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Dimensões da Urbanização na Contemporaneidade

Paulo Marcondes Ferreira Soares


Prof. do Departamento de Ciências Sociais da UFPE

Não é o caso aqui de se proceder à elaboração de uma visão exaustiva ou sistemá-


tica do processo de urbanização. Longe de tal perspectiva, procurar-se-á não mais que
apenas indicar, de modo parcial e esquemático, certos aspectos relevados por modelos de
teoria social a propósito do espaço urbano. Além do mais, o maior objetivo deste trabalho
não é o de fomentar um debate sobre as teorias sociais da urbanização, mas, sim, de tentar
se valer de algumas dessas contribuições, a fim de que se possa criar mecanismos que via-
bilizem a identificação de determinados elementos do discurso sobre/na e da cidade na so-
ciedade atual - levando em conta que um tal discurso deve ser configurado como um campo
de representção significativa amplamente mediada por injunções econômicas, políticas,
sócio-culturais e históricas, entre outras, e que se encontram claramente manifestas ou
ocultadas no âmbito do cotidiano urbano daquelas cidades. Especialmente, neste caso, não
se trata, pois, de descrever o urbano tal como se ele se mostrasse em uma cotidianidade per
se; mas de observar como ele pode ser identificado enquanto discurso, a partir das repre-
sentações elaboradas como mediações e/ou dialogismo de uma multiplicidade de fatores,
vozes e imagens que se entrecruzam em seu cotidiano. No caso, aqui, trata-se de como o
rock elabora um certo discurso cujos fragmentos criam determinadas imagens do urbano e
do contemporâneo na cidade - imagens essas que mantêm níveis sensíveis de mediação
com um mundo “juvenil” de representações contraditórias, como se pode observar.
Particularmente, interessa apreender uma certa dimensão crítica e conflitiva do cotidiano
urbano naquelas imagens e representações (como se buscará empreender no último
capítulo).
No que se refere à teoria social e à crítica da urbanização, convém identificar certas
tendências a considerá-lo como uma entidade per se, de um lado, ou como espaço interde-
pendente e contextual de processos econômicos, políticos, sócio-culturais e históricos, de
outro. No primeiro caso, trata-se das abordagens que têm no urbano por si só o elemento
determinante sobre todo o processo da vida social. É o que se pode depreender das investi-
gações levadas a efeito pelos teóricos da Escola de Chicago. Influenciados pela idéia
darwinista dos processos naturais da luta pela sobrevivência e pela descoberta freudiana das
pulsões, teóricos da Escola desenvolvem um determinado nível de investigação das “áreas
naturais” do fenômeno da urbanização, que ficou conhecido como a teoria do “enfoque
ecológico”. Num primeiro ponto deste enfoque, o processo econômico da troca tende a ser
concebido não tanto como produto social que é, mas como resultado de uma luta exclusiva
de sobrevivência dos indivíduos, nos moldes daqueles processos naturais da ecologia
animal. No segundo, o enfoque recai sobre as características da natureza humana e de seus
instintos naturais: aqui as investigações voltam seus interesses para a identificação das
maneiras como o comportamento humano tende a reagir em face das mudanças ocorridas
na moderna configuração do meio urbano - mais detidamente em relação às formas de
comportamento desviante de indivíduos e grupos (em particular com relação ao conjunto de
influências sofridas pelos imigrantes e com a consequente quebra de seus laços com os
padrões culturais de origem).
Um outro nível das investigações orientadas pela Escola diz respeito à consideração
dos padrões de comportamento e da comunidade de valores sociais engendrados no âmbito
do fenômeno urbano como modo de vida, e que marcam profundamente o conjunto dos
processos sociais, de suas relações e estruturas (Dickens, 1989; Oliven, 1974 e 1984;
Giddens, 1984; e Velho, 1979). Só de passagem, caberia notar como Wirth vai caracterizar
o urbanismo como a determinação do modo de vida atual das cidades. Para ele, “um dos
fatos mais notáveis dos tempos modernos”, que provocou mudanças significativas em
“todas as fases da vida social”, é “a urbanização do mundo” (Velho, 1979:112). Para ele,
uma teoria sobre o urbano deveria partir de um conjunto de proposições sociológicas cen-
trais ao entendimento do fenômeno, tais como, o tamanho, a densidade e a heterogeneidade
da população, sendo que estas três características fundamentais se apresentam de modo
relativamente permanente no modo de vida das cidades, ocasionados pela urbanização.
Numa síntese importante de seu modelo, o autor assinala que
“o urbanismo como um modo de vida característico pode ser abordado empirica-
mente de três perspectivas interrelacionadas: 1) como uma estrutura física consistindo
uma base de população, uma tecnologia e uma ordem ecológica; 2) como um sistema
de organização social envolvendo uma estrutura social característica, uma série de
instituições sociais e um modelo típico de relações sociais; 3) como um conjunto de
atitudes de idéias e uma constelação de personalidades dedicadas a formas típicas do
comportamento coletivo e sujeitas a mecanismos característicos de controle social”
(Idem, p.107).
Como acentua Oliven (1984), a ênfase de Wirth sobre o urbanismo o levou à for-
mulação de “uma teoria sociológica e sócio-psicológica” daquele fenômeno, por ele con-
cebido como “uma variável explicativa” que “afeta a vida social”, aqui vista como
“variável dependente” (p.21).
Para Wirth, ainda, o modo de vida urbano apresenta-se em seus traços característi-
cos, pela “substituição de contatos primários por secundários”, pelo “enfraquecimento dos
laços de parentesco” e pelo “declínio do significado social da família”, pelo
“desaparecimento da vizinhança” e pela “corrosão da base tradicional da solidariedade so-
cial” (p.109). Essas características teriam, para o autor, uma abrangência extensiva a todo o
fenômeno urbano, que não se limita à circunscrição do espaço citadino, visto que sua
influência extrapolaria até outras áreas. Para o autor, uma descrição do modo de vida ur-
bano baseado em tais premissas não esgota, por certo, a compreensão da totalidade deste
modo de vida, mas cumpre suas finalidades sociológicas (p.113).
As críticas formuladas a este modelo contestam, justamente, entre outros aspectos, o
fato de ele se atribuir uma aplicabilidade geral; o fato de tomar, exclusivamente, as carac-
terísticas das próprias cidades como descrição do fenômeno urbano em geral, sem uma
articulação com os processos sociais amplos da sociedade da qual faz parte: uma vez que a
cidade se mostra como instituição constituinte da sociedade e, ao mesmo tempo, influência
decisiva sobre todas as instituições sociais, sua abordagem deve se pautar por aquele nível
de articulação e não por uma atribuição per se de suas características; finalmente, o fato de
se orientar tanto por um modelo naturalístico em sua abordagem do nível “biótico” ou
ecológico, quanto por uma concepção de mudança social a partir de um modelo dicotômico
que apreende os processos sociais pelo contraste sistemático entre o tradicional e o
moderno ou entre o rural e o urbano - tendência, aliás, que goza de grande influência em

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parte significativa da abordagem clássica das ciências sociais: com Tönnies e sua concep-
ção da passagem evolutiva do estágio da “comunidade” para o da “sociedade”; com
Durkheim em sua formulação do modelo explicativo da divisão do trabalho social, causa
fundamental da passagem de um estado de “solidariedade mecânica” para um outro, de
“solidariedade orgânica”; ou, ainda, com Simmel e seu contraste na apresentação do inte-
lecto do tipo metropolitano em relação ao do tipo rural, em que o primeiro encontra-se
completamente exposto a uma multiplicidade de informações, e cujo aparelho psíquico
estaria dominado pela impessoalidade e por uma subjetividade pessoal alta, pela calculabili-
dade e pela atitude blasé - espécie de equivalente geral que embota o poder de discriminar
os objetos e coisas, devido ao fato de estes se encontrarem destituídos de substância em seu
“significado e valores diferenciais” (Velho, 1979:16); também esta dicotomia entre a
comunidade e a sociedade encontra-se presente no conceito de racionalização em Weber, só
que marcada por um conjunto de causas econômicas, políticas e sociais, e por
“circunstâncias e forças históricas” que condicionaram o desenvolvimento da cidade - neste
caso, a cidade se constituiria como variável dependente em que, embora seja um pressu-
posto ao surgimento do capitalismo, dele depende o seu posterior desenvolvimento (Oliven,
1984:15).
Esta perspectiva de encarar a cidade como variável dependente e contextual se en-
contra largamente acentuada no pensamento marxista, que a vê como o espaço de conver-
gência de interesses, lutas e processos sociais e ideológicos diversos, mediados por instân-
cias sócio-políticas, econômicas, históricas. No que se segue, procurar-se-á desenvolver
alguns aspectos desta visão, particularmente no que se refere à análise da vida cotidiana e
do urbano em Lefebvre, bem como, na retomada de alguns aspectos das “imagens dialéti-
cas” em Benjamin, já vistos no primeiro capítulo. Seguindo-se a isso, tomar-se-á como
referência algumas questões recentes tanto da abordagem semiótica, que procura apreender
a cidade como imagem e como linguagem, cujo discurso se configura como representação
do cotidiano em suas múltiplas injunções; quanto do debate a propósito do quadro corrente
de globalização do capitalismo e de mundialização da cultura, configurador de um processo
que se traduziria como a “cidade-mundo”, por toda a complexidade espaço-temporal das
nossas atuais sociedades. (Aliás, estes serão os principais pontos de orientação na tentativa
de apreender determinado registro ou imagem crítica do cotidiano urbano, contidos em
manifestações do discurso do rock brasileiro a partir dos anos 80 - discurso este que, se-
gundo entendimento aqui, se apresenta por uma lógica de representação largamente com-
partilhada por segmentos da juventude.)
Seguindo os passos de Lefebvre (1978a:207), pode-se afirmar, com ele, que o es-
tudo dos fatores urbanos não deve ser rigorosamente orientado senão em termos especifi-
camente sociológicos. Partindo de uma crítica marxista dos fatores da industrialização, o
autor se aproxima do urbano como tempo e espaço necessários à análise da modernidade.
Com efeito, o que aqui importa aludir é que, pensar o urbano, no âmbito da modernidade, é
vinculá-lo ao caráter abrangente da sociedade em seu conjunto.
Neste sentido, o autor apresenta o advento de industrialização como algo que vai
fortemente condicionar o processo de urbanização que se tem assistido desde a formação do
capitalismo. No que pese lembrar que a cidade data de momentos muito anteriores ao
fenômeno da industrialização e do capitalismo, convém dizer que, para o autor, o processo
de urbanização é a própria característica de tecido social em que a cidade antiga se vê
transformada na atualidade. Por outras palavras, a investigação do fenômeno da industriali-
zação é o próprio ponto de partida para uma exposição adequada do problema da urbani-

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zação (1978b:17). Aliás, diga-se de passagem, sua tese afirma que a industrialização não é
apenas o ponto de partida para a reflexão da cidade moderna mas, inclusive, para reflexão
de nossa época atual. Sendo assim, duas categorias dão uma orientação mais objetiva aos
seus estudos, a saber: a de “indutor” e a de “induzido”. Assim, partindo de sua colocação,
poderíamos situar como fenômeno indutor, o processo da industrialização; ao passo que os
induzidos podem ser relacionados aos problemas do crescimento e do planejamento, aos
aspectos concernentes à cidade e seu desenvolvimento, bem como, no que toca às questões
relativas ao lazer e à cultura (Idem). Com efeito, o pressuposto do processo da industriali-
zação como categoria necessária à análise do fenômeno urbano e da época atual é, pode-se
observar, o elemento que aproxima Lefebvre da análise da mercadoria em Marx; tanto
mais, quanto seu estudo da vida cotidiana se orienta no sentido de uma crítica efetiva da
sociedade burocrática de consumo dirigido (1991:77-119).
O ponto central de que vai partir Lefebvre é o da categoria da reprodução das rela-
ções sociais. Com efeito, numa sociedade regida pelo consumo de mercadorias, o próprio
ciclo que opera a reprodução dos meios de produção tenderá a reproduzir as relações so-
ciais de produção em dadas condições, pelo menos enquanto não se criam as condições
necessárias ao processo de transição de um a outro tipo de formação social. Com isso, o que
se pode observar é que o autor se aproxima de uma análise do cotidiano pela investigação
da problemática da reprodução das relações sociais. Ora, o cotidiano é, em Lefebvre, “o
solo sobre que se erigem as grandes arquiteturas da política e da sociedade” (1978c). Para
ele, é o cotidiano a própria base (o solo) em que o capitalismo contemporâneo vai se
estabelecer. Conservando-se mesmo numa instância determinada do político e não apenas
do econômico em seu geral.
Partindo, pois, da análise crítica do cotidiano vivido no sociedade burocrática de
consumo dirigido, feita com base no conceito de reprodução das relações sociais, Lefebvre
vai estabelecer conexões entre aquela análise crítica do cotidiano e a de outros fenômenos,
como é o caso do urbano, do economismo, do lazer e da cultura etc. Nestes termos, só uma
crítica do cotidiano vai possibilitar uma teoria da cotidianidade, no seu modo de ver tão
necessário aos estudo da sociologia urbana. Sendo assim, a teoria da cotidianidade vai se
configurar como mecanismo de entendimento de um quadro de coisas que pode favorecer a
criação das condições necessárias para se romper o ciclo ou bloqueio próprio que o
cotidiano apresenta em sua base essencial, qual seja, a da reprodução das relações sociais -
tal como Marx procede na sua crítica do fetichismo da mercadoria. Outrossim, mesmo
correndo o risco de uma citação demasiadamente extensiva, convém chamar atenção para
uma passagem importante do autor, quando da sua formulação dessa problemática. Para
ele,
“...o cotidiano torna-se objeto de todos os cuidados: domínio da organização, espaço-
tempo da auto-regulação voluntária e planificada. Bem cuidado, ele tende a constituir
um sistema com um bloqueio próprio (produção-consumo-produção). Ao se delinear
as necessidades, procura-se prevê-las; encurrala-se o desejo. Isso substituiria as auto-
regulações espontâneas e cegas do período da concorrência. A cotidianidade se
tornaria assim, a curto prazo, o sistema único, o sistema perfeito, dissimulado sob os
outros que o pensamento sistemático e a ação estruturante visam. Nesse sentido, a
cotidianidade seria o principal produto da sociedade dita organizada, ou de consumo
dirigido, assim como a sua moldura, a Modernidade. Se o círculo não consegue
fechar-se, não é por falta de vontade nem de inteligência estratégica: é porque
‘alguma coisa’ de irredutível se opõe. O desejo estaria aquém dessa realidade (ou

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abaixo dela)? Estariam além dela e abaixo a Razão (dialética) ou a Cidade, o Urbano?
Para quebrar o círculo vicioso e infernal, para impedir que se feche, é necessária nada
menos que a conquista da cotidianidade, por uma série de ações - investimentos, as-
saltos, transformações - que também devem ser conduzidas de acordo com uma es-
tratégia. Somente o futuro dirá se nós (os que quiserem) reencontraremos assim a
unidade entre a linguagem e a vida real, entre a ação que muda a vida e o reconheci-
mento”.
“Essa tese coerente e lógica abre-se ao mesmo tempo para uma ação prática. No iní-
cio, contudo, ela supõe um ato, ou melhor, um pensamento-ato. Para conceber o co-
tidiano, para tomar em consideração a teoria da contidianidade, algumas considera-
ções preliminares: primeiro fazer um estágio, viver nela - em seguida rejeitá-la e to-
mar uma distância crítica. A ausência dessa dupla condição torna impossível a com-
preensão e suscita os mal-entendidos. A partir deste ponto, o discurso sobre o cotidi-
ano dirige-se a surdos, dos quais os piores são aqueles que não querem ouvir”
(1991:82).
Em outras palavras, Lefebvre vai afirmar que uma maior compreensão da vida co-
tidiana só pode se dar mediante uma aproximação entre filosofia e cotidiano, como forma
de superação da dissociação existente entre o conhecimento filosófico e a visão comum de
mundo. Entretanto, uma tal compreensão não pode se efetivar sem que se proceda por um
distanciamento crítico. Ora, não se pode apenas contemplar o cotidiano, é necessário cri-
ticá-lo. É, nesse sentido, que se pode desvendar as suas ideologias, as suas relações sociais
dadas (inclusive e, sobretudo, as de produção), bem como, a possibilidade de produção de
suas “novas” relações sociais. Só assim é possível ter uma real compreensão (ainda que
inacabada) do cotidiano, em todo o conjunto de valores, comportamentos e idéias nele
produzidos.
Em linhas gerais, as teses sobre a cidade e o urbano em Lefebvre vão além da
constatação de que o problema do urbano está estreitamente ligado ao processo da indus-
trialização capitalista e de seu caráter tipificador da vida moderna; aliás, é o espaço urbano
aqui onde se dá a própria forma e expressão burocrático-moderna da vida cotidiana na so-
ciedade atual. Nesse sentido, o autor vai orientar sua visão sobre a sociedade no mundo de
hoje em termos de sociedade urbana; tratando de evocar uma série de problemas claramente
visíveis no conjunto das sociedades ocidentais - e não apenas as de industrialização
avançada, ainda que sua análise se detenha basicamente nestas.
Um outro aspecto importante em seus escritos, é o caráter prospectivo com que vê a
conquista de um quadro determinado de questões que aponte para a solução dos graves
problemas da urbanização. Guiado, como vimos, de uma perspectiva do marxismo,
Lefebvre vai apontar para um projeto futuro de cidade em que um socialismo, como crê,
pelo fato mesmo de que “os objetivos tomados da mera industrialização estão em vias de
superação e de transformação” (1978b:150), possa ser concebido como “produção orien-
tada para necessidades sociais e, por conseguinte, para as necessidades da sociedade ur-
bana” (Idem) - com efeito, esta é a hipótese estratégica formulada pelo autor.
Assim sendo, a cidade futura seria a inversão da que hoje identificamos como carac-
terística. Para o autor, o que atualmente se busca é o estabelecimento de estruturas mais
estáveis e de equilíbrio, submetidas à maior sistematização e ao poder vigente. Com efeito,
o que isso configura é a estratégia de obsolescência dos bens de consumo, bem como, do
espaço urbano como espaço mercantilizado, sujeito às modas, à sua perpetuação como
“cidade efêmera”. Nestes termos, a cidade no capitalismo se apresenta como o centro de

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todo o consumo, orientada que está pelo “duplo caráter da centralidade capitalista: lugar de
consumo e consumo de lugar” (Idem). Aqui, convém mostrar o que caracteriza esta dupli-
cidade. Densificação do comércio num centro determinado, com forte atração para a circu-
lação de produtos raros e de luxo, bem como, para a predileção por áreas já identificadas
como tradicionalmente ocupadas para tais fins, são alguns dos aspectos que melhor de-
monstram que em tais situações o consumidor não consome apenas produtos, mas espaço
também. Para Lefebvre, tais espaços repletos de objetos e de modos de consumo são, ainda,
a própria razão para a reunião de pessoas, “terreno de encontro” (Idem, p.154).
Mas o que Lefebvre mais se empenha em apontar é o fato de que, numa fase de
neocapitalismo, o próprio “centro de consumo” é superposto pelo “centro de decisão”. E há
ainda uma questão que assume um caráter eminentemente político. Para o autor, neste atual
estado de coisas, já não são objetos ou pessoas que sofrem uma tal centralização, mas um
conjunto de informações e conhecimentos que logo nos remete a uma outra característica
de centralidade, a de esfera cultural: na medida em que também sofre os processos de
institucionalização e burocratização próprios da sociedade urbana. Por sua vez, reside no
lúdico ainda a possibilidade da renovação, da invenção criativa. Em todo caso, no âmbito
de uma sociedade de consumo dirigido, vamos identificar a coexistência e, mesmo, a sub-
missão do espaço lúdico (e do ócio, com a categoria de tempo que lhe é necessária) aos
espaços da troca, da circulação e do político-cultural. Ainda assim, o autor comenta:
“a centralidade lúdica tem implicações: restituir o sentido da obra que a arte e a filo-
sofia aportaram; conceder prioridade ao tempo sobre espaço, sem esquecer que o
tempo se inscreve e escreve no espaço; pôr apropriação acima da dominação” (Idem,
p.156).
Apesar disso, Lefebvre reconhece que, na sociedade urbana aqui configurada, há um
processo contínuo que se opera por uma patologia social, uma espécie de esquizofrenia
protegida por um tipo de racionalidade e cientificidade que transfere para o plano quantita-
tivo da calculabilidade o caráter qualitativo do espaço lúdico e cultural: assim, é que o
“espaço esquizofrênico” ganha ares de universalidade no pensamento atual da sociedade de
consumo, onde a “poesia da vida” se transfigura em “prosa de mundo”; nisso se aproxi-
mando da concepção weberiana de racionalização.
Por fim, a saída apontada por Lefebvre, rumo à cidade futura, procura no espaço
lúdico e da esfera cultural a dimensão qualitativa dos contrastes. Com efeito, o que importa
aqui não é a superação das diferenciações históricas instituídas em espaços qualitativos.
Contrariamente, estes espaços tendem a se articular de forma a que o quantitativo seja so-
bre-determinado pelo qualitativo. Para o autor, “a estes espaços cabe aplicar princípios
formalizados de diferenças e de articulação, de superposição nos contrastes. Os espaços
sociais assim concebidos se aderem a tempos e ritmos sociais que passam a primeiro plano”
(Idem, p.157). É nesse sentido, que o autor aponta para o aspecto lúdico como o elemento
vital da recuperação desta “verdade do tempo urbano”. É, portanto, na direção de um res-
gate do “homo-ludens”, que o autor vai tentar construir a utopia de uma sociedade urbana
futura, descrevendo uma imagem da “cidade futura” na mesma perspectiva da utopia socia-
lista.
Por outro lado, uma crítica que se pode fazer ao autor, é a de, por vezes, estabelecer
um discurso mais eminentemente filosófico e especulativo, do que propriamente socio-
lógico; ainda que, contudo, procure demonstrar a emergência de um estudo do cotidiano e
de sua existência no vivido. Assim é que, em muitos momentos, vamos encontrar uma ima-
gem notadamente utópica de uma sociedade urbana futura.

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Em todo caso, mesmo nessas passagens, e cabe aqui esta ressalva, o autor frisa a
necessidade de se orientar por aquele “núcleo gerador” da centralidade lúdica a fim de se
ter uma idéia mais substantiva do mundo contemporâneo; caso contrário,
“até então, as transformações permanecerão na superfície, no nível dos signos e do
consumo dos signos, da linguagem e da metalinguagem (discursos em segundo grau,
discursos sobre discursos precedentes)” (1978b:168).
Ainda que Lefebvre, neste momento, dirija sua atenção para a classe trabalhadora,
como a única camada do tecido social a saber e ter o desejo de jogar, ou, provavelmente, a
ter o jogo em toda a sua dimensão espontânea, para além de suas lutas e reivindicações de
natureza basicamente político-econômica; é também possível identificar, na segmentação
social da juventude, nas suas “reservas da infância (espontaneidade, jogo)” de que fala
Morin, no tipo de manifestação mais original e espontâneo de temas oriundos dos grupos
adolescentes em Burgelin, na “regressão produtiva” de Prokop e no espaço da rua de
Lafont, por exemplo, aquela supremacia da qualidade lúdica, sua centralidade como ex-
pressão no jogo. Para Lefebvre, a necessidade de verificar uma tal dimensão do lúdico no
interior da vida cotidiana, é ir mais fundo que uma mera consideração do seu uso econô-
mico, visto que é, até mesmo, no centro urbano que se “aporta às pessoas da cidade movi-
mento, improvisação, possibilidade e encontro”. No que o autor exclama: “é o ‘teatro es-
pontâneo’ ou não é nada” (Idem, p.157).
Neste sentido interessa retomar a referência ao contra-ponto que Benjamin faz entre
o flâneur e o “homem privado” na Paris do século XIX. Como vimos, este é um possuidor e
colecionador de objetos e habitante do interieur, constitutivo do espaço burguês; ao passo
que o primeiro é um ocioso que se dedica a perambular pelas ruas da cidade, observando-a
descobrindo-a, ao mesmo tempo em que se descobre a si mesmo (Ferrara, 1993:246).
Enquanto o homem privado encontra-se envolvido com o mundo da produção, o flâneur
transita entre as mercadorias, como um especialista de preços. Sua imagem, inspirada em
Baudelaire, se aproxima de certos traços contidos nas figuras do detetive, do escritor, do
boêmio, do vagabundo. A multidão não é para o flâneur apenas um lugar de refúgio; como
observador da multidão, ele sente em sua sensibilidade o despertar de uma “sagacidade
criminalístca” (Benjamin, 1985:70). Essa sagacidade é, em muito, o que o transforma em
artista ou em literato; e o bulevar é o espaço que lhe desperta a curiosidade para “qualquer
evento interessante, de um jogo de palavras ou de um boato” (p.59). A boemia é o que lhe
dá itinerário político, em que sua consciência toma a forma de uma “metafísica do
provocador” (p.46). No flâneur, as situações do escritor-detetive e de todo o conjunto de
suas atividades dependem essencialmente de sua condição de ociosidade e de
vagabundagem: “ocioso, caminhava como se fosse uma personalidade: assim era o seu
protesto contra a divisão do trabalho, que transforma as pessoas em especialistas. Assim ele
também protestava contra a operosidade e a eficiência” (p.81).
Segundo Ferrara (op.cit.), as mudanças ocorridas no processo de industrialização do
século XIX ainda teriam permitido ao “olhar narrativo do flâneur” o aprisionamento da
emergente cidade moderna. Mas a “velocidade eletrônica não verbal” de hoje impôs um
ritmo de transformações que impediria o tempo necessário ao “retorno prazeroso do flâneur
na sua aprendizagem urbana que submetia a sensação do espaço à duração de uma
experiência”. A referência que a autora faz ao flâneur em nada coincide com um sintoma de
nostalgia; seu objetivo é “questionar os parâmetros de nossa experiência urbana cotidiana e
verificar as possibilidades” daquela “aprendizagem” (p.246).

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Afinal, para além das questões sócio-econômicas, como se tinha indicado no início,
as cidades estão desenhadas por imagens que revelam suas “máscaras”, suas representações
configuradoras do cotidiano urbano como linguagem:
“as imagens urbanas despertam a nossa percepção na medida em que marcam o ce-
nário cultural da nossa rotina e a identificam como urbana (...) uma atmosfera que
assinala um modo de vida e certo tipo de relações sociais” (p.201).
A partir da contribuição da semiótica, a autora vai definir um modo de apreender a
cidade através da linguagem, que a revela por representação mediadora dela. Para Ferrara,
justifica o desenvolvimento de estudos que tenham na linguagem um “modo específico de
produzir informação, ou seja, uma representação, um modo de ser que substitui e concretiza
o complexo econômico e social responsável pelo fenômeno urbano”, visto que “as ca-
racterísticas culturais” concretizam “a cidade enquanto império fervilhante de signos” (p.
201-2).
E por mais que a linguagem urbana, enquanto imagem e representação da cidade,
não traduza à exaustão os aspectos sócio-econômicos desta, ao menos parcialmente denota
alguns destes aspectos: “conhece-se o fenômeno urbano através da linguagem que o repre-
senta e constitui a mediação necesária para a sua percepção: não pensamos o urbano senão
através dos seus signos” (p.202). Inclusive as próprias transformações nos níveis sócio-
econômicos produzem na cidade “marcas ou sinais que contam uma história não verbal
pontilhada de imagens, de máscaras, que têm como significado o conjunto de valores, usos,
hábitos, desejos e crenças que nutriam, através dos tempos, o cotidiano dos homens”
(Idem). Neste ponto a autora se aproxima das “imagens dialéticas” em Benjamin, na passa-
gem em que este reconhece cada época como visualizadora da seguinte e, portanto, mar-
cada pelas visualizações do passado, e onde cada texto ou documento encerra um “gesto
semântico”; assim como, para a autora, as imagens ou representações “sedimentam a cidade
enquanto império fervilhante de signos” (sobre este ponto em Benjamin, ver capítulo
seguinte).
Este é o caso, também, de Canevacci (op.cit.), que procede por uma apropriação
crítica das “imagens” benjaminianas. Para ele, Adorno tem razão nas ressalvas que faz à
Benjamin, quando o adverte dos riscos de um evolucionismo unilinear no trato utópico do
futuro (p.151). Em todo caso, o autor afirma que a referência a Benjamin se deve ao fato de
este demonstrar uma grande sensibilidade antropológica para identificar e, mesmo, rela-
cionar não apenas os produtos vultosos da cultura mas, inclusive, um conjunto de
“constelações micrológicas sobre os costumes, o modo de viver e de agir, tais como o
colecionador, as multidões, o flâneur, a rua, a moda, as nouveautés, as caricaturas, os pa-
noramas, as passages” (p.150). Em seu modo, Canevacci usa o conceito de imagem dialé-
tica como “constelação objetiva”; “modo de percepção de fetiches, fantasmagorias e ilu-
sões”; e modelo de reprodução”. Respectivamente: em que o social é a sua própria repre-
sentação; em que o processo de percepção se dá na consciência coletiva e individual; por
fim, no interior da antropologia da cultura visual, em que um modelo favoreça o cruza-
mento entre o passado e o presente (p.152).
Em si, nenhuma dessas três “imagens” apresentadas “geram uma força liberatória
ou regressiva no cruzamento” dos mundos “mítico”, “positivo” e “futuro”. Elas seriam
“indicadores empíricos” que delineam a cultura difundida pela “forma-metrópole” elevada
“ao grau de auto-representação carregada de sentido” (p.152). É nesse sentido, precisa-
mente, que o autor vai pensar o conceito de cultura com atenção para o passado (até o mais
arcaico) e para o presente (incluindo o mais avançado), compreendendo a tensão entre o

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reprodutível e o irreprodutível. Se, como foi visto no primeiro capítulo, a cultura emer-
gente, como cultura visual urbana, encontra-se permeada de sincretismos, na forma de uma
exogamia cultural (e não apenas do centro para a periferia, mas, inclusive, desta para
aquele), deve-se de fato concluir, com o autor, por um certo caráter de “aculturação plane-
tária” nas atuais configurações urbano-industriais.
Em sua análise do capitalismo mundial integrado (CMI), Guattari faz referência a
existência de “um processo geral de desterritorialização”: que existiria por um duplo mo-
vimento - de “extensão geográfica” e de “expansão sobre si próprio” (Guattari, 1981: 211).
Para o autor, o CMI não se caracteriza hoje por uma forma centrada de poder de decisão,
mas, sim, policentrada. Sua tendência, por certo, é a de submeter todo processo de produ-
ção político-econômica, bem como, sócio-cultural, às suas “estruturas de produção” e
“formações de poder”, que o leva a integrar “numerosos sistemas maquínicos e semióticos
ao trabalho humano” (Idem, p.212). Procurando estabelecer uma constante e tensa relação
entre o que denomina de molar e molecular (ou seja, entre as semióticas globais e seus
agenciamentos maquínicos e a produção da subjetividade e agenciamentos do desejo), o
autor empenha-se em demonstrar que a “multicentragem” e as “técnicas de integração”
presentes no processo de desterritorialização da atual “segmentação do socius”, não diz
respeito exclusivamente aos aspectos econômicos mas, inclusive, àqueles de caráter indivi-
dual e “mais inconscientes da vida social, sem que seja possível estabelecer uma ordem de
causalidade unívoca entre os níveis planetários e os níveis moleculares” (Idem, p.216).
Atualmente, sob o fenômeno da desterritorialização, seria inócuo refletir as questões
de segmentarização sob a óptica exclusiva das dicotomias primeiro mundo vs. terceiro
mundo ou capitalismo vs. socialismo. Para Guattari, a fim de “manter a consistência da
força coletiva de trabalho em escala mundial”, coexistem hoje áreas de primeiro mundo em
regiões de subdesenvolvimento, assim como, áreas de terceiro mundo em lugares altamente
desenvolvidos (Idem, p.216). E se esse processo de segmentarização deve ser buscado
agora no interior do espaço urbano; é, com efeito, nesse contexto desterritorializado de uma
cidade com característica mundial (a cidade-mundo a que se refere Guattari), que vai se dar
todo processo de produção da subjetividade. Ainda uma vez, isto não implica num processo
de homogeneização que leve à liquidação do conflito e da diversidade; releva apenas o fato
de que, na “cidade-mundo”, as peculiaridades e singularidades se encontram fortemente
perpetradas pelas semióticas globais do CMI (Guattari, 1992:169-78).
Todavia, é bom não esquecer, Guattari não tende a afirmar um sentido necessaria-
mente emancipador da produção da subjetividade. Para ele, ela pode ser trabalhada tanto na
direção de processos revolucionários, quanto no sentido de uma conservadora
“reterritorialização” da subjetividade (Guattari, 1992:13). E, mesmo no caso de minorias
progressistas, se não houver, em suas lutas, a implicação de uma constante tensão entre o
molar e o molecular, sua tendência é a de se configurar como gueto, dificultando os pro-
cessos de uma mudança social emancipadora (Guattari, 1981:222).
Com efeito, a dar crédito a tais idéias, não seria difícil imaginar haver maior grau de
identificação e representação entre, por exemplo, um jovem funqueiro do subúrbio carioca
e um jovem do Harlem nova-iorquino, do que entre aquele e um jovem carioca da zona sul.
Sob certo aspecto, isto pode ser identificado no estudo feito por Vianna no seu livro O
Mundo Funk Carioca (1988).
Aliás, para se finalizar esta questão com elementos mais concretos, pode-se chamar
atenção para o fato de que, analisando o processo de uma consolidação da modernização da
sociedade brasileira, particularmente com relação ao mercado de bens simbólicos, Ortiz

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(1988) vai identificar uma situação que, em muito, se aproxima das noções acima esboça-
das de uma “desterritorialização” nas sociedades atuais. Para o autor, o ajustamento do
produto cultural brasileiro aos padrões do mercado internacional, não implicou uma maior
submissão ou dependência da cultura brasileira à cultura estrangeira. Ao contrário do que
seria a previsão de todo um debate anterior, quase sempre orientado pela noção de uma
necessidade de defesa do nacional-popular, Ortiz vai demonstrar como as estatísticas têm
revelado um crescimento significativo da produção cultural brasileira em diversas áreas -
tanto a nível do mercado interno, quanto em relação à concorrência e projeção no mercado
internacional: setor discográfico, de impressos e, em particular, televisivo. É tal a impor-
tância deste fato, que o autor aponta para um deslocamento da antiga problemática da
“defesa do nacional-popular”, para os termos atuais de uma “exportação do ‘internacional-
popular’” (p.205).

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