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Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof.

Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.


1 - O princípio da alteridade é violado em caso de proibição de mulher transexual utilizar banheiro
público feminino.

2 - Em relação à lei penal no tempo e à irretroatividade da lei penal, é correto afirmar que à lei
penal mais benigna aplica-se o princípio da extra-atividade.

3 - Com relação a lugar do crime e territorialidade e extraterritorialidade da lei penal, conforme


previstos no CP, julgue o item. Nos crimes conexos, não se aplica a teoria da ubiquidade, devendo
cada crime ser julgado pela legislação penal do país em que for cometido.

4 - Nos termos do entendimento sumulado pelo STJ, não poderá o juiz usar inquéritos policiais ou
ações penais em curso como maus antecedentes para fins de dosimetria da pena.

5 - Acerca do entendimento encampado pelo STF, julgue o item a seguir: No crime de estupro de
vulnerável, é sempre necessário contato físico entre autor e a vítima para sua consumação.

6 - Segundo o STJ, o tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite
máximo da pena abstratamente cominada ao delito.

7 - No que concerne a infração penal, fato típico e seus elementos, formas consumadas e tentadas
do crime, culpabilidade, ilicitude e imputabilidade penal, julgue os itens que se seguem: Considere
que um estuprador, no momento da consumação do delito, tenha sido agredido pela vítima que
antes tentara subjugar. A vítima, então, de posse de uma faca, fere e imobiliza o agressor, mas,
pensando ainda estar sob o influxo do ataque, prossegue na reação, infligindo-lhe graves
ferimentos. Nessa situação, não é cabível ao estuprador invocar legítima defesa em relação à
vítima da tentativa de estupro, porquanto aquele que deu causa aos acontecimentos não pode
valer-se da excludente, mesmo contra o excesso.

8 - É correto afirmar que; o perdão do ofendido exige aceitação do querelado para produzir efeito.

9 - Segundo a doutrina majoritária, em apenas uma das causas de exclusão de ilicitude previstas
no artigo 23 do Código Penal Brasileiro, a legítima defesa, pode ocorrer excesso doloso.

10 - Sobre as causas de exclusão de ilicitude, é correto afirmar que o direito penal reconhece a
legítima defesa sucessiva e também a recíproca.

11 - Ainda sobre causas de exclusão de ilicitude, de isenção de pena e sobre o erro, é correto
afirmar que a coação física irresistível é causa de isenção de pena.

12 - Sr. X é servidor público, responsável pela fiscalização aduaneira e, com infração de dever
funcional, não reprime a conduta de Sr. W que traz de outro país, sem autorização administrativa,

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combustível derivado do petróleo. Nesse caso, caracteriza-se o crime de facilitação de
contrabando ou descaminho, previstos no artigo 318 do Código Penal.

13 - A inexigibilidade de conduta diversa e a inimputabilidade são causas excludentes de ilicitude.

14 - Sobre os crimes contra a família, é INCORRETO afirmar que o crime de entrega de filho menor
a pessoa inidônea admite formas dolosa e culposa.

15 - De acordo com a teoria extremada da culpabilidade, o erro sobre os pressupostos fáticos das
causas descriminantes consiste em erro de tipo permissivo.

16 - Tanto a conduta do agente que age imprudentemente, por desconhecimento invencível de


algum elemento do tipo quanto a conduta do agente que age acreditando estar autorizado a fazê-
lo ensejam como consequência a exclusão do dolo e, por conseguinte, a do próprio crime.

17 - Não existe impeditivo legal para que haja condenação consistente em prestação pecuniária
substitutiva da pena privativa de liberdade cumulada com a pena de multa, determinada pelo tipo
penal.

18 - Caso seja comprovada imperícia, negligência ou imprudência da tripulação, esta poderá


responder judicialmente pelo crime de homicídio em relação às mortes ocorridas no naufrágio.

19 - Três criminosos interceptaram um carro forte e dominaram os seguranças, reduzindo-lhes por


completo qualquer possibilidade de resistência, mediante grave ameaça e emprego de
armamento de elevado calibre. O grupo, entretanto, encontrou vazio o cofre do veículo, pois, por
erro de estratégia, efetuara a abordagem depois que os valores e documentos já haviam sido
deixados na agência bancária. Por fim, os criminosos acabaram fugindo sem nada subtrair. Nessa
situação, ante a inexistência de valores no veículo e ante a ausência de subtração de bens,
elementos constitutivos dos delitos patrimoniais, ficou descaracterizado o delito de roubo,
subsistindo apenas o crime de constrangimento ilegal qualificado pelo concurso de pessoas e
emprego de armas.

20 - No que concerne aos elementos do crime, é correto afirmar que: o chamado princípio da
insignificância exclui a tipicidade formal da conduta.

21 - No que concerne aos elementos do crime, é correto afirmar que: O consentimento do


ofendido pode conduzir à exclusão da tipicidade.

22 - José, juiz de direito do Tribunal de Justiça de São Paulo, depara-se com um processo em que
figura na condição de ré uma grande amiga de infância de sua filha. Não havendo causa de
impedimento ou suspeição, separa o processo para proferir, com calma, na manhã seguinte, uma
sentença condenatória bem fundamentada, pois sabe que sua filha ficaria chateada diante de sua
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decisão. Ocorre que, por descuido, esqueceu o processo no armário de seu gabinete por 06 meses,
causando a prescrição da pretensão punitiva. Considerando a hipótese narrada, é correto afirmar
que a conduta de José é atípica, sob o ponto de vista do Direito Penal.

23 - Apesar de, no campo fático, ser possível ocorrer a tentativa de contravenção penal, esta,
quando se desenvolve na forma tentada, não é penalmente alcançável.

24 - A multa aplicada cumulativamente com a pena de reclusão pode ser executada em face do
espólio, quando o réu vem a óbito no curso da execução da pena, respeitando - se o limite das
forças da herança.

25 - Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990, forem praticados por
servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a metade.

26 - A responsabilidade objetiva é aquela que necessita da comprovação da culpa para a imposição


do dever de indenizar.

27 - No crime de descaminho, a mera reiteração criminosa nunca terá o condão de afastar a


aplicação do princípio da insignificância.

28 - Em caso de concurso formal de crimes, o perdão judicial concedido para um deles não
necessariamente deverá abranger o outro.

29 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.

30 - Os indivíduos A e B planejaram subtrair aparelhos eletrodomésticos de uma residência. Para


tanto, escolheram o período da manhã, pois estavam certos de que, nesse horário, não haveria
ninguém no imóvel. Cabia a B apenas a função de vigiar o perímetro externo e dirigir o veículo
usado na empreitada criminosa. Ao entrar na casa, A foi surpreendido pela presença da moradora
e, então, após subjugá-la, matou-a, tendo, em seguida, fugido no veículo guiado por B, levando os
eletrodomésticos subtraídos. Nessa situação, B não será responsabilizado pelo delito de
homicídio.

31 - Julgue a assertiva. Configura-se tentativa incruenta no caso de o agente não consegui atingir
a pessoa ou a coisa contra a qual deveria recair sua conduta.

32 - Com relação a aspectos diversos pertinentes ao crime, julgue a assertiva. Diz-se consumado o
crime quando nele se reúnem, pelo menos, parte dos elementos de sua definição legal.

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33 - Julgue a assertiva. Se o agente oferece propina a um empregado de uma sociedade de
economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada com interesse exclusivamente
particular, incide em erro de tipo.

34 - É correto afirmar que; o Erro de Tipo exclui o dolo, tendo em vista que o autor da conduta
desconhece ou se engana em relação a um dos componentes da descrição legal do crime, seja ele
descritivo ou normativo.

35 - Julgue a assertiva a seguir. A tentativa, salvo disposição legal em contrário, é punida com a
pena correspondente à prevista para o crime na modalidade continuada, diminuída de um terço
até a metade.

36 - Julgue a assertiva. O agente que, embora tenha iniciado a execução do crime, voluntariamente
impeça o resultado danoso responderá somente pelos atos por ele já praticados.

37 - Ao peculato mediante erro de outrem se aplica, por expressa disposição legal, a causa
extintiva da punibilidade da reparação do dano anterior à sentença irrecorrível.

38 - Com relação ao disposto na parte geral do Código Penal, é correto afirmar que; haverá isenção
de pena se o agente praticar o fato em estrito cumprimento de dever legal.

39 - Considere que João, maior e capaz, após ser agredido fisicamente por um desconhecido,
também maior e capaz, comece a bater, moderadamente, na cabeça do agressor com um guarda-
chuva e continue desferindo nele vários golpes, mesmo estando o desconhecido desacordado.
Nessa situação hipotética, João incorre em excesso intensivo.

40 - Julgue a assertiva a seguir - São elementos do fato típico: conduta, resultado, relação de
causalidade e tipicidade.

41 - O sujeito ativo que pratica crime em face de embriaguez voluntária ou culposa responde pelo
crime praticado. Adota-se, no caso, a teoria da conditio sine qua non para se imputar ao sujeito
ativo a responsabilidade penal.

42 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.

43 - Julgue a Assertiva. Configura-se a desistência voluntária ainda que não tenha partido
espontaneamente do agente a ideia de abandonar o propósito criminoso, com o resultado de
deixar de prosseguir na execução do crime.

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44 - O crime de corrupção passiva, para consumar-se, depende de que o agente retarde ou deixe
de praticar o ato a que obrigado, ou que o pratique infringindo dever funcional.

45 - Em se tratando de legítima defesa, a agressão é injusta e a repulsa materializa-se em uma


ação predominantemente defensiva, com aspectos agressivos, ao passo que, tratando-se de
estado de necessidade, inexiste a agressão injusta, sendo a ação predominantemente agressiva,
com aspectos defensivos.

46 - O comércio ilegal de drogas envolvendo mais de um estado faz surgir o tráfico interestadual
de entorpecentes, deslocando-se a competência para apuração e atuação da Polícia Federal,
todavia, a competência para processar e julgar o criminoso continua a ser da justiça estadual.

47 - É correto afirmar que: A tipicidade conglobante é um corretivo da tipicidade legal, posto que
pode excluir do âmbito do típico aquelas condutas que apenas aparentemente estão proibidas.

48 - O delito de sequestro e cárcere privado, inserido entre os crimes contra a pessoa, constitui
infração penal de ação múltipla, e a circunstância de ter sido praticado contra menor de dezoito
anos de idade qualifica o crime.

49 - Segundo o critério objetivo-formal da teoria restritiva, somente é considerado autor aquele


que pratica o núcleo do tipo; partícipe é aquele que, sem realizar a conduta principal, concorre
para o resultado, auxiliando, induzindo ou instigando o autor.

50 - Julgue a assertiva. Mesmo quando o agente, de forma espontânea, desiste de prosseguir nos
atos executórios ou impede a consumação do delito, devem ser a ele imputadas as penas da
conduta típica dolosa inicialmente pretendida.

51 - O crime de abandono de função é próprio e material, exigindo, para sua consumação, a


causação de prejuízo à Administração Pública.

52 - Julgue a assertiva a seguir - No ordenamento jurídico brasileiro, a imputabilidade penal é a


capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.

53 - - Na Lei de Drogas, é prevista como crime a conduta do agente que oferte drogas,
eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa do seu relacionamento, para juntos a
consumirem, não sendo estabelecida distinção entre a oferta dirigida a pessoa imputável ou
inimputável.

54 - José, réu primário, após subtrair para si, durante o repouso noturno, mediante rompimento
de obstáculo, um botijão de gás avaliado em R$ 50,00 do interior de uma residência habitada, foi
preso em flagrante delito. Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item
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subsecutivo, com base na jurisprudência dominante dos tribunais superiores a respeito desse
tema. O crime praticado por José é atípico em razão da incidência do princípio da insignificância.

55 - De acordo com a Lei Maria da Penha, nas ações penais públicas condicionadas à representação
da vítima de violência doméstica, admite-se a possibilidade de renúncia da ação pela parte
ofendida, em qualquer fase processual, sendo exigida, no entanto, a manifestação do Ministério
Público (MP).

56 - Em relação à natureza jurídica do concurso de agentes, o CP adotou a teoria unitária ou


monista, segundo a qual cada um dos agentes (autor e partícipe) responde por um delito próprio,
havendo pluralidade de fatos típicos, de modo que cada agente deve responder por um crime
diferente.

57 - O agente que tenha desistido voluntariamente de prosseguir na execução ou, mesmo depois
de tê-la esgotado, atue no sentido de evitar a produção do resultado, não poderá ser beneficiado
com os institutos da desistência voluntária e do arrependimento eficaz caso o resultado venha a
ocorrer.

58 - Já decidiu o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão,
pode ser considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário
público ser elementar do tipo.

59 - Acerca do direito penal, julgue os itens subsecutivos. Considere a seguinte situação hipotética.
Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro de origem e premiado em vários concursos, que
vive trancado dentro de casa. Em determinado dia, esse cão escapou da coleira, pulou a cerca do
jardim da casa de Henrique e atacou Lucas, um menino que brincava na calçada. Ato contínuo,
José, tio de Lucas, como única forma de salvar a criança, matou o cão. Nessa situação hipotética,
José agiu em legítima defesa de terceiro.

60 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do


inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

61 - Segundo a teoria da tipicidade conglobante proposta por Eugenio Raúl Zaffaroni, quando um
médico, em virtude de intervenção cirúrgica cardíaca por absoluta necessidade corta com bisturi
a região torácica do paciente, é CORRETO afirmar que; não responde por nenhum crime,
carecendo o fato de tipicidade, já que não podem ser consideradas típicas aquelas condutas
toleradas ou mesmo incentivadas pelo ordenamento jurídico.

62 - Roberval foi definitivamente condenado pela prática de crime punido com reclusão de um a
três anos. Após o cumprimento de metade da pena a ele aplicada, adveio nova lei, que passou a

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punir o crime por ele praticado com detenção de dois a quatro anos. Nessa situação, a lei nova
não se aplicará a Roberval, tendo em vista que sua condenação já havia transitado em julgado.

63 - Em se tratando da chamada comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal


brasileiro, as condições e circunstâncias pessoais que formam a elementar do injusto, tanto básico
como qualificado, comunicam-se dos autores aos partícipes e, de igual modo, as condições e
circunstâncias pessoais dos partícipes comunicam-se aos autores.

64 - É correto afirmar que admite-se a tentativa nos delitos de imprudência.

65 - Sobre o concurso de pessoas, é CORRETO afirmar que o Código Penal incorporou solução
reclamada pela doutrina para o desvio subjetivo, que se aplica tanto a coautores, como a
partícipes.

66 - Analise o caso que se segue - Ao passar próximo ao estoque de uma loja de roupas, um dos
vendedores viu que havia ali um incêndio de grandes proporções. Naquela situação, correu em
direção à porta do estabelecimento que, por ser estreita, estava totalmente obstruída por um
cliente que entrava no local. Desconhecendo o incêndio e achando que estava sofrendo uma
agressão, o cliente reagiu empurrando o vendedor, que lhe desferiu um soco. Os empurrões do
cliente, assim como a agressão do vendedor produziram recíprocas lesões corporais de natureza
leve. Na hipótese, é CORRETO afirmar que, o vendedor agiu em estado de necessidade e o cliente,
em legítima defesa putativa.

67 - Um agente de polícia federal verificou que o adolescente Juliano havia acabado de adquirir
30 g de maconha para seu consumo pessoal e que ele trazia consigo a droga. Nessa situação, seria
ilícito que o referido agente apreendesse Juliano em flagrante, porque adolescentes somente
podem ser apreendidos em flagrante pela prática de atos infracionais que envolvam violência ou
ameaça a terceiros.

68 - É correto afirmar que: A ideia de insignificância penal centra-se no conceito formal de crime.

69 - Pedro pediu em casamento Carolina, que tem 16 anos de idade, e ela aceitou. O pai de
Carolina, porém, negou-se a autorizar o casamento da filha, pelo fato de o noivo ser negro.
Todavia, para não ofender Pedro, solicitou a Carolina que lhe dissesse que o motivo da sua recusa
era o fato de ele ser ateu. Nessa situação, o pai de Carolina cometeu infração penal.

70 - A teoria do domínio do fato, que rege o concurso de pessoas, não se aplica aos delitos
omissivos, sejam estes próprios ou impróprios, e deve ser substituída pelo critério da infringência
do dever de agir.

71 - Acerca da parte geral do direito penal e seus Institutos, julgue os itens seguintes, julgue a
assertiva. Tanto a conduta do agente que age imprudentemente, por desconhecimento invencível
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de algum elemento do tipo quanto a conduta do agente que age acreditando estar autorizado a
fazê-lo ensejam como consequência a exclusão do dolo e, por conseguinte, a do próprio crime.

72 - Sobre o concurso de pessoas, é CORRETO afirmar que o Código Penal acolheu em relação aos
concorrentes, mesmo por omissão, a teoria monista, sujeitando-os às sanções penais, inclusive no
caso do concurso absolutamente negativo.

73 - Analise o caso a seguir - Para repelir a arremetida de um cão feroz, o agente usa uma arma de
fogo matando o animal. O animal tinha sido instado ao ataque pelo seu dono, o que era do
conhecimento do agente. No caso exposto, o agente praticou o fato em estado de necessidade.

74 - No concurso de pessoas, o partícipe terá obrigatoriamente reduzida a pena pelo crime em


relação ao autor, porquanto a participação é considerada como forma de concorrência diferente
da autoria ou coautoria.

75 - Julgue o item a seguir. - Cláudio, valendo-se de sua conta no Twitter, publicou declaração de
natureza discriminatória em relação aos homossexuais, de forma genérica. Tal ação configura
conduta atípica.

76 - Os delitos de inserção de dados falsos e de modificação ou alteração de dados não autorizada


em sistema de informações só se configuram se praticados por funcionário público autorizado,
com o fim específico de obter vantagem indevida para si ou para outrem, ou para causar dano,
sendo as penas aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resultar
dano para a administração pública ou para o administrado.

77 - A respeito do inquérito policial, julgue a assertiva a seguir: Brenda, empregada doméstica, foi
presa em flagrante pela prática de um crime de furto qualificado contra Joana, sua empregadora.
O magistrado, após requerimento do Ministério Público, converteu a prisão em flagrante em
preventiva. Nessa hipótese, de acordo com o Código de Processo Penal, o prazo para conclusão do
inquérito policial será de 10 (dez) dias.

78 - Julgue a assertiva. Se o agente oferece propina a um empregado de uma sociedade de


economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada com interesse exclusivamente
particular, incide em erro de tipo.

79 - Quanto à fixação da pena, é CORRETO afirmar que embora prepondere na doutrina o


entendimento de que apenas a agravante genérica da reincidência se aplica aos crimes culposos,
já admitiu o Supremo Tribunal Federal, como tal, em crime culposo, o motivo torpe.

80 - Com base no Direito Penal e na melhor doutrina, é correto afirmar que; o dever de enfrentar
o perigo é norma que impede a exclusão da ilicitude por estado de necessidade.

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81 - Para a aplicação dos benefícios da lei dos juizados especiais no caso de crime continuado ou
concurso formal de crimes, deve-se analisar a pena máxima com o aumento máximo previsto para
cada uma dessas formas de concurso.

82 - É correto afirmar que: Denomina-se tipicidade a adequação do fato concreto com a descrição
do fato delituoso contida na lei penal.

83 - No que se refere à legitimidade para o polo passivo da ação penal por lavagem de capitais, é
dispensável a participação do acusado do crime de lavagem de dinheiro nos delitos a ele
antecedentes, sendo suficiente que ele tenha conhecimento da ilicitude dos valores, dos bens ou
de direitos cuja origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade tenha sido
ocultada ou dissimulada.

84 - No que diz respeito às prisões e medidas cautelares no processo penal, é correto afirmar que;
o juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o suposto autor do fato
delituoso for maior de 70 (setenta) anos de idade ou estiver extremamente debilitado por motivo
de doença grave.

85 - É correto afirmar que; o Erro de Tipo exclui o dolo, tendo em vista que o autor da conduta
desconhece ou se engana em relação a um dos componentes da descrição legal do crime, seja ele
descritivo ou normativo.

86 - Quanto à fixação da pena, é CORRETO afirmar que, no concurso de duas ou mais causas de
aumento ou de diminuição, promoverá o juiz, em qualquer caso, a incidência de uma só, recaindo
a escolha, que é da lei, sobre a que mais aumente ou mais diminua.

87 - Quanto ao estado de necessidade, é correto afirmar que; o direito penal brasileiro adota a
teoria unitária do estado de necessidade, reconhecendo-o unicamente como causa de justificação.

88 - Considere que Joana, penalmente imputável, tenha determinado a Francisco, também


imputável, que desse uma surra em Maria e que Francisco, por questões pessoais, tenha matado
Maria. Nessa situação, Francisco e Joana deverão responder pela prática do delito de homicídio,
podendo Joana beneficiar-se de causa de diminuição de pena.

89 - Julgue o item. - Em síntese, o tipo penal reproduz, de forma paradigmática, a ação tal como é
na realidade, ou seja, caracterizada por um significado axiológico como menosprezo a um valor
digno de tutela. Havendo plena congruência entre ação, nos seus elementos objetivos, subjetivos
e valorativos, e o que se descreve no modo abstrato no tipo penal, dá-se a adequação típica.

90 - Considere que Pedro, penalmente imputável, pretendendo matar Rafael, seu desafeto, aponta
em sua direção uma arma de fogo e aperta o gatilho por diversas vezes, não ocorrendo nenhum
disparo em razão de defeito estrutural da arma que, de forma absoluta, impede o seu
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funcionamento. Nessa situação, Pedro será punido pela tentativa delituosa, porquanto agiu com
manifesta vontade de matar Rafael.

91 - No que se refere ao direito processual penal, segundo o entendimento dos tribunais


superiores e da doutrina dominante; é admitida a decretação da prisão preventiva de indivíduo
primário, civilmente identificado, pela prática de crime que envolve violência doméstica e familiar
contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a
execução das medidas protetivas de urgência.

92 - No que se refere aos crimes contra a fé pública, é correto afirmar que; para caracterização do
crime de uso de documento falso, é necessário que o documento falso seja efetivamente utilizado
em sua destinação específica.

93 - No tocante ao crime de homicídio, é possível afirmar que a ausência de motivos e a


embriaguez completa são incompatíveis com a qualificadora do motivo fútil, consoante
entendimento jurisprudencial.

94 - No que se refere aos princípios do direito penal e às causas de exclusão da ilicitude, julgue o
próximo item - No que diz respeito às causas de exclusão da ilicitude, é possível alegar legítima
defesa contra quem pratica conduta acobertada por uma dirimente de culpabilidade, como, por
exemplo, coação moral irresistível.

95 - Na hipótese de concurso de crimes, a extinção da punibilidade pela prescrição incidirá sobre


a pena cominada por cada crime, isoladamente.

96 - Julgue a assertiva que se segue - O princípio da insignificância, decorrência do caráter


fragmentário do Direito Penal, tem base em uma orientação utilitarista, tem origem controversa,
encontrando, na atual jurisprudência do STF, os seguintes requisitos de configuração: a mínima
ofensividade da conduta do agente; nenhuma periculosidade social da ação; o reduzidíssimo grau
de reprovabilidade do comportamento; e a inexpressividade da lesão jurídica provocada.

97 - Suponha que determinada sentença condenatória, com pena de dez anos de reclusão, imposta
ao réu, tenha sido recebida em termo próprio, em cartório, pelo escrivão, em 13/8/2011 e
publicada no órgão oficial em 17/8/2011, e que tenha sido o réu intimado, pessoalmente, em
20/8/2011, e a defensoria pública e o MP intimados, pessoalmente, em 19/8/2011. Nessa situação
hipotética, a interrupção do curso da prescrição ocorreu em 17/8/2011.

98 - No que se refere aos crimes contra a fé pública, julgue o item que se segue. A falsidade é
material quando o vício incide sobre o aspecto físico do documento, a sua forma.

99 - Tício, maior de 18 anos, é portador de doença mental, necessitando de medicação diária. A


doença, por si só, não prejudica a capacidade de compreensão. Todavia, a medicação, ingerida em
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conjunto com bebida alcoólica em quantidade, provoca surtos psicóticos, com exclusão da
capacidade de entendimento. Tício sabe dos efeitos do álcool, em excesso, em seu organismo, mas
costuma beber, moderadamente, justamente para desfrutar dos efeitos que, segundo ele, “dá
barato”. Em uma festa, Tício, sem saber que se tratava de uma garrafa de absinto (bebida de alto
teor alcoólico), pensando ser gim, preparou um coquetel de frutas e ingeriu. Ao recobrar a
consciência, soube que esfaqueou dois de seus melhores amigos, causando a morte de um e lesão
de natureza grave em outro. A respeito da situação, é correto afirmar que Tício é inimputável,
sendo isento de pena, pois praticou o crime em estado de completa embriaguez, decorrente de
caso fortuito.

100 - Julgue os itens a seguir, acerca de crimes contra a administração pública - Considere que
Pedro tenha oferecido e pagado quantia a determinado servidor público para que este praticasse
ato de ofício contrário ao seu dever funcional. Nesse caso, evidencia-se a prática do delito de
corrupção passiva por parte de Pedro.

101 - De acordo com o sistema adotado pelo Código Penal, é possível impor aos partícipes da
mesma atividade delituosa penas de intensidades desiguais.

102 - Julgue a assertiva que se segue. Conforme expressamente determina a Lei n. 9.296/96,
quando todos os fatos investigados constituem infração penal punida com pena de detenção, não
será admitida a interceptação de comunicações telefônicas.

103 - Configura autoria por convicção o fato de uma mãe, por convicção religiosa, não permitir a
realização de transfusão de sangue indicada por equipe médica para salvar a vida de sua filha,
mesmo ciente da imprescindibilidade desse procedimento.

104 - Acerca da lei da interceptação telefônica, julgue o item a seguir. A realização de interceptação
das comunicações telefônicas por policial militar, sob a coordenação de seus superiores
hierárquicos e a direção e supervisão do órgão do Ministério Público, visando o monitoramento e
combate ao crime organizado, mas sem autorização judicial, constitui crime de exercício funcional
ilegalmente prolongado, previsto na lei de abuso de autoridade.

105 - No que se refere aos crimes contra a fé pública, julgue a assertiva. A denominada “cola
eletrônica” consistente na utilização de conteúdo sigiloso em certames de interesse público não
pode ser considerada crime.

106 - No que respeita aos crimes contra a Administração Pública, é CORRETO afirmar que já decidiu
o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão, pode ser
considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário público ser
elementar do tipo.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
107 - Para que se caracterize o crime de violação de sigilo funcional, não é necessário que a
conduta do agente resulte em dano à administração pública ou a outrem.

108 - O homicídio praticado mediante paga ou promessa de recompensa classifica-se


doutrinariamente como crime bilateral.

109 - Acerca da legislação penal especial de interceptação telefônica, é correto afirmar que; os
autos referentes à interceptação de comunicações telefônicas correrão em apenso aos autos do
inquérito policial ou do processo criminal.

110 - Acerca da lei da interceptação telefônica, julgue o item a seguir. O presidente de uma
comissão parlamentar mista de inquérito, após as devidas formalidades, ordenou, de forma
sigilosa e reservada, a interceptação telefônica e a quebra do sigilo de dados telefônicos de
testemunha que se reservara o direito de permanecer calada perante a comissão. Nessa situação,
a primeira medida é ilegal, visto que a interceptação telefônica se restringe à chamada reserva
jurisdicional, sendo permitida, por outro lado, a quebra do sigilo de dados telefônicos da
testemunha, medida que não se submete ao mesmo rigor da primeira, consoante entendimento
da doutrina majoritária.

111 - Para prenderem em flagrante pessoa acusada de homicídio, policiais invadiram uma
residência em que entrara o acusado, danificando a porta de entrada e sem mandado de busca e
apreensão. Nessa situação, os policiais não responderão pelo crime de dano, pois agiram em
estrito cumprimento do dever legal, que é causa excludente da ilicitude.

112 - Com relação aos crimes previstos no CP, julgue o item que se segue. A falsa atribuição de
identidade só é caracterizada como delito de falsa identidade se feita oralmente, com o poder de
ludibriar; quando formulada por escrito, constitui crime de falsificação de documento público.

113 - O crime de abandono de função é próprio e material, exigindo, para sua consumação, a
causação de prejuízo à Administração Pública.

114 - Julgue a assertiva a seguir - Em se tratando de crime de sonegação de contribuição


previdenciária, comprovada a conduta típica, ilícita e culpável, deverá o juiz aplicar apenas a pena
de multa ao agente, se este for primário e de bons antecedentes.

115 - A natureza jurídica do homicídio privilegiado é de circunstância atenuante especial.

116 - Um médico praticou aborto de gravidez decorrente de estupro, sem autorização judicial, mas
com consentimento da gestante. Nessa situação, o médico deverá responder por crime, já que
provocar aborto sem autorização judicial é sempre punível, segundo o CP.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
117 - Acerca da lei da interceptação telefônica, é correto afirmar que; a conversa telefônica
gravada por um dos interlocutores não é considerada interceptação telefônica.

118 - Um cidadão Sueco tentou matar o presidente do Brasil, que se encontrava em visita oficial à
Suécia. Nessa hipótese, o crime praticado não ficará sujeito à lei brasileira.

119 - Túlio constrangeu Wagner, mediante emprego de arma de fogo, a assinar e lhe entregar dois
cheques seus, um no valor de R$ 1.000,00 e outro no valor de R$ 2.500,00. Nessa situação, Túlio
praticou crime de roubo qualificado pelo emprego de arma de fogo.

120 - Situação hipotética: Com o intuito de viajar para o exterior, Pedro, que não possui
passaporte, usou como seu o documento de Paulo, seu irmão — com quem se parece muito —,
tendo-o apresentado, sem adulterações, para os agentes da companhia aérea e da Polícia Federal
no aeroporto. Pedro e Paulo têm mais de dezoito anos de idade. Assertiva: Nessa situação, de
acordo com o Código Penal, Pedro cometeu o crime de falsidade ideológica.

121 - Os crimes de mão própria possuem uma prévia limitação, de natureza normativa, quanto à
possibilidade de autoria de indivíduos não contemplados pelo tipo penal.

122 - No que se refere aos crimes contra a fé-pública, julgue a assertiva. Cometerá o delito de
falsidade ideológica o médico que emitir atestado declarando, falsamente, que determinado
paciente está acometido por enfermidade.

123 - Quem constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver
reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite,
ou a fazer o que ela não manda incorrerá no crime de extorsão.

124 - Praticará o crime de falsidade ideológica aquele que, quando do preenchimento de cadastro
público, nele inserir declaração diversa da que deveria, ainda que não tenha o fim de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

125 - No que se refere aos crimes contra a fé-pública, é correto afirmar que; aquele que adultera
fotocópia não autenticada comete o crime de falsidade ideológica.

126 - A lei brasileira é aplicável, por força do princípio da justiça cosmopolita, ao crime contra a
dignidade sexual de criança praticado no estrangeiro, quando o agente ou vítima for brasileiro ou
pessoa domiciliada no Brasil, falando a doutrina, nesse caso, de aplicação extraterritorial
incondicionada.

127 - Júlio, aprovado em concurso público e nomeado para ocupar, em uma prefeitura, cargo cuja
responsabilidade seria a avaliação e liberação dos pedidos de construções em áreas urbanas, antes
mesmo de tomar posse, exigiu 100 mil reais de João, agricultor local, para liberar a realização da
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
obra de construção de sua residência. João, convencido de que Júlio era funcionário público
regular, pagou o valor exigido. Nessa situação hipotética, não se pode falar em crime de
concussão, já que Júlio não tinha tomado posse no referido cargo.

128 - Acerca do homicídio privilegiado, estando o agente em uma das situações que ensejem o
seu reconhecimento, o juiz é obrigado a reduzir a pena, mas a lei não determina o patamar de
redução.

129 - Acerca da lei da interceptação telefônica, julgue o item a seguir. A interceptação telefônica
ou interceptação em sentido estrito consiste na captação da comunicação telefônica por um
terceiro, sem o conhecimento de nenhum dos comunicadores; enquanto a escuta telefônica
reveste-se na captação da comunicação telefônica por terceiro, com o conhecimento de um dos
comunicadores e desconhecimento do outro.

130 - Tratando - se de culpabilidade pelo fato individual, o juízo de culpabilidade se amplia à total
personalidade do autor e a seu desenvolvimento.

131 - Considere que determinado servidor público, prevalecendo-se de seu cargo, tenha falsificado
o teor de um testamento particular. Nesse caso, o servidor praticou o delito de falsificação de
documento particular, que não se equipara a documento público, e está sujeito ao aumento da
pena prevista na lei penal.

132 - No que respeita aos crimes contra a Administração Pública, é CORRETO afirmar que ao
peculato mediante erro de outrem se aplica, por expressa previsão legal, a causa extintiva da
punibilidade da reparação do dano anterior à sentença irrecorrível.

133 - É correto afirmar que, caso o denunciado por peculato culposo opte, antes do
pronunciamento da sentença, por reparar o dano a que deu causa, sua punibilidade será extinta.

134 - Getúlio, a fim de auferir o seguro de vida do qual era beneficiário, induziu Maria a cometer
suicídio, e, ainda, emprestou-lhe um revólver para que consumasse o crime. Maria efetuou um
disparo, com a arma de fogo emprestada, na região abdominal, mas não faleceu, tendo sofrido
lesão corporal de natureza grave. Em relação a essa situação hipotética, Apesar de a conduta
praticada por Getúlio ser típica, pois configura induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, ele
é isento de pena, porque Maria não faleceu.

135 - Julgue o item a seguir. Em determinado processo judicial criminal, há, em decorrência de
requerimento do Ministério Público, autorização para interceptação telefônica com o fito de
angariar provas contra acusados de delitos considerados graves. Nos termos da legislação
pertinente, o prazo para a interceptação deve, regra geral, corresponder a, no máximo, quinze
dias, com renovação.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
136 - Julgue o item a seguir. Realizar interceptação de comunicações telefônicas sem autorização
judicial constitui crime. De acordo com a legislação vigente, tal autorização judicial será possível
se o pedido for feito verbalmente ao Juiz com os pressupostos que a autorizem.

137 - No arrependimento eficaz, é irrelevante que o agente proceda virtutis amore ou formidine
poence, ou por motivos subalternos, egoísticos, desde que não tenha sido obstado por causas
exteriores independentes de sua vontade.

138 - Considere que Paulo, servidor público lotado no INSS, tenha inserido nos bancos de dados
dessa autarquia informações falsas a respeito de Carlos, o que possibilitou a este receber quantia
indevida a título de aposentadoria. Nessa situação hipotética, Paulo cometeu o crime de falsidade
ideológica.

139 - Nos casos em que somente se procede mediante queixa, NÃO considerar-se-á perempta a
ação penal quando o autor der causa, por três vezes, a sentença fundada em abandono da causa
ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito.

140 - No concerne a crimes, julgue o item a seguir - O agente de polícia que deixar de cumprir seu
dever de vedar ao preso o acesso a telefone celular, permitindo que este mantenha contato com
pessoas fora do estabelecimento prisional, cometerá o crime de condescendência criminosa.

141 - Acerca do homicídio privilegiado, a violenta emoção, para ensejar o privilégio, deve ser
dominante da conduta do agente e ocorrer logo após injusta provocação da vítima.

142 - Com base na Lei de Interceptação Telefônica, é correto afirmar que; constitui crime realizar
interceptação de comunicações, sejam elas telefônicas, informáticas, ou telemáticas, ou, ainda,
quebrar segredo da justiça sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

143 - Considere que uma mulher, maior e capaz, chegue a casa, logo após ter sido demitida, e,
nervosa, agrida, injustificada e intencionalmente, seu filho de dois anos de idade, causando - lhe
lesões corporais de natureza leve. Nessa situação hipotética, caso essa mulher seja condenada
pela referida agressão após o devido processo legal, não caberá, como efeito da condenação, a
decretação de sua incapacidade para o exercício do poder familiar, nos termos do CP.

144 - Quanto à identificação criminal, é correto afirmar que; a identificação criminal dar-se-á por
meio dos processos datiloscópico e fotográfico.

145 - Quanto à identificação criminal, é correto afirmar que; a carteira de identificação funcional
e a carteira profissional não são documentos de identificação civil válidos para se excluir a
necessidade de uma identificação criminal.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
146 - Será admitida a decretação da prisão preventiva desde presentes os requisitos, fundamentos
e condições de admissibilidade. NÃO se refere a uma condição de admissibilidade para decretação
da prisão preventiva que seja o crime doloso apenado com reclusão.

147 – Qualquer do povo pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, não
cessando em virtude dela, a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.

148 - Julgue os itens a seguir, acerca de crimes contra a administração pública, crimes hediondos
e crimes contra a pessoa. Considere que os servidores públicos João e Ana, no exercício de suas
funções, solicitaram para si vantagem indevida para retardar a prática de ato de ofício, mas
somente João a recebeu. Nessa situação, ambos praticaram corrupção passiva.

149 - Julgue a assertiva a seguir - Para efeitos penais, equipara-se ao funcionário público quem
trabalha para empresa prestadora de serviço contratada para a execução de atividade típica da
administração pública.

150 - É inadmissível a ocorrência de homicídio privilegiado-qualificado, ainda que a qualificadora


seja de natureza objetiva.

151 - A respeito de interceptação telefônica, julgue o seguinte item. O juiz da causa pode avaliar a
necessidade de renovação das autorizações de interceptação telefônica, levando em conta a
natureza dos fatos e dos crimes e as circunstâncias que envolvem o caso. Nesse sentido, os
tribunais superiores vêm admitindo sucessivas prorrogações enquanto perdurar a necessidade da
investigação, sem configurar ofensa à Lei n.º 9.296/1996 e à CF.

152 - A detração é considerada para efeito da prescrição da pretensão punitiva, não se estendendo
aos cálculos relativos à prescrição da pretensão executória.

153 - Quanto à identificação criminal, é correto afirmar que; o civilmente identificado por meio de
documento de identificação civil válido não será submetido à identificação criminal.

154 - Com base no Direito Penal e na melhor doutrina, é correto afirmar que; o dever de enfrentar
o perigo é norma que impede a exclusão da ilicitude por estado de necessidade.

155 - Julgue a assertiva - Profissional nomeado pela assistência judiciária para atuar como
defensor dativo ingressa com ação contra o INSS, em favor da parte para a qual foi constituído, e
posteriormente faz o levantamento do valor devido. Contudo, não repassou o dinheiro à parte,
cometendo o delito de apropriação indébita, uma vez que tinha a posse ou detenção do
numerário.

156 - Marcelo, Rubens e Flávia planejaram praticar um crime de roubo. Marcelo forneceu a arma
e Rubens ficou responsável por transportar em seu veículo os corréus ao local do crime e dar-lhes
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
fuga. A Flávia coube a tarefa de atrair e conduzir a vítima ao local ermo onde foi praticado o crime.
Nessa situação hipotética, conforme entendimento do STJ, Rubens foi coautor funcional ou parcial
do crime, não sendo a sua participação de menor importância.

157 - No que se refere ao instituto da Interceptação Telefônica, é correto afirmar que; não se
admite a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constitui infração
penal punida, no máximo, com pena de detenção.

158 - A falsa atribuição de identidade só é caracterizada como delito de falsa identidade se feita
oralmente, com o poder de ludibriar; quando formulada por escrito, constitui crime de falsificação
de documento público.

159 - João, preso em flagrante pela prática do crime de roubo, foi encaminhado à delegacia de
polícia, onde apresentou a carteira nacional de habilitação para identificar-se, visto que não
portava sua carteira de identidade. Ainda assim, o delegado determinou que João fosse submetido
à perícia dactiloscópica. Com base nessa situação hipotética, considerando o disposto na Lei n.º
12.037/2009, a conduta do delegado está correta.

160 - Conforme entendimento jurisprudencial, é suficiente para fundamentar a aplicação do


princípio da insignificância a presença de um dos seguintes elementos: mínima ofensividade da
conduta do agente, ínfima periculosidade da ação, ausência total de reprovabilidade do
comportamento e mínima expressividade da lesão jurídica.

161 - O abolicionismo, ou minimalismo penal, propõe a eliminação total da pena de prisão como
mecanismo de controle social e sua substituição por outro mecanismo de controle.

162 - No caso de Funcionário Público que faz uso pessoal de veículo pertencente à Administração
Pública não cabe Peculato (Art. 312 do CP) com relação ao veículo. Entretanto, é admissível o crime
em comento no que diz respeito ao combustível utilizado.

163 - Para que o crime de extorsão seja consumado é necessário que o autor do delito obtenha a
vantagem indevida.

164 - A Constituição Federal de 1988 assegurou como direito fundamental a inviolabilidade do


sigilo de comunicação como regra (art. 5º, XII) e, excepcionalmente, a interceptação da
comunicação telefônica, regulamentada pela Lei n.º 9.296, de 1996. Nesse contexto, é correto
afirmar que; o juiz de direito pode, excepcionalmente, admitir que o pedido de interceptação
telefônica seja feito verbalmente.

165 - O presidente de uma comissão parlamentar mista de inquérito, após as devidas


formalidades, ordenou, de forma sigilosa e reservada, a interceptação telefônica e a quebra do
sigilo de dados telefônicos de testemunha que se reservara o direito de permanecer calada
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
perante a comissão. Nessa situação, a primeira medida é ilegal, visto que a interceptação
telefônica se restringe à chamada reserva jurisdicional, sendo permitida, por outro lado, a quebra
do sigilo de dados telefônicos da testemunha, medida que não se submete ao mesmo rigor da
primeira, consoante entendimento da doutrina majoritária.

166 - Com base no Direito Processual Penal Brasileiro, é correto afirmar que: O princípio da
identidade física do juiz não se aplica ao processo penal.

167 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; São
admissíveis as provas derivadas das ilícitas quando não evidenciado o nexo de causalidade entre
umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte dependente das
primeiras.

168 - A teoria constitucionalista do delito preconiza que o direito penal somente poderá ser
aplicado diante de condutas capazes de causar lesão (ou perigo de lesão) concreta e intolerável
aos bens jurídicos com relevância penal.

169 - Segundo o Código de Processo Penal, será admitida a revisão criminal quando a sentença
condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos supostamente falsos.

170 - O indivíduo que fizer uso de violência após subtrair o veículo de outro cometerá o
denominado roubo próprio.

171 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; o estupro qualificado se
configura quando o agente, ao praticar a conduta dirigida à realização do estupro, causa lesão
corporal de natureza grave ou morte da vítima.

172 - Responderá por crime contra a flora o indivíduo que cortar árvore em floresta considerada
de preservação permanente, independentemente de ter permissão para cortá-la, e, caso a tenha,
quem lhe concedeu a permissão também estará sujeito às penalidades do respectivo crime.

173 - Levando em consideração dominantes orientações doutrinárias e jurisprudenciais em


relação aos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; para caracterização do crime
de estupro de vulnerável não se exige que o agente empregue violência, grave ameaça ou fraude,
bastando que se consume um dos atos sexuais com a pessoa vulnerável.

174 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; o juiz
formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
175 - Idealizado por Günter Jakobs, o direito penal do inimigo é considerado um direito penal de
terceira velocidade, por utilizar a pena privativa de liberdade, mas, também, permitir a
flexibilização de garantias materiais e processuais de todos integrantes da sociedade, podendo,
inclusive, ser observado no direito brasileiro alguns institutos da lei que trata dos crimes
hediondos.

176 - Acerca da Revisão Criminal, julgue o item a seguir - Conforme Súmula do Supremo Tribunal
Federal, o réu não precisa se recolher à prisão para requerer a revisão criminal.

177 - O crime de dano não admite a tentativa.

178 - Levando em consideração dominantes orientações doutrinárias e jurisprudenciais em


relação aos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; o crime de corrupção de
menores se tipifica quando praticado contra menor de 18 (dezoito) anos, desde que não
experiente em questões sexuais e ainda não corrompido.

179 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; considera-
se fonte independente a prova que por si só seria incapaz de conduzir ao fato objeto da prova.

180 - Conforme entendimento jurisprudencial, é suficiente, para fundamentar a aplicação do


direito penal mínimo, a presença de um dos seguintes elementos: mínima ofensividade da
conduta do agente, ínfima periculosidade da ação, ausência total de reprovabilidade do
comportamento e mínima expressividade da lesão jurídica ocasionada.

181 - No curso de ação penal, o Representante do Ministério Público requereu ao Juízo Federal
pedido de diligência para que fossem obtidas judicialmente certidões de antecedentes criminais
das Justiças Estadual e Federal dos locais do fato, do nascimento e residência de réu. O juiz
indeferiu o pedido, sob argumento de que, no processo penal de modelo acusatório, o Ministério
Público tem o ônus da prova criminal, daí seu dever de apresentar as respectivas certidões de
antecedentes criminais. Contra esta decisão cabe Mandado de Segurança.

181 - Diferenciam-se os crimes de extorsão e estelionato, entre outros aspectos, porque, no


estelionato, a vítima quer entregar o objeto, pois foi induzida ou mantida em erro pelo agente
mediante o emprego de fraude; enquanto, na extorsão, a vítima despoja-se de seu patrimônio
contra a sua vontade, fazendo-o por ter sofrido violência ou grave ameaça.

182 - No que se refere aos crimes contra a dignidade sexual, julgue o item que se segue. Cometerá
o crime de estupro a mulher que constranger homem, mediante grave ameaça, a com ela praticar
conjunção carnal.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
183 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; o juiz
formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial,
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

184 - Acerca do Direito Processual Penal Brasileiro, julgue a assertiva a seguir. São princípios
constitucionais explícitos do processo penal: presunção de inocência e ampla defesa.

185 - A coculpabilidade, expressamente admitida na lei penal como uma das hipóteses de
aplicação da atenuante genérica, consiste em reconhecer que o Estado também é responsável pelo
cometimento de determinados delitos quando o agente possui menor autodeterminação diante
das circunstâncias do caso concreto, especificamente no que se refere às condições sociais e
econômicas.

186 - Julgue a assertiva a seguir - A suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95)
durará de 2 a 4 anos, exceto nos casos em que a pena máxima do crime for inferior a 4 anos,
hipótese em que se aplica entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido
de que a suspensão do processo é regulada pelo máximo da pena cominada.

187 - O crime de extorsão é consumado quando o agente, mediante violência ou grave ameaça,
obtém, efetivamente, vantagem econômica indevida, constrangendo a vítima a fazer alguma coisa
ou a tolerar que ela seja feita.

188 - É circunstância que qualifica o crime de furto a prática do delito mediante o concurso de
duas ou mais pessoas.

189 - Analise a seguinte assertiva acerca dos crimes contra a dignidade sexual. O crime de estupro
é um crime bipróprio e prevê aumento de pena se praticado contra pessoa do sexo masculino com
idade de 15 (quinze) anos.

190 - Considere a seguinte situação hipotética. Armando, penalmente imputável, foi abordado
pela polícia após furtar joias e valores do interior de uma residência, na qual adentrou mediante
arrombamento de uma das janelas. Conduzido à presença da autoridade policial competente,
Armando confessou a prática delituosa e foi autuado em flagrante por furto qualificado. Nessa
situação hipotética, é dispensável o exame pericial em relação ao arrombamento, porquanto a
confissão válida do indiciado supre o exame de corpo de delito.

191 - Julgue os itens seguintes, conforme o entendimento dominante dos tribunais superiores
acerca da Lei Maria da Penha, dos princípios do processo penal, do inquérito, da ação penal, das
nulidades e da prisão. O STF declarou a constitucionalidade da Lei Maria da Penha quanto à não
aplicação dos institutos despenalizadores previstos na Lei n.º 9.099/1995 para os crimes
praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
192 - Pratica crime de furto o agente que subtrai coisa alheia móvel, com animus furandi, depois
de haver reduzido à impossibilidade de resistência da vítima, haja vista não ter empregado, para
a subtração, violência ou grave ameaça, que são elementares do crime de roubo.

193 - Analise a seguinte assertiva acerca dos crimes contra a dignidade sexual. A consumação do
crime de ato obsceno está caracterizada independentemente da presença de outras pessoas no
local da prática do ato.

194 - A respeito dos Princípios do Direito Processual Penal, julgue o item. Em processo penal,
ninguém pode ser forçado a produzir prova contra si mesmo. Por outro lado, a recusa em fazê-lo
pode acarretar presunção de culpabilidade pelo crime.

195 - Com base no disposto no CPP e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, julgue os
seguintes itens. A prova declarada inadmissível pela autoridade judicial por ter sido obtida por
meios ilícitos deve ser juntada em autos apartados dos principais, não podendo servir de
fundamento à condenação do réu.

196 - Analise os enunciados das questões abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado. No âmbito
dos Juizados Especiais Criminais, segundo dispõe a Lei n. 9.099/95, da decisão de rejeição da
denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que deverá ser interposta no prazo de 15
(quinze) dias, contados da ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor,
devendo ser aviada por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente.

197 - Segundo a Lei n. 9.099/95, as suas disposições não se aplicam no âmbito da Justiça Militar.

198 - No crime de extorsão mediante sequestro, praticado em concurso de agentes, o concorrente


que o denunciar à autoridade terá sua pena reduzida, ainda que a delação não facilite a libertação
do sequestrado.

199 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; praticar, na presença de
alguém menor de 18 (dezoito) anos, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer
lascívia própria ou de outrem, tipifica o crime de satisfação de lascívia mediante presença de
criança ou adolescente.

200 - Pedro, sem autorização judicial, interceptou uma ligação telefônica entre Marcelo e Ricardo.
O conteúdo da conversa interceptada constitui prova de que Pedro é inocente do delito de
latrocínio do qual está sendo processado. Nessa situação, embora a prova produzida seja
manifestamente ilícita, em um juízo de proporcionalidade, destinando-se esta a absolver o réu,
deve ser ela admitida, haja vista que o erro judiciário deve ser a todo custo evitado.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
201 - Considerando os princípios aplicáveis ao direito processual penal e a aplicação da lei
processual, julgue os itens a seguir. A autodefesa, que, pelo princípio da ampla defesa, é imposta
ao réu, é irrenunciável.

202 - No que se refere às condutas tipificadas como crimes em leis penais extravagantes, julgue os
itens seguintes. Independentemente da pena prevista, aos crimes praticados contra a mulher em
situação de violência doméstica não se aplica as disposições da Lei dos Juizados Especiais
Criminais.

203 - - No crime de furto em residência, para efeitos de aplicação da pena, é irrelevante o horário
em que o agente pratica a ação criminosa, se durante o dia ou à noite, pois a pena em qualquer
situação será a mesma.

204 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, julgue a assertiva a seguir. “X”, em um cinema,
durante a exibição de um filme que continha cenas de sexo, é flagrado por policiais expondo e
manipulando sua genitália. Tal conduta, em tese, tipifica o crime de mediação para satisfazer a
lascívia de outrem.

205 - A sentença de transação penal, nos termos do artigo 76, parágrafo 5º, da Lei nº 9.099/95,
tem as seguintes características tem natureza homologatória e não faz coisa julgada material.

206 - Parte da doutrina afirma que a transação penal mitigou o princípio da obrigatoriedade da
ação penal pública. Sobre este instituto previsto na Lei nº 9.099/95, é correto afirmar que: não há
vedação expressa à concessão do benefício ao autor condenado anteriormente exclusivamente à
pena de multa.

207 - Parte da doutrina afirma que a transação penal mitigou o princípio da obrigatoriedade da
ação penal pública. Sobre este instituto previsto na Lei nº 9.099/95, é correto afirmar que: será
aplicada diretamente pelo magistrado, independentemente de proposta prévia do Ministério
Público.

208 - Parte da doutrina afirma que a transação penal mitigou o princípio da obrigatoriedade da
ação penal pública. Sobre este instituto previsto na Lei nº 9.099/95, é correto afirmar que: não
poderá ser oferecido se o agente houver sido beneficiado por outra transação penal nos 07 (sete)
anos anteriores.

209 - A autoridade policial poderá arquivar o inquérito policial se verificar que o fato criminoso
não ocorreu.

210 - Durante o inquérito policial, é necessária a autorização judicial para que um agente policial
se infiltre em organização criminosa com fins investigativos.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
211 - O inquérito policial independe da ação penal instaurada para o processo e julgamento do
mesmo fato criminoso, razão pela qual, tratando-se de delito de ação penal pública condicionada
à representação, o inquérito policial poderá ser instaurado independentemente de representação
da pessoa ofendida.

212 - Julgue a assertiva que se segue. Madame Pink, recém-casada, procura o médico ginecologista
para realizar exames preventivos de rotina. Antes de iniciar o exame, o médico pede que a
paciente se dispa. Logo após ela se deitar na maca ginecológica, acaricia sua vagina e nela introduz
seu dedo. Nesse caso, o médico responderá por violação sexual mediante fraude.

213 - No que se refere aos crimes hediondos (Lei n. 8.072/1990) e à violência doméstica e familiar
sobre a mulher (Lei n. o 11.340/2006 – Lei Maria da Penha), julgue os itens seguintes. Se duas
mulheres mantiverem uma relação homoafetiva há mais de dois anos, e uma delas praticar
violência moral e psicológica contra a outra, tal conduta estará sujeita à incidência da Lei Maria da
Penha, ainda que elas residam em lares diferentes.

214 - O valor probatório do inquérito policial, como regra, é considerado relativo, entretanto, nada
obsta que o juiz absolva o réu por decisão fundamentada exclusivamente em elementos
informativos colhidos na investigação.

215 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, julgue a assertiva que se segue. Maria, a pedido
de sua prima Joana, por concupiscência desta, convenceu sua vizinha Pauliana, de 12 anos de
idade, a assistir Joana e seu namorado Paulo em intimidades sexuais. Assim, pode-se concluir que
Maria obrou para o delito de satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente.

216 - Acerca da Lei Maria da Penha, é correto afirmar que: No atendimento à vítima de violência
doméstica e familiar, a autoridade policial deverá encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de
saúde e ao Instituto Médico Legal.

217 - As diligências no âmbito do inquérito policial serão realizadas por requisição do membro do
Ministério Público ou pela conveniência da autoridade policial, não existindo previsão legal para
que o ofendido ou o indiciado requeiram diligências.

218 - No que se refere aos crimes contra a dignidade sexual, julgue o item que se segue. O assédio
sexual se tipifica quando praticado por agente que, para alcançar seu intento, se prevalece de sua
superioridade hierárquica tanto no serviço público, quanto no trabalho particular.

219 - Convencido de que havia sido traído, Pedro empurrou violentamente sua esposa contra a
parede. Submetida a exame de corpo de delito, constatou- se a presença de lesões corporais de
natureza leve praticada em contexto de violência doméstica. Considerando esse caso hipotético,
é correto afirmar que; é possível a composição civil dos danos, com estipulação de danos morais
em favor da vítima, para se evitar a persecução penal.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
220 - A prisão temporária constitui-se em uma espécie de prisão cautelar, admissível na fase das
investigações do inquérito policial, mas será decretada pelo juiz, mediante representação da
autoridade policial e ou a requerimento do Ministério Público.

221 - Com relação ao direito processual penal, julgue a assertiva que se segue. Da medida
assecuratória de sequestro admite-se a impugnação por intermédio de embargos de terceiro,
sendo vedada decisão neste, em qualquer caso, antes de passar em julgado a sentença
condenatória.

222 - Segundo a Lei n. º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), é correto afirmar que: As medidas
protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato pelo Juiz, desde que haja prévia
manifestação do Ministério Público.

223 - O inquérito policial não é indispensável à propositura de ação penal, mas denúncia
desacompanhada de um mínimo de prova do fato e da autoria é denúncia sem justa causa.

224 - O delegado de polícia não poderá instaurar inquérito policial para a apuração de crime de
ação penal privada sem o requerimento de quem tenha legitimidade para intentá-la.

225 - De acordo com o direito processual penal e com o Código de Processo Penal (CPP), julgue os
itens que se seguem. No processo penal, os bens móveis considerados adquiridos com o produto
do crime podem ser sequestrados pelo juiz criminal.

226 - Sobre o sequestro de bens imóveis adquiridos pelo indiciado com proventos da infração,
previsto no Código de Processo Penal, é correto afirmar que; o sequestro será possível se o bem
ainda estiver na propriedade do indiciado, não cabendo se ele o tiver transferido para terceiros.

227 - Se o promotor de justiça, após analisar as conclusões do inquérito policial, não apresentar
denúncia, mas, ao contrário, pedir o arquivamento do inquérito, o juiz, se entender improcedentes
as razões do promotor, deverá indeferir o pedido e determinar o imediato início da ação penal.

228 - Sobre o sequestro de bens imóveis adquiridos pelo indiciado com proventos da infração,
previsto no Código de Processo Penal, é correto afirmar que; para a decretação do sequestro
bastará a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens.

229 - Acerca da aplicabilidade da lei processual penal no tempo e no espaço e dos princípios que
regem o inquérito policial, julgue o item a seguir: Por força de mandamento constitucional, o
exercício do contraditório deve ser garantido ainda no curso do inquérito policial, não obstante a
sua natureza administrativa e pré- processual.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
230 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do
inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

231 - Durante operação policial na qual Cabelo de Anjo foi investigado e denunciado por crimes
previstos no artigo 157, § 2º, do Código Penal, fora apreendido, em virtude de mandado de busca
e apreensão e de sequestro de bens móveis, um veículo registrado em nome da empresa X, cujo
representante legal é Tripa Seca, uma vez que existiam indícios veementes de que o objeto seria
produto da atividade criminosa de Cabelo de Anjo e de que este seria o proprietário de fato do
bem. Nesse caso, é correto afirmar que; o juiz poderá determinar, segundo o Código de Processo
Penal, a alienação antecipada, para preservação de seu valor, ante a possibilidade de deterioração
e consequente desvalorização do veículo, depositando o montante, até o final do processo, em
conta vinculada ao juízo.

232 - Uma vez deferido o pedido de interceptação de comunicação telefônica pelo juiz, a
autoridade policial que conduzir os procedimentos de interceptação deverá cientificar o
Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização.

233 - A interceptação de comunicações telefônicas, considerada prova complementar, deve ser


realizada ainda que se possa provar por outros meios disponíveis o fato investigado.

234 - Acerca das medidas assecuratórias previstas no Código de Processo Penal, é correto afirmar
que; para a especialização da hipoteca legal se faz necessário comprovar que o bem imóvel tenha
sido adquirido com proveito do crime.

235 - A respeito das provas e das normas procedimentais para os processos perante o Superior
Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, julgue o item. O firme e coeso depoimento da
vítima, corroborado por outra prova, é suficiente para comprovar o emprego de arma de fogo pelo
réu no delito de roubo.

236 - O princípio da especialidade, aplicado na solução do conflito aparente de normas penais,


tem a finalidade específica de evitar o bis in idem e determina a prevalência da norma especial
em comparação com a geral, ocorrendo apenas no confronto in concreto das leis que definem o
mesmo fato.

237 - Entre o tipo penal básico e os derivados, sejam eles qualificados ou privilegiados, não há
relação de especialidade, o que afasta a aplicação do princípio da especialidade na solução de
conflito aparente de normas penais.

238 - O método filológico, literal, ou gramatical, consiste na reconstrução do pensamento


legislativo por meio das palavras da lei, em suas conexões linguísticas e estilísticas, e ignora, por
completo, a ratio legis.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
239 - A interpretação teleológica busca a vontade do legislador, a chamada voluntas legislatoris,
e não a vontade da lei, denominada voluntas legis.

240 - O fenômeno denominado de interpretação evolutiva ocorre quando a disposição legal ganha
novo sentido, aplicando-se a situações imprevistas ou imprevisíveis ao legislador.

241 - O Estado, para garantir a segurança dos cidadãos, deve proibir ou restringir todas aquelas
ações que se refiram, de maneira imediata, só a quem as realize, das quais derive lesão aos direitos
dos outros, isto é, que atinjam sua liberdade e propriedade, sem o seu consentimento ou contra
ele, ou das que haja de temê-las provavelmente; probabilidade na qual haverá de considerar a
dimensão do dano que se quer causar e a importância da limitação da liberdade produzida por lei
proibitiva. Wilhem Von Humboldt. Los límites de la acción del estado. 1792, p. 122 (com
adaptações).
Com relação ao fragmento de texto acima, aos princípios de direito penal e às teorias do bem
jurídico, julgue o item a seguir. O fragmento em questão, seu autor, há já mais de duzentos anos,
se referia ao que hoje se entende como princípios jurídico-penais da intranscendência e da
fragmentariedade.

242 - Com referência a fundamentos e noções gerais aplicadas ao direito penal, julgue o próximo
item. O princípio da reserva legal aplica-se, de forma absoluta, às normas penais incriminadoras,
excluindo-se de sua incidência as normas penais não incriminadoras.

243 – O princípio da culpabilidade limita-se à impossibilidade de declaração de culpa sem o


trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

244 - O princípio da legalidade impede a aplicação de lei penal ao fato ocorrido antes do início de
sua vigência.

245 - Integram o núcleo do princípio da estrita legalidade os seguintes postulados: reserva legal,
proibição de aplicação de pena em hipótese de lesões irrelevantes, proibição de analogia in malam
partem.

246 - A aplicação de pena aos inimputáveis, dada a sua incapacidade de sensibilização pela norma
penal, viola o princípio da culpabilidade.

247 - Os princípios da insignificância penal e da adequação social se identificam, ambos


caracterizados pela ausência de preenchimento formal do tipo penal.

248 – O erro de tipo essencial invencível exclui o dolo, mas permite a punição de crime culposo,
se previsto em lei.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
249 - O estado de necessidade agressivo ocorre quando o ato necessário se dirige contra a coisa
que promana o perigo para o bem jurídico defendido.

250 - No caso de excesso culposo da legítima defesa, embora o agente somente possa resultar
punido com a pena do crime culposo, quando prevista em lei esta estrutura típica, a vontade deste
é dirigida ao resultado, de modo que age, na realidade, dolosamente, mas, por erro vencível ou
evitável, não sabe que transpôs os limites legais da causa de justificação e exercita defesa
desnecessária.

251 - Nas discriminantes putativas, quando o erro recair sobre os limites ou o alcance da
justificativa, estaremos diante do erro de tipo permissivo.

252 - Tanto a legítima defesa como o estado de necessidade possuem o caráter de agressão
autorizada a bens jurídicos, com diferença, entretanto, de que no estado de necessidade ocorre
uma ação predominantemente defensiva com aspectos agressivos, ao passo que na legítima
defesa se dá uma ação predominantemente agressiva com aspectos defensivos.

253 - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado determina que se considerem as
condições ou qualidades da vítima da infração.

254 - As circunstâncias agravantes não são consideradas para o cálculo da prescrição da pretensão
punitiva propriamente dita.

255 - Para o reconhecimento da causa legal de exclusão de ilicitude, identificada pelo estado de
necessidade, deve existir uma situação de perigo atual que ameace direito próprio ou alheio,
causado ou não voluntariamente pelo agente que não tem o dever de enfrentar o perigo.

256 - A prescrição retroativa antecipada ou em perspectiva tem previsão legal e serve de


fundamento para a extinção da punibilidade.

257 - No concurso material de crimes, a extinção da punibilidade pela prescrição incidirá sobre a
soma das penas dos delitos.

258 - A pena poderá ser agravada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao
crime, ainda que tal possibilidade não seja prevista expressamente em lei.

259 – O desconhecimento da lei é circunstância que atenua a pena, conforme expressa previsão
legal.

260 - Na hipótese de desistência voluntária, em que o agente, por vontade própria, desiste de
prosseguir na execução do crime, a pena será reduzida na proporção prevista em lei.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
261 - O arrependimento posterior é causa de redução da pena prevista para o crime de roubo, se
a reparação voluntária do dano ocorrer até o recebimento da denúncia.

262 - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado pode isentar a pena, considerando-
se, nesse caso, as qualidades da vítima real, e não as da pessoa contra a qual o agente queria
praticar o crime.

263 - No que concerne à lei penal no tempo, tentativa, crimes omissivos, arrependimento
posterior e crime impossível, julgue o item a seguir. De acordo com a teoria subjetiva, aquele que
se utilizar de uma arma de brinquedo para ceifar a vida de outrem mediante disparos, não
logrando êxito em seu desiderato, responderá pelo delito de tentativa de homicídio.

264 – A teoria adotada pelo CP tem como inconveniente a possibilidade de se levar ad infinitum a
pesquisa da causa, abrangendo todos os agentes das causas anteriores, sendo limitada pelo dolo
ou culpa da conduta e do vínculo objetivo do agente com a ação.

265 - A exclusão do nexo de causalidade ocorre nas concausas absolutamente independentes


quando estas forem supervenientes, mas não ocorre quando estas forem preexistentes ou
concomitantes.

266 - A relevância causal da omissão diz respeito tão somente aos crimes omissivos próprios, em
face da relação causal objetiva preconizada pelo CP.

267 - De acordo com preceito expresso no CP, a relação de causalidade limita-se aos crimes
materiais.

268 - O CP adota a teoria da causalidade jurídica, uma vez que a causalidade relevante para o
direito penal é aquela que pode ser prevista pelo agente, ou seja, que se encontra na esfera da
previsibilidade, podendo ser mentalmente antecipada.

269 - No que se refere à aplicação da lei penal o item abaixo apresenta uma situação hipotética,
seguida de uma assertiva a ser julgada.
Sob a vigência da lei X, Lauro cometeu um delito. Em seguida, passou a viger a lei Y, que, além de
ser mais gravosa, revogou a lei X. Depois de tais fatos, Lauro foi levado a julgamento pelo
cometimento do citado delito. Nessa situação, o magistrado terá de se fundamentar no instituto
da retroatividade em benefício do réu para aplicar a lei X, por ser esta menos rigorosa que a lei Y.

270 - A lei penal retroage em benefício do agente, respeitada a coisa julgada.

271 - A ultra-atividade aplica-se à lei penal somente se ela for excepcional ou temporária.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
272 - Aquele que, no exterior, falsificar papel-moeda de curso legal no estrangeiro, estará sujeito
a responder pelo mesmo crime perante a jurisdição brasileira, independentemente do
cumprimento de pena no país onde o crime for praticado.

273 - Em se tratando de crime omissivo próprio, a legislação penal não estabelece qualquer
qualidade ou condição específica para o sujeito ativo da omissão.

274 – O princípio da anterioridade da lei penal é sintetizado pela expressão “não há crime sem lei
que o defina”.

275 - O homicídio cometido contra integrantes dos órgãos de segurança pública (ou contra seus
familiares) passa a ser considerado como homicídio qualificado, se o delito tiver relação com a
função exercida.

276 - A pena da LESÃO CORPORAL será aumentada de 1/3 a 2/3 se essa lesão tiver sido praticada
contra integrantes dos órgãos de segurança pública (ou contra seus familiares), desde que o delito
não tenha relação com a função exercida.

277 – A LEI 12.978/2014 acrescentou um inciso ao art. 1º da Lei 8.072/90 prevendo que também
é considerado como crime hediondo o favorecimento da prostituição ou de outra forma de
exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável, delito previsto no art. 218-B, caput,
e §§ 1º e 2º do Código Penal.

278 – A vulnerabilidade emocional e psicológica da vítima pode ser usada como circunstância
negativa na dosimetria da pena.

279 – De acordo com o STF, elevados custos da investigação e enriquecimento do réu não são
argumentos válidos para aumentar a pena-base.

280 - A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença
condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública.

281 – De acordo com o STF, não se aplica o princípio da insignificância ao crime de contrabando.

282 – Nos termos da jurisprudência do STJ, não se aplica o princípio da insignificância para o crime
de posse/porte de droga para consumo pessoal.

283 – Segundo o STJ, “Lucro fácil” e “cobiça” não podem ser usados como argumentos para
aumentar a pena da concussão e da corrupção passiva.

284 – De acordo com o STF, as agravantes (tirante a reincidência) não se aplicam aos crimes
culposos.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
285 – Segundo o STJ, é possível a compensação da atenuante da confissão espontânea com a
agravante da promessa de recompensa.

286 - Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu fará
jus à atenuante prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal.

287 – De acordo com o STJ, a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo ocupado no momento
do delito, salvo se o novo cargo tiver relação com as atribuições anteriores.

288 – Nos termos da jurisprudência do STJ, não poderá ser considerado como motivo fútil o
homicídio ocorrido em decorrência de “racha”.

289 – De acordo com o STJ, a qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal
(art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou
minimize a deformidade na vítima.

290 – Ainda de acordo com o STJ, a lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes
tem natureza grave (art. 129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP).

291 - No crime de concussão, a situação de flagrante delito configura-se no momento da exigência


da vantagem indevida (e não no instante da entrega). Isso porque a concussão é crime FORMAL,
que se consuma com a exigência da vantagem indevida. Assim, a entrega da vantagem indevida
representa mero exaurimento do crime que já se consumou anteriormente.

292 – Ainda que após o roubo fique constatado que a arma de fogo empregada pelo agente era
relativamente ineficaz, incide mesmo assim a majorante.

293 – A falsa declaração de hipossuficiência não é crime, de acordo com o STJ.

294 - Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação de sua


materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos
aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais
violados ou daqueles que os representem.

295 – Para o STJ, inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade
ideológica.

296 - Segundo a jurisprudência atual do STJ e do STF, a conduta de colocar uma fita adesiva ou
isolante para alterar o número ou as letras da placa do carro e, assim, evitar multas, pedágio,
rodízio etc, configura o delito do art. 311 do CP (Adulteração de sinal identificador de veículo
automotor ).

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
297 – De acordo com o STJ, prostituta que arranca cordão de cliente que não quis pagar o programa
responde pelo crime de exercício arbitrário das próprias razões.

298 – Segundo o STF, a incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões
pode configurar o crime de racismo.

299 - Fotografar cena e armazenar fotografia de criança ou adolescente em poses nitidamente


sensuais, com enfoque em seus órgãos genitais, ainda que cobertos por peças de roupas, e
incontroversa finalidade sexual e libidinosa, adéquam, respectivamente, aos tipos do art. 240 e
241-B do ECA.

300 – O regime inicial da pena no caso de crimes hediondos e equiparados deve ser
obrigatoriamente o fechado.

301 – Segundo o STJ, se o contribuinte deixa de apresentar declaração ao Fisco com o fim de obter
a redução ou supressão de tributo e consegue atingir o resultado almejado, tal conduta
consubstancia crime de sonegação fiscal, na modalidade do inciso I do art. 1º da Lei nº 8.137/90.

302 – Para o STF não ofende a presunção de inocência a exigência do Fisco de comprovação da
origem de valores (art. 42 da Lei 9.430/96).

303 – Nos termos da jurisprudência do STJ, o uso de documento falso é absorvido pelo crime de
sonegação fiscal quando constitui meio/caminho necessário para a sua consumação.

304 - O simples fato de o acusado ser sócio e administrador da empresa constante da denúncia
não pode levar a crer, necessariamente, que ele tivesse participação nos fatos delituosos, a ponto
de se ter dispensado ao menos uma sinalização de sua conduta, ainda que breve, sob pena de
restar configurada a repudiada responsabilidade criminal objetiva.

305 - Imagine que, mesmo após a edição da SV 24-STF, o Ministério Público tenha oferecido
denúncia contra o réu pelo art. 1º, I sem que tivesse havido constituição definitiva do crédito
tributário. O juiz recebeu a denúncia. O réu impetrou habeas corpus invocando o enunciado. Antes
que fosse julgado o HC, houve lançamento definitivo. Nesse caso, a superveniente constituição
definitiva convalida o vício inicial.

306 – De acordo com o STJ, a extinção do crédito tributário pela prescrição não influencia na ação
penal por crime contra a ordem tributária.

307 – Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o agente que sonega mais de um
tributo comete crime único.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
308 – De acordo com o STF, é absolutamente aceito a aplicação da SV 24-STF a fatos anteriores à
sua edição.

309 - Nos crimes tributários materiais (ex: apropriação indébita previdenciária), o pagamento
integral do débito tributário feito após a condenação, mas antes do trânsito em julgado, extingue
a punibilidade.

310 – Segundo o STJ, não se aplica o arrependimento posterior em homicídio culposo na direção
de veículo.

311 - A tipificação da conduta descrita no art. 48 da Lei 9.605/98 prescinde de a área ser de
preservação permanente. Isso porque o referido tipo penal descreve como conduta criminosa o
simples fato de “impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de
vegetação”.

312 - O delito previsto na primeira parte do artigo 54 da Lei nº 9.605/1998 possui natureza formal,
sendo suficiente a potencialidade de dano à saúde humana para configuração da conduta delitiva,
não se exigindo, portanto, a realização de perícia.

313 - Se a arma de fogo é encontrada no interior do caminhão dirigido por motorista profissional,
trata-se de crime de porte de arma de fogo (art. 14 do Estatuto do Desarmamento).

314 – De acordo com o STJ, é atípica a conduta de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido
com registro vencido, caracterizando mero irregularidade administrativa.

315 - Delegado de Polícia que mantém arma em sua casa sem registro no órgão competente pratica
crime de posse irregular de arma de fogo.

316 – Nos termos da jurisprudência do STF, é atípica a conduta daquele que porta, na forma de
pingente, munição desacompanhada de arma.

317 - Para que haja condenação pelo crime de posse ou porte é necessário que a arma de fogo
tenha sido apreendida e periciada.

318 – É típica a conduta de portar arma de fogo por vigia após o horário de expediente, ainda que
por ordem do seu superior hierárquico.

319 – De acordo com entendimento sumulado do STJ, não se aplica o princípio da insignificância
à Lei Maria da Penha.

320 – Segundo o STF, a competência para julgar a primeira fase dos crimes dolosos contra a vida
praticados com violência doméstica será da Vara de Violência Doméstica e não do júri.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
321 – O descumprimento das medidas impostas ao agressor em decorrência da Lei Maria da Penha
agora é crime próprio.

322 – Segundo STJ, a condenação pelo art. 28 da Lei de Drogas gera reincidência.

323 – A conduta consistente em negociar por telefone a aquisição de droga e também


disponibilizar o veículo que seria utilizado para o transporte do entorpecente configura o crime de
tráfico de drogas em sua forma consumada (e não tentada), ainda que a polícia, com base em
indícios obtidos por interceptações telefônicas, tenha efetivado a apreensão do material
entorpecente antes que o investigado efetivamente o recebesse.

324 - O juiz pode negar a aplicação do § 4º usando como argumento o fato de o réu, além do delito
de tráfico (art. 33), ter praticado também o crime de associação para o tráfico (art. 35).

325 – Segundo o STF, a grande quantidade de droga pode justificar o afastamento da causa de
diminuição de pena do art. 33, § 4º da Lei de Drogas.

326 - Segundo o STJ e o STF, para configuração do tipo de associação para o tráfico, é necessário
que haja estabilidade e permanência na associação criminosa.

327 – De acordo com o STF, o confisco de bens apreendidos em decorrência do tráfico pode ocorrer
ainda que o bem não fosse utilizado de forma habitual.

328 – Segundo o STJ, se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do
art. 33: responderá apenas pelo art. 36 da Lei de Drogas.

329 - Se o agente vende a droga nas imediações de um presídio, mas o comprador não era um dos
detentos nem qualquer pessoa que estava frequentando o presídio, ainda assim deverá incidir a
causa de aumento do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006.

330 – De acordo com entendimento sumulado do STJ, Para a incidência da majorante prevista no
artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados
da federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico
interestadual.

331 – Para o STJ, a participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de
associação para o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de
aumento do art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006.

332 – O chamado “tráfico privilegiado”, previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de


Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
333 - A investigação policial que tem como única finalidade obter informações mais concretas
acerca de conduta e de paradeiro de determinado traficante, sem pretensão de identificar outros
suspeitos, não configura a ação controlada do art. 53, II, da Lei nº 11.343/2006, sendo dispensável
a autorização judicial para a sua realização.

334 – A Lei nº 13.257/2016 introduziu ao CPP as hipóteses de substituir a prisão preventiva pela
domiciliar quando o agente for gestante, mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos e homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos
de idade incompletos.

335 – Segundo o STF, não cabe reclamação por uso indevido de algemas se este ocorreu por ordem
de autoridade policial.

336 - O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica
do fato. O juiz não pode determinar que o Delegado de Polícia faça o indiciamento de alguém.

337 – De acordo com o STF, o conflito de atribuições envolvendo MPE e MPF deve ser dirimido
pelo PGR.

338 - O MP, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso às Ordem de
Missões Policiais.

339 – Segundo entendimento do STF, em regra, a busca em veículo é equiparada à busca pessoal
e não precisa de mandado judicial para a sua realização.

340 – Nos termos da jurisprudência do STF, É INCONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a
tramitação direta do inquérito policial entre a polícia e o Ministério Público.

341 – A competência para julgar os crimes de Redução a condição análoga à de escravo é da justiça
federal.

342 - Compete à Justiça Federal julgar os crimes de violação de direito autoral e contra a lei de
software relacionados com o card sharing.

343 - Compete à Justiça Estadual, e não à Justiça Federal, processar e julgar ação penal na qual se
apurem infrações penais decorrentes da tentativa de abertura de conta corrente mediante a
apresentação de documento falso em agência do Banco do Brasil (BB) localizada nas dependências
de agência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) que funcione como Banco Postal.

344 – A competência originária por prerrogativa de função dos titulares de mandatos eletivos
firma-se a partir da diplomação.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
345 - O art. 221 do CPP prevê que determinadas autoridades, quando forem chamadas para
servirem como testemunhas, serão ouvidas em local, dia e hora previamente ajustados entre eles
e o juiz. Essa garantia do art. 221 NÃO é aplicada quando a autoridade é convocada para ser ouvida
na condição de investigado ou de acusado.

346 - Gera nulidade do processo o fato de, em audiência de instrução, o magistrado, após o registro
da ausência do representante do MP (que, mesmo intimado, não compareceu), complementar a
inquirição das testemunhas realizada pela defesa, sem que o defensor tenha se insurgido no
momento oportuno nem demonstrado efetivo prejuízo.

347 – Segundo o STF, não há nulidade se o juiz indefere, de modo fundamentado, a oitiva das
vítimas do crime. Em regra, o ofendido deverá ser ouvido na audiência de instrução. No entanto,
a obrigatoriedade de oitiva da vítima deve ser compreendida à luz da razoabilidade e da utilidade
prática da colheita da referida prova.

348 - É lícito o acesso aos dados armazenados em celular apreendido com base em autorização
judicial.

349 – De acordo com o STF, O direito subjetivo do colaborador nasce e se perfectibiliza na exata
medida em que ele cumpre seus deveres.

350 – Para o STF, o descumprimento de colaboração premiada justifica, por si só, a prisão
preventiva.

351 - Classifica-se pela doutrina como de forma livre o crime de curandeirismo por se admitir que
ele seja cometido por meio de qualquer comportamento que cause o resultado jurídico previsto
em lei.

352 - O crime de lavagem de dinheiro, ao contrário da receptação, não é autônomo porque não
prescinde do processo e do julgamento da infração penal antecedente.

353 - Será pública e condicionada à representação a ação penal movida contra o agente que vier
a subtrair do tio dois mil reais guardados no armário da cozinha da casa onde ambos residam.
Nessa hipótese, o agente não poderá beneficiar-se da isenção de pena.

354 - Se, durante período de greve, três indivíduos grevistas apedrejarem um ônibus de uma
empresa prestadora de serviço público, de modo a impedir que esse serviço seja prestado, tal fato
tipificará o crime de dano qualificado, por envolver empresa concessionária de serviço público.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
355 - O crime de aliciar trabalhadores de um local para outro do território nacional é
plurissubjetivo porque só se o tipifica se houver pelo menos dois trabalhadores, uma vez que a lei
prevê o termo trabalhadores e não, apenas trabalhador.

356 - Já decidiu o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão,
pode ser considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário
público ser elementar do tipo.

357 - Acerca do direito penal, julgue os itens subsecutivos. Considere a seguinte situação
hipotética. Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro de origem e premiado em vários
concursos, que vive trancado dentro de casa. Em determinado dia, esse cão escapou da coleira,
pulou a cerca do jardim da casa de Henrique e atacou Lucas, um menino que brincava na calçada.
Ato contínuo, José, tio de Lucas, como única forma de salvar a criança, matou o cão. Nessa situação
hipotética, José agiu em legítima defesa de terceiro.

358 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do
inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

359 - Segundo a teoria da tipicidade conglobante proposta por Eugenio Raúl Zaffaroni, quando um
médico, em virtude de intervenção cirúrgica cardíaca por absoluta necessidade corta com bisturi
a região torácica do paciente, é CORRETO afirmar que; não responde por nenhum crime,
carecendo o fato de tipicidade, já que não podem ser consideradas típicas aquelas condutas
toleradas ou mesmo incentivadas pelo ordenamento jurídico.

360 - Roberval foi definitivamente condenado pela prática de crime punido com reclusão de um a
três anos. Após o cumprimento de metade da pena a ele aplicada, adveio nova lei, que passou a
punir o crime por ele praticado com detenção de dois a quatro anos. Nessa situação, a lei nova
não se aplicará a Roberval, tendo em vista que sua condenação já havia transitado em julgado.

361 - Em se tratando da chamada comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal


brasileiro, as condições e circunstâncias pessoais que formam a elementar do injusto, tanto básico
como qualificado, comunicam-se dos autores aos partícipes e, de igual modo, as condições e
circunstâncias pessoais dos partícipes comunicam-se aos autores.

362 - Apesar de, no campo fático, ser possível ocorrer a tentativa de contravenção penal, esta,
quando se desenvolve na forma tentada, não é penalmente alcançável.

363 - A multa aplicada cumulativamente com a pena de reclusão pode ser executada em face do
espólio, quando o réu vem a óbito no curso da execução da pena, respeitando - se o limite das
forças da herança.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
364 - Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990, forem praticados por
servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a metade.

365 - A responsabilidade objetiva é aquela que necessita da comprovação da culpa para a


imposição do dever de indenizar.

366 - No crime de descaminho, a mera reiteração criminosa nunca terá o condão de afastar a
aplicação do princípio da insignificância.

367 - Em caso de concurso formal de crimes, o perdão judicial concedido para um deles não
necessariamente deverá abranger o outro.

368 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.

369 - Os indivíduos A e B planejaram subtrair aparelhos eletrodomésticos de uma residência. Para


tanto, escolheram o período da manhã, pois estavam certos de que, nesse horário, não haveria
ninguém no imóvel. Cabia a B apenas a função de vigiar o perímetro externo e dirigir o veículo
usado na empreitada criminosa. Ao entrar na casa, A foi surpreendido pela presença da moradora
e, então, após subjugá-la, matou-a, tendo, em seguida, fugido no veículo guiado por B, levando os
eletrodomésticos subtraídos. Nessa situação, B não será responsabilizado pelo delito de
homicídio.

370 - Julgue a assertiva. Configura-se tentativa incruenta no caso de o agente não consegui atingir
a pessoa ou a coisa contra a qual deveria recair sua conduta.

371 - Com relação a aspectos diversos pertinentes ao crime, julgue a assertiva. Diz-se consumado
o crime quando nele se reúnem, pelo menos, parte dos elementos de sua definição legal.

372 - Julgue a assertiva. Se o agente oferece propina a um empregado de uma sociedade de


economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada com interesse exclusivamente
particular, incide em erro de tipo.

373 - É correto afirmar que; o Erro de Tipo exclui o dolo, tendo em vista que o autor da conduta
desconhece ou se engana em relação a um dos componentes da descrição legal do crime, seja ele
descritivo ou normativo.

374 - Julgue a assertiva a seguir. A tentativa, salvo disposição legal em contrário, é punida com a
pena correspondente à prevista para o crime na modalidade continuada, diminuída de um terço
até a metade.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
375 - Julgue a assertiva. O agente que, embora tenha iniciado a execução do crime,
voluntariamente impeça o resultado danoso responderá somente pelos atos por ele já praticados.

376 - Ao peculato mediante erro de outrem se aplica, por expressa disposição legal, a causa
extintiva da punibilidade da reparação do dano anterior à sentença irrecorrível.

377 - Com relação ao disposto na parte geral do Código Penal, é correto afirmar que; haverá
isenção de pena se o agente praticar o fato em estrito cumprimento de dever legal.

378 - Considere que João, maior e capaz, após ser agredido fisicamente por um desconhecido,
também maior e capaz, comece a bater, moderadamente, na cabeça do agressor com um guarda-
chuva e continue desferindo nele vários golpes, mesmo estando o desconhecido desacordado.
Nessa situação hipotética, João incorre em excesso intensivo.

379 - Julgue a assertiva a seguir - São elementos do fato típico: conduta, resultado, relação de
causalidade e tipicidade.

380 - O sujeito ativo que pratica crime em face de embriaguez voluntária ou culposa responde
pelo crime praticado. Adota-se, no caso, a teoria da conditio sine qua non para se imputar ao
sujeito ativo a responsabilidade penal.

381 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.

382 - Julgue a Assertiva. Configura-se a desistência voluntária ainda que não tenha partido
espontaneamente do agente a ideia de abandonar o propósito criminoso, com o resultado de
deixar de prosseguir na execução do crime.

383 - O crime de corrupção passiva, para consumar-se, depende de que o agente retarde ou deixe
de praticar o ato a que obrigado, ou que o pratique infringindo dever funcional.

384 - Em se tratando de legítima defesa, a agressão é injusta e a repulsa materializa-se em uma


ação predominantemente defensiva, com aspectos agressivos, ao passo que, tratando-se de
estado de necessidade, inexiste a agressão injusta, sendo a ação predominantemente agressiva,
com aspectos defensivos.

385 - O comércio ilegal de drogas envolvendo mais de um estado faz surgir o tráfico interestadual
de entorpecentes, deslocando-se a competência para apuração e atuação da Polícia Federal,
todavia, a competência para processar e julgar o criminoso continua a ser da justiça estadual.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
386 - É correto afirmar que: A tipicidade conglobante é um corretivo da tipicidade legal, posto que
pode excluir do âmbito do típico aquelas condutas que apenas aparentemente estão proibidas.

387 - O delito de sequestro e cárcere privado, inserido entre os crimes contra a pessoa, constitui
infração penal de ação múltipla, e a circunstância de ter sido praticado contra menor de dezoito
anos de idade qualifica o crime.

388 - Segundo o critério objetivo-formal da teoria restritiva, somente é considerado autor aquele
que pratica o núcleo do tipo; partícipe é aquele que, sem realizar a conduta principal, concorre
para o resultado, auxiliando, induzindo ou instigando o autor.

389 - Julgue a assertiva. Mesmo quando o agente, de forma espontânea, desiste de prosseguir nos
atos executórios ou impede a consumação do delito, devem ser a ele imputadas as penas da
conduta típica dolosa inicialmente pretendida.

390 - O crime de abandono de função é próprio e material, exigindo, para sua consumação, a
causação de prejuízo à Administração Pública.

391 - Julgue a assertiva a seguir - No ordenamento jurídico brasileiro, a imputabilidade penal é a


capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.

392 - Na Lei de Drogas, é prevista como crime a conduta do agente que oferte drogas,
eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa do seu relacionamento, para juntos a
consumirem, não sendo estabelecida distinção entre a oferta dirigida a pessoa imputável ou
inimputável.

393 - José, réu primário, após subtrair para si, durante o repouso noturno, mediante rompimento
de obstáculo, um botijão de gás avaliado em R$ 50,00 do interior de uma residência habitada, foi
preso em flagrante delito. Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item
subsecutivo, com base na jurisprudência dominante dos tribunais superiores a respeito desse
tema. O crime praticado por José é atípico em razão da incidência do princípio da insignificância.

394 - De acordo com a Lei Maria da Penha, nas ações penais públicas condicionadas à
representação da vítima de violência doméstica, admite-se a possibilidade de renúncia da ação
pela parte ofendida, em qualquer fase processual, sendo exigida, no entanto, a manifestação do
Ministério Público (MP).

395 - Em relação à natureza jurídica do concurso de agentes, o CP adotou a teoria unitária ou


monista, segundo a qual cada um dos agentes (autor e partícipe) responde por um delito próprio,

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
havendo pluralidade de fatos típicos, de modo que cada agente deve responder por um crime
diferente.

396 - O agente que tenha desistido voluntariamente de prosseguir na execução ou, mesmo depois
de tê-la esgotado, atue no sentido de evitar a produção do resultado, não poderá ser beneficiado
com os institutos da desistência voluntária e do arrependimento eficaz caso o resultado venha a
ocorrer.

397 - Já decidiu o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão,
pode ser considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário
público ser elementar do tipo.

398 - Acerca do direito penal, julgue os itens subsecutivos. Considere a seguinte situação
hipotética. Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro de origem e premiado em vários
concursos, que vive trancado dentro de casa. Em determinado dia, esse cão escapou da coleira,
pulou a cerca do jardim da casa de Henrique e atacou Lucas, um menino que brincava na calçada.
Ato contínuo, José, tio de Lucas, como única forma de salvar a criança, matou o cão. Nessa situação
hipotética, José agiu em legítima defesa de terceiro.

399 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do
inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

400 - Segundo a teoria da tipicidade conglobante proposta por Eugenio Raúl Zaffaroni, quando um
médico, em virtude de intervenção cirúrgica cardíaca por absoluta necessidade corta com bisturi
a região torácica do paciente, é CORRETO afirmar que; não responde por nenhum crime,
carecendo o fato de tipicidade, já que não podem ser consideradas típicas aquelas condutas
toleradas ou mesmo incentivadas pelo ordenamento jurídico.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
GABARITO
COMENTADO

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
1 - O princípio da alteridade é violado em caso de proibição de mulher transexual utilizar banheiro
público feminino.
Correto.
Para responder esta questão é preciso que o candidato saiba do que trata o princípio da alteridade.
Este princípio, discutido por Roxin, veda a incriminação de conduta meramente subjetiva e que não
ofenda nenhum bem jurídico. Em uma outra perspectiva, diz respeito à necessidade de se colocar
no lugar do outro para melhor compreendê-lo. (Justificativa da banca).

2 - Em relação à lei penal no tempo e à irretroatividade da lei penal, é correto afirmar que à lei
penal mais benigna aplica-se o princípio da extra-atividade.
Correto.
Primeiro ponto, se no tempo da ação a lei favorece o réu, esta será a lei aplicada quando ele for
julgado (ULTRATIVIDADE). Segundo ponto, se no tempo do julgamento existir uma lei mais
benéfica,“lex mitior”, esta será aplicada (RETROATIVIDADE). Também não deve respeito à coisa
julgada, pois retroage mesmo em casos de que haja sentença definitiva.
Súmula 611: transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a
aplicação de lei mais benigna.

3 - Com relação a lugar do crime e territorialidade e extraterritorialidade da lei penal, conforme


previstos no CP, julgue o item. Nos crimes conexos, não se aplica a teoria da ubiquidade, devendo
cada crime ser julgado pela legislação penal do país em que for cometido.
Correto.
Nos CRIMES CONEXOS não há se falar em teoria da ubiquidade, uma vez que não constituem
unidade jurídica. Cada crime deverá ser julgado pela legislação penal do país em que for cometido.

*Não se aplica a TEORIA DA UBIQUIDADE: - conexos; - plurilocais; - IMPO; - falimentares; - atos


infracionais.

4 - Nos termos do entendimento sumulado pelo STJ, não poderá o juiz usar inquéritos policiais ou
ações penais em curso como maus antecedentes para fins de dosimetria da pena.
Correto. A existência de inquéritos policiais ou de ações penais sem trânsito em julgado não podem
ser considerados como maus antecedentes para fins de dosimetria da pena. Este já é um
entendimento sumulado (Súmula 444 do STJ).

5 - Acerca do entendimento encampado pelo STF, julgue o item a seguir: No crime de estupro de
vulnerável, é sempre necessário contato físico entre autor e a vítima para sua consumação.
Errado. Decidiu o STF no HC 212.305/DF que “A conduta de contemplar lascivamente, sem contato
físico, mediante pagamento, menor de 14 anos desnuda em motel pode permitir a deflagração da
ação penal para a apuração do delito de estupro de vulnerável.” Segundo a posição majoritária na
doutrina, a simples contemplação lasciva já configura o “ato libidinoso” descrito nos arts. 213 e 217-

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
A do Código Penal, sendo irrelevante, para a consumação dos delitos, que haja contato físico entre
ofensor e ofendido.

6 - Segundo o STJ, o tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite
máximo da pena abstratamente cominada ao delito.
Correto. Súmula 527 do STJ.

7 - No que concerne a infração penal, fato típico e seus elementos, formas consumadas e tentadas
do crime, culpabilidade, ilicitude e imputabilidade penal, julgue os itens que se seguem: Considere
que um estuprador, no momento da consumação do delito, tenha sido agredido pela vítima que
antes tentara subjugar. A vítima, então, de posse de uma faca, fere e imobiliza o agressor, mas,
pensando ainda estar sob o influxo do ataque, prossegue na reação, infligindo-lhe graves
ferimentos. Nessa situação, não é cabível ao estuprador invocar legítima defesa em relação à
vítima da tentativa de estupro, porquanto aquele que deu causa aos acontecimentos não pode
valer-se da excludente, mesmo contra o excesso.
Errado. O excesso de defesa é o uso desnecessário ou imoderado de certo meio, causa de resultado
mais grave do que razoavelmente suportável nas circunstâncias. Ocorre o excesso doloso quando o
agente, ao se defender de uma injusta agressão, emprega meio desproporcionadamente
desnecessário ou age com imoderação. Em casos tais, o agente consciente e deliberadamente vale-
se da situação vantajosa de defesa em que se encontra para, desnecessariamente, infligir ao
agressor uma lesão mais grave do que a necessária e possível, impelido por motivos alheios à
legítima defesa (ódio, vingança, etc.). Caracterizado o excesso doloso, responde o agente pelo fato
como um todo doloso, beneficiando-se com causa atenuante ou com causa de diminuição da pena.
Por outro lado, culposo é o excesso resultante da imprudente falta de contensão por parte do
agente, quando isso era possível nas circunstâncias, para evitar um resultado mais grave do que o
necessário à defesa do bem protegido. A punição do excesso culposo somente se admitirá quando
o excesso caracterizar como crime culposo previsto em lei. Logo, é possível a repulsa do agressor
inicial contra o excesso, o que se denomina na doutrina como legítima defesa sucessiva.

8 - É correto afirmar que; o perdão do ofendido exige aceitação do querelado para produzir efeito.
Certa. Perdão do ofendido --> Ato Bilateral. Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que
somente se procede mediante queixa, obsta ao prosseguimento da ação. Art. 106 - O perdão, no
processo ou fora dele, expresso ou tácito: I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos
aproveita; II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito dos outros; III - se o
querelado o recusa, não produz efeito. § 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato 6passa
em julgado a sentença condenatória.

9 - Segundo a doutrina majoritária, em apenas uma das causas de exclusão de ilicitude previstas
no artigo 23 do Código Penal Brasileiro, a legítima defesa, pode ocorrer excesso doloso.
Errada. Qualquer excludente de ilicitude + excesso (CULPOSO OU DOLOSO) = O agente responderá
pelo excesso. Em se tratando de EXCLUSÃO DE ILICITUDE (Art. 23, CP) o agente que se exceder em

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
qualquer das modalidades listadas (seja Estado de Necessidade, Legítima Defesa, Estrito
Cumprimento de Dever Legal ou Exercício Regular de Direito) responderá pelo excesso.

10 - Sobre as causas de exclusão de ilicitude, é correto afirmar que o direito penal reconhece a
legítima defesa sucessiva e também a recíproca.
Errado. Configura a legítima defesa sucessiva, de acordo com a doutrina, a reação ao excesso no
exercício da legítima defesa (art. 23, p. único do Código Penal). Ocorre, por exemplo, quando a vítima
de um crime em andamento passa do limite e, depois de já ter repelido a injusta agressão a seu bem
jurídico, passa a agredir o bem jurídico do agressor que, consequentemente, de autor de um delito
passa a ser vítima. É importante salientar que, uma vez cessada a agressão, a vítima se despe do
direito de agredir o bem jurídico do seu ofensor. Se assim proceder, estará incorrendo no excesso de
legítima defesa, que caracteriza agressão injusta e que, por sua vez, pode ser repelida por meio do
exercício da legítima defesa do agressor originário que se tornou vítima. A legítima defesa recíproca
é inadmissível, pois pressupõe que ambas as agressões dos contendores são injustas, o que é
impossível. Uma das agressões necessariamente será justa na medida em que visa repelir uma
agressão injusta.

11 - Ainda sobre causas de exclusão de ilicitude, de isenção de pena e sobre o erro, é correto
afirmar que a coação física irresistível é causa de isenção de pena.
Errado. A coação física irresistível (vis absoluta) exclui a conduta do agente, uma vez que o coagido
perde de modo absoluto a liberdade de agir, passando a funcionar como mero instrumento do
coator. Por não haver vontade, não caracteriza conduta e o fato praticado pelo coagido nessa
condição é atípico. A coação moral irresistível (vis compulsiva) é que é causa de isenção de pena,
nos termos do artigo 22 do Código Penal. O agente coagido age com vontade, que, no entanto, é
viciada pela coação de outrem.

12 - Sr. X é servidor público, responsável pela fiscalização aduaneira e, com infração de dever
funcional, não reprime a conduta de Sr. W que traz de outro país, sem autorização administrativa,
combustível derivado do petróleo. Nesse caso, caracteriza-se o crime de facilitação de
contrabando ou descaminho, previstos no artigo 318 do Código Penal.
Correto. A conduta narrada na questão tipifica o crime facilitação de contrabando ou descaminho
(art. 318 do CP). Vale destacar que esse é um crime próprio, pois somente funcionário público pode
praticar, diferentemente da figura dos arts. 334 (descaminho) e 334-A (contrabando), que são crimes
comuns, em que qualquer um pode cometê-los. Por derradeiro, contrabando configura a importação
ou a exportação de mercadoria proibida, já o descaminho o agente usa um ardil, a fim de que não
seja cobrado tributo pela entrada ou saída de mercadoria legal.

13 - A inexigibilidade de conduta diversa e a inimputabilidade são causas excludentes de ilicitude.


Errado. A inexigibilidade de conduta diversa e inimputabilidade fazem parte da culpabilidade. Vale
destacar que a culpabilidade é formada pelo dos elementos já citados e pela consciência da ilicitude.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
14 - Sobre os crimes contra a família, é INCORRETO afirmar que o crime de entrega de filho menor
a pessoa inidônea admite formas dolosa e culposa.
Correto. O crime mencionado no presente item encontra-se tipificado no artigo 245 do Código Penal.
O elemento subjetivo do tipo é o dolo, seja dolo direto (afigurado forma verbal "saiba") seja o dolo
eventual (representado na fórmula verbal "deva saber). Não há previsão da modalidade culposa.

15 - De acordo com a teoria extremada da culpabilidade, o erro sobre os pressupostos fáticos das
causas descriminantes consiste em erro de tipo permissivo.
Errado. Nos termos da “teoria extremada da culpabilidade”, todo erro sobre a presença de uma
descriminante, quer pela equivocada apreciação dos fatos, ou pela errada concepção sobre a
existência de uma causa de justificação, é considerado como erro de proibição. Sendo assim, persiste
o dolo na conduta e, portanto, na análise do fato típico. O que se exclui é a culpabilidade (a potencial
consciência da ilicitude). Assim, para os adeptos dessa teoria, o erro é de proibição, pois o agente
atua com o dolo de praticar o fato, imaginando que a sua conduta seja lícita. Os adeptos “Teoria
Limitada da Culpabilidade” entendem, por sua vez, que as descriminantes putativas constituem erro
de tipo permissivo e excluem o dolo. É a teoria adota pelo nosso Código Penal.

16 - Tanto a conduta do agente que age imprudentemente, por desconhecimento invencível de


algum elemento do tipo quanto a conduta do agente que age acreditando estar autorizado a fazê-
lo ensejam como consequência a exclusão do dolo e, por conseguinte, a do próprio crime.
Errado. Ainda que o erro de tipo vencível afaste o dolo, o enunciado da questão está errado. É que
o erro sobre algum elemento do tipo apenas é invencível quando o agente, mesmo que aja de modo
prudente, não pode superá-lo. Nos termos do artigo 20 do Código Penal “O erro sobre elemento
constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se
previsto em lei.” Com efeito, caso o agente tenha agido com descuido patente – imprudência -, há
de responder pelo delito na forma culposa, desde que haja previsão legal. Portanto, persiste o crime,
ainda que culposo. No que toca, por sua vez, ao erro de proibição, que ocorre quando o agente erra
sobre a ilicitude do fato que pratica, nos termos do artigo 21 do Código Penal, exclui-se a
culpabilidade do agente e não o dolo, no caso em que o erro é inevitável, ou seja, faltar ao agente a
possibilidade de ter consciência da ilicitude do fato. No caso do erro ser evitável, vale dizer, faltar ao
agente no momento concreto do desenrolar da conduta típica a consciência da ilicitude, não fica
afastada a culpabilidade, configurando-se, apenas, uma causa de diminuição que o referido
dispositivo legal prevê de um sexto a um terço.

17 - Não existe impeditivo legal para que haja condenação consistente em prestação pecuniária
substitutiva da pena privativa de liberdade cumulada com a pena de multa, determinada pelo tipo
penal.
Errado. Tendo em vista que há impeditivo legal, tal qual é o caso do artigo 17 da Lei 11.340/2006:
Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas
de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique
o pagamento isolado de multa.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
18 - Caso seja comprovada imperícia, negligência ou imprudência da tripulação, esta poderá
responder judicialmente pelo crime de homicídio em relação às mortes ocorridas no naufrágio.
Correto. Para a teoria causal, o dolo é composto pela vontade de praticar os elementos do tipo e
pela vontade de violar a norma, contrariando o direito, vontade essa que vem a ser chamada pela
doutrina de dolo normativo – que inclui a consciência atual da ilicitude. O dolo não é, para os
adeptos da teoria causal, apenas o dolo natural, assim compreendido aquele constituído somente
pela vontade de praticar a conduta prevista num tipo penal.

19 - Três criminosos interceptaram um carro forte e dominaram os seguranças, reduzindo-lhes por


completo qualquer possibilidade de resistência, mediante grave ameaça e emprego de
armamento de elevado calibre. O grupo, entretanto, encontrou vazio o cofre do veículo, pois, por
erro de estratégia, efetuara a abordagem depois que os valores e documentos já haviam sido
deixados na agência bancária. Por fim, os criminosos acabaram fugindo sem nada subtrair. Nessa
situação, ante a inexistência de valores no veículo e ante a ausência de subtração de bens,
elementos constitutivos dos delitos patrimoniais, ficou descaracterizado o delito de roubo,
subsistindo apenas o crime de constrangimento ilegal qualificado pelo concurso de pessoas e
emprego de armas.
Errado. Os dados do enunciado da questão permitem inferir que o objetivo dos criminosos era o de
subtrair os valores que estariam no carro forte. No entanto, também fica claro da leitura do
enunciado que os valores não foram subtraídos pelos meliantes por motivos alheios a sua vontade,
ocorrendo, portanto, o delito de roubo com causa de aumento de pena na modalidade tentada (art.
157, §2º, I, II, III, c/c o art. 14, II, ambos do Código Penal). É importante consignar que a ausência
dos valores visados pelos meliantes no local esperado, não configura a impropriedade absoluta do
objeto, senão relativa, de modo a não caracterizar a ocorrência de crime impossível, persistindo,
portanto, o crime na modalidade tentada, nos termos já explicitados.

20 - No que concerne aos elementos do crime, é correto afirmar que: o chamado princípio da
insignificância exclui a tipicidade formal da conduta.
Errada. Em verdade esse princípio (de construção jurisprudencial e doutrinária) exclui a tipicidade
material, ou seja, a conduta do agente é típica (se amolda ao que prevê a lei incriminadora), mas
causa insignificativa lesão ao bem jurídico, de modo que deve ser considerada atípica.

21 - No que concerne aos elementos do crime, é correto afirmar que: O consentimento do


ofendido pode conduzir à exclusão da tipicidade.
Certa. O consentimento do ofendido, quando o dissenso da vítima é elemento do crime), exclui a
tipicidade. Ex: Invasão de domicílio (art. 150 do CP).

22 - José, juiz de direito do Tribunal de Justiça de São Paulo, depara-se com um processo em que
figura na condição de ré uma grande amiga de infância de sua filha. Não havendo causa de
impedimento ou suspeição, separa o processo para proferir, com calma, na manhã seguinte, uma
sentença condenatória bem fundamentada, pois sabe que sua filha ficaria chateada diante de sua
decisão. Ocorre que, por descuido, esqueceu o processo no armário de seu gabinete por 06 meses,
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
causando a prescrição da pretensão punitiva. Considerando a hipótese narrada, é correto afirmar
que a conduta de José é atípica, sob o ponto de vista do Direito Penal.
Certa. Não há dolo por parte do juiz. Há apenas culpa, diante da sua negligência. Como não há
previsão de figura culposa para os crimes de prevaricação, condescendência criminosa e corrupção
passiva, elencados na questão, e não há dolo, não há elemento subjetivo caracterizador da infração
penal, o que afasta sua responsabilidade criminal.

23 - Apesar de, no campo fático, ser possível ocorrer a tentativa de contravenção penal, esta,
quando se desenvolve na forma tentada, não é penalmente alcançável.
Correto. Conforme estabelece o artigo 4º do Decreto-lei 3.688/41: Art. 4º Não é punível a tentativa
de contravenção.

24 - A multa aplicada cumulativamente com a pena de reclusão pode ser executada em face do
espólio, quando o réu vem a óbito no curso da execução da pena, respeitando - se o limite das
forças da herança.
Errado. Embora o art. 51 do Código Penal em sua nova redação passou a considerar a pena de multa
como dívida de valor, ela não perde seu caráter criminal, não podendo, portanto, transcender à
pessoa do condenado (princípio da responsabilidade pessoal ou da intranscendência), nos termos
do art. 5º, XLV da Constituição da República.

25 - Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990, forem praticados por
servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a metade.
Errado. Os crimes previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990 são crimes nos quais as elementares do
tipo tem-se por o sujeito ativo do delito alguém que ostenta a condição de funcionário púbico nos
termos do art. 327 do Código Penal. Trata-se, portanto, de crimes funcionais, no exercício de função
especificamente ligada à ordem tributária. Demais disso, as causas de aumento de pena atinentes
aos crimes contra ordem tributária vêm previstas no art. 12 e não no art. 3º do diploma legal
mencionado.

26 - A responsabilidade objetiva é aquela que necessita da comprovação da culpa para a imposição


do dever de indenizar.
Errada, pois a responsabilidade objetiva independe da demonstração de culpa, nos termos do artigo
927, parágrafo único: Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente
de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

27 - No crime de descaminho, a mera reiteração criminosa nunca terá o condão de afastar a


aplicação do princípio da insignificância.
Errado. De acordo com o STJ, a reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da
insignificância nos crimes de descaminho, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, as
instâncias ordinárias verificarem que a medida é socialmente recomendável.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
28 - Em caso de concurso formal de crimes, o perdão judicial concedido para um deles não
necessariamente deverá abranger o outro.
Correto. O fato dos delitos terem sido cometidos em concurso formal não autoriza a extensão dos
efeitos do perdão judicial concedido para um dos crimes, se não restou comprovada, quanto ao
outro, a existência do liame subjetivo entre o infrator e a outra vítima fatal. Ex: o réu, dirigindo seu
veículo imprudentemente, causa a morte de sua noiva e de um amigo; o fato de ter sido concedido
perdão judicial para a morte da noiva não significará a extinção da punibilidade no que tange ao
homicídio culposo do amigo. STJ. 6ª Turma. REsp 1444699-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado
em 1/6/2017 (Info 606).

29 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.
Errado. De acordo com a teoria extensiva, autor é todo aquele que concorre, de alguma forma, para
a consecução do resultado, isto é, é todo aquele que dá causa ao resultado. Assim, segundo a teoria
extensiva, não há distinção entre a figura do autor e a do partícipe.

30 - Os indivíduos A e B planejaram subtrair aparelhos eletrodomésticos de uma residência. Para


tanto, escolheram o período da manhã, pois estavam certos de que, nesse horário, não haveria
ninguém no imóvel. Cabia a B apenas a função de vigiar o perímetro externo e dirigir o veículo
usado na empreitada criminosa. Ao entrar na casa, A foi surpreendido pela presença da moradora
e, então, após subjugá-la, matou-a, tendo, em seguida, fugido no veículo guiado por B, levando os
eletrodomésticos subtraídos. Nessa situação, B não será responsabilizado pelo delito de
homicídio.
Correto. Nos termos do § 2º do art. 29 do Código Penal, se algum dos concorrentes quis participar
de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste. Cabe ressaltar que essa pena será aumentada
até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

31 - Julgue a assertiva. Configura-se tentativa incruenta no caso de o agente não consegui atingir
a pessoa ou a coisa contra a qual deveria recair sua conduta.
Certa. A tentativa é dividida quanto ao resultado produzido na vítima em: Incruenta ou branca: golpe
desferido não atinge o corpo da vítima, não gerando lesão efetiva, palpável à integridade corporal
do ofendido. Cruenta ou vermelha: a vítima é efetivamente atingida.

32 - Com relação a aspectos diversos pertinentes ao crime, julgue a assertiva. Diz-se consumado o
crime quando nele se reúnem, pelo menos, parte dos elementos de sua definição legal.
Errada. Deve reunir todos os elementos, e não só parte deles. Art. 14, CP - Diz-se o crime: I -
consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
33 - Julgue a assertiva. Se o agente oferece propina a um empregado de uma sociedade de
economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada com interesse exclusivamente
particular, incide em erro de tipo.
Certa. O erro de tipo é uma má apreciação da realidade fática. O agente pensou tratar-se de
funcionário de empresa particular, enquanto tratava-se de funcionário público. Em tese, praticaria
o crime de corrupção ativa. Percebam que não há elemento subjetivo (moral) em sua conduta. Desse
modo, afasta-se a tipicidade.

34 - É correto afirmar que; o Erro de Tipo exclui o dolo, tendo em vista que o autor da conduta
desconhece ou se engana em relação a um dos componentes da descrição legal do crime, seja ele
descritivo ou normativo.
Certa. Tipo é o modelo genérico e abstrato, formulado pela lei penal, descritivo da conduta criminosa
ou da conduta permitida. Conceito de erro de Tipo: É a falsa percepção da realidade acerca os
elementos constitutivos do tipo penal.

35 - Julgue a assertiva a seguir. A tentativa, salvo disposição legal em contrário, é punida com a
pena correspondente à prevista para o crime na modalidade continuada, diminuída de um terço
até a metade.
Errada. Art. 14 - Diz-se o crime: II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente. Parágrafo único – Salvo disposição em contrário, pune-
se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

36 - Julgue a assertiva. O agente que, embora tenha iniciado a execução do crime, voluntariamente
impeça o resultado danoso responderá somente pelos atos por ele já praticados.
Certa. A assertiva refere-se ao instituto do arrependimento eficaz. Art. 15, CP - O agente que,
voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só
responde pelos atos já praticados.

37 - Ao peculato mediante erro de outrem se aplica, por expressa disposição legal, a causa
extintiva da punibilidade da reparação do dano anterior à sentença irrecorrível.
Errado. O crime de peculato mediante erro de outrem encontra-se tipificado no artigo 313 do Código
Penal, que assim dispõe: "Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo,
recebeu por erro de outrem". Em relação ao delito tratado neste item, não há expressa previsão
legal de extinção da punibilidade mediante a reparação do dano antes da sentença irrecorrível. Tal
previsão legal refere-se ao crime de peculato, quando ocorrer na modalidade culposa, nos termos
do artigo 312, §2º, do Código Penal. Sendo assim, a afirmativa contida neste item está errada.

38 - Com relação ao disposto na parte geral do Código Penal, é correto afirmar que; haverá isenção
de pena se o agente praticar o fato em estrito cumprimento de dever legal.
Errada. Isentar de pena é sinônimo de excludente de culpabilidade. O estrito cumprimento do dever
legal é excludente de ilicitude e não de culpabilidade.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
39 - Considere que João, maior e capaz, após ser agredido fisicamente por um desconhecido,
também maior e capaz, comece a bater, moderadamente, na cabeça do agressor com um guarda-
chuva e continue desferindo nele vários golpes, mesmo estando o desconhecido desacordado.
Nessa situação hipotética, João incorre em excesso intensivo.
Errado. Segundo dispõe o art. 25 do Código Penal “Entende-se em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou
de outrem”. Se a agressão cessou, conforme narra o enunciado da questão, posto que o agressor já
se encontrava desacordado, João se excedeu extensivamente e não intensivamente, passando a agir,
a partir da interrupção da agressão, sem o albergue da excludente de ilicitude. O excesso de legítima
defesa é intensivo quando o agente durante ou na iminência de uma agressão injusta emprega meios
desproporcionais à agressão sofrida ou em vias de ocorrer.

40 - Julgue a assertiva a seguir - São elementos do fato típico: conduta, resultado, relação de
causalidade e tipicidade.
Certa. Fato típico, portanto, pode ser conceituado como ação ou omissão humana, antissocial que,
norteada pelo princípio da intervenção mínima, consiste numa conduta produtora de um resultado,
que se subsume ao modelo de conduta proibida pelo Direito Penal, seja crime ou contravenção
penal. Do seu conceito extraímos seus elementos: conduta, nexo causal, resultado, tipicidade.

41 - O sujeito ativo que pratica crime em face de embriaguez voluntária ou culposa responde pelo
crime praticado. Adota-se, no caso, a teoria da conditio sine qua non para se imputar ao sujeito
ativo a responsabilidade penal.
Errado. A teoria da conditio sine qua non diz respeito à relação de causalidade entre o agente e o
crime. A embriaguez refere-se à culpabilidade do agente, não tendo relação com o nexo causal entre
a conduta e o resultado. Cuida, portanto, da capacidade do agente de entender o caráter ilícito de
sua conduta e de determinar-se de acordo com esse entendimento. No caso de embriaguez, a única
hipótese que afasta a culpabilidade é a de embriaguez fortuita. Quanto à embriaguez voluntária e à
culposa, incide a teoria do actio libera in causa, que não afasta a culpabilidade, porquanto ela é
aferida no momento em que o agente decide se embriagar ou em que não é ordinariamente
diligente para evitar que chegue ao referido estágio mental.

42 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.
Errado. De acordo com a teoria extensiva, autor é todo aquele que concorre, de alguma forma, para
a consecução do resultado, isto é, é todo aquele que dá causa ao resultado. Assim, segundo a teoria
extensiva, não há distinção entre a figura do autor e a do partícipe.

43 - Julgue a Assertiva. Configura-se a desistência voluntária ainda que não tenha partido
espontaneamente do agente a ideia de abandonar o propósito criminoso, com o resultado de
deixar de prosseguir na execução do crime.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Certa. O agente, por manifestação exclusiva do seu querer, desiste de prosseguir na execução da
conduta criminosa. Trata-se da situação em que os atos executórios ainda não se esgotaram,
entretanto, o agente, voluntariamente, abandona o seu dolo inicial. Como se percebe, contenta-se
o legislador coma voluntariedade da desistência (não precisando ser espontânea), o que significa
que o instituo não se desnatura quando a decisão do agente, livre de coação, sofre influência
subjetiva externa.

44 - O crime de corrupção passiva, para consumar-se, depende de que o agente retarde ou deixe
de praticar o ato a que obrigado, ou que o pratique infringindo dever funcional.
Errado. O crime de corrupção passiva, tipificado no artigo 317 do Código Penal, é um crime formal,
bastando para a consumação do delito a conduta de "solicitar", "receber" ou ainda "aceitar
promessa", pois nesse caso já se reúnem todos elementos da definição legal do crime em referência.
A ocorrência do efetivo recebimento é um post factum impunível ou mero exaurimento.

45 - Em se tratando de legítima defesa, a agressão é injusta e a repulsa materializa-se em uma


ação predominantemente defensiva, com aspectos agressivos, ao passo que, tratando-se de
estado de necessidade, inexiste a agressão injusta, sendo a ação predominantemente agressiva,
com aspectos defensivos.
Certa. Estado de necessidade e legítima defesa são causas legais de exclusão da ilicitude (art. 23, I e
II, do CP) e têm em comum o perigo a um bem jurídico, próprio ou de terceiro. Contudo, não se
confundem. Na legítima defesa, o perigo provém de agressão ilícita do homem, e a reação se dirige
contra seu autor. Por outro lado, no estado de necessidade agressivo o perigo é originário da
natureza, de seres irracionais ou mesmo de um ser humano, mas, para dele se safar, o agente
sacrifica bem jurídico pertencente a quem não provocou a situação de perigo. No estado de
necessidade defensivo o agente sacrifica bem jurídico de titularidade de quem causou a situação de
perigo. Em alguns casos, contudo, a situação de perigo ao bem jurídico é provocada por uma
agressão lícita do ser humano que atua em estado de necessidade. Como o ataque é lícito, eventual
reação caracterizará estado de necessidade, e não legítima defesa.

46 - O comércio ilegal de drogas envolvendo mais de um estado faz surgir o tráfico interestadual
de entorpecentes, deslocando-se a competência para apuração e atuação da Polícia Federal,
todavia, a competência para processar e julgar o criminoso continua a ser da justiça estadual.
Correto. A competência para apuração e atuação da Polícia Federal nesse caso está prevista no artigo
144, §1º, inciso II, da Constituição Federal: Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: (...) § 1º A polícia federal, instituída por lei
como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se
a:"(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I - apurar infrações penais contra a
ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha
repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
(...) A competência para processar e julgar o criminoso, contudo, continua a ser da Justiça Estadual,
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
pois só será deslocada para a Justiça Federal se ficar caracterizada a transnacionalidade do delito (e
não meramente sua interestadualidade), conforme artigo 70 da Lei 11.343/2006: Art. 70. O processo
e o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional,
são da competência da Justiça Federal.

47 - É correto afirmar que: A tipicidade conglobante é um corretivo da tipicidade legal, posto que
pode excluir do âmbito do típico aquelas condutas que apenas aparentemente estão proibidas.
Certa. A teoria da tipicidade conglobante do jurista argentino Eugenio Raúl Zaffaroni, visa explicar a
tipicidade (elemento integrante do fato típico) para o direito penal. Essa teoria basicamente entende
que o estado não pode considerar como típica uma conduta que é fomentada ou tolerada pelo
Estado. Em outras palavras, o que é permitido, fomentado ou determinado por uma norma não pode
estar proibido por outra. O juízo de tipicidade deve ser concretizado de acordo com o sistema
normativo considerado em sua globalidade. Se uma norma permite, fomenta ou determina uma
conduta não pode estar proibido por outra.

48 - O delito de sequestro e cárcere privado, inserido entre os crimes contra a pessoa, constitui
infração penal de ação múltipla, e a circunstância de ter sido praticado contra menor de dezoito
anos de idade qualifica o crime.
Errado. Considera-se crime de ação múltipla aquele em que o tipo penal prevê diversos núcleos
verbais como condutas a serem vedadas. O crime de sequestro e cárcere privado prevê apenas uma
conduta, que é a de privar alguém de sua liberdade. Como exemplos de crimes de ação múltipla
temos os de contrabando e descaminho previstos no art. 334 do Código Penal e também o de tráfico
de drogas, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343/06. A parte final do enunciado da questão, no entanto,
está correta, pois a circunstância de a vítima ser menor de dezoito anos é uma das qualificadoras do
crime de sequestro e cárcere privado, prevista no inciso IV do parágrafo primeiro do art. 148 do
Código Penal.

49 - Segundo o critério objetivo-formal da teoria restritiva, somente é considerado autor aquele


que pratica o núcleo do tipo; partícipe é aquele que, sem realizar a conduta principal, concorre
para o resultado, auxiliando, induzindo ou instigando o autor.
Correto. A teoria restritiva do autor é a adotada pelo CP, porquanto o caput e os §§ 1º e 2º do art.
29 faz a nítida distinção entre autor e partícipe. Essa teoria distingue autor de partícipe,
estabelecendo como critério distintivo a prática ou não de elementos do tipo. Assim, autor é aquele
que concorre para a realização do crime, praticando elementos do tipo. Co-autor é aquele que
concorre para a realização do crime, praticando parte do tipo, ou seja, ele presta uma ajuda
considerada essencial, dividindo tarefas essenciais ao crime (divisão de tarefas em sede de tipo). Já
o partícipe é aquele que contribui, de qualquer outro modo, para a realização de um crime, sem
realizar elementos do tipo.

50 - Julgue a assertiva. Mesmo quando o agente, de forma espontânea, desiste de prosseguir nos
atos executórios ou impede a consumação do delito, devem ser a ele imputadas as penas da
conduta típica dolosa inicialmente pretendida.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Errada. Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que
o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

51 - O crime de abandono de função é próprio e material, exigindo, para sua consumação, a


causação de prejuízo à Administração Pública.
Errado. O crime de abandono de função, previsto no artigo 323 do Código Penal, é um crime de mão
própria, uma vez que só pode ser praticado pessoalmente pelo funcionário público e um crime
formal, bastando que o funcionário largue ou deixe ao desamparo o regular funcionamento dos
serviços públicos, ainda que não provoque efetivo prejuízo à administração pública.

52 - Julgue a assertiva a seguir - No ordenamento jurídico brasileiro, a imputabilidade penal é a


capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Certa. Segundo Damásio E. de Jesus a imputabilidade penal é o conjunto de condições pessoais que
dão ao agente capacidade para lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível. Sobre
outro enfoque temos o conceito de Heleno Cláudio Fragoso que define a imputabilidade como
condição pessoal de maturidade e sanidade mental que confere ao agente a capacidade de entender
o caráter ilícito do fato ou de se determinar segundo esse entendimento.

53 - - Na Lei de Drogas, é prevista como crime a conduta do agente que oferte drogas,
eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa do seu relacionamento, para juntos a
consumirem, não sendo estabelecida distinção entre a oferta dirigida a pessoa imputável ou
inimputável.
Correto. O item está certo, conforme artigo 33, §3º, da Lei 11.343/2006.

54 - José, réu primário, após subtrair para si, durante o repouso noturno, mediante rompimento
de obstáculo, um botijão de gás avaliado em R$ 50,00 do interior de uma residência habitada, foi
preso em flagrante delito. Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item
subsecutivo, com base na jurisprudência dominante dos tribunais superiores a respeito desse
tema. O crime praticado por José é atípico em razão da incidência do princípio da insignificância.
Errada. A jurisprudência do STF, acompanhada pela do STJ, é firme no sentido da inaplicabilidade do
princípio da insignificância no caso do furto qualificado, ainda que primário e de pequeno valor a
coisa subtraída, devido a alto grau de periculosidade/ofensividade da conduta, quando praticada na
forma qualificada. Pessoal, não confundam insignificância com privilégio, uma vez que o privilégio
pode ser aplicado no furto qualificado (súmula 511 STJ).

55 - De acordo com a Lei Maria da Penha, nas ações penais públicas condicionadas à representação
da vítima de violência doméstica, admite-se a possibilidade de renúncia da ação pela parte
ofendida, em qualquer fase processual, sendo exigida, no entanto, a manifestação do Ministério
Público (MP).
Errado. Conforme preconiza o artigo 16 da Lei 11.340/2006: Art. 16. Nas ações penais públicas
condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do
recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.

56 - Em relação à natureza jurídica do concurso de agentes, o CP adotou a teoria unitária ou


monista, segundo a qual cada um dos agentes (autor e partícipe) responde por um delito próprio,
havendo pluralidade de fatos típicos, de modo que cada agente deve responder por um crime
diferente.
Errado. No que se refere à natureza jurídica do concurso de agentes, o Código Penal adotou a teoria
monista ou unitária, que considera o crime, ainda quando praticado com o concurso de outras
pessoas, único e indivisível (CP, art. 29). O erro da questão está em afirmar que cada agente responde
por crime diferente, quando na verdade, como dito, o crime é único e indivisível. Por fim, cabe
ressaltar que a teoria monista ou unitária é adotada de forma temperada. Assim, admite-se a
punição menos severa do co-autor que quis participar de crime menos grave (CP, art. 29, § 2º).

57 - O agente que tenha desistido voluntariamente de prosseguir na execução ou, mesmo depois
de tê-la esgotado, atue no sentido de evitar a produção do resultado, não poderá ser beneficiado
com os institutos da desistência voluntária e do arrependimento eficaz caso o resultado venha a
ocorrer.
Certa. Se em qualquer caso de "tentativa abandonada" o resultado se consumar, não há que se falar
em desistência voluntária ou arrependimento eficaz.

58 - Já decidiu o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão,
pode ser considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário
público ser elementar do tipo.
Correto. Embora seja o policial um funcionário público e essa a condição pessoal seja a elementar
do crime de concussão, tipificado no artigo 316 do Código Penal, o Supremo Tribunal Federal
entendeu ser possível considerar-se a condição pessoal de policial do sujeito ativo como uma
circunstância judicial negativa. No HC 132.990/PE, da relatoria do Min. Edson Fachin, o STF entendeu
que "(...) é valida a exasperação da pena-base quando, em razão da aferição negativa da
culpabilidade, extrai-se maior juízo de reprovabilidade do agente diante da conduta praticada (...)
embora a condição de funcionário público integre o tipo penal, não configura bis in idem a elevação
da pena na primeira fase da dosimetria quando, em razão da qualidade funcional ocupada pelo
agente, exigir-se-ia dele maior grau de observância dos deveres e obrigações relacionadas ao cargo
que ocupa. 3. Tendo em vista a condição de policial civil do atente, 'a quebra do dever legal de
representar fielmente os anseios da população e de quem se esperaria uma conduta compatível
com as funções por ela exercidas, ligadas dentre outros aspectos, ao controle e à repressão de atos
contrários à administração e ao patrimônio público, distancia-se, em termos de culpabilidade, da
regra geral da moralidade e probidade administrativa imposta a todos os funcionários públicos".
Com efeito, a assertiva contida neste item está correta.

59 - Acerca do direito penal, julgue os itens subsecutivos. Considere a seguinte situação hipotética.
Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro de origem e premiado em vários concursos, que
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
vive trancado dentro de casa. Em determinado dia, esse cão escapou da coleira, pulou a cerca do
jardim da casa de Henrique e atacou Lucas, um menino que brincava na calçada. Ato contínuo,
José, tio de Lucas, como única forma de salvar a criança, matou o cão. Nessa situação hipotética,
José agiu em legítima defesa de terceiro.
Errada. José agiu em estado de necessidade de terceiro e não em legítima defesa de terceiro. Art.
24, CP - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que
não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. Vale mencionar que, poderia ser caso de
legítima defesa se o autor da agressão utilizasse o animal como instrumento para praticar a lesão a
vítima.

60 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do


inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.
Correto. Conforme preconiza o artigo 51 da Lei 11.343/2006: Art. 51. O inquérito policial será
concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando
solto. Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido
o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

61 - Segundo a teoria da tipicidade conglobante proposta por Eugenio Raúl Zaffaroni, quando um
médico, em virtude de intervenção cirúrgica cardíaca por absoluta necessidade corta com bisturi
a região torácica do paciente, é CORRETO afirmar que; não responde por nenhum crime,
carecendo o fato de tipicidade, já que não podem ser consideradas típicas aquelas condutas
toleradas ou mesmo incentivadas pelo ordenamento jurídico.
Certa. Teoria da tipicidade conglobante considera que o Estado não pode considerar como típica
uma conduta que é fomentada ou tolerada pelo próprio Estado.

62 - Roberval foi definitivamente condenado pela prática de crime punido com reclusão de um a
três anos. Após o cumprimento de metade da pena a ele aplicada, adveio nova lei, que passou a
punir o crime por ele praticado com detenção de dois a quatro anos. Nessa situação, a lei nova
não se aplicará a Roberval, tendo em vista que sua condenação já havia transitado em julgado.
Errado. Com o advento de lei penal mais benigna (novatio legis in mellius), todos os efeitos dela
decorrentes desaparecem, nos termos do parágrafo único do artigo 2º do CP. É importante destacar
que há, inclusive, súmula do STF que trata da hipótese narrada no enunciado, embora
designadamente para fixar o órgão jurisdicional competente para aplicar o benefício penal. Senão,
vejamos o teor da referida súmula nº 611: “Transitada em julgado a sentença condenatória, compete
ao juízo das execuções a aplicação da lei mais benigna”.

63 - Em se tratando da chamada comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal


brasileiro, as condições e circunstâncias pessoais que formam a elementar do injusto, tanto básico
como qualificado, comunicam-se dos autores aos partícipes e, de igual modo, as condições e
circunstâncias pessoais dos partícipes comunicam-se aos autores.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Errado. Conforme o art. 30, do Código Penal, não se comunicam as circunstâncias e as condições de
caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.

64 - É correto afirmar que admite-se a tentativa nos delitos de imprudência.


Errada. Denomina delito de imprudência o crime culposo. Imprudência é uma modalidade de culpa,
juntamente com a negligência e a imperícia. Como se sabe, não há que falar em tentativa de crime
culposo (salvo culpa imprópria).

65 - Sobre o concurso de pessoas, é CORRETO afirmar que o Código Penal incorporou solução
reclamada pela doutrina para o desvio subjetivo, que se aplica tanto a coautores, como a
partícipes.
Correto. De fato, o Código Penal adotou, no §2º, do artigo 29, do Código Penal, a sistemática do
"desvio subjetivo da conduta" que vem a ser uma exceção dualista à teoria monista, aplicável
quando o agente ou partícipe queria participar de crime menos grave, ocorrendo um "desvio
subjetivo" entre os co-autores ou partícipes. Assim, o legislador conferiu a possibilidade de aplicação
de norma punitiva mais benéfica ao agente que, sem condição de prever a efetivação de crime mais
grave pelo co-autor, pretendeu praticar outro crime, de natureza menos grave.

66 - Analise o caso que se segue - Ao passar próximo ao estoque de uma loja de roupas, um dos
vendedores viu que havia ali um incêndio de grandes proporções. Naquela situação, correu em
direção à porta do estabelecimento que, por ser estreita, estava totalmente obstruída por um
cliente que entrava no local. Desconhecendo o incêndio e achando que estava sofrendo uma
agressão, o cliente reagiu empurrando o vendedor, que lhe desferiu um soco. Os empurrões do
cliente, assim como a agressão do vendedor produziram recíprocas lesões corporais de natureza
leve. Na hipótese, é CORRETO afirmar que, o vendedor agiu em estado de necessidade e o cliente,
em legítima defesa putativa.
Certa. O vendedor agiu em estado de necessidade, pois estava correndo do incêndio e no desespero
esbarrou no cliente que estava na porta do estabelecimento, mas este imaginou que estava sofrendo
uma agressão que na verdade não existia, por isso a sua legítima defesa era putativa (imaginária).

67 - Um agente de polícia federal verificou que o adolescente Juliano havia acabado de adquirir
30 g de maconha para seu consumo pessoal e que ele trazia consigo a droga. Nessa situação, seria
ilícito que o referido agente apreendesse Juliano em flagrante, porque adolescentes somente
podem ser apreendidos em flagrante pela prática de atos infracionais que envolvam violência ou
ameaça a terceiros.
Errado. O porte de entorpecente para consumo próprio é tipificado no art. 28 da Lei 11343/06. A
par disso, o art. 106 da Lei nº 8069/90 permite a apreensão de menor que esteja na flagrância de
ato infracional (“Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato
infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente”), tal como
se deu na hipótese acima transcrita. Não havendo a exceção legal sugerida no enunciado, impõe-se
considerar a assertiva como errada.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
68 - É correto afirmar que: A ideia de insignificância penal centra-se no conceito formal de crime.
Errada. Tipicidade formal é o juízo de adequação entre o fato e a norma (é montar o quebra cabeça,
ou seja, é ver se a conduta se adequa a uma norma). Tipicidade material é a lesão ou perigo de lesão
ao bem jurídico. Não basta que o fato se encaixe a norma, é preciso que cause lesão ou perigo de
lesão a um bem jurídico. Na aplicação do princípio da insignificância, se não houver lesão ao bem
jurídico, mesmo havendo tipicidade formal, o fato é atípico.

69 - Pedro pediu em casamento Carolina, que tem 16 anos de idade, e ela aceitou. O pai de
Carolina, porém, negou-se a autorizar o casamento da filha, pelo fato de o noivo ser negro.
Todavia, para não ofender Pedro, solicitou a Carolina que lhe dissesse que o motivo da sua recusa
era o fato de ele ser ateu. Nessa situação, o pai de Carolina cometeu infração penal.
Correto. A conduta do pai de Carolina se subsume ao crime inserto no tipo penal do art. 20 da Lei
nº 7176/89 (“Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião
ou procedência nacional.”). No caso, o elemento subjetivo do tipo (dolo) de não ofender Pedro é
irrelevante, pois não se trata de crime de injúria racial (art. 140, §3º do CP). Destaque-se, que o
crime é de ação múltipla e, mesmo que o agente tenha incidido em dois núcleos do tipo (em razão
da raça e da religião), só responderá por um crime, porquanto sua atuação se deu no âmbito de um
mesmo contexto fático.

70 - A teoria do domínio do fato, que rege o concurso de pessoas, não se aplica aos delitos
omissivos, sejam estes próprios ou impróprios, e deve ser substituída pelo critério da infringência
do dever de agir.
Correto. A teoria do domínio do fato, que rege o concurso de pessoas, não tem aplicação aos delitos
omissivos, sejam próprios ou impróprios, devendo ser substituída pelo critério da infringência do
dever de agir. Na omissão, o autor direto ou material é quem, tendo dever de atuar para evitar um
resultado jurídico, deixa de realizar a exigida conduta impeditiva, não havendo necessidade de a
imputação socorrer-se da teoria do domínio do fato. O omitente é autor não em razão de possuir o
domínio do fato, mas sim porque descumpre o mandamento de atuar para evitar a afetação do
objeto jurídico. Se não age, não pode dirigir o curso da conduta. Assim, nos delitos omissivos
próprios, autor é quem, de acordo com a norma da conduta, tem a obrigação de agir; nos omissivos
impróprios, é o garante, a quem incumbe evitar o resultado jurídico, ainda que, nos dois casos, falte-
lhes o domínio do fato.

71 - Acerca da parte geral do direito penal e seus Institutos, julgue os itens seguintes, julgue a
assertiva. Tanto a conduta do agente que age imprudentemente, por desconhecimento invencível
de algum elemento do tipo quanto a conduta do agente que age acreditando estar autorizado a
fazê-lo ensejam como consequência a exclusão do dolo e, por conseguinte, a do próprio crime.
Errada. Aquele que age imprudentemente (CULPOSAMENTE), não tem intenção em praticar a
conduta. Por isso, não possui dolo. Assim, o erro da questão encontra-se em afirmar que a exclusão
do dolo seria consequência de quem age imprudentemente (CULPOSAMENTE). Lembre-se que os
elementos estruturais do Dolo são diferentes dos elementos estruturais da Culpa. Vejamos:
Elementos estruturais do Dolo: consciência e vontade; Elementos estruturais da Culpa: conduta
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
voluntária, inobservância do dever de cuidado objetivo, resultado lesivo indesejado, previsibilidade
objetiva e tipicidade.

72 - Sobre o concurso de pessoas, é CORRETO afirmar que o Código Penal acolheu em relação aos
concorrentes, mesmo por omissão, a teoria monista, sujeitando-os às sanções penais, inclusive no
caso do concurso absolutamente negativo.
Errado. Essa alternativa está equivocada, uma vez que a teoria monista, adotada pelo nosso Código
Penal, aplica-se apenas nos casos em que a pessoa que se omite tem o dever de evitar o resultado
delitivo e se abstém. Assim, um bombeiro responde pelo crime de incêndio se deixar de cumprir seu
dever de combatê-lo. Quando uma pessoa que não tem o dever de evitar o resultado criminoso e
tampouco tem vontade de que o resultado ocorra, ocorrendo o resultado, configura-se a
participação por conivência, impunível por caracterizar o chamado concurso absolutamente
negativo. Assim, um empregado de uma empresa, desde que não exerça um cargo de vigia ou outro
similar, não tem o dever de impedir ou denunciar um colega de trabalho que esteja subtraindo
valores da empresa, ainda que ciente deste fato.

73 - Analise o caso a seguir - Para repelir a arremetida de um cão feroz, o agente usa uma arma de
fogo matando o animal. O animal tinha sido instado ao ataque pelo seu dono, o que era do
conhecimento do agente. No caso exposto, o agente praticou o fato em estado de necessidade.
Errada. Neste caso houve a excludente de ilicitude da legítima defesa, uma vez que o dono do animal
utilizou este para praticar o crime, logo o animal era apenas um instrumento para a prática do delito.
A situação seria inversa, e daí ocorreria estado de necessidade se o ani-mal agisse de forma
voluntária, sem a intervenção de seu dono.

74 - No concurso de pessoas, o partícipe terá obrigatoriamente reduzida a pena pelo crime em


relação ao autor, porquanto a participação é considerada como forma de concorrência diferente
da autoria ou coautoria.
Errado. Conforme leciona Cleber Masson, participação é a modalidade de concurso de pessoas em
que o sujeito não realiza diretamente o núcleo do tipo penal, mas de qualquer modo concorre para
o crime. É, portanto, qualquer tipo de colaboração, desde que não relacionada à prática do verbo
contido na descrição da conduta criminosa. Estabelece o artigo 29, §1º, do Código Penal, que, "Se a
participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um
terço)". Logo, por força do que preconiza o §1º do artigo 29 do Código Penal, o partícipe só terá
obrigatoriamente reduzida sua pena pelo crime em relação ao autor se sua participação for de
menor importância, sendo errado afirmar que o partícipe terá obrigatoriamente reduzida a pena
pelo crime em relação ao autor. Prevalece na doutrina o entendimento de que o dispositivo legal
não se aplica ao autor intelectual, embora seja partícipe, pois, se arquitetou o crime, evidentemente
a sua participação não se compreende como de menor importância. Fonte: MASSON, Cleber. Direito
Penal Esquematizado, volume 1, Parte Geral (arts. 1º a 120), São Paulo: Método, 7ª edição.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
75 - Julgue o item a seguir. - Cláudio, valendo-se de sua conta no Twitter, publicou declaração de
natureza discriminatória em relação aos homossexuais, de forma genérica. Tal ação configura
conduta atípica.
Certa. Proferir manifestação de natureza discriminatória em relação aos homossexuais. NÃO
configura o crime do art. 20 da Lei n.° 7.716/86, sendo conduta atípica. STF. 1ª Turma. Inq 3590/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/8/2014 (Info 754).

76 - Os delitos de inserção de dados falsos e de modificação ou alteração de dados não autorizada


em sistema de informações só se configuram se praticados por funcionário público autorizado,
com o fim específico de obter vantagem indevida para si ou para outrem, ou para causar dano,
sendo as penas aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resultar
dano para a administração pública ou para o administrado.
Errado. O enunciado da questão confunde dois tipos penais distintos. O previsto no artigo 313-A do
Código Penal, atinente ao crime de inserção de dados falsos e o previsto no artigo 313-B do Código
Penal, que é relativo ao crime de modificação ou alteração de dados não autorizadas nos sistemas
de informações. Em ambos os casos, os crimes devem ter por sujeito ativo funcionário público. No
caso do crime do art. 313-A do Código Penal, o funcionário autorizado insere os dados falsos com o
objetivo de obter vantagem indevida para si ou para outrem. Vale dizer, está presente no tipo penal
o especial fim de agir. No crime do art. 313-B do Código Penal, o servidor apenas altera sistema de
informações ou programa de informática sem autorização da autoridade competente. Não se exige
neste delito o especial fim de agir no sentido de obtenção de vantagem ilícita como ocorre no art.
313-A do Código Penal. Por fim, o aumento de pena é previsto no parágrafo único do art. 313-B do
Código Penal, na hipótese da alteração ou modificação causar prejuízo para a Administração Pública
ou para administrado. Não se aplica ao crime previsto no art. 313-A do Código Penal cujo prejuízo à
administração pública lhe é inerente.

77 - A respeito do inquérito policial, julgue a assertiva a seguir: Brenda, empregada doméstica, foi
presa em flagrante pela prática de um crime de furto qualificado contra Joana, sua empregadora.
O magistrado, após requerimento do Ministério Público, converteu a prisão em flagrante em
preventiva. Nessa hipótese, de acordo com o Código de Processo Penal, o prazo para conclusão do
inquérito policial será de 10 (dez) dias.
Errada. Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em
flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que
se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem
ela.

78 - Julgue a assertiva. Se o agente oferece propina a um empregado de uma sociedade de


economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada com interesse exclusivamente
particular, incide em erro de tipo.
Certa. O erro de tipo é uma má apreciação da realidade fática. O agente pensou tratar-se de
funcionário de empresa particular, enquanto tratava-se de funcionário público. Em tese, praticaria

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
o crime de corrupção ativa. Percebam que não há elemento subjetivo (moral) em sua conduta. Desse
modo, afasta-se a tipicidade.

79 - Quanto à fixação da pena, é CORRETO afirmar que embora prepondere na doutrina o


entendimento de que apenas a agravante genérica da reincidência se aplica aos crimes culposos,
já admitiu o Supremo Tribunal Federal, como tal, em crime culposo, o motivo torpe.
Correto. A agravante consubstanciada no "motivo torpe" já foi admitida pelo Supremo Tribunal
Federal em crimes culposos, notadamente no HC 70362/RJ, atinente ao famoso "Caso Bateau
Mouche". Cabe transcrever o trecho do acórdão que admitiu excepcionalmente o seu emprego:
"Não obstante a corrente afirmação apodítica em contrário, além da reincidência, outras
circunstâncias agravantes podem incidir na hipótese de crime culposo: assim, as atinentes ao
motivo, quando referidas a valoração da conduta, a qual, também nos delitos culposos, e voluntária,
independentemente da não voluntariedade do resultado: admissibilidade, no caso, da afirmação do
motivo torpe - a obtenção de lucro fácil -, que, segundo o acórdão condenatório, teria induzido os
agentes ao comportamento imprudente e negligente de que resultou o sinistro."

80 - Com base no Direito Penal e na melhor doutrina, é correto afirmar que; o dever de enfrentar
o perigo é norma que impede a exclusão da ilicitude por estado de necessidade.
Certa. Ausência do dever legal de enfrentar o perigo Nos termos do art. 24, § 1.º, do Código Penal:
“Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo”. - O
fundamento da norma é evitar que pessoas que têm o dever legal de enfrentar situações perigosas
se esquivem de fazê-lo injustificadamente. Aquele que, por mandamento legal, tem o dever de se
submeter a situações de perigo, não está autorizado a sacrificar bem jurídico de terceiro, ainda que
para salvar outro bem jurídico, devendo suportar os riscos inerentes à sua função.
Exemplificativamente, não pode um bombeiro, para salvar um morador de uma casa em chamas,
destruir a residência vizinha, quando possível fazê-lo de forma menos lesiva, ainda que mais
arriscada à sua pessoa. Essa regra, evidentemente, deve ser interpretada com bom senso: não se
pode exigir do titular do dever legal de enfrentar o perigo, friamente, atitudes heroicas ou sacrifício
de direitos básicos de sua condição humana. Nesse sentido, a lei não tem o condão, por exemplo,
de obrigar um bombeiro a entrar no mar, em pleno tsunami, para salvar um surfista que lá se
encontra. FONTE: Cleber Masson, Direito Penal Esquematizado.

81 - Para a aplicação dos benefícios da lei dos juizados especiais no caso de crime continuado ou
concurso formal de crimes, deve-se analisar a pena máxima com o aumento máximo previsto para
cada uma dessas formas de concurso.
Correto. Conforme enunciado de súmula 243 do Superior Tribunal de Justiça: O benefício da
suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso
material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo
somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano.

82 - É correto afirmar que: Denomina-se tipicidade a adequação do fato concreto com a descrição
do fato delituoso contida na lei penal.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Certa. Descrição adotada pela melhor doutrina.

83 - No que se refere à legitimidade para o polo passivo da ação penal por lavagem de capitais, é
dispensável a participação do acusado do crime de lavagem de dinheiro nos delitos a ele
antecedentes, sendo suficiente que ele tenha conhecimento da ilicitude dos valores, dos bens ou
de direitos cuja origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade tenha sido
ocultada ou dissimulada.
Correto. É dispensável a participação do acusado da lavagem de dinheiro nos crimes a ela
antecedentes, sendo suficiente que ele tenha conhecimento da ilicitude dos valores, bens ou direitos
cuja origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade tenha sido ocultada ou
dissimulada. Precedentes. (HC 207.936/MG, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado
em 27/03/2012, DJe 12/04/2012).

84 - No que diz respeito às prisões e medidas cautelares no processo penal, é correto afirmar que;
o juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o suposto autor do fato
delituoso for maior de 70 (setenta) anos de idade ou estiver extremamente debilitado por motivo
de doença grave.
Errada. Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: I -
maior de 80 (oitenta) anos.

85 - É correto afirmar que; o Erro de Tipo exclui o dolo, tendo em vista que o autor da conduta
desconhece ou se engana em relação a um dos componentes da descrição legal do crime, seja ele
descritivo ou normativo.
Certa. Tipo é o modelo genérico e abstrato, formulado pela lei penal, descritivo da conduta criminosa
ou da conduta permitida. Conceito de erro de Tipo: É a falsa percepção da realidade acerca os
elementos constitutivos do tipo penal.

86 - Quanto à fixação da pena, é CORRETO afirmar que, no concurso de duas ou mais causas de
aumento ou de diminuição, promoverá o juiz, em qualquer caso, a incidência de uma só, recaindo
a escolha, que é da lei, sobre a que mais aumente ou mais diminua.
Errado. O erro constante desta alternativa é a indevida ampliação da possibilidade de o juiz aplicar
apenas uma das causas de aumento ou de diminuição da pena quando concorrerem duas ou mais
delas. O parágrafo único do artigo 68 do Código Penal não estende essa faculdade ao juiz à qualquer
caso, restringindo-a, tão-somente, ao concurso de "causas de aumento ou de diminuição previstas
na parte especial" do Código Penal.

87 - Quanto ao estado de necessidade, é correto afirmar que; o direito penal brasileiro adota a
teoria unitária do estado de necessidade, reconhecendo-o unicamente como causa de justificação.
Certa. Há duas teorias discutindo este assunto: 1ª - Teoria Diferenciadora: Esta teoria diferencia dois
tipos de estados de necessidade: a) Estado de necessidade justificante: Exclui a ilicitude. Ocorre
quando o bem protegido vale mais que o bem sacrificado. Ex: Protege vida sacrificando o
patrimônio. b) Estado de necessidade exculpante: Exclui a culpabilidade. Se o bem protegido vale
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
igual ou vale menos que o bem jurídico sacrificado. 2ª - Teoria Unitária: Só há o estado de
necessidade justificante. Para essa teoria, o estado de necessidade justificante ocorre quando o bem
protegido vale mais ou igual ao bem sacrificado, excluindo ilicitude. Em contrapartida, quando o
bem protegido vale menos que o bem sacrificado, será uma causa de diminuição de pena (a doutrina
tem entendido que essa redução é obrigatória – direito subjetivo do réu – e não ato discricionário
do julgador). O código Penal adotou esta teoria.

88 - Considere que Joana, penalmente imputável, tenha determinado a Francisco, também


imputável, que desse uma surra em Maria e que Francisco, por questões pessoais, tenha matado
Maria. Nessa situação, Francisco e Joana deverão responder pela prática do delito de homicídio,
podendo Joana beneficiar-se de causa de diminuição de pena.
Errado. De acordo com o artigo 29 do código penal “Quem, de qualquer modo, concorre para o
crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. § 2º - Se algum dos
concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será
aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.” No caso em tela,
Joana apenas visava que Francisco desse uma surra (lesão corporal) em Maria. Ainda que tenha
concorrido para o delito de lesão corporal, não concorreu para a morte da vítima, que foi desejada
apenas por Francisco por questões que não diziam respeito à Joana e que, portanto, não lhe era
previsível. Em relação à Joana, poderia ser aplicada tão somente a pena correspondente ao crime
de lesão corporal, ao passo que Francisco responde pelo crime de homicídio. Trata-se com efeito de
colaboração dolosamente distinta em que cada um responderá de acordo com a sua
intenção/culpabilidade: Joana pelo animus laedendi e Francisco por seu animus necandi.

89 - Julgue o item. - Em síntese, o tipo penal reproduz, de forma paradigmática, a ação tal como é
na realidade, ou seja, caracterizada por um significado axiológico como menosprezo a um valor
digno de tutela. Havendo plena congruência entre ação, nos seus elementos objetivos, subjetivos
e valorativos, e o que se descreve no modo abstrato no tipo penal, dá-se a adequação típica.
Certa. A questão está de acordo com a melhor doutrina.

90 - Considere que Pedro, penalmente imputável, pretendendo matar Rafael, seu desafeto, aponta
em sua direção uma arma de fogo e aperta o gatilho por diversas vezes, não ocorrendo nenhum
disparo em razão de defeito estrutural da arma que, de forma absoluta, impede o seu
funcionamento. Nessa situação, Pedro será punido pela tentativa delituosa, porquanto agiu com
manifesta vontade de matar Rafael.
Errado. Os termos do artigo 17 do Código Penal, se trata de hipótese de crime impossível por
ineficácia absoluta do meio (defeito estrutural da arma de fogo, que é absolutamente ineficaz, de
acordo com o enunciado da questão): Crime impossível Art. 17 - Não se pune a tentativa quando,
por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-
se o crime. Dessa forma, não se pune a tentativa.

91 - No que se refere ao direito processual penal, segundo o entendimento dos tribunais


superiores e da doutrina dominante; é admitida a decretação da prisão preventiva de indivíduo
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primário, civilmente identificado, pela prática de crime que envolve violência doméstica e familiar
contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a
execução das medidas protetivas de urgência.
Certa. Art. 313, III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas
protetivas de urgência; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

92 - No que se refere aos crimes contra a fé pública, é correto afirmar que; para caracterização do
crime de uso de documento falso, é necessário que o documento falso seja efetivamente utilizado
em sua destinação específica.
Certo. Caracteriza-se o crime de Uso de documento falso pela apresentação do documento a
qualquer pessoa, e não apenas a funcionário público. É necessário, entretanto, que tenha sido
apresentado com a finalidade de fazer prova sobre fato relevante. Não há crime, por exemplo,
quando alguém mostra um documento falso a amigos.

93 - No tocante ao crime de homicídio, é possível afirmar que a ausência de motivos e a


embriaguez completa são incompatíveis com a qualificadora do motivo fútil, consoante
entendimento jurisprudencial.
Correto. No que tange a incompatibilidade da aplicação da qualificadora consubstanciada no motivo
fútil com embriaguez completa, malgrado exista divergência doutrinária quanto ao tema e referência
quanto a essa divergência na jurisprudência, não encontramos nenhum precedente no sentido de
afastar a qualificadora em razão do estado de embriaguez do agente, apenas a alusão a esse
precedente. Deveras, numa pesquisa por nós realizada, logramos verificar que, pelo menos no
passado, havia entendimentos divergentes quanto ao tema. Com efeito, da análise da
fundamentação contida no RE nº 63.226/RS, da relatoria do Ministro Eloy Rocha, em acórdão
publicado no 1968, concluise que havia divergência na jurisprudência, sendo citado um acórdão do
Tribunal de Justiça de Santa Catarina que, segundo o Ministro do Supremo Tribunal, Ministro Eloy
Rocha, "é textual no sentido de que a embriaguez incompleta deve excluir o motivo fútil, porque
produz um estado até certo ponto anormal, que impede o delinquente a controlar e regular os seus
impulso." Visto isso, apesar de difícil de ser aferida, não é possível dizer que a assertiva constante
deste item está incorreta. Por outro lado, no que tange à impossibilidade da aplicação da
qualificadora consubstanciada no motivo fútil, quando ignorado os motivos do homicídio, é firme
na jurisprudência o entendimento de que "(...)não se admite que a ausência de motivo seja
considerada motivo fútil, sob pena de realizar indevida analogia em prejuízo do acusado.
Precedente"(HC369163/SC julgado pela 5ª Turma do STJ que sob a relatoria do Ministro Joel Ilan
Paciornik e publicado No DJe 06/03/2017).

94 - No que se refere aos princípios do direito penal e às causas de exclusão da ilicitude, julgue o
próximo item - No que diz respeito às causas de exclusão da ilicitude, é possível alegar legítima
defesa contra quem pratica conduta acobertada por uma dirimente de culpabilidade, como, por
exemplo, coação moral irresistível.

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Certo. A legítima defesa pode ser invocada para repelir injusta agressão de alguém que se encontra
acobertado por uma excludente de culpabilidade. Isso porque a excludente de culpabilidade não
altera o caráter injusto da conduta (o fato continua sendo típico e ilícito), o que permite a atuação
em legítima defesa.

95 - Na hipótese de concurso de crimes, a extinção da punibilidade pela prescrição incidirá sobre


a pena cominada por cada crime, isoladamente.
Na hipótese de concurso de crimes, a extinção da punibilidade pela prescrição incidirá sobre a pena
cominada por cada crime, isoladamente. Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da
punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984).

96 - Julgue a assertiva que se segue - O princípio da insignificância, decorrência do caráter


fragmentário do Direito Penal, tem base em uma orientação utilitarista, tem origem controversa,
encontrando, na atual jurisprudência do STF, os seguintes requisitos de configuração: a mínima
ofensividade da conduta do agente; nenhuma periculosidade social da ação; o reduzidíssimo grau
de reprovabilidade do comportamento; e a inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Certa. Requisitos principais para o reconhecimento da insignificância, quais sejam: a) mínima
ofensividade da conduta do agente: se relaciona ao princípio da lesividade, que proíbe "a
incriminação de condutas desviadas que não afetem qualquer bem jurídico". Desse modo, a conduta
do agente deve ser apta a gerar um dano ou um perigo de dano relevante a um interesse. b) a
ausência de periculosidade social da ação: consiste na avaliação dos efeitos causados pela conduta
e por sua eventual descriminalização na sociedade como um todo. Assim, a aplicação do princípio
da bagatela em um caso concreto não pode, por exemplo, gerar descrença da coletividade no
Judiciário. c) a falta de reprovabilidade da conduta: se relaciona com o princípio da adequação social.
Consiste na avaliação do desvalor da ação diante da sociedade. Através desse critério, o funcionário
que toma para si uma cesta básica em uma empresa alimentícia não pode ser tratado de maneira
idêntica ao sujeito que a subtrai de um miserável que utilizaria os alimentos para manter sua família.
d) a inexpressividade da lesão jurídica causada. relaciona-se ao ínfimo valor da coisa. Questão
tormentosa acerca desse tópico é se a proporção da lesão deve ser verificada em face da vítima ou
através de um critério objetivo.

97 - Suponha que determinada sentença condenatória, com pena de dez anos de reclusão, imposta
ao réu, tenha sido recebida em termo próprio, em cartório, pelo escrivão, em 13/8/2011 e
publicada no órgão oficial em 17/8/2011, e que tenha sido o réu intimado, pessoalmente, em
20/8/2011, e a defensoria pública e o MP intimados, pessoalmente, em 19/8/2011. Nessa situação
hipotética, a interrupção do curso da prescrição ocorreu em 17/8/2011.
Errado. Nessa questão exige-se do candidato o conhecimento da legislação penal e processual, a fim
de que saiba o termo inicial do prazo prescricional. Com efeito, nos termos do art. 117, IV e §2º do
Código Penal, o prazo prescricional interrompe-se e volta a correr do dia da publicação da sentença
ou acórdão condenatórios recorríveis. O art. 389 do Código de Processo Penal, por sua vez, dispõe
que “A sentença será publicada em mão do escrivão, que lavrará nos autos o respectivo termo,
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registrando-a em livro especialmente destinado a esse fim.” Por conseguinte, a interrupção do prazo
prescricional ocorreu no dia 13/08/2011.

98 - No que se refere aos crimes contra a fé pública, julgue o item que se segue. A falsidade é
material quando o vício incide sobre o aspecto físico do documento, a sua forma.
Certa. A falsidade material de um documento é a alteração, em todo ou em parte, do aspecto físico
palpável do bem jurídico, ficando o conteúdo do documento propenso à falsidade ideológica, que é
a alteração do teor do documento e, segundo o Código Penal, pode ser omitir ou inserir declaração
falsa com o fim específico de resultado prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade.

99 - Tício, maior de 18 anos, é portador de doença mental, necessitando de medicação diária. A


doença, por si só, não prejudica a capacidade de compreensão. Todavia, a medicação, ingerida em
conjunto com bebida alcoólica em quantidade, provoca surtos psicóticos, com exclusão da
capacidade de entendimento. Tício sabe dos efeitos do álcool, em excesso, em seu organismo, mas
costuma beber, moderadamente, justamente para desfrutar dos efeitos que, segundo ele, “dá
barato”. Em uma festa, Tício, sem saber que se tratava de uma garrafa de absinto (bebida de alto
teor alcoólico), pensando ser gim, preparou um coquetel de frutas e ingeriu. Ao recobrar a
consciência, soube que esfaqueou dois de seus melhores amigos, causando a morte de um e lesão
de natureza grave em outro. A respeito da situação, é correto afirmar que Tício é inimputável,
sendo isento de pena, pois praticou o crime em estado de completa embriaguez, decorrente de
caso fortuito.
Correto. O fato narrado no enunciado configura embriaguez fortuita, uma vez que Tício ingeriu
bebida alcoólica ignorando o alto teor alcoólico da substância. Estando configurada a embriaguez
completa e acidental de Tício, pode-se afirmar a sua inimputabilidade.

100 - Julgue os itens a seguir, acerca de crimes contra a administração pública - Considere que
Pedro tenha oferecido e pagado quantia a determinado servidor público para que este praticasse
ato de ofício contrário ao seu dever funcional. Nesse caso, evidencia-se a prática do delito de
corrupção passiva por parte de Pedro.
Errada. Trata-se do delito de corrupção ATIVA, uma vez que particulares não podem cometer
corrupção passiva, pois trata-se de crime funcional próprio (em outras palavras: somente servidores
públicos podem praticar corrupção passiva).

101 - De acordo com o sistema adotado pelo Código Penal, é possível impor aos partícipes da
mesma atividade delituosa penas de intensidades desiguais.
Correto. De fato, o sistema penal brasileiro adota a “teoria monista”, “igualitária” ou “unitária”,
segundo a qual, aquele que concorre de alguma forma para que um crime se consume responde por
ele na medida de sua culpabilidade. Essa regra está expressa no artigo 29 do Código Penal (“Quem,
de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua
culpabilidade”). Os graus de participação e punição considerados nos parágrafos primeiro e segundo
do artigo 29 mitigam ou matizam o emprego dessa teoria com o nítido objetivo de proporcionar
uma melhor individualização da pena, cobrando-se a responsabilidade em proporcionalidade à
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culpabilidade do agente. Sendo assim, cada um dos que concorreram para o crime deverá ser
penalizado na proporção de sua culpabilidade, o que implica a fixação de penas desiguais.

102 - Julgue a assertiva que se segue. Conforme expressamente determina a Lei n. 9.296/96,
quando todos os fatos investigados constituem infração penal punida com pena de detenção, não
será admitida a interceptação de comunicações telefônicas.
Certa. No entanto, se um dos crimes fosse de reclusão, seria permitida a interceptação para os
demais. O ministro Joaquim Barbosa esclareceu que no precedente invocado pelo magistrado, o
ministro Nelson Jobim assentou seu entendimento no sentido de ser “plenamente constitucional a
utilização de material de interceptação telefônica para embasar a denúncia dos crimes apenados
com pena de reclusão e os crimes que, embora sejam punidos com detenção, sejam conexos
àqueles”.

103 - Configura autoria por convicção o fato de uma mãe, por convicção religiosa, não permitir a
realização de transfusão de sangue indicada por equipe médica para salvar a vida de sua filha,
mesmo ciente da imprescindibilidade desse procedimento.
Correto. Caracterizam autoria por convicção, segundo Rogério Greco, “as hipóteses em que o agente
conhece efetivamente a norma, mas a descumpre por razões de consciência, que pode ser política,
religiosa, filosófica, etc.” (Rogério Greco, Código Penal Comentado, Ed. 2013, Ed. Impetus, pag. 97.).
Sucede, no entanto, que a equipe médica tem o dever de realizar a transfusão, prescindindo da
permissão da mãe, que pode até ser presa por constrangimento ilegal e outros delitos.

104 - Acerca da lei da interceptação telefônica, julgue o item a seguir. A realização de interceptação
das comunicações telefônicas por policial militar, sob a coordenação de seus superiores
hierárquicos e a direção e supervisão do órgão do Ministério Público, visando o monitoramento e
combate ao crime organizado, mas sem autorização judicial, constitui crime de exercício funcional
ilegalmente prolongado, previsto na lei de abuso de autoridade.
Errada. O correto seria: crime de interceptação telefônica não autorizada, previsto na lei de
interceptações telefônicas, no art. 10 da Lei nº 9.296/96.

105 - No que se refere aos crimes contra a fé pública, julgue a assertiva. A denominada “cola
eletrônica” consistente na utilização de conteúdo sigiloso em certames de interesse público não
pode ser considerada crime.
Errada. É o que está previsto no Código Penal – 311-A. Importante: Os julgados do STF e STJ
(Anteriores a 2011) que defendem a atipicidade da “cola eletrônica” ficaram sem sentido, pois o
agente que utilizar indevidamente, conteúdo sigiloso de concurso público, por exemplo, com o fim
de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, cometerá o crime
do artigo 311- A (fraudes em certames de interesse público).

106 - No que respeita aos crimes contra a Administração Pública, é CORRETO afirmar que já decidiu
o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão, pode ser

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considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário público ser
elementar do tipo.
Correto. Embora seja o policial um funcionário público e essa a condição pessoal seja a elementar
do crime de concussão, tipificado no artigo 316 do Código Penal, o Supremo Tribunal Federal
entendeu ser possível considerar-se a condição pessoal de policial do sujeito ativo como uma
circunstância judicial negativa. No HC 132.990/PE, da relatoria do Min. Edson Fachin, o STF entendeu
que "(...) é valida a exasperação da pena base quando, em razão da aferição negativa da
culpabilidade, extrai-se maior juízo de reprovabilidade do agente diante da conduta praticada (...)
embora a condição de funcionário público integre o tipo penal, não configura bis in idem a elevação
da pena na primeira fase da dosimetria quando, em razão da qualidade funcional ocupada pelo
agente, exigir-se-ia dele maior grau de observância dos deveres e obrigações relacionadas ao cargo
que ocupa. 3. Tendo em vista a condição de policial civil do atente, 'a quebra do dever legal de
representar fielmente os anseios da população e de quem se esperaria uma conduta compatível
com as funções por ela exercidas, ligadas dentre outros aspectos, ao controle e à repressão de atos
contrários à administração e ao patrimônio público, distancia-se, em termos de culpabilidade, da
regra geral da moralidade e probidade administrativa imposta a todos os funcionários públicos".
Com efeito, a assertiva contida neste item está correta.

107 - Para que se caracterize o crime de violação de sigilo funcional, não é necessário que a
conduta do agente resulte em dano à administração pública ou a outrem.
Certa. A VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL é um crime formal (não exige configuração de resultado
natural, ou seja, simples revelar ou facilitar revelação configura-o). O prejuízo à ADM. PÚB. é mero
exaurimento do crime, inclusive qualificando-o, conforme o par. 2°do art. 325.

108 - O homicídio praticado mediante paga ou promessa de recompensa classifica-se


doutrinariamente como crime bilateral.
Correto. Crime bilateral é aquele que, por sua própria natureza, exige o encontro de dois agentes,
sem o qual o mesmo não seria possível. No homicídio praticado mediante paga ou promessa de
recompensa, também conhecido como mercenário, há a figura do mandante e a do executor.

109 - Acerca da legislação penal especial de interceptação telefônica, é correto afirmar que; os
autos referentes à interceptação de comunicações telefônicas correrão em apenso aos autos do
inquérito policial ou do processo criminal.
Certa. Art. 8°, da Lei nº 9.296/96 - A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza,
ocorrerá em autos apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal,
preservando-se o sigilo das diligências, gravações e transcrições respectivas.

110 - Acerca da lei da interceptação telefônica, julgue o item a seguir. O presidente de uma
comissão parlamentar mista de inquérito, após as devidas formalidades, ordenou, de forma
sigilosa e reservada, a interceptação telefônica e a quebra do sigilo de dados telefônicos de
testemunha que se reservara o direito de permanecer calada perante a comissão. Nessa situação,
a primeira medida é ilegal, visto que a interceptação telefônica se restringe à chamada reserva
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jurisdicional, sendo permitida, por outro lado, a quebra do sigilo de dados telefônicos da
testemunha, medida que não se submete ao mesmo rigor da primeira, consoante entendimento
da doutrina majoritária.
Certa. As comissões parlamentares de inquérito também podem quebrar o sigilo dos dados
telefônicos (CF, art.58, par. 3º.) não podem determinar a interceptação telefônica (STF MS
23652/DF).

111 - Para prenderem em flagrante pessoa acusada de homicídio, policiais invadiram uma
residência em que entrara o acusado, danificando a porta de entrada e sem mandado de busca e
apreensão. Nessa situação, os policiais não responderão pelo crime de dano, pois agiram em
estrito cumprimento do dever legal, que é causa excludente da ilicitude.
Correto. Como é sabido, a proteção constitucional do domicílio cede na hipótese de estar ocorrendo
um flagrante delito, no termos do art. 5º, XII da Constituição Federal. Nada obstante, a autoridade
policial e seus agentes estão obrigados a proceder a fim de deter a prática de um crime que esteja
em curso, nos termos do art. 301 do CPP. Considerando essas premissas e o caso narrado no
enunciado da questão, impõe-se concluir que o dano provocado pelo o arrombamento não
configura crime, porquanto os agente policiais estão amparados pela excludente de ilicitude prevista
na primeira parte do inciso III, do art. 23 do CP: “estrito cumprimento do dever legal”.

112 - Com relação aos crimes previstos no CP, julgue o item que se segue. A falsa atribuição de
identidade só é caracterizada como delito de falsa identidade se feita oralmente, com o poder de
ludibriar; quando formulada por escrito, constitui crime de falsificação de documento público.
Errada. Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito
próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem: Núcleo do tipo: É “atribuir”, no sentido de imputar
a si próprio ou a terceiro falsa identidade.

113 - O crime de abandono de função é próprio e material, exigindo, para sua consumação, a
causação de prejuízo à Administração Pública.
Errado. O crime de abandono de função, previsto no artigo 323 do Código Penal, é um crime de mão
própria, uma vez que só pode ser praticado pessoalmente pelo funcionário público e um crime
formal, bastando que o funcionário largue ou deixe ao desamparo o regular funcionamento dos
serviços públicos, ainda que não provoque efetivo prejuízo à administração pública. A afirmação
contida nesta alternativa está incorreta.

114 - Julgue a assertiva a seguir - Em se tratando de crime de sonegação de contribuição


previdenciária, comprovada a conduta típica, ilícita e culpável, deverá o juiz aplicar apenas a pena
de multa ao agente, se este for primário e de bons antecedentes.
Errada. Nos termos do art. 337-A, CP, parágrafo segundo, é FACULDADE do juiz a) DEIXAR DE APLICAR
A PENA, ou b) APLICAR SOMENTE A PENA DE MULTA, nos casos em que o réu for primário e de bons
antecedentes E DESDE QUE o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou
inferior àquele estabelecido pela previdência como o mínimo para o ajuizamento de suas ações.
Desta forma, observa-se que o enunciado foi bastante restrito em relação a todos os requisitos que
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devem ser observados no caso de réu primário e de bons antecedentes no crime de sonegação de
contribuição previdenciária.

115 - A natureza jurídica do homicídio privilegiado é de circunstância atenuante especial.


Errado. A natureza jurídica do homicídio privilegiado é caso de diminuição de pena. Crime
privilegiado é aquele no qual o legislador diminui, em abstrato, os limites mínimo e máximo da pena.
Traz o Código Penal em seu art. 121, §1°, que o juiz partirá da pena de homicídio simples, diminuída
de um sexto a um terço.

116 - Um médico praticou aborto de gravidez decorrente de estupro, sem autorização judicial, mas
com consentimento da gestante. Nessa situação, o médico deverá responder por crime, já que
provocar aborto sem autorização judicial é sempre punível, segundo o CP.
Errado. A questão reporta-se a um dos tipos de aborto legal, quando há gravidez resultante de
estupro, art. 128, II, do CP. O Código é expresso, na descrição do artigo, que não há punição quando
presentes os requisitos: consentimento da gestante e que seja praticado por médico. Trata-se de
uma norma penal permissiva. Não há necessidade de autorização judicial.

117 - Acerca da lei da interceptação telefônica, é correto afirmar que; a conversa telefônica
gravada por um dos interlocutores não é considerada interceptação telefônica.
Certa. Interceptação telefônica ocorre quando DOIS interlocutores estão se comunicando e um
terceiro, SEM O CONHECIMENTO dos interlocutores, está ouvindo e gravando tudo. A interceptação
só pode ocorrer com ordem do juiz.

118 - Um cidadão Sueco tentou matar o presidente do Brasil, que se encontrava em visita oficial à
Suécia. Nessa hipótese, o crime praticado não ficará sujeito à lei brasileira.
Errado. A questão cuida da extraterritorialidade da lei penal brasileira. A dificuldade em responder
a questão decorre, apenas, do eventual desconhecimento da lei pena pelo candidato. No que toca
à aplicação da lei penal, vigora o princípio da territorialidade, contido no disposto no artigo 5º do
Código Penal, que dispõe que a lei brasileira é aplicada aos delitos cometidos no território nacional.
De maneira excepcional, incide aos casos explicitados no artigo 7º do Código Penal o princípio da
extraterritorialidade, pelo qual se estende a aplicação da lei penal brasileira a delitos ocorridos no
estrangeiro. No caso, incide o disposto no artigo 7º, inciso I, alínea “a”: Art. 7º Ficam sujeitos à lei
brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I – os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do
Presidente da República; (...) É importante destacar, que no caso de crime contra a vida do
Presidente da República, o agente é punido pela lei brasileira, malgrado seja absolvido ou condenado
no exterior, nos termos do parágrafo primeiro do art. 7º do CP. Por fim, a punição do agente não
depende da incidência de quaisquer condições para que ocorra.

119 - Túlio constrangeu Wagner, mediante emprego de arma de fogo, a assinar e lhe entregar dois
cheques seus, um no valor de R$ 1.000,00 e outro no valor de R$ 2.500,00. Nessa situação, Túlio
praticou crime de roubo qualificado pelo emprego de arma de fogo.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Errado. Túlio não praticou a conduta de subtrair os cheques de Wagner, mas sim o constrangeu,
mediante a ameaça por emprego arma de fogo, a assinar e lhe entregar dois cheques nos valores
mencionados. Sua conduta, portanto, não se subsume ao tipo penal atinente ao crime de roubo,
mas ao de extorsão, conforme dispõe o art. 158 do CP (“Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a
fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa”).

120 - Situação hipotética: Com o intuito de viajar para o exterior, Pedro, que não possui
passaporte, usou como seu o documento de Paulo, seu irmão — com quem se parece muito —,
tendo-o apresentado, sem adulterações, para os agentes da companhia aérea e da Polícia Federal
no aeroporto. Pedro e Paulo têm mais de dezoito anos de idade. Assertiva: Nessa situação, de
acordo com o Código Penal, Pedro cometeu o crime de falsidade ideológica.
Errada. "Falsa identidade - Art. 308 - Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de
reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize
documento dessa natureza, próprio ou de terceiro." "Assim, podese descobrir, ao final, que aquele
que alega para todos ser “fulano” quando na realidade se chama “sicrano”, ou aquele que se faz
passar por alguém que não o é, não comete crime de falsidade ideológica, como corriqueiramente
se ouve nos noticiários brasileiros, e, sim, tão somente de falsa identidade."

121 - Os crimes de mão própria possuem uma prévia limitação, de natureza normativa, quanto à
possibilidade de autoria de indivíduos não contemplados pelo tipo penal.
Errado. O crime de mão própria é aquele que só pode ser cometido pelo autor em pessoa e de forma
direta, não podendo ser delegado a outra pessoa. A qualidade do sujeito ativo, que limita a
possibilidade de autoria por outros indivíduos não contemplados pelo tipo penal, pode ser de ordem
natural, e não apenas de ordem normativa como se dá, por exemplo, no caso de crime de
infanticídio. Nesse caso, apenas a mãe em estado puerperal pode ser autora de infanticídio.

122 - No que se refere aos crimes contra a fé-pública, julgue a assertiva. Cometerá o delito de
falsidade ideológica o médico que emitir atestado declarando, falsamente, que determinado
paciente está acometido por enfermidade.
Errada. FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO - Artigo 302 – CP. O crime em tela tem por objetividade
jurídica a fé-pública, visando-se impedir que o médico ofereça atestado falso. Trata-se de crime
muito comum, do cotidiano social. Incorre em crime tanto o agente que faz uso dos documentos
falsificados ou alterados (art. 304 CP) como aquele que emitiu tal documento.

123 - Quem constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver
reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite,
ou a fazer o que ela não manda incorrerá no crime de extorsão.
Errado. A assertiva é transcrição do art. 146 do CP, sendo certo que o constrangimento ilegal vai se
configurar quando o agente, mediante violência ou grava ameaça, impede que a vítima faça algo
permitido por lei ou obriga a vítima a fazer algo que a lei não permite.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
124 - Praticará o crime de falsidade ideológica aquele que, quando do preenchimento de cadastro
público, nele inserir declaração diversa da que deveria, ainda que não tenha o fim de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.
Errada. Falsidade ideológica - Art. 299, CP. Omitir, em documento público ou particular, declaração
que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser
escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente
relevante.

125 - No que se refere aos crimes contra a fé-pública, é correto afirmar que; aquele que adultera
fotocópia não autenticada comete o crime de falsidade ideológica.
Errada. A fotocópia não autenticada não é considerada documento. Ou seja, aquele RG que o
indivíduo tira xerox visando não perder o original, nem como prova documental serve. ,

126 - A lei brasileira é aplicável, por força do princípio da justiça cosmopolita, ao crime contra a
dignidade sexual de criança praticado no estrangeiro, quando o agente ou vítima for brasileiro ou
pessoa domiciliada no Brasil, falando a doutrina, nesse caso, de aplicação extraterritorial
incondicionada.
Errado. A extraterritorialidade da lei penal brasileira, a fim de alcançar os crimes perpetrados no
estrangeiro tendo por autor ou vítima pessoas de nacionalidade brasileira, tem por fundamento o
princípio da nacionalidade ou da personalidade. A previsão legal de extraterritorialidade da lei penal
é encontrada no artigo 7º, inciso II, alínea "b" e §§2º e 3º, Código Penal. Em ambas as hipóteses, a
aplicação da lei estrangeira é condicionada nos termos dos parágrafos mencionados. Sendo assim,
a essa alternativa está errada.

127 - Júlio, aprovado em concurso público e nomeado para ocupar, em uma prefeitura, cargo cuja
responsabilidade seria a avaliação e liberação dos pedidos de construções em áreas urbanas, antes
mesmo de tomar posse, exigiu 100 mil reais de João, agricultor local, para liberar a realização da
obra de construção de sua residência. João, convencido de que Júlio era funcionário público
regular, pagou o valor exigido. Nessa situação hipotética, não se pode falar em crime de
concussão, já que Júlio não tinha tomado posse no referido cargo.
Errada. Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função
ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida.

128 - Acerca do homicídio privilegiado, estando o agente em uma das situações que ensejem o
seu reconhecimento, o juiz é obrigado a reduzir a pena, mas a lei não determina o patamar de
redução.
Errado. O §1° do art. 121 do CP trata do homicídio privilegiado. É uma causa especial de diminuição
de pena e, sendo direito subjetivo do agente, caso ele se enquadre nas hipóteses previstas, o juiz é
obrigado a aplicar a redução de um sexto a um terço da pena.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
129 - Acerca da lei da interceptação telefônica, julgue o item a seguir. A interceptação telefônica
ou interceptação em sentido estrito consiste na captação da comunicação telefônica por um
terceiro, sem o conhecimento de nenhum dos comunicadores; enquanto a escuta telefônica
reveste-se na captação da comunicação telefônica por terceiro, com o conhecimento de um dos
comunicadores e desconhecimento do outro.
Certa. Quando se fala em INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA (é o caso em que um Terceiro INTERCEPTA
A SUA CONVERSA com outra pessoa por meio de ordem legal SEM O CONHECIMENTO DE NENHUM
DOS DOIS.) Já na ESCUTA TELEFÔNICA (Você é um dos interlocutores e, vamos assim dizer, você
convida ou consente que um Terceiro ESCUTE a sua conversa sem o outro saber. Precisa de ordem
judicial.

130 - Tratando - se de culpabilidade pelo fato individual, o juízo de culpabilidade se amplia à total
personalidade do autor e a seu desenvolvimento.
Errado. Quanto ao fato individualmente analisado, ou seja, a ocorrência do crime, a culpabilidade
que se aprecia é a objetiva. Ou seja, o juízo de reprovabilidade que se faz leva em conta o contexto
fático em que se inseria o agente no momento de sua conduta. Há, com efeito, uma abordagem
restritiva, não se realizando, portanto, um juízo quanto à personalidade do autor do fato. Esse juízo
(da personalidade do autor do fato), no entanto, é realizado na aplicação da pena-base, quando o
juiz, com fulcro no disposto no art. 59 do Código Penal, analisa, levando-se em conta atributos,
qualidades e vícios do agente que tenham sido carreados aos autos, se a sua personalidade é
considerada criminogênica. Faz-se isso com base no princípio da individualização da pena que
emana de principios constitucionais explícitos como o da isonomia e da proporcionalidade.

131 - Considere que determinado servidor público, prevalecendo-se de seu cargo, tenha falsificado
o teor de um testamento particular. Nesse caso, o servidor praticou o delito de falsificação de
documento particular, que não se equipara a documento público, e está sujeito ao aumento da
pena prevista na lei penal.
Errada. O documento cuida-se de um testamento particular, que para fins penais, o CP equipara a
documento público (art. 297, § 2º, CP). Além disso, o fato do servidor público, praticar a falsificação
de tal documento, prevalecendo-se de seu cargo, faz incidir a causa de aumento de pena de 1/6 (art.
297, § 1º, CP). Assim, pela análise da assertiva, o erro está basicamente em afirmar que o servidor
praticou o delito de falsificação de documento particular, quando na verdade a falsificação é de
documento público.

132 - No que respeita aos crimes contra a Administração Pública, é CORRETO afirmar que ao
peculato mediante erro de outrem se aplica, por expressa previsão legal, a causa extintiva da
punibilidade da reparação do dano anterior à sentença irrecorrível.
Errado. O crime de peculato mediante erro de outrem encontra-se tipificado no artigo 313 do Código
Penal, que assim dispõe: "Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no execício do cargo,
recebeu por erro de outrem". Em relação ao delito tratado neste item, não há expressa previsão
legal de extinção da punibilidade mediante a reparação do dano antes da sentença irrecorrível. Tal

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
previsão legal refere-se ao crime de peculato, quando ocorrer na modalidade culposa, nos termos
do artigo 312, §2º, do Código Penal. Sendo assim, a afirmativa contida neste item está errada.

133 - É correto afirmar que, caso o denunciado por peculato culposo opte, antes do
pronunciamento da sentença, por reparar o dano a que deu causa, sua punibilidade será extinta.
Certa. Art. 312, CP (...) § 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena
- detenção, de três meses a um ano. § 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se
precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena
imposta.

134 - Getúlio, a fim de auferir o seguro de vida do qual era beneficiário, induziu Maria a cometer
suicídio, e, ainda, emprestou-lhe um revólver para que consumasse o crime. Maria efetuou um
disparo, com a arma de fogo emprestada, na região abdominal, mas não faleceu, tendo sofrido
lesão corporal de natureza grave. Em relação a essa situação hipotética, Apesar de a conduta
praticada por Getúlio ser típica, pois configura induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, ele
é isento de pena, porque Maria não faleceu.
Errado. Tipificado no art. 122 do CP, o crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio é um
crime material, e consuma-se com o resultado morte ou lesão corporal grave. O parágrafo único
enuncia as hipóteses de aumento de pena, dentre as quais o motivo egoístico, aquele torpe,
mesquinho, no qual o agente quer alcançar algum proveito. Na questão em tela Getúlio deve
responder pelo crime consumado, tendo a pena duplicada pela prática do crime por motivo
egoístico.

135 - Julgue o item a seguir. Em determinado processo judicial criminal, há, em decorrência de
requerimento do Ministério Público, autorização para interceptação telefônica com o fito de
angariar provas contra acusados de delitos considerados graves. Nos termos da legislação
pertinente, o prazo para a interceptação deve, regra geral, corresponder a, no máximo, quinze
dias, com renovação.
Certa. A resposta de tal questão se encontra no art. 5º da Lei 9.296/1996.

136 - Julgue o item a seguir. Realizar interceptação de comunicações telefônicas sem autorização
judicial constitui crime. De acordo com a legislação vigente, tal autorização judicial será possível
se o pedido for feito verbalmente ao Juiz com os pressupostos que a autorizem.
Certa. Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que
a sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem
empregados. § 1°, excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado
verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação, caso em
que a concessão será condicionada à sua redução a termo.

137 - No arrependimento eficaz, é irrelevante que o agente proceda virtutis amore ou formidine
poence, ou por motivos subalternos, egoísticos, desde que não tenha sido obstado por causas
exteriores independentes de sua vontade.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Correto. Sendo um benefício legal atribuído ao agente em vias de cometer um crime, e tendo por
objetivo oportunizá-lo a interromper o empreendimento criminoso, não há sentido em exigir-se que
o arrependimento eficaz (art. 15, segunda parte, do Código Penal) se fundamente em sentimentos
nobres. Basta, apenas, que o agente tenha impeça voluntariamente que o resultado visado por sua
conduta ocorram.

138 - Considere que Paulo, servidor público lotado no INSS, tenha inserido nos bancos de dados
dessa autarquia informações falsas a respeito de Carlos, o que possibilitou a este receber quantia
indevida a título de aposentadoria. Nessa situação hipotética, Paulo cometeu o crime de falsidade
ideológica.
Errada. O crime é; Inserção de dados falsos em sistema de informações. 313-A, CP.

139 - Nos casos em que somente se procede mediante queixa, NÃO considerar-se-á perempta a
ação penal quando o autor der causa, por três vezes, a sentença fundada em abandono da causa
ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito.
Correto. Vejamos o que dispõe o CPP sobre esse instituto: Art. 60. Nos casos em que somente se
procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal: I - quando, iniciada esta, o
querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos; II - quando,
falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir
no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo,
ressalvado o disposto no art. 36; III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo
justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido
de condenação nas alegações finais; IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se
extinguir sem deixar sucessor. RESPOSTA CORRETA: A afirmativa está correta, pois não há previsão
legal de que a conduta descrita no enunciado implique em perempção.

140 - No concerne a crimes, julgue o item a seguir - O agente de polícia que deixar de cumprir seu
dever de vedar ao preso o acesso a telefone celular, permitindo que este mantenha contato com
pessoas fora do estabelecimento prisional, cometerá o crime de condescendência criminosa.
Errada. O crime é PREVARICAÇÃO IMPROPRIA: Deixar o diretor de penitenciária e/ou agente público,
de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso à aparelho telefônico, de rádio ou similar, que
permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. 319-A.

141 - Acerca do homicídio privilegiado, a violenta emoção, para ensejar o privilégio, deve ser
dominante da conduta do agente e ocorrer logo após injusta provocação da vítima.
Correto. O art. 121, §1° preceitua as hipóteses para o reconhecimento do homicídio privilegiado.
Uma delas é estar o agente sob violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima.
Esta emoção deve ser absorvente, plena, fazendo com que o agente perca sua capacidade de
autocontrole. E a expressão logo em seguida aponta um elemento temporal, devendo ser quase que
imediatamente após injusta agressão.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
142 - Com base na Lei de Interceptação Telefônica, é correto afirmar que; constitui crime realizar
interceptação de comunicações, sejam elas telefônicas, informáticas, ou telemáticas, ou, ainda,
quebrar segredo da justiça sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.
Certa. Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou
telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não
autorizados em lei. Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

143 - Considere que uma mulher, maior e capaz, chegue a casa, logo após ter sido demitida, e,
nervosa, agrida, injustificada e intencionalmente, seu filho de dois anos de idade, causando - lhe
lesões corporais de natureza leve. Nessa situação hipotética, caso essa mulher seja condenada
pela referida agressão após o devido processo legal, não caberá, como efeito da condenação, a
decretação de sua incapacidade para o exercício do poder familiar, nos termos do CP.
Correto. Com efeito, consta explicitamente do inciso II do art. 92 do diploma legal mencionado que
é efeito da condenação a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos
crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão. Sucede que, como narra a questão, o crime praticado
pela mãe foi o de lesão corporal de natureza leve, cujo preceito secundário do art. 129 comina pena
de detenção de três meses a um ano e não de reclusão.

144 - Quanto à identificação criminal, é correto afirmar que; a identificação criminal dar-se-á por
meio dos processos datiloscópico e fotográfico.
Certa. Lei 12.037/09 Art. 5º A identificação criminal incluirá o processo datiloscópico e o fotográfico,
que serão juntados aos autos da comunicação da prisão em flagrante, ou do inquérito policial ou
outra forma de investigação.

145 - Quanto à identificação criminal, é correto afirmar que; a carteira de identificação funcional
e a carteira profissional não são documentos de identificação civil válidos para se excluir a
necessidade de uma identificação criminal.
Errada. Art. 2º: A identificação civil é atestada por qualquer dos seguintes documentos: III – carteira
profissional; V – carteira de identificação funcional. Lei 12.037/2009.

146 - Será admitida a decretação da prisão preventiva desde presentes os requisitos, fundamentos
e condições de admissibilidade. NÃO se refere a uma condição de admissibilidade para decretação
da prisão preventiva que seja o crime doloso apenado com reclusão.
Correto. A alternativa não contém condição de admissibilidade que autorize a decretação da prisão
preventiva. VIDE artigos 312 e 313 do CPP.

147 – Qualquer do povo pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, não
cessando em virtude dela, a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
Errado. Art. 2º CP- Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
148 - Julgue os itens a seguir, acerca de crimes contra a administração pública, crimes hediondos
e crimes contra a pessoa. Considere que os servidores públicos João e Ana, no exercício de suas
funções, solicitaram para si vantagem indevida para retardar a prática de ato de ofício, mas
somente João a recebeu. Nessa situação, ambos praticaram corrupção passiva.
Certa. Art. 317 - Corrupção Passiva: - "Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumí-la, mas em razão dela, vantagem
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem." Obs: o delito de corrupção passiva consuma-se
independente do recebimento de vantagem - É crime cometido por funcionário público contra a
Adm. Pública.

149 - Julgue a assertiva a seguir - Para efeitos penais, equipara-se ao funcionário público quem
trabalha para empresa prestadora de serviço contratada para a execução de atividade típica da
administração pública.
Correto - Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º - Equipara-se
a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem
trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade
típica da Administração Pública.

150 - É inadmissível a ocorrência de homicídio privilegiado-qualificado, ainda que a qualificadora


seja de natureza objetiva.
Errado. A ocorrência de homicídio privilegiado-qualificado é sim admissível, desde que a
qualificadora seja de natureza objetiva, para que exista compatibilidade entre elas.

151 - A respeito de interceptação telefônica, julgue o seguinte item. O juiz da causa pode avaliar a
necessidade de renovação das autorizações de interceptação telefônica, levando em conta a
natureza dos fatos e dos crimes e as circunstâncias que envolvem o caso. Nesse sentido, os
tribunais superiores vêm admitindo sucessivas prorrogações enquanto perdurar a necessidade da
investigação, sem configurar ofensa à Lei n.º 9.296/1996 e à CF.
Certa. RE 625263 RG / PR – PARANÁ - REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO ;
Relator(a): Min. GILMAR MENDES ; Julgamento: 13/06/2013 ; PROCESSO PENAL. INTERCEPTA-ÇÃO
TELEFÔNICA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 5º; 93, INCISO IX; E 136, § 2º DA CF. ARTIGO
5º DA LEI N. 9.296/96. DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DE SUCESSIVAS RE-NOVAÇÕES
DA MEDIDA. ALEGAÇÃO DE COMPLEXIDADE DA INVESTIGAÇÃO. PRINCÍPIO DA RA-ZOABILIDADE.
RELEVÂNCIA SOCIAL, ECONÔMICA E JURÍDICA DA MATÉRIA. REPERCUSSÃO GE-RAL RECONHECIDA.

152 - A detração é considerada para efeito da prescrição da pretensão punitiva, não se estendendo
aos cálculos relativos à prescrição da pretensão executória.
Errado. Segundo a doutrina, a detração é a contagem no tempo da pena privativa da liberdade e da
medida de segurança do período em que o condenado ficou detido provisoriamente, no Brasil ou
no exterior, ficou preso administrativamente ou mesmo internado em hospital de custódia ou de
tratamento. Por outro lado, apenas no que toca à prescrição da pretensão executória é que se leva
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
em conta a pena a ser executada. Com efeito, a detração, se ocorrida, subtrai da pena aplicada o
período de tempo em que o condenado ficou preso pelos títulos acima elencados, tendo relevância,
portanto, apenas no que tange a prescrição da pretensão executória. A pretensão punitiva já foi
exercida pelo Estado e eventual retroatividade prescricional não poderia levar em conta a pena a ser
cumprida, mas somente a pena concretamente aplicada pelo juízo. O STF já se manifestou sobre o
caso no HC 100001 / RJ, ao passo que o STJ se manifestou sobre o assunto no HC 193.415/ES.

153 - Quanto à identificação criminal, é correto afirmar que; o civilmente identificado por meio de
documento de identificação civil válido não será submetido à identificação criminal.
Errada. Art. 1º: O civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nos casos
previstos nesta Lei.

154 - Com base no Direito Penal e na melhor doutrina, é correto afirmar que; o dever de enfrentar
o perigo é norma que impede a exclusão da ilicitude por estado de necessidade.
Correto. Ausência do dever legal de enfrentar o perigo Nos termos do art. 24, § 1.o, do Código Penal:
“Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo”. - O
fundamento da norma é evitar que pessoas que têm o dever legal de enfrentar situações perigosas
se esquivem de fazê-lo injustificadamente. Aquele que, por mandamento legal, tem o dever de se
submeter a situações de perigo, não está autorizado a sacrificar bem jurídico de terceiro, ainda que
para salvar outro bem jurídico, devendo suportar os riscos inerentes à sua função.
Exemplificativamente, não pode um bombeiro, para salvar um morador de uma casa em chamas,
destruir a residência vizinha, quando possível fazê-lo de forma menos lesiva, ainda que mais
arriscada à sua pessoa. Essa regra, evidentemente, deve ser interpretada com bom senso: não se
pode exigir do titular do dever legal de enfrentar o perigo, friamente, atitudes heroicas ou sacrifício
de direitos básicos de sua condição humana. Nesse sentido, a lei não tem o condão, por exemplo,
de obrigar um bombeiro a entrar no mar, em pleno tsunami, para salvar um surfista que lá se
encontra.

155 - Julgue a assertiva - Profissional nomeado pela assistência judiciária para atuar como
defensor dativo ingressa com ação contra o INSS, em favor da parte para a qual foi constituído, e
posteriormente faz o levantamento do valor devido. Contudo, não repassou o dinheiro à parte,
cometendo o delito de apropriação indébita, uma vez que tinha a posse ou detenção do
numerário.
Errada. O profissional cometeu o delito de peculato, tendo em vista apropriar-se de dinheiro ou valor
de que tem a posse em razão do cargo. Apesar da divergência doutrinária e jurisprudencial acerca
de o defensor dativo ser ou não funcionário público para fins penais, a banca filiou-se ao
entendimento recente do STJ de que tendo sido o defensor dativo nomeado para o exercício de um
múnus público, estaria ele exercendo uma função pública, encaixando-se no conceito de funcionário
público descrito no artigo 327 do Código Penal. Assim, ao não repassar o dinheiro, tendo dele se
apropriado em razão do cargo, o defensor dativo praticou o crime de peculato, previsto no artigo
327, CP.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
156 - Marcelo, Rubens e Flávia planejaram praticar um crime de roubo. Marcelo forneceu a arma
e Rubens ficou responsável por transportar em seu veículo os corréus ao local do crime e dar-lhes
fuga. A Flávia coube a tarefa de atrair e conduzir a vítima ao local ermo onde foi praticado o crime.
Nessa situação hipotética, conforme entendimento do STJ, Rubens foi coautor funcional ou parcial
do crime, não sendo a sua participação de menor importância.
Correto. Rubens, bem como Marcelo e Flávia, compartilhavam de um objetivo comum, agindo em
unidade de desígnios. É entendimento do STJ que todos os envolvidos responderão pela causa de
aumento de pena, ainda que um só dos agentes alcance a consumação do delito. Traz o art. 157,
§2°, II, que a pena aumenta de um terço até metade se há o concurso de duas ou mais pessoas.

157 - No que se refere ao instituto da Interceptação Telefônica, é correto afirmar que; não se
admite a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constitui infração
penal punida, no máximo, com pena de detenção.
Certa. A interceptação telefônica só é cabível em crime com pena de reclusão, todavia, se no
transcorrer da investigação surgirem crimes conexos ao que justificou a interceptação aí sim admite-
se em crime punido com detenção. É importante observar que a decretação da interceptação
telefônica somente será possível em razão do primeiro crime investigado (punido com reclusão).

158 - A falsa atribuição de identidade só é caracterizada como delito de falsa identidade se feita
oralmente, com o poder de ludibriar; quando formulada por escrito, constitui crime de falsificação
de documento público.
Errado. Para responder à questão com acerto, o candidato precisa saber que o tipo penal
correspondente ao crime de falsa atribuição de identidade exige o especial fim de agir que consiste
na obtenção de proveito próprio ou alheio ou em prejuízo de outrem. No enunciado da questão não
consta a presença desse objetivo específico, o que consubstancia um erro. Por outro lado, é
importante deixar registrado nesse comentário que, para a caracterização do crime de falsidade
ideológica, não basta que a declaração da falsa identidade seja feita por escrito, exige-se, também,
que conste ou deixe de constar em “documento” público ou particular. Ou seja, além de ser, ou de
deixar de ser feita por escrito, esse escrito deve cumprir determinadas formalidades – as quais se
exigem caso a caso, dependendo de sua natureza - para caracterizar-se como documento.

159 - João, preso em flagrante pela prática do crime de roubo, foi encaminhado à delegacia de
polícia, onde apresentou a carteira nacional de habilitação para identificar-se, visto que não
portava sua carteira de identidade. Ainda assim, o delegado determinou que João fosse submetido
à perícia dactiloscópica. Com base nessa situação hipotética, considerando o disposto na Lei n.º
12.037/2009, a conduta do delegado está correta.
Errada. "O simples ato de determinar a identificação criminal de João não é suficiente para
enquadrar a conduta do delegado como prática de crime de constrangimento ilegal." (justificativa
da CESPE)

160 - Conforme entendimento jurisprudencial, é suficiente para fundamentar a aplicação do


princípio da insignificância a presença de um dos seguintes elementos: mínima ofensividade da
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
conduta do agente, ínfima periculosidade da ação, ausência total de reprovabilidade do
comportamento e mínima expressividade da lesão jurídica.
Errado. Os elementos elencados devem estar simultaneamente presentes para que tenha lugar o
princípio da insignificância (STF: HC 119985/MG).

161 - O abolicionismo, ou minimalismo penal, propõe a eliminação total da pena de prisão como
mecanismo de controle social e sua substituição por outro mecanismo de controle.
Errado. Abolicionismo e minimalismo não são sinônimos e têm propostas distintas. O primeiro
destaca a desnecessidade do direito penal encarando-o mais como uma fonte de problemas sociais
do que como uma forma efetiva de pacificação. O segundo, embora surja baseado em críticas
semelhantes, não prega a eliminação da pena criminal, mas sua reserva aos casos em que seja
imprescindível a segregação

162 - No caso de Funcionário Público que faz uso pessoal de veículo pertencente à Administração
Pública não cabe Peculato (Art. 312 do CP) com relação ao veículo. Entretanto, é admissível o crime
em comento no que diz respeito ao combustível utilizado.
Certa - Primeira parte relaciona-se ao peculato de uso, o STF, no seguinte julgamento: STF, 1ª Turma,
HC 108433 AgR, j. 25/06/2013: definiu que é atípica a conduta de peculato de uso. Quanto ao uso
do combustível, leciona a doutrina: O peculato de uso, que se manifesta pelo uso momentâneo de
coisa infungível sem o animus domini, coisa essa que se encontra na posse do funcionário, que a
devolve intacta à administração após sua utilização, não configura o delito em análise, por não
encontrar tipicidade na norma incriminadora. Pode ocorrer, no entanto, o peculato em relação ao
combustível consumido, no caso de o agente se utilizar de uma viatura de determinado órgão
público, da qual tem a posse (PRADO, Luiz Régis. Curso de Direito Penal Brasileiro).

163 - Para que o crime de extorsão seja consumado é necessário que o autor do delito obtenha a
vantagem indevida.
Errado. O crime de extorsão, art. 158 do CP, é um crime formal, tendo sua consumação no momento
em que a vítima assuma um comportamento, positivo ou negativo, contra a sua vontade, em
decorrência da violência ou grave ameaça do agente. A obtenção de vantagem indevida é mero
exaurimento do crime.

164 - A Constituição Federal de 1988 assegurou como direito fundamental a inviolabilidade do


sigilo de comunicação como regra (art. 5º, XII) e, excepcionalmente, a interceptação da
comunicação telefônica, regulamentada pela Lei n.º 9.296, de 1996. Nesse contexto, é correto
afirmar que; o juiz de direito pode, excepcionalmente, admitir que o pedido de interceptação
telefônica seja feito verbalmente.
Certa. É admitido pedido de interceptação telefônica verbal, de forma excepcional, porém só será
válida se for reduzida a termo

165 - O presidente de uma comissão parlamentar mista de inquérito, após as devidas


formalidades, ordenou, de forma sigilosa e reservada, a interceptação telefônica e a quebra do
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
sigilo de dados telefônicos de testemunha que se reservara o direito de permanecer calada
perante a comissão. Nessa situação, a primeira medida é ilegal, visto que a interceptação
telefônica se restringe à chamada reserva jurisdicional, sendo permitida, por outro lado, a quebra
do sigilo de dados telefônicos da testemunha, medida que não se submete ao mesmo rigor da
primeira, consoante entendimento da doutrina majoritária.
Correto. De fato, os precedentes emanados do STF se orientam no sentido de que o princípio
constitucional da reserva de jurisdição incide sobre as interceptações telefônicas (CF, art. 5º, XII) ,
mas não se estende à quebra de sigilo, pois, em tal matéria, e por efeito de expressa autorização
dada pela própria Constituição (CF, art. 58, § 3º), assiste competência à CPI, para decretar, sempre
em ato necessariamente motivado, a excepcional ruptura dessa esfera de privacidade das pessoas.
(MS 23.652, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 22-11-2000, Plenário). No caso apresentado
na questão, o presidente da CPMI agiu de modo ilícito e sua conduta se subsume, inclusive, ao tipo
penal do art. 10 da Lei nº 9296/96, que rege as interceptações telefônicas. Por fim, registre-se que
a quebra de sigilo de dados telefônicos implica apenas o envio pelas operadoras de telefonia dos
dados atinentes às linhas utilizadas pelo alvo da quebra (os dias, os horários, a duração e os números
das linhas com as quais mantiveram contatos telefônicos, bem como dos dados dos usuários dessas
linhas), ao passo que a interceptação telefônica se caracteriza pela escuta do conteúdo das conversas
telefônicas mantidas pelo alvo e terceiros e que são gravadas por um sistema próprio de
monitoramento, após a liberação dos canais telefônicos pelas operadoras de telefonia, após ordem
judicial.

166 - Com base no Direito Processual Penal Brasileiro, é correto afirmar que: O princípio da
identidade física do juiz não se aplica ao processo penal.
Errada. Princípio da Identidade Física do juiz se aplica, sim, ao processo penal, determina que o juiz
que presidiu a audiência de instrução e julgamento, seja aquele a julgar, aquele que colheu as provas
deve julgar a ação.

167 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; São
admissíveis as provas derivadas das ilícitas quando não evidenciado o nexo de causalidade entre
umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte dependente das
primeiras.
Errada. São admissíveis as provas derivadas das ilícitas quando não evidenciado o nexo de
causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte
dependente das primeiras. (Art. 157, §1º).

168 - A teoria constitucionalista do delito preconiza que o direito penal somente poderá ser
aplicado diante de condutas capazes de causar lesão (ou perigo de lesão) concreta e intolerável
aos bens jurídicos com relevância penal.
A teoria constitucionalista do delito, que refuta o Direito Penal estritamente legalista, é construída
basicamente em cinco aspectos: a) a tipicidade deixa de ser simplesmente formal. A partir desta
teoria, a tipicidade penal é formal + material; b) não há crime sem lesão ou ao menos perigo
concreto de lesão a bem jurídico tutelado pela norma penal; c) o aspecto material da tipicidade é
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
fundamentado no juízo de desaprovação da conduta e no desvalor do resultado jurídico; d) a criação
de risco permitido ou proibido não reflete a teoria da imputação objetiva, mas integra o juízo de
valoração da conduta; e) estabelece nova denominação aos elementos que integram a tipicidade,
que passam de objetivo e subjetivo a formal, material e subjetivo.

169 - Segundo o Código de Processo Penal, será admitida a revisão criminal quando a sentença
condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos supostamente falsos.
Errada. Segundo o art. 621 do CPP, a revisão criminal será admitida quando os referidos
depoimentos, exames ou documentos que se fundaram a sentença condenatória foram
COMPROVADAMENTE falsos, não "supostamente" como afirma a alternativa.

170 - O indivíduo que fizer uso de violência após subtrair o veículo de outro cometerá o
denominado roubo próprio.
Errado. O roubo próprio é aquele no qual há o uso de violência contra a pessoa ou grave ameaça
para o cometimento do roubo, constante do caput do art. 157 do CP. A violência seria um meio para
a prática da subtração. O exemplo da questão aborda o roubo impróprio, preceituado no §1° do
art.157, no qual primeiro acontece a subtração da coisa móvel alheia, para depois vir a violência ou
grave ameaça, como formas de assegurar a impunidade do agente ou detenção da coisa.

171 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; o estupro qualificado se
configura quando o agente, ao praticar a conduta dirigida à realização do estupro, causa lesão
corporal de natureza grave ou morte da vítima.
Certa. Conforme art. 213, Código Penal. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,
a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena -
reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1º. Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou
se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos. Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12
(doze) anos. Lembrando que as qualificadoras têm penas próprias, dissociadas do tipo fundamental,
pois são alterados os próprios limites (mínimo e máximo) abstratamente cominados.

172 - Responderá por crime contra a flora o indivíduo que cortar árvore em floresta considerada
de preservação permanente, independentemente de ter permissão para cortá-la, e, caso a tenha,
quem lhe concedeu a permissão também estará sujeito às penalidades do respectivo crime.
Errado. Os crimes contra a flora estão previstos na seção II, do capítulo V, da Lei 9.605/1998 (arts.
29 a 53). O art. 39 da Lei 9.605/1998 tipifica a conduta de "cortar árvore em floresta considerada de
preservação permanente, sem permissão da autoridade competente". Portanto, se o indivíduo
possuir permissão para o corte de árvore em área de preservação permanente, não haverá
incidência do tipo.

173 - Levando em consideração dominantes orientações doutrinárias e jurisprudenciais em


relação aos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; para caracterização do crime
de estupro de vulnerável não se exige que o agente empregue violência, grave ameaça ou fraude,
bastando que se consume um dos atos sexuais com a pessoa vulnerável.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Certa. O crime de estupro de vulnerável está previsto no art. 217-A do CP.

174 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; o juiz
formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
Correta. Art. 155 CPP: O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e
antecipadas.

175 - Idealizado por Günter Jakobs, o direito penal do inimigo é considerado um direito penal de
terceira velocidade, por utilizar a pena privativa de liberdade, mas, também, permitir a
flexibilização de garantias materiais e processuais de todos integrantes da sociedade, podendo,
inclusive, ser observado no direito brasileiro alguns institutos da lei que trata dos crimes
hediondos.
Errada. De acordo com o funcionalismo sistêmico (ou radical), defendido por Günther Jakobs, a
função do Direito Penal é a de assegurar o império da norma, ou seja, resguardar o sistema,
mostrando que o direito posto existe e não pode ser violado. Quando o Direito Penal é chamado a
atuar, o bem jurídico protegido já foi violado, de modo que sua função primordial não pode ser a
segurança de bens jurídicos, mas sim a garantia de validade do sistema. Nesta linha de raciocínio,
para Jakobs “aquele que se desvia da norma por princípio não oferece nenhuma garantia de que se
comportará como pessoa; por isso, não pode ser tratado como cidadão, mas deve ser combatido
como inimigo”. Surge assim o Direito Penal do Inimigo, cuidando de maneira própria o infiel ao
sistema (não todos os integrantes da sociedade, como aponta a assertiva), aplicando-se lhe não o
Direito, “vínculo entre pessoas que, por sua vez, são titulares de direitos e deveres”, mas sim a
coação, repressão necessária àqueles que perderam o seu status de cidadão (JAKOBS, Günther.
Direito Penal do Inimigo. Trad. Gercélia Batista de Oliveira Mendes. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
2008, p. 23). O inimigo da contemporaneidade é, para Jakobs, o terrorista, o traficante de drogas,
de armas e de seres humanos, os membros de organizações criminosas transnacionais.

176 - Acerca da Revisão Criminal, julgue o item a seguir - Conforme Súmula do Supremo Tribunal
Federal, o réu não precisa se recolher à prisão para requerer a revisão criminal.
Certa. Diz a Súmula. 393 do STF, "Para requerer revisão criminal, o condenado não é obrigado a
recolher-se à prisão".

177 - O crime de dano não admite a tentativa.


Errado. O crime de dano é um crime material, havendo a consumação quando o agente efetivamente
destrói, inutiliza ou deteriora coisa alheia. É um crime plurissubsistente, permitindo o fracionamento
do iter criminis. Dessa forma, quando o agente não consegue o resultado por circunstâncias alheias
à sua vontade, é possível a tentativa.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
178 - Levando em consideração dominantes orientações doutrinárias e jurisprudenciais em
relação aos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; o crime de corrupção de
menores se tipifica quando praticado contra menor de 18 (dezoito) anos, desde que não
experiente em questões sexuais e ainda não corrompido.
Errada. INFORMATIVO 555 DO STJ (03/02/2015). Em se tratando de crime sexual praticado contra
menor de 14 anos, a experiência sexual anterior e a eventual homossexualidade do ofendido não
servem para justificar a diminuição da pena-base a título de comportamento da vítima. A
experiência sexual anterior não desnatura/descaracteriza o crime sexual praticado contra menor de
14 anos (súmula 593 STJ).

179 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; considera-
se fonte independente a prova que por si só seria incapaz de conduzir ao fato objeto da prova.
Errada. Art. 157, §2º. Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites
típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato
objeto da prova.

180 - Conforme entendimento jurisprudencial, é suficiente, para fundamentar a aplicação do


direito penal mínimo, a presença de um dos seguintes elementos: mínima ofensividade da
conduta do agente, ínfima periculosidade da ação, ausência total de reprovabilidade do
comportamento e mínima expressividade da lesão jurídica ocasionada.
Errada. De acordo com o entendimento jurisprudencial, para a incidência do direito penal mínimo
(princípio da insignificância), não basta a incidência de apenas um dos elementos citados na
assertiva, mas de todos reunidos (HC 97051/RS).

181 - No curso de ação penal, o Representante do Ministério Público requereu ao Juízo Federal
pedido de diligência para que fossem obtidas judicialmente certidões de antecedentes criminais
das Justiças Estadual e Federal dos locais do fato, do nascimento e residência de réu. O juiz
indeferiu o pedido, sob argumento de que, no processo penal de modelo acusatório, o Ministério
Público tem o ônus da prova criminal, daí seu dever de apresentar as respectivas certidões de
antecedentes criminais. Contra esta decisão cabe Mandado de Segurança.
Certa. O Mandado de Segurança é cabível contra o chamado "ato de autoridade", entendido como
qualquer manifestação ou omissão do Poder Público ou de seus delegados no desempenho de
atribuições públicas.

181 - Diferenciam-se os crimes de extorsão e estelionato, entre outros aspectos, porque, no


estelionato, a vítima quer entregar o objeto, pois foi induzida ou mantida em erro pelo agente
mediante o emprego de fraude; enquanto, na extorsão, a vítima despoja-se de seu patrimônio
contra a sua vontade, fazendo-o por ter sofrido violência ou grave ameaça.
Correto. No crime de estelionato, art. 171 do CP, a fraude é a característica essencial. Em outras
palavras, por meio do engano, o agente tem a colaboração da vítima para se despojar de seus
pertences. Já no crime de extorsão, previsto no art. 158 do CP, a vítima é constrangida, ou seja, tem

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
sua liberdade estorvada e é obrigada a despojar-se de seu patrimônio contra a sua vontade, através
de violência ou grave ameaça.

182 - No que se refere aos crimes contra a dignidade sexual, julgue o item que se segue. Cometerá
o crime de estupro a mulher que constranger homem, mediante grave ameaça, a com ela praticar
conjunção carnal.
Certa. “Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal
ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso (...)”.

183 - Sobre a Prova, de acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que; o juiz
formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial,
podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
Errada. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório
judicial, NÃO podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

184 - Acerca do Direito Processual Penal Brasileiro, julgue a assertiva a seguir. São princípios
constitucionais explícitos do processo penal: presunção de inocência e ampla defesa.
Certa. Art. 5, inc. LV CF - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo e aos acusados em
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LVII
- ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

185 - A coculpabilidade, expressamente admitida na lei penal como uma das hipóteses de
aplicação da atenuante genérica, consiste em reconhecer que o Estado também é responsável pelo
cometimento de determinados delitos quando o agente possui menor autodeterminação diante
das circunstâncias do caso concreto, especificamente no que se refere às condições sociais e
econômicas.
Errado. Está errada a assertiva porque a coculpabilidade não é admitida expressamente no
ordenamento jurídico brasileiro, decorrendo de construção doutrinária.

186 - Julgue a assertiva a seguir - A suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95)
durará de 2 a 4 anos, exceto nos casos em que a pena máxima do crime for inferior a 4 anos,
hipótese em que se aplica entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido
de que a suspensão do processo é regulada pelo máximo da pena cominada.
Errada. O período de prova da suspensão condicional do processo, independentemente da pena
máxima cominada ao delito, será de dois a quatro anos, nos termos do art. 89, 9.099/95.

187 - O crime de extorsão é consumado quando o agente, mediante violência ou grave ameaça,
obtém, efetivamente, vantagem econômica indevida, constrangendo a vítima a fazer alguma coisa
ou a tolerar que ela seja feita.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Errado. Por ser um crime formal, o crime de extorsão, art. 158 do CP, consuma-se no momento em
que a vítima, compelida pela violência ou grave ameaça, realiza o comportamento almejado pelo
agente. A obtenção de vantagem econômica indevida é um especial fim de agir e constitui mero
exaurimento do crime. Vide Súmula 96 do STJ que aduz que a extorsão se consuma
independentemente da obtenção da vantagem econômica.

188 - É circunstância que qualifica o crime de furto a prática do delito mediante o concurso de
duas ou mais pessoas.
Correto. De acordo com o art. 155, §4°, IV, do Código Penal, o furto é qualificado e possui a pena
majorada de reclusão de dois a oito anos se a prática do crime for mediante o concurso de duas ou
mais pessoas. O fundamento é a maior organização do delito. Importante salientar que nesse
número são computados os inimputáveis.

189 - Analise a seguinte assertiva acerca dos crimes contra a dignidade sexual. O crime de estupro
é um crime bipróprio e prevê aumento de pena se praticado contra pessoa do sexo masculino com
idade de 15 (quinze) anos.
Errada. O estupro deixou de ser crime bi próprio e passou a ser crime comum com o advento da lei
12.015 que alterou as disposições dos crimes contra a dignidade sexual. Ademais, não há previsão
de causa de aumento de pena quando o estupro é praticado contra rapaz de 15 anos.

190 - Considere a seguinte situação hipotética. Armando, penalmente imputável, foi abordado
pela polícia após furtar joias e valores do interior de uma residência, na qual adentrou mediante
arrombamento de uma das janelas. Conduzido à presença da autoridade policial competente,
Armando confessou a prática delituosa e foi autuado em flagrante por furto qualificado. Nessa
situação hipotética, é dispensável o exame pericial em relação ao arrombamento, porquanto a
confissão válida do indiciado supre o exame de corpo de delito.
Errada. Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito,
direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

191 - Julgue os itens seguintes, conforme o entendimento dominante dos tribunais superiores
acerca da Lei Maria da Penha, dos princípios do processo penal, do inquérito, da ação penal, das
nulidades e da prisão. O STF declarou a constitucionalidade da Lei Maria da Penha quanto à não
aplicação dos institutos despenalizadores previstos na Lei n.º 9.099/1995 para os crimes
praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher.
Certo. O STF entende que é possível utilizar o rito sumaríssimo (mais rápido) previsto na Lei 9.099/95
aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, mas não é possível aplicar
a estes crimes os institutos despenalizadores da lei 9.099/95 (suspensão do processo, transação
penal, etc).

192 - Pratica crime de furto o agente que subtrai coisa alheia móvel, com animus furandi, depois
de haver reduzido à impossibilidade de resistência da vítima, haja vista não ter empregado, para
a subtração, violência ou grave ameaça, que são elementares do crime de roubo.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Errado. Pratica o crime de furto, consoante o art. 155 do CP, o agente que subtrai coisa alheia móvel,
para si ou para outrem, com animus furandi, que significa vontade de furtar. Já aquele que subtrai
coisa alheia móvel depois de haver reduzido à impossibilidade de resistência da vítima comete o
crime de roubo, previsto no art. 157 do CP.

193 - Analise a seguinte assertiva acerca dos crimes contra a dignidade sexual. A consumação do
crime de ato obsceno está caracterizada independentemente da presença de outras pessoas no
local da prática do ato.
Certa. Basta que o local seja aberto ou exposto ao público, não necessitando para consumação do
delito a real presença de pessoas neste. Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto
ou exposto ao público.

194 - A respeito dos Princípios do Direito Processual Penal, julgue o item. Em processo penal,
ninguém pode ser forçado a produzir prova contra si mesmo. Por outro lado, a recusa em fazê-lo
pode acarretar presunção de culpabilidade pelo crime.
Errada. Em relação ao ônus da prova, o encargo de provar a autoria e a existência do crime é da
acusação. Em não havendo prova de culpa, jamais poderá ser operada uma tortuosa inversão do
ônus da prova em desfavor do réu, que não tem obrigação de provar a sua inocência na ausência de
imputação penal concreta e respaldada em elementos mínimos de justa causa. Já a regra do in dubio
pro reo define que em existindo dúvidas sobre a autoria ou existência do crime, o réu deve ser
absolvido pelo julgador.

195 - Com base no disposto no CPP e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, julgue os
seguintes itens. A prova declarada inadmissível pela autoridade judicial por ter sido obtida por
meios ilícitos deve ser juntada em autos apartados dos principais, não podendo servir de
fundamento à condenação do réu.
Errada. A prova ilícita deve ser descartada e não juntada em autos apartados dos principais. 157,
Caput, CPP.

196 - Analise os enunciados das questões abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado. No âmbito
dos Juizados Especiais Criminais, segundo dispõe a Lei n. 9.099/95, da decisão de rejeição da
denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que deverá ser interposta no prazo de 15
(quinze) dias, contados da ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor,
devendo ser aviada por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente.
Errada. Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que
poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição,
reunidos na sede do Juizado. § 1º A apelação será interposta no prazo de Dez Dias, contados da
ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor, por petição escrita, da qual
constarão as razões e o pedido do recorrente.

197 - Segundo a Lei n. 9.099/95, as suas disposições não se aplicam no âmbito da Justiça Militar.
Certa. Art. 90-A. As disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça Militar.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
198 - No crime de extorsão mediante sequestro, praticado em concurso de agentes, o concorrente
que o denunciar à autoridade terá sua pena reduzida, ainda que a delação não facilite a libertação
do sequestrado.
Errado. A delação premiada é causa especial de redução de pena do crime de extorsão mediante
sequestro praticado em concurso de agentes, art. 159, §4° do Código Penal. Um dos requisitos dos
quais depende a delação premiada é a facilitação na libertação do sequestrado. Em outras palavras,
ela deve ser eficaz para a resolução do crime e soltura da vítima, ou não terá aplicação.

199 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, é correto afirmar que; praticar, na presença de
alguém menor de 18 (dezoito) anos, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer
lascívia própria ou de outrem, tipifica o crime de satisfação de lascívia mediante presença de
criança ou adolescente.
Errada. Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente. Art. 218-A. Praticar, na
presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro
ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem.

200 - Pedro, sem autorização judicial, interceptou uma ligação telefônica entre Marcelo e Ricardo.
O conteúdo da conversa interceptada constitui prova de que Pedro é inocente do delito de
latrocínio do qual está sendo processado. Nessa situação, embora a prova produzida seja
manifestamente ilícita, em um juízo de proporcionalidade, destinando-se esta a absolver o réu,
deve ser ela admitida, haja vista que o erro judiciário deve ser a todo custo evitado.
Certa. Por força do princípio da proporcionalidade a prova ilícita poderá ser admitida em favor do
réu. Pois, se de um lado há a proibição da prova ilícita, do outro há a presunção de inocência, e entre
os dois deve preponderar a presunção de inocência. Assim, a prova ilícita não serve para condenar
ninguém, mas para absolver o inocente.

201 - Considerando os princípios aplicáveis ao direito processual penal e a aplicação da lei


processual, julgue os itens a seguir. A autodefesa, que, pelo princípio da ampla defesa, é imposta
ao réu, é irrenunciável.
Errada. O direito à ampla defesa abrange a autodefesa e a defesa técnica. A autodefesa, que pode
ser exercida ou não, é consubstanciada em dois direitos, doutrinariamente: o direito de presença e
o direito de audiência. O primeiro diz respeito à oportunidade de o acusado tomar posição em
relação às provas produzidas e às alegações. O segundo referese ao momento do interrogatório,
quando o acusado poderá influir sobre o convencimento do julgador."

202 - No que se refere às condutas tipificadas como crimes em leis penais extravagantes, julgue os
itens seguintes. Independentemente da pena prevista, aos crimes praticados contra a mulher em
situação de violência doméstica não se aplica as disposições da Lei dos Juizados Especiais
Criminais.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Certa. O art. 41 da Lei n° 11.340/06 veda expressamente a possibilidade de aplicação da Lei dos
Juizados Especiais Criminais (Lei n° 9.099/95) aos crimes praticados com violência doméstica e
familiar contra a mulher. Apesar de o dispositivo referir-se apenas aos crimes, a vedação diz respeito
a toda e qualquer infração penal praticada com violência doméstica e familiar contra a mulher,
inclusive contravenções penais. Na visão do Supremo Tribunal Federal, o art. 41 da Lei n° 11.340/06
alcança toda e qualquer prática delituosa contra a mulher, até mesmo quando consubstancia
contravenção penal, como é a relativa a vias de fato.

203 - - No crime de furto em residência, para efeitos de aplicação da pena, é irrelevante o horário
em que o agente pratica a ação criminosa, se durante o dia ou à noite, pois a pena em qualquer
situação será a mesma.
Errado. O §1° do art. 155 regula o chamado furto noturno. Nele a pena é aumentada de um terço se
o furto é praticado durante o repouso noturno. O legislador optou pela majorante para assegurar a
propriedade móvel contra maior precariedade de vigilância. Há decisão do Superior Tribunal de
Justiça afirmando ser irrelevante o fato de se tratar de estabelecimento comercial ou de residência,
habitada ou desabitada, bem como o fato da vítima estar, ou não, efetivamente repousando.

204 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, julgue a assertiva a seguir. “X”, em um cinema,
durante a exibição de um filme que continha cenas de sexo, é flagrado por policiais expondo e
manipulando sua genitália. Tal conduta, em tese, tipifica o crime de mediação para satisfazer a
lascívia de outrem.
Errada. Tipifica o crime de ato obsceno. Art. 233 CP - Praticar ato obsceno em lugar público, ou
aberto ou exposto ao público: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

205 - A sentença de transação penal, nos termos do artigo 76, parágrafo 5º, da Lei nº 9.099/95,
tem as seguintes características tem natureza homologatória e não faz coisa julgada material.
Certa. STF: Sumula Vinculante 35 - A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei
9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação
anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante
oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.

206 - Parte da doutrina afirma que a transação penal mitigou o princípio da obrigatoriedade da
ação penal pública. Sobre este instituto previsto na Lei nº 9.099/95, é correto afirmar que: não há
vedação expressa à concessão do benefício ao autor condenado anteriormente exclusivamente à
pena de multa.
Certa. O art. 76, §2º, I veda apenas a concessão àquele que foi condenado definitivamente à pena
privativa de liberdade.

207 - Parte da doutrina afirma que a transação penal mitigou o princípio da obrigatoriedade da
ação penal pública. Sobre este instituto previsto na Lei nº 9.099/95, é correto afirmar que: será
aplicada diretamente pelo magistrado, independentemente de proposta prévia do Ministério
Público.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Errada. Art. 76, Lei 9.099/95. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública
incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação
imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta.

208 - Parte da doutrina afirma que a transação penal mitigou o princípio da obrigatoriedade da
ação penal pública. Sobre este instituto previsto na Lei nº 9.099/95, é correto afirmar que: não
poderá ser oferecido se o agente houver sido beneficiado por outra transação penal nos 07 (sete)
anos anteriores.
Errada. Artigo 76, 2º, II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela
aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo.

209 - A autoridade policial poderá arquivar o inquérito policial se verificar que o fato criminoso
não ocorreu.
Errado. A autoridade policial não tem competência para arquivar inquérito policial. Caso entenda
que o fato não constitui crime, deve elaborar parecer e encaminhar ao Ministério Público, que,
concordando, pedirá o arquivamento.

210 - Durante o inquérito policial, é necessária a autorização judicial para que um agente policial
se infiltre em organização criminosa com fins investigativos.
Correto. É o que determina o artigo 10 da Lei n. 12.850/13: “Art. 10. A infiltração de agentes de
polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou requerida pelo
Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de
inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que
estabelecerá seus limites.”

211 - O inquérito policial independe da ação penal instaurada para o processo e julgamento do
mesmo fato criminoso, razão pela qual, tratando-se de delito de ação penal pública condicionada
à representação, o inquérito policial poderá ser instaurado independentemente de representação
da pessoa ofendida.
Errado. Nesse contexto, dispõe o CPP “Art.5º... § 4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública
depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado.” Assim conforme tivemos
oportunidade de afirmar em nosso Processo Penal Sistematizado: “o início da investigação criminal
dependerá, invariavelmente, de qual tipo de crime será investigado, melhor dizendo, de qual tipo
de ação penal será apta a impulsionar o futuro processo penal, que então viabilizará a aplicação do
direito atinente à infração penal perpetrada. Sintetizando: a limitação para o início do inquérito
policial depende, na mesma medida, da limitação para o início da ação penal. ” (CRUZ, Pablo Farias
Souza. Processo Penal Sistematizado. Rio de Janeiro:Grupo Gen: Forense, 2013, no prelo, p. 243).

212 - Julgue a assertiva que se segue. Madame Pink, recém-casada, procura o médico ginecologista
para realizar exames preventivos de rotina. Antes de iniciar o exame, o médico pede que a
paciente se dispa. Logo após ela se deitar na maca ginecológica, acaricia sua vagina e nela introduz
seu dedo. Nesse caso, o médico responderá por violação sexual mediante fraude.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Certa. Conforme Art. 215, CP. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém,
mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima.

213 - No que se refere aos crimes hediondos (Lei n. 8.072/1990) e à violência doméstica e familiar
sobre a mulher (Lei n. o 11.340/2006 – Lei Maria da Penha), julgue os itens seguintes. Se duas
mulheres mantiverem uma relação homoafetiva há mais de dois anos, e uma delas praticar
violência moral e psicológica contra a outra, tal conduta estará sujeita à incidência da Lei Maria da
Penha, ainda que elas residam em lares diferentes.
Certo. A Lei nº 11.340/06 foi feita justamente para defender a mulher. Assim, ainda que duas
mulheres mantenham uma relação homoafetiva, aplica-se a devida lei, quando ocorrer a uma delas
atos de violência física, moral, psicológica, sexual ou patrimonial. Perceba que não é necessário que
o sujeito ativo seja do sexo masculino, mas é necessário que a vítima seja mulher.

214 - O valor probatório do inquérito policial, como regra, é considerado relativo, entretanto, nada
obsta que o juiz absolva o réu por decisão fundamentada exclusivamente em elementos
informativos colhidos na investigação.
Correto. É o que se extrai do artigo 155 do CPP: “Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre
apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão
exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas
cautelares, não repetíveis e antecipadas.” Assim, a contrário sensu da leitura do artigo, tem-se que
o juiz pode fundamentar sua decisão absolutória com base apenas no IP.

215 - Acerca dos crimes contra a dignidade sexual, julgue a assertiva que se segue. Maria, a pedido
de sua prima Joana, por concupiscência desta, convenceu sua vizinha Pauliana, de 12 anos de
idade, a assistir Joana e seu namorado Paulo em intimidades sexuais. Assim, pode-se concluir que
Maria obrou para o delito de satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente.
Certa. Ambas, Maria e Joana, responderão pelo delito de satisfação de lascívia mediante a presença
de criança ou adolescente, previsto no art. 218-A do Código Penal. Joana responderá por ter
realizado o verbo do tipo consistente em PRATICAR, na presença de Paulinha (adolescente de 12
anos, apenas), conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso. Maria, por sua vez, responderá
por ter realizado a ação nuclear de INDUZIR Paulinha a presenciar Joana e seu namorado Paulo em
intimidades sexuais.

216 - Acerca da Lei Maria da Penha, é correto afirmar que: No atendimento à vítima de violência
doméstica e familiar, a autoridade policial deverá encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de
saúde e ao Instituto Médico Legal.
Certo. Nos termos do art. 11, II da Lei 11.340/06. Art. 11. No atendimento à mulher em situação de
violência doméstica e familiar, a autoridade policial deverá, entre outras providências: II -
encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
217 - As diligências no âmbito do inquérito policial serão realizadas por requisição do membro do
Ministério Público ou pela conveniência da autoridade policial, não existindo previsão legal para
que o ofendido ou o indiciado requeiram diligências.
Errado. É certo que a autoridade policial preside o inquérito policial com discricionariedade, nos
moldes do que dispõe o Art. 14 do CPP: “O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado
poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade”. Contudo,
conforme o próprio dispositivo menciona, tal discricionariedade não impede o requerimento por
parte dos interessados na investigação. Registre-se, por oportuno, que a discricionariedade é uma
liberdade limitada pela lei. Assim, uma limitação muito presente em questionamentos de concursos
e exames se refere à impossibilidade de o delegado de polícia rejeitar o exame de corpo de delito
nas hipóteses de crimes que deixam vestígios, pois nessa situação a obrigação da realização de tal
exame decorre da própria lei. Nesse sentido, vejamos o dispositivo legal relacionado: “Art. 158 do
CPP. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direito ou
indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado".

218 - No que se refere aos crimes contra a dignidade sexual, julgue o item que se segue. O assédio
sexual se tipifica quando praticado por agente que, para alcançar seu intento, se prevalece de sua
superioridade hierárquica tanto no serviço público, quanto no trabalho particular.
Certa. Assédio sexual (Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001) Art. 216-A. Constranger alguém
com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua
condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou
função." (Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001). Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
(Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001).

219 - Convencido de que havia sido traído, Pedro empurrou violentamente sua esposa contra a
parede. Submetida a exame de corpo de delito, constatou- se a presença de lesões corporais de
natureza leve praticada em contexto de violência doméstica. Considerando esse caso hipotético,
é correto afirmar que; é possível a composição civil dos danos, com estipulação de danos morais
em favor da vítima, para se evitar a persecução penal.
Errada. Em se tratando de violência doméstica contra a mulher, o crime de lesões corporais será de
ação penal pública incondicionada, conforme entendimento solidificado pelo STF no julgamento da
ADIn 4427. Não será possível, ainda, a composição civil dos danos como forma de evitar a
persecução penal, pois este é um dos institutos despenalizadores previstos na Lei dos Juizados
Especiais Criminais. Em se tratando de crime praticado no contexto de violência doméstica contra a
mulher são inaplicáveis os institutos despenalizadores da Lei 9.099/95, embora seja possível adotar
o RITO sumaríssimo previsto na Lei.

220 - A prisão temporária constitui-se em uma espécie de prisão cautelar, admissível na fase das
investigações do inquérito policial, mas será decretada pelo juiz, mediante representação da
autoridade policial e ou a requerimento do Ministério Público.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Correto. Art. 2° da Lei 7.960/89 A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da
representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público... Vale mencionar
que o Juiz não pode decretar a prisão temporária de ofício.

221 - Com relação ao direito processual penal, julgue a assertiva que se segue. Da medida
assecuratória de sequestro admite-se a impugnação por intermédio de embargos de terceiro,
sendo vedada decisão neste, em qualquer caso, antes de passar em julgado a sentença
condenatória.
Errada. Cabe também embargos, tanto do acusado quanto de terceiro com quem se encontrava o
bem, após o efetivo sequestro dos bens (Art. 129 e 130). Se os embargos forem de terceiro devem
ser julgados normalmente, se forem do acusado deve se esperar a sentença final (cf. Tourinho,
Manual de Processo Penal, p. 449).

222 - Segundo a Lei n. º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), é correto afirmar que: As medidas
protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato pelo Juiz, desde que haja prévia
manifestação do Ministério Público.
Errada. Não precisa de manifestação do Ministério Público. O Juiz pode proferir de ofício, conforme
artigo 19 da Lei Maria da Penha.

223 - O inquérito policial não é indispensável à propositura de ação penal, mas denúncia
desacompanhada de um mínimo de prova do fato e da autoria é denúncia sem justa causa.
Correto. O fato de o inquérito policial ser dispensável para a propositura da ação penal não retira a
necessidade de a mesma ser instruída com elementos que tenham aptidão para demonstrar a justa
causa para a ação penal (indício de autoria e prova da materialidade). Assim, o autor da ação, que
não utilizar o inquérito policial como base para inicial, terá que demonstrar o lastro probatório
mínimo para a persecução penal através, por exemplo, de peças de informação ou de outro
procedimento investigativo.

224 - O delegado de polícia não poderá instaurar inquérito policial para a apuração de crime de
ação penal privada sem o requerimento de quem tenha legitimidade para intentá-la.
Correto. Pois no caso de ação penal privada, o CPP afirma: “Art.5º, §5º: Nos crimes de ação privada,
a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha
qualidade para intentá-la.”

225 - De acordo com o direito processual penal e com o Código de Processo Penal (CPP), julgue os
itens que se seguem. No processo penal, os bens móveis considerados adquiridos com o produto
do crime podem ser sequestrados pelo juiz criminal.
Certa. Sequestro, arresto, hipoteca legal - Recai sobre bens determinados de origem ilícita. - No curso
do inquérito ou no processo - Recai sobre bens indeterminados de origem lícita (são bens legítimos
do acusado que servem como garantia) - Recai sobre bens indeterminados de origem lícita (são bens
legítimos do acusado que servem como garantia - Só no curso do processo.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
226 - Sobre o sequestro de bens imóveis adquiridos pelo indiciado com proventos da infração,
previsto no Código de Processo Penal, é correto afirmar que; o sequestro será possível se o bem
ainda estiver na propriedade do indiciado, não cabendo se ele o tiver transferido para terceiros.
Errada. Mesmo se o bem proveniente do cometimento de infração estiver em posse de terceiro,
caberá o sequestro. Art. 125. Caberá o sequestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com
os proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro. OBS: A medida cautelar
admite contraditório. O terceiro poderá opor embargos, para provar que adquiriu o bem de boa-fé.

227 - Se o promotor de justiça, após analisar as conclusões do inquérito policial, não apresentar
denúncia, mas, ao contrário, pedir o arquivamento do inquérito, o juiz, se entender improcedentes
as razões do promotor, deverá indeferir o pedido e determinar o imediato início da ação penal.
Errado. Pois o magistrado deve remeter os autos ao Procurador Geral de Justiça, para que a
deliberação final seja dada por órgão superior do próprio Ministério Público. Já no âmbito federal,
essa atribuição está a cargo da Câmara de Coordenação e Revisão (artigo 62, IV, da Lei
Complementar nº 75/1993). O fundamento legal da resposta se encontra no art. 28, caput: “Se o
órgão Ministerial ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial
ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões
invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral...”.

228 - Sobre o sequestro de bens imóveis adquiridos pelo indiciado com proventos da infração,
previsto no Código de Processo Penal, é correto afirmar que; para a decretação do sequestro
bastará a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens.
Certa. Conforme Art. 126 do CPP - Para a decretação do sequestro, bastará a existência de indícios
veementes da proveniência ilícita dos bens.

229 - Acerca da aplicabilidade da lei processual penal no tempo e no espaço e dos princípios que
regem o inquérito policial, julgue o item a seguir: Por força de mandamento constitucional, o
exercício do contraditório deve ser garantido ainda no curso do inquérito policial, não obstante a
sua natureza administrativa e pré- processual.
Errado. Acerca do contraditório e da ampla defesa, dispõe a CF: Art. 5º, LV - aos litigantes, em
processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. O inquérito policial é procedimento
administrativo de natureza inquisitorial e sigilosa. Contudo, o entendimento que prevalece nos
tribunais superiores é no sentido de que o inquérito policial, ainda que possua natureza
administrativa, não precisa observar o princípio do contraditório da mesma forma que os processos
judiciais e administrativos comuns. Isso não significa que o acusado não tenha seus direitos
fundamentais respeitados nesse procedimento, mas sim que o direito ao contraditório é
relativizado.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
230 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do
inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.
Correto. Conforme preconiza o artigo 51 da Lei 11.343/2006: Art. 51. O inquérito policial será
concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando
solto. Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido
o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

231 - Durante operação policial na qual Cabelo de Anjo foi investigado e denunciado por crimes
previstos no artigo 157, § 2º, do Código Penal, fora apreendido, em virtude de mandado de busca
e apreensão e de sequestro de bens móveis, um veículo registrado em nome da empresa X, cujo
representante legal é Tripa Seca, uma vez que existiam indícios veementes de que o objeto seria
produto da atividade criminosa de Cabelo de Anjo e de que este seria o proprietário de fato do
bem. Nesse caso, é correto afirmar que; o juiz poderá determinar, segundo o Código de Processo
Penal, a alienação antecipada, para preservação de seu valor, ante a possibilidade de deterioração
e consequente desvalorização do veículo, depositando o montante, até o final do processo, em
conta vinculada ao juízo.
Certa. Art. 144-A., do CPP: O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor dos
bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando
houver dificuldade para sua manutenção. § 3º O produto da alienação ficará depositado em conta
vinculada ao juízo até a decisão final do processo, procedendo-se à sua conversão em renda para a
União, Estado ou Distrito Federal, no caso de condenação, ou, no caso de absolvição, à sua devolução
ao acusado.

232 - Uma vez deferido o pedido de interceptação de comunicação telefônica pelo juiz, a
autoridade policial que conduzir os procedimentos de interceptação deverá cientificar o
Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização.
Correto. O item está CERTO, conforme artigo 6º, "caput", da Lei 9.296/96: Art. 6° Deferido o pedido,
a autoridade policial conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério
Público, que poderá acompanhar a sua realização. § 1° No caso de a diligência possibilitar a gravação
da comunicação interceptada, será determinada a sua transcrição. § 2° Cumprida a diligência, a
autoridade policial encaminhará o resultado da interceptação ao juiz, acompanhado de auto
circunstanciado, que deverá conter o resumo das operações realizadas. § 3° Recebidos esses
elementos, o juiz determinará a providência do art. 8°, ciente o Ministério Público.

233 - A interceptação de comunicações telefônicas, considerada prova complementar, deve ser


realizada ainda que se possa provar por outros meios disponíveis o fato investigado.
Errado. Pois para haver interceptação telefônica o critério da necessidade deve ser preenchido, pois
não pode a mesma ser determinada como meio de prova complementar, haja vista a
excepcionalidade da hipótese. Vejamos: “Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações
telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: I - não houver indícios razoáveis da

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
autoria ou participação em infração penal; II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;”
(Lei 9296/96).

234 - Acerca das medidas assecuratórias previstas no Código de Processo Penal, é correto afirmar
que; para a especialização da hipoteca legal se faz necessário comprovar que o bem imóvel tenha
sido adquirido com proveito do crime.
Errada. Artigo 134 do CPP: A hipoteca legal sobre os imóveis do indiciado poderá ser requerida pelo
ofendido em qualquer fase do processo, desde que haja certeza da infração e indícios suficientes da
autoria.

235 - A respeito das provas e das normas procedimentais para os processos perante o Superior
Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, julgue o item. O firme e coeso depoimento da
vítima, corroborado por outra prova, é suficiente para comprovar o emprego de arma de fogo pelo
réu no delito de roubo.
Correto. Esse é o entendimento atual das Cortes.

236 - O princípio da especialidade, aplicado na solução do conflito aparente de normas penais,


tem a finalidade específica de evitar o bis in idem e determina a prevalência da norma especial
em comparação com a geral, ocorrendo apenas no confronto in concreto das leis que definem o
mesmo fato.
Errado. O princípio do no bis in idem tem caráter processual e busca impedir que ninguém seja
julgado mais de uma vez pelo mesmo fato. O princípio da especialidade busca identificar a lei a ser
aplicada ao crime efetivamente praticado, conquanto aparentemente tenha mais de uma regra
penal a reger a matéria. De acordo com esse princípio, a norma especial afasta a incidência da norma
geral (lex specialis derogat legi generali). A lei é especial na medida em que abrange elementos de
outra norma e acrescenta elementos que possam representar de modo detalhado a conduta ilícita.
Para se constatar se uma lei é especial é imprescindível uma análise comparativa a fim de se verificar
a relação de espécie a gênero.

237 - Entre o tipo penal básico e os derivados, sejam eles qualificados ou privilegiados, não há
relação de especialidade, o que afasta a aplicação do princípio da especialidade na solução de
conflito aparente de normas penais.
Errado. Na prática, o crime qualificado ou privilegiado configura uma especialidade, na medida em
que se deriva de um tipo penal básico, acrescentando-lhe elementos típicos que o agrave ou que o
atenue.

238 - O método filológico, literal, ou gramatical, consiste na reconstrução do pensamento


legislativo por meio das palavras da lei, em suas conexões linguísticas e estilísticas, e ignora, por
completo, a ratio legis.
Errado. No que toca a interpretação de um texto jurídico, o significado do texto ou da palavra (a
interpretação) deve ter em conta toda a complexidade sistêmica da norma.. As teorias linguísticas
já refutaram a possibilidade de prevalência do sentido meramente literal das palavras em
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
detrimento de um significado mais complexo. A interpretação literal não é suficiente para a
compreensão da norma que se quer interpretar.

239 - A interpretação teleológica busca a vontade do legislador, a chamada voluntas legislatoris,


e não a vontade da lei, denominada voluntas legis.
Errado. Na interpretação de uma norma, o hermeneuta deve perquirir a vontade lei, que se
desprende da vontade do legislador originário. Com efeito, a norma gozaria de um sentido próprio
que é determinado por fatores objetivos (teoria objetiva), que, em certa medida, independeria do
sentido que o legislador quis lhe atribuir (teoria subjetiva). A fim de se perscrutar a vontade da lei,
analisa-se os aspectos estruturais da norma bem como as técnicas próprias para a sua compreensão,
conformando o Direito o contexto social no qual é aplicado.

240 - O fenômeno denominado de interpretação evolutiva ocorre quando a disposição legal ganha
novo sentido, aplicando-se a situações imprevistas ou imprevisíveis ao legislador.
A alternativa está correta e, como seus termos definem o que seja interpretação evolutiva, dispensa
maiores comentários.

241 - O Estado, para garantir a segurança dos cidadãos, deve proibir ou restringir todas aquelas
ações que se refiram, de maneira imediata, só a quem as realize, das quais derive lesão aos direitos
dos outros, isto é, que atinjam sua liberdade e propriedade, sem o seu consentimento ou contra
ele, ou das que haja de temê-las provavelmente; probabilidade na qual haverá de considerar a
dimensão do dano que se quer causar e a importância da limitação da liberdade produzida por lei
proibitiva. Wilhem Von Humboldt. Los límites de la acción del estado. 1792, p. 122 (com
adaptações).
Com relação ao fragmento de texto acima, aos princípios de direito penal e às teorias do bem
jurídico, julgue o item a seguir. O fragmento em questão, seu autor, há já mais de duzentos anos,
se referia ao que hoje se entende como princípios jurídico-penais da intranscendência e da
fragmentariedade.
Errado. Cleber Masson ensina que não há infração penal quando a conduta não tiver oferecido ao
menos perigo de lesão ao bem jurídico. É disso que trata a primeira parte do fragmento de texto do
Wilhem Von Humboldt:
"O Estado, para garantir a segurança dos cidadãos, deve proibir ou restringir todas aquelas ações
que se refiram, de maneira imediata, só a quem as realize, das quais derive lesão aos direitos dos
outros, isto é, que atinjam sua liberdade e propriedade, sem o seu consentimento ou contra ele, ou
das que haja de temê-las provavelmente."

Sobre o princípio da proporcionalidade, Cleber Masson também leciona que, modernamente, tal
princípio deve ser analisado sobre uma dupla ótica, ou seja, tanto no sentido de proibição ao
excesso, pois é vedada a cominação e aplicação de penas em dose exagerada e desnecessária,
quanto no sentido de impedir a proteção insuficiente de bens jurídicos, pois não tolera a punição
abaixo da medida correta. É disso que trata a segunda parte do fragmento de texto do Wilhem Von
Humboldt:
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
"(…) probabilidade na qual haverá de considerar a dimensão do dano que se quer causar e a
importância da limitação da liberdade produzida por lei proibitiva."
Os princípios da intranscendência e da fragmentariedade mencionados no item consistem, ainda de
acordo com Cleber Masson, respectivamente, na impossibilidade de alguém ser responsabilizado
por fato cometido por terceira pessoa (a pena não pode passar da pessoa do condenado - CF, art.
5º, inciso XLV) e no fato de que nem todos os ilícitos configuram infrações penais, mas apenas os
que atentam contra valores fundamentais para a manutenção e o progresso do ser humano e da
sociedade, de modo que todo ilícito penal será também ilícito perante os demais ramos do Direito,
mas a recíproca não é verdadeira.
Fonte: MASSON, Cleber. Direito Penal Esquematizado, volume 1, Parte Geral (arts. 1º a 120), São
Paulo: Método, 7ª edição, 2017.

242 - Com referência a fundamentos e noções gerais aplicadas ao direito penal, julgue o próximo
item. O princípio da reserva legal aplica-se, de forma absoluta, às normas penais incriminadoras,
excluindo-se de sua incidência as normas penais não incriminadoras.
Correto. De acordo com ensinamento de Damásio de Jesus, citando José Frederico Marques, a
limitação imposta às normas que preveem a pena como resultado de um comportamento ilícito, não
se estende às normas não incriminadoras, onde a pesquisa do intérprete busca uma regra que se
situa na esfera da licitude. Por haver restrições que vedem a ampliação do ilícito punível, não se
pode inferir que o "licere" (permitido) fique comprimido também no literalismo legal.
Fonte: JESUS, Damásio E. Direito Penal - Parte Geral. São Paulo, 31ª edição, Saraiva.

243 – O princípio da culpabilidade limita-se à impossibilidade de declaração de culpa sem o


trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Errado. Pelo princípio da culpabilidade (nulla poena sine culpa), a responsabilidade penal só pode
ser imposta a quem praticou a conduta por vontade livre e consciente. Não se admite na seara penal
a responsabilidade objetiva. No caso do resultado ser objetivado pelo autor, haverá dolo. No caso
do resultado não ter sido querido pelo agente, haverá culpa. Ou seja, apenas há a responsabilização
por um delito quando houver culpa em sentido amplo (dolo ou culpa).

244 - O princípio da legalidade impede a aplicação de lei penal ao fato ocorrido antes do início de
sua vigência.
Errada. O princípio da legalidade não impede que uma lei seja aplicada retroativamente desde que
beneficie a situação do réu o acusado, aplicando-se o princípio da retroatividade da lei mais benéfica
ao réu.

245 - Integram o núcleo do princípio da estrita legalidade os seguintes postulados: reserva legal,
proibição de aplicação de pena em hipótese de lesões irrelevantes, proibição de analogia in malam
partem.
Errada. O princípio que veda a aplicação da pena em casos de lesões irrelevantes ao bem jurídico
tutelado é o princípio da lesividade ou da ofensividade.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
246 - A aplicação de pena aos inimputáveis, dada a sua incapacidade de sensibilização pela norma
penal, viola o princípio da culpabilidade.
Correto. De acordo com o princípio da culpabilidade, apenas responde pelo resultado lesivo quem
possa agir de modo consciente e seja capaz de agir de acordo com essa determinação. O inimputável
não reúne essas faculdades seja por imaturidade ou por deficiência mental.

247 - Os princípios da insignificância penal e da adequação social se identificam, ambos


caracterizados pela ausência de preenchimento formal do tipo penal.
Errada. Ambos os princípios caracterizam-se pela ausência de preenchimento material do tipo penal.
Pelo princípio da insignificância, embora a a conduta formalmente se subsuma ao tipo penal, não
ofende o bem jurídico por ele protegido. Pelo princípio da adequação social, embora a norma que
define o tipo penal continue em vigor, a conduta deixou de ser reprovada pela sociedade e não viola
mais o bem jurídico.

248 – O erro de tipo essencial invencível exclui o dolo, mas permite a punição de crime culposo,
se previsto em lei.
Errado. O erro de tipo invencível afasta o dolo e a culpa, uma vez que o agente agiu sem intenção de
praticar um crime e sem infringir o dever geral de cuidado. Caso fosse vencível, ficaria caracterizado
que, se o agente houvesse agido com prudência, o resultado poderia ser evitado.

249 - O estado de necessidade agressivo ocorre quando o ato necessário se dirige contra a coisa
que promana o perigo para o bem jurídico defendido.
Errado. Ao contrário do que se afirma na presente alternativa o estado de necessidade agressivo se
caracteriza quando o ato praticado a finalidade de afastar o perigo é dirigido para outra coisa ou
pessoa, alheia à origem do perigo emanado.

250 - No caso de excesso culposo da legítima defesa, embora o agente somente possa resultar
punido com a pena do crime culposo, quando prevista em lei esta estrutura típica, a vontade deste
é dirigida ao resultado, de modo que age, na realidade, dolosamente, mas, por erro vencível ou
evitável, não sabe que transpôs os limites legais da causa de justificação e exercita defesa
desnecessária.
Correto. A pergunta já é a própria resposta.

251 - Nas discriminantes putativas, quando o erro recair sobre os limites ou o alcance da
justificativa, estaremos diante do erro de tipo permissivo.
Errada. O erro sobre a presença, o alcance e os limites de uma descriminante no que tange à
existência ou a persistência de uma causa de justificação, é considerado erro de proibição. Sendo
assim, persiste o dolo na conduta e, portanto, na análise do fato típico. O que se exclui é a
culpabilidade (a potencial consciência da ilicitude).

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
252 - Tanto a legítima defesa como o estado de necessidade possuem o caráter de agressão
autorizada a bens jurídicos, com diferença, entretanto, de que no estado de necessidade ocorre
uma ação predominantemente defensiva com aspectos agressivos, ao passo que na legítima
defesa se dá uma ação predominantemente agressiva com aspectos defensivos.
Errada. Esta alternativa está equivocada, uma vez que, no que toca à legitima defesa, o defensor
sofre ou está na iminência de sofrer uma agressão, reagindo contra o agressor originário. É, com
efeito, um ato eminentemente defensivo. No que diz respeito ao estado de necessidade, o agente
pratica um fato típico a fim de defender bem jurídico próprio ou alheio que está sob perigo de ser
vulnerado. O bem jurídico afetado pelo fato praticado nessas circunstâncias de estado de
necessidade, pode ser de terceiro que não dera causa o estado de perigo, o que confere
predominância agressiva sob aspectos defensivos.

253 - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado determina que se considerem as
condições ou qualidades da vítima da infração.
Errada. Não se leva em consideração às qualidades da vítima, mas sim da pessoa contra quem o
agente queria praticar o crime. Esse pensamento está de acordo com o art. 20, parágrafo 3º do CP.

254 - As circunstâncias agravantes não são consideradas para o cálculo da prescrição da pretensão
punitiva propriamente dita.
Correta. A extinção da punibilidade propriamente dita toma por base a pena máxima, conforme art.
109 do CP.

255 - Para o reconhecimento da causa legal de exclusão de ilicitude, identificada pelo estado de
necessidade, deve existir uma situação de perigo atual que ameace direito próprio ou alheio,
causado ou não voluntariamente pelo agente que não tem o dever de enfrentar o perigo.
Errada. A questão erra ao dizer causado pelo agente, o estado de necessidade se qualifica quando o
agente pratica um fato típico para salvar-se ou salvar terceiro de perigo, o qual não tenha provocado,
conforme art. 24, caput do CP.

256 - A prescrição retroativa antecipada ou em perspectiva tem previsão legal e serve de


fundamento para a extinção da punibilidade.
Errada. A prescrição retroativa antecipada não tem previsão legal. Ela se configura quando há a
declaração antecipada da prescrição retroativa com base na pena a ser aplicada pelo réu (isto é, pela
sanção que seria imposta ao agente por ocasião da futura sentença penal condenatória)

257 - No concurso material de crimes, a extinção da punibilidade pela prescrição incidirá sobre a
soma das penas dos delitos.
Errada. Conforme art. 119 do CP, no caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá
sobre cada um de forma isolada.

258 - A pena poderá ser agravada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao
crime, ainda que tal possibilidade não seja prevista expressamente em lei.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Errado. Não há em nosso ordenamento jurídico agravante penal sem prévia previsão legal. Há, no
entanto, a figura da atenuante inominada, prevista no artigo 66 do Código Penal que prevê que “a
pena pode ser atenuada em razão de circunstancia relevante, anterior oi posterior ao crime, embora
não prevista expressamente em lei." Essa possibilidade decorre do princípio da legalidade estrita
que veda não só a existência de crime e de pena sem prévia lei que os defina e comine, como
também a e de outras circunstâncias que possam ser desfavoráveis ao condenado.

259 – O desconhecimento da lei é circunstância que atenua a pena, conforme expressa previsão
legal.
Correta. Nos termos explícitos do inciso II do artigo 65 do Código Penal, o desconhecimento da lei
sempre atenua a pena.

260 - Na hipótese de desistência voluntária, em que o agente, por vontade própria, desiste de
prosseguir na execução do crime, a pena será reduzida na proporção prevista em lei.
Errada. Na hipótese de desistência voluntária, como visto no exame da alternativa anterior, o agente
interrompe os atos executórios do delito e, com isso, afasta a ocorrência do resultado típico
inicialmente visado por ele. É por conta disso que a desistência voluntária também é conhecida
como tentativa abandonada ou qualificada. Quando ocorre esse fenômeno, o agente responde pelos
resultados típicos subsistentes (crimes autônomos que se consumaram no transcurso do iter
criminis) e não pelo crime inicialmente visado e abandonado posteriormente, ainda que na
modalidade tentada. Com efeito, é impróprio falar-se em redução de pena.

261 - O arrependimento posterior é causa de redução da pena prevista para o crime de roubo, se
a reparação voluntária do dano ocorrer até o recebimento da denúncia.
Errada. O arrependimento posterior (artigo 16 do Código Penal), que não se confunde com
arrependimento eficaz (artigo 15 do Código Penal), é uma causa de diminuição genérica de pena
que é previsto em nosso ordenamento jurídico. Todavia, é elementar do crime de roubo o uso de
violência ou grave ameaça, o que impede, por previsão expressa do mencionado dispositivo legal, a
incidência dessa causa de redução de pena.

262 - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado pode isentar a pena, considerando-
se, nesse caso, as qualidades da vítima real, e não as da pessoa contra a qual o agente queria
praticar o crime.
Errada. Nos termos do parágrafo terceiro do artigo 20 do Código Penal, “o erro quanto à pessoa
contra a qual o crime é praticado não isenta de pena." Por outro lado, ainda nos termos do
dispositivo ora invocado “não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima,
senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime." A razão de ser da primeira parte
do parágrafo terceiro do artigo 20 do Código Penal é que o erro não é essencial, mas acidental,
porquanto vulnerou-se o bem jurídico tutelado, embora não o efetivamente pretendido, devendo
incidir a reprimenda penal. Já a segunda parte do dispositivo se justifica porque o agente deve
responder pela sua efetiva intenção, o que abrange as circunstâncias e condições pessoais da pessoa
que o agente queria atingir e exclui os resultados distintos decorrentes do erro.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
263 - No que concerne à lei penal no tempo, tentativa, crimes omissivos, arrependimento
posterior e crime impossível, julgue o item a seguir. De acordo com a teoria subjetiva, aquele que
se utilizar de uma arma de brinquedo para ceifar a vida de outrem mediante disparos, não
logrando êxito em seu desiderato, responderá pelo delito de tentativa de homicídio.
Correto. O item trata do crime impossível, previsto no artigo 17 do Código Penal:
Art. 17 – Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta
impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

Marcelo Pertille ensina acerca das teorias que sustentam o crime impossível:

1. TEORIA SUBJETIVA: ainda que a ação ou omissão esteja abarcada por alguma das hipóteses do
crime impossível deve ocorrer punição, pois para esta teoria não há distinção entre condutas
idôneas ou inidôneas no que se relaciona com o resultado. Justifica-se a intervenção penal
exclusivamente em função do intento do agente no momento da perpetração do comportamento
destinado ao fim criminoso.

2. TEORIA SINTOMÁTICA: leva em consideração a periculosidade do agente que estabelece seu


comportamento em determinado intento delitivo. Reconhece-se a impossibilidade da obtenção do
resultado, mas não se descarta que a conduta, mesmo impossível de gerar ofensa ao bem jurídico,
necessita de proteção penal, haja vista a insegurança social que traduz. Invoca, assim, a necessidade
da aplicação de medida de segurança.

3. TEORIA OBJETIVA: evidencia que diante da impossibilidade do bem jurídico sofrer abalo
decorrente da conduta que se analisa não pode haver reação jurídico-penal. Esta teoria pode ser
dividida em (a) PURA, para quem tanto faz se a ineficácia do meio empregado ou a impropriedade
do objeto sobre o qual incide a conduta é relativa ou absoluta. Não tendo havido lesão, não se
discute potencialidade lesiva da ação ou omissão; (b) TEMPERADA: apenas reconhece como crime
impossível a conduta que absolutamente mostra-se ineficaz no ataque ao bem juridicamente
protegido. É essa a teoria adotada pelo Código Penal brasileiro.

264 – A teoria adotada pelo CP tem como inconveniente a possibilidade de se levar ad infinitum a
pesquisa da causa, abrangendo todos os agentes das causas anteriores, sendo limitada pelo dolo
ou culpa da conduta e do vínculo objetivo do agente com a ação.
a alternativa está errada, uma vez que nosso Código Penal soluciona esse inconveniente com o
disposto no parágrafo primeiro do art. 13, que provoca o que, de modo equivocado, se denomina
de rompimento do nexo causal. Assim, a superveniência de causa independente restringe a
amplitude do conceito de causa.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
265 - A exclusão do nexo de causalidade ocorre nas concausas absolutamente independentes
quando estas forem supervenientes, mas não ocorre quando estas forem preexistentes ou
concomitantes.
A alternativa está errada, porquanto as causas absolutamente independentes em nada contribuem
para a ocorrência do resultado. Sendo assim, para fim de exclusão do nexo causal, é indiferente se
essas causas são preexistentes, concomitantes ou supervenientes.

266 - A relevância causal da omissão diz respeito tão somente aos crimes omissivos próprios, em
face da relação causal objetiva preconizada pelo CP.
A alternativa está errada na medida em que a relevância causal diz respeito tanto à omissão própria
como à imprópria, porquanto, nas duas hipóteses, há violação ao dever de agir propugnado pela
norma jurídica.

267 - De acordo com preceito expresso no CP, a relação de causalidade limita-se aos crimes
materiais.
A alternativa está correta, uma vez que apenas nos crimes de resultado, que se consubstanciam
naqueles em que há necessidade de uma mudança da realidade externa, faz-se necessária uma
relação de causalidade entre a conduta e o resultado material. Assim, só nessa modalidade de crime
é que o nexo causal integra o tipo objetivo.

268 - O CP adota a teoria da causalidade jurídica, uma vez que a causalidade relevante para o
direito penal é aquela que pode ser prevista pelo agente, ou seja, que se encontra na esfera da
previsibilidade, podendo ser mentalmente antecipada.
A alternativa está errada, pois nosso código não adotou a teoria da causalidade jurídica, que vem a
ser aquela em que a causa que provoca um resultado é aquela em que o julgador elege como tal por
sua ilicitude. Assim, há um juízo prévio de valor dessa causa para fins de imputá-la como
provocadora do resultado, não bastando, portando, que seja apenas sua causa física.

269 - No que se refere à aplicação da lei penal o item abaixo apresenta uma situação hipotética,
seguida de uma assertiva a ser julgada.
Sob a vigência da lei X, Lauro cometeu um delito. Em seguida, passou a viger a lei Y, que, além de
ser mais gravosa, revogou a lei X. Depois de tais fatos, Lauro foi levado a julgamento pelo
cometimento do citado delito. Nessa situação, o magistrado terá de se fundamentar no instituto
da retroatividade em benefício do réu para aplicar a lei X, por ser esta menos rigorosa que a lei Y.
Errado. O item está errado, pois o magistrado terá de se fundamentar não no instituto da
retroatividade em benefício do réu para aplicar a lei x, mas sim na ultratividade da lei mais benéfica.
Conforme leciona Cleber Masson, tal se verifica quando o crime foi praticado durante a vigência de
uma lei, posteriormente revogada por outra prejudicial ao agente. Subsistem, no caso, os efeitos da
lei anterior, mais favorável. Isso porque a lei penal mais grave jamais retroagirá.

Fonte: MASSON, Cleber. Direito Penal Esquematizado, volume 1, Parte Geral (arts. 1º a 120), São
Paulo: Método, 7ª edição, 2017.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
270 - A lei penal retroage em benefício do agente, respeitada a coisa julgada.
A alternativa está errada, pois a retroatividade benéfica alcança inclusive os fatos já definitivamente
julgados, conforme preconiza o artigo 2º, parágrafo único, do Código Penal:
Lei penal no tempo

Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando
em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

271 - A ultra-atividade aplica-se à lei penal somente se ela for excepcional ou temporária.
Errada, pois a ultratividade também se aplica à lei penal mais benéfica, e não somente se a lei for
excepcional ou temporária.
Conforme leciona Cleber Masson, pode ocorrer, ainda, ultratividade da lei mais benéfica. Tal se
verifica quando o crime foi praticado durante a vigência de uma lei, posteriormente revogada por
outra prejudicial ao agente. Subsistem, no caso, os efeitos da lei anterior, mais favorável. Isso porque
a lei penal mais grave jamais retroagirá.

272 - Aquele que, no exterior, falsificar papel-moeda de curso legal no estrangeiro, estará sujeito
a responder pelo mesmo crime perante a jurisdição brasileira, independentemente do
cumprimento de pena no país onde o crime for praticado.
Correta, tendo em vista o que preconiza o artigo 289 c/c artigo 7º, inciso I, alínea "b"e §1º, todos do
Código Penal.

273 - Em se tratando de crime omissivo próprio, a legislação penal não estabelece qualquer
qualidade ou condição específica para o sujeito ativo da omissão.
Errada, conforme §2º do artigo 13 do Código Penal:

Relação de causalidade

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Superveniência de causa independente

§ 1º A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só,

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Relevância da omissão (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o
resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.(Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

274 – O princípio da anterioridade da lei penal é sintetizado pela expressão “não há crime sem lei
que o defina”.
Errada, O princípio da anterioridade da lei penal é sintetizado pela expressão "não há crime sem lei
ANTERIOR que o defina" (artigo 5º, inciso XXXIX, da Constituição Federal e artigo 1º do Código
Penal):
Art. 5º (…)
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

Anterioridade da Lei
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

275 - O homicídio cometido contra integrantes dos órgãos de segurança pública (ou contra seus
familiares) passa a ser considerado como homicídio qualificado, se o delito tiver relação com a
função exercida.
Correto . Art. 121. Matar alguém: Pena – reclusão, de seis a vinte anos.
(…)
Homicídio qualificado § 2° Se o homicídio é cometido:
(…)
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes
do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau,
em razão dessa condição: Pena – reclusão, de doze a trinta anos.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
276 - A pena da LESÃO CORPORAL será aumentada de 1/3 a 2/3 se essa lesão tiver sido praticada
contra integrantes dos órgãos de segurança pública (ou contra seus familiares), desde que o delito
não tenha relação com a função exercida.
Errado, o delito precisa guardar relação com a função exercida.
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de três meses a um ano.
(...)
Aumento de pena
(…)
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços.

277 – A LEI 12.978/2014 acrescentou um inciso ao art. 1º da Lei 8.072/90 prevendo que também
é considerado como crime hediondo o favorecimento da prostituição ou de outra forma de
exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável, delito previsto no art. 218-B, caput,
e §§ 1º e 2º do Código Penal.
Correto. Questão trouxe o texto de lei.

278 – A vulnerabilidade emocional e psicológica da vítima pode ser usada como circunstância
negativa na dosimetria da pena.
Correto. O fato de o agente ter se aproveitado, para a prática do crime, da situação de
vulnerabilidade emocional e psicológica da vítima decorrente da morte de seu filho em razão de erro
médico pode constituir motivo idôneo para a valoração negativa de sua culpabilidade. STJ. 5ª Turma.
HC 264.459-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/3/2016 (Info 579).

279 – De acordo com o STF, elevados custos da investigação e enriquecimento do réu não são
argumentos válidos para aumentar a pena-base.
Correto. Os elevados custos da atuação estatal para apuração da conduta criminosa e o
enriquecimento ilícito obtido pelo agente não constituem motivação idônea para a valoração
negativa do vetor “consequências do crime” na 1ª fase da dosimetria da pena. Em outras palavras,
o fato de o Estado ter gasto muitos recursos para investigar os crimes (no caso, era uma grande
operação policial) e de o réu ter obtido enriquecimento ilícito com as práticas delituosas não servem
como motivo para aumentar a pena-base. STF. 2ª Turma. HC 134193/GO, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 26/10/2016 (Info 845).

280 - A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença
condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública.
Correto, é o que prevê a Súmula 521-STJ.

281 – De acordo com o STF, não se aplica o princípio da insignificância ao crime de contrabando.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Correto. Não se aplica o princípio da insignificância no caso de contrabando, tendo em vista o
desvalor da conduta do agente (HC 110964, Relator Min. Gilmar Mendes, 2ª Turma, julgado em
07/02/2012).

282 – Nos termos da jurisprudência do STJ, não se aplica o princípio da insignificância para o crime
de posse/porte de droga para consumo pessoal.
Correto. STJ. 6ª Turma. RHC 35.920-DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/5/2014 (Info
541). O STF tem precedente diverso, porém, como a pergunta diz respeito ao entendimento do STJ,
ela esta correta.

283 – Segundo o STJ, “Lucro fácil” e “cobiça” não podem ser usados como argumentos para
aumentar a pena da concussão e da corrupção passiva.
Correto. A obtenção de lucro fácil e a cobiça constituem elementares dos tipos de concussão e
corrupção passiva (arts. 316 e 317 do CP), sendo indevido utilizá-las para aumentar a pena-base
alegando que os “motivos do crime” (circunstância judicial do art. 59 do CP) seriam desfavoráveis.
STJ. 3ª Seção. Edv nos EREsp 1.196.136-RO, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
24/5/2017 (Info 608).

284 – De acordo com o STF, as agravantes (tirante a reincidência) não se aplicam aos crimes
culposos.
Correto. As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes culposos, com exceção
da reincidência. STF. 1ª Turma. HC 120165/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2014 (Info 735).

285 – Segundo o STJ, é possível a compensação da atenuante da confissão espontânea com a


agravante da promessa de recompensa.
Correto. É possível compensar a atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, “d”, do CP) com a
agravante da promessa de recompensa (art. 62, IV). STJ. 5ª Turma. HC 318.594-SP, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 16/2/2016 (Info 577).

286 - Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu fará
jus à atenuante prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal.
Correto, é o que determina a súmua 545 do STJ.

287 – De acordo com o STJ, a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo ocupado no momento
do delito, salvo se o novo cargo tiver relação com as atribuições anteriores.
Correto. A pena de perdimento deve ser restrita ao cargo ocupado ou função pública exercida no
momento do delito, à exceção da hipótese em que o magistrado, motivadamente, entender que o
novo cargo ou função guarda correlação com as atribuições anteriores. STJ. 5ª Turma. Resp
1452935/PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 14/03/2017 (Info 599).

288 – Nos termos da jurisprudência do STJ, não poderá ser considerado como motivo fútil o
homicídio ocorrido em decorrência de “racha”.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Correto. Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP), na hipótese de homicídio
supostamente praticado por agente que disputava “racha”, quando o veículo por ele conduzido –
em razão de choque com outro automóvel também participante do “racha” – tenha atingido o
veículo da vítima, terceiro estranho à disputa automobilística. Motivo fútil corresponde a uma
reação desproporcional do agente a uma ação ou omissão da vítima. No caso de “racha”, tendo em
conta que a vítima (acidente automobilístico) era um terceiro, estranho à disputa, não é possível
considerar a presença da qualificadora de motivo fútil, tendo em vista que não houve uma reação
do agente a uma ação ou omissão da vítima. STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).

289 – De acordo com o STJ, a qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal
(art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou
minimize a deformidade na vítima.
Correto. A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV,
do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a
deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é valorado no momento de sua consumação,
não o afetando providências posteriores, notadamente quando não usuais (pelo risco ou pelo custo,
como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados, dolorosos ou geradores do risco de vida) e
promovidas a critério exclusivo da vítima. STJ. 6ª Turma. HC 306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho
(Desembargador convocado do TJ-SP), Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015
(Info 562).

290 – Ainda de acordo com o STJ, a lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes
tem natureza grave (art. 129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP).
Correta. A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 129,
§ 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes pode até gerar
uma debilidade permanente (§ 1º, III), ou seja, uma dificuldade maior da mastigação, mas não
configura deformidade permanente (§ 2º, IV). § 1º Se resulta: III – debilidade permanente de
membro, sentido ou função; § 2º Se resulta: IV – deformidade permanente; STJ. 6ª Turma. Resp
1.620.158-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/9/2016 (Info 590).

291 - No crime de concussão, a situação de flagrante delito configura-se no momento da exigência


da vantagem indevida (e não no instante da entrega). Isso porque a concussão é crime FORMAL,
que se consuma com a exigência da vantagem indevida. Assim, a entrega da vantagem indevida
representa mero exaurimento do crime que já se consumou anteriormente.
Correto. No crime de concussão, a situação de flagrante delito configura-se no momento da
exigência da vantagem indevida (e não no instante da entrega). Isso porque a concussão é crime
FORMAL, que se consuma com a exigência da vantagem indevida. Assim, a entrega da vantagem
indevida representa mero exaurimento do crime que já se consumou anteriormente. Ex: funcionário
público exige, em razão de sua função, vantagem indevida da vítima; dois dias depois, quando a
vítima entrega a quantia exigida, não há mais situação de flagrância considerando que o crime se

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
consumou no momento da exigência, ou seja, dois dias antes. STJ. 5ª Turma. HC 266.460-ES, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/6/2015 (Info 564).

292 – Ainda que após o roubo fique constatado que a arma de fogo empregada pelo agente era
relativamente ineficaz, incide mesmo assim a majorante.
Correto. Se o defeito faz com que o instrumento utilizado pelo agente seja relativamente ineficaz,
INCIDE a majorante. Ex: revólver que algumas vezes trava e não dispara. Nesse caso, o revólver,
mesmo defeituoso, continua tendo potencialidade lesiva, de sorte que poderá causar danos à
integridade física, sendo, portanto, o crime o de roubo circunstanciado.

293 – A falsa declaração de hipossuficiência não é crime, de acordo com o STJ.


Correto. É atípica a mera declaração falsa de estado de pobreza realizada com o intuito de obter os
benefícios da justiça gratuita. A conduta de firmar ou usar declaração de pobreza falsa em juízo, com
a finalidade de obter os benefícios da gratuidade de justiça não é crime, pois aludida manifestação
não pode ser considerada documento para fins penais, já que é passível de comprovação posterior,
seja por provocação da parte contrária seja por aferição, de ofício, pelo magistrado da causa. STJ. 6ª
Turma. HC 261.074-MS, Rel. Min. Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJSE), julgado
em 5/8/2014 (Info 546).

294 - Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação de sua


materialidade, é suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos
aspectos externos do material, e é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais
violados ou daqueles que os representem.
Correto, é o que diz a súmula 574 do STJ.

295 – Para o STJ, inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade
ideológica.
Correto. Não é típica a conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que não condiz com a realidade.
Isso não configura falsidade ideológica (art. 299 do CP). STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017 (Info 610).

296 - Segundo a jurisprudência atual do STJ e do STF, a conduta de colocar uma fita adesiva ou
isolante para alterar o número ou as letras da placa do carro e, assim, evitar multas, pedágio,
rodízio etc, configura o delito do art. 311 do CP (Adulteração de sinal identificador de veículo
automotor ).
Correto, esse foi o entendimento adotado no julgamento do RHC 116371/DF, rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 13/8/2013.

297 – De acordo com o STJ, prostituta que arranca cordão de cliente que não quis pagar o programa
responde pelo crime de exercício arbitrário das próprias razões.
Correto. A prostituta maior de idade e não vulnerável que, considerando estar exercendo pretensão
legítima, arranca cordão do pescoço de seu cliente pelo fato de ele não ter pago pelo serviço sexual
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
combinado e praticado consensualmente, pratica o crime de exercício arbitrário das próprias razões
(art. 345 do CP) e não roubo (art. 157 do CP). STJ. 6ª Turma. HC 211.888-TO, Rel. Min. Rogerio Schietti
Cruz, julgado em 17/5/2016 (Info 584).

298 – Segundo o STF, a incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões
pode configurar o crime de racismo.
Correto. A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores
não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão. Assim, é
possível, a depender do caso concreto, que um líder religioso seja condenado pelo crime de racismo
(art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/81) por ter proferido discursos de ódio público contra outras
denominações religiosas e seus seguidores. STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin,
red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893).

299 - Fotografar cena e armazenar fotografia de criança ou adolescente em poses nitidamente


sensuais, com enfoque em seus órgãos genitais, ainda que cobertos por peças de roupas, e
incontroversa finalidade sexual e libidinosa, adéquam, respectivamente, aos tipos do art. 240 e
241-B do ECA.
Correto. Fotografar cena e armazenar fotografia de criança ou adolescente em poses nitidamente
sensuais, com enfoque em seus órgãos genitais, ainda que cobertos por peças de roupas, e
incontroversa finalidade sexual e libidinosa, adéquam, respectivamente, aos tipos do art. 240 e 241-
B do ECA. Portanto, configuram os crimes dos arts. 240 e 241-B do ECA quando fica clara a finalidade
sexual e libidinosa de fotografias produzidas e armazenadas pelo agente, com enfoque nos órgãos
genitais de adolescente — ainda que cobertos por peças de roupas —, e de poses nitidamente
sensuais, em que explorada sua sexualidade com conotação obscena e pornográfica. STJ. 6ª Turma.
Resp 1.543.267-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 3/12/2015 (Info 577).

300 – O regime inicial da pena no caso de crimes hediondos e equiparados deve ser
obrigatoriamente o fechado.
Errado. Não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da pena no
regime prisional fechado. STJ. 5ª Turma. HC 286.925-RR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 13/5/2014
(Info 540).

301 – Segundo o STJ, se o contribuinte deixa de apresentar declaração ao Fisco com o fim de obter
a redução ou supressão de tributo e consegue atingir o resultado almejado, tal conduta
consubstancia crime de sonegação fiscal, na modalidade do inciso I do art. 1º da Lei nº 8.137/90.
Correto. A constituição do crédito tributário, por vezes, depende de uma obrigação acessória do
contribuinte, como a declaração do fato gerador da obrigação tributária (lançamento por
declaração). Se o contribuinte não realiza tal ato com vistas a não pagar o tributo devido ou a reduzir
o seu valor, comete o mesmo crime daquele que presta informação incompleta. A circunstância de
o Fisco dispor de outros meios para constituir o crédito tributário, ante a omissão do contribuinte
em declarar o fato gerador, não afasta a tipicidade da conduta; o arbitramento efetivado é uma
medida adotada pelo Fisco para reparar a evasão decorrente da omissão e uma evidência de que a
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
conduta omissiva foi apta a gerar a supressão ou, ao menos, a redução do tributo na apuração.
Assim, segundo entendeu o STJ, a omissão na entrega da antiga Declaração de Informações
Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) consubstanciava conduta apta a firmar a tipicidade do
crime de sonegação fiscal previsto no art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90, ainda que o Fisco dispusesse de
outros meios para a constituição do crédito tributário. Obs: a DIPJ foi substituída pela Escrituração
Contábil Fiscal (ECF). STJ. 6ª Turma. Resp 1.561.442-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
23/2/2016 (Info 579).

302 – Para o STF não ofende a presunção de inocência a exigência do Fisco de comprovação da
origem de valores (art. 42 da Lei 9.430/96).
Correto. Não ofende o princípio constitucional da presunção de inocência a exigência de
comprovação da origem de valores estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Para o STF, o
contribuinte, ao não comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, cria,
contra si, uma presunção relativa de que houve omissão de rendimentos, ensejando a condenação
criminal. Não há ofensa ao princípio da presunção de inocência porque se trata de um procedimento
legalmente estabelecido e disciplinado, sendo certo que ao contribuinte é garantido o contraditório
e a ampla defesa. STF. 2ª Turma. HC 121125/PR, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/6/2014
(Info 750).

303 – Nos termos da jurisprudência do STJ, o uso de documento falso é absorvido pelo crime de
sonegação fiscal quando constitui meio/caminho necessário para a sua consumação.
Correto. meio/caminho necessário para a sua consumação. Constitui mero exaurimento do delito
de sonegação fiscal a apresentação de recibo ideologicamente falso à autoridade fazendária, no bojo
de ação fiscal, como forma de comprovar a dedução de despesas para a redução da base de cálculo
do imposto de renda de pessoa física. STJ. 5ª Turma. HC 131.787-PE, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 14/8/2012.

304 - O simples fato de o acusado ser sócio e administrador da empresa constante da denúncia
não pode levar a crer, necessariamente, que ele tivesse participação nos fatos delituosos, a ponto
de se ter dispensado ao menos uma sinalização de sua conduta, ainda que breve, sob pena de
restar configurada a repudiada responsabilidade criminal objetiva.
Correto. Esse foi o posicionamento do STJ no julgamento do HC 224.728/PE, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 10/06/2014 (Info 543).

305 - Imagine que, mesmo após a edição da SV 24-STF, o Ministério Público tenha oferecido
denúncia contra o réu pelo art. 1º, I sem que tivesse havido constituição definitiva do crédito
tributário. O juiz recebeu a denúncia. O réu impetrou habeas corpus invocando o enunciado. Antes
que fosse julgado o HC, houve lançamento definitivo. Nesse caso, a superveniente constituição
definitiva convalida o vício inicial.
Errado. A constituição do crédito tributário após o recebimento da denúncia não tem o condão de
convalidar a ação penal que foi iniciada em descompasso com as normas jurídicas vigentes e com a
SV24 do STF. Desde o nascedouro, essa ação penal é nula porque referente a atos desprovidos de
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
tipicidade (STJ. 5ª Turma. HC 238.417/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/03/2014). Trata-se de
vício processual que não é passível de convalidação (STF. 1ª Turma. HC 97854, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 11/03/2014). O MP poderá, no entanto, oferecer nova denúncia após a
constituição definitiva. Obs: se essa denúncia tivesse sido proposta antes da SV 24-STF, então, nesse
caso, a solução poderia diferente e a superveniência da constituição definitiva do crédito tributário
poderia convalidar a ação proposta sem esse pressuposto. Isso porque antes da súmula havia muita
polêmica sobre a matéria, sendo razoável, em nome da segurança jurídica, convalidar esses atos
(STJ. 6ª Turma. Resp 1211481/SP, Rel. p/ Acórdão Ministro Rogerio Schietti Cruz, julgado em
15/10/2013).

306 – De acordo com o STJ, a extinção do crédito tributário pela prescrição não influencia na ação
penal por crime contra a ordem tributária.
Correto. O reconhecimento de prescrição tributária em execução fiscal não é capaz de justificar o
trancamento de ação penal referente aos crimes contra a ordem tributária previstos nos incisos I a
IV do art. 1º da Lei nº 8.137/90. A constituição regular e definitiva do crédito tributário é suficiente
para tipificar as condutas previstas no art. 1º, I a IV, da Lei nº 8.137/90, não influenciando em nada,
para fins penais, o fato de ter sido reconhecida a prescrição tributária. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp
202.617/DF, Rel. Min. Campos Marques (Des. Conv. Do TJ/PR), j. 11/04/2013. STJ. 6ª Turma. RHC
67.771-MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/3/2016 (Info 579).

307 – Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o agente que sonega mais de um
tributo comete crime único.
Correto. Trata-se de crime único. A conduta consistente em praticar qualquer uma ou todas as
modalidades descritas nos incisos I a V do art. 1 da Lei nº 8.137/90 (crime misto alternativo) conduz
à consumação de crime de sonegação fiscal quando houver supressão ou redução de tributo, pouco
importando se atingidos um ou mais impostos ou contribuições sociais. Não há concurso formal,
mas crime único, na hipótese em que o contribuinte, numa única conduta, declara Imposto de Renda
de Pessoa Jurídica com a inserção de dados falsos, ainda que tal conduta tenha obstado o
lançamento de mais de um tributo ou contribuição. STJ. 6ª Turma. Resp 1294687/PE, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 15/10/2013.

308 – De acordo com o STF, é absolutamente aceito a aplicação da SV 24-STF a fatos anteriores à
sua edição.
Correto. A SV 24-STF pode sim ser aplicada a fatos anteriores à sua edição. Não se pode concordar
com o argumento de que a aplicação da SV 24-STF a fatos anteriores à sua edição configura
retroatividade “in malam partem”. Isso porque o aludido enunciado apenas consolidou
interpretação reiterada do STF sobre a matéria. A súmula vinculante não é lei nem ato normativo,
de forma que a SV 24-STF não inovou no ordenamento jurídico. O enunciado apenas espelhou
(demonstrou) o que a jurisprudência já vinha decidindo. STF. 1ª Turma. RHC 122774/RJ, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 19/5/2015 (Info 786).

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
309 - Nos crimes tributários materiais (ex: apropriação indébita previdenciária), o pagamento
integral do débito tributário feito após a condenação, mas antes do trânsito em julgado, extingue
a punibilidade.
Correto. O pagamento integral do débito tributário feito após a condenação, mas antes do trânsito
em julgado, acarreta a extinção da punibilidade com base no art. 9º, § 2º da Lei 10.684/2003.

310 – Segundo o STJ, não se aplica o arrependimento posterior em homicídio culposo na direção
de veículo.
Correto. Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio
culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido realizada
composição civil entre o autor do crime a família da vítima. Para que seja possível aplicar a causa de
diminuição de pena prevista no art. 16 do CP é indispensável que o crime praticado seja patrimonial
ou possua efeitos patrimoniais. O arrependimento posterior exige a reparação do dano e isso é
impossível no caso do homicídio. STJ. 6ª Turma. Resp 1.561.276-BA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 28/6/2016 (Info 590).

311 - A tipificação da conduta descrita no art. 48 da Lei 9.605/98 prescinde de a área ser de
preservação permanente. Isso porque o referido tipo penal descreve como conduta criminosa o
simples fato de “impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de
vegetação”.
Correto. STJ. 5ª Turma. AgRg no Resp 1.498.059-RS, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo
(Desembargador Convocado do TJ/PE), julgado em 17/9/2015 (Info 570).

312 - O delito previsto na primeira parte do artigo 54 da Lei nº 9.605/1998 possui natureza formal,
sendo suficiente a potencialidade de dano à saúde humana para configuração da conduta delitiva,
não se exigindo, portanto, a realização de perícia.
Correto. Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam
resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição
significativa da flora. Pena — reclusão, de um a quatro anos, e multa. STJ. 3ª Seção. EREsp
1417279/SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 11/04/2018 (Info 624).

313 - Se a arma de fogo é encontrada no interior do caminhão dirigido por motorista profissional,
trata-se de crime de porte de arma de fogo (art. 14 do Estatuto do Desarmamento).
Correto. O veículo utilizado profissionalmente NÃO pode ser considerado “local de trabalho” para
tipificar a conduta como posse de arma de fogo de uso permitido (art. 12). STJ. 6ª Turma. Resp
1.219.901-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 24/4/2012

314 – De acordo com o STJ, é atípica a conduta de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido
com registro vencido, caracterizando mero irregularidade administrativa.
Correto. Não configura o crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/2003) a
conduta do agente que mantém sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso
permitido com registro vencido. Se o agente já procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
é mera irregularidade administrativa que autoriza a apreensão do artefato e aplicação de multa. A
conduta, no entanto, não caracteriza ilícito penal. Ex: a Polícia, ao realizar busca e apreensão na casa
de João, lá encontrou um revólver, de uso permitido. João apresentou o registro da arma de fogo
localizada, porém ele estava vencido há mais de um ano. João não praticou crime de posse ilegal de
arma de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/2003). STJ. Corte Especial. Apn 686-AP, Rel. Min. João Otávio
de Noronha, julgado em 21/10/2015 (Info 572). STJ. 5ª Turma. HC 294.078/SP, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 26/08/2014.

315 - Delegado de Polícia que mantém arma em sua casa sem registro no órgão competente pratica
crime de posse irregular de arma de fogo.
Correto. É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou possuir
arma de fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do Desarmamento, que
impõem registro das armas no órgão competente. STJ. 6ª Turma. RHC 70.141-RJ, Rel. Min. Rogério
Schietti Cruz, julgado em 7/2/2017 (Info 597).

316 – Nos termos da jurisprudência do STF, é atípica a conduta daquele que porta, na forma de
pingente, munição desacompanhada de arma.
Correto. STF. 2ª Turma. HC 133984/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/5/2016 (Info 826).

317 - Para que haja condenação pelo crime de posse ou porte é necessário que a arma de fogo
tenha sido apreendida e periciada.
Errado. É irrelevante (desnecessária) a realização de exame pericial para a comprovação da
potencialidade lesiva do artefato, pois basta o simples porte de arma de fogo, ainda que
desmuniciada, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para a incidência do tipo
penal. Isso porque os crimes previstos no arts. 12, 14 e 16 da Lei 10.826/03 são de perigo abstrato,
cujo objeto jurídico imediato é a segurança coletiva. STJ. 5ª Turma. AgRg no Resp 1294551/GO, Rel.
Min. Jorge Mussi, julgado em 07/08/2014.

318 – É típica a conduta de portar arma de fogo por vigia após o horário de expediente, ainda que
por ordem do seu superior hierárquico.
Correto. O fato de o empregador obrigar seu empregado a portar arma de fogo durante o exercício
das atribuições de vigia não caracteriza coação moral irresistível (art. 22 do CP) capaz de excluir a
culpabilidade do crime de “porte ilegal de arma de fogo de uso permitido” (art. 14 da Lei nº
10.826/2003) atribuído ao empregado que tenha sido flagrado portando, em via pública, arma de
fogo, após o término do expediente laboral, no percurso entre o trabalho e a sua residência. STJ. 5ª
Turma. Resp 1.456.633-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 5/4/2016 (Info 581).

319 – De acordo com entendimento sumulado do STJ, não se aplica o princípio da insignificância
à Lei Maria da Penha.
Correto. Súmula 589-STJ: É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções
penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
320 – Segundo o STF, a competência para julgar a primeira fase dos crimes dolosos contra a vida
praticados com violência doméstica será da Vara de Violência Doméstica e não do júri.
Correto. A Lei de Organização Judiciária poderá prever que a 1ª fase do procedimento do júri seja
realizada na Vara de Violência Doméstica em caso de crimes dolosos contra a vida praticados no
contexto de violência doméstica. Não haverá usurpação da competência constitucional do júri.
Apenas o julgamento propriamente dito é que, obrigatoriamente, deverá ser feito no Tribunal do
Júri. STF. 2ª Turma. HC 102150/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/5/2014 (Info 748).

321 – O descumprimento das medidas impostas ao agressor em decorrência da Lei Maria da Penha
agora é crime próprio.
Correto. Dentre as atualizações trazidas pela lei 13.641/18 estão:
Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência
Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.

322 – Segundo STJ, a condenação pelo art. 28 da Lei de Drogas gera reincidência.
Correto. A condenação por porte de drogas para consumo próprio (art. 28 da Lei 11.343/2006)
transitada em julgado gera reincidência. Isso porque a referida conduta foi apenas despenalizada
pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada (abolitio criminis). STJ. 6ª Turma. HC 275.126-SP,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/9/2014 (Info 549).

323 – A conduta consistente em negociar por telefone a aquisição de droga e também


disponibilizar o veículo que seria utilizado para o transporte do entorpecente configura o crime de
tráfico de drogas em sua forma consumada (e não tentada), ainda que a polícia, com base em
indícios obtidos por interceptações telefônicas, tenha efetivado a apreensão do material
entorpecente antes que o investigado efetivamente o recebesse.
Correto. Para que configure a conduta de “adquirir”, prevista no art. 33 da Lei nº 11.343/2006, não
é necessária a tradição do entorpecente e o pagamento do preço, bastando que tenha havido o
ajuste. Assim, não é indispensável que a droga tenha sido entregue ao comprador e o dinheiro pago
ao vendedor, bastando que tenha havido a combinação da venda. STJ. 6ª Turma. HC 212.528-SC, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 1º/9/2015 (Info 569).

324 - O juiz pode negar a aplicação do § 4º usando como argumento o fato de o réu, além do delito
de tráfico (art. 33), ter praticado também o crime de associação para o tráfico (art. 35).
Correto. É inaplicável a causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº
11.343/2006 na hipótese em que o réu tenha sido condenado, na mesma ocasião, por tráfico e pela
associação de que trata o art. 35 do mesmo diploma legal. A aplicação da referida causa de
diminuição de pena pressupõe que o agente não se dedique às atividades criminosas. Desse modo,
verifica-se que a redução é logicamente incompatível com a habitualidade e permanência exigidas
para a configuração do delito de associação (art. 35), cujo reconhecimento evidencia a conduta do
agente voltada para o crime e envolvimento permanente com o tráfico. STJ. 6ª Turma. Resp
1.199.671-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. em 26/2/2013 (Info 517).
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
325 – Segundo o STF, a grande quantidade de droga pode justificar o afastamento da causa de
diminuição de pena do art. 33, § 4º da Lei de Drogas.
Correto. Não é crível que o réu, surpreendido com mais de 500 kg de maconha, não esteja integrado,
de alguma forma, a organização criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de
diminuição prevista no art. 33, §4º, da Lei de Drogas. STF. 1ª Turma. HC 130981/MS, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 18/10/2016 (Info 844).

326 - Segundo o STJ e o STF, para configuração do tipo de associação para o tráfico, é necessário
que haja estabilidade e permanência na associação criminosa.
Correto. STJ. 5ª Turma. HC 248.844/GO, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 21/05/2013. STJ. 6ª Turma.
HC 139.942-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/11/2012

327 – De acordo com o STF, o confisco de bens apreendidos em decorrência do tráfico pode ocorrer
ainda que o bem não fosse utilizado de forma habitual.
Correto. É possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em
decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de se perquirir a habitualidade, reiteração do
uso do bem para tal finalidade, a sua modificação para dificultar a descoberta do local do
acondicionamento da droga ou qualquer outro requisito além daqueles previstos expressamente no
art. 243, parágrafo único, da Constituição Federal. STF. Plenário. RE 638491/PR, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 17/5/2017 (repercussão geral) (Info 865).

328 – Segundo o STJ, se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do
art. 33: responderá apenas pelo art. 36 da Lei de Drogas.
Correto. STJ. 6ª Turma. Resp 1.290.296-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. em
17/12/2013 (Info 534).

329 - Se o agente vende a droga nas imediações de um presídio, mas o comprador não era um dos
detentos nem qualquer pessoa que estava frequentando o presídio, ainda assim deverá incidir a
causa de aumento do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006.
Correto. A aplicação da causa de aumento prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006 se justifica
quando constatada a comercialização de drogas nas dependências ou imediações de
estabelecimentos prisionais, sendo irrelevante se o agente infrator visa ou não aos frequentadores
daquele local. Assim, se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um estabelecimento prisional,
incidirá a causa de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente. STF. 2ª
Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858).

330 – De acordo com entendimento sumulado do STJ, Para a incidência da majorante prevista no
artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados
da federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico
interestadual.
Correto. Súmula 587 STJ.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
331 – Para o STJ, a participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de
associação para o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de
aumento do art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006.
Correto. Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não,
qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei: Art. 40. As penas previstas
nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se: VI — sua prática envolver
ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou
suprimida a capacidade de entendimento e determinação. STJ. 6ª Turma. HC 250.455-RJ, Rel. Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015 (Info 576).

332 – O chamado “tráfico privilegiado”, previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de


Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo.
Correto. Esse é o atual entendimento do STF. STF. Plenário. HC 118533, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 23/06/2016 (Info 831).

333 - A investigação policial que tem como única finalidade obter informações mais concretas
acerca de conduta e de paradeiro de determinado traficante, sem pretensão de identificar outros
suspeitos, não configura a ação controlada do art. 53, II, da Lei nº 11.343/2006, sendo dispensável
a autorização judicial para a sua realização.
Correto. STJ. 6ª Turma. RHC 60.251-SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 17/9/2015 (Info
570).

334 – A Lei nº 13.257/2016 introduziu ao CPP as hipóteses de substituir a prisão preventiva pela
domiciliar quando o agente for gestante, mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos e homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos
de idade incompletos.
Correto. Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: I
– maior de 80 (oitenta) anos; II – extremamente debilitado por motivo de doença grave; III –
imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência;
IV – gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016) V – mulher com filho de até 12 (doze) anos
de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) VI – homem, caso seja o único
responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei
nº 13.257, de 2016) Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos
estabelecidos neste artigo.

335 – Segundo o STF, não cabe reclamação por uso indevido de algemas se este ocorreu por ordem
de autoridade policial.
Correto. A apresentação do custodiado algemado à imprensa pelas autoridades policiais não afronta
o Enunciado 11 da Súmula Vinculante. A SV 11 refere-se apenas a situações em que o emprego
abusivo da algema decorre de decisão judicial, ou seja, no âmbito de um ato processual. Não

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
abrange hipóteses em que seu uso decorreu de ato administrativo da autoridade policial. STF. 1ª
Turma. Rcl 7116/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/5/2016 (Info 827).

336 - O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica
do fato. O juiz não pode determinar que o Delegado de Polícia faça o indiciamento de alguém.
Correto. STF. 2ª Turma. HC 115015/SP, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/8/2013.

337 – De acordo com o STF, o conflito de atribuições envolvendo MPE e MPF deve ser dirimido
pelo PGR.
Correto. Compete ao PGR, na condição de órgão nacional do Ministério Público, dirimir conflitos de
atribuições entre membros do MPF e de Ministérios Públicos estaduais. STF. Plenário. ACO 924/PR,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/5/2016 (Info 826).

338 - O MP, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso às Ordem de
Missões Policiais.
Correto. O Ministério Público, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso
a ordens de missão policial (OMP). Ressalva: no que se refere às OMPs lançadas em face de atuação
como polícia investigativa, decorrente de cooperação internacional exclusiva da Polícia Federal, e
sobre a qual haja acordo de sigilo, o acesso do Ministério Público não será vedado, mas realizado a
posteriori. STJ. 2ª Turma. Resp 1.365.910-RS, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. para acórdão Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 5/4/2016 (Info 590).

339 – Segundo entendimento do STF, em regra, a busca em veículo é equiparada à busca pessoal
e não precisa de mandado judicial para a sua realização.
Correto. A apreensão de documentos no interior de veículo automotor constitui uma espécie de
“busca pessoal” e, portanto, não necessita de autorização judicial quando houver fundada suspeita
de que em seu interior estão escondidos elementos necessários à elucidação dos fatos investigados.
Exceção: será necessária autorização judicial quando o veículo é destinado à habitação do indivíduo,
como no caso de trailers, cabines de caminhão, barcos, entre outros, quando, então, se inserem no
conceito jurídico de domicílio. STF. 2ª Turma. RHC 117767/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
11/10/2016 (Info 843).

340 – Nos termos da jurisprudência do STF, É INCONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a
tramitação direta do inquérito policial entre a polícia e o Ministério Público.
Correto. É CONSTITUCIONAL lei estadual que preveja a possibilidade de o MP requisitar informações
quando o inquérito policial não for encerrado em 30 dias, tratando-se de indiciado solto. STF.
Plenário. ADI 2886/RJ, red. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, julgado em ¾/2014 (Info 741).

341 – A competência para julgar os crimes de Redução a condição análoga à de escravo é da justiça
federal.
Correto. Compete à justiça FEDERAL processar e julgar o crime de redução à condição análoga à de
escravo (art. 149 do CP). O tipo previsto no art. 149 do CP caracteriza-se como crime contra a
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
organização do trabalho e, portanto, atrai a competência da justiça federal (art. 109, VI, da CF/88).
STF. Plenário. RE 459510/MT, rel. orig. Min. Cezar Peluso, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado
em 26/11/2015 (Info 809).

342 - Compete à Justiça Federal julgar os crimes de violação de direito autoral e contra a lei de
software relacionados com o card sharing.
Correto. Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes de violação de direito autoral e
contra a lei de software decorrentes do compartilhamento ilícito de sinal de TV por assinatura, via
satélite ou cabo, por meio de serviços de card sharing. STJ. 3ª Seção. CC 150.629-SP, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 22/02/2018 (Info 620).

343 - Compete à Justiça Estadual, e não à Justiça Federal, processar e julgar ação penal na qual se
apurem infrações penais decorrentes da tentativa de abertura de conta corrente mediante a
apresentação de documento falso em agência do Banco do Brasil (BB) localizada nas dependências
de agência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) que funcione como Banco Postal.
Correto. STJ. 3ª Seção. CC 129.804-PB, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 28/10/2015
(Info 572).

344 – A competência originária por prerrogativa de função dos titulares de mandatos eletivos
firma-se a partir da diplomação.
Correto. STJ. 5ª Turma. HC 233.832-PR, Rel. Min. Jorge Mussi.
345 - O art. 221 do CPP prevê que determinadas autoridades, quando forem chamadas para
servirem como testemunhas, serão ouvidas em local, dia e hora previamente ajustados entre eles
e o juiz. Essa garantia do art. 221 NÃO é aplicada quando a autoridade é convocada para ser ouvida
na condição de investigado ou de acusado.
Correto. STJ. 5ª Turma. HC 250.970-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/9/2014 (Info 547).

346 - Gera nulidade do processo o fato de, em audiência de instrução, o magistrado, após o registro
da ausência do representante do MP (que, mesmo intimado, não compareceu), complementar a
inquirição das testemunhas realizada pela defesa, sem que o defensor tenha se insurgido no
momento oportuno nem demonstrado efetivo prejuízo.
Errado. Não gera nulidade do processo o fato de, em audiência de instrução, o magistrado, após o
registro da ausência do representante do MP (que, mesmo intimado, não compareceu),
complementar a inquirição das testemunhas realizada pela defesa, sem que o defensor tenha se
insurgido no momento oportuno nem demonstrado efetivo prejuízo.
STJ. 6ª Turma. Resp 1.348.978-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Rel. para acórdão Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 17/12/2015 (Info 577).

347 – Segundo o STF, não há nulidade se o juiz indefere, de modo fundamentado, a oitiva das
vítimas do crime. Em regra, o ofendido deverá ser ouvido na audiência de instrução. No entanto,
a obrigatoriedade de oitiva da vítima deve ser compreendida à luz da razoabilidade e da utilidade
prática da colheita da referida prova.
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Correto. Não há direito absoluto à produção de prova. Em casos complexos, há que se confiar no
prudente arbítrio do juiz da causa, mais próximo dos fatos, quanto à avaliação da pertinência e
relevância das provas requeridas pelas partes. Assim, não há nulidade se o juiz indefere, de modo
fundamentado, a oitiva das vítimas do crime. Em regra, o ofendido deverá ser ouvido na audiência
de instrução. No entanto, a obrigatoriedade de oitiva da vítima deve ser compreendida à luz da
razoabilidade e da utilidade prática da colheita da referida prova. STF. 1ª Turma. HC 131158/RS, Rel.
Min. Edson Fachin, julgado em 26/4/2016 (Info 823).

348 - É lícito o acesso aos dados armazenados em celular apreendido com base em autorização
judicial.
Correto. A obtenção do conteúdo de conversas e mensagens armazenadas em aparelho de telefone
celular ou smartphones não se subordina aos ditames da Lei nº 9.296/96. O acesso ao conteúdo
armazenado em telefone celular ou smartphone, quando determinada judicialmente a busca e
apreensão destes aparelhos, não ofende o art. 5º, XII, da CF/88, considerando que o sigilo a que se
refere esse dispositivo constitucional é em relação à interceptação telefônica ou telemática
propriamente dita, ou seja, é da comunicação de dados, e não dos dados em si mesmos. Assim, se
o juiz determinou a busca e apreensão de telefone celular ou smartphone do investigado, é lícito
que as autoridades tenham acesso aos dados armazenados no aparelho apreendido, especialmente
quando a referida decisão tenha expressamente autorizado o acesso a esse conteúdo. STJ. 5ª Turma.
RHC 75.800-PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 15/9/2016 (Info 590).

349 – De acordo com o STF, O direito subjetivo do colaborador nasce e se perfectibiliza na exata
medida em que ele cumpre seus deveres.
Correto. Assim, o cumprimento dos deveres pelo colaborador é condição sine qua non para que ele
possa gozar dos direitos decorrentes do acordo. Por isso diz-se que o acordo homologado como
regular, voluntário e legal gera vinculação condicionada ao cumprimento dos deveres assumidos
pela colaboração, salvo ilegalidade superveniente apta a justificar nulidade ou anulação do negócio
jurídico. STF. Plenário. Pet 7074/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 21, 22, 28 e 29/6/2017 (Info
870).

350 – Para o STF, o descumprimento de colaboração premiada justifica, por si só, a prisão
preventiva.
Errado. Não se pode decretar a prisão preventiva do acusado pelo simples fato de ele ter
descumprido acordo de colaboração premiada. Não há, sob o ponto de vista jurídico, relação direta
entre a prisão preventiva e o acordo de colaboração premiada. Tampouco há previsão de que, em
decorrência do descumprimento do acordo, seja restabelecida prisão preventiva anteriormente
revogada. Por essa razão, o descumprimento do que foi acordado não justifica a decretação de nova
custódia cautelar. É necessário verificar, no caso concreto, a presença dos requisitos da prisão
preventiva, não podendo o decreto prisional ter como fundamento apenas a quebra do acordo. STF.
1ª Turma. HC 138207/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 25/4/2017 (Info 862).

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
351 - Classifica-se pela doutrina como de forma livre o crime de curandeirismo por se admitir que
ele seja cometido por meio de qualquer comportamento que cause o resultado jurídico previsto
em lei.
Errado. O crime de curandeirismo está previsto no artigo 284 do Código Penal. De acordo com a
doutrina, trata-se de crime de ação vinculada, uma vez que o legislador descreve de forma
pormenorizada as condutas típicas que o configuram (incisos I, II e III do artigo 284 do CP):
Curandeirismo

Art. 284 - Exercer o curandeirismo:


I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;
II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III - fazendo diagnósticos:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica também sujeito à
multa.

352 - O crime de lavagem de dinheiro, ao contrário da receptação, não é autônomo porque não
prescinde do processo e do julgamento da infração penal antecedente.
Errado. O crime de lavagem de dinheiro, tal como a receptação, é autônomo e prescinde do processo
e do julgamento da infração penal antecedente. Nesse sentido:

PENAL. PROCESSUAL PENAL. RECURSOS ESPECIAIS. CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA. PECULATO-


DESVIO. ESTELIONATO CONTRA ENTE PÚBLICO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. USO DE DOCUMENTO
FALSO. FORMAÇÃO DE QUADRILHA. VIOLAÇÃO DO ART. 619 DO CPP. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA
PERICIAL. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA QUE NÃO SE VERIFICA NA
HIPÓTESE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. LEGALIDADE. IMPEDIMENTO DA
TURMA JULGADORA A QUO POR PRÉ-JULGAMENTO DA DEMANDA. NÃO OCORRÊNCIA. SUSPENSÃO
DO FEITO. DESNECESSIDADE. CONEXÃO E CONTINÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE
OBRIGATORIEDADE DE TRADUÇÃO OFICIAL DE TODOS OS DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS.
PREJUÍZO À DEFESA NÃO DEMONSTRADO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 236 DO CPP.
TIPIFICAÇÃO DAS CONDUTAS IMPUTADAS AOS RÉUS. REEXAME DO ACERVO PROBATÓRIO.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 07/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. ART. 59 DO CP. OBSERVÂNCIA. REEXAME
DA QUESTÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 07/STJ. RECURSOS DESPROVIDOS.
(...)
VII. Sendo, o crime de lavagem de dinheiro, autônomo em relação ao delito antecedente, não há
que se falar em prejulgamento decorrente do fato de ter a Turma julgadora a quo oficiado em ação
penal que apurava prática do crime de lavagem de dinheiro por um dos corréus da presente ação
penal, na qual são apurados delitos diversos.
(...)

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
(REsp 1183134/SP, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO
TJ/RS), Rel. p/ Acórdão Ministro GILSON DIPP, SEXTA TURMA, julgado em 21/06/2012, DJe
29/06/2012)

353 - Será pública e condicionada à representação a ação penal movida contra o agente que vier
a subtrair do tio dois mil reais guardados no armário da cozinha da casa onde ambos residam.
Nessa hipótese, o agente não poderá beneficiar-se da isenção de pena.
Correto. conforme artigos 181 e 182, inciso III do Código Penal:
Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em
prejuízo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003)
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.
Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido
em
prejuízo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003)

I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;


II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.

354 - Se, durante período de greve, três indivíduos grevistas apedrejarem um ônibus de uma
empresa prestadora de serviço público, de modo a impedir que esse serviço seja prestado, tal fato
tipificará o crime de dano qualificado, por envolver empresa concessionária de serviço público.
Errado. Tal fato será subsumido no crime previsto no artigo 200 do Código Penal:
Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem
Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando violência contra
pessoa ou contra coisa:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo único - Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é indispensável o concurso
de, pelo menos, três empregados.

355 - O crime de aliciar trabalhadores de um local para outro do território nacional é


plurissubjetivo porque só se o tipifica se houver pelo menos dois trabalhadores, uma vez que a lei
prevê o termo trabalhadores e não, apenas trabalhador.
Errado. O crime de aliciar trabalhadores de um local para outro do território nacional está previsto
no artigo 207 do Código Penal. A segunda parte da afirmação está correta, sendo exigido que a
conduta se dirija, no mínimo, a duas pessoas. Contudo, não se trata de crime plurissubjetivo, mas

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
sim unissubjetivo, pois é praticado por um único agente, admitindo, entretanto, o concurso de
pessoas.
Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional

Art. 207 - Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território
nacional:

Pena - detenção de um a três anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)
§ 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do
trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do
trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de origem. (Incluído pela Lei
nº 9.777, de 1998)
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa,
gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)

356 - Já decidiu o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão,
pode ser considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário
público ser elementar do tipo.
Correto. Embora seja o policial um funcionário público e essa a condição pessoal seja a elementar
do crime de concussão, tipificado no artigo 316 do Código Penal, o Supremo Tribunal Federal
entendeu ser possível considerar-se a condição pessoal de policial do sujeito ativo como uma
circunstância judicial negativa. No HC 132.990/PE, da relatoria do Min. Edson Fachin, o STF entendeu
que "(...) é valida a exasperação da pena-base quando, em razão da aferição negativa da
culpabilidade, extrai-se maior juízo de reprovabilidade do agente diante da conduta praticada (...)
embora a condição de funcionário público integre o tipo penal, não configura bis in idem a elevação
da pena na primeira fase da dosimetria quando, em razão da qualidade funcional ocupada pelo
agente, exigir-se-ia dele maior grau de observância dos deveres e obrigações relacionadas ao cargo
que ocupa. 3. Tendo em vista a condição de policial civil do atente, 'a quebra do dever legal de
representar fielmente os anseios da população e de quem se esperaria uma conduta compatível
com as funções por ela exercidas, ligadas dentre outros aspectos, ao controle e à repressão de atos
contrários à administração e ao patrimônio público, distancia-se, em termos de culpabilidade, da
regra geral da moralidade e probidade administrativa imposta a todos os funcionários públicos".
Com efeito, a assertiva contida neste item está correta.

357 - Acerca do direito penal, julgue os itens subsecutivos. Considere a seguinte situação
hipotética. Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro de origem e premiado em vários
concursos, que vive trancado dentro de casa. Em determinado dia, esse cão escapou da coleira,
pulou a cerca do jardim da casa de Henrique e atacou Lucas, um menino que brincava na calçada.
Ato contínuo, José, tio de Lucas, como única forma de salvar a criança, matou o cão. Nessa situação
hipotética, José agiu em legítima defesa de terceiro.
Errada. José agiu em estado de necessidade de terceiro e não em legítima defesa de terceiro. Art.
24, CP - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que
Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. Vale mencionar que, poderia ser caso de
legítima defesa se o autor da agressão utilizasse o animal como instrumento para praticar a lesão a
vítima.

358 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do
inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.
Correto. Conforme preconiza o artigo 51 da Lei 11.343/2006: Art. 51. O inquérito policial será
concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando
solto. Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido
o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

359 - Segundo a teoria da tipicidade conglobante proposta por Eugenio Raúl Zaffaroni, quando um
médico, em virtude de intervenção cirúrgica cardíaca por absoluta necessidade corta com bisturi
a região torácica do paciente, é CORRETO afirmar que; não responde por nenhum crime,
carecendo o fato de tipicidade, já que não podem ser consideradas típicas aquelas condutas
toleradas ou mesmo incentivadas pelo ordenamento jurídico.
Certa. Teoria da tipicidade conglobante considera que o Estado não pode considerar como típica
uma conduta que é fomentada ou tolerada pelo próprio Estado.

360 - Roberval foi definitivamente condenado pela prática de crime punido com reclusão de um a
três anos. Após o cumprimento de metade da pena a ele aplicada, adveio nova lei, que passou a
punir o crime por ele praticado com detenção de dois a quatro anos. Nessa situação, a lei nova
não se aplicará a Roberval, tendo em vista que sua condenação já havia transitado em julgado.
Errado. Com o advento de lei penal mais benigna (novatio legis in mellius), todos os efeitos dela
decorrentes desaparecem, nos termos do parágrafo único do artigo 2º do CP. É importante destacar
que há, inclusive, súmula do STF que trata da hipótese narrada no enunciado, embora
designadamente para fixar o órgão jurisdicional competente para aplicar o benefício penal. Senão,
vejamos o teor da referida súmula nº 611: “Transitada em julgado a sentença condenatória, compete
ao juízo das execuções a aplicação da lei mais benigna”.

361 - Em se tratando da chamada comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal


brasileiro, as condições e circunstâncias pessoais que formam a elementar do injusto, tanto básico
como qualificado, comunicam-se dos autores aos partícipes e, de igual modo, as condições e
circunstâncias pessoais dos partícipes comunicam-se aos autores.
Errado. Conforme o art. 30, do Código Penal, não se comunicam as circunstâncias e as condições de
caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.

362 - Apesar de, no campo fático, ser possível ocorrer a tentativa de contravenção penal, esta,
quando se desenvolve na forma tentada, não é penalmente alcançável.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
Correto. Conforme estabelece o artigo 4º do Decreto-lei 3.688/41: Art. 4º Não é punível a tentativa
de contravenção.

363 - A multa aplicada cumulativamente com a pena de reclusão pode ser executada em face do
espólio, quando o réu vem a óbito no curso da execução da pena, respeitando - se o limite das
forças da herança.
Errado. Embora o art. 51 do Código Penal em sua nova redação passou a considerar a pena de multa
como dívida de valor, ela não perde seu caráter criminal, não podendo, portanto, transcender à
pessoa do condenado (princípio da responsabilidade pessoal ou da intranscendência), nos termos
do art. 5º, XLV da Constituição da República.

364 - Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990, forem praticados por
servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a metade.
Errado. Os crimes previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990 são crimes nos quais as elementares do
tipo tem-se por o sujeito ativo do delito alguém que ostenta a condição de funcionário púbico nos
termos do art. 327 do Código Penal. Trata-se, portanto, de crimes funcionais, no exercício de função
especificamente ligada à ordem tributária. Demais disso, as causas de aumento de pena atinentes
aos crimes contra ordem tributária vêm previstas no art. 12 e não no art. 3º do diploma legal
mencionado.

365 - A responsabilidade objetiva é aquela que necessita da comprovação da culpa para a


imposição do dever de indenizar.
Errada, pois a responsabilidade objetiva independe da demonstração de culpa, nos termos do artigo
927, parágrafo único: Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente
de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

366 - No crime de descaminho, a mera reiteração criminosa nunca terá o condão de afastar a
aplicação do princípio da insignificância.
Errado. De acordo com o STJ, a reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da
insignificância nos crimes de descaminho, ressalvada a possibilidade de, no caso concreto, as
instâncias ordinárias verificarem que a medida é socialmente recomendável.

367 - Em caso de concurso formal de crimes, o perdão judicial concedido para um deles não
necessariamente deverá abranger o outro.
Correto. O fato dos delitos terem sido cometidos em concurso formal não autoriza a extensão dos
efeitos do perdão judicial concedido para um dos crimes, se não restou comprovada, quanto ao
outro, a existência do liame subjetivo entre o infrator e a outra vítima fatal. Ex: o réu, dirigindo seu
veículo imprudentemente, causa a morte de sua noiva e de um amigo; o fato de ter sido concedido
perdão judicial para a morte da noiva não significará a extinção da punibilidade no que tange ao

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
homicídio culposo do amigo. STJ. 6ª Turma. REsp 1444699-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado
em 1/6/2017 (Info 606).

368 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.
Errado. De acordo com a teoria extensiva, autor é todo aquele que concorre, de alguma forma, para
a consecução do resultado, isto é, é todo aquele que dá causa ao resultado. Assim, segundo a teoria
extensiva, não há distinção entre a figura do autor e a do partícipe.

369 - Os indivíduos A e B planejaram subtrair aparelhos eletrodomésticos de uma residência. Para


tanto, escolheram o período da manhã, pois estavam certos de que, nesse horário, não haveria
ninguém no imóvel. Cabia a B apenas a função de vigiar o perímetro externo e dirigir o veículo
usado na empreitada criminosa. Ao entrar na casa, A foi surpreendido pela presença da moradora
e, então, após subjugá-la, matou-a, tendo, em seguida, fugido no veículo guiado por B, levando os
eletrodomésticos subtraídos. Nessa situação, B não será responsabilizado pelo delito de
homicídio.
Correto. Nos termos do § 2º do art. 29 do Código Penal, se algum dos concorrentes quis participar
de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste. Cabe ressaltar que essa pena será aumentada
até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

370 - Julgue a assertiva. Configura-se tentativa incruenta no caso de o agente não consegui atingir
a pessoa ou a coisa contra a qual deveria recair sua conduta.
Certa. A tentativa é dividida quanto ao resultado produzido na vítima em: Incruenta ou branca: golpe
desferido não atinge o corpo da vítima, não gerando lesão efetiva, palpável à integridade corporal
do ofendido. Cruenta ou vermelha: a vítima é efetivamente atingida.

371 - Com relação a aspectos diversos pertinentes ao crime, julgue a assertiva. Diz-se consumado
o crime quando nele se reúnem, pelo menos, parte dos elementos de sua definição legal.
Errada. Deve reunir todos os elementos, e não só parte deles. Art. 14, CP - Diz-se o crime: I -
consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal.

372 - Julgue a assertiva. Se o agente oferece propina a um empregado de uma sociedade de


economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada com interesse exclusivamente
particular, incide em erro de tipo.
Certa. O erro de tipo é uma má apreciação da realidade fática. O agente pensou tratar-se de
funcionário de empresa particular, enquanto tratava-se de funcionário público. Em tese, praticaria
o crime de corrupção ativa. Percebam que não há elemento subjetivo (moral) em sua conduta. Desse
modo, afasta-se a tipicidade.

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373 - É correto afirmar que; o Erro de Tipo exclui o dolo, tendo em vista que o autor da conduta
desconhece ou se engana em relação a um dos componentes da descrição legal do crime, seja ele
descritivo ou normativo.
Certa. Tipo é o modelo genérico e abstrato, formulado pela lei penal, descritivo da conduta criminosa
ou da conduta permitida. Conceito de erro de Tipo: É a falsa percepção da realidade acerca os
elementos constitutivos do tipo penal.

374 - Julgue a assertiva a seguir. A tentativa, salvo disposição legal em contrário, é punida com a
pena correspondente à prevista para o crime na modalidade continuada, diminuída de um terço
até a metade.
Errada. Art. 14 - Diz-se o crime: II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente. Parágrafo único – Salvo disposição em contrário, pune-
se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

375 - Julgue a assertiva. O agente que, embora tenha iniciado a execução do crime,
voluntariamente impeça o resultado danoso responderá somente pelos atos por ele já praticados.
Certa. A assertiva refere-se ao instituto do arrependimento eficaz. Art. 15, CP - O agente que,
voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só
responde pelos atos já praticados.

376 - Ao peculato mediante erro de outrem se aplica, por expressa disposição legal, a causa
extintiva da punibilidade da reparação do dano anterior à sentença irrecorrível.
Errado. O crime de peculato mediante erro de outrem encontra-se tipificado no artigo 313 do Código
Penal, que assim dispõe: "Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo,
recebeu por erro de outrem". Em relação ao delito tratado neste item, não há expressa previsão
legal de extinção da punibilidade mediante a reparação do dano antes da sentença irrecorrível. Tal
previsão legal refere-se ao crime de peculato, quando ocorrer na modalidade culposa, nos termos
do artigo 312, §2º, do Código Penal. Sendo assim, a afirmativa contida neste item está errada.

377 - Com relação ao disposto na parte geral do Código Penal, é correto afirmar que; haverá
isenção de pena se o agente praticar o fato em estrito cumprimento de dever legal.
Errada. Isentar de pena é sinônimo de excludente de culpabilidade. O estrito cumprimento do dever
legal é excludente de ilicitude e não de culpabilidade.

378 - Considere que João, maior e capaz, após ser agredido fisicamente por um desconhecido,
também maior e capaz, comece a bater, moderadamente, na cabeça do agressor com um guarda-
chuva e continue desferindo nele vários golpes, mesmo estando o desconhecido desacordado.
Nessa situação hipotética, João incorre em excesso intensivo.
Errado. Segundo dispõe o art. 25 do Código Penal “Entende-se em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou
de outrem”. Se a agressão cessou, conforme narra o enunciado da questão, posto que o agressor já
se encontrava desacordado, João se excedeu extensivamente e não intensivamente, passando a agir,
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a partir da interrupção da agressão, sem o albergue da excludente de ilicitude. O excesso de legítima
defesa é intensivo quando o agente durante ou na iminência de uma agressão injusta emprega meios
desproporcionais à agressão sofrida ou em vias de ocorrer.

379 - Julgue a assertiva a seguir - São elementos do fato típico: conduta, resultado, relação de
causalidade e tipicidade.
Certa. Fato típico, portanto, pode ser conceituado como ação ou omissão humana, antissocial que,
norteada pelo princípio da intervenção mínima, consiste numa conduta produtora de um resultado,
que se subsume ao modelo de conduta proibida pelo Direito Penal, seja crime ou contravenção
penal. Do seu conceito extraímos seus elementos: conduta, nexo causal, resultado, tipicidade.

380 - O sujeito ativo que pratica crime em face de embriaguez voluntária ou culposa responde
pelo crime praticado. Adota-se, no caso, a teoria da conditio sine qua non para se imputar ao
sujeito ativo a responsabilidade penal.
Errado. A teoria da conditio sine qua non diz respeito à relação de causalidade entre o agente e o
crime. A embriaguez refere-se à culpabilidade do agente, não tendo relação com o nexo causal entre
a conduta e o resultado. Cuida, portanto, da capacidade do agente de entender o caráter ilícito de
sua conduta e de determinar-se de acordo com esse entendimento. No caso de embriaguez, a única
hipótese que afasta a culpabilidade é a de embriaguez fortuita. Quanto à embriaguez voluntária e à
culposa, incide a teoria do actio libera in causa, que não afasta a culpabilidade, porquanto ela é
aferida no momento em que o agente decide se embriagar ou em que não é ordinariamente
diligente para evitar que chegue ao referido estágio mental.

381 - Com relação à autoria delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de diminuição de pena nem
de diferentes graus de autoria, compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor
menos relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.
Errado. De acordo com a teoria extensiva, autor é todo aquele que concorre, de alguma forma, para
a consecução do resultado, isto é, é todo aquele que dá causa ao resultado. Assim, segundo a teoria
extensiva, não há distinção entre a figura do autor e a do partícipe.

382 - Julgue a Assertiva. Configura-se a desistência voluntária ainda que não tenha partido
espontaneamente do agente a ideia de abandonar o propósito criminoso, com o resultado de
deixar de prosseguir na execução do crime.
Certa. O agente, por manifestação exclusiva do seu querer, desiste de prosseguir na execução da
conduta criminosa. Trata-se da situação em que os atos executórios ainda não se esgotaram,
entretanto, o agente, voluntariamente, abandona o seu dolo inicial. Como se percebe, contenta-se
o legislador coma voluntariedade da desistência (não precisando ser espontânea), o que significa
que o instituo não se desnatura quando a decisão do agente, livre de coação, sofre influência
subjetiva externa.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.
383 - O crime de corrupção passiva, para consumar-se, depende de que o agente retarde ou deixe
de praticar o ato a que obrigado, ou que o pratique infringindo dever funcional.
Errado. O crime de corrupção passiva, tipificado no artigo 317 do Código Penal, é um crime formal,
bastando para a consumação do delito a conduta de "solicitar", "receber" ou ainda "aceitar
promessa", pois nesse caso já se reúnem todos elementos da definição legal do crime em referência.
A ocorrência do efetivo recebimento é um post factum impunível ou mero exaurimento.

384 - Em se tratando de legítima defesa, a agressão é injusta e a repulsa materializa-se em uma


ação predominantemente defensiva, com aspectos agressivos, ao passo que, tratando-se de
estado de necessidade, inexiste a agressão injusta, sendo a ação predominantemente agressiva,
com aspectos defensivos.
Certa. Estado de necessidade e legítima defesa são causas legais de exclusão da ilicitude (art. 23, I e
II, do CP) e têm em comum o perigo a um bem jurídico, próprio ou de terceiro. Contudo, não se
confundem. Na legítima defesa, o perigo provém de agressão ilícita do homem, e a reação se dirige
contra seu autor. Por outro lado, no estado de necessidade agressivo o perigo é originário da
natureza, de seres irracionais ou mesmo de um ser humano, mas, para dele se safar, o agente
sacrifica bem jurídico pertencente a quem não provocou a situação de perigo. No estado de
necessidade defensivo o agente sacrifica bem jurídico de titularidade de quem causou a situação de
perigo. Em alguns casos, contudo, a situação de perigo ao bem jurídico é provocada por uma
agressão lícita do ser humano que atua em estado de necessidade. Como o ataque é lícito, eventual
reação caracterizará estado de necessidade, e não legítima defesa.

385 - O comércio ilegal de drogas envolvendo mais de um estado faz surgir o tráfico interestadual
de entorpecentes, deslocando-se a competência para apuração e atuação da Polícia Federal,
todavia, a competência para processar e julgar o criminoso continua a ser da justiça estadual.
Correto. A competência para apuração e atuação da Polícia Federal nesse caso está prevista no artigo
144, §1º, inciso II, da Constituição Federal: Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: (...) § 1º A polícia federal, instituída por lei
como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se
a:"(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I - apurar infrações penais contra a
ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha
repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
(...) A competência para processar e julgar o criminoso, contudo, continua a ser da Justiça Estadual,
pois só será deslocada para a Justiça Federal se ficar caracterizada a transnacionalidade do delito (e
não meramente sua interestadualidade), conforme artigo 70 da Lei 11.343/2006: Art. 70. O processo
e o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional,
são da competência da Justiça Federal.

386 - É correto afirmar que: A tipicidade conglobante é um corretivo da tipicidade legal, posto que
pode excluir do âmbito do típico aquelas condutas que apenas aparentemente estão proibidas.
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Certa. A teoria da tipicidade conglobante do jurista argentino Eugenio Raúl Zaffaroni, visa explicar a
tipicidade (elemento integrante do fato típico) para o direito penal. Essa teoria basicamente entende
que o estado não pode considerar como típica uma conduta que é fomentada ou tolerada pelo
Estado. Em outras palavras, o que é permitido, fomentado ou determinado por uma norma não pode
estar proibido por outra. O juízo de tipicidade deve ser concretizado de acordo com o sistema
normativo considerado em sua globalidade. Se uma norma permite, fomenta ou determina uma
conduta não pode estar proibido por outra.

387 - O delito de sequestro e cárcere privado, inserido entre os crimes contra a pessoa, constitui
infração penal de ação múltipla, e a circunstância de ter sido praticado contra menor de dezoito
anos de idade qualifica o crime.
Errado. Considera-se crime de ação múltipla aquele em que o tipo penal prevê diversos núcleos
verbais como condutas a serem vedadas. O crime de sequestro e cárcere privado prevê apenas uma
conduta, que é a de privar alguém de sua liberdade. Como exemplos de crimes de ação múltipla
temos os de contrabando e descaminho previstos no art. 334 do Código Penal e também o de tráfico
de drogas, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343/06. A parte final do enunciado da questão, no entanto,
está correta, pois a circunstância de a vítima ser menor de dezoito anos é uma das qualificadoras do
crime de sequestro e cárcere privado, prevista no inciso IV do parágrafo primeiro do art. 148 do
Código Penal.

388 - Segundo o critério objetivo-formal da teoria restritiva, somente é considerado autor aquele
que pratica o núcleo do tipo; partícipe é aquele que, sem realizar a conduta principal, concorre
para o resultado, auxiliando, induzindo ou instigando o autor.
Correto. A teoria restritiva do autor é a adotada pelo CP, porquanto o caput e os §§ 1º e 2º do art.
29 faz a nítida distinção entre autor e partícipe. Essa teoria distingue autor de partícipe,
estabelecendo como critério distintivo a prática ou não de elementos do tipo. Assim, autor é aquele
que concorre para a realização do crime, praticando elementos do tipo. Co-autor é aquele que
concorre para a realização do crime, praticando parte do tipo, ou seja, ele presta uma ajuda
considerada essencial, dividindo tarefas essenciais ao crime (divisão de tarefas em sede de tipo). Já
o partícipe é aquele que contribui, de qualquer outro modo, para a realização de um crime, sem
realizar elementos do tipo.

389 - Julgue a assertiva. Mesmo quando o agente, de forma espontânea, desiste de prosseguir nos
atos executórios ou impede a consumação do delito, devem ser a ele imputadas as penas da
conduta típica dolosa inicialmente pretendida.
Errada. Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que
o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

390 - O crime de abandono de função é próprio e material, exigindo, para sua consumação, a
causação de prejuízo à Administração Pública.
Errado. O crime de abandono de função, previsto no artigo 323 do Código Penal, é um crime de mão
própria, uma vez que só pode ser praticado pessoalmente pelo funcionário público e um crime
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formal, bastando que o funcionário largue ou deixe ao desamparo o regular funcionamento dos
serviços públicos, ainda que não provoque efetivo prejuízo à administração pública.

391 - Julgue a assertiva a seguir - No ordenamento jurídico brasileiro, a imputabilidade penal é a


capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Certa. Segundo Damásio E. de Jesus a imputabilidade penal é o conjunto de condições pessoais que
dão ao agente capacidade para lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível. Sobre
outro enfoque temos o conceito de Heleno Cláudio Fragoso que define a imputabilidade como
condição pessoal de maturidade e sanidade mental que confere ao agente a capacidade de entender
o caráter ilícito do fato ou de se determinar segundo esse entendimento.

392 - Na Lei de Drogas, é prevista como crime a conduta do agente que oferte drogas,
eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa do seu relacionamento, para juntos a
consumirem, não sendo estabelecida distinção entre a oferta dirigida a pessoa imputável ou
inimputável.
Correto. O item está certo, conforme artigo 33, §3º, da Lei 11.343/2006.

393 - José, réu primário, após subtrair para si, durante o repouso noturno, mediante rompimento
de obstáculo, um botijão de gás avaliado em R$ 50,00 do interior de uma residência habitada, foi
preso em flagrante delito. Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item
subsecutivo, com base na jurisprudência dominante dos tribunais superiores a respeito desse
tema. O crime praticado por José é atípico em razão da incidência do princípio da insignificância.
Errada. A jurisprudência do STF, acompanhada pela do STJ, é firme no sentido da inaplicabilidade do
princípio da insignificância no caso do furto qualificado, ainda que primário e de pequeno valor a
coisa subtraída, devido a alto grau de periculosidade/ofensividade da conduta, quando praticada na
forma qualificada. Pessoal, não confundam insignificância com privilégio, uma vez que o privilégio
pode ser aplicado no furto qualificado (súmula 511 STJ).

394 - De acordo com a Lei Maria da Penha, nas ações penais públicas condicionadas à
representação da vítima de violência doméstica, admite-se a possibilidade de renúncia da ação
pela parte ofendida, em qualquer fase processual, sendo exigida, no entanto, a manifestação do
Ministério Público (MP).
Errado. Conforme preconiza o artigo 16 da Lei 11.340/2006: Art. 16. Nas ações penais públicas
condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à
representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do
recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.

395 - Em relação à natureza jurídica do concurso de agentes, o CP adotou a teoria unitária ou


monista, segundo a qual cada um dos agentes (autor e partícipe) responde por um delito próprio,
havendo pluralidade de fatos típicos, de modo que cada agente deve responder por um crime
diferente.
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Errado. No que se refere à natureza jurídica do concurso de agentes, o Código Penal adotou a teoria
monista ou unitária, que considera o crime, ainda quando praticado com o concurso de outras
pessoas, único e indivisível (CP, art. 29). O erro da questão está em afirmar que cada agente responde
por crime diferente, quando na verdade, como dito, o crime é único e indivisível. Por fim, cabe
ressaltar que a teoria monista ou unitária é adotada de forma temperada. Assim, admite-se a
punição menos severa do co-autor que quis participar de crime menos grave (CP, art. 29, § 2º).

396 - O agente que tenha desistido voluntariamente de prosseguir na execução ou, mesmo depois
de tê-la esgotado, atue no sentido de evitar a produção do resultado, não poderá ser beneficiado
com os institutos da desistência voluntária e do arrependimento eficaz caso o resultado venha a
ocorrer.
Certa. Se em qualquer caso de "tentativa abandonada" o resultado se consumar, não há que se falar
em desistência voluntária ou arrependimento eficaz.

397 - Já decidiu o Supremo Tribunal Federal que ser o sujeito ativo policial, no crime de concussão,
pode ser considerada circunstância judicial negativa, não obstante a condição de funcionário
público ser elementar do tipo.
Correto. Embora seja o policial um funcionário público e essa a condição pessoal seja a elementar
do crime de concussão, tipificado no artigo 316 do Código Penal, o Supremo Tribunal Federal
entendeu ser possível considerar-se a condição pessoal de policial do sujeito ativo como uma
circunstância judicial negativa. No HC 132.990/PE, da relatoria do Min. Edson Fachin, o STF entendeu
que "(...) é valida a exasperação da pena-base quando, em razão da aferição negativa da
culpabilidade, extrai-se maior juízo de reprovabilidade do agente diante da conduta praticada (...)
embora a condição de funcionário público integre o tipo penal, não configura bis in idem a elevação
da pena na primeira fase da dosimetria quando, em razão da qualidade funcional ocupada pelo
agente, exigir-se-ia dele maior grau de observância dos deveres e obrigações relacionadas ao cargo
que ocupa. 3. Tendo em vista a condição de policial civil do atente, 'a quebra do dever legal de
representar fielmente os anseios da população e de quem se esperaria uma conduta compatível
com as funções por ela exercidas, ligadas dentre outros aspectos, ao controle e à repressão de atos
contrários à administração e ao patrimônio público, distancia-se, em termos de culpabilidade, da
regra geral da moralidade e probidade administrativa imposta a todos os funcionários públicos".
Com efeito, a assertiva contida neste item está correta.

398 - Acerca do direito penal, julgue os itens subsecutivos. Considere a seguinte situação
hipotética. Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro de origem e premiado em vários
concursos, que vive trancado dentro de casa. Em determinado dia, esse cão escapou da coleira,
pulou a cerca do jardim da casa de Henrique e atacou Lucas, um menino que brincava na calçada.
Ato contínuo, José, tio de Lucas, como única forma de salvar a criança, matou o cão. Nessa situação
hipotética, José agiu em legítima defesa de terceiro.
Errada. José agiu em estado de necessidade de terceiro e não em legítima defesa de terceiro. Art.
24, CP - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que
não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
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sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. Vale mencionar que, poderia ser caso de
legítima defesa se o autor da agressão utilizasse o animal como instrumento para praticar a lesão a
vítima.

399 - Quando se tratar de crimes relativos ao tráfico de drogas, o prazo para a conclusão do
inquérito policial é de 30 dias, se o indiciado estiver preso e de 90 dias, se estiver solto, podendo
ser duplicados, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.
Correto. Conforme preconiza o artigo 51 da Lei 11.343/2006: Art. 51. O inquérito policial será
concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando
solto. Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido
o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.

400 - Segundo a teoria da tipicidade conglobante proposta por Eugenio Raúl Zaffaroni, quando um
médico, em virtude de intervenção cirúrgica cardíaca por absoluta necessidade corta com bisturi
a região torácica do paciente, é CORRETO afirmar que; não responde por nenhum crime,
carecendo o fato de tipicidade, já que não podem ser consideradas típicas aquelas condutas
toleradas ou mesmo incentivadas pelo ordenamento jurídico.
Certa. Teoria da tipicidade conglobante considera que o Estado não pode considerar como típica
uma conduta que é fomentada ou tolerada pelo próprio Estado.

Referências: Autoral (Paulo Rezende), Prof. Lúcio Valente, Prof. Rogério Sanches, Prof. Cleber Masson, Prof. Nestor Távora, Qconcuros, Site Dizer o Direito, Site STJ e STF.