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2017­5­30 Quem é você?

 O senso de identidade em uma perspectiva cristã – Diálogo

Quem é você? O senso de identidade em


uma perspectiva cristã
John Wesley Taylor VI e John Wesley Taylor V

Enquanto sua identidade tiver algo a ver com o que você


possui ou estiver baseada em bens materiais, você vai se
decepcionar sucessivamente. Há algo maior.

“Quem é você?” As respostas a essa pergunta costumam ser interessantes. “Sou ៯�lho
de Frank Sandoval.” “Sou químico.” “Sou de Gana.” “Sou dono desta Ferrari.” “Sou
alguém que aproveita a vida.” As respostas são reveladoras. Demostram a identidade
pessoal a partir daquilo que as pessoas valorizam.

Em relação a sua identidade não é diferente. Muito dela é de៯�nida pelo modo como
você responde a três questões básicas: (1) O que tenho? (2) O que faço? (3) A quem
estou conectado? As respostas a essas três indagações dão forma a sua identidade.

O que você tem


Para muitas pessoas, a identidade recai sobre os bens e as posses materiais. Elas
acreditam que quanto mais têm mais bem-vistas são. Elas se entusiasmam com a
glória de ter o máximo de algo ou o melhor de alguma coisa. Assim, buscam obter
mais dinheiro, adquirir os últimos lançamentos e ter o status elevado.

Essa visão cria um sistema de valores fundamentado na exclusividade. O preço de um


item raro é muito maior. Então, olhamos para algo que a maioria das pessoas não
tem. Talvez um modelo de carro ou estilo de roupa. Ansiamos por ser únicos. Quando
nos apossamos da “singularidade”, começamos a nos ver de uma maneira nova.
A៯�nal, é dessa maneira que as pessoas vão se lembrar de nós. Torna-se nossa
identidade.

O que acontece, porém, quando essas distinções desaparecem – quando você perde a
riqueza, suas bugigangas se quebram ou todos inesperadamente parecem ter o que
você pensou que era só seu? De repente, você se sente desvalorizado. A base de sua
identidade entrou em colapso. Enquanto a identidade tiver algo a ver com o que você
possui, estiver baseada em bens materiais, você vai se decepcionar sucessivamente.
Há algo maior.

O intangível. A identidade alicerçada no que você tem deve enfocar o que é intangível.
As manifestações interiores de paz, alegria, coragem, fé e amor são o que realmente

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contam (Gálatas 5:22, 23). Elas fornecem a base para um sentido de identidade estável
e positivo – algo que não pode ser tirado de você (Lucas 10:42, João 16:22).

Naturalmente, nem tudo o que é intangível constrói uma identidade positiva. A


amargura, o egoísmo e o pensamento negativo podem ferir a identidade de maneira
inimaginável. Manifestações negativas facilmente se in៯�ltram na mente e podem se
tornar um modo de vida, colocando em risco relacionamentos, saúde e o próprio
autoconceito.

Por outro lado, você pode se concentrar na construção de atributos positivos.


Contudo, eles simplesmente não surgem espontaneamente. Você deve decidir
intencionalmente fortalecer essas características interiores. É nesse ponto que o
poder de escolha entra em jogo – a força de vontade concedida por Deus e guiada
pelo Espírito Santo, mas colocada em ação por uma decisão pessoal.1 A escolha é sua.
Você pode escolher viver a existência com alegria, paz e amor – independentemente
de ter ou não ter bens materiais, dinheiro ou fama.

A ordem superior das coisas. Quando você entende que as coisas imateriais são as mais
valiosas, os bens deixam de ser tão essenciais. O principal objetivo na vida não é mais
ganhar dinheiro, mas desenvolver o caráter. Isso não signi៯�ca, no entanto, que
devemos simplesmente desistir de empregos e casas, e viver na rua. Quando você
compreende a ordem superior das coisas, percebe que Deus é o Doador das posses
materiais. Ele o convida a buscá-Lo para suprir suas necessidades físicas. “Se vocês,
apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus ៯�lhos, quanto mais o Pai de
vocês, que está nos Céus, dará coisas boas aos que Lhe pedirem” (Mateus 7:11)!2 É
simplesmente uma questão de prioridade. “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino
de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33).
Jesus está dizendo: “Não se preocupe com essas coisas físicas. Elas não formam uma
identidade duradoura. Eu serei seu Pai, você vai ser Meu ៯�lho, e Eu vou cuidar de
você.”

Ellen White escreveu: “As exibições mundanas, conquanto imponentes, são de


nenhum valor aos olhos de Deus. Acima do que é visível e temporal, aprecia Ele o
invisível e eterno. O primeiro só tem valor na medida em que exprime o segundo.”3
Esta é a ordem superior: Primeiro, vá até Cristo, sem se preocupar com o que você vai
comer ou com o que você vai vestir (Mateus 6:25-28). Então, quando você procura
desenvolver os atributos segundo o Seu caráter, Ele supre suas necessidades. Sua
identidade estará segura nessa con៯�ança.

O que você faz


No mundo, a identidade está excessivamente baseada no que você faz. Parece que há
uma exigência social para que realizemos e trabalhemos cada vez mais para alcançar
coisas superiores. Embora possa ser útil ter metas, elas podem ser prejudiciais
quando se tornam o principal objetivo de vida. Na verdade, um dos motivos do alto
nível de estresse é a tentativa de alcançar as mais diversas metas.

Nessa geração, temos visto o crescimento do número de pessoas viciadas em


trabalho e obcecadas por desempenho. O desejo de ser aprovado se tornou a
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principal motivação. Lembro-me, por exemplo, quando eu estava aprendendo a tocar


piano. Muitas vezes me concentrei na execução da peça musical em vez de apreciar o
seu signi៯�cado. Como é com você?

O problema é que essas exigências de conformidade social parecem assumir o


controle da vida. Vivemos em uma cultura que pressiona as pessoas a se comportar
de determinadas maneiras. Na adolescência, você não era “legal”, a menos que
estivesse no time da escola, frequentasse as festas ou se vestisse de uma
determinada forma. Isso não muda à medida que você cresce. Na realidade,
treinamos uma geração a ceder à pressão para obter uma identidade. O resultado?
Uma sociedade formada por indivíduos que preferem seguir o pensamento
predominante em vez de lutar por aquilo que acreditam ser o certo.

Por outro lado, alguns sentem que precisam fazer algo radical a ៯�m de ter o nome
reconhecido. Por isso, não é incomum ver pessoas tentando manobras perigosas ou,
em alguns casos, praticando esportes que colocam a vida em risco. São nessas
atividades que a noção de identidade reside. Assim, elas arriscam a vida
desnecessariamente por um momento de suposto prestígio. Talvez, tudo o que
realmente querem é serem notadas, apreciadas, identi៯�cadas.

O que você não faz. Da mesma maneira que olhar para as suas conquistas de
identidade é um equívoco, o mesmo acontece quando você estabelece sua identidade
em função do que você não faz. Adrian Ebens a៯�rma: “No reino de Satanás, você está
contabilizado como um cidadão por fazer ou não fazer.”4

Muitas vezes, os cristãos se orgulham do que eles não fazem – “Eu não roubo”, “Eu
nunca matei ninguém”, “Eu não como carne”, “Eu não tomo bebida alcoólica”. Essa
armadilha é particularmente atraente. Para a maioria das pessoas, eu era um bom
garoto. Meus pais tinham me educado bem, e eu me orgulhava muito da minha
capacidade de ៯�car longe de problemas. Minha identidade, no entanto, estava
baseada na minha própria realização – o meu sucesso em evitar certos
comportamentos indesejáveis.*

Se sua identidade é fundamentada nas conquistas, o sucesso pode levá-lo a alcançar


um elevado nível emocional. No entanto, se você falha, cai nas profundezas da
depressão. Por si mesmo, você fracassa, no ៯�nal das contas. Ebens argumenta: “Se
você procura realizar ou não realizar, a questão é ainda o desempenho em vez do
relacionamento.”5

Talvez o maior problema, no entanto, é que não fazer coisas más pode camu៯�ar a sua
៯�delidade ao reino de Satanás. Se o diabo não pode conquistá-lo com más ações,
então ele irá criar uma contrafação legalista para o caminho de ៯�liação a Deus, uma
falsi៯�cação que tem base no que você consegue evitar. Uma contrafação, no entanto,
é realmente muito semelhante ao caminho original. Apesar de você saber que o reino
de Deus não é de៯�nido com base no que você faz ou deixa de fazer, sua identidade
cristã ainda está ligada a este paradigma.

Alcançando o exterior. Na perspectiva cristã, em vez de você se focar em si mesmo,


você olha mais além. Em vez de ៯�car se perguntando o que pode fazer para chamar a
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atenção, você se pergunta: “Como posso fazer a diferença?” Você alcança os outros,
por meio da adoração e serviço.

Uma maneira de alcançar a Deus é através da adoração. Depois de perceber o que


Deus fez em sua vida, a resposta natural é louvá-Lo. O salmista disse muito bem: “Ele
me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre
uma rocha e ៯�rmou-me num local seguro. Pôs um novo cântico na minha boca, um
hino de louvor ao nosso Deus” (Salmo 40:2-3). Gratidão é, de fato, a chave para
qualquer relacionamento saudável.

Quando você é grato por algo que alguém lhe fez, sente-se motivado a fazer coisas
que agradam a essa pessoa. Da mesma forma, quando sua vida está repleta de
gratidão, os mandamentos de Deus já não parecem ser um fardo. O motivo por trás
de sua obediência será o amor, não a obrigação.

Quando Deus deu os Dez Manda-mentos aos israelitas, eles prontamente


prometeram obedecer-Lhe (Êxodo 19:8)... por medo. Esse sentimento de temor e
constrangimento, no entanto, teve vida curta (Êxodo 32:1-6). Para serem e៯�cazes, os
princípios da lei de Deus, a expressão de Seu caráter, devem residir na estrutura de
sua vida.6 Eles devem se tornar uma dimensão de sua identidade. “Esta é a aliança
que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a
minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles
serão o Meu povo” (Jeremias 31:33).

Jesus lembrou aos seus ouvintes que o amor a Deus deve encontrar expressão no
amor para com outros seres humanos (Mateus 22:35-40). Esse amor pelos outros
encontra expressão através do serviço. Este vem através do amor de uns pelos outros
(Gálatas 5:13). Quando você se preocupa com os outros e busca fazer a diferença em
sua vida, começa a servi-los. Suas ações são atos de bondade em vez de
autoengrandecimento. Você terá um espírito de compaixão e apreciará fazer coisas
para bene៯�ciar os outros. Isso re៯�ete em sua identidade.

Geiger explica: “Experimentar o transbordamento de Deus em sua vida no serviço aos


outros supera qualquer coisa que o mundo tem para oferecer. Há uma bênção em
servir que não pode ser experimentada de outra maneira.”7 Esse efeito inclui um
sentimento de valor pessoal. Ao alcançar outros através da adoração e serviço, você
mesmo irá experimentar um acentuado senso de valor e e៯�cácia pessoal. Esse senso,
por sua vez, contribui para uma identidade positiva.

A quem você está conectado


Finalmente, a identidade pessoal é moldada por relacionamentos. Na sociedade
contemporânea, no entanto, a ênfase é colocada no plano horizontal. Aqui, tendemos
a nos concentrar na maneira como os outros nos veem. A ideia estimulada é que o
nosso valor é determinado pelo consenso de “pessoas importantes” que nos rodeiam.
É por isso que muitos estudantes formam panelinhas e o número de amigos em sites
de relacionamentos é importante. Também por isso muitas pessoas querem estar
conectadas com outras em posições elevadas.

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O problema é que o uso de um seleto grupo de amigos e apoiadores para estabelecer


sua popularidade e identidade pessoal pode ser inquietante. Tais relações podem ser
super៯�ciais e, às vezes, inconstantes. Quando as pessoas perdem seu status, por
exemplo, o que acontece com seus “amigos”? Pense no ៯�lho pródigo em Lucas 15.
Quando o dinheiro acabou, onde estavam os seus amigos no momento de
necessidade? A maioria das pessoas se sente arrasada quando seus amigos
desaparecem para encontrar alguém que esteja em posição “mais alta”. Sem uma
base sólida para os seus relacionamentos, a identidade baseada na popularidade
desaba.

Uma jovem mulher descreveu sua vida dessa maneira: “Comecei a me agarrar
desesperadamente a cada relacionamento como minha fonte de segurança e
propósito. Minha vida amorosa se tornou minha identidade. Minhas emoções se
tornaram irremediavelmente abaladas pelos relacionamentos difíceis.”8 Isso não é a
base para uma identidade positiva e estável.

Outro problema potencial com a dimensão horizontal é que pessoas muitas vezes são
usadas como degrau para que outros subam. Em outras palavras, as pessoas são
empurradas para baixo a ៯�m de que alguém possa subir a um nível superior. O ganho
de umas é a perda de outras.

Há uma ilustração com uma lagarta chamada Stripe, que estava tentando vencer na
vida. Um dia, ela viu uma coluna de lagartas empurrando e puxando umas às outras,
tentando subir até o topo da pilha. Então Stripe decidiu escalar também e descobrir o
que havia no topo. Enquanto subia, ela viu que muitas lagartas perdiam o controle à
medida que haviam pisado lá, e caído no esquecimento. Stripe, no entanto, forçou
passagem para cima, determinada a chegar ao topo. Quando ela ៯�nalmente chegou,
descobriu que não havia realmente nada no topo.9

Deve haver algo melhor na vida do que espezinhar o próximo, tentando estabelecer a
nossa identidade com o rebaixamento de outros. A៯�nal, como as lagartas,
experimentamos a transformação (Romanos 12:2). Fomos feitos para voar.

A dimensão vertical. A conexão vertical é o relacionamento mais importante que você


pode desenvolver. Esse é o relacionamento com seu Pai celestial. Para entendermos o
valor total dessa relação e como ela afeta nossa identidade, devemos entender a
batalha nos bastidores. No começo, Deus nos criou à Sua imagem (Gênesis 1:26, 27).
Tragicamente, todos pecamos e perdemos grande parte de nossa semelhança com
Deus, particularmente em termos de Seu caráter (Romanos 3:23). Consequentemente,
nossa identidade dada por Deus tem sido distorcida. A boa notícia é que Cristo nos
amou e nos resgatou do reino de Satanás (Tito 2:14). É por isso que Jesus veio à Terra,
viveu uma vida sem pecado e morreu na cruz. A melhor parte, no entanto, é que Ele
ressuscitou para quebrar o poder da morte eterna e para restaurar em nós Sua
própria identidade. “Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu, sermos
chamados ៯�lhos de Deus” (1 João 3:1). Para lhe dar identidade, Cristo o comprou e
possibilitou que você se torne Seu ៯�lho.

O que signi៯�ca ser ៯�lho de Deus? Isso signi៯�ca que você tem um relacionamento
pessoal com o Pai, que pode ir a Ele a qualquer hora, que é um herdeiro de Seu reino
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(Romanos 8:17, Gálatas 3:29; 4:7, Tito 3:7; Hebreus 1:14; Tiago 2:5). A melhor parte,
porém, é que seu Pai celeste prometeu nunca deixá-lo, nem desampará-lo.10 Com
esses benefícios em mente, Ellen White escreveu: “Gostaria que todos pudessem
entender o valor que há em reconhecer o nosso relacionamento e lealdade para com
Aquele a quem nós reivindicamos como nosso Pai.”11 Ser um ៯�lho de Deus é uma
experiência incrível. Isso lhe fornece a fonte mais estável e certi៯�cada de identidade.
Com o privilégio, no entanto, há responsabilidade.

Primeiramente, ser um ៯�lho de Deus o intima a colocar nas mãos de Deus a sua
agenda – seus próprios planos e desejos. “Consagrai-vos a Deus pela manhã; fazei
disto vossa primeira tarefa. Seja vossa oração: ‘Toma-me, Senhor, para ser Teu
inteiramente. Aos Teus pés deponho todos os meus projetos. Usa-me hoje em Teu
serviço. Permanece comigo, e permite que toda a minha obra se faça em Ti.”12 Em
essência, Deus nos convida a desistirmos de nosso frágil e autoconstruído senso de
identidade e con៯�armos a Ele nossa verdadeira identidade, baseada em Seus atos de
criação e redenção.

Em segundo lugar, como somos Seus ៯�lhos, Ele nos pede para ouvirmos Sua voz.
Geiger pergunta: “Será que algum dia pararemos de falar para ouvir? Em vez de ouvir,
fazemos orações que frequentemente têm frases longas, sem vírgulas e pausas. Deus
nos fala, querendo compartilhar os Seus pensamentos, mas nós falamos muito sobre
Ele.”13 Quando as coisas não dão certo, injustamente pomos a culpa de nossos
problemas em Deus. Talvez simplesmente não tenhamos tirado tempo para ouvir
Suas instruções.

Em terceiro lugar, como somos Seus ៯�lhos, devemos crescer diariamente. O


crescimento é um sinal de que estamos aprendendo com nosso Pai. Quanto mais nos
desenvolvemos, mais vamos exempli៯�car Seus atributos. Nós nos tornaremos como
um lago calmo, re៯�etindo a beleza e a identidade do Pai.

A perspectiva maior. Quando percebemos a importância de nosso relacionamento com


nosso Pai, todos os outros relacionamentos se estabelecem em função dEle. A
dimensão horizontal tem signi៯�cado, mas apenas em relação à vertical. Vemos agora
todo mundo como um ៯�lho de Deus, e não como mais um obstáculo em nosso
caminho. Vislumbramos o mais amplo horizonte. Nossa compreensão de nossa
identidade como um irmão ou irmã para com aqueles que nos rodeiam é
fundamental para a maneira como nos relacionamos com os outros. Em primeiro
lugar, permite-nos amar o nosso próximo (Mateus 22:37-40, 1 João 3:14). Essa visão
nos ajuda a resolver qualquer diferença que possa haver com aqueles que nos
rodeiam (Mateus 5:23-24). A៯�nal, a nossa guerra é contra Satanás e seu reino de
morte (Efésios 6:12).

Essa perspectiva também esclarece como os outros podem in៯�uenciar nossa vida de
maneira positiva. Pense sobre isso. Se não fosse por seus relacionamentos, você seria
a pessoa que você é hoje? Todos nós temos algo a aprender com os outros. Uma das
lições mais importantes que aprendi com o meu próprio pai foi o espírito de sacrifício
e serviço. Nunca vou esquecer as noites quando ia jogar tênis de mesa na garagem.
Mesmo que meu pai estivesse muito ocupado, ele sempre arranjava tempo para

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jogarmos. E não foi só comigo. Ele estava sempre disposto a ajudar seus alunos,
mesmo que sua agenda estivesse cheia. Seu lema: Viver para servir. Essas e muitas
outras lições têm impactado profundamente minha vida. Sem o meu relacionamento
com os outros, eu não seria a mesma pessoa que sou hoje.

Finalmente, na perspectiva mais ampla, você tem recebido uma comissão divina. Jesus
disse: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do
Pai e do Filho e do Espírito Santo.”14 Você testemunha tanto verbalmente quanto pela
sua vida, de modo que todo mundo possa ver claramente a que reino pertence. Na
realidade, o testemunho é a sua identidade ៯�nal – desmascarando a representação
distorcida de Deus que Satanás tem delineado. É por isso que é essencial que você
estruture sua vida em função de seu Rei. Assim, as pessoas não vão ver você. Em vez
disso, elas vão ver através de suas palavras e ações um autêntico e convidativo retrato
de Deus.

Conclusão
Quem é você? Onde você encontra sua identidade? Como vimos, a identidade pessoal
tem a ver com três questões fundamentais: O que você tem? O que você faz? A quem
você está conectado?

A maneira como você responde a essas questões pode tanto resultar em uma
identidade frágil e fugaz quanto em uma identidade segura e sólida.

Em minha própria vida, descobri que os bens materiais que temos, os atos de
autoglori៯�cação que fazemos, e as super៯�ciais e egoístas relações que formamos
desaparecerão. O nosso verdadeiro valor está nas qualidades únicas que Deus nos
deu.

Quando reconhecemos que Deus é o fundamento de nossa identidade, não


precisamos nos preocupar com o que os outros pensam de nós. Nossa identidade é
de Deus. Nossa identidade é para Deus.15 Redimidos por Deus, nascemos de novo, no
reino de Cristo (João 3:3-21). Nós nos tornamos uma nova criatura (2 Coríntios 5:17),
com uma nova identidade, que ninguém pode destruir.

John Wesley Taylor VI estuda na Universidade Adventista Southern no Tennessee, Estados


Unidos. John Wesley Taylor V é diretor associado de educação da Associação Geral dos
Adventistas do Sétimo Dia e editor de Diálogo. São respectivamente ៯�lho e pai – seguidores
de Jesus. E-mail: JohnWesleyTaylor@gmail.com

NOTAS E REFERÊNCIAS
* Todos os relatos em primeira pessoa são de John Wesley Taylor VI.

Referências
1. “O que deveis compreender é a verdadeira força da vontade. Esse é o poder que governa
a natureza do homem, o poder da decisão ou de escolha. Tudo depende da reta ação da
vontade.” Ellen G. White. Caminho a Cristo. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011. p.
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2. Todas as citações da Bíblia são da Nova Versão Internacional, a menos que seja indicada
outra versão.
3. Ellen White. A Ciência do Bom Viver. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001. p. 36.
4. A. Ebens. Identity Wars: The Road to Freedom. Penrith: Maranatha Media, 2005. p. 31.
5. Ibid., p. 58.
6. As Ebens (2009) a៯�rma: “Foi algo de Deus falar da lei do Monte Sinai, mas esta lei não teria
efeito protetor a menos que seus princípios residissem em nossos corações e passassem
a fazer parte de sua maneira de pensar.” (Em Life Matters: The Channel of Blessing (Penrith:
Maranatha Media), p. 96.
7. Eric Geiger. Identity: Who You Are in Christ. Nashville: B & H Publishing Group, 2008. p. 107.
8. E. Ludy & L. Ludy, When God Writes Your Love Story (Colorado Springs: Multnomah Books,
2009), p. 51-52.
9. T. Paulus. Hope for the Flowers. Mahwah: Paulist Press, 1972.
10. No seu leito de morte, o grande reformador João Wesley foi cercado por seus amigos
íntimos. Ele os chamou para perto de si e exclamou suas últimas palavras: “O melhor de
tudo, Deus está conosco” (Geiger, p.120). O Espírito Santo é a promessa de Deus de que
Ele está com você. (João 14:16-18).
11. Ellen White. The Lord’s Prayer. In: The Signs of the Times, Outubro 28, 1903, p. 1.
12. _______. Caminho a Cristo. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001. p. 70.
13. Eric Geiger. Identity: Who you are in Christ. Nashville: B & H Publishing Group, 2008. p. 127.
14. Mateus 28:19.
15. Geiger, 189.

© Comissão de Apóio a Universitários e Pro៯�ssionais Advenstistas (CAUPA)

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