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5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS DA

BAHIA

PROCESSO Nº 0038574-89.2014.8.05.0001
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTE: CRISTOVALDO ASSUNÇÃO DE SANTANA
RECORRIDO: FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO
PADRONIZADOS NPL I
JUIZ PROLATOR: RILTON GÓES RIBEIRO
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSO INOMINADO. RESPONSABILIDADE CIVIL. DÍVIDA


IMPUTADA SEM PROVA DA CONSTITUIÇÃO VÁLIDA.
AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR A RESPEITO DA
CESSÃO DE CRÉDITO REALIZADA. ATIVIDADE IRREGULAR
QUE DESAUTORIZA A INSCRIÇÃO EM CADASTROS DE
INADIMPLENTES. SENTENÇA QUE DETERMINOU A
EXCLUSÃO DAS ANOTAÇÕES CADASTRAIS REALIZADAS ÀS
MARGENS DA LEI, INDEFERINDO, NO ENTANTO, O PEDIDO
DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, CONSIDERANDO A
PREEXISTÊNCIA DE OUTRAS ANOTAÇÕES DESFAVORÁVEIS
AO CONSUMIDOR. PROVIMENTO DO RECURSO PARA
ARBITRAR INDENIZAÇÃO PELOS DANOS MORAIS
SUPORTADOS NA HIPÓTESE.

Dispensado o relatório nos termos do artigo 46 da Lei n.º 9.099/95.

Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,


saliento que o Recorrente, CRISTOVALDO ASSUNÇÃO DE SANTANA, pretende a
reforma parcial da sentença lançada nos autos que, reconhecendo a inexistência de prova de
constituição regular do débito que lhe é imputado, determinou ao Recorrido, FUNDO DE
INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO PADRONIZADOS NPL I,
que procedesse à exclusão da restrição creditória empreendida, pleiteando, ainda, o
recebimento de indenização por danos.

Presentes as condições de admissibilidade do recurso, conheço-o,


apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, o qual submeto aos demais
membros desta Egrégia Turma.

VOTO

Assiste razão em parte ao Recorrente, senão vejamos:

Restou provado que o nome do Recorrente foi inserido no rol dos maus
pagadores em decorrência de solicitação efetuada pelo Recorrido, que, assim, tem
inequívoca legitimidade para figurar no polo passivo da ação que visa discutir a regularidade
dessa inscrição.

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Com isso, segundo a regra probatória inserta no inciso II, do art. 333, do
CPC, cabia ao Recorrido evidenciar que a negativação do nome da Recorrente se deu de
forma regular, ônus de que não se desincumbiu, já que não fez prova de suas alegações,
deixando de trazer ao processo cópia do instrumento da suposta cessão de crédito noticiada,
impossibilitando, assim, não somente a compreensão dos termos da alegada avença, mas,
sobretudo, a certificação da validade da dívida, especialmente quando a Recorrente nega ter
contraído.

Ademais, a suposta cessão não foi notificada ao Recorrente, impedindo a


produção dos efeitos próprios, nos termos do art. 290 do CC, sem olvidar a violação ao
princípio da informação consagrado no art. 6º, III, do CDC.

Com isso, sem comprovação da regularidade da inscrição do nome da parte


recorrente em cadastro de restrições creditórias, a conduta do Recorrido representou ato
ilícito, passível de compensação pecuniária.

A existência de mais uma inscrição no mesmo órgão de restrições


creditórias em nome do Recorrente, promovida por este e outros supostos credores, não
serve para excluir o pedido de indenização por danos morais, porque aparenta derivar da
mesma atividade fraudulenta atribuída a terceiro, na forma discutida neste processo, não
denotando, assim, uma habitualidade em inadimplir suas obrigações de forma a
consubstanciar a condição de devedora renitente.

Através da reparação do dano moral não se busca refazer o patrimônio, já


que este não foi diminuído, mas sim dar à pessoa lesada uma espécie de satisfação, que lhe
passou a ser devida em razão da sensação dolorosa experimentada. Não se procura, assim,
pagar a dor ou atribuir-lhe um preço e sim atenuar o sofrimento experimentado, que é
insuscetível de avaliação precisa, mormente em dinheiro.

Segundo construção jurisprudencial, o valor a ser arbitrado deve obedecer


ao binômio razoabilidade e proporcionalidade, devendo adequar-se às condições pessoais e
sociais das partes envolvidas, para que não sirva de fonte de enriquecimento da vítima,
agravando, sem proveito, a obrigação do ofensor, nem causar frustração e melancolia tão
grande quanto a própria ofensa. As características, a gravidade, as circunstâncias, a
repercussão e as consequências do caso, a eventual duração do sofrimento, a posição social
do ofendido, tudo deve servir de baliza para que o magistrado saiba dosar com justiça a
condenação do ofensor.

Na situação em análise, o Autor não precisava fazer prova da ocorrência


efetiva dos danos morais decorrentes dos fatos informados. Os danos dessa natureza se
presumem pelos fatos noticiados, especialmente pela inscrição indevida no rol dos maus
pagadores, o que, inegavelmente, causou-lhe aflição psicológica, angústia e sentimento de
impotência, vulnerando as suas intangibilidades pessoais.

Buscando o arbitramento dos danos morais vislumbrados, observo que não


são abundantes os elementos coligidos para efeito de sua quantificação, havendo a certeza
apenas de que a parte autora em nada contribuiu para o resultado lesivo.

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Com isso, atendendo às peculiaridades do caso e à míngua de outros dados
tangíveis que pudessem auxiliar na quantificação da indenização, entendo que emerge a
quantia de R$ 2.000,00 (dois mil reais), como o valor próximo do justo, a qual se mostra
capaz de compensar, indiretamente, os desgastes emocionais advindos ao Autor e trazer a
punição suficiente ao agente causador.

Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR


PROVIMENTO PARCIAL ao recurso interposto pelo Recorrente, CRISTOVALDO
ASSUNÇÃO DE SANTANA, para, confirmando todos os demais termos da sentença
hostilizada, condenar o Recorrido, FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS
CREDITÓRIOS NÃO PADRONIZADOS NPL I, ao pagamento de indenização por danos
morais, aqui arbitrados na importância de R$ 2.000,00 (dois mil reais), acrescida de juros,
contados da citação e correção monetária contada a partir do recurso.

Não se destinando a regra prevista no art. 55, caput, da Lei 9.099/95, ao


recorrido, mas somente ao recorrente, integralmente vencido, não há condenação ao
pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.

Salvador-Ba, Sala das Sessões, 28 de abril de 2015.

Rosalvo Augusto Vieira da Silva


Juiz Relator

COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS


TURMAS RECURSAIS CÍVEIS E CRIMINAIS

PROCESSO Nº 0038574-89.2014.8.05.0001
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTE: CRISTOVALDO ASSUNÇÃO DE SANTANA
RECORRIDO: FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO
PADRONIZADOS NPL I
JUIZ PROLATOR: RILTON GÓES RIBEIRO
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSO INOMINADO. RESPONSABILIDADE CIVIL. DÍVIDA


IMPUTADA SEM PROVA DA CONSTITUIÇÃO VÁLIDA.
AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR A RESPEITO DA
CESSÃO DE CRÉDITO REALIZADA. ATIVIDADE IRREGULAR
QUE DESAUTORIZA A INSCRIÇÃO EM CADASTROS DE
INADIMPLENTES. SENTENÇA QUE DETERMINOU A
EXCLUSÃO DAS ANOTAÇÕES CADASTRAIS REALIZADAS ÀS
MARGENS DA LEI, INDEFERINDO, NO ENTANTO, O PEDIDO
DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, CONSIDERANDO A
PREEXISTÊNCIA DE OUTRAS ANOTAÇÕES DESFAVORÁVEIS
AO CONSUMIDOR. PROVIMENTO DO RECURSO PARA

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ARBITRAR INDENIZAÇÃO PELOS DANOS MORAIS
SUPORTADOS NA HIPÓTESE.

ACÓRDÃO

Realizado julgamento do Recurso do processo acima epigrafado, a


QUINTA TURMA, composta dos Juízes de Direito, WALTER AMÉRICO CALDAS,
EDSON PEREIRA FILHO, ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA, decidiu, à
unanimidade de votos, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso
interposto pelo Recorrente, CRISTOVALDO ASSUNÇÃO DE SANTANA, para,
confirmando todos os demais termos da sentença hostilizada, condenar o Recorrido,
FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO
PADRONIZADOS NPL I, ao pagamento de indenização por danos morais, aqui arbitrados
na importância de R$ 2.000,00 (dois mil reais), acrescida de juros, contados da citação e
correção monetária contada a partir do recurso. Não se destinando a regra prevista no art. 55,
caput, da Lei 9.099/95, ao recorrido, mas somente ao recorrente, integralmente vencido,
não há condenação ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.

Salvador-Ba, Sala das Sessões, 28 de abril de 2015.

JUIZ WALTER AMÉRICO CALDAS


Presidente

JUIZ ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA


Relator