nos esportes ou nas atividades físicas. A flexibilidade
também é importante nas atividades da vida diária, pois melhora
a qualidade de vida e reduz desde dores articulares até o risco
de lesões.
Dantas (2005) descreve que é com o alongamento que
podemos obter as melhorias e a manutenção dos níveis de
flexibilidade, que fazem com que a aquisição desta qualidade
física seja treinada, entre os diversos tipos de alongamento:
passivo ou estático, realizados por um período com a musculatura
em extensão máxima, ou ativo, dinâmico ou balístico, realizados
com pequenos balanceios rápidos na tentativa de gerar maior
amplitude de movimento. O autor destaca o alongamento por
Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) como o mais
eficiente para aquisição da flexibilidade. Esse alongamento
consiste em uma integração entre o fuso muscular e o órgão
tendinoso de Golgi (OTG) de um músculo e seu antagonista, para
obter maiores amplitudes de movimento.
A sensibilidade proprioceptiva é estimulada pelo
envolvimento dos nervos e músculos que enviam impulsos
nervosos ao sistema nervoso central durante contrações
concêntricas, excêntricas e combinadas que, devido ao efeito de
inibição dos motoneurônios volitivos dos órgãos tendinosos de
Golgi, permitem, a cada emprego da força contra a resistência do
músculo, maior amplitude de movimento.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Podemos observar na Figura 8 o arco reflexo da medula


espinhal agindo sobre a tensão muscular e, subsequentemente,
na resposta de relaxamento.

Figura 8 Arco reflexo de medula espinhal.

Powers e Howley (2000) explicam que essa técnica de alon-


gamento por Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP)
geralmente é realizada por duas pessoas, em que uma moverá
o segmento a ser alongado passivamente ao longo de sua am-
plitude de movimento (ADM) até o ponto máximo de sua ampli-
tude, atingindo o ponto máximo do movimento. O alongamento
do segmento alongado neste ponto deve ser realizado entre 6 e
10 segundos de maneira isométrica. Em seguida, há um relaxa-
mento muscular com um sucessivo alongamento, "forçando" um
pouco mais a amplitude de movimento:
Para Power e Howley (2000, p. 492),

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

O fundamento fisiológico para o uso do alongamento por meio


da FNP é que o relaxamento muscular segue uma contração
isométrica porque a contração estimula órgãos tendinosos de
Golg, que inibem a contração durante o exercício de alonga-
mento subsequente.

Os testes que mensuram a flexibilidade podem ser dividi-


dos em três grandes grupos: angulares, lineares e adimensionais.
Os testes angulares, como a própria denominação sugere,
são aqueles mensurados por ângulos (goniometria), realizados
geralmente com o goniômetro (ver Figura 9), que é um apa-
relho utilizado para quantificar os graus de amplitude de uma
articulação.

Figura 9 Goniômetro.

Os testes lineares são testes expressos em uma escala de


distância, geralmente fracionada em centímetros ou polegadas.
Como exemplo dessa mensuração, podemos citar a caixa de sen-
tar e alcançar de Weels. Veja uma representação na Figura 10, a
seguir:

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Figura 10 Caixa de sentar e alcançar de Weels.

O teste realizado na caixa de sentar e alcançar de Weels


mensura a flexibilidade do quadril, da musculatura dorsal e dos
músculos posteriores dos membros inferiores.
A caixa de sentar e alcançar de Weels é uma caixa confec-
cionada com uma escala fracionada em sua parte superior. Ao
sentar-se, o avaliado apoia os pés na parte anterior da caixa, ten-
tando alcançar, com a ponta dos dedos das mãos, a maior distân-
cia possível, como na Figura 11, a seguir:

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Figura 11 Exemplo do uso da caixa de sentar e alcançar.

Finalizando os testes adimensionais, a determinação da fle-


xibilidade é feita pela interpretação dos movimentos articulares
com dados de um gabarito predefinido. Estudaremos essa deter-
minação com mais detalhes no Conteúdo Digital Integrador.

Resistência
Podemos definir a resistência como a capacidade física
que permite realizar um exercício ou atividade física de maneira
eficiente, superando a fadiga (PLATONOV, 2008).
Frey (1977 apud Weineck, 2005) diz que podemos distin-
guir dois tipos de resistência: a resistência psíquica, que seria a
capacidade de um atleta/aluno suportar estímulo em seu limite
máximo (limiar) por certo período de tempo, vencendo os fa-
tores psicológicos que o induzem a parar; e a resistência física,
que seria a tolerância do organismo ou dos órgãos de maneira
isolada, para vencer o cansaço.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Platonov (2008) afirma que o nível de desenvolvimento da


resistência está condicionado ao potencial energético do orga-
nismo do aluno/atleta pelas particularidades da modalidade, ou
seja:
• pelo grau de adaptação em cada modalidade ou ativida-
de específica;
• pela eficácia técnica e tática em cada modalidade de-
senvolvida ou para cada atividade praticada;
• pela capacidade de resistência psíquica de cada aluno/
atleta que pode manter um alto nível de atividade or-
gânica durante os processos de treinamento e competi-
ção, podendo retardar ou anular o processo de fadiga,
ou, por outro lado, quando a resistência psíquica não é
eficiente, gerando antecipação dos estados de lassidão
(cansaço).
Devido à grande diversidade de fatores que determinam o
nível de resistência em diferentes tipos de modalidades esporti-
vas, em esportes coletivos e individuais, nos mais diferenciados
tipos de atividade muscular de resistência, autores e especia-
listas classificam a resistência a partir de vários índices. Dessa
forma, costuma-se subdividir não somente em resistência geral
e resistência específica, mas também em resistência de treina-
mento e de competição, local regional e global, aeróbia e anae-
róbia, resistência muscular e vegetativa, sensorial, emocional,
estática, dinâmica, resistência de velocidade e resistência de for-
ça (PLATONOV, 2004).
É claro que essas são subclassificações e, ao estudarmos ou
analisarmos uma modalidade esportiva, um esporte ou mesmo
uma atividade física de maneira específica, obteremos um apro-
fundamento em cada caso, na determinação e na conceituação

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102
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

da resistência, definindo metodologias de treinamento bastante


peculiares a cada uma das subdivisões, tornando o treinamento
mais eficaz.
Embasado nas diferentes classificações ou subdivisões da
resistência, é feita uma análise dos fatores que especificam o sur-
gimento de determinada qualidade física, criando-se um método
mais eficiente para o desenvolvimento desta modalidade. No en-
tanto, é impossível realizar uma avaliação de todas as modalida-
des da prática física ou esportiva, assim como suas exigências.
É necessário analisar os fatores que são mais incidentes e que
limitam cada modalidade, como seus níveis de manifestação da
resistência em atividades competitivas e não competitivas e toda
sua variação motora e orgânica, como os segmentos que regu-
lam e executam, tornando possível o treinamento da resistência.
O estudo desta unidade não visa explorar totalmente o as-
sunto e, sim, criar um direcionamento para as diversas vertentes
de estudo das capacidades físicas, trazendo à luz conceitos mais
abrangentes e gerais defendidos por autores que se manifestam
para defender esta circunscrição conforme Platonov (2004, p.
348), na subclassificação da resistência:
Essa classificação da resistência permite, em cada caso, realizar
a análise dos fatores que determinam a manifestação da quali-
dade específica e escolher a metodologia mais eficiente. Contu-
do, tais classificações não se adaptam em grau suficiente às exi-
gências específicas planejadas pela atividade de treinamento e
pela competição em uma determinada modalidade desportiva.

Devido à grande abrangência na conceituação da resistên-


cia e as suas diversas subclassificações, para elucidar de manei-
ra pedagógica tais classificações, nos embasaremos nas expla-
nações de Platonov (2008), que divide a resistência em geral e
especial.

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103
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

A resistência geral pode ser entendida como a capacidade


que um aluno/atleta possui de realizar uma atividade física, um
esporte ou um exercício de maneira contínua, com considerável
intervenção do sistema muscular em uma intensidade moderada
(com características aeróbias).
Essa classificação pode ser feita de maneira subjetiva, pois,
mesmo com todo embasamento bibliográfico e os estudos reali-
zados de maneira específica para a determinação da resistência
geral, ainda não há como determiná-la com exatidão, pois em
cada um, devido ao Princípio Científico da Individualidade Bioló-
gica, teremos dentro da resistência geral um limiar de "intensida-
de moderada". Portanto, é totalmente aceita pela comunidade
científica e pelos autores (produtores literários) a determinação
da resistência geral pela produtividade aeróbia, ou seja, em cada
atleta, em cada modalidade, em específicas condições de com-
petição, treinamento ou prática de atividade física, será mensu-
rada de maneira característica.
Somente por essa explanação já podemos entender que
segmentar a conceituação da resistência simplesmente em "re-
sistência aeróbia", por exemplo, pode gerar divergências, pois
a determinação da produtividade de um corredor de longa dis-
tância é diferente da de um nadador em mar aberto ou mesmo
dentro de modalidades esportivas. A eficiência da resistência ae-
róbia de um ciclista montanhista, por exemplo, é diferente da de
um ciclista de estrada (speed).
Devido à tentativa da literatura em especificar cada vez
mais os "tipos" de resistência, fazem com que erros graves acon-
teçam tanto de maneira teórica como também prática, pois em
cada modalidade ou mesmo dentro da mesma modalidade (de-
pendendo das características) como nos explica Platonov (2004,

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104
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

p. 348) fazendo a seguinte colocação para elucidar a dificuldade


de determinação dos diferentes níveis específicos da resistência
e a tentativa de classificar a resistência em sub-blocos:
A ignorância deste postulado tem ocasionado grandes erros,
tanto na teoria quanto na prática desportiva.
O costume de aumentar a resistência geral atingida mediante
um trabalho prolongado de atividade moderada nas modali-
dades desportivas, nas quais as capacidades aeróbias não são
essenciais para determinar o resultado, tem consequências
negativas, geralmente irreparáveis. Isso expressa na supressão
das possibilidades dos desportistas para desenvolverem as ca-
pacidades de velocidade, força, coordenação, na aprendizagem
de um número limitado de procedimentos técnicos e ações e
na negligência perante a necessidade de se criar uma base fun-
cional para desenvolver qualidades necessárias para determi-
nadas modalidades.

Deste modo, determinamos a resistência geral como a ca-


pacidade para executar, de maneira prolongada e eficaz, uma
atividade física ou modalidade esportiva de caráter inespecífi-
co, com efeito positivo em consolidar componentes específicos
de uma prática física, elevando a adaptabilidade aos diferentes
níveis de carga e à transferência dos níveis de preparação de ati-
vidades inespecíficas para fins específicos.
A resistência especial é a capacidade de execução de uma
atividade física, exercício ou modalidade esportiva, superando a
fadiga, mediante as condições exigidas e determinadas pela ati-
vidade competitiva particular de cada modalidade de maneira
específica.
Matveiév apud Platonov (2004) sugere diferenciar o que
ele chama de "resistência especial durante o treinamento" e “re-
sistência especial durante a competição". A resistência especial
durante o treinamento é mensurada nos índices do volume glo-

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105
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

bal e da intensidade de trabalho específico realizado durante o


treinamento, enquanto a resistência especial durante a competi-
ção é avaliada conforme a capacidade de realização da atividade,
pela eficácia das ações motoras e pelas particularidades psíqui-
cas pertinentes a todo processo competitivo.
A resistência especial é uma qualidade de grande comple-
xidade com diversos componentes; a estrutura do treinamento
estará pautada e será determinada mediante a especificidade da
cada modalidade esportiva e a forma específica do desenvolvi-
mento de sua planificação.
Conforme o raciocínio de Platonov (2004), segundo as pe-
culiaridades da modalidade esportiva, do exercício ou da prática
física executada, a resistência especial pode apresentar, dentro
de cada característica, algumas denominações que serão aponta-
mentos distintivos e que sinalizarão um método de aplicação do
treinamento. No entanto, como não serão metodologias exatas,
é inevitável que, quando os fatores que determinam as manifes-
tações específicas da resistência em seu caráter mais individual,
em cada uma das características mais específicas e particulares
em diversas modalidades, surja a necessidade de uma análise
mais apurada da resistência especial, levando em consideração
fatores como:
1) as vias e os mecanismos de consumo energético;
2) as manifestações e as exigências psíquicas de cada
uma das modalidades físicas ou esportivas;
3) as unidades motoras envolvidas particularmente em
cada modelo de atividade relacionada ao movimento
humano;
4) os tipos de fibras e o percentil disposto geneticamente
em cada pessoa e as características destas, correlacio-

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106
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

nadas às exigências únicas de cada desporto, exercício


ou modalidade;
5) a eficiência de trabalho muscular e sua relação com o
organismo como um todo;
6) a eficiência técnica e tática de cada praticante em cada
uma das modalidades esportivas, relacionadas ao or-
ganismo e às funções que geram o trabalho (exercício).
Verificando uma pequena quantidade de fatores, já pode-
mos notar o quanto eles se diferenciam ou se inter-relacionam
nas mais variáveis modalidades, nos mais diferentes esportes,
pelas mais diversificadas atividades esportivas, e mais uma vez
faz-se necessário afirmar que seria impossível (e também não é
esta a nossa intenção) explorar a capacidade física de resistência
em sua plenitude e totalidade de suas características. Portanto,
unicamente sobre o conhecimento dessas bases, já é possível
desenvolver um substancial conhecimento no âmbito das exi-
gências específicas de modalidades, esportes, exercícios ou ati-
vidades dos profissionais envolvidos com a Educação Física e as
áreas da Saúde e performance afins.
Entre tantos fatores, elencamos um que é imprescindível e
que estará latente não somente durante os estudos da resistên-
cia, mas que certamente nos dará subsídios de discussão, além
de qualidades físicas, que é o suprimento energético para as ati-
vidades musculares e as vias de otimização que ampliam as suas
possibilidades de aproveitamento. Para Platonov (2008, p. 349):
na maioria das modalidades desportivas as possibilidades do
sistema de consumo energético e a habilidade para aproveitá-
-las na execução de ações motoras, que constituem o conteúdo
da atividade de treinamento e de competição dos desportistas
especializados em uma determinada modalidade desportiva
adquirem um significado decisivo para atingir elevados índices
de resistência.

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107
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

O autor supracitado complementa seu destaque ao supri-


mento energético, justificando alguns pontos interessantes para
reflexão e discussão, como veremos a seguir.
É a mobilidade dos processos de consumo energético que
determinará a rapidez com que o sistema de consumo é ativado,
de acordo com as características específicas da atividade motora
e da variabilidade do treinamento.
A dinâmica com que os processos energéticos serão mo-
bilizados será de acordo com as alterações na intensidade e ca-
racterística de cada modalidade. O trabalho de resistência será
determinante na relação do suprimento energético e na poster-
gação ou antecipação da fadiga.
Outro fator muito importante relacionado com a eficiên-
cia energética está na economia de energia durante a atividade
ou prática esportiva, em que a planificação correta específica da
resistência resultará em uma utilização racional de energia para
atingir os maiores índices de performance, além da eficácia mo-
tora durante a ação (execução do exercício).

Coordenação motora
A coordenação motora pode ser entendida não somente
como uma capacidade, mas também como uma necessidade
para o ser humano. Ela está presente desde o útero, onde o sis-
tema nervoso central já controla os impulsos que coordenam o
funcionamento do organismo. Os movimentos, mesmo involun-
tários, desde esse momento já iniciam a gênese da coordenação.
A partir do nascimento, notamos as progressões acentua-
das da coordenação. Logo o bebê já começa a coordenar seus
gestos e consegue segurar sua mamadeira, levar o alimento à

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108
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

boca. Ele inicia as progressões relacionadas a uma das mais bási-


cas funções humanas, que é caminhar, coordenando seus gestos
ao arrastar-se, engatinhando até iniciar os primeiros passos. E,
assim, vai refinando seus gestos de maneira coordenativa, elimi-
nando o que Tubino (2003) descreve como "gestos parasitas" e
otimizando o movimento em uma melhor plasticidade e preci-
são, que leva à consciência da execução da coordenação.
Tubino (2003) comenta ainda que, mesmo com a existên-
cia de diversos estudos sobre a coordenação, algumas coloca-
ções são básicas para o entendimento desta capacidade física.
Em primeiro lugar, o autor elucida que a coordenação é
uma qualidade a ser trabalhada e considerada como pré-requi-
sito para qualquer atleta que pense em chegar a um nível mais
alto ou já o tenha alcançado. Outro fato destacado é que, para
que a aquisição da coordenação seja melhor assimilada, seu
desenvolvimento deve se iniciar desde a infância, se possível já
nos primeiros anos de vida, pois dessa forma a especificidade do
treinamento da coordenação ficará mais implícito nas destrezas
específicas de cada esporte.
O autor ainda diz que "a coordenação não deve ser ob-
jetivada especificamente em programas de preparação física de
alto nível, sendo considerada para efeito de treinamento, nos
exercícios técnicos da preparação técnico tática" (TUBINO, 2003,
p. 191). E que o sistema nervoso é variável e se condiciona por
meio de atividades voltadas para coordenação.
Weineck (2003) completa esse raciocínio, defendendo que
a coordenação é a habilidade que permitirá que um movimento
seja realizado com precisão e economia de movimento, resul-
tando em um menor custo energético para as atividades e para
os sistemas, em especial para o sistema muscular, tendo assim

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109
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

maior aproveitamento das capacidades. Dessa forma, notamos


que a coordenação é determinada por segmentos voltados à
orientação, regulação e precisão, que culminará em um gesto,
movimento ou sequência de gestos e movimentos realizados de
maneira a demandar menores gastos energéticos e maior har-
monia e plasticidade de execução.
Ainda sobre esta “economia”, encontramos as contribui-
ções de Barbanti (1990), que descreve a coordenação com mo-
vimentos racionalizados, leve e soltos, realizados com o objetivo
de poupar o esforço e fazendo com que, por meio da capaci-
dade física, a coordenação obtenha no desenvolvimento de um
exercício ou na execução de um gesto a ação ótima dos grupos
musculares.
Com relação à coordenação, um fator de grande importân-
cia é a consciência corporal, principalmente a percepção e a análi-
se dos próprios movimentos como um todo, com a compreensão
das tarefas motoras propostas, o planejamento e a execução dos
movimentos. Quando todos estes componentes estão alinhados
e presentes, é possível garantir impulsos eferentes dos grupa-
mentos musculares e dos músculos, garantindo a alta eficácia
da coordenação. Para a determinação do nível de coordenação,
deve haver controle operacional, análise das características dos
movimentos realizados e de seus resultados (PLATONOV, 2008).
Weineck (2003, p. 514), citando outros autores, expõe:
As capacidades coordenativas (sinônimo de habilidade) são ca-
pacidades determinadas sobretudo pelo processo de controle
dos movimentos e devem ser regulamentadas (HIRTZ, 1981).
Estas capacidades capacitam o atleta para ações motoras em
situações previsíveis (estereótipos) e imprevisíveis (adaptação)
e para o rápido aprendizado e domínio de movimentos nos es-
portes (FREI, 1977).

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110
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

As capacidades potenciais da coordenação devem ser


diferenciadas das capacidades adquiridas: as capacidades
adquiridas referem-se a movimentos já aprendidos e parcialmente
automatizados, enquanto as capacidades potenciais referem-
se a requisitos básicos gerais para o desempenho em diversos
movimentos (HIRTZ, 1981).

De acordo com Meinel (1984), podemos compreender a


coordenação literalmente por “ordenar junto”. Assim, segundo o
autor, a coordenação é definida pelas fases do movimento ou pe-
las aquisições no decorrer da aprendizagem entendida de diver-
sas formas, dependendo do campo de análise da Pedagogia. São
elas que determinarão as etapas a serem alcançadas no decorrer
do crescimento e da aprendizagem motora. Dentro das áreas de
performance, modificamos um pouco esse olhar, direcionando
nossa análise à Cinesiologia, que é o estudo do movimento, à
biomecânica, que estuda as forças que atuam sobre o movimen-
to, ou, de maneira abrangente, às áreas ligadas à Educação do
Movimento, como a Educação Física. A coordenação pode ser
focada nas atividades de contração muscular e sua integração
com o sistema nervoso. Notamos ainda dentro dessa área a im-
portância da consciência e da harmonização da aprendizagem
motora para o sucesso das atividades que exigem coordenação.
Meinel (1984) analisa a coordenação sobre cinco pontos
que vão controlar e regular o movimento:
• analisador cinestésico;
• analisador tátil;
• analisador estático-dinâmico (analisador vestibular);
• analisador óptico (visual);
• analisador acústico.

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111
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

É importante salientar que os analisadores cinestésico e


estático-dinâmico apresentam funções inclusas no circuito inter-
no de regulação. Assim, eles regulam e controlam as informações
por vias internas do organismo e os analisadores tátil, óptico e
acústico realizam suas funções no circuito externo, controlando
informações externas ou parcialmente externas ao organismo.
O analisador cinestésico é um dos mais importantes, por
possuir elevada capacidade de transmissão nervosa. É com-
preendido, inclusive, como um “sensor de movimentos”, por
possuir receptores proprioceptores encontrados em músculos
e articulações, além de tendões e ligamentos, com a função de
apontar imediatamente os processos de movimento do tronco e
das forças que agem sobre eles.
Weineck (2003, p. 525) elucida o analisador cinestésico da
seguinte forma:
Os receptores do analisador cinestésico encontram em todos os
músculos, tendões, ligamentos e articulações. Eles fornecem in-
formações sobre a posição dos membros, tronco e sobre a força
mobilizada. Por esta razão as informações cinestésicas detalha-
das são uma condição primária para a coordenação (temporal e
espacial) de diversos movimentos.

No analisador tátil, os receptores estão localizados sobre a


pele, conforme vão provendo informações por meio do contato
direto com o meio ambiente. “Os receptores do analisador tátil
encontram-se na pele e fornecem informações quanto à forma e
ao tipo de superfície em contato com o corpo” (WEINECK, 2003,
p. 525). O autor ainda estima que grande parte das quedas em
idosos aconteçam devido à perda ou à redução deste analisador.

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112
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Isto se dá, segundo Meinel (1984), pelo fato de que parte


do movimento está relacionado ao contato direto com objetos
de superfícies, trazendo as informações sobre suas formas, o que
criará um sistema de estratégias coordenativas na tomada de de-
cisão sobre a ação dos movimentos, não somente em ambien-
tes sólidos, mas também no meio aquático, onde são perceptí-
veis pelas vias táteis aspectos como temperatura, resistência da
água, impulsão e propulsão.
Meinel (1984) enfatiza a dificuldade de diferenciação entre
as informações táteis e as informações cinestésicas, justificada
pelas ramificações nervosas próximas e pelo fato de as informa-
ções "fluírem de maneira concomitante”.
O analisador estático-dinâmico está localizado no apare-
lho vestibular do ouvido interno. É o responsável por informar a
posição e a mudança de direção da cabeça e, por consequência,
do resto do corpo. Pode apresentar deficiência em movimentos
de esportes, como a ginástica de aparelhos e esqui, em que a
posição errada da cabeça poderá atrapalhar a coordenação do
movimento (WEINECK, 2003; MEINEL, 1984).
O analisador ótico possui receptores, segundo os autores
supracitados, definidos como "teleceptores ou receptores de
operação à distância".
Este analisador é muito importante durante a coordenação
dos movimentos, uma vez que, por meio dele, é possível "identi-
ficar" a própria posição e assim informações sobre o próprio mo-
vimento e também dos objetos e pessoas ao seu redor. Isso per-
mite a programação do movimento para sua execução, avaliando
distância, velocidade, direção de uma pessoa, suporte ou objeto,
permitindo que exista uma programação coordenativa do início,

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113
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

da execução e do final de uma sequência, tendo os receptores do


analisador ótico a capacidade de fornecer informações centrais
e periféricas que são de suma importância no desenvolvimento
da performance.
Weineck (2003) diz que o avaliador acústico tem um papel
secundário e se justifica relatando que, durante o movimento,
a percepção sonora é bastante restrita. No entanto, devemos
atentar ao fato de que, se correlacionarmos as qualidades físicas,
notaremos na coordenação o "tempo de reação". Se o tempo de
reação caminhar juntamente com a coordenação, enfatizando-
-se o treinamento dado ao avaliador acústico, pode fazer com
que, numa competição de alto nível, o atleta “ganhe" milésimos
de segundos preciosos dentro do esporte. Esses milésimos mui-
tas vezes fazem a diferença entre o campeão e o segundo lugar
no pódio.
Meinel (1984), não concordando totalmente com Weineck
(2003), descreve o avaliador acústico com relativa importância,
justificando que, em determinados esportes, como o remo, por
exemplo, a percepção de cada fase (entrada da pá na água, tra-
balho submerso, retirada e rolamento) transmitirá informações
para a coordenação alternada e para o ritmo grupal.
Além das condições apresentadas por Meinel (1984), en-
contramos uma exposição bastante elucidativa feita por Gomes
da Costa (1998) sobre a capacidade de coordenação motora. O
autor descreve que a aquisição da aprendizagem motora se ba-
seia em mecanismos de absorção, organização e armazenamen-
to de informações, assim como também no nível de complexida-
de da atividade, o que quer dizer que, dependendo do quanto
o aluno ou atleta tem de habilidade para absorver as informa-
ções (cinestésicas, visuais, auditivas, táteis, estático-dinâmicas),

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114
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

poderá obter maior ou menor sucesso na coordenação e subse-


quentemente no movimento. "Neste processo psicomotor de re-
conhecimento e transformação da experiência de movimentos,
o repertório de movimentos disponíveis desempenha um impor-
tante papel" (GOMES DA COSTA, 1998, p. 135).
Platonov (2008) acrescenta que a capacidade de coorde-
nação se relaciona a manifestações classificadas como anteci-
pações espaço-temporais, em que as condições para um bom
desenvolvimento da capacidade de coordenação também estão
ligadas a precipitar-se a acontecimentos e ações que surgem de
maneira eventual, assim como antever relações espaciais entre
parceiros e adversários, para, no momento certo, iniciar, execu-
tar e finalizar a ação. O desempenho dessa ação dependerá das
seguintes habilidades:
• Diferenciar os componentes relacionados ao espaço e
tempo para aplicá-los no momento da competição.
• Analisar o momento mais propício para a execução dos
movimentos e escolher quando iniciá-los, tendo como
objetivo reagir conforme a ação do adversário e intera-
gir da melhor forma com meu(s) parceiro(s) de equipe.
• Dosar de maneira adequada a orientação, a amplitude,
a velocidade, o ritmo, a profundidade das ações pró-
prias e dos adversários, assim como dos componentes
da equipe.
Tubino (2003) elenca ainda três componentes importantes
que devem ser combinados para o sucesso, para a aprendizagem
da capacidade de coordenação motora que são essenciais, como
veremos a seguir.
O domínio cognitivo é relativo à aquisição dos conheci-
mentos, ou seja, à aprendizagem propriamente dita. O domínio

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115
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

psicomotor está relacionado às mudanças comportamentais e à


capacidade de adaptação a estas mudanças e, por fim, o domínio
afetivo também se refere às mudanças comportamentais estan-
do sujeito, portanto, à capacidade de assimilação dos treinamen-
tos e sua transposição em competições, ou seja, conseguir repli-
car os aperfeiçoamentos cognitivos e psicomotores dos treinos
durante as competições, sem se abalar com as pressões deste
momento, por exemplo.
Para Platonov (2008, p. 473), é possível destacar alguns ti-
pos de capacidade de coordenação relativamente independen-
tes, como:
1) capacidade de avaliar e regular os parâmetros dinâmi-
cos espaciais e temporais dos movimentos;
2) capacidade de manter o equilíbrio;
3) capacidade de percepção do ritmo;
4) capacidade de orientar-se no espaço;
5) capacidade de relaxar voluntariamente os músculos;
6) capacidade de coordenar os movimentos.
Tubino (2003) complementa essas elucidações sobre a
aprendizagem do movimento, ensinando que a aprendizagem
deve seguir um processo de progressão lógica, obedecendo às
aquisições pedagógicas e seguindo do mais simples para o mais
complexo. No entanto, não há um consenso sobre a vertente
mais importante. Seria mais produtivo desenvolver a capacidade
de coordenação de maneira integral ou segmentada, ou seja, a
aprendizagem desde o princípio pela totalidade do movimento
ou pela decomposição dos movimentos em uma aprendizagem
fracionada em etapas a serem assimiladas e somadas para a se-
quência integral dos movimentos.

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116
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Independentemente das escolhas e estratégias traçadas


pelo treinador, o educador físico deve ter em mente que todas
as capacidades podem ser desenvolvidas em processos de trei-
namento e aperfeiçoamento, em especial as ações coordenati-
vas ou a qualidade física referentes à coordenação (além de os
exercícios poderem apresentar variantes em suas velocidades),
ao ritmo, à amplitude das ações e parâmetros em relação aos
adversários e parceiros. Assim, de maneira bastante irregular, na
preparação da coordenação, inclusive no alto nível, em cada mo-
dalidade, em cada momento do treinamento, para cada atleta,
existem pontos eficientes (fortes) e deficitários (fracos). Segundo
Platonov (2008), os pontos positivos podem suprir os negativos
– ele esclarece sua explicação com típicas variantes de compen-
sação. Nas falhas que são geradas pelo raciocínio tático, poderão
existir compensações relacionadas à rapidez das reações moto-
ras, como no equilíbrio, por exemplo, podendo ainda esta falha
ser suprida durante um movimento pela distribuição da atenção,
percepção do tempo, noções de distância, entre outras.
Já as falhas na distribuição da atenção, ou seja, as falhas na
prévia análise detalhada, podem ser compensadas pela rapidez
na percepção e nas operações racionais, direcionando uma pre-
cisão maior nas ações musculares e motoras.
Falhas geradas pela transferência da atenção, ou seja, ao
se obter uma informação visual, por exemplo, e não conseguir
transpô-la durante o movimento, podem ser compensadas pela
rapidez das reações motoras, alcançando maior capacidade e
objetividade em realizar prognósticos exatos sobre modificações
nas alterações de situações, assim como na percepção do tempo
de reação para realizar, da maneira mais coordenada possível,
um movimento.

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117
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

As deficiências que levam a falhas na rapidez das reações


motoras podem ser compensadas pela capacidade de antever si-
tuações durante o movimento que lhe proporcionarão a capaci-
dade de determinar distâncias e tempo, equidade no equilíbrio,
distribuição da atenção entre os diversos componentes do mo-
vimento, análises táticas, capacidade de raciocínio, entre outros.
A rapidez em diferenciar as ações motoras e as percepções
espaço-temporais suprem as falhas na precisão motora, ou seja,
a prévia capacidade de programar ações dentro de um ambien-
te em determinado tempo pode suprir a falha de determinar o
quanto de intensidade pode ser empregado em cada segmento
durante a ação.
Por fim, conforme já dissemos anteriormente, devido à ex-
tensão dos assuntos relacionados a esta unidade, nossa inten-
ção foi, em todas as discussões relacionadas ao desenvolvimen-
to das capacidades físicas, aguçar o conhecimento de cada uma
das qualidades físicas, estimulando a pesquisa aprofundada de
cada uma conforme o interesse e a área escolhida para atuação
profissional.

Com as leituras propostas no Tópico 3. 1., você poderá


conhecer melhor os efeitos do envelhecimento e, consequen-
temente, propor intervenções mais seguras e eficientes para
a população. Antes de prosseguir para o próximo assunto,
realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo
estudado.

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118
UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––


Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo
(Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a
lista de vídeos.
• Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e
selecione: Preparação Física Geral – Vídeos Complementares –
Complementar 2.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR


O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição
necessária e indispensável para você compreender integralmen-
te os conteúdos apresentados nesta unidade.

3.1. CAPACIDADES FÍSICAS

Para consolidarmos o entendimento desta unidade, sugeri-


remos uma série de publicações que vêm ao encontro do estudo
das capacidades físicas. Começaremos indicando o artigo Análi-
se das capacidades físicas em crianças dos sete aos dez anos de
idade, de autoria de Borba et al. (2012), que relata um estudo do
qual participaram 232 crianças de ambos os sexos, com idades
entre 7 e 10 anos. Recomendaremos, na sequência, alguns ví-
deos que falam sobre o assunto.
• BORBA, D. A. et al. Análise das capacidades físicas em
crianças dos sete aos dez anos de idade. Revista Brasileira
de Ciência e Movimento, v. 20, n. 4, p. 84-91, 2012. Dispo-
nível em: <http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/
article/viewFile/3314/2343>. Acesso em: 3 maio 2016.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

Vídeos
• YOUTUBE. Vídeo de capacidades físicas. 2013. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=SKd-
jdA60kw>. Acesso em: 3 maio 2016.
• YOUTUBE. FAMA. Faculdade de Macapá. Revisão Enem
– Educação Física – Capacidades Físicas. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=R4PSrtmOd0U>.
Acesso em: 3 maio 2016.
• YOUTUBE. Capacidades físicas. Disponível em: <https://
www.youtube.com/watch?v=R4PSrtmOd0U>. Acesso
em: 13 jul. 2015.

4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteú-
dos estudados para sanar as suas dúvidas.
1) Observe as definições a seguir.
I - A capacidade de percepção de situações relacionadas ao jogo e as
alterações que acontecem no menor espaço-tempo possível.
II - A capacidade de antecipação das ações e os comportamentos do
adversário durante o desenvolvimento do jogo, no menor tempo
possível.
III - A capacidade de realizar ações rápidas e específicas com a bola diante
de um adversário, em curto espaço de tempo.
Assinale a sequência correta:
a) I – velocidade de antecipação; II – velocidade de percepção; III – velo-
cidade de ação.
b) I – velocidade de antecipação; II – velocidade de ação; III – velocidade
de percepção.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

c) I – velocidade de percepção; II – velocidade de ação; III – velocidade


de antecipação.
d) I – velocidade de percepção; II – velocidade de antecipação; III – velo-
cidade de ação.
e) I – velocidade de ação; II – velocidade de percepção; III – velocidade
de antecipação.

2) Podemos entender como velocidade de reação:


a) a capacidade de reação a um estímulo em um reduzido espaço de
tempo.
b) a capacidade de realizar movimentos únicos, acíclicos, na maior veloci-
dade, contra pequenas resistências.
c) a capacidade de realizar movimentos cíclicos ou movimentos iguais e
repetidos, com velocidade máxima, contra pequenas resistências.
d) a capacidade de saltar na maior altura durante um tempo
predeterminado.
e) a capacidade de correr em linha reta durante um tempo predetermi-
nado, com a amplitude do passo o mais elevada possível.

3) Podemos entender como velocidade de frequência:


a) a capacidade de reação a um estímulo em um reduzido espaço de
tempo.
b) a capacidade de realizar movimentos únicos, acíclicos, na maior veloci-
dade, contra pequenas resistências.
c) a capacidade de realizar movimentos cíclicos, ou movimentos iguais e
repetidos, com velocidade máxima, contra pequenas resistências.
d) a capacidade de saltar na maior altura durante um tempo
predeterminado.
e) a capacidade de correr em linha reta, durante um tempo predetermi-
nado, com a amplitude do passo o mais elevada possível.

4) Podemos entender por velocidade de frequência:


a) a capacidade de reação a um estímulo em um reduzido espaço de
tempo.
b) a capacidade de realizar movimentos únicos, acíclicos, na maior veloci-
dade, contra pequenas resistências.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

c) a capacidade de realizar movimentos cíclicos ou movimentos iguais e


repetidos, com velocidade máxima, contra pequenas resistências.
d) a capacidade de saltar na maior altura durante um tempo
predeterminado.
e) a capacidade de correr em linha reta durante um tempo predetermi-
nado, com a amplitude do passo o mais elevada possível.

5) Entendemos como flexibilidade ativa:


a) a capacidade de ativar o Sistema Nervoso Central através dos Órgãos
Tendinosos de Golgi.
b) a capacidade de alcançar a maior mobilidade ou a maior amplitude de
movimento por meio de forças externas a gerada por outra pessoa,
com sua própria força ou com o peso do próprio corpo, ou ainda com
o auxílio de aparelhos, por exemplo.
c) a capacidade de executar movimentos com a maior amplitude de mo-
vimento (ADM) possível sem ajuda, ou seja, pela contração da mus-
culatura agonista e, naturalmente, pelo relaxamento dos músculos
antagonistas.
d) a capacidade de executar movimentos com a maior amplitude de mo-
vimento (ADM) possível sem ajuda, ou seja, pela contração da mus-
culatura antagonista e, naturalmente, pelo relaxamento dos músculos
agonistas.
e) a capacidade de executar movimentos com a maior amplitude de mo-
vimento (ADM) com ajuda, ou seja, pela contração da musculatura an-
tagonista e, naturalmente, pelo relaxamento dos músculos agonistas.

6) Leia a os dados a seguir:


I - Possui uma elevada capacidade de transmissão nervosa, sendo enten-
dido inclusive como um “sensor de movimentos”.
II - Possui receptores proprioceptores encontrados em músculos e articu-
lações, além de também estar nos tendões e ligamentos com função
de apontar imediatamente os processos de movimento do tronco e
das forças que agem sobre ele.

Trata-se do:
a) analisador cinestésico.
b) analisador estático dinâmico.
c) analisador ótico.

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

d) avaliador acústico.
e) analisador tátil.

Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au-
toavaliativas propostas:
1) d.

2) a.

3) c.

4) b.

5) c.

6) a.

5. CONSIDERAÇÕES
Ao final desta unidade, esperamos que você tenha conse-
guido entender a importância e a aplicabilidade das Capacida-
des Físicas. Devido a abrangência deste assunto orientamos para
que não se atenha somente ao que foi aqui explanado, apesar
de sempre buscarmos trazer o que de mais evidente e relevante
temos, clara é a ideia de que não esgotaremos o assunto. Des-
ta forma, como em uma estrada representaremos as placas de
sinalização que indicarão um caminho, porém, o seu esforço e
dedicação trilharão seus objetivos.
Esperamos que esteja gostando. Vamos a próxima unidade?

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UNIDADE 2 – CAPACIDADES FÍSICAS

6. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
BORBA, D. A. et. al. Análise das capacidades físicas em crianças dos sete aos dez
anos de idade. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 20, n. 4, p. 84-91, 2012.
Disponível em:
<http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/3314/2343>. Acesso
em: 3 maio 2016.
FAMA – Faculdade de Macapá. Revisão Enem – Educação Física – Capacidades Físicas.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=R4PSrtmOd0U>. Acesso em: 3
maio 2016.
VÍDEO de capacidades físicas. 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=SKd-jdA60kw>. Acesso em: 3 maio 2016.
YOUTUBE. Capacidades físicas. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=R4PSrtmOd0U>. Acesso em: 16 mar. 2016.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Guanabara Koogan, 1987.
BARBANTI, V. J. Aptidão física: um convite à saúde. Barueri: Manole, 1990.
______. Teoria e prática do treinamento esportivo. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher,
1997.
______. Treinamento físico: bases científicas. 3. ed. São Paulo: CLR Balieiro, 1996.
BITTENCOURT, N. Musculação: uma abordagem metodológica. 2. ed. Rio de Janeiro:
Sprint, 1986.
BOMPA, T. O. A periodização no treinamento desportivo. Barueri: Manole, 2001.
DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 5. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2003.
______. Flexibilidade: alongamento e flexionamento. 5. ed. Rio de Janeiro: Shape,
2005.
FOX, E. L. et al. Bases fisiológicas da Educação Física e dos Desportos. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1991.

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COSTA, Marcelo Gomes da. Ginastica localizada. 2 ed Rio de Janeiro: Sprint, 1998


MATVEEV, L. P. Preparação desportiva. Londrina: CID, 1996.
MEINEL, K. Motricidade: teoria da motricidade esportiva sob o aspecto pedagógico.
Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984. (Educação Física Série Fundamentação).
PLATONOV, V. N. Teoria Geral do Treinamento Desportivo Olímpico. Porto Alegre:
Artmed, 2004.
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POWERS, S. K.; HOWLEY, E. T. Fisiologia do Exercício: teoria e aplicação ao
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TRITSCHLER, K. A. Medida e avaliação em Educação Física e Esportes de Barrow &
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TUBINO, M. J. G. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. 13. ed. Rio de
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VERKHOSHANSKI, I. V. Força: treinamento de potência muscular. Londrina: CID, 1996.
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ZAKHAROV, A.; GOMES, A. C. Ciência do treinamento desportivo. Rio de Janeiro: Grupo
Palestra, 1992.

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