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03/07/2018 Vermelho

Vermelho
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04/04/2018

MEC retira matéria de Filosofia do ensino médio


O Ministério da Educação (MEC) entregou ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a 3º
versão da Base Nacional Comum Curricular para o ensino médio na tarde de hoje, 03/04. A
BNCC coroa a reforma do ensino médio, lei sancionada ano passado e que tende a promover
mudanças estruturais na educação brasileira.

Por Christian Lidberg*

O argumento central dos gestores do MEC reside no baixo nível obtido pelos estudantes brasileiros
nas avaliações, especialmente a realizada pela OCDE, o PISA. Sem querer entrar no mérito da
legitimidade dessa avaliação, a literatura especializada aponta que o processo educativo não pode
ter como núcleo a avaliação, pelo contrário, entendendo a educação como processo de
aprendizagem, a avaliação é a última etapa, servindo como uma espécie de retroalimentadora deste
processo. É um equívoco conceitual apontar a avaliação como premissa de toda as etapas da
educação.

Dito isto, observa-se que a BNCC reafirmou elementos contidos na reforma do ensino médio. O
primeiro deles diz respeito à retirada da Filosofia como disciplina e como disciplina obrigatória.
Agora ela aparece diluída na área Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, a exemplo do que
ocorrerá com as disciplinas de Geografia, História e Sociologia.

Em outros termos, isto significa um retrocesso substancial. Menos de 10 anos depois do seu
retorno obrigatório ao ensino médio, o ensino da Filosofia volta a exercer um papel coadjuvante no
currículo, visto que ela retorna ao patamar estabelecido pela LDB aprovada em 1996, que afirmava
que o estudantes precisavam ter domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia
necessários ao exercício da cidadania.

Outro aspecto a considerar diz respeito ao fato de o ensino médio aprofundar e ampliar os
conteúdos disciplinares desenvolvidos no ensino fundamental. Ora, como realizar estes objetivos se
não existe ensino da Filosofia no fundamental? Isto é preocupante, ainda mais se considerarmos
que os conteúdos relacionados à ética e ao denominado projeto de vida no ensino fundamental
estão contemplados no Ensino religioso.

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03/07/2018 Vermelho

Seriado Merlí / Reprodução

A BNCC/Ensino médio estabelece seis competências para a área Ciências Humanas e Sociais
Aplicadas. Observa-se que a diluição do ensino da Filosofia permitirá trabalhar conteúdos
relacionados a Ética e Filosofia Política e a Epistemologia, negligenciando a Lógica, a Estética e a
Metafísica. Com menos conteúdos a lecionar, o risco de termos menos presença da Filosofia no
ensino médio aumenta.

Por falar em competências, a BNCC retrocede conceitualmente a uma discussão ocorrida no final
do século passado e início desse. Os termos habilidades e competências, que marcam o
documento, não garantem o direito de aprendizagem aos estudantes. Pelo contrário, corre-se o
risco dele ser treinado para responder uma avaliação, mas não saber o motivo da resposta, algo
que é garantido pela aprendizagem.

Por fim, a reforma do ensino médio estabelece que Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física
devem aparecer na BNCC/Ensino médio como estudos e práticas. Em que pese a crítica que feita
a esta noção, confesso que não identifiquei a efetivação desta medida na versão final da BNCC
para o ensino médio. Talvez os dirigentes do MEC, na expectativa de retirar a Filosofia de vez da
sala de aula, tenham esquecido deste pequeno detalhe.

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