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Psicologia da Aprendizagem UNIDADE 01 AULA 04

Glauco Barbosa de Araújo


Maria Betânia da Silva Dantas

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

Piaget e a aprendizagem

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Conhecer as propostas de Piaget para o processo de aprendizagem;


„„ Compreender a relação do construtivismo com a aprendizagem.
Piaget e a aprendizagem

2 Começando a História

Comecemos a nossa aula a partir deste pensamento de Jean Piaget:

Figura 1

„„ Você já ouviu falar em construtivismo?


„„ Você já leu alguma coisa sobre Jean Piaget?
„„ Qual a relação da pesquisa de Piaget com a educação?
„„ Jean Piaget era professor, filósofo, pedagogo?
„„ Afinal, quem foi Jean Piaget?

Saiba que essas e outras questões serão aprendidas e discutidas nesta nossa aula,
afinal de contas, nas aulas de Filosofia da Educação, Jean Piaget já foi apresentado
para você. Aqui trataremos deste assunto com uma maior profundidade para
que possamos estabelecer a relação dos estudos de Piaget com a nossa prática
educativa. Então comecemos...

Jean Piaget (1896-1980), psicólogo e biólogo suíço, é um dos teóricos mais


influentes da Psicologia. Suas ideias foram utilizadas como base para diversas
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teorias relacionadas com o desenvolvimento humano, sendo também apropriadas


pela Pedagogia como uma forma de entender e aprimorar o processo de
aprendizagem.

Piaget estudou o desenvolvimento da inteligência, inicialmente, a partir de


observações do comportamento dos seus filhos. Essas observações foram seguidas
de questionamentos acerca das ações executadas sobre o meio ambiente. O
método utilizado por Piaget foi chamado de método clínico, no qual utiliza a
observação do comportamento por meio de entrevistas.

A partir de suas investigações sobre o pensamento da criança, Piaget elaborou


a teoria do desenvolvimento cognitivo (PIAGET, 1964), que é muitas vezes
indicada na literatura como uma teoria construtivista por apresentar a ação como
fundamental para o desenvolvimento da inteligência.

De acordo com Seber (1997), o construtivismo se tornou uma corrente de


pensamento que passou a influenciar a educação a partir do final do século
XX. Mesmo não apresentando uma teoria pedagógica, as ideias de Piaget
foram aprimoradas para essa área para se explicar como se dá o processo de
aprendizagem.

Primeiro passo: para a compreensão de como o construtivismo psicológico foi


apropriado pela Pedagogia e qual a perspectiva da aprendizagem nessa corrente,
é preciso entender o que diz Piaget sobre o desenvolvimento cognitivo.

3 Tecendo conhecimento

3.1 A teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget

O desenvolvimento cognitivo, segundo Piaget, está relacionado com o


desenvolvimento biológico e com a ação do indivíduo sobre o meio. Em suas
investigações sobre a gênese da inteligência, Piaget (1964) identificou quatro
estágios por meio dos quais o desenvolvimento cognitivo ocorre. Esses estágios
contemplam desde o nascimento até a adolescência, passando pelo período
anterior à linguagem até o momento em que o indivíduo desenvolve a capacidade
completa de abstração.

De acordo com Piaget (1964): “Cada estágio é caracterizado pela aparição de


estruturas originais, cuja construção o distingue dos estágios anteriores [...] cada

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estágio possui uma forma peculiar de equilíbrio, efetuando-se a evolução mental


no sentido da equilibração sempre mais completa” (p. 15).

A equilibração das estruturas cognitivas, mencionada por Piaget (1964), consiste


no processo de compensação das perturbações exteriores por meio da ação do
indivíduo. Essa compensação ocorre a partir de assimilações e acomodações: a
assimilação consiste na inserção de um novo conhecimento na estrutura cognitiva
já existente; a acomodação consiste em modificar essa estrutura para o melhor
entendimento desse novo conhecimento. Quando as perturbações causadas pelo
meio são assimiladas e acomodadas, pode-se dizer que houve uma adaptação.

ASSIMILAÇÃO ACOMODAÇÃO

ADAPTAÇÃO

EQUILIBRAÇÃO

3.2 Os estágios de desenvolvimento cognitivo

Caro aluno, passemos agora a conhecer os estágios de desenvolvimento cognitivo


e suas características. O estágio sensório-motor compreende exercitar órgãos
sensoriais (ex.: observar movimentação de objetos) e motores (ex .: manipular
objetos, engatinhar).

O desenvolvimento dessas habilidades permite às crianças a elaborar esquemas


de ação, a aprender como agir sobre o meio, ou manipular objetos, estabelecendo
assim padrões de ações.

No estágio pré-operacional, a característica principal é marcada


pelo desenvolvimento da linguagem e ocorre a partir dos dois
Figura 2 anos até os seis anos de idade. O pensamento intuitivo, ou a
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habilidade de usar signos como forma de representar pessoas, ações ou eventos,


que é característico desse estágio, dá à criança a capacidade de antecipar as
consequências das ações, mas não as capacita para coordenar racionalmente
essas internalizações, habilidade que será desenvolvida em estágio posterior. A
linguagem é a função simbólica mais representativa desse estágio.

Chegamos agora ao estágio operacional concreto, observado


entre os sete e doze anos de idade. Nele a criança é capaz de,
ao agir sobre os objetos, aplicar operações cognitivas laborando
inferências lógicas; seu pensamento fica mais elaborado. É nesse Figura 3

estágio que as crianças entendem as operações de conservação (de massa e


volume) e de seriação de objetos.

No estágio das operações formais, observado a partir dos


12 anos de idade em diante, é possível identificar o uso de
pensamentos abstratos complexos, de forma que situações que
antes eram pensadas tendo em vista a ação concreta passam a Figura 4

ser pensadas de forma abstrata, hipotética. Logo, o que caracteriza esse estágio
é o desenvolvimento do pensamento hipotético-dedutivo.

Piaget considera que os estágios de desenvolvimento cognitivo possuem uma


sequência universal e invariante, ou seja, todas as crianças passam pela mesma
sequência de estágios, não havendo possibilidade de saltos entre eles; e são
formados a partir das ações das crianças sobre o meio que, segundo Piaget
(1964), são provenientes de necessidades ou interesses que podem ser fisiológicos,
afetivos ou intelectuais.

Em cada estágio, as crianças possuem necessidades ou


interesses diferentes que se tornam mais complexos à medida
que existe uma maior ação da criança sobre o meio. As ações
vão se tornando cada vez mais difíceis e o desenvolvimento
propicia novas habilidades. Figura 5

3.3 O construtivismo e a aprendizagem

De acordo com Seber (1997), o pensamento construtivista passou a influenciar a


educação a partir do final do século XX. Essa corrente de pensamento considera
a relação entre maturação biológica e interações sociais como fundamentais para
o processo de aprendizagem. No entanto, antes de entender como os princípios
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construtivistas foram adotados pela Pedagogia, é preciso entender duas correntes


de pensamento que se relacionam com o processo de aprendizagem: inatismo-
maturacionismo e empirismo-associacionismo.

Para a perspectiva inatista-maturacionista, de acordo com Seber (1997), a


aprendizagem está condicionada ao desenvolvimento biológico da criança,
tendo as interações sociais e os estímulos educativos um papel secundário e
não determinante nesse processo.

Cada criança já nasce com todas as estruturas necessárias para a aprendizagem,


que é ditada pelo desenvolvimento biológico. Essa mesma autora explica a
perspectiva empirista-associacionista indicando que, para esta, a aprendizagem
ocorre por meio da transmissão de informações, tendo a criança a função de
receber as informações transmitidas pelo professor.

Podem-se observar princípios behavioristas, visto que, no processo de


aprendizagem, observa-se um processo de modelagem das respostas desejadas
pelo professor, que reforça as respostas consideradas adequadas, as quais, com
o passar do tempo, tornam-se mais complexas e elaboradas.

Diferente das duas perspectivas apresentadas acima, o ponto de vista construtivista


considera tanto a maturação biológica como as transmissões sociais como fatores
essenciais para o processo de aprendizagem. Essa perspectiva teórica trabalha
com a ideia de construção do conhecimento, que ocorre mediante a formação
de estruturas maturacionais, ou cognitivas, que viabilizam o entendimento da
informação que está sendo transmitida. Ou seja, “[...] os estímulos ambientais
são interpretados pela criança conforme suas possibilidades de entendimento”
(SEBER, 1997, p. 33).

Logo, para a posição construtivista, o conhecimento é edificado quando a


criança reelabora, interpreta a informação que lhe é dada conforme seu nível de
entendimento. O processo de construção do conhecimento envolve a assimilação
e a acomodação, resultando na formação de esquemas cognitivos. As informações
constroem novos esquemas cognitivos ou modificam os existentes, tornando
dinâmico o processo de aprendizagem.

Então como essa informação sobre o processo de construir o conhecimento


pode ajudar o professor no dia a dia do trabalho?

Um ponto fundamental é perceber que as informações passadas para a criança


devem ser compatíveis com seu nível de entendimento, respeitando seu estágio
de desenvolvimento, caso contrário, a criança não conseguirá compreender e,
consequentemente, aprender essa nova informação.
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Como mencionado por Piaget (1964), em sua teoria do desenvolvimento cognitivo,


cada estágio é formado por uma reorganização das estruturas cognitivas
dos estágios anteriores. E é desse mesmo modo que ocorre a construção
do conhecimento no processo de aprendizagem: a criança, utilizando seu
conhecimento anterior, interpreta as novas informações que lhe são transmitidas
e, com base nelas, reelabora e constrói novas formas de entendimento, definindo
assim um processo que se torna gradualmente mais complexo.

É fundamental destacar que, ao ter conhecimento sobre a etapa do desenvolvimento


em que a criança se encontra, o professor é capaz de escolher os estímulos
adequados para incentivar a motivação e o interesse do aluno em aprender o
conteúdo apresentado.

Outro ponto relevante para se destacar é o do desenvolvimento moral que Piaget


propõe dentro da perspectiva construtivista. A cooperação entre as crianças
também é fundamental para o processo de aprendizagem; a coerção, a cooperação
e o respeito mútuo na convivência social também afetam o desenvolvimento.

De acordo com Piaget (1932), existem duas etapas de desenvolvimento moral: a


heteronomia e a autonomia. A moral heterônoma é caracterizada pela coerção
do adulto sobre a criança e pela noção de respeito unilateral. Ou seja, o adulto
se faz ser respeitado por ser uma figura de autoridade e suas regras são impostas
pelas crianças e tidas como verdades absolutas. A moral autônoma é caracterizada
pela relação de cooperação e pelo respeito unilateral. Inicialmente a cooperação
é praticada entre os grupos de iguais (criança-criança) e posteriormente com os
adultos. Nas relações de cooperação, as crianças entendem que todos possuem
os mesmos direitos e vivem de acordo com as mesmas regras, que são por elas
criadas. Quando a cooperação se estende para as relações com os adultos, as
crianças passam a respeitá-los não mais por vê-los como figuras de autoridade,
mas por vê-los como indivíduos que possuem direitos, assim como elas próprias.

Quando o professor permite que a criança pense por si só e execute suas próprias
ações na construção do conhecimento, há um estímulo ao desenvolvimento
da autonomia. Nessa situação o professor passa a agir não como uma figura de
autoridade detentora do conhecimento que deve ser absorvido a todo custo,
mas como uma pessoa que existe para direcionar a construção do conhecimento
a partir da autonomia e da cooperação.

Permitir à criança agir pela autonomia possibilita que ela execute livremente
suas ações sobre o meio, sem medo de ser coibida pelo adulto ou pela figura de
autoridade, nesse caso o professor. Ao estabelecer uma relação de respeito mútuo

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com a criança, o professor cria laços afetivos que proporcionam o desenvolvimento


de relações de cooperação que facilitam e estimulam a aprendizagem.

Exercitando

Participe do fórum de discussão nesta aula, respondendo às seguintes questões:

1) Para Piaget, como ocorre o desenvolvimento da inteligência?


2) Qual a relação entre a teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget
e o processo de aprendizagem?
3) Exemplifique como os processos de assimilação e acomodação
podem ser observados dentro de uma situação de aprendizagem.

4 Aprofundando seu conhecimento

Os links abaixo se referem a uma produção da ATTA: Mídia e Educação,


realizada com Yves de La Taille, professor de Psicologia do Desenvolvimento
do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Nesses vídeos, o
professor Yves de La Taille comenta a teoria do desenvolvimento cognitivo
de Piaget e algumas de suas aplicações na Pedagogia. Para maiores
informações sobre o trabalho de Yves de La Taille, acesse o link:
àà http://lattes.cnpq.br/7371763510372596.

Jean Piaget por Yves de La Taille (1/4):


àà https://www.youtube.com/watch?v=8UYz8cTBfgg

Jean Piaget por Yves de La Taille (2/4):


àà https://www.youtube.com/watch?v=TxtcBXOz8ZU

Jean Piaget por Yves de La Taille (3/4):


àà https://www.youtube.com/watch?v=h3EzpmEK6yU

Jean Piaget por Yves de La Taille (4/4):


àà https://www.youtube.com/watch?v=13qkS1TITbI

Livros recomendados de Jean Piaget:

Psicologia e Pedagogia. Trad. Dirceu A. Lindoso; Rosa M. R. da Silva. Rio


de Janeiro: Forense Universitária, 1970.

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Para onde vai a educação? Trad. Ivete Braga. Rio de


Janeiro: José Olympio, 1973.

Figura 6

5 Trocando em miúdos

Nesta aula, aprendemos que o desenvolvimento cognitivo, segundo Piaget, está


relacionado com o desenvolvimento biológico e com a ação do indivíduo sobre
o meio, e que o pensamento construtivista passou a influenciar a educação a
partir do final do século XX. Essa corrente de pensamento considera a relação
entre maturação biológica e interações sociais como fundamental para o processo
de aprendizagem.

6 Autoavaliando

1) Observe o pensamento de Jean Piaget descrito a seguir e analise a sua


prática enquanto aluno da Educação a Distância, a partir dessa relação
de aprendizagem entre o sujeito e o objeto.

“Para conhecer os objetos, o sujeito tem que agir sobre eles e, por conseguinte,
transformá-los: tem que deslocá-los, agrupá-los, combiná-los, separá-los e juntá-
los. Nesse sentido, o conhecimento não é nem uma cópia interior dos objetos ou
acontecimentos do real, nem o mero reflexo desses objetos e acontecimentos
que se imporiam ao sujeito. Ele é uma compreensão do real, construída a partir
de modos de ação do sujeito sobre o meio, dependendo dos dois – sujeito e
objeto – ao mesmo tempo.” (PIAGET apud CRUZ; FONTANA, 1997, p. 55).

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Referências

PIAGET, Jean. O Juízo Moral da Criança. São Paulo: Editora Summus, 1932.

______ . Seis Estudos de Psicologia. Trad. Maria A. M. D’Amorim; Paulo S. L.


Silva. Rio de Janeiro: Forense Editora Universitária, 1964, 146 p.

______. Psicologia e Pedagogia. Trad. Dirceu A. Lindoso; Rosa M. R. da Silva.


Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1970.

______. Para onde vai a educação? Trad. Ivete Braga. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1973.

SEBER, Maria da Glória. Psicologia do pré-escolar: uma visão construtivista.


São Paulo: Moderna, 1997.