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Rogers, C.R. Grupos de encontro. Lisboa, Ed. Moraes, 1972. 178 p.

C. Rogers, sem dúvida o pioneiro dos grupos de encontro descreve nesse


livro, de maneira direta, com relatos ilustrativos, a experiência de pessoas
que procuram o encontro básico e a relação imediata interpessoal.
Na sociedade contemporânea, representam os grupos de encontro um
movimento que se estende por vários países, além dos EUA, tendo o pre-
fácio dessa edição portuguesa, de Joaquim Lalanda Proença, salientado a
oportunidade e utilidade de tais grupos na indústria, na educação ou nos
programas de saúde. Verifica-se, de modo geral, que as reações dos parti-
cipantes são substancialmente idênticas, constituindo uma experiência de
desenvolvimento pessoal profundamente positiva.
Aliás o autor destaca a importância de tais grupos no campo da
educação, uma vez que propiciam mudanças de estruturas e de atitudes,
favorecendo o desenvolvimento pessoal daqueles que irão exercer influ-
ências sobre os demais.
O livro Garl Rogers on encounter groups começa por um estudo da
origem e dos objetivos do movimento dos grupos de encontro, das suas
diversas modalidades, diferenciando-os dos grupos centrados em tarefa,
dos grupos de criatividade, dos grupos de formação de equipe, dos grupos
gestálticos e dos grupos de percepção sensorial e corporal. Define os gru-
pos de encontro como aqueles que pretendem acentuar o crescimento
pessoal e o desenvolvimento e aperfeiçoamento da comunicação e relações
interpessoais, através de um processo experiencial, assemelhando-se mais
aos chamados grupos de treino de sensibilidade e aos grupos T.
A seguir o autor faz a análise do processo do grupo de encontro nas
suas diversas etapas: hesitação inicial, resistência à expressão ou explora-
ções pessoais, descrição de sentimentos passados, expressão de sentimentos
negativos, expressão e exploração de material com significação pessoal,
expressão de sentimentos interpessoais imediatos no grupo, desenvolvimen-
to de capacidade terapêutica no grupo, aceitação do eu e começo de mu-
dança, reações de feedback acentuadas, confrontação, relações de ajuda
fora das sessões de grupo, encontro básico, expressão de sentimentos po-
sitivos e intimidade, até chegar às mudanças de comportamento no grupo.
O relato das etapas é feito com base em exemplos ilustrativos que enrique-
cem a publicação e facilitam a compreensão dos processos implícitos na
dinâmica do grupo.
O autor adverte, também, sobre os riscos, fracassos e desvantagens de
tais técnicas, quando não bem conduzidas, que levam à mudanças com-
portamentais de pouca durabilidade, recomendando o acompanhamento
dessas mudanças num tríplice aspecto: nas pessoas, nas relações e nas orga-
nizações.
Capítulos interessantes são os que se referem aos depoimentos VIVOS,
relacionados à pessoa em mudança no grupo e à pessoa isolada e sua
experiência no grupo de encontro.
Ao final da obra destaca Rogers os resultados das investigações já
realizadas, mencionando o trabalho de J. Gibb e da equipe do Centro de

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La lolIa, Califórnia; em seguida passa a discorrer sobre os campos pos-
síveis de aplicação de tais técnicas, estabelecendo as linhas gerais de um
programa de ação social e as perspectivas futuras de tais técnicas de grupo.
Trata-se, portanto, de obra de grande interesse atual e que poderá ser
muito útil para quem já trabalha cOm grupos operativos, ou de treina-
mento de sensibilidade, uma vez que estabelece os limites e vantagens das
mesmas e faz uma análise crítica dos processos grupais envolvidos.
MARIA HELENA N OVAES

Skinner, B. F_ Ciencia y conducta humana. Barcelona, Ed. Fontanella,


1970. 412 p. Trad. espanhola de Science and human behavior. New York,
The MacmilIan Co. 1953.

Escrito em linguagem acessível, até mesmo para o leitor não especializado,


Ciencia y conducta humana reúne, em um volume, cursos ministrados pelo
autor, em Harvard, quando em 1948 torna-se membro permanente do de-
partamento de psicologia dessa Universidade.
O fato de aparecer a primeira versão espanhola desta obra 17 anos
após sua publicação, evidencia o desinteresse nos meios universitários, eu-
ropeu e latino-americano, pelo enfoque do autor. Entretanto, parece ve-
rificar-se uma mudança de atitude em relação às teorias psicológicas, cuja
expressão objetiva - para usar linguagem skinneriana é a publicação das
suas obras em traduções, inclusive no nosso idioma.
Quer aceitemos ou não o modelo do condicionamento operante a in-
fluência de Skinner sobre a psicologia contemporânea é marcante e traz
modificações nos rumos do desenvolvimento desta ciência.
Uma vez denunciada a necessidade de rigor científico nos estudos da
conduta humana perdeu-se a confiança na ingenuidade que caracterizava
as especulações teóricas. A psicologia tornou-se adulta. Suas exigências
são Outras. Skinner representa tal fase e é sobre a exigência metodológica
onde recai a maior importância de sua contribuição.
Podemos divergir quanto a modelos e técnicas, mas não podemos ig-
norar a espinha dorsal que sustenta o corpo dos seus trabalhos.
O enfoque empírico-indutivo de que se utiliza, embora possa resultar
insatisfatório e por vezes simplista, tem cientificamente significado extra-
ordinário. Implica uma posição ateórica e puramente descritiva. O des-
prezo pelas explicações ilustra sua preocupação em indicar um, entre
outros caminhos possíveis, para erigir um edifício em bases científicas.
Para Skinner "a missão da psicologia consiste em investigar as leis
existentes entre variáveis observáveis". Ultrapassar este nível é correr °
risco de cair novamente em especulações. São inúmeras as implicações
desta atitude, sendo que uma das mais importantes é a não aceitação de
uma "evidência" enquanto não houver experiências suficientes para ga-
ranti-la como tal. Por outro lado, a proclamada desconfiança das técnicas

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