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História da Língua Portuguesa UNIDADE 02 AULA 07

Alessandra Gomes Coutinho Ferreira


Joseli Maria da Silva
Rosa Lúcia Vieira Souza
Rosângela Vieira Freire

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

O português clássico

1 Objetivos da aprendizagem

„„ Compreender a evolução do português


médio ao português clássico;
„„ Entender a importância das gramáticas de Fernão de Oliveira
e João de Barros para a história da língua portuguesa;
„„ Conhecer textos literários do português clássico.
O português clássico

2 Começando a história

Na aula anterior, estudamos a evolução da língua galego-portuguesa em português


médio, isto é, quando houve a separação entre português e galego, em uma
fase em que a burguesia vencia a aristocracia rural na região norte de Portugal,
simbolizada pela Batalha de Aljubarrota, acarretando o deslocamento do centro
do país para a região sul. Esse momento de profundas transformações linguísticas
e sócio-históricas constituiu o português médio, também conhecido como
português pré-clássico.

Desde o final do século XIV e ao longo dos séculos XV e XVI, a sociedade portuguesa
sofreu profundas transformações. O país consolidou-se dentro e fora da península,
surgiram as primeiras gramáticas — promovendo a reflexão linguística e abrindo
caminhos para a normalização e o ensino da língua portuguesa — e a imprensa
começou a difusão do pensamento e da produção literária em português. Segundo
Paiva (2008), “a prosa informativa e preceptiva, criada pelos membros da Casa
de Avis, e a literária narrativa iniciada por Fernão Lopes, seguem seus cursos,
tornando-se fontes de gêneros e estilos novos, no século XVI e nos seguintes”.

A situação geográfica de Portugal favorecia a expansão marítima e a necessidade de


afirmação nacional impulsionou o reino para os descobrimentos e conquistas dos
séculos XV e XVI. O primeiro momento expansionista caracteriza-se pela tomada
de Ceuta (1415), garantindo novos senhorios, escravos, trigo e ouro. A expansão
continua pelo norte da África até Alcácer Quibir. Esse projeto expansionista
favorece a descoberta do Porto Santo (1418) e a colonização de Madeira (1425).
Os portugueses, em sua expansão marítimo-mercantil, transformaram o cabo
das Tormentas em cabo da Boa Esperança, permitindo o avanço para o Oriente
e, em 1500, Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil, a grande colônia portuguesa.

A motivação deste movimento expansionista era aumentar a rede de relações


comerciais, porém não se pode negar que essas relações têm implicações
culturais devido às trocas linguísticas, isto é, a difusão da cultura e da língua
sempre esteve presente na expansão ultramarina portuguesa. Essas conquistas
intensificaram os contatos com os falantes dos mais diferentes locais do mundo
e os portugueses descobriram, além de novas terras, novas realidades e novas
línguas, resultando em um significativo aumento lexical. Cardeira (2006, p. 67)
fornece exemplos das contribuições asiáticas — jangada, canja, pijama, biombo
—, africanas — banana, girafa, missanga — e aponta também palavras que os
portugueses iam deixando pelos lugares distantes onde aportavam.

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No oriente, as palavras malaias kadera (cadeira), varanda,


kamija (camisa), terigo (trigo) ou as japonesas furasuko (frasco),
bisukettu (biscoito) são exemplos de termos implantados
pelos portugueses. E em África, o Quicongo conserva palavras
portuguesas como kesu (queijo), sapatu, lozo (arroz) ou matelo
(martelo). (CARDEIRA, 2006, p. 67).

Não se pode esquecer que os descobrimentos e as conquistas estiveram


acompanhados pelo processo de evangelização das novas terras através da
fixação de falantes do português na África, na Ásia e na América.
O intercurso comercial e a ação evangelizadora tornam o
Português um símbolo de cultura cristã e língua franca de
marinheiros, mercadores, missionários, europeus e não
europeus. E Lisboa, transformada em empório comercial,
torna-se um centro difusor de vocabulário asiático, africano,
americano. Com os produtos exóticos, Portugal importava,
também, os termos que os designavam. E ao exportar para
toda a Europa esses produtos, Lisboa exportava vocabulário
exótico. É assim que, por intermédio do Português, as línguas
europeias adquirem termos como cobre, zebra, coco, manga,
ananás, banana... (CARDEIRA, 2006, p. 68).

Você, caro aluno, deve estar refletindo sobre a importância da expansão marítima
para a evolução do português médio em português clássico e se perguntando: quais
as primeiras gramáticas que promoveram a reflexão linguística e a normalização
da língua portuguesa? Quais os textos literários representativos do português
clássico? Qual a maior contribuição do português clássico? Para responder a
esses questionamentos, faz-se necessário conhecer como Fernão de Oliveira
e João de Barros organizaram as primeiras gramáticas de língua portuguesa e
a importância linguística e literária dos textos escritos em português clássico.

3 Tecendo conhecimento

O século XVI foi um período em que estudiosos se debruçaram sobre algumas


mudanças linguísticas. Um desses estudiosos foi Fernão de Oliveira, considerado
por Pinto (2004) como “um homem do Renascimento”, pois tinha um grande
interesse pelos estudos gramaticais, pelo mar e pela navegação, corroborando
os ideais do espírito crítico e humanista. A sua formação foi bastante ampla:
gramático, historiador, piloto, teórico da construção naval e de guerra. Dessa
bagagem intelectual, interessa-nos seus estudos gramaticais que garantiram a
produção da primeira gramática publicada em língua portuguesa, no ano de
1536, impressa em Lisboa por Germão Galherde.
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Na capa da Gramática, observa-se o brasão de armas dos Almadas, pois Fernão


de Oliveira dedicou seus escritos a D. Fernando de Almada — último da família
Almada a obter o cargo de capitão-mor do mar — com o intuito de preservar a
memória da língua portuguesa. O gramático, nas primeiras páginas do livro,
afirma que seu texto foi a “primeira anotação da língua portuguesa”; suas reflexões
são de caráter linguístico e cultural, apontam o modo de falar dos portugueses
e propõem uma norma para o português do século XVI.

Figura 1 - Capa Ele propôs a grafia <y> para representar a


da gramática de semivogal e exemplifica com formas como
Fernão de Oliveira.
seyo (SENU > se-o > seio) comprovando que a
semivogal está presente. Por isso, mesmo a grafia
antiga de seo, feo, creo, etc. mantendo-se em
vigor, na sequência –eo já se tinha desenvolvido
uma semivogal (CREDO > cre-o > creio). Os hiatos
característicos do português arcaico também
se resolveram através da contração das duas
vogais (LANA > lã-a > lã), ou da semivocalização
(MALU > ma-u > mau), ou recorria-se a uma
consoante palatal (SARDINA > sardi-a > sardinha).
As terminações nasais tinham convergido em
uma só, o ditongo [ãw], no singular, criando
uma assimetria entre singular e plural: MANU > mã-o > mão / mãos; PANE > pã >
pão / pães; ORATIONE > oraçõ > oração / orações.

Sobre essas reflexões, Fernão de Oliveira (apud CARDEIRA, 2006, p. 61) afirma:
[...] nomes que mudam todo o ditongo como lição, lições,
podão, podões e melão, melões [...] se olharmos ao singular
antigo que já tiveram não mudam tanto como agora nos
parece, porque estes nomes todos, os que se acabam em ão,
ditongo, acabavam-se em om como liçom, podom e melom,
e acrescentando e e s formavam o plural lições, podões e
melões, como ainda agora fazem. E outros tantos podemos
afirmar dos que fazem o plural em ães como pães, cães,
dos quais antigamente era o seu singular pam, cam. [...] Os
outros nomes que fazem o plural em ãos como cidadãos e
cortesãos, assim tiveram sempre o seu singular acabado em
ão, como agora tem cidadão e cortesão. Estes guardam sua
antiguidade em tudo e aqueles outros só no plural.

Além da publicação da gramática de Fernão de Oliveira em 1536, Gil Vicente,


nesse mesmo ano, representa seu último auto. E por esse tempo também foi

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fundado o Santo Ofício da Inquisição. Esses três acontecimentos marcam, de


forma diferente, a história da cultura de Portugal.

A ponte entre o português médio e o português clássico, entre a cultura e a


língua medieval e o Renascimento foi representada por Gil Vicente, pois este
“manejou a língua com tal maestria que empregou não só o português culto e
literário, polido e escolhido como o dos melhores poetas do Cancioneiro Geral,
mas também o pitoresco e popular, falado pelo vulgo, o regional usado por
pastores e camponeses” (PAIVA, 2008, p. 238). Sobre Gil Vicente, Paiva prossegue:
Escreveu uma parte de seus trabalhos em castelhano,
aproveitou-se do latim eclesiástico ora de modo correto, ora
incorreto para fins cômicos, fazendo o mesmo com o francês
e italiano bastante deturpados (Auto da Fama); pôs um dialeto
“picardo” na boca de um diabo truão, imitou a algaravia dos
negros (já registrada em Henrique da Mota, no Cancioneiro
Geral), e a das ciganas. Além disso, caracterizou judeus e
comadres por meio de traços fonéticos ou morfológicos que
indicam sua profunda sensibilidade para fatos linguísticos.
(PAIVA, 2008, p. 238).

Paul Teyssier (1997) pontua que Gil Vicente representa o quadro linguístico de
Portugal da primeira metade do século XVI e por isso representa a passagem do
português médio para o português clássico, isto é, tem-se o encontro do velho
com o novo que irá imperar na segunda metade do século XVI.

Aos olhos dos humanistas, eixo do mundo nesse século, a Antiguidade Clássica
ganha novos contornos. Autores como Sá de Miranda, André de Resende, Pedro
Nunes, entre outros, importam para Portugal essa nova forma de ver o mundo.
Abre-se caminho para novos gêneros literários e uma utilização cada vez mais
elaborada do português. A língua passa a ser vista não só como um instrumento
de transmissão de mensagens, ela passa a ser um objeto que pode ser analisado,
estudado e descrito.

As primeiras gramáticas – a de Fernão de Oliveira (1536) e a de João de Barros (1540)


– realizaram a sistematização de algumas normas que, utilizadas e enriquecidas
pelo trabalho estético dos escritores renascentistas, extinguiram a maior parte
das variantes.

A gramática de Fernão de Oliveira precede em quatro anos a Grammatica da


Lingua portuguesa de João de Barros. Spina (2008, p. 289) pontua que João de
Barros enumera seis motivos para seu louvor da língua portuguesa. São eles:

1) Riqueza vocabular;
2) Conformidade com a língua latina e filiação nela;
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3) Gravidade e majestade;
4) Sonoridade agradável;
5) Caráter abstrato;
6) Possibilidade de enriquecer o seu vocabulário por meio de adoções
e adaptações (sobretudo de latinismos).

O surgimento dessas gramáticas revela o gosto pela cultura clássica, no tocante


ao ensino do latim e do grego. Os reis portugueses contratavam humanistas
estrangeiros e portugueses para ensinar as línguas clássicas aos seus filhos.
Observando como essas línguas foram catalogadas e descritas de um ponto de
vista teórico, percebeu-se que se podia fazer o mesmo com a língua portuguesa.
Com o intuito de aprimorar e sistematizar esta língua, afeiçoando-a ao latim,
encontraram-se as condições favoráveis para o surgimento das primeiras
gramáticas e dos primeiros dicionários. Spina (2008, p. 287) indica alguns dicionários
surgidos nos séculos XVI e XVII: Dictionarum Latino-Lusitanicum et vice-versa
Lusitanico-Latino, de Jerônimo Cardoso, de 1570; Dictionarum Lusitanico-Latinum,
de Agostinho Barbosa, de 1611; e Thesouro da Lingua portuguesa, do jesuíta Bento
Pereira, de 1647.

Segundo Spina (2008), Fernão de Oliveira e João de Barros defenderam as virtudes


e excelências da língua portuguesa, pois os intelectuais da época censuravam
a pobreza vocabular. Para Fernão de Oliveira (apud SPINA, 2008, p. 288), a fala
portuguesa “tem de seu a perfeyção da arte que outras nações aquirem com
muyto trabalho”, e na sequência: “[...] e com tudo apliquemos nosso trabalho a
nossa língua e gente [...] e nam trabalhemos em língua estrangeira”.

Todo esse movimento para o aprimoramento do sistema linguístico não impediu


que ainda nos séculos XVI e XVII fossem mantidas algumas formas arcaicas e
populares em sua linguagem. Foi o caso de Gil Vicente.

Lendo os modelos clássicos, os latinos em especial, os escritores portugueses


introduziram, em seus textos, vários latinismos, aportuguesaram as formas
importadas e refizeram as formas arcaicas. Sousa da Silveira (1937, p. 105-106)
indica uma síntese dos tipos de latinismos nessa época da língua portuguesa:
Latinismos gráficos, complicando a escrita mais singela
dos primeiros tempos; fonéticos, aproximando formas
populares, muito alteradas, das formas clássicas conhecidas;
morfológicos, com a adoção de sufixos, prefixos e radicais
da língua mãe; sintáticos, com a transplantação para o
vernáculo de construções latinas não usadas em Português,
e, finalmente, léxicos, constituídos pela introdução de muitos
vocábulos denominados eruditos ou literários.
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Spina (2008, p. 283) encontra exemplos desses cinco tipos de latinismos descritos
por Sousa da Silveira em Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões. Essa obra é um
longo poema épico organizado em dez cantos que retrata a viagem de Vasco
da Gama às Índias, isto é, conta a história do povo português.

a) Gráficos: octavo (oitavo), precepto (preceito), facultade (faculdade),


doctor (doutor), entre outras; a pronúncia não correspondia à
língua viva;
b) Fonéticos: abundar (pela forma popular avondar), contrario (por
contrairo), defensa (por defesa), insula (por ilha); essas palavras com
base na etimologia latina não vingaram;
c) Morfológicos: os superlativos eruditos em –érrimo, -ílimo e –íssimo:
aspérrimo, misérrimo, humílimo, belacíssimo etc.
d) Sintáticos: a correlação qual...tal (latim qualis...talis): “Qual contra a
linda Policena, [...] tais contra Inas os brutos matadores”;
e) Léxicos: avena (flauta), flama (chama), íncola (habitante), sumo
(supremo), entre outros.

Além desses latinismos, encontra-se, nos textos do português clássico, o emprego


de formas arcaicas e populares da língua. Ao ler autores clássicos — Camões,
Sá de Miranda, João de Barros, Bernardim Ribeiro, Diogo do Couto, Frei Luís de
Sousa, Rodrigues Lobo, Frei Amador Arrais, Frei Heitor Pinto, D. Francisco Manuel
de Melo — dos séculos XVI e XVII, depara-se com essas formas.

Leremos um fragmento Das Décadas de João de Barros (apud SPINA, 2008, p.


315-316) que relata o episódio aproveitado por Camões em Os Lusíadas (Canto
III) em que o poeta reproduz o próprio vocabulário de João de Barros. “O Çamori,
informado pelos harúspices de que se tratava de piratas do mar, mandou chamar
Vasco da Gama e pediu satisfações sinceras a respeito daquela embaixada que
diziam trazer de El-rei D. Manuel”.

Das Décadas, de João de Barros

Porque tanto que1 o Çamori2 concebeu3 o que lhe diziam, mandou chamar
Vasco da Gama, e disse que lhe descobrisse4 uma verdade, que ele lhe
prometia de lha perdoar, por ser cousa natural aos homens buscarem

1 Tanto que: logo que.


2 Çamori ou Çamorim (Camões grafa Samorim): título dos antigos reis do Indostão.
3 Concebeu: compreendeu, tomou conhecimento.
4 Descobrisse: revelasse, confessasse.

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cautelas5 e modos de sua abonação para fazerem seu proveito6, e que


se andavam desterrados7 por algum caso ele os ajudaria em tudo. Ca8,
segundo tinha sabido de alguns homens das partes9 da franquia10, donde
diziam ser, eles não tinham rei, ou se o havia na sua pátria, o seu ofício
mais era andar pelo mar de armada à maneira de corsairos11 que por razão
do compercio.

Vasco da Gama, quando ouviu tais palavras, sem deixar ir el-rei mais avante
com elas, disse: - que verdadeiramente ele não punha culpa cuidarem deles
muitas cousas, porque grão novidade devia ser a todos os seus vassalos,
verem naquelas partes nova gente em religião e costumes, e mais, vindos
por caminho nunca navegados, com embaixada de um poderoso rei, que
não pretendia mais interesse que sua amizade e comunicação de comércio
para dar nova saída às especiarias daquele seu reino, Calecut.

5 Cautelas: precaução astuciosa.


6 Para fazerem seu proveito: isto é, em benefício próprio.
7 Desterrados: postos como castigo fora da terra, exilados.
8 Ca: conjunção causal arcaica, “porque” (do lat. quia).
9 Partes: latinismo, por “terras”, “regiões”.
10 Franquia: denominação que entre os árabes significa “Cristandade”.
11 Corsairos: forma popular de “corsários”.

As notas explicativas comprovam algumas formas de usos arcaizantes e populares


nesse fragmento de João de Barros. Percebe-se que o texto já apresenta muitas
semelhanças com o português moderno, que será tratado nas próximas aulas.

A maior contribuição linguística do português clássico, de acordo com os estudos


empreendidos por Cardeira (2006), é a construção frásica que imita a latina, a
abundância da subordinação, os latinismos que enriquecem o acervo lexical.
Da língua espera-se que sirva de objetivos estéticos, harmonizando-se com o
pensamento, envolvendo-se com o ritmo, a musicalidade e a expressividade do
texto literário. Da literatura espera-se exuberância e grandiosidade. Antíteses,
paralelismos, trocadilhos, hipérboles, aliterações são efeitos de sentido que dão
solidez a uma língua literária que retoma o modelo latino, do qual herdam, a
sintaxe e o léxico.

Exercitando

1) Qual a importância da expansão marítima portuguesa para a evolução


da língua?
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2) O que representa a passagem do português médio para o português clássico?

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3) Quais as primeiras gramáticas publicadas em língua portuguesa e qual a


sua importância?

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4) Quais as contribuições do português clássico?

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4 Aprofundando seu conhecimento


Figuras 2 e 3
Esse trajeto pela produção linguística
e literária do século XVI, através das
gramáticas de Fernão de Oliveira
e de João de Barros e pelo texto
literário de João de Barros, instiga-
nos a cotejar suas gramáticas na
íntegra, a fim de verificar a ortografia
da época, a fonética, a morfologia,
a sintaxe, o léxico que, no pequeno
espaço desta aula, não foi possível
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O português clássico

aprofundar. A verticalização dos conhecimentos linguísticos dessa época pode


ser realizada a partir da consulta ao site da Biblioteca Nacional de Portugal, que
disponibiliza em formato pdf essas gramáticas.

Além dessas gramáticas, outros livros são fundamentais. O livro Como se


devem ler os clássicos, de José Pereira Tavares, é um guia para o leitor que
se interessa pelos escritores clássicos portugueses, como Sá de Miranda
e Camões, no século XVI, mostrando a caracterização da ortografia, do
léxico, da morfologia e da sintaxe.

Figura 4

5 Trocando em miúdos

Para conhecermos o português arcaico, tínhamos que recorrer, exclusivamente,


à análise de documentos escritos, como vimos com os textos escritos em galego-
português. Para o português médio e o português clássico, dispomos de descrições
e normas linguísticas registradas nas gramáticas de Fernão de Oliveira e de João
de Barros, que fixaram informações valiosas apresentadas ao longo desta aula. O
que não quer dizer que devamos desprezar os dados que as análises dos textos
literários escritos em português médio e clássico podem nos oferecer, pois são
também contribuições riquíssimas.

Da primeira para a segunda metade do século XVI, a língua portuguesa tem sua
evolução de forma mais contundente no léxico. Segundo Paiva (2008, p. 239),

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na parte do léxico, a língua passa por dois processos opostos:


de um lado, o afunilamento das formas vigentes e, de outro,
o alargamento do vocabulário pela substituição daquelas
formas, quer por termos extraídos diretamente do latim
literário, quer pela entrada de inúmeros neologismos
de outras procedências; a morfologia e a sintaxe vão-se
regularizando gradativamente, e a língua, trabalhada pelos
autores renascentistas, ingressa na “fase ‘moderna”.

Não há dúvida de que as transformações que a língua portuguesa vivenciou estão


ligadas à revolução artística, social, econômica e literária, que ficou conhecida
pela denominação de Renascimento. Tem-se, de um lado, a admiração pela
Antiguidade Clássica greco-latina, que favoreceu as traduções, imitações e
assimilações dos textos antigos e, do outro lado, Portugal abriu os caminhos para
o mundo moderno com o descobrimento da África, Ásia e América, pondo-se
em contato com novos mundos, novas línguas e novas culturas.

6 Autoavaliando

Vimos, ao longo desta aula, que, nas décadas de 1530 e 1540, ocorreram fatos
que promoveram a “revolução” literária e linguística, expandida celeremente na
segunda metade do século XVI. O nosso objetivo foi compreender a passagem
do português médio ao português clássico e as contribuições fornecidas por
este para a história da língua portuguesa, bem como a importância linguístico-
histórica das primeiras gramáticas que catalogaram e organizaram um grande
número de fatos linguísticos.

Se você conseguir identificar esses fatos históricos que revolucionaram os estudos


linguísticos e literários desse período estudado e as principais contribuições do
português clássico, estará apto a percorrer a próxima etapa dos nossos estudos.
E para avaliar seu desempenho durante esta aula, faça uma análise sobre a
importância das primeiras gramáticas escritas em língua portuguesa para o
processo de compreensão/interpretação de textos clássicos.

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O português clássico

Referências

CARDEIRA, Esperança. O essencial sobre a História do Português. Lisboa:


Editora Caminho, 2006.

PAIVA, Dulce de Faria. Século XV e meados do século XVI. In: História da Língua
Portuguesa. Segismundo Spina (Org.). Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2008.

PINTO, Margarida Silva. Grammatica da Lingoagem Portuguesa de Fernão


de Oliveira. Disponível em: http://purl.pt/369/1/ficha-obra-gramatica.html.
Acesso em: 10 set. 2013.

SILVEIRA, Sousa da. Lições de Português. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937.

SPINA, Segismundo. Segunda metade do século XVI e século XVII. In: História da
Língua Portuguesa. Segismundo Spina (Org.). Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2008.

TEYSSIER, Paul. História da Língua Portuguesa. Tradução de Celso Cunha. São


Paulo: Martins Fontes, 1997.

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