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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO

METROPOLITANO DE ANGOLA

EDSON CATECO CAMERIA

DIMENSIONAMENTO DE ESTRUTURA DE UM EDIFICIO


DE BETÃO ARMADO EM PAVIMENTO VIGADO

LUANDA

2016
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO

METROPOLITANO DE ANGOLA

EDSON CATECO CAMERIA

DIMENSIONAMENTO DE ESTRUTURA DE UM EDIFICIO


DE BETÃO ARMADO EM PAVIMENTO VIGADO

Monografia apresentada ao curso de


Licenciatura em Engenharia Civil como
requisito parcial para obtenção do título de
Licenciado em Engenharia Civil, sob
orientação do Professor Mestre Engenheiro
Jerónimo Catiavala Gertrudes Fernando.

LUANDA

2016
Cameria, Edson Cateco.

Dimensionamento da Estrutura de um Edifício de Betão Armado em


Pavimento Vigado / Edson Cateco Cameria. – Morro Bento, Luanda / 2016.

Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura) – Instituto Superior


Politécnico Metropolitano de Angola, Departamento de Ciências Tecnológicas e
Engenharias (DTEC) – Curso de Licenciatura em Engenharia Civil, 2016.
VI
DEDICATÓRIA

Aos meus familiares, amigos e colegas de formação…

Àqueles que de forma directa ou indirecta deram o seu contributo moral, material ou espiritual
para a realização e conclusão do curso superior ao qual o presente trabalho está relacionado...

A todos estes eu dedico este trabalho.

VII
VIII
AGRADECIMENTOS

No instante em que me propus a realizar o curso superior de engenharia civil e o presente


trabalho, soube imediatamente que podia contar com o apoio e suporte em todos os níveis, de
diversas pessoas, que em nome individual e em nome de organizações que representavam
manifestaram vontade para tal. É claramente impossível manifestar meu agradecimento
individualmente a todas estas pessoas. Não obstante, torno manifesto o meu agradecimento a
este colectivo de pessoas.

Agradeço o meu orientador, Eng.º. Jerónimo Catiavala, por suas instruções e contribuição
para a realização deste trabalho, e por disponibilizar sem reservas o seu conhecimento e
experiencia enquanto meu professor em cadeiras fundamentais ao longo dos cinco anos de
formação.

Agradeço também o Eng.º Amaro Catumbaiala, que enquanto Professor e Director do


Departamento de Ciências Tecnológicas e Engenharia (DTEC) do IMetro, demonstrou um
interesse genuíno em fazer o que estivesse ao seu alcance para que eu e outros finalistas da
minha época pudéssemos concluir o curso com sucesso e com o mínimo de restrições.

Agradeço também à empresa Conduril Engenharia SA – Sucursal de Angola, ao seu


Administrador Eng.º Ricardo Guimarães, à direcção da empresa e ao colectivo de engenheiros
que cruzaram o meu caminho e que deram algo do que podiam para que eu concluísse este curso
superior com êxito.

Agradeço ao empreendimento Narayan Orion Project por disponibilizar publicamente


algumas peças desenhadas do projecto de arquitectura que serviu de base para o presente
trabalho.

Agradeço ao Sr. Sérgio Ferraz, funcionário zelador do património do IMetro…

Agradeço a todos meus professores…

Agradeço aos meus colegas de universidade, especialmente à turma LEC5N/2014…

Agradeço aos colegas André Lufalo, Emanuel Canga, Maurício Soares e Lourenço Capata...

Agradeço aos meus amigos…

Agradeço aos meus familiares, especialmente pais, irmãos e tio.

IX
X
RESUMO

O presente trabalho é o corolário do curso de licenciatura em engenharia civil, ministrado


pelo Instituto Superior Politécnico Metropolitano de Angola. É parte dos requisitos para a
avaliação final do curso e obtenção do título equivalente ao grau académico de licenciado.

Para o efeito, realizou-se o presente trabalho tendo como objectivo o Dimensionamento de


Estrutura de um Edifício de Betão Armado em Pavimento Vigado. Condicionado às
características arquitectónicas de um edifício urbano, foi elaborado o projecto de estrutura em
betão armado do referido edifício. Aplicaram-se os conhecimentos adquiridos ao longo do curso
com especial incidência para as disciplinas de Betão Armado I & II, Teoria de Estruturas I &
II, Resistência dos Materiais I & II, Modelação e Análise de Estruturas.

Utilizou-se o programa de cálculo Autodesk Robot Structural Analysis Pro 2015 para a
modelação da estrutura do edifício em elementos finitos, para efectuar a análise estrutural e
para realizar as verificações de segurança dos elementos estruturais, com a aplicação dos
critérios e acções e combinações de acções regulamentares estabelecidas nos eurocódigos
estruturais. Utilizou-se também o programa Microsoft office Excel 365, em auxilio, para realizar
verificações de segurança e outros cálculos necessários.

Concebeu-se uma solução estrutural e foram verificados os estados limites últimos e de


serviço dos principais elementos estruturais do edifício, nomeadamente, lajes, vigas, pilares,
núcleo e sapatas. As referidas verificações de segurança incidiram sobre a flexão simples, a
compressão e a flexão composta desviada, bem como um controlo de tensões e limitações de
deformações e fendilhação.

Para a concretização deste projecto fez-se recurso a diversos documentos, tais como
regulamentos internacionais relacionados ao assunto, os eurocódigos estruturais, tabelas
técnicas e outras bibliografias relevantes e aceites na comunidade técnica e académica.

Palavras-Chaves: Estruturas, Dimensionamento, Betão Armado, Segurança estrutural,


Estados limites.

XI
XII
LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 – Conceito de betão armado.......................................................................................... 27

Figura 2.2 - Barco de Lambot, 1848; primeira construção de betão armado ................................. 28

Figura 2.3 – Versão conceitual moderna de um vaso de Monier ................................................... 28


Figura 2.4 - Primeira ponte de betão armado. Monier, 1875 ......................................................... 28

Figura 2.5 - Betão têxtil ................................................................................................................... 30


Figura 2.6 - Palácio Dona Ana Joaquina, Av. Major Kanhangulo .................................................... 31

Figura 2.7 - Palácio da Justiça, cidade alta ...................................................................................... 31


Figura 2.8 – Antigo edifício da Assembleia Nacional ...................................................................... 32

Figura 2.9 - Novo edifício da Assembleia Nacional, cidade alta ..................................................... 32


Figura 2.10 - Igreja Sagrada Família, largo sagrada família............................................................. 32

Figura 2.11 - Exemplos de meios contínuos discretizados e analisados em elementos finitos...... 33


Figura 2.12 - Modelo de elementos finitos de uma laje ................................................................. 34

Figura 3.1 - Planta Tipo do Edifício: Pisos 1 à 4 ............................................................................... 35


Figura 3.2 – Representação tridimensional do edifício .................................................................. 36

Figura 3.3 - Malha de eixos estruturais........................................................................................... 37


Figura 3.4 - Solução estrutural adoptada........................................................................................ 38

Figura 3.5 - Perfil de pressão dinâmica para em função da altura Ze (Fonte: EC1-.4, fig. 7.4) ....... 46
Figura 3.6 - Zonas de pressão dinâmica em paredes e terraços (Fonte: EC1-1.4, fig.7.5 e fig.7.6) 46

Figura 3.7 - Distribuição de pressões em planta (vento oeste) ...................................................... 47


Figura 3.8 - Distribuição de pressões em planta (Vento Norte) ..................................................... 48

Figura 3.9 - Distribuição de pressões em planta (vento este) ........................................................ 48


Figura 3.10 - Distribuição de pressões em planta (vento sul) ........................................................ 48

Figura 3.11 - Painel de referencia para o pré-dimensionamento ................................................... 53


Figura 3.12 - Viga de referencia para pré dimensionamento ......................................................... 56

Figura 3.13 - Áreas de influencia de pilares .................................................................................... 58


Figura 3.14 – Representação esquemática de uma sapata de pilar ............................................... 59

Figura 3.15 - Modelo de pré-dimensionamento de escadas .......................................................... 60


Figura 3.16 – Modelo de cálculo global 3D ..................................................................................... 61

Figura 3.17 - Vista em planta do modelo de cálculo global ............................................................ 62


Figura 3.18 – Modelação de escadas .............................................................................................. 62
XIII
Figura 3.19 - Modelo cálculo 3D do piso 4 (shapes on) .................................................................. 62

Figura 3.20 - Modelo de cálculo mostrando acções do vento norte .............................................. 62


Figura 3.21 - Pórtico 3-3 representativo do sistema de contraventamento do edifício................. 64

Figura 3.22 - Pórtico sob efeito de acções equivalentes às imperfeições geométricas ................. 65
Figura 3.23 - Momentos flectores envoltórios Mxx na laje do piso 3 (ELU) .................................... 67

Figura 3.24 - Momentos flectores envoltórios MYY na laje do piso 3 (ELU)................................... 68


Figura 3.25 - Princípios base e relações de grandezas para flexão simples. Parábola-rectângulo . 69

Figura 3.26 – Valores extremos da envoltória de momentos ……………………………………………………… 73


Figura 3.27 - Secção transversal ………………………………………………………………………………………………… 73

Figura 3.28 - Pormenorização da viga V12, 2º piso. ....................................................................... 76


Figura 3.29 - Princípios bases e relações de grandeza para flexão composta ................................ 77

Figura 3.30 - Expressões para secção rectangular em flexão composta com armadura simétrica 78
Figura 3.31 - Secção transversal do Pilar P11 4ºAndar ................................................................... 78

Figura 3.32 - Pilar P11. Secção transversal pormenorizada ............................................................ 83


Figura 3.33 - Secção transversal real e secção transversal equivalente para hipótese 1 ............... 84

Figura 3.34 - Secção transversal real e secção transversal equivalente para hipótese 2 ............... 84
Figura 3.35 - Secção transversal real e secção transversal equivalente para a hipótese 3 ............ 84

Figura 3.36 – Expressões para o cálculo da força de tracção em sapatas ...................................... 86


Figura 3.37 - Expressões para o cálculo da força de tracção em sapatas ....................................... 86

Figura 3.38 - Pormenorização da Sapata do pilar P2 ...................................................................... 88


Figura 3.39 - Cálculo de tensões em secção não fendilhada (Cachim, Morais) .............................. 89

XIV
LISTA DE QUADROS

Quadro 3.1 - Características de resistência e de deformação do betão (EC2-1.1, Quadro 3.1) ..... 39

Quadro 3.2 - Parâmetros para determinação das acções do vento ............................................... 43


Quadro 3.3 - Coeficientes de pressão exterior para paredes (EC1-1.4, Quadro 7.1) ..................... 47

Quadro 3.4 - Coeficientes de pressão exterior para terraços (EC1-1.4, Quadro 7.2) ..................... 47
Quadro 3.5 - Valores de referência para os comprimentos das zonas ........................................... 49

Quadro 3.6 - Pressões do vento sobre superfícies exteriores (Wpe) ............................................... 49


Quadro 3.7 - Factores de combinação de acções (EC0, Quadro A1.1) ........................................... 52

Quadro 3.8 - Dados para pré-dimensionamento do pilar P15........................................................ 57


Quadro 3.9 - Pré-dimensionamento da sapata do pilar P2 ............................................................ 60

Quadro 3.10 - Dimensionamento à flexão do painel 4 ................................................................... 68


Quadro 3.11 - Dimensionamento à flexão do painel 4 (continuação…) ........................................ 68

Quadro 3.12 - valores limites e coeficientes do método parábola-rectângulo .............................. 70


Quadro 3.13 - Dados para o dimensionamento da viga V12 do piso 2 .......................................... 73

Quadro 3.14 - valores do expoente a ............................................................................................. 77


Quadro 3.15 - Dados para o dimensionamento do pilar P11 do piso 4 .......................................... 78

Quadro 3.16 - Valores dos esforços para o dimensionamento do núcleo ..................................... 85


Quadro 3.17 - Resultados do cálculo de armaduras para as paredes do núcleo............................ 85

Quadro 3.18 - Dados para o dimensionamento da sapata do pilar P2 ........................................... 87


Quadro 3.19 - Verificação de tensões em ELS da viga V12 do piso 2 ............................................. 90

Quadro 4.1 - Síntese das principais disposições construtivas …………………………………….……………... 90

XV
XVI
LISTA DE SIMBOLOS E ABREVIATURAS

Símbolos

fck Valor característico da tensão de rotura à compressão do betão aos 28 dias

fctm Valor médio da tensão de rotura a tracção do betão

Ecm Módulo de elasticidade secante do betão

Ɛcu1 Extensão última do betão à compressão

Ɛcu2 Extensão última do betão à compressão no diagrama parábola rectângulo

, Valor básico da velocidade de referencia do vento

Comprimento de rugosidade

, Comprimento de Rugosidade

Altura mínima para efeitos de cálculo de acções de vento

á Altura máxima para efeitos de cálculo de acções de vento

; ; Alturas de referência

Coeficiente de direcção

Coeficiente de sazão

( ) Coeficiente de orografia

Massa volúmica do ar; Taxa de armadura

Valor de referência da velocidade do vento

Coeficiente de terreno

( ) Coeficiente de Rugosidade

Velocidade média do vento em função da altura

Pressão dinâmica de referência

( ) Pressão dinâmica de pico

( ) Coeficiente de exposição à altura

Intensidade da turbulência

Coeficiente de turbulência

XVII
h Altura do edifício; Altura de uma seção transversal

b Largura do edifício; Largura de uma seção transversal

Coeficientes de pressão exterior

Coeficiente de pressão interior

Pressões de vento sobre superfícies exteriores

, Coeficientes de pressão exterior para a altura Z

, Pressões de vento sobre superfícies exteriores para a altura

Pressões de vento sobre superfícies interiores

γ Coeficiente parcial de segurança para acções

, Coeficiente para determinação do valor de combinação para uma acção variável

Coeficiente para determinação do valor frequente de uma acção variável

Coeficiente para determinação do valor quase-permanente de uma acção variável

Valor de cálculo dos efeitos das acções

Valor de cálculo da resistência relativa aos estados limites últimos

Coeficiente parcial relativo às acções permanentes

Coeficiente parcial relativo às acções variáveis

Valor característico de uma acção permanente

Valor representativo de uma acção de pré-esforço

, Valor característico de uma acção variável de base

, Valor característico de uma acção variável acompanhante

Valor de cálculo da resistência relativa ao valor limite do critério de utilização

Vão do elemento estrutural viga ou laje

Altura útil da seção transversal de um elemento estrutural

Coeficiente relativo ao controlo de deformação

Taxa de armaduras de referência

Carga ponderada estimada para efeitos de pré-dimensionamento

Momento flector reduzido

XVIII
Valor de cálculo do momento flector

Valor de cálculo da tensão de rotura à compressão do betão

; Valor de cálculo do esforço axial actuante

Valor de cálculo do esforço axial resistente

Área de influencia de um pilar

Número de pisos

Área da seção de betão

Área de armaduras de aço na seção

Tensão admissível do terreno

; Dimensões em planta de uma sapata

Altura de uma sapata

Acção horizontal equivalente aos efeitos das imperfeições geométricas

Inclinação equivalente à imperfeição geométrica

Valor básico da inclinação equivalente à imperfeição geométrica

Coeficiente de redução relativo à altura

Coeficiente de redução relativo ao número de elementos

, Forças horizontais que contribuem para a acção horizontal equivalente H1

Erro admissível

Erro; Módulo de elasticidade do material

Posição relativa da linha neutra da seção transversal

Percentagem de armadura de compressão em flexão simples;

Coeficiente relativo ao esforço normal reduzido em flexão composta

Percentagem mecânica de armaduras de tracção

Percentagem mecânica de armaduras de compressão

; ; Coeficientes do método parábola rectângulo para flexão simples

Área de armaduras longitudinais de tracção

Área de armaduras longitudinais de compressão

XIX
Coeficiente que relaciona o recobrimento mecânico de armaduras e a altura útil

Valor limite do momento flector reduzido

Valor limite da posição relativa da linha neutra

Recobrimento mecânico de armaduras de compressão

Valor limite da percentagem mecânica de armaduras

Extensão da armadura longitudinal de tracção

Extensão última do betão à compressão

Extensão da armadura longitudinal de compressão

Valor de cálculo da extensão da armadura

, Valor de cálculo do esforço transverso resistente de um elemento sem armaduras


de esforço transverso.

Coeficiente de segurança parcial do betão

Coeficiente relativo às armaduras longitudinais de tracção

Área de armaduras longitudinais de tracção prolongada a uma distancia

Largura da seção transversal na zona traccionada

Coeficiente relativo ao esforço normal actuante

, Área mínima de armaduras de esforço transverso

Espaçamento entre estribos

Valor característico da tensão de cedência do aço

Área de armaduras de esforço transverso

Braço do binário de forças interiores na seção transversal

, Esforço transverso máximo resistente ao esmagamento do betão nas bielas


comprimidas

Coeficiente relativo ao estado de tensão no banzo comprimido

Coeficiente relativo a tensão característica do betão

, Área de armadura longitudinal mínima

, Área de armadura longitudinal máxima

XX
M1, M2, M3 valores de cálculo de momentos flectores

Ved,1 Valores de cálculo do esforço transverso actuante na origem do elemento

Ved,2 Valor de cálculo do esforço transverso actuante no fim do elemento

, Resistência relativa à área mínima de armaduras de esforços transversos

, ; , Momentos de cálculo em relação aos eixos x e y

, ; , Momentos resistentes nas direcções x e y

Ved,y; Ved,z Valores de cálculo do esforço transverso resistente nas direcções x e y.

ν Valor do esforço normal reduzido

a Expoente relativo ao esforço normal reduzido em flexão desviada

μ ;μ Valores do momento flector reduzido nas direcções x e y

Factor de cálculo da percentagem mecânica de armaduras em flexão composta;

Coeficiente de esbelteza

ν Coeficiente relativo ao esforço normal reduzido em flexão composta

; Percentagem mecânica de armaduras nas direcções x e y

; Áreas de armaduras longitudinais de tracção nas direcções x e y

, Área total de armaduras longitudinais na seção

∅ Número de varões com diâmetro similar

,∅ Área da secção transversal de 1 varão

comprimento efectivo

raio de giração

Valor limite de esbelteza

Coordenada vertical do centro de massa do elemento

Força de tracção

Espessura de um elemento estrutural laminar; Excentricidade da carga

Área de armadura longitudinal vertical em paredes

Área de armadura longitudinal horizontal em paredes

Notação genérica de momento flector

XXI
Notação genérica de esforço normal actuante

; Excentricidade nas direcções x e y

Valor da tensão de rotura à compressão do betão

Valor da tensão de cedência à tracção do aço

Posição da linha neutra na seção

Inércia de seção fendilhada

Momento flector de fendilhação

Inércia de seção fendilhada

Coeficiente de homogeneização

Profundidade relativa do eixo neutro associada ao cálculo de tensões em flexão


composta

; ; Parcelas da expressão de

Abreviaturas

CAE Computer Aided Engeneering (Engenharia assistida por computador)

MEF Método dos Elementos Finitos

EC0 Eurocódigo 0

EC1-1.1 Eurocódigo 1 Parte 1.1

EC1-1.4 Eurocódigo 1 Parte 1.4

EC2 Eurocódigo 2

EC2-1.1 Eurocódigo 2 Parte 1.1

ELU Estados Limites Últimos

ELS Estados Limites de Utilização

APEB Associação Portuguesa das Empresas de Betão Pronto

XXII
SUMÁRIO

DEDICATÓRIA .................................................................................................................................. VII

AGRADECIMENTOS .......................................................................................................................... IX

RESUMO .............................................................................................................................................. XI

LISTA DE FIGURAS .........................................................................................................................XIII

LISTA DE QUADROS ........................................................................................................................ XV

LISTA DE SIMBOLOS E ABREVIATURAS ................................................................................. XVII

SUMÁRIO ....................................................................................................................................... XXIII

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 25

1.1. GENERALIDADES ........................................................................................................................................... 25

1.2. OBJETIVOS..................................................................................................................................................... 25

1.2.1. Objectivo geral ........................................................................................................................................ 25

1.2.2. Objectivos específicos ............................................................................................................................. 25

1.3. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ..................................................................................................................... 26

2. ESTADO DA ARTE ..................................................................................................................... 27

2.1. ESTRUTURAS DE BETÃO ARMADO ................................................................................................................ 27

2.1.1. O Conceito de betão armado e alguns aspectos históricos..................................................................... 27

2.1.2. Vantagens e Desvantagens do Betão Armado como Material Estrutural ............................................... 29

2.1.3. Situação actual e Perspectivas Futuras ................................................................................................... 29

2.2. ALGUNS EXEMPLOS DE EDIFÍCIOS EMBLEMÁTICOS DA CIDADE DE LUANDA............................................... 31

2.3. CONSIDERAÇÕES SOBRE ELEMENTOS FINITOS ............................................................................................. 33

3. CONCEPÇÃO, ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL DO EDIFICIO ............ 35

3.1. DESCRIÇÃO GERAL DO EDIFICIO EM ESTUDO ............................................................................................... 35

3.1.1. Aspectos Arquitectónicos ........................................................................................................................ 35

3.1.2. Solução Estrutural ................................................................................................................................... 36

3.2. CRITÉRIOS GERAIS DE DIMENSIONAMENTO................................................................................................. 39

3.2.1. Estados Limites ........................................................................................................................................ 39

3.2.2. Regulamentação ...................................................................................................................................... 39

XXIII
3.2.3. Materiais ................................................................................................................................................. 39

3.2.4. Ações ....................................................................................................................................................... 40

3.2.5. Combinações de Ações............................................................................................................................ 50

3.3. PRÉ-DIMENSIONAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS ............................................................................ 53

3.3.1. Lajes ......................................................................................................................................................... 53

3.3.2. Vigas ........................................................................................................................................................ 55

3.3.3. Pilares ...................................................................................................................................................... 56

3.3.4. Fundações ............................................................................................................................................... 59

3.3.5. Escadas .................................................................................................................................................... 60

3.4. MODELAÇÃO E ANÁLISE ESTRUTURAL .......................................................................................................... 61

3.4.1. Modelo de cálculo ................................................................................................................................... 61

3.4.2. Efeitos de segunda ordem ....................................................................................................................... 63

3.4.3. Imperfeições geométricas ....................................................................................................................... 63

3.4.4. Validação dos resultados ......................................................................................................................... 66

3.5. DIMENSIONAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS PARA VERIFICAÇÃO DE SEGURANÇA AOS ESTADOS


LIMITES ÚLTIMOS (EUROCÓDIGO 2) ………………………………………………………………………………………………………………. 67

3.5.1. Lajes ......................................................................................................................................................... 67

3.5.2. Vigas ........................................................................................................................................................ 69

3.5.3. Pilares ...................................................................................................................................................... 77

3.5.4. Escadas .................................................................................................................................................... 83

3.5.5. Paredes (Núcleo elevador) ...................................................................................................................... 83

3.5.6. Fundações ............................................................................................................................................... 86

3.6. VERIFICAÇÃO DE SEGURANÇA AOS ESTADOS LIMITES DE SERVIÇO ............................................................. 89

3.6.1. Limitação de Tensões .............................................................................................................................. 89

3.6.2. Controlo de Fendilhação ......................................................................................................................... 92

3.6.3. Controlo de Deformação ......................................................................................................................... 92

4. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS .............................................................................................. 93

5. CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 95

BIBLIOGRAFIA................................................................................................................................... 97

ANEXOS............................................................................................................................................... 99
XXIV
1. INTRODUÇÃO

1.1. GENERALIDADES

A engenharia de estruturas, focada na área das obras civis, é um ramo da engenharia que
lida com o comportamento e elementos estruturais sujeitos a diversos tipos de carregamentos.
Tais como são os casos das acções, tensões, deformações, variações de temperatura, etc. Os
edifícios têm a particularidade de serem as obras de engenharia civil mais comuns e observáveis
nos quais de pode evidenciar a importância do ramo de estudos da engenharia de estruturas.
O trabalho que é desenvolvido nas páginas seguintes é referente ao processo de concepção,
análise e dimensionamento da estrutura de um edifício em betão armado de laje vigada, em
conformidade com os regulamentos aplicáveis como referidos em pontos e capítulos mais
adiantados.
O presente trabalho é o corolário do curso de licenciatura em engenharia civil referido no
resumo. Os objectivos associados ao mesmo e a organização da estrutura do trabalho estão
relacionados à necessidade de exercitar-se e pôr em pratica o conjunto de conhecimentos
adquiridos durante os cinco anos de formação.

1.2. OBJETIVOS

1.2.1. Objectivo geral


O objectivo geral deste trabalho é o dimensionamento estrutural de um edifício habitacional
de 5 andares, em estrutura de betão armado e pavimento vigado, em conformidade com os
eurocódigos estruturais.

1.2.2. Objectivos específicos


Verificação de segurança relativa aos Estados Limites Últimos Estruturais (STR):
 Dimensionamento das lajes e vigas relativo à flexão simples e esforços transversos
 Dimensionamento dos pilares relativo à flexão composta desviada e esforços transversos
 Dimensionamento da caixa do elevador relativo à flexão composta e esforços transversos
 Dimensionamento das sapatas de fundação relativo à um valor tensão admissível do solo
 Pormenorização dos elementos estruturais dimensionados

25
Verificação de segurança relativa aos Estados Limites de Utilização:
 Limitação de tensões
 Controlo de fendilhação
 Controlo de deformação

1.3. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Cumprindo um critério pré-definido para a organização das peças do presente trabalho,


organizou-se todo o conteúdo escrito em cinco capítulos, incluindo os capítulos de Introdução
e Conclusão.
O presente capítulo (Capitulo 1 - Introdução), surgindo após uma série de elementos pré-
textuais, realiza uma imersão ao que se pretende desenvolver neste documento, incluindo os
objectivos e uma descrição geral da estrutura do referido documento.
Os capítulos 2, 3 e 4 constituem o desenvolvimento do tema em estudo.
No capítulo 2 é descrito o presente estado da arte. Neste capítulo abordam-se
superficialmente assuntos como o conceito de betão armado, aspectos históricos, situação actual
e perspectiva futuras, vantagens e desvantagens do betão como material de resistência estrutural
e algumas particularidades do mesmo. Neste capítulo, também são apresentados e descritos a
título de exemplo alguns edifícios emblemáticos da cidade de Luanda e fazem-se também
algumas considerações sobre elementos finitos.
Os capítulos 3 e 4 são dedicados á concepção, análise e dimensionamento estrutural do
edifício em estudo, bem como a pormenorização dos elementos estruturais relevantes. Nestes
capítulos são introduzidos os aspectos relativos a descrição do edifício em estudo e são
desenvolvidos os aspectos relativos aos critérios de dimensionamento, regulamentação, acções
e combinações de acções, modelação e análise estrutural, pré-dimensionamento,
dimensionamento e verificações de segurança.
No último capítulo (Capitulo 5 - Conclusão) são expostas em síntese as principais
conclusões e considerações finais que se entendem necessárias e importantes.
Após o último capitulo seguem-se, como elementos pós-textuais, uma lista de referencia
bibliográficas e normativas por ordem alfabética e os anexos. Os anexos são parte integrante e
inseparável do presente trabalho. Em anexo encontram-se os resultados dos cálculos efectuados
e as peças desenhadas do projecto, bem como qualquer outra informação adicional considerada
necessária e importante para qualquer comprovação e/ou compreensão do presente trabalho.
26
2. ESTADO DA ARTE

2.1. ESTRUTURAS DE BETÃO ARMADO

2.1.1. Conceito de betão armado e alguns aspectos históricos


O betão é actualmente um dos materiais mais versáteis e maleáveis utilizados na industria
da construção civil. Suas muitas vantagens, incluindo a facilidade de produção e a elevada
resistência mecânica, tornam-no o material de eleição para a maioria das estruturas de
construção civil do mundo.
É um material artificial obtido pela mistura mecânica de agregados, areia, cimento e água,
em quantidades e proporções estimadas para garantir, após um período de cura e
endurecimento, a resistência mecânica necessária.
O betão armado é um material sólido cujas propriedades resistentes são resultantes da
interacção mecânica, por aderência, entre um betão e armaduras de aço embutidas no mesmo.
As armaduras de aço no betão conferem ao novo material uma resistência à tracção e/ou à
compressão superior à do material predecessor, o betão. Para efeitos no presente capitulo,
entenda-se betão e betão armado como sendo dois materiais diferentes; o betão armado um
novo material obtido pela junção de outros dois materiais: betão e aço. Este conceito encontra-
se ilustrado na figura 2.1.

Figura 2.1 – Conceito de betão armado 1

A história do betão armado, por razões óbvias, está intrinsecamente relacionada à história
do betão. Pois o primeiro surgiu da necessidade de aprimorar-se o segundo.
Há milénios que o homem vem desenvolvendo e explorando instintivamente as argamassas
e betões da sua época para diversos fins. A história do material remete-nos ao século XVII,
época em que os romanos (mestres na manipulação e exploração do betão) experimentaram

1 Fonte: Revista Digital AEC Web


27
sem sucesso armar o betão com cabos de bronze; insucesso devido a diferença entre os
coeficientes de dilatação térmica dos dois materiais [2].
Alguns aspectos históricos relativos ao betão armado merecem destaque, como é o caso da
primeira construção de betão armado do mundo - o barco de Lambot, 1848 (figura 2.2); os vasos
florais em betão armado de Joseph Monier, 1849 (figura 2.3); os pavimentos de Francis Cognet
e William Wilkinsen, 1852-1854; a primeira ponte em betão armado do mundo (figura 2.4);
entre outros, etc [2].

Figura 2.2 - Barco de Lambot, 1848; primeira construção de betão armado 2

Figura 2.3 – Versão conceitual moderna de um vaso de Monier 3

Figura 2.4 - Primeira ponte de betão armado. Monier, 1875 4

2 Fonte: PET-UJFJ. Natália Resende. Publicação online, 2013


3 Fonte: Vasos da terra. Página Web, 2016
4 Fonte: PET-UJFJ. Natália Resende. Publicação online, 2013

28
Em angola, a utilização alargada do betão e do betão armado como materiais estruturais está
relacionada com período de colonização do território pela então potencia colonial Portuguesa,
entre os séculos XVI e XX, com a necessidade de construção de fortes, fortalezas, palácios e
outras instalações para uso principalmente militar e por dignitários.
Actualmente, o betão armado é o material de estruturas civis mais abundante em Angola.

2.1.2. Vantagens e Desvantagens do Betão Armado como Material Estrutural


Dentre as muitas vantagens do betão armado como material estrutural destacam-se as
seguintes.
 Robustez e monolitismo
 Boa resistência mecânica
 Custos de produção não muito elevados
 Economia de construção e manutenção
 Facilidade e rapidez de execução das obras
 Boa resistência ao fogo, aos agentes atmosféricos e ao desgaste mecânico
 Moldável; facilidade de adaptação às formas
 Não exige mão de obra especializada
 Boa durabilidade e boa permeabilidade
Porém, as principais desvantagens estão relacionadas com seguintes aspectos.
 Peso elevado
 Retracção e fissuração
 Necessidade de formas e escoramento
 Dificuldade para realizar reformas ou demolições
 Elevado tempo de alcance da resistência característica
 Baixa capacidade de isolamento térmico e acústico

2.1.3. Situação actual e Perspectivas Futuras


O betão armado é actualmente o material mais utilizado em todo o mundo para a construção
de estruturas e elementos estruturais. A necessidade de associar-se a boa resistência do betão à
compressão e a boa resistência do aço à tracção deu origem ao novo material, betão armado,
cujas propriedades mecânicas reúnem num só material o melhor dos dois. O resultado é um
material que tem muitas vantagens tais como as referidas no ponto anterior.
29
O futuro da indústria de betão e de toda engenharia relacionada ao referido material,
inevitavelmente, deverá cruzar-se com um processo de contínuo desenvolvimento, contínua
pesquisa e inovação relativas a melhoria de alguns aspectos como os indicados a seguir:
 Redução dos impactos ambientais
 Eco-eficiência
 Durabilidade
Actualmente, encontram-se em desenvolvimento em várias partes do mundo diversos
estudos e diversas pesquisas relacionadas à melhoria do betão como material estrutural. Alguns
desenvolvimentos, ainda em fase experimental, prometem revolucionar a engenharia civil.
Por exemplo, o designado betão têxtil é um betão cuja constituição conta com uma rede de
polímeros (vidro, fibras de carbono e resina epóxi) capazes de substituir as armaduras de aço
do betão armado convencional. O material apresenta resistência estrutural tão satisfatória
quanto a do betão armado, com uma maior durabilidade e redução do peso do material na ordem
de 75%. A sua resistência à tracção pode chegar aos 165MPa, não oxida e apresenta vantagens
consideráveis relativas a esbelteza [17].
A primeira obra com este material é uma ponte pedonal com 100m de comprimento,
inaugurada no ano 2010, na cidade de Albstadt, Alemanha. A figura 2.5 é representa o material.

Figura 2.5 - Betão têxtil 5

Outro exemplo, é o betão que elimina fissuras próprias. Segundo a reportagem de 30 de


Outubro de 2012 da BBC News, key test for re-healable concrete de Paul Rincon, uma equipa
de investigadores da universidade de Delft, na Holanda, desenvolve uma pesquisa bem-
sucedida para criação de um betão que elimina fissuras, por meio de bactérias e água, num
processo similar a uma auto-reconstrução [17].
Os dois exemplos anteriores atestam o futuro brilhante que a industria do betão e as novas
tecnologias reservam ao desenvolvimento deste material.

5 Fonte: Santos, Altair. Publicação online, Junho 2015


30
2.2. EXEMPLOS DE EDIFÍCIOS EMBLEMÁTICOS DA CIDADE DE LUANDA

Luanda, diferente das restantes cidades de Angola, é uma referência em construções


coloniais de arquitecturas do seculo XVI e XIX. No entanto, actualmente, o desenvolvimento
da cidade e a necessidade de resolução de problemas resultantes da necessidade de crescimento
e evolução urbana tem ameaçado seu valioso património arquitectónico histórico. Nos dias de
hoje Luanda apresenta-se com alguns edifícios em estrutura de betão cuja modernidade e
contemporaneidade se destacam, e a tendência de continuar a surgir tais edifícios modernos em
detrimento dos antigos é cada vez maior.
Apesar desta situação conflituosa, neste capítulo faz-se referencia à alguns dos edifícios em
estrutura de betão e betão armado, mais emblemáticos da Cidade de Luanda, antigos e
contemporâneos (ver figuras 2.6 à 2.10).

Figura 2.6 - Palácio Dona Ana Joaquina, Av. Major Kanhangulo 6

Figura 2.7 - Palácio da Justiça, cidade alta 7

6 Fonte: Luanda comemora 435 anos […]. Publicação online, 2011


7 Fonte: Panoramio.com […]. Publicação online, 2010.
31
Figura 2.8 – Antigo edifício da Assembleia Nacional 8

Figura 2.9 - Novo edifício da Assembleia Nacional, cidade alta 9

Figura 2.10 - Igreja Sagrada Família, largo sagrada família 10

8 João Cambuta. Publicação online, 2015.


9 Fonte: Sapo.pt. Publicação online, 2015
10 Fonte: Wikimedia commons. Igreja da sagrada familia, 2013.

32
2.3. CONSIDERAÇÕES SOBRE ELEMENTOS FINITOS

O procedimento para análise e dimensionamento de estruturas relativamente complexas


costumava ser um processo demasiado demorado e desgastante até cerca 1950. Actualmente
estão disponíveis programas de computador cuja capacidade de análise de estruturas é
impressionantemente rápida e precisa.
A maioria destes programas designados CAE (Computer Aided Engeneering) tem sua
formulação matemática assente no Método dos Elementos Finitos (MEF) e representam
actualmente o nível mais alto de desenvolvimento das técnicas de análise estrutural.
O MEF é uma análise matemática que consiste na discretização (subdivisão) de uma
estrutura ou elemento estrutural em elementos finitos, mantendo as mesmas propriedades do
elemento ou estrutura original. As relações entre estes elementos finitos são estabelecidas por
equações lineares e resolvidas por modelos matemáticos analíticos [1].
Embora a origem do desenvolvimento do método tenha ocorrido no final do século XVIII,
a sua viabilização tornou-se possível apenas com o surgimento dos computadores. O
desenvolvimento prático da análise estrutural pelo MEF ocorreu por volta de 1950, em
consequência dos avanços tecnológicos associados à computação. Tais avanços permitiram a
elaboração e resolução de sistemas de equações complexas, diminuindo significativamente as
dificuldades e limitações existentes no passado quanto ao processamento de equações
algébricas.
As imagens das figuras 2.11 e 2.12 ilustram o MEF.

Figura 2.11 - Exemplos de meios contínuos discretizados e analisados em elementos finitos 11

11 Fonte: LAMEF – UFRGS. Publicação online, 2016.


33
Antes do surgimento do MEF, a análise de estruturas era efectuada por resolução directa de
sistemas de equações de derivadas parciais. Devido à grande complexidade associada a tais
procedimentos, era possível realizar-se apenas uma análise de meios contínuos homogéneos e
geometricamente simples.
O MEF tornou possível a análise de estruturas de geometria arbitrária, constituída por
diversos materiais ou submetidas a várias formas de carregamento. Este avanço é tão importante
que os outros métodos utilizados no passado praticamente deixaram de ser utilizados
actualmente.
Fundamentalmente, a formulação mais usual e elegante do MEF requer a existência de uma
equação matricial que relaciona num único sistema de equações matemáticas as cargas nodais,
as rigidezes dos elementos estruturais e os seus deslocamentos nodais (equação 2.1) [1].

= ∙ (2.1)

Em que:
Matriz coluna com todas as cargas nodais
Matriz de rigidez da estrutura. Coeficientes de rigidez da estrutura inteira.
Matriz coluna com todos os deslocamentos nodais
Nos dias de hoje o MEF apresenta um nível de desenvolvimento que permite a sua utilização
pela generalidade dos projectistas de estruturas e outros profissionais de áreas que transcendem
o âmbito da engenharia estrutural. A titulo ilustrativo na figura 2.12 apresenta-se um modelo
de elementos finitos de uma laje.

Figura 2.12 - Modelo de elementos finitos de uma laje 12

Associado aos actuais desenvolvimentos tecnológicos e modernas técnicas de discretização


de sistemas contínuos, o MEF constitui uma poderosa ferramenta para a solução de problemas
de análise estrutural.

12 Fonte: Ebah. Análise estrutural de lajes […]. Publicação online, 2016.


34
3. CONCEPÇÃO, ANÁLISE E DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL DO EDIFICIO

3.1. DESCRIÇÃO GERAL DO EDIFICIO EM ESTUDO

3.1.1. Aspectos Arquitectónicos

A planta do edifício em estudo possui forma arquitectónica irregular em planta, resultante


da combinação, no plano horizontal, da intersecção de varias figuras geométricas rectangulares.
A planta do edifício assenta sobre uma área total de cerca de 185,00m2, circunscritos no
perímetro de um rectângulo cujas medidas laterais são aproximadamente 15,00x16,00m.
O edifício é constituído por 5 pisos e um terraço inacessível. Apresenta uma configuração
vertical semi-regular, sem variações consideráveis, com cotas mínima e máxima iguais à
+0.00m e +16.50m, respectivamente.

Figura 3.1 - Planta Tipo do Edifício: Pisos 1 ao 4 13

13 Fonte: Adaptado de Narayan Orion Project


35
Edifício em estudo

Figura 3.2 – Representação tridimensional do edifício 14

Trata-se de um edifício de função estritamente habitacional, cujas plantas não variam ao


longo dos pisos, nem em formato nem em compartimentação (figuras 3.1 e 3.2).
A planta tipo pisos 0 ao 5 é constituída por quatro zonas distintas: uma zona de circulação
vertical comum e outras três nos interiores dos apartamentos (zona social, zona intima e zona
de serviços). Existe um apartamento por piso, cada um dos quais constituídos por uma sala de
estar, uma sala de jantar, uma cozinha e três quartos. A área total do apartamento, excluindo
zonas comuns (escadas e elevador), é de cerca de 142.00m2.

3.1.2. Solução Estrutural

O sistema estrutural proposto como solução para o edifício em estudo é constituído por
pavimento em lajes vigadas, assentes sobre pilares e paredes estruturais em betão armado. Todo
o sistema transmite suas solicitações ao terreno por sapatas isoladas.
A adopção do sistema estrutural esteve condicionada aos aspectos geométricos e
arquitectónicos que o projecto impõe, procurando-se atender a todas as exigências de segurança
e utilização requeridas para um projecto de similar natureza e complexidade.
A malha de eixos de referencia para a localização e implantação dos pilares, vigas e sapatas
do edifício é regular, simples e ortogonal, como se pode constatar na figura 3.3.

14 Fonte: Adaptado de Narayan Orion Project


36
Figura 3.3 - Malha de eixos estruturais 15

A estrutura do edifício é constituída por um conjunto de pilares, dispostos segundo duas


direcções ortogonais, interligados por vigas nos extremos, formando pórticos que suportam as
lajes de piso também em betão armado. Os pilares e vigas têm secção rectangular de
0.25x0.25m e 0.20x0.40m, respectivamente; as lajes são maciças vigadas com espessura
calculada de 0.20m. Os elementos estruturais da solução adoptada formam, tanto quanto
possível, um reticulado monolítico suportando e transmitindo ao terreno os esforços solicitantes
(figura 3.4).
As paredes da caixa de elevador formam um núcleo sólido e monolítico em betão armado,
com secção transversal em formato U e espessuras de paredes iguais a 0.20m. O subsistema
estrutural constituído por estas paredes foi tido como a solução estrutural que melhor satisfaz
simultaneamente os requisitos arquitectónicos e de engenharia relativos a necessidade de
garantir ao edifício suficiente resistência às acções horizontais.

15 Fonte: Adaptado de Narayan Orion Project


37
Figura 3.4 - Solução estrutural adoptada 16

A solução estrutural adoptada para as fundações consiste num sistema de sapatas isoladas.
As sapatas foram fundadas a uma profundidade de 60cm em relação ao nível superior da laje
de pavimento, admitindo-se que nesta cota o terreno tenha a capacidade resistente necessária.
Foram utilizadas sapatas quadradas centradas com os elementos estruturais verticais. Em
todas as situações, devido ao vantajoso afastamento dos elementos estruturais verticais
conjugado com a capacidade resistente admitida para solo de fundação, não houve a
necessidade de recorrer-se a sapatas conjuntas.
No modelo de cálculo, os elementos verticais correspondentes aos pilares foram
considerados encastrados ao nível das fundações. A altura das sapatas foi definida de forma a
ter um funcionamento rígido, dispensando-se assim a verificação de segurança relativa ao
estado limite último de rotura por punçoamento.

16 Fonte: Autor
38
3.2. CRITÉRIOS GERAIS DE DIMENSIONAMENTO

3.2.1. Estados Limites

 Verificação de segurança relativa Estados Limites Últimos


­ EQU: Perda de equilíbrio estático
­ STR: Rotura ou deformação excessiva
 Verificação de segurança relativa aos Estados Limites de Serviço
­ Limitação de tensões,
­ Controlo de deformações
­ Controlo de fendilhação

3.2.2. Regulamentação

Para efeitos de análise e dimensionamento da estrutura do edifício foram considerados e


respeitados os dispostos nos regulamentos portugueses e nas normas europeias em vigor.

Visando garantir a segurança global da estrutura e de seus elementos, procurou-se satisfazer


os critérios de verificação de segurança aos Estados Limites Últimos e Estados Limites de
Serviço, preconizados nas seguintes normas:

 EN NP1990 Eurocódigo 0: Bases para o projecto de estruturas


 EN NP1991 Eurocódigo 1: Ações em estruturas
 EN NP1992 Eurocódigo 2: Projecto de estruturas de betão

3.2.3. Materiais

3.2.3.1. Betões

A classe de betão considerada nos cálculos e suas características de resistência e de


deformação são as indicadas no Quadro 3.1.
Quadro 3.1 - Características de resistência e de deformação do betão (EC2-1.1, Quadro 3.1)
Classe de
fck (MPa) fctm MPa) Ecm (GPa) Ɛcu1 (‰) Ɛcu2 (‰)
Resistência

C30/37 30 2.9 33 3.5 3.5

39
Betão de Limpeza:

 Norma: NP EN 206-1
 Classe de resistência à compressão: C12/15 [14]

Betão Estrutural:

 Norma: NP EN 206-1
 Classe de resistência à compressão: C30/37 [14]
 Classes de exposição ambiental: XC2; XC1 [14]
 Classes de Consistência: S3, S4 [5]
 Dimensão máxima do agregado: Dmáx=20mm [5]
 Classe de teor de cloretos: Cl0,4 [5]

A classe de resistência à compressão do betão adoptada foi determinada visando garantir


uma durabilidade conveniente e a necessária protecção das armaduras, segundo o preconizado
no anexo E, do Eurocódigo 2, para a classe de exposição mais desfavorável e no guia para
utilização da norma NP EN 206-1 da APEB.

3.2.3.2. Aços

As armaduras de aço para betão armado adoptadas para o dimensionamento da estrutura do


edifício em causa são armaduras nervuradas da classe A500NR SD (B500C). Cujo
comportamento estrutural é definido pelas características e propriedades expressas no EC2-1.1,
Anexo C.

3.2.4. Ações

Entenda-se por acção todo o agente capaz de produzir estados de tensão ou deformação na
estrutura ou em qualquer um dos seus elementos. Trata-se de um conjunto de forças aplicadas
directamente na estrutura ou um conjunto de deformações ou acelerações impostas sobre a
estrutura provocadas por assentamentos diferenciais, variações de temperatura, variações de
humidade e sismos [11].

Para efeitos de dimensionamento estrutural as acções são usualmente classificadas nos três
grupos seguintes, em função da sua variabilidade no tempo e probabilidade de ocorrência
durante o tempo de vida útil do projecto.

40
 Ações Permanentes
 Ações Variáveis
 Ações Acidentais

No entanto, no caso em estudo, as acções consideradas são somente as duas primeiras da


lista anterior. As acções acidentais são, por definição, acções de relativamente curta duração,
mas de considerável intensidade e com pequena probabilidade de ocorrência na estrutura
durante o tempo de vida útil do projecto (ex. explosões, incêndios, colisões, etc.) [11]. Estas
acções não estão consideradas no presente projecto.

As acções permanentes e as acções variáveis consideradas no presente projecto assumem os


valores característicos indicados nos próximos parágrafos.

3.2.4.1. Ações Permanentes

Entenda-se por acção permanente a acção cuja variação de intensidade ao longo do tempo
é desprezável e cuja probabilidade de ocorrer durante o tempo de vida útil do projecto é elevada
[11]. As acções permanentes consideradas no projecto em estudo são as seguintes:

 Peso especifico do betão ………………………..………... = 25,0 ⁄ [15]


 Peso de paredes exteriores …………………….………...…. = 8,0 ⁄ [6]
 Peso de paredes interiores …………………….……….…….. = 6,0 ⁄ [6]
 Peitoris / Guardas de segurança …………………….……. = 1,5 ⁄ [6]
 Peso de revestimentos de piso e tecto e infra-estruturas……... = 2,0 ⁄ [15]

3.2.4.2. Ações Variáveis

Define-se uma acção variável como toda a acção cuja variação de intensidade ao longo do
tempo não é desprezável [11].

As acções variáveis consideradas neste projecto são as seguintes:

 Sobrecargas

Estas são acções que resultam da ocupação do edifício por utilização normal de pessoas,
mobiliário e objectos móveis, eventos raros previsíveis, etc. Variam em função da categoria de
utilização do espaço conforme definido no EC1-1.1 Quadro 6.1 e Quadro 6.2.

41
Os valores assumidos são os seguintes:

 Em pavimentos, Categoria A …………………………….…... = 2,0 ⁄


 Em escadas e varandas, Categoria A …………….…………... = 3,0 ⁄
 Em cobertura não acessível, Categoria H …….….…………… = 0,4 ⁄

 Elevadores

Em alternativa a uma análise dinâmica, a acção do elevador sobre o edifício foi considerada
no modelo de cálculo como o equivalente à uma acção estática uniformemente distribuída sobre
às paredes das caixas de elevador, afectada por um factor de impacto de sobrecarga igual a
100% [7].

Os valores de referência dos pesos considerados são Elevador=1400kg, Pessoas=6x70kg.

Portanto,

E = (Peso próprio + carga máxima) ∙ 9.80 ∙ 2 N

E = (1400 + 6 ∙ 75) ∙ 9,80 ∙ 2 N → E = 35,70kN

 Ações de Vento

Entenda-se por acção do vento as pressões exercidas pelo vento directa ou indirectamente
sobre as superfícies da estrutura ou do elemento estrutural [12].

As acções do vento foram calculadas em conformidade com o EC1-1.4 e analisadas nas 4


direcções coincidentes com os pontos cardeais: Vento Norte, Vento Sul, Vento Este e Vento
Oeste.

Para efeitos de determinação destas acções, por simplificação tratou-se o edifício como uma
unidade dinamicamente independente de planta rectangular. Realizaram-se os necessários
ajustes aos critérios do EC1-1.4 para os adaptar ao edifício em estudo.

O quadro 3.2 apresenta os dados e parâmetros considerados para o cálculo das acções do
vento do caso em estudo, admitindo-se o valor básico da velocidade de referencia do vento
, = 30 / [12] e considerando um terreno de categoria III [12].

42
Quadro 3.2 - Parâmetros para determinação das acções do vento [12]

( ) , ( ) ( ) á ( ) ( ) ( ) ( ) ( / )

0.30 0.05 5.00 200.00 16.50 15.00 1.0 1.0 1.0 1.25

Em que

- Comprimento de Rugosidade - Coeficiente de direcção


, - Comprimento de Rugosidade relativo ao terreno de categoria II - Coeficiente de sazão
- Altura mínima ( ) - Coeficiente de orografia

á - Altura máxima - Massa volúmica do ar


; - Alturas de referencia do edifício

Os pontos seguintes apresentam a sequencia de cálculos adoptada.

a) Valor de referência da velocidade do vento, [12]

= ∙ ∙ (3.1)
,

substituindo

30
=1∙1∙

= 30 /

b) Coeficiente de terreno, [12]


.
(3.2)
= 0.19
,

substituindo
.
0.3
= 0.19
0.05

= 0.215

43
c) Coeficiente de Rugosidade, ( ) [12]

( )= ∙ ln ; para ≤Z≤ (3.3)


á

Em que Z é a altura de referencia considerada.

Para a altura de referência = 16.50 tem-se:

16.50
( ) = 0.215 ∙ ln
0.30

( ) = 0.86

d) Velocidade média do vento em função da altura, [12]

( )= ( )∙ ( )∙ (3.4)

Em que

( ) encontra-se descrito no quadro 3.2 e = 30 ⁄

Para a altura de referência = 16.50 obtém-se:

30
( ) = 0.86 ∙ 1 ∙

( ) = 25.8 /

e) Pressão dinâmica de referência, [12]

1 (3.5)
= ∙ ∙
2

Em que

= 1.25 / , quadro 3.2.

substituindo

1 562.5
= ∙ 1.25 ∙ (30) =
2

= 0.563 /
44
f) Pressão dinâmica de pico ( ) [12]

( )= ( )∙ (3.6)

Em que

Para a altura de referência = 16.50 , Categoria de terreno III, tem-se ( ) = 2.05.

substituindo

( ) = 2.05 ∙ 0.563 /

( ) = 1.16 /

A intensidade da turbulência associada a esta pressão dinâmica de pico é calculada pela


expressão 3.7 [12].

= (3.7)
( )∙

substituindo

1
=
16.50
1∙ 0.3

= 0.25

Procedendo analogamente à sequencia de cálculos anteriores, obtém-se para a altura de


referencia indicada o seguinte valor de pressão dinâmica de pico:

( ) = 1.13 /

= 15.00

No entanto, visto que a diferença entre os valores de pressão dinâmica de pico calculados
para as alturas de referencia = 16.50 e = 15.00 é insignificante, adoptou-se o maior
valor dentre os dois para efeitos de análise e escolha do perfil de pressão dinâmica a utilizar.

Na figura 3.5 apresenta-se o perfil de pressão dinâmica considerado para o edifício em


estudo.
45
Figura 3.5 - Perfil de pressão dinâmica para em função da altura Ze (Fonte: EC1-.4, fig. 7.4) [12]

g) Coeficientes de pressão exterior [12]

Os coeficientes de pressão exterior variam em função das zonas de pressão definidas no


EC1-1.4. Na figura 3.6 encontram-se identificadas as zonas de pressão aplicáveis ao edifício
em estudo. Nos quadros 3.3 e 3.4 encontram-se resumidos os valores de obtidos por
interpolação linear adoptados no projecto.

Figura 3.6 - Zonas de pressão dinâmica em paredes e terraços (Fonte: EC1-1.4, fig.7.5 e fig.7.6) [12]

46
Quadro 3.3 - Coeficientes de pressão exterior para paredes (EC1-1.4, Quadro 7.1) [12]

Zonas

A B D E

Coeficientes Cpe , , , , , , , ,

(h/d=3.5) -1.2 -1.4 -0.8 -1.1 +0.8 +1 -0.6 -0.6

Quadro 3.4 - Coeficientes de pressão exterior para terraços (EC1-1.4, Quadro 7.2) [12]

Zonas

F G H I

Tipo de Cobertura , , , , , , , ,

Bordo CP
-1.6 -2.2 -1.1 -1.8 -0.7 -1.2 +0.2;-0.2 +0.2;-0.2
(hp/h=0.025)

Obs.: AV=Aresta Viva; CP=Com Platibanda

As figuras 3.7 a 3.10 representam nos esquemas em planta uma distribuição das pressões
do vento calculadas, ajustada ao edifício em estudo. Os valores de referencia dos comprimentos
das zonas encontram-se no quadro 3.5.

Figura 3.7 - Distribuição de pressões em planta (vento oeste) 17

17 Fonte: Autor
47
Figura 3.8 - Distribuição de pressões em planta (Vento Norte) 18

Figura 3.9 - Distribuição de pressões em planta (vento este) 19

Figura 3.10 - Distribuição de pressões em planta (vento sul) 20

18 Fonte: Autor
19 Fonte: Autor
20 Fonte: Autor

48
Quadro 3.5 - Valores de referência para os comprimentos das zonas
Zona A B D E F G H I
Comprimento (m) 3.00 12.00 15.00 15.00 1.50 1.50 7.50 7.50

h) Coeficiente de pressão interior [12]

Segundo o EC1-1.4 o coeficiente de pressão interior depende da dimensão e da


distribuição de aberturas na envolvente do edifício. No entanto, admitindo-se que a área total
de aberturas em cada uma das faces do edifício em estudo seja inferior a 30% da área desta face
e que o edifício não possua uma face predominante, dispensando-se o cálculo do índice de
aberturas μ, o coeficiente de pressão interior assume o valor mais gravoso = (+0.2; −0.3).

i) Pressões de vento sobre superfícies exteriores, [12]

, = , ∙ ( ) (3.8)

Em que

, e , representam os valores da pressão do vento e do respectivo coeficiente de


pressão exterior de uma zona qualquer Z.

Para as zonas consideradas A, B, D, E, F, G, H, I, assume os valores indicados no


quadro 3.6.

Quadro 3.6 - Pressões do vento sobre superfícies exteriores (Wpe)

Zona A B D E F G H I

Pressão exterior -1.40 -0.93 0.93 -0.70 -2.09 -1.90 -0.82 ±0.24
( / )

j) Pressões de vento sobre superfícies interiores, [12]

O valor calculado para a pressão do vento sobre as superfícies interiores é o seguinte:

= 0.50 / .

Este valor é o resultado da aplicação da soma dos coeficientes de pressão interior sobre o
valor da pressão dinâmica de pico anteriormente calculada.

49
3.2.5. Combinações de Ações

Para o caso em estudo foram consideradas as expressões para combinações de acções


determinadas pelos eurocódigos estruturais, aplicadas aos casos de carga mais desfavoráveis do
modelo de cálculo computacional.

Cada caso de carga considera a intervenção simultânea das diversas acções, combinando as
que podem ocorrer simultaneamente, afectadas pelos respectivos coeficientes de segurança γ e
os factores de combinação , , referidos em 3.2.5.3.

Em conformidade com o EC0, para efeitos de verificação de segurança fez-se uma distinção
entre Estados Limites Últimos e Estados Limites de Utilização associados às situações de
projecto relevantes.

3.2.5.1. Estados Limites Últimos (ELU)

Por definição os estados limites últimos estão associados ao colapso ou a outras formas de
rotura estrutural. Estes normalmente correspondem à capacidade resistente máxima de uma
estrutura ou elemento estrutural [11].

Em geral deve se garantir que o valor de cálculo dos efeitos das acções ( ) seja igual ou
inferior ao valor de cálculo da resistência correspondente ( ).

≤ (3.9)

A fórmula para combinação de acções para a verificação de segurança em relação a estes


estados limites (combinação fundamental), considerando situações de projecto persistentes no
caso em estudo, é a expressão 3.10 [11].

(3.10)

Em que:

“+” significa a “combinar com”

∑ significa “o efeito combinado de”

Coeficiente de segurança parcial relativo às acções permanentes ( = 1.35) [11]

50
Coeficiente de segurança parcial relativo às acções variáveis ( = 1.50) [11]

Valor característico de uma acção permanente

Valor representativo de uma acção de pré-esforço (não aplicável neste caso)

, Valor característico de uma acção variável de base

, Valor característico de uma acção variável acompanhante

Factor de combinação

3.2.5.2. Estados Limites de Serviço (ELS)

O EC0 define os estados limites de utilização como os correspondentes às condições para


além das quais os requisitos de utilização especificados para a estrutura devem ser satisfeitos.

Deve se garantir que ≤

Sendo o valor de cálculo dos efeitos das ações especificadas no critério de utilização e
o valor de cálculo correspondente ao valor limite do critério de utilização.

As expressões de combinação de acções relativas aos Estados Limites de Utilização


definidas no EC0 e consideradas no caso em estudo são as expressões 3.11, 3.12 e 3.13.

a) Combinação característica:

(3.11)

b) Combinação frequente:

(3.12)

c) Combinação quase-permanente:

(3.13)

51
Em que:

“+” Significa a “combinar com”

∑ Significa “o efeito combinado de”

Valor característico de uma acção permanente

Valor representativo de uma acção de pré-esforço (não aplicável neste caso)

, Valor característico de uma ação variável de base

, Valor característico de uma acção variável acompanhante

, , Fatores de combinação

Em anexo encontram-se detalhadamente descritas em tabelas, as acções, os casos de carga


e as combinações de acções utilizadas para as verificações de segurança em relação aos Estados
Limites Últimos (ELU) e aos Estados Limites de Utilização (ELS) consideradas na análise do
edifício em estudo.

3.2.5.3. Coeficientes de segurança e Factores de combinação

Os coeficientes de segurança , e os fatores de combinação , , assumem os


valores indicados em 3.2.5.1 e no quadro 3.7, respectivamente.

Quadro 3.7 - Factores de combinação de acções (EC0, Quadro A1.1) [11]

Acção ,
Categoria A: Zonas de habitação 0.7 0.5 0.3
Categoria H: Coberturas 0.0 0.0 0.0
Acção do vento em edifícios (EN 1991-1.4) 0.6 0.2 0.0

52
3.3. PRÉ-DIMENSIONAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS

O pré-dimensionamento de elementos estruturais consistiu em determinar por estimativa


conservadora as dimensões preliminares dos elementos estruturais.

3.3.1. Lajes
O pré-dimensionamento das lajes esteve associado ao controlo da deformação por limitação
da relação vão/altura [11]. Em conformidade com o EC2-1.1, verificou-se a expressão 3.14.

(3.14)
= 11 + 1,5 + 3,2 −1 ≤

Em que:

Valor limite da relação vão/altura útil

Coeficiente que tem em conta os diferentes sistemas estruturais

Taxa de armaduras de referência = 10 = 0.55%

Taxa de armaduras de tracção necessária a meio vão para equilibrar o momento

Valor característico da resistência à compressão do betão em MPa

Para o caso em estudo, tomou-se como referencia para o pré-dimensionamento das lajes
internas a largura do painel-laje de maior vão (figura 3.11) e adoptou-se para todo edifício a
espessura resultante do pré-dimensionamento deste painel.

Figura 3.11 - Painel de referencia para o pré-dimensionamento 21

21
Fonte: Autor
53
Os valores básicos da relação vão/altura relativos à expressão 3.14 para os casos mais
correntes encontram-se indicados no quadro 7.4N do EC2-1-1. Considerando-se uma taxa de
armadura = 0,5% e = 1,5 ou = 0,4 obtém-se:

a) Para laje interna:


4.65
≤ 30 → ≤ 30 → ≥ 0.16

b) Para laje consola:


1.35
≤8→ ≤8→ ≥ 0.17

No entanto, adoptou-se ℎ = 0.20 para todas as lajes do edifício.

Esta espessura implica uma carga ponderada estimada e os valores de cálculo de momentos
flectores resistentes indicados a seguir.

= 1.35( + ) + 1.5( ) = 1.35(25 ∙ 0.20 + 2) + 1.5(3) = 13.95 /

a) Para laje interna:


13.95(4.65)
= = → = 37.70 /
8 8

b) Para laje consola:


13.95(1.35)
= = → = 12.71 /
2 2

Considerando o critério de economia e qualidade de execução, pretendendo-se garantir uma


boa ductilidade e um não-excesso de armaduras, procurou-se verificar < 0.18.

= (3.15)

54
Em que:

Momento flector reduzido

Valor de cálculo do momento flector

Largura de seção retangular

Altura útil da seção rectangular

Valor de cálculo da tensão de rotura à compressão do betão

Aplicando a expressão 3.15 e substituindo os dados obtém-se:

a) Para laje interna:

37.70
= = 0.15 < 0.18 ( )
1 ∙ (0.11) ∙ 20 ∙ 10

b) Para laje consola:

12.71
= = 0.022 < 0.18 ( )
1 ∙ (0.17) ∙ 20 ∙ 10

3.3.2. Vigas
O pré-dimensionamento das vigas realizou-se procurando garantir que as alturas das vigas
respeitassem o limite ℎ ≥ [14]. Analogamente ao pré-dimensionamento das lajes, tal limite

está associado ao controlo da deformação da viga pela limitação da relação vão-altura definida
no EC2-1.1.

No caso em estudo, tomaram-se como referencias para o pré-dimensionamento os


comprimentos das vigas de maiores vãos e adoptaram-se os valores obtidos para as restantes
vigas. Ou seja,

4.9
ℎ≥ ≥ 0.35
14

Adoptou-se ℎ = 0.40 para todas as vigas.

55
Adoptou-se como largura da seção rectangular das vigas a espessura da parede subjacente.
Ou seja, para todas as vigas b=0.20m (figura 3.12).

Figura 3.12 - Viga de referencia para pré dimensionamento 22

3.3.3. Pilares
O pré-dimensionamento dos pilares consistiu em determinar-se inicialmente as áreas das
secções transversais dos pilares do edifício e posteriormente as dimensões b e h das referidas
seções. Este pré-dimensionamento está associado à verificação de segurança aos estados limites
últimos de compressão simples [4], ou seja:

≤ (3.16)

Em que:

- Valor de cálculo do esforço axial actuante. Valor estimado em função da área de


influência do pilar por meio da expressão 3.17.

- Valor de cálculo do esforço axial resistente. Valor estimado em função das


propriedades resistentes dos materiais por meio da expressão 3.18.

= ∙ ∙ (3.17)

= ∙ + ∙ (3.18)

22
Fonte: Autor
56
Em que

- Valor de cálculo das acções verticais

- Área de influência do pilar

- Número de pisos acima do pilar

- Valor de cálculo da tensão de rotura à compressão do betão

- Área de betão da seção

- - Valor de cálculo da tensão de cedência do aço

- Área de aço na seção

Admitindo-se = e = 1% ; substituindo e operando as expressões 3.16, 3.17


e 3.18, obtém-se a expressão 3.19 utilizada para o pré-dimensionamento dos pilares do edifício
em estudo.

∙ ∙
≥ (3.19)
+ 1%
No caso em estudo, tomaram-se como referencias para o pré-dimensionamento as áreas de
influência dos pilares do piso 0, como são mostradas na figura 3.13, e os valores obtidos foram
adoptados para o edifício todo.

A título de exemplo, demonstra-se no quadro 3.8 o pré-dimensionamento do pilar P15


localizado no piso térreo.
Quadro 3.8 - Dados para pré-dimensionamento do pilar P15
( / ) ( ) ( ) ( )
12.26 15.95 5 20 434

Cálculo da área de secção transversal, :

12.26 ∙ 15.95 ∙ 5
≥ → ≥ 0.042
20 ∙ 10 + 1% ∙ 434 ∙ 10

Admitindo-se = 0.25 tem-se:

0.042
= ℎ→ℎ= = = 0.17
0.25

57
O presente método de pré-dimensionamento de pilares não contempla os efeitos de flexão
composta e flexão desviada resultantes das acções horizontais do vento.

Adoptou-se a secção 0.25x0.25m para todos os pilares do edifício.

Figura 3.13 - Áreas de influencia de pilares 23

23
Fonte: Autor
58
3.3.4. Fundações
O pré-dimensionamento das fundações consistiu em determinar-se as dimensões
preliminares das sapatas do edifício admitindo-se determinado valor de tensão resistente de
solo. Admitiu-se por simplificação e para efeitos de pré-dimensionamento das fundações um
solo de capacidade resistente igual =3 [3].

Figura 3.14 – Representação esquemática de uma sapata de pilar 24

 Área em planta:

(3.20)


Em que

- Tensão admissível do terreno

- Valor de cálculo do esforço normal

∙ - Área da planta da sapata

 Altura da sapata:

− − (3.21)
≤ ≤
4 2
Em que

- Altura da sapata

, - Dimensões da planta sapata (indicadas na figura)

24
Fonte: Autor
59
A título de exemplo, no quadro 3.9 apresentam-se os resultados do pré-dimensionamento
da sapata do pilar P2. Um quadro completo com os resultados do pré-dimensionamento das
sapatas de pilares é disponibilizado em anexo. Adoptou-se um formato quadrado para todas as
sapatas do edifício.
Quadro 3.9 - Pré-dimensionamento da sapata do pilar P2
Dimensões da planta (m, m2) Altura (m)
SAPATA Nsd(kN)
Área A B a H
SF2 624.10 2.10 1.45 1.45 0.25 0.30

3.3.5. Escadas
Procedendo analogamente ao pré-dimensionamento das lajes convencionais, obtêm-se para
as escadas os resultados calculados adiantes conforme o modelo da figura 3.15.

Figura 3.15 - Modelo de pré-dimensionamento de escadas 25

Admitindo-se = 1,5% e = 1,5, obtém-se:

2.95
≤ 20 → ≤ 20 → ≥ 0.15

Adoptou-se = 0.15 para todas as escadas.

Esta espessura implica uma carga ponderada estimada e os valores de cálculo de momento
flector seguintes:

= 1.35( + ) + 1.5( ) = 1.35(25 ∙ 0.15 + 2.0) + 1.5(3) = 12.26 /

12.26(2.95)
= = → = 13.34 /
8 8
Verificando critério de economia < 0.18. obtém-se:

13.34
= = = 0.03 < 0.18 ( )
1 ∙ (0.15) ∙ 20 ∙ 10

25
Fonte: Autor
60
3.4. MODELAÇÃO E ANÁLISE ESTRUTURAL

3.4.1. Modelo de cálculo


O comportamento global da estrutura foi avaliado com o recurso ao modelo de cálculo
numérico tridimensional de elementos finitos representado na figura 3.16, utilizando o
programa de computador Autodesk Robot Structural Analysis Pro.

Figura 3.16 – Modelo de cálculo global 3D 26

Neste modelo foram inseridas todas as acções sobre a estrutura e efectuadas as combinações
de acções regulamentares para obter-se os esforços de dimensionamento das peças. Os efeitos
produzidos pelas acções nas estruturas foram quantificados assumindo o comportamento dos
materiais em regime elástico linear.

A estrutura foi modelada recorrendo aos seguintes tipos de elementos finitos:

Barras – Para simular os elementos estruturais reticulados: pilares e vigas [1]

Cascas - Para simular os elementos estruturais planos: lajes e paredes [1]

Todos os casos de carga e combinações de acções foram submetidos às análises do tipo


estática não linear de 1ª ordem ou 2ª ordem.

26
Fonte: Autor
61
A verificação da segurança dos elementos que compõem a estrutura foi efectuada em relação
aos estados limites de utilização e aos estados limites últimos. Para tal os esforços devidos às
acções de projecto foram combinados de acordo com as regras definidas no EC1-1.1.

Nas figuras 3.17 à 3.20 apresentam-se as algumas imagens do referido modelo.

Figura 3.17 - Vista em planta do modelo de cálculo 27 Figura 3.18 - Modelo cálculo 3D do piso 4 (shapes on) 29

Figura 3.19 – Modelação de escadas 28 Figura 3.20 - Modelo de cálculo mostrando acções do
vento norte 30

27
Fonte: Autor
28
Fonte: Autor
29
Fonte: Autor
30
Fonte: Autor
62
3.4.2. Efeitos de segunda ordem
A análise estrutural efectuada sobre o modelo de cálculo atrás descrito foi desenvolvida
admitindo-se as seguintes hipóteses/condições:

 Análise estrutural de 2ª ordem em conformidade com o EC2


 Efeitos de imperfeições geométricas simulados por efeitos de acções equivalentes
 Análise estática não linear para os ELU.
 Análise estática linear para os ELS.

No software foram determinados os efeitos de segunda ordem através de uma análise P-


Delta, admitindo-se que as forças verticais sejam alteradas e repetidamente recalculadas de
forma iterativa. O software determina os efeitos de segunda ordem de uma forma precisa,
resolvendo intrinsecamente um método iterativo característico.

Os valores dos esforços retornados pelo software e utilizados para o dimensionamento do


edifício em estudo, relativo aos estados limites últimos representam os efeitos de segunda
ordem na estrutura.

3.4.3. Imperfeições geométricas


As imperfeições geométricas das seções transversais estão consideradas nos coeficientes de
segurança dos materiais. Segundo o EC2-1-1, tais imperfeições não devem ser consideradas na
análise estrutural.

Os efeitos desfavoráveis de possíveis imperfeições geométricas da estrutura e/ou possíveis


excentricidades na aplicação das cargas, foram contemplados na análise global de 2ª ordem
efectuada para os estados limites últimos.

Tais imperfeições foram contempladas no modelo de cálculo por uma acção horizontal
equivalente determinada pela expressão 3.22 (figura 3.21). [2][14]

= (3.22)

Em que:

- Força horizontal equivalente à imperfeição geométrica

- Carga vertical total do piso

- Inclinação equivalente à imperfeição geométrica calculada pela expressão 3.23

63
= (3.23)

Em que

= 1/200 -Valor básico

- Coeficiente de redução relativo à altura do edifício obtido (expressão 3.24)

- Coeficiente de redução relativo ao número de elementos estruturais (expressão 3.25).

2 2 (3.24)
= ; ≤ ≤1
√ 3

1 (3.25)
= 0.5 1 +

Em que

- Altura do edifício, em metros

- Número de elementos verticais que contribuem para o efeito total

Na figura 3.21 vê-se um pórtico representativo do sistema de contraventamento do edifício


em estudo.

Figura 3.21 - Pórtico 3-3 representativo do sistema de contraventamento do edifício 31

Aplicando a expressão 3.24 obtém-se:

2
= = 0.49
√16.50

31
Fonte: Autor
64
No entanto, adoptou-se = 2 3 em cumprimento da condição associada à expressão 3.24.

Aplicando a expressão 3.25 obtém-se:

1
= 0.5 1 + = 0.71
22 ∙ 5

Em que o produto 22 ∙ 5 representa o número total de pilares do edifício, isto é,


22pilaresx5pisos. [2].

Aplicando e manipulando algebricamente as expressões 3.22 e 3.23 obtém-se:

1 2
= ∙ ∙ 0.71 ∙ 2164.66
200 3
= 5.20

Sendo que

= 2164.66

= 0.0024

A figura 3.22 representa o pórtico sob efeito das acções equivalentes calculadas para o
edifício.

Figura 3.22 - Pórtico sob efeito de acções equivalentes às imperfeições geométricas 32

32
Fonte: Autor
65
3.4.4. Validação dos resultados
A validação dos resultados retornados pelo modelo de cálculo consistiu em avaliar
comparativamente os resultados retornados pelo programa com os resultados que seriam
expectáveis.

Por exemplo, uma verificação simples efectuada na fase inicial foi a comparação entre o
valor da reacção vertical total do edifício fornecido pelo programa e a soma por cálculo manual
de todas as acções verticais inseridas, isto é,

Reacção total vertical obtida pelo programa: 14.840,11kN

Soma manual do peso próprio da estrutura e todas acções verticais inseridas: 14.926,18Kn

14.926,18
(%) = − 1 ∙ 100 = 0.58%
14.840,11

= 0.58% < = 5% ( )

Por este meio pode se aferir que o modelo de cálculo está correcto, confirmando a correcta
inserção de dados e permitindo uma total confiança nos resultados devolvidos pelo programa.

Outras formas de validação de resultados foram efectuadas ao longo do processo de análise


da estrutura. No entanto, entende-se ser desnecessário demonstrá-las no presente documento.

66
3.5. DIMENSIONAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS PARA
VERIFICAÇÃO DE SEGURANÇA RELATIVA AOS ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS

3.5.1. Lajes

As lajes foram dimensionadas para a verificação de segurança em relação aos estados limites
últimos de flexão simples e esforços transversos. As áreas de armaduras das lajes foram
calculadas admitindo-se uma viga equivalente de secção rectangular de base igual a 1m.

O processo de dimensionamento das lajes, os princípios bases e as relações de grandezas


utilizadas para o efeito é análogo ao processo de dimensionamento adoptado para as vigas. Por
esta razão, não se realiza neste ponto uma descrição exaustiva sobre o referido processo.
Deixou-se tal análise para o subcapítulo seguinte referente ao dimensionamento das vigas.

Nas figuras 3.23 e 3.24 estão representados a titulo de referencia os valores de cálculo
envoltórios referentes às combinações relativas aos estados limites últimos de flexão simples
da laje do piso 3.

Figura 3.23 - Momentos flectores envoltórios Mxx na laje do piso 3 (ELU) 33

33
Fonte: Autor
67
Figura 3.24 - Momentos flectores envoltórios MYY na laje do piso 3 (ELU) 34

Nos Quadros 3.10 e 3.11 apresentam-se os resultados do dimensionamento do painel 4,


localizado entre os pontos 2-B, 2-E, 3-E, 3-I, 1-I e 1-B das figuras 3.23 e 3.24.

Quadro 3.10 - Dimensionamento à flexão do painel 4

Designação Msd (kNm) µ ω k Ԑc(‰) Ԑs(‰) As1, calculado

Armadura Inferior (Dir.Y) Msd(X+) 11,37 0,054 0,055 0,068 0,731 10,00 2,61
Armadura Superior (Dir.Y) Msd(X-) 32,72 0,154 0,169 0,209 2,636 10,00 8,00
Armadura Inferior (Dir.X) Msd(Y+) 6,75 0,032 0,032 0,040 0,416 10,00 1,53
Armadura Superior (Dir.X) Msd(Y-) 38,18 0,180 0,201 0,248 3,295 10,00 9,50
2
Obs.: valores de As em cm /m.

Quadro 3.11 - Dimensionamento à flexão do painel 4 (continuação…)

Designação Msd (kNm) As1, adoptado ρAs1 (%) As, min As, max Ԑs≥2,175‰ Ԑc<3,5‰

Armadura Inferior (Dir.Y) Msd(X+) 11,37 2,61 0,174 1,55 60,00 ok ok


Armadura Superior (Dir.Y) Msd(X-) 32,72 8,00 0,533 1,55 60,00 ok ok
Armadura Inferior (Dir.X) Msd(Y+) 6,75 1,55 0,104 1,55 60,00 ok ok
Armadura Superior (Dir.X) Msd(Y-) 38,18 9,50 0,633 1,55 60,00 ok ok
2
Obs.: valores de As em cm /m.

34
Fonte: Autor
68
3.5.2. Vigas

O dimensionamento das vigas do edifício em estudo teve em conta a verificação de


segurança em relação aos ELU de flexão simples e esforço transverso.

 Flexão simples

Os princípios bases e as relações de grandezas utilizadas para o efeito encontram-se


representados na figura 3.25.

Figura 3.25 - Princípios base e relações de grandezas para flexão simples. Método Parábola-rectângulo35

As expressões em que foram baseadas o dimensionamento a flexão simples são as seguintes:

Momento flector reduzido [4][8]:

= (3.26)

Profundidade relativa da linha neutra [4]:

(1 − ) (3.27)
=

Áreas de armaduras de tracção e compressão, respectivamente [4][8]:

= (3.28)

= (3.29)

35
Fonte: adaptada de Cachim, Morais, 2013, p.105
69
Percentagem mecânica de armaduras [4]:

Para ≤ e ≤ tem-se

(3.30)
= (1 − ) − (1 − ) −2

Em que

= = 0.10

Substituindo = 0 na expressão 3.30 obtém-se a expressão simplificada 3.31 aplicável aos


casos em que não há necessidade de se considerar a existência de armaduras de compressão na
secção.

(3.31)
= − −2 ; = 0.973

Para > e > há necessidade de se colocar armaduras de compressão para subir


a posição da linha neutra [4], isto é:

= + (3.32)

Em que

é igual às equações 3.30 e 3.31 substituindo nas mesmas por ,

- Percentagem mecânica de armaduras de compressão calculado pela expressão 3.33.


= (3.33)
1−
- Momento flector reduzido

- Percentagem mecânica de armaduras de tracção, .

- Percentagem mecânica de armaduras de compressão, .

- Profundidade relativa da linha neutra

Os valores limites , e os coeficientes do método encontram-se no seguinte quadro.


Quadro 3.12 - valores limites e coeficientes do método parábola-rectângulo [14]

0.448 0.308 0.973 0.8095 0.4160

70
As expressões 3.34 e 3.35 determinam as extensões nas armaduras.

1− (3.34)
= ; = 0.35%

(3.35)
= 1− ; = 0.35%

A expressão 3.36 representa o limite de k para o aço comprimido.

0.10
≥ → ≥ → ≥ 0.264 (3.36)
2.175
1− 1−
3.5

Abaixo deste limite imposto pela expressão 3.36 o aço comprimido encontra-se em regime
elástico, ou seja., subaproveitado.

 Esforços transversos

A verificação de segurança relativa aos estados limites últimos de resistência aos esforços
transversos realizou-se com recurso a expressão 3.37 [4].

0.18 (3.37)
, = (100 ) + 0.15 ; 0.035 + 0.15

Em que

, é o valor de cálculo do esforço transverso resistente de um elemento sem armaduras


de esforço transverso.

= 1.5 – Coeficiente parcial de segurança do betão

200
= 1+ ; 2.0

= ; 0.02

– Área de armadura longitudinal de tracção prolongada

– Menor largura da secção transversal na zona traccionada

71
MPa – Valor característico da tensão de rotura a compressão do betão

= ; 0.2

– Esforço normal na secção devido as acções de cálculo

– Área de betão da secção transversal

(Nota: unidades de comprimento e áreas em mm e mm2, respectivamente)

Nos casos em , é maior que o valor de esforço transverso actuante se adoptou um valor
mínimo de armaduras de esforço transverso obtido com a expressão 3.38 [4].

, 0.08 (3.38)
= ; =1

Nos casos em que o valor , é inferior ao valor do esforço transverso actuante, calculou-
se a resistência garantida pela armadura mínima de esforço transverso e verificou-se a mesma

ou calculou-se a armadura de esforço transverso necessária para resistência aos valores de


esforço transverso actuantes por meio da expressão 3.39 [4][8].

= (3.39)

Em que

1≤ ≤ 2.5 – Angulo entre a escora comprimida de betão e o eixo da viga

– Valor de cálculo da tensão de cedência da armadura

≤ 0.75 – Espaçamento dos estribos

= 0.9 - Braço do binário de forças interiores

Também foi verificado o valor do esforço transverso máximo resistente relativo ao


esmagamento do betão nas bielas comprimidas. Para tal considerou-se a expressão 3.40 [4][8].

= (3.40)
,
( + )

72
Em que

=1

- valor calculado por meio da expressão 3.41 [4].

(3.41)
= 0.6 1 − ;
250

Demonstra-se a titulo de exemplo a aplicação de todas estas expressões ao dimensionamento


da viga V12 do piso 2 (ver dados no quadro 3.13). As figuras 3.26 e 3.27 são relativas à mesma.

Figura 3.26 – Valores extremos da envoltória de momentos Figura 3.27 - Secção transversal 36

Quadro 3.13 - Dados para o dimensionamento da viga V12 do piso 2


Betão C30/37 M1 (kNm) M2 (kNm) M3 (kNm) Ved,1(kN) Ved,2 (kN)
Aço A500NR SD 43.07 22.73 56.02 72.93 93.16

Armaduras mínimas e máximas:

= 0.26 (3.42)
,

= 0.04 (3.43)
,

Substituindo os dados nas expressões 3.42 e 3.43 obtêm-se:

2.9
, = 0.26 ∙ 20 ∙ 35.3 → , = 1.06
500

, = 0.04 ∙ (20 ∙ 40) → , = 32.00

36
Fonte: Autor
73
Cálculo de armaduras longitudinais:

 Secção 1

Substituindo os dados do quadro 3.13 nas equações anteriores obtêm-se os seguintes


valores.

43.07
= → = 0.086 < = 0.308 ( )
0.20 ∙ 0.353 ∙ 20 ∙ 10

= 0.973 − 0.973 − 2 ∙ 0.973 ∙ 0.086 → = 0.09

20
, = 0.09 ∙ 20 ∙ 35.3 ∙ → , = 2.92
435
= 0.00; , = 0.00 ∙ → , = 0.00

(1 − 0.00)0.09
= 0.8095 → = 0.111 < = 0.448 ( )

1 − 0.111
= 0.35% → = 2.8% > = 0.2175% ( )
0.111
Fazendo = 0.10% obtém-se a expressão 3.44 para o cálculo de .

(3.44)
=
1−
Substituindo os dados na expressão 3.44 obtém-se o seguinte valor:

0.10 ∙ 0.111
= → = 0.125% (Rotura ideal; ok)
1 − 0.111

 Secção 2

Procedendo analogamente obtém-se para a secção 2 as seguintes áreas de armaduras:

= 1.51

= 0.00

 Secção 3

Procedendo analogamente obtém-se para a secção 3 as seguintes áreas de armaduras:

= 3.89

= 0.00

74
Calculo de armaduras transversais

 Armadura mínima e correspondente esforço transverso resistente:

Substituindo os dados do quadro 3.13 nas expressões obtêm-se os seguintes valores.

0.08√30
= 1.75
, ,
= ∙ 200 ∙ 1 →
500

, = 1.75 ∙ 10 ∙ 0.9 ∙ 35.3 ∙ 435 ∙ 10 ∙ 2.5 = 60.46

 Verificação da Resistência sem Armadura Transversal, Vrd,c

200
= 1+ ; 2.0 = (1.75; 2.0) → = 1.75
353

292
= ; 0.02 = (0.0041; 0.02) → = 0.0041
200 ∙ 353

Admitindo-se Ned=0 e manipulando a expressão 3.37 obtém-se:

0.18
, , = (100 ) + 0.15

0.18
, , = ∙ 1.75 ∙ (100 ∙ 0.0041 ∙ 30) + 0.15 ∙ 0 200 ∙ 353
1.5

, , = 34.22

, , = 0.035 + 0.15

, , = 0.035 ∙ 1.75 ∙ 30 + 0.15 ∙ 0 200 ∙ 353

, , = 34.23

Portanto,

, = , , ; , , = (34.23 ; 31.33 )→ , = 34.23

, = 34.22 < , = 72.93 – Não satisfaz

, = 60.46 < , = 72.93 – Não satisfaz

75
 Cálculo da armadura transversal necessária

Recorrendo-se a expressão 3.39 obtém-se:

72.93
= → = 2.11
0.9 ∙ 0.353 ∙ 435 ∙ 10 ∙ 2.5
No entanto, adoptou-se Ø6//125 – 2.3cm2/m.

Analogamente, obtém-se para a secção 3 o valor seguinte.

= 2.70

No entanto, adoptou-se Ø6//125 (2.8cm2/m)

Pormenorização

A figura 3.28 representa a pormenorização adoptada para a referida viga.

Figura 3.28 - Pormenorização da viga V12, 2º piso 37.

37
Fonte: Autor
76
3.5.3. Pilares

Os pilares foram dimensionados para a verificação de segurança em relação à flexão


composta desviada, recorrendo a análises independentes em flexão composta com compressão
em cada uma das duas direcções perpendiculares.

Verificou-se para todos os casos e todas as combinações ELU a interacção definida pela
expressão 3.45 [4][14].

, , (3.45)
+ ≤1
, ,

Em que:

, ; , - Momentos de cálculo em relação aos eixos x e y

, ; , - Momentos resistentes nas direções x e y

- Expoente que leva em conta a relação .

Os valores de referencia de encontram-se no Quadro 3.14.


Quadro 3.14 - valores do expoente a [14]

0.1 0.7 1.0

1.0 1.5 2.0

As figuras 3.29 e 3.30 apresentam, respectivamente, os princípios-bases adoptados para a


flexão composta com compressão numa direcção e as expressões de dimensionamento para uma
secção rectangular com armadura simétrica.

Figura 3.29 - Princípios bases e relações de grandeza para flexão composta 38

38
Fonte: adaptada de Cachim, Morais, 2013, p.118
77
Figura 3.30 - Expressões para secção rectangular em flexão composta com armadura simétrica 39

A titulo de exemplo demonstra-se a seguir o procedimento base utilizado para o


dimensionamento dos pilares do edifício para as verificações de segurança aos ELU de flexão
composta desviada e esforços transversos.

Seja o Pilar P11 / Elemento 257 / 4º Andar / combinação 37 (ELU), representado na imagem
abaixo (figura 3.31). O Quadro 3.15 contém os valores dos esforços para o dimensionamento
pilar.

Figura 3.31 - Secção transversal do Pilar P11 4ºAndar

Quadro 3.15 - Dados para o dimensionamento do pilar P11 do piso 4


Ned Med,y Med,z Ved,y Ved,z
Betão Aço dc (cm)
(kN) (kNm) (kNm) (kN) (kN)
C30/37 A500NR SD 158.99 18.74 16.78 10,94 12,22 3

39
Fonte: adaptada de Cachim, Morais, 2013, p.124
78
Cálculo de Armaduras Longitudinais:

 Esforço Normal Reduzido, ν [4][9].

= = (3.46)

Substituindo

158.99
= → = 0.127
0.25 ∙ 0.25 ∙ 20 ∙ 10
 Valor do expoente a [4]:

0.5( − 0.1) (3.47)


= 1+
0.6
Substituindo

0.5(0.127 − 0.1)
=1+ → = 1.023
0.6
 Momentos Flectores Resistentes, Mrd,y e Mrd,z.

, ,
Na equação 3.45 Admitindo-se = 0.5 e = 0.5 obtém-se
, ,

,
, = (3.48)
(0.5)

,
, = (3.49)
(0.5)
substituindo

18.74
, = → , = 36.90
(0.5) .

16.78
, = → , = 33.04
(0.5) .

 Momentos Flectores Reduzidos, μy e μz.

Substituindo os dados do quadro 3.15 na correspondente expressão da figura 3.30 obtêm-se


os seguintes valores de μ para as duas direcções.

, 36.90
μ = = → μ = 0.118
0.25 ∙ 0.25 ∙ 20 ∙ 10

79
, 33.05
μ = = → μ = 0.106
0.25 ∙ 0.25 ∙ 20 ∙ 10

 Percentagens Mecânicas de Armaduras, ωy e ωz.

Manipulando as expressões da figura 3.30 obtém-se

0.03
= = = 0.5 − = 0.5 − → = 0.38
ℎ 0.25
ν = 1.0 − ν = 1 − 0.127 → ν = 0.873

= 1.00

− 0.485νν (0.118 − 0.485 ∙ 0.127 ∙ 0.873)


= = → = 0.169
0.38 ∙ 1.00

( − 0.485νν ) (0.106 − 0.485 ∙ 0.127 ∙ 0.873)


= = → = 0.137
0.38 ∙ 1.00

 Áreas de Armaduras Longitudinais necessárias, Asy e Asz.

Aplicando os dados e os valores anteriormente calculados à expressão de obtêm-se:

20
= ℎ = 0.169 ∙ 25 ∙ 25 ∙ → = 2.43
2 2 ∙ 435

No entanto, adoptou-se: 2∅8 + 2∅10; A = 2.58cm

20
= ℎ = 0.137 ∙ 25 ∙ 25 ∙ → = 1.97
2 2 ∙ 435

No entanto, adoptou-se: 4∅8; A = 2.01cm

 Área Total de Armaduras adoptadas, As,tot.

= ∙ (3.50)
, ∅ ,∅

Em que

n∅ é o número de varões com diâmetro similar e A ,∅ é a área da secção transversal do varão.

A , = 8 ∙ 0.50 + 4 ∙ 0.79 → A , = 7.16cm

80
 Área Mínima de Armaduras, As,min.

0.10 (3.51)
, = ; 0.002

Substituindo
0.10 ∙ 158.99
, = ∙ 10 ; 0.002 ∙ (25) → , = (0.37 ; 1.25 )
435 ∙ 10
= 1.25 < = 2.51 2 (ok)
, ,

 Área Máxima de Armaduras, As,max.

Aplicando a expressão 3.43 obtém-se

, = 0.04 = 0.04 ∙ 25 → , = 25

Verificação da esbelteza

 Coeficiente de esbelteza do pilar, [14].


0.7 0.7
= = =
ℎ (3.52)
12

Em que

= 0.7 - comprimento efectivo

= - raio de giração

Substituindo
0.7 ∙ 3.10 2.17 2.17
= = = → = 30.09
0.25 ∙ 0.25 0.000325 0.072
12 0.625
0.25 ∙ 0.25

 Limite de esbelteza, [14]

20 (3.53)
=

Em que

= 0.7; = 1.1; = 0.7


81
Substituindo os dados na expressão 3.53 obtém-se:

20 ∙ 0.7 ∙ 1.1 ∙ 0.7


= → = 30.25 > = 30.09 ( )
√0.127

Cálculo de Armaduras Transversais:

 Verificação da resistência aos esforços transversos da secção sem armadura especifica


de resistência aos esforços transversos, Vrd,c

200
= 1+ ; 2.0 = (1.95; 2.0) → = 1.95
220

243
= ; 0.02 = (0.0044; 0.02) → = 0.0044
250 ∙ 220

Aplicando a expressão 3.37 admitindo-se Ned=0 obtém-se

0.18
, , = ∙ 1.95 ∙ (100 ∙ 0.0044 ∙ 30) + 0.15 ∙ 0 250 ∙ 220
1.5
, , = 30.42

, , = 0.035 ∙ 1.95 ∙ 30 + 0.15 ∙ 0 250 ∙ 220

, , = 28.71

, = , , ; , , = (30.42 ; 28.71 )

, = 30.42

, = 30.42 > , = 10.94 ( )

, = 30.42 > , = 12.22 ( )

82
Como se pode observar, não é necessária armadura de esforço transverso no pilar. No
entanto, em cumprimento dos requisitos relativos ao diâmetro mínimo e espaçamento máximo
impostos pelo EC2-1.1 adoptar-se-á uma armadura transversal correspondente à Ø6//160mm
ao logo do pilar, como se pode observar na pormenorização representada na figura 3.32.

Figura 3.32 - Pilar P11. Secção transversal pormenorizada 40

3.5.4. Escadas

As escadas foram dimensionadas como lajes armadas numa direcção. O processo de


dimensionamento das mesmas é, em tudo, análogo ao processo de dimensionamento das lajes
anteriormente efectuado. Por esta razão, entende-se ser desnecessária sua demonstração no
presente ponto.

Em anexo encontram-se os resultados do dimensionamento e as peças desenhadas referentes


às escadas.

3.5.5. Paredes (Núcleo elevador)

O dimensionamento das paredes do núcleo de elevador efectuou-se em conformidade com


as três hipóteses simplificadas de flexão bi-composta ilustradas nas figuras 3.33, 3.34 e 3.35.
Trata-se de um método que consiste na determinação da força de tracção solicitante em secções
transversais equivalentes às secções reais do núcleo recorrendo às expressões 3.54 a 3.62.

A verificação de segurança para os estados limites últimos de resistência aos esforços


transversos realizou-se analogamente ao processo utilizado para os pilares.

40
Fonte: Autor
83
Hipótese 1:

≅ 0.76 (3.54)

ℎ (3.55)
≅ −
2ℎ + 2

− ∙ (3.56)
= +
Figura 3.33 - Secção transversal real e secção transversal
equivalente para hipótese 1

Hipótese 2:

≅ − (3.57)
2

ℎ (3.58)
≅ −
2ℎ +

Figura 3.34 - Secção transversal real e secção transversal − ∙ (3.59)


equivalente para hipótese 2 = +

Hipótese 3:

≅ℎ− (3.60)

ℎ (3.61)
≅ +
2 2

(3.62)
= +
2
Figura 3.35 - Secção transversal real e secção transversal
equivalente para a hipótese 3

As áreas de armaduras verticais foram obtidas recorrendo-se a expressão 3.63.

= (3.63)

As áreas de armaduras horizontais As,h correspondem a 25% das respectivas áreas de


armaduras verticais As,v.

84
Nos quadros 3.16 e 3.17 apresentam-se, a titulo de exemplo, alguns dados e resultados
relativos a aplicação das referidas fórmulas ao dimensionamento das paredes do núcleo de
elevador. Um quadro completo é disponibilizado em anexo.
Quadro 3.16 - Valores dos esforços para o dimensionamento do núcleo
Piso/Secção/Combinação Nsd (kN) Msd,xx (kNm) Msd,yy (kNm)
1/1/42 2712,60 102,59 2128,36
1/1/43 2660,45 2241,93 275,75

Quadro 3.17 - Resultados do cálculo de armaduras para as paredes do núcleo


Hipótese 1
Piso/Secção/Combinação d (m) ys (m) z (m) Ft (kN) Asv (cm2) Asv (cm2/m) Ash,min (cm2/m)
1/1/42 2,14 0,67 1,63 1651,01 37,95 9,49 3,92
1/1/43 2,14 0,67 1,63 2935,86 67,49 16,87 5,44
Hipótese 2
Piso/Secção/Combinação d (m) ys (m) z (m) Ft (kN) Asv (cm2) Ash,min (cm2/m)
1/1/42 2,04 1,27 1,94 995,75 11,45 3,92
1/1/43 2,04 1,27 1,94 2080,37 23,91 3,92
Hipótese 3
Piso/Secção/Combinação z (m) Ft (kN) Asv (cm2) Asv (cm2/m) Ash,min (cm2/m)
1/1/42 1,80 2538,72 58,36 6,51 4,71
1/1/43 1,80 1483,42 34,10 3,81 3,92

A figura 3.36 ilustra a pormenorização adoptada para as paredes do núcleo.

Figura 3.36 - Pormenorização de armaduras do núcleo de elevador 41

41
Fonte: Autor
85
3.5.6. Fundações

O dimensionamento das sapatas foi efectuado com recurso a modelos simplificados de


escoras e tirantes (figuras 3.37 e 3.38), com base nos esforços provenientes do modelo
computacional elaborado.

Duas situações distintas foram analisadas e verificadas.

Situação 1

 Tensões no solo em menos de metade da sapata

Condição: >

=2∙ − = −2
2

=
− 0.35

Figura 3.37 – Expressões para o cálculo da força de tracção em sapatas (Fonte: IST Lisboa; Módulo 5)

Situação 2

 Tensões no solo em mais de metade da sapata

Condição: <

=2∙ − = −2
2

=
− 0.35
4

= ∙
2 −2

Figura 3.38 - Expressões para o cálculo da força de tracção em sapatas (Fonte: IST Lisboa; Módulo 5)
86
As áreas de armaduras foram calculadas por meio das expressões 3.64 e 3.65.

= ; (3.64)

= ; (3.65)

Em que,

- Comprimento da sapata na direcção ortogonal

- Força de tracção resultante calculada conforme a figuras

- Espaçamento de armaduras na direcção ortogonal

Foi dispensada a verificação de segurança ao estado limite de rotura por punçoamento das
sapatas pois a altura das mesmas foi definida de forma a garantir um funcionamento rígido.

Demonstra-se a seguir o dimensionamento da sapata do pilar P2, combinação 41 (Estado


limite Geotécnico, Abordagem de cálculo 1, Combinação 1), com os esforços do Quadro 3.18.
Quadro 3.18 - Dados para o dimensionamento da sapata do pilar P2
Betão Aço Nsd (kN) Msd,y (kNm) Msd,x (kNm)
C30/37 A500NR SD 624.1 6.32 5.45

Direcção x:

Situação 2 - Tensão no solo em mais de metade da sapata.

0.25
= = 0.0625
4 4
, 6.32
= = → = 0.01 < 0.0625
624.1

= − 2 = 1.45 − 2 ∙ 0.01 → = 1.43

0.27
= → = 0.98
1.45
4 − 0.35 ∙ 0.25
1.45 624.1
= ∙ → = 316.42
2 1.45 − 2 ∙ 0.01
316.42
= → = 322.87
0.98

87
Portanto,

322.87 322.87
, = → , = 7.42 → = → = 5.11 ⁄
435 ∙ 10 435 ∙ 10 ∙ 1.45
Adoptou-se Ø10//150mm; 5.20cm2

Direcção y:

Analogamente, obtém-se = 5.10 ⁄ – Adotado Ø10//150mm; 5.20cm2.

Pormenorização:

Figura 3.39 - Pormenorização da Sapata do pilar P2 42

42
Fonte: Autor
88
3.6. VERIFICAÇÃO DE SEGURANÇA RELATIVA AOS ESTADOS LIMITES DE
SERVIÇO

3.6.1. Limitação de Tensões

O EC2-1.1 recomenda uma limitação de tensões para efeitos de verificação de segurança


referente aos estados limites de serviço.

Os valores limites aplicáveis ao caso em estudo são:

≤ 0.45 → ≤ 0.45(30 ) ∴ ≤ 13.5 ; Combinação quase permanente

≤ 0.80 → ≤ 0.80(500 ) ∴ ≤ 400 ; Combinação característica

A verificação destes limites para as combinações indicadas encontra-se em anexo [14].

No entanto, descreve-se abaixo o processo adoptado para a realização dos respectivos


cálculos. Considerou-se a tracção positiva e a compressão negativa.

 Calculo de tensões em secções não fendilhadas.

Figura 3.40 - Cálculo de tensões em secção não fendilhada 43

Posição da LN [4]:

0.5 ℎ + ( − 1)( + ) (3.66)


=

Área equivalente da secção de betão [4]:

= ℎ+( − 1)( + ) = (3.67)

43
Fonte: adaptada de Cachim, Morais. 2013, p.203.
89
Inércia de secções não fendilhadas [4]:

1 1 (3.68)
= + (ℎ − ) + ( − 1)( − ) +( − 1)( − )
3 3

Tensões [4]:

= − (3.69)

= − (ℎ − ) (3.70)

= + ( − ) (3.71)

= − ( −d ) (3.72)

Momento de fendilhação [4]:

= − (3.73)
(ℎ − )

O Quadro 9 apresenta, a titulo de exemplo, a verificação de tensões em Estados limites de


utilização da viga V12 do piso 2. Como se pode observar no referido quadro, os limites
anteriormente referidos ≤ 13.5 e ≤ 400 estão respeitados.
Quadro 3.19 - Verificação de tensões em ELS da viga V12 do piso 2
As Asc A X Iun Mcr Tensões (MPa)
ELS(CHR) ELS(QPR) N
(cm2) (cm2) (cm2) (m) (m4) (kNm) σC σCt σsc σs
Secção 1 Msd(kNm) 31,06 25,15 0 3,14 1,57 823,84 0,21 9,88E-03 147,57 0,52 0,49 3,25 2,80
Secção 2 Msd(kNm) 16,42 13,54 0 1,57 1,57 815,89 0,20 9,88E-03 145,00 0,23 0,27 1,682 1,52
Secção 3 Msd(kNm) 40,22 31,54 0 4,52 1,57 830,82 0,21 9,88E-03 149,91 0,67 0,61 4,279 3,57

 Cálculo de tensões em secção fendilhada sob flexão composta

Profundidade relativa da LN [4]:

= ∙ (3.74)

90
em que,

− + − =0 (3.75)

=3 1− (3.76)
2

=6 ( − 1) + −1 + (3.77)

=6 ( − 1) + −1 + (3.78)

(3.79)
=

(3.80)
=

= − (3.81)

(3.82)
=− =− +

Tensões [4]:


= = (3.83)
(
2 1−3 + − 1) 1 − −


= = ∙ (3.84)

−1 (3.85)
= =

91
3.6.2. Controlo de Fendilhação

O controlo da fendilhação foi assegurado pelo cumprimento dos critérios do EC2-1.1


referentes à limitação dos diâmetros dos varões e limitação dos espaçamentos entre os mesmos,
em conformidade com os quadros 7.2N e 7.3N da referida norma.

O valor limite considerado para a largura de fendas é wk=0.3mm [14].

3.6.3. Controlo de Deformação

Em conformidade com o EC2-1.1 a verificação de deformação de um elemento estrutural


poderá ser dispensada se forem respeitados certos valores limites da relação vão-altura útil [14].

Tais valores limites são definidos pelas expressões seguintes.

(3.86)
= 11 + 1,5 + 3,2 −1 ≤

1 ´ (3.87)
= 11 + 1,5 + >
− ´ 12

Em que:

/ Valor limite da relação vão/altura útil

Coeficiente que tem em conta os diferentes sistemas estruturais

Taxa de armaduras de referência = 10 = 0.55%

Taxa de armaduras de tracção necessária

´ Taxa de armadura de compressão necessária

Valor característico da resistência à compressão do betão em MPa

O pré-dimensionamento dos elementos estruturais do caso em estudo teve em conta as


limitações da relação vão-altura definidos pelas expressões anteriores. Por tal facto, considera-
se verificado o estado limite de deformação da estrutura.

92
4. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS

Durante todo o processo de análise, dimensionamento e pormenorização da estrutura do


edifício foram respeitadas as disposições construtivas aplicáveis relativas a armaduras de betão
armado e elementos e regras particulares recomendadas pelo EC2-1.1, capítulos 8 e 9.

No Quadro 4.1 descreve-se em resumo algumas das principais disposições construtivas


aplicadas ao caso em estudo.
Quadro 4.1 - Síntese das principais disposições construtivas [14]
Armaduras Longitudinais

, = 0.26 ; 0.0013 Lajes; vigas

0.10
Armadura mínima , = ; 0.002 Pilares

, = 0.002
Paredes
, = max(25% , ; 0.001 )

Lajes, vigas, pilares e


Armadura máxima , = 0.04
paredes

Lajes, vigas, pilares e


Espaçamento mínimo = (∅; +5 ; 20 )
paredes

Espaçamento máximo = (3ℎ; 400 ) Lajes e paredes

Lajes, vigas, pilares e


Comprimento de amarração 40∅
paredes
Diâmetro mínimo 8mm Pilares e sapatas
Diâmetro máximo 20mm Lajes, vigas e pilares
Armaduras Transversais
Lajes, vigas, pilares,
Diâmetro mínimo 6mm
paredes
Lajes, vigas, pilares,
Espaçamento mínimo = ∅; +5 ; 20
paredes e sapatas

= 0.75 (1 + ) Lajes e vigas


Espaçamento longitudinal
máximo
= (20 ; ; 400 ) Pilares e paredes

Espaçamento transversal
= min(0.75 ; 600 ) Vigas e lajes
entre ramos de estribos

93
94
5. CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

As estruturas de betão armado devem ser dimensionadas e calculadas visando satisfazer, ao


máximo possível, determinados critérios de segurança, economia e viabilidade técnica.

Quanto a segurança, basta que sejam respeitados os critérios normativos relativos ao tipo de
estrutura e sua função, para que se considere que a mesma esteja garantida. No entanto, quanto
a economia, é importante que sempre que possível se considere a hipótese de adoptar-se
elementos estruturais mais esbeltos ou que exijam menos consumo de matéria prima para sua
produção.

É nesta linha de raciocínio que no presente trabalho procurou-se dimensionar os elementos


estruturais em função dos referidos critérios - segurança e economia. Esta posição tornou
possível, entre outras, chegar-se às seguintes conclusões importantes:

O dimensionamento das secções transversais de alguns elementos estruturais do edifício em


estudo, como é o caso das lajes e vigas por exemplo, por controlo da deformação em estados
limites de utilização através da limitação da relação vão-altura útil, em conformidade com o
Eurocódigo 2, resultou em secções transversais mais esbeltas do que inicialmente havia se
estimado por outro método. Este facto, por si só, constitui vantagem em termos económicos e
estéticos sem comprometer a segurança estrutural do edifício. É possível perceber que os limites
de deformação l/250 e l/500 aplicados ao edifício em estudo encontram-se satisfeitos com uma
margem de segurança considerável. Esta margem permite uma nova redução da secção
transversal de alguns elementos estruturais.

Outra conclusão interessante e igualmente importante à qual foi possível chegar-se é a de


que os limites de profundidade da linha neutra (k) e de momento flector reduzido (μ) impostos
pelo EC2 para efeitos de garantia de ductilidade e controlo de plasticidade das secções
transversais das lajes e vigas do edifício em estudo, por serem elevados, permitiram uma
redução da área de armaduras nas secções transversais destes elementos.

Durante a realização do presente trabalho, retiraram-se importantes conhecimentos na área


de engenharia civil. Foi possível perceber que um trabalho de natureza e complexidade
similares ao presente pode ser um processo mais moroso e mais desgastante do inicialmente se
prevê, mas de onde se retiram importantes conhecimentos quer na área de engenharia civil, quer

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no que diz respeito ao relacionamento com colegas de actividade e profissionais da área
experientes. Entende-se que todas estas experiências sejam importantes para a vida profissional.

Foi interessante percorrer o EC1-1.4, calcular e compreender os diversos factores e variáveis


associados ao cálculo das acções do vento no edifício em estudo. De facto, relativamente a este
assunto, uma das dificuldades encontradas durante a realização do presente trabalho foi
encontrar publicações de referencia que se debruçassem sobre a adaptação que é necessária
fazer, relativamente as zonas de aplicação de acções do vento estabelecidas no EC1-1.4, para
ajustá-las a edifícios que não sejam de planta rectangular, como é o caso do edifício em estudo.

Entende-se terem sido concretizados os objectivos preconizados para a realização deste


trabalho, razão pela qual deixam-se a seguir algumas considerações para trabalhos de futuros
estudantes.

No presente trabalho, como referido anteriormente, foram calculadas as acções do vento em


conformidade com o EC1-1.4. Porém, não foram desenvolvidos os fundamentos da norma
relativos ao assunto. Propõe-se a titulo de recomendação para pesquisas futuras, o
desenvolvimento deste assunto com exaustão e profundidade necessárias, incidindo
especialmente sobre a aplicabilidade aos edifícios de planta não rectangular. Recomenda-se
também um estudo comparativo relativo aos fundamentos do dimensionamento geotécnico de
fundações focado nas abordagens de cálculo referidas no Eurocódigo 7. Este assunto não foi
abordado no presente trabalho.

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BIBLIOGRAFIA

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cálculo. Publindústria, Edições Técnicas – Outubro 2013.
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últimos de elementos com esforço axial desprezável. Módulo 2 2008/2009. Instituto
Superior Técnico – IST, Lisboa / Portugal.
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últimos de elementos com esforço axial não desprezável. Módulo 3 2008/2009. Instituto
Superior Técnico – IST, Lisboa / Portugal.
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Módulo 5 2008/2009. Acessível no Instituto Superior Técnico – IST, Lisboa / Portugal.
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Português da Qualidade. Lisboa, 2010.
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Europeu da Normatização - CEN, Bruxelas. Versão Portuguesa - Instituto Português da
Qualidade. Lisboa, 2009

97
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Regras para Edifícios. Comité Europeu da Normatização, Bruxelas. Versão Portuguesa
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em 29 de Julho de 2016.

REFERENCIAS DAS IMAGENS ……………………………………………………………………………………………

 Revista digital AEC Web. Concreto armado é solução durável e económica. Publicação online.
http://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/concreto-armado-e-solucao-duravel-e-economica. Acesso 29/06/2016.
 Resende, Natália. PET UJFJ. Uma breve história do concreto armado. Publicação online. 1ª edição, 31/07/2013.
https://blogdopetcivil.com/2013/07/31/a-historia-do-concreto-armado/. Acesso em 29/06/2016.
 Vasos da terra. Marcelo Belloto. Pagina Web.
http://vasosdaterra.com.br/vasos/site/index.php/category/concreto-armado/. Acesso 29/06/2016.
 Wikimedia commons. Igreja da sagrada familia.jpg. Pagina online, Junho 2013.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Igreja_da_Sagrada_Familia_Luanda.JPG. Acesso em 29/06/2016.
 Sapo.pt. Página Web. 2015. http://olhares.sapo.pt/luanda-nova-assembleia-nacional-de-angola-
foto5781973.html. Acesso 29/06/2016.
 Narayan Orion Project. Página Web, 2015. http://www.narayanrealty.com/projects/narayan-orion-
vadodara/default.aspx. Acesso em Novembro de 2015.
 A especiaria. Angola-luanda comemora 435 anos da sua fundação. Publicação online, Maio 2011.
http://aespeciaria.blogspot.com/2011/05/angola-luanda-comemora-435-anos-da-sua.html. Acesso 29/08/2016.
 Panoramio.com. Publicação online, 2010. http://www.panoramio.com/photo/37070342. Acesso 29/06/2016.
 Cambuta, João. A assembleia nacional aprova o perdão fiscal. Publicação online, Janeiro 2015.
http://joaocambuta.com/a-assembleia-nacional-aprova-o-perdao-fiscal/. Acessado em 29 de Julho de 2016.
 LAMEF – UFRGS (Laboratório de Metalurgia Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Análise
por elementos finitos. Publicação online, 2015.
http://www.lamef.demet.ufrgs.br/trabalho/engenharia_materiais.html. Acesso 29/06/2016.
 Ebah. TCC - Analise estrutural de lajes de concreto armado em edifícios. Publicação online, http://ebah-web-
586602798.us-east-1.elb.amazonaws.com/content/ABAAAgfY4AB/tcc-analise-estrutural-lajes-concreto-
armado-edificios?part=3. Acesso 29/06/2016.

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ANEXO A - PEÇAS ESCRITAS

 Relatório de cálculo Autodesk Robot Strutural Analysis Pro


(Dados)
 Relatório de cálculo Autodesk Robot Strutural Analysis Pro
(Resultados)
 Relação de nomenclaturas (Peças desenhadas vs Robot)
 Cálculo de armaduras de flexão e esforços transversos em lajes
 Cálculo de armaduras de esforços transversos em lajes
 Cálculo de armaduras de flexão em vigas
 Cálculo de armaduras de esforços transversos em vigas
 Cálculo de armaduras de flexão composta desviada em pilares
 Cálculo de armaduras de esforços transversos em pilares
 Cálculo de armaduras de fundações
 Cálculo de armaduras de paredes do núcleo de elevador
 Verificação de tensões em estados limites de utilização
ANEXO B - PEÇAS DESENHADAS

 Plantas descritivas de arquitectura


 Plantas descritivas e cortes verticais da estrutura
 Pormenorização de armaduras em lajes e escadas
 Pormenorização de armaduras em vigas
 Pormenorização de armaduras em pilares e paredes
 Pormenorização de armaduras de fundações