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FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA – MICHEL FOUCAULT E A

DOCILIZAÇÃO DOS CORPOS
by Fernando Moreira / 3 Comments / 6415 View / 3 de agosto de 2013

Michel Foucault (1926­1984) foi um filósofo francês que escreveu livros estudados pela
filosofia,  história,  direito,  medicina  e  outros.  Estudou  a  loucura,  a  sexualidade,  o
discurso, a ciência, o poder entre outros. 

Você já parou para pensar qual é o tipo de sociedade em que vivemos? Como ela se

Fernando Moreira organiza e funciona? Buscando quais resultados ela se propõe a se organizar assim?

Por muito tempo, o centro dessa discussão se localizava no conceito de “Poder”. O que
é poder? É ter a capacidade de apontar o dedo, pedir algo e esse algo se concretizar?
É ser capaz de emitir ordens?

Quando  se  discute  a  organização  social,  a  discussão  é  claramente  política  e  ética.


Nesse sentido, o poder sempre foi visto como uma coisa que o sujeito poderia ou não
ter/possuir.  Por  exemplo,  para  Karl  Marx  a  sociedade  sempre  foi  dividida  em  classes
sociais  e  o  conflito  delas  é  o  que  move  “a  roda  da  história”  onde  uma  classe  exerce
poder sobre a outra.

Para os economistas (e isso inclui Marx) o poder está no dinheiro ou no mercado ou na
classe social que detém o dinheiro.

Mas  pra  Foucault,  o  poder  não  é  algo  que  se  possa  ter  ou  não.  De  fato,  Foucault
defende  que  não  existe  tal  coisa.  O  que  existe  para  ele,  é  o  que  ele  chamou  de
“relações de poder”. O poder não está concentrado numa classe que oprime outra ou
no Estado (ou qualquer outra instituição).
Nessa  forma  de  pensar,  o  poder  é  uma  relação  e  ele  se  espalha  por  todo  o  tecido
social, indo a todas as direções.

Como uma usina de energia elétrica, só que em vez de o poder ser identificado dentro
da  usina,  Foucault  diria  que  o  poder  se  encontra  nos  fios  que  sobem  e  descem  em
todas  as  direções  da  sociedade.  Assim,  todos  os  seres  humanos  exercem  poder  uns
sobre  os  outros!  O  que  ele  fez  foi  mudar  o  ponto  de  vista:  deslocou  o  poder  de  seu
lugar e o diluiu. É um procedimento essencial na filosofia contemporânea, abandonar a
discussão macroscópica e se focar na microscópica.
Daí, por exemplo, Foucault vai ter um livro chamado “Microfísica do Poder”.

Foucault  chama  de  “tecnologia  de  poder”  aquele  tipo  de  estratagema  (uma  maneira
racionalizada de executar o poder) que permite que o poder seja exercido de maneira
cirúrgica.

Foucault identifica alguns tipos de poder:
–  Soberania:  exercido  por  um  rei  que  tinha  o  poder  de  executar  seus  súditos.  Podia
decidir a vida ou a morte de qualquer pessoa a seu bel prazer.

–  Disciplina:  surgida  na  sociedade  capitalista,  a  disciplina  é  uma  tecnologia  de  poder
exercida sobre os CORPOS dos seres humanos.
Em  seu  livro  “Vigiar  e  Punir”,  Foucault  argumenta  que  a  disciplina  é  uma  maneira
cirúrgica de exercer poder sobre o corpo dos indivíduos, através de sua disposição no
espaço e no tempo.
Por exemplo os soldados:
Em  eras  passadas,  um  soldado  era  reconhecido  por  seu  semblante,  sua  força,
coragem, o nome de sua família, etc.
Hoje, o exército pode pegar qualquer pessoa sem forma física nenhuma e adequar seu
corpo às necessidades do exército.
Ensina­se  a  marchar,  a  acordar  em  tais  e  tais  horários,  como  manejar  uma  arma  de
fogo, a se movimentar desse e daquele jeito, etc.
A disciplina é o poder que se exerce sobre o corpo do indivíduo, transformando­o num
autômato, numa máquina de obedecer.

Para entender melhor:

Foucault argumenta a respeito de “instituições de sequestro”!
Dificilmente  você  consegue  disciplinar  alguém  que  esteja  andando  livremente  por  aí.
Para  isso,  você  precisa  sequestrar  o  indivíduo  da  sociedade  e  confiná­lo  em  alguma
instituição.
É o caso da Escola, do Hospital, do Presídio, dos antigos Hospícios e Manicômios, do
Asilo para idosos etc.

No  exemplo  da  escola,  o  sujeito  é  sequestrado  da  sociedade,  confinado  dentro  da
instituição e disciplinado individualmente. Ele tem regras a seguir: como sentar, a quem
responder e quando responder, como se vestir, como se comportar..

toca o sinal, levanta; toca o sinal, senta; toca o sinal, levanta e vai comer; toca o sinal,
senta; toca o sinal, levanta e vai embora. (a mesma rotina da jornada de trabalho do
sujeito  pra  quando  ele  crescer,  como  se  a  escola  fosse  o  depósito  de  crianças  que
serve para as confinar e as adestrar e as docilizar para o MERCADO DE TRABALHO)
Você  consegue  disciplinar  cirurgicamente  o  corpo  de  um  indivíduo  assim  e  ele  se
transforma numa máquina hábil que obedece a comandos.

O mesmo acontece com os hospitais, asilos e toda sorte de instituições que confinam
os  seres  humanos.  Você  nunca  parou  pra  pensar  e  percebeu  a  semelhança
arquitetônica entre essas instituições?
Isso  mesmo,  todas  elas  têm  uma  arquitetura  semelhante  à  arquitetura  de  um
PRESÍDIO.

–  O  Panóptico:  essa  foi  uma  ideia  de  Jeremy  Bentham,  que  consiste  em  criar  um
ninguém.

Essa  vigilância  é  uma  maneira  de  exercer  poder  sobre  os  corpos  dos  sujeitos  e,
portanto, uma certa maneira de executar a disciplina.

O que você faz quando ninguém te vê fazendo?

Imagine  um  lugar  fechado  com  uma  torre  alta  no  meio.  Essa  torre  possui  –  em  seu
topo  –  janelas  em  todas  as  direções  de  modo  quem  está  dentro  da  torre  é  capaz  de
vigiar todos que estão nessa área fechada e ao mesmo tempo, todos que estão sendo
vigiados não sabem quem os está vigiando (nem mesmo quando).

É  como  um  Big  Brother:  quando  Pedro  Bial  pega  o  controle  remoto  e  diz  “vamos  dar
uma espiadinha” a TV dentro da casa é ligada.
Mas não são os “brothers” (que estão confinados) que assistem a TV, na verdade os
“brtohers” é que estão sendo “assistidos”, vigiados e sem saber quem está vendo, ou o
quê estão vendo, ou quando estão vendo. Assim é a sociedade disciplinar.

Somos animais dóceis!

–  Docilização  dos  corpos:  Isso  vai  até  o  ponto,  segundo  Foucault,  de  você  não  mais
precisar da câmera te filmando. Por não saber quem está te vigiando, nem quando e
nem o quê estão vendo, você mesmo passa a se vigiar.
A  disciplina  se  interiorizou  em  tua  “alma”.  Você  não  precisa  mais  do  “carrasco”  ou
“carcereiro” que te segue e que executa sua punição segundo seu Rei ou segundo seu
código penal.
Você mesmo é seu próprio carrasco pois interiorizou a disciplina; você agora tem uma
consciência  (alma)  que  lhe  impede  de  fazer  alguma  coisa  ou  outra  porque  você
mesmo está se vigiando e se punindo.

Você mesmo se vigia e você mesmo vai se punir. Ou, em outras palavras:

Os filósofos sempre acreditaram que o corpo era a prisão da alma. É o contrário. É a
alma, essa consciência adestrada e docilizada que é a prisão do corpo, que impede o
corpo de agir de determinadas maneiras, prendendo o corpo assim e o transformando
num autômato.

– A prisão: Foucault estuda a prisão porque é lá que o poder aparece em seu estado
verdadeiro, sem se mascarar ou se esconder.
Quando  as  prisões  foram  construídas,  a  ideia  não  era  causar  sofrimento  físico  ou
tortura:  a  prisão  não  existe  para  punir,  seu  objetivo  não  é  punir,  seu  objetivo  é
CONTROLAR, é VIGIAR (para disciplinar é claro!)
Isso acontece porque não queremos eliminar os seres humanos mas sim “corrigi­los”
para  torna­los  “normais”  e  “funcionais”  para  a  sociedade,  adestrados  e  docilizados  –
obedientes.

Essa constatação pode ser levada ao ponto de analisar discursos que exercem poder
Malafaia que diz ser psicólogo) e, sendo científico, tendo a desculpa para ser posto em
prática. Sendo mais preciso:

Foucault “diria” que Silas Malafaia, se defende a “cura gay” baseado em um discurso
“científico”, estaria propondo DISCIPLINA. Estaria, em outras palavras dizendo:

vamos  confinar  os  gays  e  discipliná­los.  Assim  como  no  presídio,  a  ideia  não  seria
punir,  mas  “corrigir”  para  “normatizar”  e  devolvê­los  à  sociedade  como  animais  que
agora estão adestrados e dóceis.

É através dessa ótica que Foucault vai estudar a sexualidade, a prisão, a loucura..
(o que é o manicômio se não um presídio para “corrigir” pessoas e torná­las “normais”
para devolvê­las à sociedade?)

E você? Já parou para pensar quem é você e, porque você faz as coisas que você faz
e age da maneira que age?
Será  que  você  se  deixou  disciplinar  e,  é  um  corpo  dócil  e  funcional  para  a  nossa
sociedade?

A  sociedade  toda  é  uma  prisão  e  estamos  sendo  vigiado  o  tempo  todo,  por  todos  os
lados, por todos os olhos. Somos dóceis.

Vigiar, punir, controlar.
Sociedade disciplinar.

Toda forma de saber produz poder.

– Bruno Nunes