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Copyright © Editora Ferreira Ltda., 2011

1. ed.2011

Apresenta9ão
Capa
Bruno Barrozo Luciano

Diagramação
Bruno Barrozo Luciano

Revisão
Taynée Mendes A cada ano que passa, mais candidatos se inscrevem em pro-
cessos seletivos para cargos públicos e, em todos os casos, a angústia
é uma só: como será a avaliação dos textos dissertativos? Geralmente,
as provas mais concorridas são compostas de questões ou temas
complexos a serem desenvolvidos de maneira dissertativa - ora com
enfoque mais expositivo, ora mais argumentativo -,exigindo domí-
nio do conteúdo, excelente organização textual e uso adequado do
CIP-BRASIL, CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
vernáculo. Porém, a solução para desenvolver um texto que se encaixe
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVRO S, RJ .
nos padrões esperados pelas Bancas é sempre difícil equacionar.
R249 Este livro vem propor um caminho exatamente para aqueles
Redação de textos dissertativos :concurso & discurso I [organização Luiz Ricard o Leitão]. que precisam se preparar para esses certames, mas ainda não conse-
Rio de Janeiro : Ed. Ferreira, 2011. guiram desvendar certos detalhes terminológicos, nem compreender
232p. (Provas discursivas - Cespe-UNB)
as exigências de algumas Bancas. Composto de três partes temáticas
ISBN 978-85-08-7842-175-5
c um apêndice- no qual há uma coletânea de provas-, cada capí-
1. Língua portuguesa- Composição e exercícios- Estudo e ensino. 2. Redação - Técni ca I. tulo desta obra esclarece uma dúvida para os postulantes aos mais
Leitão, Luiz Ricardo, 1960-. 11. Série.
variados cargos. A vasta experiência dos autores, coroada em anos de
11 -0354. CDD: 469.8 magistério nos mais renomados cursos preparatórios e conceituadas
CDU: 811.134.3'27 instituições de ensino, como o Colégio Pedro II e a UERJ, credencia
a obra e garante uma leitura agradável e objetiva.
18.01.11 21.01.11 024014
A primeira parte situa os candidatos nas especificidades dos
Editora Ferreira
concursos públicos, principalmente os que se caracterizam pelo ex-
contato@editoraferreira.com.br 1remo rigor na correção, explicando desde os itens mais recorrentes
www.editoraferreira.com.br nos cd itais até as grades de correção. Essas informações, embora
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS- É proibida a reprodução total ou pa rcça rn um tanto burocráticas em um livro focado na produção
parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor l<.:x lual, antecipam para o leitor o universo por vezes lacônico dos
(Lei n° 9.61 0/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.
concursos. Dúvidas das mais triviais, como o uso de letra de forma e a
Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto n° 1.825, di si ribu ição dos pontos nos itens da grade de correção, são dirimidas
de 20 de dezembro de 1907. por meio de ex pl icações detalhadas, seguidas de exemplos bastante

lmprcs~ o no Bras il/Printed in Brazil


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didáticos. Certamente, muitos candidatos respirarão aliviados após
ler esses capítulos iniciais.
A segunda parte do livro aborda tópicos mais gramaticais que
Introdu9ão
devem ser observados pelos candidatos, ao redigir não apenas os
textos solicitados nas provas, mas qualquer outro texto, nas diversas
situações interacionais nas quais se exija domínio do chamado padrão
culto da língua. Esses aspectos microestruturais são complementados
na terceira parte, facada na macroestrutura textual, onde questões
referentes à organização das tipologias mais frequentes nas provas são
Um mundo em transformação
abordadas. A todo momento, os autores ilustram seus comentários Ao longo da última década (2001-2010), os concursos para
com exemplos de questões e provas, ressaltando um ou outro detalhe admissão de novos servidores nas principais empresas e instituições
que mereça atenção do leitor. públicas brasileiras assumiram uma dimensão extraordinária na
Esta é, portanto, uma obra a ser lida com atenção por aqueles agenda nacional. Distintos fatores contribuíram para esse fenômeno,
que se dedicam a horas intermináveis de estudo, muitas vezes sem desde o flagrante esgotamento do projeto neoliberal disseminado
saber por onde começar e com o receio de não conseguir sequer a partir dos anos 80 até o recente ciclo de expansão econômica do
uma pontuação mínima para continuar lutando pela tão sonhada Brasil e de outros países em desenvolvimento do Terceiro Mundo.
vaga. Seria ótimo se bastassem os anos de escolaridade regular para Nossa progressiva emersão no cenário global se fez acompanhar de
que qualquer pessoa se sentisse segura para enfrentar o desafio dos uma ampla revisão do papel reservado ao Estado como instrumento
concursos públicos, mas sabemos que isso não acontece. E é por isso privilegiado de fomento à atividade produtiva e de promoção de
que este livro dos professores Luiz Ricardo Leitão, Manuel Ferreira políticas públicas aptas a satisfazer as mais prementes n ecessidades
da Costa e Manoel de Carvalho Almeida vem preencher uma lacuna materiais e espirituais da nossa população.
no mercado editorial brasileiro. O quadro vivenciado nos últimos anos era quase incon-
cebível ao final do século XX, quando os efeitos da globalização
neoliberal se faziam sentir de forma ainda mais perversa na
Profa Dra Leonor Werneck dos Santos (UFRJ) América Latina. Os principais postulados do famoso Consenso
de Washington (ou seja, a defesa do 'Estado mínimo', a privatiza-
ção das empresas estatais, o livre fluxo de capitais estrangeiros
e a plena abertura comercial) haviam sido cumpridos à risca por
diversos governos e os índices de desemprego vieram a atingir
níveis preocupantes em boa parte dos países da região. Por outro
lado, o "mundo do trabalho" também padecia graves sequelas em
função dos processos de reengenharia administrativa que, em
nome da 'gestão de qualidade', predicaram a redução de tempo e de
custos no setor produtivo e de serviços. O crescente "desemprego
es trutural" patrocinado pela globalização constituía, desde o início
d a d éca d a de 90, um fator d ecisivo para a enorme atração que o

IV v
serviço público já exercia então sobre profissionais ansiosos por Múltipla escolha x provas discursivas: rea9ões
estabilidade e satisfatória remuneração. à crise da educa9ão brasileira
Embora o senso comum nos sugerisse que essa nova etapa "bioci-
bernética" da vida pós-moderna terminaria por proclamar a irrelevância Esses números citados não são casuais. Os investimentos do
do trabalho humano, reduzindo assim a exigência por mão de obra Estado na área da Educação têm sido pífios, com cifras bem abaixo da-
qualificada e dotada de grande competência linguística, esse prognóstico quelas reivindicadas pelos especialistas e educadores. No auge do regime
jamais se confirmou. Ao contrário do que muitas pessoas supunham, militar, durante o célebre período do "milagre econômico" (1968-1973),
a era da informática não significou a morte da palavra escrita: mesmo em que o PIB brasileiro cresceu a uma taxa média superior a 10% ao
que a comunicação digital requeira certas habilidades não verbais que ano, o orçamento do MEC jamais superou a casa dos 3% das receitas
as gerações mais antigas ignoram, a capacidade de ler e escrever com da União. As graves carências da área só vieram a ser mais seriamente
desenvoltura e criatividade é um requisito cada vez mais imprescindível discutidas no limiar do século XXI, mas, mesmo assim, ao final da era
a quem pretende ingressar no mercado de trabalho. Interpretar e/ou Lula, em 2009, o índice registrado era de apenas 5% (oficialmente o maior
produzir documentos dentro da mais diversa gama de tipos e gêneros na história do país!). Os baixos salários dos professores e as péssimas
textuais continua a ser uma tarefa essencial em meio às vertiginosas condições de infraestrutura da rede pública de ensino fundamental
transformações que o mundo do trabalho vivenda - inclusive para o c médio implicaram não só o desprestígio da carreira docente, como
emprego mais eficaz e ágil dos múltiplos recursos da era digital. também a virtual falência do sistema escolar formal, incapaz de ensejar
a milhões de crianças e adolescentes de Norte a Sul do país um domínio
No Brasil, a exigência de melhoria dos níveis educacionais
elementar das habilidades de leitura e escrita, requisitos fundamentais
tornou-se um tema de inequívoca relevância para a sociedade. No
para a cidadania em qualquer parte do planeta.
decurso da última eleição presidencial, pesquisas de opinião indi-
cavam que, para boa parte dos eleitores, o pleito por um ensino de A luta pela superação dessa verdadeira tragédia social não é de
qualidade era, quase sempre, uma questão prioritária para o novo hoje - e a exigência de aplicação das provas discursivas nos processos
mandatário da República. Não há por que admirar-se: embora seja a seletivos para ingresso nos centros de ensino superior, assim como nas
maior potência econômica da América Latina e seu PIB tenha cres- empresas e órgãos públicos, tampouco é iniciativa restrita ao novo
cido mais de 7% em 2010, o país ocupa apenas o 73° lugar no Índice século. Após a ditadura, já no final dos anos 80, insatisfeitas com os
de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, posição esta que seria péssimos resultados dos alunos selecionados pelo sistema de múltipla
ainda pior se a avaliação do órgão considerasse os indicadores de escolha vigente na "indústria do vestibular", autoridades universi-
distribuição de renda, saúde e educação.1 tá rias, como o Professor Horácio Macedo (então Reitor da UFRJ),
decidiram alterar a fórmula dos exames, desdobrando-os em duas
etapas - uma objetiva e outra discursiva -,processo adotado até os
d ias atuais. Por outro lado, com a difusão de novas teorias linguísticas
1. No 20° Relatório do Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado em
nos meios acadêmicos, a concepção do ensino de Língua Portuguesa
novembro de 2010, o Brasil obteve nota 0,699, ao passo que a Noruega, 1' colocada entre
sofreu profundas reformulações: apesar de não estar isento de falhas e
os 169 participantes da lista, registrou índice de 0,938 (quanto mais próximo de 1, maior
distorções, o aprendizado do idioma materno deixou de restringir-se
o desenvolvimento humano do país). Se a avaliação contabilizasse os fatores mencionados
(distribuição de renda, educação e saúde), o IDH brasileiro perderia 27,2%, sobretudo por
à mera assimilação das rigorosas prescrições gramaticais dos autores
ca usa de nossa baixa taxa de escolarização (7,2 anos de estudo, em média!), similar à de nações
no rm ativos, exigindo dos estudan tes c professores! -maior atenção
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aos di versos meca ni smos de conHinka~· ao c produção textua l.

v1 VI I
Embora esse processo tenha sido deflagrado ao revés, ou seja, domínio dos estudos linguísticos. Contando, o mais das vezes, com
t•xpcrientes professores de Letras em suas equipes, as Bancas pro-
por iniciativa do último elo da cadeia educativa, a medida imposta
moloras dos concursos reformularam por completo a abordagem do
pelos centros de ensino superior visava expressamente a promover
idioma materno nas provas objetivas por elas elaboradas. Assim, em
mudanças concretas no ensino secundário (e, se possível, no pró-
lugar de aterem-se tão somente aos itens ortográficos, morfológicos
prio ensino fundamental), inspirando reflexões sobre o processo
c sinláticos (com eventual incursão pelos aspectos semânticos), as
pedagógico e colaborando em larga escala no renhido combate às
qu eslões de Língua Portuguesa passaram a explorar tópicos geral-
sequelas suscitadas pelo anacrônico sistema do vestibular. De certa
mente subestimados pela tradição normativa, tais como coesão &
forma, mesmo que ela não tenha acarretado de imediato qualquer
coerência textual, funções da linguagem, tipos & gêneros textuais,
transformação mais radical na base do sistema escolar, alguma coisa
além de noções de variabilidade linguística e recursos estilísticos.
começou a modificar-se dentro e fora das salas de aula - a rebeldia
do Reitor fora apenas a gota d' água na represa que se acumulara Durante a década de 90, a ESAF e o CESPE terminaram por
durante séculos de descaso com a formação escolar e profissional consagrar um outro 'estilo' de prova de Língua Portuguesa, que
dos jovens brasileiros. ca usaria estranheza a muitos candidatos cuja escolarização se dera
A reação do meio acadêmico à precária formação dos vestibu- sob a velha tradição descritiva e, sobretudo, normativa do ensino da
disciplina. Não bastava mais preencher lacunas com casos esdrúxulos
landos advertia de maneira iniludível a sociedade sobre as demandas
de flexão nominal ou formas inusitadas de verbos irregulares, nem
inadiáveis da Educação nacional. A era da "múltipla escolha" parecia
chegar ao fim e um providencial debate acerca da nossa rede formal lampouco aplicar regras discutíveis de colocação dos pronomes
átonos ou usos muitas vezes já anacrônicos de regência verbal. Era
de ensino se impôs, ainda de modo tímido e incipiente, na agenda
preciso identificar com clareza as estruturas sintáticas e as sutilezas
social do país. Múltiplas e variadas questões seriam inscritas nessa
da pontuação, para analisar variadas propostas de paráfrase ou re-
pauta, não apenas no plano material e econômico (elevação do piso
escritura textual. Já outras questões solicitavam do(a) candidato(a)
salarial dos professores, reforma e ampliação das instalações escolares,
que avaliasse a adequação do texto apresentado a seus propósitos
criação de espaços multimídia e laboratórios de informática, etc.),
como também em âmbito didático e pedagógico (revisão das grades comunicativos e às características de seu próprio gênero.
curriculares, adoção de programas permanentes de atualização do- Alargava-se, enfim, o programa de Língua Portuguesa, que já
cente, políticas públicas de inclusão digital e alfabetização de jovens, lograra ultrapassar os limites da chamada "gramática da frase" (Fo-
entre outras). nética & Ortografia, Morfologia, Sintaxe e Semântica), para inserir-se,
literalmente, na "gramática do texto". Ou, como preferimos enunciar no
subtítulo deste livro, concurso & discurso tornavam-se, nas provas de LP,
A se le~ão de quadros para o servi~o pÚblico:
duas facetas indissociáveis nos exames elaborados desde então. Hoje já é
instrumento sob nova dimensão possível afirmar que, malgrado alguns excessos em que certas entidades
O movimento que surgira no espaço universitário logo encon- organizadoras incorreram por causa dessa opção, não há dúvida de que o
traria eco na esfera profissional. Incumbidas de selecionar os quadros CESPE, a ESAF e outras bancas de análogo perfil souberam valer-se mui-
aptos a ocupar os cargos oferecidos pelo setor público, instituições lo bem da prerrogativa que lhes foi propiciada pela renovação do ensino
como a ESAF (órgão auxiliar do Ministério da Fazenda, cuja atual do idioma, a fim de cumprir do melhor modo o seu objetivo precípuo:
estrutura surgiu em 1973) e o CESPE/UnB (criado em 1993) contri- selecionar com rigor e justiça quadros qualificados para o exercício das
buíram em muito para a silenciosa 'revolução' que se promoveu no omplcxas e numerosas tarefas que o progresso brasileiro requer.

lX
VIII
Os critérios de elaborar;:ão das provas discursivas criteriosamente as disposições básicas dos editais sobre a realização das
do CESPE e a estruturar;:ão deste volume provas, elucidando-se para o(a) candidato(a) cada item estipulado pela
Banca, desde o tipo de letra a ser empregado ou os limites de extensão
A nova orientação adotada pelos centros de seleção na con- do texto, até as indicações de tema e conteúdo dos exames, além dos
fecção das provas de Língua Portuguesa não ficaria circunscrita, próprios quesitos de avaliação adotados pelo CESPE.
obviamente, à etapa dita objetiva dos concursos. Os quesitos básicos A 11 Parte recapitula todos os tópicos relativos aos Aspec-
para a redação de textos dissertativos também foram revistos, de tos Microestruturais do Texto, consignando não só os principais
modo a privilegiar a capacidade de argumentação do candidato, a usos recomendados pela chamada norma culta da língua escrita,
fluidez do seu encadeamento discursivo, o grau de cobertura dos tó- mas incluindo também súmulas detalhadas de algumas seções
picos consignados pelo examinador e a pertinência dos argumentos gramaticais (Uso de Iniciais Maiúsculas; Regência Verbal & Uso da
enunciados. Contudo, há certos aspectos específicos de cada Banca Crase; Emprego e Colocação de Pronomes; Noções de Pontuação),
que esta Série Editorial ora publicada pretende ressaltar para maior assim como um quadro comparativo do Antigo e do Novo Acordo
segurança dos leitores. Ortográfico, para dirimir dúvidas dos candidatos sobre Acentuação
Ao longo de nosso trabalho, trataremos de examinar em Gráfica e Emprego do Hífen.
minúcias os critérios adotados pelo CESPE na aplicação e avaliação Já a 111 Parte se ocupa dos Aspectos Macroestruturais do
de suas provas discursivas. A Banca da UnB concede sempre uma Texto, apresentados ao leitor à feição de uma "cena teatral", em
atenção redobrada aos chamados Aspectos Macroestruturais do que o emissor-ator-redator (o(a) candidato(a)) interage com o
texto: o pleno desenvolvimento do tema enunciado, com aborda- receptor-espectador-examinador. Além de fornecer aos leitores
gem clara, exaustiva e consistente dos tópicos apresentados pela noções gerais sobre os tipos e gêneros textuais requeridos pelos
questão, além da adequada estruturação e apresentação de sua concursos do CESPE, os autores realizam um estudo acurado
dissertação, serão sempre os quesitos de maior pontuação final. Por sobre a redação de temas dissertativos, conferindo especial relevo
isso, este livro possui uma seção especial dedicada às técnicas de às técnicas de elaboração dos textos argumentativos e expositivos,
composição textual, com um capítulo exclusivo para a Construção ferramenta essencial para o desenvolvimento das questões pro-
da Base do Texto Argumentativo. Isso não significa, porém, que o postas pela Banca.
Centro de Seleção da UnB releve os Aspectos Microestruturais da Por fim, são anexados em Apêndice uma ampla Coletânea de
produção textual do candidato: os erros de Grafia & Acentuação, Provas Discursivas do CESPE/UnB e alguns exemplos ilustrativos
Morfossintaxe e Propriedade Vocabular também acarretam a per- de questões e respostas redigidas por nomes expressivos das áreas
da de preciosos pontos na nota final da questão, exigindo de cada administrativa e tributária, ambas importantíssimas nesse tipo de
redator uma elevada competência no manejo da variante culta da certame. Dessa forma, esperam os autores contribuir de maneira
nossa língua escrita. decisiva para o êxito de seus leitores em quaisquer processos seletivos
Cientes dos critérios do CESPE/UnB e atentos às preocupações aos quais se habilitem, fazendo votos de que, prontamente aprovados,
mais recorrentes dos que prestam a prova, os autores deste volume in i- venham a exercer com competência e princípios éticos as suas funções
cial da Série Provas Discursivas CESPE/UnB estruturam seu trabalho no Serviço Público, uma exigência imprescindível à construção desse
sob um formato bastante didático e objetivo. Na I Parte, examinam -se outro Brasil que julgamos possível.
......................

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111 Parte- Aspectos Macroestruturais do Texto
Sumario Capítulo 5 - Encenação discursiva: a redação
do texto expositivo-argumentativo _________ 56
Capítulo 6 - Construção da base
do texto expositivo-argumentativo _____ 106
Capítulo 7 - Construção da segunda etapa
I Parte - As provas discursivas do texto expositivo-argumentativo _______ 131

Capítulo 1 - Disposições básicas dos editais ____________ 2 Capítulo 8 - Construção da terceira etapa
do texto expositivo-argumentativo _____ 168
J. Itens mais gerais estipulados p ela Banca _ ______________ 4
2. Sobre a extensão, a pontuação, o tema Apêndice ______________________________ 183
e objeto das provas discursivas ___________________ 7
Coletânea de provas discursivas CESPE/UnB __________ 184
3. Sobre a distribuição dos pontos e
Temas dissertativos _________________________ 184
os critérios de avaliação adotados _ _______________ 9
Questões discursivas _________________________ 195
Capítulo 2 - As grades oficiais de correção:
critérios gerais e casos ilustrativos _____ _ ___ 16 Modelos de respostas discursivas & outros gêneros textuais __ 201
Questão de Direito Tributário _____________________ 201
11 Parte - Aspectos Microestruturais do Texto Parecer oficial_ ___________________________ 203

Capítulo 3- Noções de variabilidade linguística ______ 22


Sobre os autores __________________________ 215
1. As variantes regionais _ ______________________ 23
2. As variantes sociais _ ________________________ 25
3. As variantes de registro _ _______________________ 27
Lembretes de Redação Oficial _____________________ 2 8
Capítulo 4 - Recomendações para o emprego
da língua escrita (dita) culta _________ 32

Dicas Gramaticais
Acentuação Gráfica (Antigo e Novo Acordo); Emprego do Hífen;
Emprego das Iniciais Maiúsculas; Regência Verbal & Uso da
Crase; Emprego e Colocação dos Pronomes;Noções de Pontuação __ 39

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R.3 A prova discursiva deverá ser à mão, em letra legível, com caneta esfe-
rográfica de tinta preta, fabricada em material transparente, não sendo
permitida a interferência e/ou a participação de outras pessoas, salvo
em caso de candidato que tenha solicitado atendimento especial para a
A leitura atenta do Edital publicado pela entidade promotora do concurso realização da prova. Nesse caso, se houver necessidade, o candidato será
público deve ser a primeira providência de quem se habilita à seleção. Nesse acompanhado por um agente do CESPE!UnB devidamente treinado, para
documento, além de informações gerais sobre o cargo almejado (número de o qual deverá ditar o texto, especificando oralmente a grafia das palavras
vagas oferecidas, remuneração oficial, prazos de convocação e nomeação, local e os sinais gráficos de pontuação.
de lotação, atribuições do profissional e requisitos para sua investidura), há
8.4 A folha de texto definitivo da prova discursiva não poderá ser assinada
ainda diversos itens relativos ao processo seletivo em. si (prazo de inscrição,
ou rubricada nem conter, em outro local que não o apropriado, qualquer
etapas previstas, disciplinas exigidas e programas abordados, entre outros) e
palavra ou marca que a identifique, sob pena de anulação da prova. A de-
às condições de realização das provas, que muitas vezes incluem restrições
tecção de qualquer marca identificadora no espaço destinado à transcrição
rigorosas das Bancas, visando a evitar casos de fraude, cuja eventual ocorrência
do texto definitivo acarretará anula fãO da prova.
poderia implicar a anulação de todo o certame.
Para que possamos analisar mais amiúde os itens relativos à aplicação 8.5 A folha de texto definitivo será o único documento válido para avalia-
das Provas Discursivas, transcrevemos abaixo alguns trechos de dois editais ção da prova discursiva. A folha para rascunho no caderno de provas é de
publicados no primeiro semestre de 2010 para concursos organizados pelo preenchimento facultativo e não valerá para tal finalidade.
Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/ 8.6 A folha de texto definitivo não será substituída por erro de preenchi-
UnB). As normas estabelecidas pela instituição abrangem desde medidas visan- mento do candidato.
do a preservar a lisura e inviolabilidade do processo até especificações precisas
sobre o manuseio da folha de texto e o próprio material utilizado para redação
das respostas. Veja, logo abaixo, o que dispunham as instruções para os que se Edital para o Concurso de
habilitaram aos cargos de Analista e Técnico do Ministério Público da União Procurador Federal da AGU - 2010
(MPU) e de Procurador Geral da Advocacia Geral da União (AGU).
9. DAS PROVAS DISCURSIVAS
[. ..]
Edital para o Concurso de Analista
e Técnico do MPU - 2010 9.4 Cada prova discursiva deverá ser feita pelo próprio candidato, à mão,
em letra legível, com caneta esferográfica de tinta preta confeccionada em

8. DA PROVA DISCURSIVA (exceto para os cargos de Técnico de Apoio material transparente, não sendo permitida a interferência e/ou a parti-

Especializado/Segurança e de Técnico de Apoio Especializado/Transporte) cipação de outras pessoas, salvo em caso de candidato a quem tenha sido
deferido atendimento especial para a realização das provas. Nesse caso, o
[. ..]
andidato será acompanhado por um agente do CESPE!UnB devidamente
Por outro lado, há também uma série de medidas que se preocupam em
treinado, para o qual deverá ditar o texto, especificando oralmente a grafia preservar ao máximo a folha de texto definitivo, que, conforme enunciam de
das palavras e os sinais gráficos de pontuação. forma quase idêntica os dois documentos, "não poderá ser assinada ou ru-
[,ricada nem conter, em outro local que não o apropriado, qualquer palavra ou
9.5 Nenhuma das folhas de textos definitivos das provas discursivas poderá
lllorca que a identifique". O Edital para o concurso do MPU preocupa-se ainda
ser assinada, rubricada ou conter, em outro local que não o apropriado,
t'l11 consignar que esse espaço é "o único documento válido" para avaliação
qualquer palavra ou marca que as identifiquem, sob pena de anulação do
do exame e, em caso de "erro de preenchimento do candidato", não poderá
respectivo texto. A detecção de qualquer marca identificadora no espaço
S(.'quer ser substituído (cf. subitens 8.5 e 8.6). Por fim, alerta que a detecção de
destinado à transcrição de texto definitivo acarretará a anulação do texto/
"tJttalquer marca identificadora" nessa folha acarretará a anulação da prova,
questão correspondente.
.tdvertência similar à do Edital para a AGU, o qual alerta que a presença de
9.6 As folhas de textos definitivos serão os únicos documentos válidos para "f'tl!avra ou marca" de identificação resultará na invalidação do texto/questão
a avaliação das provas discursivas. As folhas para rascunho no caderno de 1 orrespondente.

provas são de preenchimento facultativo e não valerão para tal finalidade.

2 - O tipo de letra e a legibilidade do texto


Acerca do tipo de letra estipulado para a feitura da prova, a disposição
r. Itens mais gerais estipulados pela Banca dos editais é ligeiramente mais branda do que outras instituições, como a ESAF,
No que diz respeito às prescrições mais gerais para a realização das qtll' costumam exigir com considerável rigor a redação em "letra cursiva legí-
provas (em particular as discursivas, de natureza bem mais complexa que as 1'1'1". No caso do CESPE, o texto deverá ser escrito "à mão, em letra legível e
objetivas), merecem prontamente nossa atenção alguns dados recorrentes dos ( 11111 caneta esferográfica de tinta preta"- ou seja: mesmo que eventualmente se

dois editais, graças aos quais é possível estabelecer um perfil claro das exigências rt•corra à chamada letra de fôrma ou outro padrão similar (como aquele usado
postuladas pela Banca. p!'los arquitetos), o atributo essencial requerido será sempre a legibilidade da
lt'sposta, e não os dotes caligráficos do redator.

1 - Disposições de segurança A esse respeito, aconselhamos aos candidatos que só logram redigir em
11'1 ra de fôrma que, não obstante a 'liberalidade' da Banca, tratem de "persona-
Em primeiro lugar, constata-se uma flagrante preocupação com os 1i 'l ;t r" sua caligrafia. Para quem possui dificuldades neste ponto (assim como os
itens específicos de segurança, a fim de coibir qualquer tentativa de quebra qtlt' ficaram restritos aos teclados digitais, mas não desejam recorrer ao velho
de sigilo da prova. De forma concreta, além de proibir expressamente a "in- t' l'f~~:;az caderno de caligrafia), sugerimos que observem certas fontes comuns
terferência e/ou a participação de outras pessoas" na redação da resposta nos programas Word, como a Lucüfa Ca{fígrapfiy, a :Jvtonotype Corsiva ou
(salvo, obviamente, os casos de candidatos com necessidades especiais de ,, 'flmlma. Uma solução alternativa para esse caso é, sem dúvida, a mescla da
atendimento, que serão acompanhados por "um agente do CESPEIUNB pr opria letra cursiva com alguns caracteres gráficos do repertório digital, de
devidamente treinado"), a Banca frisa que o texto deverá ser redigido com rnodo a atenuar o aspecto 'padronizado' que a letra de fôrma sugere.
"caneta esferográfica de tinta preta e material transparente", prescrição
Par a ilustrar a recomendação aqui feita, reproduzimos a seguir alguns
esta que se destaca em negrito nos dois editais transcritos (cf. subitem 8.3 t'~t'111plos de ca ligrafias eventualmente aceitáveis que poderão orientar o can-
do MPU e 9.4 da AGU). did.tlo (.'111 busca de uma Jetra legível.

4
'J
Bancas que têm adotado esse instrumento de avaliação nos processos seletivos sob
.. -- Extensão máxima: 30 linhas
Keservaoo ao
examinador
sua responsabilidade. Afinal de contas, o tipo de letra ou a própria legibilidade
do que se escreve jamais poderão ser um empecilho ao seu objetivo maior, que é
T 6ll "~10 1700 0€R'JI . tÚ\?UCo!> : UJrHl~,lel.HNI"t: i= u- redigir um texto bem estruturado, com um desenvolvimento satisfatório do tema/
o
2 " ,
"V/Wf'-0 questão apresentado e livre de erros no manejo do idioma.
3
4
II. Sobre a extensão, a pontuação total, o tema e objeto
5
das provas discursivas
6
7 ~s SeRV.Ly:D.S - O CESPE/UnB possui, em geral, limites de extensão e sistemas de pon-
8
te tuação bem similares para os textos produzidos em todos os seus processos
9 seletivos. Vejamos, a seguir, os itens básicos das normas relativas à elaboração da
.-
prova discursiva, tópico este que também será analisado mais adiante, quando
Não há dúvida de que, nos três casos que aparecem acima à guisa de ilus- nos detivermos sobre os critérios estabelecidos pelas grades de correção da Banca.
tração, as letras dos autores são bem legíveis, ainda que, em todos os exemplos,
em maior ou menor grau, o padrão cursivo mais convencional não tenha sido
seguido à risca. Examinemos com maior atenção cada um deles:
Edital para o Concurso de Analista
e Técnico do MPU - 2010
® Às linhas 1 e 2, vê-se de imediato que o candidato se vale de recurso
comum aos arquitetos, empregando uma espécie de letra de fôrma em 8. DA PROVA DISCURSIVA (exceto para os cargos de Técnico de Apoio
que não se detecta a menor distinção entre os caracteres maiúsculos Especializado/Segurança e de Técnico de Apoio Especializado/Transporte)
e minúsculos (tipo de caligrafia que nem sempre costuma ser aceita
8.1 A prova discursiva valerá 10,00 pontos e consistirá na elaboração de
pelas Bancas).
® Às linhas 4 e 5, o redator se aproxima bastante da forma cursiva re- texto, com no máximo 30 linhas, acerca de temas da atualidade para os
comendada no processo de letramento escolar, mas ainda se permite cargos de Técnicos e temas específicos para os cargos de Analistas.
mesclar o formato de alguns grafemas, como ocorre com a letra s no 8.2 A prova discursiva tem o objetivo de avaliar o conteúdo - conhecimen-
vocábulo "~erviço~", em que o grafema inicial se desenha conforme o to do tema, a capacidade de expressão na modalidade escrita e o uso das
traço manuscrito e o final imita as fontes digitais mais comuns. normas do registro formal culto da Língua Portuguesa.
® Por fim, às linhas 7 e 8, é possível notar um certo 'relaxamento' do re-
dator, que adotou este ou aquele tipo de letra segundo sua preferência
pessoal, de sorte que o a, por exemplo, só é grafado em estilo digital Edital para o Concurso de
normal, ao passo que outras letras seguem um padrão intermediário Procurador Federal da AGU - 2010
entre o digital e o manuscrito.
9. DAS PROVAS DISCURSIVAS
Reiteramos, pois, àqueles candidatos que até hoje se julgam 'dependentes' da 9.1 Cada prova discursiva terá valor máximo de 100,00 pontos e será com-
letra de fôrma a sugestão de que desenvolvam alguma variante mista de caligrafia, posta de duas partes.
artifício com o qual estarão aptos a redigir todo e qualquer tipo de prova discursiva
que lhes seja proposto, não apenas pelo CESPE, mas também por diversas outras

G
7
I hc cabia estar ciente de que deveria demonstrar conhecimento aprofundado
9.2 A prova discursiva P2, cujo objeto são as matérias constantes do Grupo das disciplinas de Direito Administrativo, Direito Constitucional, Direito
I da prova objetiva, consistirá na elaboração de: h'conômico e Financeiro, Direito Tributário, Legislação sobre Ensino e
a) parecer sobre institutos jurídicos, com valor máximo de 70,00 pontos; I cgislação sobre Seguridade Social (primeiro grupo relacionado pelo
Edital), além de Direito Agrário, Direito Ambiental, Direito Civil, Direito
b) três questões discursivas, com valor máximo de 10,00 pontos cada uma.
( 'omercial, Direito do Trabalho & Processual do Trabalho, Direito Inter-
9.3 A prova discursiva P3, cujo objeto são as matérias constantes dos Grupos nocional Público, Direito Penal & Processual Penal e Direito Processual
I e li da prova objetiva, consistirá na elaboração de: ( 'ivil (segundo grupo listado no documento).
a) peça judicial, com valor máximo de 70,00 pontos;
b) três questões discursivas, com valor máximo de 10,00 pontos cada uma. 11I. Sobre a distribuic;:ão dos pontos e os critérios de ava-
liac;:ão adotados

Os editais não se ocupam apenas de especificar o valor total conferido


As disposições do CESPE para suas provas discursivas são bastante sim- ,\ prova discursiva. Eles também nos fornecem informações mais precisas
ples. A Banca da UnB atribui aos textos um valor máximo que oscila entre 10 ~obre itens de extrema relevância em sua avaliação, os quais nos ajudam a
(como ocorreu no concurso do MPU) e 100 pontos (caso da AGU), optando t'Slabelecer a estratégia mais adequada à redação do texto ou resposta soli-
quase sempre por estipular um limite máximo de 30 linhas para a sua enuncia- citada. De uma forma geral, são estes os dados que merecem maior atenção
ção, salvo quando se tratar de gêneros textuais mais específicos, como o parecer do candidato:
sobre institutos jurídicos ou a peça judicial exigidos na prova para Procurador
Federal da AGU: por exigências próprias de sua natureza e estrutura, esses 0 Como se distribuem os pontos atribuídos a cada texto ou questão?
textos discursivos requerem necessariamente uma extensão maior de linhas. 0 Quanto vale cada elemento avaliado (o conteúdo, a capacidade de
Observe-se ainda, no concurso para o MPU, uma significativa distinção expressão e o uso das normas)?
entre os cargos: conforme determina o subitem 8.1 do Edital, a prova dos can- 0 Que aspecto possui maior peso: o conteúdo ou a forma da dissertação?
didatos a Técnico deveria versar sobre temas da atualidade, ao passo que aos
Analistas caberia discorrer sobre temas específicos; ou seja, os inscritos para Para elucidar essas dúvidas, consultemos de imediato os itens estipulados
cargos de nível médio se ocupariam de assuntos gerais do mundo contempo- nos próprios documentos oficiais que regem os referidos processos seletivos:
râneo e os de nível superior seriam obrigados a abordar tópicos próprios das
disciplinas constantes do processo seletivo. 11. DOS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO E DE CLASSIFICAÇÃO [MPU I 2010}
Por outro lado, em certames mais complexos, como aquele proposto
11.7 A avaliação da prova discursiva para os cargos de Analista e de Técnico,
para o cargo de Procurador Federal da AGU, não se delimita exatamente
exceto de Técnico de Apoio Especializado/Segurança e de Técnico de Apoio
o campo temático, mas sim o objeto das provas discursivas, que deverá
Especializado/Transporte, será feita da seguinte forma:
circunscrever-se exclusivamente às matérias constantes do exame objetivo
previsto na primeira etapa do concurso, fato absolutamente compreensível a) a apresentação e a estrutura textuais e o desenvolvimento do tema
em face da função exercida pelo profissional. Em última instância, isso tam- totalizarão a nota relativa ao domínio do conteúdo (NC), cuja pontuação
máxima será limitada ao valor de 10,00 pontos;
pouco seria um obstáculo ao candidato, visto que desde a sua inscrição já

8
b) a avaliação do domínio da modalidade escrita totalizará o número de e) Será calculada, então, para cada candidato, a nota na parte I de cada
erros (NE) do candidato, considerando-se aspectos tais como: pontuação, prova discursiva (P2 e P3) como sendo igual a NC menos quatro vezes o
resultado do quociente NE I TL.
morfossintaxe e propriedade vocabular;
c) será computado o número total de linhas (TL) efetivamente escritas pelo f) Se a nota obtida no item anterior for menor que zero, então ela será igual
a ZERO.
candidato;
d) será desconsiderado, para efeito de avaliação, qualquer fragmento de 13.9.3 Para os textos relativos à Parte II das provas discursivas P2 e P3
texto que for escrito fora do local apropriado e/ou que ultrapassar a extensão
a) Em cada questão, a apresentação textual, a estrutura textual e o de-
máxima de linhas estabelecida no caderno de prova;
senvolvimento do tema (domínio do conhecimento jurídico) totalizarão a
e) será calculada, então, para cada candidato, a nota na prová discursiva (NPD), nota relativa ao domínio do conteúdo (NC), limitada ao valor máximo de
como sendo igual a NC menos duas vezes o resultado do quociente NE I TL; 10,00 pontos.
f) se NPD for menor que zero, então considerar-se-á NPD = zero. b) A avaliação do domínio da modalidade escrita de Língua Portuguesa
11.7.1 Será eliminado do concurso público o candidato aos cargos de Ana- totalizará o número de erros (NE) do candidato, considerando-se os aspectos
lista e de Técnico, exceto de Técnico de Apoio Especializado/Segurança e de gramaticais, tais como: acentuação, grafia, morfossintaxe e propriedade
Técnico de Apoio Especializado/Transporte, que obtiver NPD < 5,00 pontos. vocabular.
c) Será desconsiderado, para efeito de avaliação, qualquer fragmento de
texto que for escrito fora do local apropriado e/ou que ultrapassar a extensão
13. DOS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO E DE CLASSIFICAÇÃO NA
máxima de linhas estabelecidas no caderno de prova.
PRIMEIRA ETAPA [AGU I 2010]
d) Será calculada, então, para cada candidato, a nota na questão (NQ),
13.9.2 Para os textos relativos à Parte I das provas discursivas P2 e P3
como sendo igual a NC menos o resultado do quociente NE I (2 X TL),
a) A apresentação e a estrutura textuais e o desenvolvimento do tema (do-
em que TL é o número de linhas efetivamente escritas pelo candidato na
mínio do conhecimento jurídico) totalizarão a nota relativa ao domínio do
resposta à questão.
conteúdo (NC), limitada a 70,00 pontos, em cada prova.
e) Se NQi, i = 1, 2 ou 3, for menor que zero, então considerar-se-á
b) A avaliação do domínio da modalidade escrita totalizará o número de
NQi =ZERO.
erros (NE) do candidato, considerando-se aspectos tais como: acentuação,
f) A nota na parte 11 de cada prova discursiva (P2 e P3) será a soma das
grafia, morfossintaxe e propriedade vocabular.
notas obtidas nas respectivas questões.
c) Será computado o número total de linhas (TL) efetivamente escritas pelo
13.9.4 A nota em cada prova discursiva será igual à soma das notas obtidas
candidato.
nas partes I e 11.
d) Será desconsiderado, para efeito de avaliação, qualquer fragmento de
13.9.5 As provas discursivas serão anuladas se o candidato não devolver
texto que for escrito fora do local apropriado e/ou que ultrapassar a extensão
alguma de suas folhas de textos definitivos.
máxima de linhas estabelecidas no caderno de provas.

li
lO
( :on forme prontamente se depreende da leitura dos dois editais, não obstante
,, diwrsidade de gêneros propostos (tema dissertativo, questão discursiva, parecer Apresentação & estrutura textual (que inclui os itens de legibilidade,
c f't'Çtl judicial, por exemplo), os padrões de correção são praticamente os mesmos respeito às margens e indicação de parágrafos);
para todos os textos produzidos pelo candidato. Neste sentido, o CESPE adota um Desenvolvimento do tema (subdividido segundo os tópicos a serem abor-
procedimento que o diferencia em muito de outras Bancas, como a ESAF, que esti- dados).
pulam previamente subtotais específicos para a chamada nota de conteúdo e a nota
de uso do idioma ou forma (em geral, 60% dos pontos à primeira e 40% à segunda).
A equipe da U nB prefere inicialmente avaliar a parte relativa ao "domínio Conforme se verifica pelos itens discriminados acima, a primeira rubrica
do conteúdo (NC)", cuja pontuação máxima poderá alcançar o mesmo limite refere-se a aspectos de natureza muito mais formal do que a segunda e, por tal
estabelecido para a nota final da prova (até 10 ou 70 pontos, segundo o tipo de motivo, merece da Banca uma pontuação bastante reduzida (em geral, 10% da
texto proposto). Em seguida, ao apreciar o "domínio da modalidade escrita", NC). A nosso juízo, essa proporção estabelecida pelos examinadores termina
ela não emite uma nota específica para essa rubrica, optando por contabilizar o por ser equilibrada e justa, já que, apesar de sua indiscutível importância, itens
"número de erros (NE)" do candidato na parte dos "aspectos gramaticais", com como a legibilidade, o respeito às margens e a indicação de parágrafos não po-
o qual ela montará uma singular equação destinada a deduzir pontos do total dem equiparar-se ao valor que será concedido ao próprio desenvolvimento do
integralizado pela nota de conteúdo (NC), fórmula esta que, segundo prescre- assunto proposto pela prova.
vem os dois editais, deverá considerar também o "número total de linhas (TL) Quanto a esse segundo quesito, por meio do qual o examinador logrará
efetivamente escritas pelo candidato" em sua redação. avaliar a extensão e profundidade de conhecimentos do candidato acerca do
Vejamos um exemplo concreto de avaliação de uma prova com valor tema proposto, acaba por receber uma significativa pontuação (a saber, 90% da
máximo de 10 pontos, de acordo com o Edital do MPU: NC). Embora os editais não costumem explicitar tal detalhe, o desenvolvimen-
to do tema se distribui de acordo com os tópicos (três ou quatro, em média)
consignados no enunciado da questão, os quais deverão ser obrigatoriamente
Nota de Conteúdo (NC) = 7,0
abordados pelo redator na formulação de sua resposta. 2
N° de Erros (NE ) = 03
Veja-se abaixo um exemplo concreto de como o CESPE costuma compor a
N° Total de Linhas (TL) = 30
Nota de Conteúdo de suas provas discursivas, de acordo com o esquema aqui descrito:
Fórmula da Nota da Prova Discursiva (NPD)
NPD =NC - 2 (NE I TL) A título de ilustração, citamos o concurso do TRE-GO (2008), em que o tema geral acerca do "usuário dos

Ou seja: NPD = 7,0 - 2 (03 I 30), o que equivale a serviços públicos" incluía "a ineficiência e a ineficácia do atendimento ao público em geral; a contribuição
da tecnologia para a melhoria dos padrões de acesso, disponibilização e fornecimento dos serviços públi-
7,0- 2 (0,1) = 7,0 - 0,2 = 6,8 cos;", assim como "transparência e controle da administração pública, e a participação direta dos cidadãos
nos processos decisórios." )á a dissertação para a ANTAQ (2009), cujo tema era bem mais específico (um
projeto para "o estudo de viabilidade da implantação de um porto"), também abrangia três tópicos: "as
3.1 - A Nota de Conteúdo (NC) condições necessárias à viabilidade econômica do empreendimento; as condições físicas e meteorológicas
da costa necessárias à aproximação das embarcações; as ligações entre a costa e seu hinterland e o impacto
Para quem não está habituado ao jargão da Banca, a chamada Nota de ambiental dessas ligações."
Conteúdo (NC) compreende a pontuação conferida a dois quesitos, os quais,
reunidos, compõem o que o espelho de avaliação da prova chama de Aspectos
Mt~croeslruturais do texto:

j_
1'
Aspectos Macroestruturais - Discursiva - Inspetor de Controle Externo -
especialidade: Administração, Contabilidade, Direito ou Economia
Concurso: Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte I 2009
Quesito avaliado Faixa de valor
Tema proposto: O Planejamento da Administração Pública Brasileira
Tópicos a desenvolver: "Evolução histórica do planejamento no Brasil", 0,00 a 1,50 1,50
"Problemas para a implantação de um planejamento efetivo" e "Importância
2 Desenvolvimento do tema
do planejamento para o exercício de controle da gestão"
2.1 Evolução histórica do planejamento no Brasil 0,00 a 4,50 2,25
Pontuação total da prova discursiva = 15 pontos 2.2 Problemas para a implantação de um planejamento
0,00 a 4,50 0,90
Valor atribuído ao desenvolvimento dos três tópicos= 13,5 pontos (4,5 efetivo
2.3 Importância do planejamento para o exercício de
por tópico); 0,00 a 4,50 1,13
controle da gestão
Valor conferido à apresentação e estrutura textual = 1,5 ponto

3. 2 - O NÚmero de Erros (NE) no domínio


da modalidade escrita
Emitida a Nota de Conteúdo, a Banca se encarrega de anotar os erros
cometidos pelo candidato no que respeita ao domínio da modalidade escrita,
"considerando-se os aspectos gramaticais, tais como acentuação, grafia, morfos-
sintaxe e propriedade vocabular". Na linguagem do CESPE, os itens aí destacados
•qu i valem aos Aspectos Microestruturais do texto, não havendo, neste caso, qual-
quer hierarquia entre eles: ao contrário do critério adotado pela ESAF, em que as
L1lhas de propriedade vocabular geralmente valem o triplo das ortográficas (0,75 5,58
x 0,25), esses chamados 'desvios' da norma são contabilizados de modo uniforme Direito ou Economia

para efeito de determinação da Nota da Prova Discursiva (NPD).


Identificados em uma planilha própria pelo examinador, eles resultam Conforme disposto no quadro final com o Resultado da Prova Dis-
em um somatório de descontos que será subtraído da nota obtida no Conteúdo, cursiva (NPD), os examinadores atribuíram ao candidato 5,78 na Nota de
de acordo com uma equação na qual o peso dos erros cresce na razão inversa Conteúdo (NC), cuja pontuação máxima era de 15 pontos (cf. quadro deta-
ao número de linhas escritas. Assim, se o candidato redigir sua resposta em lhado no item 3.1). Esse valor equivale à soma das notas obtidas nos quesitos
JO linhas e cometer apenas 3 erros, o quociente entre NE e TL será igual a I (Apresentação e estrutura textual) e 2 (Desenvolvimento do tema), que, no
03 I 30, ou seja, 0,1. Esse valor será eventualmente multiplicado por um fator caso em tela, correspondem, respectivamente, a 1,50 e 4,28. Como o número
indicado no Edital (duas vezes, no caso do MPU, ou até quatro vezes, na Parte lotai de linhas efetivamente escritas (TL) foi 30 e o número de erros (NE) se
I da AGU), resultando no produto que se deduzirá da Nota de Conteúdo. limitou a 3, o quociente da divisão NE I TL perfaz 0,1. Multiplicando-se duas
A fim de ilustrar a fórmula adotada pelo CESPE, reproduzimos a seguir vezes esse produto, obtém-se a parcela de 0,2 - a qual, subtraída de NC, nos
o espelho de avaliação de uma prova realizada para o concurso acima men- dá a nota final do candidato: 5,58.
l ionado (TCE-RN I 2009):

14
As grades oficiais de U:lBUNAl DE CONTI\5 00 ESlADO 00 RIO CiltAND[ DO NORTt

I•
Capítulo corre9ão: critérios gerais
COMISSÁO ESPf(IAI. Ol CONCURSO PÚIILICO
CQN(URSQ PÚBLICO PARA I'Q:OVJM[NrO ()( \'AOO [ fORMAÇÀO DE CADASTRO DE RESfltVA EM

""
'·-.~, ·~~·
'\ _.___...,"
''
'I 2 e casos ilustrativos
CARGOS Ol Nl\.'ll SUPt:RJOR

Embora a Banca não discrimine de forma explícita em seus editais os


critérios que são adotados na correção das provas, o simples exame dos itens
dispostos no espelho aqui transcrito já nos permite traçar um perfil bastante
preciso do seu esquema de avaliação. Reiterando-se o que já fora assinalado na
seção anterior, não há dúvida de que o conteúdo da resposta - e, em particular,
o desenvolvimento do tema de modo sólido e consistente - constitui a base de
composição da nota. Em última instância, a ausência de falhas ortográficas ou
gramaticais só assegura ao candidato que o somatório dos quesitos avaliados
nos Aspectos Macroestruturais não sofra qualquer redução no resultado final.
Em suma, nas provas do CESPE/UnB, a nota de partida é dada pelo conteúdo
(NC) do texto, ao passo que os erros - ou seja, os desvios da chamada norma
culta da língua- identificados no campo dos Aspectos Microestruturais (Grafia
& Acentuação, Morfossintaxe e Propriedade Vocabular) implicam a dedução de
3
alguns décimos daquele valor. Vejamos a seguir o texto original apreciado ,
para melhor análise dos procedimentos adotados pela Banca:

Como se pode ver no cotejo da prova com o espelho do resultado oficial, a


correção costuma ser muito mais rigorosa no que respeita aos Aspectos Macro-
estruturais da dissertação, em que o candidato obteve somente 5,78 dos quinze
pontos cabíveis na rubrica, sendo que, do máximo de 13,5 pontos relativos ao ~ ..11111

desenvolvimento do tema (90% da nota total), ele fez jus a apenas 4,28. Em quase
todos os textos analisados pelos autores deste livro, esse foi sempre o quesito
de mais baixo rendimento dos que se habilitaram aos exames elaborados pelo
CESPE: em geral, como o candidato já possui uma noção básica de legibilidade, De fato, a preocupação central da Banca da UnB parece ser o conheci
mento que o redator possui sobre o tema e sua competência argumentativa,
respeito às margens e paragrafação, ele logra alcançar pontuação plena no que-
rom a devida cobertura dos tópicos propostos, que merecerão plena e exaustiva
sito de apresentação e estrutura textual (em média, 10% da nota base), como ubordagem dentro do texto. A fuga parcial ou total ao tema, a insuficiência 011
ocorreu no caso acima, em que o autor obteve o valor máximo (1,5). c•scassez da argumentação, assim como as contradições, o desconhecimetato tio
11ssunto e outras debilidades afins são penalizados com rigor pelos exam inadorcs.
3. Nota do organizador: as provas e textos que aparecem neste livro foram reproduzidos com a devida autoriza-
( )bserve-se, por exemplo, a nota conferid a ao úllimo tópico ("fmporltlncia tio
l·üo dos ca ndidatos, mas, a fim de preservar a privacidade de seus autores, optou-se por omitir a identificação
f'lil nejamenlo para o exercício de controle tlu .~cs fllo") indicado para o tk~c'lll 1ol
nnm i 11 ,1 I dos mesmos .

1 I '{
vimento do tema. Apesar de haver certo preciosismo no valor atribuído (1,13 Padronizar tal procedimento não é tarefa simples. É de se supor que cada texto
de 4,5 possíveis), ele é condizente com a fragilidade de um parágrafo que se
seja corrigido por, no mínimo, dois examinadores: um especialista da área focalizada
abre com uma oração absolutamente inócua e inconsistente ("A importância do
(seja ela Administração, Comércio, Direito, Economia ou qualquer outra disciplina
Planejamento fo i muito bem empregada na LRF..."), por meio da qual, além de
afim), com sobejo domínio do tema postulado, e um professor de Língua Portuguesa,
expressar um absurdo conceitual (a noção abstrata de Importância não pode ser
tão apto a identificar os diversos erros formais e gramaticais, quanto a reconhecer as
'empregada' como se fora um instrumento ou ferramenta), o candidato demonstra
não possuir qualquer argumento pertinente para fundamentar sua prova. debilidades estilísticas ou a falta de clareza, coesão e coerência das redações que lhe
são confiadas. Contudo, a julgar pelos inúmeros recursos que os candidatos têm in-
Já no que respeita aos chamados Aspectos Microestruturais, nossa impressão
terposto contra as diversas Bancas (e não aludimos aqui exclusivamente ao CESPE: a
é de que a correção se faz com menor rigor, pois, o mais das vezes, ao apreciarmos
referência vale também para a ESAF, a CESGRANRIO, a FGV e outras instituições),
provas que nos são repassadas pelos candidatos, identificamos sempre mais falhas
do que aquelas registradas pelo espelho oficial. No caso em apreço, a Banca apontou não seria um desacerto advertir que há ainda dificuldades na execução desse projeto.
apenas três erros no texto: o primeiro, à linha 8, de natureza morfossintática, pela Assim, o candidato que se submete a uma prova discursiva confeccionada
ausência de vírgula após o sintagma "Com a constituição de 1988"; os outros dois, do pelo CESPE deve preocupar-se prioritariamente em estruturar da melhor forma o
mesmo tipo, à linha 23, pelo mau emprego do pronome relativo "onde" (que só pode seu texto, discorrendo de modo sólido e consistente sobre o tema que lhe é apresen-
ser empregado na função de adjunto adverbial) e pela falha evidente de concordância tado, a fim de que sua nota inicial- que corresponde ao desenvolvimento pleno,
verbal na construção com voz passiva sintética "se estima as receitas". Contudo, tanto coeso e coerente dos tópicos que lhe são estipulados - seja a mais elevada possível.
nas passagens em que se assinalaram tais erros, quanto em vários outros trechos da
Como será visto mais adiante, nos capítulos 6 e 7 do livro, esse padrão ado-
prova, há diversos usos dignos de reparo, que, por descuido ou pressa, os corretores
tado pela Banca, assim como as recomendações técnicas contidas em seus editais,
não consignaram. Vejam-se, abaixo, alguns exemplos claros desse fato:
implicam alguns procedimentos chave na elaboração das redações solicitadas. Em
0 À linha 5, separa-se erradamente com vírgula o complemento nominal face do limite máximo de 30 linhas, por exemplo, sua estruturação não poderá
de seu núcleo: ''planejamento, da economia nacional"; diferir muito do esquema mais convencional de cinco parágrafos, assim distri-
0 À linha 7, omite-se o sinal de crase antes do termo feminino: "mais buídos:§ 1°- introdução (em média, 4 ou 5linhas); § 2°- desenvolvimento do
ênfase ao Planejamento e a Administração Indireta."; primeiro tópico (em média, de 6 a 8linhas); § 3°- desenvolvimento do segundo
0 À linha 11, não se flexionou o verbo na voz passiva pronominal: "para tópico (em média, de 6 a 8linhas); § 4°- desenvolvimento do terceiro tópico (em
que se atingisse os objetivos do Estado."; média, de 6 a 8linhas); § 5° - conclusão (em média, de 4 a 6linhas).
0 À linha 24, erro similar ao da 1. 11: "fixa-se as receitas"; Os próximos capítulos desta obra servirão, portanto, como um pequeno
0 Ainda à linha 24, nova omissão do sinal de crase: "impõem-se limites guia para ajudá-lo a elaborar sua prova discursiva. Na Parte li, analisamos em
as despesas"; detalhes os Aspectos Microestruturais do texto, prevenindo o leitor sobre os erros
0 À linha 25, outra falha de concordância verbal: "obriga-se os entes federais".
mais recorrentes em que os candidatos incidem no domínio da modalidade escrita
Em face da enorme atenção da Banca com todos os itens fundamentais do da língua e fornecendo-lhe dicas valiosas sobre os tópicos gramaticais mais visados
processo seletivo, muitos poderiam supor que o processo de correção das provas pela Banca. Na Parte III, buscamos associar a Teoria do Discurso à realidade dos
v iesse a transcorrer sem maiores controvérsias. Contudo, tal expectativa não pôde até wncursos públicos, orientando-o sobre os Aspectos Macroestruturais de sua dis-
hoje se consumar, já que o número de textos a serem avaliados em concursos dessa lil'rtação, a fim de estabelecer a melhor estratégia para a estruturação da resposta
dimensão requer a criação de uma equipe extremamente profissional de corretores, r o desenvolvimento do tema proposto. Por fim, anexamos em Apêndice especial
os qu ais, por certo, deverão estar habilitados a apreciar não apenas o conhecimento uma coletânea de temas, questões discursivas e outros gêneros apresentados nos
tio tema, m as também a "capacidade de expressão na modalidade escrita e o uso das mais recentes processos seletivos a cargo do CESPE, acrescida ainda de alguns
normas do registro formal culto da Língua Portuguesa", conforme estipulam os editais. lt•x tos ilustra tivos elaborados por renomados autores das áreas abordadas.

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nos permite inclusive imaginar que o português brasileiro contemporâneo lcndt•
a tornar-se um 'novo' idioma com o decurso do tempo.
Abstraindo-se o fator histórico ou diacrônico, ou seja, considerando S!'
apenas as variantes sincrônicas (circunscritas à mesma faixa de tempo) em uso
no limiar do século XXI, é possível esboçar para o Brasil o seguinte quadro dl·
Ao avaliar o manejo da língua escrita, qualquer processo seletivo organi- variabilidade Iinguística:
zado por bancas como o CESPE/UnB exige dos candidatos a rigorosa observância
da chamada norma culta, que se baseia na tradição literária dos escritores mais -
renomados (Machado de Assis, Graciliano Ramos e outros) e na fala formal O portuguªs brasileiro
dos grupos sociais com maior grau de escolaridade. Em um país com notórias 1. Variantes dialetais
carências no sistema formal de ensino e flagrante variabilidade linguística, como
é o caso do Brasil, tal exigência torna-se um fator decisivo para a obtenção da ® Diastráticas ou Sociais: culta (de falantes com alto grau de escolaridade
tão almejada vaga. Afinal de contas, em sendo a norma o "conjunto de hábitos e pautada na tradição literária), coloquial (de falantes escolarizados, em
linguísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa no País", con- ambiente familiar) e popular (de falantes ágrafos ou semiágrafos, que se
atêm à oralidade};
forme definiu o saudoso linguista Mattoso Câmara Jr., ela tende a distanciar-se
bastante dos usos mais recorrentes adotados pela maioria dos falantes. Mesmo ® Diatópicas ou regionais: falares regionais (carioca, baiano, gaúcho, nor-
em países europeus com índices bem elevados de instrução (França, Espanha tista, pantaneiro, etc.), em que há variações compreensíveis de sotaque,
sintaxe e vocabulário;
e Inglaterra, por exemplo) impõe-se o maior "prestígio" da variante empregada
em suas capitais pelos cidadãos mais letrados: o francês de Paris, o espanhol ® Profissionais: jargão (linguagem técnica usada porfalantes de mesmo ofício);
de Madri e o inglês de Londres obtêm maior projeção nacional e tornam-se
® De gerações ou grupos restritos: gírias (expressões típicas de certos círculos
referência para o ensino desses idiomas aos estrangeiros.
ou segmentos sociais, tais como jovens, surfistas, presidiários, etc.)
Embora uma língua possa ser vista como uma estrutura interna única,
sua manifestação social se concretiza por múltiplas e distintas formas, variando 2. Variantes de registro
não só no tempo e no espaço, mas também nas inúmeras situações da comu-
® De modalidade: língua falada x língua escrita
nicação cotidiana. É óbvio que o português lusitano do século XVI, com o
qual Luís de Camões escreveu o célebre poema épico Os Lusíadas, já aparenta ® De graus de formalismo: formal x semiformal x informal
ser outra língua aos olhos (e ouvidos) de um brasileiro do século XXI. Tanto
no plano sintático, quanto na esfera lexical, são visíveis as diferenças entre as Fonte: LEITÃO, L. R. Gramática Crítica. Teoria &
Prática. Rio: Oficina do Autor, 2007, p. 24-27.
duas épocas: a ordem inversa, por exemplo, tão comum entre os clássicos e os
parnasianos (basta lembrar a letra do Hino Nacional - "Ouviram do Ipiranga
as margens plácidas" =As margens plácidas do Ipiranga ouviram), ou vocábulos l. As variantes regionais
inusitados, como o topônimo Taprobana (antiga designação da ilha do Ceilão,
atual Sri Lanka), há muito já não são empregados pela maioria absoluta dos O fator geográfico e o social são bastante conhecidos de qualquer 1~1
brasileiros. Contudo, também nos soam deveras inusitados o sotaque e o léxico la ntc. As diferenças entre regiões, estados, cidades ou bairros constilucm as
dos que vivem nos países lusófonos africanos e até mesmo em Portugal, o que 1 hamadas variantes diatópicas ou regionais. Elas se manifestam no plano

lonéJico fonológico (o Ir! pós vodlito, dt· corta ou pardo, pronuncia se dt'
v:\ rios modos entre nós, sendo o sotaque caipira paulista o mais estigmali zudo
de todos), na seleção lexical (no Nordeste, diz-se jerimum com jabá; no Sul idiomas de origem tupi-guarani. A fim de viabilizar uma "língua franca" (k
e Sud csle, abóbora com carne seca), na ordenação sintática (ao contrário da contato entre indígenas e não indígenas, os próprios jesuítas criaram o 11/11'
maioria do país, o baiano gosta de pospor o advérbio de negação ao verbo: engatu, valendo-se da pronúncia e vocabulário tupinambá e de um pad rao
Ntio quero x Quero não ... ) e até na esfera discursiva mais ampla, o que esti- gramatical português. Desde o final do século do século XVIII, contudo, cont
mula certos estereótipos e preconceitos difundidos país afora (a fala reticente o aumento da imigração lusitana, essa língua geral começou a declinar, sendo
c lacônica do mineiro reitera a imagem daquele que "trabalha em silêncio", inclusive proibida em 1758 pelo Marquês de Pombal, depois que os jesuítas
foram banidos da colônia.
ao passo que a linguagem vocalizada e cheia de gírias do carioca estimula o
clichê da "malandragem"). Graças a esse singular e complexo processo histórico, as provas aplicadas
Quanto às prescrições da norma letrada para o manejo do idioma, essas nos concursos públicos são todas elas elaboradas e respondidas em um único
variantes geográficas raramente interferem na formulação cias provas de Língua idioma, cujo aprendizado é obrigatório em todo o sistema formal de ensino (in -
Portuguesa, nem tampouco costumam provocar divergências na análise dos clusive nas reservas indígenas, onde também se aprendem as línguas nativas dos
fatos linguísticos. Não devem, pois, ser vistas como fator relevante na definição principais grupos étnicos), o que decerto constitui um sólido fator de unidade
dos gabaritos das questões gramaticais, ainda que, ao menos no caso do uso política e cultural no país. De fato, uma análise mais acurada de nossa realidade
facultativo da crase, se registre um exemplo bastante curioso, anotado pelo linguística nos mostra que, no Brasil, as diferenças de ordem social são muito
Prof. Evanildo Bechara, relativo à palavra casa "acompanhada de expressão que mais graves e profundas do que as demais, inclusive aquelas de âmbito regional,
conforme analisaremos com maior atenção no próximo item.
denota o dono ou morador". Como, em certas áreas do país (seja no Nordeste,
seja até mesmo em Niterói, no Rio de Janeiro), o termo não aparece antecedido
I I. As variantes sociais
de artigo (em âmbito coloquial, por exemplo, diz-se "Fui em casa de Sandra",
em lugar da construção "Fui na casa de Sandra", mais comum no Rio e em boa
As variantes diastráticas ou sociais do português brasileiro podem
parte do Brasil), o autor admite as duas formas: "Fui a casa de Sandra" I "Fui
ser reduzidas, em uma descrição bem simples e didática, a apenas três: culta,
à casa de Sandra".
coloquial e popular. A primeira se pauta na tradição letrada do idioma e é
É interessante observar ainda que os diversos falares regionais existentes empregada apenas por falantes de alta escolaridade, em usos mais restritos da
no Brasil (desde o gaúcho e o paulista até o nortista ou o pantaneiro) raramente língua (redação de documentos oficiais em âmbito administrativo e jurídico,
representam um empecilho à comunicação diária entre os falantes de qualquer produção de textos literários e acadêmicos, consagração de ritos e cerimônias
parte do vasto território nacional. Comparado a outros países, o Brasil é um na liturgia religiosa). A segunda é instrumento de falantes escolarizados, em
verdadeiro fenômeno linguístico-cultural. Não obstante seus 8,5 milhões de km 2 , ambiente familiar, admitindo o uso de gírias e transgressões brandas da norma.
ele possui apenas uma língua oficial, o português, empregada praticamente por E a terceira é exclusiva da linguagem oral de falantes analfabetos ou semianal-
toda a população, à exceção de alguns povos indígenas que conservam suas raízes l~lbetos, que desconhecem as convenções da cultura letrada.
ameríndias (com centenas de línguas agrupadas nos troncos Tupi, Macro-Jê e Como os concursos públicos exigem o domínio da norma dita culta na
1\ruak, afora outras mais isoladas) e de pequenos núcleos de imigrantes (sejam redação das provas discursivas, convém observar com rigor as peculiaridades
os antigos alemães e italianos, pioneiros na colonização do Sul, sejam as novas que ela apresenta em face do padrão coloquial e do registro popular do nosso
levas da atual era globalizada, como os bolivianos e asiáticos). português brasileiro. Para tanto, buscamos evidenciar de forma prática, a partir
Sabemos que, no início da ocupação lusitana, a língua geral corrente de construções usuais da língua, os principais traços distintivos de cada uma
não era a do coloni zador: na costa brasileira, prevaleciam entre os nativos os dessas variantes. Comparem-se, de imediato, os três pares de frases enunciadas
abai xo, que ilustram as três instâncias aqui analisadas:

<! 4
········
/.a - A conjuntura tornar-se-á ainda mais acirrada./ l.b- Nós iremos
- a empregar a expressao "u gente", que surgiu na modalidade oral, mas h<í mui lo
se insinuou na língua escrita.
à praia amanhã.

2.a- As coisas vão piorar... / 2.b- Amanhã a gente vai na praia. Vale a pena assinalar ainda o emprego raríssimo da mesóclise em f . tl,
colocação hoje em completo desuso, que sequer a língua literária atual adol;t
3.a - O bagulho vai ficar sinistro... I 3.b - Manhã agente vamo [nóis vai] e parece estar restrita aos textos bíblicos ou ao discurso jurídico (ela conlinu.t
pa praia. presente na Constituição e no Código Penal, por exemplo). Por fim, ressallc se
a discrepância de regências para o verbo ir, que somente em l.b aparece seguido
da preposição a, típica de um verbo de movimento, mas em 2.b e 3.b rege as
Sem nenhum laivo de preconceito e ciente de que essas construções são preposições em e para (aqui grafada como "pa"), duas construções não adequadas
apenas recriações não necessariamente fiéis aos usos correntes, observemos para a sentença (o "em" se aplica a verbos que indicam estado ou repouso e o
as distinções existentes entre as três variantes nos planos lexical, sintático e "para" denota ida definitiva ou prolongada).
morfológico da língua. Nenhuma dessas sentenças inviabiliza a comunicação entre os falanl<·.~
As diferenças de vocabulário, por exemplo, são flagrantes entre l.a , 2.a do português brasileiro. Entretanto, como várias delas correspondem a uso.~
e 3.a. O padrão dito culto (1) recusa o emprego de gírias e seleciona termos eminentemente orais e sem lastro nos textos de maior formalidade (redaçao
que enunciam com precisão e rigor os conceitos a serem expressos; por isso, oficial, documentos jurídicos, trabalhos acadêmicos, etc.), seu emprego é rc
ao referir-se à "conjunção de elementos que determinam algo" (neste caso, o chaçado pela norma letrada, a qual, por certo, é bem mais conservadora do
quadro político-social), opta pelo vocábulo "conjuntura". Já a variante colo- que a língua falada, modalidade bem mais receptiva a mudanças e inovações
surgidas na linguagem cotidiana.
quial (2) utiliza a expressão "as coisas", muito comum na linguagem do dia a
dia, e a popular (3) apresenta uma gíria (" bagulho" ) de larga difusão entre os
falantes cariocas de baixa escolaridade, mas com uma abrangência semântica III. As variantes de registro
muito ampla, prejudicial à clareza da mensagem. Por sua vez, o uso do adjetivo
"sinistro" pode ainda suscitar dúvidas na compreensão da frase, visto que, na Além de variar em conformidade com fatores de natureza geográfica c
linguagem popular, o termo assume múltiplas acepções - tanto negativas (= social, assim como de ordem profissional (no caso das linguagens técnicas, de
cruel, adverso, opressivo) quanto positivas (= incrível, notável, infalível) -e so- que são exemplos o "economês", o jargão policial e o discurso estudantil), etária
mente em um contexto comunicacional mais amplo se logra estabelecer o seu (a linguagem tatibitate infantil) ou até mesmo de gênero (há usos linguísticos
significado mais preciso. específicos para cada segmento de orientação sexual), nossa língua também
apresenta notáveis distinções de acordo com a modalidade em que se enuncia
No plano morfossintático, há outros detalhes dignos de nota. Em pri-
(oral ou escrita) e com o registro em que é empregada.
meiro lugar, o emprego dos tempos verbais distende-se progressivamente: na
instância culta (1), ocorre o emprego rigoroso do futuro do presente simples Essa última noção diz respeito, essencialmente, à situação psíquica e ao
("tornar-se-á" I "iremos"), ao passo que na coloquial (2) e na popular (3), mesmo processo de interação sociocomunicativa em que a pessoa se encontra. Por vezes,
em face de um advérbio que denota futuro ("amanhã"), o uso do presente ("vão I é preciso seguir certos "protocolos" linguísticos, como ocorre em uma petição
vai" ) é procedimento corriqueiro, passível também de substituição pelo tempo encaminhada a um juiz, ou durante algum ritual religioso, expressando-se por
composto com infinitivo ("vai ficar"), que a norma padrão não subscreve. O meio de uma linguagem formal ou tensa. Em outras ocasiões, diante da mesma
siste ma pronominal é igualmente diversificado: na esfera culta, é aceita apenas plateia ou do mesmo interlocutor, porém livre de coerções, o falante se senlc
a forma reta consagrada ("Nós"), enquanto que as outras duas variantes tendem mais à vontade e não cumpre nenhuma etiqueta, o que se traduz no emprego
de uma linguagem mais informal ou distensa.
A fim de responder os temas dissertativos e questões discursivas pro-
postos nos concursos públicos, vale lembrar que, a exemplo do que ocorre no
padrão prescrito pelo Manual de Redação da Presidência da República (revisto
pelo renomado gramático gaúcho Celso Pedro Luft) para a composição de
documentos oficiais, o seu texto deverá ser elaborado em registro formal, se- então, mesclar iniciais maiúsculas e minúsculas conforme a expressão
gundo a norma culta da modalidade escrita do idioma. Isso implica obedecer que representam (UnB - Universidade de Brasília).

uos seguintes princípios básicos: ® Como não são vocábulos lexicalizados do idioma, elas não podem ser
separadas para fins de translineação (é erro grafar PETRO-BRAS, por
® Valorizar ao máximo o conteúdo do texto, observando a exatidão das exemplo).
informações prestadas e das situações de que se trata;
® Buscar a eficácia na comunicação e a concisão na expressão, empregan- ® As abreviaturas não se flexionam no plural, mantendo forma única para
do o menor número possível de palavras para enunciar uma mensagem a indicação de horas, distâncias, volumes, etc. (8 h 30, 120 km, 350 I, etc.).
e valendo-se de vocábulos de acepções inconfundíveis para definir um
conceito, de modo a favorecer a clareza e a precisão da resposta;
3. Emprego de numerais
® Privilegiar a impessoalidade e objetividade, evitando qualquer traço ® Se forem constituídos por um único vocábulo, deverão ser escritos por
de amabilidade e intimidade, que não são características adequadas à extenso ("sete': "dezesseis"); contudo, se apresentarem várias palavras,
tipologia exigida (que, em geral, se restringe ao texto argumentativo serão grafados em algarismos arábicos ("240': "2947': etc.).
e/ou expositivo); ® Em início de frase, recomenda-se a grafia dos numerais por extenso,
mesmo se possuírem vários vocábulos ("Duzentos e quarenta candidatos
No quadro abaixo, consignamos algumas prescrições para a redação de inscreveram-se para o cargo").
lextos oficiais que podem ser úteis à resolução da sua prova discursiva.
® Um número representativo de valor monetário que não caiba por inteiro
em uma única linha não poderá ser segmentado para efeitos de translineação:
Lembretes de Reda9ão Oficial a sequência de algarismos da quantia vem sempre na linha superior ou
inferior, preenchendo-se eventuais lacunas entre o cifrão e os números
1. Uso de vocábulos estrangeiros com pontos simples (R$ ... ... 250,00).
® As palavras estrangeiras devem ser evitadas, salvo quando forem expres-
® Os nove primeiros artigos de um ato oficial deverão ser grafados com or-
sões de uso já consagrado na língua (como aquelas herdadas do latim:
dinais, ao passo que os restantes serão indicados por meio de algarismos
ad hoc, ad referendum, sic, etc.) ou não dispuserem de tradução exata cardinais.
em nosso idioma (royalties, por exemplo). Caso empregadas, deverão ser
grafadas em negrito, itálico ou "entre aspas" e sua translineação obedecerá 4. Emprego de pronomes de
às regras da respectiva língua. tratamento na interlocu9ão
2. Siglas e abreviaturas ® Para altas autoridades do Governo, além de deputados e senadores, usa-se
Vossa Excelência (V. Ex•).
® As siglas serão grafadas em estrita consonância com a sua fórmula ori-
ginal, podendo desobedecer às regras de acentuação (PETROBRAS) ou,
0 Vossa Senhoria (V. S•) é empregado para funcionários graduados e oficiais
0 Carta: forma de correspondência com personalidades, utilizada para fazer
até coronel.
convites, solicitações, externar agradecimentos ou transmitir informações.
0 Usa-se Vossa Magnificência (V. Mag•) para Reitores universitários.
0 Declaração: é ato verbal ou escrito, afirmativo da existência ou não de
0 Emprega-se Vossa Majestade (V. M.) para reis ou imperadores e Vossa um direito ou um fato.
Alteza (V. A.) para príncipes.
0 Decreto: ato escrito, emanado de Chefe de Estado ou de órgão do Poder
5· Formas de Cortesia no Executivo, destinado a assegurar ou normalizar situações políticas, so-
fecho da correspond~ncia ciais, jurídicas ou administrativas, ou a reconhecer, extinguir ou modificar
um direito, obrigação ou responsabilidade.
0 "Respeitosamente" se usa para autoridades superiores, inclusive o Presi-
dente da República; 0 Medida Provisória: é ato com força de lei expedido pelo Presidente da
0 "Atenciosamente" se usa para autoridades do mesmo grau de hierarquia República em casos de urgência ou de interesse público relevantes, tais
ou de plano inferior; como segurança pública, normas tributárias, criação de cargos e fixação
de vencimentos, desde que não haja aumento de despesa.
0 O Manual da Presidência aboliu o uso de Digníssimo (DD.), Mui Digno
(MD.) e Ilustríssimo (Ilmo.); 0 Mensagem: é ato escrito e solene com que o Presidente da República
0 "Doutor" e "Professor" são títulos acadêmicos e não devem ser usados se dirige ao Congresso Nacional por ocasião de sua abertura ou para
indiscriminadamente. propor orçamentos, encaminhar projetos de lei, apresentar nomes para
provimento de cargos ou esclarecer as raz ões de seu veto a projetos de lei.
6. Principais Atos Oficiais
0 Ofício: correspondência oficial usada pelas autoridades públicas para
0 Alvará: documento pelo qual o agente público, com base em texto legal, tratar de assuntos de serviço ou de interesse administrativo. Seu formato
autoriza a um particular o exercício de determinada atividade, como é ditado por Instrução Normativa da SAF.
comércio, mineração, construção e outras.
0 Portaria: ato expedido por Ministro de Estado, Secretário ou dirigentes
0 Ata: é o registro sucinto de fatos, ocorrências, resoluções e decisões de
de órgãos da Administração Pública, com o objetivo de dar instruções
uma assembleia ou reunião.
relativas à administração, orientar a aplicação de textos legais ou disci-
0 Aviso: correspondência oficial, com estrutura semelhante à do ofício, plinar matéria não regulada em lei.
assinada por Ministro de Estado e/ou dirigentes de órgãos integrantes da
Presidência para comunicação com autoridade de igual nível hierárquico. 0 Relatório: é documento em que se expõe à autoridade superior a execução
de tarefas inerentes ao exercício do cargo em determinado período.

30
31
bulas alterados, inclusive aqueles com consoante muda (o substantivo facto, por

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.. Recomendayões para o
emprego da lÍngua
escrita (dita) culta
exemplo, perdeu o c e passou a adotar a grafia usada no Brasil - fato -, no ml'
que no português europeu significa "terno"). Contudo, com o firme apoio do
Ministério da Cultura, o Novo Acordo finalmente veio a ser subscrito pelo par
lamento lusitano, que, por força dos aspectos comerciais e financeiros, adm itiu
a necessidade de unificação dos sistemas ortográficos para facilitar o acesso
dos internautas às mais diversas referências registradas em língua portuguesa
Ainda que os eventuais erros (ou seja, os desvios da chamada norma
na rede virtual.
culta da língua escrita) identificados pelos corretores na prova de um candidato
possam representar apenas um desconto mínimo à sua nota de conteúdo (NC), Graças à adesão de Brasil e Portugal, aceleraram-se os trâmites para
este deverá sempre evitar a dedução de quaisquer décimos, a fim de que a nota a ratificação do Acordo em todos os países africanos e o documento- an tes
final da prova discursiva (NPD) lhe assegure uma boa classificação entre todos os contestado ou, até mesmo, rejeitado por alguns deles - acabou por tornar-se
aprovados no processo seletivo. Por esse motivo, enunciamos a seguir algumas uma realidade social. O próprio CESPE e outras renomadas Bancas tratara m,
recomendações básicas para aprimorar seu domínio dos Aspectos Microestru- desde a primeira hora, de adotar uma postura clara e coerente sobre a questão.
turais do texto, de acordo com os três quesitos estipulados pela Banca: Grafia Em comunicado oficial ao público, o Centro de Seleção da UnB notificou que,
a partir de 2009, suas provas objetivas seguem exclusivamente o Novo Acordo,
& Acentuação, Morfossintaxe e Propriedade Vocabular.
ao passo que as provas discursivas poderão ser respondidas, até 2012, segundo a
antiga ou a nova legislação, desde que o candidato não as misture em seu texto.
I. Gra fia & Acent uayão A fim de que se possa ter imediata compreensão das mudanças previstas
Desde 2009, uma das maiores preocupações dos candidatos tem sido a em nosso sistema ortográfico, transcrevemos abaixo um quadro comparativo
implantação do Novo Acordo Ortográfico firmado entre as sete nações que em dos dois Acordos.
1990 adotavam o português como língua nacional (Brasil, Portugal, Angola,
Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe). Além de supri-
mir alguns itens de Acentuação Gráfica válidos desde 1943 (como o acento dos Quadro Comparativo entre o Antigo e o Novo Acordo Ortográfico
ditongos abertos éi e ói em palavras paroxítonas, o anacrônico acento diferencial I - Acentua ão IForma em vigor até 201 2 INova grafia apr~~~d~ . i

de intensidade e o polêmico sinal de trema), a legislação aprovada estabelece a) Fim do acento nos ditongos
;tbertos "ei" e "oi" de palavras assembléia, jibóia assembleia, jiboia
mudanças significativas no emprego do hífen diante de prefixos e em vocábulos paroxítonas
compostos, assim como pequenas alterações no uso de iniciais maiúsculas.
h) Fim do acento nas formas
creem, leem
O público brasileiro certamente se impressionou com o grande estarda- 1·crbais com "eem"
lhaço que se promoveu nos meios de comunicação sobre o Novo Acordo, des- , l rim do acento no primeiro "o"
vôo, enjôo voo, enjoo
crito quase sempre como uma verdadeira "revolução" na língua. Mera falácia do hiato "oo"
dos jornalistas, só possível em um país cujo sistema formal de ensino é um dos d) Fim do acento nas paroxítonas
,·m que as vogais "i" e "u" formam
baiúca, feiúra Ibaiuca, feiura
mais precários da América Latina. Afinal de contas, as alterações já em vigor Atenção ~ Piauí, Grajaú Piauí, Grajaú
hiato com um ditongo
entre nós aplicam-se à grafia de um percentual mínimo de palavras do idioma,
l')Fim do acento no "u" tônico
ou seja, 0,5% das formas grafadas no português brasileiro. nas conjugações de verbos como argúem, averigúem arguem, averiguem
É fato que em Portugal houve uma razoável resistência para a aprovação .trguir e redarguir
da reforma, sobretudo no meio acadêmico, em face do maior número de vocá-

33
32
pára (v.) x para (prep.) para (v.) x para (prep.) Obs.: Recomenda-se a leitura completa da Súmula das Regras de Acen·
pêlo (s.) x pelo (prep.) pelo (s.) x pelo (prep.) tuação e dos casos de Emprego do Hífen na última seção deste capítulo
(Dicas Gramaticais).

tem (sing.) x têm (pl.)


II. Morfossintaxe
vem (sing.) x vêm (pl.)
detém (sing.) x detêm (pl.) Este quesito engloba vários capítulos bastante relevantes da Gramática
Normativa, entre eles o emprego das Classes Gramaticais, os diversos itens tk
dêmos (pres. do subj.) x demos (pret. perf. ind.)
amámos (pret. perf.) x amamos (pres. do ind.)
Flexão Nominal e Verbal, a estruturação do Período Composto (por Coordt•
ou nação e Subordinação), os usos formais de Regência Verbal, as prescrições dl'
Concordância Nominal e Verbal, as recomendações para o Emprego e Colowç11o
de Pronomes, além das regras básicas de Pontuação.
Obs.: O novo acordo passa a considerar oxítonos os monossílabos tônicos Como se trata de uma ampla gama de aspectos gramaticais, enunciamos
a seguir algumas advertências úteis a todos aqueles que não desejam incidir em
certos erros bastante recorrentes que os corretores do CESPE/UnB costumam
penalizar. Além disso, para os que desejam ou precisam recapitular seus co
nhecimentos acerca desses tópicos, transcrevemos no final deste capítulo uma
súmula didática das prescrições formuladas pelos principais autores normativos
(Celso Cunha, Evanildo Bechara e Rocha Lima, entre outros) sobre a matéri a.

1. Emprego adequado dos tempos verbais


Rua ou rua da ® A norma letrada valoriza tempos simples como o pretérito perfeito c o
Liberdade
Largo ou largo da
futuro do presente, observando com rigor a correlação entre as diversas
Rua da Liberdade formas e a pertinência do tempo utilizado: conforme se alertou acima,
Carioca
Largo da Carioca
Igreja ou igreja do prefira "amanhã sairemos" à fórmula "amanhã vamos sair".
Igreja do Bonfim
Bonfim ® Evite a correlação entre o presente do indicativo e o futuro do subjuntivo
Palácio da Cultura
Palácio ou palácio ("Se analisamos este caso, veremos que...") e outras similares, optando
da Cultura
Português ou sempre pelo que prescreve a tradição culta ("Se analisarmos este caso, ... ").
português
ou auímica 2. Uso da voz passiva pronominal ou sintética
® Inúmeras construções que a língua coloquial considera casos típicos de
sujeito indeterminado, em face da posposição do sujeito (que ocupa o

'4
lugar habitualmente reservado ao objeto), são, para a chamada língua
culta, autênticas construções de voz passiva pronominal. Em sendo Cf.: Eu sou mais eu. Esse problema é para eu resolver.
assim, favor observar a flexão verbal: vendem-se produtos, fazem-se ® Os pronomes oblíquos atuam como complemento verbal (ohjclu
planos mirabolantes, fixam-se metas inatingíveis, etc. direto I indireto) ou complemento nominal. No caso da Ja peSS(l<l,
porém, há uma clara divisão de funções entre as formas que altJafll
3. Emprego preciso dos conectivos como complementos verbais: o(s)la(s) exercem o papel de objeto direi (I
e lhe(s) funciona como objeto indireto.
® Não adote formas desautorizadas pela norma letrada, como a locução
proporcional "na medida que" (variante coloquial de à medida que), Cf.: Para mim, será fácil resolver isto. Ela o adora, mas não lhe perdooro
essa falta .
nem confunda o valor semântico de certas conjunções (porquanto é
causal, posto que é concessiva, assim como conquanto, ao passo que
® Quando equivalerem a um pronome possessivo adjetivo, as formas
contanto que é condicional).
oblíquas átonas exercerão o papel de um adjunto adnominal.
® Cuidado também com o pronome relativo onde, que só pode ser usado
na função de adjunto adverbial: é comum que ele apareça erradamente Cf.: Ele roubou-me a carteira. [=Ele roubou a minha carteira.]
em referências de tempo ("Uma era onde os sonhos eram únicos") ou
0 Quando complementam verbos causativos (mandar, fazer, deixar. .. ) ou
em construções sem nenhum valor locativo ("Eis um projeto onde todos
sensitivos (ver, ouvir, sentir) seguidos de infinitivo, as formas átonas
os governos investem").
atuam como sujeito da oração seguinte (neste caso, é inadmissível o
® Atente ainda para o significado das locuções prepositivas: em vez de uso dos pronomes retos!).
= "em lugar de"; ao invés de = "ao contrário de"; etc.
Cf.: Mandei-o sair. [=Mandei que ele saísse.] I Ela não me viu sair.[=
Ela não viu que eu saía]
4• Obedi~ncia estrita às prescri9ões
da reg~ncia oficial ® Os pronomes pessoais de tratamento deverão sempre enunciar-se
® Verbos de movimento pedem preposição a I até I para (Chego à con- com as formas verbais e os demais pronomes que a eles se referem na
3a pessoa.
clusão de que ... I Vou à festa) e verbos de repouso regem preposição em
(Moro em Vila Isabel). Cf.: Vossa Excelência deveria preocupar-se um pouco mais com seus
® Verbos de duplo complemento regem um termo com preposição e outro eleitores, Senhor Deputado.
não preposicionado, com eventual alternância de objetos (Informo-os
de que... I Cientifico-lhes que... ), havendo, porém, algumas exceções, 6. Princípios gerais de pontua9ão
como queixar-se (Queixou-se do fiscal ao diretor) e resultar (Graves
® O emprego dos sinais de pontuação, sob o ponto de vista gramatical,
prejuízos resultarão dessa medida ao governo), que aceitam dois objetos
obedece a preceitos essencialmente sintáticos - as eventuais pausas
regidos de preposição.
para "respiração" jamais poderão desrespeitar as normas básicas de
5· Cuidados básicos no uso dos pronomes átonos estruturação dos termos na oração, segundo a sequência tradicional
da nossa língua, ou seja:
0 Os pronomes retos exercem funções típicas do caso nominativo no latim, Sujeito - Verbo - Complemento Verbal- Adjunto Adverbial
ou seja, atuam como sujeito ou predicativo da oração que integram. Sujeito - Verbo de Ligação -Predicativo -Adjunto Adverbial

36
'7
Por força desse princípio, é inadmissível em uma oração o uso da
Ao novo Governo, coube-lhe promover a reformapolítica. [pleonasmo aceito!
vírgul a entre o sujeito e o verbo, e.ntre o verbo e seus complementos,
assim como entre o verbo de ligação e o predicativo. ® Jamais empregue expressões que formam cacófatos ("como a concebo"
[=como-a com sebo], "essa cana " [=e' saca na], "a vez passa da" [=a vespa
Cf.: Os candidatos estudavam os últimos tópicos às vésperas da prova.
assada], etc.) e o uso de termos vagos ou imprecisos.
Os candidatos estavam nervosos às vésperas da prova.
® Ignore os pronomes coloquiais, tais como "a gente", "dele" e outras
formas recém-criadas, utilizando sempre os equivalentes do padrão
Obs.: Se o adj. adverbial vier antecipado, justifica-se a presença da vírgula: dito culto ("nós", "seu/sua", etc.).
As vésperas da prova, os candidatos estudavam os últimos tópicos.
2. Observancia do princípio do paralelismo
® O preceito acima também se aplica à estruturação análoga do período ® As construções deverão m anter total coerência em sua estrutura
composto por subordinação, ou seja, torna-se inviável a ocorrência de vír- sintática e lexical. Assim, na enumeração dos itens ilustrativos de um
gula entre uma oração principal e uma oração subordinada substantiva tópico, não se devem alternar núcleos nominais e verbais, como fez,
(com exceção das apositivas, normalmente precedidas de dois pontos). equivocadamente, um candidato na prova cujo tema era "o usuário
Cf.: A União deseja que as Secretarias de Estado se unam à iniciativa. dos serviços públicos: contribuinte e cidadão". 4 Ao discriminar os
É necessário que tal integração se dê em curto prazo de tempo. novos serviços prestados ao público pelo Estado, ele redigiu:
Exceção: Nossa expectativa é apenas esta: que o convênio seja assinado "[ ... ]entre os quais se pode destacar: o agendamento telefônico no INSS;
neste ano. o cidadão pode acessar, de casa, o MPU; [... ]"
Sugestão de reescritura: [...] entre os quais se pode destacar: o agendamento
Obs.: Confira nas dicas gramaticais a lista dos principais casos de Regência telefônico no INSS; o acesso do cidadão ao MPU desde sua própria casa,; [...]
Verbal, as regras gerais de Colocação Pronominal e as normas básicas
de Pontuação. ............................. .
..............................
Dicas Gramaticais

III. Propriedade Vocabular


I. Grafia & Acentua9ão, segundo o
1. Rigorosa sele9ão lexical Antigo e o Novo Acordo Ortográfico
® Prefira sempre as formas de maior prestígio, pois, como já se disse, as
gírias são inadmissíveis (adulto x "marmanjo"; capital x "grana"; rosto Súmula das Regras de Acentua9ão Gráfica
/fiace x "cara"; etc.).
® Evite as redundâncias, sobretudo a repetição de vocábulos cognatos 1. Acentuam-se todos os vocábulos proparoxítonas.
no mesmo período ou parágrafo ou o uso dos chamados pleonasmos Ex.: gramática, pêssego.
viciosos, que não possuem qualquer valor estilístico.
4.
Cf.: O Governo decidiu adotar essa decisão em 2010. Trata-se do concurso para o Tribu nal Regional Eleitoral de Goiás (TRE- GO) em 2008, cujo tópico abordado

[Sugestão de reescritura: O Governo decidiu adotar essa medida em 2010.] pelo cand idato no trecho aqui transcrito era a "contribuição da tecnologia para a melhoria dos padrões de acesso,
dispon ibilização efomecimento dos serviços públicos".
"Eu nasci há dez mil anos atrás" [pleonasmo vicioso]

38
Ex.: heroína, açaí, país, saúva, baú (cf. saída x sair x saindo I baú x Raul)
Obs.: A s• edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa
Obs.: Se a segunda vogal for idêntica à primeira, não se acentuará
(2009) considera termos estrangeiros os vocábulos latinos habitat e
(xiita, paracuuba).
de.ficit, grafando-os sem acento.
2. Acentuam-se os paroxítonos terminados em l, n, r, x e ps, assim como
Atenção: Consoante o Novo Acordo, a ocorrência de 2• vogal tônica pre-
os de final ã/ãs, i/is, om/ons, um/uns, us e ditongos (seguidos ou não
cedida de ditongo em vocábulos paroxítonos já não é marcada por acento.
de s). Cf.:Jeiura, baiuca, etc. x Piauí (oxítono!)
Ex.: fácil, pólen, ímpar, ônix, fórceps, ímã, táxi, grátis, rádom, nêutrons,
álbum, água, vôlei.
7. Acentua-se a 1• vogal (tônica) dos hiatos êe e ôo.
3. Acentuam-se os oxítonos terminados em a/as, e/es, o/os e em/ens.
Ex.: crêem, dêem, lêem, vêem, enjôo, vôo.
Ex.: cajá, ananás, café, freguês, abricó, retrós, armazém, parabéns.
Obs.: A 3• p. do pl. do ind. pres. das formas verbais derivadas de ter
e vir (contêm I convêm) apresenta um acento circunflexo a que LUFT
(1976) denomina acento diferencial morfológico.
4. Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em a/as, e/es e o/os.

Ex.: já, gás, fé, três, só, nós.


Obs.: A 3" p. do pl. do ind. pres. dos verbos ter e vir também apresenta
um acento diferencial morfológico (têm I vêm).

5. Acentuam-se os ditongos abertos (tônicos) éi, éu e ói.


Ex.: papéis, réis, chapéu, léu, caubói, rói.

Atenção: Segundo o Novo Acordo Ortográfico, os ditongos tônicos inciden-


tes em vocábulos paroxítonos não são mais acentuados. Cf.: assembleia,
paranoia, etc.

6. Acentuam-se o I e o U (tônicos), nas seguintes circunstâncias: 2• vogal


de hiato; sozinhos ou seguidos de s na sílaba; não nasalizados.

41
40
10. Em relação ao U dos grupos gue/gui e que/qui, há três variantes: se ele
3. Em alguns vocábulos formados por sufixos de valor adjetivo (capim
não for pronunciado, não receberá qualquer sinal; se for pronunciado
açu, amoré-guaçu, araçá-mirim)
e átono, levará trema; e se for pronunciado e tônico, receberá acento
agudo. 4. Em vários grupos de vocábulos formados por derivação prefixai

Ex.: guerra, guitarra, queijo, quilo, aguentar, linguiça, quinquênio, a) qualquer palavra receberá hífen após os prefixos além-, aquém - e
averigúem, argúi. recém-; pós-, pré- e pró-; bem- e sem-; sota-, soto- e vice-; nuper-,
ex- e co-.

b) radicais iniciados por h, r, s ou vogal sempre exigirão hífen para os


prefixos gregos auto-, neo-, prato- e pseudo-, assim como para os
prefixos latinos intra-, extra-, infra-, supra-, contra- e semi-.
Casos de prosódia duvidosa c) radicais iniciados por h, r ou s exigirão hífen para os prefixos ante ,
(em confonnidade com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, edição 2009) anti-, arqui- e sobre-.
d) diante de radicais iniciados por h ou r, receberão hífen os prefixos
1. Proparoxítonas: aerólito, arquétipo, bávaro, édito (= ordem judicial), inter-, super- e hiper-.
idólatra, ínterim, lêvedo (adj.), monólito e ômega; e) diante de radicais iniciados por h ou vogal, receberão hífens os prefixos
2. Paroxítonas: batavo, ciclope, fluido x fluído (v.) ,fortuito, gratuito, ibero, circum-, com-, mal- e pan-.
ímpio (= sem fé) x ímpio (=cruel), maquinaria, maquinário, necropsia, f) diante de r, exigirão hífen os prefixos ab-, ob-, sob- e sub-.
pudico e rubrica;
3. Oxítonas: condor, mister (=necessário), Nobel, novel, ruim, sutil e ureter;
4. Dupla Prosódia: acróbata ou acrobata, biótipo ou biotipo, boêmia ou
boemia, dúplex (preferencial) ou duplex; hieróglifo ou hieroglifo, Oceânia
ou Oceania, ortoépia ou ortoepia, projétil ou projetil, réptil ou reptil,
sóror ou soror, zângão ou zangão.

li O emprego do hÍfen (ocorr~ncias básicas)


!I liI

1. Nos casos de mesóclise e ênclise

11111
2. Na maioria das palavras compostas por justaposição
"1

4
Emprego de algumas expressões Emprego das iniciais maiúsculas

1. Porque I porquê x por que I por quê É obrigatório o uso de letra inicial maiúscula

Porque: típico conectivo, que pode ser classificado como conj. coorde- a) No começo de período, verso ou citação direta
nativa explicativa (= pois), conj. subordinativa causal (= como) ou final
h) Nos substantivos próprios de qualquer espécie
(=para que). Ex.: Não fomos porque era muito longe.
c) Nos nomes próprios de eras históricas e épocas notáveis
Porquê: funciona como substantivo, sempre determinado por artigo
d) Nos nomes de vias e lugares públicos
ou pronome. Ex.: Eis o porquê da briga.
e) Nos nomes que designam altos conceitos religiosos, políticos e nacionalistas
Por que: em geral, funcion a como advérbio interrogativo de causa,
f) Nos nomes que designam artes, ciências e disciplinas
enunciado no início ou no meio de uma interrogação direta ou indireta.
g) Nos nomes que designam altos cargos, dignidades ou postos
Ex.: - Por que você não veio? I Quero saber por que ela faltou.
h) Nos nomes de repartições, corporações ou órgãos públicos
Há casos em que o por atua como preposição, acompanhando o pron.
i) Nos títulos de livros, jornais, revistas e produções artísticas ou científicas
relativo que em uma oração adjetiva (Conheça os ideais por que todos lu-
tamos) ou integrando uma conj. integrante (Anseio por que nada falhe). j) Nos nomes de fatos históricos notáveis
l) Nos nomes de estabelecimentos de ensino
Por quê: também funciona como adv. interrogativo de causa, mas só
pode ser enunciado no final da frase . Ex.: - Você não veio por quê? m) Nos nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões
n) Nas expressões de tratamento ou reverência
2. Há I a / à o) Nas expressões de apreço ao destinatário, em mensagem epistolar
Há: flexão do verbo haver, com variadas acepções(= existir; = indicação
de tempo decorrido; = ter). Ex.: "Eu nasci há dez mil anos atrás ..."
A: pode funcionar como art. definido, pronome pessoal oblíquo (Ele
não a viu), pronome demonstrativo (Perdi tua caneta, mas achei a
de Maria) ou preposição (Estamos a poucas horas da decisão).
À: é a contração da prep. a com outro a (art. definido ou pron. de-
monstrativo). Ex.: "Você já foi à Bahia?" I "Essa cômoda é igual à
de minha avó".

44 4~ ~
II. Reg@ncia Verbal & Uso da Crase
a) TDI + prep. a (regendo obj . indireto de pessoa)
h) TDI + prep. de ou sobre (regendo obj. indireto de coisa)
Verbos e regimes dignos de nota Ex.: A Receita Federal notificou os contribuintes sobre o novo prazo
de entrega ou
1. Aspirar
A Receita cientificou aos contribuintes a nova data de devolução.
a) = inspirar, sorver, cheirar - Trans. Dir.;
b) = almejar, visar- Trans. Ind. + prep. a I para I por (recusa pronome 5. Custar
átono: me, lhe, etc.). a) =valer, ser adquirido pelo preço de- TI + prep. a (ou pronome) + Adj.
Ex.: Ela aspirou uma fragrância rara. I Nós aspiramos a um cargo no Adv. de Preço;
Tribunal. h) = acarretar, causar - TDI + prep. a (ou pronome);
c) = ser custoso- TI + prep. a (ou pronome)+ oração subjetiva reduzida
2. Assistir
de infinitivo
a) = presenciar, ver- T. Ind. + prep. a (recusa pronome átono);
Ex.: Essa obra custou ao Estado R$ 2,5 milhões. I Esse escândalo custará
b) =acompanhar, socorrer - T. Dir. ou T. Ind + prep. a (aceita pronome átono);
ao parlamentar a perda de seu mandato. I Custava-lhe aceitar tal decisão.
c) =caber, pertencer - T. Ind + prep. a (ou pronome);
d) =morar, residir- Intrans. + prep. em (regendo adjunto adverbial de lugar) 6. Esquecer
Ex.: Nós assistimos ao evento. I O advogado assistiu o réu em seu de- a) = olvidar - possui duas construções: TD (forma não pronominal) I
poimento. I Não assiste ao criminoso esse direito (=Não lhe assiste ...). TI + prep. de (pronominal);
I O requerente assiste nesta cidade. b) = cair no esquecimento - TI + prep. a (ou pronome)
Ex.: Os candidatos esqueceram-se do prazo oficial. I Eles esqueceram cer-
3. Chamar
tos itens do Edital. I Esqueceram a todos as regras previstas para este caso.
a) = atrair, convocar - TD I TDI + prep. a I para;
b) = invocar - TI + prep. por; 7. Implicar
c) apelidar, nomear- TD + Predicat ivo do OD I TI + prep. a (ou prono- a) = enredar(-se), envolver(-se)- TDI + prep. em;
me) + Predicativo do OI b) =antipatizar, hostilizar- TI + prep. com
Ex.: Chamou-o para a festa. I Chamava por todos os santos e orixás. I
c) = acarretar, provocar - TD(I) + prep. a
Chamaram-no de mentiroso ou Chamaram-lhe mentiroso.
Ex.: A jornalista implicou o parlamentar em grave escândalo. I O de-
4. Cientificar I Informar I Notificar I Avisar putado sempre implicava com os assessores. I Essa medida implicará
Admitem dupla construção, com inversão de funções entre os objetos certo desgáste ao Presidente.
de pessoa e coisa:

46 47
8. Obedecer I Desobedecer I. O conceito de CRASE
Ambos possuem o mesmo regime - TI + prep. a (ou pronome). Obs.:
Celso Cunha admite a passagem para a Voz Passiva, convertendo o É o fenômeno de contração da prep. a + a/as (art. def. ou pron. de-

objeto indireto da Ativa em sujeito da VP. monst.), aquele(s) I aquela(s) I aquilo (pron. demonst.), a qual/as quais
(pron. relativo). Para seu reconhecimento, é preciso observar a regência
Ex.: Os governantes não obedecem às suas próprias leis. I As leis nunca
do nome ou verbo que precede a expressão passível de crase, assim como
são obedecidas.
a possibilidade de determinação do substantivo pelo art. def. a/as (caso
9.Pagar mais comum).
a) =ressarcir, honrar uma dívida- TI+ prep. a (ou pronome) I TDI + Cf.: Vamos à Bahia? x Viemos da Bahia
prep. a (ou pronome); Vamos a Brasília? x Viemos de Brasília.
b) = expiar, penar - TD I TI + prep. por
Ex.: O advogado não pagou as dívidas ao proprietário. I O réu pagará II. Recomenda9ões para o emprego da crase
por seus crimes.
1. É proibida a crase
10. Perdoar a) Diante de palavra masculina
Nas acepções de "desculpar", "absolver"- TDI + prep. a (com OD de b) Diante de formas verbais
coisa ou fato e OI de pessoa) c) Antes de artigos e pronomes indefinidos
Ex.: O juiz não perdoará essa falha ao promotor. d) Antes de pronomes pessoais e formas de tratamento
11. Preferir Obs.: Ocorrerá crase diante das expressões Senhora, Senhorita, Ma-
Nas acepções de "priorizar", "privilegiar"- TD I TDI + prep. a (recusa dame e Dona (adjetivada)
advérbio de intensidade!) e) Antes dos pronomes relativos quem e cuja
Ex.: O Brasil prefere a negociação ao confronto. f) Nas expressões formadas por palavra repetida
g) Diante da palavra casa, se esta não estiver determinada
12. Visar
h) Diante da palavra terra, em sentido oposto a bordo
a) = autenticar, dar visto em- TD;
i) Antes dos nomes femininos de vultos e personalidades históricas
b) = mirar, apontar arma de fogo - TD;
c) = aspirar, almejar - TI + prep. a (recusa pronome átono) 2. É facultativo o uso da crase
Ex.: O gerente visou o cheque. I O Governo visou d alvo errado. I Ele a) Antes de nome próprio feminino
visa ao cargo de Fiscal.

48 4
b) Após a preposição até e) Após uma Conjunção Subordinativa
c) Antes de um pronome possessivo adjetivo, no singular f) Nas frases Interrogativas
d) Após a palavra casa, se vier determinada pelo nome do morador ou g) Nas frases Exclamativas e Optativas (que exprimem desejo)
proprietário h) Nas construções com a preposição em + verbo no Gerúndio
e) Diante de alguns nomes locativos, tais como África, Espanha, Europa, i) Nas orações coordenadas sindéticas Alternativas
França, Holanda e Inglaterra, que aceitam ou não a anteposição do artigo Obs. 1: Alguns autores também recomendam próclise após Pronome
Demonstrativo
3. Advirta-se a obrigatoriedade da crase
Obs. 2: Com Pronomes Pessoais Retos, é indistinto o uso de pródise
a) Quando estiver subentendida, mesmo diante de palavra masculina, a
ou êndise
expressão à moda de (= à maneira de)
Cf.: Ela me disse adeus I Ela disse-me adeus.
Ex.: Filé à Oswaldo Aranha I Chapéu à Napoleão.
b) Na indicação precisa das horas 2. Emprega-se a Ênclise
Ex.: Ele chegou à uma hora. I Ele chegou às treze horas. a) No início de Frase ou Período
c) Nas expressões formadas com palavra feminina plural b) Com verbo no modo Imperativo Afirmativo
Ex.: Saiu às pressas. I Vivia às turras com a família. c) Com verbo no Infinitivo dito Impessoal, sobretudo se regido pela
d) Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas formadas por preposição a
palavras femininas Cf.: Ele vivia a ajudá-la I Fez isso para não comprometê-la (ou não a
Ex.: Ele estuda à noite (= de noite) x O cientista estuda a noite (= pes- comprometer)
quisa o céu noturno). 3. Só é possível a Mesóclise no Futuro do Presente e Futuro do Pretérito
do Indicativo. Cf.: Dir-lhe-ei I dir-lhe-ia I entregá-lo-íamos I vendê-lo-ás
III. Coloca9ão dos pronomes átonos
Obs.: Neste caso, é inadmissível a êndise (direi-lhe I diria-lhe são
Regras básicas de coloca9ão pronominal condenados pela norma letrada). Se algum elemento pedir pródise,
em rela9ão a um único verbo esta prevalecerá. Cf.: Eu não lhe diria tal coisa.

1. Emprega-se a próclise Coloca9ão dos pronomes átonos nas


a) Após palavras que expressem Negação locu9ões verbais e tempos compostos
b) Após um Advérbio ou Locução Adverbial, não precedido de pausa
Respeitadas as determinações anteriores (relativas a uma forma verbal
c) Depois de um Pronome Indefinido
simples) a única posição inviável será a Ênclise ao Particípio.
d) Depois de um Pronome Relativo

-
l
50
-
Cf.: Quero contar-lhe um segredo I Quero-lhe contar algo (forma mais
usada em Portugal) i) Para destacar as conjunções conclusivas logo, pois e portanto
Eu não lhe soube responder I Eu não soube lhe responder (forma pre- j} Para separar termos de idêntica função, coordenados entre si
ferencial no Brasil) k) Nas construções com polissíndeto ("Trabalha, e teima, e lima, e sofre,
Inadmissível: Ela tinha avisado-me (posição condenada pela gramática e sua" - O. Bilac)
normativa) I) Para destacar termos deslocados no período, especialmente o adjunto
adverbial antecipado
IV. Noções de pontuação m) Para separar termos ou orações intercalados

I. O Emprego da vírgula n) Para isolar palavras e expressões denotativas de explicação, retificação


e situação (aliás, digo, isto é, ou seja, etc.)
1. É recomendável ou obrigatório o uso da vírgula o) Para indicar a supressão de um termo da oração (Taciana estuda Jor-
a) Nas indicações de local e data nalismo; Cassiano, Publicidade)

h) Para isolar o vocativo


II. O emprego do ponto-e-vírgula
c) Para isolar o aposto explicativo
d) Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas 0 Usa-se o ponto-e-vírgula para:
e) Para demarcar as orações subordinadas adverbiais, sobretudo se an- a) Separar os segmentos coordenados dentro de um período
tepostas à principal h) Separar dois grupos de construção, caso algum deles já esteja sub-
f) Para separar as orações coordenadas assindéticas dividido por vírgula
g) Para demarcar as orações coordenadas sindéticas, exceto as introdu- c) Distinguir os itens de uma enumeração
zidas por e d) Separar os diversos considerandos ou itens de uma lei, de um de-
h) Para destacar as conjunções adversativas porém, todavia, contudo, creto, de uma portaria, etc.
entretanto e no entanto

52

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a) Campo:
Encenação discursiva:
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; , - -·•oc'<'·• I/
Capítulo
5
a redação do texto
dissertativo
J Tipo de ato social que está sendo executado. No caso de concursos, tral<l ·
-se de uma seleção dos mais competentes, à moda de Darwin.
~~~ ~- -·-· ~ ·-·~

b) Relação:
Diz respeito ao grau de aproximação/distanciamento entre os participa"
Na situação social de concursos, há uma ação teatral em que os partici- tes da encenação. Em concursos, há um grau elevado de controle assumido, por
pantes desse ato comunicativo desempenham certos papéis, determinados pelas dever de ofício, de um participante sobre o outro. Nesse contexto, a relação ent 1i'
posições ou lugares sociais em que se encontram nesse evento de fala. os "atores sociais" [Banca/Candidato] é a de distanciamento quase máximo t' dl'
Para se entender essa encenação de concursos, pode-se compará-la com hierarquia de conhecimentos. Estes atores não são, nem devem ser, parente:;,
outras encenações. Por exemplo: encenação familiar de fala, encenação esco- amigos ou conhecidos.
lar, encenação de uma consulta médica, encenação de prqpaganda política. A
de concursos contém também os elementos de uma cenografia 5 : os atores que
Esse ato social de linguagem é efetuado por meio de dois sujeitos jurídicos,
obedecem a um ritual discursivo específico desse momento e desse lugar social.
regidos por um contrato. De um lado, o Edital tem a força de constituir o
Nessa cenografia, há duas perspectivas. A primeira é o ponto de origem, lugar
de onde saem os discursos de comando (a Banca). A segunda, o lugar de onde sujeito jurídico Banca. Do outro, a Inscrição tem a força de constituir o
saem as respostas produzidas, a partir da primeira (candidatos). inscrito em Candidato. Ambos estão submetidos a um contrato: o Edital.

De saída, alertamos que essas duas vozes não estão em pé de igualdade.


Há entre o ator-banca e o ator-candidato uma relação sociodiscursiva desigual, c) Modo:
assimétrica. É o meio pelo qual os participantes entram em interação. Nos concursos,
esse meio ou instrumento/ferramenta é o texto escrito de acordo com as normas
I. Concursos e situação social argumentativa impostas e controladas pela Banca, via Edital do concurso e comandos das questões.
Um Candidato de um concurso público participa de um jogo ou de um O texto dissertativo expositivo-argumentativo é esse meio de interação
teatro argumentativo. Arma-se uma cena envolvendo os seguintes elementos: dois entre os sujeitos Banca/Candidato. Tem como objetivo avaliar se o Candidato
atores [Banca e Candidato] e um conflito ou uma situação problemática para a qual apresenta as capacidades de desenvolver um assunto, dentro de uma cena ar-
o personagem-candidato deve apresentar, por meio de um texto expositivo-argu- gumentativa, discutindo os aspectos em torno de um tema e/ou apresentando
mentativo, uma solução, avaliada como eficaz ou não, pertinente ou não, pela Banca. uma solução adequada para uma situação-problema.
Concursos públicos são lugares e ocasiões de relações sociais em que par- Sabe-se que as Bancas - usualmente - se limitam a dar o comando geral de
ticipantes ocupam posições hierárquicas diferentes. Isso influencia diretamente "escrever um texto dissertativo", sem indicar com precisão se este é dissertativo-
os padrões do que é dito e como deve ser dito. Nessa situação quase não coope- -descritivo ou dissertativo-explicativo ou expositivo-argumentativo. Além disso,
rativa, os sujeitos são posicionados em termos de divisão social do trabalho. 6 costumam pedir que se "disserte sobre um determinado tema", sem esclarecer
Nessa situação ou contexto imediato, também se ·preveem- como em o que se está querendo dizer com o vocábulo "tema". Para complicar a situação,
outras situações- três elementos: pode aparecer também o comando: "disserte sobre o assunto".

S. MA TNGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação. São Paulo: Cm·tez, 2001.


(> , M EURER, BONINI, MOTTA-ROTH (org). Gêneros: teorias, métodos, debates. São Paulo: Parábola, 2005.

56 7
Ficando mais na situação de concursos, imaginemos outro exemplo de
Ora, trata-se de tarefas completamente diferentes, conforme o quadro
objeto do discurso: o fenômeno social da pobreza. Numa situação de fal a, é
a segui r: possível que esse "objeto discursivo" seja abordado - ao mesmo tempo - em
vários campos do conhecimento. Seria pobreza tecida com fios discursivos
de sociologia, economia, filosofia, teologia, política, história, psicologia,
antropologia, etc., dependendo dos participantes do ato. O assunto é um

~co~H.to.
Tese: conflito ~
no
discurso particular, [aquele do momento] tecido por um conjunto de dis
cursos de campos diferentes do conhecimento, atualizados no momento
~OffilnlO _j
domínio
do evento de fala. O assunto está diretamente ligado a uma encenação ou

-
situação discursiva, dentro de um contexto imediato. Predomina nele o tipo
textual dialógico.

b) Tema:
a) Assunto:
Esse termo designa o objeto do discurso 7• Segundo a teoria da Análise De acordo com Bakhtin 10 , "o sentido de uma enunciação completa é o
do Discurso, esse objeto é o assunto de uma conversação; remete ao plano de seu tema. Tal tema deve ser único. Caso contrário, não teríamos nenhuma base
fundo daquilo de que se fala. Em relação ao tema, o assunto se caracteriza por para definir a enunciação". Para esse grande mestre, não há um "tema puro",
"pular" de uma área de conhecimento para outra. Essas idas e vindas de um desligado de uma situação discursiva (uma enunciação).
território de conhecimento para outro são conhecidas pelo termo técnico de Atentos a isso, os autores deste livro têm em vista o tema dentro da situação
interdiscurso. Os diversos domínios estão frouxamente interligados. Em termos discursiva de um concurso. Por isso, o sentido completo de um tema de concurso
de Análise do Discurso, pode-se definir o assunto como um conjunto de discursos envolve o entorno jurídico dessa situação.
de diversas áreas, cuja configuração de limites não se pode traçar com precisão. Nesse contexto, chamamos atenção para o fato de que o assunto prevê
Há, no assunto, um grau elevado de heterogeneidade discursiva. É o oposto do uma teia de campos ou áreas cognitivas. Já o tema é esse assunto restrito a uma
lema, que tende à concentração do assunto numa área, com grau elevado de ou a um pequeno número de áreas pré-determinado. Enquanto no assunto o
homogeneidade. O assunto, mais que o tema, é, na expressão de Bakhtin, "o desenvolvimento do conteúdo é em forma de teia, costuras em zigue-zague,
reino da polifonia" 8 : há nele muitas vozes, vindas de muitos lugares do saber. no tema predomina a progressão linear- para trás e para frente, para cim a c
O grande mestre Bakhtin9 nos dá o exemplo da fome . Segundo ele, "o para baixo - do assunto. Dependendo do domínio ou território discursivo, um
contexto social mediato determina quais serão os ouvintes possíveis, amigos ou mesmo tema apresenta encaminhamentos diferentes de acordo com as teorias
inimigos. (.. .)As imprecações serão lançadas contra a natureza ingrata, contra si que fazem parte dos arquivos de conhecimento desses domínios, construídos
mesmo, a sociedade, um grupo social ou um indivíduo". Famintos com consciên- ao longo da história desse saber. Assim, por exemplo, há arquivos de saber sobre
cias diferentes de sua fome produzirão discursos diferentes. Conforme o caso, a pobreza em sociologia, em filosofia, em política, em economia, em ciências
leremos o protesto individualista do mendigo ou o protesto da coletividade. Em jurídicas, em ciências administrativas, etc.
lugar do protesto, pode predominar a resignação desprovida de indignação ou O desenvolvimento de um tema prevê um texto dissertativo descritivo
humilhação. É sobre esses terrenos que se desenvolvem os assuntos. expositivo dentro de uma área restrita do conhecimento.

7. CIIARAUDEAU P. & MAINGUENEAU D. Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004.
H. liA K IITIN , M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: HUCITEC, 1979. 10. 11/\KI ITIN , M Oh.<11. p. 114.
•>. lli\!,!ITIN , M.I.Ob. Cit.p. 102.

5
c) Tese: Tanto um como outro ponto de vista carecem de justificativas. Uma
argumentação dialética consiste em fazer o contraponto entre tese e antílesr r
Quando examinamos a história dos arquivos dos conhecimentos de uma
formular uma síntese.
determinada área, vamos encontrar - sempre - o conflito entre teorias. Isso
significa que, quando uma teoria é posta ou dada como solução, num outro mo- Poderíamos, a título de exemplo, armar o seguinte esquema:
mento, em outra situação histórico-social, aparece a contrapartida dessa teoria. Tópico textual Ser analfabeto é um conceito discutível
Temos, então, um processo dialético de tese e antítese. Significa isso que ® O analfabeto linguístico deveria poder se candidatar

a toda tese corresponde uma antítese. Isso vem de longe. Já na Grécia antiga, Argumentação porque não quer dizer que seja analfabeto político.
Heráclito de Éfeso (aprox. 540-480 a.C) dizia que o "conflito é o pai de todas as dialética ® O analfabeto linguístico não deveria se candidatar
coisas". Tudo está em fluxo perpétuo. Uma coisa é a soma de um certo número porque é - normalmente- um analfabeto político.
de tendências.'' Conclusão A solução é deixar por conta da escolha do eleitorado.
A dialética atingiu seu amadurecimento com Hegel (1770-1831) por meio
Em termos de concurso, isso significa que o Candidato deve, logo no
do conceito de superação dialética . No conflito entre duas posições teóricas,
início do texto, confrontar dois pontos de vista dissonantes acerca do tema,
uma não aniquila, não mata a outra. Ao contrário: há uma negociação, uma
discuti-los, compará-los, pesá-los e, por fim, apresentar uma solução provisória:
síntese entre as duas, numa solução provisória. Uma se reconhece na outra e
a superação ou síntese, normalmente, a conclusão do texto.
as duas se superam numa nova síntese. Até que essa síntese é confrontada com
uma nova antítese. E o processo tese/antítese/síntese continua indefinidamente, Aceitar jogar o jogo da tese/antítese é sinal de tolerância. A intolerância
não é senão a resultante lógica da convicção de ser dono da verdade.
conforme o gráfico:

O desenvolvimento de uma tese prevê um texto expositivo-argumentativo. A

/ ·G
------
tese vai além do tema, porque prevê um conflito ou uma situação-problema.

Em resumo:

Assunto: objeto de discurso em áreas heterogêneas- grande grau de polifonia.


/~
Tema: objeto de discurso numa área cognitiva. Próprio do texto dissertativo -
-expositivo.

i
Imagine-se, por exemplo, a seguinte situação dialética:
Tese: objeto de discurso problematizado numa área cognitiva. Próprio do
texto expositivo-argumentativo.

Tanto o tema como a tese estão diretamente ligados a uma área específica
do conhecimento humano. No caso de concurso, as áreas de conhecimentos
temáticos específicos estão previstas no Edital.
® O analfabeto pode se candidatar;
Ora, o conhecimento só ocorre em situações-problema. Sendo assim,
® O analfabeto não deve se candidatar.
então o resultado de todo conhecimento é a solução (ainda que provisória) do
problema. Em situações normais, não temos problema com a energia clét rk .1
11 . KONDER, I.. O qu e é dialética . São Paulo: Brasiliense,l9'ed. 1988 (Co!. Primeiros Passos).

60 d
nossa casa. Mas, um dia, falta luz. Esse incômodo ou problema já é cjeito de
l'tll feita, a presa (o emprego) foge . O texto expositivo-argumentativo de concursos
uma causa, a consequência de um antecedente. Então, procuramos detectar as são "redes de palavras" que mostram a capacidade intelectual de um candid ato
causas, motivos ou razões para chegar à solução desse problema. para expor o conhecimento de um tema ou resolver situações problemáticas nu
O texto expositivo-argumentativo será a análise das causas e consequências área cognitiva em que vai atuar.
de um acontecimento e a apresentação de uma solução (síntese que - por sua Nesta altura, já é hora de o Candidato sublinhar em vermelho que, pa '"'
natureza provisória - fica sempre à espera de uma contrarresposta). a Banca, não basta expor a fundo o assunto. Isto está afirmado - com toda s
A ideia básica é a de que tudo o que existe tem uma causa. Há sempre as letras- em O Jornal do CESPE-UnB, maio/junho de 2010, pelo assesso r de
entre os fenômenos uma relação de causalidade: antecedente e consequente, Planejamento desse Centro, Marcus Vinícius Soares:
causa e efeito.
Trata-se, assim, de descobrir se, realmente, Q (efeito) varia cada vez que
se faz variar P (causa) e se varia nas mesmas proporções. É nessa busca das "Em geral, em uma prova discursiva, busca-se aferir não somente o
relações de causalidade que nascem teorias diferentes com sínteses diferentes. domínio do conteúdo, mas também a capacidade de articulação do
raciocínio e de expressão do candidato".
Segundo a teoria clássica do conhecimento científico, existe entre P e Q
uma relação que se enuncia assim: nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas
A leitura atenta do Edital divulgado pela imprensa e, posteriormente, a
produzem os mesmos efeitos.12 Posta a causa, dá-se o efeito. Cessada a causa, cessa
compreensão do encaminhamento dado pela Banca no corpo da prova são
o efeito. Alterada a causa, altera-se o efeito. 13 Mas a história do conhecimento
decisivas para o sucesso do candidato na sua empreitada.
nos mostra que sempre surgem novos problemas para os quais a teoria antiga
não apresenta solução. E, assim, aproveitando o que já se conhece, evolui-se
para novas formas (provisórias) de conhecimento. A ciência não se desenvolve
Na prova para MPU, cargo 46, nível médio, no concurso promovido pelo
por acumulação ou por um processo gradativo de adição de conhecimentos.
CESPE- UnB, em 2010, a Banca apresentou um fragmento de texto com o seguint e
Ao contrário, o desenvolvimento da maioria das ciências tem-se caracterizado
anúncio: "o texto acima tem caráter unicamente motivador'~ Trata-se de um co
pela contínua competição ou divergências entre diversas concepções teóricas ou
mando que o candidato deve levar em consideração na sua produção textual. No
pontos de vista. Homens diferentes, em situações históricas diferentes, descre-
caso, significa que é vedado copiar/colar o fragmento dado. O excerto foi o segui nt c:
vem e interpretam um mesmo fenômeno de maneiras diferentes, até chegarem
a uma teoria que deve parecer ser a melhor. 14
Cientistas, conforme Alves, 15 "pertencem ao mesmo clube dos caçadores, Os atrasos na criação e na aprovação de projetos de infraestrutura e a falta
pescadores e detetives". Candidatos a concurso são como pescadores. Estes de planejamento para a Copa do Mundo de 2014 estão preocupando os
fazem suas redes com fios. Candidatos que querem "pescar o peixe" de um membros do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia
emprego devem fazer redes de palavras. Se a rede não for suficientemente bem Consultiva. Segundo um dos representantes regionais dessa organização,
esses atrasos podem gerar prejuízos de tempo e dinheiro, visto que as obras
12. CERVO, A. L & BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Pau lo: McGraw-Hill, 1983, p. 31-32.
e os serviços tenderão a ficar mais caros.
13. Com o advento da Física Quântica, essa posição foi superada pelo chamado Princípio da Incerteza. A mesma
causa pode produzir efeitos diferentes e causas d iferentes podem produzir efeitos semelhantes. É o célebre Internet <www.atarde.com.br> (com adaptações)
debate entre Einstein e Heisenberg sobre a questão se "Deus joga ou não joga dados" com o universo. Einstein
defendia que não. Heisenberg, pelo Princípio da Incerteza, defendeu que sim.
1~ . KUliN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Pau lo: Perspectiva, 2' ed. 1978 .
15. 1\ I.VES, Rubem, Filosofia da ciência. São Paulo: Brasiliense, 1981, p.93.

62
G3
Depois desse primeiro "aviso", a Banca apresentou o seguinte comando: sos, trata-se de um projelo de texto e de um planejamento. Um e outro consistem
num conjunto de atividades para conseguir um objeto de desejo.
Posta - rapidamente - essa análise de caso, observemos que não se planeja
Redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema: um texto dissertativo da mesma forma que um texto narrativo. Isto significa
A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO (ESTRATÉGICO, TÂTICO E que- antes de fazer os cálculos- o "engenheiro textual" precisa saber que tipo
OPERACIONAL) PARA O SUCESSO DA REALIZAÇÃO DA COPA DO de texto ou gênero de discurso ele vai construir. É o que veremos a seguir.
MUNDO DE 2014 NO BRASIL
II. G~neros discurs ivos: textos como instrumentos

O bom senso nos diz que, depois de 150 questões objetivas, numa situa- As disposições dos editais publicados pelo CESPE/UnB sobre as Provas
ção tensa, fica difícil recuperar qual teria sido a intenção exata ou a expectativa Discursivas (v. Capítulo 1 da Parte I) preveem que os candidatos deverão res -
da Banca no comando da redação do texto dissertativo. ponder, quase sempre, a um tema ou questão discursiva , além de eventualmente
elaborar alguma outra espécie de texto mais adequado ao cargo almejado
Por um lado, o fragmento motivador apresenta uma situação-problema.
Nesse caso, estaria prevendo um texto expositivo-argumentativo? (um parecer ou uma peça judicial, por exemplo, no caso do concurso para
Procurador Federal da AGU). Para atender a tais exigências, o redator deverá
Por outro lado, pede-se para desenvolver o tema "a importância do plane-
obrigatoriamente conhecer a estrutura básica de cada gênero e tipo textual
jamento (estratégico, tático e operacional) para o sucesso da realização da copa
proposto, sobretudo os de natureza dissertativa, sejam eles expositivos ou argu-
do mundo de 2014 no Brasil". Nesse caso, estaria a Banca prevendo um texto
mentativos, que, em última instância, constituem o modelo básico da resposta
d issertativo-expositivo, dissecando os tópicos do planejamento estratégico, tático e
a ser desenvolvida.
operacional em relação ao sucesso da realização da Copa? Não parece ser esse o fato,
visto que o Edital previa que a redação expositiva de conhecimentos específicos seria Por conta disso, esta Parte III de nossa obra visa a apresentar ao leitor,
apenas para o nível superior. Além disso, observe-se que os tópicos estão entre de forma bastante clara e objetiva, os traços essenciais das principais espécies
parênteses, dando a entender que, conforme Cunha, 16 servem para "intercalar textuais solicitadas pela Banca, além de orientá-lo sobre as melhores técnicas
num texto qualquer indicação acessória" como, por exemplo, "uma circunstância de desenvolvimento de uma dissertação. Para tanto, recapitulamos as noções
mencionada acidentalmente" ou "um comentário à margem do que se afirma". básicas de composição verbal já vistas no Ensino Médio e analisamos com maior
atenção as características próprias do texto expositivo-argumentativo, que é a
Porém, quem conhece a história das práticas concursivas da Banca do
forma discursiva mais recorrente nos concursos realizados pelo CESPE/UnB.
ESPE, as astúcias, sabe que está implícito, infere-se pela leitura, não do texto
em si, mas do contexto externo, que o Candidato deveria fundamentar sua ação
di ssertativa, discorrendo sobre os tipos de planejamento, "costurando-os" com 1. A classifica9ão dos tipos textuais
o problema da alegada negligência governamental. Classificar as variadas formas de composição verbal que as sociedades
Em parágrafos acima, falamos da semelhança entre candidatos e caça- criaram ao longo dos séculos tem sido um enorme desafio para professores e
dores/pescadores. Ambos conhecem bem as astúcias de sua presa. Outra seme- estudiosos de Letras. Os teóricos da área, desde os anos 90, têm observado não
1ha nça é que, levando em conta as sagacidades, possuem também um método. somente as características internas de um texto, como também as referências
Métodos são caminhos, planos de ação. Ninguém empreende uma caçada ou externas deste, relacionadas às suas finalidades e às situações comunicativas
pesca ria sem saber exatamente o que quer e sem um planejamento. Em concur- em que veio a ser produzidoY

l(i , <' lJ N liA, Cdso. (;mllllilica dnlí11gun portuguesa. Brasília, FENAME, 1972, p.613. 17. Ver, a rcspeilo, 0 1.1VElRA, Helênio Fonseca de. "Gêneros Textuais e Conceitos Afins: Teoria".l11: VA I .EN'I'I ·

4
Dessa forma, a tipologia mais comum, baseada no chamado plano Há ainda vários outros gêneros vinculados a distintos ramos de ati vid adt•
intratextual, compreende cinco categorias consignadas pelo linguista Egon humana, como é o caso de um anúncio publicitário, uma bula de remédio, u mn
Werlich: o texto descritivo, o narrativo, o expositivo, o argumentativo e o receita culinária ou, até mesmo, as previsões de um horóscopo nas pág inas do
injuntivo. Segundo o autor, a descrição se associa à nossa percepção do espaço jornal. Lembre-se também que, por estarem sempre inseridas em uma rede lk
e a narração se vincula à percepção do tempo; ambas costumam assumir uma signos e referências próprios de uma determinada sociedade, essas espécil'S
dimensão estética e são bastante recorrentes no texto literário. A exposição, por textuais são autênticos produtos culturais, que jamais se poderão dissociar do
sua vez, associa-se à análise e à formulação sintética de conceitos, ao passo que local, da época e das condições em que vieram a ser produzidas.
à argumentação cabe a tarefa de julgar e assumir posição diante de problemas
Por isso, há gêneros típicos de cada literatura nacional (Oliveira cita a
que nos são postulados; as duas se ocupam de prestar informações de modo
objetivo e preciso, sem margem de ambiguidade, constituindo, pois, espécies poesia de cordel no Nordeste brasileiro e o haicai nas letras japonesas) e formas
de cunho não literário, como o texto jornalístico e o científico. Já a injunção que surgem em função do advento de novos suportes tecnológicos - ou, até
possu\ valor mais 'instrutivo': ela visa a orientar o comportamento do recep- mesmo, tratam de adaptar-se às mudanças tecnológicas, assimilando outro
tor, fornecendo-lhe comandos para as mais diversas ações, como ocorre nas gênero ou transmutando-se em novo formato, como é o caso dos famosos
receitas culinárias, nos manuais de eletrodomésticos, etc. 18 Lembre-se, porém, blogs, versão contemporânea do velho diário autobiográfico e de outras formas
que nos manuais escolares essa classificação costuma ser reduzida a apenas três afins. Marcuschi lembra que, embora com identidade própria, as mensagens
tipos textuais (três modos de organização do texto, conforme prefere designar eletrônicas enviadas pela rede cibernética constituem uma versão pós-moderna
o francês Patrick Charaudeau): o descritivo, o narrativo e o dissertativo. dos bilhetes manuscritos e das velhas cartas comercias e pessoais remetidas
Por outro lado, a fim de agrupar as diversas espécies que se distinguem por via postal. 20
segundo critérios de ordem extratextual (isto é, as que são definidas segundo sua Para evitar que o candidato se confunda com tal variedade de gêneros
finalidade e inserção cultural 19 e de acordo com os ramos da atividade humana discursivos e tipos textuais, recapitulam-se a seguir as noções básicas sobre
a que se associam, os linguistas propõem o conceito de Gêneros discursivos. os três modos de organização textual mais presentes em provas discursivas (o
Classificá-los, portanto, requer o imediato reconhecimento do setor de atividade descritivo, o narrativo e o dissertativo). No entanto, em face da maior aten-
a que pertencem, visto que cada uma dessas áreas (esferas da comunicação, ção concedida às espécies expositiva e argumentativa , estas serão objeto de
segundo o teórico russo Mikhail Bakhtin, ou domínios discursivos, de acordo
um estudo bastante detalhado nos capítulos 6, 7 e 8 desta Parte III, em que
com o brasileiro Luiz Antônio Marcuschi) pode acolher um número considerável
se enunciam as regras básicas de redação do texto dissertativo. Por fim, no
de gêneros. De maneira bem didática, apresentamos abaixo alguns exemplos
intuito de orientar aqueles que desconhecem certos gêneros mais afeitos às
mais conhecidos de todos:
áreas administrativa , jurídica e comercial, anexamos ainda ilustrações oficiais
® Esfera administrativa e jurídica: acórdão, contrato, parecer, sentença, etc. de certas espécies de questões propostas pelo CESPE (tais como um parecer,
® Esfera burocrática: ata, carta, memorando, ofício, requerimento, etc. uma peça judicial e outros itens).
® Esfera jornalística: editorial, notícia, crônica policial, crônica esportiva, etc.
Em concursos, o texto expositivo-argumentativo é a ferramenta, o ins-
® Esfera literária: epopeia, tragédia, conto, novela, romance, ensaio, etc. trumento que o Candidato deve ter e saber usar com eficácia para alcançar o
André (org.). Língua portuguesa e identidade: marcaswlturais. Rio de janeiro: Editora Caetés, 2007, PP. 79-92. seu objetivo.
IH. Cf. WERLICH, E. Typologie der texte. 2• ed. Heilderberg: Quelle & Meyer, 1976.
Isso se explica pelo fato de que qualquer atividade humana é realizada com
19. Em outras palavras, as que não se definem "por aspectos formais, sejam eles estr uturais ou linguísticos,
o auxílio de instrumentos, ferramentas. E toda atividade humana é acompanha-
c sim por aspectos sociocomunicativos e funcionais ", caracler izando-se muito mais "por suas funções
co municativas, cognitivas e institucionais do que por suas peculiaridades linguísticas e estruturais". Cf. da de linguagem, de uma forma de comunicação. Vamos ao mercado e temos a
M ARCUSCHI, Luiz Antônio. "Gêneros textuais: definição e funcionalidade". In: DI O NISTO, Angela Paiva
(org.) ela/i i. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002, p. 20-21. 20 MA RCIIUSCIII. >lrli~o l"itado, p. 21.

66 7
"ferramenta" da lista. Queremos candidatar-nos a um emprego, temos a carta Ao mundo comentado!dissertado 21 , pertencem os textos que têm como
de apresentação, a entrevista, o curriculum vitae, dissertação argumentativa, etc. objetivo apresentar uma análise interpretativa ou a descoberta de uma cau-
Para relatar uma reunião, temos a ata. Para registrar acontecimentos, podemos salidade [causa~ efeito] dos acontecimentos ou fatos do mundo narrado.
contar com um grupo dos textos: diário, carta, relatório, relato jornalístico, Dissertar é um termo amplo. Há dissertação descritiva, dissertação expositiva
relato histórico, etc. e dissertação argumentativa.
Se quisermos defender um ponto de vista com opiniões contrárias, pode-
mos recorrer ao grupo ou à caixa dos textos argumentativos: dissertação escolar, 2. Textos do mundo dos comentários
artigo de opinião, ensaio, reunião de debate, carta argumentativa, monografia,
O quadro descritivo abaixo mostra os instrumentos textuais e a finalidade
síntese, etc. deles no mundo comentado/dissertado.
Tipos e gêneros textuais são usados de acordo com a natureza do traba-
lho ou da situação social. No caso de candidatos a concurso, a situação social
é a de concorrência: um número x de indivíduos pleiteia um lugar social para
um número y de vagas. Nesse pleito, os candidatos são submetidos a testes de
! .Argumentar/persuadir: Argumentativo l. Artigo de opinião. 2.
conhecimentos de uma determinada área temática, aferidos por meio de textos Cartas de leitores. 3. Cartas
mover a vontade de A ação destes textos
dissertativos expositivo-argumentativos. É nesse sentido que o texto expositivo- alguém levando-o a objetiva um convite à de reclamação. 4. Disserta-
argumentativo constitui a ferramenta, o instrumento usado pelo Candidato ção escolar. 5. Tese. 6. Mesa
tomar decisões, por meio mudança de atitude.
redonda. 7. Provas de concur-
para alcançar êxito nessa situação de pleito. da discussão, análise e É um fazer para fazer. so. 8. Resenhas. 9. Recursos
Os protótipos - modelos abstratos gerais - instrumentais textuais e os gêne- proposta de solução de de processos seletivos. 10.
um problema . Discursos parlamentares.
ros - as realizações concretas dos protótipos - se dividem em duas grandes classes:

l. Seminário. 2. Conferência.
Expositivo/ explicativo
Tipos de Textos 3. Artigo científico. 5. Textos
2. Expor/ explicar para O obj etivo destes
de livros didáticos. 6. Provas
alguém as relações de textos é o de dar a
escritas. 7. Resumos. 8. Mo -
causalidade entre fatos. conhecer. É um fazer
nografias. 9. Fichamentos 10.
para saber.
Verbetes de enciclopédias.
Mundos dos acontecimentos Mundos dos comentários
Descritivo/ instrucio-

~
nal/injuntivo L Bulas. 2. Receitas. 3. Regu-
3. Instruir, comandar,
O objetivo desta ação lamentos. 4. Textos jurídicos.
prescrever ações, com-
Relatado Descritivo/ expositivo argumentativo discursiva é de coman- 5. Instruções de uso. 6. Avi-
Narrado portamentos de alguém.
injuntivo do, imposição e não sos. 7. Bilhetes. 8. Ordens de
de convite. É um fazer comando. 9. Catálogos.
fazer (mandar fazer)
Ao mundo dos acontecimentos, pertencem os textos narrativos e de relato.
Ambos têm como objetivo relatar experiências vividas ou narrar através da 21 Dissertar: an.t li sar !descrevendo, explicando e argumentando] aspectos de um determinado assun to de modo
rriação de uma intriga, um conflito. sistcmútko, ot,t lmc· nt c ou por escrito. Um conjunto de dissertações forma um I ralado.

8 l9
Esse quadro mostra que o uso de um determinado gênero discursivo está Comando da Banca do CESPE/UnB 2008:
- sempre - inserido numa determinada situação social. É esta que determina a
ocorrência deste ou daquele discurso/texto. Este se torna ineficaz se não estiver
adequado à situação ou contexto social. No caso de concursos públicos, a Banca Considerando que o fragmento do texto acima tem caráter unicamente
é soberana na determinação do gênero/tipo a ser usado. motivador, redija texto dissertativo acerca do seguinte tema.

Como já dissemos no tópico em que tratamos sobre a diferença entre "Em meio à tragédia, a violência que gera insegurança"
assunto, tema e tese, a prática de concursos tem mostrado que as Bancas - de
modo geral- se restringem a dar o comando de "redigir" um texto dissertativo
sem especificar se este é dissertativo-descritivo ou dissertativo-explicativo ou Observam-se duas recorrências nos comandos do CESPE/UnB:
expositivo-argumentativo. a) Apresenta o "aviso" de que o texto tem (unicamente) o caráter mo
Esse jogo vale para a redação de temas e questões discursivas e é anunciado tivador. Para se interpretar esse comando, convém ter em mente o
de várias maneiras, dependendo do nível do concurso: significado dos termos motivador e unicamente:
0 Unicamente: é um comando modal, expressando uma restrição; o
1. Comandos para a redação de temas texto motivador não pode ser usado, apropriado (copiar/colar) pelo
redator como uma parte de seu texto.
1.1 Nível técnico 0 Motivador: que leva alguém a tomar uma atitude, incentivo, mo
bilização (no caso, redigir); fundamento, justificativa; que origina,
Normalmente, a Banca pode simplesmente dar um tema com o comando
causa, determina, faz mover. Mas também pode ser ideia principal
do tipo "falar sobre". O jogo, neste caso, pode ser apenas descritivo-expositivo. de um tema (melódico ou dissertativo).
Cabe ao Candidato a escolha dos tópicos a serem desenvolvidos.
Veja-se este exemplo de tema de concurso: Salvo melhor interpretação, o comando apresenta a restrição de que não se
transcreva o texto motivador, mas está subentendido, inferido, que se deve fazer
referência a ele. Não pode, portanto, ser ignorado como faz a maioria dos candidatos.
"Em meio aos saques e à insegurança, cidades catarinenses atingidas pelas
h) Pede um texto dissertativo sem qualquer outra especificação.
chuvas estão sob uma espécie de toque de recolher decretado pela Polícia
Militar. Só poderão ficar nas ruas à noite moradores ou voluntários para Essa é outra recorrência que analisaremos logo a seguir, com maiores
ajudar os desa lojados. Filas de distribuição de alimentos se espalham pelas
detalhes.
cidades"

O Globo, 28/11/2008, capa.


1.2 Nível técnico e/ou superior
É costume a Banca apresentar o tema e pedir que - obrigatoriamente - se
cubram os tópicos a serem descritos. Espera-se um jogo jogado descritivo-expo-
sitivo e argumentativo. O Candidato não tem liberdade de escolha de tópicos.
Eis um exemplo advindo da fonte CESPE- TCE/TO, 2009- Especialidade
Ciências Contábeis.

70 "{.l
flagrante, ocasião em que Caio individualizou Bruno, o qual, não obstante
'11. auditoria de gestão pública é realizada pelo Estado, visando ao controle diligências policiais, não foi encontrado.
de sua gestão, observando, além dos princípios de autoria geral, aqueles que
Diante da situação hipotética apresentada acima, redija um texto disser-
norteiam a administração pública. Os atos e fatos da gestão pública trazem
tativo (30 linhas no máximo) que:
em si o dever de prestar contas em decorrência da responsabilidade delegada
(accountability), possuindo características próprias e condições peculiares ® Individualize as condutas de Caio e Bruno e classifique os tipos de furto
que os distinguem dos atos e fatos da gestão privada." por eles praticados, se tentado, se consumado, justificando sua resposta;

Considerando que o texto acima tem um caráter motiva dor, redija um texto ® Indique e conceitue os requisitos indispensáveis à caracterização do
concurso de pessoas.
dissertativo acerca do seguinte tema:

A AUDITORIA NO SETOR PÚBLICO


Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos: O concurso para a Câmara de 2002, do CESPE/UnB, apresentou o se-
® O controle interno e externo nas três esferas da estrutura político-
guinte encaminhamento:
administrativa brasileira;
® A auditoria governamental e suas peculiaridades; A nova Lei no 9.790/1999 traz uma novidade importante: pela primeira vez,
® A abrangência da auditoria governamental e o Estado reconhece a existência de uma esfera pública em em ersão, que é
® A importância da auditoria da gestão pública para a administração e a pública não p ela sua orige m, mas p ela sua finalidade, ou seja, é pública
economia brasileiras. embora não seja estatal.

1.3 Nível superior Considerando o texto acima, que tem o caráter unicamente motivador,
redija um discurso parlamentar, posicionando-se acerca do seguinte tema:
A Banca apresenta uma situação problema- concreta ou hipotética - que
deve ser resolvida por meio da cobertura de tópicos estabelecidos. Nesse caso, o FIGURAS JURÍDICAS INTRODUZIDAS PELA REFORMA
Candidato deve obedecer ao jogo dissertativo argumentativo. Em tal contexto, ADMINISTRATIVA: ORGANIZAÇÕES SOCIAIS.
não basta apenas descrever/prescrever ou expor/explicar. Levar o outro a tomar
Em seu discurso, devem ser contemplados, necessariamente, os seguintes
atitudes é, sobretudo, um trabalho de retórica persuasiva: arte de falar bem de
aspectos:
modo a direcionar as condutas de um auditório. A discussão de um tema, dentro
de uma situação conflitiva de discurso, com o encaminhamento de uma solução, ® Agilidade e encargos no processo de qualificação das organizações sociais;
é conhecida, como já dissemos acima, pelo nome clássico de tese. ® Abrangência institucional e reconhecimento de organizações da área social;
Observe a seguinte questão sobre MATÉRIA PENAL: ® Aumento da burocracia no que se refere ao acesso das organizações sociais
a fundo público.

Bruno e Caio, mediante prévio ajuste, adentraram em uma residência, vi-


sando à prática de um furto. No decorrer da prática delituosa, ambos foram No caso analisado, a Banca foi clara. O comando pede a redação de um
surpreendidos pela chegada da polícia, sendo Caio preso em flagrante ainda "discurso parlamentar" com um "posicionamento". Não há, portanto, oulra
no local do crime, enquanto Bruno conseguiu evadir-se, levando consigo os solução a não ser a de um texto dissertativo expositivo-argumentativo.
objetos subtraídos. Na delegacia de polícia, foi formalizado auto de prisão em

72 n
~. Comandos para a redação de questões
Em determinado edital de licitação destinado à contratação de empreiteira,
Além de textos dissertativos previstos para 30/60/90 linhas, também é o órgão licitante:
prática das Bancas apresentarem questões discursivas a serem redigidas com o
® Exigiu que os interessados possuíssem, em seu quadro de pessoal, na data
Iimite entre 10/20 linhas. Nessa circunstância, não se pede - evidentemente -para
prevista para a entrega da proposta, engenheiro que tivesse atestado de
falar sobre um tema da atualidade, mas sobre conhecimentos específicos da área. responsabilidade técnica por obra igual;
Em tal situação, ocorrem dois processos:
® Dispensou a comprovação de responsabilidade técnica relativa às pecu-
liaridades de menor relevância.
2.1 Tema técnico e cobertura dos tópicos
Considerando a situação hipotética acima apresentada, responda [em 20
0bserve-se o seguinte comando: linhas], de modo fundamentado, se a exigência e a dispensa, na forma descri-
ta, configuram ilegalidades que afrontem o princípio da livre concorrência.

Discorra, de forma fundamentada e de acordo com a Constituição Federal


brasileira, sobre os seguintes aspectos. De forma mais clara, na prova para o TCU/2008, a Banca CESPE/UnB
® Natureza jurídica do TCU; pedia cobertura de tópicos para a seguinte questão:
®Relação do TCU e o Poder Legislativo.

Maria, servidora pública federal, requereu a concessão do benefício de


O comando "discorrer" é muito abrangente. Significa "dissertar, expor". aposentadoria p elo regime próprio, o que lh e foi concedido por força da
Parece prever a predominância de um texto dissertativo-expositivo. No entanto, Portaria no X, de 5 de março de 2003, pela autoridade competente do órgão
há aí um subentendido, uma quase armadilha. O Candidato não deve expor no qual estava lotada. Remetido o processo administrativo para o Tribunal
cada tópico de forma independente da outra. É preciso embutir as duas respostas de Contas da União, este, sem intimar Maria a se manifestar, entendeu que
num único contexto e costurá-las entre si, de modo a obter um texto consistente, ela não preenchia os requisitos para aposentar-se, pelo que negou o registro e
isto é, seguro, com as partes "amarradas" entre si para não cair. determinou ao órgão, em 6 de maio de 2008, o retorno de Maria ao serviço.
Lembre-se- sempre- da regra de ouro vinda do próprio CESPE/UnB: "Em Com base nessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada,
geral em uma prova discursiva, busca-se aferir não somente o domínio do conteúdo, às indagações a seguir:
l/tas também a capacidade de articulação do raciocínio e de expressão do candidato".
® Houve nulidade na decisão proferida pelo TCU diante da inexistência
de intimação para se promover a defesa de Maria?
2.2 Apresentação de problema com indicação ou não da
® Qual seria o órgão judicial competente para julgar eventual mandado
cobertura dos tópicos de segurança a ser impetrado por Maria?
No concurso para o TCU/2009, foi dada a seguinte questão: ® Há prazo decadencial para que a administração anule o ato na Portaria
no X?

74
Observa-se que o comando "responda" é mais do que "dizer ou escrever Para concluir esta exposição sobre descrever, expor e argumentar, observe
resposta". Infere-se, pelo texto, que a expectativa da Banca é a de que o Candidato se a tira a seguir: é argumentativa - apresenta uma balança de argumentos.
"ofereça uma resposta, defenda, conteste, ofereça reação" a uma situação. Um can-
didato ingênuo seria tentado a dar uma resposta apenas expositiva a cada uma das A PREGUIÇA É A MÃE DE TODOS
indagações, sem construir um todo expositivo-argumentativo e, pior, sem fazer OS VÍCIOS. MAS MÃE É MÃE E
É PRECISO RESPEITÁ-LA, PRONTO!
referência à situação hipotética. O resultado seriam três respostas independentes, sem
a costura entre os parágrafos. Disso, seguir-se-ia um texto inconsistente. Para não
incorrer nessa falta, a ferramenta a ser usada é a do texto expositivo-argumentativo.
A tese dos autores desta obra é a de que o Candidato procure - sempre
- apresentar um texto com uma abrangência argumentativa. Isto porque todo
texto' expositivo-argumentativo é também, em alguma medida, descritivo e
explicativo. Aliás, na prática, não é possível argumentar (colocar o par tese/
antítese) sem expor conhecimentos e descrevê-los.
Por um lado, todo texto explicativo é também descritivo. Na prática, não
é possível expor ou explicar sem descrever. Porém, nem todo texto descritivo é
expositivo/explicativo. É possível descrever sem argumentar ou explicar. Uma
lista de compras, ou um catálogo é uma simples descrição/injunção para um Ela parte de um pressuposto, de uma moldura de fundo aceita [lo ar-
fazer, sem justificação e sem argumentação. gumento] . Faz o questionamento e apresenta um segundo argumento com
Por outro lado, nem todo texto explicativo é argumentativo. É possível maior peso [mãe é mãe e é preciso respeitá-la]. A conclusão se inclina a favor
expor um tema com o único objetivo de fazer para saber ou de fazer para mos- do argumento mais pesado.
trar que se sabe, sem o de fazer para fazer.
No gráfico a seguir, temos uma visualização dessas relações. Em vista de o texto expositivo-argumentativo ser o mais abrangente, vol-
tamos a frisar que o Candidato sempre procure dar ao seu texto um tom
argumentativo, uma vez que o texto argumentativo, por si só, dá conta das
descrições e exposições. É a velha regra da lógica clássica: quem sabe o mais

--l
sabe o menos. Optando por jogar o jogo argumentativo, com a cobertura
devida dos tópicos, o Candidato não corre risco de não atender às expec-
r~-:.~ tativas da Banca.

Porém, bem antes dessa situação efetiva do pleito discursivo, o Candidato


já deveria dominar métodos de estudo e/ou trabalho com outras ferramentas
para chegar na hora e resolver o problema.
Como se percebe, a ação social argumentativa é a mais complexa, porque Essas ferramentas que servem de retaguarda para a hora do concurso são:
envolve ações descritivas e expositivas. E, daqui para frente, os autores desta resumos, fichamentos, resenhas.
ob ra terão essa teoria como pressuposto para o restante dos encaminhamentos.

76 '!'f
Observe-se o exemplo (atente, sobretudo, para as "ancoragens" ou "orien-
2.1. Resumos, fichamentos, resenhas tadores textuais") abaixo:

a) Resumos
Apresentam um caráter descritivo-expositivo. São condensações de tex- O primeiro capítulo, "Os problemas da ética", da obra O que é ética (VALLS,
Los feitos por um Candidato como método de estudo, memorização e consulta Álvaro L. M. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 7-23), tem como objetivo geral
rápida. São arquivos do Candidato. mostrar o problema básico da ética: é possível encontrar um princípio ético
Em prova para o Senado (2002), a Banca CESPE/UnB, depois de apresentar supremo capaz de explicar as variações de comportamento, características
um longo texto sobre o tema "comunicação, linguagem, automação", com quarenta das diferentes formações culturais e históricas?
c duas linhas, em oito parágrafos, tamanho 10 da fonte, deu o seguinte comando: Este capítulo pode ser dividido em três partes: o relativismo histórico dos
diferentes comportamentos éticos; as tentativas de estabelecer princípios
éticos universais e a validade ou não do individualismo moderno.
Redija um resumo das ideias do excerto acima, organizando-as em pará- O autor começa discutindo o grande conflito entre as práticas éticas his-
grafos sequenciais, de forma a manterem a estrutura dissertativa. O texto tóricas das várias culturas e a busca de princípios universais para o com-
do resumo deve ser coerente, fiel ao original, evidenciar o entendimento da portamento humano. Se cada cultura ou cada época histórica apresenta
mensagem, sem marcas de subjetividade. comportamentos éticos que para outros seriam coisa de "bárbaros", então
[Extensão máxima: 30 linhas] como chega r a princípios éticos universais?
Terminada essa apresentação das experiências éticas na história, o texto
vai focali zar essa busca de princípios universais, O autor destaca Sócrates
Nesse comando, estão os elementos estruturais de um resumo: ligação entre os [470- 399 a.C.) e Kant [1 724-1804). Para o primeiro, a consciência reflexiva,
parágrafos, coerência global, fidelidade ao texto original, sem marcas de subjetividade. o eu-ético é a norma para todos os comportamentos. Está, inclusive, acima
Um resumo, além da correção gramatical, precisa conter três movimentos das leis, das tradições. Já para Kant, em pleno racionalismo iluminista,
ser ético é ser racional. Se a racionalidade é única para todos os homens,
ou procedimentos textuais.
então também há princípios humanos éticos universais. O fundam ento de
0 Apresentação do texto - indicação bibliográfica - seguida do objetivo todos esses princípios éticos é o dever (não o amor ao próximo como seria
geral e organização do texto [o esqueleto do texto); no cristianismo). Esse dever - ou princípio categórico - reza que se deve
0 Resumo com as próprias palavras - evitar ao máximo transcrever frases "agir de tal maneira que o m eu comportamento se torne uma lei universal".
do texto; O capítulo termina com um rápido questionamento ou um desafio do autor,
0 Referências constantes ao autor e indicações do percurso do texto - faci- bem de acordo com o individualismo que caracteriza a pós-modernidade: em
litadores de leitor. lugar do universalismo do iluminismo, não seria melhor cada um procurar o
melhor para si, gozar o que for possível? A partir dessa pergunta-chave, o res-
tante da obra será a tentativa de mostrar ao leitor afalsidade desse princípio.

79
78
b) Fichamentos Observe os dois lipos de "esqueleto" de fichamentos:
Como o fichamento envolve um grau maior de distanciamento em relação 0 Árvores
ao texto original do que o resumo, somos de opinião que o fichamento é uma 0 Quadros

etapa posterior a ele. Veja-se o fichamento do resumo dado acima.


Fichamentos apresentam um caráter descritivo, visto que consistem em
indicar partes, caminhos de desenvolvimento de um percurso. São mapas ou
O primeiro capítulo, "Problemas da ética", da obra O que é ética de VALLS, planos de um texto, com indicações ligeiras dos lugares ou tópicos. Todo tex to
Alvaro L.M., São Paulo: Brasiliense, 1986, pp. 7-23, pode ser dividido em possui um plano, uma arquitetura, um esqueleto que o autor guardou na ga
três partes, conforme esquema abaixo: veta. Uma das definições de "leitor competente" é aquele que sabe descobrir o
esqueleto ou o mapa do texto guardado pelo autor.
a) Ética e relativismo: o relativismo ético no correr da história e no capita-
lismo moderno. Numa situação de concurso, em lugar de fazer um rascunho do texlo, (•
b) Ética e universalismo: Sócrates e Kant na procura de um critério univer- mais eficaz saber montar um "plano tático". O Candidato que estiver treinado
salista [subjetivista ou racionalista]. Contraposição às particularidades em descobrir a arquitetura ou plano de textos alheios terá facilidade de pia lll'
e relativismos das vivências éticas no decorrer da história humana. jar, on-line, os seus próprios textos. A técnica de rascunho é enganadora , pois
o Candidato limita-se a passar a limpo o que lhe foi vindo à cabeça, sem u111
c) Ética e individualismo: é defensável o "vale-tudo" do individualismo da
planejamento. O passado a limpo pode até mostrar cuidado, asseio, corre~·úo,
modernidade?.
mas isso não elimina que esteja mal feito, mal planejado, sem consistência: u nw
Problemas da ética
casa muito limpinha, mas com rachaduras na estrutura.
c) Resenhas

Estas apresentam um caráter expositivo-argumentativo. Na prática do


dia a dia, são condensações de obras contendo apreciações ou juízos de valor
Relativismo histórico Universalismo sobre o mesmo conteúdo. Num concurso, é uma arma das mais eficazes ci tar

~ ~
Individualismo dois estudos sobre o mesmo assunto, apresentando um julgamento valorativo.
Estas três operações (resumo, fichamento, resenha) são fundamentais no
Passado Capitalismo Sócrates Kant momento de construir a base de um texto argumentativo.
subjetivismo racionalismo

Vale tudo 2.2 Cita9ões e paráfrases: como usar os textos motivadores


Em título anterior, mostrou-se uma prática recorrente do CESPE/Un B:
advertência de que o texto apresentado é "unicamente motivador". Analisou -se
O relativismo No passado- no capitalismo que o comando prevê que não se arraste, na base do copiar/colar, o texto origina I.
Subjetivismo socrático e racionalismo No entanto, sendo "motivador", infere-se que tal texto deve ser levado em conta
O universalismo
kantiano como tema, fundamento, incentivo.
Individualismo O "vale tudo" da modernidade Nenhum texto é uma ilha. Para ser compreendido, é necessário leva r c m
conta o "oceano de textos" em que está inserido. Esse "oceano textual" conslit ui
o que, em termos técnicos, se chama de intertextualidade.

80
lli
• é muito boa, visto que a Banca vai se sentir lisonjeada porque o Candidato t'sl.
Todo texto é resposta a outro e, por sua vez, prevê um a rtsposta a ele.
Isto significa que todo texto encerra nele outros textos, numa longa cadeia res - valorizando os textos escolhidos por ela. Veja-se, por exemplo, o seguinte kx lo
ponsiva ou dialógica. Todo texto dialoga com outros textos. Diálogo implícito de apoio da prova de redação para o INPI-CESPE/UnB, 2006.

ou explícito. Resposta direta ou indireta.


O diálogo explícito se realiza através de quatro mecanismos:
"Meditai se só as nações fortes podem fazer ciência ou se é a ciência que
a) Citação; as torna fortes." O provocador convite emana de um dos mais brilhantes
b) Paráfrase; cientistas brasileiros, Walter Oswaldo Cruz, do Instituto Oswaldo Cruz.
c) Paródia; Falecido em 1967, o pesquisador possuía a exata noção do peso dos investi-
d) Estilização. mentos em ciência e tecnologia (C&T) na construção dos poderes econômicos
sustentáveis.
É claro que, em concursos, não se pode fazer nem paródia (ridicularizar
o texto da Banca), nem estilização (imitar o estilo do texto da Banca). Nessa
situação jurídica de fala, a Banca apresenta textos que servem para a orientação Ora, se durante o desenvolvimento de sua argumentação, o Candidato, ,u 1
do Candidato. sustentar seu ponto de vista, inserir a fala de Oswaldo Cruz no seu discurso, t'S k
Ora, sendo assim, então é evidente que o texto do Candidato precisa se ganha o peso do "argumento de autoridade". Poderia dizer, a título de exe mplo:
reportar ou referir-se aos textos-pretexto dados. Contudo, essa referência não "Comprova-se, hoje em dia, o acerto de Oswaldo Cruz que já nos idos dos 111111
consiste em repetir [citação] ou apenas comentar com outras palavras [paráfrase] sessenta proclamava que 'é a ciência que torna fortes as nações"'.
os textos-base. Eles servem de apoio, mas o Candidato deve- obrigatoriamente No entanto, essa inserção ou citação do texto alheio não pode ser na ba sr
- apresentar conteúdos próprios, ir além dos textos motivadores. do arrasto ou do copiar/colar. Este consiste em puxar para o texto um enunciath 1
O Candidato não pode construir seu texto como se fosse uma tradução do texto original, mas sem amarrá-lo.
interpretativa do texto original. Em concursos em que o tema é um assunto Para fins de análise, observe-se o texto motivador apresentado no con
geral de interesse público, esse engano costuma ser fatal. O Candidato, além de curso Senado - CESPE/UnB, 2002.
não acrescentar nada de próprio, também - aqui está o desfecho trágico do seu
texto - dilui, dissolve, enfraquece o conteúdo do ou dos textos originais com
conteúdos supérfluos ou já sabidos. Os meios de informação têm uma importância particular em nossa época.
Em verdade, o melhor uso dos textos de apoio é citar esta ou aquela ideia- São grandes multiplicadores. Do mesmo modo que as máquinas da Revo-
-chave desses textos, como uma forma de "argumento de autoridade". Quer dizer: lução Industrial nos permitiram multiplicar as forças humanas por outras
11\
o Candidato reforça, ampara, sustenta e calça o que diz recorrendo - também formas de energia, as máquinas de informar da revolução das comunicações
- a uma autoridade no assunto, normalmente aceita pela Banca. Essa estratégia multiplicam as mensagens dentro de uma medida sem precedentes.

No entanto, os meios de informação mais modernos estão concentrados nos


grandes centros urbanos; eles são aproveitados somente por uma minoria
da população.

[M.C. d'Azevedo. Comunicação, linguagem, automaçtlo}

82 8
Veja-se, a título de exemplo, o seguinte texto, resultado de exercício de
bem lei la, é sucesso na certa. Voltaremos a esse assunto de contestação quando
preparação para o MPU - CESPE/UnB22 , orientado pelos autores desta obra. falarmos dos pressupostos.

[ 1\ ~I<~ 1'}•9 ~ /W)L~ C» ~ -\~-


7
8
I "
nL
)
t
\
Cw Í"'
1\. 11 • '
Ao contrário da citação explícita em que está presente um procedimento
dialógico, todo texto apresenta, em maior ou menor grau, uma carga de implíci
9
tos, fundamentais na construção do enunciado e na recuperação do significado
10 total no ato de leitura.
11
12
2.3 Infer~ncias e implÍcitos; subentendidos
13 e pressupostos
14
15 Já se advertiu que a leitura atenta do Edital divulgado pela imprensa c,
16 posteriormente, a compreensão do encaminhamento dado pela Banca no corpo
17 da prova são decisivas para o sucesso do candidato na sua empreitada.
18 Porém, quando analisamos, parágrafos atrás, os comandos da Banca,
•n vimos que, além do explícito no texto, é preciso levar em conta os implícitos do
[Texto 1] contexto para se chegar à compreensão dos comandos dados. Naquela altura,
usamos os vocábulos inferir e implícito.

Observa-se que o "lamento" do terceiro período sobre a concentração dos Esses vocábulos pertencem à mesma área semântica, mas se distinguem.
meios de comunicação nos grandes centros urbanos não tem relação com o fato Abaixo, apresentamos uma análise de ambos.
do modo de a informação transmitida influenciar as pessoas com baixo grau
de escolaridade. O que aconteceu foi que o redator, praticamente, arrastou seu 2.3.1 In fer~ncias
terceiro período do texto motivador da Banca e o inseriu na sua redação sem
amarrá-lo ao período anterior. Em questões de interpretação, são uma recorrência das Bancas exami-
nadoras os seguintes comandos:
Infelizmente, foi feita uma operação malograda de citação.
® Infere-se das afirmações do texto que;
Aliás, o Candidato não percebeu a incoerência do texto-pretexto, pois
o fato de os meios de comunicação mais modernos estarem concentrados nos ® Pela leitura do texto conclui-se que;
grandes centros urbanos não invalida que sejam "aproveitados somente por ® Pelas estruturas sintáticas, pelas escolhas lexicais e pelo modo de or-
uma minoria da população". É justamente o contrário, visto que a maioria da ganização das ideias, depreende-se da leitura do texto que;
população está também concentrada nos grandes centros urbanos. ® Do texto só não se pode deduzir como causa/consequência do problema ...
Como se vê, o Candidato pode até contestar os textos motivadores. Nesse
Em Lógica, infe rir é uma operação de raciocínio que consiste em con-
caso, é necessário que o seu texto tenha envergadura, peso, consistência sufi-
siderar verdadeira uma afirmação nova em vista das ligações com outras
cientes para se opor ao texto-base. Trata-se de uma estratégia arriscada, mas, se
afirmações anteriores já dadas como verdades. Podemos falar em três tipos
de inferências lógicas:
22. A cópia de fragmentos ou de textos inteiros aqu i analisados teve sua reprodução autorizada pelos seus autores,
desde que jamais identificados.

84
tl •l
a) inferência dedutiva a) Todos os brasileiros gostam de futebol [pressuposto não evidente, mas
aceito - crença};
a) Nenhum peixe é mamífero [evidência].
b) Jacó e Fritz gostam de futebol;
b) As baleias mamam.
Desses dois dados, deduz-se, infere-se, depreende-se, conclui-se, necessa- c) Jacó e Fritz são brasileiros.
\..
riamente, um dado novo:
c)As baleias não são peixes. A inferência abdutiva, ao contrário da dedutiva, parte não de uma evi-
dência, mas de um pressuposto e chega a uma conclusão particular que é uma
mera hipótese, a ser comprovada.
Inferir é uma operação mental, um tipo de raciocínio que consiste em
Depois dessas inferências lógicas, pode-se falar - e é o que nos interessa
dar um pulo do conhecido para o desconhecido. De dados velhos, tira-se um
aqui- em inferências discursivas. Estes são não ditos. Mas não dito não significa
novo. 'De ditos, chega-se, por dedução, a não ditos. Na inferência dedutiva, a
não presença.
conclusão é uma necessidade lógica .
A ideia geral de inferência é a de que "além do dito, há outra coisa: um
b) Inferência indutiva não dito, mas que está presente no dito"Y
É possível também partir de dados estatísticos particulares e chegar, por Os não ditos num discurso advêm do fato de que não há simetria de po-
indução, a uma regra geral. sições entre os interlocutores. Em concursos, esse princípio, como mostramos
acima, é bastante evidente. Por isso, observados os indícios de um texto, o melhor
caminho do sujeito interpretante para recuperar a intenção do enunciador e,
a) Fulano x mora na favela e é traficante; assim, interpretá-lo, é mobilizar, além do texto, o contexto.
b) Fulano y mora na favela e é traficante;
c) Fulano w mora na favela e é traficante. Em termos discursivos, pode-se falar em três tipos de inferência:
Por inferência, depois de observado um número suficiente de casos, pode-se a) Inferência textual: o sujeito interpretante se apoia exclusivamente no que
concluir: está no texto ou no cotexto. Quer dizer: ao focalizar um excerto do texto,
® Todos ou a maioria dos moradores da favela são traficantes [crença]. o interpretante leva em conta o que vem antes e depois. É como se o texto
se bastasse a si mesmo, como algo autônomo do contexto externo.
b) Inferência situacional: o interpretante, além do texto, recorre aos da-
A inferência indutiva parte de casos particulares para chegar a um re-
dos externos da situação do momento. Quem conhece a história das
sultado, a uma regra geral. Aqui se percebe um grande salto. A inferência geral
práticas concursivas da Banca do CESPE, as astúcias, sabe o que está
apresenta uma grande probabilidade, mas não uma necessidade lógica. Trata-se,
implícito e infere-o pela leitura do texto e do contexto.
no final das contas, de uma crença. E crenças são construções ideológicas, de c) Inferência interdiscursiva: o interpretante, além do texto, mobiliza
acordo com interesses de grupos. experiências anteriores, arquivadas na memória, versando sobre o
mesmo assunto.
c) Inferência por hipótese [abdutiva]
Também é possível uma inferência por raciocínio hipotético. Nesse caso, Pondo em ação os três tipos de inferências discursivas, o sujeito interpre-
tem-se um dado geral aceito como verdadeiro [simples crença]; insere-se um tante chega a uma compreensão global do texto e consegue recuperar, de um
particular e, por hipótese, conclui-se, sem necessidade lógica, um resultado modo mais abrangente, a intencionalidade- não transparente- do enunciado r.
pari icul ar totalmente novo, que precisa ser verificado. .l FCO, Umhl'tlo. I h littlilt'\ ti" illll'rprctnçilo. Süo Paulo: Cu ltrix, 2004.

87
86
VOCÊ NÃO PERCEBI
2.3.2 ImplÍcitos PENSE NOS BARRACOS QUE ALÉM DE GANHAR! M
ONDE VOCÊS MORAM, NAQUELAS POUCO AINDA TEM A MAN I A
Em termos bem simples, explícito é o que está posto diretamente no PORCARIAS DE MÓVEIS, DE INVESTIR EM COI SA'• lll
MÁ QUALIDADE. QUE vorr,
NAS ROUPAS QUE VOCÊS USAMI
texto. Implícito é o posto no texto, mas indiretamente; presente, mas não ma- SEMPRE VÃO SER P08Rf:l ll

nifestamente declarado.
Autores de Análise do Discurso ou da Gramática do texto falam em dois
tipos de implícitos: subentendidos e pressupostos.

A) Sub ent endi dos


Ocorrem em situações em que o falante esconde o jogo da sua intencio-
nalidade. É uma espécie de blefe, fingimento, simulação. Diante desse jogo de A exclamação "Meu Deus" da personagem dá a entender que esta não
intencionalidades indiretas, o destinatário pode: concorda com o que diz a mulher, reprodutora do pressuposto do discurso co
mum. Ao mesmo tempo, o autor, sob a máscara da personagem do mendigo,
® Não perceber o jogo e cair na armadilha do falante;
faz entender a denúncia contra o enunciado sobre os pobres. Sabe que é fal sa a
® Perceber e livrar-se da armadilha, dando uma resposta que fuja à in-
"formação discursiva" de que a pobreza é uma escolha pessoal ou algo natura I.
tencionalidade do falante; Trata-se, na verdade, de consequência de diversos fatores de natureza socioeco
® Interpretar errado a intencionalidade do jogo, originando-se, então,
nômica e política, de um sistema que pode ser mudado. Esse subentendido de
os mal-entendidos. não concordância é detectado pelo fato de o mendigo ter ido embora e a mui her
Uma boa forma de se compreender o que são subentendidos é recorrer a ter ficado falando sozinha.
Maingueneau. 24 Segundo ele, podem-se verificar as seguintes situações discur- Segundo EC0 25 ,interpretar significa, indubitavelmente, fazer brota r do
sivas em que entram subentendidos: discurso o não dito. A compreensão global consiste em combinar a informação
do texto com a do contexto.
® Deixar entender: B [interpretante] tira de A [enunciador] uma inferência
Para se recuperar o sentido global de um texto, não basta ao intérprete
que este não tinha a intenção de fazer.
® Dar a entender: A [enunciador] produz um enunciado na intenção de
conhecer o código linguístico (isto é, decifrar o texto). É preciso, além disso, que
ele leve em conta o código mental do enunciador, ou seja, os pontos de vista, a
que B [intérprete] produza uma inferência.
e Fazer entender: A [enunciador] produz um enunciado despistando B situação do momento e a situação cultural do falante/ouvinte.
[intérprete]. Este seria, no entender do autor, o verdadeiro subentendido.
Falante/autor Texto Ouvinte/leitor
Assim, por exemplo, na tira a seguir, só se entende o desfecho levando Código linguístico
[Códigos mentais] [Discurso] [Códigos mentais]
em conta o subentendido:
Contexto imediato e cultural -pontos de vista: espaço e tempo de cada um

Há um princípio hermenêutica de que quanto maior a distância do


contexto social imediato (os diferentes pontos de vista em que se colocam os

1, MA I N(;U I'.N EAU, D. Tcr111os chave da A11álise do Diswrso. Belo Horizonte: Ed.U I'M( ;, ' 01111 2~ c r. H ., l, uh I 11
1
Ao dirigir-se ao intérprete, o enunciado r [no caso, a filha] tem uma i nlc n ~·~1 0
i ntcrlocutores no momento da fala) e do histórico-cultural, maior a dificul-
e já antecipa qual será a reação, a interpretação do seu interlocutor [o pai]. A parti r
dade de interpretação e a possibilidade de equívocos. No caso de concursos,
dessa imagem antecipada, o enunciado r constrói um discurso do qual se origina
o problema é a distância hierárquica entre os interlocutores, imposta pelo
o texto. Porém, pode calcular mal essa antecipação e, consequentem enl c,
contexto jurídico. Qualquer falha na interpretação do contexto gera falhas
o seu discurso vem a falhar, como mostra o texto.
na interpretação do texto. Qualquer falha na interpretação do não dito gera
Quanto ao pai, a resposta dele está cheia de subentendidos: dá e faz
mal-entendidos no dito.
entender.
Em situações jurídicas de concurso, o candidato antecipa a interpre-
tação da Banca e constrói um texto de modo a provar-lhe sua capacidade.
Por trás desse texto, há um horizonte comu m de conhecimentos pressu- B) Pressupostos
postos. Mas se o candidato surpreender agradavelmente seu interlocutor Como já foi mostrado, os locutores dispõem, num dado momento, de um
com informações e técnica que vão além da expectativa do examinador; se
estoque de conhecimentos, de um certo número de saberes que servem de base,
obedecer ao ritual posto e ultrapassar as expectativas, os pressupostos, o
pano de fundo ou ponto de partida para a produção de um ato comunicativo.
sucesso está garantido. Trata-se de conteúdos inscritos, presentes, mas não visíveis ou explícitos, num
Veja a tirinha a seguir: enunciado. Exemplo:

"Terroristas das Pare capturados em território brasileiro".

O emprego do termo "terroristas" dá como pressuposto aceito que os


membros do ERC (Exército Revolucionário Colombiano) sejam terroristas,
sem discussão do termo. Nesse exemplo, há uma espécie de voz coletiva-
crença construída, mas não evidente - que não é questionada. A partir daí,
pode-se construir toda uma direção argumentativa de rejeição a esse grupo
de luta.
Observem-se os pressupostos do texto dissertativo redigido como exer-
cício para o concurso para o MPU, 2010. A Banca indagava do candidato sua
posição a respeito do seguinte tema: '11 expansão acelerada das áreas urbanas
e o aumento da criminalidade: uma imbricação natural ou falaciosa? ".

O humor acima se explica porque falante e ouvinte não acionam/mo-


biliza m o mesmo código mental, mas interagem a partir de pontos de vista
de interesses diferentes. Essa diferença de posicionamentos é a fonte de mal-
entendidos ou de humor.

1
7
O conceito técnico de pressupostos, em literatura especializada, se 1\ 'S
e
tringe a certos tipos de inferências (do dito deduz-se o não dito). Tecnicamcnlt•,
joga-se com o par: posto/suposto. A pressuposição depende dos conhecimentos
e das crenças do enunciador, das que ele atribui ao intérprete e do acordo cntn•
eles sobre um conjunto comum de crenças, tomadas como evidências, isto é,
sem discussão.

É possível detectar em EC0 26 três classes de pressupostos que interessam


diretamente aos candidatos de concursos.

a) Pressupostos semânticos

Estes estão no nível da gramática da frase ou nas microestruturas do


texto. Dizem respeito ao conhecimento e emprego adequado dos termos ou
sintagmasY Tal como nenhum texto é uma ilha, as palavras também se com -
portam como um jogo de quebra-cabeça: se completam umas com outras.
Apresentam buracos, casas vazias ou lacunas que precisam ser preenchidas. Isso
na nomenclatura clássica é chamado de "complementos nominais ou verbais",
assunto aprofundado na Gram ática das valências ou dos casos.
Assim, por exemplo:
® O verbo acusar pressupõe uma sequência de ações executadas por
um sujeito contra outro que deveria ter feito ou sabido algo, mas
não o fez: acusar alguém de alguma coisa; x atribui contra y uma
responsabilidade.
® Os verbos despertar, começar, parar de, interromper são verbos de
mudança de estado e pressupõem uma situação anterior ao tempo do
[Texto 2]
discurso e a mudança dessa situação para um estado subsequente.
O texto - a ser analisado na íntegra nas páginas 118 e 120 - toma como
pressuposto o plano de fundo, a "imagem, a crença apresentada pelos meios É muito comum em textos de concursos falhas nesse tipo de pressuposição.
de comunicação a respeito das populações pobres. Trata-se de uma paráfrase O candidato não domina adequadamente um termo e deixa de preencher as casas
repetidora dessa voz comum: vazias ou as preenche inadequadamente. O resultado são incoerências locali-
® Controle da taxa de natalidade; zadas as quais o leitor sente como "buracos na pista". Pistas muito esburacadas
® Criminalização dos pobres; transformam o percurso textual num tormento, com reclamações, justificadas,
® Enormes famílias como culpadas pelo crescimento da violência e cri- do motorista. O resultado costuma ser um "acidente", ou seja, uma nota baixa.
minalidade.
26. ECO, ob.cit. p.235-264
O texto dissertativo do candidato repetiu a moldura de fundo da ideo- 27. Sintagma: pa lavras ali nhadas, hierarquizadas ou relacionadas entre si, formando uma unidade de scnt ido
logia comum . O rci;Kionalll<'lllo ou alinhamento inadequado de palavras produz incoerências localizadas.

9'
Observe-se, a título de exemplo, o enunciado de concurso: Veja-se outra redação:

TEMA: (1 ~*<!:!> ~ 4.0~ ~v~ tlt .~ JY~.AJ.­


A questão ética do Sumo Bem em Platão deu lugar em Aristóteles
~~~~o..a~~ ·
Extensão máxima: 30 linhas

A expressão "deu lugar" pressupõe a presença de um complemento à


informação. Como isso não foi feito, o enunciado ficou prejudicado.
Num exercício para a prova do MPU-CESPE/UnB, 2010, apareceu a
2
seguinte construção: 3·
4

De acordo com o crescimento desordenado da população mais carente, a 5


linha de pobreza cresceu ainda mais, aumentando assim a criminalidade. 6
7

O emprego do orientador discursivo "de acordo" está inadequado. Não


se trata de uma relação de proporção, mas de causalidade.
Outro texto de preparação para o mesmo concurso apresentou o seguinte 19
parágrafo:
(..Q

2.~
21
2.2. .... v ~ ~ \ -- -
22
2.3 ~ 4-9-2#- ;xxgé, '!&àlt ç~,p,_ wo t.clQO\.e .. G s.Q::co 1\i.lw.o.R c-- 23
Zl.f ç ..:r1~ 1-t o t,{_w d--o"' ~"' ~ <MQ.mP, , d,e;,,de.- ~ "-\
-~
2Ç" ~ ~ ' Wf'!'!""- z. a.&r<;PJ .

[Texto 3}
{Texto 4]

Constatam-se [além de uma falha de regência] dois problemas de pres- Ocorrem no texto (além de outros problemas) duas impropriedades
supostos ou impropriedades vocabulares no enunciado: vocabulares:

® Não se define qual seja o "sonho": quem sonha, sonha algo ou com ® Alvejar. O sentido inicial é tornar branco. O sentido derivado é "atin
alguma coisa. gir com arma ou objeto". Este foi o sentido pretendido pelo redaLor.
® O sintagma "mais parte" está inadequado. Não se preenche "parte" Porém, há uma incoerência entre "deleitar-se" e "ser alvejado". Além
com um advérbio de modo ou intensidade. Isso é feito com o lexema disso, a casa vazia de "alvejar" supõe o preenchimento com um adju nlo
"participação".

94
9
circunstancial de meio ou instrumento. Há um sentido de "ser atin - TEMA: fu~~ cJ.P..; e.i.~ .... í'~ .
gido". O período seria aceito, com reservas, com a seguinte redação:
A sociedade brasileira deleita-se [?] com a quantidade de informações Extensão máxima: 30 linhas Reservíldo dO
com que é alvejada a cada instante. examlnodul

0 Ponderação de princípios. O sintagma está inadequado. Princípio é a


"causa primeira, a razão sem a qual outras coisas não podem ser rea- 2
lizadas". Sendo fundamentos, estes devem ser cumpridos, observados 3
com cuidado. 4
5
Acima falamos das pressuposições dos verbos de mudança de estado.
No texto-exercício para o concurso INPI-CESPE/UnB, 2006, encontrou-se
{Texto 6]
um desses verbos, em que o tema versava sobre a importância da ciência e
tecnologia. O conteúdo do último período do texto acima é emblemático, reprcst• n
tativo do que estamos analisando: "assim foi e assim sempre será ao longo tio
23
tempo". Significa isso que o redator olha pela janela e não quer enxergar nad,,
24 além do que os outros já viram.
25 Mas antes de aprofundarmos essa redundância discursiva, há os con lw
cidos casos de redundância lexical ou semântica, no nível da frase. É o caso dt•,
26 por exemplo:
27
Nossos legisladores atuais eleitos pelo povo são peritos em legislar em causa
[Texto 5]
própria.

O problema no uso de "despertar" é que o redator empregou o vo-


cábulo como um substantivo, mas lhe deu um preenchimento de verbo. O Numa democracia é pressuposto que os legisladores sejam eleitos e que
substantivo pressupõe um preenchimento de complemento preposicionado: tal eleição seja feita pelo povo. Então, o período contém dois pressupostos ex
um despertar de. plícitos desnecessariamente.
O oposto da falta de preenchimento dos complementos são as redundân- Mais abaixo, voltaremos ao desastre da redundância quando esta se sit ua
cias. Estas se caracterizam por um "entupimento", excesso de informação ou no nível dos pressupostos discursivos.
repetição de lugares comuns. Esse "entupimento" é muito comum em textos
que se limitam a reproduzir ou parafrasear saberes que todo mundo já está b) Pressupostos discursivo-argumentativos- fundo e relevo
cansado de conhecer. Como já se falou, em termos de Análise do Discurso, os pressupos los
correspondem a realidades comuns ao horizonte do enunciador e do in lérpn:lv.

97
96
Tais pressupostos são a base a partir da qual se informa algo. Fazem parte No caso de concursos, o primeiro sujeito a marcar o plano é a Banca, colll
de uma informação prévia, sujeita a um acordo recíproco entre falante e ouvin- os textos motivadores e os tópicos a cobrir. Por meio de textos-pretexto c pelo
te. Formam uma espécie de moldura de fundo da qual brotam informações de comando do tema e da cobertura de tópicos, ela oferece os recortes, a moldura
relevo~ 8 A moldura de fundo costuma ser assumida como ponto pacífico, sem de fundo, à qual o candidato deve - necessariamente - se reportar e a par tir
discussão, entre os participantes do ato comunicativo. Veja-se isso na ilustração dela construir o seu texto.
abaixo, à qual podemos chamar de "janela semântica".
Porém, nessa situação jurídica, prevê-se que o candidato não se limit e a
reproduzir o plano de fundo. Espera-se dele a capacidade de oferecer algo novo,
uma visão com relevo. O candidato não é apenas um fotógrafo reprodutor da
moldura. Deve ser também um pintor, isto é, ter uma visão própria do qu adro
de fundo.
Os textos-pretexto oferecidos pela Banca são, na verdade, pressupostos.
O candidato os tem, por um lado, como plano de fundo aceito, em princípio,
e, a partir deles, vai apresentar uma visão não apenas repetidora, mas com um
plano de relevo.
Por outro, pode-se tê-los como moldura de fundo questionável, a pa rt 11
da qual se posiciona como opositor.
Escusado dizer que a oposição ao plano de fundo é sempre releva 11 I t' .
Quando a moldura pressuposta é contestada, produz-se um novo plano dt·
fundo. "Contestar a moldura sempre produz efeitos textuais, porque a muda n ~ .1
de moldura muda a direção do discurso" 29 •
A contestação da moldura, continua ECO, passa a ser a mudança do tó
O plano de fundo é a realidade, ampla, indefinida. pico discursivo, ou seja, é a desconstrução ou a refutação do discurso oponent e.
O segundo plano são os estereótipos, os recortes, os pontos de vista, a De modo geral, esta informação de fundo, o pressuposto, está protegid a
ideologia comum, o oceano de textos feitos por determinada comunidade, numa da contestação do ouvinte/leitor. Temos a tendência de acreditar na saída de
determinada situação histórica ou por uma determinada área de conhecimento bola de nosso interlocutor. Mas isso não quer dizer que não possa ser contestada.
sobre a realidade. Estes discursos se apresentam ilusoriamente como sendo a Contestar o discurso da voz comum é a estratégia discursiva mais eficaz
própria realidade ou sua duplicata. e produtora de informação relevante. Porém, a maioria dos candidatos não con
O primeiro plano, o da frente, é o discurso particular, visão de mundo a testa nem a Banca e, sobretudo, não contesta o discurso dominante. Em lugar
partir dos discursos da ideologia comum. Esta é a condição humana: não se vê o disso, o que mais acontece em concursos são paráfrases diluidoras, repetições
mundo diretamente, mas através das janelas semânticas dos recortes discursivos do plano de fundo.
de uma determinada sociedade. Podemos dizer, sem medo, que essa estratégia ineficaz é o grande proble
ma dos textos de concurso. Parafraseando lugares comuns, acabam diluindo,
28. ECO, ob. cit.
esvaziando e enfraquecendo seu próprio texto e, o que é pior, o da Banca.

9. ECO. oh.dt I' .'.· llt

98
Mais acima falamos em redundân cias sem ânticas. Como havíamos assi- A título de comentário, sem qualquer juízo de valor, é nítido que o
nalado, agora analisaremos as redundâncias discursivas, verdadeiros casos de texto não apresenta nenhum relevo. Fica no terreno da moldura de fundo ,
sem atender ao comando da Banca sobre a responsabilidade dos veículos
('lllupimento textual.
de comunicação. Não é um texto argumentativo. O último parágrafo apre
Só a título de "cuidado", "cautela", veja-se o texto a seguir para o concurso
senta umas tintas de argumentação. Mas é um parágrafo com pressupostos
do MPU-CESPE/UnB, do tema semânticos prejudicados. O contraponto com "verdade" não é "opini ão",
TEMA: A ..!UA'W'Q w...~~ @??' o'-Vu:'Wf'\C. I. ~ v{.(C<A-16\. d-t. ~'Y'Áeo__ç.oÁ ~ mas "falsidade". Além do mais, pode-se ser neutro diante de uma situação
uK.CU.R.o-.tPÁ <:JJM. ~~Y"'V' .f'8"-""'"'~""-"' <:J-O..- ~-~ ~'ol-Lc.c.._.
Reservado ao problema, mas não diante de uma informação. Diante desta, pode-se se r
Extensão máxima: 30 linhas
examinador desinteressado ou não.
1 I ~Y'N/'n\(, fr:> '<{.(cu.\1;1\ eM_ r~c<AI:~ W ~),.e\, r).q__ ""--\1n É a isto que estamos chamando de redundância ou "entupimento" discursivos.
2 I.o\ÃJ\. ~
- "'''."l!'n.,_,...,pr-c...'te_ ·~ en .MA~~ ~~ .ot.N •. o..... r'\ .... ~r.J.'"\ . . .J.l"'l"\.1..61.~ -
3 10 ;,.;._ ~~ .un.co..· ~ ~ ~ - ..Lih'('rll\.~ cO:>.~ ~~CA:l.. c) Pressupostos discursivo-existenciais
4 I ~ -~~ º" ~~ v.·~- - •·• , ~~ '.t. VW'0<;AA. o~ ~ · ~<C~.·oto~ ,.,...
• r

5 I,\.()..IV\.A....IIP
, . . . .'-'. :..... , ~ ·
.A..'f'C'A~· ...... ,J.rlA.AA'lvt~ e. ~~' d"'ÁY"(V\Dl.A.í'A--d..cv"~s. . Trata-se de quadros de fundo do discurso em que alguém nomeia, apre
6 I 'K,lto-c.:.o~ <:>.. ~co..dlh ~AL!.l.o!.. n.On, ·~'- \.á. ~-CV\Q,vv., senta indivíduos ou fatos pertencentes ao mundo do assunto ou do tema. Se o
7 ~~ \o o... ~ U>vvvQ o -~""-"""'! o2 t o'l.. candidato tem como tema a discussão sobre o desenvolvimento sustentável, h:í
8 ~,.RNv,-c\o.f\hA-.eÁ dJ..b""'-'-, ·~ d.P
I ~<:;ÃJ.J::,v.<>
. _, ' ___ (" . toda uma série de conceitos, teorias e conhecimentos cuja existência é conhecida
9
O\- ~ I 'O..LQ.O r. rAIJ:M. \-Q, n-u ol.v.>~'t'MJ<Gt.
.:~
ote. ""-"'- I (). 1..
10 I ,~ . . . ~ ~ e assumida.
"""'"""'" ~~\{.'-. ~ "'-'>1\--\\<-<l . ,~Q. <:v>rr,-

11 1~h-0~ . Nesse caso, a Banca avaliadora contextualiza a informação nova dentro


12 I A~~ <.n'<'<-.Q tn 'vel'C..IA-!0"1. ;~,~\...•n ·"' V!A<:M.Ie:> ~vi- da moldura do pressuposto dado e aceita a pertinência das informações novas
13 I ,.-,j, -1-o..~~ o..."~~......, .. ~ ·.• ~-;, ~~- ~ ,.,~-..... ,., ..... n!.o"\
como verdadeiras, a menos que haja forte prova em contrário ou dificuldade
14 1
~ Wl.~
. .
UM.t' ~ 0\. Nf,~
. . .
\UA~ ~-~~-
de identificação do elemento novo. Então se faz necessária uma negociação ou,
15 lt1e.i,•!n:.-~ oNVI.Á'M>"\0\\:. ~ ~ i!. k.levi~ &.W tn ~ vkll -
16 I
.n..d.U\ ~ - J.-<flr-rl ~ L~o I oU.. ~C\. •~•.u"""'"=
., · r.NGOV'\i('tl. ~
1
o. -z. simplesmente, recusam-se os novos conteúdos. 30
17 I-::
en.->rr>A (.trrvv9 .U,.!..C\.. ~O <di~\C>.A. <CÚ. ~~ «:~ 'CIJi)o Além disso, é comum acontecer- e é exatamente esse o caso dos concu r
18 I~ {.. e<.s. ....,.~ .,(.c.~ ~ú,J:.
sos - que a Banca indague do candidato o conhecimento de certos conteúdos
19 I eov-.-, A oi ar.nf , <>.A "fflÁolUM c"""·~2P.V. ~.~\:. • C\.. o.uf.~
20 I. ·o.· -'~"'# t -"<>JtA'f'AA.I\,
. '-" '·. ~ --r JUYW'>/CJ?o.
. ,.ÚV,~ específicos que são pressupostos para o desempenho de uma determinada função
h<..<A0\4MJ"V '01. . '..
.1/V\I'V\.Y>t JJo./'0'0.. ~ v'::

21 I ~
.~><> cÁA.,
·--'~ "'·.-
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· . c """-
~CU> _,. plb<;,.QQ,$, 1"\AAL>UCÁ)~
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pública. A esses pressupostos de conhecimento, a Banca chama de "tópicos" c a
22 1,... ....· ......._ __ rJFA ()IVV'\.hl\.l!wa.~, o .. _c ~ ... r-r.C\Il"'t.díl.!--.
\.J.Lblici~~ ~- ..-· ~ -
C"A.N'\..l.ot\rf..&. ~ aferição desse conhecimento é nomeada como "cobertura dos tópicos".
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-- O objetivo dessa cobertura não é apenas a ativação ou repetição de
24 lo.!M,Jl~\e. F' w::i-.-t • C .-,n.<..l..(v<.\ '"Y1 ~ ~ ~<,~S ~ oiJo I o.:Z.
25 I · 1\.n....-.J\.D~ClÃ..ll~ . ,/ '---·~- _ .-_ -- ,, 1 elementos já conhecidos do plano de fundo (o que implicaria apenas num a
c;L(.. O...t.A.a.A.a..u...f.A.. ~_,.._, Cl..AI\.AA~ cJ..,Q_ CjUU 0-.1\.·

26•·•·1r _ '\1n n o r: L~ <n ~ W


.IÁrrr. . ,· -.·c" • .\.-unlo O. ~ ~ ~'\<>...
exposição ou comentário do pressuposto). Trata-se da ativação de compromisso
27 I ~ ~ ou v~ aN\AA\tVI. ot-m IACM-1% rJ,.e, ~ti>.A:.G~.&
.o.. . . ; _ _ .--_: - .. . ..-
OJVI\<. '-. com o que se diz. Essa última ativação constitui, então, o relevo. Nessa situação
28 IcJ.L ~... _ . ..U~Q.<., .AJY\l.&t...,..,.,.
. -
..U>t..S ~ ~ OU.. ~ <n>-<.·
. específica, é lógico que o Candidato deve ater-se aos conhecimentos técnicos.
29 I ~· ·_c. t.J<M> _c:- .(...~
~•r~:<.,;.o.tv...O r,..0Y\<~ ()'v\. olvu..~ ~~~ C<).-
.. • •
Por isso, o nível de informação nova, informação inesperada, é muito ba ixo.
30 Id...t.- H. ~ 'Y\.~ ~ \,{..>,.. .(r<Y-1 ,·u.n...dn.

[Tex to 7/ 30. ECO, nh.ut p .'I• i

tO O JO I
Mesmo assim, é preciso que dê ao seu texto um tom de compromisso com o 3.1 Textos figurativo-narrativos
que diz. Isso é feito, como veremos, por meio dos chamados orientadores de
Todo texto é um iceberg, sobretudo, o narrativo. Só vemos as figura s
modalização ou do redator. concretas. Mas por baixo delas estão as ideias, as análises dos acontecimentos,
Detivemo-nos nos textos do mundo dos comentários por serem estes o os ensinamentos. Para esclarecer um pouco mais essas duas grandes classes de
objeto das provas de concursos públicos. Pela longa tradição em nossa sociedade textos do mundo dos acontecimentos e do mundo comentado, um outro conceito
c pelo destaque dado a esse tipo no ensino, acrescentamos ao quadro anterior nos ajuda muito. Trata-se da divisão em textos:
das classes de textos os gêneros do mundo dos acontecimentos.
a) Figurativos;
3. Textos do mundo dos acontecimentos b) Temáticos.

O esquema ou árvore (título 1) das classes de textos mostra, com clareza, Os textos argumentativo-expositivos apresentam a análise de conceitos
que os comentários são posteriores aos acontecimentos: Isto significa - até e/ou acontecimentos. Os textos narrativos ou figurativos dizem a mesma coisa
historicamente - que antes do dissertativo ou do comentado veio o narrado. que os textos dissertativos ou temáticos.
No princípio, foi o discurso mítico-teológico; depois, o metafísico-racionalista Observe os textos abaixo:
e - hoje - o discurso predominante é do empirismo científico, aplicado tanto
às ciências da natureza como às humanas.
Um asno, vítima da fom e e da sede, depois de longa caminhada, encontrou
um campo viçoso defeno ao lado do qual corria um regato de águas límpidas.
Consumido pela fom e e p ela sede, não sabia se antes comia do f eno e depois
1. Fábula; bebia da água, se antes aplacava a fom e ou saciava a sede. Assim, perdido
2. Parábola; na indecisão, morreu de fome e de sede {fábula filosófica da Idade Média]
3. Lenda;
Narrar através da criação 4. Mito; Um indivíduo, colocado diante de dois objetos igualmente desejados, pode
de uma intriga ou invenção Narrativo/figurativo
5. Conto; ficar de tal forma indeciso que acaba por perder a ambos.
de uma história verossímil. 6. Novela;
6. Romance;
7. Crônicas, etc. Estes dois textos querem dizer basicamente a mesma coisa. No entanto,
1 Diário; o primeiro apresenta uma estrutura de superfície e uma estrutura de fundo.
2. Testemunho; Na superfície estão as figuras [elementos concretos] que representam as ideias
3. Reportagem; abstratas no fundo do texto. Já o segundo apresenta diretamente os conceitos
Relatar, dar a conhecer,
Relato 4. Relatório; de hesitação que explicam aspectos da conduta humana.
comunicar, acontecimen-
tos atuais ou históricos. 5. Notícia; O texto a seguir é narrativo. Há nele três momentos: um inicial, um de
6. Ensaio biográfico; transformações e um final. Nesses três estágios, entram em cena duas categorias
7. Crônicas, etc. de análise: sujeitos [S] e objetos [O] .

10:5
102
Nesta sequência observa-se, com clareza, uma linha do tempo, com un1
antes e um depois, dentro de uma lógica de causalidade. Não há um conflito. I~ss. 1
sequência temporal e as transformações de relações de conjunção e disjun çao,
em função da causalidade, definem o que é um relato.

Um sujeito se apresenta num estado inicial em conjunção com o objeto


bem-estar e aponta para outros sujeitos em conjunção com o objeto doença.
Constata-se, então, a presença de um conflito, o que caracteriza o texto do mundo
relatado como uma narrativa. Aliás, sem conflito não há narrativa.
Diante da situação problema, o primeiro sujeito opera transformações: faz
passar a responsabilidade do sofrimento para dois sujeitos: Deus e o Capeta. Como
resultado disso, esse sujeito e seus ouvintes (trata-se de uma cena discursiva de
pregação) entram num estado final de conjunção com o egoísmo, a indiferença.
Muito resumidamente, podemos dizer que, em um texto narrativo, um
conflito se inicia com sujeitos em conjunção ou disjunção com objetos. Estes
sujeitos se movem, agem com o objetivo de promover transformações nas rela-
ções de conjunção ou disjunção com os objetos. Trata-se de resolver o conflito.
Dessas transformações resultam os estados finais das relações dos sujeitos com
os objetos. A narrativa acima seria um excelente tema para um texto dissertativo.
Veja, agora, a tira a seguir:

104
10"
.. 1. O que o candidato espera do leitor-examinador
Capítulo Construcrão da base do texto
""'
.~.1".~' ') __........ \ I I 6 expositivo-ar~entativo Há entre o Candidato e o examinador pontos comuns de conhecimento,
códigos mentais. Porém, supõe-se que o campo de conhecimento da Banca seja
muito mais vasto que o do Candidato. Por esse motivo e pelas posições jurídicas,
há entre os dois uma relação de assimetria.
Conforme já exposto no capítulo anterior, a situação social de concursos O Candidato sabe que o seu examinador é um leitor crítico, que está numa
é a de um pleito em que candidatos participam de um jogo ou de uma peça posição enunciativa de superioridade e, por isso, está atento para detectar pos-
a rgumentativa. síveis deslizes de conteúdo e de forma gramatical do texto redigido. Colocado
Muitas vezes, infelizmente, as Bancas não oferecem todas as peças do nesse contexto social de leitor, o examinador espera atendimento da regra das
jogo e/ou não explicitam as regras que estão valendo nesse jogo a ser jogado regras: que o Candidato obedeça, cuidadosamente, aos comandos dados. Isto
pelo candidato. é: vá ao coração da questão-problema.
As regras desse jogo ou dessa encenação expositivo-argumentativa apre- Outra coisa tenha em mente o Candidato: quem está numa posição
sentam quatro componentes básicos: enunciativa de superioridade quer ver sua vida facilitada. Portanto, candidatos
® Perfil dos atores - leis discursivas; a empregos públicos devem prestar atenção para não dar muito trabalho ao
® Base textual - tópico textual; corretor. Significa isso que o leitor-examinador mostra boa vontade para textos
que atendem às suas expectativas de construção e de conteúdo. Quando isso
® Edifício textual - construção da argumentação;
acontece, o corretor releva, às vezes, problemas da microestrutura do texto.
® Cobertura textual - conclusão do texto.
O examinador de um concurso público não tem apenas familiaridade
I. Perfil dos atores com o assunto focado pelo Candidato. Ele é um especialista, um expert no
tema, o que torna a tarefa do Candidato ainda mais difícil: decidir, dentre as
Nessa peça argumentativa, há dois personagens: um sujeito argumentador informações de que dispõe, quais são as mais relevantes do ponto de vista-
que- numa situação de pressão- é desafiado por um sujeito examinador a resol- veja-se bem- do corretor.
ver um problema e apresentar, por meio de um texto expositivo-argumentativo
Ele é um selecionador. Isto acontece devido à natureza de seu ofício: como
las armas do candidato] uma solução, avaliada como eficaz ou não, pertinente
não há vagas suficientes para todos, é preciso eliminar, cortar cabeças. Por isso,
ou não, pelo seu oponente, o examinador.
mais adiante, vamos falar acerca dos mapeadores e sinalizadores textuais, que
Em qualquer situação discursiva, um ato social, há princípios e leis es-
vão abrandar o coração ou facilitar a vida desse leitor-selecionador.
pecificas que regem o comportamento dos participantes do ato discursivo. Os
princípios [elementos fundamentais] discursivos se organizam segundo as ex- Em síntese e somente com um objetivo prático, apresentamos alguns
pectativas ou as "imagens" que os interlocutores fazem um do outro e do assunto. retratos falados de leitores-examinadores de concursos públicos.
Num concurso, a situação discursiva dos sujeitos é assimétrica. Por isso, a) O ingênuo. Por ofício, o examinador não é um leitor ingênuo, dormi-
mais do que em qualquer outra situação, é indispensável que o Candidato te- nhoco: aquele leitor que aceita tudo, não presta atenção ao que lê ou
nha conhecimento das "astúcias enunciativas" de seu leitor-examinador. Nesse não tem opinião formada sobre o assunto, uma espécie de ouvinte
contexto, duas perguntas ou dois princípios básicos são formulados: de jornais de TV, sonolento, sem espírito crítico, fazendo outra coisa
a) O que o candidato espera do seu leitor-examinador? enquanto ligado na TV.
b) O que o leitor-examinador espera do candidato?

lO 107
b) O crítico. Por ofício, o examinador deve ser um leitor crítico: atento, a) O forçoso - um imperativo;
sobretudo, para ver se o candidato atende aos comandos da Banca e do b) O necessário- um indispensável;
Edital. Como é um expert no assunto a ser discutido, vai verificar se c) O preciso - um desejável;
o candidato apresenta uma cobertura suficiente ou exaustividade dos
tópicos. O Candidato deve ser astucioso, de modo a preencher as expec-
tativas desse técnico, mestre em estratégias. Além disso, a situação desses
O preciso
leitores-examinadores é a de quem imprime boa velocidade no percurso
da leitura. Se a estrada não estiver bem sinalizada ou com muitos buracos O necessário
na microestrutura, eles, como qualquer um de nós, vão reclamar. Esse
leitor-examinador crítico é o ideal na correção de um texto. o forçoso r
c) O hipercrítico. Por circunstâncias externas ou internas, o examinador
tende a ser um leitor hipercrítico, contestador. Em banca de correções, é
chamado de mão pesada. Nada lhe escapa, tanto no plano microestrutural Para se entender melhor essa situação, siga o seguinte raciocínio: para
como no macro. É o leitor exigente. Porém, tanto ele como o seu parente, comer, é forçoso estar vivo; para viver é necessário comer; para viver bem, com
o leitor crítico, são honestos e jogam limpo. No entanto, há um tipo de qualidade, é preciso comer frutas.
leitor que, mesmo cumpridos todos os comandos, nunca está satisfeito.
Numa figura (descritiva) podemos ter:
d) O impositor. Por excesso de autossuficiência, há um leitor que não poderia
ser: o leitor impositor/fraudulento. O texto é só pretexto para repetir suas
convicções. Lê no texto o que quer. É o leitor que entra no texto e não
aceita dialogar com ele. Não tira nada do texto e não preenche nenhum
dos pressupostos, nenhuma das lacunas. Este é o oposto do leitor ingênuo:
aquele que aceita tudo e não contribui com nada.
O necessário
Depois de conhecidas as imagens e as expectativas que o redator faz do
corretor-censor, precisamos responder ao segundo principio discursivo de um
concurso: o que o leitor-examinador espera do redator?

2. O que leitor-examinador espera do candidato A) E for9oso

A Banca de um concurso se coloca - diante de seu Candidato - numa Numa situação concreta de concurso, três coisas são forçosas no discurso:
situação social hierarquicamente superior. Nesta situação, o discurso de um é ® Pertinência
de comando; o do outro, de execução, sob pressão, dos comandos. Em termos
Se o candidato fugir ou ficar rodeando o tema sem entrar no miolo do
um pouco mais filosóficos, há uma situação discursiva da ordem do dever. Nessa
problema, os leitores-examinadores não costumam ter complacência. Isto sig
situação, encontramos três graus de dever:
nifica que o Candidato não enrole, não viaje, dizendo coisas que não pertencem
ao comando dado.
Ser pertinente é atender ao tema ou aos comandos da Banca.

108 lO
® Exaustividade iii. Problemas de forma: erros de grafia- emprego das letras, acenluaçao
e hífen.
Essa lei do discurso diz que o redator não tem o direito de sonegar in-
formações ao seu ouvinte/leitor examinador. Quando, no final, este não ficou
satisfeito com a quantidade de informação é porque não se obedeceu a essa lei.
No caso de um concurso, o examinador espera uma adequada e suficiente
Forçoso
cobertura dos tópicos, não soltos, mas inter-relacionados, isto é, que os pará-
grafos e os tópicos estejam costurados entre si. Esta lei supõe que o Candidato Modalidade
deva dar um máximo de informações de acordo com os comandos da Banca.
B) É necessário
® Modalidade
® Consistência
Além de saber calcular a quantidade e a pertinência, o Candidato deve
ter em mente uma outra estratégia discursiva: o nível de linguagem. Trata-se de um saber que consiste em arquitetar o texto com segurança.
A Banca pede um texto dissertativo redigido no nível de uso do padrão culto. Ouve-se falar em "engenheiros de obras caídas". Um prédio que cai é urna
É essa lei que condena os múltiplos tipos de obscuridade na expressão: má estru- construção a que falta consistência. O mesmo se diga de um texto: a consistência
turação do tipo de texto e dos parágrafos; frases longas demais, frases truncadas; supõe que este se aguente, seja um todo sólido, suas partes estejam articuladas
vocabulário ininteligível ou incongruente; erros de grafia; erros de concordância. umas às outras. Partes costuradas, amarradas entre si tornam o texto só I ido,
Em termos da gramática ou retórica clássicas, a lei da modalidade espera que o consistente. Consistência significa também que o texto se explica por si mesmo,
texto seja claro. Esses estranhamentos na microestrutura são de diversos níveis: sem a presença do redator. O pedreiro levanta o muro e este fica em pé, mesmo
i. Problemas da estruturação do tipo de texto: quando o operário vai embora.
® Insuficiência ou deficiência na construção da passagem lógico-discur-
siva entre parágrafos [parágrafos justapostos];
® Insuficiência ou deficiência no uso de organizadores textuais [sinaliza-
Necessário
dores do percurso textual] ou ausência desses mecanismos linguístico-
-discursivos. Trata-se de uma operação que consiste em organizar o
texto, dando pistas, fazendo indicações para cima e para baixo, para a C) E preciso
frente e para trás, estabelecendo ordenação entre segmentos textuais
ou partes do texto. ® Relevância
ii. Problemas de estruturação dos parágrafos e dos períodos: Escolha de argumentos que vão além da expectativa do leitor-examinador.
® Uso inadequado ou insuficiente dos conectares lógico-discursivos; É um forçoso [uma pertinência, exaustividade e modalidade] com qualidade.
® Frases por demais longas e/ou truncadas - problemas de pontuação; Como dissemos anteriormente, o relevo é aquilo que sobressai do fundo comum
® Vocabulário ou letra ininteligível; do pressuposto, como se viu na ilustração da janela semântica (capítulo 5) L'
® Desvios de concordância e regência de acordo com a norma padrão. agora retomado na figura abaixo.

110 l.l.l
Observe este texto com o seguinte comando de redação como excrck io
para o concurso do MPU- CESPE/UnB, 2010.

I Relevo UJ
"Desenvolvimento autossustentável: alternativas propostas para um cresci-
mento econômico equilibrado e não agressivo ao meio ambiente."

RAscUNHO

1
DJV>J/ft1~TUJN<·rmunfo o- ..Co. .J. - .1 L" a..o.......l. U>Ja<V:J cL.. ..-,....,MA <v.> tn >.CL~.>' cd.A~ ,/.<
2
l QJAQGC10 o.l.uA1. l:wm ~~,.;~&<u:, . t; . a~o~ •.i: .o c;iv,ll<
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3 IV '
O leitor-examinador espera-que o candidato apresente razões, provas, argu- I"' 1u<'lYYioMto .'lM- f!1.dO
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4
IkcL<. k.,..,. G<A.LL:.a.do N'n .:t:o" obt.m,a.r., n.n nn Ú. """"'-b~-~ <L IL N .d ....... .
mentos eficazes, que sobressaiam ao plano de fundo. Nessa hora, o candidato deve
d.c!oJt rYYl~·cJ.o..,-, """"" .J>al v<>){
5
: . fntn .J;o._ L h-'-' W>. IHLo <Xh Oh
planejar seu texto, escolhendo, numa cesta de argumentos, os que lhe parecerem mais "'

adequados, mais pertinentes. O examinador aprecia ser surpreendido pela profundi-


6
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dade do Candidato. O que mais se observa em concursos é um padrão de mesmice. '-" ""' f(J ctv.. "-"'-" <U-<>-vnvY\

8
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A informatividade, a relevância num concurso, não é apenas reproduzir o que está 9
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'r•rn-;:/'Yl'\,W a ,_._ ll.t,..,o. ..,...,.,. euvttA o trnJ ·., o.rm bt <MA. 1=-"....Ln<YYl""'-"'- o..&:<>"d.c. h..L h"""' " '
nas apostilas ou em autores consagrados. É preciso usar recursos que mostrem um 10
t:L. ,.& N<1A 6 h k ..tA- o.d.o LQJ'O\dO OJ:_C·'-0 CJ- ....... -u..t<.c<>,OV>-n ~ -"> IU>toOJT.. .l: t>d.o-b ~
comprometimento com o que se diz. A Banca chama isso de alinhamento ao tema. 11
'J.:,.,...,oo hn.o\J'oc;o..:iol') a.o rmo.Lo Clnv\ht~ h.. b..._l.c. l;)oCJ.-..clc.cLc. .
Relevância supõe pertinência. Mas o pertinente pode não ser relevante.
Verifica-se que os três níveis de dever atendem aos critérios de correção
12

13
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14
da Banca e às leis da textualidade: 31 coesão e coerência i mctl_di b.t.JY~r:> c.L C<>C'\l:>.....rm.O JL d<>f.:> ~-<r,;,or., mcd. o'l..GU-':>• ~..... cL._ JVV\.11.1'<.
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31. Textualidade: é aquilo que faz com que u m texto seja um texto. Um texto é m ais que a soma de suas frases ""
24
e parágrafos. É a tessitura de frases e parágrafos fo rmando uma to talidade coerente e coesa. h & "' ' ..._{ n <"> ,_, <10 <rt\ 0 ou•-. 0Jm n (.emk C0. .J:> a..c!o h Ir> ' l n. ;:-,-,{.L 0. &.-.
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112 li
Em termos de forçoso, o texto está dentro do tema. No entanto, não há surpresa É a partir desse planejamento de base que se constrói todo o edifício do
nenhuma. Não há relevo. Ele se limita a repetir o que está na grande imprensa, que texto. O fragmento textual abaixo constitui um exemplo de base textual, apre
é do conhecimento comum ou faz parte do quadro ou da janela de fundo. sentado como exercício por um candidato ao concurso do Ministério Público
da União (MPU), 2010.
Observe-se, por exemplo, que apresenta uma longa lista descritiva de pro-
postas de ação, mas não analisa nenhuma, não apresenta nenhuma crítica a essas
propostas que, na verdade, são paliativos. E tudo começa já na saída, na base textual. '\~: f:l \~0-b~eo..c.Pf O.o.._ ,NJN.·oÁ ov\ \ ~\(\{. J..-,o-(Y{)S~~:, ror0 '0-tA!>:\
Logo ali se percebe uma generalidade, que se confirma no restante do texto. Porque t cdo... z~o..\ o.cj,Qqll c1vZ ~' ~ "W.~~ "f'()';. h:luwS~JW..w~
há uma queima de saque, sem uma indicação de um roteiro, o texto, além de peque-
no grau de informação qualitativa, também não tem uma consistência adequada.
A construção de um texto expositivo-argumentativo pode ser comparada ao 1 Em ~~~ to<-fu!:> , C:9"00 o.. A~'ri"('(Ã t. o.. e.oi.w\Y\10, 1 \õ:..
trabalho de um pedreiro ou arquiteto. Existem três etapas nessa construção: 2 i ~'<'M.\-\d-.0 -~ \~ 0;. JJJ':f\Àp5. cg;"i\ ~m\1\:(. vM'f'V'o())~().A.~- ~O:: ~o
® 1a etapa: base - etapa do tópico ou da abertura textual; 3 ~~' 1 w "!TAQ,. ~ t" '06% heLo ~s ~ in·rpo cU- J,J.!Y'.Áo:iJ . 'Stl'<i CW:L
e 2• etapa: estruturas, partes, área de construção- etapa do desenvolvi-
mento textual (apresenta, geralmente, três estágios); ~ o ~~ v..0. ~rrdo r:k Mn Y'I'O\, CAY\f'v(.,\-o..? Ou Wó.. ~s. ..MJYY\

e 3• etapa: cobertura - etapa da conclusão do texto. ') \-{ ~ tpA.UvO'fC..\Â ~ do., W c_,( to\.a4t. Q_ t'#-\ ~ ~ W\ !'Q,fY\ \ç ':}

II. A base ou tópico textual [Texto 9]

Para se elaborar bem um texto expositivo-argumentativo, é de vital importân- Mesmo não indicando o roteiro de análise, o restante do texto deveria
cia calcular os "fundamentos" ou saber apresentar um "projeto" de texto. Trata-se de responder aos questionamentos e apresentar uma solução. No entanto, apesar
mostrar qual é o projeto de obra: sua situação/localização. Isto é: deve-se perceber, da colocação do tema/problema, percebe-se que os dois questionamentos são
claramente, qual o tema, o problema e quais as partes da futura construção. parecidos. Houve uma espécie de saída errada, o que vai prejudicar o restante
No caso do redator de concurso, esse projeto é o tópico 32 textual: base ou do texto, conforme se pode ler abaixo.
o fundamento do edifício textual.
'*
G
ll\.0
A~-c..--.trnK
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f'JJC.o"" \-e..<Ve. ~ aJ..o,.u..r-r-.-s -tS ÍCLdvOS ..u·r-r-. Vroc..on
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'" ~<;,;,..::'({.\ >< v<~\-<0.. !. ~~ ri.<. <M..e-\p~,o s;,<>:r0 o... WP- ªR~ >.<.kM-Q\ 1 serr--,
"> ';,gA. o..~ c-"'""= 'V'!-csY·<--.c... ~\os .fí;;&c.o!> .( IM.~?. ['"!'V\\~~1-t _:a:.n,
C olunas do texto
.1o \o-d..-o~ os c;L.,,, s ;:,w;, a..s.s... ..,...._.. . "' ::,;;,y_-rv\.0 ~ e-vw ~>GV---0..~ ~
H r.J.o-... ...A,...,.....-, ~To,_ V&h. ~ g '?MO.. ).ociWQ,.d& ",; '\~ c.o.... ~ o AJ,.'S
Con strução
~2 co ç),.t W'- o :no.ro:l,prro d.o ~ "'u'> QfYY'-1. "'#'~ & W.O... ~I 1o.. -
!>,::, Q ~Y\1 s~l--o -L o. <:Ul>(JU "K'-·'>..,..o-.ya& ~<:Lo~ ')&'- ~sse.-
.l.4 J(M.WA C/\i. ':.CJ,)"<D. ~ d,ÁQ, . t>!o5: W r-co.':. AMQ..S c:YJ\p,>e ;_ <:f.<.. 'lX S.SOO? )1""\-

JÇ \2\V'.~\tc,., m'Q.':. ~,..,..,..;.,~ rro ~KI\no -, oj1Ço,"<.<, cl.Q, 'P"&t'b\coÁ d..O,.


( Base do texto) iC .),)J'N,_o.Z v(v; l < cJ-.0,_ <c.CLQ~W ..u ~s 'Pª3 .ya§Cl.Á<;, .h.c>r0J<;,~)<M.gA ~ 1ro·
1~ d ,vp trccMm\t- do ;:,e,x,Q 1 'tod,ç,.;, 5'1) <,.vyc,.;, ..b..uJv:.=,Qr!'P"> 'f'?>~ o :"':ç:r(jrv~

32. Tópico: do grego, "topos", lugar, ponto principal. O "topos" constitui a base ou os fundamentos do edifício textual. ji ~>,!<!IR_v,'""[Y""{ry) \-o ~ Ol'it "(Y=l.Y'!Yg,', C.Q~<MAc:(,Q,Ql{,ó)< Q. '?ffi. S«rc'k<cqAAkrrÁ.Q, I
I
'lbdo o restante do texto deve estar fundamentado, sustentado nessa base. 1'1 ~16,MD:Jt\ \-0- h~'f'V~ !Q "trL:.ccnoS d.y.<.1 to>

IJ•
w O fragmento transcrito a seguir também foi apresentado como exercício
Li.
para o mesmo concurso. O tema era:
2-2. 0 (A.L!o.CA'~\o ~ryyv..-Go ~!,.i\tAJ,.e -tcn ,~- ~-~\-o_r.r,\e ~ .._·~ vc.s <4 <
TEMA:
~ eM. ~ {.. oiJJ:>.I_'~oLO-.cLL 'i>oc.<,o.._\ ""' ~ .
23 ,w."* -~\S. çlo,.. '..-ou W.o..w . . ;;, 't.4}'ccl 1\UCM;M õ,.
Extensão máxima: 30 linhas Reservado oo
Zlf Ç i~\-<. o '>.(_K!() d-o~ ~'-> ~ <:.fi-.<Q.rc<P, • o\t,<,rU- 't'-A.!I examinador
1
2Ç ~ ~ ' 'OV'f0""- :{.. 0..~ . .D-t~ La:J Íj .M.CJ. u-.tnll. - \-L """' o: ~\-o tc.o -
oU. c;,
2
1.....;~ ..L ~\-o d-0 Pu>. f?rux-1. \o L-r.~"WW Pw.Atol rr.o t00.Í& -
3
('y-" ~. ~ ~ Cl..V-l.. 01> C>.Mw~~- ,i Nn~ q_
In ~n Ut ~ .)JJyy-, dve'; ~ n '>-""- o.I.-L\-Q.ol.,o bl 'o._ <M ~
4
I ~Pnhn I t. JJ-J'(V-.. c~.o-;. • ~ ; 'W"> o ~ d.{.IDL . A
'N\.0 i.. GOÁ ~Co.
~ -~,f'{l)::íyc f?":~~!. do ~ ~x:..o \ 'XNi ii'YY'If><?Ss.{\(\ ()..(A..~ e,.g-ry-. 1'-t( - 5
Ir. ~tYV..vO CM. &0.~\o ~ ~"'-- \y,.cu, ..:lw o__. "('('0\<, .Mk-
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\~~'#:> a. ti\A'li':, cU v< \Q<:. '#m c.a..\o,t'"('ri'fn\-o j ~ ~S\t.hc.Q\-\ \lG\.!> ~ ~~ ~-0.llii!:8. ~ AU>tu~ o~ct. .w.,.-"' cJa"'fM_ wwu _

.~g';U~. t~ o \v'mrfo ) Q w~'<-o ;.và ~rn Ü cLo z Q J&"f':tl-~o..cpS


{Texto 11]
' w..x;:,._ !{Ã_ ~ rolL ~!>V. ><A ,cU,<, 'i.! rue;: ,J,.}./YY"Q,_ Jl,l.O..l\ -o/o cte r .O ~i -
O trecho apresenta três períodos. Os dois primeiros contemplam a loca-
lização e o tema. No terceiro, a partir do conector opositivo mas, verifica-se a
{Texto 10} problematização do tema, quando o redator assume uma posição contrária ao
discurso corrente ou pressuposto oficial. No entanto, falta-lhe um elemento
O primeiro parágrafo da argumentação está muito bom: há uma apresen- -chave: o questionamento. Sem ele, a linha argumentativa ficou prejudicada ,
tação de uma situação positiva nos dois primeiros períodos. No terceiro, vem como mostrou o corpo do texto.
7
a contestação dessa situação por meio do sinalizador de avaliação infelizmente. 8

A partir daí, mostra-se a problemática da situação. 9 - ........ -~~


10 :;l:) ' .~-,....
Depois disso, por causa da base fraca, percebe-se que o texto vai patinar. 11 f.

O parágrafo seguinte não passa de uma continuação, alongamento, do anterior. 12 «CL 'l>O~(>CL um"·-
..,-p~"'=--~""'-'.u:!:"""""-l-~_!Y_~~~~.E;8.~<&/>&I.I:o..._.L <:>. l?ç .q ~~ tet - I
A conclusão (2• frase do parágrafo) parece um aconselhamento ou uma desco- 13 """""--\ {_o ~W'fV\id\.0.0,0 ~ c:.&<v-\'-\-o.f'0'\(._ ~0.... -
~.g o.~ -
14
berta "meio torta": todo mundo sabe disso. I n dR."--' H> vetv , .--/WN\\0 <d-0 6A.o.._,.,A_Q <'
1~-n hA ;~ .- """.
15
~ ---"=' <& -\<>~ ""-~""'-~ 9,.AM- '>-< .i'-<'s\9.\o-.rr-r--. > \fn
O terceiro parágrafo é um puxadinho do anterior. Observe-se que volta 16 ~·,.,\o.. "--""-'-- o ~ \o d-<._ IV.rrd<:t _ 'i.<<"-~U>.. ~""'l.l "'-o
lD '-.f'rV'

aos dois tópicos: proibição da união civil (um sonho) e a adoção. A conclusão 17 1 /\Áp,~~ Vi'<~Q ~-yo ~~
18 "'-~ .., ' """-.a.s ....-a.<, AM-O.s ' A.t!>-U.\ - ~ '1X> 'o-tlvv-. - ~~ cJ.A I
ficou adocicada. 19 I~CA-~ t.. ~ A~ÓG\d..<- """-"~ -~ <> •AA'> \o._ _j

No último parágrafo, o sinalizador em suma aponta para um argumento 20


21
I At;>8fXI), '-, CR'f'0 O \ QJ.A/"'!'<V'f\ \0 de; -i>M_C., r : : a :'-<;!.o-..CI<. rvv.ÃJ -

.)M.\\vo... . o &cu.AJ \-e, ~ vio\~Aé\ .~ C<AAI'r..--un\-<:J ~<,~\<:\_\,(.\ ...-.C\..


com duplo papel: recapitulação do dito anterior e sinalização de uma proposição 22 I~ <:J.o ~"' - to-v----. ~" ~<-..a<- .'V'<"cU'> r.uii.O..<.<l.Á ~ VYUA.o,;o.
de maior peso argumentativo. Em verdade, apresenta uma ideia que se opõe 23 I~ ~o.os -<- 10'\A .--rv\ ~~-t - ~ ...----n~"-\1~\.o .vv-.. t <:MA-
ao quadro anterior. Por isso, o orientador discursivo deveria ser: apesar disso 24 lc~ 'C"f'1'0./Y\\e_,U,;_ ~ r,;; __ C/\.U::.Ü.."'f"'f"~\0 -dÃJ ? \ e, .e_ ..A,.•""f\..(«·_~· C\.. w ~ JJVY"V'I
25

ou mesmo assim ou embora e outros. Isso se confirma porque depois o texto é n ~


ll - .
concessivo. Provavelmente, o recurso a um roteiro mais analítico teria marcado w lv r "' ~ o.w
os caminhos que o redator deveria ter seguido e, com isso, ele não teria ficado 28 --Ml ~~ \ .(_ ooli:S~ ~p.ucv=<....
1\A ot<. ~-
=-=- (\).·~'R-'" -\o\0-Á<;, ' 'f() ~C><.búA kv=<-:do O!,',jo<·~ Q..
perdido durante o percurso. 30
~~ r,olo lov,rr-yn\ ~~~ ~ ~~ . - - -

f'J(·x to 12/

lJ lJ.7
Além de falhas de ordem microestrutural, o problema principal do frag
O primeiro parágrafo da etapa de desenvolvimento do texto focaliza,
menta é o discursivo. Observe-se que o autor não aproveitou o questionamen lo
com precisão, o problema. Depois disso, o texto se perde e não fala mais nem
dado pelo seu examinador [a Banca]. O texto do Candidato aponta para as ca u
nas causas, nem nas consequências dessa concentração. Observa-se uma in-
genuidade de uma voz comum nesse texto: a crença de que primeiro é preciso sas do crescimento desordenado da população e suas consequências. Ora, essa
qu e "o bolo cresça" para depois repartir. Ora, parece ser isso que o enunciado não foi a pergunta da Banca. O texto ficou sem pertinência. Esta queria saber,
da Banca contesta. especificamente, se entre aumento da criminalidade e crescimento acelerado das
áreas urbanas há uma ligação, uma causalidade [imbricação] natural ou isso é
A conclusão vai por esse caminho da voz comum. Há uma boa-fé po-
uma falácia [uma falsa explicaçãoJ.
1ílica, sem perceber que, apesar de o crescimento ter sido feito, não houve a
distribuição "de forma mais justa das riquezas totais" e não houve a "superação Neste caso, observa-se que o Candidato não entendeu a dupla perspec-
do lamentável quadro atual", que nem foi definido. Sobretudo, faltou apontar tiva apontada pela Banca e a cobrança de um posicionamento fundamentado
caminhos de como superar as causas e consequências dessa, já crônica, falta de em argumentos. É possível que o desconhecimento das duas palavras-chave
distribuição da riqueza. do enunciado ("imbricamento" e "falaciosa") tenha desorientado a interpre-
tação do redator que, para desvencilhar-se de uma tarefa mal compreendida,
O tópico ou base textual a seguir - situado nas mesmas condições de
seguiu um caminho equivocado. Atente-se, também, para a presença de
produção - foi construído a partir do tema:
vários sintagmas 33 mal formulados, acarretando impropriedades semânti-
cas que tornam baixa a legibilidade do texto ("não programação de nossos
"A expansão acelerada das áreas urbanas e o aumento da criminalidade: filhos" e "baixa renda para o sustento de enormes famílias") .
uma imbricação natural ou falac iosa?". Além dos problemas já consignados com aspectos microestruturais do
texto, detecta-se, sobretudo, que a indefinição na saída, no projeto do texto,
gerou indefinição, incoerência no decorrer do texto.
RAscUNHO
Com efe~o,},epois dessa queima na partida, o texto falou sobre a falta
de informação como uma das causas da falta de prevenção da gravidez. De-
corrente desse crescimento desordenado, o autor fala da criminalidade, "já que
grande parte da população [carente] não teve oportunidade de completar seus
estudos. E, devido a isso, procuram o tráfico e o crime como porta de saída da
miséria". A solução apresentada foi "o controle da taxa de natalidade e um maior
suporte, principalmente de informações para as áreas mais carentes". E, numa
única linha, sinalizando que iria fechar o texto, mas não o fazendo, acrescenta:
"Além de informa-los [sic], é preciso oferecer infraestrutura, saneamento básico,
[Texto 13] segurança e educação".

33. Sintagma: palavras alinhadas, hierarquizadas ou relacionadas entre si, formando uma unidade de sentido.
O relacionamento ou alinhamento inadequado de palavras produz incoerências localizadas.

118
11
Para a ilustração completa dessa análise, transcrevemos o restante do
Lex to:
III. Técnicas de constru9ão da base

7 Uma boa construção do tópico ou da base textual é eficaz quando prepara


o leitor para ficar aceso, criando a expectativa do que vem a seguir.
8
Essa base, como fundamento do texto, pressupõe quatro elementos:
0 Qual o tema/problema específico?

0 Contexto: localização/ou situação socioeconômica ou cognitiva?

0 Quais os questionamentos que se podem levantar sobre o tema?

0 Qual o roteiro que vai ser seguido?

Temafuroblema?
Contex to: local e momento histórico?
~~-

Questionamentos?
Roteiro?

Mas essa base pressupõe um trabalho (uma escavação) anterior: a leitura atenta
e o aproveitamento dos textos motivadores selecionados e apresentados pela Banca.
Voltamos aqui ao que já foi dito sobre plano de fundo (pressupostos) c
relevo. É evidente que a Banca não quer a operação copiar/colar, mas os Lcxtos
não estão lá para enfeite. A partir deles, o Candidato deve apresentar o relevo
textual. Isso já é indicado no ponto de largada do texto.
Nessa situação, é possível encontrar duas recorrências:

a) O texto da Banca já apresenta uma situação-problema


Apresentamos abaixo tema do TRT-ES/2000, do CESPE/UnB. No caso,
competia ao redator fazer referência ao texto, indicar o problema, situar a á rca
jurídica em que ele se apresenta, fazer os questionamentos de acordo com os
tópicos, que também servem para indicar o roteiro do texto.
P8dro in(}T8SSOU com rscJamaçAo tnJbalhistB contra a empresa Alfa, aktgsndo
que teria trab8Jhado ne.ssa etnpteJSS, como em(N"(tf}IKJo, no perfodo de 21512006 até
151712008. A emptWa Alfs, em oontestaç8o, alegoo que P8dro nSo seria soo empT8f}8do,
mas sim seu represenfi:Jnb:J comerciB!. Alegou também, em prelimirmr, a incompetência da
justiça do fnlbl#lho Pllnl ju(gar B referida ~-
No entsnio, por melo de SBntença lnm8lhista, foi BSSI.fgUflJdo a Pedro o
recon~Jec~rmmto do vinculo «nPf"99Jltfcio, além de saldo de salário f9.fido, aviso prévio, 13.o
salá-rio e fêria.s, COII.fotme pedfdo. N~ houve., por outro lado, detennlnat;So de f8001hfmento
das contrfbulçõe.$ scc/ais em le(aç&> 80$ safárlos do periodo do vinculo, mas apenas em
~o ás parcelas da~
A etn{N'$$8 Alfa m1o intetp& recurso, mas a unmo, quando ínfim8da d.
senf911Çil, íntwp&s f8CI.lrSO on:/inllrio, com vistas a delerminar a cobrança judicial tambl.lm
[Texto 14] das contribuiçõe.s sooBis que deveriam ter sido recolhidas oo fongo do vlnoolo de emprogo
e que nSo o foram.

l:.!O
O mcurso ordinário foi julgado improcedente, razão pela quaf a Unilk> interp& Dois exemplos servirão para o leitor avaliar qual deles oferece a mciiHll
ffiCtHSO denNista para o Tribunal Superior do Trabalho (TST). Est&, por sua vez, COflheceu
o llJCU1SO 8 118~1116 provimento. base textual de modo a dar consistência ao texto:
Com referência à siluaçêo hlpotéllca acima apresentada, redlja um texto dlssertattvo que aborde, la base
necessariamente, de forma objetiva e fundamentada, os seguintes aspectos:

< competência da justiça do trabalho para determinar o reoolhlmento da contriburção soclal clesllnada
à seguridade social, no caso em tela;
< OOfll)&tência da justiça do trabalho para julgar, no caso em questão, reclamação trabalhista que
envolva contrato de represenlaç.Ao comercial; 2
< possíb~idade, no caso em apreço, de interposição de novo recurso oontra o acórdão proferido pelo
3
TST.

b) O texto da Banca é apenas motiva dor 5 I elo . . óA. tf' n.-.. ~ """"~ -o....

O(s) texto(s) da Banca é (são) motivador(es), no $entido de que, a partir [Texto 15}
deles, se levante um plano de relevo. Esses textos se apresentam sob a forma de
O texto se inicia localizando o tema/problema. O segundo período faz
vários gêneros:
referência ao texto da Banca e a um contexto social. O terceiro período visa a
0 Reportagens; dar o roteiro da construção, atendendo aos comandos dados. O título sinaliza
0 Análises expositivas; e sintetiza o tom [linha argumentativa] do texto:
0 Simples comunicados.
2• base
Veja-se o texto motivador do concurso público para o MPU, promovido
pelo CESPE- UnB, 2010, para o cargo de Técnico Administrativo.
UnBICES PE - MPU
IIIIIIIIIIIIRIIIUIIIIIIII ,-::-:1EfE5~~::--:·:oo--1~~! o5~;a 1

PROVA DISCURSIVA
N~ prova. lllça o q"" 1t po«k. usando o npaço pora ......,unho indicado no l'f"S&'''"' <aderno. Em S<51'lda, ,,,.,.,,.,..,...• o L<xto pM'a
a FOLIIA DE TEXTO DEnNrrJVO DA PROVA DISCURSJV A, no loc:al ...opria<lo. pois do•rlo '"""lladoc ....._.,.,._de
Ct>Ao _rit,.- leaolllacloe1lldoa. Será d.,.,.,.,;dmldo, tombán, qlllllqucr fraament<>dt texto quo ubntpi!Milr a ex""'*> mbima
de lin!W ditp<w>ibiliDdas.
• Na F'OLIIA DE TEXTO DEFINrriVOUA Pli.OVA DISCURSIVA, únioo docwncnro que"""'"
de bn5c p.a.nooavaliaçloda Prova
Di!lcunl.a. esana com Iara l"'lw:l • respe~e riaorosameno.e os maraens. No cuo de erro. risqut, com um traço simples. a potiiiYf'11,
a " -· o trecho ou o sinal ll1'lflco e 6Cr<va ~ S<JIO.llda o r<Sp«tMl wbs\ittll<>- Ateooçlo: puenteses nlo pode<n S<J "'*"""
pll1l tal
{Texto 16]
r....nc~..sc.

Observa-se que esse candidato apresentou o probtema e o situou num


OS atrasos na cr111Çoio" na aprovaçlo de projf!tos di! Infraestrutura e a falta de pa,neJ"'""'nto para a
Copa do Munclode 2014 estilO preooup.ando os membros do Sindicato Nacional das Empr~ de Arqultl'!tllra determinado contexto. Além disso, recorreu ao fragmento da Banca, fazen
e Engenhlt~ta Coh$Utlll!a. Segunclo um dos rf:f)rescrrtllntes ~ionoaiS dessa 0111an1Zaçllo, esses atrasor. podem do referência aos três níveis hierárquicos do planejamento. Depois disso, o
gerar prejulzos de tempo e de dinheiro, viSto que as obras e os s-erviçOS tencletllO a ficar mais cat'OS.
. ,.__,._.......... . . (..,.~-
candidato apresentou o seu questionamento: o que falta à Administração
Pública para começar tal planejamento? Até aqui a base foi muito bem ela
Considcdndo que: o (rlp'IC'liiO de kJ<10 ~Cima tem"""*""' Ullicamen"' rnoti>adcr, ~ija um lel<I.O diaawiW>......,. do Jq~~M terna. borada. Faltou-lhe, no entanto, indicar o roteiro do desenvolvimento. Scd
A IMPORT.lNCIA DO PlANEJAMENTO (ESTRATf:GICs», TÁTICO E OPI!lAACIONAL) PARA
que atenderá ao roteiro da Banca ou pegará outra direção para responder ao
O SUCUS0 DA Rv.UZAçAO DA COPA DO MUNDO DE :2014 NO aRASIL questionamento?

1 <! '
Apesar de a base estar bem construída para um texto argumentativo, Nunca suponha o Candidato que o leitor-examinador conhece o enunciado
o candidato, sem o conhecimento das práticas discursivas da Banca, ficou da questão ou tem acesso aos textos motivadores da Banca.
hesitante na construção do texto: a Banca queria que se dissertasse sobre os
tais níveis pressupostos ou que se discorresse sobre as causas da inércia ou
® Construa, a partir da base, aproveitando as palavras-chave do texto
da negligência da Administração Pública? Como já dissemos, além do texto, original, um novo texto.
o candidato que atender ao contexto das práticas da Banca terá tomado a
decisão acertada.
O novo texto deve formar um todo coerente e consistente, sem que o leitor
Para se conseguir esse efeito de referência de modo a situar o texto e for- precise recorrer ao texto original. Este leitor só tem o texto do Candidato. O
necer argumentos de peso, existem na língua alguns orientadores, sinalizadores texto original ou o enunciado da Banca não fazem parte de seu campo de visão
ou prdcessadores de interdiscursividade.

Como De acordo com Conforme Segundo Consoante Nesta obra, o leitor pode reparar num outro modo de dar peso ou garantia
ao que se diz. Frequentemente, recorre-se a autores no assunto com indicações
de notas de rodapé. Aliás, qualquer pesquisa acadêmica supõe o que se chama
de bibliografia ou atualização bibliográfica. Ao recorrer-se a esse processo,
mostram-se três propriedades:
0 Conhecimento do tema;

u
0 Peso na argumentação;
0 Garantia do que se diz.

Todos esses cuidados preliminares na construção da base demonstram


................
que o Candidato está atento para satisfazer um dos itens-chave da grade de
correção: capacidade de argumentação.

O texto da Banca está representado pela caixinha núcleo. Esse enunciado 1. Problemas na base
está dentro de um contexto imediato, menor, o qual, por sua vez, está contido
num contexto maior. O mérito da questão sobre a qual o Candidato deve se A construção defeituosa da base textual gera consequências na estrutu ra
posicionar é a caixinha núcleo, mas fazendo referência às outras duas. geral da obra. Uma base defeituosa é indício de uma obra comprometida em suas
estruturas. Mas também pode acontecer que a base esteja sólida e o restante da
0 É absolutamente necessária a referência aos dados da Banca, mesmo construção apresente problemas.
que estes sejam simples tópicos. Mas não é uma simples operação de
colar/copiar. Faça referência resumindo, levantando, com suas palavras, Assim, vamos indicar algumas bases erradas que são frequentes em
concursos. As duas primeiras - além da falta de questionamento e roteiro do
a situação e/ou o problema que a Banca propõe.
texto - são, de acordo com nossa prática pedagógica, as mais recorrentes.

I :.JA
a) Fuga ao tema Texto b
Trata-se de introduções com pecado capital. A causa geralmente é a não Extanalo máxima: 30 Unhas
atenção aos comandos da Banca e o fato de o candidato não se colocar no terri-
tório marcado pelos textos-pretexto aos quais se deve necessariamente- mesmo
2
que de forma indireta- fazer referência.
3
TEMA: ~~~~~J.L~
. I ~ {;;C(:i ~ ~.(IYI
4

5
Extensão máxima: 30 linhas
6

{Texto 19]
~
3
Os dois tópicos textuais estão flutuando:
4
5 j .....
0 Não se consegue recuperar o momento e a localização (questão do
tempo/espaço) de onde surgiu o problema. A causa está, evidentemente,
[Texto 17} em não ter feito referência aos textos motivadores.
Observe-se que, além de não focalizar o tema, o texto também vem sem c) Introdução já com desenvolvimento ou conclusão argumentativa
título. Ora, mesmo que o CESPE/UnB não exija um título, um edifício que se QQ__p? Go De DE-FE:SA f OoR
Oo <?of\J SO H -t! F/;.JJ"Co 0 0 AH A-úU~E ef H E-"-.::> 'C'
_.QO WN.<;uk~ úo ~ f8RA3.? LE.?R..o
preza sempre apresenta um nome.
_ _ \.\-d e..v-c.ccwQ.... 3 O 0.1\r\ew:,.) C3l C0 ~ OJW. &..cv, •.0taA.Piu.2:w. moã
0

b) Introdução descontextualizada -fl~O. Li~~ J'~~ ~ -..a.ftC<o~J.._, ab o,urJ!


A não referência aos textos da Banca ou a uma situação social de um ~~ .mcv.,. ~~ a0.- . &>Mr.,.u_CV\Its:l\ . QN,fcvv. Af.rvv:io,
quadro de fundo pressuposto gera "aberturas textuais" sem consistência.
~~o.- -1rt a. JJ.MN:)... NNIL oR-e oP.v., 01\f\D. (\1\d..<?V. ru' ~IC\
OOM._- ~ 0~<:U. pJ.t.€f~ .R.. r.YJ'llffi~.
{Texto 20]
Texto a
Além de óbvias falhas gramaticais e ortográficas (acentuação, uso do
~111111111111111111 --~==r===---~~oo.~l:~=::r·
. - - . - - - -- - - -
46 05973
fOlllADETEXTODEfiNFIIVODAPROVADISCURSIYA
. l...
0-1111
-
· SAlA _
·· -
relativo, pontuação), a base apresenta problemas sérios que vão prejudicar todo
o restante do edifício textual:
'i 0 Não foi montada uma situação-problema;
0 Não há questionamento ou tomada de posição;
0 Não há referência à origem [espaço e tempo] do tema;
0 Não há um roteiro de texto.

Mostrou-se que uma base textual, um tópico de texto, tem como um dr


seus elementos um roteiro de análise. No subtítulo a seguir, focalizaremos rsse
[Texto 18/ planejamento do roteiro.

126 1 ~7
Falar das consequências do desenvolvimento seria, evidentemenlc, nao
2. Planejamento do texto
pertinente, visto que não é esse o comando. A questão é um plano que contemple
No capitulo 5, falamos da importância de fichamentos feitos por um leitor alternativas que se sobressaiam ao plano de fundo. Poder-se-iam apresentar os
para descobrir o plano de texto que o autor guardou na gaveta. seguintes tópicos:
Candidatos que vêm de longe, com muitos anos de experiência, são dife- ® Energia eólica;
rentes de concurseiros de última hora. Aqueles já estão habituados a descobrir ® Energia solar;
o plano implícito de um texto, de modo que agora podem, com certa facilidade, ® Carros à bateria;
montar um roteiro de texto, antes de iniciar a redação. ® Mudança dos padrões de consumo;
® Mudança do modelo econômico.
Os autores desta obra costumam alertar - em suas práticas de ensino - e
renovam - aqui - com insistência, que o candidato deverá obedecer - rigoro- Todos os tópicos elencados são pertinentes ao tema. Porém energia eólica,
samente - ao comando que lhe é apresentado. Se este solicita que o tema seja energia solar, carros a bateria, tudo isso faz parte do pressuposto comum e não
desenvolvido sob três aspectos básicos, os três deverão ser abordados com igual modificaria o quadro. O problema, por exemplo, não é se os carros são à bateria
relevo. Tais tópicos já constituem o roteiro textual. ou não. Trata-se, sim, da política de transportes de massa. Os tópicos "mudança
Também é possível que a Banca não indique nenhum roteiro. Neste caso, do modelo econômico", "mudança dos padrões de consumo" e "mudança de pos-
fica por conta do candidato elaborá-lo. Para distribuir melhor o tempo, sugere- tura em relação à natureza", estes, realmente, são os que afetam o plano de fundo.
se, principalmente àqueles que possuem dificuldade para organizar sua redação, Uma forma mais produtiva do que rascunho é planejar um texto por
que elaborem, em cinco ou dez minutos, um plano sumário do texto [esqueleto] meio de enunciados breves, como no exemplo abaixo, elaborado pelos autores:
e só depois (havendo tempo, evidentemente) redigir o rascunho.
:

Há planos de texto que se limitam ao pressuposto comum. Mas, nesse momen- 1a etapa: base O desenvolvimento autossustentável pressupõe
to - crucial- o candidato sabe que, além do quadro comum (aqueles pressupostos uma nova postura em relação à natureza.
a) As falsas soluções.
sobre os quais os outros concorrentes vão falar), ele precisa dar relevo ao seu tema.
2• etapa: construção em três estágios b) A mudança nos padrões de consumo
Disseram os autores desta obra, no capítulo 5 (I, 1), que a situação proble- c) A mudança no modelo econômico
ma é o resultado de causas anteriores [p«q]. Ora, um fenômeno pode apresentar Sem mudar as posturas, não adiantam paliativos
muitas causas e muitas consequências. Relacionar as melhores causas ou as me- 3• etapa: conclusão
no desenvolvimento autossustentável
lhores consequências de um determinado acontecimento faz mais efeito, torna
mais relevante o texto do que simplesmente apresentar causas/consequências Os três estágios da 2a etapa se ajustam à tomada de posição do tópico
menos determinantes ou já conhecidas de todos. textual. Esse esqueleto servirá como roteiro, estrutura, a partir do qual se desen-
Recorde-se o tema apresentado para o concurso MPU- CESPE/UnB, 2010: volverá o texto. A grande vantagem do planejamento é que o locutor/ redator sabe
exatamente o que vai fazer durante a exposição e, sobretudo, como vai terminar.
Desenvolvimento autossustentável: alternativas propostas para um cresci- Nossa experiência tem nos mostrado que uma das causas principais de
mento econômico equilibrado e não agressivo ao meio ambiente. textos inadequados é a falta de um planejamento. Lembre-se do caçador e do
pescador. Sem um roteiro ou um planejamento, não se vai a lugar algum.
Um não planejamento do tema/problema foi uma das causas da falta de
relevância do texto 2 do capítulo 5, desta obra.

1:.!8 1~9
Veja um plano elaborado para o tema "Educação à distância". Como ainda
não há posição de consenso firmada, o melhor é apresentar um esquema dialético. 34

Globalização, tecnologia e educação à


Base
distância. Três tópicos dialéticos.
Tese Antítese
Os cursos à distância ampliam as vagas No ensino à distância, o sistema pode ser
Depois da base, começa a segunda etapa de construção: é a hora de
no mercado universitário. driblado facilmente.
levantar as estruturas do texto. Geralmente, como já assinalamos, essa etapa
A universidade à distância prepara o As universidades à distância não afere- compreende três estágios.
aluno para o mercado de trabalho ao cem práticas consistentes em laborató-
simular a liberdade e desafios encontra- rio e assim podem colocar em xeque a Conforme foi prometido no capítulo 5, vamos aprofundar- agora- as expec
dos nas empresas. eficácia do curso. tativas que o leitor-examinador espera que o Candidato tenha atendido. Experiente,
Este estilo educacional ainda não foi o Candidato necessita desenvolver os aspectos deônticos (de dever) do:
A abrangência dos cursos à distância é
plenamente aprovado p elo teste empírico
maior por se adaptar a qualquer público. ®For oso;
do mercado de trabalho.
Conclusão Vale a pena arriscar? ®Necessário;
®Preciso.
A cada argumento a favor contrapõe-se um contra. Pela pergunta con-
clusiva, percebe-se que há uma tomada de posição contra. Voltemos ao capítulo 5 quando falamos de cena argumentativa. Seja-nos
Depois de feita a base, vamos para a segunda etapa da obra: a construção permitido, agora, dizer que, como uma peça teatral, não basta o tema ser intc
da estrutura argumentativa. ressante. É preciso que também os atores encarnem seu papel. A mesma coisa
vale para o Candidato: não basta dizer, apresentar o texto, saber desenvolvê lo.
Um texto argumentativo apresenta uma sequência argumentativa que sai
É preciso representá-lo, vivê-lo, comprometer-se com o que se diz.
de uma base e chega a um ponto final, sua conclusão. É necessário um roteiro
do percurso da sequência. Veja o anagrama do fluxo argumentativo: Então, faz-se necessário responder a duas perguntas:

Fluxo Argumentativo
1. Como construir um bom texto expositivo-argumentativo?
2. Como representar, ou seja, assumir esse texto discursivo-argumentativo?
~- n•-Á~g~~-;;rt~~- • --~

Para dar exemplo, os autores deste volume vão seguir um roteiro. Pri
meiro, focalizaremos o forçoso e seus elementos: pertinência, exaustividadc c•
modalidade.

( r Ba<e I Partida -~ l Chegad~ Na segunda etapa, falaremos do necessário: a consistência textual e os


orientadores do leitor.

I Texto da Banca I Fechando o capítulo, dedicaremos o espaço final ao preciso: a relevância


e os orientadores do redator, de modo que o Candidato possa dar peso argu
mentativo a seu texto.
\ti. l'lam•janwnto cedido, gentilmente, aos autores por l.eone Mattos.

1,0 ]'3 1
I. O for9oso do texto argumentativo 8
9
Como já enfatizamos, na situação jurídica de concurso, o Contrato prevê
10
que, nos níveis de assimetria discursiva, o Candidato atenda - cuidadosamente - 11
aos comandos emanados da Banca. Entre esses comandos, é forçoso que atenda 12
ao tema/problema com pertinência, exaustividade e modalidade. 13

O atendimento cuidadoso ao tema recebe o nome de pertinência. 14


15
16
1. Pertin~ncia 17
18
A pertinência começa desde a primeira etapa, com o planejamento da base 19
textual. Um desvio nesse início vai prejudicar todo o restante da construção. 20
Durante esta exposição, já focalizamos vários exemplos de não perti- 21

nência. Veja-se, por exemplo, no capítulo anterior, a base com fuga ao tema. 22
23
A título de "muito cuidado" para não se cometer esse erro, sob pena de ter o
24
texto zerado, acrescentemos mais um exemplo ao comando para a prova do 25
MPU- CESPE/UnB, 2010. 26

TEMA: 1\r.\\D\),\lclgde dà\dJI"i~Y)JID dODt!(?íf.!l~~cle ComJ.mÍ~ m~r) 27


28
Reservado ao
Extensão máxima: 30 linhas
examinador
[Texto 22/
Nossa longa experiência de ensino nos tem revelado que esse é o pecado
(),l.
capital dos candidatos.
Num conjunto de treze redações sobre o tema, verificamos que apenas
5 uma atendia, perfeitamente, ao comando. As demais resvalavam, tangenciava 111
6 ou, simplesmente, fugiam ao tema/problema. Quer dizer: 92,3% das redaçôt•s
não apresentavam pertinência.
[Texto 21}
O texto com pertinência ao comando já teve sua base comentada quando
se analisou o pressuposto semântico de "alvejar" [texto 4]. Retomando essa base,
Observa-se que a base está mal feita, pois não ficou focalizado o tema/ veja-se abaixo a etapa de desenvolvimento, com três estágios.
problema da responsabilidade dos dirigentes dos veículos de comunicação.
Pelo que está na base, o redator sinaliza que vai discorrer sobre a nossa difi-
culdade de absorver tanta informação e, consequentemente, ter "uma opinião
formada sobretudo" [sic!]. Ora, não era esse o tema. Depois dessa saída errada,
era previsível que houvesse, na segunda etapa, uma fuga ao tema, conforme
vemos abaixo.

13 133
11
o ~o.. - ~
"--
~ c:h A f> _-r,
n
rle-

,;;.
r...:.'J:f;',g.t'l<Ul .'1-.

J; !'uílriA- .:UM.~~-~~(&-
k .ti.~ rh_ - 1" etapa A população não deve permitir a manipulação de sua razão.
a) Os dirigentes e a manipulação da liberdade de expressão;
10 I.r..nA .t:r.w" ~ \1 ,().tYn .cY\ -~ ~ o• ..,:J: ·_,oo{fl- ~ ~ d.t.-
2• etapa b) Meios de coibir essa corrupção;
- u -
'11 ~.d..t.~ ~~ ~Q:I:d.Jlg,~.~~ c) A informação irresponsável macula a opinião pública.
12 ~~A AecUdÁ)d,&, L~~-~ .ÁÀ ..UYYvCl. f.l.A.cLocl.t.-- Ca.u
3• etapa ***************************
13 i1h /rlA. _,_ r~/10 . ~w~~~~>-.a.~~ ~tr (J . l_

14 ' ~ ~ ,d,a.l~...:. ~ ..wh'vO-~ ~ - ~-


15 ~-.ccrn~
. . ~. J
Observam-se dois aspectos:
..-íi.,_.J~~) cd.6k.<.~- CJJ l.

16 ~. -, ffV>~"' /' ~v>":. ~ - I (, ·,,,,od... ® O terceiro parágrafo (estágio) dessa etapa ficou solto. Talvez porque o
17 (\D~ k-~ ~ .a.~ 4-eY .d..fn. ~ ...w- o, ·~ candidato não tenha feito um plano inicial;
18 r U
d~ ~ V~ ,.cl--<- ,C,:JYY\A.(/1vl-GVe~ > ~ ~ ...d.L-
"':/- . -
® Não apresentou a conclusão geral. Talvez porque tenha ocupado mui lo
o)<:.
19
I _~ ,er .fraUA '()OJUl.. ~ ~ -~~ ~ ~ f>\>
espaço [sete linhas] para a redação da base.
20 :;...m,""""' . ""' -r><>{\ ~ .<tv KJO..\fiJ\.~ ~vo6 ~ _.e.. o,<:-
21 .~ · ~ WL " "r;. n ~ ~~ .c1J... ~ Provavelmente, um roteiro explícito na base teria evitado esses problemas .
22 ~~.ciJ- ~- . · cUJdkP~ J-~--'-' o<. Além da pertinência, observa-se no texto um bom nível de exaustividadc.
23 1~~~ _, . e- o (.,
O texto satisfaz quanto à capacidade de argumentação. Quer dizer: mesmo não
24 "D~~• ~~ ~~arv. havendo o comando da cobertura de tópicos, a abrangência (exaustividade) c a
25 -.. -t c_ o. :,..,-;:_ ... •....;, .f] ; .J:f ~ ~ ~ r~.>lí."""" ·-
--
qualidade dos argumentos satisfazem um leitor crítico.
26 - - -~ nNIJ;,w _1. ,rJn /(\n'i, ~ ~ "Yl'\.Qr.uun.í..o stüe'~
É uma ilusão os candidatos acharem que os comandos que não exige m a
'l7 :rL •• AL ~~A-, .J. n-'\A. ~ ""'..r.~..--1;,. .-O.An-
~-1\.t>:;
cobertura de tópicos, previamente selecionados, apresentam maior facilid adt.•
28 I\J'j -:.. I~ ~
_.,;;, '..a P. N, A r> &V.- ~ \J
para a redação. Não é isso, visto que fica a cargo do Candidato elaborar os tó
29
J, ~y__~ ·fº"4 r~ >1_--.x,~ ~ picos e calcular sua abrangência.
30 J:.J.[} ~..d-() h.ta -!n.-A ..oUL ""· ~~ · ~v_d, .

[Texto 23]
2. Exaustividade
A argumentação, apesar de problemas na microestrutura, está bem fun- A nomeação explícita dos tópicos a serem desenvolvidos constitui um
damentada. O primeiro parágrafo fala da manipulação das garantias consti- roteiro facilitado r para o Candidato. Mesmo nesse caso, pode acontecer um
tucionais da liberdade de expressão. Essa manipulação é agravada, ainda, pela problema: ele apenas tangenciar os tópicos. Não é porque os tenha nomeado
provocação de "certa comoção social com o intuito de se beneficiarem". todos que se pode dizer que houve exaustividade. Ou, como dizem as Bancas,
O segundo parágrafo aponta soluções para essa manipulação: ruptura dos cobertura dos tópicos.
elos entre os dirigentes dos veículos de comunicação e os que detêm o poder. Isso se Recorde-se o texto de apoio da prova de redação para o INPI-CESPE/UnB, 2006.
concretizará por meio de "leis mais rigorosas de responsabilidade civil e criminal".
"Meditai se só as nações fortes podem fazer ciência ou se é a ciência que as
O terceiro parágrafo fala da relação entre o "interesse de uma minoria
torna fortes". O provocador convite emana de um dos mais brilhantes cien-
poderosa" e a "opinião pública" que "não pode ser maculada" por essa minoria.
tistas brasileiros, Walter Oswaldo Cruz, do Instituto Oswaldo Cruz. Falecido
O segundo período é a conclusão do parágrafo: a vontade popular não pode
em 1967, o pesquisador possuía a exata noção do peso dos investimentos em
ser substituída pela "informação irresponsável ". Embora o Candidato não
ciência e tecnologia (C&T) na construção dos poderes econômicos sustentáveis.
tenha apresentado um roteiro na etapa inicial, é fácil percebê-lo na etapa do
Renato Cordeiro: Só as nações fortes podem fazer ciência? In: Co rreio
desenvolvimento:
Braz iliense, 7/3/2006, p. 19,

13 4
A seguir, a Banca apresentou o seguinte comando: Os tópicos ajudaram os candidatos a se fixar no assunto 35 • Mas n ão claho
raram um texto dialético. Ora, mesmo cobrindo os tópicos, a resposta à qucstao
Com base no tema do fragmento do texto acima, redija um texto dissertativo
problema não foi contemplada. A seu favor, o Candidato poderia argumenta r qm·
acerca da relevância da ciência e tecnologia
foi pertinente porque houve nomeação dos tópicos. Porém, embora admitindo
® Para o desenvolvimento das nações; esse argumento, seria penalizado porque não atendeu ao tema (apenas cobriu o
® Em países em desenvolvimento como o Brasil; assunto) e não houve exaustividade, abrangência, fundamentação nessa nomeação.
® Para o fortalecimento da soberania nacional; Para uma melhor elucidação, vejamos dois textos a respeito do tema em anáJ ise.
® Para o melhoramento da qualidade de vida das populações nacionais.
1° Caso
Observa-se no comando que o Candidato deverá ler o texto com cuidado para TEMA : ~a :::ti= .
detectar qual é o problema. Depreende-se que ele está na pergunta: "Só as nações - Extensão mãxima: 30 linh as Reservado nu
fort'es fazem ciência ou é a ciência que as torna fortes?". [É oportuno notar como a exarninador

fonte veio em negrito. Não estará a Banca apontando o foco da questão?]. A esse 1
~~.:-={>e. \vtck.s<:.AA."-'~ .::;, r€ki[2V)C....'2... d2 c.l~"42.
problema deve se atrelar o tema da relevância da ciência e tecnologia. O tema/pro- 2
e. ó-2. hu:....d ~<f"·~ 'CJD S!J-.,~C> d :V.. !JUJ";;~-r~n"'c.. 1-o,U' ""'""'~te.. vt.::>
3
~.;;,..\.e.c..; <V\e..A.ro cl:l ~...... i"- n G c..t.<C>o')'l-{' ~ P-1.1-:>Pl ..Jl
-
blema colocado faz supor que a Banca espera um texto expositivo-argumentativo.
.,..,_5í<=>~ Gr~
4
Falar apenas "acerca da relevância da ciência e tecnologia", cobrindo o roteiro dado, .\:><!. .e..t..4. ~v=fv ,~\-..o Cc>rYto C: I
.Pz.n.::;;
5
seria apresentar um texto dissertativo-expositivo. Deduz-se que a Banca espera .. .:::>~ 2. ~
-
6 '..J
r=.
...... ~:::>-o_,_,_; veR t+e. s;..,.- e ~vdv o<M e<-W
-
mais do que um falar sobre (assunto) para o texto ter a qualidade de exaustividade. 7
\'h.~"'<:> Vll-?. VJzc:..6â, m z;..., .J?~\..AC>re L-i d'2<1 5 eu..t f::>:2.t.t .r;:>.r eoM..
8
De modo geral, junto com os tópicos a serem desenvolvidos, costuma c..têYJe..z e ~ot=P-<2 . A uê."l<-<-2 é ..2- c.i--J :z.ve. Jon=-!1""~..2 ~
move o V>1<->>1do tn~rrt= ~ -2 +-eu..c-loO, ,_ 2 .J:<. ~ Yhc~•
9 /
aparecer o seguinte comando: 10
de +r=<..-A. .
11
O.s p....,M ~ duenvo-fvime.-v< rõ rd.-/> ~o = Br ~
~e..c..c:::vof-~ rv>. ~. ~~~.,u;,.....Jc<4 c-/2. kCJ">oLoPJ Z ~rr.<u-
12
Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos.
13
f.i>ei~4 I.;{' <P.l <2. .., ~ c::[......ot:>c>e-u-1 I ..h 'e.- 1-e oLo f...-0>7'4-e.t.<..,.,e.u r;;
14
fi V}e.(.R..A-t:[~ P"H" ;t J-v .a. I <:..G><7ceP c,
Esse comando aparece quando os tópicos são bem distintos. No caso que 15
'1.\.d..veín c<_::>..i e
4-Õ . A-
•rvtp_.t-.z.....,""-2 /;)2-í:>. ;:J.<....u d.adc.-zo.-=fv,~+o
-
estamos analisando, os aspectos a serem desenvolvidos podem ser condensados. 16
~ YJ2.(iê) d.< ~cl......;x...o.r àUA ~P-rr..:o ~..,'1.,..;,.,= lo
Por isso, não apareceu a expressão modal de dever: necessariamente. 17
C,..f_eu,f( 12-t..c-a .
18
4 ~~n.'a ~r2Yi t.2 v,z.c....c>n2-/) ~.2..-1 <..<.- .f:!.:r.b..úc...._J>:
Também existe uma outra forma de comando: 19
c:Po..-2..L elo
1
c!...,.., tnv ;r i! ~pe.A-1~<-<.2. d2. te:c.......=loPt2 <":>Tr.!.< ../)<!<C2..A
20
fu:"' ldv-oc;:!.......r..:;; f.,c zR .k ~"'-<..<.'- é +-ec.."2D{..o...fl<-~ : -
bc>ck m<>::~ d.e..t" ;).r d.R- IY! e.....~"'....., o 1......,':,.._.,_h:, 1:> ~ íi vu:>
21
Discorra [responda], de forma fundamentada , sobre os seguintes aspectos. f..t z.O
22
~v€.-2 0.-=cl, ú'.;::;;, ck f-ec.....,o{e>pt:z. Yl'I.<-OV><-f' ~7-1'2-A- hL A... :...ê<..J2.,k '7

A expressão modal de forma fundamentada significa que não basta


23
dev1d2. d2 b-=P<. /2-r .::õ ...,...,.......:;;,Vl..p P<!..t.o ~ 2..=> 2».!-u ~ "teu.c:f.,;o, . ...
24
. ~'f<=.-.-1"":2. ? -f>....t,..l...... (,;:;; ck. c.<-.ê"l< • 2. e d... fe.._...,c>/.c.Pt L é
sobrevoar tais aspectos. É preciso apoiar o que se diz em bases sólidas que le- 25
f?u11ch...o."1b-<f2-f ~">:!:2 ~~f?:"U Vl!{.::; l ~,..,.Pv>dL CW IWt ~vdVt.,.....:;Õ
26 1
gitimem o que se diz. Com efeito, a cobertura dos tópicos (a exaustividade) só p..,_ >. 24 bn .,..,.,._~ ú=--1'-... ./2z..z_ D1rt"<2 de .1-<.<.L ~10..-t 2 <"-"- t-ê nC.. L
será legítima quando se apresentar de forma fundamentada .
27
c.o,...,,_ YJ :_r ...O D ;,.ç..;> ,_. ~ (f-1,.....2-:i P.:.,.Jt.......e. ~rede...tta_ d'<z.. I
"' ... -
No tema anterior- A responsabilidade dos dirigentes dos meios de comu-
28
E...r2kc.."!C... ;;) 5oZ=-= a é ....,elh=-"'U.Jo Z-- I
f.l>~d-2ck c4. vrdL 7
29
~SeLei\ "'1,cl:z.d..,_.:;;..,.
nicação - verificou-se uma porcentagem de 92,3% de fuga ao tema. Não houve on
·-

pertinência. No tema que estamos analisando, verificou-se que, num universo de


[Texto 24/
dezessete textos, 85%dos candidatos não fizeram a ligação entre o tema/problema
-Só as 11ações fortes podem fazer ciência? - e a relevância da ciêncin c lccnologin. 35. Vcj;~ se o que dis~cmos sobre "assunto", "tema" e "tese" no início do capítulo~ .

1' 1, 7
O primeiro aspecto que se nota é a inexistência de um título. Embora ele O texto, é inegável, está muito bem redigido. Observa-se, no entanto, qw:
pudesse contribuir, certamente, para a coerência global do texto, não tem sido a base ou o tópico textual não toca no problema de "nações fortes e ciência".
objeto de exigência do CESPE/UnB. Depois, não se vê o tema/problema, nem Se em lugar do sintagma "nação desenvolvida", o redator tivesse usado "nação
forte", cremos que o tema estaria perfeitamente focalizado.
a situação. Aparece um pequeno roteiro, uma mera repetição ou colagem dos
tópicos apresentados pela Banca. Os tópicos da segunda etapa foram condensados em dois parágrafos c S"
respondeu aos aspectos pedidos, com fundamento, abrangência, exaustividadc.
Como não houve formulação nem recuperação do tema/problema, os pará-
No entanto, ainda vale a pergunta: o candidato respondeu ao questionamento
grafos se limitaram a abordar, delinear, nomear os tópicos. Não houve argumen-
"Só as nações fortes podem fazer ciência?" Fez o contraponto entre o problema
tação suficiente e, por isso, não existiu fundamentação. Também não se precisava
e a relevância da ciência e tecnologia? Indiretamente, sim. Está lá implícito.
dela, porque tudo o que foi dito era previsível, pressuposto. Faz parte da janela
Porém, a Banca não poderia fazer suas objeções?
de fundo. No [texto 33] voltaremos a este, aprofundando a sua argumentação.

2° Caso 3. Modalidade
Extensão maxlma:
. . 30 linhas
Não é novidade que o uso adequado da norma padrão tem o caráter de
forçoso em concursos públicos. Todos os casos de ortografia, regência, concor-
dância, pontuação, estruturação do parágrafo, coesão, coerência, uso adequado
das palavras estão previstos na grade de correção, conforme já foi apontado nes ta
obra. Trata-se de problemas de nível micro e macroestrutural.
Fazem parte, igualmente, da modalidade os aspectos da visibilidadd
legibilidade e formatação do texto.
Como cada texto apresenta dificuldades particulares neste ponto, va mos
apresentar apenas um exemplo para nossa análise.
Extensão máxima: 30 linhas Reservado ao

10
11
12
13
14
15

{'[(·xto 2S/ .16

1 ~9
138
li Estas análises do forçoso se completam com as do necessário. É este que
18 vai dar sustentação ou consistência ao texto, de modo que ele forme um todo
19
coesivo e coerente. É o que veremos a seguir.

21
22 II. O necessário do texto expositivo-argumentativo
23
24 Um texto é uma construção de palavras. Como qualquer construção,
25 um texto também deve ficar em pé. O pedreiro ou o engenheiro vão embora
26 e a construção se sustenta sozinha. O texto que se sustenta sozinho é porque
27 apresenta consistência textual. Em outras palavras, significa que o leitor percorre
28
o texto e não precisa chamar o redator para recuperar o sentido.
29
30 A consistência da construção textual está ligada ao tipo ou gênero de texto.
LA 41ll _H N 1 ll:l'IT ill ( l.J I
A técnica de consistência de uma novela não é a mesma de uma reportagem .
[Texto 26] Do mesmo modo, a forma de dotar um texto expositivo-argumentativo de
consistência não é a mesma de um texto narrativo ou dissertativo-expositi vo.
O texto acima é composto de três parágrafos. O primeiro pretende ser a
Tudo depende do edifício textual que se tem a intenção de construir.
base textual. É um parágrafo mal estruturado, sobretudo por causa das redun-
dâncias: "possui fundamental importância"; "possuindo ainda papel fundamen-
tal". Por causa disso, o texto fica patinando, sem progressão. Percebe-se que o 1. Estágios de constru9ão expositivo-argumentativa
candidato arrastou a frase dos tópicos a serem desenvolvidos.
Já vimos que após a base textual, vem a segunda etapa da construção do
O segundo parágrafo pretende ser a segunda etapa: a construção do texto.
texto: é a fase do desenvolvimento argumentativo.
A primeira coisa a observar é a dificuldade na visibilidade ou no coeficiente de
legibilidade do texto. É um parágrafo de 12linhas, com uma média de 70 pa- No caso dos concursos, este desenvolvimento é requerido pela cobertura
lavras e apenas dois períodos, o que gera um coeficiente elevado de dificuldade dos tópicos. Geralmente, são em número de três ou quatro. Quando estes mio
de percurso. Esse entupimento, além das rasuras, dificulta, enormemente, a são apresentados, a média deve oscilar entre três/quatro tópicos (argumentos)
leitura do texto. No final, como o leitor já esqueceu o que se disse no começo, O desenvolvimento dos tópicos se faz, normalmente, em três estágios:
sente dificuldade de atar as duas pontas do enunciado.
O terceiro parágrafo pretende ser o fechamento, a cobertura textual. Segunda etapa do texto expositivo-argumentativo
Ficou um telhado pesado demais para uma construção tão pequena. São 10 Inicial Primeiro tópico - inicio de conversa
linhas, com 60 palavras. Como se vê no espaço reservado para o corretor, este Estágios Médio: Segundo/terceiro tópicos - argumentos com maior peso
teve grande dificuldade em ler o texto. Final: Quarto t~ico- argumento decisivo

O Candidato se coloque no lugar do leitor-examinador. Este tem aproxi-


O Candidato deve ter o raciocínio de ver se os tópicos estão em ordem
madamente 50 textos versando sobre o mesmo tema, para serem corrigidas em
aleatória ou se já apresentam alguma hierarquia. Se estiverem em ordem aleatú
uma média de três horas. No final, são, mais ou menos, 1.500 linhas de percurso
ria, deve ordená-los segundo uma ordem de importância/força argumentat iva .
de leitura cansativa, por se tratar sempre do mesmo assunto. Se o Candidato
dificultar a visibilidade do leitor-examinador, este não sentirá prazer na leitura O estágio inicial (lo tópico) corresponde ao começo da argumentaçao.
É um argumento mais leve. O médio fica situado entre os dois extremos d.1
do texto e não acionará seu coeficiente de boa vontade.
argumentação. Pode ter um ou dois parágrafos, um ou mais tópicos. O fi11,d

140 I 4l
Recorrendo a um dicionário, encontram-se
(úllimo tópico) supõe um argumento extremo, ou seja, de grande ou de maior
para consistência os seguintes significados: firme-
peso/força argumentativos. za, aderência, resistência, densidade e, sobretudo,
A consistência textual se define como a ligação, a costura, a solda entre estabilidade.
~

etapas (base, construção, cobertura) e dos estágios entre si. A consistência do


Para se alcançar a consistência, estabilidade,
texto contempla dois elementos da grade de correção: capacidade de argumen-
é necessário que as etapas do texto estejam costura-
tação e sequência lógica do pensamento. das entre si, em duas direções: horizontal e vertical.
Atendimentos à grade de correção a) Processamento horizontal
Capacidade de argumentação
Consistência Na articulação horizontal, as frases se costuram- para trás e para frente
Sequência lógica do pensamento
- por meio de dois tipos de coesão:
Estrutura global do texto
0 Coesão lexical: uso de palavras lexicais: sinônimos (ou quase sinôni
mos); hiperônimos, hipônimos, expressões definidoras.
3• etapa: conclusão
Cobertura Textual O crescimento da população nos últimos séculos foi impressionante. Até o
ano de 1500, cerca de 500 milhões de habitantes povoaram a terra, número
que pulou para nada m enos que 1 bilhão em 1830. Esse boom provocou as
mais variadas reações.

í O novo aliado dos cientistas para deter a lesma niose visceral tem menos
( 3° estágio )
de um milímetro de comprimento, mas é capaz de matar mosquitos que

C
Colunas - nódulos textuais transmitem a doença antes que eles se reproduzam. Trata-se de um verme

2° estágio )
DJ Consistência
Orientadores do leitor
descoberto por pesquisadores da Fiocruz, que pode se tornar uma arma
biológica contra o inseto. [Fonte: KOCH, I. V e ELIAS, V M. Ler e compre-
ender, 2008, p.145}

( 1o estágio ) 0 Coesão gramatical: uso de palavras gramaticais: pronomes, artigos


definidos, numerais, advérbios, conjunções, elipses [0]
1a etapa: base - tópico textual
Havia dois homens na mesma cidade: um rico e outro pobre.
Planejamento Textual
O rico possuía ovelhas e vacas em grande número.
O pobre nada tinha senão uma ovelha. Ele a criara e ela cresceu com ele e
2. Consist@ncia do texto argumentativo com os seus filhos. Comeu do seu pão, bebeu no seu copo, dormindo no seu
colo: era como sua filha.
Desenvolver um conteúdo é costurar os tópicos, ou seja, os parágrafos ou
Um hóspede veio à casa do homem rico. Este não quis tirar uma de suns
estágios da argumentação. Para isso, é essencial o uso concreto de roteiros de
ovelhas ou de suas vacas para servir ao viajante. Ele tomou a ovelh a tio
orientação do leitor. É o uso desses processadores de ligadura que dá ao texto
lto111em pobre e a preparou para sua visita. [2Sm 12, 1-4}
sua consistência.

l4'}
l4 '
b) Processamento vertical O quadro a seguir marca as passagens de um estágio para outro, faze nd o
a ligação entre eles.
Desenvolver um conteúdo é costurar entre si as três etapas de um texto.
Para isso, é essencial o uso concreto de roteiros verticais de orientação do leitor.
Orientadores do leitor
Como já se disse, é o uso desses processadores de costura que dá ao texto sua
Consistência
consistência inter e intraparágrafos Facilitadores de leitura
Passagem da base para o I" estágio da argumentação
3· Consist@ncia interparagrafal 0 Comecemos por.....

São as marcas de passagem da base para a argumentação e desta para a 0 Observe-se, inicialmente, ..
0 Gostaríamos de começar focalizando nesta exposição
conclusão.
0 Inicialmente, esta exposição focali zará ...
Na figura a seguir, encontramos um recorte do interior da casa textual.
Esse espaço interno constitui a segunda etapa da construção textual, ou seja,
a argumentação. Os três cômodos são figura dos três estágios do processo de 0 Acabamos de ver .... Vejamos agora ... em seguida, abaix o.
argumentação. Cada cômodo se comunica com o outro por meio de uma porta. 0 Após esta breve análise, passemos então ....
Estas são figuras dos orientadores textuais do leitor, isto é, das passagens de um 0 Antes de ir adiante, parece necessário ....
0 Veremos a seguir, conforme veremos abaixo ...
estágio para outro.
0 A segunda questão que se propôs responder é a seguinte.
na Etapa - Argumentação 0 A terceira observação será a de bom senso.
0 Por um lado ..... .
3° estágio
0 Termin emos por...
0 Compreende-se agora por que..
0 Somos agora capazes de responder à pergunta ...
0 Ao término desta exposição, vê-se que ....
0 Por fim e como último argumento ...
0 Em suma [não é conclusivo]

Observe este texto, com o seguinte comando como exercício para prova
do MPU-CESPE/UnB, 2010:

"A legalização das drogas leves no país: medida positiva ou equívoco social?"

144 14 ')
"por um lado" (2° parágrafo) c "por outro lado" (3° parágrafo). No 2" padgralo,
sinaliza-se para um crescimento da argumentação por meio da expressão ori<:n
tadora do leitor "além disso". No terceiro parágrafo, percebe-se um crescendo de
argumentos: "além de ser", "seria também possível" e, no último período, a sina
lização de um argumento mais forte com "Convém ressaltar que'~ Isso indica,
claramente, que o redator se coloca a favor da legalização das drogas leves.
São, portanto, essas escoras textuais ou colunas do texto, na passagem de
parágrafos ou dentro deles, que dão consistência ao texto.
Depois disso, o texto se repete. Observe, por exemplo, que, no último
parágrafo, o sinalizador textual de explicação "em outras palavras" é falho. Na
verdade, repete o parágrafo anterior. Além disso, a expressão orientadora "em
outras palavras" é uma forma de reforço. Acontece que o parágrafo é conclusivo.
Assim, a passagem da argumentação para a conclusão ficou falha.
O texto 2, analisado no capítulo 5, é um exemplo claro da falta de consis
tência. No afã de "cobrir os tópicos", o candidato foi passando de um para outro
sem fazer nenhuma ligação entre eles. É um texto em que fica clara a falta de
consistência ou estabilidade.
Para mais um exemplo, analisemos o texto:
TEMA: ?.e~e.\lé\'íl.t..ID Gic.. ciê:oda. eter:no2º'?:lo (t.erna ..l!J['-,1.)' - - - - - - - - --

o.-t.uo..1f>'Y1 ~ =-<::>

29

30

{Texto 27}

Até o quarto parágrafo, o texto está perfeito. A saída, a base textual, é muito
boa: tema/problema, sua situação e questionamentos. Depois disso, o texto faz um
con traponto perfeito entre a proibição e a legalização por meio dos orientadores

14 [)
147
~o c) Terceira etapa: o último parágrafo. Esse arremate final não pa rccc mu it1l
21 adequado, visto que o redator introduz aí um elemento que ai nd a 11;10
22
ocorrera no texto: "os governantes".
23
24
25
Outro problema de estabilidade ou consistência do texto é a despro
26 porção nos estágios argumentativos. O primeiro ocupou oito linhas. Par a
27 um início de conversa, ficou muito extenso. Por ter gasto muito espaço aí, no
28
primeiro estágio, viu-se obrigado a reduzir os outros parágrafos. O segundo
29
30
(do segundo estágio) ficou reduzido a quatro linhas [linhas 21-24] e o terceiro,
a apenas três [25-27].
{Texto 28] O texto a seguir é um belo exemplo de desenvolvimento consistente em
estágios, com os devidos orientadores do leitor.
Já analisamos o comando da Banca [INPI, 2006- CESPE/UnB] a respeito
do tema/problema. Analisemos as etapas do texto:
a) Primeira etapa (a base): o Candidato não focou devidamente o problema. 121
11111111111111111 ~--·c-.•.....-c~G•~- ·
FOLM:;;:--=:.:-::.a..
_......._.... ~---

4&
. -aet.....

~=- IJ5981 • SAlA

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"'.fC. ,,.,... _-.n,. d6. , . ,• •
O questionamento deveria ser outro. Vai haver deficiência na pertinência.
~ ~-

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•M - • • - - .

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~

b) Segunda etapa (a da construção argumentativa): apresentam-se cinco 4


5
. -
- ---...
J
...._

-
-
,.,
-
- - ·- ·
- {1).4.
___-#_
-
-
J-
- ,
·-· •

.• ··-~ ~•• ~ .. ~-«• - ,. .,. ·- _.,.w


parágrafos. O último não é conclusão, visto que o operador discur- • .d. • _ ,_ - ·

sivo "em suma" sinaliza para o argumento final, que deveria ser o de
•• ~ --
. .....- V.w_,..--
o. · •
... -- .
'
. - -

0
maior peso.

O primeiro estágio [linhas 6-13] é composto por um único período.


Como observou o examinador, há deficiência na pontuação. Apesar
. ---·- .~- -'~ - -·- ~ ~ ~-
--

,_

. .

V..d. • T v
A.~-
.J.

• .D
..,_
- n ·

~
,

--
- -

-
..

disso, o parágrafo está bem construído e - ainda que de modo frouxo


- está conectado à base, em virtude da retomada coesiva por meio da
referência à UNESCO, presente na base.
. . .... . .
ui...
13 -

u ..._
· .

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-~'~
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--
0 O segundo estágio [linhas 14-27] contém três parágrafos. Percebe-se
que a expressão "após esta breve [?] análise" funciona como passagem
do primeiro para o segundo estágio.
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O segundo e terceiro parágrafos desse estágio não apresentam nenhuma

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costura entre eles. Nota-se, com clareza, que a preocupação do Candi-
-
0
dato é atender à nomeação dos tópicos, mas sem conexão entre eles.
O terceiro estágio seria o último parágrafo do texto, conforme o
... . . ~ . . -- . - -· -
;...__

orientador argumentativo "em suma", que sinaliza para o argumento


final. Mas depreende-se que o redator tentou fazer uma conclusão ou [Texto 29/
cobertura final do texto.

l 48 14
No capítulo 5 desta obra, já chamamos a atenção de que a Banca Modos de raciocínio

"busca aferir não somente o domínio do conteúdo, mas também a capaci-


dade de articulação do raciocínio e de expressão do candidato". Logo, portanto, assim, cotn
[p-7q]
Dedutiva efeito, por conseguinte,
Se [p], então [q] consequentemente, então.
Orientadores de percurso ou de leitura e orientadores argumentativos
estão previstos pela Banca quando esta analisa a presença de duas capacidades Causalidade Porque, visto que, já que,
0 Real
Justificativa [qf-p] uma vez que, pois, porquan
do Candidato: to, em razão de, pelo fato de
0 Hipotética Explicativa [q] porque [p]
0 Capacidade de argumentação; que, devido a, em virtude ele.
0 Intencionada
0 Capacidade de sequência lógica do pensamento.
*Se [p] então [q]
[p] =antecedente Hipotética [p]-7 [q] *Caso [p]-7[q]
Igualmente, no mesmo capítulo, focalizamos que o conhecimento de um *[q] desde que [p]
Cond icional [q] f- [p]
fenômeno é detectar a relação de causalidade entre um antecedente e um con- [q]= consequente *[q] só se [p]
sequente [p « q]. Conhecida essa relação, podem-se fazer inferências, deduções.
Para que, a fim de que, com
Mostramos que também é possível questionar essa relação de um determinismo
Final [p]~[q] a finalidade de, em vista de,
cego de causas. com o intuito de
Porém, não há argumentação ou conhecimento argumentativo sem essas Forte - Mas, porém, todavia, contu
operações de raciocínio. Tal como para os orientadores de percurso (ou facili- [p "'q]
Oposição do, no entanto, entretanto
tadores de leitura), apresentamos a tabela abaixo com os diferentes processos Contrajunção -
Fraca- Embora, apesar de, se bem
de raciocínio. I [p - qJ
Concessão que, mesmo que, ainda que

Adição- E, também, não só ... mas


Conjunção [p] 1\ [q] também, além disso, aliás;
Sequência ora .... ora; seja ... seja ...

[p] v [q]
Disjunção Exclusão Ou [p] ou [q]
Se [p] - [q]
Igualdade [p] ,q] Tanto ..... quanto
Comparação Superioridade [p] > [q] Mais ..... que
Inferioridade [p] < [q] Menos ... que

150 151
4· Modos de raciocínio 0 Dedução por hipótese: quando a causa ainda não é um fato rca I, mas lllll.t
hipótese, então a consequência está condicionada à realização da caus.1 .
São procedimentos ou estratégias de raciocínio usados numa cena ar- Exemplo: Se chover [p], o carro atola [q].
gumentativa pelo sujeito argumentador, com a finalidade de persuadir seu
"oponente". Entre esses modos, temos os seguintes, mais comuns: b) Raciocínio por justificação ou causalidade explicativa [qf--p]

É uma estratégia de argumentação orientada da consequência para ,,


a) Raciocínio por causalidade dedutiva: [p~q]
causa. O efeito, a consequência [q] vem antes do motivo, da causa [p].
É uma estratégia que tem como ponto de partida uma causa e como de Os tipos de raciocínio explicativo ou justificativo são os mesmos do r;~
chegada um efeito, uma consequência, resultado ou conclusão. É uma estratégia ciocínio dedutivo: necessidade lógica, explicação pragmática, justificativa p<H
e.qvolvendo [p] e [q] numa relação de orientação da causa para a consequência cálculo e por hipótese. Basta inverter os componentes [p~q] para [qf-p] .
[p~q]. Há vários tipos de dedução:
Esse raciocínio é aquele caracterizado linguisticamente pelos chamados
0 Dedução por silogismo: é uma modalidade em que, dada a causa, a conectores indicadores de explicação e justificativa.
consequência aparece como uma necessidade lógica. Exemplo:
Exemplo: Penso [p], então existo [q] .
A regra geral é de candidatos com grande dificuldade de redação de um
0 Dedução pragmática: a consequência [q] é uma explicação do motivo
texto [q] .
de um comportamento devidamente verificado.
Tiveram um ensino secundário com baixo grau de leitura e conheci -
Exemplo:
mentos gerais [p] .
O médico proibiu outra bebida [p]. I Agora só bebe água [q]. Grande parte de candidatos não são capazes de escrever ou entender um
O médico proibiu outra bebida [p]. Então, [consequentemente] só bebe água[q] . texto, [q] em virtude de terem tido um ensino secundário com baixo grau
de leitura e de conhecimentos gerais [p].
Esse raciocínio pragmático dedutivo consta de antecedente, isto é: uma causa,
um motivo, uma razão. A isso se segue uma consequência, isto é: um efeito, c)Raciocínio por comparação: [p"'"q] ou [p<q] ou [p>q]
um resultado. As comparações são uma estratégia de argumentação. Possuem um tem;~,
um dado [p] e um comentário [q].
{p] Grande parte de candidatos não tem um bom conhecimento geral.
{q] Fazem péssimas redações e interpretam mal.
No caso da comparação por igualdade [p""q], o tema [p] é o elemento di.'
maior peso argumentativo. Exemplo:
Grande parte de candidatos vem do ensino secundário com um nível muito
baixo de conhecimentos gerais. Por isso, não são capazes de escrever ou
[p]= o político é corrupto
entender um texto.
{q]= o eleitor é corrupto
O eleitor é tão corrupto quanto o político
0 Dedução por cálculo: esse raciocínio vem de uma indução [conjunto
de fatos particulares, limitados] para chegar a uma regra geral ou a d) Raciocínio por oposição ou concessão [p - q]
um todo.
É um cálculo de raciocínio que aceita [p] como causa ou origem , lll.l N
Exemplo: [Se] 80% dos brasileiros não acreditam nos políticos [p], nega a consequência [q] . Mas é o instrumento, o operador argumcntativo dt·
então a solução é acabar com as eleições [q]. oposição mais usado .

15:5
11
No uso desses operadores [mas, porém, todavia, contudo, no entanto,
entretanto], o argumento de maior peso é o que contém o operador.
13
No caso dos raciocínios opositivos por concessão [embora, apesar, ainda 14
que, se bem que, não obstante etc.], dá-se, concede-se o direito a alguém de dar 15
sua opinião para, depois, contestá-la. O argumento de maior peso, lógico, é o 16
que não tem o operador de concessão. É um procedimento menos agressivo ou 17
brutal que a simples negação ou a oposição. 18
No caso de um texto, sempre que vier um desses conectares de oposição
forte, detecta-se, a partir dele, uma contestação ou um questionamento a uma [Texto 31/
"janela de fundo". É esse processo uma das técnicas de relevo. Exemplo:
O primeiro parágrafo é a base textual. Além das falhas nos aspectos m i
i
O Yl\.0 \.o c..o\o <dK. K; o 1-D rz: ,},),em o. c.m cto ;;,_<, s. r-ro,.o.,.o 'f>8'l. 8.Lt çx:ú- crotextuais, percebem-se as deficiências macroestruturais: o dito no primeiro
2.. ';)t-'> \ ~ ~ .t.rrv-. v i~ Jvv-v-\ 'UX> ~ 'L ~ ~ OI::>~ \t. i.<:J 'ià c..on~ - período é muito pouco para a conclusão do segundo. Além disso, como bast'
3 <CA 1/.r() k 'hl(À yoJ. ~ o '..ÁJY'n vP ~ s'::.o d.o ';, rpo,Á<;,(_ s \ tp'\A r-rs:A rpa. h-,-~/Y"\ \-e Ef) 'rr<J.A s f textual, não é o local de se fazer uma dedução.
f.t _A r-rr:!..w) 'r 1\À r:>-\' 2JlydcS. ; <.f'rro '(,o\ 0c btnWL (AJ'YY' '(À_ /IJ,j:JW.fJJ, <t') O, t ~<;,:;,o}) d..ç -~ O segundo parágrafo é - como se observa- o primeiro estágio da
ç <V-$'>~S ~h r-;Ç\_ ~h-r.o'='\-0-0... . NO vn\oJY'·\Q l v~""-{+I;~'M'.ffil·(, -<'S<;,e'> rpo,i-'~ base argumentativa. Note-se que o primeiro período contém um bom a r
. -~"'-cf.,_~cLo ~ . ~ 0 (_ '
G ).!..$ ~ :roJí -no\;(Mo..NY, O ':,1rQ';,O c:J..t ~AO... 'CI& Sic#':> ru:;oe!, ' ~- gumento e este é confirmado, reforçado, duas vezes no segundo perfodo,
por meio das expressões argumentativas de sequência e adição: "é preciso
[Texto 30] ressaltar, além disso". A seguir, o período ilustra o enunciado co m tlll\
exemplo (que não copiamos). Trata-se de um parágrafo argu menl.t l i vn
O primeiro período é o plano de fundo. Quer dizer: a voz comum. O muito bem construído.
segundo período questiona esse quadro por meio do conector argumentativo Dada essa saída argumentativa (1 o estágio), vem o segundo p~1 dg1 ,do,
de oposição "no entanto". O quadro é aceito, mas com reservas. Note-se, além o segundo estágio da fase do desenvolvimento da argumentação. () ~ 0 1H'l leu
do conector, o modalizador "infelizmente". Significa isso que o redator não só argumentativo entretanto, além de fazer a passagem de um es l<.\g io p;tr;t ou
questiona o aceito, mas também se compromete com o que diz. tro, mostra que o parágrafo anterior sofre um questionamen to. A verdade
Na oposição fraca (concessiva), o questionamento e, consequentemente, do enunciado anterior apresenta restrições, é colocada sob a reserva de UI li
o relevo é o enunciado sem o conector. O exemplo a seguir são excertos de um olhar crítico. O segundo período desse parágrafo é a justificativa do pri ml'i ro
período. O terceiro período, como observou o examinador, deveria ser o
texto sobre a importância da ciência e tecnologia (CESPE/UnB,2006):
início de outro parágrafo. A expressão argumentativo-di scurs iva "deve sv
ressaltar" sinaliza para o início de um argumento mais forte. Isso pressup<H\
2 portanto, um terceiro estágio.
3
No entanto, o parágrafo é confuso, está incoerente, pois o objetivo b[tsi~ <1
4
não deveria ser o econômico, mas o atendimento às necessidades essenciais do
5
cidadão. O candidato inverteu a lógica do raciocínio. Esse raciocínio torlo t'·
6
7
confirmado pela ilustração do "trem bala que vai de um estado para ou I ro". I'·'1"
o autor, "apesar da deficiência dos transportes coletivos dos munidpios", n 1111
"trem bala" é preferível ao transporte eficiente nos municípios. Qutr di '/ ,1"1 : n

I• ... A
J'jl
nxlalor se coloca do lado dos partidários do "trem bala" e contra a população. Os dois parágrafos acima fazem parte da etapa da argumenlação. O prl
Provavelmente, não era esta a intenção do redator. No entanto, ele não soube meiro apresenta uma estrutura deficiente, já que o segundo período deveria f~t/',t'r'
organizar o pensamento argumentativo. parte do primeiro. Antes do gerúndio, temos a base do parágrafo. A partir dek,
é a ilustração argumentativa. O terceiro período é a conclusão ou a consequência
5· Consist~ncia intraparagrafal que se pode depreender do que foi dito anteriormente.
Além de os estágios e seus parágrafos terem "portas de passagem" de um O segundo parágrafo está ligado ao anterior por meio do operador de
para outro, também dentro de cada cômodo, isto é, cada parágrafo, é necessário conexão "Já". Por meio dele se faz o contraponto com o anterior. Trata-se de
que haja uma estabilidade interna. · um parágrafo muito bem construído. O primeiro período forma a base ou o
Além da imagem de texto argumentativo como uma construção, pode-se tópico, a partir do qual se desenvolve a argumentação. O segundo período é
compará-lo também a uma caixinha de surpresas: uma dentro da outra, que a consequência do dito anteriormente. O terceiro é a conclusão dessa conse
repete a anterior. Quer dizer: o texto - no seu todo - é a caixa externa. Dentro quência. O quarto, fechando a caixa, restringe o alcance do anterior. Quer
dela, cada parágrafo argumentativo é outra caixa, que repete a estrutura da dizer: a conclusão de que "faltam profissionais nas áreas de pesquisa" deve ser
maior, como na figura a seguir: relativizada porque isso não é percebido na área tecnológica.
Já nos valemos da base [texto 24] do texto a seguir, neste capítulo, quando
analisamos a fundamentação da argumentação. Focalizamos, agora, apenas
os parágrafos para mostrar a deficiência de construção e aprofundar o estudo.

6
7
8
9
1o
Um bom parágrafo argumentativo também é construído em três etapas: TI
uma base (tópico do parágrafo), argumentação (justificativas e consequências 12
da base) e uma cobertura (conclusão). Amarrados entre si, os parágrafos (cada 13
caixa) formam a caixa maior: a totalidade do texto. Observemos dois exemplos: 14
T5
16
17
10 18
11 19
12 2õ
13 21
14 22
15 23
1 ce vrdz c.:z f?<?f?U 1*{""" 1'1'\.t....c>Vlt{" pe&o ~ 2cl 2V4l(Dl wc.~t'f''t'f=
16
17 f' /i• I /11 1 1/

[Texto 32/

l 'i7
O primeiro parágrafo apresenta dois períodos. O primeiro poderia ser
É p reciso ser sensato ao se tratar de assuntos sério.,, Jlltll
a base. Mas como não há nenhum conectar entre ele e o segundo, o parágrafo cipa /mente os que incluem a vida de milhares de pt·ssou s,
perdeu peso argumentativo. Não ficou explícita a relação entre os dois períodos. Parágrafo de pois quando tratamos de assunto que envolve tnilllllrt''
Assim, o segundo poderia ser um outro tópico. aconselhamento de pessoas, deve-se ponderar muito a respeito. O ril11w
Entre o segundo e o terceiro parágrafos, há uma relação de consequência ou soluções genéricas das pesquisas não deve obedecer à ganância, mas dr vt·
conforme se nota pela orientação argumentativa "advém daí". O terceiro pará- salvadoras ser levado pela razão, pois ela é o instrumento mais prr
cioso para você deve ter para distinguir o que é verdai/('
grafo, como o notou o examinador, deveria fazer parte do segundo, pois trata-se
e o que é fantasia.
da consequência do anterior.
Com nossa fa lta de atenção e consciência acabamos
Esse segundo parágrafo é formado por um tópico e uma justificativa que Parágrafo com destruindo os elementos básicos a nossa sobrevivência.
começa com o orientador argumentativo "já que". Os elos de relação com o argumento que Destruímos a natureza, os animais e a nós mesmos. 1:·
primeiro são muito frouxos, de modo que o parágrafo parece solto. repete o tópico tudo isso, como já foi dito, destruímos a natureza em
O quarto parágrafo, conforme também percebeu o examinador, está solto vista do poder e do lucro, mas não adianta tal destruição.
·-
em relação aos anteriores. Este parágrafo, formado por uma única frase, não Posso dizer isso como exemplo, pois infelizmente nci o
apresenta nenhuma argumentação. O mesmo ocorre com o quinto: não há liga- tenho uma família liberal que conversa sobre sexo aber
ção com os anteriores e também não se detecta nenhum operador argumentativo. tamente, sempre fui educada a simplesmente não fa zer,
Parágrafo com
nunca fui orientada à como fazer de maneira segura .
A partir destas ilustrações, podemos apresentar as principais falhas de argumentos pessoais
Contudo, eu perdi minha virgindade aos 18 anos com o
um parágrafo argumentativo. homen que amo, escolha própria, na hora certa e no j eito
certo, com amor, carinho e compressão
5.1. Falhas de argumenta9ão do parágrafo
Chegados a este ponto da construção textual, já é hora de abordar o seu
E uma pouca vergonha o sistema de cotas, porque os relevo, ou seja, o desejável: o preciso da escala deôntica.
Parágrafo quebrado - homossexuais seriam desaparecidos perante ao curso
argumento sem relação superior, novamente mais um motivo para o presidente ser
com o tópico. bêbado. E não são todas as pessoas que tem oportunidade III. O preciso, o desejável do texto expositivo-argu-
de estudar numa boa escola. mentativo - relevo
Há quem acredite que crises trazem benefícios para a
Parágrafo sem
humanidade. A AIDS foi descoberta numa experiência Quem toma como teoria para as práticas de construção do texto a rg u
conhecimento de mundo
de laboratório. Foi a vinda de uma ideia nova. E daí? mentativo a Análise do Discurso não pode deixar de recorrer ao citado mes tre
Há muitos séculos, milênios talvez, o homem vem co- Bakhtin. Diz-nos ele, com todas as letras: "Toda palavra usada na fala real
Parágrafo com metendo atrocidades. Perseguições religiosas, o racismo possui não apenas tema, mas também um acento de valor ou apreciativo. (. ..)
predominância de marcado pela morte de milhares de pessoas nos campos Sem um acento apreciativo, não há palavra". 36
relato histórico de concentração. Todos os fatos citados têm uma boa
pretenção [sic] na visão de seus líderes. Quer dizer: faz parte da enunciação de um tema, uma apreciação, uma ai i
tude diante do mesmo. Como em qualquer outra encenação discursiva, também
Se progredimos com os erros, como justificar a guerra
entre católicos e protestantes na Irlanda? Os muçulmanos não se pode construir um texto de concurso sem uma orientação aprc( i11t il•tt. 1·:
Parágrafo com muitas e palestinos? E o racismo que cresce na mesma medida isto, de modo especial, se o texto for argumentativo. Isolar argumentos de su.1
perguntas do desenvolvimento da Europa? Quanto da ciência será apreciação é destituí-los de sua autenticidade.
necessário para provar a eles que todos são iguais? Por
que ainda não são f elizes depois de tantos anos de g11erra? lC> IIAKIITIN,oh.nt..piiR.

l 'i8
Apreciação é o Candidato assumir o que diz. É isso que torna seu texto
único, irrepetível, relevante, mesmo quando seja um texto técnico, como no
caso de concursos.

1. Como assumir ou dar relevo a um texto expositivo-


-argumentativo
As Bancas costumam chamar a apreciação do que se diz de "alinhamen-
to ao tema". No capítulo 6, apreciamos o par pressuposto/relevo. Agora vamos
mostrar como se constrói um texto com relevo, isto é, realce, destaque, aquilo
Oposição forte Oposição fraca
que sobressai de um plano de fundo.
Quando se usarem os pesos pesados mas, porém, todavia, no entanto,
Basicamente, há duas formas de fazer relevo:
entretanto, etc. a balança tende para o argumento onde está colocado esse co
a) Apresentar uma informação nova nector argumentativo. É a chamada oposição forte.
Quando se usarem os pesos pena embora, apesar de, ainda que, etc. a
Sobre este ponto, já se discutiu suficientemente no capítulo 5 desta obra.
balance tende para o prato, isto é, o argumento, sem esse peso. É a chamada
Para ser relevante, o Candidato precisa, além da informação do quadro de
oposição fraca. Voltamos a salientar que, na construção da base, o uso de u 111
fundo, aquela que todos conhecem ou já é esperada, apresentar conhecimentos
desses pesos argumentativos já é indício de questionamento ou de encaminha
ou pontos de vista diferentes. Convém ter um grau adequado de originalidade.
menta argumentativo do texto. Observe-se o exemplo:
Esta informação nova é requerida, sobretudo, no caso de temas gerais do do-
mínio público. Porém, em temas técnicos, a solução para o relevo é diferente,
conforme a seguir:
b) Apresentar orientadores de compromisso do redator

Sobre este ponto, convém destacar duas técnicas:


_ ..o..L
i) Uso dos orientadores argumentativos de oposição
[Texto 34}
Cada vez que se usam os conectares de contraste, oposição ou contrajunção,
assume-se, na prática, o que se diz. Sempre que se usa, por exemplo, um porém O primeiro período é o aceito, o quadro de fundo. O segundo período (·
está-se colocando, de um lado, a voz comum ou uma opinião alheia; do outro, a o questionamento sobre o pressuposto. A partir dele, assume-se uma posição
opinião pessoal. Por isso, quando na construção da base aparece esse orientador argumentativa. Observa-se, inclusive, que essa posição é justificada por meio
de compromisso, há um questionamento de um dito. Aliás, essa técnica é infalível do operador argumentativo pois.
quando se quer passar do simples expositivo para o argumentativo ou polêmico.

160 l6.L
Esse mesmo processo é válido em qualquer parte do texto, como por exemplo: No excerto acima, o redator marcou, com acentuada ênfase, sua posi\ .11,
argumentativa por meio de dois orientadores discursivos. Inicialmente, por nwh,
~ E"(Y) ~I o,_ .Â~w ().D_\'iji.Qd{).._ ol<U. <Ym~ uUJL,~! do orientador argumentativo-discursivo mas, já colocou sob, digamos, susptit.l
o enunciado anterior. A seguir, essa suspeita é assumida, explicitamen te, p01
.::r ~CJJ.rxrgml-<. d:0.- ~e:puJru:pJ ~s ~\t. ) ºfAÇj.,A_ J-)JYY> ~Q!'<=cl(. meio do modalizador afetivo subjetivo infelizmente.
fi \7W\JYY\YD\-v r-ro.... WrYvv>rO\.\ ~dAple. ; "{'('Q.~ -l~ X tpWb\ ~C<... Wcll. ~ Existem diferentes recursos que a língua coloca à disposição do redator
.' ) }'..t51o\\Hd.o r.oxn a.. g~ çtyQ '?@\MY\0 t <&rr0 ~ ~ C/.!'('(j1.fln- para sinalizar esse relevo. A seguir, apresentamos os casos mais recorrentes.

~ \-t~p,y® r;:!,Q5- .~1 iet<;, <.t<1r0 o.. 0Q2éP4PO..so{ r:}.J... 'YIOVC!S ~~ · a) Modalizadores epistêmicos
---=-
Servem para mostrar que o redator assume a verdade do que é dito no
[Texto 35]
enunciado.
O orientador do leitor em suma do primeiro período está apontando para Marcam a adesão do redator ao que diz, apresentado como um fato
um último argumento. Porém, o leitor ficou desorientado, pois, em lugar de um fora de dúvida. Entre eles temos os sinalizadores de:
argumento, veio uma conclusão. O emprego do orientador argumentativo mas
mostra que essa parte do período é mais importante que a anterior. No final, o 0 Evidência: evidentemente, reconhecidamente;
redator acredita que- apesar do quadro negativo anterior- a situação apresenta 0 Irrefutabilidade: indiscutivelmente, indubitavelmente, incontestavelmen f c,
solução com a "ajuda do governo e com maior conscientização das famílias com 0 Verdade dos fatos: verdadeiramente, realmente;
a programação de novos filhos". Apesar de ser uma solução muito genérica e 0 Naturalidade dos fatos: naturalmente, obviamente, logicamente;
meio mágica, é nisso que o autor aposta. 0 Simples crença ou certeza: certamente, efetivamente, seguramente, co111
certeza, sem dúvida.
ii) Uso de advérbios ou locuções adverbiais modalizadoras
b) Modalizadores relativos
A esse respeito, diz, expressamente Neves 37 que o uso desses elementos
Ao contrário dos epistêmicos, no presente caso, o redator não Sl'
linguísticos "constitui uma das estratégias para marcar a atitude do falante em
compromete com a verdade do que é dito. O conteúdo do que se dil'.
relação ao que ele próprio diz".
é apresentado apenas como algo que crê ser possível, provável ou im
Observemos o exemplo a seguir:
provável. Revela, assim, baixo grau de adesão ao enunciado.
Entre esses orientadores do redator, temos:
2 ~ t~ 110~ 0 Talvez, possivelmente, provavelmente.

3 ~'-
. ll!JN'rtMio
. tW c) Modalizadores delimitadores ou de restrição
~JJ.rm~ Não garantem o valor universal de verdade, mas fixam, delimita 111 ,
4 restringem o âmbito ou a área cognitiva dentro da qual são válidos.
5 Entre esses orientadores do redator, temos:

6 0 Pessoalmente; particularmente: delimitam o enunciado ao ponto de


vista do falante/redator;
7 ,.. 0 Biologicamente, juridicamente, do ponto de vista jurídico, etc.: resl ri 11
[Texto 36] gema validade do enunciado a uma área de conhecimento;

17 Cf NEVI•.S, MMia H. de Moura. Gramática dos usos do português. São Paulo: C'NESP. ?OOO,pp 214 256

162
0 h'm princípio; basicamente; fundamentalmente; especificamente: foca-
Deônticos
lizam os fundamentos da validade do enunciado, ao que há de mais ~

importante ou ao que é comum a outras abordagens; É preciso que; é necessário que; é indispensável que; é forçoso que; não é possívd tlllt:;
0 Praticamente: abordam um enunciado do ponto de vista prático, pondo é imprescindível que, etc.
em ação um conhecimento teórico ou sugerem a funcionalidade de Atenuação - relativos
desse enunciado. Opõe-se a teoricamente;
Talvez; creio que; provavelmente; quem sabe, etc.
0 Simples ou puramente: apresentam um enunciado isento de signifi-
cações secundárias, elementar, sem complicações ou mostram que o Relevo
redator vai direto ao ponto central da questão. Sobretudo, principalmente; mormente; em resumo; em suma; em síntese; por filll ;
convém ressaltar que; é imprescindível mostrar que, etc.
d) Modalizadores deônticos
O redator se empenha para que algo ocorra, dada uma obrigação legal. Correção
Entre esses orientadores de dever do redator, temos: Dizendo melhor; digo; esclarecendo melhor, etc.
0 Necessariamente, é preciso, é necessário que, é imprescindível que.
Foco - restrição
e) Modalizadores afetivos Em termos econômicos; filosoficamente falando; do ponto de vista médico; do ponto
Com eles, o redator sinaliza para apreciações subjetivas ou emotivas a de vista da arquitetura, juridicamente, etc.
,__
respeito do que diz. Entre eles temos: - -

° Felizmente, infelizmente, lamentavelmente, curiosamente, surpreen- Sempre que ocorrem esses pesos modalizadores, isto é, esses orientadon·,
dentemente , etc.: mostram manifestações subjetivas de valorização de atitude do redator, o texto ganha marcas de autoria particular, mesmo qut·
ou desvalorização a respeito dos fatos e dos enunciados. São afetivos sejam textos técnicos. Compare dois exemplos:
pessoais.
Texto a)
0 Sinceramente, francamente, honestamente, etc. : focalizam a subjetivi-
dade do falante/redator em relação ao seu leitor/ouvinte. São afetivos ~1111111~11111111111 ---=:..=:-::::~==---~~~~i.;:=:=:r
FOU·t"DE~~XT~DEFINrnYODAPROW..OfSCORSN'A 46
......
, _0-•1•_ 05873 ..
---
interpessoais. ~-- - __ft ~ J• ,&a 'il o -.L.'---"..,_-""'f>A-"""---"'-'....0""-.._ _..........,._,__ _ _

Como forma de resumo desses operadores de relevo, apresentamos o
quadro a seguir: fu:::: ~-~~~:::~::r;!!·,~A; ~~~ ·,~~±··
-.~ ..i~.t:- - - · · -
ji) ........ ~_- • -\~ ~ ........... - - . . .\ ~- -...,.-:'~-.--
1"1. [."---:··;:::::
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11
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Epistêmicos 4?p'' "'r'?C:.. l2 n < -.,q: oi.(;\._ &aooJ) lJ:CfQ,9 4D f..t!pe .cÀg. JD ~"1, d~ 1A ) ; ÂJI O

13
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.... J..; I•"'" "..la 9•' o· ~J.o... . ..:_~---
Evidentemente; em verdade; não há como negar; de fato; ora; realmente; com efeito; 1$
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certamente; aparentemente, etc. 17
_g,1au.la"', Q !D=' · t.~OOn:~b Da ..pr.;ú~· - ~ ft?. qol,id fu ..., ~o Ml"ru:l·~ .....O..
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Infelizmente; lamentavelmente; ainda bem que; menos mal; de modo feliz; de modo 22 p••i, , .... i • Q -• ..., ?>A ~ b"<ÕA QQ ~ }t_~ À.o. :l.J;>_ ~'i .,... ~JlO.'ú.\ •
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164 1(,•
I{JIIAI,' ,\IIIll 1 '1'i !X lOS JliSSIIliAIIVIlS CESI'E/UNII CJI I'ÍTU l.ll 7 CONS'f'IW~~AO liA SElOlJNIIA l'.'fAI'A 110 TI'.X'I'II HXI'ONf'l'l Vlh\ llliliM I N I A li \'11

O texto até atendeu bem à cobertura dos tópicos. Correspondeu, razo- Este texto é um excerto da base já apresentada [texto 16]. Observa Sl'
avelmente, às expectativas de domínio do conteúdo, faltou-lhe, no entanto, a que o atendimento aos tópicos ficou diluído na argumentação. Este foi o gravl'
capacidade de raciocínio e de expressão. Entre as falhas do texto, podemos listar: problema deste texto. Porém, a consistência e o relevo são muito melhores qm•
0 Base: sem contextualização; sem problematização; do anterior. Veja-se como a passagem entre os parágrafos está perfeita. Além
0 Sequência lógica do pensamento: o texto não argumenta; é meramente disso, observem-se as marcas de relevo. O segundo parágrafo, sobretudo, cstú
expositivo; muito bem feito. Além dos pesos argumentativos: não obstante, mas, o redator
0 Relevo: como não argumenta, não há compromisso com o que se diz. chama para si a responsabilidade do dito por meio do modalizador adverbial
Por isso, não há marcas de relevo por meio de conectares argumenta- claro, referindo-se à totalidade do enunciado. No terceiro parágrafo, o moda-
tivos. Só no último parágrafo aparece um mas. lizador de atenuação talvez suaviza a asserção anterior, mas, ao mesmo tempo,
0 Exaustividade: o texto cobre os tópicos, mas sem fundamentação ar- contrapõe esse enfraquecimento com um peso pesado de argumentação: mas.
gumentativa.
Tendo mostrado a base e a construção da casa argumentativa, eis que
0 Não há modalizadores no texto.
falta cobrir o edifício textual. É hora da conclusão, a terceira etapa do texto
Além das observações acima, repare-se na forma verbal "estariam" do 4° argumentativo.
parágrafo. Deveria ser "estarão". Por isso, o tópico ficou incoerente. Também
não surtiu efeito o emprego de "sinergia" na conclusão. É inadequado falar em
"maior sinergia possível".
Texto b)

{Texto 38}

11, 7
111
Constru9ão da terceira

-
Capítulo
etapa do texto 0 Tendo em vista o exposto, a solução que se apresenta, sem dúvida , é ....
8 expositivo-argumentativo 0 Portanto, concluindo, vê-se que a melhor atitude seria ...
0 Pesando-se os diversos argumentos, pode-se inferir que o melhor
encaminhamento seria ....
Com razão, ensina Garcia 38 que "não existe argumentação sem conclusão". 0 Fechando o texto, pode-se concluir que para o problema a solução é,
Invertendo o raciocínio, é possível dizer que "não existe conclusão sem argumen- inegavelmente, .....
tação". Justificamos a assertiva, visto que a prática pedagógica nos tem mostrado 0 Assim e de forma conclusiva pode-se deduzir que ......
que as falhas na conclusão são decorrentes das falhas ou da ausência de argumen- 0 Em síntese, conclui-se que ...
tação. Uma boa argumentação deságua, naturalmente, numa boa conclusão. 0 Em resumo, os tópicos básicos da questão são ...
Um dos problemas mais comuns de Candidatos de textos argumentativos 0 Tendo atingido os objetivos propostos no início, conclui-se que ...
é a dificuldade de fechar o texto, devido a problemas na argumentação. Geral- ® Conforme o que se disse, o resultado concreto de tudo é ...
mente, ou não há a cobertura ou esta é inadequada.
A melhor técnica para se evitar esse problema é - como dissemos - cons- O quadro, além de assinalar para o último passo da consistência, mostra
truir um plano de texto argumentativo. A cobertura é o ponto de chegada. Assim que há vários tipos de conclusão.
como o arquiteto que planeja a sua construção, antes mesmo de levantá-la, o
mesmo deve fazer o redator: saber, precisamente, aonde quer chegar.
2. Tipos de conclusão
A primeira coisa a dizer sobre essa terceira etapa é que - como o restante
do texto - ela precisa ter consistência, isto é, deve estar ligada ao restante do Muitas vezes, principalmente na língua falada, a argumentação é provo
edifício textual. cada por uma situação real. Imagine-se, por exemplo, alguém espancando un1
animal diante de nós. A conclusão será, naturalmente, a solução do problema .
1. Orientadores de passagem para a terceira etapa Em concursos, dependendo dos comandos da Banca, podemos listar os
seguintes tipos de conclusão, tendo em vista a construção da base:
Tal como na passagem da primeira etapa (base) para a segunda (argumenta-
ção), também na passagem desta para a terceira, a língua dispõe de um repertório de a) Argumentação para base de uma situação real
formas de orientação de leitura que sinalizam que se está chegando ao final do texto.
No quadro abaixo, fornecemos esses orientadores de passagem para a conclusão. A conclusão pode apresentar uma sugestão de solução. No caso em qur
as Bancas apresentam uma situação de conflito ou um problema (concreto 011
hipotético), a conclusão deve, necessariamente, apresentar a solução ou o melhor
encaminhamento da situação.

b) Argumentação para base dialética

Nesse caso, a conclusão deve refletir a posição tomada tanto na base COilHl
no desenvolvimento. Com os devidos cuidados, uma interrogação també()) I'
pertinente.
IH <;A I(CI A, Oi hon M. Colllllllicartlo em prow """lema. Rio de Janeiro: H, V, l'ih'i , I' Ih H

lG8 l (,
c.~ Argumentação para base expositiva

Nesse caso, a conclusão deverá ser uma "síntese" ou "resumo" da expo-


sição, mas com o devido cuidado de não ser repetitivo.
Posicionamento/

[Texto 39]
O texto a seguir, dado como exercício para o concurso CESPE-UnB, 2010,
prestava-se para um desenvolvimento de argumentação dialética.
Façamos algumas considerações:

2
0 A base, apesar de alguns problemas de ordem microestrutural, está be n1
3 construída, principalmente o questionamento. Mas faltou a orientaçao
4 argumentativa que sinalizasse para a cobertura dos tópicos.
5 0 O segundo parágrafo já pertence à fase da argumentação. Além d(•
6
problemas de redação, não era um tópico pedido. A compreensão dl'
7
"saúde pública" atrelada aos "hospitais públicos" está incoerente.
8

9
0 O terceiro parágrafo é dialético. As expressões por um lado, por outro, além
10 de orientadores de leitura, servem para dar relevo, na forma de contrapont o.
11
0 O quarto parágrafo, apesar de mal construído - problemas do uso do
12
conecto r e pontuação- mostra algumas marcas de posicionamento do
13
redator: "jamais seria ético''; "ataca f rontalmente a ética". É a pa rti r
14
destes posicionamentos que se fará a conclusão.
16
0 O último parágrafo é uma mistura de argumento com conclusão. ()
primeiro período é argumentativo, apesar de não ter sentido nenhum
a expressão de relevo "por assim dizer". O segundo período é, ela ra
39 Há uma diferença entre resumo e síntese. O resum ir é encaixar toda uma ide ia em tópicos. A síntese envolve mente, conclusivo. O problema é que os juízos de valor "ilegal, imoro/
um ponto de vista, uma posição, sobretudo, quando for um texto dialético. O resumo tende a ser mais longo e anti-ético [sic!] independente dos motivos que levam essas gcslonln 11
e até analítico, por causa da nomeação dos tópicos. Já a síntese engloba esses tópicos. Nela não cabe mais praticar essa ação" não têm muita cobertura argumenlativa. Trata M'
nenhuma análise ou apresentação das partes. O resumo é a apresentação ou nomeação das partes de um de uma inferência para a qual não há suficiente res paldo.
todo. Uma síntese engloba todas as partes, enquanto o resumo as distingue.

170 1'1 1
e A pergunta lá da base: "Deveria o aborto ser legalizado" ficou respondi- Advirta-se que um bom planejamento é a melhor técnica para uma lw.1
da, mas não explicitamente, porque o texto se desviou do rumo jurídico conclusão. Na prática, todo texto argumentativo deve convergir para um bo1n
e tomou o atalho da avaliação moral do ato. fechamento. Calcule-se com antecedência aonde se quer chegar. Sem esse cá ku h>,
° Confirma-se o que se disse acima: a deficiência na argumentação gera o que mais ocorre no fechamento de um texto é ele ser mais um argumento.
a fraqueza da conclusão. Analisando um número suficientemente vasto de textos, detecta-seu ma
constante: quando a base está mal formulada e sem um roteiro, a tendência(:
Para uma visualização da análise, recorramos ao esquema do fluxo ar- a segunda etapa ficar sem rumo. Decorrente disso, é também uma constante a
gumentativo. conclusão ficar inadequada. Igualmente, quando o desenvolvimento apresenta
pouco relevo argumentativo, também a conclusão tende a ser inadequada.
Há três falhas mais recorrentes em concursos:
Fluxo argumentativo
a) A conclusão que não contempla o texto inteiro

/
I
Aborto, uma
I
Argumentos a favor', /
I
Efeitos d~
Veja-se o seguinte texto:
questão de (2linhas] legalização. E um Cc:>D?G o D6D61FESA Oo CoNSLlH~ OOR -tJ F{Lu·co 00 AHA-úUI'!C:ef HE-1-YCO
saúde pública Argumentos contra ato ilegal, uma pena DO W!V <; uHf úo ~ i&RAsr LE.~R_O
[3 linhas] de morte, contra

l
\. / \. a ética ./
. 1-\d <':.JULc=cflj ÓOO-I'Acrv,) C3l C@N\/l<.J.CV'-U ciL.av1
0
~.tJ!.rL2:t..o. m oo
p~o-. Ll,ua.Q~ J'~MAL~ ~ Jl-(!tC< ~J_._ 0
e qur.Q
1

GL _f>\-m:k~ ~~ af2.R.. ~ !V\~(\1\1\a.. Qt'.Y.tfC\1'\A AervvJ.G,


Definição do aborto.
Deveria ser
' O •bocto '"m
crime, um ato Auij.~ o.-~
.CY\c:.\A
GL JJ.-fVVo.C...-.. N.NL- oU of!.v, ('N\0.. Mcl<?M. yx-" ~e_b,,.,
legalizado?
ilegal, antiético, ~ rp<9Jl 0~~ ~Mo~ .R.. tyu"(lh;c.~ ·
'- ~
independente dos {) 1fPNV\.Ill Llb-ffil..~ ~ cfb.A.. 01\AO. M~ hi\M..J3V:, OlÁ -1e ~fh '
\. motivos ~
.b ~V!),. :Q2 Ph.er;.~d'· ? o '?.J/'~~ JJ!Cl Mil fV(JIAd.Po/LaJA.
Base ['0.(9 f:NI..U"l~ . ~· = ~ ~.U.Ll.e.,_oda_~) l.x.MI\
Cobertura
of_t. .L_ ,-.,, ~ ~ ""' .' 1 < 1; '1:>U 1
1
.S:::...W\JV\..0 ;k i\M vU, NY\ 0N\C..CVV.. <..cJ2. c..r.J'c.a..
(Texto motivador )
Q-,.~cv-Jl. ~-~ ~Y"Y\ 'if..J<cJ2. -
~CY\.e?t@ a.Ql'cvvv<V\:h'c.."'~ fXlu.cl~A ...Vt QNV\ fWM~.Pof..au._,
~~<Y.:lUI
' n_ oo -, ~ ~ -
~-J-At_,~C'N'I (I) D'\1\.fJY~~-
~
L.&u"'~ Cl~
l

O volume de argumentação, contra e a favor, é pequeno para a conclusão ~lf.e..M.J.. ..g_ º'·(!,l ~ -. Q.0:;v!V1.&1ef'a>c'\A&t.CVVV. . I ~

a que se chegou. O primeiro parágrafo da segunda etapa não é argumentativo. ~1"""" ~ ""'%~' ~~ Nf'J!A) ""'""""'"" aRL
"~ ~<VVLpeA~~;,. a.._~n az.i!J&.aA fu.~-:1 qu-Gl.fr\.~ J
O terceiro pouco argumenta: já é uma conclusão antecipada. Dizer que é ilegal, CN\.D'~-J _('(\~
· YJLQI\IV'.. ~~ -(1 -- . .
imoral, antiético são juízos de valor que precisariam de maior fundamento ---&Nfd.AZ9-
.

pau~OI\..(J,)
Cl.(ll)\.
QjV\1\..o. '
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1 ~,-v.-e_ .....U.t'VV\
_ffia.A.
argumentativo.
AMo." ~ -a0. .r:YY'-C9-_L~czs~.J.cvd-a..a <..M..~'

3. Falhas na conclusão
~'(> íb_'&A ~G'V h, ahY~
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A prática pedagógica tem mostrado que as falhas na conclusão são de- f'{'{\1~ J-ep_ç§_o.. o. Co•.&dc.n (J"'l(Qci:J;.ol\k._ r,e~../.-s, J.;uA.(C'O<-<
correntes da falta de base com relevo e roteiro argumentativo, bem como da MZ~J'ca..n. M_.e.w. ~d2~ ~c. M cr2.R.J-t rwvlJ.JJ9 ~ Ô.<'\
ausência ou falhas na argumentação. ...2.'11-k"'QI(mc..oOtA. do, ÁC!LCJ.o _e_&o._d2;;-

/li ·.\ lo ·lO/


17 ' 1 1 1 'K
Percebem-se, nesse texto, além de muitos problemas de ordem microes- 16
17
lrulural, elementos macroestruturais que chamam atenção. 18
19
i) O primeiro parágrafo denuncia a "série de desmandos perpetrados
20
por órgãos públicos e privados". O segundo esquece os tais "órgãos 21
públicos e privados" e apresenta uma lista (numerada) de problemas 22
referentes apenas a acontecimentos comerciais. 23

ii) Não se pode inferir, como faz o terceiro parágrafo, que esses problemas {Texto 41]
tenham sido a causa do "paulatino amadurecimento do cidadão".
iii) O último parágrafo pretende ser a conclusão. Mas o orientador enfim Do texto acima, podemos fazer algumas observações:
sinaliza para o último argumento, que n ão veio. 0 A base não apresenta contextualização, tema/problema, nem roteiro
Porém, se tomarmos esse parágrafo como conclusão, observa-se um de análise. Limita-se a repetir e justificar o óbvio. A partir daí, o texlo
elemento novo nele: a referência explícita ao "Código de Defesa do perde o rumo.
Consumidor". Em nenhum momento do texto, houve argumentação 0 O segundo parágrafo pretende ser a etapa da argumentação. Como não
para se poder inferir que "toda a cadeia produtiva do país buscou cer- houve a problematização ou contraponto na base, os dois primeiros
tificar [?] seus produtos para atender às exigencias [sic] da sociedade". períodos são apenas descritivos, sem nenhuma marca de argumentação.
Pode-se, então, dizer que o telhado ficou maior que a construção ou O terceiro período, apesar da marca de relevo infelizmente, não lcm
era de outra obra. ligação com os dois anteriores. Na verdade, trata-se de uma operaçüo
colar/copiar do texto motivador da Banca.
b) Do texto não se pode inferir a conclusão apresentada 0 O último parágrafo explícita que quer ser uma conclusão do lcxto.
Analisemos o texto a seguir: Acontece que a quantidade/qualidade (a falta) de argumentação núo
permite inferir a conclusão apresentada.

c) A conclusão é um novo argumento


examinador

Esta falha apresenta um número muito elevado de ocorrências. Sua cau


sa se deve, provavelmente, à falta de planejamento. É comum confundir-se os
orientadores por fim, enfim ou em suma como sendo conclusivos. Na verdade,
trata-se de formas introdutoras do terceiro estágio da segunda etapa.
6
7 Veja-se o texto a seguir. A cobertura não é um último argumenlo. No
8 entanto, coloca-se a seguinte questão: a conclusão respondeu à pergunta in ic ia I?
9

TI
i2
13
14
15 ' ' ~ " ~
~-- " o, .i!

174 1"/ '•


Examine-se o texto pelo diagrama abaixo:
ILMA: A~t·dr),\lrode dà\ dÀri o&xDro d()}) ~~~1Jé de Cptn.UhÍ. Cí
Responsabilidade dos dirigentes dos meios de comunicação
Extensão máxima: 30 linhas

2 Abrangência da
mídia
3 Responsabilidade
4 dos dirigentes
Mesmo com a im
5 posição, teremos
Esta sociedade tem
6 uma opinião forma- sempre nossa ra-
da sobretudo [sic]? zão, defenderemos
7 nossas opiniões
8 Base
Cobertura
9
10 Existem abrangência e análise argumentativa nos dados para se poder
11 chegar à conclusão apresentada? O texto comprova o que dissemos acima: a
12 falta de argumentação gera uma conclusão inadequada.
13
14
4· Conclusão
15
Queremos fechar o capítulo e esta obra com a análise de um texto:
16
17
Extensão máxima: 30 linhas
18
19
2
20
21
22
23
24
25
26
27
28

{Texto 42]

~7 177
16
Entre outras observações, destacamos as seguintes:
17
18 a) No fechamento faltou uma referência explícita à qualidade de vid.1
19
focalizada na base.
20
21
b) Na base, faltou uma melhor contextualização, a colocação do lema/
22 problema. Mesmo assim, o redator, no segundo período, faz duas a fi r
23 mações a respeito da soberania de um país que vão servir de roteiro
24 para todo o desenvolvimento.
25
c) O segundo parágrafo está relacionado com a base mostrando o que
26
27
é um estado soberano e desenvolvido. A consequência conclusiva do
28 parágrafo é muito clara.
29 d) O orientador discursivo além disso, no início do terceiro parágrafo, serve
30 para sinalizar uma retomada do anterior e uma continuação da direção
argumentativa no sentido de que o novo argumento é decisivo. Mostra
[Texto 43] que o desenvolvimento tecnológico só é adequado quando melhora a
Diagrama do texto: qualidade de vida de sua população. O relevo argumentativo é evidente
com o uso de dois sinalizadores de raciocínio concessivo: embora/ ainda
Importância da Ciência & Tecnologia que. Há como que uma balança de argumentos, ficando destacado o
---T I maior peso para os enunciados que se contrapõem à concessão.
Dado 1 Além disso Dado 2
e) Cada argumento ou dado apresenta uma relação de causalidade. Há
Dificuldade Balança
de Pagamento
Países sem tecnologia

Países com
'A' Qualidade de vida
exposição de dados dentro de uma estrutura argumentativa.
f) Como houve argumentação suficiente e relevante, o parágrafo con
clusivo é uma retomada não só da base, mas de toda a argumentação.
De duas formas mostra-se que o parágrafo é conclusivo: o emprego
do orientador conclusivo portanto e o do verbo inferir. Mas, cremos,
conhecimento
ficaria melhor se tivesse havido uma retomada do tópico bem-estar
Soberania/qualidade Subsídios aos mais carente
devida social, conforme foi assinalado na base.

Portanto, confirma-se que


Inferência:
Presença de ciência & tecnologia
Ausência de ciência e tecnologia
Soberania e bem-estar social Não existe argumentação sem conclusão
Falta de soberania e independência

BASE Não existe conclusão sem argumentação


COBERTURA

No encerramento desta obra, apresentamos, no último capítulo, um de


vado número de exemplos de textos completos. Serviram como uma rad iogralt,l

1'/9
l78
de corpo inteiro com o objetivo de mostrar a dificuldade que têm os candidatos
de, a partir da base, chegar a um fechamento adequado.
As análises evidenciam que há uma sequência argumentativa, uma arqui-
tetura textual que precisa ser planejada desde a base para se chegar a um bom
termo na cobertura ou conclusão.

180
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Aprendi que, se tenho problemas na escola, tenho mais aind a em l ·' ~'' ' ·
(12 anos)
Aprendi que os grandes problemas sempre começam pequenos. (20 a rH1s)
Aprendi que se pode fazer em um instante algo que vai lhe dar dor dt:
cabeça a vida toda. (28 anos)
Aprendi que, se você está levando uma vida sem fracassos, você não cst;\
Temas dis s er tativos correndo riscos o suficiente. (42 anos)
Aprendi que o objeto mais importante de um escritório é a lata de lixo. (54 anos)
Tema I (Senado I 2002) Aprendi que todas as pessoas que dizem que "dinheiro não é tudo" gc
Desde os fins do século passado, a curiosidade científica vem-se concen- ralmente têm muito. (66 anos)
trando, com especial denodo, na experimentação. O resultado disso é uma série Aprendi que, quando as coisas vão mal, eu não tenho que ir com elas. (72 anos)
infindável de descobertas inéditas que vieram modificar sensivelmente o ritmo Aprendi que tenho muito a aprender. (92 anos)
e os rumos da vida atual, traduzindo-se em extraordinário progresso, não só no
Texto obtido via correio eletrônico.
que diz respeito à produção, como também no que tange ao conforto humano.
Assim, em lapso de tempo relativamente curto, o homem, depois de desfrutar do
rádio, do automóvel, do aeroplano, da máquina fotográfica, da televisão, agora
Considerando que as ideias apresentadas nos textos acima têm caráter
passa a contar com a Internet, para encurtar as distâncias do mundo hodierno.
unicamente motivador, redija um texto dissertativo, posicionando-se acerca
Elvo Clemente (Org.). Português básico (com adaptações). do seguinte tema.

Os meios de informação têm uma importância particular para a nossa A responsabilidade dos dirigentes dos veículos de comunicação
época. São grandes multiplicadores. Do mesmo modo que as máquinas da Re- na circulação das informações formadoras da opinião pública.
volução Industrial nos permitiram multiplicar as forças humanas por outras
formas de energia, as máquinas de informar da revolução das comunicações
multiplicam as mensagens dentro de uma medida sem precedentes. Tema 11 (Senado I 2002)
No entanto, os meios de informação mais modernos estão concentrados
nos grandes centros humanos; eles são aproveitados somente por uma minoria Texto 2 - Resumo
da população.
A sociedade só pode ser compreendida por meio de um estudo das
M. C. d'Azevedo. Comunicação, linguagem, automação. mensagens e das facilidades de comunicação de que se disponha; no fut uro
desenvolvimento dessas mensagens e facilidades de comunicação, as mensagens
Aprendendo a viver pela Internet entre homens e máquinas, máquinas e homens e máquinas e m áquinas estão
Aprendi que meu pai pode dizer um monte de palavras que eu não posso. destinadas a desempenhar papel cada vez mais importante.
(8 anos) Quando é dada uma ordem a uma máquina, a situação não difere esscn
Aprendi que minha professora sempre me chama quando eu não sei a cialmente da que surge quando a mesma ordem é dada a um a pessoa . Natural
resposta. (9 anos) mente, há diferenças de detalhes nas mensagens e nos problemas de comando

184 18•.
nao apenas entre um organismo vivo e uma máquina, como dentro de cada novos desempenhos do conjunto. Tal desempenho, quer n a m áquin a, qu e 1 11 0
classe de seres, quer animados, quer inanimados. animal, faz-se efetivo em relação ao mundo exterior, não se resumindo apt'll.l ~
As ordens de comando, por via das quais exercemos controle sobre em formulação do novo tipo de desempenho proporcionado, m as co m 11111
nosso ambiente, são uma espécie de informação que lhe transmitimos. Como verdadeiro comando e registro do instrumento regulador central.
qualquer outra espécie de informação, essas ordens estão sujeitas a uma certa Nenhuma teoria da comunicação pode, evidentemente, evitar a di sc us
desorganização em trânsito. Geralmente, chegam a seu destino de forma menos são da linguagem. A linguagem é, em certo sentido, outro nome para a própri a
coerente - e, certamente, não de forma mais coerente - do que quando foram comunicação, assim como uma palavra usada para descrever os códigos por
emitidas. Em comunicação e controle, estamos sempre em luta contra a tendên- meio dos quais se processa a comunicação. O uso de mensagens codificadas c
cia da natureza de degradar o orgânico e destruir o significativo; a tendência, decifradas é importante, não apenas para os seres humanos, mas também pa ra
conforme nos demonstra Willard Gibbs, de aumento da entropia. os outros organismos vivos e para as máquinas usadas pelos seres humanos.
Gibbs considera não um mundo, mas todos os mundos que sejam respos- M. C. d'Azevedo. Comunicação, linguagem, automação.
tas possíveis a um grupo limitado de perguntas referentes ao nosso ambiente. Porto Alegre: UFRGS, 1970, p. 49-51 (com adaptações).
Sua noção fundamental diz respeito à extensão em que as respostas que possa-
mos dar a perguntas acerca de um grupo de mundos são prováveis em meio a Redija um resumo das ideias do excerto acima, organizando-as em pa-
um grupo maior de mundos; essa probabilidade tende a aumentar conforme o rágrafos sequenciais, de forma a manterem a estrutura dissertativa. O texto
universo envelhece. A medida de tal probabilidade denominamos entropia, e do resumo deve ser coerente, fiel ao original, evidenciar o entendimento da
sua tendência característica é de aumentar. m ensagem, sem marcas de subjetividade.
O homem está imerso em um mundo ao qual percebe por intermédio
(extensão máxima: 30 linhas I valor: dez pontos)
dos sentidos. A informação que recebe é coordenada por meio de seu cérebro e
sistema nervoso até, após o devido processo de armazenagem, coleção e seleção,
Tema III (Ancine I 2005)
emergir através dos órgãos motores, geralmente os músculos. Esses, por sua vez,
agem sobre o mundo exterior e reagem, outrossim, sobre o sistema nervoso cen- ® Nesta prova - que vale quinze pontos -, faça o que se pede, usando
tral por vias de órgãos receptores, tais como os órgãos terminais da cinestesia; os espaços indicados no presente caderno para rascunho.
e a informação recebida pelos órgãos cinestésicos combina-se com o cabedal de
Em seguida, transcreva o texto para a FOLHA DE TEXTO DEFINITI
informação já acumulada, para influenciar as futuras ações.
VO DA PROVA DISCURSIVA, no local apropriado, pois não serão avaliados
O funcionamento físico do indivíduo e o de algumas máquinas de comu- fragmentos de texto escritos em local indevido.
nicação são muito semelhantes no sentido de tentarem dominar a entropia, por
meio de um mecanismo do tipo feedback. Tal realimentação ou autocorreção ® Qualquer fragmento de texto que ultrapassar a extensão máxim a de
parece ter-se tornado norma tanto nos organismos inanimados como nos vivos. trinta linhas será desconsiderado.
Em ambos, notamos a existência de um instrumento especial para coligir os ® ATENÇÃO! Na folha de texto definitivo, identifique-se apenas no
elementos do mundo exterior e incorporá-los ao indivíduo ou à máquina. Em cabeçalho da primeira página, pois não será avaliado texto que ten ha
todos os casos, as mensagens externas são transformadas para a assimilação, qualquer assinatura ou marca identificadora fora do local apropr iado.
de acordo com os aparelhos internos que os assimilam.
Tais transformações permitem à informação obtida uma integração no Em 2003, o cinema nacional viveu o auge de um ciclo de sucesso iniciado
orga nismo assimilador, a ponto de passarem a ter uma influência imediata nos nos anos 90, com a implementação de uma política de fom ento ao desl!/1 1101

186 I IJ"(
vimento do audiovisual, ancorada em incentivos fiscais estabelecidos pelas A democracia, na América Latina, vem avançando pela via Jorlllal.
leis n. S 8.313/1991 (Lei Rouanet) e 8.685/1993 e revigorada em 2001 com a
0
Eleições, posses de novos governantes, crescimento econômico lllétlio c•
publicação da Medida Provisória n. 0 2.228, que criou a Agência Nacional saudável caracterizam o ambiente democrático na região.
de Cinema (ANCINE). Em 2003, 29 filmes nacionais foram lançados no
circuito exibido r e vistos por quase 22 milhões de espectadores, o que gerou
uma receita de US$ 50 milhões e a conquista de 21% do mercado interno. Considerando o tema acima, redija um texto dissertativo, abordando,
necessariamente, os seguintes aspectos:
Sérgio Sá Leitão e Manoel Rangel. Internet: <http://www.cultura.gov.br!
0 relações entre as regras da democracia formal e os avanços da demo
noticias/artigos>
cracia participativa na América Latina;
(com adaptações). 0 novos governos eleitos em 2006 e suas proposições políticas;
0 lugar dos setores sociais menos favorecidos nesse ambiente democrático;
0 lugar da educação nas democracias latino-americanas.
Considerando as informações acima, elabore um texto dissertativo
acerca das razões estruturais e contextuais que levaram à recuperação do Tema V (INPI I 2006)
cinema brasileiro, apenas uma década após o fracasso de 1992, ano em que
foram lançados somente três filmes nacionais, vistos por 36.000 pessoas (0,05%
''Meditai se só as nações fortes podem fazer ciência ou se é a ciência que as
do mercado interno). Em seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes
torna fortes". O provocador convite emana de um dos mais brilhantes cien-
aspectos:
tistas brasileiros, Walter Oswaldo Cruz, do Instituto Oswaldo Cruz. Falecido
0 trajetória recente do setor;
em 1967, o pesquisador possuía exata noção do peso dos investimentos em
0 leis de fomento ao desenvolvimento do audiovisual;
ciência e tecnologia (C&T) na construção dos poderes econômicos sustentáveis.
0 fatores que ajudam a explicar o sucesso de 2003;
0 sintonia entre a oferta de filmes e a demanda objetiva e subjetiva do Renato Cordeiro. Só as nações fortes podem fazer ciência? In: Correio
público. Braziliense, 7/3/2006, p. 19.

Tema IV (TSE I 2006)


Com base no tema do fragmento de texto acima, redija um texto disser
0 Nesta prova - que vale dez pontos -, faça o que se pede, usando os tativo acerca da relevância da ciência e tecnologia
espaços indicados no presente caderno para rascunho. Em seguida, 0 para o desenvolvimento das nações;
transcreva o texto para a FOLHA DE TEXTO DEFINITIVO DA 0 em países em desenvolvimento como o Brasil;
PROVA DISCURSIVA, nos locais apropriados, pois não será avaliado 0 para o fortalecimento da soberania nacional;
fragmento de texto escrito em local indevido. 0 para o melhoramento da qualidade de vida das populações naciona i~>
0 Qualquer fragmento de texto além da extensão máxima de oitenta
linhas será desconsiderado. Tema VI (ABIN I 2008)
0 Na folha de texto definitivo, identifique-se apenas no cabeçalho da
primeira página, pois não será avaliado texto que tenha qualquer as- 0 Nesta prova, que vale dez pontos, faça o que se pede, usando o l'SI , .. \ ',
sinatura ou marca identificadora fora do local apropriado. para rascunho indicado no presente caderno. Em seguida,tra si Mst·v.l

188 lll'l
o texto para a FOLHA DE TEXTO DEFINITIVO DA PROVA DIS- dão. Os usuários de serviços públicos, além de mostrarem um nível elevado 1
CURSIVA, no local apropriado, pois não será avaliado fragmento de insatisfação com a qualidade do atendimento, passaram a exigir, cada vez lll ,t l
texto escrito em local indevido. a prestação de serviços de qualidade.
® Qualquer fragmento de texto além da extensão máxima de trinta linhas
será desconsiderado.
® Na folha de texto definitivo, identifique-se apenas no cabeçalho da Considerando que o texto acima tem caráter unicamente motívador, redija
primeira página, pois não será avaliado texto que tenha qualquer um texto díssertatívo acerca do seguinte tema.
assinatura ou marca identificadora fora do local apropriado. O usuário dos serviços públicos: contribuinte e cidadão.

Serviços de inteligência são justamente organizações que dependem do segredo Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspecto:-:
sobre seus métodos de atuação e suas fontes de informação para operar de forma
< a ineficiência e a ineficácia do atendimento ao público em geral;
eficaz. Na medida em que o processo de ínstítucionalização desse tipo de organi-
< a contribuição da tecnologia para a melhoria dos padrões de accss'
zação implica não apenas um esforço para tornar-se estável (o que depende da
disponibilização e fornecimento dos serviços públicos;
agilidade), mas também uma busca por reconhecimento e valor aos olhos dos
cidadãos (o que depende da transparência), não se pode simplesmente contornar
< transparência e controle da administração pública, e a participa~,,
o problema de forma pragmática, dizendo que a existência de segredos governa- direta dos cidadãos nos processos decisórios.
mentais e de serviços de inteligência constituí exceção a uma regra ou princípio.
Tema VIII (TRT-ES /2009)
Marco Cepik. Espionagem e democracia.
Rio de Janeiro: FGV, 2003, p. 16-7 (com adaptações). ® Nesta prova, faça o que se pede, usando o espaço para rascu1tl11
indicado no presente caderno. Em seguida, transcreva o texto p.11
a FOLHA DE TEXTO DEFINITIVO DA PROVA DISCURSIV/\
Considerando que o texto acima tem caráter unicamente motivador, no local apropriado, pois não serão avaliados fragmentos de tcxh
redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema. escritos em locais indevidos.
® Respeite o limite máximo de trinta linhas. Qualquer fragmento d
Segredo de estado e cidadania texto além desse limite será desconsiderado.
® Na folha de texto definitivo, identifique-se apenas no cabeça lho d
Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:
primeira página, pois não será avaliado texto que tenha qua lqtw
< relação entre segredo de Estado no regime democrático e cidadania; assinatura ou marca identificadora fora do local apropriado.
< atuação dos órgãos de inteligência no Estado democrático e seus limites;
< evolução da área de inteligência no Brasil - do regime militar ao re-
gime democrático. Pedro ingressou com reclamação trabalhista contra a empresa Alfa, ale
gando que teria trabalhado nessa empresa, como empregado, no periodo
Tema VII (TRE-GO I 2008) de 2/5/2006 até 15/7/2008. A empresa Alfa, em contestação, alegou que
As alterações nas relações entre a administração pública e seus usu ários Pedro não seria seu empregado, mas sim seu representante comercial. Ale
são decorrentes, em geral, da crise gerada pelo atendimento defi cient e ao cida-

190 191
<as condições necessárias à viabilidade econômica do empreendimento;
gou também, em preliminar, a incompetência da justiça do trabalho para
<as condições físicas e meteorológicas da costa necessárias à aproximaçao
julgar a referida ação.
das embarcações;
No entanto, por meio de sentença trabalhista,foi assegurado a Pedro o reco- < as ligações entre a costa e seu hinterland e o impacto ambiental dessas
nhecimento do vínculo empregatício, além de saldo de salário retido, aviso
ligações.
prévio, 13° salário e férias, conforme pedido. Não houve, por outro lado, de-
terminação de recolhimento das contribuições 'sociais em relação aos salários
Tema X {lhama I 2009)
do período do vínculo, mas apenas em relação às parcelas da condenação.

A empresa Alfa não interpôs recurso, mas a União, quando intimada da 0 Nesta prova, que vale 10 pontos, faça o que se pede, usando o espaço
sentença, interpôs recurso ordinário, com vistas a determinar a cobrança indicado no presente caderno para rascunho. Em seguida, transcreva
judicial também das contribuições sociais que deveriam ter sido recolhidas o texto para a FOLHA DE TEXTO DEFINITIVO DA PROVA DIS
ao longo do vínculo de emprego e que não o foram. CURSIVA, no local apropriado, pois não serão avaliados fragmentos
O recurso ordinário foi julgado improcedente, razão pela qual a União de texto escritos em locais indevidos.
interpôs recurso de revista para o Tribunal Superior do Trabalho (TST). 0 Respeite o limite máximo de trinta linhas. Qualquer fragmento de
Este, por sua vez, conheceu o recurso e negou-lhe provimento. texto além desse limite será desconsiderado.
0 Na folha de texto definitivo, identifique-se apenas no cabeçalho da
primeira página, pois não será avaliado texto que tenha qualquer
Com referência à situação hipotética acima apresentada, redija um texto assinatura ou marca identificadora fora do local apropriado.
dissertativo que aborde, necessariamente, de forma objetiva e fundamentada,
Elabore um texto dissertativo acerca do tema
os seguintes aspectos:
< competência da justiça do trabalho para determinar o recolhimento da Gestão, Proteção e Controle da Qualidade Ambiental.
contribuição social destinada à seguridade social, no caso em tela;
< competência da justiça do trabalho para julgar, no caso em questão, Em seu texto aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:
reclamação trabalhista que envolva contrato de representação comercial; < Convenção de Basileia;
<possibilidade, no caso em apreço, de interposição de novo recurso contra < Convenção de Estocolmo;
o acórdão proferido pelo TST. < Convenção de Roterdã;
< as interdependências entre si, relacionando-as com a Agenda 21.
Tema IX (ANTAQ I 2009)

Redija um texto dissertativo acerca dos cuidados a serem observados pelo


projetista durante o estudo de viabilidade da implantação de um porto. Em seu
texto, aborde necessariamente os seguintes tópicos:

192 193
0 principais métodos e técnicas para a realização do mapeamento dr
Tema XI (Técnico Administrativo - MPU f 2010)
competências;
0 encadeamento de passos ao se realizar esse mapeamento;
0 aplicação dos resultados do mapeamento.
W.ola ~ ~.n-. J>OIIo\ _.., a - n JftT" ._,.,}o io,dicodn ... ~.10 ....to.-- &.1 H!lli<la, I""'C...... D l aiD pn!
........
• IFOI.JIA IDI: ft'_U'{)Ilii:J'INWIVO I>... I'IJt0\/ 4 lli!ICII JJl!ll...'lt, no "'""'~1'"'1' 11<'1 • l!l n - -•11. .,. ~ d•
. ...... - . . . . .. - - - S<:ot..:lo...,,>âü:a&lu, -··~
dt!lllhlw~ .
r........-..• ....., 'l"" • ..._._ ... .,........,a....,. ·Questões discursivas
W. f'!OU'I "' Dt:TliXTüDEFII'li11VOlM t ~U\111. pm;utcllllllt.~nl<n - IO<fi'!:BVir'lldr"""""""'"w.~...,l"'v!o•
Dll<lllfi"- -nl-. ldrwilql•"' " rapoil• 111&'..,_,.,....,_ ........,.,, 'N,.a!!"9<k «JTI1. n~~~~"""' um ,,.....,;..pl..-, • poloovn!. I. TCU I 2008
• - · <>tm:bo ou.<> -lj.TI>II<» • ...,.,.... .,., ~I<IJoo ·~il- l i hi"" AI~ porl!- .,...,.-.,..,.-.._.!**!AI
llali!odo,
0 Nesta prova - que vale vinte pontos, sendo dez pontos para cada
questão - , faça o que se pede, usando os espaços para rascunho in
OS 3 t r.>SI>!õ 03 ~ .,. ..., -.JÇS<l d"' l'f~ de lntr-vWr.11 é • ~~ dOI pt..>éJO-o j>af.. .a

O>il;i CIO "'"nd<o do!~ 14 mtig ~o <BI1'M!mbrtl5 lfO 5WI<IIoii:D Nlld""""<los &'ri p!'KIIII de Arq)lltfiur<~ dicados no presente caderno. Em seguida, transcreva os textos para o
., l!!'f>gl!nhill'lo CDMutttw.o. S"'IIJndo um ~.._......ntlllÍ'I'lli<W:i~lonalo.<IMdól...._,llaç~o. "'"""' ...........,. Pllll<!m CADERNO DE TEXTOS DEFINITIVOS DA PROVA DISCURSIVA
·Qtl'!l' ~Qt d• I""""' • d1 dlp' - , . ollt<J """""'" obrn" .. s.vl'i<'> t...-t....,
_
"""'' ....., ""roo.
. ........ ..... _ .,.._ ~ ............. P 3 , nos locais apropriados, pois não será avaliado fragmento de texto
escrito em local indevido.
•·-Í!IfriiiÍ<>q., ".......,.""'"" ....., 11d11111lfm .,.,.,.,.. .,_...,.,,lldlll', rrdijllal"'"' ~ 10<1'111 11<> sq.ul.nO< ,.nu. 0 Em cada questão, qualquer fragmento de texto além da extensão máxi
" ·a~c: .... oo nAMUoM&NTU t'41AR.<oJ•5l!Cp, TAUClU • - IIAQON,II/11..) PAM ma de vinte linhas será desconsiderado. Será também desconsiderado
O'IIUa::JIOI:IA !t~ 111111 ~A IIIO!IIIIII'IIIIOIH :IDI 4 NO &ll:Aiiillll.
o texto que não for escrito no espaço correspondente do caderno de
textos definitivos.
0 No caderno de textos definitivos, identifique-se apenas no cabeçalho
Tema XII (Analista Administrativo - MPU I 2010) da primeira página, pois não será avaliado texto que tenha qualquer
assinatura ou marca identificadora fora do local apropriado.
O Decreto no 5.707, de 23/2/2006, instituiu a política e as diretrizes para
o desenvolvimento de pessoal da administração pública federal direta , Questão 1
autárquica e fundacional. As finalidades dessa política são a m elhoria da
eficiência, da eficácia e da qualidade dos serviços públicos prestados ao Leia o texto abaixo, que se refere ao Tribunal de Contas de Portugal.
cidadão, bem como o desenvolvimento permanente do servidor público e
a adequação das competências requeridas dos servidores aos objetivos das
A Constituição da República Portuguesa de 1976 incluiu o Tribunal de Con-
instituições, tendo como referência o Plano Plurianual, a divulgação e o
tas no elenco dos Tribunais, qualificando-o como órgão de soberania - a
gerenciamento das ações de capacitação e a racionalização e efetividade
par do presidente da República, da Assembleia da República e do governo.
dos gastos com capacitação.
Definido como verdadeiro tribunal, a ele se aplicam os princípios gerais
constitucionalmente estabelecidos para os tribunais, dos quais se destacam:
Considerando que o texto acima tem caráter unicamente motivado r, redija
um texto dissertativo acerca da importância do mapeamento de competências < O princípio da independência e da exclusiva sujeição à lei;
em uma organização pública para a implantação da referida política. Ao elaborar < O direito à coadjuvação das outras entidades;
se u tex to, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos: < Os princípios da fundamentação, da obrigatoriedade e da prevalência
das decisões;

lq'i
194
Questão 2
< O princípio da publicidade.
Garantia essencial da independência do Tribunal de Contas é a indepen- Maria, servidora pública federal, requereu a concessão do benefício de
dência do seu presidente e de seus juízes, que por isso está necessariamente aposentadoria pelo regime próprio, o qual lhe foi concedido por força da
abrangida pela proteção constitucional daquela. Portaria n. o X, de 5 de março de 2003, pela autoridade competente do órgão
no qual estava lotada. Remetido o processo administrativo para o Tribunal
O princípio da independência dos juízes determina não apenas a sua inamovibi-
de Contas da União, este, sem intimar Maria a se manifestar, entendeu que
lidade e irresponsabilidade, mas, igualmente, a sua liberdade perante quaisquer
ela não preenchia os requisitos para aposentar-se, pelo que negou o registro e
ordens e instruções das demais autoridades e, bem assim, a definição de um
determinou ao órgão, em 6 de maio de 2008, o retorno de Maria ao serviço.
regime adequado de designação, com garantias de isenção e imparcialidade que
evitem o preenchimento do quadro da magistratura deste tribunal, tal como Com base nessa situação hipotética, responda, de forma fundamenta<.!;~ ,
dos restantes, de acordo com os interesses do governo ou da àdministração. às indagações a seguir:
Definido como "o órgão supremo de fiscalização da legalidade das despesas < Houve nulidade na decisão proferida pelo TCU diante da inexistênci.1
públicas e de julgamento das contas que a lei mandar submeter-lhe", o de intimação para se promover a defesa de Maria?
legislador constituinte elegeu o Tribunal de Contas à categoria de tribunal
<Qual seria o órgão judicial competente para julgar eventual mand:..ult•
especializado, de natureza financeira, profundamente diferente das demais
de segurança a ser impetrado por Maria?
categorias de tribunais em matéria de competências.
< Há prazo decadencial para que a administração anule o ato contidt
Na verdade, a Constituição realça que o Tribunal de Contas não tem apenas na Portaria n. 0 X?
funções jurisdicionais mas igualmente funções de outra natureza, nomea-
damente "dar parecer sobre a Conta Geral do Estado".
11. TCU I 2009
Além do mais, a sua competência constitucionalmente fixada pode ser am-
pliada por via de lei, dispondo expressamente a Constituição neste sentido. Questão 1
Em conclusão, o Tribunal de Contas é, estrutural e funcionalmente, um 0 Nesta prova, faça o que se pede, usando os espaços para rascunho 111
tribunal, mais propriamente, um tribunal financeiro, um órgão de sobe-
dicados no presente caderno. Em seguida, transcreva os textos par a <
rania, um órgão constitucional do Estado, independente, não inserido na
CADERNO DE TEXTOS DEFINITIVOS DA PROVA DISCURSI V
administração pública, em particular, no Estado/Administração.
P l ' nos locais apropriados, pois não serão avaliados fragmentos ,j.
O tribunal de contas na atualidade. Internet: <www.tcontas.pt> texto escritos em locais indevidos.
(com adaptações).
0 Qualquer fragmento de texto além da extensão máxima de linhas d 1'4
ponibilizadas [20] será desconsiderado. Será também desconsidc1 .td•
Considerando que o texto acima tem caráter unicamente motivador, o texto que não for escrito no espaço correspondente do cadernu cl
discorra, de forma fundamentada e de acordo com a Constituição Federal textos definitivos.
brasileira, sobre os seguintes aspectos: 0 No caderno de textos definitivos, identifique-se apenas no cabe~ .1111
< natureza jurídica do TCU; da primeira página, pois não será avaliado texto que tenha qualq111
< relação entre o TCU e o Poder Legislativo; assinatura ou marca identificadora fora do local apropriado.
< eventual vinculação hierárquica da Corte de Contas com o Congresso
Nacional.

lO
19'/
l:m maio de 2009, pela primeira vez em sua história, a universidade pública globalização, de maneira geral, trouxeram benefícios a muitos países e aos Sl'tt'
X foi contratada pela universidade particular Y para realizar o vestibular cidadãos. O comércio permitiu a essas nações o benefício da especialização l ' .1
em benefício da contratante. Todos os custos foram pagos diretamente pela produção em escalas maiores e, portanto, mais eficientes. Elevou a produtivid.t -
universidade privada, ficando a cargo da universidade pública X apenas de, permitiu a difusão de conhecimento e tecnologia e aumentou o escopo tLt ~
a administração do empreendimento e a alocação de pessoal para realizar opções disponíveis aos consumidores. Porém, a maior integração à econottlt,t
todo o processo. Em face da prestação do referido serviço, a universidade global não é necessariamente popular, e os benefícios da globalização não dll·
pública auferiu da contratante uma receita de prestação de serviços que garam da mesma forma a todos os setores da sociedade.
não estava prevista na lei orçamentária federal. OMC. Relatório da Organização Mundial do Comércio 200'1
Diante dessa situação hipotética, discorra, de modo fundamentado, se a a) Com base no excerto acima e nas teorias clássica e neoclássi ca do
rece~ta auferida pela universidade pública X é orçamentária ou extraorçamen- comércio internacional, explique as razões que levariam diversos
tária e esclareça, também de modo fundamentado, sob que tipo de classificação países a comerciar entre si. Em sua resposta, discorra sobre as di k
essa receita deveria ser contabilizada. rentes teorias, assinale suas limitações e reflita sobre a naturez a d .t
inserção de um país no comércio internacional à luz das referida s
Questão 2 teorias.
b) Com base no arcabouço analítico da CEPAL, discuta os efeitos d ,t
Em determinado edital de licitação destinado à contratação de emprei-
teira, o órgão licitante: deterioração dos termos de troca para a inserção de um país no com é r
cio internacional. Explique a visão cepalina sobre o desenvolvimento
0 exigiu que os interessados possuíssem, em seu quadro de pessoal, na data desigual da economia mundial.
prevista para a entrega da proposta, engenheiro que tivesse atestado de
responsabilidade técnica por obra igual; Extensão máxima: 60 linhas
0 dispensou a comprovação de responsabilidade técnica relativa às pecu- (Valor: 30 pontu~)
liaridades de menor relevância.
Prova de Política Internacional
Considerando a situação hipotética acima apresentada, responda [em 20
Questão 1
linhas], de modo fundamentado, se a exigência e a dispensa, na forma descrita,
configuram ilegalidades que afrontem o princípio da livre concorrência (ou Avalie os elementos de continuidade e inovação da política externa br;t
isonomia). sileira atual e estabeleça paralelos e contrastes com visões de mundo preva ll'
centes em períodos anteriores, como o da "Política Externa Independente" l' n
III. Instituto Rio Branco I 2010 do "Pragmatismo Responsável".

Prova de Economia Extensão máxima: 90 Ii nlw


(Valor: 30 pontuN)
O comércio internacional é fator integrante do processo de globalização.
Ao longo de muitos anos, na maioria dos países, observamos um processo de
abertura ao comércio internacional, seja por meio de maior integração regio-
nal , ou ainda por meio de reformas de programas domésticos. O comércio c a

198
199
Questão 2

A partir de uma perspectiva da mudança global do clima como uma


questão de desenvolvimento, comente:
a) A evolução da posição brasileira no processo preparatório da COP-15
e durante a Conferência;
b) Desafios e vantagens, do ponto de vista doméstico e internacional, que
I. Questão de Direito Tributário
o país terá nas próximas negociações multilaterais sobre o tema.

Extensão m áxim a: 90 linhas


Dtsserte sobre o tema da a responsabtlidadc tnbutúua dos diri gentes c sócios de pcssoltY
(Valor: 30 pontos)
Prova de Geografia Ijurídtcas, observado o seguinte roteiro de abordagem
I) Escreva sobre o art. 135, III, do CTN ("art. !35 -são pessoalmente responsáveis pelos
Questão 1 créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso d1 ·
poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos:. . JJ[ - os diretores, gerentes 11 11
Fenômeno relevante do início do século XXI, as migrações internacio-
representantes de pessoas jurídicas de direito privado"), seu alcance c ap li cabi lidade à lu~ d11
nais globalizaram-se a partir da segunda metade do século XX. Acerca desse
doutrina e ela jurisprudência do STJ.
assunto, redija um texto dissertativo atendendo, necessariamente, ao que se
2) Em seguida, escreva sobre o revogado (pelo art. 79 da Lei 11.941/2009) caput do arl. I I
pede a seguir.
da Lei 8.62011993 ("art. f 3 - o titular da firma individual e os sócios das empresas por cotos ,J,
e Apresente as principais causas do movimento migratório global e os
responsab ilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos r!J/Jitm
principais fluxos da migração internacional.
junto à Seguridade Social") c a jurisprudência do STJ sobre a sua aplicabilidade.
e Relacione o fenômeno da migração internacional do início do presente
3) Por fim, aborde o tema ela possibilidade de redirecionamento da execução fiscal contr1111
século com a questão dos direitos humanos.
responsável tributário e se us correspondentes requis itos à luz da jurisprudência elo STJ.
Extensão máxima: 90 linhas (texto entre 40 e 60 linhas)
(Valor: 30 pontos)
A compreensão do art. 135 , TTT , do CTN , como se sabe, vem sendo realizada de ltHHin
Questão 2 díspar pela doutrina e pela jurisprudência elo Superior Tribunal de Justiça. Os escritun·~,
tributaristas vêm emprestando ao dispositivo interpretação mais fiel ao respectivo texto . 11
Se, em grande medida, a industrialização tardia do Brasil pode ser maioria elos autores que se debruçam sobre o tema tem enfatizado que se cuida aqui dt
responsabilidade de natureza pessoal, ou seja, de hipótese em que o dever de pagamento rcc11i dt
atribuída à ausência de combustíveis fósseis abundantes em nosso território modo exclusivo sobre o admin istrador ela pessoa jurídica, e não sobre esta. Boa parte da dCI\111 i1111
terrestre, as perspectivas para o futuro parecem, ao contrário, bastante pro- identifica no dispos itivo um mecanismo de proteção em prol ela pessoa jurídica contm os 1111111 '
administradores. Muitos autores alirmam que se cuida da adoção da teoria elos atos ultm ''"'''~
missoras. A esse respeito, discorra, sucintamente, sobre as opções de energias Ainda de acordo com parte significativa da literatura, a disposição oferece hipóLL:H\' d•
renováveis e não renováveis do Brasil, conjecturando sobre a fonte que deverá responsabilidade por substituição, eis que a causa ela correspondente suj eição pass i VIl 1
constituir, em breve, o eixo de nossa matriz energética. concomitante ao fato gerador elo tributo. É dizer, a obrigação tributária surge justamente <..: 111 ni!Ot
do ato praticado com excesso de poderes ou ilegalidade por parte elo admini strador . () 111 1•
gerador elo tributo ocorre em razão de ato praticado pelo administrador, em que este se vuil'll d~
Extensão máxima: 90 linhas
abuso de poder ou infração à lei, contrato ou estatuto sociais.
(Valor: 30 pontos)

" Ol
·o o
I)c outro lado, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem atenuado a natureza II. Parecer oficial
pessoal da responsabilidade e mantido a possibilidade de o crédito também poder ser exigido da

~~
pessoa jurídica, o que significa, a rigor, o afastamento da aplicação da teoria dos atos ultra vires.
O ST.I toma a norma, portanto, como mecanismo de proteção à Fazenda, e não à pessoa jurídica.
Bem assim, a Corte tem ap li cado o dispositivo mes mo nas hipóteses em que o excesso de poderes
ou infração de lei, contrato social ou estatuto, dê-se após a ocorrência do fato gerador do tributo,
como ocorre nas hipóteses de dissolu ção irregular (dissolução patrimonial informal) da pessoa
\~J
~
jurídica devedora original elo tributo. Aspecto que também merece destaque é que o STJ tem
reiteradamente negado a apl icação do di sposit ivo às hipóteses de mera inadimplência do tributo.
Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro
Ou seja, esta não significaria infração à lei para efeito ele incidência do dispositivo. Procuradoria -Geral

Parecer PGT/TCE no 05/2007


Embora revogado, o disposto no caput do art. 13 da Lei 8.62011993 esteve em eficácia por
aproximadamente 15 anos. Ele fixava mecanismo de responsabilidade so lidária dos sócios em
relação às contribuições da seguridade social. Cuidava-se de hipótese ele rcsponsa biliclacle que Ementa: Convênios Administrativos. Contratos administrativos em
não dependia, portanto, da prática ele atos de gestão e muito menos da eventual ilega lidade destes.
sentido amplo. Acordos de vontade celebrados por entidades públicas
Esta norma de responsabilidade significava, desse modo, localizado rompimento do princípio da
entidade, na medida e m que punha sociedade e sócio na mesma posição el e devedores de tributos de qualquer espécie, ou entre essas e organizações particulares, para a
oriundos das atividades econômicas ela primeira. realização de objetivos de interesse comum. Não se confundem com os
No entanto, a jurisprudência do STJ, nesse tema, vem recusando a aplicação do di spositivo
sob o argumento de que e le se distanciava do modelo fi xado no art. 135, III, do CTN. Sustenta a contratos administrativos em sentido estrito, que são instrumentalizados
Corte que as hipóteses de responsabilidade tributária devem ser regu ladas em lei complementar a partir de interesses antagônicos. Autonomia contratual da Adminis-
(como é o caso do CTN, desde a Constituição de 1967), e não em lei ordinária. Ainda que
formalmente não tenha declarado a inconstitucionalidade do art. 13 ela Lei 8.620/1993 nos termos tração Pública: decorrência lógica dos múltiplos interesses que lhe são
do art. 97 da Constituição, o STJ (por meio das 1" e 2" Turmas) tem restring ido s ua aplicação às confiados pela Constituição. Separação de Poderes. As restrições às
hipóteses já subsumidas ao art. 135, l!I, do CTN. Tal conduta, enfim, reduz à inocuidacle o
referido art. 13.
contratações só podem derivar de normas explícitas ou das que possam
Muito comum é o requerimento fazendário de redirecionamento da execução fi scal já em ser construídas a partir da interpretação sistemática do ordenamento
curso contra o eventual responsável tributário, especia lm ente nos casos em que o patrimônio da jurídico. Inviabilidade de se restringir, a priori, a possibilidade de ce-
pessoa jurídica não é encontrado ou não se mostra suficiente para a quitaçã.o do crédito
exequeudo. A jurisprudência elo Superior Tribunal ele Justiça vem reiteradamente decidindo pela lebração de convênios administrativos entre a Administração Pública e
possibilidade desse redirecionamento. Abrem-se, nesta questão, duas hipóteses, cujas soluções particulares. A fiscalização da legalidade, legitimidade e economicidade
emergem de fundamento jurídico único: a presunção de legitimidade da certidão extraída da
dívida ativa. Se no título executivo que instrui a execução também consta o nome do responsável
dos convênios. A importância do estabelecimento de parâmetros de con-
tributário, o redirecionamento deve ser, de logo, deferido pelo Juiz da execução. Presume-se, pois, trole. As subvenções sociais e sua possível veiculação através de convênio.
que houve prévia apuração admin islrat.iva da responsabilidade. Nesta situação, caberá ao
responsável comprovar, pelos meios de defesa que lhe são disponíveis, a não-ocorrência da
hipótese de responsabilidade tributária. Se, pelo contrário, o título executivo não tiver sido
produzido contra o responsável , caberá à Fazenda, nos próprios autos da execução, oferecer a
Senhor Procurador-geral,
comprovação da ocorrência da responsabilidade tributária, de acordo com o direito material
correspondente.
I - Introdução:
(A resposta esperada foi dada em 60 linhas, com tipo 13 - Times New Roman, tamanho
que estimamos próximo à letra elo candidato.) A Presidência do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro ~ui
citou a manifestação desta Procuradoria acerca do documento elaborado 1wl
Exmo. Conselheiro Aluisio Gama de Souza com o título "CRITÉRIOS 1'/\ I{
RECEPÇÃO E JULGAMENTO DE CONVÊNIOS OU INSTRUM EN'I'< J
Questcio elaborada pelo Prof João Marcelo Rocha, juiz federal.
EQUIVOCADAMENTE DENOMINADOS DE CONVÊNIOS", que dd111
[Reprodução autorizada pelo autor]

"O ' o·
scgundo o seu entendimento, as diferentes situações de ajustes celebrados pela sobre a sua classificação, ou não, como espécie do gênero contratos (lrala mio \('
Administração Pública. de Administração Pública, do gênero contratos administrativos).
Em primeiro lugar, cumpre louvar a diligência do Exmo. Conselheiro Cumpre-se esta etapa não porque se repute qualquer categorização Wlllll
Aluisio Gama de Souza pela elaboração do documento e a iniciativa dos demais intrinsecamente correta, mas apenas para situar o leitor ao longo do trabaJIH,,
Conselheiros desta Corte em estabelecer parâmetros para a análise dos diversos para que se saiba exatamente a que se faz alusão quando da utilização dc dl·
ajustes celebrados pela Administração Pública, uma vez que, nesse campo, a terminado signo lingüístico 40 •
confusão terminológica e a falta de fixação de standards objetivos de controle Pois bem.
vêm proporcionando práticas pouco transparentes e, por inúmeras vezes, lesivas Não há maiores disputas quanto ao conceito de convênios administrai ivw:,
aos cofres públicos. que seriam "os acordos firmados por entidades públicas de qualquer espécie, ou
E não resta a menor dúvida de que os Tribunais de Contas, quer pela entre estas e organizações particulares, para a realização de objetivos de interc.~sc·
amplitude das suas competências constitucionais, quer pela especialização do comum dos partícipes."41
seu pessoal, assumem papel proeminente na análise da natureza jurídica de tais O mesmo, porém, não pode ser dito em relação ao conceito de contraln:-
ajustes e no estabelecimento dos standards que deverão pautar a aferição da administrativos.
sua legalidade, legitimidade e economicidade pela atividade de controle externo Com efeito, a doutrina mais tradicional entende que os contratos ;td
exercida em concreto. ministrativos, não obstante oriundos de um acordo de vontades (tal como o'
O tema é espinhoso, o que não significa que não deva ser enfrentado, embora convênios administrativos), têm por nota característica, a diferenciá-los do.;
- como em qualquer outro assunto - as conclusões a que se vai chegar sejam, convênios, a contraposição de interesses, que determina o caráter das obriga~,m·'
por evidente, passíveis de crítica, aperfeiçoamento e/ou revisão. devidas de parte a parte.
O seguinte trecho, da lavra de Hely Lopes Meirelles, bem sintetiza t' SSl '
O presente parecer, portanto, embora possua uma "pretensão de correção"
entendimento:
(i.e., uma pretensão de congruência lógica entre as premissas de que se vai partir
"Convênio é acordo, mas não é contrato. No contrato as partes têm interesses
e as conclusões que serão alcançadas), não possui - nem poderia possuir - a
diversos e opostos; no convênio os partícipes têm interesses comuns e coin
pretensão de estabelecer uma verdade absoluta, sendo-nos suficiente que se cidentes. Por outras palavras: no contrato há sempre duas partes (podendo
preste a contribuir, de alguma forma, para as discussões que serão travadas pelos ter mais de dois signatários), uma que pretende o objeto do ajuste (a obra, o
Excelentíssimos Conselheiros sobre o assunto. serviço, etc.), outra que pretende a contraprestação correspondente (o preço,
Passa-se, sem mais delongas, ao enfrentamento da questão. ou qualquer outra vantagem), diversamente do que ocorre no convênio, em
que não há partes, mas unicamente partícipes com as mesmas pretensões.

II - Assentamento das premissas:


40 Afi nal, como explica Humber to À\ -Il .A : "\ ... ] A forma como as categori.1s são denominadas pelo "'"''li fi
é secundária. A necessidade de d tstinçào nüo surge em razão da existência de diversas denomin.,, .. , •. 1 '"

li. 1) Terminologia: contratos administrativos x convênios administrativos. numerosas categorias. Ela d ecorre, em vez disso. da necessidade de diferentes desígnaçúcs I'·"·'"""""
fenômenos . Não se trata, pois, de uma d istinção meramente terminológica. mas de um<l nigi·n, ;,, '" 1 1., •·1.1
Os convênios como espécie do gênero contratos.
conceitual: qua ndo existem várias espécies de exames no plano concreto, é acnnsdhavcl q111' "'·" 1.11 ''"' "'

sejam qua lificadas de modo distinto". (in "Teoria dos Pri11dpios", 2· edi<;'"'· i\Ltlhctro' 201ll.i' I I
Cabe-nos, neste primeiro momento da exposição, por questões de clareza
.\I Hcly Lopes MEIREl.l ES, in "Direito Adll!inistrativo Brasileiro", 2V cdi,.to, ~-lallturm, l'l'l'l.p. Ih! I to/:
mclodológica, assumir nossa posição quanto à natureza jurídica dos convênios e também Mari.1 Sylvia Zand la lll P!FTRO. 111 "Direito iloltllllll.<lnllil'c>", I 2" cd•\·"'· •\ti."· 211110,1• 'H I •• 11•
I' I >•ogr111'S <;,\SI'i\ lU N I. 111 "I )Jrcllo ,\dlllllll<lrlll/1'0>' ., .• cd''''"· ~·"·"'·' '!11111 I' Ih· I I' "T'

G04 o•
Por essa razão, no convênio a posição jurídica dos signatários é uma só, trito, os convênios, os consórcios, os termos de cooperação, etc ... , e um plano
irlê11lica para todos, podendo haver apenas diversificação na cooperação específico ("contrato administrativo em sentido estrito"), que abrangeria, lão
de cada um, segundo suas possibilidades, para a consecução do objetivo somente, aqueles contratos celebrados pela Administração Pública em qu e a
comum, desejado por todos."12 contraposição de vontades é preponderante47 •
Portanto, parte da doutrina administrativa pátria nega a inclusão dos Este também o entendimento de Eros Roberto Grau, que, com bastante
acordos de vontade pelos quais os partícipes almejam objetivo comum no acuidade, atribui aos contratos plurilaterais a denominação de "contratos de
"campo contratual". Tais acordos teriam, antes, a natureza de "atos complexos", comunhão de escopo" e aos contratos administrativos stricto sensu a denomi -
haja vista a ausência da contraposição de interesses supostamente necessária à nação de "contratos de intercâmbio". 48
Gl racterização de verdadeiro contrato.
Cite-se ainda Marçal Justen Filho, para quem, "rigorosamente, a categoria
Outros autores, contudo, vêm chamando atenção para o fato de que, a do contrato administrativo abrange inclusive a figura do convênio, que se sujeita
insistir-se em tratar os convênios como "atos complexos" e não como "contra- a regime jurídico próprio". 49
los", estar-se-ia rompendo a sistemática que deve presidir o qualquer sistema
Parece-nos ser essa a melhor forma classificar os convênios adminis-
jurídico, uma vez que no Direito Civil há muito 43 já se pacificou que os ajustes
trativos. Enquanto ajustes de vontade em comunhão de interesses, integram
de vontade de natureza associativa, tais como os contratos de sociedade e os
a categoria dos contratos administrativos em sentido amplo; de outra sor te,
contratos de associação 44 possuem natureza contratual.
diferenciam-se dos contratos administrativos srtricto sensu justamente porque
A comunhão de interesses, de que decorre a ausência de contraposição não são ajustes sinalagmáticos, recíprocos e originados da instrumentalização
das obrigações estabelecidas no ajuste, não teria força suficiente para infirmar de interesses antagônicos 50 •
a sua natureza contratual, mas apenas para caracterizá-los como outra espécie
Note-se que a inserção dos convênios administrativos como espécie dos
de contrato, qual seja, a de "contrato plurilateral" (ou "contrato de comunhão
de escopo"). contratos administrativos lato sensu de forma alguma desqualifica os esforços dou-
trinários e jurisprudenciais já realizados no sentido de estabelecer modelos para
Seguindo esta linha de raciocínio, poder-se-ia apontar, como faz Floriano
discernir, na prática, os convênios administrativos dos contratos administrativos.
de Azevedo Marques Neto 4 5 , para a existência de dois planos de contratos ad-
ministrativos: um plano geral (o gênero, "contrato administrativo em sentido de um contrato administrativo em sentido amplo, a englobar todo e qualquer "ajuste que a Administração Publiw ,
amplo"), que compreenderia todos os ajustes de vontade de que faz parte a aguulo 11esta qualidadc,jinna com partiwlar ou outra e11tidade rulmmistmtiva para a consewçiw de objetivos c/,
Administração Pública46 , como os contratos administrativos em sentido es- interesse público, 11as condições estabelecidas pela própria Admilzistração". DeLxa a entender também não ser a
comutatividade (a equivalência das obrigações contrapostas) nota essencial ao conceito de contrato administra! iv•'
il Ob. cit., p. 361. ao afirmar que "o contrato administrativo é sempre consensual c, em rcrra !remarque-se, apenas em regraJ, l(>nnal ,
l.l Na verdade, a partir da obra semina l de Tulio ASCARELLI intitulada "Problemas das Sociedades Anônimas oneroso, comutativo, e realizado intuitu personae" (comenta rio entre colchetes c sublinhados nossos).

,. Direito Comparado", de 1969, na qua l o ilustre jurista criou e aperfe içoou a fi gura do "con trato plurilateral" -17 Diz-se que a contraposição de vontades é apenas preponderante porque, como salienta Floriano Azeycdo
(2" edição, p. 255 e segs.), categoria em que estariam abrangidos os contratos de sociedade ou de associação. Marques NETO, "mesmo num contrato stricto sensu bilateral c sinalagmrítiw em essência há um vl>ictn·o
li Embora da celebração dos convênios administrativos não se constitua uma associação sob o aspecto formal w1num a moFe r as partes contratantes, ainda que a conjunçrio de I'Oiltadcs se dê pelo antagonismo( ... ). 'In·
(a constituição de uma nova pessoa jurídica), é inegável a sua semelhança com os contratos de sociedade e contratos de comunhão de escopo (ctmforme a dicção de Eros Roberto Grau), se bem é verdade o al!tagonl-'111•'
de associação no que diz respeito à comunhão de in teresses, que denota a existência de uma associação (sob de vontades <JUe move as partes, também não se afasta que exista alguma oposirâo de interesses. Se todo , ''
o '"pecto material) para a consecução de uma mesma finalidade pública. juntam para exewtar um objetim cm11um, certo deve estar que o carrcm11e11to de esforços mais otl<'rt>" " ''
I '• In"( >s Consórcios Públicos", parecer publicado na Revista Eletrônica de Direito de Estado n"03, julho/agosto/setembro, um COIISOrte ou COilVCIICille tornará mais aliviados os demais"(ob. cit., p. 21).
'OOS, disponível no sítio http://www.direitodoestado.com.br, acessado em 20 de outubro de 2005, p. 23. 48 Apud Floriano Azevedo Marques NETO, ob. cit. pp. 21 c 23.
Ih t :ttnosamcntc, o mesmo Hely Lopes ME!RELLES, ao estabelecer, na sua festejada obra (ob. cit., p. 193-194), o conceito 49 In "Curso de Direito Admillistrcltivo", Saraiva, 2005, p. 286.
j.\l't,tl de contrato administrativo, o faz de forma bastante abrangente, sugerindo, embora sutilmente, a existência 50 Cf. Floriano de Azevedo Marques NETO, ob.cit, p. 19-21.

"O :!.07
As distinções continuam a guardar o seu sentido, desde que entendidas Com efeito, as entidades administrativas são, em linha de princípio, I i
wmo d isli nções entre os convênios administrativos e os contratos administrati- vres, dentro das suas respectivas atribuições constitucionais, para persegui r o
vos em sentido estrito, e não, genericamente, como distinções entre os convênios interesse público segundo juízo próprio de conveniência e oportunidade, o que,
administrativos e os contratos administrativos. sob a ótica da repartição constitucional de funções, implica- salvo as restrições
Entretanto, há uma evidente vantagem na classificação dos convênios normativas extraídas explícita ou implicitamente do ordenamento jurídico - na
administrativos como contratos administrativos lato sensu: a de afastar qual- impossibilidade, a priori, de se lhes empecer ou condicionar as contratações de
quer dúvida de que a União Federal, também em relação aos convênios, possui que se vale para o exercício das suas atividades.
competência constitucional para legislar sobre as suas normas gerais, a teor do Não por outra razão o Supremo Tribunal Federal vem sistematicamente
que dispõe o artigo 22, inciso XXVII, da Carta Maior51 • derrubando, quer no controle direto, quer no controle difuso de constituciona
II. 1) Autonomia contratual da Administ ração Pública: decorrência lidade, os dispositivos de constituições estaduais e de leis orgânicas municipais
lógica dos múltiplos interesses que lhe são confiados pela Constituição. que condicionam a celebração de convênios pelo Poder Executivo à prév ia
Separação de Poderes. As restrições às contratações só podem derivar autorização do Poder Legislativo. 53
de normas explícitas ou das que possam ser construídas a partir da As entidades públicas podem, portanto, eleger, segundo juízo próprio de
interpretação sistemática do ordenamento jurídico. Inviabilidade de se conveniência e oportunidade, desde que dentro dos parâmetros legais/cons
restringir, a priori, a possibilidade de celebração de convênios adminis- titucionais, o meio que lhes pareça o mais adequado à satisfação do interesse
trativos entre a Administração Pública e particulares. público no caso concreto, o que não exclui a eventual celebração de convênios
A doutrina administrativa sempre entendeu ser possível a celebração de com entidades privadas nas hipóteses em que a conjugação de interesses se
convênios administrativos entre a Administração Pública e particulares. 52 revelar mais apta ao alcance da finalidade pública pretendida.
Além disso, não se encontra, em toda a legislação pátria, qualquer dis-
positivo que circunscreva a celebração de convênios apenas aos entes adminis- IIl - Convênios administrativos x contratos administrativos stricto senstt.
trativos. Pelo contrário, quando a própria Lei 8.666/93 se refere à "organização Parâmetros de fiscalização:
interessada", no parágrafo primeiro do seu artigo 116, deixa entrever a viabilida-
de de celebração de convênio administrativo entre entidade da Administração Os convênios administrativos não se submetem a certame licitatório.
Pública e particulares, pois na legislação brasileira o termo "organização" é De fato, não se há de imaginar competitividade quando ambos os con
utilizado, na grande maioria das vezes, para designar entes privados. venentes despendem, em conjunto, esforços (e eventualmente recursos) para a
Mais que isso, a possibilidade de a Administração Pública celebrar consecução de um objetivo comum.
convênios com particulares deflui da sua própria autonomia contratual, que, Nos dizeres de Marçal Justen Filho,
por sua vez, decorre, lógica e diretamente, dos múltiplos interesses que lhe são
confiados pela Constituição. "[. ..]A característica de do convênio reside na ausência de interesse especu-
lativo de todas as partes, que atuam harmonicamente para o bem comum.
C, i "Art. 22. Compete privativamente à União legisla r sobre: [.. . j XXVII -normas t:crais de liclla>ào c ,·on- O convênio não produz benefícios ou vantagens econômicas para nenhuma
tratacào. em todas as modalidaues. para as admin istrações públicas d~rctas. autárljuicas c fundacionai s da
das partes, o que afasta a aplicação das normas genéricas sobre contratação
União, Estados, Distrito Federal c ~hmicrpios, obedecido o disposto no art. 17, XXI. c para as empresas
plihlicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, ~ I . 111;" administrativa. "54
;_! I kl)' l.opcs MEIRELLES, ob. Lit., p . .361. Vejam se lambem Maria SylviaZanella DI PTETRO, ob. crt.p. IRl:
k"C:• l(lrrcs Pereira JÚNIOR, in "Comentários à Lei de Licitações c Colllmtaç<ks da At!ntillistmçilv Públi
< 11 ", r,• t•dição, Renovar, 2002, p. 927; Marçal Juste FILHO, oh. cit., p. 286 e Diógenes GASP.-\ RI Nl. "Direito
5:l Vide, por todos, a AD1 462-BA, Relator: Min istro Moreira Alves, acórdão publkado no Ili d,· IH.!L' •ooo
ldlltÍtllslntlivo", 2·• edição Saraiva, 1992, p. 297. r, t ( lh. til., p. 1!16.

~08 OCJ
Por la nlo, as partes, no convênio, se satisfazem simplesmente com a em parceria com o Poder Público; pelas mesmas razões, poderiam reputar ilegfti
ll\tlização do fim almejado. Economicamente, não se espera retorno de qual- ma a celebração de convênio com entidade privada que não se preste, de acordo
quer espécie; antes, pelo contrário, espera-se que o exercício das atividades com os seus objetivos sociais, à realização das atividades previstas no convênio.
previslas no convênio consuma recursos (físicos, financeiros, intelectuais ... ) Da mesma maneira, poderiam estabelecer standards para facilitar a ca
de lodos os convenentes. racterização do ajuste de acordo com a sua real natureza jurídica, diferenciando
Se, na prática, administradores de mau vezo vêm se valendo dos convênios os convênios genuínos daqueles que pretendem acobertar verdadeiros contra los
celebrados com particulares como artifício para encobrir verdadeiros contratos administrativos em sentido estrito.
administrativos em sentido estrito e "escapar" do procedimento licitatório, Aliás, deve-se dizer que a doutrina e a jurisprudência das diversas Cor t<:s
daí não se pode seguir simplesmente uma proibição, genérica e sem respaldo de Contas muito já se adiantaram nesse sentido, deixando claro que (i) o convê
na legislação, à celebração de tais convênios, mas, sim, um endurecimento na nio deve ter utilização restrita aos casos em que o interesse dos signatários seja
fiscalização e das punições aos responsáveis.
absolutamente concorrente - objetivo comum -, ao contrário do que ocorrl'
Interessante notar que, pela própria natureza dos convênios (conjugação no contrato em sentido estrito, em que o interesse dos que o celebram é diverso
de interesses, atividades quase sempre deficitárias), não seria de esperar que diu- e contraposto; (ii) por almejarem o mesmo objetivo, os signatários não cobra m
turnamente tantos deles fossem celebrados com particulares nas mais diversas taxa ou remuneração entre si; e (iii) não há amparo jurídico para o ajuste de
esferas. Estranha-nos o fato e estranha-nos mais ainda que tais "convênios", em convênios em que a parte responsável pela execução dos serviços ou obras poss;l
sua grande maioria, envolvam a aplicação de altas somas de recursos públicos. subempreitar ou subcontratar totalmente a execução do objeto, ficando com a
Tendo-se em conta essa realidade, parece-nos que os ditos convênios com taxa de administração, sem ônus ou responsabilidades. 56
essas características devam sofrer severo escrutínio pelos órgãos fiscalizadores,
mormente pelas Cortes de Contas, que são os órgãos constitucionais mais bem
IV - Subvenções sociais e convênios administrativos:
aparelhados para essa tarefa.
Com efeito, a par da fiscalização da obediência aos requisitos formais Denominam-se subvenções sociais as transferências de recursos destin a
de celebração e de cumprimento do convênio - como a existência do plano de das a cobrir despesas de custeio de instituições públicas ou privadas de carálct
trabalho apresentado de acordo com o artigo 116, § 1°, da Lei 8.666/93 e a ob- assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa. 57
servância da liberação das parcelas em conformidade com plano de aplicação As subvenções sociais devem ser concedidas, fundamentalmente, ús
dos recursos (art. 116, § 3°, da Lei no 8.666/93) - devem os órgãos de controle instituições que prestem serviços essenciais de assistência social, médica l'
dedicar especial ênfase ao controle de legitimidade e economicidade55 dos seus educacional, sempre que a suplementação dos recursos de origem privada
aspectos materiais. aplicados a esses objetivos revelar-se mais econômica, sendo que, o seu va lor.
No exercício desse mister as Cortes de Contas podem- e devem !! -,a sempre que possível, deverá ser calculado com base em unidades de serviços
bem da estabilidade jurídica e da própria transparência do controle, estabele- efetivamente prestados ou postos à disposição dos interessados, obedecidos os
cer as balizas que serão utilizadas como pontos de partida para a aferição da padrões mínimos de eficiência previamente fixados. 58
legitimidade e economicidade dos convênios. Logo se vê que as "subvenções sociais" e os "convênios administrati vos"
As Cortes de Contas poderiam estabelecer, por exemplo, uma presunção de fazem parte de planos conceituais distintos: enquanto as subvenções soci<1ts
ilegitimidade dos convênios celebrados com instituições privadas recém-criadas,
por não possuírem, à primeira vista, a expertise no setor em que se propõem a atuar 56 Cf. Jorge Ulisses jacoby FERNANDES, in "Contratação Direta sem Licitação", 5" edição, Brasíll.t 1t111dto 1

2000, p. 544-545.
r, r, (:r. o a ri igo 70 da CF/88. 57 Vide artigo 12, § 3", inciso I, da Lei n" 4.320/64.
5H i\ ri. 16 c parágrafo único, da Lei no 4.320/64.

210 211
Comentário: De pleno acordo com a proposição, valendo apenas acrts
corporificam as transferências de recursos nas hipóteses acima narradas, os
centar que, segundo nosso entendimento, é plenamente possível a celebraçao
convênios administrados traduzem um ajuste que pode prever, ou não, a apli-
cação de recursos financeiros pelo ente público convenente. de convênios entre a Administração Pública e particulares - desde que haja a
conjugação de esforços para a realização de interesses comuns mesmo fora do
Em verdade, não há, nos dias atuais, especialmente tendo-se em vista
"SUS". Isto porque a Administração Pública é detentora da autonomia contra tua I
o princípio constitucional da eficiência (art. 37, CF/88), como desvincular as
necessária à persecução dos interesses públicos a ela cometidos pela Constitui
subvenções sociais das unidades dos serviços prestados ou postos à disposição
ção e porque não se pode extrair do ordenamento jurídico brasileiro qualquer
dos usuários. Desse modo, a sua concessão dependerá de verdadeira comunhão
de interesses entre a Administração Pública e a entidade de assistência, devendo norma que, explícita ou implicitamente, estabeleça tal restrição.
ser veiculada por convênio administrativo que condicione a transferência dos "INSTRUMENTOS celebrados por entidades estatais, autárquicas, fun-
recursos às metas a serem alcançadas de acordo com o plano de trabalho pre- dacionais de direito público (fundações criadas por lei), empresas públicas
viamente estabelecido (o número de atendimentos hospitalares, por exemplo). 59 e os entes de cooperação com o Estado (SESI, SENAI, SESC, etc.), COM
PARTICULARES, que forem denominados "CONVÊNIO", mas que
correspondam à concessão de SUBVENÇÕES, na forma preconizada
V - Proposições analisadas e conclusões:
na Lei Federal no 4.320/64, DISPENSAS ou INEXIGIBILIDADES DE
Passa-se, a partir de agora, à transcrição das proposições contidas no LICITAÇÕES, que se enquadrem nas hipóteses previstas na Lei Federal
documento analisado, para, após cada uma delas, declinarmos nossos comen- n° 8.666/93, serão recepcionados e julgados pelo Plenário do TRIBUNAL
tários à guisa de conclusão. DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO como SUBVENÇÕES,
"INSTRUMENTOS que contenham a idéia de conjugação de esforços DISPENSAS E INEXJG!Bl LI DADES, respectivamente, desconsiderando-se
para a realização de interesses comuns, celebrados entre entidades estatais, a designação equivocada que lhe for atribuída."
autárquicas, fundacionais de direito público (fundações criadas por lei), em-
presas públicas e entes de cooperação com o Estado (SESI, SENAI, SESC, etc.) Comentário: Como mencionado no texto, entendemos que as subvenções
serão recepcionados e julgados pelo Plenário do TRIBUNAL DE CONTAS DO sociais se encontram em plano conceitu al distinto dos convênios, sendo que,
ESTADO DO RIO DE JANEIRO como CONVÊNIOS." na verdade, a sua concessão deve ser veiculada por convênio. Assim, não há, a
nosso senti r, o choque apontado na proposição entre subvenção e convênio. Há,
Comentário: De pleno acordo com a proposição. isto sim, a contraposição entre os "convênios administrativos" e os "contratos
"INSTRUMENTOS que contenham a idéia de conjugação de esforços administrativos em sentido estrito" (ainda que esses últimos não tenham sido
para a realização de interesses comuns, celebrados por entidades esta- precedidos de licitação, por ser esta inexigível ou dispensável), devendo o TCE
tais, autárquicas, fundacionais de direito público (fundações criadas por -RJ receber e julgar tais "instru mentos" de acordo com a sua natureza (se hú
lei), empresas públicas e entes de cooperação com o Estado (SESI, SENAI, conjugação de interesses- convênio; se há contraposição de interesses- contrato
SESC, etc.), COM PARTICULARES, para fins de prestação de serviços
administrativo stricto sensu).
complementares ao SUS, como preconizado no§ 1°, art. 199 da Constitui-
"INSTRUMENTOS celebrados SEM PROCEDIMENTO LICITATÓRIO
ção Federal, serão recepcionados e julgados pelo Plenário do TRIBUNAL
por entidades estatais, autárquicas,fundacionais de direito público (funda -
DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO como CONVÊNIOS. "
ções criadas por lei), empresas públicas e entes de cooperação com o Estado
'>'I N<·stcs casos, há que se ter bastante atenção ao montante efetiva mente dest inado a entidade subvencionada. (SESI, SENAI, SESC, etc.), COM PARTICULARES, denominados"CON-
1: <tU<', se lor superado o "preço de custo" proporcional aos recursos que seriam ordinariamente necessários VÊNIO", mas que objetivem desenvolver obras ou atividades destinadas
ao .tllntento do número de atendimentos, a entidade estaria obtendo indevida \'antagem econômiCa a partir a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, em
d.t s11bvcnc;üo (l'staria havendo remuneração), o que descaracterizaria a existéncia do convénio.

,,
~1 '
especial as que dizem respeito as suas respectivas atividades fins, na
acepção do inciso I e li, art. 6° da Lei Federal no 8.666/93, mas que não se
enquadrem como SUBVENÇÃO, DISPENSA OU INEXIGIBILIDADE DE
LICITAÇÃO, nem objetivem a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AO SUS, serão
recepcionados e julgados pelo Plenário do TRIBUNAL DE CONTAS DO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO como CONTRATOS ADMINISTRATI-
VOS DISSIMULADOS ,formalizados ao arrepio da Lei Federal no 8.666/93, Luiz Rica rdo Leitão é escritor, tradutor, editor e professor adjunto da
passíveis, portanto, de anulação, aplicação de penalidade pecuniária aos Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde trabalha no Instituto
responsáveis e demais cominações previstas em lei." de Letras e no Colégio de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira. Licenciado
·m Português-Literaturas pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do
Comentário: Valem, aqui, as observações já realizadas nos comentários Rio de Janeiro (UHZJ), realizou Mestrado em Literatura Brasileira pela UERJ
anteriores. Parece-nos, ainda, que a análise da natureza do instrumento (de novo: c obteve o título de Doutor em Literat ura Latino-americana e Caribenha pela
se há conjugação de interesses- convênio; se há contraposição de interesses - universidade de La Habana (Cuba), na qual ocupou durante três anos o cargo
contrato) é, por si só, suficiente à aferição da existência de simulação e burla ao de Professor Convidado de Literatura Brasileira. Acumula larga experiência na
procedimento licitatório, não se fazendo necessário distinguir se as atividades ~\rea de Concursos Públ icos, ministrando desde 1989 aulas de Língua Portuguesa
nele contempladas traduzem, ou não, atividades-fim da Administração c Redaçao em dtversos cursos preparató rios do Rio de Janeiro (Pré-Concursos,
É o parecer, (,abariLo, \..,L) e CErl S, entre outros). Atualmente, coordena o Projeto de Reda
sub censura. ~ao de ,Jrovas Discursi vas do Curso Gabarito. Além disso, possui várias obras
puhliod s inclusive na esfera didát ica, em que se destaca a sua Gramátic11
1h . ' , ··tuguês brasileiro - Teoria & Prática (Oficina
Rio de Janeiro, 5 de março de 2007.
do ,'\utor 2007), pesqui~a pioneira na busca de uma descrição rigorosa e atu al
da ltngua escnta adotada no Brasil. Em 2006 publicou Lima Barreto: o rebelde
LEONARDO FIAD
•. , nu~ rL'ccnteme nte, em 2009, escreveu um ensaio sobre um dos
Procurador do TCE-RJ
maiorc" nomL" da rviPB osa: Poeta da Vila, Cronista do Brasil, ambos
la n~·ados ,wla tditor ,t lcxpr, ssao Popular (São Paulo).

:1..1 a ·"·el I e< d r " , , l,l é I icenciado em Letras (Português-Li ter a

turas) pela Universidade federal d< • !Zto de Janeiro (1979), Mestre em Linguística
Aplicada ao Ensino de Portugues pela Universidade Federal Fluminense (199H)
e Doutor em Estudos Linguísticos pela mesma Universidade (2003). Professor
há 33 anos, atuou na Rede Estadual e na Rede Particular de Ensino até J99tl .
Concursado em 1992 e em 1994 do Colégio Pedro II, exerceu, na Unid adl'
Escolar Centro, as funções de professor, coordenador pedagógico de Língua e
Literaturas (eleito e reeleito) e coordenador da 3a série do Ensino Médio (d ei l o
Nota do Organizador: as opiniões expressas neste parecer são de responsabilidade do autor pelos coordenadores das demais disciplinas). Desempenhou a função de Chek
t' n.lo necessa ri a me nte refletem o entendimento do Tribunal de Contas do Estado do Rio de jane iro. do Departamento de Português e Literaturas (eleito em 2004 e reeleito em 2007)
S tt .t r(' pr odu çiio integra l no s foi autori za da pelo próprio Procurador Leonardo Fi ad.

" 14
ns
110 Colégio Pedro II até 2009, quando solicitou sua aposentadoria. No ano de
008, candidatou-se à Direção Geral do Colégio Pedro II, obtendo a maioria dos
votos, em termos absolutos, no 1o e no 2° turnos, mas, em números ponderados,
ficou em 2° lugar no segundo turno. Autor de livro didático e de vários artigos
publicados em revistas especializadas, continua desenvolvendo pesquisa sobre
ensino de língua, com ênfase nas questões atinentes ao texto e ao discurso.

Manuel Ferreira da Costa é licenciado em Letras (Português-Francês e Li-


teraturas) pela Universidade Gama Filho (1972), Mestre em Linguística Aplicada
ao Ensino de Português pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2000) e
Doutor em Estudos Linguísticos pela mesma Universidade (2004), abordando
por meio da teoria da Análise de Discurso e da Semântica Argumentativa um
paralelo entre as promessas da linguagem religiosa e as da política. Professor
há 37 anos, atuou na Rede Estadual e na Rede Particular até 1994. Concursado
em 1994 do Colégio Pedro II, exerceu, na Unidade Escolar Centro, as funções
de professor do Ensino Médio. Ensinou durante 25 anos Leitura & Produção
textual no Instituto de Filosofia e Teologia Paulo V, quando desenvolveu continu-
adas pesquisas sobre o ensino de tipos textuais e gêneros discursivos. Continua
fazendo pesquisas na área de Análise de Discurso e Hermenêutica.

lt t
Cienks do .., lllll'Jto .., do ..,
examinadorL'S L' all'nlos ús
preocupações mais recorrentes dos ,
que prestam concurso, os autores
deste volume inicial da Série
Provas Discursivas estruturam seu
trabalho sob um formato bastante
didático e objetivo.
Na I Parte, examinam-se
criteriosamente as disposições
básicas dos editais sobre a realização
das provas, elucidando-se para o(a)
candidato(a) cada item estipulado
pela banca Cespe/UnB.
A 11 Parte recapitula todos os
tópicos relativos aos Aspectos
Microestruturais do Texto, incluindo

# c~
súmulas detalhadas de algumas
.,.,. seções gramaticais, assim como um
;.~\( quadro comparativo do antigo e do
Novo Acordo Ortográfico.

, \
Já a 111 Parte se ocupa dos
Aspectos Macroestruturais do
B\DL\ ) Texto, apresentados ao leitor à
n\:·y::. t __ • ,._ ... "' 'co feição de uma "cena teatral", em
que o emissor-ator-redator- o(a)
candidato(a) - interage com o
receptor-espectador-examinador.
Além de fornecer aos leitores
noções gerais sobre os tipos e os
gêneros discursivos requeridos
pelos concursos do Cespe, os
autores realizam um estudo
acurado sobre a redação de temas
dissertativos, conferindo especial
relevo às técnicas de elaboração
Esta ed ição foi produzida em fevereiro de 2011, no Rio de Janeiro,
com as famílias tipográficas Minion Pro (11 ,2/14,5) e Trixie Plain (13), dos textos argumcntativos c
<' impressa nos papéis Chambril 70g/m 2 e Carolina 250g/m 2 , na gráfica Vozes expositil'os, ferramenta esSL'tH:ial

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para O dl' SL' IWOIVillll'lllO da s
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