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Pragmática AULA 1

Denize de Oliveira Araújo


Marcos Antônio da Silva

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

O espaço da Pragmática
no campo dos estudos
linguísticos

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Conhecer as possíveis origens da Pragmática;


„„ Saber situar a Pragmática no campo dos estudos linguísticos.
O espaço da Pragmática no campo dos estudos linguísticos

2 COMEÇANDO A HISTÓRIA

Caro aluno,

No semestre anterior, você estudou, por meio das teorias semânticas, que as
palavras utilizadas por nós, nas nossas interações, estão repletas de sentidos e que
é necessário estamos aptos a “desvendar” os sentidos apresentados por nossos
interlocutores. Da mesma forma, você viu que nossas falas estão marcadas por
sentidos que devem ser entendidos pelo outro e que, caso essas “descobertas”
não ocorram, nossas interações não terão apresentado tanto sucesso, ou seja,
serão relações fracassadas.

A necessidade de descobrir os sentidos presentes nas falas (nas nossas ou nas dos
nossos interlocutores) é condição primordial para que haja, de fato, interação.
Assim, é por meio de nossas interações reais e das descobertas daquilo que
o outro (nosso interlocutor) quer dizer que os sentidos dos nossos textos são
construídos.

Imaginemos os seguintes enunciados, produzidos pelos falantes de uma língua,


nos mais comuns contextos de interação:

“Você tem uma caneta sobrando?”

“Você pode passar o sal?”

O que seria possível depreendermos de enunciados como esses, produzidos por


nós, naturalmente, nas nossas relações cotidianas? Será que, de fato, estaremos
necessitando apenas saber se a pessoa tem uma caneta a mais, sobrando? Será
que estamos apenas querendo saber se o nosso ouvinte tem força, capacidade
física para passar o recipiente que contém o sal?

Haveria algum outro sentido, ou alguma outra intenção, nas falas dos falantes
ao pronunciarem enunciados como os apresentados acima?

É, então, sobre esses “desvelamentos”, e sobre as condições e intenções dos


sujeitos falantes ao produzirem determinados enunciados (ou atos de fala/
linguagem), que iremos discutir, aqui, na disciplina de Pragmática.

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AULA 1

3 TECENDO CONHECIMENTO

3.1 Breve retomada às principais correntes linguísticas

Em semestres anteriores, possivelmente nas disciplinas Introdução à Linguística


e Linguística I, você certamente foi apresentado aos pensamentos dos
pesquisadores formalistas e funcionalistas. Então, com o intuito de não tornar
nosso primeiro encontro repetitivo, apresentaremos uma breve retomada de
alguns posicionamentos dos autores mais representativos do Estruturalismo,
do Gerativismo e do Funcionalismo.

O Estruturalismo, que teve como um dos principais representantes o linguista


suíço Ferdinand de Saussure (1916 [2006]), com suas dicotomias e uma visão
abstrata da língua, concebia a língua como um conjunto de regras, algo estático
e com significado único.

Para o referido autor, a língua é formada por dois aspectos: o social e o individual.
Tais aspectos se interligam e se relacionam. No entanto, como o próprio estudioso
já postulou, é o ponto de vista que faz o objeto. Dessa forma, diante da necessidade
de alçar a Linguística ao status de ciência autônoma, o ponto de vista de Saussure
recaiu sobre a língua. A fala foi, assim, “deixada de lado”, mas não esquecida
totalmente, uma vez que o autor reconheceu a existência e a importância do
aspecto individual, isto é, a fala.

O Gerativismo, representado principalmente por Noam Chomsky (1957), embora


tenha traçado e apresentado as noções de “competência” e “desempenho”,
aquela enquanto conhecimento das regras de um sistema, no caso, a língua, e
este como o uso desse conhecimento, deu ênfase apenas à competência.

É de fácil compreensão que os estudos empreendidos na seara do que costumamos


chamar de “estudos gerativistas” deram um passo à frente em relação às pesquisas
estruturalistas. No entanto, da mesma forma como Saussure, Chomsky dedicou
seus estudos a uma percepção estruturalista da língua/gem.

Essas duas correntes linguísticas, podemos, então, dizer, preocuparam-se com


a estrutura das frases e entendiam que a língua e suas regras estruturais eram
suficientes enquanto objeto de estudo linguístico, descartando, assim, aquela
língua empregada na produção dos enunciados produzidos em momentos reais
de comunicação e, sobretudo, em contextos reais de interação.

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O espaço da Pragmática no campo dos estudos linguísticos

É a partir das pesquisas funcionalistas que a língua em uso passa a ser, de fato,
considerada. Bakhtin (1997), ao propor uma concepção de língua enquanto
atividade social e interacional, critica o fato de teorias formalistas, em seus estudos,
desconsiderarem o uso da língua, pois, ao mesmo tempo em que o uso da língua
é desconsiderado, o indivíduo/falante que utiliza essa língua também o é.

É justamente nesse “lapso” que a Pragmática mostra a sua forma, pois essa área
irá conceber a língua/gem a partir de um lugar que percebe a interação entre
os sujeitos e, mais do que isso, entenderá que os indivíduos têm intenções ao
apresentarem seus enunciados.

Contribuições como a de Bakhtin, ao conceberem um olhar sobre a funcionalidade


da língua, propiciaram aos estudos hodiernos das questões linguísticas uma visão
mais pragmática da língua, no sentido de considerarem as relações existentes
entre a língua, os usuários e os contextos de produções de textos orais e escritos.

3.2 A Pragmática

A partir da segunda metade do século XX, a noção puramente formal de língua,


enquanto estrutura abstrata, perde espaço para uma noção de língua/gem (agora
não se pensa mais em língua, mas em língua/gem) que privilegia os fenômenos
relacionados aos usos que os indivíduos fazem da língua/gem.

Fazem parte dos estudos de caráter pragmático, ou seja, que levam em consideração
a língua e a sua relação com o usuário, nomes como Paul Grice, John Searle, J.
L Austin, dentre outros.

Sobre a origem do termo Pragmática, Marcondes (2000, p. 38) explicita que:


O termo “Pragmática” é derivado do grego pragma,
significando coisa, objeto, principalmente no sentido de
algo feito ou produzido, sendo que o verbo pracein significa
precisamente agir, fazer. Os romanos traduziram pragma
pelo latim res, o termo genérico para coisa, perdendo, talvez
com isso a conotação de fazer ou agir, presente no grego.

Observamos que as noções de “algo feito”, “produzido”, “agir” e “fazer” já


estavam presentes desde os gregos e desencadearam, nos estudos linguísticos,
a noção de uso.

Ainda de acordo com Marcondes (1992, p. 41):


Quando a linguagem é adquirida, o que se adquire não é pura
e simplesmente uma língua, com suas regras especificamente
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AULA 1

linguísticas, mas todo um sistema de práticas e valores,


crenças e interesses a ele associados.

Com base no posicionamento de Marcondes (1992), exposto anteriormente, é


possível identificar:

I) uma crítica aos estudos estruturalistas e gerativistas; e


II) que a linguagem é adquirida no uso cotidiano, nos diferentes
contextos e em seus diversos usos reais.

Podemos, então, afirmar, com base nesse breve exposto, que a Pragmática é o
estudo da linguagem em seu uso concreto.

No entanto, conforme salienta Levinson (2007), apresentar uma definição


precisa para o termo “Pragmática” não é tarefa tão simples. Ainda diante de tal
dificuldade, o autor (2007, p. 11) aponta que “Pragmática é o estudo das relações
entre língua e contexto que são gramaticalizadas ou codificadas na estrutura
de uma língua” (grito do autor).

Ao se pensar nessa definição, para Levinson (2007), poder-se-ia dizer que a


Pragmática se reservaria apenas ao estudo dos aspectos da relação entre a língua
e o contexto que são importantes para as produções das gramáticas. Além disso,
seria preciso considerar o problema que envolveria dois pontos: as noções de
contextos e as noções de gramática.

Dessa forma, considerando que as gramáticas, de certa forma, representam a


parte estrutural de uma língua, então, essa primeira definição ficaria restrita,
puramente, às questões de ordem linguística, desconsiderando, em alguns casos,
os usos que os indivíduos fazem da linguagem.

Na mesma obra, Levinson (2007, p. 14) apresenta a seguinte definição: “Pragmática


é o estudo de todos os aspectos do significado não capturados em uma teoria
semântica”. Aqui teríamos outro problema: se a Semântica é concebida como
a ciência que estuda os significados, como seria possível existir ainda algum
resquício de significado que não foi detectado por ela e que, por esse motivo,
sobrou para a Pragmática?

Diante dessas duas definições, já percebemos que pensar em uma definição


exata para o termo “Pragmática” é pisar em terreno movediço. Para comprovar
essa percepção, uma outra definição é apresentada por Levinson (2007, p. 25):
“Pragmática é o estudo das relações entre a língua e o contexto que são básicas
para uma descrição da compreensão da linguagem”.
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O espaço da Pragmática no campo dos estudos linguísticos

Agora, com a inserção do termo “compreensão da linguagem”, parece-nos mais


aceitável admitir que tal termo engloba não apenas os significados, de ordem
do campo semântico das palavras, mas percebemos que, para compreender
uma enunciação, é preciso fazer inferências. Nesse caso, as inferências são
responsáveis pela ligação entre aquilo que é dito e aquilo que foi supostamente
dito, ou, ainda, um conteúdo que foi apresentado anteriormente.

Os pontos positivos, portanto, quando da aceitação dessa última definição,


seriam: ao apresentar um enunciado, o falante expõe uma determinada força
ilocutória, a consideração pelo contexto, leva em conta a questão da produção
das inferências e das pressuposições e ainda as implicaturas, além de outros
implícitos.

Como foi exposto anteriormente, não é atividade simples estabelecer, com


exatidão, uma definição precisa, e que dê conta de todos os aspectos que
envolvem uma análise pragmática, para tal termo.

É pensando nessa “imprecisão” que Dascal (1982) propõe duas possíveis origens
para a área da Pragmática, conforme pode ser observado na figura abaixo:

PRAGMÁTICA

SEMIÓTICA

PIERCE SAUSSURE

Nível linguístico Ciência autônoma


Figura 1

Explicando a figura 1, com base nos apontamentos de Dascal (1982), é pertinente


dizer que a Pragmática teria duas origens: uma advinda dos estudos de Pierce
e outra dos estudos de Saussure. No entanto, ainda que “nascidas” de espaços
diferentes, todas essas duas possíveis origens teriam um ponto em comum:
a Semiótica, que, por sua vez, é normalmente assinalada como a teoria geral
dos sinais.

Ainda conforme os estudos postulados por Dascal (1982), se considerarmos a


Pragmática como remanescente dos estudos empreendidos por Saussure (1916
[2006]), no Curso de Linguística Geral, deveremos, então, vê-la também como
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AULA 1

uma ciência autônoma. Por outro lado, ao considerarmos como uma disciplina
responsável por um determinado nível de análise linguística, assim, a Pragmática
deve ser percebida como subordinada à Linguística.

Considerando, dessa forma, como já pontuamos anteriormente, que a linguagem


deve ser entendida como um processo de interação entre os interlocutores e que
essa visão difere daquela apresentada pelos estudos desenvolvidos por Saussure
e Chomsky, estudaremos, no período que compreende esta disciplina, as teorias
pragmáticas pensadas a partir dos estudos advindos da linha de pensamento
de Pierce, como a Teoria das Máximas Conversacionais, de Grice, e a Teoria dos
Atos de Fala, de Austin/Searle.

Ressaltamos que alguns pressupostos da Teoria da Argumentação, como a Teoria


da Pressuposição, os subentendidos e a modalização, não farão parte da nossa
disciplina, visto que, em momentos anteriores, tais teorias já foram estudadas.

Entretanto, destacamos dois pontos: por motivo de espaço (tempo), não será
possível estudar todas as teorias ditas pragmáticas, independentemente de
sua possível procedência. Além disso, seja qual for a origem da Pragmática, se
oriunda dos trabalhos de Charles Sanders Pierce ou se dos estudos de Ferdinand
de Saussure, o mais importante é a nova percepção dada aos estudos linguísticos,
pois, em vez de se debruçarem sobre a estrutura abstrata da língua, como feito
pelos formalistas, o interesse de muitos linguistas passou a recair sobre os
fenômenos mais diretamente relacionados à utilização da língua, pelos falantes.

Dessa forma, como bem salienta Weedwood (2002, p. 144):


A pragmática estuda os fatores que regem nossas escolhas
sobre as outras pessoas. Na teoria, podemos dizer qualquer
coisa que quisermos. Na prática, seguimos um grande número
de regras sociais (a maioria delas inconscientemente) que
constrangem nosso modo de falar.

Assim sendo, será interesse da Pragmática estudar a relação que existe entre
os usuários (interlocutores), a língua e os contextos de produção e recepção de
textos orais ou escritos.

Encerramos por aqui a nossa primeira aula. Esperamos que você tenha percebido
o quão difícil é tentar estabelecer uma definição precisa para o que vem a ser
a disciplina de Pragmática. Entretanto, mesmo diante de tal dificuldade, uma
coisa é certa: estamos diante de uma disciplina cuja teoria se faz presente todos
os dias em nossas interações.

A nossa relação com as teorias pragmáticas serão percebidas ao longo das leituras
que realizaremos neste semestre que se inicia.
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O espaço da Pragmática no campo dos estudos linguísticos

Exercitando

1) A partir da leitura desta aula 1, produza um quadro comparativo para


demonstrar a noção de linguagem em cada corrente linguística: Estruturalismo,
Gerativismo e Funcionalismo.

2) Das noções propostas para uma possível definição do termo “Pragmática”,


escolha uma e tente, com suas palavras, apresentar dois pontos positivos
e dois pontos negativos.

4 APROFUNDANDO SEU CONHECIMENTO

Para você continuar as leituras e aprofundar ainda mais seu conhecimento no


tocante à Pragmática, apresentamos, aqui, duas referências que, de alguma
forma, irão lhe ajudar a galgar mais um degrau em relação ao conteúdo estudado:

LEVINSON, Stephen C. Pragmática. São Paulo:


WMF Martins Fontes, 2007.

Este livro pode ser considerado “a bíblia”


dos professores e alunos que se dedicam
aos estudos referentes à Pragmática. Os seis
capítulos que integram esta obra, ao longo das
475 páginas, discutem desde as origens e as
oscilações concebidas ao termo “Pragmática”,
as diversas teorias pragmáticas, até as relações
mais recentes da Pragmática Aplicada à Figura 2

Sociolinguística.

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AULA 1

WEEDWOOD, Barbara. Histórica concisa da


Linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.

De forma mais didática e sintética, este livro


apresenta um panorama geral da Linguística,
desde a tradição ocidental até os estudos
empreendidos no século XX e, sobretudo, a
virada pragmática ocorrida na segunda metade
do século XX.
Figura 3

5 TROCANDO EM MIÚDOS

Embora seja possível identificar várias possíveis correntes para o surgimento de


uma teoria pragmática, a dificuldade em estabelecer um único ponto que tenha
dado origem a tal disciplina é imensa.

Vimos que Dascal (1982) apresenta duas prováveis raízes para o surgimento de
uma teoria pragmática, uma oriunda dos estudos de Pierce, e vista como um
ramo da Linguística, isto é, subordinada a esta; e outra advinda dos estudos
desenvolvidos por Saussure e, nesse caso, compreendida como uma ciência
autônoma.

Todavia, seja qual for a possível origem da Pragmática, é necessário admitir que,
com a inserção dessa teoria no terreno dos estudos linguísticos, houve também
um redirecionamento no olhar quanto à forma de análise linguística, uma vez
que se passou a considerar a língua não apenas a partir de um viés abstrato, mas
a partir da sua utilização em contextos reais de enunciação.

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O espaço da Pragmática no campo dos estudos linguísticos

6 AUTOAVALIANDO

Após a leitura do texto desta primeira aula, ambicionamos que você, caro
aluno, tenha condições para responder aos seguintes questionamentos
apresentados abaixo, com base em uma reflexão sobre o que você aprendeu
com o conteúdo exposto:

a) Consigo situar o espaço dos estudos pragmáticos no campo das


correntes linguísticas?
b) Tenho condições de explicar as origens da Pragmática?

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AULA 1

REFERÊNCIAS

ARMENGAUD, Françoise. A Pragmática. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997.

CHOMSKY, N. Structures syntatiques. Paris: Seiul, 1957. [Estruturas Sintáticas.


Lisboa: Edições 70].

DASCAL, M. (Org.). Fundamentos metodológicos da linguística. V. IV. Pragmática.


Campinas, IEL/UNICAMP, 1982.

LEVINSON, Stephen C. Pragmática. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007.

MARCONDES, Danilo. Desfazendo mitos sobre a pragmática. In: Revista Alceu,


v. 1, n. 1, p. 38-46, jul./dez., 2000.

MUSSALIN, F.; BENTES, A. C. Introdução à linguística. São Paulo: Cortez, 2006.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix, 1997.

WEEDWOOD, Barbara. História concisa da Linguística. São Paulo: Parábola


Editorial, 2002.

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