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Rio das Ostras, 03 de abril de 2017.

Ao Sr. Magnífico Reitor da Universidade Federal Fluminense

Vimos aqui externar nossa posição frente ao conteúdo da carta redigida,


assinada e enviada à reitoria por quatorze professores do Departamento de Artes e
Estudos Culturais do campus de Rio das Ostras, datada de 30 de janeiro de 2017,
apresentada à plenária departamental na condição de “informe” apenas no dia 28 de
março.

Algumas dificuldades apontadas na carta são do conhecimento de todos


e, em conjunto, vimos pleiteando melhorias na infraestrutura do campus há muitos
anos. Avançamos com algumas conquistas; a criação de laboratórios, por exemplo.
Mas até o momento, a precariedade material não foi superada. Reconhecemos que a
infraestrutura não atende às nossas necessidades básicas. Apesar disto, não nos
sentimos convencidos a apoiar o fim de um curso que tem muito mais ganhos do que
perdas acadêmicas.

As dificuldades estruturais – e que esperamos venham a ser um dia


superadas – não impediram que o curso caminhasse no sentido de obter êxitos em
várias frentes e que nossos alunos tenham realizado trabalhos surpreendentes junto à
várias instâncias de Rio das Ostras e adjacências, ou mesmo em suas cidades de
origem. Até hoje não temos ainda um estudo detalhado da vida profissional de nossos
alunos egressos, mas aqueles que espontaneamente retornam ou se comunicam pela
rede, manifestam-se muito positivamente, reiterando a importância do curso em suas
vidas e nas decisões profissionais que passaram a tomar. Expressão de uma
transformação social.

Rio das Ostras é pioneira na implantação do Sistema Municipal de


Cultura na região. E nós estamos participando dessa construção coletiva. Mantemo-
nos em articulação com outros municípios da região, através do Fórum de Gestores de
Cultura da Região dos Lagos. Além disto, a existência de acadêmicos na área de
Produção Cultural tem proporcionado a abertura de novos campos de estágio
modificando, assim, o cenário cultural a partir de Organizações Não Governamentais,
empresas e instituições públicas.

Contestamos a propalada inadequação da cidade ao curso, que contraria


inclusive a justificativa apresentada na construção do projeto pedagógico, referindo-se
a importância do curso na região, tanto pelo aspecto cultural, como pela geração de
empregos. Nos dez anos decorridos de existência do curso, todas essas variáveis
evoluíram positivamente, em um contexto no qual a população da cidade saltou de
70.000 para 136.000 habitantes.

Acreditamos em uma relação equilibrada entre o ensino, a pesquisa e a


extensão. E o produtivismo acadêmico, tomado apenas como cômputo matemático,
por si só não é garantia de sucesso no compromisso da Universidade com a
sociedade. Sabemos muito bem, que publicações de livros, artigos, participações em
Congressos por si só não qualificam seus autores, caso essas produções não sejam
frutos de um saber que tenha por finalidade última a sociedade em que vivemos.
Indagamos então: Qual é de fato a finalidade da universidade? Qual deve ser o papel
de todos nós neste espaço acadêmico?

A despeito de toda a dificuldade de infraestrutura que discentes e


docentes enfrentam, a importância do curso e da crescente qualificação do mesmo
vem ocorrendo na perspectiva de um cenário que se constrói paulatinamente, sem a
imposição de um ritmo danoso configurado pelo produtivismo acadêmico e que pouco
tem a ver com a sociedade que vivemos. Percebe-se que o curso cresce em qualidade
também pelo atendimento das constantes demandas para o pós-doutoramento,
demandas estas que são reconhecidas e atendidas de imediato, sem prejuízo para o
curso. No que tange ao corpo discente, testemunhamos vários relatos de participação
exitosa de nossos alunos estagiários e ou mesmo já formados em instituições como
Secretarias Municipais e Estaduais de Cultura, SESC, ANCINE, produtoras locais,
curadorias etc.

Ao contrário do que vimos na carta encaminhada ao Reitor, nossa


percepção é de que o curso de Produção Cultural de Rio das Ostras tem mantido um
diálogo constante e crescente com seu entorno. Há diferenças inegáveis entre os
cursos oferecidos no campus. Mas estamos em um tempo cujo desafio é justamente a
busca pela integração, seguindo o caminho da transdisciplinaridade e da
transculturalidade. Nossos alunos têm realizado enormes avanços no exercício da
convivência e do diálogo com o outro. Acreditamos que, em um ambiente democrático,
o convívio social e o exercício da cidadania implicam justamente o convívio com a
diferença.Permitimo-nos vislumbrar um futuro no qual apareçam projetos interessantes
unindo os diversos cursos, o que seria uma inovação acadêmica digna de aplauso e
inteiramente diferente daquela obtida com o curso sediado em Niterói.

Acreditamos que a interiorização veio para atender a comunidade desta


região. Tirar o Curso de Produção Cultural deste município representará um grande
retrocesso no desenvolvimento do espírito universitário em nosso estado. Temos sim
que exigir melhores condições de trabalho e estudo para o nosso Campus de Rio das
Ostras. Mas isso só pode ser alcançado através do compromisso com o projeto de
interiorização das universidades e com a qualidade da educação.

Reconhecemos, enfim, que a insatisfação dos quatorze professores com


as condições de trabalho oferecidas no campus é pertinente. Mas discordamos sobre
a avaliação que os mesmos apresentam a respeito do futuro do Bacharelado em
Produção Cultural oferecido no Instituto de Humanidades e Saúde / IHS.

A fim de garantir a manutenção do Bacharelado em Produção Cultural no


campus de Rio das Ostras, solicitamos, portanto, a garantia de que as vagas que ora
são ocupadas por esses quatorze professores sejam mantidas no Departamento de
Artes e Estudos Culturais / RAE.

Sem mais subscrevemo-nos,


AUREO GUILHERME MENDONÇA

DANIEL CAETANO

ERNANI VIANA SARAIVA

RENATA CAMARGO SÁ

RODRIGO CAZES

SÔNIA PIMENTA

TOSHIE NISHIO