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CORREÇÃO DA FICHA FORMATIVA

GRUPO I

1. O texto refere-se ao senso com um (conhecimento vulgar). A "experiência


comum" a que o texto se refere é a experiência sensorial, ingénua, não
mediada racionalmente, através da qual contactamos com a realidade na
nossa vida quotidiana.
Essa experiência espontânea dá-nos um conhecimento superficial da
realidade, embora esse conhecimento possa ser muito variado, não é
suficiente para ficarmos com uma visão sistemática do mundo.
O texto refere, ainda, que essa experiência "raramente é
acompanhada por qualquer explicação": o conhecimento vulgar, ao
contrário do que se passa com a ciência, não é explicativo, não procura
descobrir as causas reais dos fenómenos. Isto porque se trata de um
conhecimento que tem uma forte componente prática, é constituído por
segmentos de informação que nos permitem funcionar no mundo em que
vivemos: como acender a luz, como abrir uma fechadura, como apanhar um
autocarro, como usar uma ferramenta, etc., não necessitando, assim, de
grandes explicações.

2. É difícil selecionar as três características mais importantes da ciência,


porque muitas dessas características estão interligadas. Mas podemos
procurar os pontos de encontro das principais características da ciência:
A sistematicidade, o carácter metódico, o carácter explicativo, a
revisibilidade, entre outras, remetem para o facto da ciência ser um saber
racional: o senso comum é um saber empírico, ou seja, é um saber que
deriva de forma direta e acrítica da experiência quotidiana, sem 'filtros' que
lhe garantam o rigor e sem a obediência a princípios lógicos que lhe
garantam a coerência.
Pelo contrário, a ciência é um saber altamente testado, sofisticado do
ponto de vista lógico e conceptual, que procura explicar o funcionamento da
realidade (natureza, universo...). Este objetivo só é alcançável através
da problematização: o carácter racional da ciência evidencia-se na
problematização - ao colocar problemas, o cientista aprofunda o seu
conhecimento da realidade, coloca-se na posição de quem mergulha para lá
da superfície da experiência sensorial e vai ao fundamento de toda a
explicação: as causas ocultas dos fenómenos. E não estamos perante
nenhuma forma de 'ocultismo': as aparências sensoriais escondem o que de
facto acontece na complexíssima fábrica do mundo, a constituição da

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matéria, as forças que atuam sobre os corpos, enfim, tudo o que está para
além da imediatez do conhecimento sensorial.

Na problematização está pressuposta uma atitude crítica em relação


aos dados da experiência, mas também em relação às explicações racionais:
em ciência o dogmatismo funciona como um travão à descoberta, por isso
as conclusões alcançadas são encaradas como boas respostas aos problemas
que, no futuro, poderão ser substituídas por outras melhores. A ciência é,
portanto, revisível, pode ser melhorada, com vista a que se encontrem
explicações mais verdadeiras.

Outra característica da ciência que podemos destacar é a sua


dimensão factual: a ciência assenta em factos, o que torna muito importante
a experiência na sua construção. Mas já não se trata da experiência sensorial,
tal com acontece ao nível do quotidiana, trata-se, pelo contrário, de uma
experiência mediada racionalmente, que incorpora elementos
metodológicos necessários ao cumprimento das metas da investigação:
como observação, a experiência assume em ciência uma dimensão
instrumental e quantitativa, os cientistas observam os fenómenos utilizando
instrumentos que lhes permitem ultrapassar as lacunas do conhecimento
dos sentidos (que estão na base da argumentação cética e cartesiana). A
observação científica assenta na medida, pelo que grande parte dos
instrumentos de observação científica são instrumentos de medida ou têm
na medição a razão de ser do seu funcionamento. Só assim é possível
recolher dados quantitativos, objetivos, que podem ser trabalhados com
base em instrumentos de análise matemática. Assim se ultrapassa o
subjetivismo do conhecimento vulgar e se pode alcançar um conhecimento
objetivo.
Mas a experiência em ciência também assume uma dimensão
experimental: os cientistas, depois de formularem hipóteses explicativas,
testam-nas construindo experiências que reproduzem os fenómenos
naturais em situações controladas, frequentemente em laboratório. Aí a
experiência é depurada de todos os elementos que possam introduzir
imprecisões ou confusão para que se possa aquilatar com rigor as relações
causais que produzem os fenómenos.

Por fim, podemos destacar a importância do conhecimento científico


para a evolução histórica da humanidade. É que a ciência está na base da
tecnologia e, através desta, te um impacto crescente na vida dos seres
humanos e das sociedades. Vivemos hoje numa sociedade do
conhecimento, em que se assiste a uma galopante sucessão de inovações

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tecnológicas que, de forma muito rápida, mudam a sociedade e a nossa vida,
trazendo novas formas de comunicar, mais poder reivindicativo para os
cidadãos, um alargamento inaudito da esperança média de vida e um acesso
à informação e ao saber nunca antes experienciado.

Estas mudanças profundas são possíveis graças à ciência e ao seu


sentido progressivo: a ciência está sempre em evolução e, por isso, serve de
motor da História, provoca transformações nas formas de pensar, nas
relações sociais, nas transações económicas, no fundo em tudo o que faz a
malha cada vez mais complexa da cultura e da sociedade que são a base da
vida humana.

O senso comum, pode, pelo contrário, ser considerado conservador,


uma vez que é um repositório acrítico de conhecimentos dispersos, onde o
novo se confunde com o ancestral e o irracional muitas vezes trava a marcha
da racionalidade.

GRUPO II

1. De acordo com Karl Popper as teorias científicas não podem


ser verificadas.
Em primeiro lugar, para haver lugar à verificação das teorias (que são
universais) teria que ser possível conhecer todos os fenómenos explicáveis
com base na teoria, ou ter um princípio de indução capaz de garantir à
indução a possibilidade de derivar a verdade da conclusão da verdade das
premissas (o que é uma característica da validade dedutiva).
Karl Popper, seguindo na esteira de David Hume, rejeita o indutivismo
que é a base do verificacionismo: quando se fazem testes experimentais às
teorias não se pode pretender verificá-las, uma vez que é impossível garantir
a verdade de conclusões universais a partir de premissas particulares, pois é
sempre possível que existam exceções à teoria que ainda não foram
observadas.
Sendo assim, a única forma de corroborar as teorias será através do
princípio da falsificabilidade: a aparente fraqueza das teorias científicas, a
sua inverificabilidade, é, no entanto, a sua força. ou seja, o que garante a
fecundidade da investigação científica e a revisibilidade evolutiva da ciência.
Uma teoria só é científica se for falsificável, isto é, se, a partir do momento
em que é formulada, abre as portas à possibilidade da sua falsificação.
A falsificabilidade é, por isso, o critério de demarcação que permite
separar a ciência da não-ciência. O conhecimento científico não é dogmático
nem evolui por acréscimos sucessivos de novas verdades, pelo contrário, a
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ciência avança, sim, mas pela eliminação do erro, não pela afirmação de
verdades absolutas. Isto não quer dizer que na ciência não existem certezas:
quando uma teoria é falsificada pela experiência há a certeza, absoluta e
irrevogável, de que a teoria é falsa e deve ser substituída por outra melhor,
mais ajustada à experiência.

2. De acordo com Karl Popper o conhecimento científico é objetivo porque


se baseia na observação da realidade, tendo, por isso, uma base
observacional e factual. Os factos não são construídos pelo sujeito
cognoscente, embora sejam abordados observacionalmente a partir dos
interesses de quem investiga: a observação científica é orientada pela
problematização que, por sua vez, pressupõe uma participação ativa do
sujeito na busca e construção do saber.
No entanto os fenómenos observados em ciência têm uma dimensão
positiva, factual e empírica, que não depende da natureza do sujeito
cognoscente nem das condições subjetivas e culturais em que o
conhecimento se desenrola. É isto que permite garantir o rigor da ciência e
a corroboração das teorias.
No caso de Thomas Kuhn a resposta será radicalmente diferente: a
ciência não é objetiva porque a definição do objeto da ciência depende do
paradigma que serve de base à prática de cada comunidade científica. Sendo
assim a própria forma como a realidade é entendida depende das
orientações paradigmáticas e são estas que vão permitir decidir o que é ou
não objeto da ciência e o que os cientistas devem poder esperar do seu
objeto de investigação.
Quando muda o paradigma muda também a forma com os cientistas
encaram os objectos por si estudados. Há a possibilidade de surgirem novas
formas de conceber os objectos investigados e investigáveis, de abandonar
as anteriores categorizações que diziam aos cientistas que tipos de ser
poderiam encontrar na natureza e quais as relações que se podem
estabelecer entre os diversos elementos da realidade. Se na Idade Média a
existência dos anjos era praticamente inquestionável, hoje em dia os
mesmos não passam de seres pertencentes ao campo do imaginário,
completamente desprovidos da possibilidade de virem a ser considerados
como objectos de qualquer conhecimento científico.
Os cientistas são influenciados por fatores subjetivos, mas a existência
de crítica aberta na comunidade científica permite filtrar os preconceitos
individuais. A objetividade da ciência não resulta do «espírito imparcial» dos
cientistas, considerados individualmente. Resulta da possibilidade de se
realizarem testes empíricos às teorias – testes passíveis de reprodução.