Vous êtes sur la page 1sur 163

flvilhoso.

As Escrituras nos mostram que quando Deus restaura,


as~is slJil.ão apênaúetomam a sua condição original, como também
esta obra restaurada supera a original. Já era tempo, porque unicamente
quando o oficio do apóstolo seja restaurado, é que poderemos cumprir
cabalmente o mandado da Grande Comissão, discipulando as nações para
o Senhor Jesus Cristo. Estamos sendo preparados para caminhar na
direção de conquista de cidades e nações como fez a Igreja do primeiro
século, e dessa maneira estabelecer o domínio de Cristo na Terra.

"Não escrevo este livro para impressionar ninguém", diz Héctor Torres.
"Espero que através do seu conteúdo você possa ter uma experiência
renovadora com Deus. Para agir com Deus, temos que estar dispostos
a buscar as coisas novas que Ele deseja fazer".

o DR. HÉCTOR TORRES é presidente do ministério


H.I.M. (Ministério Hispano Internacional), rnembro da
Rede de Guerra Espiritual e coordenador da Rede de
Oração para o mundo hispano do Movimento AD2000.
Recebeu seu doutorado em filosofia pela Universidad
A restauração de
Visión Internacional em California, USA. É autor de
Derribemos Fortalezas, Desenmascaremos las Tinieblas sua influência
de este Siglo, Liderazgo: Ministerio y Batalla e no novo século
Comunidades Transformadas con Oración. Mora em
Colorado Springs, Colorado com sua esposa Myriam.
A restallraçiio de
slIa inf7uência
no 1101 10 século

1
Ficha bibliográfica

Torres, Hector
Apóstolos e Profetas / Hector Torres - Almirante Tamandaré, PR
: Editora Jocum Brasil/Marcos de Souza Borges Edição e Distribuição
de Livros, 2007.
168 páginas; 21cm
ISBN 85-60363-00-9
1. Vida cristã. 2. Liderança. 3. Ministério cristão
CDD (21" ed.) 248.4

Copyright © by Hector Torres


Primeira Edição - Abril de 2007

Copyright © by Hector Torres


Diagramação e Capa: Eurípedes Mendes
Tradução: Josete Pereira Peres Soares
Revisão: Vania Cristina Alexandrino Bernardo
e Pro Carlos Elias Alexandrino
Supervisão Geral: PL Silas Quirino de Carvalho
Impressão e Acabamento: Editora Jocum Brasil

Editado por: Editora Jocum Brasil


Marcos de Souza Borges Edição e Distribuição de Livros
CNPJ 07.112.226/0001-23 /Insc. Est. 903.33536-07
Rua Barão do Rio Branco, 52 - Jardim Buenos Aires
Almirante Tamandaré - PR - Brasil - CEP 83511-110

Não se autoriza a reprodução deste livro, nem de


partes do mesmo sem permissão por escrito do autor.

Distribuição

c~
e Vendas

Editoro jOCUM

www.jocumpr.com.br / www.editorajocum.com.br

Fone / Fax: (041) 3657-27081 E-Mail: coty@sul.com.br / prcoty@gmail.com

2
Sumário

Prefácio 07
Introdução 09
1- A restauração de todas as coisas 15
2- A história da restauração 25
3- O ministério profético para o avivamento 33
4- Autoridade profética .49
5- A formação de um profeta .56
6- O cumprimento de sua profecia pessoaL .71
7- Precursores das mudanças 89
8- O apóstolo nos últimos tempos 96
9- Pioneiros espirituais l 05
10- A guerra espiritual e o ministério apostólico 113
11- Como unir os apóstolos aos profetas 129
12- Uma associação arriscada: Como entender
a relação entre os apóstolos e os profetas .146

3
Sumário

Prefácio 07
Introdução 09
1- A restauração de todas as coisas 15
2- A história da restauração 25
3- O ministério profético para o avivamento 33
4- Autoridade profética .49
5- A formação de um profeta 56
6- O cumprimento de sua profecia pessoal... 71
7- Precursores das mudanças 89
8- O apóstolo nos últimos tempos 96
9- Pioneiros espirituais 105
10- A guerra espiritual e o ministério apostólico 113
11- Como unir os apóstolos aos profetas 129
12- Uma associação arriscada: Como entender
a relação entre os apóstolos e os profetas 146

3
Prólogo
este começo do século XXI, a Igreja se encontra em

N uma situação privilegiada. É evidente que Deus está


decidido a fazer algo assombroso, no mundo de hoje,
permitindo-nos ver abundantemente o fruto evangelístico, en-
quanto os santos comuns de Deus fazem sinais e prodígios
do tipo do Novo Testamento.
Um elemento central da esta situação em que vive a Igreja
e da qual estamos sendo testemunhas é a restauração, depois
de muito, muito tempo, dos ofícios de apóstolo e profeta.
Héctor Torres vê isto com toda a clareza. É uma das pessoas
que ouve o que o Espírito está dizendo às igrejas. Este livro
aparece no momento certo. "A Restauração de Apóstolos e
Profetas" é um dos primeiros livros neste importante mover
de Deus, e é bom. Héctor não somente compartilha a sua pró-
pria visão, mas conseguiu reunir uma equipe que representa
a maior qualidade do pensamento atual sobre a matéria.
Devido ao fato de que o reconhecimento dos ofícios de após-
tolo e profeta é tão novo, imagino que muitos leitores deste
livro vão sentir-se um pouco incomodados ao começar a leitura.
É de se esperar. Mas neste prólogo quero descrever o funda-
mento histórico sobre o qual Deus está construindo hoje em dia.
As raízes históricas deste novo mover de Deus devem ser
situadas na Reforma Protestante do século XVI. A teologia

5
da Reforma continua firme apesar de nossas opiniões sobre a
autoridade da Escritura, a justificação pela fé e o sacerdócio
de todos os crentes. Outro componente chave é o pensamen-
to de John Wesley sobre a santidade pessoal. O movimento
moderno missionário, iniciado há 200 anos, tirou-nos qual-
quer dúvida sobre nosso papel em difundir o Evangelho ao
redor do mundo.
No século XX, o Movimento Pentecostal enfatizou a Tercei-
ra Pessoa da Trindade, ensinando-nos que a propagação do
Evangelho deve ir acompanhada por um poder sobrenatural.
Na década dos anos 50, com o começo do ministério de Billy
Graham, Oral Roberts, T. L. Osborne, Morris Cerullo e muitos
outros, a evangelização passou a ocupar o primeiro lugar. A
década de 60 trouxe uma nova consciência entre os cristãos
para ajudar os pobres e os oprimidos. Na década de 70, nasceu
o grande movimento global de oração. Na década de SO, co-
meçou a ser reconhecido o dom e o ofício do profeta. E o dom
e o ofício de apóstolo tomaram relevância na década de 90.
É estranho que, só recentemente, os líderes cristãos tenham
começado a entender o verdadeiro governo da Igreja. O Novo
Testamento está cheio de revelações sobre as funções dos após-
tolos e dos profetas. De fato, eles são os verdadeiros funda-
mentos da Igreja: "[A família de Deus] edificados sobre o fun-
damento dos apóstolos e profetas, sendo a principal pedra da
esquina o próprio Jesus Cristo" (Efésios 2.20). Não obstante o
passado da Igreja a respeito desse assunto, é excitante ser par-
te da geração que agora é vista como a estrutura da Igreja
conforme originalmente Deus planejou que fosse.
Ao ler"A Restauração de Apóstolos e Profetas", você verá
claramente o perfil que a Igreja está tomando e beberá do rio
de Deus. Eu lhe garanto que, quando terminar, você mesmo
fluirá nesse rio divino.

C. Peter Wagner, Chancelar


Wagner Leadership Institute

6
Prefácio

o s grandes movimentos cristãos do passado têm servi-


do a um propósito vital em seus tempos para mover a
Igreja à restauração de todas as coisas. Com a restau-
ração dos dons ministeriais do apóstolo, profeta, evangelis-
ta, pastor e mestre (Efésios 4), o Corpo de Cristo está come-
çando a chegar à maturidade. Unicamente quando o ofício de
apóstolo for restaurado, poderemos chegar à plenitude de
Cristo (Hebreus 3.1) dentro de Seu povo.
Vivemos em um tempo kairós para a humanidade, um tem-
po de transição. Ao entrar no século XXI, a Igreja deve ser
restaurada em sua plenitude como é o propósito eterno de
Deus para cumprir o mandado da Grande Comissão e disci-
pular as nações para o Senhor Jesus Cristo. Este período de
transição tem sido chamado"pós-denominacional" ou "a nova
reforma apostólica". Esta geração deve demonstrar o dom
apostólico, com poder, não simplesmente com palavras elo-
qüentes. Desejamos ver, porém, produtividade que transfor-
me o mundo inteiro. Quando milhares de apóstolos começa-
rem a se levantar em seu ministério, a Igreja será desbloque-
ada para discipular de maneira efetiva as nações que estive-
rem abertas para receber o Senhorio de Cristo.
A colheita não pode ser ceifada sem este ofício fundamen-
tal. Estamos vendo o Pai levantar uma nova geração de após-

7
tolos e pessoas apostólicas tomando seu lugar na Terra, brin-
dando a obra de Deus com uma valiosa contribuição. Isto re-
quer uma unção fresca e pessoas desejosas de abraçar o novo,
enquanto se agarram aos fundamentos de ontem. Também há
necessidade de pessoas de unção e integridade a fim de mar-
car o passo para a tomada de cidades e nações como o fez a
Igreja do primeiro século, e desta maneira estabelecer o domí-
nio de Cristo aqui na Terra.

Dr. Stan DeKoven, Presidente


Universidad Visión Internacional
Ramonita, Califórnia, Estados Unidos

8
Introdução
Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua paren-
tela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-
te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu
nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoa-
rem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão ben-
ditas todas as famz1ias da terra. Gênesis 12.1;3

Q .
uando Deus quer fazer algo novo em nossas vidas,
Ele geralmente nos pede algo que requer o abandono
daquilo que é conhecido, cômodo e no qual estamos
presos emocional e espiritualmente. Devemos observar que a
Bíblia nos diz que Jehová "havia falado"; ou seja, que no pas-
sado Deus falara a Abraão acerca das mudanças que desejava
fazer para que este patriarca fosse abençoado.
Uma das coisas mais difíceis para um indivíduo é abando-
nar ou sair de onde se sente cômodo, de onde se sente segu-
ro, do lugar familiar. Por isso, ainda que muitas vezes Deus
nos diga algo, demoramos em obedecer e muitas vezes ne-
cessitamos que alguém nos empurre ou obrigue a dar os pas-
sos iniciais para fazer estas mudanças.
No caso de Abraão, Deus usou o seu pai Terá para tirá-lo
do lugar onde morava. Entendemos que ainda que Deus hou-
vesse dito a Abraão que abandonasse tudo e, assim, recebes-

9
se bênção, este nunca deu os passos necessários até que o seu
pai o fez por ele.

Tomou Terá a Abrão, seu filho, e a Lá, filho de Harã, filho de seu
filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com
eles de Ur dos Caldeus, para ir à terra de Canaã. Mas quando
chegaram a Harã, habitaram alí. Foram os dias de Terá duzentos
e cínco anos, e morreu Terá em Harã. Gênesis 11.31-32

Muitos desejamos que Deus nos fale e nos revele Seus pla-
nos para nossa vida. Contudo, não estamos interessados em
fazer mudanças ou ajustes. Biblicamente, isto é algo impossí-
vel. Sempre que Deus fala a Seus servos na Bíblia acerca de
Seus planos e propósitos, Ele requer deles mudanças e ajustes
em suas vidas e em seus planos para ajustarem-se aos Seus.
Estar disposto a ajustar nossa vida, nossas crenças, nossos
planos e também nosso lugar de habitação é um ponto crítico
para poder experimentar os propósitos de Deus em nossas
vidas.
Deus sempre está fazendo algo novo e diferente para o pro-
gresso de Seu Reino. Todo progresso traz mudanças. Todo cres-
cimento produz mudanças e toda mudança traz novos desafios.
Entretanto, cabe dizer que nem toda mudança representa pro-
gresso, mas sem a mudança não pode haver progresso.
Não escrevo este livro para impressionar alguém. Espero
que através de seu conteúdo, você possa ter uma experiência
nova e fresca com Deus. Para podermos ser úteis a Deus, te-
mos que estar dispostos a mudar as coisas que deixaram de
ser verdadeiras e buscar as coisas novas que Ele deseja fazer.
Se verdadeiramente desejamos ver um despertar espiritu-
al, experimentar um avivamento, romper brechas e transfor-
mar nossas comunidades, talvez tenhamos que admitir que
os métodos e as estratégias que estamos usando não são efe-
tivos, não têm trazido os resultados desejados e que é neces-
sário fazer mudanças. Para ver coisas novas, temos que em-
preender coisas novas.

10
Deus pediu a Abraão que abandonasse sua terra, sua paren-
tela e a casa de seu pai. Se Abraão estivesse disposto a obedecer
às ordens de Deus, receberia grandes e maravilhosas bênçãos.
Nas próximas páginas, permita que Deus lhe fale. Escute
com seu espírito, abra seu coração, não critique e esteja dis-
posto a abrir-se. Para alguns, as mudanças são radicais; para
outros, serão somente alguns pequenos ajustes; e, ainda, para
outros tantos, será uma confirmação para continuar no cami-
nho em que estão marchando.

Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado


como justiça, sabei, pois, que os da fé éque são filhos de Abraão.
Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar
pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão,
dizendo: Em ti serão benditas todas as nações.De sorte que os
que são da fé são benditos com o crente Abraão. Gálatas 3.6-9

Em essência, o que Deus disse a Abraão é: Se escutares e


obedeceres, te abençoarei. Não podemos colocar vinho novo
em odres velhos, porque estes se rasgarão e se perderá o vinho.
Assim também, não podemos permanecer no passado se deseja-
'"
mos alcançar o futuro. Lucas descreve as palavras de Estêvão
diante do concílio judeu sobre o chamado a Abraão dizendo:

Respondeu ele: Irmãos e pais, ouvi! O Deus da glória apareceu


a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar
em Harã, e lhe disse: Sai da tua terra, e dentre a tua parentela,
e dirige-te à terra que eu te mostrarei. Então saiu da terra dos
caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu,
Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora. Ele não lhe
deu nela herança, nem ainda o espaço de um pé. Mas prometeu
que lhe daria a posse dela, e depois dele à sua descendência,
embora naquele tempo ele não tivesse filho. Atos 7.2-5

Deus tem um propósito para cada geração e Ele está nos


provendo com avanços tecnológicos, econômicos e espiritu-

11
ais para este novo milênio. A Igreja do século XXI não pode
permanecer com a mentalidade da do século XX, assim como
a Igreja do século XX não permaneceu nos parâmetros da do
século XIX.

Ele nos resgatou para que a bênção de Abraão chegasse aos


gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a
promessa do Espírito. Gálatas 3.14

o desafio de Deus é que abandonemos nossa comodidade


e estendamos nossa visão, subindo a um novo nível de fé
para vermos novas manifestações da glória de Deus. Ele de-
seja que vivamos de fé em fé e de glória em glória. Para Deus
não é muito importante o que sabemos ou conhecemos, mas o
fato de termos um espírito ensinável e aberto para ouvi-Lo.
Se queremos estar sincronizados com Deus, temos que ser
obedientes e ensináveis. Isto vai requerer disposição para
pagar o preço que Deus nos pedir.
Em Mateus 1.18-25, o anjo do Senhor revela a José os pla-
nos para poder enviar o Messias prometido. As palavras do
anjo desafiam todos os aspectos da vida deste varão de Deus.
Como estava comprometido com Maria, deveria aceitar o fato
de que sua prometida estava grávida de um bebê gerado mi-
lagrosamente. Deveria enfrentar as tradições judaicas e as mur-
murações de seus contemporâneos (Mateus 1.18-21) e obede-
cer a Deus (Mateus 1.24-25).
Posteriormente, Herodes se propõe a massacrar os meni-
nos menores de dois anos e, novamente, o anjo do Senhor lhe
aparece em sonhos para lhe ordenar tomar o menino e sua
mãe e levá-lo ao Egito, permanecendo ali até a morte de He-
rodes. Estas mudanças, certamente radicais exigiam a obedi-
ência para abandonar tudo a fim de se cumprir o propósito
de Deus para a humanidade inteira. Ao estarmos dispostos a
estas coisas, descobriremos nosso destino divino.
Alguns dos ajustes ou mudanças de paradigma que Deus
requer de nós podem ser em diferentes áreas:

12
• Em nossas círcunstdncías (trabalho, finanças, famt1ía);
• Em nossas relações (preconceitos, métodos, negócíos);
• Em nossas pré-disposições ou doutrinas (a famaia, a igreja, o
trabalho, a tradição, etc.);
• Em nossas ações (orar, dar, servir, amar, viver, etc.);
• Em nossas crenças (acerca de Deus, Seus propósitos, Seus cami-
nhos e a relação com Ele).

Entendo que algumas partes deste livro serão controversas,


mas devo assUllÚr o risco que Deus requer, se desejo comparti-
lhar e ver uma mudança da Igreja na América Latina. As mu-
danças sempre trarão repercussões hostis por parte da ordem
estabelecida. Jesus Cristo atacou os erros e a hipocrisia dos fari-
seus e saduceus e esteve disposto a morrer por causa da Refor-
ma. Martlnho Lutero e outros patriarcas da Reforma Protestan-
te refutaram o erro doutrinaI da Igreja estabelecida, pois seu
objetivo era pregar e ensinar a verdade sem importar o custo.
Pela graça de Deus, fui colocado em um lugar estratégico
para a Igreja dos últimos tempos. Deus nos tem dado o privi-
légio de trabalhar com grandes servos e servas de Deus na
América Latina, nos Estados Unidos e ao redor do mundo.
Devido a isto, tenho podido observar de perto o mover do
Espírito Santo e sentar-me à mesa daqueles que estão na van-
guarda da nova Reforma Apostólica.
Meu fervente desejo é que todos os que estão abertos ao
mover fresco do Espírito possam receber uma confirmação
do que está acontecendo, esclarecer algumas perguntas e re-
ceber uma instrução básica e fundamental para o agir de Deus
em suas vidas e em seus ministérios. O apóstolo João, por
inspiração do Espírito Santo, escreve aos santos:

Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida
eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus. I João 5.13

O apóstolo Lucas também declara que o propósito ao es-


crever o Evangelho era apresentar por ordem todas as coisas

13
que Jesus começou a fazer e ensinar (Atos 1.1), de maneira
que Teófilo conhecesse as evidências históricas dos ensinos
que havia recebido (1.4). Sem reclamar o mesmo nível de ins-
piração dos apóstolos mencionados, nem muito menos a au-
toridade destes, meu desejo é compartilhar a origem do novo
movimento apostólico e profético e um relato cronológico dos
acontecimentos que o rodeiam.
Minha oração é que o leitor seja informado, estabelecido
e, porque não dizer, abençoado com o conteúdo deste livro.
Os participantes no conteúdo deste são homens altamente
reconhecidos por seus ministérios internacionais. São após-
tolos e profetas que estão na vanguarda da nova Reforma
Apostólica.
1
A Restauração
de todas as coisas

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados


os vossos pecados, e venham assim os tempos de refrigério pela
presença do Senhor. E envie ele a Jesus Crísto, que já dantes
vos foi pregado. Convém que o céu o contenha até os tempos da
restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os
seus santos profetas, desde o princípio. Atos 3.19-21

Os últimos tempos, viveremos momentos de refrigé-

N rio, ou seja, um período de refrescante avivamento


como resultado de um arrependimento genuíno e
como ante-sala do retomo do Senhor Jesus Cristo, segundo o
que declara o apóstolo Pedro. Mas para que isso aconteça há
uma condição: é necessária a restauração de todas as coisas. A
palavra restauração significa voltar a colocar algo ou a al-
guém no estado de origem. Se há restauração, é porque a
condição original de algo foi deteriorada ou simplesmente
foi descuidada até o ponto de causar sua destruição. A res-
tauração é, pois, o processo de corrigir uma condição através
de uma mudança.
A Escritura nos mostra que quando Deus restaura, as coi-
sas não somente voltam à sua condição original, mas que a
obra restaurada supera a original. Por exemplo, na lei mosai-
ca, se alguém era achado culpado de roubo, tinha que devol-
ver o equivalente a quatro ou cinco vezes o que havia rouba-
do. Quando Deus restaurou a Jó o que satanás lhe havia rou-
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

bado, Ele o abençoou mais abundantemente e lhe deu o do-


bro do que havia perdido. O profeta Joel, ao qual o apóstolo
Pedro faz referência, declarou que o derramamento dos últi-
mos dias seria maior do que o primeiro. Quando Deus res-
taura, Ele multiplica e por isto a Igreja dos últimos tempos
está sendo restaurada de uma maneira mais poderosa e mais
gloriosa que a Igreja Primitiva.

Alegrai-vos, ó filhos de Sião, e regozijai-vos no Senhor vosso


Deus, porque ele vos deu em justa medida a chuva. Elf faz
descer a chuva, a temporã e a serôdia, como outrora. As eiras se
encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho novo e de
azeite. Restituir-vos-ei os anos consumidos pelo gafanhoto mi-
grador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército
que enviei contra vós. Comereis abundantemente, até ficardes
satisfeitos, e louvareis o nome do Senhor vosso Deus, que pro-
cedeu para convosco maravilhosamente; o meu povo não será
mais envergonhado. Joel 2.23-26

o verbo restituir é o mesmo que se usa para restaurar ou devol-


ver. O profeta Isaías, ao descrever o povo de Deus "roubado e
saqueado, enlaçado e escondido" (Isaías 42.22), parece estar falan-
do da condição espiritual da Igreja hoje em dia. Esta descrição con-
clui com um mandado do trono celestial, uma ordem do Coman-
dante dos exércitos celestiais: Restituição.
Esta ordem significa que Deus pede nossa colaboração para
realizar os propósitos que Ele deseja alcançar. O Deus sobe-
rano decide envolver-nos em Seus planos e propósitos! So-
mos colaboradores de Deus (I Coríntios 3.9) e somos chamados
para continuar a obra que Jesus Cristo começou a fazer e a
ensinar (Atos 1.1).
Ao longo da história, o Senhor vem restaurando em Sua Igreja
tudo o que o inimigo tem roubado, por meio de enganos e filo-
sofias falsas baseadas em tradições de homens e não em Cristo.
A cena do ministério de Jesus Cristo apareceu, em Israel,
ao tempo em que Deus não falava a Seu povo há mais de

16
A Restauração de todas as coisas

quatrocentos anos. a povo de Deus havia se "prostituído"


com o governo de Roma, decidindo deixar de lado os precei-
tos e ensinos dos profetas para evitar a confrontação e, as-
sim, reter o controle sobre o povo de Israel. Então, aparece
Jesus. Este se apresenta como enviado de Deus, apóstolo, em-
baixador do trono celestial e chega comissionado com poder e
autoridade para confrontar, julgar e reformar a casa de Deus.
a profeta Ageu havia declarado que a glória da última
casa seria maior do que a da primeira. Para cumprir a profe-
cia, Jesus Se manifestou para restaurar o que o povo havia
perdido. Estas são as coisas que o ministério apostólico de
Cristo veio restituir:

• A sã doutrina;
• O poder e a autoridade de Deus;
• O governo ou juízo de seu povo;
• Uma nova efresca revelação dos planos e propósitos de Deus;
• Um despertar espiritual ou avivamento.

Discípulos, apóstolos e profetas


No primeiro versículo de Mateus 10, observe que Jesus cha-
ma a seus homens "discípulos", mas uma vez que lhes dá auto-
ridade, os chama de "apóstolos". Isto é, foram comissionados
com poder e autoridade (v.2) e agora os envia como seus em-
baixadores, seus representantes ao povo judeu. Jesus foi espe-
cífico ao ordenar-lhes não entrar nas cidades dos samaritanos.
Era necessário que o Evangelho do Reino fosse levado primei-
ramente aos judeus. Como embaixadores de Jesus, iam comis-
sionados com a autoridade e o poder limitado de um delega-
do e não o de um governante. a derramamento do Espírito
Santo, no dia de Pentecostes, removeu essas limitações e lhes
concede a autoridade de ser representantes de Jesus no mun-
do inteiro.
Ao voltar ao céu, Jesus Cristo deixou para Seu povo o po-
der criativo e dinâmico do Espírito Santo. Além disso, repar-
tiu dons ministeriais para que Sua Igreja se espalhasse por

17
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

todo O mundo e, desta forma estabelecer o Reino de Deus


aqui na Terra, alcançando, assim, os perdidos e destruindo
as obras do maligno. Tudo isto é o que se conhece como o
mandado da Grande Comissão.

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e


outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, ten-
do em vista o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do
ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos
cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho
de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da ple-
nitude de Cristo. Efésios 4.11-13

o propósito de Deus quanto aos dons ministeriais é aper-


feiçoar, ou seja, preparar, treinar, equipar ou capacitar o Cor-
po de Cristo, até que todos cheguemos à plenitude de Cristo
e à unidade da fé.
Para a edificação da Igreja, Deus estabeleceu que o funda-
mento está sobre os apóstolos e os profetas. Ele os encarre-
gou da coordenação no governo e da administração da Igre-
ja; os profetas dão as instruções que procedem de Deus e os
apóstolos administram seu cumprimento.

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas,


sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular.Nele
todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Se-
nhor. E nele também vós juntamente sois edificados para mo-
rada de Deus no Espírito. Efésios 2.20-22

Deus usa os apóstolos e profetas para receber, através de


Seu Santo Espírito, a revelação do escondido ou oculto. Isto
lhes é dado com o propósito de que o revelem a Seu povo e se
instituam as mudanças que a nova revelação exige.
O apóstolo Paulo escreve que foi dado a ele conhecer o
mistério da Igreja como Corpo de Cristo, do qual Ele é a ca-
beça e nós Seu Corpo.

18
A Restauração de todas as coisas"

Isto é, O mistério que me foi manifestado pela revelação, como


acima em poucas palavras vos escrevi. Quando lerdes o que
escrevi, podereis perceber a minha compreensão do mistério de
Cristo, o qual em outras gerações não foi manifestado aos filhos
dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito aos seus san-
tos apóstolos e profetas. O mistério é que os gentios são co-
herdeiros e membros do mesmo corpo eco-participantes da pro-
messa em Cristo Jesus pelo evangelho. Efésios 3.3-6

A Igreja dos primeiros anos


Durante os primeiros quinhentos anos da Igreja, infiltra-
ram-se falsas doutrinas que buscaram sufocá-la e destruí-la
lentamente. Estas doutrinas errôneas foram roubando pouco
a pouco a manifestação dos dons e ministérios espirituais que
Deus havia dado à Igreja. A liderança da Igreja novamente
apostatou de seu chamado e entrou em uma relação infernal
com o governo romano, afastando-se da sã doutrina e dei-
xando de lado os preceitos da fé. O apóstolo Paulo refere-se
a estes como náufragos quanto à fé (I Timóteo 1.19); homens
corruptos de entendimento, e réprobos quanto à fé (11 Timó-
teo 3.8).
O doutor Pablo Deiros - ex-diretor e atual professor do
Seminário Teológico Batista Internacional de Buenos Aires,
Argentina - descreve em seu maravilhoso livro "La acción
del Espírito Santo en la historia" (Caribe-Betania Editores, 1998),
como com o passar dos anos, a Igreja foi removendo de si
mesma as manifestações do Espírito Santo. Deiros explica
que, ao instituir a doutrina do cessacionismo, a Igreja elimi-
nou de seu meio os ministérios de apóstolo, e depois o de
profeta, o de evangelista e o de mestre. Este processo teve
como resultado o estabelecimento de uma hierarquia eclesi-
ática de sacerdócio pastoral muito diferente da que foi esta-
belecida por Jesus Cristo e pela Bíblia.
As doutrinas dos homens começaram a ter mais au-
toridade que a Palavra de Deus e, rapidamente, o go-
verno da Igreja foi alterado e as manifestações do Es-

19
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

pírito Santo foram proibidas e não podiam ser pratica-


das ou ensinadas. Desta forma, se estabelece um go-
verno religioso que removeu de seu meio a glória de
Deus, tornando-se uma igreja icabode, ou seja, uma Igreja
sem vida. Contudo, Deus sempre tem guardado um re-
manescente fiel, e que através dos anos e no tempo pró-
prio de Deus (kairós), tem se levantado para trazer mu-
danças e reformas que se ajustam à Palavra de Deus e a
seus padrões.
Quando Deus restaura algo que a Igreja perdeu, se produz
um despertar espiritual que conduz a grandes avivamentos.
Geralmente, estes são tão poderosos que transtornam as iden-
tidades religiosas, confrontam a ordem social estabelecida e
renovam a vida éspiritual de milhares de pessoas.
De modo que, Deus levantou a um homem chamado Marti-
nho Lutero e lhe deu a revelação da justificação pela graça e não
por obras mediante a fé. Lutero se colocou de pé para confron-
tar as autoridades eclesiásticas e alcançar uma reforma corrigin-
do as falsas doutrinas. Dessa maneira, a Igreja cristã de hoje
caminha nessa revelação que antes estava perdida e somente
era conhecida por um pequeno remanescente. Deus necessitou
de uma unção apostólica para dar a conhecer esta verdade à
Igreja da geração de Lutero.
A Reforma Protestante do século XVI despertou um aviva-
mento espiritual que sacudiu o mundo inteiro. As mudanças
eram evidentes em comunidades inteiras que foram transfor-
madas pelo poder dessa fresca revelação da graça de Deus.
A história da Igreja nos indica que, no ano de 1517, Deus
começou a restaurar as verdades perdidas. Isto foi um
processo de mudanças radicais instituídas pelo Espírito
Santo para resgatar, corrigir e fortalecer a Sua Igreja.
Em seu livro" Apostles, Prophets and the Coming
Moves of God" (Apóstolos, profetas e o mover vindou-
ro de Deus), o DI. Bill Hamon descreve o processo de
restauração das verdades perdidas pela Igreja de acor-
do com o passar dos anos.

20
A Restauração de todas as coisas

Restauração

Ano Movimento Verdade restaurada

1517 Protestante Salvação pela graça, através da fé (Ef. 2.8-9)


1600 Evangélico Batismo por imersão; separação
de Igreja e Estado
1700 Santidade Santificação. A Igreja e o mundo
1800 Cura pela fé Cura divina
1900 Pentecostal Batismo em outras línguas; dom
do Espírito Santo
1950 Chuva Seródia Presbitério profético; adoração e louvor
1950 Evangelismo Evangelismo de massa e libertação
e libertação
1960 Carismático Renovação; liderança pastoral
1970 Fé Mensagem de fé, prosperidade e vitória
1980 Profético Restauração do ministério de profeta;
guerra espiritual; adoração e
louvor proféticos; drama e as artes
1990 Apostólico Restauração do ministério de apóstolo.
Milagres, sinais e prodígios.
Evangelismo Global; Janela 10/40;
arrependimento por identificação; unidade
da Igreja.

Como entender o processo de mudança


O Dr. Bill Hamon, em seu livro "Profetas e o movimento
profético", escreve:

No entanto, devemos compreender oprocesso oqual todo movimen-


to de restauração tem atravessado desde o princípio da restauração
da Igreja. Os líderes e as pessoas que estão sendo usados por Deus
para restaurar os princípios biblícos eas experiências espirituais são
inicialmente rejeítados, perseguidos edesprezados pelas denomina-
ções cristãs já estabelecidas e grupos que nasceram de moveres de
Deus anteriores. Estes se tornam alvos de grande controvérsia den-
tro da Igreja; são acusados de seremfanáticos, hereges,jalsos profetas
ou mestres, eaté líderes de falsas seítas. Mateus 23.29-39
Quando averdade está em processo de ser restaurada na Igreja,
geralmente há um giro extremo olado oposto, depois volta para

21
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

o outro lado e finalmente repousa em uma mensagem equili-


brada, como o pêndulo de um velho relógio, no meio dos extre-
mos. Para todos os que ficam aprisionados nos extremos, seus
dogmas se tornam sectários em doutrina e prática. Daí, sur-
gem grupos exclusivistas que se separam do resto do Corpo de
Cristo. Depois, estão aqueles que se separam dos extremos para
manter um equilibrio b{blico e adequado, os quais entram no
mover que Deus está restaurando. 1

Os inimigos mais acirrados das reformas de Deus sempre têm


sido os sistemas religiosos que se vêem confrontados com verda-
des que põem em risco seu "poder" e atentam contra o controle
que exercem. Durante os dias de Jesus na terra, foram os fariseus
e os saduceus. Durante a Reforma Protestante, foi a hierarquia
católica. Durante o despertar espiritual para a Cura Divina que
trouxe à luz um apóstolo chamado Alexander Dowie, a oposição
foi da própria igreja evangélica e dos meios de comunicação de
massa que incitaram as autoridades a calar este revolucionário.
O mesmo acorreu durante a revelação do mover do Espí-
rito na Rua Azuza, Califórnia (USA), quando a igreja evangé-
lica rejeitou o novo e o catalogou com um "movimento do
diabo". Atualmente, em toda a América Latina, ainda existe
uma forte rejeição ao movimento de fé e prosperidade divi-
na 2 • Em muitos círculos religiosos, o tema da guerra espiritu-
al é visto com receio e incredulidade, bem como tudo que
concerne ao mover apostólico e profético.
Entretanto, quando Deus traz reformas é Ele quem defen-
de sua causa, apesar de toda oposição que possa existir. Quan-
do Babilônia e os expositores das falsas doutrinas foram ex-
postos, Deus julgou a favor dos seus apóstolos e profetas:

Exulta sobre ela, ó céus! E vós, santos e apóstolos e profetas!


Deus contra ela vindicou a vossa causa. Ap. 18.20

Jesus Cristo começou seu ministério terreno comissionan-


do doze homens como apóstolos a fim de trazer uma reforma

22
A Restauração de todas as coisas

para a nação de Israel. Os apóstolos abrem caminho para o


mover de Deus. Foram os primeiros a serem estabelecidos, e
os primeiros a serem eliminados por uma Igreja apóstata. Mas
nas palavras do próprio Jesus: Porém, muitos dos primeiros serão
últimos, e muitos dos últimos, primeiros (Mateus 19.30)
Como vimos, a Igreja foi eliminando o que Deus havia co-
locado como ordem sistemática dela.

A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segun-


do lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores
de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, varieda-
de de línguas. I Coríntios 12.28

Da mesma maneira, a restauração de todas as coisas tem


acontecido em uma ordem também sistemática, do último para
o primeiro e do primeiro ao último. Este século tem trazido
grandes bênçãos à Igreja e quanto mais perto estamos da vol-
ta de Jesus, mais acelerada tem sido a restauração do que
havia se perdido.
No início do século - e através de um apóstolo de cor
negra chamado William J. Seynour - Deus derramou um
avivamento em Azuza, Califórnia, que se propagou por todo
o mundo. Foi a restauração de diversos tipos de línguas, uma
brisa fresca de Pentecostes que se propagou por todo o mun-
do e que mudou radicalmente a estrutura da Igreja evangéli-
ca em toda a Íbero-América.
Nos anos 30, 40 e 50, os ministérios de cura e de milagres
foram restabelecidos graças à unção de diferentes evangelis-
tas. Homens como Oral Roberts, John G. Lake, Smith Wi-
gglesworth; e mulheres como Aimee Sample Mcpherson e Ka-
thryn Kuhlman foram pioneiros deste tempo.
Na década de 1970, foi derramada uma fresca unção so-
bre o ministério de mestre. A mensagem da fé, a prosperi-
dade, a identificação com Cristo e a restauração de Sião fo-
ram proclamadas e ensinadas por estes mestres. Homens
como Ken Copeland, Derek Prince, Bob Munford, John Os-

23
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

teen, Chuck Smith, John Wimber e muitos outros participa-


ram deste despertar.
Durante a década de 1980, Deus levantou o ministério de
profeta. Estes começaram profetizando a indivíduos. Logo,
Deus levantou profetas para levar a mensagem às nações e,
por último, os levantou para as cidades. Homens como Bill
Hamon, Paul Caine, Mike Bickle, John Sanford, Rick Joiner,
Victor e Eduardo Lorenzo; e mulheres como Cindy Jacobs,
Paula Sanford, Marfa Cabrera e muitas outras reavivaram ao
redor do mundo este ministério.
Na década de 1990, começou-se a viver a restauração do
ministério apostólico com o propósito de que a Igreja entras-
se em um novo milênio na plenitude de Cristo e, assim, ter os
cinco ministérios: apóstolo, profeta, evangelista, pastor e
mestre. Hoje em dia, temos apóstolos como o Dr. C. Peter
Wagner, o Dr. Kingsley Fletcher, John Kelly, John Eckhardt,
Omar Cabrera, Randy McMillan, Luciano Padilla, Ernesto
Alonzo, Victor Ricardo, Harold Caballeros e muitos outros.
De acordo com o Dr. C. Peter Wagner, ao redor do mun-
do, estão surgindo afiliações pós-denominacionais que estão
se entrelaçando para o que se tem chamado a Nova Reforma
Apostólica. Este movimento está gerando as mudanças mais
radicais no governo da Igreja do que as da do século XVI.
Não resta dúvida de que Deus está trazendo estas mu-
danças à Igreja para reestruturar Seu governo e assim revelar
novas estratégias. Para conseguir Seu objetivo de estabelecer
o Reino de Deus aqui na Terra, Ele está restaurando todas
aquelas verdades que haviam se perdido. Aqueles que se re-
cusam a aceitar este fluir do Espírito, com suas novas e mara-
vilhosas estratégias, no futuro deixarão de produzir fruto e
desaparecerão.
É necessário que a Igreja continue neste processo de mu-
dança e restauração para que possa levantar-se para cumprir
com a missão de revolucionar o mundo. No próximo capítu-
lo, trataremos com mais detalhes a história dos movimentos
de restauração e seus extremos.

24
2
A História da Restauração

A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz


o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor
dos Exércitos. Ageu 2.9

o Senhor restaurará o esplendor de Jacó, como o esplendor de


Israel, ainda que os saqueadores o tenham despojado edestruído
os seus sarmentos. Naum 2.2

Porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir


nem contradizer todos os que se vos opuserem. Lucas 21.15

esde o princípio da criação, sempre que Deus faz algo


D novo, o adversário se opõe aos planos e propósitos
divinos através das ações do homem. De fato, quando
falamos de restauração, devemos nos remontar à criação do
homem. Deus criou o homem e o colocou no meio do Jardim
para que o lavrasse e guardasse (Gênesis 2.15). Para que ele
conseguisse realizar esta tarefa, Deus lhe deu senhorio e domí-
nio sobre todas as coisas e o comissionou para frutificar e
multiplicar e para encher, dominar e subjugar a Terra. Então,
interveio o adversário e o homem caiu. Esta queda trouxe
como conseqüência a perda da autoridade e do senhorio que
o homem havia recebido.
Deste momento em diante Jeová declarou o princípio da res-
tauração com a promessa de wn Redentor através da semente
da mulher. "Esta primeira promessa messiânica é uma das asse-
verações mais sucintas do evangelho que podemos encontrar".3

25
Apóstolos e Profetas I Hedor Torres

Através de Sua vida, morte e ressurreição, Jesus Cristo


derrotou os poderes das trevas; anulou a mancha do pecado
do homem e - o mais importante - reconciliou-nos com o
plano original, e a queda do homem ficou cravada na cruz.
Aleluia!
Então, Jesus concede autoridade e poder ao homem nova-
mente para concluir a obra que Ele havia começado. Agora, a
encomenda é estabelecer o Reino de Deus aqui na Terra, para
o que nos deu o ministério da reconciliação (II Coríntios 5.18).
Ao estabelecer Sua Igreja, comissionou-a com poder e, desta
maneira, essa primeira Igreja se tornou uma força vitoriosa e
gloriosa.
Com o passar dos anos e de uma maneira gradual, a Igreja
foi abandonando a doutrina dos apóstolos e ficou submergi-
da em tradições e filosofias de homens. Os poderes sobrena-
turais, as manifestações do Espírito Santo, o governo da Igreja,
a cura, a prosperidade, enfim, a Igreja vitoriosa, entrou em
processo de decadência. O apóstolo Paulo o chamou de apos-
tasia e mistério da iniqüidade (II Tessalonicenses 2.3-7); eram
doutrinas de demônios e espíritos enganadores.

Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos al-


guns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores,
e a doutrinas de demônios. I Timóteo 4.1

Os historiadores têm chamado a aquele período de Idade


Média (Mateus 24.2, II Tessalonicenses 3.10-12, II Pedro 3.15-
17). Então, o apóstolo Pedro declara profeticamente que nos
últimos dias virão tempos de refrigério (Atos 3.19) e de res-
tauração de todas as coisas (v. 21).
Passaram-se mais de mil anos e, da mesma maneira que
Deus levantou Moisés para entregar a lei a seu povo e entre-
gou Jesus Cristo para destruir as obras do maligno e estabe-
lecer sua Igreja, levantou seu servo Martinho Lutero para
começar o processo de restaurar todas as coisas que a Igreja
havia perdido.

26
A História da Restauração

Temos que entender que Lutero era um sacerdote católico


romano e que ser cristão, em sua época, era pertencer à Igreja
Ortodoxa e à Igreja Romana. Como em todo tempo de restaura-
ção, a oposição mais forte veio dos líderes religiosos da ordem
estabelecida. Esses foram os que prontamente chamaram de fal-
sos profetas, hereges, falsos mestres, fanáticos e líderes de sei-
tas aqueles que buscaram trazer mudanças. Isto tem se repetido
ao longo da história: os fariseus e saduceus fizeram isto com
Jesus e depois com seus discípulos; os idólatras de Éfeso o fize-
ram com Paulo e com seus discípulos e os líderes romanos com
os cristãos fiéis, para mencionar alguns exemplos.
Devemos dizer com tristeza que, nos últimos quinhentos
anos do cristianismo protestante, sempre que Deus fez algo
novo, a oposição mais forte veio daqueles que, em algum
momento, tinham recebido uma visitação de Deus.

o pêndulo da verdade
Em muitas ocasiões, quando uma verdade é restaurada
para a Igreja, aqueles que participaram do movimento anteri-
or se colocam em posturas totalmente extremistas que provo-
cam abusos e que pretendem desprestigiar o fresco mover do
Espírito. Graças a Deus, porque com o passar do tempo, a
maioria volta a um equilíbrio bíblico-doutrinaI que permite
essa verdade começar a ser aceita por aqueles que estão aber-
tos à direção do Espírito.
Os que persistem, nos extremos de direita ou de esquer-
da, transformam-se em grupos exclusivistas que se separam
do resto do corpo de Cristo. "O fato é que sempre haverá
aqueles que não têm um fundamento bíblico e que nunca abra-
çarão a verdade restaurada. Sempre haverá aqueles que são
emocionalmente instáveis e imaturos espiritualmente que não
podem entender a verdade, e que conseqüentemente farão
coisas estranhas e fora de ordem. Também haverá charlatões,
falsos ministros e aqueles que, motivados erroneamente, bus-
cam oportunidades para se autopromoverem e se aproveita-
rem do fresco mover de Deus".

27
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Erros e extremos
A mensagem doutrinaI da Igreja do século XV estava ba-
seada em obras, indulgências e rituais que deram abertura
para uma vida de pecado e lascívia. A expiação podia ser com-
prada aos líderes eclesiásticos com dinheiro ou com favores.
Com a revelação de uma mensagem de salvação pela graça e
não por obras, as doutrinas da justificação foram levadas a
extremos teológicos, como o calvinismo e o arminianismo.
No primeiro caso, o calvinismo defende a predestinação
individual dos santos, separada do livre arbítrio. O arminia-
nismo, por seu lado, postula uma salvação para todos os que
recebem a Cristo como Salvador, mas esta salvação pode per-
der-se a pessoa pode cair da graça de Deus. Neste caso, a
salvação é temporal e se baseia em uma vida de total santida-
de. Ambas as doutrinas também prevalecem em muitas áreas
do cristianismo devido à ignorância da Palavra que afirma
uma predestinação para toda a Igreja - o Corpo de Cristo -
e uma salvação eterna para todos os que nascem de novo.
O processo de restauração de ofícios também tem sido pau-
latino. Entre os ofícios restaurados para a Igreja, encontra-
mos o seguinte: "O ofício de pastor foi restaurado durante o
tempo da Reforma Protestante do século XVI, substituindo o
ofício do sacerdócio clerical que havia se infiltrado na Igreja.
O ofício de evangelista havia sido virtualmente ignorado até
os tempos de Carlos Finney no século XIX". 5
Aproximadamente cem anos após a Reforma do século XVI,
a Igreja entendeu a revelação do batismo por imersão. Ainda
hoje, vemos extremos em relação à "fórmula batismal" corre-
ta. Por um lado, o batismo de crianças - ainda praticado por
várias denominações cristãs - e, por outro, os que dão pou-
ca ou nenhuma importância ao batismo na água. Uns exigem
que o batismo seja em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo (Mateus 28.19) e outros dizem que deve ser somente
em nome de Jesus Cristo (Atos 2.38).
No século XVIII, a Igreja recebe uma nova revelação refe-
rente à santidade do crente. Disto surgem dois extremos: o

28
A História da Restauração

legalismo e a libertinagem. O primeiro declara, entre muitas


outras coisas, que toda forma de entretenimento e moda é
pecado para o cristão. O extremo oposto afirma que a graça
de Deus dá liberdade para todos, pois, "para o puro todas as
coisas são puras". Isto dá lugar à doutrina da santificação, a
qual para uns é eterna e para outros, um processo diário. O
perfeccionismo, por seu lado, transformou-se, para alguns,
na doutrina de que o crente não pode pecar e para outros,
que todos pecam diariamente.
No século XIX, surge a controvérsia da santidade como
parte da propiciação do Calvário. Começou-se a discutir se
as chagas de Cristo efetuam a cura no nível físico ou somen-
te no espiritual. Alguns foram ao extremo de crer que a úni-
ca maneira de receber cura física era por meio da fé e se
negavam a receber cuidados médicos. Outros afirmavam que
Deus havia criado a medicina como o único meio de cura
para os crentes.
Naquele mesmo século, difundiram-se as doutrinas esca-
tológicas da Igreja Católica, nas quais se incluía a teoria de
escape, do rapto e uma escatologia futurística em lugar de
histórica. Estas doutrinas, promovidas pela igreja romana para
compensar os ensinos reformistas, hoje em dia estão forte-
mente enraizadas nas igrejas que escolheram os ensinos de
Scofield, entre outros.
No princípio do século XX, a Igreja começou a experimen-
tar um despertar do Pentecostes em Azuza, Califórnia. A con-
trovérsia doutrinaI do "dom de línguas" trouxe novamente
uma série de doutrinas extremas. Para alguns, se alguém não
falasse em línguas não era salvo. Para outros, as línguas eram
de satanás e não de Deus. Durante este período, surgiu tam-
bém o movimento do unitarismo, conhecido também como
"somente Jesus". Para os adeptos deste, a doutrina da Triu-
nidade não é bíblica. Outros, negam a unidade triúna e pro-
movem um conceito de três deuses chamado triteísmo.
Durante o século XX, várias verdades doutrinárias foram
restauradas na Igreja. Estas verdades tinham sido de contro-

29
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

vérsias para aqueles que haviam desfrutado do mais recente


mover de Deus. Entre elas encontram-se a restauração do pres-
bitério profético para a ordenação ao ministério, a profecia
pessoal, a restauração da adoração e o louvor, a dança, as ar-
tes, o drama; e diferentes expressões como o riso, os gemidos,
o cair ao chão pelo Espírito, entre outros.
Os princípios da libertação e a controvérsia sobre a demo-
nização do crente também foram restaurados neste período.
Para alguns, um crente não pode estar "possuído, oprimido,
sob obsessão,,-influenciado ou demonizado". Outros, por ou-
tro lado, atribuem todas as situações aos demônios e, assim
negam a necessidade do arrependimento genuíno frente ao
pecado e a responsabilidade deste pelos desejos carnais que
lutam contra a alma (I Pedro 2.11).
Na década de 1970, a Igreja experimentou a restauração
da doutrina da bênção, herança e prosperidade dos santos
através da fé. A conceituação errônea da humildade como
sinônimo de pobreza - promovida, por séculos, na Igreja,
através do monasticismo e do ascetismo - foi substituída
pela doutrina da prosperidade e da fé. Certamente estas
verdades têm sido de grande bênção para a Igreja. O Espíri-
to Santo tem revelado a Seu povo como tomar posse dos
recursos necessários para a proclamação do Evangelho a
todas as nações. No entanto, alguns extremistas perderam o
equilíbrio da mensagem e levaram a restauração de uma
grandiosa verdade para ao enriquecimento pessoal, deixan-
do de lado a proclamação do Evangelho. Hoje em dia, ape-
sar de, em muitos casos, ter se chegado a um ponto de equi-
líbrio, alguns destes extremos continuam vigentes dentro
de setores da Igreja.
Nas décadas de 1980 e 1990, a restauração da palavra pro-
fética pessoal à Igreja, às cidades e às nações trouxe um reno-
vado entendimento sobre o ministério do profeta e sua fun-
ção na guerra espiritual dos últimos tempos. Esta restauração
conseguiu - na década de 1990 - a mais grandiosa mobili-
zação de oração na história da Igreja.

30
A História da Restauração

Com a restauração dos ministérios de intercessão e ora-


ção, cidades e nações inteiras foram sacudidas. Em meu livro
"Comunidades Transformadas con Oración", apresentamos
em detalhe o mover de Deus, na América Latina, através da
oração e da guerra espiritual. O vídeo Transformacíones, do
Grupo Sentinela, mostra a total transformação de comunida-
des pelo poder da oração.
Os assuntos da guerra e do mapeamento espiritual, e a
guerra contra espíritos territoriais têm causado grandes con-
trovérsias na Igreja de hoje. Da mesma forma, a falta de co-
nhecimento sobre a profecia pessoal e como recebê-la e es-
quadrinhá-la tem causado danos a alguns indivíduos. Neste
livro, buscaremos instruir o leitor nesta área. O Dr. Bill Ham-
mon, reconhecido profeta de Deus, mais à frente esclarecerá
esta faceta da profecia e do ministério do profeta.

Falsas doutrinas e heresias


As falsas doutrinas e heresias que têm se infiltrado na Igreja
continuam lançando raízes que o adversário usa para enga-
nar e destruir.

Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre


vós haverá também falsos mestres, os quais introduzirão en-
cobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que
os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.
II Pedro 2.1

Segundo o comentário da Bíblia Plenitude, a palavra here-


sias do grego hairesies significa ter diversidade de crenças, cri-
ar dissensão e substituir a verdade com opiniões arbitrárias. 6

E até importa que haja entre vós diferenças, para os que têm a
aprovação de Deus se manifestem no vosso meio. I Coríntios 11.19

No artigo intitulado"A Decadência da Igreja Tradicional"l


a revista Charisma apresentou a decadência numérica e teológi-

31
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

ca das denominações históricas. Algumas aberrações da dou-


trina bíblica estão tomando proporções alarmantes. Entre elas,
a Igreja Episcopal, a Igreja Unida de Cristo e a Igreja Metodis-
ta têm assumido a posição de defender o homossexualismo.
Um bispo da Igreja Metodista Unida criticou publicamente a
Convenção Batista do Sul por sua decisão de alcançar os mu-
çulmanos, hindus e budistas com a declaração de que era "ar-
rogante" o "presumir" que os que não são cristãos são excluí-
dos do plano de salvação de Deus.?
No mesmo artigo, faz-se referência à Conferência de Min-
neapolis de 1993, na qual mulheres de diferentes denomina-
ções celebraram rituais pagãos em louvor a Sofia, uma deidade
feminina, e louvaram a "Deusa".
Os Seminários de bruxaria e Wicca têm sido patrocinados
pela Escola de Teologia da Universidade Metodista do Sul,
enquanto a Igreja Evangélica Luterana continua ordenando
lésbicas e pronunciando-se a favor do aborto e do homosse-
xualimo. 8
Apesar dos erros, dos extremos e das heresias, a Igreja
está se levantando como poderoso colosso para destruir as
obras de Satanás e estabelecer o Reino de Deus aqui na Terra.

32
3
o Ministério Profético
para o Avivamento

Nos últimos dias, diz Deus, do meu Espírito derramarei sobre


toda a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão,
os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão
sonhos. Atos 2.17

OSúltimos anos, o Corpo de Cristo tem entrado em um

N novo lugar. Pela primeira vez - desde a Igreja dos


Atos - está começando a exercer seu governo a partir
de uma posição biblicamente correta.
Durante a década de 70, foi firmada a base para o ministé-
rio do intercessor. Logo em seguida, surge o ofício profético,
que marca o compasso no processo divino para estabelecer uma
nova estrutura de governo. Em uma década de severos confli-
tos espirituais, o ressurgimento do ofício profético está diri-
gindo e capacitando a Igreja para o cumprimento final da Gran-
de Comissão.
Nos últimos anos, o Senhor vem levantando uma voz pro-
fética e apostólica para as nações. Os apóstolos e profetas
foram parte vital e importante no ministério histórico e da
mesma maneira o serão no avivamento final. Deus está res-
taurando o fundamento que a Igreja necessita para alcançar
o cumprimento da Grande Comissão.

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sen-


do o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular. Efésios 2.20

33
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

o dom de profecia e o ofício de profeta


Existem dois tipos de pessoas proféticas: umas têm o dom
de profecia (I Coríntios 12.10); e outras, o ofício de profeta
(Efésios 4.11; I Coríntios 12.28).
O dom de profecia é a habilidade sobrenatural dada por
Deus para ouvir e comunicar o que Ele quer dizer a Seu povo.
O ofício de profeta revela - por inspiração do Espírito Santo
- a vontade de Deus. Esta profecia jamais pode contradizer
a Palavra de Deus e deve dar testemunho do caráter e da
vontade de Jesus Cristo.

Adora a Deus! Pois o testemunho de Jesus é o espírito da pro-


fecia. Apocalipse 19.10b

Um profeta é basicamente um homem ou mulher que foi


chamado(a) por Deus para proclamar o que percebe, vê e ouve
da parte dEle. Alguns dos pais da Igreja o descreviam como
alguém que tinha o Espírito Divino e que falava da influência
de um espírito profético procedente de Deus. O fato de ha-
ver o ofício de profeta implica mais autoridade do que o dom
de profecia.

Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diver-


sidade de ministérios,mas o Senhor é o mesmo. E há diversida-
de de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
I Coríntios 12.4-6

Os dons e as manifestações do Espírito se apresentam de


maneiras diferentes e de acordo com o indivíduo. Da mesma
maneira, há diversidade de estilos com os quais os profetas
exercem seus chamados. A personalidade do indivíduo mui-
tas vezes reflete o caráter de seu chamado profético.
Em minha vida, tenho recebido palavras proféticas de
numerosos homens e mulheres de Deus reconhecidos por
seus ofícios de profetas: homens como Dick Mills, que ge-
ralmente profetiza usando muitíssimas passagens da Pala-

34
o Ministério Profético para o Avivamento

vra de Deus; profetas como o Dr. Bill Hamon, cujas palavras


fluem como mananciais de água viva, nascidas de seus lábi-
os; ou Vitor Fredes, que através do dom de mestre edifica
o Corpo de Cristo. Por outro lado, Deus também escolhe
outros para levar profecia a cidades e nações, como é o caso
de Cindy Jacobs.
A seguir, estudaremos alguns dos termos usados na Bíblia
para descrever os profetas.

• Ro'eh. A Bíblia Plenitude o descreve como um visioná-


rio, vidente, alguém que tem visões; um profeta. 9

Vinde, vamos ter com o vidente, porque ao profeta de hoje an-


tigamente se chamava vidente. I Samuel 9.9b

• Nabi. Uma pessoa que declara ou proclama uma men-


sagem recebida: Um anunciador, um arauto. Nabi aparece
mais de 300 vezes no Antigo Testamento. Em seis ocasiões,
a palavra está na forma feminina, nebiyah, que se traduz
como profetiza; referindo-se a Miriam, Débora, Hulda, No-
adias e a esposa de Isaías. 1O

Antes que eu te formasse no ventre, te conheci, e antes que


saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.
Jeremias 1.5

Se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei


conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Números 12.6b

• Profetas. Alguém que proclama uma mensagem divina.


Às vezes, a mensagem inclui uma predição de acontecimen-
tos futuros. Os profetas estão dotados para receber os conse-
lhos do Senhor e o servem como anunciadores.u

Eles lhe responderam: Em Belém da Judéia, pois foi isto


que o profeta escreveu. Mateus 2.5

35
Apóstolos c Profetas I IledOf Torres

Esta passagem faz clara referência à profecia do profeta


Miquéias:

Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá,
de ti me sairá aquele que há de reinar em Israel. Miquéias 5.2

Este é o tipo de profecia pronunciado por Simeão quando


Jesus foi levado ao templo para ser apresentado conforme a
lei de Moisés:

Simeão abençoou-os, e disse a Maria, mãe do menino: Esta


criança é posta para queda e elevação de muitos em Israel, para
ser alvo de contradição, e para que se manifeste os pensamentos
de muitos corações. E uma espada trespassará também a tua
própria alma. Lucas 2.34-35

• Nataf. Termo hebraico que significa pregar, derramar


do céu ou falar por inspiração de Deus. Este tipo de profecia
é a que geralmente é dita no púlpito ou em um lugar público.
É uma mensagem profética dada em exortação. É a palavra
usada em Miquéias 2.6, 2.11 e Zacarias 13.412

Porta-voz de Deus
Ser profeta é ser porta-voz do Espírito Santo. Na Bíblia,
vemos constantemente orações como: "0 Espírito de Deus
veio" ou "Ele virá". E, em seguida, geralmente se apresenta
a mensagem dada pelo Espírito Santo.
Deus revela Seus planos e pensamentos através dos profe-
tas. Estes homens e mulheres têm a responsabilidade minis-
terial de levar a mensagem de Deus aos apóstolos, aos evan-
gelistas, aos pastores e aos mestres; os quais após receber a
direção devem compartilhá-la com Seus discípulos para que
se transforme em ação. O profeta Amós declara:

Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter re-
velado o seu segredo aos seus servos, os profetas. Amós 3.7

36
o Ministério Profético para o Avivamento

o pOVO de Deus pode aceitar ou rejeitar a mensagem que


chega através da boca dos profetas. A Escritura promete bên-
ção para a obediência e juízo para a desobediência. O verbo
revelar, usado nesta passagem, vem do verbo galah. Segundo a
seção de Riqueza Literária da Bíblia Plenitude: "Nesta refe-
rência/ galah tem a ver com a revelação do que está oculto,
exposição, revelação, descoberta e abertura dos planos secre-
tos do Senhor aos profetas, os quais são seus servos".13
Por outro lado, a Escritura promete prosperidade aos que
ouvem e praticam as palavras dos profetas.

Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus


profetas, e prosperareis. II Crônicas 2Ô.20b

O verbo crer, usado nesta citação, deriva-se da palavra he-


braica aman, que significa: "Estar firme, estável, estabelecido;
também, estar firmemente persuadido, crer solidamente... Seu
derivado mais conhecido é amém que encerra a idéia de algo
"sólido, firme, certamente seguro, verificado, estabelecido".14
Da mesma maneira que Deus promete bem-estar ao obediente,
também promete juízo àqueles que desobedecem ao chamado dos
profetas; em especial, a mensagem profética para cidades e nações.
Jesus profetizou juízo sobre a cidade de Jerusalém que tanto mal-
tratava aos profetas, entre eles a João, o Batista, aquele que anun-
ciou a chegada do Messias.

Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas, eapedrejas os que


te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos,
como agalinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós
não o quisestes! Lucas 13.34

o clamor dos profetas tem o propósito de reunir o povo de


Deus para batalhar e interceder por suas cidades e nações.

Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizen-


do: Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que à tua

37
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

paz pertence! Mas agora isso está encoberto aos teus olhos.
Dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trin-
cheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados. Derrubar-
te-ão, a ti e a teus filhos que dentro de ti estiverem. Não deixa-
rão em ti pedra sobre pedra, porque não reconhecestes o tempo
da tua visitação. Lucas 19.41-44

o juízo chegou a Jerusalém no ano 70 d.e. quando os exér-


citos romanos sitiaram a cidade e a destruíram até o ponto de
que não ficou pedra sobre pedra.
No Novo Testamento, os profetas continuam sendo os
porta-vozes de Deus. Contrário à doutrina do Cessacionis-
mo 15, o ministério profético permanece como o fundamento
da Igreja até que Cristo volte para ela.

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas,


outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,
com o fim de preparar os santos para a obra do ministério,
para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcan-
cemos a unidade da fé e do conhecímento do Filho de Deus, e
cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude
de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças,
levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para
cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcía e esper-
teza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a ver-
dade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça,
Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxzlio de
todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na
medida em que cada parte realiza a sua função. Efésios 4.11-
16 - NVI.

o Senhor estabeleceu estes ministérios descritos nos tex-


tos acima para que a obra da Igreja seja concluída no mesmo
Espírito e com o mesmo poder com o qual Ele a começou.
Ao longo da história da Igreja, o ministério do profeta tem
sido parte intrínseca do avivamento e do despertar espiritual.

38
o Ministério Profético para o Avivamento

Mas o centro da ação do Espírito Santo era a Igreja. Era ali


onde o Espírito se manifestava através dos dons de profecia
e de curas, e mediante a expulsão de demônios. 16 Particular-
mente, acima de todos os dons do Espírito, destaca-se o de
profecia. A maior parte das menções tem a ver com o "espíri-
to profético" e seu exercício adequado na Igreja. 17
Da mesma forma, Pablo Deiros descreve no livro "La Ac-
ción deI Espírito Santo en la Historia" como os antigos escri-
tos dos pais apostólicos fazem referência constante ao minis-
tério profético na vida diária da Igreja Neotestamentária.
Por exemplo, Ignácio de Antioquia (Inácio de Antioquia
- at. Ignatius; Síria, 35 - Roma, ca. 107 -, bispo de Antioquia
(ca. 69), foi preso e transferido para Roma, onde foi condena-
do "ad bestias" no governo do imperador Trajano. Durante a
viagem de transferência para Roma escreveu algumas cartas
endereçadas a várias Igrejas cristãs), em sua Carta aos Fila-
delfos, refere-se ao dom de profecia e seu chamado como
profeta dizendo: "Quando estive com vocês clamei, levan-
tando minha voz, foi a voz de Deus... O que soube não era da
carne humana, mas do Espírito que pregou por meus lábios. 18
Nos dias de Ignácio, em contextos religiosos, tanto cristãos
como pagãos, consideravam falar bem e em voz alta como a
característica de um profeta inspirado. Supunha-se que alguém
que falasse sob o controle da divindade deveria fazê-lo no volu-
me mais alto possível. De modo que, no caso de Ignácio, não se
trata de um detalhe insignificante, mas uma evidência clara de
que estava profetizando sob o controle do Espírito Santo. 19
Esses ministérios proféticos não deixaram de existir, mas
a Igreja deixou de crer neles. Conseqüentemente deixaram
de operar em seu meio. Nestes tempos, Deus está restauran-
do-os, pois são imprescindíveis para levar o Corpo de Cristo
à unidade, conhecimento, maturidade e colaboração necessá-
rios para o crescimento.
Deiros indica que um dos documentos pós-apostólicos e
extra-canônicos mais estudados é O Dídaqué, também conhe-
cida como O Ensíno dos doze apóstolos.

39
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Ele o cita em seu livro: "É o escrito pós-apostólico mais


antigo que informa sobre um ministério de traço carismático.
É interessante notar que este manual eclesiástico primitivo
indica que havia profetas que falavam no Espírito e adverte
contra a falsa profecia na congregação. Assim, então, dedica
um grande espaço ao ministério dos profetas na Igreja e apre-
senta os critérios que permitem avaliar sua autenticidade. O
Didaqué manifesta um apreço muito especial pelo ministério
profético em particular". 20
Apenas olhando ao nosso derredor, podemos dizer que
atualmente há uma necessidade maior da igreja ter apóstolos
e profetas.

O amor nunca falha. Mas havendo profecias, cessarão; havendo


línguas, desaparecerão; havendo ciência, passará. Pois em parte co-
nhecemos, eem parte profetimmos, mas quando víer oque épeifeito,
então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino,
falava como menino, pensava como menino, raciocinava como me-
nino. Mas logo que cheguei a ser homem acabei com as coisas de
menino. Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então vere-
mos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei como
também sou conhecido. Agora permanecem estes três: afé, a espe-
rança e o amor, mas o maior destes é o amor. I Coríntios 13.8-13

A profecia acabará quando chegar o perfeito; quando o


Senhor voltar para buscar a Sua Igreja.
O apóstolo João disse que quando O virmos, seremos como
Ele é. O dom de profecia continuará até chegar o tempo da
glória eterna. Na primeira carta aos Coríntios, capítulo 14,
somos exortados a julgar a palavra profética.
Se o que a profecia traz contradiz a Bíblia, então a mensa-
gem NÃO é de Deus. Quando se está dando uma palavra que
não é de Deus, deve-se interrompê·-Ia e corrigir, em espírito
de mansidão, ao que fala. Não podemos nos esquecer de que
a palavra profética é proclamada com o propósito de edificar,
exortar e consolar (v. 3).

40
o Ministério Profético para o Avivamento

Há seis propósitos para os quais Deus envia um profeta


para preparar uma igreja, um ministério ou uma nação:

1. A Igreja se fundamenta nas bases estabelecidas pe-


los apóstolos e profetas. Estes são dons de revelar os
planos de Deus para a Igreja, ministério ou nação. Quan-
do é perguntado a um pastor ou líder: Qual é o futuro?
Qual é meu chamado? Ou, que problemas existem para
impedir que este chamado seja cumprido? É adequado
que uma pessoa de fora possa apresentar os planos que
Deus tem em mente;

2. Os dons ministeriais suprem a necessidade da capaci-


tação dos santos para a obra do ministério. Os profetas
nos ensinam a ouvir e ver Deus. Efésios 2.10 diz: Pois
somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as
quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Nosso ofício, e o de todo pastor e líder, não é somente


ministrar aos que estão sob os seus cuidados, mas identificar
seus dons e treiná-los conforme o padrão bíblico;

3. Os profetas estão dotados por Deus para ver o que


acontece no âmbito espiritual. Através de seu discerni-
mento espiritual, eles podem reconhecer os principa-
dos e potestades que têm se infiltrado em seu território
e que estão atacando a Igreja.

Em I Reis 22, o povo clamava por vitórias e triunfos, mas


Micaías os corrigiu declarando que um espírito de falsa pro-
fecia havia sido enviado para enganar. (v. 28).
Em 11 Reis 6, o Senhor permitiu que Eliseu e seu criado
vissem os exércitos que estavam com ele. Eliseu mostrou-
lhes que os exércitos de Deus eram maiores que os do inimi-
go. O profeta revela o que está acontecendo no âmbito so-
brenatural.

41
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Elias através da percepção profética (v. 12), informa a seu


povo sobre as táticas inimigas. Eis aqui a lição: a oração é a
chave para discernir os estratagemas de nosso adversário.
Eliseu orou e Jehová abriu os olhos do criado e este viu (v.
17). Ver o invisível é uma chave para a oração vitoriosa: ou
seja, discernir os assuntos espirituais de uma perspectiva mais
divina do que humana, vislumbrar o ataque do adversário e
perceber a força do ataque angelical. 21

4. Os profetas reconhecem e separam os líderes para a


obra do ministério.

Na igreja de Antioquia havia alguns profetas e mestres, a saber:


Barnabé e Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém,
quefora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Servindo eles ao
Senhor, ejejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barna-
bé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Atos 13.1-2

o profeta coroa os ministérios de Deus. Em I Samuel 12,


vemos que Deus enviou o profeta para ungir o novo rei.
Em minhas viagens à América Latina e Estados Unidos, o
Senhor tem me dado palavras proféticas para muitas pessoas.
Tenho ministrado em igrejas onde o Espírito Santo me dá pa-
lavras para dezenas de pessoas em uma mesma congregação.
Com freqüência, os pastores separam tempos de ministra-
ção com a liderança da igreja. Posso dizer que o Senhor tem
me dado palavras para milhares de pessoas. A recompensa
chega quando com o passar do tempo volto a um lugar, ou
me encontro com uma dessas pessoas, e elas agradecem as
palavras proféticas que lhes foram dadas, e me contam como
suas vidas ou seus ministérios têm sido abençoados por elas;

5. Deus usa os profetas para revelar Seus planos.

Naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia.


Levantando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender,

42
o Ministério Profético para o Avivamento

pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo,


a qual aconteceu no tempo de Cláudio. Atos 12.27-28

Ágabo declarou antecipadamente ao povo de Antioquia


sobre uma grande seca, porque queria que estes se preparas-
sem de antemão e, assim, poderem ajudar a outros. Sua pala-
vra, então, era de bênção e não de maldição. Era uma trom-
beta de alarme a um perigo iminente para o qual Deus queria
preparar o Seu povo. Encoraja-me muito ao ver como a mes-
ma passagem confirma o cumprimento da profecia nos tem-
pos do imperador Cláudio.
Ágabo é um exemplo do "ofício" de profeta no Novo
Testamento. Este desempenho difere da forma como o dom
de profecia opera na vida do crente, porque sugere um mi-
nistério entregue por Cristo a uma pessoa, mais que um dom
dispensado pelo Espírito Santo através de uma pessoa. Não
devemos tratar o ofício de profeta com leviandade. Não há
nada no NT que diminua os requisitos estritos que regem o
desempenho desta função. 22
O profeta Daniel pediu a seus amigos Ananias, Misael e
Azarias que se unissem a ele para interceder a Deus para que
fosse revelado o mistério do sonho de Nabucodonosor. Em
seu clamor a Jehová, ele bendiz a Deus dizendo: Ele revela o
profundo e o escondido (Daniel 2.17,22). Mais tarde, Daniel se
apresenta diante do rei dizendo: O mistério que o rei requer,
nem sábios, nem encantadores, nem magos, nem adivinhos o
podem descobrir ao rei, mas há um Deus nos céus, o qual reve-
la mistérios; ... Quanto a mim, me foi revelado este mistério,
não porque eu tenha mais sabedoria do que todos os viventes,
mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que
entendesses os pensamentos do teu coração. Daniel 2.27-30
As palavras de Daniel mostram que aquilo que está no
mais profundo e misterioso, o que está escondido e em tre-
vas, é revelado por Deus a seus profetas;
6. Através do ministério profético, os irmãos são edifica-
dos e fortalecidos. A palavra profética exorta o povo de Deus

43
Apóstolos e/Profetas I Hector Torres

a militar em fé. A palavra profética e, em particular, a palavra


dada por um presbitério profético ao impor as mãos, equiva-
le a ser separado para a obra do ministério para o qual Deus
nos chamou.
O ministério profético convoca para a batalha e nos exorta
a romper e destruir os poderes do inferno.

Esta instrução te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as


profecias que houve acerca de ti, por elas combatas o bom com-
bate. I Timóteo 1.18

Em II Crônicas 20.16, o profeta declara: "Amanhã vem o


inimigo", diz como vai atacar e também dá as estratégias para
ganhar a batalha. Assim é Deus! Ele nos anuncia em profecia
os ataques e nos dá instruções para vencê-los.

Causas de rejeição
Nem todos aceitam o ministério de profeta. Existem mui-
tas razões pelas quais o ministério profético tem sido rejeita-
do por muitos. Em várias ocasiões, profetas imaturos têm
dado palavras a indivíduos também imaturos ou não crentes,
os quais não sabem interpretar a profecia ou simplesmente
ouviram o que queriam ouvir e não o que lhes foi dito. Geral-
mente, a mensagem profética para as cidades e nações con-
fronta e é difícil de ser recebida.

Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração eouvido! Vós


sempre resistis ao Espírito Santo, assim vós sois como vossos
pais! A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até
mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do
qual vós agora fostes traidores e homicidas. Atos 7.51-52

Por outro lado, não resta dúvida de que a Igreja tem sido
vítima de profetas auto denominados, falsos profetas e de
profetas independentes que não querem sujeitar-se às autori-
dades eclesiásticas que Deus tem colocado em uma cidade ou

44
o Ministério Profético para o Avivamento

em uma congregação. Estes, muitas vezes chegam a uma ci-


dade e convidam crentes para reuniões com eles sem a cober-
•tura de nenhuma igreja ou autoridade pastoral. Isto causa
muitos danos à igreja local e, com freqüência, coloca em dúvi-
da o chamado ou a autoridade pastoral sobre as ovelhas do
Senhor. Estes "viajantes solitários" devem ser evitados e con-
frontados pela liderança pastoral. O apóstolo Paulo escreve:

E falem dois ou três profetas, e os outros julguem... Os espíritos


dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas. Atos 14.29,32

Segundo a Bíblia Plenitude, a palavra sujeitos, do grego


hupotasso significa literalmente "estar debaixo". A palavra
sugere subordinação, obediência, submissão e serviço.23
As provas de um profeta genufuo são sua conduta e a forma
de modelar o ministério em sua vida. É claro que um dos maio-
res perigos do profeta são os abusos do ministério para benefí-
cio próprio. Balaão é exemplo de um profeta que se extravia de
seu chamado de profecia e o usa para benefício pessoal.
Todo profeta que ensina a verdade, mas que não pratica o
que prega é falso profeta. Mas todo profeta aprovado e genu-
íno que atua tendo como alvo para simbolizar o mistério da
Igreja, e não lhe ensina a fazer tudo o que ele faz, não deve ser
julgado por vocês. Seu juízo fica com Deus. Porque de maneira
semelhante atuaram os profetas da Antiguidade. Mas se al-
guém diz no Espírito: Dá-me dinheiro ou alguma outra coisa,
não lhe dê atenção. No entanto, se lhe disser para dar a outros
que estejam em necessidade, ninguém deve condená-Io. 24
Mais à frente (neste seu livro: "Apóstoles y profetas: a
restauração de sua influência no novo século"), explicamos
como o ministério profético sempre se submete às autorida-
des que Deus tem estabelecido em suas vidas, aos pastores
das congregações nas quais ministram. Sobre todos, há um
líder apostólico sob o qual se deve estar em jugo de autorida-
de. Os profetas sempre confrontaram os sistemas do homem
e foram zelosos com as coisas de Deus.

45
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Foram os verdadeiros intercessores e tomaram a responsabili-


dade que os levitas haviam abandonado em sua geração sacerdo-
tal. Por esta razão, os sacerdotes sempre têm reservas em relação
ao ministério profético, pois o têm visto como opositor em lugar
de colaborador. O dero representa o controle e o domínio da
mentalidade religiosa. Os profetas foram sempre levantados por
Deus para trazer correção e convicção. Devo esclarecer novamen-
te que estes eram levantados sempre sob a autoridade estabeleci-
da por Deus, a qual se sujeitavam em responsabilidade.
O sacerdócio ensina e promulga que Deus está no templo;
o profeta, por sua parte, expressa o chamado de Deus para
sair do templo e para demonstrar Seu poder pelos confins da
Terra. O sacerdote se mantém no templo enquanto o profeta
vive fora deste. Tradicionalmente o sacerdote enfrenta as
ovelhas; o profeta luta contra leões, serpentes e escorpiões.
A Igreja padece de letargia e indiferença; tem se tornado
passiva, e é por isto que Deus está restaurando o ministério pro-
fético. A Igreja tem que se despertar de seu estado de sono e se
preparar para a guerra espiritual. Os profetas são agentes cha-
mados para esta transformação, por isso o mundo os aborrece.

Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois não são do


mundo, assim como eu não sou do mundo. João 17.14

O dinheiro, o poder e a religião são a trilogia que controla


o mundo. O profeta incomoda o status quo, intranqüiliza os
poderosos e se transforma em um perigo para os manipula-
dores. Por esta causa também são perseguidos e rejeitados.
Jesus Cristo veio para plantar novos princípios e idéias,
por isso teve severos confrontos com os sacerdotes do seu
tempo. O profeta traz para a Igreja a mensagem sobre o que
Deus está fazendo ao redor do mundo, busca despertar con-
vicção e a desafia a estabelecer o Reino de Deus, cumprindo
assim o mandato da Grande Comissão.

46
Do Ministério e
da Unção do Profeta

47
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

48
4
Autoridade Profética

Dr. John Eckhardt

John Eckhardt é pastor e supervisor de Crusaders Minístríes em


Chicago. Viaja através do mundo, ensinando as verdades bíblicas
"aperfeíçoando os santos" para que façam aobra de Jesus Cristo. É
autor de 14 publicações e produz diariamente um programa no
rádio e na televisão em Chicago, minais, E.E.U.U.

Vê, ponho-te hoje sobre as nações, e sobre os reínos, para arran-


cares ederrubares, para destruíres earruinares, epara edificares
e plantares. Jeremias 1.10

o s profetas falam com um tremendo grau de autorida-


de divina. As mensagens que saem de suas bocas es-
tão carregadas de unção e poder de Deus. Esta auto-
ridade é dada aos profetas pela graça, por duas razões: Uma
objetiva a destruição do reino de satanás, a outra é para o
estabelecimento do Reino de Deus.
O reino das trevas produz pecado, rebelião, enfermidade
e pobreza, mas o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no
Espírito Santo (Romanos 14.17). Todo dom ministerial é um
chamamento para assumir responsabilidade no estabelecimento
da justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
A autoridade dos profetas os capacita para arrancar raízes
da obra demoníaca, derrubando-a e destruindo-a. Os profe-
tas também têm autoridade para plantar e edificar o Reino de
Deus. Dupla e antagonicamente, afirma-se que sua autorida-

49
Apóstolos e Profetas I Hectnr Torres

de é tanto para destruir o reino das trevas, quanto para edi-


ficar o Reino de Deus.
Aqueles que operam na unção profética se acham envolvidos
em uma guerra espiritual, travando um conflito direto com os
poderes das trevas. A unção profética tem com freqüência um
caráter confrontadof.
Um exemplo desta unção que confronta é Elias, o qual de-
safiou e confrontou os poderes da idolatria no Monte Carmelo.
Por causa do ofício de profeta, ele foi capaz de derrubar os luga-
res fortes de Baal que dominavam Israel. Como resultado do
ministério de Elias, um eventual juízo veio sobre a casa de Acabe.
Através da mensagem dos profetas, os espíritos malignos
são arrancados de suas moradas. Lembre-se de que os profetas
falam com maior autoridade do que os crentes que profetizam
pelo espírito da profecia ou daquele que possui apenas o dom
de profecia. As palavras dos profetas são como um machado
colocado na raiz das árvores (Lucas 3.9). Cada árvore que não
dá fruto será cortada e lançada no fogo. Somente aquelas que
têm frutos e são produtivas para o Reino de Deus, se manterão
de pé diante do ministério profético.

Derrubar
As !lrmas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em
Del/S. para dcstruiçâo dc(ortalezas. IJ Coríntios W.4

'.: :-.: proteta icremJas teve autoridade sobre ['emas e naçôes.


,')s 'Jrutetas ,t'rn .iuturidade sobre reinos demoníacos. A un-

,:ão Drotetíca ':,mà <'C'(1" espIrituaL nas mào~. do Senhor. para


.terrubar rortale;~'h.')aranás estabelece ]IJrriÚezas demonía-
~as ern individues. ialmiías, 19réias. cidà(1es naçôes.
Tenho ViSto lbertação em indivíduos, '.imílias e Igrejas
'('ois .iiTàvés:a ~'roíecia. Tenho visto pessoas chorarem e
,)uecr'1ntarem-"e.Jeoois de receberem mensagens proféticas.
'~~ gC-Jlmente irazem em '~i uma lc·rte unção de li-
bertac.lo. '.) iY ,' :Sl'~nn ,10 profeta prOp(1l'Ci\na libertação e
derruoa fi_)r~a i
Autoridade Profética

Mas o Senhor por meio de um profeta fez subir a Israel do


Egito, e por um profeta foi ele guardado. Oséias 12.13

o profeta tem a responsabilidade de ministrar a Palavra


de Deus tão bem como quando profetiza pelo Espírito. Esta
unção infunde a capacidade para conduzir libertação ao povo
de Deus de uma maneira excepcional.
Tenho sido testemunha de pastores que lutam contra for-
talezas do inimigo as quais são incapazes de derrubar na
congregação. A unção do pastor é importante, mas para der-
rubar certas fortalezas muitas vezes se requer o apoio de
uma unção diferente como a do profeta. Isto não eleva o
profeta acima do pastor na congregação. Todos nós somos
colaboradores de Deus. No entanto, os pastores necessitam
discernir a importância da unção profética para derrubar
fortalezas.

Arrancar
Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não
plantou, será arrancada. Mateus 15.13

Jesus referia-se aos líderes religiosos daqueles dias. Seu


ministério os fez sentirem-se ofendidos. Estava acontecendo
um desarraigamento, uma erradicação espiritual. Quando o
ministério profético arranca coisas, o povo com freqüência se
sentirá ofendido. De modo geral, o sistema inteiro da reli-
gião em Judá e Jerusalém foi removido pela raiz, provocando
uma dispersão no povo judeu.
O inimigo plantou o joio no meio do trigo (Mateus 13).
Certas pessoas podem ser plantadas na Igreja pelo inimigo
para causar confusão e danos ao trabalho do Senhor. Os pro-
fetas têm a unção para arrancá-las. Se estas raízes são remo-
vidas sem a unção, o povo pode ser atingido pelos danos
resultantes. Neste sentido, Jesus disse aos Seus discípulos que
não arrancassem o joio, porque poderiam arrancar também o
trigo (Mateus 13.29).

51
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

É arrancado da segurança da sua tenda, e é levado ao rei


dos terrores. Já 18.14

Não se pode arrancar um espírito ou uma influência demoní-


aca na carne. Um espírito ou influência demoníaca devem ser
arrancados no Espírito. Há ocasiões quando o profeta ignora
que as coisas que estão executando no natural estão sendo reali-
zadas no mundo espiritual. Pode ocorrer que o arrancamento
profetizado no presente somente ocorra quando o profeta sair
de cena, ou ainda, anos mais tarde. O que se cumpre no natural
deve ser o resultado do que aconteceu, no espiritual, anos atrás.
O que nós vemos no natural é reflexo do que está se cumprindo
ou do que já se cumpriu no mundo espiritual.

Destruir
Os verdadeiros profetas destruirão as obras do maligno.
Muitas pessoas, incluindo pastores, temem o ministério pro-
fético. O verdadeiro ministério profético destruirá somente
o que é do maligno. Nunca destruirá o que é do Senhor. As
coisas do Espírito serão estabelecidas enquanto as do malig-
no serão destruídas.
Muitos dos que se unem à igreja local são carnais, e é la-
mentavelmente triste ter que dizer que alguns são demonía-
cos. O ministério profético destrói a camalidade e o demoní-
aco e estabelece santidade e pureza na casa do Senhor. Os
profetas têm ódio das coisas pecaminosas porque Deus as
odeia (Salmo 139.21,22).
Os profetas freqüentemente são criticados por não serem
tolerantes. O dom profético não deixa nada do que tem que
.ser feito por fazer, porque sempre cumpre com seu dever.
Um profeta que não o faz perde sua efetividade e terá que
prestar contas ao Senhor. Todavia, isto não dá ao profeta o
direito de ser ofensivo nem muito menos ministrar na carne.
Os profetas devem ministrar no espírito em todo o tempo.
Um profeta carnal terminará destruindo e prejudicando o
que é do Senhor em lugar de destruir as obras do maligno.

52
Autoridade Profética

Os profetas carnais causam desaprovação e danos da mes-


ma maneira que qualquer um que ministra na carne. O verda-
deiro profeta tem amor e compaixão pelas pessoas, mas odeia
e não tolera a obra do maligno. A unção mudará um homem
em outro (I Samuel 10). Não devemos errar ao rechaçar as
obras do maligno, sentenciando-as ou sendo duros com elas
sem uma direção correta. Devemos discernir entre o operar
na carne e a administração do Espírito Santo. Sem o devido
discernimento, julgaremos maIos profetas e os rechaçaremos
por falta de entendimento.

Transtornar
Como velei sobre eles, para arrancar, e para derrubar, e para
transtornar, e para destruir, e para afligir, assim velarei sobre
eles, para edificar e para plantar, diz o Senhor. Jeremias 31.28

A nação de Israel recebeu a ordem de entrar e derrubar os


altares pagãos. Isto foi parte do desarraigamento da nação
de Canaã por sua iniqüidade.
Israel teve que se desfazer dos cananitas antes que pudes-
se possuir a Terra Prometida. A unção profética confronta e
faz guerra. Isto não é tudo o que os profetas fazem, eles tam-
bém plantam e edificam. Mas, observe que antes de plantar e
edificar, arrancam e transtornam. Esta é uma parte desagra-
dável do ministério; no entanto, é necessária.
Muitos profetas, com respeito a este aspecto, sofrem incô-
modos em seu interior ao sentir temor e intimidação. Isto é
desagradável para a alma dele. Mas, a unção o fará outra
pessoa. A força da unção lhe dará poder para atuar acima dos
incômodos da alma e fará com que possa derrubar os altares
do pecado (Oséias 8.11). No Espírito, os profetas, mesmo sem
conhecer nada de uma congregação no natural, podem des-
cobrir rebelião, controle, feitiçaria e orgulho.
Em muitas ocasiões, um ministro não entenderá por que a
ministração ocorre em certa direção. Algumas vezes a dire-
ção é totalmente oposta a partir do qual se começou a minis-

53
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

trar a Palavra. A unção e direção do Espírito Santo causarão


um golpe em áreas do pecado e rebelião espiritual, muitas
vezes sem que o ministro nada conheça no natural.

Construir
Junto à ação de destruir, arrancar, derrubar e transtornar
as obras do maligno, o profeta também edifica o Corpo de
Cristo. Este é o ministério de edificação, exortação e consola-
ção. Os profetas odeiam as obras do maligno, mas ao mesmo
tempo têm um amor genuíno e compaixão pelo povo de Deus.
Os santos serão levantados e edificados através do ministé-
rio profético. A Igreja será edificada e as portas do inferno
não prevalecerão contra ela.
O propósito de derrubar as fortalezas é construir o Reino
de Deus. A guerra não é um fim, mas um meio para alcançar
o fim. Os profetas sempre devem manter seu enfoque no ob-
jetivo principal: edificar a Igreja. Se os profetas perdem o en-
foque, eles causarão danos ao trabalho do Senhor. A maioria
dos profetas desenvolve uma mentalidade "destrutiva"; isto
é, destruir tudo o que não está de acordo com Deus.
Lembre-se de que a missão de João Batista foi a de prepa-
rar o povo para o encontro com o Senhor. Os profetas não
devem se dedicar somente a ver as obras do inimigo, mas
também as necessidades do povo. Devem balancear seu mi-
nistério com amor e compaixão. Os profetas devem evitar
ministrar com dureza, com crítica ou amargura de espírito.
Eles têm a responsabilidade de ministrar a Palavra em amor
a fim de construir a Casa do Senhor.

Plantar
Plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso
Deus. Salmo 92.13

O povo que vive sob a ministração do ofício profético será


plantado na Casa do Senhor. Aqueles que forem plantados
florescerão em todas as áreas. Ser plantado significa lançar

54
Autoridade Profética

raízes e ter urna base sólida. O ministério profético pode ar-


rancar o que está plantado pelo inimigo e plantar a mudança
ordenada pelo Senhor na Sua Igreja.
Tenho sido testemunha de que muitas pessoas vão à igreja
para semear dúvidas. As vacilações não ajudam na obra do
Senhor. A unção profética ministra força e certeza aos crentes
para estabelecê-los firmemente na Casa do Senhor.
Não necessitamos na Igreja de membros sem fundamento.
Necessitamos de pessoas firmes na Casa do Senhor. Os que
são firmes lançarão raízes e serão corno árvores plantadas
junto a correntes de Rios de Água Viva. A plantação do Se-
nhor terá cristãos frutíferos. Eles serão constantes, firmes,
sempre crescendo na obra do Senhor (I Coríntios 15.58).
Quanto mais recebemos os profetas, mais chegaremos a
ser árvores de justiça, plantação do Senhor (Isaías 61.3). Es-
tou firmemente convencido de que urna das razões pelas quais
não ternos muitos cristãos frutíferos na igreja local é a ausên-
cia de um verdadeiro ministério profético. Tenho ministrado
ao povo por anos para que torne a unção a fim de aperfeiçoar
os santos. Cada dom ministerial tem urna unção distinta. Cada
dom ministerial tem urna capacidade divina para edificar a
Igreja.
Os profetas têm a unção e capacidade para edificar e plan-
tar. Sem esta unção, existirão áreas nas quais os santos não
serão edificados e nas quais eles não serão plantados. Os pro-
fetas têm a autoridade de Deus para arrancar, derrubar, des-
truir, transtornar, edificar e plantar. Estas realidades virão
corno resultado da Palavra do Senhor que flui da boca dos
profetas.

55
5
A Formação de um Profeta

Na igreja de Antioquia havia alguns profetas e mestres, a sa-


ber: Barnabé e Simeão, chamado Níger, Lúcío de Cirene, Ma-
naém, que fora criado com Herodes, o tetrarca e Saulo. Servin-
do eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-
me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Atos 13.1-2

Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Antes que eu teformas-


se no ventre, te conhecí, e antes que saísses da madre, te santifi-
quei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah! Senhor
Deus! Não sei falar, não passo de uma criança. Mas o Senhor me
disse: Não digas: Não passo de uma criança. Aonde quer que eu te
enviar, irás, etudo o que te mandar, dirás. Não temas diante deles,
pois eu sou contigo para te lívrar, diz o Senhor. Então estendeu o
Senhor a sua mão, tocou-me na boca, e me disse: Agora pus as
minhas palavras na tua boca. Vê, ponho-te hoje sobre as nações, e
sobre os reinos, para arrancares e derrubares, para destruíres ear-
ruinares, e para edificares e plantares. Jeremias 1.4-10

o dia 02 de fevereiro de 1976, minha esposa Myriam e

N eu fomos convidados por meu irmão Gabriel para vi-


sitar a igreja Church On the Way em Van Nuys, Cali-
fórnia. Foi neste lugar e nesta data histórica para nossas vi-
das, que tivemos um encontro pessoal com o Senhor. Em meu
livro "Liderazgo, Ministerio y Batalla", da Editorial Betania,
eu relato a história de nosso chamado, preparação e separa-
ção para o ministério.

56
A Formação de um Profeta

Desde o momento de meu novo nascimento, tive uma gran-


de sede e fome incessante pela Palavra de Deus. Em meu ca-
minhar ministerial, nunca ensino nada sem que antes tenha o
respaldo absoluto da Bíblia. De fato, uma das primeiras pas-
sagens que penetrou meu coração foi o conselho do apóstolo
Paulo a seu filho espiritual Timóteo:

Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não


tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verda-
de. II Timóteo 2.15

Anteriormente, Paulo havia dito a Timóteo: "Persiste em


ler, exortar e ensinar, até que eu vá" (I Timóteo 4.13), mas
aqui enfatiza que estude a Palavra Deus como obreiro (do gre-
go ergor - trabalho, esforço)25 a fim de esquadrinhá-la ou diss-
secá-la corretamente.
Durante muitos anos, preparei-me para ministrar a Pala-
vra de Deus, pois desde o momento de minha conversão,
sentia um chamado para fazê-lo por todo o mundo. Nunca
compreendi o chamado de Deus para minha vida, pois não se
ensinava nem se pregava acerca do ministério do profeta. O
uso que eu fazia da Palavra se tomava cortante para muitos.
Não creio que isto fosse a situação ideal. Contudo, os profe-
tas são apaixonados por confrontar o pecado e o erro. So-
mente depois de muitos anos, pude entender a natureza de
minhas ações.
Em 31 de Julho de 1983, o Senhor mudou o curso da minha
vida. Através do Dr. Bill Hamon, um profeta com um minis-
tério muito respeitado o qual contribuiu na redação deste li-
vro, Deus falou à minha esposa e a mim acerca de nosso cha-
mado para servir como profeta às nações.
Naquele tempo, encontrava-me totalmente decepcionado,
ferido e frustrado. Sabia que Deus havia me chamado para
servi-Lo, porém parecia que nem ainda a igreja a qual fre-
qüentava reconhecia o chamado em minha vida. Estava pas-
sando por um deserto emocional e buscava um lugar onde

57
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

me dessem a oportunidade de demonstrar os talentos que


Deus havia me dado. Ainda que naquele momento não reco-
nhecesse que Deus estava trabalhando em mim e preparan-
do-me para Seu propósito em minha vida. Meu caráter e
personalidade freqüentemente causavam-me problemas com
os outros. Na igreja, conheciam-me como "o irmão espada",
pois muitas vezes usava a Bíblia para trazer juízo a todo aquele
que não caminhava conforme a Palavra, ou para corrigir er-
ros doutrinários. Agora, reconheço nisto o zelo de profeta;
mas, em muitos casos, também a falta de sabedoria.
Meus conceitos teológicos e predisposição mental impedi-
am-me de aceitar aqueles que diferiam doutrinariamente de
mim. Em algumas ocasiões, até o líder pastoral era vítima de
meus ataques. O resultado disto é que era muito difícil sub-
meter-me a um líder que, em minha opinião, não tivesse o
entendimento, conhecimento ou, ainda, unção do Espírito
Santo que eu tinha.
Na busca de direção para minha vida e ministério, o Se-
nhor falou à minha esposa e a mim, e nos revelou Seus pla-
nos. Com quanto amor e graça, Ele nos apresentou Seus pro-
pósitos! Ele nos deu as instruções que estávamos esperando e
nos mostrou os passos que devíamos dar. Como estivesse
lendo o diário de nossas vidas, a mensagem profética esqua-
drinhou nosso coração e nos revelou que Deus estava no con-
trole de nossas vidas. As circunstâncias e situações eram par-
te de Seu plano perfeito. Tudo o que nos acontecia tinha o
propósito de moldar-nos à Sua imagem e semelhança e pre-
parar-nos para o dia no qual seríamos separados para a obra
do ministério.

Esta foi a mensagem, que veio de Deus, através do Dr. Bill


Hamon, para mim:

"Tens em tua vida um chamado para ser profeta, há um


ministério profético dentro de ti. É difícil para um profeta
estar debaixo de outro ministério. Tens sofrido algumas feri-

58
A Formação de um Profeta

das, desenganos e decepções, mas tudo isto tem sido parte


do que Deus tem feito para te levantar para depender do
Senhor e somente dEle. Mas há uma unção de Deus sobre ti.
Tens passado pela experiência de Moisés, tens sentido que
tens falhado, mas Deus está te preparando para que em Seu
tempo possas ser enviado para cumprir Seu propósito para
tua vida. É necessário que te submetas em uma relação como
a de Eliseu e Elias para que o ministério de profeta possa
fluir.
Deus tem te levantado, nos últimos dias, e tem colocado
uma unção sobre ti. Tens sido como um Ahimaas, tens corri-
do como um atalaia sem ter todo o conhecimento; tens o zelo,
mas ainda não é tua hora. A hora virá em que serás desatado
para derramar a glória e o poder de Deus. Reconhece que
Deus tem estado em ti e que tens uma UlÍ.ção sobre tua vida;
mas, não te movas até que tenhas a clareza de espírito e de
mente. Nunca te movas porque alguém diz, move-te! Consi-
dera, mas espera a confirmação de Deus.
Sei que há um forte chamado de Deus sobre tua vida, mas
tenho conhecido muitos com o mesmo chamado e com a
mesma unção do Senhor, e que vivem saltando de um lado
para outro, buscando uma oportunidade de brilhar e de re-
pente se desanimam, frustram-se, fecham-se em seu lamento.
Nunca triunfam, porque não se submetem nem permitem o
operar de Deus; querem conseguir por si sós, mas Deus ope-
ra através de outros os quais Ele usa para prepará-los.
Tens habilidade para ensinar, inspirar e motivar as pesso-
as. Podes dirigir com louvor e adoração, exortar e incentivar.
Tens zelo evangelístico. Entretanto, chamado é o de profeta
para as nações e Deus está te levando a esse âmbito porque
Deus está levantando um exército, não um asilo". '

Falando à minha esposa Myriam, disse-lhe:

"O êxito de um homem depende grandemente de sua es-


posa. Ela o edifica ou o destrói. Toda esposa pode experi-

59
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

mentar O céu ou O inferno no ministério, baseando-se na coo-


peração e ajuda ou na oposição ao cônjuge. A esposa tem que
tomar a decisão de Ruth - onde quer que tu fores, irei eu, e
onde quer que viveres, viverei - "Teu ministério será meu
ministério, tua vida será minha vida".

Falando aos dois, disse-nos:

"Pressinto, em meu espírito, que seu ministério e suas vi-


das têm passado por tempos difíceis; desafios e experiências
duras; tem tido ajustes, vitórias e situações que têm sido par-
te da obra de Deus. Porque Ele tem Sua mão sobre vocês e
não vai permitir que vocês naufraguem. Têm buscado detê-
los, mas o Senhor vai lapidá-los de uma maneira ou outra até
que possam reluzir. Ele não vai dar-lhes uma casinha com
uma cerca branca, no meio do nada, todavia vai ser no meio
de Seus propósitos. Creio que finalmente vocês se renderão a
Deus dizendo: Queremos viver em Tua perfeita vontade!"

A seguir, em oração, impôs as mãos sobre nós e disse-nos:

"Pai, como Moisés impôs as mãos sobre Josué e lhe deu a


tarefa; assim como Paulo e Silas foram separados para o ministé-
rio pela imposição das mãos; Senhor, os separamos para os pla-
nos e propósitos de Deus. Impomos as mãos sobre Hector e
Myriam. Tu sabes o que eles têm passado. Tens estado com eles
em meio aos desafios, as feridas, os esmagamentos, as pressões,
os problemas. Sentimos, no espírito, os fogos que os têm rodea-
do, mas sabemos que não os tens deixado nem desamparado.
Ainda que eles tenham se sentido sozinhos, pois ninguém
os compreendia ou os apreciava, Tu tens estado sempre com
eles. Pai, em nome de Jesus, ministramos-lhes o poder e a
unção do alto. Ministramos cura no coração e nas emoções de
nossa irmã. Tu tens visto como sua mente tem sofrido danos
e confusão por coisas que nem sempre tem compreendido.
Nem sempre tem reconhecido os tratamentos de Deus com

60
A Formação de um Profeta

seu esposo e tem questionado a falta de sabedoria e maturida-


de em algumas das coisas que ele tem feito, mas sempre tem
'permanecido a seu lado. Vocês têm tido opiniões diferentes,
no entanto sempre têm seguido em frente pela graça de Deus.
Senhor, Tua unção rompe os jugos que os tem atado. O
Senhor disse: 'Tenho caminhado com vocês pelos vales e pelo
fogo; quando se sentiam solitários e frústrados. Tenho tido
compaixão de vocês e nem por um momento tenho me afasta-
do de vocês'.
E o Senhor te diz isto: 'Filho meu, tenho te dado um espíri-
to de discernimento para identificar os lobos os verdadeiros
pastores que são colocados sobre meu rebanho e sobre meus
ministérios. Vou te ensinar como confiar, conhecer e depender
de mim, porque haverá muitos aos quais tenho te chamado
para capacitar, e muitos para os quais tenho te chamado a fim
de ministrar. Por não saber como confiarem em mim, não con-
fiarão em ti e não dependerão de ti; mas deves perdoar e liber-
tar aqueles que falharam contigo, aqueles que te enganaram,
aqueles te traíram e têm causado pranto e sofrimento.' O Se-
nhor te ordena a cancelar a dívida dos que te têm ofendido.
E o Senhor te diz isto: 'Filho meu, tenho colocado meu
manto profético sobre ti. Tenho colocado minha unção den-
tro e sobre ti e tenho colocado sobre ti um depósito de minha
glória e voltarei um dia por minha herança. Não quero que
sejas como aquele que enterrou seu talentQ dizendo-me 'tive
medo, não me deram a oportunidade, não me abriram as
portas'. Não busco desculpas, mas obediência e submissão.
Quero que sejas como o dos cinco talentos que disse: 'Pai,
investi, arrisquei, dei passos de fé. Avancei para ganhar ou-
tros'. Eu te digo, filho, te peço que tomes passos de fé, te
submete a mim, entrega-te a mim e soltarei uma nova medi-
da de minha unção. Farei algo novo em tua vida e nova obra
em teu espírito. Eu te tirarei e te prepararei, porque tenho
um plano e um propósito para tua vida. És meu homem e
nem sempre compreendes meus caminhos e meu operar, mas
te digo que estou operando, sim, estou operando e Eu o tra-

61
Apóstolos e Profetas I Hectm Torres

rei à luz e aperfeiçoarei tudo o que concerne a ti, pois teus


tempos estão em minhas mãos."

Depois disto, o Dr. Bill Hamon profetizou sobre minha


esposa dizendo:

"Myriam, o Senhor te diz isto: 'Filha, Eu te chamei para que


sejas confortadora e consoladora para este homem. Eu te cha-
mei para que sejas um equilíbrio e uma ajuda para ele. Às vezes
tens pensado: Bom, ele é espiritual, sabe o que faz e o melhor é
que eu me cale". Mas o Senhor te diz: 'Eu te chamei para que
sejas boca que lhe fala, deves refletir e aconselhá-lo. Não te
chamei para que te escondas, em tua couraça, nem para que
vás para tua casa em silêncio. Chamei-te para que lhe fales e
lhe respondas, para que faças com que ele pense e avalie. Para
que lhe mostres o que o Espírito te mostra e o que o teu cora-
ção sente. Filha, quero que o perdoes de todo o coração por
aquelas ocasiões nas quais ele não te compreendeu, nas quais
não teve paciência contigo. Algumas vezes as coisas que ele te
disse te fizeram sentir indigna e inferior, mas o Senhor diz:
Perdoa-o! Pois fazia o melhor que podia com seu nível de ma-
turidade e habilidade, com o peso das pressões e frustrações."

A seguir o Senhor nos disse aos dois:

"Quero dar-lhes aos dois um coração compreensivo e uma


alma perdoadora, para perdoar aos outros e a si mesmos.
Para amarem-se e unirem-se e para que, assim, o diabo não
tenha lugar em suas vidas. Restauro sua unidade matrimoni-
at sua unidade comigo e sua unidade com o meu chamado.
Eu os amo, os chamei e estou lhes preparando porque seus
nomes estão, em meu livro, dentre os que estarei usando, nos
últimos dias, pois tenho determinado colocar minha palavra
por obra, diz o Senhor."
Foram estas poderosas palavras que chegaram por boca de
profeta, as que confirmaram o chamado e comissão ao ministé-

62
A Formação de um Profeta

rio para o qual o Senhor me chamou. É meu desejo que, atra-


vés deste livro, você possa reconhecer o processo de chamado
e preparação para cumprir o propósito de Deus em nossas vi-
das. É desta forma que o ministério profético é usado por Deus
a fim de separar os Seus servos para a obra do ministério.
Com o passar dos anos, entendemos as razões pelas quais
Deus nos tem permitido passar por tempos difíceis. Cada uma
destas provas nos tem ensinado como opera o inimigo e como
Deus sempre transforma em uma experiência positiva o que
satanás busca usar para o mal.
No dia 05 de fevereiro de 1989, na Igreja Palavra de Graça
em Meza, Arizona, a liderança da igreja convocou uma as-
sembléia de pastores, mestres e profetas da cidade, em nível
internacional. O grupo ficou constituído da seguinte manei-
ra; Gary Kinneman, Dick Mills, Hal Sacks, Mark Buckley, Ron
Woodworth, Leonard Griffin, AI Ells e Robert Blayter. (Veja
referências no final deste capítulo).
O Senhor nos deu as seguintes palavras proféticas através
dos lábios destes ministros.

• Pelo doutor Gary Kínneman:

"Esperei por muitos anos este momento. Vejo um paralelo


com a vida de Jesus: trinta anos de preparação, serviço e cres-
cimento em favor diante de Deus e diante dos homens. De-
pois a unção desceu sobre o Senhor Jesus nas águas do Jor-
dão. Isto mudou Sua vida dramaticamente. Vejo algo similar
em tua vida. Tens esperado, tens sido paciente, mesmo con-
tra teus sonhos, teus desejos e tua energia pessoal. Tens espe-
rado e esperado, e subitamente o Senhor diz: Já é a hora. Eu
creio que é a hora de Deus para tua vida. A multidão, a ani-
mação e a energia que se fizeram presentes, no culto desta
manhã, são somente uma prova do que Deus vai fazer em teu
ministério.
"Senhor, te agradeço, pelo espírito, pela unção, hospitali-
dade, amor, graça e fervor que colocaste em Hector e em

63
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Myriam, sua esposa. Esta noite Tu estás reconhecendo-os. Esta


noite Tu o fazes, Senhor. É Tua obra. Imponho as mãos em
meu amigo, meu colaborador no Evangelho e o reconheço
publicamente como um homem dotado, maduro e líder no
Corpo de Cristo. E ordenamos a Hector e a Myriam para
exercer o ministério de culto ( administração), ensino, profe-
cia e cura. No nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

• Pelo pastor Mark Buckley:

"O Senhor os chamou para ser um casal apostólico, para


edificar nos fundamentos de apóstolo. Irás a uma igreja e
declararás a Palavra de Deus para colocá-la em ordem. O Se-
nhor te levantou para capacitar líderes e obreiros, para esta-
belecer um fundamento em Jesus Cristo".

• Pelo pastor dos pastores, Hal Sacks:

"Vejo que o Senhor vai te enviar para cruzar todo o mun-


do. De Norte ao Sul, de Leste a Oeste. Mas o Senhor promete
te manter forte e impedir que tropeces. A força que te suste-
rá será teu reconhecimento de II Coríntios 3.5,6 - o reconhe-
cimento que teu poder, habilidade e suficiência provêm de
Deus. Ele te fez um ministro competente de Sua Palavra e os
separou a ambos".

• Pelo profeta e pastor Ron Woodworth:

"O Senhor te diz isto: 'Meu povo é destruído por falta de


conhecimento.' Mas Eu estoil te equipando com um conheci-
mento profético e perspicácia. Onde Eu te enviarei, vais neces-
sitar do poder de Deus. Entendeste? Como meu Filho Jesus,
que andava fazendo o bem e curando a todos os oprimidos
pelo diabo, esta noite te unjo e a teu cônjuge, a companheira da
tua juventude, com uma dupla unção para batalhar contra prin-
cipados e poderes e todo tipo de espíritos de trevas. Inclusive

64
A Formação de um Profeta

agora, estão muito nervosos, diz o Senhor, porque onde esta-


rei te enviando, irás no poder do Evangelho do Cristo ressus-
citado. Não irás a um lugar para ser apologista do Evangelho.
Meu Evangelho não é uma fábula para discutir, mas um fato
para declarar, e declaração farás. Vou trazer uma celebração a
seus espíritos que levantará os tetos de muitos lugares aonde
te enviarei. Envio-te para que abras os tetos para um derrama-
mento de Meu Espírito que consumirá a religiosidade e trará
um sacrifício agradável a mim. Eu te mobilizarei e te enviarei
para um Evangelho agressivo. Porque estou te enviando para
alcançar os perdidos e para libertar os cativos."

• Pelo doutor AI Ells:

"0 Senhor também te recorda que recentemente vieram


ofensas, dificuldades e problemas estranhos à tua vida. As causas
destes não são a carne, mas sim o inimigo, que subitamente
descobriu quem és. Os olhos do inimigo foram abertos para
ver a unção de Deus para na tua vida. Isto não é para que
temas, mas para que andes em sabedoria e caminhes um cami-
nho reto e sincero.- Deixe que teu testemunho estabeleça uma
clara vitória onde quer que vás. O Senhor te dá a vitória."

• Pelo pastor Leonard Grif.{in:

"Ao escutar o que o Senhor diz, fui incitado a recordar a


necessidade de levantar uma equipe de intercessores que orem
por ti. Todos necessitamos de oração, mas tu, pela natureza de
teu ministério, vais necessitar de um corpo de intercessores que
te cubram com oração diariamente, pessoas que intercedam e se
levantem na brecha por vocês. Estes devem vir não somente do
ministério hispano de sua congregação, mas de todo o Corpo de
Cristo. O Senhor deseja oração intensiva por vocês. Juntem, pois,
homens e mulheres que lhes sejam fiéis, que os amam, e que se
comprometerão a estar na brecha diariamente por vocês, parti-
cularmente durante aqueles tempos em que estiverem viajando,

65
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

os quais vão aumentar nos dias que virão. Ouço o Espírito Santo
dizer: 'Orai mais e orai com fervor'."

• Pelo mestre Robert Blayter:

"A Palavra do Senhor diz que quem é fiel no pouco, muito


lhe será dado. Ninguém é chamado para ser fiel no muito ao
começar. A promessa é, então: serás fiel no muito. Chegou a
hora de ser fiel no muito. Em Lucas 14, a parábola do grande
banquete fala de um homem rico que fez uma grande ceia e
convidou a muitos, mas ninguém veio; todos os seus convida-
dos tinham desculpas. Enviou, pois, os seus servos para trazer
os mancos, os coxos, os pobres e os cegos. Havendo feito isso,
disseram-lhe que ainda havia lugar. Creio que terás um gran-
de ministério aqui e na América Latina. Mas o Senhor vai te
edificar com aqueles que muitos têm rejeitado. Não tens que
buscar o grande e poderoso. Deus te usará com um ministério
de restauração não somente aqui, mas mundialmente".

• Pelo pastor de pastores, Hal Sacks:

"Vejo-te como a um Josué jovem. Não és da geração antiga,


mas da nova. E o Senhor te diz: 'Ninguém se levantará e pre-
valecerá contra ti. Como estive com meu servo Moisés, assim,
estarei contigo. Não te deixarei, nem desampararei. Esforça-te
e sê valente'. Um casal valente. Vejo você como um leão valen-
te. Como a Aslan, o leão das crônicas de Narnia. Esforça-te,
porque farás com que o povo de Deus conquiste sua terra. Le-
varás o meu povo para a conquista, homem de valor. Mas não
irás sozinho. Os intercessores irão diante de ti e prepararão o
caminho. E tu irás e tomarás a terra."

• Por Dick Mill, profeta do Senhor:

"Amplia o lugar da tua tenda, e as cortinas de tuas habitações se


estendam, não o impeças; alonga as tuas cordas, efirma bem as tuas

66
A Formação de um Profeta

estacas. Porque transbordarás à mão direita e à esquerda; a tua poste-


ridade possuirá as nações, efará que sejam habitadas as cidades assola-
das". (Isaías 54.2-3). 'Te estenderás à tua mão direita e à
esquerda.'.'E invocou Jabes a Deus de Israel, dizendo: Oxalá
que me abençoes e amplies o meu território! Seja a tua mão comigo, e
me preserves do mal, de modo que eu seja livre da dor. E Deus lhe
concedeu o que l~e tinha pedido' (I Crônicas 4.10). Senhor, conce-
de seu pedido. O Senhor vai uni-los no ministério. Um plan-
tará a semente, e outro a regará com lágrimas e oração e Deus
dará o aumento.
Não faça nada sem antes consultar sua esposa. Um coloca
mil em fuga, dois colocam dez mil em fuga. Diga a sua espo-
sa: Tu representas nove mil.
Jó 8.7 diz: O teu princípio, na verdade, terá sido pequeno, mas o
teu último estado aumentará sobremaneira.
Jeremias 29.11 diz: Porque eu sei os planos que tenho para vós,
diz o Senhor, planos de paz, e não de mal, para vos dar uma esperança
e um futuro.
"O Senhor me deu uma visão de uma rocha que cai na
água e causa uma ondulação. Como em Atos 1.8, teu ministé-
rio te levará por esta cidade, esta nação, pela América do
Norte, América Central, América do Sul e aos confins da ter-
ra. Deus te permitirá levar um ministério milagroso ao redor
do mundo. O Senhor me deu uma visão, que na próxima dé-
cada, Hector e Myriam serão levantados e o resultado será
UM MILHÃO de católicos romanos nascidos de novo e chei-
os do Espírito Santo. Aleluia!".

o fruto da ordenação
Mantenhamos firme a confissão de nossa esperança, porque
aquele que nos deu suas promessas, não falhará. Hebreus 10.23
(The Twentieth Century New Testament)

Mais de dez anos se passaram desde aquele dia de minha


ordenação ao ministério. A verdade é que as palavras proféticas
que recebi naquele dia foram mais do que minha mente ou meu

67
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

coração puderam receber e assimilar. Algumas delas me pa-


reciam tão incríveis que, francamente, não via como Deus ia
torná-las realidade. Olhando para trás e vendo o que Deus
tem feito durante a última década, posso dizer confiadamen-
te que estas palavras proféticas têm se cumprido. Como disse
o profeta Habacuque 2.3: Porque a visão é ainda para o tempo
determinado, e até o fim falará, e não mentirá. Se tardar, espera-o,
porque certamente virá, não tardará.
Através dos anos, temos recebido muitas promessas de
Deus pela boca de Seus profetas. Servos e servas como Cindy
Jacobs, Jim Lafoon, Mike Bickle e outros. Mesmo assim, o
Senhor tem usado meu ministério para dar palavras a milha-
res de pessoas em vários continentes. Também sei que o mi-
nistério para o qual Deus me chamou é levar a mensagem de
Deus a cidades e nações.
Creio que a maior confirmação a nosso chamado é que
nossos companheiros e líderes de Deus, reconhecidos por seus
ministérios internacionalmente, reconhecem publicamente o
chamado que Ele nos fez.
Em setembro de 1998, durante uma conferência em Saint
Louis, Missouri, um pequeno grupo de profetas se reuniu para
discutir a possibilidade de estabelecer uma rede de respon-
sabilidade e relações entre alguns dos ministérios proféticos
mais reconhecidos da nação. Aproveitando a reunião, convo-
cada pelo Dr. C. Peter Wagner e nomeada como a Escola
Nacional de Profetas, chegou-se num acordo de convidar pro-
fetas de todos os "mananciais" do fluir de Deus em diferen-
tes partes do mundo ao Centro Mundial de Oração em Colo-
rado Springs.
Assim, pois, a reunião aconteceu no dia 27 de Janeiro de
1999. Os profetas convidados para participar foram uns gru-
pos de dezoito pessoas, entre as quais estavam incluídas: Mike
Bickle e Paul Cain, de Kansas City; Jim Goll, de Nashville;
Bill Hamon, da Flórida; Rick Joyner e Kingsley Fletcher, da
Carolina do Norte; Jim Lafoon, da Califórnia; John e Paula
Sandford, de Idaho; Tommy Tenney, de Baltimore; Bárbara

68
A Formação de um Profeta

Weintroble, do Texas; e Cindy Jacobs, Chuck Pierce, Dutch


Sheets, Mike Jacobs, Peter Wagner e eu.
Depois de orar um dia inteiro e buscar a mente do Senhor,
Ele nos deu uma palavra profética de orar ardentemente, pois
viriam dias de violência nas escolas secundárias e nos centros
comerciais. Os pastores de Colorado Springs receberam a
palavra com temor e mobilizaram as suas congregações e a
cidade. Infelizmente, alguns pastores da área de Denver se
irritaram e declararam que a palavra era alarmante e não edi-
ficava, pelo que ignoraram a mensagem profética para a área.
Três meses mais tarde, aconteceu a triste tragédia da Escola
Secundária Columbine, em Littleton, um subúrbio da cidade
de Denver.
A raiz desta reunião se tornou oficialmente o "Conse-
lho Apostólico de Anciãos Profetas (CAAP)" sob a cobertura
apostólica do Dr. C. Peter Wagner.

Qual o propósito do CAAP?


Os profetas decidimos estabelecer uma relação permanen-
te para promover uma ordem de responsabilidade e contas
mútua, sob a cobertura apostólica que estabeleceu direções
acerca das palavras proféticas entregues publicamente. Espe-
ramos que haja um alto nível de credibilidade e integridade
no ministério da profecia pública. Esperamos que sejam esta-
belecidos padrões de excelência para os profetas desta gera-
ção e, se o Senhor demorar a voltar, de todas as que virão.
"Não poderemos ter uma fundação mais sólida para a Igreja
do futuro se não estiver em operação apóstolos e profetas
genuínos. Mas os dons e os ofícios não são suficientes. So-
mente quando os apóstolos e profetas estiverem juntos e en-
trelaçados e puxando juntamente para o Reino de Deus, ha-
verá avanço ao redor do mundo, como Deus deseja para esta
geração".26

• Referências biográficas dos pastores, mestres e profetas,


que estiveram na Assembléia convocada pela liderança da

69
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Igreja Palavra de Graça em Meza, Arizona, no dia 05 de


fevereiro de 1989:
• Gary Kinnaman, DD, autor, mestre, membro da Rede
de Guerra Espiritual. Pastor da Igreja Word of Grace em
Meza, Arizona.
• Mark Buckley, escritor para Charisma Magazine, pastor
da Igreja Community of Living Streamns em Phoenix, Ari-
zona.
• Hal Sacks, pastor de pastores, presidente do Ministério
El Shaddai. Membro da Rede de Guerra Espiritual.
• Ron Woodworth, profeta, salmista, pastor e anfitrião de
televisão.
• AI Ells, autor e diretor do Centro Samaritano de Acon-
selhamento e Assessoramento.
• Leonard Griffin, pastor da igreja Covenat of Grace em
Phoenix, Arizona.
• Robert Blayter, mestre.
• Dick Mill, profeta internacional.

70
6
o Cumprimento de
sua Profecia Pessoal

Dr. Bill Hamon

o Dr. Bíll Hamon é bispo efundador de numerosos ministé-


rios cristãos e têm escritórios na Inglaterra, fapão, Austrália,
Canadá e Estados Unidos. É amplamente reconhecído como
apóstolo e profeta, e é diretor da maior rede profética do
mundo. Com mais de 40 anos de ministério, ele tem capací-
tado mais de 7.500 estudantes e profetas durante os últimos
anos. É autor de vários livros sobre os ministérios de apóstolo
e de profeta. Estes são textos clássicos.

maioria dos pregadores e teólogos cristãos concorda

A com o fato de que no Antigo Testamento existiram


muitos profetas. Todos também concordam que os pro-
fetas eram o meio principal de comunicação usado por Deus
para Ele revelar Seus desejos e propósitos ao ser humano.
Contudo, existem teólogos que, por não terem o conhecimento
apropriado e não terem ainda experimentado o mover profé-
tico, têm questionado a credibilidade dos profetas e do mi-
nistério profético na Igreja neotestamentária. Estes, por sua
vez, têm desenvolvido doutrinas estranhas e sugerido que,
desde o estabelecimento da Igreja, a necessidade da existên-
cia de profetas e do recebimento do ministério profético de-
sapareceram. Nada mais longe da realidade.

71
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

o batismo com o Espírito Santo, o nascimento da Igreja e a


publicação da Bíblia não eliminaram a necessidade que temos
de ouvir a voz profética do Senhor. Ao contrário, esta neces-
sidade se intensificou. Pedro declarou que o profeta Joel es-
tava falando acerca do tempo a partir do nascimento da Igre-
ja quando proclamou: "do meu Espírito derramarei sobre toda
a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão". (Atos
2.17). Paulo enfatizou esta verdade quando disse à igreja em
Corinto: "Procurai profetizar" (I Coríntios 14.39; Efésios 4.11).
Deus, ainda, deseja que Sua vontade seja expressa verbal-
mente. Por isso, estabeleceu o ministério profético como uma
voz de revelação e iluminação que mostra a mente de Cristo
à raça humana. O Senhor também usa este ministério para
dar instruções específicas sobre como se deve cumprir Sua
vontade divina na vida de um indivíduo. É claro que o minis-
tério do profeta não é para acrescentar ou omitir porções da
Bíblia; pelo contrário, é para trazer clareza e dar mais deta-
lhes sobre o que está escrito.
Este capítulo é para aqueles que, tendo recebido uma pa-
lavra profética, desejam entendê-la e querem responder apro-
priadamente para que esta dê fruto. Isto não quer dizer que a
profecia pessoal substitui a responsabilidade e o privilégio
que cada cristão tem de ouvir a voz de Deus por si mesmo.
Desagradamos a Deus quando permitimos que outras metas
tenham prioridade na busca de uma relação íntima com Ele,
inclusive, quando este obstáculo é o ministério para o qual
Ele nos chamou.
Uma vez que recebemos uma palavra profética pessoal da
parte de Deus, é nossa obrigação saber como responder ade-
quadamente a ela.
Esta é a razão pela qual desejo compartilhar seis princípios
proféticos para responder apropriadamente a voz de Deus.
Tenho aprendido estas importantes verdades através dos
meus 39 anos de experiências no ministério.
A maioria dos cristãos desconhece que assim como o pro-
feta é responsável pela declaração que faz; também o é o in-

72
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

divíduo que recebe a profecia pessoal, por responder corre-


tamente esta. Cabe destacar que existem mais exemplos bíbli-
cos de profecias que nunca se cumpriram devido ao fato de
não serem respondidas da maneira correta, do que de profe-
cias que falharam porque simplesmente eram falsas.
Enquanto você estuda estes princípios, tenha em mente
que a base bíblica da profecia pessoal é que esta sempre é
condicional, não importa se nessa palavra profética se utili-
zam termos claros ou se especificam certos requisitos.

Seis princípios para responder


apropriadamente a palavra profética

1. Uma atitude correta


Nossa postura em relação à profecia deve ser a da Bíblia, e
a atitude bíblica em direção à profecia é totalmente positiva. A
Bíblia não somente nos diz que devemos evitar o menosprezo
pelas profecias (ou seja, dar-lhe pouca importância), mas tam-
bém nos exorta a que as avaliemos e retenhamos tudo o que é
bom e correto que há nelas (1 Tessalonicenses 5.20, 21). Mais
importante, ainda, é saber que Deus nos manda procurar e
desejar o ministério profético (1 Coríntios 12.31; 14.1, 39). De
fato, este é o único ministério que a Bíblia diz para buscar.
A profecia pessoal inspirada por Deus é uma palavra espe-
cífica para o indivíduo. Os mesmos princípios bíblicos acerca
da atitude que devemos ter para com a palavra escrita, o 10-
gos, devem ser aplicados à palavra rhema que é declarada
profeticamente. Certas condições são essenciais para receber
uma profecia pessoal. Estas são:

Fé. Basicamente, a atitude para com os profetas e a respos-


ta apropriada à profecia pessoal devem estar na crença de
que isto é bíblico para que, deste modo, possa se receber com
fé o ministério profético que provém de Deus. Hebreus 11.6
diz que "Sem fé é impossível agradar a Deus...". Ao receber-
mos, ou desejarmos receber profecia pessoal por meio de um

73
Apóstolos e Profetas I I!ector Torres

profeta ou do ministério profético, devemos avaliar a fundo


aqueles que poderão ministrar-nos. Ao concluirmos que es-
tes têm as qualidades necessárias (isto é, são homens e mu-
lheres de Deus competentes em seu ministério), as profecias
devem ser recebidas com total confiança e crendo que são
verdadeiras. Crer é imperativo para que a profecia cumpra-
se. A carta aos Hebreus nos fala acerca dos israelitas no de-
serto. "Pois também a nós foram anunciadas as boas-novas,
como a eles, mas a palavra que ouviram nada lhes aprovei-
tou, visto não ser acompanhada pela fé, naqueles que a ouvi-
ram". (Hebreus 4.2; Êxodo 6; Hebreus 3.17-19). De maneira
contrária ao povo de Israel, vemos como Josafá creu e res-
pondeu apropriadamente à palavra profética declarada por
Jaaziel. Sua resposta cheia de fé na profecia pessoal resultou
em uma proclamação para o povo de Deus: "Crede em Jeho-
vá vosso Deus e estareis seguros, crede em seus profetas e
prosperareis". A fé que Josafá teve na palavra profética trou-
xe como resultado uma grande vitória (lI Crônicas 20.22). Se
a declaração profética é recebida com uma boa disposição e
com fé, então a palavra rhema que é ouvida trará consigo o
necessário para o cumprimento dessa declaração: "De sorte
que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra (rhema) de
Deus" (Romanos 10.17).

Obediência. A verdadeira fé sempre vem acompanhada


da obediência. Tiago 1.22 nos diz: "E sede cumpridores da
palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mes-
mos". Se em nosso ouvir não progredimos até o ponto de
colocar em prática o que temos escutado, seremos enganados
facilmente. Quando o Senhor decide dirigir-se a nós com uma
palavra profética, Ele não o faz para entreter nosso intelecto,
mas para nos dar o entendimento necessário para fazer Sua
vontade (Deuteronômio 29.29; Romanos 2.13). Assim, é mui-
to melhor não receber uma palavra profética, do que recebê-
la e não fazer nada do que ela nos manda. "Aquele, pois, que
sabe o bem que deve fazer e não o faz, comete pecado" (Tia-

74
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

go 4.17). Ao obedecermos à palavra profética e fazermos exa-


tamente o que ela diz, não seremos enganados, e nosso espí-
rito e mente estarão dispostos a conhecer a vontade de Deus.
Jesus Cristo disse: "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus,
descobrirá se o meu ensino vem de Deus, ou se falo de mim
mesmo" (João 7.17). Portanto, se cremos e fazemos o que é
devido, o Senhor nos falará e revelará mais acerca de Sua
vontade para nossas vidas.
Um exemplo bíblico desta atitude é visto em Noé, quando
ele recebeu a palavra profética e obedeceu a ela. Sua obediência
salvou toda a sua família (Gênesis 6). Em compensação, pode-
mos ver o rei Saul, o qual desobedeceu à palavra profética que
Samuel havia lhe dado e, como conseqüência, seus descenden-
tes perderam o direito ao trono de Israel (I Samuel 15.24).
Portanto, a atitude apropriada ou a resposta correta para
a profecia pessoal requerem obediência e cooperação. Desta
maneira, ela terá lugar em nossa vida e nos levará ao cumpri-
mento da vontade de Deus: "A palavra de Cristo habite em
vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e
admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânti-
cos espirituais, cantando ao Senhor com gratidão em vossos
corações" (Colossenses 3.16).

Paciência. Em Hebreus 6.12, é-nos dito que não somente a


fé faz com que as promessas sejam herdadas, mas que tam-
bém é necessário paciência. Estas duas qualidades nos permi-
tem apropriarmo-nos das palavras proféticas até que a pro-
messa seja alcançada.
Após recebermos uma profecia pessoal, e for comprovado
que é uma palavra genuína, devemos manter uma fé constan-
te e a confiança plena de que se cumprirá, sem importar o
tempo que passará. Às vezes, isto não é nada fácil, requer
que continuemos buscando pacientemente a vontade de Deus.
Se estivermos convencidos de que é do Espírito Santo que
esta palavra se originou, não devemos permitir que nada nem
ninguém a furtem.

75
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

As profecias pessoais assemelham-se a pérolas preciosas!.


Quando Jesus disse que não lançássemos as pérolas aos por-
cos, Ele referia-se aos fariseus. Não devemos, pois, levar algo
que Deus nos deu e, compartilhá-lo com líderes religiosos
que não crêem que Deus fala hoje através da profecia pessoal.
O diabo pode usar - e usa - ministros e amizades que, com
boas intenções, buscam furtar a palavra que Deus nos dá. Não
devemos permitir que isto aconteça. Ainda que a profecia nos
cause confusão, frustração ou desânimo, devido ao fato de
não vermos seu cumprimento, devemos esperar no Senhor.
Ele cumprirá Sua promessa! Transformará, mudará nossas
circunstâncias.
No Salmo 37.5-11, temos uma exortação muito clara sobre
a resposta apropriada para a profecia pessoal, em especial
para aquelas áreas que falam do ministério e do que Deus
quer fazer. Nós poderíamos interpretar assim essa passagem:
"Entrega o teu caminho ao Senhor (a forma como suas profe-
cias podem ser cumpridas), confia nele (sua profecia pessoal) e ele
tudo fará... não te indignes por causa daquele que prospera
em seu caminho, (a pessoa cujo ministério está crescendo), por
causa do homem que executa astutos intentos (o ministro que
está prosperando e que tem êxito, mas que demonstra falhas em seu
caráter fazendo as coisas à sua maneira e não de acordo com o que
Deus diz), Deixa a ira (a cólera contra Deus por não haver respon-
dido quando se queria que Ele ofizesse), abandona o furor (esqueça
as frustrações ea obrigação que você sente de fazer cumprir sua profe-
cia antes do tempo indicado).. , mas aqueles que esperam no Se-
nhor herdarão a terra... e se deleitarão na abundância de paz".
Outras passagens bíblicas que esclarecem este princípio
divino encontram-se em Hebreus 10.35, 36; Salmos 27.14 e
Isaías 40.31. Como exemplo bíblico desta atitude, vemos que
José recebeu uma visão quando tinha 17 anos, todavia espe-
rou com paciência o tempo de Deus (Gênesis 37.42). Encon-
tramos também que a impaciência de Abraão acerca da pro-
messa profética de ter um herdeiro resultou em um Ismael
(Gênesis 15.4; 16.2).

76
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

Humildade, mansidão e submissão. Responder apropria-


damente a uma palavra profética requer também que o cren-
te a receba com um espírito de humildade, mansidão e sub-
missão. Quando decidimos aceitar uma palavra profética, mas
a respondemos com orgulho, ira, dúvida, ressentimento, crí-
tica, autojustificação ou arrogância, revelamos um estado de
imaturidade ou um espírito errôneo. Devemos entender que
uma atitude incorreta tende a neutralizar aquilo que Deus
declarou que deseja fazer.
Algumas vezes temos idéias pré-concebidas sobre o gran-
de ministério que cremos. Deus confirmará por meio do pro-
feta. Quando Deus não nos fala acerca de nossos desejos de
ser famosos; então, desiludimo-nos, deprimimo-nos e até nos
irritamos com Ele. Muitas vezes insistimos em pensar que o
profeta ou o presbitério profético se equivocaram e não sou-
beram discernir a mente do Senhor.
Em algumas ocasiões, as palavras que o Senhor nos dá,
por meio de profecias, requerem mudanças em nosso com-
portamento e atitudes. Tiago 1.21 diz: "Recebei com mansidão
a palavra". Devemos estar dispostos a responder com sabe-
doria. A Bíblia nos diz que se admoestamos o sábio, ele será
mais sábio; mas se admoestamos o tolo, este nos odiará. Uma
pessoa que é madura e que tem uma atitude correta, respon-
derá apropriadamente a uma profecia pessoal mesmo quan-
do esta for de correção; demonstrando, desta maneira, os
atributos da sabedoria celestial: "Mas a sabedoria que vem
do alto é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada,
tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parciali-
dade, e sem hipocrisia" (Tiago 3.17).
Finalmente, o orgulho pode impedir que a profecia pesso-
al se cumpra. Encontramos um exemplo disso em 11 Reis S,
quando Naamã, o general do exército da Síria, que era lepro-
so, queria que o profeta Eliseu o curasse. Quando Eliseu en-
viou seu mensageiro a Naamã dizendo-lhe que se submergis-
se no rio Jordão para que fosse curado, este se irou. Seu or-
gulho pessoal foi ferido porque Eliseu não saiu para recebê-

77
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

lo e seu sentido de orgulho nacional foi ferido porque o rio


Jordão estava em Israel e não na Síria. A passagem bíblica
nos diz que depois de um período de tempo, Naamã se humi-
lhou e obedeceu às instruções de Eliseu, e sua obediência à
palavra profética produziu sua cura. A disposição de Naamã
em deixar de lado seu orgulho e agir em obediência ativaram
a profecia para que esta se cumprisse.

2. Gravar, ler e meditar em sua profecia


Um dos princípios importantes para responder apropria-
damente à profecia pessoal é gravar o que está sendo dito e
depois transcrever para, assim, poder ler e meditar nela. O
apóstolo Paulo disse a Timóteo: "Não desprezes o dom que
há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das
mãos do presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para
que o teu progresso seja manifesto a todos" (I Timóteo 4.14,15).
Nesta porção bíblica, Paulo estava recordando a Timóteo que
ele havia recebido um dom através da profecia, quando o
presbitério profético havia ministrado a ele. Além disso, re-
cordou-lhe que não descuidasse do dom que havia nele. Pau-
lo também lhe disse que meditasse sobre suas profecias pes-
soais para que tudo o que lhe havia sido declarado se mani-
festasse e fosse de proveito para todo o corpo de Cristo.
Isto nos leva a perguntar: Como Timóteo poderia meditar
nas palavras que haviam sido declaradas sobre ele pelo pres-
bitério profético, a menos que as tivesse escrito? Obviamen-
te, aqueles que estavam próximos a Timóteo conheciam o
antecedente bíblico de escrever e meditar sobre o que Deus
havia dito. As seguintes passagens bíblicas nos mostram como
é importante anotar e meditar na palavra profética: Habacu-
que 2.2; Apocalipse 2.1; Isaías 8.1; Jeremias 36.2; Ezequiel 2.10;
3.1-3; Zacarias 5.1-4; Josué 1.8; Salmos 1.2; 19.14; 39.3; 63.6.
Muitas das profecias que recebi, nos primeiros anos de meu
ministério (nas décadas de 1950 e 1960), não puderam ser
gravadas em fitas de áudio, devido ao fato de os equipamen-
tos de som não serem muito acessíveis. Ainda assim, algumas

78
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

profecias foram gravadas usando equipamentos que podiam


ser adaptados; permitindo, por último, a transcrição delas.
Hoje em dia, podemos gravar com mais facilidade e sempre
devemos fazer uso destes recursos, quando estamos minis-
trando uma profecia pessoal.
Quando não damos a importância suficiente no gravar a
palavra profética, com o tempo, perde o seu valor, já que os
detalhes da profecia são esquecidos facilmente. Isto se torna
mais evidente quando a profecia é extensa, devido ao fato da
mente humana somente poder reter uma porcentagem limi-
tada do que ouve. Falo-lhes por experiência. Pessoalmente,
só posso recordar duas ou três frases das milhares de pala-
vras que foram declaradas profeticamente sobre mim e que
nunca foram gravadas. Em síntese, não podemos responder
a profecia pessoal adequadamente, a menos que a tenhamos
gravado, lido e entendido claramente.
Por esta razão, requer-se uma preparação adequada antes
da ministração. Quando o presbitério profético ministra, es-
tas pessoas normalmente farão os preparativos necessários
para gravar tudo.
Outro dos benefícios que podemos receber, ao ter a profe-
cia gravada, é que podemos compará-la com outras palavras
que tenhamos recebido anteriormente. Em linhas gerais, as
palavras proféticas tendem a compartilhar a mesma idéia, ou
fazem uso de palavras similares, sem importar que as decla-
rações proféticas provenham de pessoas diferentes que não
têm prévio conhecimento do que foi dito em outras ocasiões.
Esta harmonia profética confirma que as palavras são genuí-
nas e que provêm do Senhor, porque estão sendo confirma-
das pela boca de várias testemunhas.
Além de beneficiar a pessoa que recebe a palavra proféti-
ca, a gravação protege o profeta. Algumas pessoas interpre-
tam mal ou alteram o que ouvem ou o que elas crêem que
escutaram na profecia. Então, o que se recorda pode ser apli-
cado conforme o desejo egoísta da pessoa e não conforme a
vontade de Deus.

79
Apóstolos e Profetas I Hedor Torres

Outra vantagem de gravar, escrever e meditar na profecia


pessoal é que isto nos revela a possibilidade de a palavra ter
mais de uma interpretação. Por muitas vezes, a maneira, como
entendemos a palavra inicialmente não é a mais apropriada
ou real. Em uma ocasião, visitei um ministro para que ele me
desse uma palavra profética concernente a uma necessidade
financeira que tinha, e que era muito urgente. Nessa época,
eu havia atrasado o pagamento de uma dívida de quarenta
mil dólares. A profecia que recebi dizia: "Suprirei tua neces-
sidade, porque negar a ti seria negar a mim mesmo". Saí dali
confiando que o Senhor havia suprido minha necessidade,
mas não foi assim. Mais tarde, perguntei ao Senhor porque
Ele não havia cumprido Sua promessa. O Senhor respondeu:
"Sim, o fiz. Dei a provisão que te prometi através de meu
servo. Crias que tua maior necessidade era esse pagamento,
mas Eu vi uma necessidade maior que o dinheiro e a cumpri
fielmente". Então, o Senhor iluminou minha mente para que
eu pudesse entender a grande provisão que Ele havia me
dado naquela noite. À luz desse exemplo, sempre devemos
repassar as profecias, seja com o pastor ou com um ancião
da igreja, que creiam e entendam a profecia pessoal. Outras
pessoas também podem nos ajudar para estarmos seguros
de que não mudamos a mensagem ou interpretamos mal a
profecia.
Por último, conhecendo que devemos gravar, escrever e
meditar a respeito da palavra profética, temos que entender
que não devemos tomar decisões importantes ou chegar a
conclusões rápidas que se baseiem na palavra profética que
estamos recebendo naquele dado momento. Quando recebe-
mos palavra profética, é melhor ouvi-la atentamente, em ati-
tude de oração para, então, não chegar a conclusões antes de
ter a oportunidade de transcrevê-la. No momento de receber
a ministração, devemos nos manter atentos ao Espírito quan-
do Ele está dando testemunho acerca do espírito do profeta e
da inspiração e motivação divina, em lugar de estar julgando
ou avaliando a profecia naquele instante. Algumas condições,

80
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

como nosso estado emocional, mental e a postura física po-


dem ser barreiras que impedem avaliar a profecia correta-
mente.

3. Dar testemunho da profecia


Como sabemos que a palavra profética é verdadeira? Da
mesma maneira que sabemos que somos filhos de Deus: "O
mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos fi-
lhos de Deus" (Romanos 8.16). A profecia é provada median-
te princípios bíblicos e usando o critério adequado para jul-
gá-la. Mas, principalmente, recebemos testemunho da profe-
cia em nosso espírito.
Algumas vezes tenho ouvido pessoas dizerem: "Não senti
o testemunho do Espírito nessa palavra". Contudo, depois
de interrogá-las, entendi que algumas delas queriam expres-
sar que a profecia não se acomodava à sua teologia. Outras
pessoas não gostavam do que tinha sido dito a elas e raciona-
lizavam de maneira negativa o que foi profetizado. Nestes
casos, equivocaram-se ao assumir que testificamos com nossa
mente carnal, ou com as emoções, ou com a vontade ou con-
forme a nossa própria opinião, desejos ou objetivos.
Para poder dar testemunho acerca de uma palavra profé-
tica, devemos discernir entre a alma e o espírito. O âmbito
espiritual do homem é o lugar aonde o amor divino e a fé
operam; a alma contém nossas emoções, vontade, imagina-
ção e desejos; e a carne se conforma aos nossos cinco sentidos
e inclui nossos sentimentos.
Nosso raciocínio está na mente, não no espírito. Devido a
isto, nossas tradições, crenças e opiniões não devem ser usa-
das como base para aceitar a verdade profética. Na realida-
de, estas faculdades, com freqüência, trazem dúvida, confu-
são, ressentimento, rejeição e rebelião contra a verdadeira
profecia pessoal. Algumas vezes nossa mente diz: "Não",
enquanto nosso coração nos diz: "Continue", A alma nos diz
"Não entendo", enquanto nosso espírito diz: "Confia no Se-
nhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio

81
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

entendimento; reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele


endireitará as tuas veredas" (Provérbios 3.5-6).
Como exemplo, consideremos o que aconteceria se um ca-
tólico devoto recebesse uma profecia dizendo-lhe que não
adorasse a Maria. Ele estaria de acordo com essa palavra?
Provavelmente não, e a rejeitaria, devido à tradição e devo-
ção à "virgem Maria". Também se fosse profetizado o batis-
mo em água por imersão a um presbiteriano, ou o falar em
línguas a um batista tradicional, todos reagiriam da mesma
maneira.
O problema que enfrentamos, hoje em dia, é que muitos
cristãos não sabem discernir entre as reações negativas da
alma e a ausência do testemunho do espírito. A reação do
espírito se origina no mais profundo do nosso ser. Alguns
crentes dizem que a manifestação física é uma sensação na
"boca do estômago" ou na parte baixa do peito. Quando o
espírito reage a algo negativo, freqüentemente se manifesta
com nervosismo, intranqüilidade, ou com um sentimento que
não se pode expressar, que nos diz que alguma coisa não está
bem. Este é o espírito dizendo-nos: "Não"! "Tenha cuidado!"
ou "Algo está errado".
Podem-se "ler" corretamente estas reações, quando esta-
mos mais sintonizados com nosso espírito do que com nossos
pensamentos. Se é a mente que provoca essas reações; então,
pode ser que estejamos tendo uma reação da alma em lugar
do testemunho do Espírito.
Quando o Espírito de Deus dá testemunho positivo ao nos-
so espírito de que a palavra profética é correta, que provém de
Deus e que está de acordo com o propósito divino e com a Sua
vontade; então, nosso espírito refletirá o Fruto do Espírito San-
to. Haverá uma profunda paz, um gozo inexplicável e uma sen-
sação de amor e regozijo. Esta sensação é a confirmação de que
o Espírito Santo está dando testemunho ao nosso espírito de
que tudo está em ordem, ainda que nesse instante não enten-
damos tudo o que nos é dito, ou nossa alma não possa captar
imediatamente tudo o que foi declarado.

82
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

Não tome decisão se você não tem o testemunho do Espírito. Se


não há nenhuma reação ou sensação em seu espírito, e so-
mente há dentro de você um sentimento neutro, então deve
"esperar para ver". Se o Espírito nos diz: "Não há razão para
emocionar-se, ou não há nada para se preocupar", tem que
esperar; enquanto deve confiar, obedecer, crer e fazer tudo o
que sabemos que devemos fazer. Se a profecia é de Deus, ela
se cumprirá e, desta maneira, executaremos a vontade de
Deus.
Por último, para testemunhar a palavra profética, temos
que entender os conceitos nova revelação e confirmação. Infeliz-
mente, alguns ensinam que a profecia é somente para confir-
mar. Este ensino sugere que devemos rejeitar todas aquelas
profecias pessoais que apresentam uma idéia totalmente nova.
Esta linha de pensamento acrescenta que Deus somente fala
profeticamente acerca das coisas que já temos sentido, em
nosso espírito; e que isto é a confirmação. Isto seria o ideal,
mas não é sempre o que acontece.
Sem dúvida alguma, é mais fácil receber e dar testemunho
da profecia quando esta é uma confirmação do que foi recebi-
do anteriormente. Entretanto, creio que nos enganamos quan-
do insistimos que Deus tem que nos falar primeiro e quando
pensamos que Ele nunca inspiraria um profeta para nos de-
clarar algo totalmente novo. Na realidade, creio que ao pen-
sar desta maneira, estamos exaltando nosso ego. Estamos
dizendo que Deus sempre tem que submeter-se a este méto-
do antes que nos possa falar através de outra pessoa. Esta
crença não tem base bíblica
Podemos apresentar alguns exemplos bíblicos que demons-
tram que Deus pode sim, através de um profeta,. declarar algo
novo a uma pessoa. Por exemplo, Davi, o jovem pastor de
ovelhas, foi ungido por Samuel, o qual profetizou que este se
transformaria em rei. Em nenhum lugar, encontramos evi-
dência de que este jovem havia sonhado ser rei de Israel.
Vejamos outros exemplos. Eliseu era um agricultor sem
planos de entrar no ministério até que Elias revelou que ele

83
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

seria um profeta. Jeú não tinha idéia de que seria rei de Israel
até que Elias o declarou. Paulo recebeu sua primeira revela-
ção de que seria um apóstolo aos gentios, não da parte de
Jesus no caminho a Damasco, nem tampouco diretamente do
Espírito Santo. Ele a recebeu de Ananias, quando este profe-
tizou e lhe ministrou cura.
Não podemos rejeitar a palavra do profeta ou considerá-
la incorreta simplesmente porque não consideramos a possi-
bilidade de fazer aquilo que está sendo profetizado. Deus
usa os profetas para expressar verdades novas não somente à
Igreja, mas também às pessoas. Devemos examinar a fundo
toda palavra profética antes de rejeitá-la.
Quando recebemos uma nova revelação através de uma
profecia pessoal, o melhor é considerar a palavra, escrevê-la
e orar sobre ela. Também devemos esperar e ver o que acon-
tece; devemos ser flexíveis, acessíveis e ter um coração aber-
to. Quando Deus abre as portas, na área indicada, já sabemos
que é de Deus porque já recebemos a confirmação da parte
dEle. A confirmação profética muitas vezes chega antes de
nos darmos conta de que a necessitamos.

4. Pelejar a boa batalha


"Esta instrução te dou, meu filho Timóteo, que, segundo
as profecias que houve acerca de ti, por elas combatas o bom
combate" (I Timóteo 1.18). Paulo disse a Timóteo que ele de-
veria fazer mais do que somente meditar nas profecias; ele
lhe disse que as utilizasse para batalhar. Podemos tomar as
profecias pessoais que temos visto e comprovado que são
verdadeiras, e podemos guerrear baseando-nos nelas. Os reis
de Judá e Israel, como Davi e Josafá, venceram os seus inimi-
gos ao confiar na profecia pessoal que receberam da parte do
profeta.
Josué também recebeu uma palavra específica acerca da
cidade de Jericó, e vemos como estas palavras, declaradas a
ele e a Josafá, proveram a estratégia para fazer o que tinham
que fazer, e no tempo preciso de Deus. Este tipo de palavra

84
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

pode ser considerado uma profecia pessoal. Eles obtiveram a


vitória porque os líderes seguiram a direção específica que o
Senhor lhes havia dado para essa situação em particular.
Guerrear espiritualmente implica constância e a profecia
pessoal nos dá o poder para perseverar. O apóstolo Paulo
suportou com alegria grandes sofrimentos porque um servo
de Deus havia profetizado que era a vontade de Deus que ele
sofresse por causa de Jesus Cristo essas penalidades. "E eu
lhe mostrarei o quanto deve padecer pelo meu nome" (Atos
9.16).
Quando tomamos a profecia que nos é dada, e com ela
guerreamos espiritualmente, sabemos que isso trará como
resultado a perfeita vontade de Deus. Ao confiarmos em Deus,
seremos abençoados, mas também devemos crer no que di-
zem os profetas para sermos prósperos (lI Crônicas 20.20).

5. Não tome uma decisão definitiva a menos que receba


instrução específica
Quando uma pessoa recebe uma profecia que faz referên-
cia ao que Deus fará em sua vida, ou o chamado que ele ou
ela tem, o que se deve fazer?
Olhemos um exemplo. Um jovem que se consagrou ao Se-
nhor e está estudando leis, recebe uma profecia pessoal que ele
foi chamado para ser pastor. Ele deve deixar de estudar e in-
gressar no ministério? Deve terminar seus estudos? Deveria
mudar sua carreira? Ao considerar todas as suas opções, como
seria a maneira correta de responder a palavra que lhe foi dada?
De acordo com o padrão bíblico, este jovem não deve
mudar nada a menos que lhe sejam dadas instruções específi-
cas. Se Deus não dá uma direção concreta sobre o que deve-
mos fazer, é melhor continuar com o que estávamos fazendo
antes de receber a palavra profética. Devemos ter isto em
conta mesmo que nos seja dito que no futuro faremos proe-
zas. Davi foi chamado de onde pastoreava as ovelhas e Sa-
muel o ungiu como rei sobre Israel. Mas o Senhor não lhe
disse como nem quando se cumpriria isto. Tampouco lhe dis-

85
Apóstolos e Profetas I Heelor Torres

se que passos ele deveria seguir. Era simplesmente uma de-


claração profética. Depois desta cerimônia, Davi retomou ao
ministério de pastorear ovelhas, exercitar-se com a funda,
aprender a cantar e a tocar a harpa para ministrar ao Senhor.
Davi recebeu a palavra de que iria ser rei quando ainda era
bem novo, e durante esse tempo, a única coisa que podia fa-
zer era esperar o tempo de Deus e manter-se ocupado até o
dia em que a profecia se cumprisse (I SamueI16). Toda profe-
cia real que fala no tempo futuro, inclusive as nossas, deve
esperar o tempo de Deus para o seu cumprimento.
Por outro lado, quando a profecia recebida inclui instru-
ções específicas e unção para tomar decisão imediata; então,
devemos fazer o que nos é dito (lI Reis 9); como, por exem-
plo, Jeú, um dos capitães do exército de Israel, que recebeu
este tipo de profecia. Eliseu comissionou um dos seus profe-
tas para que levasse um vaso de azeite até Ramote-Gileade e
ali deveria ungir a Jeú como rei de Israel e, a seguir, tinha que
fugir. Este mensageiro não somente ungiu a Jeú como rei,
mas também profetizou a destruição da dinastia de Acabe, o
que Elias já havia profetizado anteriormente.

6. Conheça os princípios universais de Deus


Deus tem requisitos, diretrizes e princípios divinos que
devem operar na ordem adequada para que o que foi estabe-
lecido por Ele funcione. Da mesma maneira que há leis natu-
rais no Universo e na natureza, também há leis bíblicas espi-
rituais que nos mostram como obter e suprir nossas necessi-
dades pessoais e ministeriais.
Para que a água se forme, é necessária a combinação cor-
reta de hidrogênio e oxigênio (H20). Para que um avião voe,
ele deve ter o desenho e o empuxe correto. Este deve estar
de acordo com as leis da aerodinâmica para superar a lei da
gravidade e para que, por sua vez, possa decolar, manter um
vôo controlado e aterrissar normalmente. A profecia pessoal
é como o avião, nossa capacidade de alcançar e satisfazer o
que foi declarado depende do cumprimento de certas leis.

86
o Cumprimento de sua Profecia Pessoal

Por exemplo, imagine que alguém lhe dê um automóvel


para que você faça uma viagem ao redor do país. Você acre-
dita que somente tendo um automóvel isso garantirá que che-
gará a seu destino? Não! Você como condutor tem a respon-
sabilidade de tomar as precauções necessárias para que o au-
tomóvel o leve aonde você deseja ir. Você deve manter o
tanque do combustível cheio, o motor lubrificado, água no
radiador e os pneus em boas condições. O fato de que você
recebeu uma profecia pessoal que lhe mostrou o que fará, ou
em quem se tomará, ou como cumprirá suas metas pessoais e
ministeriais, não garantirá que você chegará à realização pes-
soal dessa declaração.
Para isso, você deve manter seu "automóvel" cheio do com-
bustível da fé e da obediência. Deve tomar as precauções para
ter a quantidade correta do azeite da confiança e guardar o
nível apropriado da água de alegria.
A profecia pessoal é similar ao processo de preparar um bolo
no fomo. Todos os ingredientes necessários devem ser acres-
centados, na proporção adequada; ser misturados até ter a con-
sistência apropriada, e depois devem assar no fomo por um
tempo adequado. Somente depois deste processo, o bolo terá a
forma e o sabor que fará com que outros queiram desfrutar dele.
A profecia pessoal é como obter respostas a nossas ora-
ções. Jesus declarou que "o que pedirmos, Ele nos dará". "Em
verdade, em verdade vos digo que tudo o que pedirdes a meu Pai, em
meu nome, ele vos dará" (João 16.23). Ainda, assim, muitos cris-
tãos "pedem" em oração muitas coisas, mas nunca recebem
respostas. As palavras de Jesus são falsas ou inexatas quando
os cristãos declaram estes versículos e nada acontece? Deve-
mos deixar estes versículos de lado e dizer que eles não são
de Deus porque não recebemos repostas? Claro que não! Para
que a oração seja respondida, da mesma forma como o bolo é
preparado, esta deve ter os ingredientes necessários e não
ser somente um ato de "pedir".
Tiago declara: "Pedis e não recebeis porque pedis mal, para o
gastardes em vossos prazeres" (Tiago 4.3). Aqui podemos ver quais

87
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

são os ingredientes adicionais: pedir corretamente e com a


motivação apropriada. Outras passagens bíblicas, tais como
Marcos 11.24 e Hebreus 11.6, revelam que a "fé" deve ser
acrescentada às nossas orações para que estas sejam respon-
didas.
De igual forma, isto pode aplicar-se à profecia pessoal. Exis-
tem certas atitudes e ações que devem misturar-se e serem
deixadas fIno forno do tempo de Deus" antes de serem cum-
pridas. Assim como o automóvel necessita de manutenção
para ser usado como meio de transporte, a profecia pessoal
também não se cumprirá a menos que aprendamos a respon-
der corretamente à voz de Deus.
Resumindo, desejo que você memorize e medite nas res-
postas apropriadas para a profecia pessoal até que as incor-
pore à sua vida e ministério. Confie em Deus para ser estabe-
lecido, creia nas profecias pessoais e peleje a boa batalha com
elas de maneira que você possa prosperar e ser vitorioso em
sua vida e em seu ministério.
Destas linhas proféticas, podemos concluir que receber a
profecia não é suficiente. Devemos também responder corre-
tamente para ver seu cumprimento. Recordemos estes seis
princípios.

1. Ter os conceitos corretos acerca da fé, obediência, paci-


ência, humildade, mansidão e submissão;
2. Estar disposto a gravar, ler e meditar nas palavras pro-
féticas que recebe;
3. Aprender a discernir corretamente para poder dar tes-
temunho das profecias;
4. Estar disposto a pelejar a boa batalha;
5. Não tomar uma decisão definitiva a menos que receba
instruções específicas para fazê-lo;
6. Conhecer os princípios universais de Deus.

88
7
Precursores das Mudanças

eus envia os profetas em resposta ao clamor de Seu

D povo. Estes preparam o caminho para um despertar de


Deus, profetizam vida onde não existe e preparam os
corações para uma visitação especial do alto. Quando uma ge-
ração parece estar sem vida ou esperança, sempre há um rema-
nescente de homens e mulheres fiéis que servem e oram ao
Senhor por um derramamento do Seu Espírito; por mudanças
em uma sociedade pecadora e corrupta que se afastou dEle.
Nos tempos de Zacarias, o povo de Israel vivia debaixo da
mão da conquista romana. Jehová não falava ao Seu povo por
mais de quatrocentos anos. As condições que prevaleciam
eram de caos e desesperança. No entanto, encontramos uma
multidão fiel que intercedia diante do trono de Deus e um
sacerdote que oferecia incenso no santuário.

Exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, na ordem do seu


turno, coube-lhe por sorte, segundo o costume sacerdotal, en-
trar no templo do Senhor para oferecer o incenso. Chegada a
hora de oferecer o incenso, toda a multidão do povo estava fora,
orando. Lucas 1.S-1O

A passagem nos diz que Zacarias encontrava-se orando,


dentro do templo, pois ao oferecer incenso, há intercessão
(Salmo 141.2). Ao mesmo tempo, fora do templo, encontra-
va-se uma multidão que também clamava a Jehová.
Na Bíblia, encontramos muitos exemplos que indicam que
Deus responde ao clamor de Seu povo. Sempre que Israel se

89
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

encontrava em tempos de crises e algum servo ou serva cla-


mavam a Jehová, Deus enviava um anjo para avisar-lhes que
sua oração foi ouvida e geralmente, em resposta, enviava um
profeta para preparar o povo para uma visitação especial.

Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas. A tua oração foi
ouvida. Lucas L13a

A resposta foi a chegada do profeta João, nome que signi-


ficava favor e graça. João foi o precursor de Jesus, ou seja,
veio na frente para preparar o povo para a vinda do Salvador
(Lucas 1.16-17). Mas, quando Jesus veio, o povo não O reco-
nheceu. Então, chorando sobre a cidade de Jerusalém, Jesus
proclamou juízo sobre ela.

Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizen-


do: Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que à tua
paz pertence! Mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Dias
virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trinchei-
ras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados. Derrubar-te-
ão, a ti e a teus filhos, que dentro de ti estiverem. Não deixarão
em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo da
tua visitação. Lucas 19.41-44

Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas, eapedrejas os que


te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos,
como agalinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós
não o quisestes. Lucas 13.34

O clamor dos profetas é para unir o povo de Deus. Eles


desejam que o povo de Deus se arrependa e busque o rosto
de Deus, para que assim receba a graça e o favor dEle. João,
o Batista, apresenta-se diante de uma nação cativa, mas que
tinha um remanescente de intercessores clamando em oração
pela misericórdia de Deus. A maior oposição aconteceu, na
ordem religiosa, isto é, os sacerdotes e levitas. Todos os que

90
Precursores das Mudanças

estavam "como cabeça religiosa do povo" viam com temor a


possibilidade de perderem o controle sobre o povo de Deus.
Por isso, Deus levanta precursores proféticos para chamar
um povo idólatra e pecador ao arrependimento, para levan-
tá-lo do vale dos ossos secos e profetizar sobre ele.

Filho do homem, dirige o teu rosto para os montes de Israel;


profetiza contra eles. Ezequiel 6.2

Portanto profetizei como se me deu ordem. Enquanto eu profe-


tizava houve um ruído, um barulho, e os ossos se ajuntaram,
cada osso ao seu osso. Olhei, e vieram nervos sobre eles, e cres-
ceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles, mas não havia neles
espírito. Então, ele me disse: Profetiza ao espírito; profetiza, ó
filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus:
Vem dos quatro ventos, ó espírito, eassopra sobre estes mortos,
para que vivam. Profetizei como ele me ordenara, então o espí-
rito entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exército
grande em extremo. Ezequiel 37.7-10

A oração intercessora derrama um espírito profético. Nas


Escrituras, é-nos dito que Zacarias foi cheio do Espírito Santo
e profetizou dizendo:

Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu


o seu povo. Lucas 1.68

Ana foi outra das precursoras da visitação do Messias. A


Escritura nos diz que ela era uma profetiza de idade avança-
da, viúva de quase 84 anos e serva de Deus com espírito de
intercessão que servia no templo com jejuns e orações (Lucas
2.36-38). Hoje em dia, como aconteceu com João Batista e Ana,
Deus está levantando o ministério profético e ministros no
ofício de profetas como precursores para a maior visitação da
história da Igreja. Estamos entrando em um tempo novo, uma
nova geração, que cremos será possivelmente a última. Se isto

91
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

é certo, a Igreja está vivendo os momentos de preparação


para a volta do Senhor Jesus. A Igreja tem o chamado profé-
tico de anunciar a vinda do Senhor, de chamar ao arrependi-
mento e de declarar publicamente às autoridades seu peca-
do, tal como fez João o Batista com Herodes.
As promessas de Deus para o final dos tempos incluem
um derramamento sem precedentes do Espírito de Deus so-
bre toda a face da Terra. A promessa é que a Terra inteira
será cheia do conhecimento da glória de Deus. A promessa
de uma segunda chuva maior que a primeira nos traz aos dias
em que vivemos. O que os discípulos viram e fizeram, no
livro dos Atos, é somente uma direção para a Igreja do final
dos tempos - que é a presente - tenha um modelo para
estabelecer o Reino de Deus na Terra.
O ministério profético e o ofício de profeta são parte do
fundamento necessário para despertar a Igreja em seu cha-
mado de guerra espiritual e intercessão. Esta é a maneira de
colocar o inimigo debaixo de nossos pés (Hebreus 10.13; I
Coríntios 15.23-25), destruir as obras do maligno e estabele-
cer o senhorio de Cristo na Terra. Uma vez que isso seja rea-
lizado, Cristo virá para reinar sobre todo o mundo e assim
permanecerá pelos séculos dos séculos (Apocalipse 11.15).
O precursor é aquele enviado para romper a brecha, para
abrir o campo, para aplanar. Mas, cada vez que se traz men-
sagem profética de Deus para as regiões, cidades e nações,
chega uma forte oposição da parte das instituições religiosas
e da liderança eclesiástica. Isto se deve, muitas vezes, ao fato
de que o orgulho e o desejo de poder os impedem de ver o
que está acontecendo, pois o coração fica endurecido para
receber um fresco mover do Espírito Santo. Toda esta resis-
tência se baseia no desconhecimento que a Igreja tem sobre o
ofício de profeta. Nestes tempos, estamos sendo testemunhas
da restauração deste ministério tão importante para a conclu-
são da Grande Comissão.
O reconhecimento do ministério profético tem estreitado
o lugar de comodidade para os líderes no Corpo de Cristo.

92
Precursores das Mudanças

Sua mensagem de tocar trombeta e dar o alarme não é aceita


por aqueles que têm baseado seus ministérios, impérios e
mega-igrejas nas promessas de Deus que são condicionais à
fé e à obediência. Estes são rápidos em esquecer o juízo de
Deus sobre cidades e nações e ignoram as mensagens dos
profetas sobre Aquele que é o Deus de paz e justiça. Esse é o
Senhor que promete derramar Seu juízo sobre as nações des-
te mundo.

Precursor na América Latina


Por mais de uma década, o Senhor nos tem enviado a nu-
merosas cidades e nações para declarar a mensagem proféti-
ca de Deus para elas. A história de nosso ministério tem sido
de ir à frente e convocar o povo de Deus à unidade, interces-
são e guerra espiritual.
Nesta peregrinação, o Senhor nos levou à Ásia, África, Eu-
ropa e toda a América e, posso dizer, que na maioria das
ocasiões que recordo, fomos convidados para conduzir o pri-
meiro congresso, o primeíro seminário, a primeira conferência, a
primeira oficina, etc., nos assuntos de intercessão, guerra espi-
ritual, profecia, movimento apostólico, entre outros. Como
em todo novo projeto, inicialmente recebemos pouco apoio e,
em alguns casos, severa oposição da liderança estabelecida.
Isto é de se esperar. Sempre foi assim na Bíblia.
Em cidades como Cali, Panamá, Maracaibo, La Paz, Santo
Domingo e algumas outras, a liderança abraçou com alegria a
mensagem de Deus. Como resultado, iniciaram-se processos
de transformação, nestas comunidades, que já são notórios
em todo o mundo. Isto me faz recordar a história de Nínive e
sua receptividade à mensagem do profeta Jonas, que provo-
cou o perdão de Deus sobre o juízo já decretado devido ao
arrependimento, à intercessão e ao jejum dos moradores da
cidade.
Por outro lado, em cidades como Medellín, México, Cara-
cas, Asunción, Lima, Miami, entre outras, a receptividade não
foi a mesma. Estes lugares, com exceção de Medellín, estão

93
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

longe de experimentar uma visitação de Deus, mas isto já está


começando a mudar. Contudo, é bom recordar a ,queda de
Jerusalém nas mãos de seus inimigos devido à oposição aber-
ta aos profetas.
Em cidades norte-americanas como Toronto, Nova Yor-
que, Boston, Reno, Deus nos usou através da igreja de fala
hispana para começar um processo de transformação e para
estabelecer uma visão do senhorio de Deus nelas.
Comunidades e nações inteiras estão experimentando uma
visitação de Deus e, como conseqüência, estão começando seu
processo de transformação. Isto produz no indivíduo ou na
comunidade um realinhamento das forças, tanto políticas como
religiosas. Dirige nosso esforço para alcançar uma meta e,
por outro lado, dá-se a confrontação com as forças opostas.
Quando chega neste ponto, a igreja é chamada para tomar
posição de ataque e a não se deixar intimidar por seus adver-
sários. Quando a igreja, na confiança de seu Mediador e Ad-
vogado, resiste aos ataques, rapidamente experimenta a li-
bertação pela mão de Deus.
A Igreja na Colômbia é um exemplo perfeito disto. Atual-
mente, neste belo país, as pessoas estão vivendo dias difíceis
em conseqüência de uma grande oposição de forças maneja-
das por potestades de trevas para neutralizar a visitação de
Deus. A palavra de ânimo e esperança é a demonstração dada
pela história de que a adversidade e a perseguição produzem
um incrível crescimento.
Os tempos em que vivemos desafiam a Igreja não somente
a reter o que tem, mas também a tomar posse do que não
tem. Chegou o momento de reclamar à Terra o que Deus nos
deu! E para isto, é necessário ouvir o que dizem os profetas.

Credg no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus


profetas, e prosperareis. II Crônicas 20.20b

O mundo incrédulo está clamando por uma voz profética


para os tempos em que vive e como não a encontra, nas igre-

94
Precursores das Mudanças

jas, corre para os que praticam o ocultismo, a parapsicologia e


a adivinhação. Temos que realinhar nossas vidas e nossos mi-
nistérios com o fluir do rio de Deus. A ordem à Sua igreja é
entrar em batalha com uma promessa de vitória e não de der-
rota. Não é tempo de negociação para fazer acordo com os
termos de paz. O Deus de paz já ganhou a guerra na cruz e
promete aniquilar Seus adversários.

95
8
o Apóstolo nos
~

Ultimos Tempos

Dr. C. Peter Wagner

Meus estudos sobre crescimento de igrejas me levaram a


inexorável conclusão de que o segmento do mais rápido
crescimento no cristianismo, durante a década de 1990, nos
cinco continentes, é o que chegou a ser reconhecido como o
"Movimento pós-denominacional". Inerente às igrejas pós-
denominacionais se acha uma estrutura comumente conheci-
da como "A Rede Apostólica", na qual tanto o dom como o
ofício de apóstolo são reconhecidos e aceitos.

or muitos anos, o ministério do apóstolo foi ignorado

P pela Igreja. Atualmente vemos como Deus está levan-


tando, no mundo inteiro uma nova geração de líderes
que são reconhecidos por seus dons e chamados para serem
apóstolos da Igreja. Estes têm uma comissão e um compro-
misso com sua tarefa e como o apóstolo Paulo podem dizer:
" ... Não fui desobediente à visão celestial" (Atos 26.19).
Definitivamente creio que David Cannistraci disse isso me-
lhor do que ninguém: "Eu não creio que os apóstolos são mais
importantes do que qualquer pessoa de outros ministérios como
os pastores ou mestres, mas creio que são da mesma importân-
cia. Ainda mais, sem a restauração do ministério de apóstolos,
os demais ministérios estão incompletos. Estamos no tempo

96
o Apóstolo nos Últimos Tempos

exato para novamente dar-lhes o lugar correspondente com os


demais dons essenciais que Cristo deu à Sua Igreja".28
Para compreender o significado do ministério apostólico é
necessário, que primeiramente entendamos o significado da
palavra apóstolo. No passado, muitos consideraram o dom
de apóstolo como o de missionário. Este último deriva-se do
latim missionarius e define-se como um enviado para fazer uma
obra religiosa, em uma cultura alheia ou na própria, e seu
significado é diferente do encontrado no texto grego.
O Dr. Wagner define o trabalho do missionário como "a
capacidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo
de Cristo para ministrar a uma segunda cultura qualquer ou-
tro dom espiritual que possam ter".29 Dessa forma, insiste na
diferença de ministérios entre os apóstolos Pedro e Paulo.
Pedro, como apóstolo aos judeus, não cruzou culturas enquan-
to Paulo foi chamado para ir aos gentios, pois era não somen-
te apóstolo, mas também missionário.
O termo grego para apóstolo é apostolos e sua raiz é tradu-
zida como alguém que é enviado de um lugar para outro a fim
de realizar uma tarefa específica. Em tempos antigos, usava-se
para descrever um oficial da Marinha, geralmente um almiran-
te ou um indivíduo responsável por uma frota de barcos. Usa-
va-se também para referir-se a um emissário ou um embaixador.
Quando os barcos zarpavam para estabelecer uma nova colô-
nia chamava-se de apóstolos ao almirante e sua tripulação.
Os apóstolos são os delegados para uma missão. Repre-
sentam seus comandantes e executam suas ordens. As pala-
vras apostolos e apostellos significam literalmente mensageiros ou
enviados. O termo apóstolo aparece setenta e nove vezes no
Novo Testamento. Destas, vinte e oito no livro dos Atos e
trinta e oito nas outras epístolas. Em algumas ocasiões é in-
terpretado como mensageiro.

Quanto a Tito, é meu companheiro e cooperador para convos-


co; quanto a nossos irmãos, são embaixadores (mensageiros)
igrejas, e glória de Cristo. II Coríntios 8.23

97
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão,


cooperador e companheiro nos combates, e vosso enviado (mensa-
geiros) para prover às minhas necessidades. Filipenses 2.25

Na B{blia Plenitud, apóstolos é definido como "um mensagei-


ro especial, um delegado, alguém comissionado para uma ta-
refa ou uma função específica; alguém que é enviado com uma
mensagem. No Novo Testamento, a palavra refere-se aos doze
discípulos originais e a outros líderes proeminentes". 3030
Em Efésios 4.11-16, é-nos dito que é um dos dons dados
para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério e para a
edificação do Corpo de Cristo. O Dr. C. Peter Wagner, em seu
livro "Descubra seus dons espirituais", define o termo assim:

o dom de apóstolo é a capacidade especial que Deus dá a certos


membros do Corpo de Cristo que lhes permite assumir eexercer
liderança sobre um número de igrejas com uma autoridade ex-
traordinária em assuntos espirituais que é espontaneamente
reconhecida e apreciada por aquelas igrejas.

o apóstolo é a pessoa que Deus deu aos pastores e líderes de


igrejas. É a pessoa a quem todos vão pedir conselho e ajuda. É
capaz de acalmar rancores e trazer a paz, encontrar a causa do
que vai mal, resolver os problemas. Podefazer pedidos que pare-
çam autocráticos, mas são aceitos de boa vontade pelos cris-
tãos, que reconhecem seu dom e a autoridade que vai com ele.
Tem sua visão bem enfocada e não está restringida pelos proble-
mas de uma igreja local. 31

O ministério apostólico é levantado por Deus para trazer


reformas. Primeiro, dá a revelação do que está perdido ou
escondido, e, depois, começa a reformar o que não está funci-
onando. Os apóstolos são pioneiros, abrem a brecha para que
as verdades de Deus possam fruir livremente.
O apóstolo John Eckhardt escreve, em seu livro Moviéndo-
nos en lo apostólico: "Os apóstolos têm unção para defender e

98
o Apóstolo nos Últimos Tempos

confirmar a verdade. Caminham com coragem para procla-


mar a verdade ante e apesar de toda oposição e perseguição.
Isto é o que Deus está restaurando na Igreja. Não permita
que isto o confunda ou surpreenda".32 (Tradução do editor)
Os apóstolos do Novo Testamento são os juízes do Antigo
testamento. O desejo de Deus sempre foi governar e dirigir
Seu povo através de Seus juízes. Deus dá este dom de julgar e
tomar decisões conforme a vontade de Deus.
A palavra "julgar" significa dar direção, emitir veredictos.
Assim, pois, Paulo julga a condição espiritual das igrejas em
Corinto e em Éfeso e lhes dá a direção para instituir as refor-
mas necessárias. O profeta Isaías declara:

Restituir-te-ei os teus juízes, como eram dantes, e os teus con-


selheiros, como antigamente. Então te chamarão cidade de jus-
tiça, cidade fiel. Sião será remida com a justiça, e os seus arre-
pendidos, com retidão. Isaías 1.26-27

Quando, nesta passagem, o Espírito fala de juízes refere-


se aos apóstolos, e quando menciona os conselheiros; então,
refere-se aos profetas. Os apóstolos são os que se lançam a
um território desconhecido ou desolado a fim abrir o cami-
nho para mover de Deus. Os profetas são os precursores, ou
seja, os que anunciam e proclamam a direção dos planos de
Deus. Os apóstolos, por sua vez, são os pioneiros que colo-
cam em prática esta palavra.

A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segun-


do lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores
de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, varieda-
des de línguas. I Coríntios 12.28

O ministério apostólico é pioneiro. Jesus, o apóstolo Paulo


e Martinho Lutero foram pioneiros. O apóstolo é o primeiro
a pisar territórios novos. Abre o caminho para que outros
continuem o que Deus começou. São aqueles que revelam as

99
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

verdades que estão escondidas ou perdidas e, por esta razão,


são freqüentemente perseguidos e rejeitados.

Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por
últimos, como condenados à morte. Somos feítos espetáculo ao
mundo, aos anjos e aos homens. I Coríntios 4.9

Os apóstolos são arquitetos espirituais, pois estabelecem


os fundamentos sobre os quais Deus pode edificar Sua Igreja.

Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio
construtor, o fundamento, e outro edifíca sobre ele. Mas veja
cada um como edifíca sobre ele. I Coríntios 3.10

Devemos entender que a dimensão do chamado apostólico


não deve ser considerada com importância exagerada. Ainda
que a Bíblia lhe dê um lugar de proeminência, tanto o aposto-
lado como os outros ofícios ministeriais são dados a seres hu-
manos imperfeitos que não são infalíveis. É fato que nem os
apóstolos, nem o novo movimento apostólico serão perfeitos.
Todo apóstolo e toda fonte apostólica simplesmente represen-
tam uma fração do Corpo de Cristo universal. O Corpo consis-
te de muitos membros e todos têm uma importante contribui-
ção conforme o seu dom para a edificação do mesmo.
Se você deseja conhecer mais sobre o ministério de após-
tolo, eu recomendo o livro do Dr.C. Peter Wagner, "Terremo-
to en la iglesia" (Caribe/Betania Editores, 2000).

Apóstolos na igreja
Pelo que, santos irmãos, particípantes da vocação celestial, con-
siderai a Jesus, o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confis-
são. Hebreus 3.1

Na pessoa de Jesus Cristo, encontramos a plenitude de


todos os ministérios. Como enviado de Deus, Jesus é o apósto-
lo por excelência. Como profeta, o encontramos em Mateus

100
o Apóstolo nos Últimos Tempos

21.11; como evangelista em Mateus 4.23; como pastor em João


.10.11 e como mestre em Mateus 23.8. Além disso, com a auto-
ridade celestial, Jesus escolheu doze homens, aos quais no-
meou discípulos e os comissionou como apóstolos.

Quando já era dia, chamou a si os discípulos, e escolheu doze


dentre eles, a quem também deu o nome de apóstolos: Simão, a
quem chamou Pedro, André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e
Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão,
chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que
foi o traidor. Lucas 6.13-16

Estes são reconhecidos como os doze apóstolos do Cor-


deiro. Contudo, a Bíblia também menciona outros apósto-
los, entre eles: Apolo (I Coríntios 4.6-9), Barnabé (Atos 14.3-
4, 14), Epafrodito (Filipenses 2.25), Erasto (Atos 19.22), Jú-
nia (que era uma mulher, Romanos 16.7), Matias (Atos 1.26),
Paulo (Romanos 11.13), Tiago ou o Tiago (irmão de Jesus,
Gálatas 1.19), Silas ou Silvano (Atos 15.22), Timóteo (I Tes-
salonicenses 1.1; 2.6), Tito (11 Coríntios 8.23) e outros, cujos
nomes não são mencionados e são mensageiros (apostolos, 11
Coríntios 8.23).

Mulheres apóstolos?
Ainda que eu creia que este é um ponto de controvérsia,
simplesmente desejo dar uma opinião baseada no contexto e
no padrão bíblico. Não é minha intenção conjecturar em rela-
ção ao ministério e à autoridade da mulher, pois livros intei-
ros são escritos sobre este assunto, alguns pró e outros con-
tra. Recomendo o livro "Mulheres com um propósito" (N.E.:
Publicado pela DANPREWAN) escrito por Cindy Jacobs, pois
apresenta argumentos claros sobre este assunto.
A cultura do povo judeu e as condições sociais que preva-
leciam, nos tempos de Cristo, junto ao sacerdócio araônico
não permitiram que mulheres fossem nomeadas como após-
tolos. Com a morte de Cristo, uma nova forma de governo é

101
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

restaurada na Igreja, semelhante ao padrão dos juízes, no qual


a mulher podia aspirar a posições mais altas de autoridade.

Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel nesse


tempo. Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Rama
e Betel, na região montanhosa de Efraim, e os filhos de Israel
subiam a ela a juízo. Juízes 4.4-5

Na Biblia Plenitud, lemos: "Em Débora se manifestam as


possibilidades de qualquer mulher moderna que permita ao
Espírito de Deus moldar e encher sua vida, a fim de desen-
volver plenamente suas capacidades para transformar o mun-
do que a rodeia".33
Razões históricas e bíblicas nos levam a entender que a
mulher pode tomar uma posição governamental como após-
tolo na Igreja.
Febe (Romanos 16.1) era reconhecida par Paulo como
diaconisa da igreja em Cencréia e uma ajudante (prostasis) para
muitos. Como indica Patrícia Gundry, prostasis é "uma super-
visara", o que indica uma posição de alta autaridade".34
Entre os pais neotestamentários da Igreja, encontramos
vários escritos que afirmam a natureza feminina de Júnia. De
fato, em todo comentário escrito sobre este texto, isto é cla-
ramente reconhecido. Aegidos de Roma, no século XIII (1245-
1316), foi o primeiro a dizer que Júnia era um derivado de
Andrônico; e, logo, um varão.
João Crisóstomo (337-407), o bispo de Constantinopla, não
era simpático para com a atividade feminina. Ele escreveu nega-
tivamente sobre a mulher, mas foi muito positivo em relação à
Júnia: "Oh, quão grande é a devoção desta mulher que pode ser
chamada digna do ofício de apóstolo". Também foi o único dos
pais da Igreja a crer que Júnia era uma mulher. Origenes de
Alexandria (185-253) disse que seu nome era uma variação de
Julia; o Léxico de Thayer, Jerônimo (340-419), Hato de Vercelli
(924-961), Theophylack (1058-1108) e Pedro Abelard (1079-1142),
todos escreveram de Júnia como uma mulher".35

102
o Apóstolo nos Últimos Tempos

Devemos levar em conta o fato de que o apóstolo Paulo,


referindo-se ao caráter e estilo de vida dos apóstolos em sua
equipe de trabalho, os chama de temos e afetuosos e os com-
para com uma ama-de-leite que cuida de seus filhos. Indubi-
tavelmente, os conceitos femininos não eram um obstáculo
para identificar seu ministério e o dos apóstolos que o acom-
panhavam. O fato de Jesus não ter escolhido mulheres já foi
tratado; a lógica de sua ausência é compárevel a dizer que
nenhum latino-americano possa ser apóstolo, profeta ou ter
qualquer outro ministério, porque a Bíblia não o menciona.
Devemos ter cuidado em descartar algo, simplesmente por-
que a Bíblia não o menciona literalmente.

Falsos apóstolos e profetas


Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, ea tua perseverança, e que
não podes suportar os maus, eque puseste à prova os que se dizem
apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos. Apocalipse 2.2

Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos


vêm de Deus, porque já muitos falsos profetas têm surgido no
mundo. I João 4.1

Aqueles que insistem em negar os ministérios de apóstolo


e de profeta, pelo fato de que a Bíblia nos adverte sobre a
existência de falsos apóstolos e profetas, não entendem que o
simples fato de que existem falsos, implica que necessaria-
mente tem que haver verdadeiros. Não há razão para que
exista o falso se o verdadeiro não existe. Se interpretarmos
mal estas passagens; então, teremos de assumir que também
não existem pastores, mestres, evangelistas nem mesmo Cristo,
pois a Bíblia também fala de falsos pastores (João 10.12-13),
mestres (lI Pedro 2.1), evangelistas (Gálatas 1.9), irmãos (Gála-
tas 2.4), e também falsos cristos (Marcos 13.22).
"Devemos ter unidade, devemos retomar ao poder da
Igreja primitiva, se desejamos cumprir a ordem da Grande
Comissão. Para conseguir estas prioridades, temos que ver o

103
Apóstolos e Profetas I Heclor Torres

dom apostólico restaurado e inserido em seu lugar de proe-


minência e igualdade com todos os outros dons ministeri-
ais". 36
"Em conseqüência, nós - os chamados para ser - que
agora somos apóstolos, necessitamos concentrar nossos es-
forços em servir e ministrar aos santos, edificando-os e sus-
tentando-os para serem o edifício que Deus deseja. Lembrem-
se: Os apóstolos e profetas não são o teto nem a cúpula, mas
o fundamento ou a base. Não somos chamados para nos asse-
nhorear dos irmãos, nem de outros ministérios; mas para
permanecermos como o fundamento que sustenta a Igreja".37

104
9
Pioneiros Espirituais

Dr. John Eckhardt


o autor é reconhecido como apóstolo eexpert em "liderança
nacional de igrejas. Supervisiona edirige o ministério "Crusaders
Ministríes" em Chicago - minais - USA. Viaja pelo mundo todo
ensinando as verdades b{blicas sobre "A igreja apostólica e proféti-
ca", e "Os ministérios do apóstolo e profeta". É autor de catorze
publicações eproduz diariamente programas para Rádío e Televisão.

utra característica dos apóstolos é que eles são pionei-

O ros espirituais. Martinho Lutero foi um pioneiro. O após-


tolo Paulo foi um pioneiro, um desbravador. Apósto-
los normalmente são desbravadores. Abrem caminhos novos
para outros seguirem. Os apóstolos geralmente são os pri-
meiros a ir a um novo território. Eles são, muitas vezes, os
primeiros a trazer uma nova verdade. Qualquer um que seja
o primeiro, seguramente, será mal interpretado pela simples
razão de que é o primeiro.
Como resultado, apóstolos freqüentemente são resistidos
e perseguidos. Pioneiros normalmente são considerados es-
tranhos e, às vezes, loucos. Os apóstolos sempre são ataca-
dos, pois a verdade que pregam e apresentam parece nova
para Igreja.

A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolo; em segun-


do lugar profetas,em terceiro lugar mestre, depois operadores de

105
Apóstolos e Profetas I Heetor Torres

milagres,depois dons de curar, socorros, governos, variedades


de línguas. I Coríntios 12. 28

Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos,nos pôs por
últimos, como condenados à morte. Somos feitos espetáculo ao
mundo,aos anjos e aos homens. I Coríntios 4. 9

Embora os apóstolos estejam colocados, em primeiro lugar,


na Igreja, geralmente são tratados como os últimos. A pala-
vra grega para "primeiro" é próton, que significa primeiro em
tempo, lugar, ordem ou importância. Também significa antes, no
início, principalmente, primeiro de todos e principal. Um desbrava-
dor é aquele que descobre um caminho, sobretudo, aquele que
explora regiões não atravessadas para abrir uma nova rota.
Pioneiros são os primeiros a entrar numa nova região. Pode
ser uma região geográfica ou do conhecimento.
Os pioneiros deixam uma herança para outros seguirem,
um legado espiritual para aqueles que virão após eles. São
predecessores espirituais. Esse ministério precede e abre o cami-
nho para outros. Os primeiros apóstolos deixaram para a Igreja
seguir um legado espiritual, o qual todos nós herdamos.
É preciso unção apostólica para ser capaz de avançar, em
novas áreas e regiões, e limpar a trilha para outros seguirem.
Apóstolos têm que ser capazes de avançar em meio à oposi-
ção espiritual que tenta bloqueá-los. Ser pioneiro significa abrir
caminho ou prepará-lo para outros prosseguirem. Significa
dar origem ou tomar parte no desenvolvimento.

Arquitetos Espirituais I Sábios Construtores


Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio
arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja
cada um como edifica sobre ele. I Corintios 3.10

A palavra construtor significa arquiteto. Um arquiteto é al-


guém que desenha edifícios e supervisiona sua construção.
Apóstolos estão preocupados com o desenho, estrutura e for-

106
Pioneiros Espirituais

ma. Quando há reforma, é necessário ter "redesenho" e rees-


truturação da Igreja. Edifícios são construídos após terem sido
desenhados. Isto se aplica tanto para o natural como para o
espiritual.
A primeira parte que é colocada numa construção é a funda-
ção. Portanto, apóstolos lidam com fundações porque esta é a
primeira parte de um edifício. A Igreja é um edifício espiritual.
Ela é referida como o edifício de Deus (ler I Coríntios 3.9).
Edificar significa construir. É daí que temos a palavra edifício.
Se a Igreja não está sendo construída segundo o padrão
do Senhor, os apóstolos discernirão e saberão isto. Eles sabe-
rão quando as coisas estão fora de ordem. Assim como um
arquiteto sabe quando os construtores têm se desviado do
desenho original, os apóstolos sabem quando a Igreja tem se
desviado do plano original de Deus. Apóstolos estão preocu-
pados com o modo o qual o edifício espiritual do Senhor é
erigido após a fundação ter sido colocada.
O fundamento da reforma apresentado por Martinho Lu-
tero foi a doutrina da justificação pela fé. Ele recebeu esse dis-
cernimento e começou a pregar que os crentes são justifica-
dos pela fé e não por obras. A Igreja teve que ser reconstruí-
da sobre este fundamento doutrinário. Contudo, além de
pregar e ensinar essa doutrina de salvação pela fé, pregado-
res tiveram que ser ensinados e treinados, e Igrejas tiveram
que ser organizadas e governadas sob o novo entendimento.
Então, não é suficiente colocar o a fundação. Ao ser colocada,
um edifício deve ser construído sobre ela.
Muitos, em torno de Lutero, não tinham sabedoria para
edificar sobre o fundamento da fé. Ele teve que corrigir e até
mesmo desassociar-se daqueles que tomaram uma direção equi-
vocada no que diz respeito à Reforma. Isto não significa que
Martinho Lutero necessariamente estava correto, em toda a
sua teologia, mas a unção apostólica sobre sua vida deu-lhe
visão para edificar a Igreja depois que o fundamento foi posto.
Quando a reforma vem à Igreja, surgem aqueles que são
ungidos para governá-la. A palavra "governos", encontrada

107
Apóstolos e Profetas I Heetor Torres

em I Coríntios 12. 28, vem do vocábulo grego kubernesis, que


significa dirigir ou pilotar. Há uma capacidade para conduzir
a Igreja na direção correta através da unção de governos. Sem
esta unção, aqueles que governam a Igreja a conduzirão fora
do seu curso normal. Apóstolos fluem fortemente na unção
de governos. São aqueles que, no leme do barco, pilotam a
Igreja contra todo vento de doutrinas errôneas. Os que go-
vernam são necessários para cuidar que a Igreja se mantenha
no caminho durante a Reforma.

Fronteiras Espirituais
Uma fronteira é um novo campo para desenvolvimento de
uma atividade; uma região que forma a margem de território
assentado ou desenvolvido ("':ebster). Chamamos isso de vi-
vendo nas fronteiras. Fronteiriço é aquele que vive na fronteira,
à frente, na vanguarda. Unção apostólica manterá a Igreja na
linha de frente. Apóstolos são homens de fronteira espiritual. Eles
vivem e ministram na fronteira. Assim como há fronteiras
naturais, há também as espirituais. Nunca devemos nos aco-
modar com nossa posição no espírito.
Muitas vezes a Igreja se acomoda em um determinado lu-
gar, mas o Senhor continua a enviar apóstolos para expandir
nossas fronteiras. São enviados dentro de novas regiões, tanto
geográficas como espirituais e libertam-nos de fronteiras espi-
rituais e de limitações de tradições de experiências passadas.
Há uma canção (que cantamos em nossa igreja) escrita pelo
meu grande amigo, Kevin Leal. No coro, lê-se:

Abra lugares no espírito


Onde homens nunca estiveram
Abra lugares no espírito
Para que Ele possa vir outra vez
Abra lugares no espírito
Deixando homens avançar,
Abra lugares no espírito
Deixando tocar você, você e você!

108
Pioneiros Espirituais

Há novos lugares no espírito que precisam ser abertos onde


muitos santos nunca estiveram. Somente a unção pode abrir
esses lugares para que entrem e sigam. Há indivíduos e igre-
jas que operarão na unção apostólica para abrir novas regiões
e novas fronteiras para homens entrarem e experimentarem
a plenitude de Deus.
Isto concorda com o fato de que a unção apostólica é uma
unção pioneira. Pioneiros são os primeiros (próton) a irem para
uma nova área com uma nova verdade. Porque são os pri-
meiros eles têm um lugar especial de importância. Aqueles
que deixam um legado espiritual sempre terão um lugar especi-
al de importância para aqueles que seguem. Adicionalmente,
a palavra último no grego é (eschatos) que significa "o mais
baixo". Como este ministério causa tanto estrago, no reino
de Satanás, é o mais perseguido e atacado pelo inimigo.
Paulo diz que esse ministério é "feito um espetáculo". O ter-
mo grego que traduz "espetáculo" é "theatron", do qual deri-
va a palavra teatro. Isto significa que o ministério apostólico
está num palco para o mundo, a igreja e os anjos verem. Após-
tolos são freqüentemente tratados como escória da Terra.

Até esta presente hora sofremos fome, sede, e nudez; recebemos


bofetadas, enão temos pousada certa. Afadigamo-nos, trabalhan-
do com nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendi-
zemos; quando somos perseguidos, sofremos; quando somos difa-
mados, consolamos. Até ao presente temos chegado a ser como
lixo deste mundo, e como aescória de todos. I Coríntios 4: 11-13

Esta é a descrição do ministério apostólico feita pelo


próprio apóstolo Paulo. Por definição, a palavra "esbofetea-
do" significa esmurrado; "Injuriado", abusado; "Difamado",
blasfemado. Portanto, apóstolos muitas vezes são esmurra-
dos, abusados e blasfemados. Tais são as reações de algumas
pessoas a essa unção.
Além disso, a palavra "lixo" quer dizer trapo que, por seu
turno, significa fragmentos. Em outras palavras, apóstolos muitas

109
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

vezes são tratados como restos. Por que um ministério que o Se-
nhor diz que é primeiro, freqüentemente é tratado como último?
A resposta é que apóstolos são precursores e pioneiros no
espírito. Precursores e pioneiros freqüentemente são mal inter-
pretados e maltratados. Não é fácil ser um desbravador. Quan-
do você estudar a vida de muitos dos reformadores apostóli-
cos, descobrirá como eles foram odiados e maltratados pelos
sistemas religiosos dos seus dias. Qualquer ministério que cause
tanto estrago, no reino de Satanás, certamente será atacado.
Paralelamente, o Corpo de Cristo não tem entendido a
operação do apóstolo. A Igreja, muitas vezes, ignorantemen-
te, tem se oposto a este ministério.

Graça Apostólica
Uma parte da graça dada aos apóstolos é a habilidade para
resistir à perseguição e à oposição que vêm contra este ofício.
Seria insano tentar andar nele sem a graça necessária.
Qualquer um que entende a intensa perseguição que vem
contra os apóstolos nunca tentaria usar o título ou andar nes-
sa função sem a firme convicção de que é chamado e ungido
para tal. A graça dá habilidade para andar e ministrar em
certo ofício apesar de mal-entendido e perseguição.
Como precursores e pioneiros, os apóstolos muitas vezes
serão rejeitados, mal-interpretados e perseguidos. Mas a graça
que está sobre eles e flui através deles fará que sejam bem
sucedidos em sua missão.

Abrindo Novas Regiões Para a Palavra de Deus. E a palavra do


Senhor se divulgava por toda aquela região. Atos 13. 49

Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e


não em campo de outrem,a fim de não nos gloriarmos no que já
estava preparado. II Coríntios 10. 16

Alguns dirão: "Em nossa cidade, já há igrejas suficientes e


precisamos reavivar as que existem". Mas muitas das que exis-
Pioneiros Espirituais

tem não receberão o avivamento e freqüentemente lutam con-


tra uma onda fresca do Espírito Santo. Muitas das igrejas pre-
sentes, em nossas cidades, são ineficazes. Por essa razão, eu
não olho para o número de igrejas, numa área; mas o número
das que estão tendo um IMPACTO! Geralmente o número
destas é muito pequeno ou quase zero.
Eis por que o ministério apostólico é tão necessário - para
plantar igrejas eficazes e poderosas que terão um impacto!
Antes de uma região abrir-se para o evangelho, "0 ho-
mem forte" precisa ser amarrado. Este homem forte é um prin-
cipado que governa sobre uma determinada área geográfica.
As "mercadorias" (despojos) são as almas que estão sendo in-
fluenciadas e controladas por este espírito dominador para
mantê-las longe da verdade. Os apóstolos podem penetrar
novas regiões e quebrar a resistência espiritual amarrando
este homem forte.
O homem forte é amarrado através da pregação e ensino
do apóstolo. Os apóstolos, então, estabelecem novas igrejas,
novas verdades e novas revelações nesses lugares. Mesmo
onde já existam igrejas, um apóstolo pode vir e estabelecer
novas verdades. Muitas vezes, os homens fortes nesses luga-
res são espíritos de Religião e Tradição.
O apóstolo Paulo tinha o desejo de pregar o evangelho e
estabelecer igrejas em novas regiões. Ele não desejava glori-
ar-se em obras de outros, mas desejava pregar sobre Cristo
onde sua mensagem ainda não tinha sido pregada. (Há este
parágrafo no espanhol?)

No sábado seguinte reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a


palavra de Deus. Atos 13. 44

Além de abrir regiões para a Palavra de Deus, o Senhor


também usa os apóstolos para influenciar cidades. Lembre-
se: alguns são chamados a nações; uns, a regiões e outros
para cidades. Aqueles chamados para certas cidades serão
comissionados para estabelecer a verdade naquela cidade. Isto

111
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

não quer dizer que cada igreja naquela cidade esteja sob a
autoridade de um apóstolo. O apóstolo somente tem autori-
dade no lugar onde ele ministra ou é recebido para ministrar.
O Senhor, contudo, está levantando apóstolos que serão
uma voz nas cidades às quais são enviados. Eles ajudarão a
mudar o clima espiritual daquelas cidades. O resultado será
que pessoas estarão mais receptivas para ouvir a Palavra de
Deus.

Plantadores de Igrejas
Eu plantei, Apolo regou,mas Deus deu o crescimento. I Corín-
tios 3. 6

A palavra "plantar" no grego é "phuteuo, que significa co-


locar na terra, implantar, inculcar doutrina. Os apóstolos são
plantadores. Plantadores estabelecem igrejas e doutrinas.
Onde não há crescimento, é preciso plantar. Paulo era um
plantador. Ele ia a áreas como um pioneiro e plantava novas
igrejas.
Plantar é importante para o reabastecimento. Como igrejas
morrem, novas devem ser plantadas. Há muitas igrejas que
outrora tiveram o fogo de Deus e, no presente, estão mor-
rendo. Isto pode ser por causa de tradição ou porque a ado-
ração perdeu contato com a geração presente. Você não pode
cantar canções de 1850 para uma geração do Século XXI. Mui-
tas denominações que nasceram em gerações anteriores per-
deram contato com esta nova geração. O Senhor levanta após-
tolos para plantar novas obras objetivando alcançar as novas
gerações.

112
10
A Guerra Espiritual e o
Ministério Apostólico
Dr. John Eckhardt

As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim podero-


sas e Deus, para destruição de fortalezas. Derrubamos
raciocínios e toda altivez que se levante contra o conhecimen-
to de Deus, e levamos cativo todo pensamento à obediência de
Cristo. II Coríntios 10.4-5

uitos cristãos estão familiarizados com estes versí-

M culos de 11 Coríntios, e alguns estão praticando-os


verdadeiramente. Outros lamentam sua ineficácia
quando vêem resultados que se têm na área da guerra espiri-
tual. Por que isto acontece? Esta comissão dada à Igreja exige
que invadamos territórios novos e hostis. Os poderes das tre-
vas que governam por séculos estas regiões, não as entrega-
rão sem uma luta frontal. Eles devem ser confrontados, sub-
metidos e expulsos. Isto exige uma guerra.
Muitos na Igreja não entendem a importância que se dá
hoje em dia à guerra espiritual. Alguns até se opõem a este
pensamento. Mas, apesar desta oposição - que muitas vezes
podemos entender - estamos vendo uma ênfase crescente
na oração de guerra.
O Dr. C. Peter Wagner do Global Harvest Ministries (Mi-
nistérios da Colheita Global) em Colorado, escreveu exçelen-
tes livros sobre a oração de guerra, numa série denominada

113
Apóstolos e Profetas I Hcctor Torres

"Guerreiros de Oração", publicada por Caribe-Betania Edi-


tores (publicada também em português). De igual forma,
Héctor Torres, autor deste livro, escreveu outros tantos so-
bre o assunto, também pela Caribe-Betania. Recomendo alta-
mente estes livros a cada pastor e intercessor que quer um
melhor entendimento desta importante matéria.
A guerra espiritual não é um assunto novo. A Bíblia está
cheia de guerra. Os apóstolos e o povo apostólico serão um
povo de guerra espiritual, usando eles o termo ou não.

Destruição de fortalezas
Em II Coríntios 10.4, "guerra" é a tradução da palavra gre-
ga strateia, que significa apostolado, serviço militar (no qual há
privação e perigo). Está relacionada a outra palavra grega stra-
teunomai, cujo significado é executar o apostolado - com seus
árduos deveres e funções - e contender com pensamentos
carnais. O que Paulo dizia era que as armas de seu ministério
apostólico eram poderosas para derrubar fortalezas inimigas.
Estou convencido de que existem certas fortalezas que não
podem ser destruídas sem a unção apostólica. "Fortalezas"
no grego é ochuroma, que significa um forte, um castelo, um
palácio fortificado. Satanás e seus demônios se fortificaram
em si mesmos desde que invadiram a Terra. Eles erigiram
fortalezas e se entrincheiraram, em cada região do mundo,
para resistir ao avanço do Reino de Deus. Estas fortalezas
devem ser atacadas, se quisermos cumprir a Grande Comis-
são. Os apóstolos têm a capacidade para fazer isto.
O apóstolo Paulo relaciona estas fortalezas com "imagina-
ções". No grego, temos a palavra logismos, que significa raci-
ocínio, pensamento ou lógica. Implica a idéia de manter algo
coesamente. Isto é simplesmente a maneira na qual uma pes-
soa pensa, baseando-se em sua própria vida, tradição, expe-
riência ou ensino passado. Infelizmente, muitos destes pen-
samentos estão contra o conhecimento de Deus.
As fortalezas são também levantadas por uma influência
demoníaca. Existe uma sabedoria que é terrena, sensual e di-

114
A Guerra Espiritual e o Ministério Apostólico

abólica (veja Tiago 3.15). Logismos pode também ser traduzi-


do como "argumentos". As fortalezas são as mentes pré-dis-
postas das pessoas em um território particular. Estas mentes
pré-dispostas são lugares fortificados que nos afastam da ver-
dade e se sustentam com mentiras.
Os não crentes têm mentes fechadas que os impedem de
receber a verdade do Evangelho. A guerra espiritual implica
eliminar estes pensamentos até que o indivíduo possa rece-
ber e caminhar na verdade.
O Dr. Clarence Walker define uma fortaleza inimiga como
um argumento, raciocínio, opinião, idéia, ou filosofia estru-
turada que resiste ao conhecimento de Jesus Cristo. A tradu-
ção da Twentieth Century New Testament (Novo Testamento
do século XX) diz: "Nós estamos ocupados em refutar argu-
mentos e derrubar cada barreira levantada contra o conheci-
mento de Deus". As fortalezas fazem duas coisas:

• Afastam o povo do conhecimento de Deus;


• Impedem a obediência à verdade.

Em qualquer dos casos, o resultado final é a ignorância e a


rebelião.
Quando se fala de "mentes fechadas", refere-se a uma
mente que já está formada sobre um conjunto de crenças e,
portanto, resiste a mudanças; são mentes fixas e rígidas. Mui-
tas pessoas que dizem ter mente aberta, na realidáde, não a
têm. Pelo contrário, a têm endurecida para com a verdade e a
Revelação. Elas têm critérios fixos que são processados e de-
senvolvidos com base na mesma maneira de pensar que data
de séculos. É uma combinação de experiências e pensamentos
inculcados por ancestrais.
Este tipo de mente não é fácil de mudar. É necessária uma
forte unção para atravessar as barreiras defensivas e sobre-
por-se ao orgulho associado com ela. Muitas pessoas vivem
orgulhosas de sua maneira de pensar, mesmo quando podem
estar equivocadas. Ninguém quer admitir que esteja errado,

115
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

particularmente quando seus antepassados pensavam de cer-


ta maneira sobre determinado princípio. A humildade deve
preceder ao arrependimento, mas o orgulho se oporá estabe-
lecendo uma peleja.
Estas fortalezas são tão difíceis de derrubar, que são como
fortes. Um forte é uma cidadela, um castelo, uma torre, uma
salvaguarda. Nós temos um ditado que diz: "Salva o forte",
que significa defender e manter o status quo. Isto se aplica
também neste caso. Muitas pessoas se manterão firmes, em
sua maneira de pensar, antes sequer de considerar uma mu-
dança. Defenderão seu ponto de vista com argumentos e de-
bates e até contradirão e blasfemarão, se for necessário.
O comunismo corresponde a uma mente fechada; é uma
ideologia e filosofia de vida. O materialismo é uma mente
fechada porque se baseia na felicidade e no êxito. O Islã e o
Hinduísmo são mentes fechadas. Estas filosofias controlam a
mente de inumeráveis pessoas; são poderosas fortalezas que
somente podem ser derrubadas com a pregação e o ensino
apostólico.
As fortalezas são o principal estorvo para o avanço da Igre-
ja, e tratar com isto é tarefa dos apóstolos. A pregação, ensi-
no e, sobretudo, o povo com ministério apostólico são armas
poderosas para derrubar estas fortalezas. O louvor, a adora-
ção e a oração são também armas efetivas. A primeira coisa
que Jesus deu aos doze discípulos quando os enviou, foi po-
der sobre os demônios (Veja Mateus 10.1).
A Igreja deve ter a capacidade de identificar e derrubar
estas fortalezas. O ministério apostólico tem o poder e auto-
ridade para fazer isto. O apóstolo, pela natureza de seu mi-
nistério, tem uma graça e uma capacidade sobrenatural para
refutar, desaprovar, desacreditar e desmascarar estas filoso-
fias. O arrependimento não terá lugar, a menos que haja uma
mudança de mentalidade. É a este tipo de guerra que o após-
tolo Paulo refere-se, em 11 Coríntios 10.3-5, quando fala de
refutar argumentos e levar cativas as filosofias contrárias à
verdade.

116
A Guerra Espiritual e o Ministério Apostólico

Espíritos gregos
O mundo grego, no qual os primeiros apóstolos ministra-
ram, estava cheio dessas filosofias. Os gregos amavam a sa-
bedoria e buscaram conhecimento a ponto de desenvolver
uma mente idólatra~ Em outras palavras, eles adoraram o
conhecimento. Foram os guardiões de Aristóteles, Platão e
muitos outros filósofos. Eles sempre tinham fortes opiniões e
defendiam seus pontos de vista. Amavam debater e raciona-
lizar. Neste tipo de mundo, nasceu a Igreja. Sem a graça de
Deus seria impossível para a Igreja ter êxito em sua missão. A
graça e a unção apostólica deram à Igreja primitiva a capaci-
dade para desafiar e triunfar sobre essas fortalezas.
Hoje em dia, nós encontramos estes mesmos espíritos so-
bre muitos campos universitários. Existem fortalezas de inte-
lectualismo e racionalismo. Não é coincidência que, às vezes,
os membros de academias são chamados de "gregos".
Em uma ocasião, quando caminhava por uma vila univer-
sitária, o Espírito do Senhor atraiu minha atenção para as aca-
demias daquele campo. Quando observei que as letras gre-
gas identificavam as diferentes academias, a frase "espíritos
gregos" veio ao meu espírito. Depois, quando meditava so-
bre o que o Espírito Santo queria mostrar-me, comecei a en-
tender o tipo de espíritos que os primeiros apóstolos encon-
traram em seus dias.
Naqueles tempos, o mundo estava politicamente controlado
pelos romanos, mas influenciado culturalmente pelos gregos. A
filosofia foi uma das maiores fortalezas inimigas. Os espíritos
de intelectualismo e racionalismo impediram que muitos cres-
sem que Cristo havia ressuscitado da morte. Em nossos dias, os
campos universitários estão cheios deste tipo de espíritos.
Os espíritos de intelectualismo, racionalismo, orgulho, de-
bate e mente idólatra governam muitos sistemas de educa-
ção. Estes são os mesmos tipos de espíritos gregos que os
primeiros apóstolos confrontaram. Da mesma maneira que
eles foram capazes de quebrar os argumentos da filosofia pagã,
nós também devemos fazer o mesmo.

117
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

A New English Bible diz: "Nós derrubamos sofismas e toda


cabeça orgulhosa que se levanta contra o conhecimento de
Deus" (lI Coríntios 10.5). Os sofistas foram filósofos gregos
que se especializaram na retórica e na dialética. Eles foram
filósofos profissionais e mestres qualificados que elaboravam
complicados argumentos. Hoje em dia, o sofisma é definido
como um argumento plausível; entretanto, falaz. Em outras
palavras, é enganoso e, na raiz de toda filosofia enganosa,
está o próprio diabo.
Os judeus buscavam sinais e os gregos buscavam sabedo-
ria (veja I Coríntios 1.22). Contudo, não buscavam a sabedo-
ria de Deus, mas filosofia. Muitos viram o Cristianismo como
outra filosofia aberta ao debate. A tradução Phillips chama o
tipo de sabedoria que os gregos buscaram de "uma panacéia
intelectual". Eles viram na filosofia e na educação uma solu-
ção para todos os seus problemas. "Mas nós pregamos a Cris-
to crucificado, escândalo para os judeus, e loucura para os
gregos" (I Coríntios 1.23). Os gregos consideraram a prega-
ção da cruz como algo sem sentido.
Igreja é chamada para alcançar justamente este mundo gre-
go, filosófico e pagão. Ela teve a unção que foi capaz de der-
rubar essas fortalezas. Na raiz da filosofia grega, estava o
orgulho. Os gregos eram orgulhosos de sua herança filosófi-
ca e argumentaram com força quando foram confrontados
com a verdade do Evangelho. O ministério apostólico con-
funde as filosofias humanas. É um ministério de poder que
desmonta os argumentos que satanás colocou na mente dos
homens.
Deus usou o apóstolo para ridicularizar a sabedoria deste
mundo (veja I Coríntios 1.20). Hoje em dia necessitamos des-
te mesmo tipo de ministério para confrontar os argumentos
que nosso mundo moderno levanta contra a verdade.
Ainda que os argumentos possam ter mudado, a influên-
cia demoníaca atrás deles é a mesma. Nós estamos tratando
com antigos principados que devem ser amarrados e expul-
sos através do ministério apostólico. Estes são argumentos

118
A Guerra Espiritual e o Ministério Apostólico

obstinados que se negam a sair. Eles somente podem ser des-


truídos através do ministério apostólico; uma unção que con-
funde a sabedoria deste mundo e libera a sabedoria de Deus.
A Igreja necessita de uma graça apostólica para refutar os
argumentos que as pessoas do século XXI usam para rejeitar
o Evangelho. Milagres, curas, sinais e maravilhas ajudam a
derrubar estas fortalezas. Diante da dificuldade para expli-
car estes fatos, as pessoas se vêem obrigadas a repensar suas
posições e olhar a verdade de frente. O resultado: Ninguém
poderá argumentar diante do poder de Deus!
Os apóstolos ministram, não com palavras persuasivas de
sabedoria humana, mas com demonstração do Espírito e de
poder.
Esta é outra razão pela qual a Igreja deve ser apostólica.
Sem esta dimensão, não teremos a capacidade para destruir
essas fortalezas. Nós não estamos tratando com pontos de
vista, mas com cosmovisões. Trata-se de grupos inteiros de
pessoas que pensam de uma determinada maneira.
Sem a unção apostólica, como poderemos ter êxito contra
estas conturbadas cosmovisões? Como poderemos livrar as
pessoas de suas mentes fechadas e salvá-las da condenação
eterna?

o manto do apóstolo
Segundo o Dr. Paule A. Price, em God's Apostle Revived (O
apóstolo restaurado de Deus), o manto do apóstolo inclui a
guerra estratégica e o govern0 38 • Como mencionei anterior-
mente, o vocábulo grego strateia significa serviço militar ou
carreira apostólica. O termo cognato strateunomai quer dizer
servir em uma campanha militar, executar o apostolado. Esta
definição grega fala de armamentos, tropas e batalhas orde-
nadas. Segundo o Dr. Price, o apóstolo sai, na linha de frente,
como "guerreiro, um estrategista, um capitão competente e
um guarda eficaz sobre uma jurisdição".
Sua patente sobrenatural no stratos o faz um formidável
combatente no campo espiritual e diante das forças celestiais.

119
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e


as nossas dores levou sobre si; contudo, nós o consideramos
como aflito, ferido de Deus e oprimido. Isaías 53.4

Ainda que cada crente tenha uma patente de autoridade


para expulsar demônios, os apóstolos caminham e ministram
numa mais alta. Os maus espíritos e os anjos reconhecem esta
autoridade. Os apóstolos são os comandantes espirituais da
Igreja. A Igreja necessita de uma liderança apostólica para
colocá-la em ordem. Estes organizam e mobilizam os crentes
como um exército.
Os apóstolos são a comissão de frente titular. Eles são co-
mandantes que elevam o nível da batalha e dão velocidade
ao exército de Deus (veja Isaías 59.19). Uma Igreja apostólica
provoca temor no reino das trevas. Os apóstolos, como gene-
rais e comandantes, têm a habilidade de mobilizar os santos
para a guerra.
Os apóstolos repõem o povo de Deus. Repor é colocar em
ordem outra vez, convocar e reorganizar de novo. Esta é a
capacidade de juntar o povo para a ação. Os apóstolos estão
investidos de autoridade para fazer isto. Eles são líderes com
a graça, o carisma e a sabedoria necessária para conduzir a
Igreja.
O ministério apostólico é de guerra. Isto implica coman-
do, mobilização, reposição e convocação ao exército de Deus
para desafiar e derrubar as fortalezas do inimigo. Ele tem a
capacidade de ir primeiro e invadir novos territórios. É o
primeiro que encontra resistência dos poderes das trevas e o
primeiro a penetrar as barreiras que se levantam. Este minis-
tério é absolutamente necessário para manter a Igreja avan-
çando para o cumprimento da Grande Comissão.

A ave de rapina
Eu anuncio o fim desde o princípio, desde a antigüidade as
coisas que ainda não sucederam. Eu digo: O meu propósito
subsistirá, e farei toda a minha vontade. Do oriente chamo a

120
A Guerra Espiritual e o Ministério Apostólico

ave de rapina, e de um país remoto o homem do meu conselho.


O que eu disse, eu o cumprirei; formei o plano, e o executarei.
Isaías 46.10-11

Deus tem um plano para todos nós e Ele o cumprirá con-


forme foi declarado pelos apóstolos. Nada prevalecerá con-
tra o cumprimento de Seu bem querer; Seu conselho perma-
necerá. Você e eu temos a gloriosa oportunidade de ser parte
deste plano. Quanto mais rápido descobrirmos este plano,
mais rápido nos alinharemos com Sua vontade e estaremos
trabalhando juntos com Deus.
Deus chama a ave de rapina para executar Seu propósi-
to. Este é um símbolo profético do ministério apostólico. A
ave de rapina é a palavra hebraica ayit, que é traduzida
como falcão. Significa também "cair sobre". O falcão é um
símbolo de guerra e representa o aspecto militar do manto
apostólico.
Uma definição mais contemporânea de falcão é "alguém
que demonstra uma atividade agressiva ou atitude de com-
bate". É uma pessoa que apóia a força militar ou intervém
para provocar uma mudança de política. Isto também simbo-
liza o ministério apostólico.
A Igreja tem uma política mundial. Estamos comissiona-
dos para ir ao mundo e pregar o Evangelho. Devemos ter
uma atitude agressiva e belicosa contra as forças das trevas
que buscarão deter-nos.
O falcão representa agudeza, visão penetrante e agilida-
de; discernimento e perspicácia nos planos de Deus. É uma
ave veloz que, de repente se apodera da presa; é voraz ou
deseja a recompensa. Ter esta atitude é, muitas vezes, indis-
pensável para executar os planos de Deus.
Como oficial na Igreja, o apóstolo é também um executivo
e opera com poder no meio dela. Em outras palavras, ele tem
a autoridade para executar os planos e propósitos de Deus.
Executar significa colocar em prática, realizar, demonstrar,
cumprir e terminar. Portanto, o propósito de Deus não será

121
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

cumprido ou realizado sem que o ministério apostólico seja


restaurado na Igreja.
Por um longo tempo, a Igreja cristã tem procurado cum-
prir os planos de Deus ignorando este ministério vital. Deus
chama a ave de rapina para executar Seu conselho. Estes são
os generais e os comandos militares que mobilizarão o povo
de Deus para o cumprimento dos propósitos dEle. Necessita-
mos de um povo que faça algo mais do que falar e cantar. O
apóstolo tem a autoridade para executar e completar a comis-
são que o Senhor deu.
A Igreja apostólica deve ser ágil para executar os planos
do Senhor, e o falcão move-se velozmente. Ele não demora
muito para alcançar sua presa e devorá-la. A Igreja que des-
creve o livro dos Atos moveu-se rapidamente e conseguiu
avanços tremendos em pouco tempo. O mover de Deus ace-
lerou-se e avançou em Jerusalém a partir do dia de Pentecos-
tes. Isto fez com que rapidamente fossem acrescentados mui-
tos crentes à Igreja. Este é o tipo de unção que a Igreja neces-
sitará, nos últimos dias, para cumprir a Grande Comissão.
Existe muito trabalho que pode ser feito em um curto período
de tempo. O Senhor deseja fazer hoje um trabalho acelerado.

A oração e o apóstolo
Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie ceifeiros para a sua
seara. Mateus 9.38

Estamos presenciando o maior avivamento de oração que


o mundo jamais conheceu. Hoje, muito mais que antes, as pes-
soas estão orando por um avivamento e uma evangelização
global. Os avanços recentes na janela 10/40 - a área geográ-
fica localizada entre os graus 10° e 40° ao norte da linha equa-
torial, compreendida entre o leste da África e o Extremo Ori-
ente - foram comunicados ao recente movimento de oração.
As equipes de oração estão visitando lugares distantes e de-
solados para orar pelo cumprimento da Grande Comissão.
Há cidades que estão servindo de ponte para que, através da

122
A Guerra Espiritual e o Ministério Apostólico

oração, nações sejam alcançadas com pouca ou nenhuma pre-


sença cristã. Deus está movendo o Seu povo para orar ao re-
dor de todo o mundo.
O que está acontecendo? Este é o sinal de que estamos nos
aproximando do cumprimento da evangelização de todo o
mundo? Eu creio que a resposta é sim. O movimento mundial
de oração está liberando um espírito apostólico sobre a Igre-
ja. Jesus nos mandou para orar ao Senhor para que Ele envi-
asse obreiros para a Sua seara (Lucas 10.2). Lembre-se: Envi-
ar é um termo apostólico. Isto nos mostra a conexão entre a
oração e o apóstolo.
Quando se fala de "o apostólico" refere-se ao conceito de
enviar ou ser enviado. O Senhor sempre foi um Deus que
envia. Deus enviou Moisés ao Egito quando escutou o lamen-
to do Seu povo cativo. Enviou profetas a Israel continuamen-
te para adverti-lo das conseqüências de sua rebelião. Enviou
João, o batista, para preparar o caminho do Senhor. Enviou
Seu Filho unigênito para morrer pelos pecados do mundo.
Enviou o Espírito Santo para nos ajudar e ser nosso Consola-
dor. O espírito apostólico trata desta própria natureza de Deus.
Nossas orações movem Deus. Ele envia obreiros como re-
sultado de nossas orações. Esta é uma das razões pela qual o
Senhor nos anima a orar. Cada nação necessita de obreiros
apostólicos para trazer a colheita. Creio que nesta hora, e como
resposta às orações de milhões de crentes, serão levantados
mais apóstolos e ministérios apostólicos do que nunca antes.
Com certeza, creio que o maior espírito apostólico que o mun-
do conhecerá está começando a levantar-se agora. O mover
de Deus que está a caminho será maior do que o que lemos
no livro dos Atos.
As igrejas maiores do mundo conhecerão sobre o que acon-
tece ao redor da Terra. Existem mais cristãos avivados hoje
do que em qualquer tempo da história. Estamos sendo teste-
munhas de mais milagres e curas do que os que se viam em
outro tempo. Existem mais apóstolos e profetas sobre a terra
do que antes. Estamos vivendo tempos apostólicos.

123
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Tempos apostólicos
Vede, ó desprezadores, espantai-vos e desaparecei, pois opero
uma obra em vossos dias, obra tal que não crereis, se alguém
vo-la contar. Atos 13.41

Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos,


porque realizo em vossos dias uma obra, que vós não crereis,
quando vos for contada. Habacuque 1.5

Paulo citou a profecia de Habacuque ao descrever o que


estava acontecendo no livro dos Atos. Isto se constituía em
um perigo para os judeus que não criam que Deus receberia,
por sua fé, um grande número de gentios. Era algo tão novo
e assustador que correu o risco de ser menosprezado. Haba-
cuque lhes disse para que vigiassem entre os pagãos, pois
eram coisas assombrosas. Deus estava a ponto de fazer algo,
entre as nações do mundo, que seria inacreditável.
Estes versículos descrevem o que acontecia durante os tem-
pos apostólicos. Ninguém duvidaria que o livro dos Atos
descreve o que aconteceu na época apostólica. Mas, o que
Habacuque descreveu pode acontecer, em qualquer tempo, e
está acontecendo hoje.
Deus está operando nas nações do mundo. Nós estamos
vigiando as nações e vendo o que talvez não teríamos crido
há vários anos. Esta é a razão pela qual estamos vivendo ago-
ra em tempos apostólicos.
Os tempos apostólicos são épocas nas quais Deus levanta
um espírito apostólico na Igreja. Deus começa a levantar líde-
res e igrejas apostólicas. Isto vem como resposta à oração, e
isto é o que está acontecendo hoje. Os apóstolos estão sendo
posicionados em cada nação para obter a colheita dos últimos
tempos.

Oração com poder


Naqueles dias subiu ao monte afim de orar, e passou a noite em
oração a Deus. Quando já era dia, chamou a si os discípulos, e

124
A Guerra Espiritual e o Ministério Apostólico

escolheu doze entre eles, a quem também deu o nome de apósto-


los. Lucas 6.12-13

Observe que Jesus orou toda a noite antes de escolher os


doze. Outra vez, a oração libera o apostólico. Ele incentivou
as igrejas a orarem por suas cidades e nações para liberar um
espírito apostólico nessa região.
Nossa igreja local, em Chicago, tem enfatizado em cada noite
orações que liberem o espírito apostólico de nossa região. É
necessária muita oração! Quanto mais orarmos, mais rapida-
mente serão identificados os apóstolos para cada região.
Necessitamos reconhecer aquele o qual Deus escolheu. E
sabe o que mais? Nem sempre serão aqueles os quais pode-
mos identificar, pode ser que não seja nenhum pregador co-
nhecido. Às vezes, os servos os quais Deus escolhe, permane-
cem "escondidos" até que a oração os faça conhecidos.
A oração não somente libera o espírito apostólico, mas tam-
bém sustenta o movimento apostólico. A oração libera o ímpeto
e o despertar espiritual. Um exemplo disto é visto, na igreja do
livro de Atos. Esta foi uma igreja de oração. Eles continuaram
avançando apesar da resistência, perseguição e até a morte. Ora-
ram até que "o lugar onde eles estavam reunidos tremeu" (Atos
4.31). O resultado de sua oração foi uma liberação apostólica de
grande poder e abundante graça (v. 33). Sinais e maravilhas fo-
ram feitos, e "os crentes foram acrescentados ao Senhor" (Atos
5.14). O espírito apostólico que resulta da oração enche de cres-
cimento a Igreja. Esta é uma unção de colheita.
Os apóstolos dedicaram-se continuamente à oração (veja
Atos 6.4). A oração é a força do ministério apostólico. As igre-
jas apostólicas estão se levantando por toda a Terra para se-
rem casas de oração para as nações (veja Isaías 56.7). Portanto,
podemos pedir a Deus as nações por herança (veja Salmos 2.8).
Quando oramos com sentido apostólico, por causa da autori-
dade e poder que residem dentro da unção apostólica, aconte-
cem os maiores milagres. Muitos têm ouvido acerca da oração
profética, mas poucos têm escutado acerca da oração apostólica.

125
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

A oração apostólica é uma oração estratégica e de gover-


no. Ela tem uma perspectiva global, com uma sabedoria para
cumprir o propósito de Deus para os últimos tempos. Os após-
tolos e os profetas nos darão acesso aos eternos propósitos
• de Deus. Aqueles que têm contato com os verdadeiros após-
tolos terão um entendimento melhor dos propósitos de Deus,
conforme é revelado na Palavra de Deus.
A oração apostólica traz revelação. O povo apostólico ora
com a vantagem da sabedoria de Deus. Isto é orar com a
autoridade que vem da revelação. Hoje oramos por coisas
que, há cinco anos, não pedíamos. Isto se deve ao fato de que
estamos descobrindo coisas na Palavra que nunca antes haví-
amos visto e, como resultado, nossas igrejas são mais fortes e
mais profundas.
A oração apostólica é de guerra. Epafras foi um fervoroso
colaborador de oração na igreja de Colossos (veja Colossen-
ses 4.12). A palavra "encarecidamente" denota guerra ou con-
tenda com um adversário, esforço. Os apóstolos e o povo
apostólico contendem em oração com os poderes das trevas.
Este tipo de intercessão ajudará os crentes a estarem conecta-
dos com a vontade de Deus.
A oração apostólica é incessante (veja I Tessalonicenses
5.17). Ela não descansa até que os planos e propósitos de Deus
se completem. O ministério apostólico é tenaz e implacável
até terminar o seu trabalho. Ele não termina apesar da resis-
tência ou contratempos temporais. Continua seguindo em
frente como pioneiro e atravessa cada barreira, até que a co-
missão seja cumprida. Esta é outra das razões pela qual Sata-
nás odeia e teme esta unção. É uma força incomparável. É
pertinente e paciente apesar das provas e tribulações. É um
aríete contra as cidadelas das trevas.

o princípio de Antioquia
Na igreja de Antioquia havia alguns profetas e mestres, a sa-
ber: Barnabé e Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Ma-
naém, que fora criado com Herodes, .o tetrarca, e Saulo. Ser-

126
A Guerra Espiritual e o Ministério Apostólico

vindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apar-


tai-me a Barnabé ea Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Então, depois de jejuarem eorarem, puseram sobre eles as mãos
eos despediram. Assim estes, enviados pelo espírito Santo, des-
ceram a Selêucia, e dali navegaram para Chipre. Atos 13.1-4

o tempo apostólico é entendido como a época na qual


estão se levantando espíritos e ministérios apostólicos. O
que estamos vendo hoje é possível graças à oração de on-
tem. Contudo, existe outra maneira de liberar o apostólico.
Eu chamo a isto de "princípio de Antioquia" e se baseia,
segundo sugere o nome, no que aconteceu nessa igreja. Quan-
do os profetas e mestres trabalharam juntos ministrando ao
Senhor, em jejum, o Espírito Santo disse: "Apartai-me a Bar-
nabé e a Saulo". Separados para quê? Para um ministério
apostólico. O fato de ministrar ao Senhor e jejuar os ajudou
a começar seus ministérios.
Nesta passagem, também encontramos um elemento pro-
fético para a Igreja de hoje. A Bíblia identifica que havia
profetas e mestres ministrando ao Senhor e jejuando. Em
minha opinião, isto representa os dois movimentos que pre-
cederam ao mover apostólico do dia presente.
A Igreja já conhece a unção de ensino e a unção profética.
É importante que estes movimentos caminhem juntos para
ajudar a liberar a unção apostólica. Os profetas e mestres não
produzirão apóstolos, antes, serão um fator para que se dêem
a conhecer. Mas, isto não descarta o fato de que alguns profe-
tas e mestres se incorporem ao ministério apostólico.
O jejum e a oração são práticas para levantar apóstolos. De-
pois que a igreja de Antioquia jejuou e orou, enviou Barnabé e
Saulo em missão. Estes dois apóstolos foram o resultado do
jejum e da oração e, logo, foram enviados pelo Espírito Santo.

Uma unção para completar a obra


Jesus lhes disse: A minha comida é jazer a vontade daquele
que me enviou, e completar a sua obra. João 4.34

127
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Observe os dois verbos: enviar e completar. Jesus foi envi-


ado pelo Pai e Sua vontade era que Ele acabasse Sua missão.
Este versículo rima enviar com acabar. O ministério apostóli-
co foi enviado à Igreja como "uma unção para acabar a obra".
Quando falamos de acabar, referimo-nos não somente à idéia
de chegar ao final de uma tarefa ou carreira, mas também
completar, concluir e aperfeiçoar. O Senhor está preparando
a Igreja para completar sua tarefa. O ministério apostólico é
absolutamente essencial para fazer com que a igreja cumpra o
seu propósito. Sem o ministério de apóstolo, faltará graça à
Igreja assim como o poder e a autoridade para cumprir com a
Grande Comissão.

E agora, compelido pelo Espírito, vou para Jerusalém, não sa-


bendo o que lá me há de acontecer. Somente sei o que o espírito
Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam
prisões e tribulações.Mas em nada tenho a minha vida por pre-
ciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o
ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do
evangelho da graça de Deus. Atos 20.22-24

Você pode perceber qual a atitude de Paulo? Ele teve de-


terminação para não permitir que nada o desviasse de com-
pletar seu ministério. Ele tinha determinação e a direção para
acabar. Esta deve ser a mentalidade apostólica. Devemos es-
tar dirigidos e ter a determinação de completar a Grande
Comissão. Este tipo de mentalidade supera todos os obstácu-
los e estorvos que aparecem no caminho para impedir que se
acabe a obra.
As provas e as tribulações não convencerão o verdadeiro
ministério apostólico. Existe uma graça que habita dentro desta
unção que supera toda a oposição e atravessa cada barreira e, o
mais importante, não acabará até que a tarefa seja cumprida.

128
Como Unir os
Apóstolos aos Profetas
Dr. C. Peter Wagner

o Dr. Wagner é reconhecido como o apóstolo do Conselho de


Profetas Anciãos. Este Conselho possui escritórios centrais, em
Colorado Springs, EUA. Ele é diretor efundador do Instituto
Wagner para Ministérios Práticos na mesma cidade. É co-
fundador do Centro Mundial de Oração, também em Colorado e
é considerado como uma autoridade nos assuntos de crescimento
de igrejas eguerra espiritual. É autor de numerosas obras
incluindo a série Guerreiros de Oração publicada por Caribe-
Betania Editores. Ele e sua esposa vivem em Colorado Springs.

ncanta-me a analogia dos apóstolos estarem "enlaça-


E dos" aos profetas da mesma maneira que dois bons
cavalos de "tiro" (cavalos de "tiro", são cayalos de
grande força física treinados para puxar junto com outro, ou
individualmente, grandes pesos em competições nos EUA)
que puxam uma carroça, estando unidos um ao outro. Tanto
Doris como eu fomos criados, em fazendas leiteiras, nos su-
búrbios rurais de Nova York. Nos anos de 1930, ambos vive-
mos em fazendas nas quais, os cavalos desse tipo eram uma
equipe imprescindível. Lembro-me, no entanto, de quando
tinha cinco anos e deixaram-me guiar a equipe que puxava
nossa carroça de feno. Naqueles dias, não tínhamos tratores.

129
Apóstolos e Profetas I Heetor Torres

Isto explica por que Doris e eu gostamos de ir a espetáculos


de gado, nos quais nosso evento favorito é a competição de
cavalos de "tiro". Encantam-nos ver esses magníficos perche-
rones, clydesdales, belgas e shires trabalhando juntos como
equipe. O clímax de todo o evento é quando uma equipe de
dois cavalos de "tiro"- que podem pesar, os dois, umas qua-
tro mil e quinhentas libras - puxam até quatorze mil libras
de blocos de concreto em um trenó plano. Lembro-me de
uma feira de condado na qual houve competição de cavalos
de "tiro" individuais. O ganhador puxava cinco mil libras e o
segundo lugar, quatro mil. Mas, quando estavam enlaçados,
podiam puxar até treze mil libras!
O que isto tem a ver com os apóstolos e os profetas? Os
apóstolos podem fazer algumas coisas boas por si mesmos.
Os profetas podem fazer certas coisas boas por si mesmos.
Mas, enlaçados, podem mudar o mundo! Quero explicar como
isso pode acontecer na vida real.

Como "puxar" juntos


Muitos criadores de cavalos de "tiro" vão, em turnês,
levando as suas equipes de espetáculo em espetáculo. Des-
ta maneira, os próprios cavalos competem entre si em mais
de uma ocasião. Não é raro ver uma equipe ganhar da ou-
tra, em um espetáculo, e ser derrotada no seguinte. Qual é
a variável? Ganha a equipe que puxa em conjunto. A figura
central é o condutor de cento e oitenta libras que sustenta
as rédeas e controla mais de duas toneladas, que é o peso
dos cavalos. Quando a equipe é unida ao trenó, o público
fica em absoluto silêncio. Os cavalos estão enrolados como
molas, tremendo e movendo-se com muita energia repri-
mida. De repente, o condutor grita: Fora! E os cavalos saem.
Se no momento em que o condutor grita, os cavalos se mo-
vem juntos para frente, ganham. Se não estão se movendo
juntos na mesma direção, nesse momento, ainda que seja a
equipe mais forte do espetáculo, perderá. É tão simples
como isso.

130
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

o mesmo acontece com os apóstolos e os profetas. In-


felizmente, muitos apóstolos e profetas autênticos são perde-
dores. Eles fazem um pouco que pode ser muito bom, mas
nunca alcançam o potencial que Deus deu, porque não estão
se movendo juntos.
Por outro lado, aqueles apóstolos e profetas que são
ganhadores, entendem e apreciam a função mútua que de-
sempenham no Reino de Deus. Eles sabem como se relacio-
nar entre si de uma maneira positiva. Constantemente agre-
gam valor a eles mesmos. Como diria Bill Hamon, são total-
mente interdependentes.
Existem pelo menos duas maneiras, ambas encontra-
das no Novo testamento, nas quais os apóstolos e os profetas
se relacionam entre si:

• Uma relação casual. Em algum momento, um profeta e um


apóstolo podem encontrar-se em uma mesma reunião e o
profeta pode ter uma palavra da parte de Deus para dar
ao apóstolo. Isto tem acontecido comigo freqüentemente.
No Novo Testamento, a relação que Paulo tinha com Ága-
bo ilustra este ponto (veja Atos 21.10-13). Gosto de me
referir a isto como a relação "Paulo-Ágabo". Eles não ti-
nham uma relação contínua, era simplesmente casual.
• Uma relação estruturada. Neste caso, o apóstolo e o profe-
ta se colocam numa posição na qual se comunicam regular-
mente. Esta relação pode ser tão próxima que seu modus
operandi é o de nunca levar adiante uma atividade de mi-
nistério importante sem a participação; ou, pelo menos, o
conhecimento do outro. O apóstolo Paulo, o qual integrou
Silas no seu núcleo ministerial, ilustra este tipo de relação
(veja Atos 15.40). Na relação "Paulo-Silas", pode ser visto
como eles estão "enlaçados" entre si; enquanto, na relação
"Paulo-Ágabo", seria como estão "amarrados".

Minha relação apostólica com o profeta Chuck Pierce é um


exemplo de uma relação Paulo-Silas. Nós estamos unidos, pois

131
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

somos oficiais dos Ministérios de Colheita Global (Global


Harvest Ministries). Vivemos na mesma cidade, trabalhamos
nas mesmas instalações e, freqüentemente, viajamos juntos
aos mesmos lugares. No entanto, temos a precaução de que
nenhum dos dois controle o outro. Eu não estou buscando fa-
zer Chuck à minha imagem e ele não está buscando fazer-me
à dele. O fato de sermos bem diferentes um do outro em
experiências, temperamento, idade e dons, serve para forta-
lecer a relação. Fizemos um pacto de trabalho que se baseia
no respeito e na confiança. Nenhum de nós se intimida, nem
teme o outro, o que permite uma mútua abertura e oportuni-
dade para nos corrigirmos entre nós mesmos. O resultado
claro é que continuamente agregamos valor a nós mesmos e
aos nossos ministérios.

Como mudar o Movimento Global de Oração


Em uma ocasião, Chuck Pierce trouxe uma palavra de Deus
para mim. Esta dizia que eu necessitava receber a visão sobre
o movimento de oração bem como para aonde '0 mesmo iria,
após eu ter levado uma década orando pela Janela 10/40.
Havia uma necessidade de se fazer uma avaliação rapida-
mente. Esta foi uma das decisões de maior alcance que fui
chamado a tomar e só eu poderia tomá-la. Era uma dessas
tarefas que o apóstolo não pode delegar. Eu estava maravi-
lhado, pois de repente perguntei ao Senhor, e a resposta che-
gou de maneira rápida e completa. Pelos próximos cinco anos,
devíamos nos focalizar na Janela 40/70 e mudar a Operação
Palácio da Rainha para a Operação Domínio da Rainha.
Como eu seria capaz de planejar uma transição tão ra-
dical em tão pouco tempo? Mesmo que isso fosse o que se
esperaria de um líder com o dom de apóstolo, estou conven-
cido de que não poderia fazê-lo sem o apoio do ministério de
profetas. Chuck Pierce ouviu da parte do Senhor que era ne-
cessário uma ação imediata, e sabia como me comunicar, de
modo que isso me provocasse a tomada de passos que era
necessária. Três intercessores ouviram profeticamente que

132
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

minha decisão deveria ser a de mudar para a Janela 40/70


muito antes de eu perguntar ao Senhor. Eles quatro, junto a
muitos outros, estiveram pedindo a Deus ardentemente por
mim, de modo que quando eu perguntei ao Senhor, Ele pôde
revelar claramente a Sua vontade. Encanta-me isto, pois faz a
minha tarefa de apóstolo, muito mais fácil e agradável.

Os cinco pontos para o ciclo apóstolo-profeta


Se os apóstolos estão apropriadamente enlaçados aos pro-
fetas e estabelecem um pacto em sua relação bem como um
acordo para andarem juntos no ministério, surge um padrão
que se repete. É como um ciclo com cinco pontos-chaves.
Analisemos, ponto por ponto, a dinâmica deste ciclo:

1. O profeta submete-se ao apóstolo


Quando a Bíblia diz que Deus colocou em primeiro lugar
os apóstolos e; em segundo, os profetas (veja I Coríntios
12.28), Ele não estava estabelecendo uma hierarquia. O que o
Senhor estava fazendo era normatizando uma relação de pro-
cedimento. É como a relação que existe entre o lançador e o
receptor da bola. O receptor pede um lançamento, mas é o
lançador quem lança a bola. Além disso, quando é necessá-
rio, o lançador pode ou não aceitar a jogada que o receptor
pede. Nenhum dos dois é considerado com tendo uma posi-
ção mais elevada dentro da hierarquia da equipe. No entan-
to, quando termina a partida, o lançador é tão ganhador quan-
to o receptor; todavia, é este último quem vai para o livro de
marcas.
O que é o importante nisso? Que ao final da temporada, é
a equipe que ganha o Campeonato Mundial e não um lança-
dor ou um receptor. É fato também que nem o lançador, nem
o receptor, mas o pivô poderá ser considerado o destaque do
time, na referida temporada. No entanto, nenhuma equipe
ganha o Campeonato, a menos que os lançadores e os recep-
tores entendam suas funções mútuas de interdependência.
Uma dessas é que o receptor submeta-se ao lançador.

133
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Nunca me esquecerei da primeira vez em que falei sobre


estes cinco pontos do ciclo apóstolo-profeta a um grupo de
profetas. Quando sugeri que os profetas começassem a se
submeter aos apóstolos - sou um comunicador suficiente-
mente capaz para saber quando a audiência não está total-
mente convencida do que estou dizendo - parecia, como que
uma carga estática de eletricidade tivesse coberto a mesa,
embora todos mantivessem um nível apropriado de cortesia.
Naturalmente, tal comportamento ressurgiu mais tarde
durante um período de discussão. Como sou bastante novo,
nesta área do ministério, não me encontro carregando muita
da bagagem que os veteranos, como aqueles profetas ao re-
dor da mesa, estão carregando. Eles estão nestes ministérios
por mais tempo, enquanto eu estava apenas dando minha
primeira viagem. Felizmente, eles me conheciam o suficiente
para entender e desculpar minha "meninice", além de confi-
ar-me por que tinham problemas com o categórico"o profeta
se submete ao apóstolo".
Aprendi que existe um resíduo de desconfiança nos após-
tolos por parte de alguns profetas. Cito Bill Hamon dizendo:
"Alguns profetas estão ficando nervosos e estão se preocu-
pando por causa da restauração dos apóstolos e têm temor
de que busquem estruturá-los em um plano restrito que Deus
nunca propôs"39. Este incômodo por parte de alguns profe-
tas, pode ter dois motivos: o Movimento de Pastoreio ou os
apóstolos excêntricos.

o Movimento de Pastoreio
Muitos profetas - e muitos outros líderes cristãos - es-
tão carregando feridas não curadas ou parcialmente curadas
do que se conhece como o Movimento de Pastoreio ou o
Movimento de Discipulado da década de 1970. Este Movi-
mento, dirigido por Bob Mumfort e outros, teve bastante
notoriedade entre as novas igrejas carismáticas daqueles dias.
O Movimento chamava a formar pirâmides de responsabili-
dade, nas quais cada crente mostrava sua fé em Deus ao fazer

134
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

um pacto de submissão incondicional com outro crente o qual


chamava "pastor". Esta implicação, entre outras, podia in-
cluir o entregar o dízimo do salário ao tal"pastor".
Em 1975, Pat Robertson chamou a atenção para este Mo-
vimento em uma carta aberta. Depois de um período de in-
tensa controvérsia, o Movimento começou a perder força e,
com todas as suas intenções e propósitos, há muito tempo
saiu de cena. Até Bob Mumfort se desculpou e renunciou ao
Movimento publicamente. Ainda hoje, muitos profetas vete-
ranos têm raízes, em si mesmos e em seus ministérios, neste
Movimento carismático independente; e alguns foram afeta-
dos direta ou indiretamente por ele. É interessante que Pat
Robertson, em sua carta aberta, denunciou como sectário o
uso das palavras "relação" e Isubmissão"4o. Durante o apo-
geu do Movimento de Pastoreio, eu tinha as minhas mãos
cheias, buscando escapar da tradição cessacionista para po-
der abraçar o atual ministério do Espírito Santo. Eu estava no
nível elementar da escola espiritual, por assim dizer. Em con-
seqüência disto, encontrava-me alheio aos movimentos caris-
máticos independentes e ao Movimento de Pastoreio. Até
tenho dúvidas de ter podido identificar Bob Mumford ou Pat
Robertson naqueles dias. Mas, agora, posso entender clara-
mente por que muitos dos sobreviventes deste Movimento
poderiam ter um sério problema com o uso da palavra "sub-
missão".

Apóstolos excêntricos
A segunda razão pela qual os profetas têm dificuldades
em considerar a sujeição aos apóstolos, é que ao buscar fazê-
lo, eles são duramente feridos. Deixando à parte o Movimen-
to de Pastoreio, alguns apóstolos imaturos são conhecidos
por cederem à tentação do abuso espiritual. Devido a incrível
autoridade que Deus lhes delega, esta é uma tentação que
nunca sairá do panorama. É a primeira arma secreta de Sata-
nás em seu intento para destruir o movimento apostólico. Os
apóstolos genuínos que estão cheios do Espírito Santo e deci-

135
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

dem ser santos em toda a sua conduta, não cederão a esta


tentação e, em conseqüência, sua autoridade será uma bên-
ção e não uma maldição para sua equipe de ministério apos-
tólico bem como para seus seguidores.
Não obstante, existem apóstolos excêntricos. Em primeiro
lugar, alguns deles nunca tiveram o dom do apostolado. Ou-
tros podem ter o dom, mas o usam sem o Fruto do Espírito.
Nenhuma destas posturas funciona, e aqueles que são sedu-
zidos por estes apóstolos, incluindo alguns profetas, são dig-
nos de compaixão. Não posso culpar os profetas que são víti-
mas de uma situação abusiva, que passaram pelo trauma de
ter que romper com esta relação e agora digam: "Nunca mais!".

A submissão é bíblica
Entender alguns dos abusos da submissão cometida no
passado não nos dá o direito de jogá-la fora porque não ser-
ve. A Bíblia ensina com clareza sobre a submissão divina-
mente ordenada. Em Efésios 5.21, lemos: "Sujeitando-vos uns
aos outros no temor de Cristo". Aqui nos fala dentro do con-
texto da relação matrimonial. Como Deus nos ordena a tratar
a submissão no casamento? As esposas devem obedecer a seus
esposos assim como a Igreja obedece a Cristo; e os esposos
devem amar a suas esposas como Cristo ama a Igreja. É certo
que alguns esposos abusam de suas esposas da mesma ma-
neira que os apóstolos abusam dos profetas. Isto tem feito
com que algumas esposas neguem submeter-se aos seus es-
posos e têm evitado prometer obediência ao fazer seus votos
matrimoniais. Tal comportamento não resolve a questão. Ao
contrário, o que faz é incrementar dramaticamente a taxa de
divórcios e remover o fundamento do núcleo familiar.
Em tais circunstâncias, a maioria dos conselheiros matri-
moniais o sabe, raramente a culpa é do esposo ou da esposa,
exclusivamente. O mais freqüente é que seja culpa de ambos,
pois não reconhecem mutuamente a ordem de Deus de sub-
meter-se um ao outro. O conceito da submissão não é a raiz
do problema. A raiz é a falha das partes envolvidas em se

136
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

submeter, apropriada e de maneira madura, um ao outro no


temor de Deus.
Apliquemos este princípio bíblico de submissão, de acor-
do com a ordem de Deus, aos apóstolos e aos profetas. Eles
trabalharão como é devido, se primeiro os profetas estive-
rem de acordo em se submeter aos apóstolos.

2. Deus fala ao profeta


Permita-me começar este tópico dando minha definição
do dom espiritual de profecia: "O dom de profecia é uma
habilidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo
de Cristo para receber e comunicar a Seu povo uma mensa-
gem imediata de Deus através de uma palavra divinamente
ungida".4l Algumas pessoas têm problema para entender o
dom de profecia pelo fato de que cada crente, e não somente
alguns, tem a habilidade de ouvir a Deus. Muitos de nós cre-
mos que a oração, por exemplo, tem duas direções. Falamos
com Deus ao orarmos, e Ele nos fala. Mas, o fato é que alguns
de nós ouvimos com mais freqüência e com mais precisão a
voz de Deus. Por que isto acontece? Em alguns casos, pode
ser nossa culpa por não cuidarmos disso com o suficiente
empenho. Em outras vezes, pode ser que não estejamos chei-
os do Espírito Santo ou porque há algum pecado em nossas
vidas que está interferindo na nossa relação com Deus.

o dom de profecia e o ofício de profeta


Isto explica algumas situações; mas, em outras, a razão pela
qual alguns escutam tão claramente a Deus é que Ele escolheu
dar-lhes o dom de profecia. Nem todo o mundo tem o dom
de profecia. Se fosse assim, todo o corpo seria ouvido, e isto
é impossível (veja I Coríntios 12.17). Somente alguns poucos
têm o dom espiritual de profecia, ainda que todos os crentes
possam ouvir a voz de Deus e profetizar de vez em quando.
Desses que têm o dom de profecia, alguns poucos chegam
a ser reconhecidos pelo Corpo de Cristo como recipientes do
ofício de profeta. São estes últimos os que estão incluídos na

137
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

lista de Efésios 4.11: "apóstolos, profetas, evangelistas, pas-


tores e mestres". Aqueles que têm o dom de profecia e o ofícío
de profeta formam junto com os apóstolos, o fundamento da
Igreja (veja Efésios 2.20).
Há duas formas pelas quais os apóstolos recebem a reve-
lação de Deus. Isto depois se traduz em uma visão clara da
direção que Deus quer que a Igreja siga. Uma das formas, é
que eles recebem a revelação diretamente e a outra é que
Deus lhes dá a revelação através dos profetas. Parece que o
Plano A de Deus, é usar os profetas para este propósito. A
Bíblia diz: "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma,
sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas"
(Amós 3.7). Certamente Deus não está limitado. Ele pode se-
guir o Plano B para cumprir o seu propósito; mas se o faz, não
é que seja o Seu padrão normal de agir.
Antes de continuar, vamos esclarecer que este ponto núme-
ro dois, "Deus fala ao profeta" não trabalhará como é devido
sem o número um, ou seja, que o profeta que ouve uma mensa-
gem da parte de Deus deve se submeter a um apóstolo. Se não
houver um apóstolo na equação, terminamos com outro profe-
ta frustrado. Não sei quantos profetas ouço lamentarem-se:
"Por que ninguém me ouve"? Não vou questionar se estes in-
divíduos são profetas verdadeiros ou se ouviram de maneira
correta a voz de Deus. Eles poderiam estar altamente capacita-
dos em ambos os casos. Mas é muito provável que a razão pela
qual poucos estejam ouvindo é que não há um profeta que co-
loque as coisas em ordem para que alguém ouça.

3. O profeta fala ao apóstolo


Uma vez que o profeta ouve a mensagem da parte de Deus,
esta deve ser levada ao apóstolo. Quanto melhor o apóstolo e
o profeta se conhecerem, e quanto mais trabalharem juntos
para organizar o ministério, mais fácil isso se tornará. Em
qualquer situação, contudo, o profeta deve exercer com ma-
turidade o discernimento espiritual para levar a mensagem
ao apóstolo.

138
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

Existem pelo menos duas formas pelas quais a palavra rhe-


ma de Deus pode vir ao profeta. Primeiro pode ser uma pro-
fecia tipo nabi, a qual, de acordo com Chuck Pierce, pode sig-
nificar "uma mensagem sobrenatural que borbulha e sai".4242
Ainda que não se limitem a isto, tenho visto dois profetas
aos quais estou intimamente relacionado, Bill Hamon e Cin-
dy Jacobs, receberem e falarem, em muitas ocasiões, este tipo
de palavra que simplesmente "saem sem premeditação". Isto
chega tão rapidamente que não há tempo de discernir. É mais
um reflexo espiritual do que como um processo de pensa-
mento cuidadoso. A profecia nabi é arriscada, especialmente
quando é levada a apóstolos ou a outros líderes cujas deci-
sões, guiadas como é de supor pela profecia, podem afetar as
vidas e destinos de muitas pessoas.
A segunda maneira é através da intercessão profética.
Quando, por certo tempo, um profeta está intercedendo por
um apóstolo, a probabilidade de certeza ao falar à vida e mi-
nistério desse apóstolo aumenta proporcionalmente. Além
disso, o processo de comunicar este tipo de palavra permite
muito mais espaço para um discernimento espiritual maduro.
Minha experiência pessoal com profetas e profecias aponta
com precisão duas áreas especiais de discernimento por parte
do profeta.

o que falar e o que não falar


1. O profeta necessita decidir o que dizer ao apóstolo e o
que não dizer. Algumas palavras são dadas aos intercessores
proféticos somente para que possam ajudar a sustentar o após-
tolo e, este nem sequer tem que saber. Em muitas ocasiões,
recebo telefonema de algum de nossos intercessores proféti-
cos, pessoais, com palavras como: "Peter, estive orando por
você das três às seis da manhã, e Deus me deu cinco revela-
ções incríveis sobre você e seu ministério. Tenho a permissão
para dar somente duas delas e, são ..." Estou profundamente
agradecido por este tipo de discernimento. Este intercessor é
realmente um "escudo de oração". De fato, alguns dos meus

139
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

intercessores pessoais mais poderosos raramente se comuni-


cam comigo, se é que o fazem.

o momento pode fazer muita diferença


2. O segundo aspecto tem a ver com o momento. O pro-
feta pode receber uma palavra que, sem dúvida, deve ser
comunicada ao apóstolo. A pergunta é: "Quando"? Por exem-
plo, os três intercessores que escutaram sobre a transição
do movimento global de oração da Janela 10/40 para a Jane-
la 40/70 haviam comunicado a informação entre eles, mas o
discernimento coletivo lhes disse que não me dissessem até
que Deus me desse a palavra diretamente. Foi Bobbye Byerly
que me disse sobre isto em uma reunião na qual anunciei
pela primeira vez sobre a Janela 40/70 e devo dizer que ela
não buscou ocultar sua emoção pessoal de poder dizê-lo.
Freqüentemente, os profetas desejariam que os apóstolos
não fossem tão lentos. Mas necessitam ser pacientes, pois o
momento para falar é muito importante. Posso imaginar
perfeitamente que se não houvesse ouvido a voz direta de
Deus em relação à Janela 40/70, alguns poderiam suspeitar
que tomei minha decisão ao ceder ante a opinião de alguns
que tinham agendas escondidas e que queriam usar-me como
apoio.
Para dar-lhe outro exemplo, no ano de 1999, minha deci-
são pessoal mais importante foi a de dissolver dois ministéri-
os que estava dirigindo e consolidá-los em um só. Chuck Pi-
erce sabia, desde o princípio, deste longo processo, que isto
era exatamente o que Deus queria que fosse feito. Caminha-
mos ombro a ombro durante os meses de transição, e de vez
em quando, Chuck me dava "uma cotovelada" com uma pa-
lavra que sem falhar era perfeitamente apropriada para o
momento. Quando tudo terminou e ele me disse que sempre
soube o que aconteceria no final, eu lhe disse, com um toque
de repreensão: "Por que você não me falou antes? Teríamos
economizado meses de sofrimento!" Com muita calmâ, ele
me respondeu: "Peter, eu não podia te dizer por que você

140
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

não estava preparado. Teria arruinado todo o processo!" É a


isto que eu me refiro sobre um profeta que exerce o discerni-
mento no momento apropriado.
Antes de passar para outro assunto, permita-me relacio-
nar isto ao ponto do profeta que fala a palavra de Deus ao
apóstolo e do apóstolo que a recebe: o apóstolo está sujeito
ao profeta. Isto é um exemplo adicional de fInos submeter-
mos uns aos outros no temor de Deus".

4. O apóstolo julga, avalia, prepara estratégia e executa


Agora, o peso de um sério discernimento passa do profeta
ao apóstolo. Somente um apóstolo ingênuo receberá e atuará
baseando-se em cada palavra profética que lhe chega. Devo
dizer que anoto em meu Diário profético somente uma peque-
na porcentagem do total de palavras proféticas que recebo. A
porcentagem é extremamente baixa quando se trata de pala-
vras nabi ditas espontaneamente, mesmo as que são ditas em
momentos de muita intensidade com imposição de mãos, com
afirmações extravagantes dos que estão ao redor da mesa e
gravadas em cassetes. Muitos destes casos - que são fre-
qüentes -envolvem mais daquilo que tenho chamado rela-
ções "Paulo-Ágapo" do que as "Paulo-Silas".
Sinto que é minha responsabilidade julgar as profecias
que vêm a mim. Em muitos casos, estou julgando a profecia
enquanto ela é dada, e na metade do caminho sei que o Es-
pírito Santo, que me enche, não permitirá que eu forje o cum-
primento da mesma. Quando, por exemplo, a pessoa decla-
ra que serei consultado por reis, presidentes e primeiros
ministros - o que ocorre ocasionalmente - eu me desco-
necto. É Deus que produz em mim tanto o querer como o
realizar (veja Filipenses 2.13); e eu sei que Ele não me deu
mais desejo (ou "querer") de conhecer políticos do que o de
trabalhar em minas de carvão pelo resto da minha vida.
Tenho aprendido a ser cortês em situações como estas. Quan-
do a pessoa termina, digo: "Obrigado! Glória a Deus"! E
recebo o cassete gravado.

141
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Os profetas não devem sentir-se ofendidos


Uma das razões pelas quais estou dizendo isto é por-
que quero que os profetas saibam que os apóstolos têm que
julgar suas palavras, e filtrar as que não se aplicam a eles. Os
profetas não devem sentir-se ofendidos por isto. Nãb signifi-
ca necessariamente que as palavras que não foram recebidas
não eram corretas. E, em alguns casos, o que significa é que
não é o momento. É muito importante recordar que, neste
ponto, o peso de buscar a palavra de Deus está sobre o após-
tolo e não sobre o profeta. Existem muitas ocasiões nas quais
o apóstolo deveria ter recebido e atuado em certa palavra
profética, mas não o fez. Em casos como estes, é o apóstolo o
responsável diante de Deus por ter perdido a palavra e não o
profeta que a trouxe.
Uma vez que os apóstolos recebem a palavra válida para
o momento, começa um processo de avaliação. Bill Hamon
diz: "Não importa como se expresse, a profecia pessoal sem-
pre será parcial, progressiva e condicional."43 Para dizer isto,
ele se baseia dentre outras palavras, em I Coríntios 13.9: "Pois
em parte conhecemos, e em parte profetizamos". Estes três
fatores serão tomados em conta no processo de avaliação.
Não se espera que necessariamente os apóstolos façam esta
avaliação de forma isolada. Em muitos casos, os apóstolos
entrarão em um período de consulta com outros participan-
tes-chaves, incluindo os profetas, para estarem seguros de
que entenderam a palavra.

Como avaliar profecias relacionadas ao mercado de valores


Como uma ilustração pessoal disto, um dos profetas
com os quais estou associado, trouxe uma palavra em 1998, a
qual dizia que o mercado de valores iria abaixo em junho e
começaria a melhorar em setembro. Meus fundos de pensão,
que são importantes para Doris e para mim nesta etapa de
nossas vidas, estão em um plano autodirigido, os quais posso
colocá-los ou tirá-los do mercado de valores com um telefo-
nema. Eu tinha muitas destas ações no mercado de valores

142
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

em 1998, razão pela qual as tirei no final de julho e as coloquei


de volta no final de setembro. Como resultado, fiz o equiva-
lente a um generoso salário anual.
Eu avaliei muito bem esta profecia. Mas em 1999, esta
mesma pessoa teve uma palavra de que o mercado de valo-
res mudaria em 18 de setembro e se moveria outra vez em
18 de outubro. Desta vez eu não avaliei muito bem a pala-
vra, pois pensei que significava que em 18 de outubro o
mercado teria uma queda vertiginosa, pelo que me mantive
fora do mercado pelo resto do ano. Naquela ocasião, não
perdi nada, mas se houvesse interpretado o movimento de
outubro como uma alta, hoje em dia meus fundos de pensão
valeriam muito mais. Por que estou trazendo esse assunto
tão mundano? Por um lado, porque minha ação neste caso
não afetou a ninguém, mas somente a Doris e a mim. Por
outro, porque queria acrescentar que ouvi muitas outras
profecias relacionadas com as finanças, como por exemplo,
que o sistema bancário mundial teria uma queda antes de
terminar o século passado, e nenhuma delas me incentivou
a tomar decisões pessoais. Por que tomei decisões como es-
tas? Pela relação "Paulo-Silas" que tenho desenvolvido com
esta pessoa ao longo dos anos.

Como colocar as coisas em ordem?


Quando uma proIecia é julgada e avaliada, é tempo de
agir. Aqui é onde a unção do apóstolo entra em ação. Paulo
escreveu a Tito: "Por esta causa te deixei em Creta, para que
pusesses em ordem o que ainda resta" (Tito 1.Sa, ênfase do au-
tor). Desenvolver uma estratégia e levar adiante um plano é
o que os apóstolos fazem melhor. Isto não significa que estão
sempre no controle do que acontece - ainda que às vezes
seja necessário - pois, neste ponto, já há suficiente espaço
para o trabalho em equipe e para delegar. Os apóstolos são
muito pragmáticos. Eles fazem o que têm que fazer para com-
pletar a tarefa, sabendo que a execução desta mesma é a von-
tade de Deus, e o fazem bem.

143
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

5. O profeta se submete ao apóstolo


Eu disse no princípio que havia cinco pontos neste ciclo.
Portanto, não é necessário fazer nenhuma explicação neste
tópico, pois é igual ao ponto número um.

Saturação de humildade
Uma nota final no exame de como os apóstolos estão
enlaçados aos profetas é a necessidade de reconhecer o lugar
da humildade na relação saudável entre estes líderes de alta
categoria. Na competição de cavalos, da qual falamos, é inte-
ressante que cavalos de duas mil libras estejam sujeitos a um
condutor de cento e oitenta libras. A humildade é importante
para os animais de "tiro" ganhadores.
Mas, a humildade é ainda mais importante para os após-
tolos e os profetas. Aqueles de nós que somos reconhecidos
como apóstolos e profetas necessitamos nos conhecer bem, o
suficiente para estar conscientes do fato de que somos"exal-
tados" por Deus. Com isto, não quero dizer que necessaria-
mente obtenhamos mais coroas no céu no dia do juízo final.
Mas, o que quero dizer é que aqui na Terra nos são dadas
muito mais responsabilidades do que as de um crente que
não tenha estes dons. Temos uma visibilidade mais ampla.
Muitas pessoas as quais não conhecemos sentem que nos co-
nhecem bem. Estamos no púlpito, eles estão no salão. Nós
escrevemos livros, eles os lêem. Somos nomes "da casa" em
meio à nossa esfera apostólica.
Deus nos fez o fundamento da Igreja (veja Efésios 2.20).
Estabelecer isto não significa falta de humildade. É, antes,
"pensar de nós com moderação" como nos é dito que faça-
mos em Romanos 12.3 e nos esforçarmos para viver à altura
do que implica esta enorme responsabilidade.
Jesus disse: "Pois quem a si mesmo se exaltar será hu-
milhado, e quem a si mesmo se humilhar será exaltado" (Ma-
teus 23.12). Se tomarmos este versículo literalmente, deve-
mos concluir que, mesmo quando podemos estar obstinados
a fazê-lo, somos humildes. Se não somos humildes, Jesus

144
Como Unir os Apóstolos aos Profetas

mesmo disse que não seremos exaltados. Com isto, não que-
ro dizer que devemos cessar o empenho de ser mais humil-
des do que somos agora. Não posso negar que a tentação do
orgulho sempre está rondando na esquina, e de vez em quan-
do, podemos cair e caímos neste pecado. Mas também é certo
que se não nos caracterizássemos, dia após dia, ou semana
após semana, por um estilo de vida de genuína humildade,
não seríamos apóstolos nem profetas autênticos.
A humildade está contida em tudo o que foi dito neste
capítulo. Mas permita-me ser um pouco mais explícito. Ob-
serve que neste processo de estarem unidos e trabalharem
juntos, os apóstolos se humilham diante dos profetas. Os após-
tolos não saem por aí dizendo: "Sou o homem de Deus a car-
go deste ministério e se Deus quer nos falar, Ele o fará atra-
vés de mim". Não! Um verdadeiro apóstolo dirá: "Eu não
sou o único que ouve a voz de Deus neste ministério". Isto é
humildade.
Os profetas, por sua vez, humilham-se diante dos após-
tolos. Eles não buscam controlar a maneira pela qual os após-
tolos interpretam e executam as palavras que recebem. Isto é
humildade, porque em muitas ocasiões o profeta "sabe" que
o apóstolo vai pela rota equivocada. Nas relações apóstolo-
profeta que se tornam amargas, a falta de humildade da par-
te dos profetas ao cruzar os limites e buscar fazer a tarefa dos
apóstolos é freqüentemente o motivo que mais tem contribu-
ído para o problema. Os profetas genuínos reconhecem que
se o apóstolo comete um erro, não é por culpa do profeta.
Os apóstolos e os profetas podem mudar o mundo se esti-
verem enlaçaos uns aos outros e forem capazes de puxar jun-
tos.

145
Uma Associação Arriscada:
Como Entender a Relação
Entre os Apóstolos e os Profetas

Por James C. Laftoon

Por mais de 25 anos, James Laffon serve ao Corpo de Cristo


como missionário, pastor e diretor de institutos bfblicos. Atual-
mente, serve como profeta principal nos ministérios "Morning
Star International" (Estrela da Manhã Internacional).

stamos vivendo em uma hora de avivamentos e colhei-

E tas sem precedentes. Enquanto o Espírito de Deus se


move pela face da Terra, as igrejas estão crescendo ex-
ponencialmente, e o Evangelho está impactando cidades intei-
ras. Inclusive na América do Norte e no oeste da Europa, as
primeiras brasas do fogo do avivamento estão ardendo.
Um dos epicentros desta torrente mundial tem sido a Amé-
rica Latina. De acordo com algumas estatísticas, vinte e cinco
mil cristãos latino-americanos são batizados cada dia com o
poder do Espírito Santo. Enquanto este grande avivamento
continua, as nações são estremecidas.
Todavia, apesar da magnitude desta incrível colheita, os
números por si mesmos não podem construir igrejas fortes
na América Latina. De fato, estou convencido de que não ex-
perimentaremos a realidade cabal de Mateus 16.18 até que

146
Uma Associação Arriscada: Como
Entender a Relação Entre os Apóstolos e os Profetas

descubramos e manifestemos às pessoas excepcionais que Je-


sus foi escolhido_para edificar a Sua Igreja:

E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei minha


igreja;.e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Estes dons da Igreja, dados a indivíduos, são discutidos


em Efésios 4.7-16:

Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do


dom de Cristo. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o
cativeiro, e deu dons aos homens. Ora, isto - ele subiu - que
é senão que também antes desceu às partes mais baixas da ter-
ra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os
céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para
apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e
outros para pastores e doutores, tendo em vista o aperfeiçoa-
mento dos santos para o desempenho do ministério, para a edi-
ficação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade
da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita
varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para
que não sejamos inconstantes, levados ao redor por todo o ven-
to de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia indu-
zem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em
tudo naquele que é o cabeça, Cristo, do qual todo o corpo bem
ajustado, e ligado pelo auxilio de todas as juntas, segundo a
justa operação de cada parte, faz o seu próprio aumento para a
edificação de si mesmo em amor.

Isto simplesmente estabelece que quando os dons ministe-


riais de apóstolo, de profeta, de evangelista, de mestre e de
pastor se apresentam na Igreja, os resultados são incríveis. A
Igreja descrita nesta passagem é vibrante, madura, forte e
está em crescimento.
Apesar de todos estes dons ministeriais serem vitais para
edificar igrejas fortes, em Efésios 2.19-20, encontramos dois

147
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

ministérios em particular que ocupam um papel crucial no que


diz respeito à colocação de fundamento:

Assim já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concida-


dãos dos santos, e da famí1ia de Deus, edificados sobre ofunda-
mento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus
a principal pedra angular.

A relação estratégica que estes dois ministérios têm é vista


também na prioridade que lhes é dada em I Coríntios 12.27-28:

Ora, vós sois o corpo de Cristo e, individualmente, membros


desse corpo. A uns pôs Deus na igreja, primeiramente apósto-
los, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar mestres, de-
pois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros,
governos, variedades de línguas.

Finalmente, encontramos o poder destes dois ministérios


ilustrado na relação do apóstolo Paulo com Barnabé e Silas,
os quais eram profetas.
Por que estes dons ministeriais são tão vitais para a saúde
da Igreja? Primeiro, os apóstolos não são somente semeado-
res de igrejas com unção. Eles receberam a habilidade sobre-
natural da parte de Deus para governar sabiamente tanto as
igrejas individuais, como grupos completos de igrejas, segun-
do a medida e maturidade do dom dado a suas vidas. Os
apóstolos também são dotados por Deus para encaminhar
soluções de problemas em igrejas; reconhecer líderes poten-
ciais; transferir paixão apostólica, propósito; pastorear os que
possuem os outros dons ministeriais que são mencionados
em Efésios 4.11 e colocar os fundamentos de doutrinas cruci-
ais e de governo na igreja local.
Segundo, os profetas não são simplesmente pessoas ungi-
das que dão profecias pessoais a indivíduos. Os profetas ma-
duros e genuínos, dependendo da medida do dom que rece-
beram, têm a capacidade sobrenatural de perceber e procla-

148
Uma Associação Arriscada: Como
Entender a Relação Entre os Apóstolos e os Profetas

mar a palavra imediata de Deus a indivíduos, igrejas, cidades


e nações. Eles estão ungidos por Deus para discernir os ata-
ques demoníacos; para revelar as estratégias divinas; para
reconhecer chamados e dons; para transferir dons proféticos
e para proclamar, acertadamente, através da pregação ou da
profecia, o que Deus está dizendo nesse momento a igrejas
específicas e a indivíduos.
Embora os profetas sejam eficazes para edificar igrejas in-
dividualmente, sua eficácia aumenta consideravelmente quan-
do trabalham como equipe. Seja a combinação de Jesus e João
Batista, ou Paulo e Silas, a dinâmica da equipe no ministério
exerce um papel decisivo tanto no fundamento como na cons-
trução da Igreja no Novo Testamento. Hoje em dia, não há
diferença! Se quisermos edificar igrejas fortes, duradouras e
que mudem o mundo, devemos redescobrir os segredos do
trabalho profético e apostólico em equipe.
Isto, portanto, é o assunto que está diante de nós. Como
os apóstolos e os profetas podem trabalhar juntos? Para ser o
mais claro possível, discutiremos este assunto tão decisivo
examinando os problemas que os apóstolos e os profetas en-
frentam ao trabalharem juntos. A seguir, consideraremos al-
guns exemplos de equipes apostólico-proféticas que apare-
cem no Novo Testamento. Finalmente, discutiremos os prin-
cípios necessários para que os apóstolos e os profetas traba-
lhem juntos de uma maneira eficaz.

Os problemas
Quando olhamos o Corpo de Cristo de hoje, vemos que a
equipe apostólico-profética é quase inexistente. Seja pelo fato
de as palavras proféticas nunca se cumprirem, devido à aspe-
reza dos estilos ou porque as revelações são tão esotéricas
que não tenham nenhuma aplicação prática, muitos apóstolos
e outros líderes tiveram más experiências com profetas. A
estas experiências também se acrescenta o fato de muitos pro-
fetas, em nível funcional, rejeitarem qualquer autoridade hu-
mana nos assuntos espirituais. Dizendo de maneira simples

149
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

que se eles crêem que Deus lhes falou, nenhum ser humano
pode dizer o contrário. Como profeta, entendo muito bem a
tentação para uma forma radical de misticismo, que pode trans-
formar os sentidos espirituais de uma pessoa na suprema au-
toridade em sua vida.
Por outro lado, muitos profetas e apóstolos foram seria-
mente feridos por pastores e apóstolos com boas intenções.
Não posso contar os profetas que foram esmagados sob o
pretexto da correção bíblica por parte de um líder que se sen-
tiu ameaçado pela natureza de seus dons, ou frustrado por
sua própria falta de maturidade.
Por que uma relação com um potencial divino tão extraor-
dinário é tão arriscada? Primeiro, como todas as relações hu-
manas, os pecados como o orgulho, a insegurança, os ciúmes,
a ambição e a rebelião têm deteriorado as relações entre es-
tes indivíduos excepcionais. Sem as realidades bíblicas do
perdão, humildade e a submissão à autoridade, os apóstolos
e os profetas nunca poderão se relacionar, ainda que possa-
mos ter muitos livros escritos e sermões pregados sobre o
assunto.
Segundo, muitos profetas modelam seus ministérios no pa-
drão de profeta apresentado no Antigo Testamento. Não sei
se este modelo é adotado porque se torna mais chamativo
para os seus egos, ou simplesmente porque a função do pro-
feta se delineia com mais clareza no Antigo Testamento. Qual-
quer que seja o caso, tenho observado duas coisas: (1) Muitos
profetas se relacionam com a Igreja como os profetas do An-
tigo Testamento se relacionavam com IsraeL (2) Muitos pro-
fetas se relacionam com os apóstolos e com os pastores da
mesma maneira que os profetas do Antigo Testamento se re-
lacionavam com os reis. Para o propósito deste estudo, con-
tudo, nos concentraremos na segunda destas duas observa-
ções.
No Antigo Testamento, os profetas exerciam seus ofícios
independentemente dos reis e dos sacerdotes. Com exceção
dos casos em que um profeta mais velho serviu de mentor,

150
Uma Associação Arriscada: Como
Entender a Relação Entre os Apóstolos e os Profetas

eles prestavam contas somente a Deus. Ainda que tratassem


os reis enviados por Deus com respeito e temor, suas rela-
ções com eles incluíam somente quatro aspectos. Primeiro,
naqueles tempos, eles eram usados para ungir e coroar os
reis. Ainda que normalmente não os coroassem de forma ofi-
cial, o fato de ungi-los com azeite era um passo crucial no
processo de coroação. Um exemplo disto é visto quando Sa-
muel unge Davi (I SamueI16.1-13).
Segundo, os profetas do Antigo Testamento eram tam-
bém a consciência das nações, assim como dos reis aos quais
serviam. Este aspecto ministerial pode ser visto, na vida de
Jeremias, o qual serviu como consciência de Judá por anos,
mesmo quando seu povo e seus reis se negaram a aceitar a
possibilidade de que Deus os castigaria através dos babilô-
nios.
O terceiro aspecto é que profetas também confrontavam
os reis. Seja o caso da confrontação de Elias com Acabe (I Reis
18.1-19) ou a repreensão de Samuel a Saul (1 SamueI15.12-31),
os profetas do Antigo Testamento confrontavam os reis de
Israel e de Judá. Finalmente, os profetas traziam uma tre-
menda consolação aos reis. Até o rei apóstata Acabe recebeu
alento e consolo profético antes da mais trágica batalha de
sua vida (I Reis 20.13-30).
Obviamente, muitos destes aspectos do ministério do pro-
feta são válidos até aos nossos dias. Há momentos nos quais
o profeta deve consolar o apóstolo e o pastor. Além disso,
Deus usa os profetas para discernir e revelar os chamados
apostólicos na vida dos líderes.
Até mesmo para servir como a consciência das nações, das
igrejas ou dos líderes, o profeta tem um lugar nestes dias.
Ele é sempre necessário para dar consolo e alento proféti-
co. Mas, como modelo único, o conceito de profeta do Antigo
Testamento é, quando muito, incompleto; e da mesma forma,
extremamente perigoso. Para melhor entender os problemas
inerentes ao modelo do Antigo Testamento, devemos tomar
uns minutos para examinar a relação entre os apóstolos e os

151
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

profetas no Novo Testamento. Para facilitar este estudo, to-


maremos quatro pares de relações: Jesus e João Batista; Paulo
e Barnabé; Paulo e Silas; e Paulo e Ágabo.

As ilustrações
Primeiro, na relação de Jesus e João Batista, encontramos
um poderoso exemplo de uma equipe apostólico-profética.
Paralelamente ao fato de todos os dons e ministérios opera-
rem através de Jesus, Ele é obviamente o fundador apostóli-
co do Cristianismo (Hebreus 3.1). E em relação a João, encon-
tramos, em Lucas 7.26-27, que ele foi um dos profetas mais
importantes da história. Em João 1.32-37, vemos dois elemen-
tos oportunos de sua relação:

Então João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu


como pomba epermanecer sobre ele. Eu não o conhecia, mas o que
me mandou batizar com água, me disse: Aquele sobre quem vires
descer e permanecer o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito
Santo. Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus. No dia seguinte
João estava outra vez ali, na companhia de dois dos seus discípu-
los. Quando ele viu Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus. Os
dois discípulos ouviram-no dizer isto e seguiram a Jesus.

Nos versículos 32 ao 34, encontramos que João foi usado


para reconhecer Jesus. Através de sua relação profética com
o Senhor, ele foi capaz de olhar além do fato de Jesus ser seu
primo mais novo, e pôde discernir a mão do Pai na vida dEle.
(Não há diferença com relação aos profetas de hoje. Não pos-
so contar as vezes nas quais Deus usou o meu chamado pro-
fético para reconhecer o chamado apostólico de alguém).
No entanto, o ministério de João não terminou simples-
mente com o reconhecimento da unção apostólica de Jesus.
Nos versículos 35 ao 37, é registrado que ele também foi cha-
mado para revelar a identidade real e a unção de Jesus. Este
era o propósito principal da vida de João. Ele foi chamado
para dizer às multidões (as multidões que foram atraídas pela

152
Uma Associação Arriscada: Como
Entender a Relação Entre os Apóstolos e os Profetas

unção de Seu ministério): ESTE é o nome que vocês necessi-


tam seguir. Como profeta, tenho descoberto que este é um
dos papéis mais críticos. Na família cristã da qual faço parte,
Morning Star Internatíonal (Estrela da Manhã Internacional),
tenho sido usado repetidamente - em conferências e igrejas
- para mostrar a importância estratégica dos apóstolos de
nossa equipe nas igrejas e em relação às pessoas as quais eles
servem e dirigem. Estou convencido de que da mesma ma-
neira que João "preparou o caminho" para Jesus, os profetas
de hoje são chamados para preparar o caminho, a fim de que
uma nova geração de apóstolos faça o seu trabalho.
Permita-me ilustrar o que quero dizer com "preparar o ca-
minho". Através do poder do ofício profético, os profetas po-
dem conseguir a credibilidade necessária para falar às áreas
mais suscetíveis na vida da Igreja e das pessoas. Por exemplo,
em muitas ocasiões as igrejas me convidam para falar porque
gostam do dom sobrenatural da profecia. O que realmente
necessitam, no entanto, é um pouco da sabedoria prática de
um apóstolo para solucionar os complexos problemas que en-
frentam. Quando me encontro em situações como estas, uso a
credibilidade que o dom de Deus tem produzido, em minha
vida, para levar-lhes até a ajuda apostólica de que necessitam.
Na relação entre Jesus e João Batista, também encontra-
mos uma das maiores provas do ministério profético. Esta
prova é descrita em João 1.19-20 e 3.26-30:

Este foi o testemunho de João, quando os judeus mandaram de


Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és
tu? Ele confessou e não negou, confessou: Eu não sou o Cristo.
Foram a João, e disseram: Rabi, aquele homem que estava con-
tigo além do Jordão, do qual deste testemunho, está batizando,
e todos vão ter com ele. João respondeu: O homem só pode
receber o que lhefor dado do céu. Vós mesmos sois testemunhas
de que vos disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante
dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo do noivo, que lhe
assiste, espera e ouve, e alegra-se muito com a voz do noivo.

153
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

Essa alegria é minha, e agora está completa. É necessário que


ele cresça, e que eu diminua.

Quem és tu? Esta pergunta precipitou o momento mais


decisivo de sua vida. Depois de tudo, nunca nasceria um pro-
feta maior do que João. As multidões atraídas pela unção em
sua vida foram as maiores vistas em Israel por séculos. Iam
até os desertos para ouvir seu sonoro chamado ao arrependi-
mento e à santidade. Certamente, como Elias, ele era a perso-
nificação de tudo o que Deus estava fazendo na Terra. Foi ele
quem plantou apostolicamente o Reino de Deus na Terra! No
entanto, ele não era " 0 Escolhido"e sabia disso. Com estas
palavras superou sua prova: "Eu não sou o Cristo, mas sou
enviado diante dEle".
Ainda em nossos dias, esta prova está vigente. Muitos pro-
fetas enfrentam a mesma prova que João enfrentou, ainda
que não percebam. A unção de Deus, em suas vidas, está atra-
indo multidões. Todo o mundo quer uma profecia pessoal e
uma revelação dos lábios do profeta. Conferências inteiras
querem alegrar-se com o fenômeno profético que rodeia suas
vidas. Até as igrejas estão clamando para estarem debaixo de
uma cobertura profética.
Independente de todo o governo apostólico verdadeiro,
há profetas que se autoproclamam, ou alguns amigos com boas
intenções os apresentam como apóstolos, ou apóstolos-pro-
féticos. Ainda que a rede de igrejas que esses estabeleçam se
beneficie da unção profética, eles serão enfermos na tarefa de
plantar igrejas, de abrir nações e de usufruir do poder pio-
neiro que procede da liderança apostólica.
Conheço pessoalmente esta prova muito bem. Houve um
tempo, em minha vida, na qual eu estava pronto para procla-
mar que era um apóstolo. As igrejas queriam a minha ajuda,
os pastores pediam minha cobertura e todo mundo queria
profecias. Este curto período de tempo foi o único em meu
ministério em que trabalhei independente de uma autorida-
de apostólica. Sou muito grato ao Senhor por ter me livrado

154
Urna Associação Arriscada: Corno
Entender a Relação Entre os Apóstolos e os Profetas

de uma vida que busca ser algo que Ele nunca me chamou a
ser. Ele uniu-me a uma incrível equipe de apóstolos que estão
comprometidos a plantar igrejas ao redor do mundo.
A próxima relação apostólico-profética que discutiremos é
a de Paulo e Barnabé. Embora seja óbvio que Paulo tenha
sido um apóstolo, muitos líderes cristãos discutirão que Bar-
nabé também o foi. A discussão baseia-se no seguinte: (1)
Barnabé foi enviado em uma missão apostólica com Paulo
desde a igreja em Antioquia (Atos 13.1-3) e (2) e ele, assim
como Paulo, é chamado apóstolo (Atos 14.4). Mesmo que os
líderes cristãos pudessem estar corretos em sua discussão,
em minha opinião, o dom principal na vida de Barnabé era o
de profeta, ou o que chamaria o Dr. P~ter Wagner, um após-
tolo-profético. Qualquer que seja o caso creio que o ofício de
profeta era a unção mais poderosa na vida de Barnabé.
Esta opinião se baseia no seguinte: primeiro, os apóstolos
mudaram o seu nome de José para Barnabé (Atos 4.36). O
nome Barnabé deriva-se de uma palavra caldéia que significa
"filho da profecia". Penso que a mudança do nome foi um
reflexo do chamado e da unção que os apóstolos viram em
sua vida. E por último, quando a relação deles começou, Bar-
nabé também tinha muito mais experiência ministerial do que
Paulo. Ele foi o mesmo homem que Deus usou para reconhe-
cer a unção apostólica na vida de Paulo e para revelá-la à
Igreja daquele tempo (Atos 9.26-30; 11.25-26). Não obstante,
quando saíram de Chipre (uma das paradas em sua primeira
viagem apostólica), Paulo já estava na direção da equipe.
A transição de liderança é refletida na linguagem de Atos 13.
No versículo dois, o Espírito Santo disse: "Apartai-me a Barna-
bé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". No momento
em que chegamos ao versículo treze, é feita a referência à equipe
como "Paulo e seus companheiros". Será que esta clara mudança
de liderança foi um rebaixamento para Barnabé, devido a al-
gum problema na sua vida? Não, isso simplesmente ilustra o
fato de que aos apóstolos é dada uma autoridade governamen-
tal maior do que aos profetas (I Coríntios 12.28).

155
Apóstolos e Profetas I Hedor Torres

Como profeta, reconheço e desfruto do fato de que Deus


colocou minha vida debaixo da autoridade apostólica. Quan-
do penso em Rice Brooks, Phil Bonasso eSteve Murrel1, os
três homens apostólicos que Deus usou para estabelecer o
ministério do qual sou parte, meu coração se enche de grati-
dão pela liderança deles. Estes homens deram-me (como o
principal líder profético de nosso ministério) toda a influên-
cia, autoridade e as oportunidades que pude desejar. No en-
tanto, tenho algo mais do que isto. Tenho a satisfação de ver
a unção e a frutificação (do ministério que Deus entregou-
me) aumentar exponencialmente, porque sei que estou minis-
trando em um concerto divino com homens com o dom apos-
tólico. Em um ministério cheio de apóstolos e evangelistas,
não profetizo somente sobre a próxima colheita, mas vivo no
meio dela! Além disso, faço mais do que profetizar sobre o
plantar igrejas e orar para que isso ocorra: tenho o privilégio
de ministrar em igrejas plantadas ao redor do mundo, por-
que escolhi caminhar com os homens que têm os dons de Deus
para estabelecer a semeadura: Seja Barnabé (ou eu), nunca
esqueçamos de que todos nós, profetas, devemos fazer a per-
gunta: Quem tem a autoridade?
Após separar-se de Barnabé, Paulo convidou Silas para unir-
se à sua equipe ministerial (Atos 15.40). Sabemos, através de
Atos 15.32, que Silas era um profeta. Uma vez mais, Paulo
uniu-se em equipe com um profeta. O resto é história. Deus
usou Paulo e Silas para abrir toda a província da Macedônia!
É interessante também notar o que aconteceu na província
da Macedônia quando Silas não estava com Paulo. Ainda que
seja somente especulação, tenho-me perguntado se os pobres
frutos produzidos pelo ministério de Paulo na cidade de Ate-
nas (Atos 17.32-34) foram devido ao fato de Silas não estar
com ele (Atos 17.14). Será que Paulo estava perdendo a reve-
lação sobrenatural e a visão no plano invisível que Silas pro-
veu? Como já disse, tudo o que podemos fazer é especular.
Ainda que a Escritura seja virtualmente silenciosa em rela-
ção ao trabalho apostólico-profético em equipe, tenho apren-

156
Uma Associação Arriscada: Como
Entender a Relação Entre os Apóstolos e os Profetas

dido em minha própria experiência que a produtividade mi-


nisterial dos apóstolos e dos profetas aumenta grandemente
quando eles trabalham em equipe. Creio que algumas das
razões disto são as seguintes:

(1) Quando a revelação profética do profeta combina


com a sabedoria do apóstolo, existe todo um novo ní-
vel de aplicação estratégica. Em minha própria vida,
tenho visto os apóstolos com os quais tenho trabalha-
do, receber a sabedoria de Deus para aplicar, com re-
sultados incríveis, a revelação profética que recebem.

(2) As idéias que os profetas recebem dentro da estra-


tégia e o momento de Deus para as nações, cidades e
pessoas são uma ajuda incrível para um semeador apos-
tólico de igrejas.

(3) A combinação da unção profética e os sinais e prodF


gios que podem acompanhar o ministério apostólico cri-
am uma atmosfera incrível para o avanço do Reino. Es-
tou convencido de que esta poderosa combinação minis-
terial será a chave para completar a Grande Comissão.

A última relação apostólico-profética que discutiremos é a


de Paulo e Ágabo. Ainda que eles não tivessem uma relação
de equipe íntima, Deus usou este respeitado profeta (Atos
11.27-30), para falar à vida de Paulo em um momento crucial
de seu ministério (Atos 21.10-13).

Demorando-se ali por muitos dias, chegou da Judéia um profe-


ta, de nome Agabo, que, vindo ter conosco, tomou o cinto de
Paulo e, ligando os seus próprios pés e mãos, disse: isto diz o
Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o ho-
mem a quem pertence este cinto, e o entregarão nas mãos dos
gentios. Ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que
eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém. Mas Paulo

157
Apóstolos e Profetas I Hector Tones

respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o cora-


ção? Eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer
em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.

Deste único encontro profético, podemos tirar duas ob-


servações:

(1) É crucial que os apóstolos estejam abertos para rece-


ber ministração profética de profetas que foram prova-
dos e com os quais NÃO tenham relação de equipe. De
fato, em alguns momentos, um profeta que não esteja
intimamente relacionado com a vida da pessoa, pode
falar com muito mais exatidão, porque a palavra não é
afetada pelo conhecimento natural.

(2) Através do dom profético, os profetas podem tra-


zer aos apóstolos revelações que são vitais para seus
ministérios. Seja uma advertência, alento ou consolo,
este aspecto do ministério do profeta não deve ser mi-
nimizado.

Os princípios
Já no final do capítulo, permita-me tomar um momento
para apresentar-lhes o que considero como os princípios gui-
as nas relações entre apóstolos e profetas.

Princípio 1 - Ainda que haja muito que aprender do


modelo dos profetas do Antigo Testamento, o padrão
do Novo Testamento é que a vida da Igreja não é uma
vida de ministros independentes, que não ouvem a nin-
guém, a não ser a Deus.

Princípio 2 - Deus colocou o ofício de apóstolo acima


do ofício de profeta (I Coríntios 12.28). Dizendo clara-
mente, o ofício dos profetas é mais eficaz se estiver
debaixo da cobertura do apóstolo.

158
Uma Associação Arriscada: Como
Entender a Relação Entre os Apóstolos e os Profetas

Princípio 3 - Uma das coisas mais difíceis de negociar


em qualquer equipe é a relação entre iguais. Mesmo
que Deus tenha colocado os apóstolos em autoridade
sobre os profetas, em muitos momentos também eles
serão iguais e até amigos íntimos. Quando for este o
caso, o respeito mútuo, a humildade e a submissão en-
tre um e outro são, ainda, mais importantes. Mesmo
quando os apóstolos dirigem a equipe ministerial da
qual sou parte, todos nós somos responsáveis, em amor,
por nossos casamentos, famílias, vidas e ministérios.
Além disso, eles tratam cada palavra que compartilho
com o maior respeito.

Princípio 4 - Embora Deus tenha colocado os apóstolos


sobre os profetas, estes têm a habilidade única de tra-
zer fortalecimento, alento, revelação e consolo aos após-
tolos. Portanto, é vital que os apóstolos estejam abertos
ao ministério do profeta.

Princípio 5 - A capacidade frutífera dos apóstolos e


dos profetas pode aumentar incrivelmente quando exis-
te disposição para trabalhar em equipe. Seja a revelação
prevista pelo profeta ou a sabedoria e a graça governa-
mental do apóstolo, estes ministérios têm uma habili-
dade de complementarem-se um ao outro, que é única
no Reino de Deus.

Antes de terminar, permita-me dizer isto: Ainda que a in-


formação exposta aqui possa servir de ajuda quando for apli-
cada, não há relação entre apóstolo e profeta (nem entre o
pastor e uma pessoa com o dom de profecia) que possa expe-
rimentar êxito, a longo prazo, sem as atitudes bíblicas descri-
tas em I Coríntios 13.4-8:
O amor é paciente, é benigno. O Amor não inveja, não se
vangloria, não se ensoberbece. Não se porta inconveniente,
não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não sus-

159
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

peita mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas se rego-


zija com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta. O amor nunca falha...
Não importa se você é o apóstolo ou profeta mais experi-
ente, ou se é o líder mais novato de sua igreja; se você não
tem a paciência, a benignidade, o perdão, a habilidade para
confiar e um estilo de vida de humildade, será quase impos-
sível que possa manter uma relação ministerial de equipe
duradoura. Permitamos que Deus edifique estas característi-
cas vitais em nossas vidas enquanto buscamos o nascimento
das equipes apostólico-proféticas que sacudirão as nações do
mundo nesta geração!

160
Notas

1 - Or. Bill Hamon, Prophets and the Prophetic Movement [Profetas y el movimiento profético}, Oestiny
image.1990, p. 124.
2 - N.E.: O Autor fala aqui do movimento, na sua pureza, não com os desvios que alguns, com passar
do tempo, deram-no de forma oportunista.

3 - Bíblia Plenitud, Editorial Caribe, Miami, FL, 1994, p.9.

4 - Or. Bill Hamon, Prophets and the Prophetic Movement [ Los profetas y el movimiento profético},
Oestiny Publishers, 1990, p. 126 (dei original en inglés).

5 - Or. C. Peter Wagner, Prayer and the Order ofthe Church. [ Lo oración y el orden de la Iglesia}, Global
Prayer News, April-June 2000, p.l.

6 - Biblia Plenitud, Editorial Caribe, Miami, FI, 1994, p. 1670.

7 - !.JJ decadencia de la Iglesia tradicional, Carisma and Christian Life, marw 2000, p. 62.

8 - Ibid., pp. 63-64.

9 - Biblia Plenitud, Riqueza Literária, Editorial Caribe, Miami, FL, 1994, pp. 350-351.

10 - Idem, ibidem, p.346

1 - Idem, ibidem, p. 1187

12 - C. Pierce y R. Wagner, Receiving the Word ofthe Lord [Cómo recibir la Palabra dei Senor}, Wagner
Publications, 1999, p. 16.

13 - Biblia Plenitud, Editorial Caribe, Miami, FL, 1994, p. 1085.

14 - Idem, ibidem, p. 540.

15 N.E.: Argumento de líderes evangélicos de que os dons espirituais cessaram com a morte dos após-
tolos que estiveram com Jesus, ou quando o CANON (os livros) do Novo Testamento foi concluído.

16 - Pablo Deiros, Úl Accián dei Espírito Santo en la Historia, Editorial Caribe, Miami, FL.., 1998, p. 38

17 - Idem,ibidem. p. 39.

18 - Ignacio de Antioquia, Carta a los Filadelfos, 7.1-2 - Incompleta

19 - Pablo Deiros, Úl Acción dei Espíritu Santo en la Historia, Editorial Caribe, Miami, FL, 1998, p. 50.

20 - Idem,ibídem. p. 56.

21 - Idem, ibidem. p.462.

22 - Idem, Ibid. p.1409.

23 - BíblÚl Plenitud, Editorial Caribe, Miami, FL, p.1500.

24 - Úl Didaqué, 11.10-12

161
Apóstolos e Profetas I Hector Torres

25 - Bíblía Plenítud, Editorial Caribe, Miami, FL, 1994, p. 1605.

26 - Wagner. Apostles and Prophets, The Foundation ofthe Church. (Apóstoles y Profetas, Fundamento
de la 19lesia! capítulo 8, p.1, deI original en inglés.

27 - Cannistracci, Apostles and the Emergíng Apostolic Movement [Los apóstoles y el creciente mo-
vímientoapostólico], Renew Books, 1996, p. 12 (deI original en inglés).

28 - Idem, ibidem, p.19.

29 - C. Peter Wagner, Terremoto en la 19lesía, Caribe/Betania Editores, Miami, FL, 2000, p.109.

30 - Bíblia de Plenítud, Editorial Caribe, Miami, FL, 1994, p. 1496.

31 - C. Peter Wagner, Sus danes espirituales pueden ayudar a crecer su íglesía, Libras CLIE, 1980, p.
206. N.E.: Este livro está publicado em português pela ABBA PRESS.

32 - J. Eckhardt, Movíéndonos en lo apostólico, Eckhardt, 1999, p. 83.

33 - Bíblia Plenitud, Editorial Caribe, Miami, FL, 1994, p.302.

34 - P. Gundry, Women Can Be Free [Úl mujer puede ser libre], Zondervan, 1997, p.102.

35 - Charles Trombley, Who saíd Women Can't Teach? [;. Quién díjo que la mujer no puede ensenar?]
Bridge Publishing, 1985,pp.190-191. Tomado de Cannistracci, Apostles and The Emergíng Apostolic
Movement [Los apóstoles y el crecíente movimiento apostólica], Renew Books, 1996, p. 89.

36 - Canistracci, Apastles and the Emerging Apostalic Movement [Los apóstoles yel creciente movi-
miento apostólico], Renew Books, 1996, p.19.

37 - Or. Bill Hamon, Apastles, Prophets and the Caming Moves af Gad [Apóstales, profetas y el mover
venidero de Dias], Oestiny Image Publishers, 1997, p.220.

38 - Paule A. Price, Gads Apastle Revíved [EI apóstol de Dias restaurado], Everlasting LHe Publica-
tions, Planifield, New Jersey, 1994.

39 - Bill Hamon, Apostles, Prophets, and the Coming Moves ofGod [Apóstoles, profetas y el maver venidero
de Dias], Christian International, Oestiny Image Publishers, Santa Rosa Beach, FL, 1997, p.l39.

40 - Harold O. Hunter, Shepherding Mavement, Dictíonary af Pentecostal and Charismatic Move-


ments [Díccionarío de los movímíentos pentecostales y carismáticos], Grand Rapids, MI, Zondervan
Publishing House, 1988, p. 784.

41 - C. Peter Wagner, Yaur Spirítual Gifts Can Help Yaur Church Grow [Sus danes espirituales
pueden ayudar a su íglesia a crecer ] RegaI Books, Ventura, CA, 1979, p.229,

42 - Chuck O. Pierce and Rebecca Wagner Sytsema, Receíving the Word of the Lord [Cómo recibir la
Palabra de Días}, Colorado Springs Publications, Colorado Springs, CO, 1999, p.15.

43 Or. Bill Hamon, Prophets and Persanal Prophecy, Destiny lmage, Shíppensburg, PA, 1987, p.145.

162