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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO

TECNOLÓGICA
Av. Jerônimo Figueira da Costa, 3014 - Bairro Pozzobon.
CEP 15503-110 - Votuporanga - SP
www.ifsp.edu.br

ENGENHARIA CIVIL:
NOTAS DE AULA

ESTABILIDADE DAS
CONSTRUÇÕES 2

PARTE 1/2

Montagem: Prof. Msc. Gustavo Cabrelli Nirschl

Abril de 2018
PROVAS E TRABALHOS DA DISCIPLINA

1º BIMESTRE:
Media1 = (Prova1 * 0,8) + (Trabalhos1 * 0,2)

2º BIMESTRE:
Media2 = (Prova2 * 0,7) + (Trabalhos2 * 0,2) + (Seminário * 0,1)

MÉDIA = 0,4*Media1 + 0,6*Media2

SE 4,0  MÉDIA < 6,0  IFA

CRITÉRIOS DE APROVAÇÃO

FREQUENCIA ≥ 75% E MÉDIA FINAL ≥ 6,0

SOBRE ESTAS NOTAS DE AULA

Estas notas de aula foram escritas com base em outras bibliografias e na


experiência do professor, para a disciplina de Estabilidade das Construções II do
curso de Engenharia Civil do IFSP campus Votuporanga. Elas são constantemente
revisadas tentando atender a possíveis erros e a necessidades dos alunos não
identificadas previamente. Por isso, é importante o aluno estar com a revisão mais
recente e não reutilizar materiais de turmas anteriores. Lembra-se ao aluno que
essas notas de aula não substituem os livros em hipótese alguma e não podem ser
usadas para outro fim que não para os estudos desta disciplina.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

BEER, F.P.; JONHSTON JR., E.R. et al. Mecânica vetorial para engenheiros:
estática. 9.ed. Porto Alegre: Bookman, 2011.

GERSCOVICH, D. Estabilidade de taludes. São Paulo: Oficina de Textos, 2012.

POPOV, E.P. Introdução à mecânica dos sólidos. São Paulo: Edgard Blücher,
1978.

SORIANO, H.L.; LIMA, S.S. Análise de estruturas: método das forças e método
dos deslocamentos. 2. ed. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2006.

GILBERT, A.M.; UANG, C.M.; LEET, K.M. Fundamentos da análise estrutural.


3.ed. São Paulo: Artmed, 2009.

KRIPKA, M. Análise estrutural para engenharia civil e arquitetura: estruturas


isostáticas. 2.ed. São Paulo: Pini, 2011.

BEER, F.P.; JOHNSTON, E.R.Jr. Resistência dos materiais. São Paulo: Makron
Books, 2011.

RILEY, W.F. Mecânica dos materiais. 5.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2003.
BUSCAR OPORTUNIDADES

Prezado aluno, você normalmente está entrando no quarto ano do curso de


Engenharia Civil. Tenha em mente que a tua carreira profissional já começou! Você
pode e deve já buscar oportunidades de atuar junto ao mercado de trabalho. O
estágio é uma excelente oportunidade para isso, visto que você não será cobrado
como engenheiro e terá a oportunidade de aprender com os mais experientes, sem
tanta pressão para não errar. Independentemente das notas e de qual universidade
você fez, o empresário certamente irá preferir alguém que tenha experiência de
trabalho, no estágio, por exemplo, para efetivar como engenheiro. Se formar sem
estágio e concorrer a vagas de trabalho já como engenheiro torna-se, portanto, bem
mais difícil.
Mesmo que você não queira trabalhar na área em que conseguir o primeiro estágio,
além de ele te proporcionar, de qualquer forma, experiência em campo, o mesmo
poderá te colocar em contato com o mercado, com outras empresas e profissionais,
que certamente te ajudarão a conseguir a futura vaga na área desejada. Isso é o
que chama de “networking”, ou rede de trabalho.
Mesmo que você tenha o objetivo de ter o próprio negócio, dificilmente você
conseguirá sair “do zero”, sem ninguém para trocar informações.
Outra opção é seguir a carreira pública. Os concursos públicos que ocorrem agora
têm até 2 anos (no mínimo) para convocar o candidato para assumir a vaga, e só lá
é que pedem o teu diploma. Sendo assim, se você já começar a prestar os
concursos e ir pegando prática, ou já vai passar e só aguardar a convocação ou vai
ganhar experiência para, mais à frente, conseguir o cargo.
Há, finalmente, a opção da carreira de professor universitário. Para seguir nesta
carreira, é essencial cursar, de início, o mestrado. Os cursos de mestrado são
concorridos e abrem as inscrições a partir da metade do ano anterior à entrada;
portanto, fique atento aos sites das escolas que oferecem esses cursos. Há
instituições que fazem a seleção por prova e outras apenas por análise de currículo,
podendo ser exigido um pré-projeto de pesquisa que você pretende realizar. É
necessário ter em mente uma área de atuação e recomendado já ter um contato
com um possível orientador na instituição. Desta maneira, solicite ajuda dos seus
professores aqui do IFSP. Feito o mestrado, geralmente em 2 anos, você poderá
atuar em universidades particulares e poderá prestar concursos para universidades
públicas.

Bons estudos nesta disciplina e, de antemão, te desejo sucesso profissional!

Prof. Gustavo Cabrelli Nirschl


SUMÁRIO DA PARTE 1/2

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 5
2 PRINCÍPIO DOS TRABALHOS VIRTUAIS (PTV) ................................................... 7
3 TEORIA DE VIGAS DE EULER-BERNOULLI....................................................... 23
4 TEORIA DE VIGAS DE TIMOSHENKO ................................................................ 45
5 CÁLCULO VARIACIONAL: BASE PARA OS MÉTODOS NUMÉRICOS ............. 55
6 MÉTODOS APROXIMADOS PARA A RESOLUÇÃO DE FUNCIONAIS.............. 62
7 NOÇÕES SOBRE O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS (MEF) .................... 70

OBS: AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DAS PARTES 1 E 2 ESTÃO NO FINAL


DA PARTE 2/2
5

1 INTRODUÇÃO

É importante ter em mente a visão geral do dimensionamento de estruturas e


se perguntar sempre em que se está trabalhando. Em resumo:

AÇÕES ESTÁTICAS

1 2 3 4
CONCEPÇÃO CALCULAR AS ESTIMAR AS CALCULAR O
ESTRUTURAL: AÇÕES: DIMENSÕES: PESO PRÓPRIO:
modelo de Vento, pessoas, é o pré- de acordo com o
cálculo, a partir da máquinas, dimensionamento. pré-
realidade equipamentos, dimensionamento e
(material, vínculos etc. a densidade do
e geometria). material.

5 6 7
VERIFICAR O para modelo que não seja
EQUILÍBRIO: calcular o CALCULAR AS tridimensional com resultado já em
grau de REAÇÕES DE tensões atuantes, CALCULAR OS
hiperestaticidade - APOIO. ESFORÇOS: diagramas de
isostática ou normal, cortante, momento fletor e
hiperestática. momento torçor.

8 9 10
TRANSFORMAR CALCULAR AS VERIFICAR FLAMBAGEM para as
OS ESFORÇOS DEFORMAÇÕES; partes comprimidas:
EM TENSÕES; CALCULAR AS estabilidade LOCAL de partes da
CALCULAR AS DEFORMAÇÕES seção transversal (metálicas);
TENSÕES PRINCIPAIS. estabilidade DA PEÇA;
PRINCIPAIS. estabilidade GLOBAL da estrutura.

Se não passar 
voltar ao passo 3 e
11 aumentar as
dimensões
DIMENSIONAR: comparar as
tensões atuantes com as resistências
Se passar no limite ou
do material (de acordo com os
com pouco mais de
Critérios de Resistência). Comparar
folga  dimensões OK
as deformações com as limites de
norma. Dimensionar as ligações.
Fazer tudo para cada combinação de Se passar com muita
ações. folga  voltar ao
passo 3 e diminuir as
dimensões
(economia)
6

AÇÕES DINÂMICAS

Para estruturas que recebem cargas que se repetem numa certa freqüência (em Hz (Hertz) = ciclo por
segundo), como bases de máquinas, deve-se verificar ainda se as velocidades de vibração das regiões da
estrutura (em mm/s) são aceitáveis e se não há ressonância em relação à freqüência natural da estrutura.
Além disso, deve-se verificar a fadiga do material e o choque mecânico (ou impacto) dessas cargas. Esse
dimensionamento é visto em cursos de pós-graduação.

Sabe-se que as estruturas empregadas nas edificações devem apresentar


adequada rigidez (E*I) e resistência, isto é, devem resistir aos esforços sem ruptura
e ainda não devem se deformar em demasia. Maneiras de calcular os esforços e
deformações para vigas e outras estruturas lineares isostáticas e hiperestáticas já
foram estudadas até este ponto do curso de graduação. Esta disciplina vai
aprofundar-se um pouco nestes assuntos.

Tabela de conversão de unidades:


7

2 PRINCÍPIO DOS TRABALHOS VIRTUAIS (PTV)

2.1 PTV EM ESTRUTURAS LINEARES

Faz-se aqui uma aplicação maior do PTV, método para calcular


deformações de estruturas lineares, assunto que pode ter sido introdutoriamente
abordado na disciplina anterior (ESTE6).
Comecemos relembrando a equação que define o PTV, deduzida em
ESTE6:

Em que:

é o deslocamento desejado em um ponto “P”;


M é o diagrama de momento fletor provocado pelas ações originais da estrutura;
M é o diagrama de momento fletor provocado por somente uma ação unitária
aplicada no ponto “P”, na direção do deslocamento ou seja, se queremos
calcular um deslocamento de translação na direção vertical, a carga unitária deve
ser aplicada na direção vertical; se queremos calcular a rotação do ponto “P”, deve
ser aplicado um momento unitário concentrado no ponto “P”, e assim por diante;
N é o diagrama de esforço normal provocado pelas ações originais da estrutura;
E é o módulo de elasticidade longitudinal do material;
N é o diagrama de esforço normal provocado por somente uma ação unitária
aplicada no ponto “P”;
S é a área da seção transversal;
 é o fator de forma (chamado coeficiente de redução por alguns autores), que
define a área efetiva para cisalhamento. Martha (19--) considera a distribuição não
uniforme de tensões de cisalhamento na seção transversal. O autor cita que esse
fator vale 1,2 para seções retangulares, 10/9 para uma seção circular e
aproximadamente 1,0 para uma grande variedade de perfis com forma I.
Q é o diagrama de esforço cortante provocado pelas ações originais da estrutura;
Q é o diagrama de esforço cortante provocado por somente uma ação unitária
aplicada no ponto “P”;
E
G
G: módulo de elasticidade TRANSVERSAL do material.
2 * (1  ) ;
: é o coeficiente de Poisson, já estudado
T é o diagrama de momento torçor provocado pelas ações originais da estrutura;
T é o diagrama de momento torçor provocado por somente uma ação unitária
aplicada no ponto “P”;
Jt: momento de inércia polar da seção
8

Segundo Süssekind (1977), a parcela pode ser desprezada

com erro mínimo, para as estruturas usuais. A parcela pode ser


desprezada para estruturas que não são predominantemente submetidas a esforços
axiais, o que não é o caso de treliças, tirantes, escoras, pilares e estruturas
protendidas em geral. A parcela da torção pode também ser desprezada caso a
estrutura não apresente esforço de torção preponderante.

***********************************************************************************************
EXEMPLO 1 - Süssekind (1977): Calcular o deslocamento do ponto D para a
estrutura abaixo (classificada como “quadro” ou “pórtico”), sendo que a mesma tem
uma rigidez EJ = 2*104 t*m2.
5 tf

Para encontrar o deslocamento no ponto D, podemos aplicar uma ação


P unitária naquele ponto e já resolver seus esforços (o que se chama de ESTADO
DE CARREGAMENTO ou ESTADO DE FORÇAS). Considerando preponderante
apenas a parcela de flexão do PTV:
3 tf*m 3 tf*m

3 tf*m 3 tf*m

1 tf P =1 tf

Resolve-se o que se chama de ESTADO DE DEFORMAÇÃO, que são


os esforços da estrutura original (no caso, como explicado, apenas o momento
fletor):
5 tf 15 tf*m

15 tf*m

5 tf

3 tf 3 tf

O próximo passo é aplicar o PTV em cada barra e somar, considerando


9

P=1 e EJ constante:

Como o momento M da barra 3 é nulo:

Considerando as equações dos momentos representadas nas figuras


anteriores:

Os sinais negativos das integrais ocorrem porque os momentos dos


estados de carregamento e de deformação são opostos. O sinal negativo do
deslocamento final indica que sua direção é oposta a P, ou seja, para a direita.

***********************************************************************************************

EXEMPLO 2 - Süssekind (1977): Calcular o deslocamento vertical do ponto A para


a treliça a seguir, sendo que a mesma tem uma rigidez normal ES = 1*104 tf.

Os Estados de Deformação (ações reais) e de Carregamento (P unitária)


são:

Como, na treliça, só existem esforços normais:


10

Organizando os esforços numa tabela:

*************************************************************************************************

Finalmente, autores como Süssekind (1977) já calcularam algumas


integrais da multiplicação de 2 diagramas f(x) e apresentam os resultados na forma
de tabelas, como a mostrada a seguir.
11

Tabela: integrais da multiplicação de 2 funções f(x).

ATENÇÃO:  é o fator em relação a L. Ex: Se aquela distância for L/2,  = ½.


Parábola QUADRÁTICA: usada para ação linearmente distribuída
Parábola CÚBICA: usada para ação triangularmente distribuída

Fonte: Adaptado de Süssekind (1977).

Para o primeiro exemplo anterior, resolvendo pelas tabelas, o PTV


resolve-se a partir da multiplicação dos trechos de diagramas:
12

X +

X + X + X0
A1 = 3tf*m A2 = -15tf*m A1 = 3tf*m A2 = -15tf*m A2 = 3tf*m

(L= 3m) + (L= 5m) + 0 (L= 3m)


3 * (15) 3 * (15)
* 3  45 + * 5  112,5 +0
3 2
= -157,5
 = -157,5/(E*J) = -157,5/(2*104) = -0,007875 m = -7,875 mm (OK!)

Vale destacar que as tabelas multiplicam diagramas e calculam a integral,


independentemente se são diagramas de momento fletor, normal, cortante ou
qualquer outro f(x).
13

Uma última observação: para calcular o deslocamento de um ponto em uma


estrutura com um apoio caracterizado pela rigidez de uma mola, pode-se usar o PTV
com a parcela referente à mola. Veja um exemplo mostrado em Chapter...(????):
Obs: Conforme Chapter...(????), para uma estrutura ISOSTÁTICA, quando existe
um apoio caracterizado pela rigidez de uma mola, o cálculo das reações e dos
esforços é feito normalmente como se o apoio fosse rígido (RIGIDEZ INFINITA
DAQUELA MOLA).

Veja, na equação anterior, que S é o esforço correpondente ao tipo de


mola inserido. Se for mola à rotação, S equivale ao momento naquele ponto da
mola; se for uma mola à translação horizontal, S equivale à reação horizontal
naquele ponto da mola; se for uma mola à translação vertical, S equivale à reação
vertical naquele ponto da mola. Tudo isso para a situação com as ações originais.
S é obtido da mesma forma, só que considerando apenas a ação unitária. Assim:

***********************************************************************************************

EXERCÍCIOS

2.1) Pelo PTV, calcular o deslocamento na extremidade livre. Considere rigidez


constante (E*I).

2.2) Pelo PTV, calcular o deslocamento na metade do vão. Considere viga de


14

concreto simples (E = 20 GPa) com seção transversal maciça de 20 cm x 20 cm.

2.3) Pelo PTV, calcular o deslocamento vertical no ponto de aplicação do momento.


Considere viga de aço (E = 210 GPa) com seção transversal maciça de 3 cm x 3
cm.

2.4) Pelo PTV, calcular a deslocamento angular (rotação) no ponto de aplicação do


momento. Considere viga de aço (E = 210 GPa) com seção transversal maciça de
3 cm x 3 cm.

2.5) Pelo PTV, calcular o deslocamento vertical e o deslocamento horizontal no nó


superior esquerdo. Considere barras de aço (E = 210 GPa) com seção transversal
maciça de 2 cm x 2 cm.
15

***********************************************************************************************
2.2 DEFORMAÇÕES EM ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS USANDO O PTV

Foram apresentados exemplos do PTV para calcular deformações em


estruturas isostáticas. Porém, e nas estruturas lineares hiperestáticas, como se
calculam as deformações? Na verdade, pode-se resolver normalmente, porém é
necessário calcular os esforços das estruturas hiperestáticas. Alternativamente,
pode ser usado o próprio PTV aplicado aos casos isostáticos do Método das
Forças para cálculo de esforços, estudado em ESTE6.
Por exemplo, seja o caso de determinar a deformação em algum ponto
da seguinte estrutura hiperestática:

Fonte: La Rovere e De Moraes (2005).

Usando o Método das Forças:

(r) 1r (0) (1)


ISOSTÁTICO se conhecido X1 ISOSTÁTICO ISOSTÁTICO

1r = 10 + X1 * 11 (deslocamentos  do ponto B)

Fonte: Adaptado de La Rovere e De Moraes (2005).

Usando o PTV para os casos (0) e (1), isostáticos, calcula-se


normalmente o valor de X1. Tendo X1, o valor do deslocamento de qualquer ponto
da estrutura original é dado por:

r = 0 + X1 * 1 (deslocamentos  de um ponto qualquer)

EI 0   M M ds
M é o próprio momento do caso (0), já calculado
M é o momento de um novo caso, a estrutura do caso (0) sem as ações e com um
unitário aplicado no ponto em que se quer calcular o deslocamento da estrutura
original

EI1   M M ds
M é o próprio momento do caso (1), já calculado
M é o momento de um novo caso, a estrutura do caso (1) sem a ação e com um
unitário aplicado no ponto em que se quer calcular o deslocamento da estrutura
16

original
Se houver “n” casos, repete-se o processo.
Como já foi cobrado o Método das Forças em ESTE6 e aqui se faz
apenas uma sobreposição com o PTV de estruturas isostáticas, não serão feitos
exemplos numéricos e não haverá cobrança prática em prova. O que poderá ser
cobrado é o fundamento teórico aqui apresentado.

2.3 TEOREMA DE BETTI-MAXWELL

Considere uma estrutura qualquer ora submetida a um conjunto de


cargas Pi ora submetida a um conjunto de cargas Pk.
Conforme Sussekind (1977), se Pi for um estado de carregamento
(ações originais) e Pk um estado de deformação (ação unitária), aplicando o PTV,
temos, indexando as deformações com dois índices, o primeiro indicando o local
da deformação e o segundo a causa (ou seja, ki indica a deformação na direção
da carga Pk devida ao carregamento Pi):

Se invertermos a indexação da deformação (ou seja, ik indica a


deformação na direção da carga P i devida ao carregamento Pk):

Igualando as 2 expressões, obtemos a expressão do teorema de Betti


(ou teorema DA RECIPROCIDADE de Betti):

O teorema de Betti, portanto, nos diz que “se uma estrutura linear é
submetida a dois sistemas de forças generalizadas, o trabalho realizado pelas
forças generalizadas do primeiro sistema com os correspondentes deslocamentos
generalizados do segundo é igual ao trabalho realizado pelas forças generalizadas
do segundo sistema com os correspondentes deslocamentos generalizados do
primeiro.”
Por exemplo, seja a viga a seguir, carregada com diferentes sistemas de
ações que produzem as deformações indicadas (considerando viga de madeira
com E = 9 GPa e seção transversal maciça de 10 x 10 cm):
17

Fonte: O próprio autor utilizando o Ftool.

Veja a prova do teorema de Betti:

Trabalho = 5*(-0,176962) = 3*(-0,294662) = 0,884 tf*m

Ou, ainda, poderia ser calculado o deslocamento da estrutura da


esquerda pelo PTV e pedido o deslocamento da estrutura da direita pelo Teorema
de Betti. Se assim fosse:
5*d = 3*(-0,294662)  d = -0,176962 m

***********************************************************************************************

EXERCÍCIOS

2.6) Considere viga de aço (E = 210 GPa) com seção transversal maciça de 3 cm x
3 cm.

a) Calcular o deslocamento do ponto B pelo PTV.

1,4 tf

A B
1,2 m 1,2 m

3,6 m

b) Calcular o deslocamento do ponto A pelo Teorema de Betti.


18

A B
1,2 m 1,2 m

3,6 m

c) Calcular o deslocamento do ponto A do item b) pelo PTV, para conferir o valor.

***********************************************************************************************

Fazendo, no teorema de Betti, com que P i e Pk sejam uma única força


ou momento unitário, obtemos a expressão do teorema de Maxwell (ou teorema da
CARGA UNITÁRIA ou teorema de BETTI-MAXWELL):

O teorema de Maxwell, portanto, nos diz que “o deslocamento de um


ponto na direção de um esforço unitário, provocado por um segundo esforço
unitário, é igual ao deslocamento do ponto de aplicação do segundo esforço, em
sua direção, devido à aplicação do primeiro esforço unitário.”
Sendo assim:

Estes teoremas são importantes no estudo das estruturas hiperestáticas,


conforme estudado na disciplina anterior (lembre-se que, no Método das Forças,
12 = 21, etc.).

***********************************************************************************************

EXERCÍCIOS

2.7) Considere viga de aço (E = 210 GPa) com seção transversal maciça de 15 cm
x 15 cm.

a) Calcular o deslocamento do ponto B pelo PTV.


19

1 tf

A B
1,2 m 1,2 m

3,6 m

b) Calcular o deslocamento do ponto A pelo Teorema de Betti-Maxwell.


1 tf

A B
1,2 m 1,2 m

3,6 m

c) Calcular o deslocamento do ponto A do item b) pelo PTV, para conferir o valor.

2.4 TEOREMA DE CASTIGLIANO

Outro meio para se encontrar deformações em pontos de estruturas


lineares é usando o teorema de Castigliano, que, como será visto, recai no PTV.
Considerando uma estrutura submetida a uma carga genérica que
começa zerada e aumenta até um valor P i, produzindo uma deformação i, temos
seu gráfico força versus deslocamento dado por:

O trabalho real das forças externas é a área sob a curva, ou seja:

(RELAÇÃO CONHECIDA COMO TEOREMA DE CLAPEYRON)

O primeiro teorema de Castigliano diz que a derivada da energia real de


deformação em relação a uma das cargas aplicadas é igual à deformação elástica
segundo a direção desta carga. Veja:

1
W * Pi *  i (não se pode derivar W em relação a Pi considerando i constante
2
20

porque i depende de Pi) Então:

1 1 1 W W
W * Pi *  i  * Pi * (k * Pi )  * k * Pi 
2
 k * Pi   i   i
2 2 2 Pi Pi

(Pi pode ser força ou momento, dependendo se se quer calcular deslocamento


linear ou deslocamento angular, rotação)

O segundo teorema de Castigliano diz que a derivada da energia real de


deformação em relação à deformação elástica segundo a direção de uma das
cargas é igual ao valor desta carga. Veja:

1 1  1 W  i W
W * Pi *  i  * i *  i  * i   Pi  Pi
2
 
2 2 k 2k  i k  i

Em paralelo, o trabalho das forças internas (ou energia de deformação)


pode ser deduzido usando as relações do PTV e o teorema de Clapeyron
considerando os deslocamentos respectivos de cada esforço:

Sendo assim, pelo Teorema de Castigliano, calcula-se o trabalho dos


esforços (W) considerando uma ação “P” aplicada na direção e no ponto que se
quer achar o deslocamento. Depois, deriva-se W em P e iguala-se P a 0, já que ele
não existe, encontrando o deslocamento no ponto.

**********************************************************************************************

EXEMPLO:

Pelo Teorema de Castigliano, calcular o deslocamento vertical na extremidade


livre. Considere viga de concreto simples (E = 20 GPa) com seção transversal
maciça de 20 cm x 20 cm.
21

- resolução da integral referente ao trabalho:

M dx  veja que a função momento é diferente para cada trecho, então,


2

separamos a integral:

1, 5 3 1, 5 3
0
M 2 dx   M 2 dx =
1, 5 0
( Px) 2 dx   ( Px  2( x  1,5))2 dx =
1, 5

Pode-se resolver a integral ou usar as tabelas, o que aqui se fará:

1, 5 3
0
M 2 dx   M 2 dx =
1, 5

M
2
dx = +
( P * 1,5) 2 * 1,5  (3  3P) 2  (3  3P) * (1,5P)  P 2 * 2,25 
+   *1,5 
3  3 
= P * 1,125 + 9  18P  P  4,5P  4,5P  P * 2,25* 0,5
2 2 2 2

= P 2 * 1,125 + 4,5  9 P  0,5P 2  2,25P  2,25P 2  1,125P 2


= 5P 2  11,25P  4,5
W
W
1
2 EI

* 5P 2  11,25P  4,5     
1
P 2 EI
* 10P  11,25

11,25 5,625
P = 0 (porque P não existe)    
2 EI EI
22

E = 20 GPa = 20*1000*100 tf/m 2 = 2.000.000 tf/m2


0,24
seção transversal maciça de 20 cm x 20 cm  I   0,00013333m4
12
EI = 266,666 tf*m2   = 0,0211 m = 21,1 mm

O software FTOOL dá 20,69 mm, conforme a figura:

**********************************************************************************************

Embora possa ser resolvido um problema pelo Teorema de Castigliano


como explicado, não é conveniente fazê-lo porque o PTV é um método mais fácil e
o Teorema de Castigliano recai neste último. Veja: se, considerando o exemplo
anterior (ou qualquer outro exemplo), se usarmos os diagramas em separado, o
referente às ações originais (M 1) e o referente à ação P (M2):

M dx =  (M1  M 2 )2 dx =  (M12  2 * M1 * M 2  M 22 )dx =


2

=  M 12 dx + 2 *  M1 * M 2 dx +  M 22 dx

 M dx = número (derivada em P dá zero)


2
1

2 *  M * M dx = função de P (derivada em P dá um número)


1 2

 M dx =função de P (derivada em P dá função de P)  P = 0  zera esta integral


2 2
2

Portanto:
W 1 1
  * 2 *  M1 * M 2 dx = * M * M 2 dx (que é o próprio PTV)
P 2 EI EI 1

Sendo assim, aqui não será exigida a resolução de exercícios.


23

3 TEORIA DE VIGAS DE EULER-BERNOULLI

3.1 INTRODUÇÃO

Entende-se aqui a palavra “viga” como uma barra submetida a flexão.


Novamente, há autores que definem essa “barra submetida a flexão” como “chapa”
linear. E, em tempo, o sentido comum do termo “viga” é o de um elemento estrutural
LINEAR HORIZONTAL SUBMETIDO À FLEXÃO. Isso não muda!
Para a análise das deformações em vigas (e, por tabela, dos esforços e
tensões), a primeira teoria que nos vem em mente é a clássica de Euler-Bernoulli (ou
de Bernoulli-Navier, segundo Proença (2003), ou Teoria de Vigas Clássica), talvez já
conhecida pelo aluno nas aulas de Resistência dos Materiais, mas que será
relembrada nas próximas entrelinhas. Porém, a proposta principal deste início de
disciplina é a análise das deformações pelo Modelo de Timoshenko, que difere em
relação à teoria de Euler-Bernoulli por considerar a deformação por cisalhamento da
seção transversal, ou seja, por considerar que as seções planas NÃO permanecem
planas e nem ortogonais ao eixo da viga. Assim, esta análise merece separação em
capítulo posterior.
A teoria de Euler-Bernoulii é também chamada de teoria de flexão pura,
justamente por desprezar o cisalhamento da seção transversal e só considerar a
flexão. Ela fornece resultados satisfatórios de DEFORMAÇÃO para vigas longas,
mas, para vigas curtas (comprimento “L” pequeno em relação à altura “h” da seção
transversal), o efeito de cisalhamento é importante e deve-se empregar a teoria de
viga de Timoshenko.
Segundo Beer (2011), na prática, para vigas de h/L < 1/10 o efeito do
cisalhamento na seção transversal no cálculo das deformações é bem menor que a
parcela de flexão, então pode ser desprezada. Daí pode-se adotar como VIGAS
LONGAS aquelas cuja relação h/L é menor que 1/10.

3.2 HIPÓTESES BÁSICAS

Numa viga típica submetida a flexão, a hipótese cinemática no modelo de


Euler-Bernoulli (ou, como informado, de Bernoulli-Navier) consiste em supor que o
movimento de deformação da viga na flexão leva seções originalmente planas
(seção que passa por M e P na figura a seguir) a permanecerem planas e ortogonais
ao eixo da viga na situação deformada (seção que passa por M’ e P’ da figura a
seguir), numa seção qualquer distante x da extremidade, na longitudinal.

 

Fonte: Adaptado de Proença (2003).


24

Conforme Proença (2003), decorrem desta hipótese as seguintes relações


para as componentes vertical e horizontal do vetor deslocamento “d” de um ponto P
qualquer da viga (acompanhe na figura anterior):

v( x)  v0 ( x)  y  y * cos  v( x)  v0 ( x)  y * (1  cos )
u ( x)   y * sen 

Em que (acompanhe na figura anterior):


v0(x) é o deslocamento de um ponto M, no eixo longitudinal da viga, até M’
v(x) é o deslocamento de um ponto P, a uma distância “y” de M, qualquer até P’
 é o ângulo em que a seção transversal gira em torno do ponto M, que se confunde
com v’(x) naquele ponto
u é o deslocamento horizontal do ponto P’

Como, nas aplicações de engenharia civil, a Resistência dos Materiais


trabalha com pequenas deformações e giros,  é muito pequeno e pode-se
aproximar cos = 1 e sen = tg = . Então:

v( x)  v0 ( x)
dv( x)
u ( x)   y *    y * v' ( x)   y *
dx

O sinal negativo indica que um giro  horário da seção corresponde a um


deslocamento u negativo em x, ou seja, para a esquerda, da forma que está na
figura anterior.
Sabe-se, da Resistência dos Materiais, que as deformações lineares e a
deformação angular valem:

du dv du dv
x  ; y  ;  xy  
dx dy dy dx

Então, ficam assim definidas as componentes de deformação:

 d 2v( x) 
  x ( x)   y *
   dx 2  du  dv
  y ( x)    0  Obs : conforme acima, 
 ( x)   dy dx
 xy   0

 

No regime elástico-linear, a lei de Hooke aprofunda a RELAÇÃO TENSÃO-


DEFORMAÇÃO:

d 2 v( x)
 x  E *  x  E * y *
dx2
25

Conforme Proença (2003), o equilíbrio estático deve ser atendido e, portanto


as tensões normais x devem gerar um momento resultante na seção igual ao
momento fletor calculado em função do carregamento externo de flexão (M).
Matematicamente:

M    x * y dA

A equação anterior pode ser deduzida do fato de que as forças binárias que
geram M vêm da área do diagrama de tensões x na flexão.

Combinando com a lei de Hooke na forma anteriormente apresentada:

d 2 v( x) 2
M  E*  y dA
dx 2
Sabe-se, da Resistência dos Materiais, que a integral da equação acima é o
momento de inércia de área da seção. Então:

d 2 v( x)
M  E*I *
dx 2

Em paralelo, conforme Beer (2011), imagine que temos um trecho de viga


sujeito a carregamento distribuído p(x):

p(x)

Fonte: Adaptado de Beer (2011).

Separando a porção CC’ da viga e desenhando seu diagrama de corpo livre:


p(x)

p(x)

Q+Q

Fonte: Adaptado de Beer (2011).

Obs: Q é o esforço cortante.


26

Fazendo o equilíbrio de forças verticais:

Q – (Q+Q) – p(x)* x = 0  Q = -p(x)*x

Dividindo por x e considerando elemento infinitesimal dx:

dQ
  p(x)
dx
No modelo anteriormente apresentado, considera-se p(x) positivo para baixo.
Porém, aqui na modelagem de Euler, estamos considerando p(x) negativo para
baixo. Então, podemos escrever:

dQ
 p(x)
dx

Da mesma figura anterior, fazendo o equilíbrio de momentos:

(M+M) –M – Q*x + p(x)*x2/2 = 0  M = Q*x - p(x)*x2/2

Dividindo por x e considerando elemento infinitesimal dx:

dM dx
 Q  p ( x) *
dx 2
Considerando dx tendendo a zero:

dM
Q
dx

Juntando:
2
dQ dM d M
 p(x) e Q   p ( x)
dx dx dx 2

Juntando:
3
d 2 v( x) e dM  Q  E*I *
d v( x)
M  E*I *  Q
dx 2 dx dx 3

Juntando:
4
dQ d 3v( x)  E * I * d v( x)  p ( x)  0
 p (x) e Q  E * I *
dx dx 3 dx 4

Pode-se, por fim, integrar sucessivamente as equações da forma a seguir:


27

 p (x)  Q   p(x)
dQ
dx
dM
 Q  M  Q
dx

d 2 v( x)  dv ( x) (giro dv/dx = )
M  E*I * 2
E*I *  M
dx dx

E * I * v( x)    ( x)

Em resumo:

INTEGRAL

d 2M dM d 2 v( x) dv ( x)
p Q M  E*I *   EI EIv(x)
dx 2 dx dx 2 dx
p (ação distribuída) Q (cortante) M (momento fletor)  (giro) v (deslocamento)

DERIVADA

A viga deverá ser dividida em trechos quando houver modificação ou


descontinuidade da função p(x), M(x), Q(x), v(x) ou (x). Sendo assim, os casos
mais comuns que resultam nessa situação são:
- apoios intermediários;
- ação (força ou momento) concentrada fora dos nós (extremidades); e
- variação da inércia (E*I).

Nos exemplos serão estudados alguns casos.

2.3 APLICAÇÕES DAS RELAÇÕES DE EULER-BERNOULLI

EXEMPLO 1:

Traçar, para a viga da figura a seguir, os diagramas dos esforços, a partir das
relações de Euler-Bernoulli. Calcular a máxima deformação. A viga é de aço (E =
210 GPa) de seção retangular maciça de 5 cm x 5 cm.

20 kN/m

Fonte: Adaptado de Bittencourt (2003).


28

SOLUÇÃO:

a) carregamento:

p(x) é constante, p(x) = -20

b) equações iniciais dos esforços:

d 2M
2
 20 ;
dx
-como Q  dM , integrando-se a expressão uma vez chega-se à cortante. Então:
dx
Q    20 dx = -20*x + C1

- integrando-se mais uma vez:


M = -10*x2 + C1*x + C2

c) condições de contorno:

momento fletor em x = 0 (apoio fixo) igual a zero  M(0) = 0


momento fletor em x = 3 m (apoio fixo) igual a zero  M(3) = 0

d) constantes de integração:

M (0) = -10*x2 + C1*x + C2 = -10*02 + C1*0 + C2 = 0  C2 = 0


M (3) = -10*x2 + C1*x + C2 = -10*32 + C1*3 + 0 = 0  C1 = 30

e) equações finais dos esforços:

Q(x) = -20*x + 30
M(x) = -10*x2 + 30*x

f) gráfico dos esforços:

Q(0) = 30 kN; M(0) = 0


Q(1,5) = 0; M(1,5) = 22,5 kN*m
Q(3) = -30 kN; M(3) = 0

Veja que os resultados conferem com o calculado pelo software FTOOL:

CORTANTE (kN) MOMENTO FLETOR (kN*m)

Fonte: O próprio autor com base no software FTOOL.


29

g) giro e deslocamento transversal:

h/L = 5/300 = 0,016 < 0,1 (considerada viga longa)  resultados por Euler aceitáveis

- poderíamos ter feito a etapa de integração e condições de contorno antes, mas,


para este primeiro exemplo, faremos somente agora;
- como M  E * I *
d 2 v( x) , integrando-se mais uma vez a equação de M, não se
dx 2
esquecendo da parcela de rigidez E*I:
M(x) = -10*x2 + 30*x
E*I*(x) = -3,33*x3 + 15*x2 + C3

- integrando-se mais uma vez:


E*I*v(x) = -0,83*x4 + 5*x3 + C3*x + C4

- condições de contorno:
deslocamento v em x = 0 (apoio fixo) igual a zero  v(0) = 0
deslocamento v em x = 3 m (apoio fixo) igual a zero  v(3) = 0

- constantes de integração:
v(0) = -0,83*x4 + 5*x3 + C3*x + C4 = -0,83*04 + 5*03 + C3*0 + C4 = 0  C4 = 0
v(3) = -0,83*x4 + 5*x3 + C3*x + C4 = -0,83*34 + 5*33 + C3*3 + 0 = 0  C3 = -22,59

- equações finais dos deslocamentos:


E*I*(x) = -3,33*x3 + 15*x2 - 22,59
E*I*v(x) = -0,83*x4 + 5*x3 - 22,59*x

- o deslocamento extremo (máximo ou mínimo) ocorre no ponto em que sua


derivada à primeira vale zero. Então, como o giro é a derivada à primeira do
deslocamento:
E*I*(x) = -3,33*x3 + 15*x2 - 22,59 = 0 
x = 1,5 (usando, por exemplo, o Método das Secantes, do Cálculo Numérico, para
calcular a solução). A solução é coerente com a realidade já que, neste caso, o
maior deslocamento ocorre no meio do vão, em x = 1,5 m.

Obs: Verificar se o ponto encontra-se no domínio da função.

Então, o deslocamento máximo vale:


v(1,5)/E*I = -0,83*1,54 + 5*1,53 - 22,59*1,5 = -21,21/E*I
A viga é de aço (E = 210 GPa = 210000000 kN/m2) de seção retangular maciça de 5
cm x 5 cm (I = b*h3/12 = 5*53/12 = 52,08 cm4 = 0,0000005208 m4):
v(1,5) = -0,193949 m = -19,3949 cm = -193,949 mm
Veja que o valor é bem próximo do obtido no software FTOOL:
30

Gaspar (2012) deduz a equação para a situação genérica deste exemplo


(ATENÇÃO, o carregamento p é positivo para baixo no caso da equação a seguir):

*************************************************************************************************

QUESTÃO ENADE 2014

Gabarito oficial: B

*************************************************************************************************

EXEMPLO 2:

Resolver a mesma viga do exemplo 1, só que numa condição de viga curta,


apenas para posterior comparação dos resultados com a teoria de vigas curtas de
Timoshenko (próximo capítulo). Sendo assim, altera-se L para 0,25 m (25 cm).

SOLUÇÃO:
31

p(x) é constante, p(x) = -20

b) equações iniciais dos esforços:

d 2M
 20 ;
dx 2
-como Q  dM , integrando-se a expressão uma vez chega-se à cortante. Então:
dx
Q    20 dx = -20*x + C1

- integrando-se mais uma vez:


M = -10*x2 + C1*x + C2

c) condições de contorno:

momento fletor em x = 0 (apoio fixo) igual a zero  M(0) = 0


momento fletor em x = 0,25 m (apoio fixo) igual a zero  M(0,25) = 0

d) constantes de integração:

M (0) = -10*x2 + C1*x + C2 = -10*02 + C1*0 + C2 = 0  C2 = 0


M (0,25) = -10*x2 + C1*x + C2 = -10*0,252 + C1*0,25 + 0 = 0  C1 = 2,5

e) equações finais dos esforços:

Q(x) = -20*x + 2,5


M(x) = -10*x2 + 2,5*x

f) gráfico dos esforços:

Q(0) = 2,5 kN; M(0) = 0


Q(0,125) = 0; M(0,125) = 0,156 kN*m
Q(0,25) = -2,5 kN; M(0,25) = 0

Veja que os resultados conferem com o calculado pelo software FTOOL:

CORTANTE (kN) MOMENTO FLETOR (kN*m)

Fonte: O próprio autor com base no software FTOOL.

Obs: o aluno pode querer fazer simulação de outras situações no FTOOL. Porém,
nem todos os resultados de vigas curtas podem conferir com o software FTOOL. O
autor daquele software, prof. Luis Fernando Martha, em novembro de 2015,
32

comunicou por e-mail que o FTOOL pode não ser confiável para vigas curtas e
deverá ser revisado quanto a isto, principalmente quanto aos esforços.

g) giro e deslocamento transversal:

h/L = 5/25 = 0,2 > 0,1 (considerada viga CURTA)  resultados de deformação por
Euler não são aceitáveis, devendo-se usar a teoria de vigas curtas de Timoshenko
(próximo capítulo).

- integrando-se a equação de M:
M(x) = -10*x2 + 2,5*x
E*I*(x) = -3,33*x3 + 1,25*x2 + C3
E*I*v(x) = -0,83*x4 + 0,42*x3 + C3*x + C4

- condições de contorno:
deslocamento v em x = 0 (apoio fixo) igual a zero  v(0) = 0
deslocamento v em x = 0,25 m (apoio fixo) igual a zero  v(0,25) = 0

- constantes de integração:
v(0) = -0,83*x4 + 0,42*x3 + C3*x + C4 = -0,83*04 + 0,42*03 + C3*0 + C4 = 0  C4 = 0
v(0,25) = -0,83*x4 + 0,42*x3 + C3*x + C4= -0,83*0,254 + 0,42*0,253 + C3*0,25 + 0 = 0
 C3 = -0,013

- equações finais dos deslocamentos:


E*I*(x) = -3,33*x3 + 1,25*x2 - 0,013
E*I*v(x) = -0,83*x4 + 0,42*x3 - 0,013*x

- deslocamento máximo:
v(0,125)/E*I = -0,83*0,1254 + 0,42*0,1253 – 0,013*0,125 = -0,0010/E*I
E = 210000000 kN/m2 e I = 0,0000005208 m4:
v(0,125) = -0,00000921 m = -0,00921 mm
Veja que o valor é próximo do FTOOL, mesmo a viga sendo curta:

*************************************************************************************************

EXEMPLO 3:

Traçar, para a viga da figura a seguir, HIPERESTÁTICA, os diagramas dos


esforços, a partir das relações de Euler-Bernoulli. Calcular a máxima deformação,
sendo a viga de aço (E = 210 GPa) de seção retangular maciça de 5 cm x 5 cm x 3
m.
33

N/m

Fonte: Bittencourt (2003).

SOLUÇÃO:

h/L = 5/300 = 0,016 < 0,1 (considerada viga longa)  resultados por Euler aceitáveis

a) carregamento:

p(x) é constante, p(x) = -500

b) equações iniciais dos esforços:

Da mesma maneira de no exemplo 1, integrando-se sucessivamente:


Q(x)= -500*x + C1
M(x) = -250*x2 + C1*x + C2
E*I*(x) = -83,33*x3 + (C1/2)*x2 + C2*x + C3
E*I*v(x) = -20,83*x4 + (C1/6)*x3 + (C2/2)*x2 + C3*x + C4

c) condições de contorno:

giro em x = 0 (engaste) igual a zero  (0) = 0


giro em x = 3 m (engaste) igual a zero  (3) = 0
deslocamento em x = 0 (engaste) igual a zero  v(0) = 0
deslocamento em x = 3 m (engaste) igual a zero  v(3) = 0
d) constantes de integração:

(0) = -83,33*x3 + (C1/2)*x2 + C2*x + C3 = 0  -83,33*03 + (C1/2)*02 + C2*0 + C3 = 0


 C3 = 0
v(0) = -20,83*x4 + (C1/6)*x3 + (C2/2)*x2 + C3*x + C4 = 0  -20,83*04 + (C1/6)*03 +
(C2/2)*02 + 0*0 + C4 = 0  C4 = 0

(3) = -83,33*x3 + (C1/2)*x2 + C2*x + C3 = 0  -83,33*33 + (C1/2)*32 + C2*3 + 0 = 0


v(3) = -20,83*x4 + (C1/6)*x3 + (C2/2)*x2 + C3*x + C4 = 0  -20,83*34 + (C1/6)*33 +
(C2/2)*32 + 0*3 + 0 = 0

chega-se a um sistema linear:


4,5*C1 + 3*C2 - 2249,91 = 0
4,5*C1 + 4,5*C2 - 1687,23 = 0

Resolvendo por qualquer processo, por exemplo, Gauss (Cálculo Numérico):


C1 = 750,06; C2 = -375,12
34

e) equações finais:

Q(x) = -500*x + 750


M (x) = -250*x2 + 750*x - 375
E*I*v(x) = -20,83*x4 + 125*x3 - 187,5*x2

f) diagramas (iguais aos obtidos no FTOOL):

Q(0) = 750 N; M(0) = -375 N*m


Q(1,5) = 0 N; M(1,5) = 188 N*m
Q(3) = -750 N; M(3) = -375 N*m

CORTANTE (N):

MOMENTO FLETOR (N*m)

g) máximo deslocamento transversal:

E*I*v(x) = -20,83*x4 + 125*x3 - 187,5*x2


v(1,5) = -20,83*1,54 + 125*1,53 – 187,5*1,52 = -105,45/E*I
E = 210000000000 N/m2 e I = 0,0000005208 m4:
v(1,5) = -0,000964 m = -0,0964 cm = -0,964 mm (valor exato dado pelo FTOOL).

*************************************************************************************************

EXEMPLO 4:
35

Traçar, para a viga da figura a seguir, os diagramas dos esforços, a partir das
relações de Euler-Bernoulli. Calcular a máxima deformação, sendo a viga de aço (E
= 210 GPa) de seção retangular maciça de 5 cm x 5 cm.

Fonte: O próprio autor a partir do Ftool.

SOLUÇÃO:

h/L = 5/200 = 0,025 < 0,1 (considerada viga longa)  resultados por Euler aceitáveis

Como há uma carga concentrada fora das extremidades, divide-se a viga em 2


trechos separados por essa carga.

Obs: convenção = cortante horário na barra e momento tracionando a parte inferior.

PARA O TRECHO À ESQUERDA:

a) carregamento distribuído:

p(x) é constante, p(x) = 0

b) equações iniciais dos esforços:

QE ( x)   0 dx = C1E
- integrando-se sucessivamente:
ME (x) = C1E*x + C2E
E*I*E(x) = (C1E/2)*x2 + C2E*x + C3E
E*I*vE(x) = (C1E/6)*x3 + (C2E/2)*x2 + C3E*x + C4E

c) condições de contorno:
36

E(0) = 0 (engaste)
vE(0) = 0 (engaste)

E(0) = 0  (C1E/2)*02 + C2E*0 + C3E = 0  C3E = 0


vE(0) = 0  (C1E/6)*03 + (C2E/2)*02 + C3E*0 + C4E = 0  C4E = 0

ME (x) = C1E*x + C2E


E*I*E(x) = (C1E/2)*x2 + C2E*x
E*I*vE(x) = (C1E/6)*x3 + (C2E/2)*x2

- até aqui temos 2 incógnitas (nenhuma equação, já usamos)

PARA O TRECHO À DIREITA (x local):

a) carregamento distribuído:

p(x) é constante, p(x) = 0

b) equações iniciais dos esforços:

QD   0 dx = C1D
- integrando-se sucessivamente em x:
MD (x) = C1D*x + C2D
E*I*D(x) = (C1D/2)*x2 + C2D*x + C3D
E*I*vD(x) = (C1D/6)*x3 + (C2D/2)*x2 + C3D*x + C4D

c) condições de contorno:

D(1) = 0 (engaste)
vD(1) = 0 (engaste)

D(1) = 0 (engaste)  (C1D/2)*12 + C2D*1 + C3D = 0


vD(1) = 0 (engaste)  (C1D/6)*13 + (C2D/2)*12 + C3D*1 + C4D = 0

- até aqui temos 2+4=6 incógnitas e 2 equações. Faltam 4 equações.

- condições de contorno de compatibilização dos trechos:

QE(1)- QD(0) = 500  C1E - C1D = 500


ME(1) = MD(0)  C1E*1 + C2E = C1D*0 + C2D
vE(1)=vD(0)  (C1E/6)*13 + (C2E/2)*12 = C4D
E(1)= D(0)  (C1E/2)*12 + C2E*1 = C3D

d) constantes de integração:

Portanto, o sistema global fica com 6 equações e 6 incógnitas:

(C1D/2) + C2D + C3D = 0


(C1D/6) + C2D/2 + C3D + C4D = 0
37

C1E - C1D = 500


C1E + C2E - C2D = 0
(C1E/6) + (C2E/2) - C4D = 0
(C1E/2) + C2E - C3D = 0

C1E C2E C1D C2D C3D C4D B


0 0 0,5 1 1 0 0
0 0 0,166 0,5 1 1 0
1 0 -1 0 0 0 500
1 1 0 -1 0 0 0
0,166 0,5 0 0 0 -1 0
0,5 1 0 0 -1 0 0

A solução do sistema gera:

C1E C2E C1D C2D C3D C4D


250 -125 -250 125 0 -21

e) equações finais:

QE (x) = 250
ME (x) = 250*x - 125
E*I*E(x) = 125*x2 -125 *x
E*I*vE(x) = 41,66*x3 -62,5*x2

QD (x) = -250
MD (x) = -250*x + 125
E*I*D(x) = -125*x2 + 125*x
E*I*vD(x) = 41,67*x3 - 125*x2 - 21

f) diagramas (iguais aos obtidos no FTOOL):

QE(0) = 250 N; ME(0) = -125 N*m


QE(1) = 250 N; ME(1) = 125 N*m

QD(0) = -250 N; MD(0) = 125 N*m


QD(1) = -250 N; MD(1) = -125 N*m

CORTANTE (N):

MOMENTO FLETOR (N*m)


38

g) máximo deslocamento transversal:

E*I*vE(x) = 41,67*x3 - 62,5*x2


vE(1) = 41,67*13 – 62,5*12 = -20,83/E*I
E = 210000000000 N/m2 e I = 0,0000005208 m4:
vE(1) = -0,0001904 m = -1,904 mm (valor exato dado pelo FTOOL).

E*I*vD(x) = -41,67*x3 + 62,5*x2 - 21


vD(0) = -21 = -21/E*I
vD(0) = -0,000192 m = -1,92 mm (valor exato dado pelo FTOOL).

*************************************************************************************************
39

EXEMPLO 5:

Traçar, para a viga contínua da figura a seguir, os diagramas dos esforços, a


partir das relações de Euler-Bernoulli. Calcular a máxima deformação, sendo a viga
de aço (E = 210 GPa) de seção retangular maciça de 5 cm x 5 cm.

Fonte: O próprio autor a partir do Ftool.

SOLUÇÃO:

h/L = 5/200 = 0,025 < 0,1 (considerada viga longa)  resultados por Euler aceitáveis

Como há um apoio interno fora das extremidades, divide-se a viga em 2 trechos


separados por esse apoio.

PARA O TRECHO À ESQUERDA:

a) carregamento distribuído:

p(x) = -1000

b) equações iniciais dos esforços:

QE ( x)    1000 dx = -1000*x + C1E


- integrando-se sucessivamente:
ME (x) = -500*x2 + C1E*x + C2E
E*I*E(x) = -166,67*x3 + (C1E/2)*x2 + C2E*x + C3E
E*I*vE(x) = -41,67*x4 + (C1E/6)*x3 + (C2E/2)*x2 + C3E*x + C4E
40

c) condições de contorno:

E(0) = 0 (engaste)
vE(0) = 0 (engaste)
vE(1) = 0 (apoio intermediário)

E(0) = 0  -166,67*x3 + (C1E/2)*x2 + C2E*x + C3E = 0  -166,67*03 + (C1E/2)*02 +


C2E*0 + C3E = 0  C3E = 0
vE(0) = 0  -41,67*x4 + (C1E/6)*x3 + (C2E/2)*x2 + C3E*x + C4E = 0  -41,67*04 +
(C1E/6)*03 + (C2E/2)*02 + C3E*0 + C4E = 0  C4E = 0
vE(1) = 0  41,67*14 + (C1E/6)*13 + (C2E/2)*12 + C3E*1 + C4E = 0  (C1E/6) + (C2E/2)
= 41,67

- até aqui temos 1 equação e 2 incógnitas.

PARA O TRECHO À DIREITA (x local):

a) carregamento distribuído:

p(x) = -1000

b) equações iniciais dos esforços:

QD ( x)    1000 dx = -1000*x + C1D


- integrando-se sucessivamente em x:
MD (x) = -500*x2 + C1D*x + C2D
E*I*D(x) = -166,67*x3 + (C1D/2)*x2 + C2D*x + C3D
E*I*vD(x) = -41,67*x4 + (C1D/6)*x3 + (C2D/2)*x2 + C3D*x + C4D

c) condições de contorno:

D(1) = 0 (engaste)
vD(1) = 0 (engaste)
vD(0) = 0 (apoio intermediário)

D(1) = 0 (engaste)  -166,67*13 + (C1D/2)*12 + C2D*1 + C3D = 0  (C1D/2) + C2D +


C3D = 166,67
vD(1) = 0 (engaste)  -41,67*14 + (C1D/6)*13 + (C2D/2)*12 + C3D*1 + C4D = 0 
(C1D/6)+ (C2D/2) + C3D + C4D = 41,67
vD(0) = 0  -41,67*04 + (C1D/6)*03 + (C2D/2)*02 + C3D*0 + C4D = 0  C4D = 0

- temos mais 2 equações e 3 incógnitas


- até aqui temos 3 equações e 5 incógnitas. Faltam 2 equações.

- condições de contorno de compatibilização dos trechos:

ME(1) = MD(0)  -500*12 + C1E*1 + C2E = -500*02 + C1D*0 + C2D  -500 + C1E + C2E =
C2D
41

E(1) = D(0)  -166,67*13 + (C1E/2)*12 + C2E*1 + C3E = -166,67*03 + (C1D/2)*02 +


C2D*0 + C3D  -166,67 + (C1E/2) + C2E = C3D

d) constantes de integração:

Portanto, o sistema global fica:


(C1E/6) + (C2E/2) = 41,67
(C1D/2) + C2D + C3D = 166,67
(C1D/6)+ (C2D/2) + C3D = 41,67
C1E + C2E - C2D = 500
(C1E/2) + C2E - C3D =166,67

C1E C2E C1D C2D C3D B


0,167 0,5 0 0 0 41,67
0 0 0,5 1 1 166,67
0 0 0,167 0,5 1 41,67
1 1 0 -1 0 500
0,5 1 0 0 -1 166,67

A solução do sistema gera:

C1E C2E C1D C2D C3D


500 -83,3 500 -83,3 0

e) equações finais:

QE (x) = -1000*x + 500


ME (x) = -500*x2 + 500*x -83,3
E*I*E(x) = -166,67*x3 + 250*x2 - 83,3*x
E*I*vE(x) = -41,67*x4 + 83,3*x3 – 41,65*x2

QD (x) = -1000*x + 500


MzD (x) = -500*x2 + 500*x – 83,3
E*I*D(x) = -166,67*x3 + 250*x2 – 83,3 *x
E*I*vD(x) = -41,67*x4 + 83,3*x3 – 41,65*x2

f) diagramas (praticamente iguais aos obtidos no FTOOL):

VE(0) = 500 N; ME(0) = -83,3 N*m


VE(1) = -500 N; ME(1) = -83,3 N*m
VE(0,5) = 0; ME(0,5) = 41,65 N*m

VD(0) = 500 N; MD(0) = -83,3 N*m


VD(1) = -500 N; MD(1) = -83,3 N*m
VD(0,5) = 0; MD(0,5) = 41,65 N*m
42

CORTANTE (N):

MOMENTO FLETOR (N*m)

g) máximo deslocamento transversal (em x = 0,5 m local; de cada lado):

E*I*vE(x) = -41,67*x4 + 83,3*x3 – 41,65*x2


vE(0,5) = (-41,67*0,54 + 83,3*0,53 – 41,65*0,52)/E*I = -2,62/E*I
E = 210000000000 N/m2 e I = 0,0000005208 m4:
vE(1) = -0,0000240 m = -0,024 mm (valor exato dado pelo FTOOL).

E*I*vD(x) = -41,67*x4 + 83,3*x3 – 42,65*x2 (idêntico)

*************************************************************************************************

EXERCÍCIOS

3.1) Deduza a equação da linha elástica para a situação genérica abaixo, mostrada
por Gaspar (2012). (ATENÇÃO, o autor considera o carregamento p positivo para
baixo. Portanto, resolva normalmente com as deduções anteriormente apresentadas
e, ao final, troque o sinal da resposta):

possíveis condições de contorno:


43

v(0)=0; v’(0)=0; M(L)=0; Q(L)=0;

3.2) Encontrar os diagramas e o máximo deslocamento das vigas abaixo usando a


teoria de vigas de Euler-Bernoulli (mostrar todos os passos). Encontrar o ponto
(abscissa x) onde ocorre esse máximo deslocamento. As vigas são de aço (E = 210
GPa) de seção retangular maciça de 5 cm x 5 cm.

a)
possíveis condições de contorno locais:
vE(0)=0; v’E(0)=0; vD(1,5)=0; MD(1,5)=0
possíveis condições de contorno de compatibilização dos trechos:
vE(0,5)=vD(0); v’E(0,5)=v’D(0); QE(0,5)-QD(0)=800; ME(0,5)=MD(0)
Obs: aqui, para efeito de aprendizado, foram dadas possíveis condições de
contorno. Na avaliação prova, o aluno tem que ser capaz de identificá-las.

b)

possíveis condições de contorno locais:


vE(0)=0; v’E(0)=0; vD(0,5)=0; v’D(0,5)=0;
possíveis condições de contorno de compatibilização dos trechos:
vE(1,5)=vD(0); v’E(1,5)=v’D(0); QE(1,5)=QD(0); ME(1,5)=MD(0)

c)
possíveis condições de contorno locais:
vE(0)=0; ME(0)=0; vD(1,5)=0; v’D(1,5)=0;
possíveis condições de contorno de compatibilização dos trechos:
vE(0,5)=vD(0); v’E(0,5)=v’D(0); ME(0,5)-MD(0)=300; QE(0,5)=QD(0);
44

d)
possíveis condições de contorno locais:
vE(0)=0; v’E(0)=0; vD(1,5)=0; v’D(1,5)=0
possíveis condições de contorno de compatibilização dos trechos:
vE(0,5)=vD(0); ME(0,5)=0; MD(0)=0; QE(0,5)-QD(0)=800
ATENÇÃO: no caso da rótula, o giro à esquerda é diferente do giro à direita.
Portanto, a função giro é descontínua. Sendo assim, não se pode igualá-a a zero
para o obter o deslocamento máximo. O deslocamento máximo, neste caso, é na
rótula.

e)
possíveis condições de contorno locais:
vE(0)=0; v’E(0)=0; vD(0,5)=0; v’D(0,5)=0;
possíveis condições de contorno de compatibilização dos trechos:
vE(1,5)=vD(0)=0; v’E(1,5)=v’D(0); ME(1,5)=MD(0)

*************************************************************************************************
45

4 TEORIA DE VIGAS DE TIMOSHENKO

Conforme explicado, o modelo de Euler-Bernoulli (capítulo anterior) não


considera o cisalhamento no cálculo das deformações das seções transversais
durante a flexão da viga (o que implica em que seções planas permanecem planas
e ortogonais ao eixo após a deformação). Essa hipótese não gera grandes erros no
caso de vigas longas, aqui consideradas como h/L < 1/10, conforme Beer (2011).
Porém, para vigas curtas, o efeito de cisalhamento pode ser importante e, nesses
casos, emprega-se a teoria de vigas de Timoshenko, que será a seguir
demonstrada.

4.1 HIPÓTESES BÁSICAS

De forma análoga ao modelo de Euler-Bernoulli, considera-se que as


seções transversais permanecem planas, mas NÃO MAIS ORTOGONAIS ao eixo
da viga deformada. Na figura a seguir, a seção transversal deformada A’B’ está
desenhada conforme o modelo de Euler-Bernoulli e a seção A”B” conforme o
modelo de Timoshenko.

Fonte: Bittencourt (2003).

A distorção  que ocorre na seção transversal é assumida constante no


modelo de Timoshenko (seções permanecem planas), mas na verdade não é. Essa
deformação é variável, configurando-se o que se chama de EMPENAMENTO. Veja
a figura a seguir.

Modelo de Euler-Bernoulli = tracejado (seções planas e ortogonais ao eixo deformado)


Modelo de Timoshenko = à esquerda (seções planas e com giro constante em relação ao eixo deformado)
Realidade = seção do meio (seções empenadas)

Fonte: Adaptado de Bittencourt (2003).


46

Veja, na figura anterior, que, na realidade, a distorção máxima ocorre na linha


neutra, sendo nula nas partes inferior e superior da seção.

4.2 RELAÇÕES DESLOCAMENTO-DEFORMAÇÃO

Veja, na figura a seguir, que a seção apresenta uma rotação total z(x) que é
diferente de dv/dx (Euler).

Fonte: O próprio autor.

A partir de análise equivalente à mostrada na Teoria de Euler-Bernoulli:

 dv 
u ( x)   y *  z ;  agora  z  
 dx 

du dv du dv
x  ; y  ;  xy  
dx dy dy dx

Conforme Bittencourt (2003), no modelo de vigas de Timoshenko, as relações


deslocamento-deformação ficam, agora considerando a distorção xy devido ao
cisalhamento:

 d z ( x) 
  x ( x)    y * 
   dx 
  y ( x)    0 
 ( x)   ( x)  dv( x) 
 xy   z dx 

47

4.3 EQUAÇÕES DE EQUILÍBRIO, EQUAÇÕES CONSTITUTIVAS

A seguir, deduzem-se as expressões da mesma forma que feito na teoria de


Euler.
No regime elástico-linear, a lei de Hooke aprofunda a RELAÇÃO TENSÃO-
DEFORMAÇÃO:

d z ( x)
 x  E *  x  E * y *
dx
Conforme Bittencourt (2003), temos aqui as seguintes RELAÇÕES DE
EQUILÍBRIO:

M ( x)    x * y dA

d z ( x) (diferente em relação a Euler)


M ( x)  EI
dx

Da mesma maneira que feito para o modelo de Euler-Bernoulli:

d 2M
 p ( x) (igual em relação a Euler)
dx 2

d z ( x) e d M 2

M ( x)  E * I *  p ( x) 
dx dx 2

d 3 z ( x)
E*I *  p( x)  0 (diferente em relação a Euler)
dx 3

dM d 2 z ( x)
 Q(x)  Q( x)  E * I * (diferente em relação a Euler)
dx dx 2

Desenvolvendo as equações anteriores, Bittencourt (2003) mostra que


(ATENÇÃO, considerando ainda p(x) positivo para cima):

dv
z  na Teoria de Vigas de Timoshenko
dx

d 2 v( x)  p ( x) d ( x)
2
  z
dx KC * G * A dx

d 2 z ( x) dv
E*I * 2
 K C * G * A *  z ( x)  K C * G * A * 0
dx dx
48

d 4 v( x) E*I d 2 p( x)
E*I *  p ( x )  * 0
dx4 K C * G * A dx2

PARCELA DE PARCELA DE
EULER TIMOSHENKO

Obs: se o carregamento é constante, esta última equação recai em Euler:


d 2 p( x) d 4 v( x)
0  E*I *  p( x)  0
dx 2 dx 4
Nas relações anteriores:
p(x) é o carregamento distribuído na viga, POSITIVO PRA CIMA;
G é o módulo de elasticidade transversal do material;
A é a área da seção transversal; e
Kc é um fator adimensional (às vezes chamado de coeficiente de Timoshenko) de
correção dado pela razão entre a deformação de cisalhamento média e a
deformação real  (Bittencourt (2003)).

Existem algumas bibliografias que mostram o cálculo do coeficiente K c,


entre elas, Gaspar (2012), que deduz valores de Kc para algumas seções
transversais, entre elas:

10 * (1   )
Seção retangular: K C 
12  11*

6 * (1   )
Seção circular: K C 
7  6 *
A partir das equações anteriores (sempre considerando p(x) positivo
para cima):

INTEGRAL

d 3 ( x) d ( x) EI
E * I *cargaz 3  p cortante )  E * Ifletor
M ( xmomento * z z
giro
dx dx

Portanto, momento fletor, cortante e giro são obtidos da mesma forma e


resultam no mesmo valor que na teoria de Euler. Portanto, não iremos usar a teoria
de Timoshenko para calcular momento fletor, cortante e giro, mas somente para
calcular o deslocamento. Para isso, usam-se as equações anteriores e as condições
de contorno do problema.

4.4 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DA TEORIA DE TIMOSHENKO (VIGAS


CURTAS)
49

*************************************************************************************************

EXEMPLO 1:

Resolver a mesma viga do exemplo 2 resolvido no capítulo sobre a teoria de


Euler Bernoulli (vigas longas) para comparação dos resultados de deslocamento,
agora a partir das relações de Timoshenko. Calcular a máxima deformação. A viga é
de aço (E = 210 GPa e  = 0,3) de seção retangular maciça de 5 cm x 5 cm. L = 0,25
m (25 cm) e q = -20 kN/m.

Fonte: Bittencourt (2003).

SOLUÇÃO:

h/L = 5/25 = 0,2 > 0,1 (considerada viga CURTA)  usar a teoria de vigas curtas de
Timoshenko.

- carregamento:

p(x) é constante, p(x) = -20

- condições de contorno:
v(0) = 0
v(0,25) = 0
M(0) = 0
M(0,25) = 0

A idéia é, a partir das condições de contorno, verificar em quais equações


(e/ou suas derivadas e/ou suas integrais) elas se encaixam. No caso, as 2 condições
de momento fletor podem ser aplicadas a:

d z
M z ( x)  E * I *
dx
d (0) d z (0)
M z (0)  E * I * z 0  0
dx dx
d (0,25) d z (0,25)
M z (0,25)  E * I * z 0  0
dx dx
Conforme anteriormente exposto:
50

d 2 v( x)  p ( x) d ( x)
2
  z
dx KC * G * A dx

De acordo com as condições de contorno e relações anteriores e fazendo


q(x) = -20:

d 2 v(0)  p(0) d z (0) 20


2
  
dx KC *G * A dx KC *G * A
d v(0,25)  p(0,25) d z (0,25)
2
20
2
  
dx KC *G * A dx KC *G * A

Relembrando:
d 4 v( x) E*I d 2 p( x)
E*I *  p( x)  * 0
dx4 K C * G * A dx2
Como o carregamento é constante:
2
d p( x) d 4 v( x)
0  E*I *  p( x)  0
dx 2 dx 4
Integrando-se sucessivamente a equação anterior e fazendo q(x) = -20:

d 3v( x)
E*I *  20 x  D1
dx3
d 2 v( x)
E*I * 2
 10 x 2  D1 x  D2
dx
dv( x)
E*I *  3,33x 3  ( D1 / 2) x 2  D2 x  D3
dx
E * I * v( x)  0,83x 4  ( D1 / 6) x3  ( D2 / 2) x 2  D3 x  D4

- constantes de integração:

d 2v(0) 20 20 * E * I 20 * E * I
2
   10 * (0)  D1 * (0)  D2 
2
 D2 
dx KC * G * A KC * G * A KC * G * A

d 2v(0,25) 20 20 * E * I
   10 * (0, 25) 2
 D1 * ( 0, 25)  D2 
dx 2 KC * G * A KC * G * A
20 * E * I 20 * E * I
 10 * (0,25)2  D1 * (0,25)    D1  10 * 0,25  2,5
KC * G * A KC * G * A
As condições de contorno de deslocamento assim se aplicam:

v(0) = 0  E * I * v(0)  0,83 * (0)  ( D1 / 6)(0)  ( D2 / 2) * (0)  D3 * (0)  D4


4 3 2

D4 = 0.
51

v(0,25) = 0 
E * I * v(0,25)  0,83 * (0,25)4  ( D1 / 6)(0,25)3  ( D2 / 2) * (0,25)2  D3 * (0,25)  D4
20 * E * I
E * I * v(0,25)  0,0032  (2,5 / 6)(0,25)3  ( / 2) * (0,25)2  D3 * (0,25)  0
KC * G * A
 0,625 * E * I  1 2,5 * E * I
D3   0,0032  0,0065   *  D3  0,013 
 K C * G * A  0,25 KC * G * A

- equação final do deslocamento:

10 * E * I 2 2,5 * E * I
E * I * v( x)  0,83x 4  0,41x3  x  0,013x  x
KC * G * A KC * G * A
0,83 4 0,41 3 0,013 10 2,5
v( x)   x  x  x x2  x
E*I E*I E*I KC * G * A KC * G * A

PARCELA DE EULER PARCELA DE TIMOSHENKO


(COMPARE COM O EXEMPLO
2 DO CAPÍTULO ANTERIOR)

- o deslocamento máximo:
E = 210000000 kN/m2 e I = 0,0000005208 m4
A = 0,05*0,05 = 0,0025 m2
Coeficiente de Poisson do aço  = 0,3
E
G 7 2
2 * (1  ) = 8,08*10 kN/m
10 * (1  0,3)
para seção retangular K C  = 0,85
12  11* 0,3

v(0,125) = -0,0000101 m = -0,0101 mm


Veja que o valor é próximo do FTOOL, mesmo a viga sendo curta:

Além disso, verifica-se que o valor é maior, obviamente, que o calculado por Euler
(exemplo 2 de Euler = -0,00921 mm).
Gaspar (2012) deduz a equação para a situação genérica deste exemplo
(ATENÇÃO, o carregamento p é positivo para baixo):
52

p
p p

PARCELA DE EULER PARCELA DE TIMOSHENKO


(COMPARE COM A EQUAÇÃO
DO CAPÍTULO ANTERIOR)

*************************************************************************************************

EXEMPLO 2:

Deduza a equação da linha elástica para a situação genérica abaixo, mostrada por
Gaspar (2012) (ATENÇÃO, o carregamento Q é positivo para baixo):

p p

- carregamento:

p(x) é constante

- condições de contorno:
v(0) = 0
(0) = 0
M(L) = 0
Q(L) = 0

Relembrando:

d 3 z ( x)
E*I *  p ( x)  0
dx 3
Integrando sucessivamente:

d 2 ( x)
E*I *  px  C1
dx 2
d ( x) px 2
E*I *   C1 x  C2
dx 2
px 3 x2
E * I * ( x)   C1  C2 x  C3
6 2
53

d 2 ( L)
E*I *  pL  C1  0 C1   pL
Q(L) = 0  dx 2 
p 03 02
E * I * (0)   C1  C2 0  C3 C3  0
(0) = 0  6 2 

M(L)=0  E * I * d ( L)  pL  C L  C  0 C   pL  C L C   pL  pL2
2 2 2

 
1 2 2 1 2
dx 2 2 2

Ficamos com:
px3 pLx2  pL2 
E * I * ( x )      pL2  x
6 2  2 
d  ( x)
2

E*I *  px  pL
dx 2

Para encontrar o deslocamento, pode-se jogar as 2 equações anteriores na


equação a seguir e depois integrar:

d 2 z ( x) dv
E*I * 2
 K C * G * A *  z ( x)  K C * G * A * 0
dx dx
* G * A  px3 pLx2  pL2  
 px  pL  K C
*   
dv
 pL2  x   K C * G * A *  0
E*I  6 2  2   dx
Integrando:
px2 K C * G * A  px4 pLx3 pL2 x 2 
K C * G * A * v( x)    pLx  *     C4
2 E*I  24 6 4 

v(0) = 0  C4 = 0

Portanto:

*  x 2  2 Lx  * x 4  4 Lx3  6 L2 x 2   OK
p p
v( x) 
KC * G * A 24 * E * I

*************************************************************************************************
54

EXERCÍCIO

4.1) Deduza a equação da linha elástica para a situação genérica abaixo


(ATENÇÃO, o carregamento p é positivo para baixo, segundo Fleischfresser (2012)):

p p

*************************************************************************************************

Obs: Em razão da complexidade deste assunto para a graduação e da pouca


necessidade prática, com exceção do exercício anterior, não será cobrado do aluno
nenhuma resolução numérica e muito menos viga que seja necessária a divisão em
trechos. O principal é o aluno entender em que casos (vigas curtas) se deve usar a
Teoria de Timoshenko e qual sua influência (deslocamentos têm uma parcela a mais
em relação à teoria de Euler; dependente de KC, A e G).
55

5 CÁLCULO VARIACIONAL: BASE PARA OS MÉTODOS NUMÉRICOS

Há, atualmente, muitos programas computacionais comerciais de uso


corrente na análise estrutural que utilizam métodos numéricos nas resoluções, em
especial o Método dos Elementos Finitos (MEF). Este está completamente
agregado às atividades do engenheiro, de modo que seu aprendizado é essencial
para que se possa entender e lidar com os programas comerciais disponíveis em
quase todos os escritórios de projetos. O MEF tem origem no Cálculo Variacional e,
por isso, este capítulo introduz o assunto ao aluno de graduação, sem a pretensão
de aprofundar ou esgotar o assunto, mas somente dar bases para o entendimento
posterior do MEF.
Pode-se dizer que o Cálculo Variacional (da palavra variação, no sentido de
derivadas) determina a equação diferencial de um problema físico, real, usando as
chamadas equações de Euler-Lagrange. A equação diferencial encontrada pelo
Cálculo Variacional pode ser resolvida analítica ou numericamente, por meio dos
diversos métodos estudados anteriormente no curso, em disciplinas como Cálculo
Diferencial e Integral e Cálculo Numérico. Para desenvolver o problema, antes,
precisamos estudar (ou relembrar) algum conteúdo do Cálculo Diferencial e
Integral.

5.1 OPERADOR VARIACIONAL

O Cálculo Variacional surgiu para resolver o problema da determinação


da trajetória percorrida em menos tempo (chamado de braquistócrona;
do grego brakhisto - o mais curto - e chronos - tempo) de uma partícula deslizando
sobre uma curva sem atrito. Conforme explicações a seguir, segundo Assan
(2003), o Cálculo Variacional não trabalha com funções, mas FUNCIONAIS. Um
funcional é uma função que depende de outra função, ou seja, é uma função de
uma função. Este ramo do Cálculo estuda os métodos para achar os extremos dos
funcionais.
Imagine, conforme a figura a seguir, uma partícula que cai do ponto 1
para o ponto 2, deslizando sem atrito sobre uma curva y = y(x). Vamos encontrar a
curva y(x) correspondente ao tempo mínimo de queda.

Figura: Problema da Braquistócrona.

Fonte: Alves (2007).

Veja uma animação em <


http://pt.wikipedia.org/wiki/Braquist%C3%B3crona> que mostra que existe uma
curva tal que apresenta o menor tempo de queda, comparada à trajetória pela
“hipotenusa” e à trajetória pelos “catetos”, conforme a figura:
56

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Braquist%C3%B3crona

Num infinitésimo de espaço, podemos aproximar a curva “s” pela


hipotenusa do seguinte triângulo:

Isolando “ds” e dividindo a equação mostrada na figura anterior por dx 2:

Pelo Princípio da Conservação da Energia Mecânica (Cinética +


Potencial), ou seja, a Energia Mecânica é igual em qualquer ponto da trajetória:

Resolvendo a equação anterior no ponto 1, a velocidade de queda pode


ser encontrada:

Podemos calcular o tempo de queda (I) integrando a função tempo:

A velocidade de queda é a variação do espaço no tempo:


57

Substituindo as equações anteriores, o tempo de queda fica:

Na equação anterior, “I” (tempo de queda) é uma função que depende


de outras funções, no caso y(x) e y’(x). Por isso, “I” é a “função de outras funções”,
sendo, portanto, na matemática, chamada de FUNCIONAL. O funcional do
problema da Braquistócrona depende de uma variável independente x, de uma
variável dependente y, e da derivada à primeira de y, isto é, y’.
Genericamente:

O problema ainda não foi solucionado, pois a expressão da função y =


y(x) relacionada ao menor tempo de queda não foi determinada. E esse é
justamente o propósito do cálculo variacional, que consiste em determinar as
funções que extremizam (que levam ao mínimo e máximo) um Funcional. Para o
problema da braquistócrona, o funcional é o tempo de queda e o seu mínimo,
obviamente, é o menor tempo de queda, que será obtido por uma dada trajetória y
que satisfaz essa condição).
Em paralelo, Assan (2003) mostra que:

F F
F  y  y '
y y '

Segundo Assan (2003),  é denominado OPERADOR VARIACIONAL. O


desenvolvimento matemático que segue para extremizar o funcional é mostrado
em Alves (2007) ou em Assan (2003) e leva à equação a seguir, chamada de
EQUAÇÃO DE EULER-LAGRANGE, que exige a condição que y(x) tem que
satisfazer para ser extremizante do funcional:

Obs: veja que, por definição, pode-se derivar um funcional F em relação a uma de
suas funções. Exemplo:
Derivada de função em relação a x (variável): f(x) = x 2  df/dx = 2x
Derivada de funcional em relação a y’ (função): F(y’) = (y’) 2  dF/dy’ = 2y’
Dica: substituir a função por uma letra qualquer e resolver derivando normalmente
como se ela fosse uma variável.

Generalizando ainda mais, para funcionais do tipo:


58

Y  x1 F ( x, y, y' , y' ' , y' ' ' ,..., y n )dx


x2

Assan (2003) cita que a equação de Euler-Lagrange (que extremiza y(x)) é


da forma:

F d  F  d 2  F  d 3  F  n d
n
 F 
    2    3    ...(1)  0
y dx  y'  dx  y' '  dx  y' ' '  dx  y n 
n 

5.2 APLICAÇÃO DO CÁLCULO VARIACIONAL NA OBTENÇÃO DAS


DEFORMAÇÕES DE VIGAS

Para aplicação deste estudo, considere a seguinte viga prismática (eixo reto
e seções transversais constantes):

Conforme Assan (2003) e Alves (2007), o funcional correspondente a esse


problema pode ser deduzido a partir da energia potencial de deformação da viga.
Quando a viga é carregada, sabe-se que o gráfico força versus deslocamento fica:

Classicamente se sabe que o trabalho “U” (energia potencial de deformação)


provocado pela força externa vale a área sob a curva. Então:

1
U Fx
2

Se considerarmos agora a tensão, ou seja, x e x num elemento


infinitesimal no volume:

1
2 V
U  x *  x dV

Considerando e substituindo as expressões a seguir:


59

M N  M N
x  y ; x  x  y
I A E EI AE
1 M N M N  1  M 2 y 2 2MNy N 2 
2 E V  I 2
U    y   * y  dV =    2  dV
2V I A   EI AE  IA A 
1  M 2 y 2 2MNy N 2 
2 E x A  I 2
U    2  dA dx
IA A 

Sabemos ainda que:


 y dA  I
2

 ydA  momento estático (vale zero nas extremidades, onde a tensão normal é máxima)
A

Então:
1  M 2I N 2  1  M 2 N2 
2 E x  I 2 2 x  EI EA 
U   A  dx =    dx
A2 

Para as vigas sem esforço normal “N” e considerando a expressão a seguir:


M  EIv ' '
1
U   EI (v' ' ) 2 dx
2x

O trabalho de uma força externa “P” e de uma força distribuída “q” valem
(força vezes deslocamento):

 força concentrada  P* vP ;  força distribuída   qv dx


x

Para uma viga sujeita a carga distribuída somente, o funcional vale:

2
1 l  d 2v 
Y  0 EI  2  dx  0 qvdx
l

2  dx 

Y  x1 F ( x, y, y' , y' ' , y' ' ' ,..., y n )dx


x2
no caso, Y   F ( x, v, v' , v' ' )dx
x2

x1

EI v' '  qv
1
 F
2

2
A equação de Euler-Lagrange, neste caso, é da forma:

F d  F  d 2  F 
    0
v dx  v'  dx2  v' ' 

Substituindo as derivadas de F, a equação de Euler-Lagrange fica:


60

d2 d 4v
 q  0  2 EIv' '  0
d
ou EI 4  q  0
dx dx dx
A equação anterior é a equação de equilíbrio da viga, já apresentada
anteriormente e deduzida por outras formas, como as relações tensão-deformação
de Euler-Bernoulli.
A solução desta equação diferencial, com a imposição das condições de
contorno relativas ao problema analisado, permite encontrar a função v(x) que
representa a linha elástica da viga. No capítulo sobre TEORIA DE VIGAS DE
EULER isto foi feito.
Quando o problema é representado por equações diferenciais como a
anterior, diz-se que a formulação é a FORMA FORTE da determinação do
fenômeno. Quando o problema é representado por uma integral, como a primeira
equação de Y anterior, que contém a equação diferencial, é chamada FORMA
FRACA.

5.3.1 CONDIÇÕES DE CONTORNO

Conforme resolvida a equação diferencial no capítulo sobre TEORIA DE


VIGAS DE EULER, Assan (2003) destaca os tipos de condições de contorno, cuja
nomenclatura poderá ser necessária posteriormente:

- as condições de contorno geométricas, que precisam ser impostas, como


deslocamento (v(x)) e giro (v’(x)) nulos no engaste ou deslocamento nulo no apoio
fixo, são chamadas CONDIÇÕES DE CONTORNO ESSENCIAIS ou PROBLEMAS
DE VALOR DE CONTORNO DE DIRICHLET.

- as condições de contorno que aparecem na minimização do funcional, como


d 3v ( x ) d 2 v( x)
E*I *  V (força cortante) e E * I *  M (momento fletor), são
dx3 dx2
chamadas CONDIÇÕES DE CONTORNO NATURAIS ou PROBLEMAS DE VALOR
DE CONTORNO DE NEUMANN.

*************************************************************************************************

EXERCÍCIO

5.1) Uma barra de seção transversal constante engastada em uma extremidade e


livre na outra é solicitada por uma carga q axial constante distribuída ao longo do
seu comprimento L (veja figura no final do exercício). O funcional que representa a
energia potencial total para esse problema é dado por (q é positivo para baixo; x
começa no engaste):


EA 2
u ' dx   qudx
l l

0 2 0

A: área da seção transversal;


E: módulo de elasticidade longitudinal do material; e
u(x): função de deslocamentos longitudinais da barra.
61

a) deduzir, a partir do exposto anteriormente, o funcional anterior.


1  M 2 N2 
Iniciar com U =     dx .
2 x  EI EA 
Usar as seguintes conclusões da Resistência dos Materiais:

N L N *L N * dx
   *E   *E  L   dx  du 
A L E*A E*A

b) obter a equação de Euler-Lagrange deste funcional

c) encontrar a função u(x) e desenhá-la (semelhantemente ao que foi feito no


capítulo da Teoria de Vigas de Euler), comparando com a resposta obtida pelo
FTOOL para L = 3 m; q = 1,2 tf/m; E = 205 GPa (aço) e seção transversal 5 x 5 mm
(figura a seguir).

*************************************************************************************************
62

6 MÉTODOS APROXIMADOS PARA A RESOLUÇÃO DE FUNCIONAIS

Conforme Assan (2003), a complexidade do modelo matemático (utilizando


funcionais) que representa o comportamento de muitos problemas de engenharia
levou ao desenvolvimento de métodos aproximados para sua solução. Dentre eles,
os métodos de Rayleigh-Ritz e Galerkin deram origem ao Método dos Elementos
Finitos (MEF) e, por isso, os dois serão introduzidos a seguir, novamente sem a
pretensão de aprofundar ou esgotar o assunto, mas somente dar bases para o
entendimento posterior do MEF pelo aluno de graduação.

6.1 MÉTODO DE RAYLEIGH-RITZ

Neste método, a função y(x) exata que resolve o funcional é substituída por
uma função APROXIMADORA v(x), da forma:

n
y( x)  v( x)   aii ( x)
i 1

As funções i(x) são chamadas FUNÇÕES DE FORMA, são contínuas até a


ordem m-1 (m é a maior ordem de derivada do funcional) e cada uma delas
individualmente satisfazem as condições de contorno essenciais que existirem para
o problema (i(xi)=0). Os coeficientes ai são os PARÂMETROS DE
DESLOCAMENTOS OU PARÂMETROS NODAIS.
Segundo Assan (2003), substituindo y(x) por v(x) no funcional Y e impondo a
condição de estacionariedade (minimizando o funcional):

Y
0 ; i  1,..., n
ai

Obs: Anteriormente usamos a equação de Euler-Lagrange para minimizar o


Funcional Y, envolvendo derivadas de F (que é a função dentro das integrais). Aqui
derivamos o próprio Y.

A idéia para verificar se há convergência em direção à solução exata é ir


aumentando a ordem da função aproximadora (iterações (1) a (n) a seguir)
verificando que o valor do funcional Y vai diminuindo, segundo, portanto, o seguinte
esquema:

v (1)  a1 1
(1) (1)

v ( 2 )  a1 1  a2 2
( 2) ( 2) ( 2) ( 2)

...
v ( n )  a1 1  a2 2  ...  an n
( 2) ( 2) ( 2) ( 2) (n) (n)

Y (1)  Y ( 2)  ...  Y ( n )
63

********************************************************************************************

EXEMPLO (Assan (2003)): Considere a viga a seguir e seu funcional  (nomeclatura


mais comum, ao invés de Y), que caracteriza sua energia potencial total. Obter sua
deformada v(x) por meio do método de Rayleigh-Ritz e, em seguida, seus esforços.

2
1 l  d 2v 
  0 EI  2  dx  0 qvdx
l

2  dx 

Tome-se como primeira aproximação:

v1 ( x)  a0  a1 x  a2 x 2

Aplicando as condições de contorno essenciais e continuando os cálculos


conforme anteriormente exposto:

Deslocamento zero no apoio à esquerda  v1(0)=0  a0 = 0


Deslocamento zero no apoio à direita  v1(l)=0  a1 = -a2l

dv1 d 2 v1
v1 ( x)  a2 ( x 2  lx)  ( x)  2a2 x  a2l  ( x )  2a2
dx dx 2
1  0 2 EIa22 dx  0 qa2 ( x 2  lx) dx
l l

 1 l3 l 3
 4EIa dx  0q( x  lx) dx  0  4 EIa2 l  q    0
l l
0  2

a2
2
3 2 
0

 l3  ql 2
4 EIa2 l    q   0  a2  
 6 24EI
2
ql
v1 ( x)   ( x2  lx)
24EI
ql 2
M 1 ( x)   EIv1 ' '  
12
V1 ( x)   EIv1 ' ' '  0
q 2l 5
1  
288EI
Se não soubéssemos a resposta exata para o problema, deveríamos seguir
aumentando a ordem da aproximação e verificar a convergência. Porém, aqui, para
fins didáticos, conhecemos a resposta exata.
64

O máximo deslocamento é conhecido, da Resistência dos Materiais, e é


diferente do calculado nesta aproximação:

ql 4 5ql 4 ql 4
v1 (l / 2)    y (l / 2)   
96EI 384EI 76,8EI

O momento fletor é conhecido como uma parábola, e não o valor constante


calculado. O cortante é conhecido como linear e não zero.

Tome-se como segunda aproximação:

v2 ( x)  a0  a1 x  a2 x 2  a3 x3

v2(0)=0  a0 = 0
v2(l)=0  a1 = -a2l – a3l2

v1 ( x)  a2 ( x 2  lx)  a3 ( x3  l 2 x)
 2
 0  0 EI (4a2  12a3 x) dx 0 q( x 2  lx) dx  0
l l

a2
 2
 0  0 EI (12a2  36a3 x) dx  0 q( x3  l 2 x) dx  0
l l

a3
ql 2
resolvendo o sistema  a2   e a3  0
24EI
Neste caso, veja que a função aproximadora é a mesma da primeira
aproximação. Então:

q 2l 5
2  
288EI
Tome-se, então, como terceira aproximação:

v3 ( x)  a0  a1 x  a2 x 2  a3 x3  a4 x 4

v3(0)=0  a0 = 0
v3(l)=0  a1 = -a2l – a3l2 – a4l3

v1 ( x)  a2 ( x 2  lx)  a3 ( x3  l 2 x)  a4 ( x 4  l 3 x)
 3
 0  0 EI (4a2  12a3 x  24a4 x 2 ) dx 0 q( x 2  lx) dx  0
l l

a2
 3
 0  0 EI (24a2 x  72a3 x 2  144a4 x3 ) dx 0 q( x3  l 2 x) dx  0
l l

a3
65

 3
 EI (48a x  144a3 x3  288a4 x 4 ) dx  0 q( x 4  l 3 x) dx  0
l l
0  2

a4 0 2

ql q
resolvendo o sistema  a2  0 ; a3   ; a4 
12 EI 24 EI

ql 4   x   x 
4 3
 x 5ql 4
v3 ( x)  2   4   2    v3 (l / 2)   (exato)
48EI   l  l l  384EI
ql 2
M 3 (l / 2)   EIv3 (l / 2)''  (valor exato)
8
ql
V3 (0)   EIv1 (0)' ' '  (valor exato)
2
q 2l 5
3  
240EI
Verifica-se a convergência:

1  2  3

********************************************************************************************

Note-se que podem ser usadas quaisquer funções aproximadoras neste


método, sendo que as mais comuns são as polinomiais e as trigonométricas.
Além disso, a viga pode ser dividida em 2 ou mais trechos, com a
possibilidade de aproximações diferentes para cada trecho. Neste caso, podem ser
usadas condições de compatibilidade de deslocamentos, momentos e cortantes, ou
seja, quando tais variáveis são iguais num ponto comum entre os 2 trechos.

*************************************************************************************************

EXERCÍCIO

6.1) A mesma barra do exercício 5.1, uma barra de seção transversal constante
engastada em uma extremidade e livre na outra é solicitada por uma carga q axial
constante distribuída ao longo do seu comprimento l. O funcional que representa a
energia potencial total para esse problema é dado por:
66

u ' dx  0 qudx
EA 2
l l

0 2

A: área da seção transversal;


E: módulo de elasticidade longitudinal do material; e
u(x): função de deslocamentos longitudinais da barra.

Pede-se encontrar as funções aproximadoras polinomiais do deslocamento, pelo


Método de Rayleigh-Ritz, de grau 2 e de grau 3, comparando a última com a
resposta obtida pelo FTOOL. Verifique a convergência.

*************************************************************************************************
67

6.1 MÉTODO DE GALERKIN

O Método de Galerkin não requer a existência de um funcional, mas utiliza


diretamente a equação diferencial (forma forte) que descreve matematicamente o
problema. Sendo assim, o método usa funções aproximadoras e condições de
contorno para resolver a equação diferencial ou o sistema de equações diferenciais.
Conforme deduções demonstradas em Assan (2003), minimizando o funcional
de um problema e encontrando sua equação diferencial (ED), o esquema de solução
fica:

n
y ( x)  v( x)   aii ( x) (aproximação da mesma forma de Rayleigh-Ritz)
i 1

 ( ED) dx  0
l

0 i com i  1,2,..., n + condições de contorno resolvem o


problema.

Pode-se verificar a convergência da mesma maneira que feito para Rayleigh-Ritz, ou


seja, obtidos os parâmetros nodais, obtêm-se v(x) e suas derivadas (se necessárias
no funcional) e calcula-se o funcional (se for conhecido) para cada aproximação.

********************************************************************************************

EXEMPLO (Assan (2003)): Considere a mesma viga biapoiada sujeita a carga


distribuída do exemplo resolvido no item anterior (Rayleigh-Ritz) e sua equação
diferencial, a seguir. Obtenha sua deformada v(x) por meio do método de Galerkin e,
em seguida, seus esforços.

d 4v
ED  EI 4  q  0
dx
Sendo assim, o que se tem que resolver é:

 ( EIv  q)i dx  0
l

0
IV
com i  1,2,..., n

Assan (2003) propõe, convenientemente, uma função aproximadora em


série trigonométrica:

 x   2x   3x   4x 


v( x)  a1sen   a2 sen   a3 sen   a4 sen 
 l   l   l   l 

A função aproximadora já satisfaz as condições de contorno essenciais, para


quaisquer valores de ai, v(0)=0 e v (l)=0. Derivando-a até a ordem 4:

4   x   2x   3x   4x 


v ( x) 
IV
 a1sen   16a2 sen   81a3 sen   256a4 sen 
l   l   l   l   l 
4

De v(x) temos as seguintes funções:


68

 x   2x   3x   4x 


1 ( x)  sen  ; 2 ( x)  sen  ; 3 ( x)  sen  ; 4 ( x)  sen 
 l   l   l   l 
Então:

 x 
0
l
( EIv IV
 q ) sen dx  0
 l 
 2x 
0 ( EIv  q) sen l dx  0
l IV

 3x 
0 ( EIv  q) sen l dx  0
l IV

 4x 
0 ( EIv  q) sen l dx  0
l IV

Colocando a função vIV(x) exposta anteriormente no sistema anterior, com 4


equações e 4 incógnitas (a1 a a4) e resolvendo-o, chega-se a:

4ql 4 4ql 4
a1  ; a2  0 ; a3  ; a4  0
 5 EI 243 5 EI

A função aproximadora, então, fica:

4ql 4   x  1  3x 
v( x)  sen l   243 sen l 
 5 EI     

Para x=l/2, a flecha é a solução exata:

ql 4 5ql 4 ql 4
v(l / 2)    y (l / 2)   
76,8EI 384EI 76,8EI

Veja, pelo exemplo anterior, que o Método de Galerkin não aceita qualquer
função aproximadora. No caso da estrutura analisada, por exemplo, uma função
polinomial de grau 4 tem 4 coeficientes de forma (a i), mas leva somente a 4 até a
quarta derivada. Então seriam 4 equações, mas somente 1 incógnita, a4, sendo
impossível encontrar a 2 e a3. Por isso Assan (2003) usou, no caso da estrutura
analisada, convenientemente uma função trigonométrica, que leva os 4
coeficientes até a quarta derivada, utilizando as 4 equações para resolver.
69

********************************************************************************************

EXERCÍCIO

6.2) Aplique o Método de Galerkin para resolver, de modo aproximado, a solução da


seguinte equação diferencial (PURA MATEMÁTICA, NESTE CASO, SEM
CORRESPONDÊNCIA FÍSICA REAL):

v' ' ( x)  v' ( x)  x  0


- Imagine um problema real no domínio 0 a 1 com as seguintes condições de
contorno: v(0) = 0 e v(1) = 0.

a) resolva usando a seguinte função aproximadora: v1 ( x)  x(1  x)a1


b) resolva usando a seguinte função aproximadora: v2 ( x)  x(1  x)a1  x (1  x)a2
2

c) Faça uma tabela comparativa em alguns pontos, em relação à solução exata, que
1 1
é: y ( x)  (1  e x )  x 2  x
1  2
2  1
e 
********************************************************************************************
70

7 NOÇÕES SOBRE O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS (MEF)

7.1 INTRODUÇÃO

Até aqui o aluno foi apresentado às noções iniciais do Cálculo Variacional e


de dois Métodos Numéricos para análise estrutural (Rayleigh-Ritz e Galerkin).
Como informado, são conceitos necessários para começar a entender o principal
Método Numérico para análise estrutural, o Método dos Elementos Finitos (MEF).
Até mesmo este último não será aqui estudado completamente, mas apenas será
introduzido aos alunos de graduação. Uma pós-graduação na área de Estruturas é
necessária para o maior aprofundamento dos assuntos aqui descritos.
Foi visto anteriormente que, nos Métodos de Rayleigh-Ritz e Galerkin, nem
sempre é fácil obter funções aproximadoras que satisfazem às condições de
contorno e é preciso considerar sempre funções de ordem superior à anterior para
verificar a convergência, o que torna o cálculo muito trabalhoso.
Segundo Assan (2003), o MEF mais comumente usado é baseado no
Método de Rayleigh-Ritz e prevê a divisão do domínio de integração em um
número finito de pequenas regiões denominadas ELEMENTOS FINITOS. E isto
pode ser feito para elementos lineares, de lâmina e tridimensionais, como mostra a
figura a seguir:

MEF UNIDIMENSIONAL (ESTRUTURAS LINEARES) MEF BIDIMENSIONAL (ESTRUTURAS EM LÂMINA)

MEF TRIDIMENSIONAL (ESTRUTURAS EM BLOCO)

Veja, a partir da figura anterior, que a divisão em elementos é chamada


MALHA DE ELEMENTOS. Os pontos de intersecção da malha formam os NÓS.
71

O objetivo dos Métodos Numéricos, inclusive o MEF, é calcular as


deformações (que levam às tensões) que surgem em qualquer estrutura e material
submetido a ações externas. Portanto, são métodos usados em todas as áreas do
conhecimento, como modelagem de próteses na área de saúde, peças na área de
engenharia mecânica e estruturas de engenharia civil.

7.2 FUNDAMENTOS

Conforme Assan (2003), para cada elemento finito “i” (de 1 a “n”), é montado
um funcional i que, somado ao dos demais, formam o funcional  para todo o
domínio:

n
   i
i 1

Para cada elemento “i”, a função aproximadora (com “m” funções de forma)
fica:

m
v   a j j
j 1

Portanto, o funcional é expresso por:

n
 (a j )    i (a j )
i 1

Como comentado no Método de Rayleigh-Ritz, a condição de


estacionariedade gera um sistema de equações lineares da forma:

n m  i (a j )

i 1 j 1 a j
0

A resolução do sistema dá origem aos valores dos parâmetros nodais (a j),


que podem ser deslocamentos (MEF MODELO DOS DELOCAMENTOS OU
MODELO DA RIGIDEZ), forças internas (MEF MODELO DAS FORÇAS OU
MODELO DAS FLEXIBILIDADES) ou ambos (MEF MISTO), dependendo da
formulação do MEF que se usa.

7.3 DESENVOLVIMENTO DO MEF MODELO DOS DELOCAMENTOS PARA


ELEMENTOS DE VIGA

Considere a viga da figura a seguir, onde se pretende determinar a flecha


(“f”) e a rotação (“”) da extremidade livre.
72

Fonte: Assan (2003).

A partir do Método de Rayleigh-Ritz, com função de aproximação polinomial


cúbica:

v( x)  a1  a2 x  a3 x 2  a4 x3
v(0)=0 (engaste)  a1 = 0
v’(0)=0 (engaste)  a2 = 0
v( x)  a3 x 2  a4 x3

Podemos chamar v(l) = -f e v’(l) = -:

a3l 2  a4l 3   f
2a3l  3a4l 2  

Resolvendo o sistema:

 3f 2f 
a3   e a4  
l l2 l3 l2
 3 f  2 2f   3  2 x3 3x 2   x 2 x3 
v( x)    2 x   3  2 x ou v( x)   3  2  f   2  3 l
l l   l l   l l  l l 

Adotando =x/l:

   
v( )  2 3  3 2 f   2   3 l

Da mesma maneira que no Método de Rayleigh-Ritz, monta-se o funcional,


2
1 l  d 2v 
  0 EI  2  dx  0 qvdx , e deriva-se com relação a f e depois a , iguala-se
l

2  dx 
essas derivadas a zero (estacionariedade) e chega-se a:

ql 4 ql 3
f  (valor exato dado pela R.M.) e  
8EI 6 EI
Com isso, percebe-se que a solução do MEF é quase idêntica ao Método de
Rayleigh-Ritz com função aproximadora de grau 3, a menos de uma transformação
73

das incógnitas ai para as incógnitas de deslocamento do problema (no caso do


exemplo, v=f e v’=).
Generalizando o problema (para ação q distribuída), para o domínio inteiro
(1 elemento finito) antes de aplicar condições de contorno, vamos admitir que a
deflexão e a rotação na extremidade esquerda são v1 e 1 e, na extremidade
direita, são v2 e 2:

v( x)  a1  a2 x  a3 x 2  a4 x3  v( )  1 ( )v1  2 ( )1  3 ( )v2  4 ( )2

Da mesma maneira feita anteriormente, chamando v(0) = v 1, v’(0) = 1, v(l) =


v2, v’(l) = 2, calculam-se a1 a a4 e chega-se à função aproximadora:

v( )  1  3 2  2 3 v1    2 2   3 l1  3 2  2 3 v2   3   2 l2

1 ( )  1  3 2  2 3  2 ( )    2 2   3 l
3 ( )  3 2  2 3  ; 4 ( )   3   2 l

Na forma matricial:

 v1 
 
 
v( )  1 2 3 4  1   v
v2 
 2 
 é a matriz das funções de forma e v é o vetor das componentes dos
deslocamentos nodais ou incógnitas nodais.

Como explicado, monta-se o funcional e deriva-se com relação a v1, 1, v2 e


2, iguala-se essas derivadas a zero (estacionariedade) e chega-se a:

 12 6l  12 6l   v1   1/ 2 
 6l 2    L / 12 
E*I  4l 2
 6l 2l  1   
   qL   kv=r
l 3
 
 12  6l 12  6l v2   1/ 2 
 
 6l 2l 2  6l 4l 2   2   L / 12

Obs: q é negativo para baixo


 12 6 12 6 
 l3 
li2 li3
li2 
 i 
 6 4
 2
6 2 
 l 2
li li li 
Outra forma de explicitar k: k = Ei * I i  i
12 6 12 6
 3  2  
 li li li3 li2 
 6 2 6 4 
 l2  2
 i li li li 
74

Impondo as condições de contorno e resolvendo o sistema, chega-se aos


valores de v e  dos nós sem condições de contorno.
Note que a matriz quadrada anterior, “k”, é simétrica, e é chamada MATRIZ
DE RIGIDEZ. O vetor à direita da igualdade, “r”, é chamado VETOR DE CARGAS
NODAIS EQUIVALENTES e equivale aos esforços de engastamento perfeito
(figura a seguir).

Figura: Viga com esforços de engastamento perfeito.

Fonte: Assan (2003).

Considere agora a viga dividida em vários elementos:

Tomando os mesmos procedimentos, mas agora a partir de uma


aproximação por trecho (elemento), Assan (2003) mostra que o sistema fica:

No esquema mostrado, cada matriz k é a mesma mostrada anteriormente


para cada elemento. E também cada vetor r é o mesmo mostrado anteriormente. E,
veja, há superposição (soma) dos valores. A faixa diagonal da matriz de rigidez é a
chamada BANDA do sistema de equações, sendo a ordem do sistema global da
75

estrutura conhecida como LARGURA DE BANDA. Fora da banda, existem apenas


valores nulos.
ATENÇÃO: este sistema ocorre somente porque a numeração dos nós é
sequencial (1, 2, 3, etc.) acompanhando a numeração dos elementos finitos; se a
numeração não for sequencial (2, 4, 6, 1, etc.), não se pode montar o sistema
segundo o esquema da figura anterior, sendo que a matriz da estrutura global fica
sem uma banda caracterizada. Quando a numeração ocorrer de forma
desordenada, a montagem será explicada posteriormente, dentro deste capítulo.
No caso estudado, o elemento finito (linear) tem 2 nós e 2 graus de
liberdade por nó (f e ). Por isso, o número de graus de liberdade total do elemento
é 4 e é esta a ordem da matriz de rigidez de cada elemento e do vetor de cargas
nodais. A matriz de rigidez GLOBAL da estrutura terá ordem (largura de banda) 2n
(2n x 2n; n = nº de nós).
Veja, pelo resultado do deslocamento e giro apresentado neste item (flexão
de viga), que, com apenas a divisão em 1 elemento, o valor é exato. Não é uma
coincidência, sendo que, para elemento linear submetido a flexão com função
aproximadora grau 3, como explicado, os resultados nodais de deslocamento do
MEF são exatos. Para prova real, compare a matriz de rigidez com os coeficientes
de rigidez deduzidos para o Método dos Deslocamentos (ESTE6) para resolução
de estruturas lineares hiperestáticas e você verá que são valores iguais. É
obrigatório considerar a viga dividida em mais elementos devido a cargas
concentradas e apoios intermediários onde é obrigatória a colocação de um nó. Na
verdade, existe formulação para carga concentrada aplicada num ponto entre 2
nós, mas aqui não será explicitada, para o que se pode estudar em Assan (2003).
Além disso, colocam-se nós nos pontos em que se quer saber o valor do
deslocamento e giro.
O vetor de cargas nodais equivalentes deduzido para caso de viga submetida
a cargas concentradas (força ou momento) é mais simples, só colocando os valores
de Fy ou Mz em cada nó:

 Fy i 
M 
 zi 
Pi =  
 Fy j 
M z j 
 

*Obs1: F é negativo para baixo; M é positivo no sentido anti-horário


*Obs2: as forças nodais não devem ser somadas, devendo ser consideradas
somente uma vez na montagem do vetor de cargas global da estrutura.

O vetor de carga “q” distribuída no elemento deduzido para caso de viga vale:

 1/ 2   qL / 2 
 L / 12   qL2 / 12 
   
Qi  qL  ou seja, Qi   
 1/ 2   qL / 2 
 L / 12  qL2 / 12

*Obs: q positivo para cima


76

*Obs: as forças provenientes das cargas distribuídas devem ser sobrepostas


(somadas) nos nós globais, já que uma vem de um lado e outra de outro.

Obtidos os deslocamentos nodais, para encontrar os valores do cortante V e


do momento M em cada nó de um elemento nós i-j, faz-se:

 Vi   vi 
M   v'  ATENÇÃO: só entra Qi; Pi não entra, mesmo que for
 i  i
  i    Qi
 k * diferente de zero. Isto porque Pi são os próprios
 Vj  vj  esforços nos nós (carga/momento concentrado).
M j  v' j 

Portanto, a montagem do vetor de cargas nodais de cada elemento só é


necessária para Qi. Pi não é necessário pois pode ser montado direto no vetor
global da estrutura.

Para obter as funções dos esforços, segundo a própria resistência dos


materiais, pode-se derivar a função dos deslocamentos (que é de grau 3 no MEF
clássico aqui deduzido) à segunda para obter o momento fletor e à terceira para
obter o cortante. Portanto, a função do momento fica linear e a da cortante um
valor constante. Isso inviabiliza a obtenção dessas funções. A alternativa é sempre
dividir a estrutura em mais elementos, considerando os valores nodais. Ou, mais
recentemente, muitas pesquisas deduzem formulações do MEF usando funções
aproximadoras não polinomiais, o que se chama de MÉTODO DOS ELEMENTOS
FINITOS GENERALIZADOS (MEFG). Nirschl (2005) usa funções aproximadoras
exponenciais (cujas derivadas sucessivas recaem em funções também
exponenciais) para deduzir um MEFG aplicado a cascas.
Cumpre observar que os procedimentos apresentados não permitem a
introdução de rótulas na estrutura. Para esta situação, existem bibliografias que
deduzem outras matrizes de rigidez.

********************************************************************************************

EXEMPLO 1: Considere encontrar os deslocamentos e esforços da viga a seguir,


com a numeração de nós informada.

Atente-se que é uma viga hiperestática e a resolução ocorre normalmente.


Para cada elemento, com comprimento L = 1 m e adotando EI=1 kN*m2, a
matriz de rigidez local fica:
77

 12 6 12 6 
 l3 
li2 li3
li2 
 i   12 6  12 6   12 6  12 6 
 6 4
 2
6 2 
 6  
 l 2
li li li   4 6 2   6 4  6 2 
K  Ei * I i  i  Ei * I i 
12 6 12 6  12  6 12  6  12  6 12  6
 3  2      
 li li li3 li2  2 6 4   6 2 6 4 
 6
 6 2 6 4 
 l2  2
 i li li li 

O próximo passo é montar a matriz de rigidez GLOBAL da estrutura (2n = 2*4)


8 x 8:

 12 6  12 6 0 0 0 0
 6 4 6 2 0 0 0 0 

 12  6 12  12  6  6  12 6 0 0
 
 6 2 66 44 6 2 0 0
KG 
 0 0  12 6 12  12  6  6  12 6 
 
 0 0 6 2 66 44 6 2 
 0 0 0 0  12 6 12  6
 
 0 0 0 0 6 2  6 4 

 12 6  12 6 0 0 0 0
 6 4 6 2 0 0 0 0 

 12  6 24 0  12 6 0 0
 
 6 2 0 8 6 2 0 0
KG 
 0 0  12  6 24 0  12 6 
 
 0 0 6 2 0 8 6 2 
 0 0 0 0  12  6 12  6
 
 0 0 0 0 6 2  6 4 

No nosso exemplo, o vetor de forças Qi, para cada elemento, é (considerando


q negativo pra baixo):

 1/ 2   1/ 2    5 / 2 
 L / 12   1 / 12   5 / 12
     
qL   5 *1  
 1/ 2   1/ 2    5 / 2 
 L / 12  1 / 12  5 / 12 

O vetor de cargas equivalentes global da estrutura fica:


78

 5/ 2 
  5 / 12  1º elemento
 
  5 / 2  5/2 
 
5 / 12  5 / 12
PG    2º elemento
  5 / 2  5/2 
5 / 12  5 / 12
 
 5/ 2  3º elemento
 5 / 12 
 

O sistema a resolver fica:

KG * v  PG

 12 6  12 6 0 0 0 0   v1    5 / 2 
 6 4 6 2 0 0 0 0   v1'   5 / 12

 12  6 24 0  12 6 0 0   v2    5 
     
 6 2 0 8 6 2 0 0  v 2'  0 
*  =  
 0 0  12  6 24 0  12 6   v3    5 
 
 0 0 6 2 0 8  6 2  v3'  0 
 0    
0 0 0  12  6 12  6  v 4    5 / 2 
 
 0 0 0 0 6 2  6 4  v 4'  5 / 12 

Colocam-se as condições de contorno, em termos de deslocamento v e giro


v’, em cada nó. Considerando que os nós 1 e 4 são engastes, portanto, com
deslocamentos e giros nulos (v e v’). Assim, v1 = v1’=v4=v4’=0. O sistema fica:

 12 6  12 6 0 0 0 0   0   5/ 2 
 6 4 6 2 0 0 0 0   0   5 / 12

 12  6 24 0  12 6 0 0   v2    5 
     
 6 2 0 8 6 2 0 0  v 2'  0 
*  =  
 0 0  12  6 24 0  12 6   v3    5 
 
 0 0 6 2 0 8  6 2  v3'  0 
 0    
0 0 0  12  6 12  6  0    5 / 2 
 
 0 0 0 0 6 2  6 4   0   5 / 12 

O sistema então se reduz a (região de k destacada acima):

24*v2-12*v3+6*v3’=-5
8*v2’-6*v3+2*v3’=0
-12*v2-6*v2’+24*v3=-5
6*v2+2*v2’+8*v3’=0
79

Resolvendo o sistema linear (calculadora ou programa visto em Cálculo


Numérico, a seguir):

v2 = -0,833 m
v2’= -0,833 rad
v3 = -0,833 m
v3’ = 0,833 rad

Os valores são bem próximos aos obtidos no software FTOOL (considerado a


solução exata):

Vale destacar a convenção positiva para os esforços e deslocamentos usada


pelo MEF e pela Resistência dos Materiais (R.M.):

*obs: para deslocamento e giro não muda

CONVENÇÃO DO MEF CONVENÇÃO DA R.M.


80

Em resumo, para passar para a convenção de R.M.:

- MOMENTOS: manter o sinal dos momentos calculados via MEF (anti-horário


positivo) e, na hora de desenhar o diagrama, não colocar sinal e desenhar no lado
que está tracionando a barra.

- CORTANTES: trocar o sinal de V2 (V do segundo nó do elemento).

Calculando os esforços nodais, para o elemento 1 (nós 1 e 2):

 V1   12 6  12 6   0    5 / 2 
M   6 4  6 2   0   5 / 12
 1 
  * -  
 V2   12  6 12  6 - 0,833   5 / 2 
M 2   6 
2  6 4  - 0,833  5 / 12 

V1 = -12*(-0,833) + 6*(-0,833) – (-5/2) = 7,5 kN


M1 = -6*(-0,833) + 2*(-0,833) – (-5/12) = 3,75 kN*m
V2 = 12*(-0,833) - 6*(-0,833) – (-5/2) = -2,5 kN (*-1 por causa da convenção = 2,5 tf)
M2 = -6*(-0,833) + 4*(-0,833) – 5/12 = 1,25 kN*m

Para o elemento 2 (nós 2 e 3):

 V2   12 6  12 6  - 0,833   5 / 2 
M   6 4  6 2  - 0,833  5 / 12
 2 
  * -  
 V3   12  6 12  6 - 0,833   5 / 2 
 M 3   6 
2  6 4   0,833   5 / 12 

V2 = 12*(-0,833)+6*(-0,833)-12*(-0,833) + 6*(0,833) – (-5/2) = 2,5 kN


M2 = 6*(-0,833)+4*(-0,833)-6*(-0,833) + 2*(0,833) – (-5/12) = -1,25 kN*m
V3 = -12*(-0,833)-6*(-0,833)+12*(-0,833) - 6*(0,833) – (-5/2) = 2,5 kN (*-1 por causa
da convenção = -2,5 tf)
M3 = 6*(-0,833)+2*(-0,833)-6*(-0,833) + 4*(0,833) – 5/12 = 1,25 kN*m

Para o elemento 3 (nós 3 e 4):

 V3   12 6  12 6  - 0,833   5 / 2 
M   6 4  6 2   0,833   5 / 12
 3 
  * -  
 V4   12  6 12  6  0    5 / 2 
M 4   6 
2  6 4   0   5 / 12 

V3 = 12*(-0,833)+6*0,833 – (-5/2) = -2,5 kN


M3 = 6*(-0,833)+4*0,833 – (-5/12) = -1,25 kN*m
V4 = -12*(-0,833)-6*0,833 – (-5/2) = 7,5 kN (*-1 por causa da convenção = -7,5 tf*m)
M4 = 6*(-0,833)+2*0,833 – 5/12 = -3,75 kN*m
81

Veja que os resultados se aproximam bastante com os diagramas obtidos


pelo FTOOL:

DIAGRAMA DE CORTANTE (kN):

DIAGRAMA DE MOMENTO (kN*m):

Apesar de aqui terem sido comparados os cálculos com relação aos valores
dados pelo software FTOOL (que usa Análise Matricial – Método dos
Deslocamentos – então há pequenas diferenças nos valores), o aluno pode utilizar
o software Analysis (disponível em <http://www.cuylaerts.net/>, acesso em abril de
2017), que usa o Método dos Elementos Finitos. Neste caso, os valores batem com
toda a precisão.

********************************************************************************************

EXEMPLO 2: Considere encontrar os deslocamentos e esforços da viga a seguir,


com a numeração de nós informada.

Para cada elemento, com comprimento L = 1 m e adotando EI=1 tf*m2, a


matriz de rigidez local não muda em relação ao exemplo anterior, pois ela não
depende das cargas. Portanto:
82

 12 6  12 6 0 0 0 0
 6 4 6 2 0 0 0 0 

 12  6 24 0  12 6 0 0
 
 6 2 0 8 6 2 0 0
KG 
 0 0  12  6 24 0  12 6 
 
 0 0 6 2 0 8 6 2 
 0 0 0 0  12  6 12  6
 
 0 0 0 0 6 2  6 4 

O vetor de cargas equivalentes global da estrutura fica (lembrando que, para


carga concentrada, os nós NÃO são sobrepostos e não é necessária a criação dos
vetores locais):

 0 
 0  nó 1
 
 0,4
  nó 2
 0 
PG   
 0,4 nó 3
 0 
 
 0  nó 4
 0 
 

O sistema a resolver fica, já com as mesmas condições de contorno que o


exemplo anterior:

 12 6  12 6 0 0 0 0 0  0 
 6 4 6 2 0 0 0 0   0   0 

 12  6 24 0  12 6 0 0   v 2   0,4
     
 6 2 0 8 6 2 0 0  v 2'  0 
* = 
 0 0  12  6 24 0  12 6   v3   0,4
 
 0 0 6 2 0 8  6 2  v3'  0 
 0    
0 0 0  12  6 12  6  0   0 
 
 0 0 0 0 6 2  6 4   0   0 

Resolvendo o sistema linear (calculadora ou programa visto em Cálculo


Numérico, a seguir):
83

v2 = -0,0667 m
v2’= -0,0667 rad
v3 = -0,0667 m
v3’ = 0,0667 rad

Sendo assim, os valores são bem próximos aos obtidos no software FTOOL:

Para o elemento 1 (nós 1 e 2):

 V1   12 6  12 6   0 
M   6 4  6 2   0 
 1 
   *  (Qi = 0)
V
 2
  12  6 12  6  - 0,0667
M 2   6 
2  6 4  - 0,0667

V1 = -12*(-0,0667) + 6*(-0,0667) = 0,40 tf


M1 = -6*(-0,0667) + 2*(-0,0667) = 0,27 tf*m
V2 = 12*(-0,0667) - 6*(-0,0667) = -0,40 tf (*-1 por causa da convenção = 0,40 tf)
M2 = -6*(-0,0667) + 4*(-0,0667) = 0,13 tf*m

Para o elemento 2 (nós 2 e 3):


84

 V2   12 6  12 6  - 0,0667
M   6 4  6 2  - 0,0667
 2 
  * 
 V3   12  6 12  6 - 0,0667
 M 3   6 
2  6 4   0,0667 

V2 = 12*(-0,0667)+6*(-0,0667)-12*(-0,0667) + 6*(0,0667) = 0 tf
M2 = 6*(-0,0667)+4*(-0,0667)-6*(-0,0667) + 2*(0,0667) = -0,13 tf*m
V3 = -12*(-0,0667)-6*(-0,0667)+12*(-0,0667) - 6*(0,0667) = 0 tf
M3 = 6*(-0,0667)+2*(-0,0667)-6*(-0,0667) + 4*(0,0667) = 0,13 tf*m

Para o elemento 3 (nós 3 e 4):

 V3   12 6  12 6  - 0,0667
M   6 4  6 2   0,0667 
 3 
  * 
 V4   12  6 12  6  0 
M 4   6 
2  6 4   0 

V3 = 12*(-0,0667)+6*(0,0667) = -0,4 tf
M3 = 6*(-0,0667)+4*(0,0667) = -0,13 tf*m
V4 = -12*(-0,0667)-6*(0,0667) = 0,4 tf (*-1 por causa da convenção = -0,4 tf)
M4 = 6*(-0,0667)+2*(0,0667) = -0,27 tf*m

Veja que os resultados batem com os diagramas obtidos pelo FTOOL:

DIAGRAMA DE CORTANTE (tf):

DIAGRAMA DE MOMENTO (tf*m):

********************************************************************************************
85

EXEMPLO 3: Considere encontrar os deslocamentos e esforços da viga a seguir,


com a numeração de nós informada.

Para cada elemento, com comprimento L = 1 m e adotando EI=1 tf*m2, a


matriz de rigidez local não muda em relação ao exemplo anterior, pois ela não
depende das cargas e nem dos apoios, somente do comprimento dos elementos.
Portanto:
 12 6  12 6 0 0 0 0
 6 4 6 2 0 0 0 0 

 12  6 24 0  12 6 0 0
 
 6 2 0 8 6 2 0 0
KG 
 0 0  12  6 24 0  12 6 
 
 0 0 6 2 0 8 6 2 
 0 0 0 0  12  6 12  6
 
 0 0 0 0 6 2  6 4 
O vetor de forças Qi, para cada elemento, é:

ELEMENTO 1: ELEMENTO 2: ELEMENTO 3:

 1/ 2    0,5 / 2    0,25    0,5 / 2    0,25  0 


 L / 12   0,5 / 12  0,0416  0,5 / 12  0,0416 0 
           
ql    =   =   
 1/ 2    0,5 / 2    0,25    0,5 / 2    0,25  0 
 L / 12  0,5 / 12   0,0416   0,5 / 12   0,0416  0 

O vetor de cargas equivalentes global da estrutura fica (lembrando que, para


carga distribuída, os nós são sobrepostos, o que não acontece para carga
concentrada):

  0,25    0,25 
  0,0416   0,0416 1º elemento
   
  0,25  0,25    0,5 
   
0,0416  0,0416  0 
PG   =  2º elemento
  0,25  0    0,25 
 0,0416  0   0,0416 
   
 0  0,4    0,4 
   0  3º elemento
 00   
86

Aqui as condições de contorno são:


v1=0; v’1=0; v3=0

O sistema a resolver fica (destacando a simplificação feita com as condições


de contorno):

 12 6  12 6 0 0 0 0   0    0,25 
 6 4 6 2 0 0 0 0   0   0,0416

 12  6 24 0  12 6 0 0   v 2    0,5 
     
 6 2 0 8 6 2 0 0  v 2'  0 
* = 
 0 0  12  6 24 0  12 6   0    0,25 
 
 0 0 6 2 0 8  6 2  v3'  0,0416 
 0    
0 0 0  12  6 12  6  v 4    0,4 
 
 0 0 0 0 6 2  6 4  v 4'  0 

Resolvendo o sistema linear:

v2 = 0,0083 m
v2’= 0,0292 rad
v3’ = -0,1167 rad
v4 = -0,2500 m
v4’= -0,3167 rad

Sendo assim, os valores são bem próximos aos obtidos no software FTOOL:
87

Nó 2:
Nó 3:
Nó 4:

Para o elemento 1 (nós 1 e 2):

 V1   12 6  12 6   0    0,25 
M   6 4  6 2   0   0,0416
 1 
  * - 
 V2   12  6 12  6 0,0083   0,25 
M 2   6 
2  6 4  0,0292  0,0416 

V1 = -12*(0,0083) + 6*(0,0292) – (-0,25) = 0,325 tf


M1 = -6*(0,0083) + 2*(0,0292) – (-0,0416) = 0,050 tf*m
V2 = 12*(0,0083) - 6*(0,0292) – (-0,25) = 0,174 tf (*-1 por causa da convenção = -0,174
tf)
M2 = -6*(0,0083) + 4*(0,0292) – 0,0416 = 0,0254 tf*m

Para o elemento 2 (nós 2 e 3):

 V2   12 6  12 6   0,0083    0,25 
M   6 4  6 2   0,0292   0,0416
 2 
  * - 
 V3   12  6 12  6  0    0,25 
 M 3   6 
2  6 4  - 0,1167  0,0416 

V2 = 12*(0,0083)+6*(0,0292)-12*(0) + 6*(-0,1167) – (-0,25) = -0,175 tf


M2 = 6*(0,0083)+4*(0,0292)-6*(0) + 2*(-0,1167) – (-0,0416) = -0,025 tf*m
V3 = -12*(0,0083)-6*(0,0292)+12*(0) - 6*(-0,1167) – (-0,25) = 0,675 tf (*-1 por causa
da convenção = -0,675 tf)
M3 = 6*(0,0083)+2*(0,0292)-6*(0) + 4*(-0,1167) – 0,0416 = -0,400 tf*m

Para o elemento 3 (nós 3 e 4):

 V3   12 6  12 6   0 
M   6 4  6 2  - 0,1167
 3 
  * 
 V4   12  6 12  6 - 0,2500
M 4   6 
2  6 4  - 0,3167

V3 = 12*(0)+6*(-0,1167) -12*(-0,25) + 6*(-0,3167) = 0,4 tf


M3 = 6*(0)+4*(-0,1167) -6*(-0,25) + 2*(-0,3167) = 0,4 tf*m
V4 = -12*(0)-6*(-0,1167) +12*(-0,25) - 6*(-0,3167) = -0,4 tf (*-1 por causa da convenção
= 0,4 tf)
M4 = 6*(0)+2*(-0,1167) -6*(-0,25) + 4*(-0,3167) = 0 tf*m

Veja que os resultados são bem próximos aos dos diagramas obtidos pelo
FTOOL:
88

DIAGRAMA DE CORTANTE (tf):

DIAGRAMA DE MOMENTO (tf*m):

********************************************************************************************

EXERCÍCIO 7.1) Calcule os deslocamentos e esforços nodais da viga a seguir, com


a numeração de nós informada, pelo MEF PROCESSO DOS DESLOCAMENTOS.
Fazer um esboço dos diagramas dos esforços (colocar os valores somente dos nós).

A viga será de aço (E = 210 GPa) em perfil W 200 x 46,1 (Ix = 4543 cm4,
segundo tabela do fabricante do perfil).

********************************************************************************************

7.4 ELEMENTO FINITO UNIDIMENSIONAL RETO PARA PÓRTICOS PLANOS

A dedução do elemento finito mostrada até aqui é válida para vigas


horizontais que não tenham esforço normal. Portanto, não é válida para treliças e
pórticos. Porém, a teoria foi mostrada pela facilidade de entendimento didático.
Ademais, a formulação do elemento unidimensional válida para todos os casos
apenas considera a deformação axial a mais na formulação anteriormente estudada,
então tudo será aproveitado. Deverá também ser considerada a inclinação dos
elementos, o que será visto na sequencia.
A partir daqui, vale a seguinte convenção de sinais, para esforços e
deslocamentos nodais:
89

Fonte: Assan (2003).

Portanto, deve-se trocar o sinal de N1 (NORMAL do primeiro nó) a fim de


passar para a convenção de R.M. (tração positiva).

Assan (2003) mostra o desenvolvimento da formulação, seguindo passos


semelhantes aos estudados para o elemento de viga, chegando aos seguintes
resultados:
FUNÇÕES DE FORMA (grau 1 para “u” e grau 3 para “v”):
u( )  1   u1   u2
v( )  1  3 2  2 3 v1    2 2   3 l1  3 2  2 3 v2   3   2 l2

MATRIZ DE RIGIDEZ DO ELEMENTO (6x6):


 EA EA 
 l 0 0  0 0 
l
 12EI 6 EI  12EI 6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 4 EI  6 EI 2 EI 
 0 0 
 l2 l l2 l 
k
 EA EA 
 l 0 0
l
0 0 
  12EI  6 EI 12EI  6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 2 EI  6 EI 4 EI 
 0 0 
 l2 l l2 l 

************************************************************************************************

ROTAÇÃO DO SISTEMA DE COORDENADAS

Conforme Assan (2003), quando existem barras inclinadas (veja figura a


seguir), que formam um pórtico, por exemplo, gera-se a matriz de rigidez local de
cada elemento (k, conforme acima) e rotaciona-se em relação a um sistema de
coordenadas global.
90

Figura: Pórtico com barras inclinadas. Fonte: Adaptado de Assan (2003).

Seja o exemplo da figura anterior, em que:

i é o ângulo entre o sistema global de coordenadas (X,Y) e o sistema local de


coordenadas (x,y de cada elemento);
u e v são as componentes dos deslocamentos nas direções dos eixos x e y locais;
U e V são as componentes dos deslocamentos na direção do eixo X e Y global;

A rotação da matriz considera o vetor de transformação T abaixo aplicado na


equação mostrada no lado direito:

T= kR = TTkT

Em que:
TT é a matriz T (de transformação, deduzida anteriormente) transposta.

************************************************************************************************
91

VETOR DE CARGAS NODAIS EQUIVALENTES DO ELEMENTO

- CARGA DISTRIBUÍDA

Para aplicar o MEF no caso mais geral possível, tomemos uma carga
distribuída vertical variável de p1 a p2, conforme figura a seguir, aplicada num
elemento inclinado  em relação à direção horizontal.

Fonte: O próprio autor.

Obviamente tal carregamento terá uma parcela perpendicular ao elemento e


outra tangente ao mesmo, como visto na figura acima. Assan (2003) deduz o vetor
para carga vertical distribuída na horizontal. Adaptando para carga vertical
distribuída no elemento inclinado, como na figura anterior:

 1 1  
 3  p1  2 p2 lsen  
   
 1
7 p1  3 p2 l cos 
 20 
 1 1 1 2 
  p1  p2 l cos 
10  2 3 
rd     (nos eixos locais do elemento)
 1  1  
 3  2 p1  p2 lsen  
 1 
 3 p1  7 p2 l cos 
 20 
 1 1 1 2 
 10  3 p1  2 p2 l cos 
   

Obs: o sinal negativo é pra indicar que o carregamento está para baixo (nas
deduções anteriores colocamos o sinal somente nos exemplos numéricos). Veja que
o vetor está no eixo LOCAL do elemento. Apenas a carga foi decomposta. Deve-se,
depois, rotacionar o vetor para o eixo GLOBAL, como será visto em sequência.

Para carga uniformemente distribuída (vertical) em elemento horizontal,


p1=p2=q e =0:
92

 0 
 ql 
 2 
 ql 2 
 
rd    12 
 0 
 ql 
 2 
 ql 2 
 
 12 

Obs: o sinal negativo é pra indicar que o carregamento está para baixo (nas
deduções anteriores colocamos o sinal somente nos exemplos numéricos).

Obs2: o vetor acima também vale para carga uniformemente distribuída


perpendicular a um elemento inclinado, da forma:

Para carga uniformemente distribuída (vertical) em elemento vertical, p1=p2=q


e =90º:

 ql 
2
0
 
rd    ql
0
 
2
0
 
 0 

Obs: o sinal negativo é pra indicar que o carregamento está para baixo (nas
deduções anteriores colocamos o sinal somente nos exemplos numéricos).

Obs2: o vetor acima também vale para carga uniformemente distribuída paralela a
um elemento inclinado, da forma:
93

Se o elemento estiver inclinado, para a transformação no sistema de


coordenadas global, use:

rdR = TT *rd

Assan (2003) demonstra, ao aluno que se interessar no aprofundamento dos


estudos, o vetor de cargas nodais equivalentes para um elemento sujeito a variação
de temperatura (somente deformação axial).

- CARGAS CONCENTRADAS NODAIS

Colocam-se as cargas concentradas segundo os eixos globais da estrutura,


diretamente no vetor de cargas nodais global da estrutura.

 Fx1 
F 
 y1 
 M1 
 
 Fx 2 
 F 
vetor global   y 2  (Fx positivo para a direita; Fy positivo para cima; M positivo anti-horário)
M 2 
 Fx 3 
 
 Fy 3 
M 
 3
 ... 

Note que é mais fácil entrar com as cargas CONCENTRADAS já no sistema


de eixos GLOBAL, não necessitando da transformação.

- SISTEMA GLOBAL E ESFORÇOS

Montadas a matriz de rigidez global da estrutura e o vetor de cargas nodais


global da estrutura, serão obtidos os deslocamentos nodais em relação aos eixos
GLOBAIS. Portanto, para encontrar os valores dos esforços em cada nó i-j de um
elemento, faz-se:
94

 Fxi  U i 
F  V 
 yi   i
 M i   i 
   k R *    rdR
 Fxj  U j 
 Fyj  V j 
   
M j   j 

Após, veja que os esforços estão em relação aos eixos globais. E, como
normalmente queremos esforço normal ao elemento, cortante ao elemento e
momento fletor, devemos transformar o normal e o momento para os eixos locais
de cada elemento. Chamando o vetor de esforços global de “E” e o local de “ee”:

ee = T *E

Como o elemento finito tem 2 nós e 3 graus de liberdade por nó, o número
de graus de liberdade total do elemento é 6 e é esta a ordem da matriz de rigidez
de cada elemento e do vetor de cargas nodais. A matriz de rigidez GLOBAL da
estrutura terá largura de banda igual a 3n (3n x 3n; n = nº de nós).

MATRIZ DE RIGIDEZ GLOBAL DA ESTRUTURA

Foi estudado que, caso os elementos sejam numerados em ordem


sequencial crescente, a montagem da matriz de rigidez global da estrutura conduz
ao formato em banda. Essa numeração pode ser facilmente usada em pórticos.
Porém, em treliças, como um nó pode dar origem a mais de um elemento, não é
possível realizar numeração crescente de nós atrelada aos elementos. Sendo
assim, a montagem é feita segundo o esquema a seguir (que vale também para
nós sequenciais, ou seja, é universal).

a) monte a matriz de rigidez local do elemento “e” normalmente:

 EA EA 
 l 0 0  0 0 
l
 12EI 6 EI  12EI 6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 4 EI  6 EI 2 EI 
 0 0 
l2 l l2 l 
k
 EA EA 
 l 0 0
l
0 0 
  12EI  6 EI 12EI  6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 2 EI  6 EI 4 EI 
 0 0 
 l2 l l2 l 

Obs: se houver rotação do sistema, a matriz anterior é a rotacionada.

b) para cada elemento “e” com nós “i-j”


95

A posição de cada elemento da matriz de rigidez local na matriz de rigidez


global da estrutura será dada por:

- para 2 graus de liberdade por nó (vigas, usando o exemplo dos exercícios


anteriores):

2i  1 2i 2 j  1 2 j
2i  1  12 6  12 6 
2i  6 4  6 2 
2 j  1  12  6 12  6
 
2j  6 2 6 4 

Ou seja, o elemento a11 da matriz de um elemento que vai do nó i=3 ao nó i=4 será
o elemento a2i-1,2i-1 (ou a55) da matriz de rigidez global da estrutura. E assim se faz
a correspondência para cada coeficiente “a”.

- para 3 graus de liberdade por nó (exemplo com EI e EA = 1 e l = 1):

3i  2 3i  1 3i 3 j  2 3 j  1 3j
 3i  2  1 0 0 1 0 0 

 3i  1  0 12 6 0  12 6 
 3i  0 6 4 0 6 2 
 
 3 j  2  1 0 0 1 0 0 
 3 j  1  0  12 6 0 12  6
 
 3 j  0 6 2 0 6 4 

Obs: as posições restantes têm valor zero.

VETOR DE FORÇAS GLOBAL DA ESTRUTURA

A posição de cada elemento do vetor de cargas nodais distribuídas local no


vetor de cargas nodais global da estrutura será dada por:

- para 2 graus de liberdade por nó (vigas):


96

   2i  1
   2i
 
 
   2 j  1
   2 j

- para 3 graus de liberdade por nó:

  3i  2
  3i  1
 
  3i
 
   3 j  2
   3 j  1
 
  3 j

Obs: se houver rotação do sistema, os vetores anteriores são os rotacionados.

Cumpre observar que os procedimentos apresentados não permitem a


introdução de rótulas na estrutura. Para esta situação, existem bibliografias que
deduzem outras matrizes de rigidez.

********************************************************************************************

EXEMPLO 5: Calcular os deslocamentos e esforços nodais do pórtico a seguir, com


a numeração de nós informada, pelo MEF PROCESSO DOS DESLOCAMENTOS. O
sistema global é X horizontal e Y vertical. Os eixos locais são x, paralelo ao
elemento, e y, perpendicular. Considere perfil W 200x46,1 de aço, portanto Ix =
4543 cm4 (0,00004543 m4), A = 58,6 cm2 (0,00586 m2) e E = 210 GPa (21000000
tf/m2).

3
2 elemento 2

elemento 3
elemento 1

1 4

- ELEMENTO 1 (nós 1-2):


97

L= 32  2,52 = 3,905 m

 EA EA 
 l 0 0  0 0 
l
 12EI 6 EI  12EI 6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 4 EI  6 EI 2 EI 
=
 0 0 
l2 l l2 l 
k1  
 EA EA 
 l 0 0
l
0 0 
  12EI  6 EI 12EI  6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 2 EI  6 EI 4 EI 
 0 0 
 l2 l l2 l 

1 = atan(3/2,5) = 50,194º (em relação ao sistema global de eixos)

T1= =

kR1 = T1T k1 T1 =

 1 1  
 3  p1  2 p2 lsen  
   
 1
7 p1  3 p2 l cos 
 20 
 1 1 1 2 
  p1  p2 l cos 
10  2 3 
p1q    =
 1  1  
 3  2 p1  p2 lsen  
 1 
 3 p1  7 p2 l cos 
 20 
 1 1 1 2 
 10  3 p1  2 p2 l cos 
   
98

pR1q = T1T p1q =

- ELEMENTO 2 (nós 2-3):

L=4m

 EA EA 
 l 0 0  0 0 
l
 12EI 6 EI  12EI 6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 

=
6 EI 4 EI  6 EI 2 EI 
 0 0 
l2 l l2 l 
k2  
 EA EA 
 l 0 0
l
0 0 
  12EI  6 EI 12EI  6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 2 EI  6 EI 4 EI 
 0 0 
 l2 l l2 l 

kR2 = k2 (elemento já está nos eixos globais)

 0 
 ql 
 2 
 ql 2 
 
p2    12  =
 0 
 ql 
 2 
 ql 2 
 
 12 

pR2 = p2 (elemento já está nos eixos globais)

- ELEMENTO 3 (nós 3-4):

L=3m
99

 EA EA 
 l 0 0  0 0 
l
 12EI 6 EI  12EI 6 EI  =
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 4 EI  6 EI 2 EI 
 0 0 
l2 l l2 l 
k3  
 EA EA 
 l 0 0
l
0 0 
  12EI  6 EI 12EI  6 EI 
 0 0 
 l3 l2 l3 l2 
 6 EI 2 EI  6 EI 4 EI 
 0 0 
 l2 l l2 l 

3 = -90º (em relação sistema global de eixos)

T3= =

kR3 = T3T k3 T3 =

p3   pR3 = T3T p3 =

MONTAGEM DA MATRIZ DE RIGIDEZ GLOBAL DA ESTRUTURA:

A matriz formará a banda, já que os elementos estão ordenados


crescentemente junto com os elementos. Porém, a teoria geral da montagem pode
ser usada. Veja abaixo a posição de cada elemento das matrizes e vetores locais na
respectiva ocorrência global da estrutura:

kR1 (elemento 1  i=1; j=2):

3i  2 3i  1 3i 3 j  2 3 j 1 3j
1 2 3 4 5 6
100

3i  2 1
3i  1 2
3i 3
3j2 4
3 j 1 5
3j 6
pR1

3i  2 1
3i  1 2
3i 3
3j2 4
3 j 1 5
3j 6

kR2 (elemento 2  i=2; j=3):

3i  2 3i  1 3i 3 j  2 3 j  1 3j
4 5 6 7 8 9
3i  2 4
3i  1 5
3i 6
3j2 7
3 j 1 8
3j 9

pR2:

3i  2 4
3i  1 5
3i 6
3j2 7
3 j 1 8
3j 9

kR3 (elemento 3  i=3; j=4):

3i  2 3i  1 3i 3 j  2 3 j 1 3 j
7 8 9 10 11 12
101

3i  2 7
3i  1 8
3i 9
3j2 10
3 j 1 11
3j 12

pR3:

3i  2 7
3i  1 8
3i 9
3j2 10
3 j 1 11
3j 12

O restante das posições da matriz de rigidez global da estrutura é zerada.


Portanto, a matriz de rigidez global da estrutura fica:

k=

E o vetor de cargas nodais equivalentes global da estrutura fica:

 Fx1 
F 
 y1 
M1 
 
 Fx 2  Nessa linha, correspondente a Fx2, soma-se a
 Fy 
 2 carga concentrada de 1,5
M 2 
 
 Fx 3 
 Fy 
 3
M 3 
F 
 x4 
 Fy 4 
M 
p=  4

As condições de contorno (engaste no nó 1 e apoio fixo no nó 2) são (sistema


global eixos):
102

U 1   0 
V   0 
 1  
 1   0 
   
U 2  U 2 
 V2   V2 
   
    
   2   2
U U
 3  3
 V3   V3 
   
 3  3
U 4   0 
   
 V4   0 
 4   4 

O sistema a resolver fica (sem as linhas e colunas 1, 2, 3, 10 e 11, onde 


está zerado):

k=
103

p= =

Resolvendo o sistema, temos (coordenadas globais):

U 2 
V 
 2
 2 
 
 (m e rad) = U 3  =
 V3 
 
3 
 
 4

Compare com a figura a seguir e veja que os valores são parecidos com os
obtidos no software FTOOL:

Nó 2:
Nó 3:
Nó 4:

Tomando os elementos do vetor  para cada elemento, nos eixos globais:


104

Calculando os esforços:

ELEMENTO 1:

- nos eixos globais:


 Fxi 
 Fy 
 i
 M i 
E1=    k R1 * 1  pR1q =
 Fx j 
 Fy j 
 
 M j 

* -

E1 = (os 3 primeiros valores são as reações de apoio no nó 1)

Fonte: O próprio autor usando o FTOOL.

- nos eixos locais:


105

e1 = T1 *E1 =

- trocando os sinais conforme a convenção:

 vezes (1)   Ni 
  V 
    i 
  


 Mi 
 
   Nj 
 vezes (1)   Vj 
   
   M j 
e1 =   = =  

ELEMENTO 2:

- nos eixos globais:


 Fxi 
 Fy 
 i
 M i 
E2=    k R 2 *  2  pR 2 q =
 Fx j 
 Fy j 
 
 M j 

* -

E2 =

- nos eixos locais:


106

e2 = T2 *E2 = (elemento 2 já está nos eixos globais)

- trocando os sinais conforme a convenção:

 vezes (1) 
 
  
  
 
  
 vezes (1) 
 
  
e2 =   =

ELEMENTO 3:

- nos eixos globais:


 Fxi 
 Fy 
 i
 M i 
E3=    k R 3 *  3  pR 3q =
 Fx j 
 Fy j 
 
 M j 

* -

E3 = (os 3 últimos valores são as reações de apoio no nó 3)

- nos eixos locais:


107

e3 = T3 *E3 =

- trocando os sinais conforme a convenção:


 vezes (1) 
 
  
  
 
  
 vezes (1) 
 
  
e3 =   =

Veja, pelos diagramas obtidos no software FTOOL (figuras a seguir), que os


valores ficaram bem próximos.

DIAGRAMA DE NORMAL (tf)

DIAGRAMA DE CORTANTE (tf)


108

DIAGRAMA DE MOMENTO FLETOR (tf*m)

********************************************************************************************
109

EXERCÍCIO 7.2) Montar o esquema de solução dos deslocamentos e esforços do


pórtico a seguir, com a numeração de nós informada, pelo MEF PROCESSO DOS
DESLOCAMENTOS. Os eixos globais são X horizontal e Y vertical. Os eixos locais
são x, paralelo ao elemento, e y, perpendicular.

1 elemento 2 4

elemento 1
elemento 3

2
3

********************************************************************************************

7.6 ELEMENTO FINITO PARA BARRAS DE TRELIÇAS

As treliças são estruturas em painéis triangulares com ligações rotuladas


entre as barras e admitem ações somente nos nós. Silva Neto, Lopes e Lopes
(2007) mostram a matriz de rigidez local de cada elemento de treliça como:

k=

A matriz de rotação de um elemento fica:

T=

O vetor de cargas nodais equivalentes (F), como só terá cargas


concentradas (característica das treliças; e têm que ser somente aplicadas nos
nós), pode ser montado diretamente na forma global da estrutura, referente ao
sistema de coordenadas global.
110

Silva Neto, Lopes e Lopes (2007) afirmam que, uma vez resolvido o sistema
linear do MEF (K*U=F), os esforços normais em cada barra podem ser calculados
segundo a seguinte figura:

Fonte: Silva Neto, Lopes e Lopes (2007)

Veja, na figura anterior, que são usados os deslocamentos referentes ao


sistema local de cada barra.

********************************************************************************************

EXEMPLO 6: Calcular os deslocamentos e esforços nodais da treliça a seguir, com


a numeração de nós informada, pelo MEF PROCESSO DOS DESLOCAMENTOS. O
sistema global de eixos é X horizontal e Y vertical. Os eixos locais são x, paralelo ao
elemento, e y, perpendicular. Considere EA = 1 tf (rigidez baixa, para facilidade
acadêmica, resultando em altos deslocamentos).

2
1
111

- ELEMENTO 1 (nós 1-2):

L= 4m

k1 = =

kR1 = k1 (não rotacionado em relação ao sistema global de eixos)

- ELEMENTO 2 (nós 1-3):

L= 22  22 = 2,828 m

k2 = =

2 = atan(2/2) = 45º (em relação ao sistema global de eixos)

T2= =

kR2 = T2T k2 T2 =

- ELEMENTO 3 (nós 3-2):

L= 22  22 = 2,828 m

k3 = =
112

3 = -atan(2/2) = -45º (em relação ao sistema global de eixos)

T3= =

kR3 = T3T k3 T3 =

MONTAGEM DO SISTEMA GLOBAL DA ESTRUTURA:

A matriz de rigidez NÃO formará a banda, já que os elementos NÃO estão


ordenados crescentemente junto com os elementos. A ordem da matriz é 2 (por nó)
vezes 3 (nós) = 6. Veja abaixo a posição de cada elemento das matrizes e vetores
locais na respectiva ocorrência global da estrutural:

kR1 (elemento 1  i=1; j=2):


2i  1 2i 2 j  1 2 j
1 2 3 4
2i  1 1
2i 2
2 j 1 3
2j 4

kR2 (elemento 2  i=1; j=3):


2i  1 2i 2 j  1 2 j
1 2 5 6
2i  1 1
2i 2
2 j 1 5
2j 6

kR3 (elemento 3  i=3; j=2):


2i  1 2i 2 j  1 2 j
5 6 3 4
2i  1 5
2i 6
2 j 1 3
2j 4
113

O restante das posições da matriz de rigidez global da estrutura é zerada.


Portanto, a matriz de rigidez global da estrutura fica:

k=

E o vetor de cargas nodais equivalentes global da estrutura fica (somente


carga em y, no nó 3, já nos eixos globais):

 Fx1 
 Fy1 
 
 Fx 2
 
 Fy 2
 Fx 3
p=  
 Fy 3
As condições de contorno (apoio fixo no nó 1 e apoio móvel no nó 2) são
(sistema global de eixos):

U 1   0 
V   0 
 1  
U  U 
   2   2
 V2   0 
U 3  U 3 
   
 V3   V3 

Obs: veja que são considerados o deslocamento axial e o deslocamento transversal


como graus de liberdade de cada nó. O giro é suposto na formulação igual a zero, já
que não há flexão.

O sistema a resolver fica (sem as linhas e colunas 1, 2 e 4, onde  está


zerado):

k= =
114

p= =

Resolvendo o sistema, temos (coordenadas globais):

U 2 
 (m e rad) = U 3  =
 
 V3 

Compare com a figura a seguir e veja que os valores são praticamente os


obtidos no software FTOOL:

Nó 1:
Nó 2:
Nó 3:

Tomando os elementos do vetor  para cada elemento, nos eixos globais:

Passando para os eixos locais e calculando os esforços:


115

ELEMENTO 1 (nós 1-2):

 u1 
 
 v1 
u 
 2
 
1local = 1 =  v2  =

EA
fx1   (u1  u 2 ) = 0,75 tf
L
EA
fx2  (u 2  u1 ) = 0,75 tf
L

- ELEMENTO 2 (nós 1-3):

 u1 
 
 v1 
u 
 3
 
2 local = (T2T)-1*2 =  v3  =

EA
fx1   (u1  u3 ) = -1,061 tf
L
EA
fx3  (u3  u1 ) = -1,061 tf
L

- ELEMENTO 3 (nós 3-2):


 u3 
 
 v3 
u 
 2
 
3 local = (T3T)-1*3 =  v2  =

EA
fx3   (u3  u 2 ) = -1,061 tf
L
EA
fx2  (u 2  u3 ) = -1,061 tf
L

Veja, pelo diagrama obtido no software FTOOL (figura a seguir), que os


valores são próximos.
116

DIAGRAMA DE NORMAL (tf)

********************************************************************************************

EXERCÍCIO 7.3) Calcule os deslocamentos e esforços nodais da treliça a seguir,


com a numeração de nós e elementos informada, pelo MEF PROCESSO DOS
DESLOCAMENTOS. O sistema global de eixos é X horizontal e Y vertical. Os eixos
locais são x, paralelo ao elemento, e y, perpendicular. Considere perfil W 200x46,1
de aço, portanto Ix = 4543 cm4 (0,00004543 m4), A = 58,6 cm2 (0,00586 m2) e E =
210 GPa (21000000 tf/m2).

2 elemento 2 3

elemento 1 elemento 4 elemento 3

1 elemento 5 4

********************************************************************************************
117

7.7 GENERALIZAÇÃO DO MEF

O procedimento do MEF para elementos unidimensionais (com


deslocamentos só em y ou em x e y), bidimensionais (com deslocamentos em x e y
ou em x, y e z) e tridimensionais (deslocamentos em x, y e z), conforme a figura a
seguir, é realizado de modo semelhante ao que foi aqui apresentado para vigas,
treliças e pórticos.

unidimensionais bidimensional bidimensional bidimensional tridimensional


viga, treliça, pórtico chapa placa casca bloco

Genericamente, temos:

KV=R

K é a matriz de rigidez;
V é o vetor de incógnitas nodais; e
R é o vetor de cargas nodais equivalentes.

São vários os tipos de elementos e quantidades de nós e graus de liberdade


que podem ser utilizados. Souza (2003) mostra alguns:

Fonte: Souza (2003).

Para cada elemento finito da figura anterior, existe um funcional que será
minimizado e dará origem às equações do MEF. Obviamente este processo se torna
118

trabalhoso matematicamente e poderá ser estudado em cursos de pós-graduação.


Para se ter uma noção, a matriz de rigidez local do elemento terá ordem igual ao
nºde graus de liberdade por nó vezes o número de nós. Então, o elemento de barra
aqui estudado com 2 nós e 2 graus de liberdade por nó (deslocamento e rotação)
tem matriz 4x4. Um elemento hexaédrico com 8 nós e 6 graus de liberdade por nó
(deslocamento em x, y e z, rotação em x, y e z) tem ordem 48x48. E a matriz de
rigidez global da estrutura tem ordem igual ao nº de graus de liberdade por nó vezes
o número total de nós da estrutura. Sendo assim, estruturas grandes com milhares
de elementos (e milhares de nós) têm sistemas lineares da ordem de alguns
milhares para resolver.
Abaixo segue uma figura com algumas malhas de elementos finitos que
podem ser criadas, inclusive combinando tipos diferentes de elementos:
119

A formulação em tensões (MEF MODELO DAS FORÇAS) também poderá


ser estudada em cursos de pós-grafuação.

7.5.1 EXCENTRICIDADE POR CONSIDERAR PLANO MÉDIO

Nas edificações, os elementos estruturais, em geral, não estão, na realidade,


interligados pelos seus planos médios, havendo uma excentricidade entre eles (veja
figura A) a seguir.

Na figura anterior, A) é a construção real de uma laje apoiando em uma viga.


B) mostra o eixo da viga e a superfície média da laje. Na modelagem estrutural,
serão usados o eixo da viga e a superfície média da laje. Porém, veja em B) que há
uma excentricidade entre elas.
Para simplificar a modelagem matemática, a análise às vezes é feita
desconsiderando a excentricidade existente (veja figura C) a seguir), gerando erros.
120

Uma maneira muito usada pelos programas comerciais de análise de


estruturas atualmente é inserir uma ou várias barras de rigidez infinita (barra rígida)
unindo os elementos (figura D) acima). Assim, toda a deformação e esforços são
transferidos de um elemento a outro. Isto pode ocorrer entre elementos lineares,
entre elemento linear e de superfície, conforme mostrado, e entre elementos
tridimensionais. Além disso, esta técnica não é exclusiva do MEF, mas de qualquer
método de cálculo estrutural que se queria utilizar.

7.5.2 CONVERGÊNCIA DO MEF

Para elemento unidimensional, o MEF MODELO DOS DESLOCAMENTOS


com função aproximadora de grau 1 para “u” e de grau 3 para “v” resulta na solução
exata nos nós.
Para elementos bidimensionais e tridimensionais, Assan (2003) comenta
algumas condições para convergência, mas, em geral, nos elementos classicamente
deduzidos nas bibliografias, cita que, aumentando-se o número de elementos finitos
que discretizam a estrutura (diminuindo os domínios locais), a solução tenderá aos
valores exatos. O mais prudente é calcular a estrutura pelo menos 3 vezes (com
malhas cada vez mais refinadas) e verificar se a diferença entre os resultados vai
caindo e convergindo para um valor, que pode ser considerado o exato.

***********************************************************************************************

CONTINUA NA PARTE 2/2