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Belém-PA, 12/05/2013

“Ponta” para a
polícia e ganho de
R$ 3 mil por semana
Nenhum dos adolescentes que declararam ter envolvi-
mento com o tráfico de drogas admitiu pagar propina re-
gular à Polícia Militar. Os jovens não negaram que exista
a prática, mas, conforme explicaram, uma das mais árdu-
as tarefas de quem vende entorpecentes é não ser flagra-
do. Refinamento, empacotamento e venda em lugares al-
ternados são algumas das estratégias adotadas para burlar
a fiscalização. Além disso, pedir para “aviões” mais novos
entregarem as encomendas e evitar atividade em plantões
dos mesmos policiais que já os detiveram também ajuda. O
objetivo é o mesmo: evitar ser apreendido ou correr o risco
de “compartilhar os lucros” do negócio com a Polícia Mili-
tar ou Civil.
“Eu fui apreendido quatro vezes. Nas primeiras três
vezes eu fiz acerto, só na quarta eu não tinha dinheiro para
pagar o que eles me pediram, então fui apreendido”, de-
nunciou D.S, 17 anos, que há dois tenta crescer no mundo
do tráfico. Ele teve que desembolsar, em média, R$ 400
nas primeiras vezes que foi pego. Na última, porém, D.S
não teve a mesma sorte. Ele estava com todas as drogas que
tinha acabado de produzir. “Me pediram R$ 800, mas, por
não ter feito o material girar, não tinha de onde tirar”, ex-
plicou o jovem.
Segundo D.S, o lucro semanal de quem tem até dois
pontos de venda chega “fácil” a R$ 3 mil. Em geral, o di-
nheiro é gasto na compra de material necessário para pro-
duzir mais entorpecentes. Farras regadas a muita cerveja
e drogas também consomem boa parte do que é ganho. No
entanto, D.S mostra maturidade ao falar sobre os riscos de
se tornar um dependente químico. “Quem tem visão do ne-
gócio e quer crescer não consome. Quando eu vou pras fes-
tas, eu mando descer mesmo os baldes, mas não provo uma
gota. Nem fumo, nem cheiro”, esclareceu.
Questionado se pretende um dia deixar de vender
droga, D.S é enfático: “Nunca! O que eu quero é me apri-
morar mais no negócio para não ser pego nunca mais”, en-
fatizou. Outro adolescente ouvido pela reportagem disse
que, nas festas da periferia, os jovens que se envolvem com
tráfico ou roubo possuem status diferentes. “Quando você
chega numa gatinha, ela pergunta logo se você é de 157 ou
é do tráfico. Se for do tráfico e mostrar que é granado, você
pega é mesmo. De 157 já é mais difícil”, disse.