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HANSENÍASE

Lepra, Morféia, Peste Negra,


Mal de São Lázaro

Profa. Dra. Rosângela Elaine Minéo Biagolini


2018
A HANSENÍASE NO MUNDO E NO BRASIL
Número de casos novos de Hanseníase detectados em 2013 nos 14 países
com mais de mil casos novos detectados no ano.
PAÍS Nº CASOS NOVOS - 2013
INDIA 126.913
BRASIL 31.044
INDONÉSIA 16.856
ETIÓPIA 4.374
CONGO 3.744
NIGÉRIA 3.385
Fonte: Weekly epidemiological record – OMS – 05/09/2014

NEPAL 3.225
BANGLADESH 3.141
MIAMAR 2.950
TANZÂNIA 2.005
SRI LANKA 1.990
FILIPINAS 1.729
MADAGASCAR 1.569
COSTA DO MARFIM 1.030
SUB-TOTAL 204.094
TOTAL NO MUNDO 215.656
Características epidemiológicas
Apesar de estudos de tendência
mostrarem que a endemia hansênica está
em decréscimo, o geoprocessamento de
casos novos mostra que existem focos de
transmissão recente particularmente nos
nove estados da Amazônia legal.
Unidades de
Referência
Município de São
Paulo

Total: 33 unidades

 25 SMS/SP

 03 SES/SP

 05 Universidades

(FMUSP, UNIFESP e Santa


Casa de SP)

 + 01 SMS/SP em fase de
implantação , UBS Sta. Cecília
1975: foi abolido o termo lepra, e instituído oficialmente
no Brasil, o termo hanseníase, corrigindo assim, um erro
milenar.

“Visando à reintegração social do doente, passam a vigorar as


seguintes normas: O termo “lepra” e derivados ficam
proscritos da linguagem utilizada nos documentos oficiais do
Ministério da saúde.”

2003: Brasil é o segundo país do mundo em número de


casos da doença.
HANSENÍASE

Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hans, agente causador da


hanseníase

Fonte: www.google.com.br/imagems
Hanseníase: é uma doença infecciosa crônica, causada pelo

Micobacterium leprae – Bacilo de Hansen que ataca pele e nervos

periféricos.

ALTA INFECTIVIDADE E BAIXA PATOGENICIDADE

Primeiros sinais da doença: são manchas hipocrômicas na

pele, com alteração na sensibilidade, devido a instalação do bacilo

nas terminações nervosas da pele.

É doença de notificação compulsória em todo o território nacional.


 A doença é transmitida por via respiratória,

necessitando de contatos prolongados com o doente

virgem de tratamento. Os principais susceptíveis são os

contatos intradomiciliares.

 Outra forma de transmissão de menor importância é

a pele com solução de continuidade.

 Período de Incubação: em média de 2 a 7 anos.


HOMEM
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
DOENTE – F. SUSCEPTÍVEL
CONTAGIANTE 2 a 7 anos

INDETERMINADA NÃO CONT TRATAMENTO CURA S/ SEQUELA

NÃO 1 a 5 anos
TRATAMENTO
OU OU

TUBERCULOIDE NÃO CONT DIMORFA CONT VIRCHOVIANA CONT

TRATAMENTO NÃO TRATAMENTO


TRATAMENTO NÃO TRATAMENTO

CURA COM OU SEQUELA


FONTE DE
SEM SEQUELAS CURA COM OU
SEQUELA INFECÇÃO
SEM SEQUELAS
HANSENÍASE INDETERMINADA

Conceito
Forma caracterizada por um estágio inicial e transitório, em que a
resposta imunológica não foi claramente determinada

QUADRO CLÍNICO
-Máculas hipocrômicas, hipo ou anestesia local (tátil, térmica ou dolorosa);

-Pode ou não atingir filetes nervosos;

- Pouca quantidade de bacilos (indivíduo paucibacilar);

- De acordo com a resposta imune de cada indivíduo, as lesões poderão curar-se


espontaneamente ou evoluir para uma das formas polares (tuberculóide ou
virchoviana).
FORMA INDETERMINADA
Áreas hipo ou anestésica;
hipocrômicas ou
avermelhadas; sem suor e
com rarefação de pelos.
Não é transmissível.
Tratamento: 6 doses.
HANSENÍASE TUBERCULÓIDE
Conceito
Forma polar caracterizada por resposta imunológica específica, eficiente
para impedir a proliferação bacilar
QUADRO CLÍNICO
-Forma de alta resistência à infecção pelo M. leprae;

-Comprometimento nervos de forma assimétrica;

-Baciloscopia negativa e Mitsuda positivo

- Lesões cutâneas e/ou neurais únicas, bordas bem delimitadas;

- Hipo ou anestesia local, borda papulosa e infiltrada;

- coloração eritemato-acastanhada;

- queda de pelos e alteração das sensibilidade térmica, dolorosa e tátil, com


ausência de suor;
FORMA
TUBERCULÓIDE
Placas
eritematosas, bem
delineadas; hipo ou
anestésica; com
comprometimento
de nervos. Não é
transmissível.
Tratamento: 6
doses.
HANSENÍASE DIMORFA
Conceito
Forma onde a resposta imunológica não está bem definida, coexistindo
aspectos das formas virchowiana e tuberculóide
QUADRO CLÍNICO

Clinicamente oscila entre as manifestações da forma tuberculoide e as da forma


virchowiana.

Pode apresentar lesões de pele, bem delimitadas, com pouco ou nenhum bacilo, e
lesões infiltrativas mal delimitadas, com muitos bacilos.

Uma mesma lesão pode apresentar borda interna nítida e externa difusa.

O comprometimento de nervos e os episódios reacionais são frequentes,


podendo esse paciente desenvolver incapacidades e deformidades físicas.

A baciloscopia de raspado intradérmico pode ser positiva ou negativa.


FORMA
DIMORFA
Lesões
eritematosas
planas ou
infiltradas com
o centro claro,
de tonalidade
ferruginosa ou
pardacenta;
com alteração
de
sensibilidade.
É
transmissível.
Tratamento: 12
doses.
HANSENÍASE VIRCHOVIANA
Conceito
Forma polar caracterizada por resposta imunológica deprimida, específica para
M.leprae.
QUADRO CLÍNICO
Caracteriza-se clinicamente pela disseminação de lesões de pele que podem ser eritematosas,
infiltrativas, de limites imprecisos, brilhantes e de distribuição simétrica.

Nos locais em que a infiltração for mais acentuada podem se formar pápulas, tubérculos, nódulos e
placas chamadas genericamente de hansenomas.

Pode haver infiltração difusa da face e de pavilhões auriculares com perda de cílios e supercílios.

Devem ser valorizados sintomas gerais incluindo obstrução nasal e rinite, mesmo na ausência de lesões
significativas de pele e de nervos.

Esta forma constitui uma doença sistêmica com manifestações mucosas e viscerais importantes,
especialmente nos episódios reacionais, onde olhos, testículos e rins, entre outras estruturas, podem
ser afetados.

Existem alterações de sensibilidade das lesões de pele e acometimento dos nervos , porém, não tão
precoces e marcantes como na forma tuberculoide.

A baciloscopia de raspado intradérmico é positiva com grande número de bacilos.


FORMA VIRCHOVIANA
Eritema e infiltração
difusa; placas
eritematosas infiltradas e
de bordas mal definidas;
tubérculos e nódulos;
madarose; lesões de
mucosas; com alteração
de sensibilidade. É
transmissível.
Tratamento: 12 doses.
AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA  identificar as lesões de pele,

toda superfície corporal, sentido crânio-caudal, por seguimento,

procurando identificar áreas acometidas por lesões de pele.

Áreas que as lesões ocorrem com maior frequência = face,

orelhas, nádegas, braços, pernas e costas, mas podem ocorrer

na mucosa nasal.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO => anamnese, avaliação

dermatológica, avaliação neurológica, diagnóstico

diferencial, classificação da incapacidade física

1) EXAME DERMATONEUROLÓGICO COM TESTES DE

SENSIBILIDADE (TÉRMICO, DOLOROSO E TÁTIL);

2) TESTE DE FORÇA MUSCULAR

3) PALPAÇÃO DOS NERVOS MAIS COMUMENTE ACOMETIDOS.


Mais precocemente alterada
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL => baciloscopia - esfregaços de

raspados intradérmicos das lesões hansênicas ou de outros locais

de coleta: lóbulos auriculares e/ou cotovelos, e lesão se houver.

A baciloscopia positiva classifica o caso como MB, independente

do número de lesões.

A baciloscopia negativa não afasta diagnóstico de hanseníase

PORTANTO O DIAGNOSTICO DEVE SER CLINICO


Biopsia de Pele
BACILOSCOPIA
Locais de coleta: borda da
lesão, lóbulos das orelhas e
cotovelos.
Tratamento Poliquimioterápico - PQT/OMS
Apresentação das cartelas

Fonte: www.google.com.br/imagems
• Esquema PB = 6 meses de duração em até 9 meses
• Rifampicina (RFM) - uma dose mensal de 600 mg (2
cápsulas) – administração supervisionada
• Dapsona (DDS) – uma dose mensal 100 mg =
administração supervisionada + 1 dose por dia
autoadministrada

• Esquema MB = 12 meses de duração em até 18 meses


• Rifampicina - uma dose mensal de 600 mg (2 cápsulas) –
administração supervisionada
• Clofazimina (CFZ) – uma dose mensal 300 mg (3 cápsulas)
- administração supervisionada + 1 dose por dia 50 mg (1
cápsula) autoadministrada
• Dapsona (DDS)– uma dose mensal 100 mg =
administração supervisionada + 1 dose 100 mg por dia
autoadministrada
Esquemas terapêuticos padronizados

Esquema terapêutico para casos PAUCIBACILARES: 6 cartelas


Adulto Rifampicina (RFM): dose mensal de 600 mg (2 cápsulas de 300 mg) com administração
supervisionada.
Dapsona (DDS): dose mensal de 100 mg supervisionada e dose diária de 100 mg
autoadministrada.

Criança Rifampicina (RFM): dose mensal de 450 mg (1 cápsulas de 150 mg e 1 cápsula de 300 mg)
com administração supervisionada.
Dapsona (DDS): dose mensal de 50 mg supervisionada e dose diária de 50 mg
autoadministrada.

Duração: 6 doses.

Seguimento dos casos: comparecimento mensal para dose supervisionada.


Critério de alta: o tratamento estará concluído com seis (6) doses supervisionadas em até 9
meses.

Na 6ª dose, os pacientes deverão ser submetidos ao exame dermatológico, à avaliações


neurológica simplificada e do grau de incapacidade física e receber alta por cura.
Esquemas terapêuticos padronizados
Esquema terapêutico para casos MULTIBACILARES: 12 cartelas
Adulto Rifampicina (RFM): dose mensal de 600 mg (2 cápsulas de 300 mg) com administração
supervisionada.
Dapsona (DDS): dose mensal de 100 mg supervisionada e dose diária de 100 mg
autoadministrada.
Clofazimina (CFZ): dose mensal de 300 mg (3 cápsulas de 100 mg) com administração
supervisionada e uma dose diária de 50 mg autoadministrada.
Criança Rifampicina (RFM): dose mensal de 450 mg (1 cápsulas de 150 mg e 1 cápsula de 300
mg) com administração supervisionada.
Dapsona (DDS): dose mensal de 50 mg supervisionada e dose diária de 50 mg
autoadministrada.
Clofazimina (CFZ): dose mensal de 150 mg (3 cápsulas de 50 mg) com administração
supervisionada e uma dose diária de 50 mg autoadministrada em dias alternados.
Duração: 12 doses.

Seguimento dos casos: comparecimento mensal para dose supervisionada.

Critério de alta: o tratamento estará concluído com 12 doses supervisionadas em até 18 meses. Na 12ª dose, os
pacientes deverão ser submetidos ao exame dermatológico, a avaliações neurológica simplificada e do grau de
incapacidade física e receber alta por cura.

Os pacientes MB que excepcionalmente não apresentarem melhora clínica, com presença de lesões ativas da doença,
no final do tratamento preconizado de 12 meses (cartelas) deverão ser encaminhados para avaliação em serviço de
referência (municipal, regional, estadual ou nacional) para verificar a conduta mais adequada para o caso.
Reações Hansênicas/estados reacionais
• Reações do sistema imunológico do doente ao
Mycobacterium leprae – episódios inflamatórios
agudos e sub-agudos.
• Mais comum nos primeiros meses de tratamento (tb
pode ocorrer antes do diagnóstico ou após a cura)
• Quando ocorre antes do tratamento = principal causa
de lesões dos nervos
• Tratamento dos estados reacionais é ambulatorial

Fatores potencialmente capazes de desencadear


estados reacionais: gravidez, lactação, infecções......
Tratamento = prednisona = até a regressão clínica do quadro reacional
Reação tipo II Eritema Nodoso: Caracterizada por apresentar
nódulos vermelhos e dolorosos, febre, dores articulares, dor e
espessamento nos nervos e mal-estar generalizado.
Geralmente as lesões antigas permanecem sem alteração.
Tratamento = talidomida = 100 a 400 mg conforme intensidade do quadro = até
a regressão clínica do quadro reacional
NÃO UTILIZAR EM MULHERES EM IDADE FÉRTIL
PROFILAXIA
Exame de Contatos
Para fins operacionais, considera-se contato extradomiciliar toda e qualquer pessoa que resida ou
tenha residido com o doente de hanseníase nos últimos cinco anos
Exame dermatoneurológico de todos os contatos intradomiciliares dos casos novos detectados,
Repasse de orientações sobre período de incubação, transmissão e sinais e sintomas precoces da
hanseníase.

A vacina BCG-ID deverá ser aplicada nos contatos


intradomiciliares sem presença de sinais e sintomas de hanseníase
no momento da avaliação, independentemente de serem contatos
de casos PB ou MB.
AS AÇÕES DE CONTROLE DA HANSENÍASE
OBJETIVOS GERAIS
INTERROMPER A CADEIA DE
TRANSMISSÃO DA DOENÇA

PRESTAR ADEQUADA ASSISTÊNCIA


À SAÚDE DOS PORTADORES DA
DOENÇA

MINIMIZAR O COMPROMETIMENTO
DO BEM ESTAR FÍSICO, PSIQUICO E
SOCIAL DOS DOENTES E SUAS
FAMÍLIAS
CAMPANHAS
CAMPANHA ANUAL DE COMBATE À HANSENÍASE/São Paulo-SP
ATIVIDADES

Treinamento de todos os profissionais de saúde da rede de serviços.

Ampliação das ações de controle dos contatos.

 Busca ativa de casos entre os usuários e população.

 Divulgação dos sinais e sintomas da doença, através de material


educativo (cartazes, folders, álbum seriado).

 Mobilização Social através de parcerias com as ONGs, outras


secretarias, instituições, organizações da sociedade civil etc.
Bibliografia

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento


de Vigilância Epidemiológica. Hanseníase e direitos humanos : direitos e
deveres dos usuários do SUS / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância
em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília : Ministério
da Saúde, 2008. 72 p.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento
de Vigilância Epidemiológica. Hanseníase no Brasil: dados e indicadores
selecionados. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde,
Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília : Ministério da Saúde,
2009. 64 p.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento
de Vigilância Epidemiológica. Capacitação em prevenção de incapacidades
em hanseníase : caderno do monitor / Ministério da Saúde, Secretaria de
Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília :
Ministério da Saúde, 2010. 192 p.
4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento
de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias : guia de
bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde,
Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 8. ed. rev. – Brasília : Ministério
da Saúde, 2010. 444 p.