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5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS DA

BAHIA

PROCESSO Nº 0003399-15.2011.8.05.0106
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTE: COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA –
COELBA
RECORRIDO(A): UILSON PRIMO DA FONSECA
JUIZ PROLATOR: ELDSAMIR DA SILVA MASCARENHAS
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSO INOMINADO. SERVIÇO DE ENERGIA ELÉTRICA.


SUSPENSÃO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO SEM PRÉVIA
NOTIFICAÇÃO. SENTENÇA QUE FIRMOU CONDENAÇÃO
PELOS DANOS MORAIS CONFIGURADOS. MANUTENÇÃO
INTEGRAL DO JULGADO. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO.

Dispensado o relatório nos termos do artigo 46 da Lei n.º 9.099/95.

Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,


saliento que a Recorrente, COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA
BAHIA – COELBA, pretende a reforma da sentença lançada nos autos que, ante à ausência
de prévia notificação acerca da suspensão do serviço de energia elétrica, condenou-a ao
pagamento de indenização por danos morais, no valor de R$ 1.000,00 (hum mil reais), em
favor do Recorrido, UILSON PRIMO DA FONSECA.

Presentes as condições de admissibilidade do recurso, conheço-o,


apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, o qual submeto aos demais
membros desta Egrégia Turma.

VOTO

A sentença recorrida, tendo analisado corretamente todos os aspectos do


litígio, merece confirmação integral, não carecendo, assim, de qualquer reparo ou
complemento dentro dos limites traçados pelas razões recursais, culminando o julgamento do
recurso com a aplicação da regra inserta na parte final do art. 46 da Lei nº 9.099/95, que
exclui a necessidade de emissão de novo conteúdo decisório para a solução da lide, ante a
integração dos próprios e jurídicos fundamentos da sentença guerreada.

A título de ilustração apenas, fomentada pelo amor ao debate e para realçar


o feliz desfecho encontrado para a contenda no primeiro grau, alongo-me na fundamentação
do julgamento, nos seguintes termos:

A Recorrente procedeu à suspensão do serviço público essencial sem


prova da prévia, formal e antecedente comunicação, contrariando, inclusive, o disposto no
art. 6º, parágrafo 3º, da Lei nº 8.987/95 1, sem olvidar ao princípio da informação, consagrado
1
Art. 6º. Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme
estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato.
...
§ 3º. Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência ou após prévio
1
no art. 6º, III, do CDC, e da dignidade da pessoa humana, condutor interpretativo de toda e
qualquer legislação vigente em nosso País, nos termos erigidos pelo legislador constituinte,
dado a importância do serviço, sendo evento ilícito apto por si só a gerar prejuízo de
natureza moral2.

Vale lembrar que a própria Resolução nº 456, da ANEEL, traz a exigência


dessa comunicação3, fixando o prazo mínimo de quinze dias de antecedência para que
possa ocorrer a suspensão do serviço, o que não se verificou in casu. A simples menção da
possibilidade da interrupção do serviço em fatura regular, quando se exige correspondência
específica, com entrega comprovada ao consumidor, não satisfaz a vontade do legislador.

Encontrando previsão no sistema geral de proteção ao consumidor inserto


no art. 6º, inciso VI, do CDC, com recepção no art. 5º, inciso X, da Constituição Federal, e
repercussão no art. 186, do Código Civil, o dano eminentemente moral, sem consequência
patrimonial, não há como ser provado, nem se investiga a respeito do animus do ofensor.
Consistindo em lesão de bem personalíssimo, de caráter subjetivo, satisfaz-se a ordem
jurídica com a demonstração do fato que o ensejou. Ele existe simplesmente pela conduta
ofensiva, sendo dela presumido, tornando prescindível a demonstração do prejuízo concreto.

Com isso, uma vez constatada a conduta lesiva e definida objetivamente


pelo julgador, pela experiência comum, a repercussão negativa na esfera do lesado, surge a
obrigação de reparar o dano moral.

Na situação em análise, a parte recorrida não precisava fazer prova da


ocorrência efetiva dos danos morais decorrentes do evento informado. Os danos dessa
natureza se presumem pela suspensão do serviço sem prévia notificação, não havendo como
negar que, em razão dos fatos, ele sofreu angústia, desconforto e transtornos, tendo a esfera
íntima agredida ante a atividade ilícita da Recorrente.

Quanto ao valor da indenização, entendo que, não se distanciando muito


das lições jurisprudenciais, deve ser prestigiado o arbitramento do juiz de primeiro grau que,
próximo dos fatos, pautado pelo bom senso e atentando para o binômio razoabilidade e
proporcionalidade, respeita o caráter compensatório e inibitório-punitivo da indenização, que
dever trazer reparação indireta ao sofrimento do ofendido e incutir temor no ofensor para que
aviso, quando:
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações;
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.

2
- ENERGIA ELÉTRICA - INDENIZAÇÃODANO MORAL - DÍVIDA PAGA - CORTE INDEVIDO - Argumento de que o
cancelamento da conta original implicou na pendência no sistema da conta substituta é inadmissível, pois efetuado o pagamento no
vencimento não há que se cogitar de pendência. Falha da fornecedora reforçada porque, mesmo após apresentada a fatura quitada,
manteve em aberto no sistema, bem como efetuou o corte. Impossibilidade de impor ao usuário culpa pelo corte imotivado, diante
da negligência da concessionária quanto aos registros. Dever de indenizar pela supressão de bem essencial à dignidade da vida
humana, inclusive acarretando constrangimento e privação do bem estar. Redução da indenização diante da razoabilidade e
proporcionalidade. Apelo parcialmente provido. (TJSP - Ap 992.05.066254-5 - Jaboticabal - 35ª CDPriv. - Rel. José Malerbi - DJe
19.08.2011 - p. 1302)
– Pode a empresa concessionária suspender o fornecimento de energia elétrica em face de atraso no pagamento de conta
pelo usuário, porém deve fazê-lo mediante prévia comunicação do corte, nos termos do art. 6º, parágrafo 3º, da Lei nº 8.987/95,
sujeitando-se, outrossim, pela irregular descontinuidade de serviço público essencial, a ressarcir o prejudicado pelos danos
materiais e morais daí advindos. (2ª Seção, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 27.08.2001) - (STJ – RESP 285262 – MG – 4ª T. –
Rel. Min. Aldir Passarinho Junior – DJU 17.02.2003)
3
Art. 91. A concessionária poderá suspender o fornecimento, após prévia comunicação formal ao consumidor, nas seguintes
situações:
I - atraso no pagamento da fatura relativa a prestação do serviço público de energia elétrica;
...
§ 1º A comunicação deverá ser por escrito, específica e com entrega comprovada de forma individual ou impressa em
destaque na própria fatura, observados os prazos mínimos de antecedência a seguir fixados:
a) 15 (quinze) dias para os casos previstos nos incisos I, II, III, IV e V;
...
2
não dê mais causa a eventos semelhantes.

In casu, entendo que o MM. Juiz a quo respeitou as balizas assinaladas,


tendo fixado indenização em valor adequado aos fatos, não caracterizando, assim,
enriquecimento sem causa da parte recorrida, nem ocasionando abalo financeiro à
Recorrente face ao seu potencial econômico, valendo lembrar que esta Turma Recursal já
apreciou inúmeros recursos onde a Recorrente respondeu por atuação defeituosa da espécie,
o que realça os traços de negligência no desenvolvimento de sua atividade econômica e o
pouco caso em alterar suas práticas comerciais, sendo, portanto, necessária a admoestação
compatível com a situação apurada para que não persista nos comportamentos desrespeitosos
aos consumidores.

Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER e


NEGAR PROVIMENTO ao interposto pela Recorrente COELBA – COMPANHIA DE
ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA, para confirmar todos os demais termos da
sentença hostilizada, condenando-a ao pagamento das custas processuais e honorários
advocatícios que arbitro em 20% (vinte por cento) do valor da condenação pecuniária
imposta.

Salvador, Sala das Sessões, 30 de junho de 2015.

Rosalvo Augusto Vieira da Silva


Juiz Relator

COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS


TURMAS RECURSAIS CÍVEIS E CRIMINAIS

PROCESSO Nº 0003399-15.2011.8.05.0106
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTE: COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA –
COELBA
RECORRIDO(A): UILSON PRIMO DA FONSECA
JUIZ PROLATOR: ELDSAMIR DA SILVA MASCARENHAS
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSO INOMINADO. SERVIÇO DE ENERGIA ELÉTRICA.


SUSPENSÃO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO SEM PRÉVIA
NOTIFICAÇÃO. SENTENÇA QUE FIRMOU CONDENAÇÃO
PELOS DANOS MORAIS CONFIGURADOS. MANUTENÇÃO
INTEGRAL DO JULGADO. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO.

ACÓRDÃO

Realizado julgamento do Recurso do processo acima epigrafado, a


QUINTA TURMA, composta dos Juízes de Direito, WALTER AMÉRICO CALDAS,
EDSON PEREIRA FILHO e ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA decidiu, à
unanimidade de votos, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao interposto pela
Recorrente COELBA – COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA
3
BAHIA, para confirmar todos os demais termos da sentença hostilizada, condenando-a
ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que arbitro em 20%
(vinte por cento) do valor da condenação pecuniária imposta.

Salvador, Sala das Sessões, 30 de junho de 2015.

JUIZ WALTER AMÉRICO CALDAS


Presidente

JUIZ ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA


Relator