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NOTURNA APARIÇÃO

É noite... Plúmbeo é o firmamento.


Ígneas, as flamejantes flores riscam o céu.
Triste e fria é a casa onde ora habito.
Em lampejos nas grossas paredes,
Vejo a tua poética sombra.
Alumbramentos,
Lembranças,
Versos.

O livro amarelado sobre a velha mesa ,


Opúsculo mal lido pelo eterno humano cansaço,
Traz consigo um pedaço de tua carne, teu sargaço,
Onde em eterna sentença sigo os teus soturnos passos.

Insights, sombras e reflexos.


Espelhos côncavos e convexos.
Multiformas numa única matéria,
Ora densa, ora etérea,
A confundir minha pobre realidade.

O cálice sobre a mesa


Guarda consigo o licor de meu delírio.
Eterna confusão de amores e martírios,
Na canção que me naufraga,
Quando cubro-me com o teu manto embriagado,
Onde aqueço-me, e durmo, e sonho, e desperto,
Novamente aqui, num outro aqui, diverso e pronto.

Mas agora avulta a tua imagem, ó poeta.


Eu que julguei que a morte o consumira,
Eu que julguei que a sorte o levara.
Eu que julguei que a tua lira,
Da minha mira enfim se apagara.

Tu és um sonho?
Tu és a morte?
Tu és a vida?
Não! És poeta e ponto.

Pois tua alma é teu porto,


Teus poemas, embarcações,
Teus versos, bravos navegadores,
Rumo à Sublime Imensidão.

(PHASMartins)