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FORNO CERÂMICO DE 60 LITROS A LENHA OU A GÁS

Fonseca, J. B.(1)
Av. Mauro Ramos, 950 – cep 88000-000 – FLORIANÓPOLIS SC
fonseca@cefetsc.edu.br
(1) CEFETSC - GECC - Lab.Mat.Construção

RESUMO

Esse trabalho pretende desmistificar a etapa mais difícil da cerâmica artesanal,


que é a queima, principalmente devido à dificuldade do artesão em ter seu forno
próprio. Mostra a construção de um forno cerâmico de 60 litros, cilíndrico, vertical, de
fogo ascendente de queima a gás ou outro combustível, em todas as etapas de
construção. Para vencer certos obstáculos como: tamanho adequado, facilidade
para encontrar os materiais no mercado local, baixo custo e funcionamento sem
muita fumaça, optou-se por esse modelo batizado de Condor por ter sido inspirado
em fotos de trabalhos em paises latino-americanos e em protótipo construído pelo
autor no CEFET-MT. Na seqüência são apresentados croqui, métodos e tecnologia
de execução, fotos e orçamento dos materiais utilizados, funcionamento e
rendimento do mesmo.

PALAVRAS-CHAVE

Forno cerâmico, cerâmica artesanal, forno próprio, forno a gás

INTRODUÇÃO

Quando proposto a desmistificação da construção de um forno, foi baseado na


dificuldade encontrada para se construir um, simples, relativamente pequeno e que
atendesse a artesões que trabalham em casa e com baixo poder aquisitivo, que é o
perfil mais comum em programas de extensão, quando se ensina a cerâmica em
bairros carentes socialmente, mas ricos em criatividade. À medida que esses
artesões evoluem e dão asas ao seu dom, crescem também suas necessidades,
separam um “canto” ou cômodo da casa, uma mesa, prateleiras e alguns utensílios
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domésticos ou que eles mesmos fabricam, como bacias, tigelas, garfos, facas,
estiletes, estecas, etc. A matéria prima, a argila, hoje não é tão simples de ser
extraída de um barranco ou várzea, a legislação é rigorosa quanto a sua retirada da
natureza, sem planejamento e projeto de mineração , porém em núcleos de oleiros e
cerâmicas menores é comum encontrar aqueles que vendem argilas retiradas de
jazidas legalmente autorizadas e, preparadas, umedecidas e homogeneizadas, a um
preço bem acessível, além de lojas especializadas que vendem todo tipo de argilas
e misturas para os mais diferentes trabalhos.
“Façamos então a cerâmica: amassa-se o barro, molda-se, seca-se...”, porém
na hora de queimar o obstáculo maior para o artesão é o Forno. Qualquer forno
alternativo de baixo custo não tem uma queima homogênea, tem baixa produtividade
e baixa queima sem possibilidade de esmaltação.
A proposta deste trabalho é dar a esses profissionais nessa etapa, um forno de
qualidade e baixo custo, que eles mesmos possam construir, sem grandes gastos,
sem necessidade de acesso a literaturas especializadas, consultorias, contratar
profissionais ou cursos para edifica-lo. Ainda construí-lo com queimador especial
para lenha com cinzeiro ou gás, já que o valor do maçarico a gás representa 45%
do valor total do forno.
Assim etapa mais difícil da cerâmica artesanal, que é a queima, se torna mais
simples, prazerosa também pela realização da construção e surpreendente com os
resultados obtidos num forno próprio, onde se pode controlar a carga e queima
quando e como bem aprouver ao artista, o que não acontece em queima cedida em
fornos de terceiros, coletivos ou de instituições.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi construído um forno protótipo, no atelier do autor, batizado de “El Condor”,


na locação foi usada uma caixa e estrutura de escada desativada no quintal, como
isolamento térmico.

Para a construção deste forno cerâmico de 60 litros, cilíndrico, vertical, de fogo


ascendente de queima a gás ou outro combustível, foi usado em todas as etapas de
construção apenas:
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a) um tambor cilíndrico de ferro de 200 l. medindo 120 cm de altura e 60 cm de


diâmetro;
b) 60 tijolos prismáticos retangulares, refratários, maciços, medindo 23 x 11 x 5
(cm), do tipo usado em fornalhas industriais;
c) 12 placas prismáticas retangulares, refratárias, maciças, medindo 23 x 11 x 5
(cm), do tipo usado em revestimento de churrasqueiras;
d) 12 tijolos prismáticos retangulares, refratários, maciços, com 10 furos de φ =
20 mm, medindo 23 x 11 x 5 (cm), do tipo usado em fundo de churrasqueiras para
apoio de espetos;
e) 5 sacos de terra refratária de 20 kg cada, para assentamento da alvenaria.
A compra desse material foi feita no comércio de materiais de construção local
e gastou-se em torno de 20 horas de trabalho para montar o forno, o custo atual
desse material é apresentado no orçamento abaixo:

Pr. Unit. Pr. Total


Item Discriminação Unid. Qtde. %
( R$ ) ( R$ )
a tambor cilíndrico un 01 10,00 10,00
tijolos prismáticos retangulares,
b refratários, maciços, medindo 23 x un 65 1,50 97,50
11 x 5 (cm)
placas prismáticas retangulares,
c refratárias, maciças medindo 23 x un 15 1,00 15,00
11 x 5 (cm)
tijolos prismáticos retangulares,
refratários, maciços, com 10 furos
d un 15 4,50 67,50
de φ = 20 mm, medindo 23 x 11 x
5 (cm)
e sacos de terra refratária de 20 kg un 05
Sub-total sem o queimador R$ 190,00
Queimador a gás com mangueira un 01 150,00 150,00
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e registro, sem bujão


Total com o queimador R$ 340,00
TREZENTOS E QUARENTA REAIS, EM SANTA CATARINA, ABRIL DE 2004

Tabela 01 – Orçamento do material empregado na construção do forno.

De posse dos materiais, localiza-se o tambor no local definitivo do forno, já que


seu peso ultrapassa a 300 kg e uma vez construído fica difícil sua mudança de local.
Deve-se observar bem o local antes de instala-lo:
Š ventos dominantes pelas costas ou laterais;
Š longe de construções de madeira ou outro material combustível;
Š a fumaça principalmente no inicio da queima, incomoda aos vizinhos;
Š superfície de apoio deve ser seca, resistente e nivelada;
Š plantações e árvores podem ser afetadas e até perecer devido ao calor;
Š construir uma cerca de proteção para evitar o acesso de crianças e animais;
Š manter um raio de afastamento de pelo menos 3,0 metros ou construir uma
proteção térmica;
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Figura 01 – Croqui para a construção do forno

Para construir o forno, uma vez locado o tambor deve-se seguir o roteiro
abaixo:
a) retirar sua tampa superior e reservá-la para tampa do forno e
fazer a abertura lateral para porta da fornalha e cinzeiro medindo
40 cm de altura por 20 cm de largura, esse serviço pode ser
facilitado quando dispomos de uma serra elétrica p/metais ou com
um custo relativo cortamos o tambor numa serralharia;
b) assentar o piso de placas refratárias no fundo do tambor, não se
preocupar c/o acabamento na circunferência do mesmo, pois será
coberta pelos tijolos da parede;
c) na parede do cinzeiro assentar os tijolos “em espelho” (h = 11
cm), inclusive uma fiada no meio em direção a porta, para apoio
da grelha da fornalha;
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d) a grelha da fornalha, pode ser construída com placas refratárias,


se a queima for a gás e esporadicamente a lenha. Porém para
fornos exclusivos para lenha deve-se construí-la com tijolos
refratários, com 10 furos. Tanto as placas quanto os tijolos devem
se apoiar nas paredes laterais e na fiada central; como no piso:
não se preocupar c/o acabamento na circunferência, pois será
coberta pelos tijolos da parede, apenas no centro, para evitar
atritos e arrancamento com o uso de lenha;
e) a parede da fornalha, deverá ser construída com tijolos
refratários, maciços, “a prumo” (h = 23 cm).
f) a grelha do forno, deve-se construí-la com tijolos refratários com
10 furos, independente do combustível utilizado. É a parte
estruturalmente mais importante do forno, pois tem que suportar a
carga e deixar passar o calor da combustão, e não deve ter apoio
central, para não diminuir o espaço na fornalha. A colocação deve
privilegiar essas duas características;

figura 02 – Posição dos furos dos tijolos na grelha do forno

g) a parede do forno, deverá ser construída com tijolos refratários,


maciços, “à prumo” (h = 35 cm). As juntas de assentamento
horizontais devem ser “amarradas” para maior estabilidade, como
na figura abaixo.
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figura 03 – Amarração horizontal da parede do forno

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O funcionamento do forno a julgar pela primeira queima do protótipo construído


foi satisfatória, com duas horas de “fogacho” (queima em baixa temperatura para
completar a secagem) e aumento da temperatura até 950 ºC em mais 3 horas de
fogo alto, a gás, com consumo aproximado de 1,0 kg de gás/hora foram queimadas
32 peças, a um custo aproximado de R$ 0,35 por peça. A cada queima deve-se
adaptar os patamares de temperatura às necessidades do material processado

CONCLUSÕES

A queima foi feita com um maçarico comum para queima de GLP, vendido pela
“Arte Brasil Cerâmica” de SP. E o controle da temperatura foi feito com um termopar
do tipo K e um medidor “digital multimeter DT9977”
Pode-se afirmar que independente do combustível a ser utilizado, a perda de
energia do sistema é muito pequena e o tempo para se atingir o patamar máximo
proposto depende da alimentação do mesmo.
Quanto ao desempenho depende de variáveis controláveis na operação,
locação e carga cabendo a cada operador estabelecer os limites do seu conjunto.

AGRADECIMENTOS

Aos Centros Federais de Educação Tecnológica de Santa Catarina e de Mato


Grosso e Escola de Oleiros de São José (SC), pela oportunidade de pesquisa,
construção e extensão à comunidade.
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REFERÊNCIAS PARA CONSULTAS

RHODES, Daniel; “Hornos para ceramistas”, 1ª edición; Barcelona, Espanha,


Ediciones CEAC, 1987.
FRICKE, Johann, “A cerâmica”, trad. Maria do Carmo Cary, 4ª edição; Lisboa,
Editorial Presença, 1977.
WALLNER, Linde, “A introducción a la cerámica”, trad. Blanca del Cerro;
Madrid, Editorial Ágata, s/d.

TITLE

CERAMIC OVEN OF 60 LITERS THE FIREWOOD OR THE GAS

ABSTRACT

This work intends to mainly demystify the stage most difficult of the artisan ceramics,
that are the burning, due to difficulty of the artisan in having its proper oven. It shows
the construction of cylindrical, vertical a ceramic oven of 60 liters, of ascending fire of
burning the gas or another fuel, in all the stages of construction. To win certain
obstacles as: size adjusted, easiness to find the materials in the local market, low
cost and functioning without much smoke, was opted to this baptized model of
Condor for having been influenced in photos of works in Latin American countries
and prototype constructed for the author in Cefet-MT. In the sequence they are
presented croquis, methods and technology of execution, photos and budget of the
used materials, functioning and income of exactly.

KEY-WORD: ceramic oven, ceramic artisan, proper oven the gas


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