Vous êtes sur la page 1sur 31

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
INTERPRETAÇÃO DE EXAMES
LABORATORIAIS

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0
CURSO DE
INTERPRETAÇÃO DE EXAMES
LABORATORIAIS

MÓDULO I

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

AN02FREV001/REV 4.0
SUMÁRIO

MÓDULO I
1 NOÇÕES PRELIMINARES
1.1 OBJETIVOS
2 COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO
2.1 SANGUE
2.2 URINA
2.3 FEZES
2.4 LÍQUOR
2.5 ESPERMA
2.6 SECREÇÕES EM GERAL
3 VARIÁVEIS ANALÍTICAS
3.1 VARIÁVEIS PRÉ-ANALÍTICAS
3.2 VARIÁVEIS ANALÍTICAS
3.2 VARIÁVEIS PÓS-ANALÍTICAS
4 CONTROLE DE QUALIDADE

MÓDULO II
5 EXAME DE URINA
5.1 TÉCNICA E INTERPRETAÇÃO
5.2 AVALIAÇÃO DA AMOSTRA
6 ANÁLISE FÍSICA
6.1 DENSIDADE
6.2 ASPECTO
6.3 COR
6.4 PH
7 ANÁLISE QUÍMICA QUALITATIVA

AN02FREV001/REV 4.0
7.1 CORPOS CETÔNICOS
7.2 BILIRRUBINAS
7.3 UROBILINOGÊNIO
7.4 HEMOGLOBINA
7.5 GLICOSE
7.6 NITRITO
7.7 PROTEÍNAS
8 ANÁLISE MICROSCÓPICA DO SEDIMENTO
8.1 CÉLULAS EPITELIAIS
8.2 HEMÁCIAS
8.3 LEUCÓCITOS
8.4 CRISTAIS
8.4.1 Cristais Normais
8.4.2 Cristais Anormais
8.5 CILINDROS
8.6 BACTÉRIAS
8.7 MUCO
8.8 LEVEDURAS
8.9 PARASITAS
8.10 ESPERMATOZOIDES
8.11 CÁLCULOS RENAIS
8.12 ARTEFATOS
9 PARASITOLOGIA
9.1 NOÇÕES GERAIS
9.2 MÉTODOS PARA DETECÇÃO DE PARASITAS NAS FEZES
9.2.1 Exame Macroscópico
9.1.2 Simples Observação
9.2.3 Tamisação
9.3 IDENTIFICAÇÃO DE PROGLÓTIDES DE TAENIA
9.3.1 Método do Ácido Acético Glacial
9.3.2 Método de Campos
9.4 DIRETO
9.4.1 Exame Direto para a Pesquisa de Ovos de Helmintos

AN02FREV001/REV 4.0
9.5 TÉCNICAS DE CONCENTRAÇÃO
9.5.1 Flutuação Simples
9.5.2 Centrífugo-Flutuação
9.5.2.1 Material fecal fresco
9.5.2.2 Material fecal preservado pela solução de formaldeído
9.5.3 Técnica de Sedimentação
9.5.3.1 Sedimentação espontânea em água
9.5.3.2 Centrífugo-Sedimentação: Centrífugo-Sedimentação pela Formalina-Éter
9.6 MÉTODOS QUANTITATIVOS
9.6.1 Método Modificado de Kato-Katz
9.7 MÉTODOS PARA ISOLAMENTOS DE LARVAS
9.7.1 Método de Baermann (1917) e Moraes (1948)
9.7.2 Método de Rugai, Mattos & Brisola (1954)
9.8 MÉTODO DE GRAHAM (TESTE DA FITA ADESIVA/GOMADA)
10 PESQUISA DE ELEMENTOS ANORMAIS NAS FEZES
10.1 PESQUISA DE GORDURA FECAL
10.2 PESQUISA DE LARVAS
10.3 PESQUISA DE ROTAVÍRUS
10.4 PESQUISA DE SANGUE OCULTO
10.5 PESQUISA DE TROFOZOIDES
11 ALGUNS PARASITOS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA
11.1 GIARDIA LAMBLIA
11.2 ASCARIS LUMBRICOIDES
11.3 ENTAMOEBA HYSTOLYTICA
11.4 STRONGYLOIDES STERCORALIS
11.5 SCHISTOSOMA MANSONI
11.6 ANCYLOSTOMA DUODENALE
11.7 ENTEROBIUS VERMICULARIS
11.8 TAENIA SOLIUM E TAENIA SAGINATA

AN02FREV001/REV 4.0
MÓDULO III
12 HEMATOLOGIA
12.1 NOÇÕES GERAIS
12.2 COMPOSIÇÃO DO SANGUE
12.3 HEMATOPOIESE
12.4 HEMOGRAMA
12.4.1 Técnicas para Realização do Hemograma
12.4.2 Técnica Manual para Realização do Hemograma
12.4.3 Automação na Realização do Hemograma
12.4.4 Princípios dos Equipamentos Automatizados
13 ANÁLISE DO HEMOGRAMA
13.1 O LAUDO DO HEMOGRAMA
13.1.1 Eritrograma
13.1.2 Leucograma
13.1.3 Plaquetograma
13.2 OS VALORES DE REFERÊNCIA DO HEMOGRAMA
14 ALTERAÇÕES NO HEMOGRAMA
14.1 ERITRÓCITOS
14.2 HEMOGLOBINA
14.2.1 Anemia
14.2.1.1 Anemia pós-hemorrágica
14.2.1.2 Anemia ferropriva
14.2.1.3 Hemoglobinopatias
14.2.1.4 Talassemias
14.2.1.5 Anemia sideroblástica
14.2.1.6 Anemia das doenças crônicas (ADC)
14.2.1.7 Anemia por produção deficiente de eritropoetina
14.2.1.8 Anemia por síntese defeituosa de nucleoproteínas
14.2.1.9 Anemia por falta de precursores
14.2.1.10 Anemia hemolítica
14.3 HEMATÓCRITO

AN02FREV001/REV 4.0
14.4 ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS
14.4.1 Volume Corpuscular Médio (VCM)
14.4.2 Hemoglobina Corpuscular Média (HCM)
14.4.3 Concentração De Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM)
14.4.4 Red Cell Distributions Width (RDW)
14.5 ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DOS ERITRÓCITOS
14.5.1 Alterações com relação ao tamanho
14.5.2 Alterações com relação à coloração
14.5.3 Alterações com relação à forma/coloração
14.5.4 Inclusões e outras variações das hemácias
14.6 LEUCÓCITOS
14.6.1 Morfologia dos Leucócitos
14.6.2 Aspectos Gerais das Alterações Leucocitárias
14.6.3 Neutrófilos
14.6.4 Eosinófilos
14.6.5 Basófilos
14.6.6 Linfócitos
14.6.7 Monócitos e Macrófagos
14.6.8 Alterações dos Leucócitos
15 PLAQUETAS
16 VELOCIDADE DE HEMOSSEDIMENTAÇÃO (VHS)
17 RETICULÓCITOS
18 FRAGILIDADE OSMÓTICA DAS HEMÁCIAS
19 TESTE DE FALCIZAÇÃO DAS HEMÁCIAS
20 TESTE DE COOMBS DIRETO
21 TESTE DE COOMBS INDIRETO
22 DETERMINAÇÃO DO GRUPO SANGUÍNEO
23 PESQUISA DE CÉLULAS LE

AN02FREV001/REV 4.0
MÓDULO IV
24 IMUNOLOGIA
24.1 PRINCÍPIOS
24.2 PRINCIPAIS CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE (RESPOSTA CELULAR)
24.2.1 Linfócitos B
24.2.2 Linfócitos T
24.2.3 Células Naturais Killer (NK)
24.2.4 Macrófagos
24.2.5 Mastócitos
24.3 PRINCIPAIS MOLÉCULAS DO SISTEMA IMUNE (RESPOSTA HUMORAL)
24.3.1 Anticorpos
24.3.2 Sistema Complemento
24.3.3 Citocinas
24.3.3.1 Interferons (IFN)
24.3.3.2 Interleucinas (IL)
24.3.3.3 Fatores Estimuladores de Colônia (CSF)
25 ENSAIOS IMUNOLÓGICOS
25.1 FATOR REUMATOIDE
25.2 VDRL (LUES)
25.3 ASLO (ANTIESTREPTOLISINA “O”)
25.4 BRUCELOSE
25.5 DOENÇA DE CHAGAS
25.6 PROTEÍNA C REATIVA
25.7 MONONUCLEOSE INFECCIOSA
25.8 EPSTEIN-BARR VÍRUS
25.9 PPD (PROTEÍNA PURIFICADA DERIVADA)
25.10 HIV
25.11 HTLV I/II
25.12 TOXOPLASMOSE
25.13 CITOMEGALOVÍRUS
25.14 RUBÉOLA

AN02FREV001/REV 4.0
25.15 HERPES SIMPLEX
25.16 HEPATITES
25.16.1 Hepatite A
25.16.2 Hepatite B
25.16.3 Hepatite C
25.16.4 Hepatite D
25.16.5 Hepatite E
25.16.6 Hepatite G
25.16.7 Hepatite por TTV
25.17 MARCADORES TUMORAIS
25.17.1 Enzimas e Proteínas
25.17.2 Glicoproteínas
25.17.3 Glicoproteínas Mucinas
25.17.4 Hormônios
25.17.5 Moléculas do Sistema Imune
25.18 DIFERENCIAÇÃO CELULAR OU CD
26 HEMOSTASIA
26.1 ANTICOAGULANTES
26.1.1 Heparinas
26.1.2 Anticoagulantes Orais (Antivitamina K)
26.2 EXAMES LABORATORIAS PARA ANÁLISE DA HEMOSTASIA
26.2.1 Tempo de Sangramento
26.2.2 Tempo de Coagulação
26.2.3 Retração do Coágulo
26.2.4 Tempo de Atividade da Protrombina (TAP)
26.2.5 Tempo de Tromboplasmina Parcial Ativada (TTPA)
26.2.6 Fibrinogênio
26.2.7 Anticoagulante Lúpico
26.2.8 Resistência à Proteína C Ativada
26.2.9 Proteína S

AN02FREV001/REV 4.0
MÓDULO V
27 BIOQUÍMICA
27.1 PRINCÍPIOS
27.2 ANALITOS DE INTERESSE
27.2.1 Glicose
27.2.2 Teste de Tolerância Oral à Glicose (TTOG)
27.2.3 Triagem Gestacional
27.2.4 Hemoglobina Glicada
27.2.5 Frutosamina
27.2.6 Proteínas Totais e Frações
27.2.7 Eletroforese de Proteínas
27.2.7.1 Padrões típicos de eletroforese
27.2.7.2 Eletroforese da urina
27.2.7.3 Eletroforese do liquor
27.2.7.4 Eletroforese da hemoglobina
27.2.8 Creatinina
27.2.9 Clearance de Creatinina
27.2.10 Cistatina C
27.2.11 Ureia
27.2.12 Perfil Lipídico
27.2.12.1 HDL-colesterol
27.2.12.2 LDL-colesterol
27.2.12.3 VLDL-colesterol
27.2.12.4 Triglicerídeos
27.2.12.5 Lipase
27.2.12.6 Valores de referência
27.2.13 Ácido Úrico
27.2.14 Aspartato Aminotransferase (AST/TGO)
27.2.15 Alanina Amino Transferase (ALT/TGP)
27.2.16 Gama Glutamil Transpeptidase (GGT)
27.2.17 Fosfatase Alcalina

AN02FREV001/REV 4.0
27.2.18 Bilirrubinas
27.2.19 Amilases
27.2.20 Desidrogenase Lática (LDH)
27.2.21 Colinesterase
27.2.22 Creatinoquinase (CK)
27.2.23 Sódio (Na+)
27.2.24 Potássio (k+)
27.2.25 Magnésio (Mg++)
27.2.26 Cálcio (Ca++)
27.2.27 Cloro (Cl-)
27.2.28 Fósforo (P)
27.2.29 Ferro
27.2.30 Troponinas
27.2.31 Gasometria Arterial
27.2.32 Teste do Pezinho
28 HORMÔNIOS
28.1 INSULINA
28.2 TSH
28.3 TBG
28.4 T3 TOTAL
28.5 T3 LIVRE
28.6 T4 TOTAL
28.7 T4 LIVRE
28.8 HORMÔNIO LUTEINIZANTE (LH)
28.9 HORMÔNIO FOLÍCULO-ESTIMULANTE (FSH)
28.10 ESTRADIOL
28.11 ESTRIOL
28.12 ESTRONA
28.13 HORMÔNIO DO CRESCIMENTO (GH)
28.14 PROGESTERONA
28.15 PROLACTINA
28.16 RENINA
28.17 ANTÍGENO PROSTÁTICO (PSA)

AN02FREV001/REV 4.0
28.18 TESTOSTERONA
28.19 DEIDROEPIANDROSTERONA (DHEA)
28.20 ACTH
28.21 CORTISOL
28.22 BETA-HCG

MÓDULO VI
29 MICROBIOLOGIA
29.1 NOÇÕES GERAIS
30 PRINCIPAIS MÉTODOS DE COLORAÇÃO
30.1 HIDRÓXIDO DE POTÁSSIO (KOH)
30.2 TINTA DA CHINA (TINTA NANQUIM)
30.3 COLORAÇÃO DE GRAM
30.4 MÉTODO DE ZIEHL-NEELSEN
30.5 PESQUISA DE BAAR POR AURAMINA
30.6 MICROSCOPIA DE CAMPO ESCURO
31 CULTURA
31.1 CULTURA DE URINA (UROCULTURA)
31.2 CULTURA DE MATERIAL DO TRATO GENITURINÁRIO
31.3 CULTURA DE FEZES (COPROCULTURA)
31.4 CULTURA DE MATERIAL DO TRATO RESPIRATÓRIO SUPERIOR
31.5 CULTURA DE MATERIAL DO TRATO RESPIRATÓRIO INFERIOR
31.6 CULTURA DE MICOBACTÉRIAS
31.7 CULTURA DE ANAERÓBIOS
31.8 CULTURA DE SECREÇÕES, ABCESSOS, TECIDO SUBCUTÂNEO,
FRAGMENTO DE TECIDOS E BIÓPSIAS
31.9 HEMOCULTURA
31.10 CULTURA DE LIQUOR
31.11 CULTURA DE OUTROS LÍQUIDOS BIOLÓGICOS
31.12 CULTURA DE FUNGOS
32 ANTIBIOGRAMA OU TESTE DE SENSIBILIDADE A ANTIBIÓTICOS (TSA)
32.1 QUALITATIVO

AN02FREV001/REV 4.0
32.2 QUANTITATIVO
32.3 SELEÇÃO DE ANTIBIÓTICOS
32.4 ALGUNS EQUIPAMENTOS AUTOMATIZADOS DE IDENTIFICAÇÃO DE
DETERMINAÇÃO DA CIM
33 ESPERMOGRAMA
33.1 INTERPRETAÇÃO DOS NOVOS PARÂMETROS DE MOTILIDADE
33.2 PARÂMETRO ESTRITO (KRUGER)
33.3 ÁCIDO CÍTRICO
33.4 FRUTOSE
34 LÍQUIDO CEFALORAQUIDIANO – LCR/LIQUOR
34.1 EXAME MICROSCÓPICO
34.2 EXAME BIOQUÍMICO
34.3 EXAME CITOLÓGICO
35 OUTRAS AVALIAÇÕES
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AN02FREV001/REV 4.0
MÓDULO I

1 NOÇÕES PRELIMINARES

1.1 OBJETIVOS

O presente curso tem como objetivo o aprendizado e aperfeiçoamento do


aluno com relação à Interpretação de Exames Laboratoriais, tendo como apoio o
conhecimento básico e simplificado das alterações fisiopatológicas associadas a
determinados resultados laboratoriais. É importante frisar que este curso não tem
como objetivo fundamentar ou qualificar o aluno para concluir ou mesmo
diagnosticar quaisquer doenças relacionadas a determinados resultados
laboratoriais, uma vez que tais procedimentos são exclusivos da área médica.
Somente o clínico possui qualificação para analisar diversos resultados de exames,
sejam eles laboratoriais ou não, associá-los à clínica do paciente e assim definir o
diagnóstico, tratamento, etc.
O mundo tem assistido a um período acelerado de mudanças em todas as
áreas da Saúde, seja na prevenção, diagnóstico ou tratamento das diversas
enfermidades que acometem a população mundial. Em função disso, é inegável a
necessidade de aperfeiçoamento de todos que militam na complexa área do
diagnóstico laboratorial e, pensando nisso, o presente curso foi revisado e
reformulado, procurando se adequar às novas mudanças observadas dentro e fora
dos laboratórios clínicos. Após minuciosa revisão, novos tópicos foram implantados
e aperfeiçoados procurando acompanhar as evoluções e atender as expectativas de
todos.

AN02FREV001/REV 4.0

14
2 COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO

É de suma importância dar início ao curso com o princípio de toda a análise


laboratorial, ou seja, com a coleta de material biológico. Como será observado
adiante, a coleta de material biológico é uma importante variável pré-analítica e pode
interferir diretamente no resultado do exame por diversas razões. A seguir será
descrita resumidamente a maneira de se coletar sangue, urina, fezes, líquor,
esperma e secreções.

2.1 SANGUE

O sangue é um tecido conjuntivo líquido e relativamente constante que


circula pelo sistema vascular, tendo como principal função a circulação de
substâncias essenciais à vida. O sangue é composto por diversos tipos celulares
que constituem a parte sólida, também chamados de “elementos figurados”,
representam cerca de 45% do volume total e os 55% restantes representam a parte
líquida do sangue, composta pelo plasma.
O plasma, por sua vez, é formado por água (90%), 7% de proteínas
(principalmente a albumina, globulinas e fibrinogênio), 2% de substâncias orgânicas
não proteicas, resíduos do metabolismo celular, hormônios, gases dissolvidos, como
Oxigênio (O2) e Gás Carbônico (CO2), e 1% de substâncias inorgânicas (sódio,
potássio, ferro, cálcio, etc.).
O volume total de sangue de um indivíduo adulto normal é de
aproximadamente cinco litros, representando 7% a 8% de sua massa total. Sua
coloração vermelha é devido à molécula de hemoglobina, principal constituinte dos
eritrócitos (glóbulos vermelhos). É por meio do sangue que todos os nutrientes e
substâncias orgânicas são transportadas e é por isso que a maioria dos exames
laboratoriais é realizada analisando a composição do sangue, uma vez que esta
reflete a saúde do indivíduo.

AN02FREV001/REV 4.0

15
A obtenção do sangue é feita basicamente de três maneiras: punção
venosa, punção arterial e punção de pele, porém a grande maioria das análises é
feita após punção venosa, por sua facilidade de obtenção, uma vez que as artérias
são mais profundas e doloridas para o paciente e a punção de pele não permite
obtenção de grandes volumes.
A punção arterial é utilizada apenas para dosagens de gases sanguíneos,
também chamada gasometria, uma vez que a composição dos gases sanguíneos
varia consideravelmente entre artérias e veias. A punção de pele raramente é
utilizada, sendo muito comum para testes de glicose em aparelhos de uso pessoal
em diabéticos, algumas determinações de grupo sanguíneo, etc.
Como já foi dito, a amostra de sangue recomendada para análises
laboratoriais é a amostra venosa e para tal pode-se puncionar qualquer veia do
corpo e as preferidas são as veias do antebraço:
* Veia Basílica
* Veia Mediana
* Veia Radial
Uma observação importante é com relação ao “Teste do Pezinho”, que
posteriormente será abordado. A amostra de sangue coletada pode ser obtida por
punção venosa, não sendo necessária a punção no calcanhar do bebê. Tal
procedimento é algumas vezes escolhido pela quantidade de sangue a ser coletada,
já que a punção no calcanhar, além de mais dolorida, pode ser insuficiente para a
realização de todos os testes (preenchimento dos espaços no cartão-teste).
A punção não deve ser realizada no braço ou lado em que a paciente
realizou mastectomia (retirada do seio) ou onde o paciente recebeu uma infusão
intravenosa recentemente (soro, etc.). O mais importante em uma coleta de sangue
é que a mesma seja realizada sem traumatismos para se evitar a hemólise ou
coagulação do sangue, pois em algumas análises tais eventos interferem nos
resultados.
Nunca se deve aplicar “tapinhas” no local a ser puncionado. Tal
procedimento era utilizado para facilitar a palpação da veia, porém acarreta sérios
problemas como hemólise e em idosos portadores de ateroma (placas de gordura
nas veias) pode ocorrer o deslocamento das placas e causar graves problemas. A

AN02FREV001/REV 4.0

16
assepsia deve ser realizada utilizando algodão embebido em álcool 70% em sentido
único: de cima para baixo ou de baixo para cima.
O garroteamento é utilizado apenas para facilitar a punção, pois se aumenta
a pressão de retorno venoso no braço fazendo com que as veias se encham de
sangue e possam ser mais facilmente puncionadas. O garroteamento prolongado
leva a uma hemoconcentração de todos os elementos do sangue, refletindo em
resultados falsamente elevados e, para evitá-la, deve-se garrotear o braço do
paciente por não mais que um minuto.
A coleta deve ser realizada mediante uso de seringas e agulhas
descartáveis ou mais apropriadamente com tubos a vácuo (os tubos possuem vácuo
próprio para aspiração de volumes determinados de sangue além de
anticoagulantes próprios para cada dosagem). Outra grande vantagem na coleta a
vácuo é a eliminação do processo de transferência do sangue da seringa para o
tubo de realização dos testes.

FIGURA 1 - TUBOS PARA FIGURA 2 - SISTEMA DE


COLETA A VÁCUO COLETA A VÁCUO

FONTE: Greiner Bio-One Brasil.


FONTE: Disponível em: <www.ufrj.br>.
Disponível em: <www.gbo.com>.
Acesso em: 26 jan. 2010.
Acesso em: 26 jan. 2010.

AN02FREV001/REV 4.0

17
FIGURA 3 - CENTRÍFUGA DE LABORATÓRIO

FONTE: Fanem. Disponível em: <www.fanem.com.br>. Acesso em: 26 jan. 2010.

Os anticoagulantes são substâncias que impedem a coagulação do sangue.


O sangue fora das veias sofre um processo chamado de coagulação, na qual
aglomera os elementos figurados (sólidos) para impedir o “vazamento” do mesmo.
Tal processo é importante para estancar sangramentos, porém impossibilita a
realização de diversos exames cujos elementos figurados do sangue são
importantes (no coágulo estão presentes basicamente as células do sangue e o
fibrinogênio).
Para a maioria das dosagens bioquímicas, hormonais e imunológicas utiliza-
se o soro sanguíneo, que nada mais é que o sangue sem os elementos figurados e
sem o fibrinogênio, ou seja, é o sangue menos o coágulo. É importante ressaltar que
para obter o soro deve-se centrifugar o sangue após a coagulação, utilizando
centrífugas, que são equipamentos que centrifugam o sangue, separando seus
constituintes pela densidade.
Algumas dosagens utilizam o plasma sanguíneo, que nada mais é que o
sobrenadante (parte superior) do sangue colhido com anticoagulante e centrifugado,
ou seja, é o soro com algumas proteínas a mais (basicamente o fibrinogênio) e sem
os elementos figurados. Resumindo:

Soro: Quando o sangue é coletado sem anticoagulante, ocorre a coagulação


do mesmo, o material é então centrifugado e o sobrenadante é soro. Para facilitar a
coagulação, após a coleta pode-se colocar o tubo de ensaio contendo o sangue em
um banho-maria a 37oC por cerca de 20 minutos e então proceder à centrifugação.

AN02FREV001/REV 4.0

18
Plasma: O sangue é colhido com anticoagulante, homogeneizado e então
centrifugado, o sobrenadante é o plasma. O material recebe nomenclaturas
diferentes de acordo com tipo de anticoagulante utilizado: Plasma citratado (plasma
obtido após tratamento com o anticoagulante Citrato), Plasma heparinizado (plasma
obtido após tratamento com Heparina), etc. Em tubos de coleta a vácuo, os
anticoagulantes já estão preparados e são vendidos prontos para uso (no interior do
tubo de coleta e na concentração própria para o volume de sangue a ser coletado).
Existe uma padronização dos tubos de coleta, independentemente da marca, com
relação ao anticoagulante presente no seu interior, sendo que a diferenciação é feita
pela cor da tampa do tubo. Os mais utilizados são:

FIGURA 4 – TUBOS DE COLETA

Tampas Anticoagulante Setor Material

EDTA Hematologia Vidro ou Plástico

Sorologia
Gel separador com ativador de
e Vidro ou Plástico
coágulo
Bioquímica

Coagulação Vidro
Citrato de Sódio

Sorologia
Siliconizado sem
e Vidro ou Plástico
anticoagulante
Bioquímica

Bioquímica
Heparina
e Vidro
Sódica
Imunologia

Fluoreto de
Bioquímica Vidro ou Plástico
sódio + EDTA

Fonte: Greiner Bio-One Brasil. Disponível em: <www.gbo.com>. Acesso em: 26 jan. 2010.

AN02FREV001/REV 4.0

19
2.2 URINA

O exame de urina é também chamado de Urina tipo I, Rotina de Urina,


Parcial de Urina, EAS (Elementos Anormais e Sedimentos), entre outros. Vale
ressaltar que atualmente não se utiliza o termo Urina Tipo II (substituído pela
solicitação específica de urocultura, que será oportunamente descrita), porém o
termo Urina Tipo I permanece até os dias atuais.
O exame de Urina Tipo I é o método de triagem para investigar possíveis
alterações renais, infecções do trato genitourinário, lesões, etc. e para se processar
o exame completo de urina deve ser observada uma série de recomendações.
Deve-se realizar completa higiene nos órgãos genitais, em mulheres tal
recomendação é de suma importância para não haver contaminação da urina com
as bactérias da flora normal.
Após a higiene deve-se iniciar a micção, desprezando o primeiro jato e em
seguida coletar a amostra, ou seja, coletar o jato médio. Tal procedimento é
necessário uma vez que a parte final da uretra (cerca de 1 cm) possui inúmeras
bactérias e, ao se desprezar o primeiro jato, é feita uma “lavagem” dessas bactérias
e algumas células, obtendo assim apenas a urina oriunda de locais assépticos (sem
bactérias).
Em indivíduos saudáveis apenas a parte distal (1 cm) do final da uretra não
é asséptico. Cabe ressaltar que a amostra de urina não necessariamente precisa ser
a primeira urina da manhã. Padronizou-se dessa forma apenas pelo fato de que ao
dormir tem-se um intervalo de aproximadamente oito horas sem urinar e isso faz
com que a urina formada durante a noite seja mais concentrada. Sendo assim,
qualquer urina pode ser coletada, desde que se observe o maior intervalo possível
entre as micções para a coleta da amostra (aproximadamente 4 horas), lembrando-
se da existência, durante o dia, de variações em relação à dieta, exercício físico,
concentração da urina e uso de medicamentos.
Tal observação vale para gestantes ou pacientes com infecção urinária, que
têm uma frequência de micção muito maior que o normal. O volume a ser coletado
deve ser no mínimo de 20 mL, não se deve adicionar preservativos e a amostra

AN02FREV001/REV 4.0

20
deve ser refrigerada, nunca congelada, para garantir sua melhor preservação. Além
de estar claramente identificada e ser colhida em recipiente adequado.

FIGURA 5 – COLETOR DE FIGURA 6 - COLETOR DE URINA


URINA/UROCULTURA (ESTÉRIL) TIPO I (NÃO ESTÉRIL)

Fonte: Aaro. Disponível em: Fonte: Aaro. Disponível em:


<www.aaro.com.br>. Acesso em: 30 <www.aaro.com.br>. Acesso em: 30
jan. 2010. jan. 2010.

Uma vez coletada, a urina deve ser imediatamente entregue ao laboratório


para análise. O ideal é que a amostra seja coletada no próprio laboratório. Caso seja
impossível a entrega imediata recomenda-se refrigerá-la por no máximo duas horas.
A demora na análise da urina faz com que as bactérias normalmente presentes em
quantidade pequena e sem significado clínico, se proliferem em uma proporção de
duplicar sua quantidade a cada hora.
Com a diminuição da temperatura (refrigeração) tal procedimento é freado,
porém após duas horas inicia-se a formação de cristais, que serão oportunamente
relatados. Algumas análises utilizam toda a urina produzida pelo paciente durante 24
horas, essas análises servem para monitoramento da função renal, que pode variar
no decorrer do dia e ao analisar e calcular a urina de 24 horas tem-se uma “média”
da função renal do paciente.
Para obter a urina de 24h, precede-se da seguinte maneira: esvazia-se a
bexiga em uma determinada hora (oito da manhã, por exemplo), desprezando-se
essa micção; a partir daí coleta-se toda a urina emitida até o dia seguinte inclusive a
micção das oito horas (ou da hora que iniciou a colheita do dia anterior). Os

AN02FREV001/REV 4.0

21
procedimentos para a coleta de Urina Tipo I, como higiene e desprezar o primeiro
jato, não são aplicadas nestas análises.
Em crianças pode-se coletar a urina em coletores de plástico próprios e
estéreis. Em casos extremos utiliza-se também a coleta por punção suprapúbica,
quando a urina é aspirada diretamente da bexiga.

FIGURA 7 - KIT PARA


COLETA DE URINA

FONTE: Sanobiol. Disponível em: <www.sanobiol.com.br>. Acesso em: 30 jan. 2010.

2.3 FEZES

A coleta de fezes para exame parasitológico não possui muitas


recomendações. A mais importante delas é em caso de suspeita clínica: em que se
recomenda coletar várias amostras em dias alternados para evitar o chamado
período negativo. As amostras podem ser colhidas em dias alternados, até
completarem três, podendo ser enviadas ao laboratório a cada coleta ou
conservadas em uma solução denominada Solução de MIF, um líquido de coloração
alaranjada que permite conservá-la.
Os parasitas possuem ciclos de reprodução e, desta forma, a postura de
ovos, cistos, etc. também segue um ciclo e o período negativo reflete o período em
que não há reprodução do parasita, não havendo postura de ovos, formação de
cistos, etc. Nesses casos o paciente pode estar sendo parasitado e seu exame
parasitológico de fezes pode ser negativo.

AN02FREV001/REV 4.0

22
Existem outros exames realizados nas fezes, porém o mais conhecido é o
parasitológico, em que são pesquisadas formas diversas de parasitas que causam
doenças em humanos. Alguns observados no exame não causam doenças, porém,
devem ser relatados, pois refletem o contato do paciente com alimentos, água, entre
outros itens contaminados e indicam uma maior possibilidade de infecção futura por
outros parasitas.
Dentre os outros exames realizados nas fezes está a pesquisa de sangue
oculto e para tal exame devem ser observadas rigorosamente as seguintes
instruções durante três dias que antecedem a coleta da amostra para realização do
exame:
* Não comer carnes vermelhas, cenoura, abóbora, nabos, rabanetes,
* Não utilizar medicamentos como Aspirina, Vitamina C, Ferro.
Tais recomendações ajudam a reduzir o número de resultado falso-positivo e
ao mesmo tempo providenciam a absorção de alimentos de difícil digestão,
facilitando a descoberta de lesões que possam sangrar apenas intermitentemente.

2.4 LÍQUOR

A coleta de Líquido Cefalorraquidiano, LCR, ou Líquor é realizada apenas


por profissionais médicos especialistas e geralmente é realizada por punção lombar
ou punção cervical. A análise do líquor possui basicamente duas investigações: a
primeira é na suspeita de meningite bacteriana ou viral e a segunda é na suspeita de
doenças como Esclerose Múltipla ou Mieloma Múltiplo, que serão posteriormente
analisadas.

AN02FREV001/REV 4.0

23
2.5 ESPERMA

A coleta de esperma é, sem dúvidas, a mais constrangedora coleta de


material biológico para o paciente, ainda que o ideal seja coletar no próprio
laboratório, a maioria dos pacientes ainda prefere fazer a coleta em domicílio. O
grande problema desta opção, é a demora na entrega ao laboratório e consequente
atraso na realização do exame, o que reduz consideravelmente o número de
espermatozoides vivos na amostra (móveis). O ideal é que o exame seja realizado
em no máximo 20 minutos após a coleta, observando algumas recomendações
importantes, sendo a principal delas a abstinência sexual de três a cinco dias.
Esse tempo é preconizado, pois é o tempo que os espermatozoides levam
para terminar sua maturação. Outra recomendação importante é evitar a perda do
material, ou seja, todo o material deve ser coletado no frasco, pois o volume do
ejaculado é importante em uma série de cálculos no exame. Além dessas
recomendações o paciente deve realizar higiene prévia das mãos e do pênis, a
coleta deve ser por manipulação autoerótica (masturbação), não usar quaisquer
tipos de lubrificantes e vedar o frasco imediatamente após a coleta.

2.6 SECREÇÕES EM GERAL

A análise de secreções, como cultura geral, cultura para fungos,


micológicos, bacterioscopia, etc. é a que sofre maiores interferências da coleta. Uma
coleta inadequada interfere diretamente no resultado do exame, seja falso-positivo
por contaminação da amostra durante a coleta ou falso-negativo por coleta
inadequada. Cada coleta microbiológica possui sua particularidade e como o
objetivo do curso não é o aprofundamento de cada coleta e sim a interpretação dos
resultados, serão abordadas aqui apenas as de maior relevância pela frequência
com que são solicitadas pelos clínicos.

AN02FREV001/REV 4.0

24
FIGURA 8 - SWAB ESTÉRIL

FONTE: Disponível em: <http://dadiansautodetailing.com/>.


Acesso em: 30 jan. 2010

Os exames de bacterioscopia, ou seja, a análise em microscópio de


bactérias, células, etc. do local da lesão pode ser feito de duas maneiras: a fresco e
corado. A bacterioscopia a fresco deve ser coletada com auxílio de um swab estéril
e imediatamente transferida para um tubo estéril contendo solução salina e a análise
deve ser realizada o mais rápido possível, uma vez que a grande vantagem na
realização deste exame é a possibilidade de identificar os patógenos pelo
movimento.
A microscopia de campo escuro é uma variação da bacterioscopia a fresco,
pois utiliza um microscópio especial denominado microscópio de campo escuro e tal
técnica é útil na identificação do movimento de espiroquetas, sendo a bactéria desta
classe de maior importância o Treponema pallidum.
A bacterioscopia corada é uma ferramenta muito utilizada que conta com o
auxílio dos corantes para realização da identificação bacteriana e, diferentemente do
exame a fresco, é necessária a confecção de duas lâminas no momento da coleta,
realizando movimentos delicados e circulares com o swab contendo amostra sobre
as lâminas.
Em ambos os casos a coleta deve ser realizada com auxílio de um swab
estéril e deve ser coletada diretamente do local da lesão. A bacterioscopia é uma
espécie de triagem para visualizar uma possível infecção, uma vez que apenas
concebe a presença de bactérias ou não no local da infecção e realiza uma

AN02FREV001/REV 4.0

25
identificação apenas com relação à coloração adquirida e à forma do patógeno, bem
como a reação inflamatória local.
Uma forma mais adequada para identificar especificamente a bactéria ou o
fungo causador da doença é a cultura de material biológico, que nada mais é que
cultivar o microrganismo presente no local da lesão e por meio de testes
bioquímicos, enzimáticos, sorológicos, etc. realizar sua identificação. Vale ressaltar
que a cultura de material biológico varia conforme o material a ser coletado e,
consequentemente, altera a forma de se cultivar o microrganismo, bem como sua
identificação.
Desta forma, a cultura de secreções de pele utiliza um meio de cultura, já a
secreção vaginal para bactérias outro e a cultura de secreção vaginal para fungos
outro meio e assim por diante. A nomenclatura urocultura nada mais é que a cultura
de urina e a coprocultura é usada para a cultura de fezes.

FIGURA 9 - SWAB PARA COLETA DE MATERIAL PARA CULTURA


MICROBIOLÓGICA

FONTE: Microbiology Department, Canterbury Health Laboratories. 2012

A coleta de sangue para cultura é denominada hemocultura e a mesma deve


ser muito bem realizada para evitar uma possível contaminação e desta forma obter

AN02FREV001/REV 4.0

26
resultado falso-positivo. A presença de bactérias no sangue, denominada
septicemia, é um quadro grave, de urgência e alguns cuidados devem ser tomados
durante a coleta.
O exame possui maior positividade nas duas semanas iniciais da doença,
devendo o ser colhido de preferência antes que o paciente tenha tomado antibiótico.
Recomenda-se a coleta de duas hemoculturas em locais diferentes (braços), não
havendo necessidade de intervalos maiores que 30 minutos entre as mesmas. Tal
procedimento é utilizado para eliminar o resultado de uma possível contaminação,
uma vez que em caso de septicemia o exame será positivo em ambas as
hemoculturas e caso haja crescimento bacteriano em apenas uma é forte indicativo
de contaminação durante a coleta.
O técnico deve lavar as mãos com água e sabão, enxaguar bem, enxugar
com papel toalha e calçar as luvas. Fazer a antissepsia de toda a área (braço) com
PVPI, por no mínimo 30 segundos. Deixar secar. Passar álcool 70%. Realizar a
coleta.

3 VARIÁVEIS ANALÍTICAS

3.1 VARIÁVEIS PRÉ-ANALÍTICAS

As variáveis Pré-Analíticas são todas aquelas variações que podem alterar o


resultado do exame antes da coleta do material, sendo as mais importantes:
* Solicitação médica: dificuldade na identificação da requisição médica (qual
exame realizar).
* Dados do paciente: erros com relação ao cadastro do paciente, como nome,
sexo, idade, etc. levam à adoção errônea dos valores de referência adotados,
fazendo com que um resultado normal para um determinado paciente seja dado
como alterado pelo erro no cadastro da idade do paciente, por exemplo.

AN02FREV001/REV 4.0

27
* Preparo do paciente: deverão ser minimizados os fatores que influenciam as
determinações analíticas e que estão relacionados à atividade do paciente ou ao
momento da coleta:
* Variações diurnas: as variações diurnas fisiológicas fazem com que exames
como a dosagem do hormônio cortisol seja bem diferente se coletada pela manhã ou
à tarde. Variações menos significativas são observadas na dosagem de ferro sérico
e no hemograma.
* Exercícios: a realização de atividades físicas anteriormente à coleta eleva as
dosagens de Lactato, Creatina Quinase (CPK), TGO e LDH.
* Jejum: o não cumprimento do jejum mínimo de oito horas interfere em vários
exames, com destaque para as dosagens de Glicose e Triglicérides. Jejum muito
prolongado (48 horas) eleva a concentração de bilirrubina sérica e após 72 horas o
organismo não é mais capaz de manter a concentração plasmática de glicose.
* Dieta: a alimentação rica em gordura eleva os resultados de potássio,
triglicérides e fosfatase alcalina, já uma dieta rica em proteínas eleva a concentração
de ureia, amônia e uratos.
* Consumo de álcool: o uso de etanol eleva as taxas de lactato, urato,
triglicérides, Colesterol HDL, GamaGT e o VCM (volume corpuscular médio).
* Tabagismo: o hábito de fumar eleva a concentração de hemoglobina,
eritrócitos, leucócitos e o VCM.
* Ingestão de drogas: diversos medicamentos interferem no resultado dos
exames.
* Posição no momento da coleta: o volume de sangue em um adulto em pé é
cerca de 600-700 mL menor que em posição deitada.
* Garroteamento: o garroteamento maior que um minuto eleva a concentração
de lactato, enzimas séricas, proteínas, colesterol, sódio, potássio, cálcio e
triglicérides.
* Estresse e ansiedade: causam a elevação de lactato e leucócitos.

3.2 VARIÁVEIS ANALÍTICAS

AN02FREV001/REV 4.0

28
As variáveis analíticas são todas aquelas relacionadas à análise
propriamente dita e dentre as mais importantes estão:
* Coleta inadequada: a hemólise ou coagulação do sangue durante a coleta
resulta em uma série de alterações que impossibilitam a realização de determinados
exames. Por exemplo: a concentração de íons potássio no interior das células é
maior que no interstício e com a hemólise (rompimentos dos eritrócitos) tem-se um
aumento considerável na dosagem de potássio sérico. De maneira geral, a maioria
das interferências observadas ocorre devido à presença de hemoglobina (hemólise
causada por dificuldade na coleta), lipemia (elevada concentração de gordura no
sangue – dieta) e bilirrubina (alterações patológicas do paciente).
Essas três substâncias tem interferência direta em praticamente todos os
testes colorimétricos que tenham pico de absorção no mesmo comprimento de onda
de uma das três substâncias. Em outras palavras, os testes para dosagem de
glicose, por exemplo, cuja leitura no equipamento seja feita em um comprimento de
onda de 480 nm sofre interferência de uma eventual hemólise, uma vez que a
hemoglobina também possui um pico de absorção próximo deste comprimento de
onda. Com o avanço no desenvolvimento de novas metodologias analíticas, novos
testes estão sendo desenvolvidos, em que as leituras são realizadas em regiões
próximas à do infravermelho (600 nm ou maior), o que reduz consideravelmente a
interferência destas três substâncias nas dosagens analíticas.

FIGURA 10 - GRÁFICO ABSORBÂNCIA X COMPRIMENTO DE ONDA

FONTE: Synermed Inc. Disponível em: <www.synermed.com.br>. Acesso em 30 jan. 2010.

AN02FREV001/REV 4.0

29
A coagulação do sangue no momento da coleta impede a realização de
todas as análises celulares, como principalmente o hemograma e análises
genéticas. Os testes de coagulação também são inviabilizados caso haja
coagulação in vitro.
* Calibração: a calibração correta dos equipamentos é o fator mais importante
de variável analítica, uma vez que um equipamento que não esteja corretamente
calibrado é um gerador de erro sistemático, já que todos os resultados liberados pelo
equipamento não serão confiáveis.

3.2 VARIÁVEIS PÓS-ANALÍTICAS

As principais variáveis pós-analíticas são aquelas relacionadas à digitação


do resultado. Após o correto preparo do paciente, coleta e realização do exame, o
valor obtido deve ser corretamente transcrito e/ou digitado. A troca na inserção de
resultado entre pacientes é outro fato importante e, embora pouco comum, é
responsável por um enorme transtorno para o laboratório. As variáveis pós-analíticas
são evitadas com a implementação da automação, quando é gerado um código de
barras único para cada paciente em cada coleta e, assim, todos os equipamentos do
laboratório fazem a leitura do mesmo e os resultados obtidos são automaticamente
inseridos no sistema, não havendo a necessidade de digitação de resultados.
Falhas na impressão geram resultados duvidosos bem como laudos
confusos para o clínico. Tais falhas devem ser evitadas aderindo a impressoras de
qualidade e adotando laudos claros e com conteúdos essenciais tanto para o
paciente, quanto para o clínico.

4 CONTROLE DE QUALIDADE

O Controle de Qualidade (CQ) em laboratórios clínicos deixou de ser um


diferencial e passou a ser essencial em qualquer laboratório clínico, pois a qualidade

AN02FREV001/REV 4.0

30
na realização de um determinado exame reflete diretamente no correto diagnóstico
do paciente, bem como no adequado tratamento e acompanhamento do mesmo.
O Controle de Qualidade Total ou Garantia de Qualidade Total é um termo
genérico aplicado a vários segmentos e a definição é: “Prática que inclui todos os
esforços, procedimentos, formatos e atividades dirigidas para assegurar que uma
qualidade ou produto especificado seja alcançado e mantido”. Para que seja
alcançado é necessário controlar as variáveis pré-analíticas, analíticas e pós-
analíticas e monitorar todos os equipamentos do laboratório para obter o máximo em
precisão e exatidão, dentre outras inúmeras ações.
Para acompanhar e padronizar o CQ em Laboratórios Clínicos há diversos
órgãos que, por meio de programas de qualidade, certificam as empresas que se
adequarem aos procedimentos exigidos para obtenção de suas certificações. Dentre
as mais importantes do ramo estão a ISO 9001, Sociedade Brasileira de Análises
Clínicas (SBAC) e Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC).
A principal ferramenta para o controle de qualidade em laboratórios é a
utilização de amostras controle. Estas amostras são produzidas e comercializadas
seguindo rigorosos critérios de qualidade e, desta forma, juntamente com as
amostras, são fornecidas bulas com valores aceitáveis de cada analito. Se, após a
análise destas amostras, o resultado obtido não for compatível com o valor
estabelecido pela empresa, deve-se realizar a manutenção/calibração do
equipamento em questão. Tais amostras devem ser analisadas, no mínimo,
diariamente no início da rotina.
O Controle Interno de Qualidade é realizado com a análise diária de
amostras controle, porém existe também o Controle Externo de Qualidade, quando
periodicamente as empresas e/ou organizações acima descritas enviam ao
laboratório amostras para serem analisadas com relação a todos os exames
realizados naquela empresa e os resultados são remetidos para diagnóstico. Após
um ano de atividade, realizando as análises das amostras do Controle Externo de
Qualidade, o laboratório é certificado, caso obtenha resultados precisos e exatos
para tal.

FIM DO MÓDULO I

AN02FREV001/REV 4.0

31