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O Jogo Dramático para o Ensino de Física: Um relato de experiência 


¹OLIVEIRA, Mauro Araripe Pereira de 
 
RESUMO.  Este  trabalho  questiona  a  eficiência  do  método  tradicional  expositivo  para  o  ensino  de 
Física  e  pesquisa  sobre  a  possibilidade  da  utilização  do  Jogo  Dramático  como  seu  substituto.  Este 
jogo  busca  se  utilizar  na capacidade imaginativa dos alunos em prol de gerar cenas que exponham as 
perspectivas  destes  com  relação  aos  tópicos  apresentados  e  aos  questionamentos  propostos  pelo 
mediador.  O  trabalho  foi  aplicado  na  EEFM  Félix  de  Azevedo  e  foi  composto  por  duas  aulas,  a 
primeira  dialogada  expositiva  e  a  segunda  com  o  Jogo  Dramático. Durante a segunda aula os alunos 
participaram,  dialogaram  e  questionaram  mais  do  que  na  primeira.  O  Jogo  Dramático,  apesar  de 
ainda pecarem pesquisas, se mostrou como um substituto em potencial ao método tradicional.  
Palavras-Chave: Ensino de Física. Dramatização. Método de Ensino. 
 
1. INTRODUÇÃO 
Vivemos  em  uma  era  contemporânea  recheada  de  modificações  e  evoluções em diversas 
áreas  da  sociedade.  Por  exemplo,  um  piloto  de  avião  de  50  anos  atrás  provavelmente  não 
conseguiria  pilotar  um  avião  atual  com  seus  conhecimentos  antigos,  o  mesmo  se  aplica  à 
engenheiros,  programadores,  médicos  e  diferentes  outros  cargos.  Entretanto  no  âmbito  escolar 
podemos observar que o método de um professor permanece o mesmo. 
Pondo-o  em  perspectiva,  vemos  que  já  está  ultrapassado  e  que  se  baseia  na  mera 
transmissão  de  informações,  tendo  como  recurso  exclusivo  o  livro  didático  e  sua  transcrição  na 
lousa.  Apesar  da  revolução  tecnológica  contemporânea  ter  chegado  às  escolas,  com  a  utilização 
de  PowerPoints,  Lousas  Digitais,  e  outras  ferramentas,  a  metodologia  de  ensino,  no  geral, 
permanece a mesma em todo o Brasil. (PCNEF, 1998).  
Segundo  Jesus  (2017,  p.1481),  esse  modelo  metodológico,  no  âmbito  do  ensino  de 
Física,  induz os alunos a memorizarem fórmulas, decorarem enunciados de leis, ou de princípios, 
e resolverem problemas semelhantes . Ela também explicita que:  

o  processo  pedagógico  dentro  da  perspectiva  do  ensino  de  Física  deve,  adotar  uma 
postura  que  venha  a  contribuir  para  a  formação  de  uma  cultura  científica  efetiva,  que 
permite  ao  educando  a  interpretação  dos  fatos,  fenômenos  e  processos  naturais, 
estabelecendo  e  dimensionando  a  interação  do  indivíduo  com  a  natureza  como  parte 
desta própria natureza em transformação. ​(ibid., p.1482).1 

Surge  então  uma  preocupação  com  relação  ao  ensino  de  Física  no  Brasil.  Advém  desta 
uma  necessidade  de  busca  por  outros  métodos  de  ensino  que  possam  gerar  maior  impacto  na 

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​Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências e Tecnologias, Aluno do Curso de Física, email: 
mauro.araripe@aluno.uece.br​.
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perspectiva dos educandos com relação à Ciência e à Física. 


A  partir  deste  questionamento,  e  por  conta  da  área  de  atuação  do  pesquisador,  surge  o 
interesse  de  verificar  se  é  possível  utilizar o Jogo Dramático como metodologia para o ensino de 
Física. 
Para  Ward  (2010,  p.141),  “a  dramatização  [..]  pode  ajudar  os  alunos  a  enxergarem  e  a 
entenderem  conceitos  científicos  abstratos.  Aqui  o  entendimento  vem  não  apenas  do  elevado 
nível  de  envolvimento  dos  participantes,  mas  pela  exposição  a  ideias,  pela  discussão  e  pelo 
trabalho conjunto com outros alunos.” 
O  Jogo  Dramático,  Dramatic  Play,  não  deve  ser  visualizado,  apesar  do  nome,  como 
algum  tipo  de  competição,  na  verdade  ele  melhor  se  categoriza  como  uma  simulação  da  vida. 
Nas  palavras  de  Peter  Slade  (1964, p.17-18), autor de O Jogo Dramático Infantil, obra referência 
no  assunto,  “O  jogo  dramático  é  uma  parte  vital  da  vida  jovem.  Não  é  uma  atividade  de  ócio, 
mas  antes  a  maneira  da  criança  pensar,  comprovar,  relaxar,  trabalhar,  lembrar,  ousar, 
experimentar, criar e absorver. O jogo é na verdade a vida”.   
 
2. METODOLOGIA 
As  seguintes  aulas  foram  mediadas  na  EEFM  Félix  de  Azevedo  com  mediação  do 
professor  em  formação.  Ambas  as  aulas  constaram  com  a  presença  de  4  estudantes,  dentre  os 
quais apenas dois participaram de ambos momentos. 
A  realização  das  aulas  foram  planejadas  pelo  professor  em  formação  que  apresentou  à 
turma  a  ideia  básica  do  que  seria  um  átomo  em  duas  aulas  análogas  de  conteúdo,  mas 
discrepantes  de  método.  A primeira feito em círculo proposta como aula expositiva dialogada e a 
segunda com o jogo dramático.  
Durante  a  primeira  aula  o  mediador  sempre  ao  apresentar  os  conceitos  questionava  à 
turma se havia ficado alguma dúvida e qual era a visão deles sobre os tópicos. 
A  segunda  aula  seguia  de  forma  similar  à primeira, entretanto, quando questionados com 
relação  à  sua  perspectiva  do  tópico  exposto  ou  da  situação  proposta,  os  alunos,  ao  invés  de  se 
posicionarem  apenas  através  da  fala  sobre  o  assunto,  tinham  de  dramatizar  uma  cena  que  se 
assemelhasse  ao  que  estes  tinham  compreendido  sobre o assunto. As cenas foram: O movimento 
do  átomo  no  geral,  o  movimento do átomo compondo à água, o movimento do átomo compondo 
o gelo, o movimento dos prótons e dos elétrons no átomo e a troca de elétrons entre átomos. 
 
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3.RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Durante  a  aula  dramatizada  os  alunos  participaram  com  excelência  e se envolveram com 
o  processo  de  dramatização.  Poucas  foram  as  vezes  onde  houve  necessidade  de  algum  tipo  de 
intervenção,  por  parte  do  mediador,  com  o  objetivo  de  guiá-los  como  um  diretor  da  cena  sendo 
dramatizada.  Quando  a  cena  era  grupal  um  dos alunos assumia a posição de diretor e organizava 
os  outros  de  forma  a  apresentar  sua  perspectiva  sobre  o  tópico  proposto  por  meio  da 
dramatização. 
Como  última  proposta  de  cena,  que  surgira  como  continuação  da  cena  prévia  de  dois 
átomos, os alunos deveriam dramatizar a cena de como ocorreria a transferência de um elétron de 
um  átomo  a  outro.  Eles  debateram  entre  si  sobre  como  ocorreria  e  montaram  duas  propostas:  a 
primeira  defendia  que quando o elétron saísse de um átomo o elétron do outro átomo deveria sair 
também  e  ir  para  o  primeiro,  continuando  assim  nesse movimento contínuo de troca de elétrons, 
a  segunda  proposta dizia que quando o elétron saísse de um dos átomos ele se uniria ao primeiro, 
a  eletrosfera  aumentaria  e  os  núcleos  de  ambos  os  átomos  se uniriam. Apesar de opostas, ambas 
estavam  certas,  a  primeira  proposta  representava  o  que  ocorre  em  uma  ligação  covalente, 
enquanto a segunda representava a fusão de átomos. 
É  interessante  observar  a  profunda  capacidade  crítica  dos  alunos  durante  à  aula.  Os 
grandes nomes citados durante aulas de ciências não provaram nem descobriram suas leis, teorias 
ou  hipóteses  em  sala  de  aula.  Eles  passaram  por  um  árduo  processo  de  questionamento  e 
pesquisa.  Poucas  são  as  vezes que tal processo é promovido, ou incentivado, pelas escolas à seus 
alunos. 
Ao  fim  da  segunda  aula  os  alunos  se apresentarem dispostos e interessados em participar 
de  outras  aulas  de mesma metodologia, se posicionaram também mais inclinados à proposta com 
o jogo dramático. 
 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O  Jogo  Dramático  se  apresentou  como  uma  eficiente  ferramenta  de  debate  entre  os 
alunos,  além  disso  ficou  claro  seu  efeito  positivo  como trabalhador de qualidades como trabalho 
em  grupo  e  pensamento  crítico.  Falta  ainda  muita  pesquisa  para  se  avaliar  se  ele  poderia  se 
qualificar  como  substituto  ao método de ensino tradicional, porém, fica claro seu potencial, tanto 
lúdico, como educacional. 
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5. REFERÊNCIAS 

SLADE, Peter. ​O jogo dramático infantil​. Summus Editora. 1958. 


 
______.  Ministério  da  Educação.  Secretaria  de  Educação  Média  e  Tecnológica.  Parâmetros 
Curriculares  Nacionais  ​TERCEIRO  E  QUARTO  CICLOS  DO  ENSINO  FUNDAMENTAL 
(Ensino Fundamental)​. Brasília: MEC, 1998. 
 
JESUS,  G.  B.  O.;  SANTOS,  I.  A.;  SILVA,  J.  G.;  SANTOS,  V.  S.;  PIRES,  W.  S.; 
REPENSANDO  A  METODOLOGIA  DO  ENSINO  TRADICIONAL  DE  FÍSICA  NAS 
ESCOLAS  PÚBLICAS:  UM  ESTUDO  DE  CASO  DO  CENTRO  INTEGRADO  DE 
EDUCAÇÃO  NAVARRO  DE  BRITO  EM  VITÓRIA  DA  CONQUISTA/BA.  Seminário 
Gepráxis, Vitória da Conquista – Bahia – Brasil, v. 6, n. 6, p 1477-1489, 2017. 
 
FOREMAN,  J.  ​O  uso  da  dramatização  para  promover  e  desenvolver  a  compreensão  dos 
alunos  sobre  conceitos  científicos.  In: WARD, H.; RODEN, J.; HEWLETT, C.; FOREMAN, J. 
Ensino de ciências. Porto Alegre: Artmed. 2010. (p. 139-160)