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A poesia é uma maneira particular de pensar, a saber um pensamento por imagens; esta maneira traz uma certa

economia de energias mentais, uma “sensação de leveza relativa”, e o sentimento estético não passa de um
reflexo desta economia. (p. 39)

[...] a poesia lírica (no sentido restrito da palavra), apresenta contudo uma semelhança completa com a arte por
imagens: maneja com as palavras da mesma maneira e passamos da arte por imagens para arte desprovida de
imagens sem que nos percebamos disso: a percepção que temos destas duas artes é a mesma. (p. 40)

[...] existem dois tipos de imagens: a imagem como um meio prático de pensar, meio de agrupar os objetos e a
imagem poética, meio de reforçar a impressão. (p. 42)

IDEIA DA ECONOMIA DE ENERGIA: AUTOMATIZAÇÃO


[...] os objetos são considerados no seu número e volume, eles não são vistos, eles são reconhecidos após os
primeiros traços. (p. 44)

O objetivo da arte é dar a sensação do objeto como visão e não como reconhecimento; o procedimento da arte
é o procedimento da singularização dos objetos e o procedimento que consiste em obscurecer a forma,
aumentar a dificuldade e a duração da percepção. (p. 45)

SINGULARIZAÇÃO
[...]
Pessoalmente, penso que quase sempre que há imagem, há singularização.
[...] a imagem não é um predicado constante para sujeitos variáveis. O objetivo da imagem não é tornar mais
próxima de nossa compreensão a significação que ela traz, mas criar uma percepção particular do objeto, criar
uma visão e não o seu reconhecimento.
É a imagem erótica que nos permite uma observação melhor das funções da imagem.
(p. 50). (singularização na representação dos órgãos sexuais).

Por vezes, a representação dos objetos eróticos se faz de uma maneira velada, onde o objetivo não é
evidentemente aproximá-los da compreensão. (p.51)

Mas a singularização não é somente um procedimento de adivinhações eróticas ou eufemismo; ela é a base e o
único sentido de todas as adivinhações. Cada adivinhação é uma descrição, uma definição do objeto por
palavras que não lhe são habitualmente atribuídas, ou uma singularização fônica obtida com a ajuda de uma
repetição (p. 52)
(exemplo em que acontece a singularização fônica: “Trem de ferro”, de Manuel Bandeira)

SINGULARIZAÇÃO NO PARALELISMO PSICOLÓGICO


O objetivo do paralelismo, como em geral o objeto da imagem, representa a transferência de um objeto de sua
percepção habitual para uma esfera de nova percepção. (p. 54)

[...] o caráter estético se revela sempre pelos mesmos signos: é criado conscientemente para libertar a
percepção do automatismo. (p. 54)

Enfim, somos testemunhas da aparição da forte tendência que procura criar uma língua especificamente
poética. (p. 55)
[...] o ritmo poético consiste num ritmo prosaico violado; houve tentativas para sistematizar estas violações.
Elas representam a tarefa atual da teoria do ritmo. Podemos pensar que esta sistematização não terá sucesso.
Com efeito, não se trata de um ritmo complexo, mas de uma violação do ritmo, de uma violação tal, que não
podemos prever; se esta violação tornar-se regra, perderá a força que tinha como procedimento de obstáculo.
(p. 56)

REFERÊNCIA
CHKLOVSKI, Viktor. “A Arte como Procedimento”. In. EIKHENBAUM, B. Teoria da Literatura:
Formalistas Russos. 4. ed. Porto Alegre: Globo, 1978.
Amor é um fogo que arde Corre, cerca
sem se ver, Camões Ai seu foguista
Amor é um fogo que arde sem Bota fogo
se ver; Na fornalha
É ferida que dói, e não se Que eu preciso
sente; Muita força
É um contentamento Muita força
descontente; Muita força
É dor que desatina sem doer. Oô...
Foge, bicho
É um não querer mais que bem Foge, povo
querer; Passa ponte
É um andar solitário entre a Passa poste
gente; Passa pasto
[...] Passa boi
Mas como causar pode seu Passa boiada
favor Passa galho
Nos corações humanos De ingazeira
amizade, Debruçada
Se tão contrário a si é o No riacho
mesmo Amor? Que vontade
De cantar!
Oô...
O chão é cama, Drummond Quando me prendero
O chão é cama para o amor No canaviá
urgente, Cada pé de cana
amor que não espera ir para a Era um oficiá
cama. Oô...
Sobre tapete ou duro piso, a Menina bonita
gente Do vestido verde
compõe de corpo e corpo a Me dá tua boca
úmida trama. Pra matá minha sede
Oô...
E para repousar do amor, Vou mimbora vou mimbora
vamos à cama. Não gosto daqui
Nasci no Sertão
Eu te amo, Dimitri Br Sou de Ouricuri
são três palavras Oô...
as mais bonitas Vou depressa
as mais ansiadas Vou correndo
a mais singela Vou na toda
a mais antiga Que só levo
declaração Pouca gente
de entrega Pouca gente
de desejo Pouca gente...
de amor
come
meu
cu

Trem de ferro, M. Bandeira


Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isto
maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça

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