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AVIVAMENTO EM ÉFESO

Texto Base: At. 19:1-41

Introdução: Encontramos cinco avivamentos no Velho Testamento e três no Novo


Testamento – um na Igreja de Jerusalém, outro na Igreja em Antioquia e um na
Igreja em Éfeso. Sobre o avivamento em Éfeso, lemos em Atos 19.1-10: “E sucedeu
que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões
superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes
vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda
ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados
então? E eles disseram: No batismo de João.
Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento,
dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E
os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo
as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes
eram, ao todo, uns doze homens.
E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando
e persuadindo-os acerca do reino de Deus. Mas, como alguns deles se endurecessem
e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles,
e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. E
durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na
Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos”.
Éfeso, localizada no lado oriental do Mar Egeu, hoje Turquia ocidental, foi uma
grande cidade do mundo antigo. Era uma cidade com cerca de 200 mil habitantes.
Pelos nossos padrões de hoje, não é uma cidade tão grande, mas para os padrões
antigos era uma cidade considerável. A população de Éfeso praticamente duplicava
no mês de maio (quase 400 mil pessoas), pois muita gente vinha nesse período para
o que era em Éfeso equivalente aos jogos olímpicos.
Pessoas vinham de todas as partes da província romana da Ásia para assistir ao
evento – não a Ásia como a conhecemos hoje – com China e Índia –, mas a província
romana da Ásia, que corresponde, nos dias de hoje, à Turquia cruzando o Mar Egeu
da Macedônia à atual Grécia.
Um grande centro em Éfeso era o templo de Diana, uma das sete maravilhas do
mundo antigo. Na época em que Paulo veio à cidade de Éfeso, era o maior edifício do
mundo. Era a “casa” da deusa Diana ou Ártemis. Havia dois nomes para ela, que era
uma espécie de deusa da fertilidade, cujo culto era caracterizado por muita
imoralidade. O edifício ficava em um lote de cerca de um hectare. Ao seu redor, havia
127 colunas sustentando-o, cada uma com 6 metros de espessura e 37 de altura.
Na base das colunas, havia figuras em tamanho natural esculpidas. Enfim, era um
templo que comprovava a sua fama de um dos maiores edifícios do mundo. A partir
deste templo, uma grande parte do comércio da cidade fluía. Alguns dos principais
produtos da cidade eram ídolos de prata feitos pelos artesãos do templo.
Bastante lucro se conseguia na cidade de Éfeso por causa da sua deusa reverenciada
em todo o mundo antigo (At 19.24-27). Mas, Éfeso não tinha apenas o templo de
Diana como grande estrutura. De acordo com Atos 19 e as descobertas arqueológicas
modernas, havia ainda na cidade um anfiteatro para cerca de 25 mil pessoas. Foi
nesse anfiteatro que Paulo queria pregar o Evangelho.
Seria a maior multidão para qual ele já teria pregado. Pode-se entender, então,
porque Paulo não fugiu da multidão furiosa. Paulo viu ali uma oportunidade de
pregar o Evangelho para uma multidão a qual nunca tivera a oportunidade de pregar
antes (At 19.23-41).
A cidade de Éfeso, portanto, devido à sua localização no Mar Egeu e sua posição como
cruzamento comercial foi um centro para o comércio, um centro de aprendizagem,
um centro de atletismo e um centro para a religião naquela localidade do mundo.
Depois de três anos e meio de Evangelho naquela cidade sob o apóstolo Paulo, as
coisas em Éfeso começam a mudar consideravelmente. Vejamos a forma como isso
aconteceu.

Evangelho afeta a cultura e a economia

Quando Paulo estava na cidade havia pouco mais de dois anos, os novos cristãos
acenderam um grande fogueira para destruir seus antigos livros de ocultismo e as
parafernálias relacionadas. Eles queimaram todo esse material (Atos 19.19) e Lucas
registra o valor. Lucas gostava de contar coisas. Ele foi o primeiro a registrar a
história da Igreja, e ele viu a importância de manter registros precisos, que incluíam
números.
Ele observa que a quantidade de material que foi queimado custava
aproximadamente 50 mil moedas de prata. Uma moeda de prata equivalia
aproximadamente a um dia de salário de um homem. Não é à toa que esse
acontecimento impactou Éfeso.
E não foi só isso que aconteceu. Uma outra mudança decorrente do impacto do
Evangelho na cidade foi a diminuição do comércio de ídolos. As pessoas que
trabalhavam fazendo os ídolos se reuniam em forma de um sindicato e o seu líder
chamava-se Demétrio. Ele ficou muito chateado com a queda nas vendas de ídolos.
A preponderância dos cristãos na cidade tornou-se tão grande que o mercado de
ídolos estava secando.
Por conseguinte, a cidade estava à beira de sofrer grandes perdas econômicas. Acho
significativo que um dos resultados do impacto do Evangelho sobre essa cidade foi o
fato de que afetou a sua economia. É uma maneira bastante incomum medir o
impacto do Evangelho em uma cidade pela forma como afeta a sua economia, mas
acho-a salutar e intrigante. Quando as pessoas se tornam crentes, seus hábitos de
compra tornam-se diferentes.
Algumas indústrias que apoiavam antes de serem crentes não são mais apoiadas
depois de aceitarem Jesus. Assim, sem qualquer organização de marchas ou piquetes
de greve ou boicote oficial, mas simplesmente como uma questão de desuso, a
economia principal da cidade – a venda de ídolos – passa por um tremendo
sofrimento só porque os cristãos que vivem sob o poder do Evangelho de Jesus Cristo
alteraram o seu padrão de vida. Veja o quanto o Evangelho invadiu a cidade. Paulo
começou com doze pessoas em Éfeso e, em dois anos, toda a Ásia (ver as cidades cujas
igrejas são mencionadas em Apocalipse 2 e 3, e que cercam Éfeso) foi afetada.
Provavelmente, uma população de meio milhão a um milhão de pessoas ouviram o
Evangelho e uma enorme percentagem destes tinha acreditado na mensagem de
Cristo. Doze pessoas! Acredita-se que a comunidade cristã em Éfeso teria sido de 50
mil pessoas.
Foi algo extremamente dinâmico o que aconteceu nesta cidade. Como isso
aconteceu? E isso é um padrão? Estou convencido de que podemos aprender com
todos os fundadores de igrejas no Novo Testamento. O Senhor não necessariamente
nos está a dizer pela Sua Palavra que o mesmo programa de trabalho em Éfeso
devemos colocar em prática aqui. O espírito é único em cada situação. Ao estudar o
Novo Testamento, você encontrará que havia singularidade na fundação de cada
igreja. Assim como havia conversões únicas. Como Lídia, que abriu calmamente a
sua vida ao Senhor. Ela foi o que chamaríamos de uma conversão não-dramática. E
temos Saulo de Tarso, que foi literalmente lançado ao chão devido à natureza
dinâmica do aparecimento do Senhor ressuscitado para ele. E nós, particularmente,
poderíamos contar cada um uma história diferente de conversão, porque Deus
trabalha na individualidade.
Algumas coisas me parecem específicas na fundação da igreja em Éfeso, nesse grande
avivamento que ocorreu naquela cidade, e que nos mostram o tipo de fenômeno que
aconteceu naquela igreja. É diferente da fundação da Igreja em Antioquia, que tinha
começado realmente como resultado de um esforço planejado. Leigos de Chipre e
Fenícia decidiram ir a Antioquia e começaram a compartilhar o Evangelho. Mas, os
resultados da Igreja de Éfeso são furtos de um esforço direto de uma missão – o
apóstolo Paulo – para plantar uma igreja. Quais são os principais ingredientes desse
trabalho?

Ingredientes do caso de Éfeso

Um ingrediente chave para o caso de Éfeso certamente é o ministério do próprio


Paulo, um líder divinamente chamado e ordenado. Olhe para o que aconteceu em
Éfeso e lembre-se que, no tempo que Paulo chegou lá, em torno de 54-55 d.C, Cristo
havia ressuscitou dentre os mortos há mais de duas décadas. Isso significa dizer que
a presença do Evangelho no mundo já tinha pelo menos duas décadas.
No entanto, nada havia acontecido em Éfeso ainda. Mas, dentro de dois anos após o
surgimento de Paulo nessa cidade, uma mudança fundamental ocorreu. Isso sugere
que Deus, nas suas infinitas maneiras de trazer a Igreja à existência, usa a liderança.
Quando olho hoje as igrejas, percebo que as igrejas que estão vivas geralmente são
igrejas onde há pastores vivos. E igrejas que estão mortas ou moribundas são
geralmente igrejas onde seus pastores encontram-se mortos ou moribundos
espiritualmente.
Isso não quer dizer que Paulo era uma pessoa que fazia as coisas por si mesma,
porque ele não fez nada por si mesmo. Ele constantemente trabalhava com uma
equipe de ministério. Mas, há algo no caminho de Deus de fazer as coisas por meio
de indivíduos que têm uma vocação específica dada por Ele para uma tarefa
específica. Paulo escreveria mais tarde aos Efésios, dizendo: “Deus deu à igreja
primeiramente apóstolos”. Esse é o tipo de obreiro que Paulo foi chamado a ser.
Há uma enorme formação por que passa o apóstolo antes de atingir a cidade de Éfeso.
Deus, inclusive, redimiu as características de sua experiência pré-cristã. Por
exemplo, a formação que teve aos pés de um rabino tornou-se útil. Assim como Deus
hoje pode tomar características de nossa experiência pré-cristã e canalizá-las em
experiências positivas para nossa vida cristã.
Quando chega em Éfeso, Paulo já havia experimentado viagens missionárias. Ele já
fizera antes duas grandes viagens fazendo Missões. A velha ideia de que se você
quiser ser usado para o Senhor não precisa se preocupar com formação é colocada de
lado pelo tipo de estratégia que surge no Novo Testamento, onde Jesus intensamente
treina doze pessoas e onde o apóstolo Paulo é intensamente treinado pelo Senhor nas
Escrituras e na experiência prática para a obra para o qual Deus o havia chamado.
Há uma aplicação real e prática, para todos nós, da experiência de Paulo. Ele queria
vir a Éfeso há muito tempo. No início de sua segunda viagem missionária, cinco anos
antes de chegar à cidade, ele queria ir para lá, mas o Espírito Santo disse que não.
Assim, ele não o fez. No final da segunda viagem missionária, ele chegou a Éfeso e
passou algumas semanas ali pregando da sinagoga. Eles queriam que ele ficasse, mas
ele disse que não podia. Paulo percebeu que não estava preparado para o tipo de
exigências que Éfeso colocaria em cima dele.
Ele precisava voltar à sua cidade natal, descansar e começar uma nova onda fresca.
Paulo era uma pessoa que estava confiante de que o Senhor o colocara no lugar certo
e na hora certa. Ele tinha sua vida comprometida com o Senhor. Quem sabe você está
questionando hoje a forma como Deus está levando você. “Senhor, já fechaste tantas
portas para mim. Por que não me falas quando Tu vais abrir as portas?”. Paulo
passou por essa experiência. Ele queria ir a Éfeso, mas o Senhor simplesmente disse
que não, que ele não poderia ir e também não disse para onde ele deveria ir no início
de sua segunda viagem missionária. Tudo isso faz parte da nossa formação, em
obediência ao Senhor. Devemos segui-lo pela fé e não pela vista. O apóstolo Paulo,
como o líder divinamente chamado, é uma pessoa sob disciplina intensa. Se
tivéssemos que reconstruir o seu dia de trabalho, o encontraríamos em Éfeso se
levantando de manhã cedo para trabalhar em suas tendas. Ele ensinou na escola de
Tirano. Um texto diz que ele ensinava a partir de 11h manhã até às 16h. Essa parece
que era a hora da sesta para os cidadãos de Éfeso. A cidade inteira desligava nesse
horário. Mas, Paulo mantinha seus alunos acordados e as pessoas vinham para a
escola. Ele trabalhava na parte da manhã, talvez cinco ou seis horas fazendo tendas,
e em seguida ia para a escola ensinar durante cinco horas. Além disso, quando
avaliou seu ministério diante dos efésios em Atos 20, Paulo lembrou que saía de casa
em casa, com lágrimas e choro, para ensinar-lhes tanto em público quanto de casa
em casa, o que significa que suas noites eram tomadas pelo seu ministério e, em
seguida, provavelmente por volta de 22h ou 23h, ele dormia, só para se levantar e
repetir o ciclo no dia seguinte. Era uma vida disciplinada.
Creio que o grau de satisfação que você sente com o que você está fazendo está
relacionado ao tipo de disciplina que você está enfrentando. Se você está sendo muito
indisciplinado em sua vida – em sua vida espiritual, sobretudo –, a sua imagem de si
mesmo, a sua satisfação consigo mesmo nas coisas reais que você está fazendo, não
vão ser muito boas. A disciplina é uma qualidade que Deus usa para trazer resultados
positivos para nossas vidas e o Seu Reino.
Bem, outra característica a ser ressaltada é que o homem chamado é uma pessoa de
fé. Ele tem a audácia de acreditar que Deus vai fazer um trabalho na cidade e que
Deus o chamou para isso.
Ele é uma pessoa de perseverança. Ele pode dizer em Éfeso que lutou com feras
naquela cidade. Se ele está falando simbolicamente ou literalmente, não sabemos,
mas ele tinha grandes lutas. Havia ameaças contra sua vida. Ele vivia preocupado
com o estado das igrejas, mas em tudo isso ele manteve a sua vocação. Paulo estava
nessa posição de ser capaz de comunicar aos outros porque ele próprio tinha algo
para dar. Você não pode dar aos outros aquilo que você mesmo não tem. Paulo vivia
isso em sua vida.
Mas, outra qualidade, uma outra coisa que acontece na Igreja de Éfeso, é que Deus
não apenas tem alguém divinamente ordenado para ser um catalisador de Sua obra,
mas também há uma sequência, uma ordem, que essa pessoa usada por Deus aplica
no plantio espiritual da igreja naquela cidade. Essa sequência tem três fases.
A primeira coisa que Paulo faz quando chega a Éfeso encontrar discípulos. Lucas
descreve esse encontro. Mas, como você encontra pessoas que são doze discípulos
em uma cidade com população de 200 mil pessoas? Só em um primeiro olhar? Não.
Ele tinha que buscá-los.
Normalmente, sua abordagem era ir à primeira sinagoga que encontrasse, e não
procurar algum discípulo. Então, ele ligava-se primeiro à comunidade judaica a qual
pertencia, posto que era judeu. Mas, aqui em Éfeso, ele procura primeiro por
discípulos, aqueles que já tiveram contato com a mensagem cristã. Como ele os
achou, não sabemos, mas ele encontrou-os primeiro. O que ele queria fazer com esse
grupo é construir em cima do que Deus já havia feito. É assim que Deus trabalha.
Ele leva o apóstolo Paulo a estabelecer ligações com pessoas a quem o Espírito Santo
já tocara. O que Deus está sempre procurando fazer com seu Corpo é levar-nos a
partir do ponto que estamos para o ponto seguinte, para o que Ele quer que sejamos.
Os discípulos em Éfeso tinham avançado bastante em seus próprios caminhos, até
onde poderiam ir, e precisavam agora do ensino de apóstolo para prosseguir.
Paulo pergunta-lhes: “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?”. Quando
eles respondem dizendo que não ouviram falar do Espírito Santo, Paulo
imediatamente percebe que eles realmente ainda não experimentaram sequer o
batismo cristão, porque o batismo cristão era para ser ministrado em nome do Pai,
do Filho e do Espírito.
Eles não tinham ouvido falar do Espírito, e isso significava que eles não conheciam o
ministério de Jesus. Assim, eles foram rebatizados e, após oração, foram cheios do
Espírito Santo. Esses doze, com quem Paulo se encontrou primeiro, eram discípulos.
O discípulo é uma pessoa que basicamente absorve polegadas. Um discípulo é aquele
que está vivendo sob uma disciplina, na sequência de um professor, na sequência de
um mestre. Ele não se sente com nenhuma autoridade para dizer nada de si mesmo
porque ele ou ela ainda está aprendendo.
Quando eles foram cheios do Espírito Santo, como resultado, começaram a falar em
línguas e a profetizar. Falar em línguas sugere-me que o Espírito Santo é a abertura
da avenida de louvor que eles precisam em suas vidas de intercessão. Éfeso era uma
cidade em que o ocultismo reinava.
O Espírito Santo os daria poder para confrontar o ocultismo na cidade de Éfeso. Mas,
também eles profetizaram. Um profeta não é uma pessoa que é tão somente tomada
por ideias sobre o futuro ou que prevê o futuro. Um profeta, à luz da Bíblia, é alguém
que declara a Palavra de Deus. De repente, essas pessoas que tinham sido discípulos
simplesmente estão profetizando. De pessoas que estão sendo embebidas, eles se
tornaram pessoas que foram capazes de dar algo. Assim, houve um avanço no
discipulado.
Esse pequeno grupo em Éfeso se tornou um modelo pelo qual toda a igreja seria
construída. É uma coisa tremenda. O sucesso da igreja em Éfeso é construído em
torno da modelagem de pessoas dentro da igreja. Se a igreja quer ser dinâmica e viva
no Senhor, então ela precisa, como Éfeso precisava, de pessoas em sua base que
perpetuam essa experiência em outros grupos que irão surgir, aumentando a
comunidade de irmãos. Acho que a cidade de Éfeso estava cheia de pequenos grupos
de cristãos em todo o lugar. Eles estavam tendo o mesmo tipo de experiência como
esses doze, sendo mudados de discípulos para profetas. Essa é uma função do Senhor
para nós. Há um tempo para aprender, mas também há um tempo para dar. A junção
desse momento em que você começa a fazer a metamorfose é quando o Espírito é
derramado e você percebe que a vitalidade de Jesus em sua vida é o Espírito quem
traz. É ele que torna possível a comunicação poderosa do Evangelho aos outros. A
primeira coisa que Paulo fez foi encontrar seus discípulos. A segunda coisa foi ir à
sinagoga.
O grande ponto de ligação entre Paulo e a comunidade judaica é que ele era um
rabino. Nas sinagogas do mundo antigo, os rabinos que estavam visitando sempre
tinham o privilégio de falar. Paulo, então, levantou-se e falou. E o texto de Atos nos
informa que, por cerca de três meses, ele falou na sinagoga. O que ele estava falando?
Significativamente o seu tema era o Reino de Deus. Esse é um dos temas centrais do
Antigo Testamento e também se torna um dos temas centrais do Novo Testamento.
Como os judeus em Éfeso entendiam o Reino de Deus? Eles o entendiam em termos
de boa parte do Antigo Testamento: a existência, literalmente, de um Estado político
em Israel presidido por um Rei e com a ajuda de sacerdotes e profetas para
administrar os assuntos do Reino.
Porém, eles eram judeus que já haviam desistido em grande parte desse conceito de
Reino. Lembremo-nos que eram judeus da dispersão e, portanto, se realmente ainda
acreditassem no Reino que estaria sendo restaurado, já teriam voltado a Jerusalém.
Mas, o fato é que, mesmo com as condições políticas do momento permitindo o
regresso de judeus a Jerusalém, eles haviam escolhido permanecerem na cidade onde
estavam. O pensamento deles era: “Não achamos que o Reino virá. Não achamos que
seremos parte disso”. Então, o que Paulo faz? Ele ensina-lhes o Reino como Jesus o
apresentou. Jesus veio e Ele tem toda a autoridade. Mas, Ele não veio expressar essa
autoridade em termos políticos e nacionais. Ao contrário, Ele subiu ao Céu e deixou
uma mensagem única a ser pregada: que Ele tem todo o poder e toda autoridade e
que quer reinar em nossa vida. Essa é a mensagem do Reino que Paulo estava
pregando na sinagoga àquelas pessoas que já estavam agnósticas em relação ao
Reino. Essa mensagem foi tão forte que o apóstolo acabou sendo rejeitado na
sinagoga. Isso o levou a um terceiro lugar: a escola de Tirano ou sala de Tirano. Um
lugar alugado, evidentemente, onde Paulo ensinava cinco horas por dia.
Nessa escola, havia estudantes marcados por duas características: a fome de
aprender e a disposição para implementar de imediato e compartilhar o que tinham
aprendido.

Fome de aprender

Se você considerar o fato de que em Éfeso a hora sexta ia de 11 às 16h, quando as


pessoas normalmente descansavam, é impressionante que, em vez de estar vazia, a
escola de Paulo estava cheia de alunos nesse horário. Não estudantes de 18 a 22 anos
de idade, mas pessoas de todas as idades que simplesmente estavam famintas para
conhecer a verdade.
Normalmente, pensa-se que, depois de chegar a uma certa idade, as pessoas devem
deixar de lado a aprendizagem. Mas, uma característica dos cristãos vibrantes é uma
fome por mais de Deus. A fome de aprender realmente a Sua Palavra, não importa a
idade.
A fome de fazer a Sua vontade. Essa Escola Bíblica em Éfeso era uma escola em que
houve esse tipo de fome – fome por mais de Deus. Uma fome real e vibrante. Acredito
que o que Paulo fez em seguida com os estudantes foi estimulá-los a compartilharem
o que haviam aprendido - “Agora que você esteve nesta escola por um tempo, é hora
de você começar a compartilhar algumas das coisas que você aprendeu”. Paulo
acreditava que as pessoas a quem ele ensinou iriam comunicar o que tinham
aprendido. Paulo operava seu ministério também no âmbito da educação cristã e do
ensino.
Como resultado desses três passos de Paulo (encontrar discípulos, ir à sinagoga e
ensinar sistematicamente a Palavra), toda a Ásia estava ouvindo a Palavra de Deus.

O Sobrenatural Divino em Éfeso

Mas, há ainda mais coisa a dizer a respeito de Éfeso. Falamos sobre Paulo como um
líder chamado por Deus, falamos de três formas estratégicas usadas por ele para
evangelizar a fim de ver a congregação cristã em Éfeso crescer naquela grande
medida, mas uma outra coisa muito importante ocorreu: o impacto do sobrenatural
nessa cidade. Isso é parte de Deus.
Em Atos 19.11, lemos que Deus fazia milagres extraordinários pelas mãos do apóstolo
Paulo. Às vezes, a igreja espera acontecer um milagre para que finalmente o
Evangelho se espalhe. Mas, na igreja de Éfeso não funcionou assim. As pessoas
primeiro vieram ao Senhor, foram instruídas no ensino da Palavra, e em seguida os
milagres vieram como uma espécie de bônus. Creio que a maioria dos cristãos em
Éfeso estava experimentando milagres. Essa parece ser uma inferência lógica diante
do texto bíblico. Não é dito que em Éfeso as pessoas começaram a acreditar no
Evangelho por causa dos milagres, mas que as pessoas passaram a ouvir sobre o
Reino de Deus e a crer nele, a serem ensinados sobre ele e acreditar nele, e então os
milagres começaram a acontecer. Isso não quer dizer que não haja momentos em que
as pessoas realmente vêm à fé em Jesus por causa de um milagre ocorrido. A ênfase
em Éfeso é na obra extraordinária de Deus. É tão extraordinária que Lucas registra
que excepcionalmente lenços e aventais de Paulo eram conduzidos até os doentes,
colocados sobre eles e estes eram curados.
Acho que há muitas razões para isso. Paulo estava tão ocupado ministrando que ele
não tinha tempo para visitar o doente para orar por ele como fazia normalmente. Os
lenços eram pequenas peças usadas para secar o suor na cabeça. O avental era o
revestimento de couro que ele usava quando estava trabalhando na fabricação de
tendas. As pessoas estavam levando as coisas associadas à obra de Paulo, coisas nas
quais estava o seu suor. E se Paulo não poderia ir pessoalmente, elas poderiam ser o
que Oral Roberts chamava de “um ponto de contato”. Assim, as pessoas que estavam
sendo curadas entendiam que o poder que lhes curara era aquele que Paulo pregava:
a autoridade do Senhor Jesus Cristo. Ou seja, os milagres extraordinários em Éfeso
não eram tanto o resultado da fé de Paulo, mas da obra soberana de Deus em
cooperação com a fé dele e daquelas pessoas manifestada naquela cidade.
Também em Éfeso havia exorcismo. Uma das cenas engraçadas da Bíblia está em
Atos 19.13, onde certos exorcistas judeus, sob a liderança de um alto sacerdote por
nome Ceva – os sete filhos de Ceva –, tentaram expulsar alguns espíritos malignos
usando o nome de Jesus. Éfeso era uma cidade onde havia uma forte crença em
encantamentos. Muitos criam que se você declarasse uma determinada expressão,
então as coisas iriam acontecer. Assim, uma vez que essas pessoas acreditavam
nessas coisas, e viam Paulo expulsar demônios no nome de Jesus, acreditaram que
aquela expressão era apenas mais uma expressão mágica e resolveram usar o nome
de Jesus como seu novo amuleto.
Então, um único endemoninhado pulou em cima delas, fazendo com que os sete
irmãos fugissem nus pelas ruas da cidade. Um fato interessante sobre esse exorcismo
está na resposta do demônio aos sete filhos de Ceva: “Sei quem é Jesus, sei quem é
Paulo, mas vós, quem sois?”. No grego, há dois vocábulos diferentes empregados
para se referir ao verbo “conhecer”. Quando o demônio diz “sei quem é Jesus”, o
vocábulo usado carrega a ideia de “Sou bem familiarizado com”. E quando diz “sei
quem é Paulo”, o termo aqui significa “estou familiarizado com”, não transmitindo a
ideia de intimidade. O que é interessante é que Jesus nunca foi a Éfeso, nunca
ministrou fora de Israel. Ele morreu numa cruz em Jerusalém e ressuscitou em
Jerusalém. No entanto, um demônio em Éfeso diz: “Sei quem é Jesus”. Isso mostra a
interligação da comunicação no mundo dos espíritos. “Sei quem é Jesus; e Paulo, que
estava aqui fisicamente, conheço um pouco. Mas, quem são vocês?”. Esse incidente
foi uma grande lição para a comunidade cristã em Éfeso. Como acontece muitas vezes
quando o Evangelho chega a uma nova cultura, algumas pessoas não põem de lado
todas as práticas pré-cristãs, nem todos colocam de lado todos os tipos de hábitos
que tinham antes. Provavelmente, havia em Éfeso alguns cristãos que ainda tinham
alguma “coisa” que gostavam de fazer ligada à cultura ocultista que havia em Éfeso,
mas, depois desse evento, houve um despertamento dentro da igreja nascente ali. Foi
um reavivamento de santidade. A mensagem clara é de que teriam que colocar para
fora de suas vidas tudo o que não é como Jesus.
Foi o que começaram a fazer (At. 19.17-20). O que aprendemos aqui é que, depois de
aceitarmos o Evangelho, ainda devemos nos perguntar a nós mesmos: “Estou
carregando ainda qualquer lixo da minha vida pré-cristã? Estou andando ainda com
alguma coisa que deveria lançar fora a fim de que a minha experiência com o Senhor
seja tão vibrante e real como o Senhor quer que seja?”. Essa ruptura com o ocultismo
é fundamental em Éfeso. Com ela, essa igreja passa a ser uma igreja muito madura.
Vemos isso mais tarde, na Carta de Paulo aos Efésios, que acho que, juntamente com
a Carta aos Romanos, é uma das mais profundas e maduras cartas do Novo
Testamento. A igreja em Éfeso é muito diferente da igreja de Corinto. As Cartas aos
Coríntios não poderiam ter o tipo de peso que a carta de Éfeso revelou. Éfeso havia
avançado mais no Senhor e foram capazes de formar uma grande igreja.

Reavivamento

Estudar os avivamentos nas Sagradas Escrituras resulta em lições de relevância para


a nossa vida e nossa experiência em conjunto, como uma comunidade, como uma
igreja. Como no caso de Éfeso, aprendemos sobre despertamento espiritual com
Jonas, Samuel, Elias, Ezequias, Esdras, Neemias, a Igreja de Jerusalém e a Igreja de
Antioquia.
Com o despertamento de Nínive narrado no Livro do Profeta Jonas, e com o próprio
Jonas, que não entendeu o coração de Deus, aprendemos que um despertamento
começa muitas vezes quando passamos a entender o coração de Deus e a nos
compadecer como Ele. O povo de Deus se compadece. Deus tem compaixão pelas
pessoas e nós devemos ter o mesmo. Qualquer grande avivamento é acompanhado
por uma agitação em nossos corações que se estende à compaixão, e que nos faz
pessoas diferentes, pessoas não egocêntricas. Essa foi a obra de Deus com Jonas. O
reavivamento sob Samuel começou na vida de uma mãe que ansiava
desesperadamente diante de Deus por uma criança.
Ela agiu em obediência, cumprindo a sua promessa, dando, de fato, a criança que lhe
nasceu para servir ao Senhor no Tabernáculo. Assim, vemos que a qualidade do
avivamento está ligada à intensidade do nosso desejo diante de Deus. E aprendemos
também que o Senhor responde às nossas orações e que devemos agir em obediência
em relação ao que temos prometido diante dEle. No reavivamento sob Elias, vemos
o que pode acontecer quando uma pessoa verdadeiramente acredita na Palavra de
Deus e age segundo ela. Elias tinha em suas mãos, evidentemente, apenas um
exemplar do Antigo Testamento só com os cinco livros da Lei, e foi a partir do que
aprendera nele que agiu. Ele viu que Israel se afastara de Deus e que o Senhor, como
consequência, iria reter a chuva, como prometera em Sua Palavra.
Elias inicia seu ministério em pé diante do rei, dizendo: “Não vai chover até eu dizer
quando”. O que ele estava fazendo? Ele estava atuando conforme a antiga Palavra de
Deus, conforme o que dizia a Lei. Ele olhou para as condições e disse: “Deus, o Senhor
disse que esse seria o caso. Agora, vou agir de acordo com a Sua Palavra e é isso que
vai acontecer”. Quando você age segundo a Palavra de Deus, as coisas
inevitavelmente acontecem. E o reavivamento sob Ezequias? Ele derrubou os lugares
altos usados na adoração a deuses pagãos.
Ele era um homem que governava bem uma nação que, em geral, estava
comprometida com o Senhor, mas que nunca foi totalmente fiel em seu
compromisso. Então, sob seu governo, a questão dos altos teve de ser tratada. Esdras
e Neemias não foram parados pelas barreiras que surgiam, mas continuaram
andando, saltando barreiras e avançando através dos bloqueios de estradas rumo ao
desenvolvimento espiritual e ao desenvolvimento de sua nação. E quanto à Igreja de
Jerusalém? Vivia sob a autoridade de Jesus Cristo. Estava absolutamente certa de
que Ele tinha todo o poder e toda autoridade. A partir dessa premissa, pôde se tornar
uma comunidade forte e amorosa. Os cristãos de Jerusalém foram contagiados e
cheios pela verdade.
Jesus disse: “Eu sou a verdade”. Quando você vem a Jesus, não mais procura a
verdade, porque você já a encontrou, porque Ele é a verdade. A verdade fundamental.
Ele é o Senhor. E no reavivamento em Antioquia, vemos uma igreja que cresceu no
amor e na aprendizagem, uma igreja com fome de aprender e pronta para amar. Na
verdade, eles aprendiam a amar e amavam o que aprendiam.
Na igreja em Éfeso, vemos a alegria do trabalho do Espírito Santo. Vemos o
compromisso de obediência à Sua Palavra e a expansão do Evangelho de forma
extraordinária dentro de apenas três anos e meio. Todas essas mensagens desse
avivamento e os princípios nelas contidos são projetados para ajudar-nos a olhar
para a nossa vida espiritual e para a nossa caminhada juntos como uma comunidade
e dizermos: “Reviva-me, Senhor! Reviva a nossa igreja!”. Esse é o nosso grito, Pai
celestial! Reviva-nos!
Que o Espírito do Senhor seja especialmente derramado sobre todos nós, para que
os modelos de avivamento que encontramos no Antigo e no Novo Testamentos, a
revelação escrita de Deus, não se tornem coisas distantes. Que sejamos um povo
purificado, um povo que vive em amor, adoração e obediência, que vive a vontade de
Deus. Que toda nossa vida seja para glória do Senhor e para a expansão de sua
Palavra em nós e na nossa comunidade. Que esta seja a nossa oração sincera, sabendo
que o Senhor nos ouve e atenderá, em nome de Jesus. Amém

1. O impacto foi estratégico (vs. 1-10)


2. O impacto foi sobrenatural (vs. 11-12;13-16)
3. O impacto foi salvífico (vs. 20)
4. O impacto foi transformador (vs. 18-19)
5. O impacto foi econômico (vs. 23-27)
6. O impacto foi permanente (At. 20:18-36)