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No

Brasil, a sexta obra do espírito Ramatis, psicografada por Hercílio Maes em 1960,
intitulada “Mediunismo” traz esclarecimentos acerca das dúvidas sobre a mediunidade e o
processo de desenvolvimento de um médium. A proposta do livro é abordar desde
questionamentos mais básicos até os mais complexos, partindo do comprometimento ético
com a Espiritualidade. Metodologicamente, o livro utiliza-se de perguntas objetivas e
respostas não menos enfáticas do que propriamente reflexivas. Para tal feito, Ramatis
baseia-se na doutrina espírita, em especial ao legado de Allan Kardec, contribuindo com
orientações àqueles que buscam a compreensão do fenômeno mediúnico os auxiliando,
principalmente, no árduo e necessário caminho do desapego aos sentimentos de soberba
de si mesmo e profundo autoconhecimento.

No capítulo 1 “Considerações sobre o ‘Livro dos Médiuns’”, Ramatis traz o conceito


de Espiritismo para diferenciar do fenômeno mediúnico, no qual o primeiro corresponde a
um conjunto de fundamentos morais e filosóficos organizados pelo francês Allan Kardec no
século XIX, com a intenção de guiar a humanidade para redenção de suas prisões
emocionais e ideológicas e, o segundo, corresponde a “faculdade” inata nos indivíduos de
comunicar-se com o mundo espiritual, sendo que, essa habilidade não está restrita à
doutrina Espírita, visto que já se apresentava em outras épocas passadas e manifestada em
outros territórios de princípios espiritualistas.

Ramatis instrui que esse desenvolvimento mediúnico não seja realizado de qualquer
forma sem um encaminhamento oportuno. Para ele, o método indicado está no “Livro dos
Médiuns”, obra que contém o respeitável conjunto de preceitos espirituais, para que o
iniciado não desvie do caminho da Luz.

Allan Kardec organizou esse livro catalogando minuciosamente os perfis e estágios


mediúnicos apresentados por médiuns em diversas partes do mundo, para que esse
fenômeno possa ser compreendido por todos, trazendo também discussões assertivas
acerca do processo de reencarnação e a lei do Carma. A proposta do autor não era criar
uma nova religião, mas trazer à tona argumentações positivas (no sentido positivista da
escola científica francesa da época de Kardec e não como contrário a negativo) do progresso
espiritual.

No capítulo 2 “ A mediunidade e o ‘Consolador’ prometido”, aponta a especificidade


mediúnica ligada ao espírito sem quaisquer correspondências ao corpo físico. Ramatis nos
insere em um período liminar entre o fim da “Era da Matéria” e o iniciar da “Era do Espírito”,
o que explicaria a grande busca dos indivíduos pelo encontro com o mundo espiritual, para
fugir dos transtornos psíquicos causados pela primeira Era e direcionar-se ao conforto da
segunda. Essa busca desesperada pela paz interior pode trazer mais tormentos às pessoas,
pois sem o desenvolvimento mediúnico apropriado, elas se tornam alvos fáceis para os
espíritos mal-intencionados. Para tal desenvolvimento em total segurança se faz necessário
ater-se ao “Consolador” prometido, que são os guias espirituais iluminados pelo Santo
Espírito, outrora encarnado como Jesus Cristo e, atualmente, os seus ensinamentos são
repassados por um exército de sábios espíritos munidos do amor crístico.

No capítulo 3 “Todas as criaturas são médiuns? “, Ramatis descreve dois modelos de


mediunidade: a Intuição Pura - sendo a mais avançada das faculdades mediúnicas - e a
“mediunidade de prova”.

A Intuição Pura corresponde ao estágio mais elevado que um médium pode


alcançar, correspondendo a uma conexão direta da alma com a divindade que tudo criou.
Esse tipo de mediunidade não requer orientação racional, pois os médiuns dotados de
tamanha capacidade psíquica possuem o dom da percepção celestial, tal qual manifestada
no espírito elevado de Krishna, divindade hinduísta, o pensador chinês Confúcio (551-479
a.C.), o filósofo grego Pitágoras (570 a. C - 495 a. C.), etc. A Intuição Pura, resumidamente,
corresponde ao encontro com o Eu Superior interiorizado em cada um.

O outro tipo de mediunidade pode vir a desenvolver em qualquer indivíduo, posto


que todos são criaturas detentoras de capacidade mediúnica, sendo ela manifestada com o
decorrer do avanço espiritual de cada um, no caso, a “mediunidade de prova”. Esse tipo de
mediunidade é concedido provisoriamente aos indivíduos para que quitem suas dívidas
acumuladas em vidas passadas.
Geralmente, esse despertar das faculdades mediúnicas surge em contextos de
imenso sofrimento, fazendo com que o médium busque auxílio e esclarecimentos para tal
situação desconfortável. E, de acordo com Ramatis, as orientações do “Livro dos Médiuns”
formalizam estratégias seguras e coerentes para alcançar o desenvolvimento mediúnico.

A afinidade dos médiuns com os espíritos é determinada pelo próprio


comportamento em vida. A aptidão do livre-arbítrio outorgada à humanidade serve para
aferir o nível em que cada um se encontra na trajetória pela elevação espiritual, sendo de
extrema importância o desapego aos hábitos desonestos, atitudes vis e aos vícios. Durante
o processo de desenvolvimento mediúnico não há desvinculação entre as condutas física e
espiritual. É necessário que o médium esteja atento às armadilhas mundanas, o que o torna
um campo suscetível às más influências de espíritos perversos e obsediadores, sendo de
responsabilidade própria do médium qual conduta moral apropriada para
autodesenvolvimento.

Para tal desenvolvimento, o fato de frequentar casas espíritas, tomar passes,


receber conselhos dos espíritos, etc. não é o suficiente, sendo muitas vezes um abismo em
que o médium mergulha a procura de salvação, esquecendo que apenas ele mesmo pode
trilhar esse caminho através da reforma íntima, num longo e diário processo de descoberta
espiritual e direcionamento à luminosidade provinda da Lei Divina.