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Mente Curiosa - Ano 3, Nº 54 - Abril - 2019

PRECISA
REMEDIAR?
Em alguns casos, é
necessário aliar a
medicação à terapia

AJUDA
PROFISSIONAL
Descubra qual
especialidade ajuda a
resolver o seu problema

EQUILÍBRIO PARA A
MENTE!
Entenda como a psicologia age
no tratamento de transtornos
como ANSIEDADE, TOC e FOBIAS
editorial
De volta ao equilíbrio
É disso que a vida é feita: equilíbrio. processo pode não sair como o espe-
Acontece uma coisa ruim aqui, outra rado, causando um transtorno emo-
coisa boa ali, vem um mau humor de cional. É aí que entram profissionais
vez em quando, mas o bom humor como psiquiatras e psicólogos: jun-
também. Existe tristeza nos dias, mas tos, eles investigam as causas do de-
há muita alegria. É o que deve aconte- sequilíbrio e trabalham para devolver
cer com a nossa mente mas, para que a qualidade de vida ao paciente. Se
os sentimentos ruins não passem a você sente que há alguma disfunção
pesar mais do que os bons, o cérebro na sua mente, não hesite em procu-
precisa funcionar corretamente e isso rar ajuda, pois é possível viver emo-
depende da liberação e do aproveita- cionalmente saudável. Boa leitura!
mento adequado de diferentes neu- Marisa Sei, editora
rotransmissores. Às vezes, algo nesse marisa.sei@astral.com.br

Toque para ir na matéria desejada

DIFERENTES ALÍVIO PARA FIM DO CÉREBRO


ESPECIALIDADES A MENTE TRATAMENTO REMEDIADO
Qual profissional Entenda como a Cada caso Medicações, só
é o mais indicado psicologia trata demanda um com orientação
para você? os diferentes tempo de médica
transtornos terapia periódica!

sumário
Diferentes
ESPECIALIDADES
Saiba qual profissional voltado à saúde mental é mais
indicado quando surgem distúrbios relacionados à psique

P
ense um pouco e responda a se- alternativas são mesmo passíveis de serem
guinte pergunta: caso você estives- assinaladas. Entretanto, a última opção (letra
se com dificuldades relacionadas à d), que comumente causa confusão nas pes-
sua saúde mental ou emocional, soas, é uma afirmação falsa e até um tanto
qual profissional você deveria procurar para quanto problemática.
realizar seu tratamento? Quando alguém necessita de ajuda profis-
(a) Psiquiatra sional para resolver algum transtorno da men-
(b) Psicanalista te, por vezes, não sabe a qual especialista
(c) Psicólogo recorrer. E, mesmo que todos esses profis-
(d) São todos o mesmo tipo de profissional sionais possam estar, de certa forma, inter-
Se você não sabe a resposta correta des- ligados, cada um atuará sobre o problema
sa pergunta não se preocupe, afinal, todas as conforme suas características e especifici-
dades. Entenda como funciona o trabalho de PSICANALISTA
cada um desses mestres da mente e quan- A psicanálise, na verdade, é uma forma de
do recorrer a cada um deles. terapia teorizada pelo neurologista austríaco
Sigmund Freud. Tal procedimento busca ou-
PSICÓLOGO vir o que o paciente tem a dizer sobre suas
Segundo a professora e psicóloga Valéria dificuldades a fim de ajudá-lo a superá-las.
Lopes da Silva, o psicólogo “é o profissional O psicanalista, especialista que executa
preparado para lidar com o sofrimento afeti- essa forma de tratamento, busca investigar
vo humano em seus vários âmbitos”. A ênfa- elementos vivenciados pelo indivíduo que po-
se dele, continua o psicólogo clínico Alexandre dem ter causado um trauma e, consequente-
Rivero, “é nos métodos terapêuticos, consi- mente, a sequência de sintomas desde então.
derando o desenvolvimento e a personalida- Esse profissional, por meio de associações li-
de do seu paciente”. Em outras palavras, a vres, consegue estimular um melhor autoco-
função desse profissional é a de tentar com- nhecimento por parte do paciente e, assim,
preender o papel das funções mentais no fazê-lo reviver seu trauma (enraizado no ins-
comportamento individual e social, analisan- consciente) para que o tratamento comece a
do também os processos fisiológicos e bio- surtir os primeiros efeitos.
lógicos que acompanham cada pessoa. Para Por vezes, o psicólogo trabalha de maneira
exercer sua função, esses profissionais ex- a aliviar ou abrandar o sintoma apresentado
ploram conceitos como percepção, cognição, pelo indivíduo. “Muitas vezes, o final do traba-
inteligência, atenção, emoção, relacionamen- lho se dá justamente aí”, comenta a profes-
tos interpessoais, motivação, comportamen- sora Valéria. Já o psicanalista, além de poder
to, personalidade, entre outros. trabalhar no caminho terapêutico, fará “uma
extensa investigação do material inconscien- toso dos transtornos mentais apresentados
te desse sujeito, pois sabe que, se somente pelo paciente – geralmente atuando em de-
o sintoma for tratado, o conflito inconscien- sordens mais severas.
te que o originou provavelmente levará a um Outra das principais diferenciações é que
novo sintoma. Daí a importância de se che- ao psicólogo interessa mais saber as causas
gar o mais próximo possível do conflito incons- motivadoras do adoecimento mental daquela
ciente”, complementa a profissional. pessoa e, quanto ao psiquiatra, busca-se o tra-
tamento fisiológico efetivo daquele transtorno.
PSIQUIATRA Porém, muitos dos profissionais defendem
Dentre todos esses especialistas, a maior que a psiquiatria e a psicologia precisam ca-
diferenciação que temos é entre o psiquiatra minhar lado a lado em prol do paciente. “Um
e o psicólogo. A primeira grande distinção é psiquiatra pode tratar com medicação um
entre a graduação acadêmica de ambos. Para caso de ansiedade e encaminhar para trata-
atuação como psiquiatra, o indivíduo deve cur- mento psicológico conjunto. Já o psicólogo
sar seis anos de medicina e realizar mais dois pode estar atendendo um paciente em sepa-
ou três de residência em psiquiatria. Quanto ração conjugal e solicitar avaliação psiquiá-
ao psicólogo, é preciso ter uma graduação de trica por desconfiar que o paciente começou
cinco anos em psicologia e, posteriormente, a desenvolver um transtorno depressivo”, re-
fazer uma especialização na área que deseja vela a psiquiatra Licia Milena de Oliveira. Es-
abordar. Já o psiquiatra é um médico graduado ses exemplos são algumas demonstrações
que se especializou para realizar a identifica- de como essas formas terapêuticas específi-
ção, o diagnóstico e o tratamento medicamen- cas podem estar associadas.
QUEM CUIDA DE QUÊ?
Consultamos vários psiquiatras e psicólogos a fim de
saber quais transtornos, problemas emocionais e do-
enças são tratados por quais profissionais. Mesmo
que a tabela reúna os principais, quem irá averiguar o
melhor caminho de tratamento são os profissionais,
dependendo dos sintomas e a intensidade de cada
um deles manifestados pelo paciente.

Psicanalista
Transtornos alimentares Psicólogo
Fobia Autismo
Angústia Borderline
Dificuldades sexuais Depressões
Compulsões Desemprego
Depressão Pânico
Adições Paranoias
TDAH
TOC
Psiquiatra Transtorno bipolar
Alucinações Luto
Ansiedade com delírios
Ideias suicidas
Problemas de memória
Esquizofrenia
Transtorno bipolar

<
CONSULTORIAS Alexandre Rivero, psicólogo clínico e supervisor clínico; Chris
Vilhena, mestre em teoria psicanalítica, psicóloga e coach; Valéria Lopes da
Silva, coordenadora do curso de psicologia da Anhanguera de Anápolis (GO); Toque aqui para
Cristiane M. Maluf Martin, psicanalista; Licia Milena de Oliveira, psiquiatra e retornar ao índice
professora da Medcel | FOTOS Shutterstock Images
Alívio para A psique humana pode
receber auxílio da

A MENTE
psicologia, psiquiatria e
outras áreas em casos de
transtornos. Saiba como

C
omo as psicoterapias ajudam as des para resolver problemas, aprendendo a
pessoas a buscarem uma vida me- lidar com angústias emocionais de modo ra-
lhor? De forma geral, depressão, cional e consciente”, explica a psicóloga Mo-
estresse, dificuldades de relaciona- nica Campelo.
mento social ou amoroso e TOC são adoeci- Porém, dependendo da complexidade de
mentos que pertencem ao grupo das neuroses. cada caso e seus sintomas, pode ser neces-
“Portanto, o trabalho terapêutico ajuda o su- sário o acompanhamento do psiquiatra, com
jeito a libertar-se da escravidão ao domínio a introdução da medicação ou a internação.
do outro e trilhar caminhos mais autônomos”, De qualquer forma, ambos os profissionais
indica Valéria Lopes da Silva, professora e podem trabalhar em conjunto a fim de buscar
psicóloga. a melhoria do bem-estar mental do paciente.
Durante o processo terapêutico, o traba- A seguir, veja como as psicoterapias aju-
lho do psicólogo é participativo e didático. “Ao dam em casos de distúrbios da mente e pro-
final, o paciente irá adquirir novas habilida- blemas emocionais.
ANSIEDADE DEPRESSÃO
Esse tipo de alarme interno no ser huma- Esse transtorno pode ter fatores biológicos,
no atua a fim de sobrevivermos em momen- mentais e sociais em seu desenvolvimento.
tos de perigo, preparando o corpo para uma “Muitas vezes, não é a tristeza o fator marcan-
ação imediata, como a fuga. O problema sur- te, mas a desesperança em relação ao futuro,
ge quando esse alarme fica desregulado, e falta de sentido e ausência de sentimentos.
a mente acha que a ameaça está eminente Pode afetar concentração, raciocínio e memó-
a todo o tempo. ria devido ao desinteresse nas coisas do mun-
As causas podem envolver períodos de do”, alerta a psicóloga clínica Andréia Pioto.
estresse, pressão ou medo, cobranças so- Em busca de ajuda:
ciais, responsabilidades e expec- “Há questões emocionais que
tativas individuais excessivas. precisam ser elaboradas.
Dessa forma, o problema Quando a tonalidade é
pode evoluir para um a desesperança, o me-
transtorno de ansieda- lhor é ter foco não em
de generalizada ou a causas do passado,
síndrome do pânico. mas no projeto futu-
Em busca ro que necessita ser
de ajuda: realizado no presen-
Várias linhas de te”, explica Andréia.
psicoterapia aten- “A psicoterapia
dem a um quadro de pode ajudar a pessoa
ansiedade. Quando a a identificar e modificar
contribuição da psicolo- as crenças e comporta-
gia não basta, o tratamento mentos que produzem esse
pode exigir medicações. “As mais humor e aprender formas de lidar
utilizadas são os antidepressivos, não por- com os problemas”, revela a psicoterapeuta
que os pacientes estejam deprimidos, mas Myriam Durante.
porque a química dessas drogas também têm O auxílio, a compreensão e o apoio da fa-
efeito como redutora da ansiedade”, aponta mília e dos amigos contribuem no tratamento,
o psiquiatra e professor de psicologia Alfre- que pode incluir medicamentos. Os antide-
do Simonetti. pressivos agem no desequilíbrio químico no
Os benzodiazepínicos (que eliminam sinto- cérebro, “aumentando a quantidade neuro-
mas de ansiedade e medo) e ansiolíticos (que transmissores na fenda sináptica”, ou seja, au-
proporcionam efeitos calmantes) podem ser xiliando na comunicação entre os neurônios,
receitados por psiquiatras. Além disso, exer- segundo o psiquiatra Adriano Segal. Outras
cícios físicos, acupuntura, meditação, min- atividades, envolvendo arteterapia, exercícios
dfulness, ioga, hipnoterapia e fitoterapia são físicos, meditação e acupuntura, podem con-
empregados para complementar o tratamento. tribuir (e muito) para a melhora do quadro.
ESTRESSE TDAH
Consiste em um tipo de resposta natural do O transtorno do déficit de atenção com hi-
organismo, envolvendo mudanças fisiológicas peratividade (TDAH) é reconhecido pela Orga-
que o preparam para usar sua energia arma- nização Mundial da Saúde (OMS) e conhecido
zenada imediatamente. Porém, essa pressão pela perda na concentração. Porém, “com-
pode transcender a capacidade de lidar com promete a aprendizagem, o funcionamento
conflitos e situações do dia a dia. “O estres- cognitivo e a elaboração do raciocínio. O pen-
se vem crescendo no mundo, desencadean- samento lógico fica abalado pelas informa-
do muitos dos transtornos mentais”, revela ções distorcidas, quebradas e interrompidas
Alexandre Rivero, psicólogo clínico. “Alguns si- devido a esse déficit”, define o psicólogo clí-
nais são irritação, tensão, desânimo, dores nico Alexandre Rivero.
no corpo e problemas estomacais”, exempli- Quando acompanhado da hiperatividade,
fica Monica Campelo. há um excesso de atividades motoras. “Qual-
Em busca de ajuda: quer estímulo faz a criança perder a atenção,
Medicamentos podem ser utilizados para e ela se manifesta fisicamente, correndo de
a redução de sintomas típicos. Porém, a psi- um lado para o outro. Quando é apenas um
coterapeuta Myriam Durante afirma que, mes- déficit de atenção, a mente dela é que ‘cor-
mo que não sejamos “capazes de evitar os re’ sem parar”, complementa o especialista.
acontecimentos estressantes, com a psico-
terapia podemos descobrir formas de reagir
a eles”.
“O paciente vai aprender quando fica as-
sim, o que o deixa assim, como pode não
entrar neste lugar e, se necessário, como
lidar e sair deste lugar”, revela Rafaella
Pereira, psicóloga clínica junguiana.
Myriam recomenda o
uso de técnicas de relaxa-
mento, controle de respi-
ração e visualizações, pois
ajudam no desenvolvimen-
to da resiliência e na redu-
ção significativa do estresse.
Ainda podem ser emprega-
das massagens, meditação,
mindfulness, musicoterapia,
pilates, ioga, hipnoterapia,
aromaterapia e exercícios fí-
sicos contra o distúrbio.
Em busca de ajuda: Em busca de ajuda:
É o transtorno mais comum No processo da terapia, “a pes-
entre crianças e geralmente soa aprende a aguentar a angústia,
acompanha a pessoa por toda resistir às ações e comportamen-
a vida, sendo preciso o uso tos compulsivos para contro-
de remédios. A psicólo- lar e suportar a ação do
ga Marília Gurgel transtorno”, in-
de Castro dica Alexan-
aponta que dre Rivero.
os bene- S e gu n d o
fícios da o psicólo-
medicação go Arman-
consistem na do Ribeiro,
“melhora da o tratamento
memória de trabalho espacial, da capacida- com melhor evidência científica “é a combi-
de de planejar, da atenção difusa e focada, nação de terapia comportamental e a farma-
da impulsividade relacional e da hiperativi- coterapia”. Os medicamentos mais utilizados
dade”. Já a psicoterapia atua na qualidade fazem a recaptação de serotonina, neuro-
de vida do paciente e da família. “Trabalha transmissor que atua nas sinapses entre os
a autoestima, comportamento inibitório, de neurônios, regulando funções como humor,
autorregulação da motivação, organização e sono, apetite e ritmo cardíaco.
planejamento”, cita Myriam. Outros tratamentos empregados são bio/
neurofeedback, meditação, dessensibilização
TOC e reprocessamento através de movimentos
A pessoa com transtorno obssessivo-com- oculares (EMDR, em inglês), além de técni-
pulsivo tem pensamentos, impulsos e imagens cas de liberação emocional (EFT, em inglês).
recorrentes e persistentes, considerando-os
invasivos e indesejáveis. Como revela a psi- FOBIA SOCIAL
cóloga Monica Campelo, “pode produzir sen- É um transtorno caracterizado pelo medo
tidos de ansiedade, angústia e medo”, por e/ou por evitar situações sociais. “Nessas
isso, está ligado a transtornos de ansiedade. ocasiões, surgem sintomas como palpitações,
A pessoa se vê obrigada a executar ações tremores, falta de ar, sudorese, náusea, ga-
de acordo com regras rígidas que devem ser guez e diarreia”, explica Myriam.
aplicadas em busca de um suposto alívio, Em busca de ajuda:
por exemplo, lavar as mãos repetidamente, A terapeuta holística revela que a psicote-
checar várias vezes se a porta está tranca- rapia associada ou não a medicamentos atua
da, organizar coisas de forma simétrica cons- no controle dos sintomas antes e durante as
tantemente, etc. situações temidas. “São usadas técnicas de
exposição, por meio do confronto direto e gra- CRISES NO RELACIONAMENTO
dativo dos objetos ou situações temidas, con- AMOROSO OU CONJUGAL
trole da respiração e regressão de idade”. Desentendimentos, brigas, xingamentos,
mágoas... Quando um casal procura a tera-
DIFICULDADES DE pia, é porque a comunicação entre eles não
RELACIONAMENTO SOCIAL está mais funcionando.
Atinge pessoas que têm inabilidades de Em busca de ajuda:
se relacionar com o outro, que apresentam A psicoterapia ajuda o sujeito a compreen-
dificuldades na área profissional, amorosa, der sua questão com o cônjuge, reconhecen-
amizades e relacionamentos sociais. do a si mesmo na relação e no outro suas
Em busca de ajuda: necessidades. “Isso facilita a mudança ne-
Alexandre Rivero explica que, na terapia, cessária para a vida amorosa ser mais rica
“através de exercícios, são trabalhadas ha- e saudável”, diz a psicóloga clínica Rafaella
bilidades como empatia, assertividade e ex- Pereira.
pressividade emocional”. Dessa forma, a A terapia de casal melhora a comunicação,
pessoa aprende a gerenciar melhor os pro- enriquece comportamentos positivos e facili-
tocolos sociais. ta a interação. “A meta é a satisfação conju-
gal, fortalecendo a relação, ou ajuda o casal
a entender que o relacionamento chegou ao
fim”, esclarece Myriam Durante.

CONSULTORIAS Adriano Segal, psiquiatra; Alexandre Rivero,


psicólogo clínico e supervisor clínico; Alfredo Simonetti, psiquiatra

<
e professor de psicologia; Andréia Pioto, psicóloga clínica; Monica
Campelo, psicóloga; Marília Gurgel de Castro, psicóloga especialista
em saúde da família; Myriam Durante, psicoterapeuta holística; Toque aqui para
Rafaella Pereira, psicóloga clínica junguiana; Valéria Lopes da retornar ao índice
Silva professora e psicóloga | FOTOS Shutterstock Images
Chegou ao FIM?
A psicoterapia pode ser o mais curta ou
longa possível – e muitas vezes é o próprio
paciente quem determinará sua duração

Q
uando alguém bus- Questões assim são
ca uma psicotera- típicas das trabalha-
pia, os motivos das na terapia cogniti-
podem ser diver- vo-comportamental,
sos e há uma variedade quando o paciente
de abordagens disponí- chega com queixas
veis. Dependendo do ou sintomas e traba-
que essa pessoa bus- lha para a mudança
ca, a duração desse tra- de seus comportamen-
tamento pode ser curta - ou tos. Se alguém alega ter
nem tanto. medo de andar de elevador,
“como terapeuta, meu objeti-
Para mudar vo é ajudar/conseguir fazer com
comportamentos que ele modifique sua relação
Existem terapias que são fo- com este objeto”, exemplifica
cais, breves. Por exemplo, quando a psicóloga clínica junguiana
um indivíduo enfrenta uma dificul- Rafaella Pereira.
dade sexual e quer melhorar seu “Na Gestalt-terapia,
desempenho. Ou quando dese- acreditamos na autor-
ja melhorar o relacionamento regulação da pessoa”,
com a chefia. diz a professora e psi-
cóloga Berta Sheila de Souza Ribeiro. Dessa menos dirigidas”, revela a psicoterapeuta ho-
forma, cabe ao cliente sinalizar quando perce- lística Myriam Durante. Nesse tipo de abor-
be que suas necessidades foram atendidas. dagem, nas sessões de análise, “é através
da palavra (por meio do discurso, da postu-
Autopercepção ra, do vocabulário, dos temas e resistências)
Mas como saber se a terapia foi efetiva? que o dito chega ao interdito, isto é, às resis-
Rafaella determina que isso acontece no mo- tências”, lembra a psicanalista Lucia Maria
mento em que seu papel de transformação Chataignier de Arruda. Por meio das associa-
foi cumprido, “quando o paciente saiu do pon- ções feitas pelos pacientes, Freud acreditava
to A, chegou e permaneceu no ponto B. Por que chegava-se ao fato/fantasias que gera-
exemplo, ele traz a questão ‘tenho dificuldade ram os sintomas.
de estabelecer uma relação afetiva satisfató- Dessa forma, é o paciente quem sente
ria ou saudável’ e, ao final de certo tempo (o um momento que sabe que está pronto para
tempo é do paciente), ele consegue estabele- não precisar mais da análise. “Não quer di-
cer uma relação íntima que lhe dá satisfação, zer que nunca mais vai voltar ou que não terá
em que ele está feliz”. mais problemas: ele simplesmente saberá li-
Já a psicóloga clínica Lia Honório é favo- dar com suas questões e fazer associações
rável ao fim da terapia quando não há mais a partir daí”, acredita a psicanalista.
motivo para o paciente permanecer em atendi- Assim como a psicanálise, existem linhas
mento. “Esse é um tratamento para auxiliá-lo que atendem a quem busca um trabalho te-
a seguir em frente quando se encontra para- rapêutico como forma de autoconhecimento
do, andando em círculos ou retrocedendo na e autoaprimoramento. “Aqui não existe um
vida. O bom profissional intervém por um pe- tempo de conclusão. A terapia pode ser usa-
ríodo necessário e capacita o paciente a voar da como espaço de crescimento pessoal”, diz
livre, sozinho e independente novamente”. o psicólogo clínico Alexandre Rivero.
Contudo, não é a questão de receber uma
“alta”, assim como em um tratamento médi- A perder de vista
co. “O universo pessoal de cada um é infini- Porém, transtornos mentais que possuem
to e está sempre em movimento. Ou seja, a raízes profundas, como os de personalidade,
alma humana é infinita; não paramos de tra- demandam um acompanhamento psicológico
balhar ela, nela, com ela, nunca”, considera mais longo. Isso porque enfrentar um adoeci-
Rafaella. mento psíquico de porte exige uma assistên-
cia profissional.
Para a vida toda? “Em casos de psicopatologias graves, como
É provável que você já tenha ouvido alguém as psicoses, o acompanhamento é constante,
falar que faz anos e anos de terapia, e mes- porque há o suporte de medicamentos. Além
mo assim o processo ainda não se encerrou. disso, terapias de expressão (com o emprego
“A ideia de que a terapia é um processo sem de música, arte e teatro) ajudam na manuten-
término surgiu pois há linhas de psicoterapia, ção do equilíbrio mental desses pacientes”,
como a psicanálise, mais longas e que são finaliza Berta Sheila de Souza Ribeiro.
PROCESSO
INTERROMPIDO
Muitas vezes, em meio a
descobertas e enfrenta-
mento de suas questões,
há quem deixe a psicote-
rapia de lado. “Pode ha-
ver uma interrupção do
processo por uma expe-
riência não satisfatória,
porque a pessoa não sus-
tentou uma identifica-
ção com o profissional,
ou ainda porque não deu
conta do que surgiu no
processo”, revela Andréia
Pioto, psicóloga clínica.
Por isso, é essencial a
identificação do paciente
com o método terapêuti-
co, com o profissional e,
acima de tudo, acreditar
que a mudança que ele
busca é possível a fim de
ser mais feliz.
CONSULTORIAS Alexandre Rivero, psicólogo clínico
e supervisor clínico; Andréia Pioto, psicóloga
clínica na Clínica Ludens, em Campinas (SP);
Berta Sheila de Souza Ribeiro, coordenadora do
curso de psicologia da Anhanguera de Niterói
(RJ); Lia Honório, psicóloga clínica; Lucia Maria
Chataignier de Arruda, psicanalista, mestre em
psicanálise, saúde e sociedade; Myriam Durante,
psicoterapeuta holística; Rafaella Pereira,
psicóloga clínica junguiana e psicopedagoga |
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<
Cérebro
REMEDIADO
O tratamento de transtornos e doenças psiquiátricas
pode incluir o uso de medicamentos. São eles que
reequilibram a química no sistema nervoso

O
psiquiatra é o médico responsável drogas e desbalanceamento químico no cé-
pelo tratamento medicamentoso rebro”, revela Guido Boabaid May, médico psi-
de um paciente, que pode ser de quiatra.
nível ambulatorial ou de internação,
conforme a gravidade do caso. Assim, as me- EM AÇÃO
dicações são utilizadas sempre que um fator De uma forma bem geral, doenças e trans-
orgânico é identificado entre as causas de tornos considerados psiquiátricos são decor-
um determinado transtorno. “Isso ocorre, por rentes de algum tipo de alteração química
exemplo, na depressão e nos transtornos de do cérebro. Basicamente, seria uma quími-
ansiedade. Sabe-se que eles são causados ca desregulada envolvendo neurotransmis-
por uma combinação de fatores: genéticos, sores, substâncias que passam um sinal de
estressores ambientais, hormonais, uso de um neurônio para o outro.“Os medicamen-
tos atuam ajudando o cérebro a restabele- efeito mais rápido do que apenas a terapia.
cer seu equilíbrio químico. Por exemplo, na “O profissional de psiquiatria alivia esse sin-
depressão e nos transtornos de ansiedade, toma a fim de que o paciente possa traba-
ocorre um desequilíbrio na produção de neu- lhar as questões dele nas sessões, porque
rotransmissores como serotonina, noradrena- a própria ansiedade atrapalha o desenvolvi-
lina e dopamina. Essas medicações ajudam mento da terapia dele”, revela.
a normalizar a produção dessas substâncias
fazendo com que a pessoa deixe de sofrer CRESCIMENTO PREOCUPANTE
com os sintomas causados por aquelas do- Há alguns anos, várias pesquisas têm
enças”, explica Guido. O médico diz que, nes- sido divulgadas apontando o aumento da co-
ses casos, os antidepressivos e ansiolíticos mercialização e uso dos famosos remédios
são utilizados para corrigir esses desequilí- “tarja preta”. Por exemplo, segundo relatório
brios químicos. da IMS Health, em 2016, a venda de antide-
pressivos e estabilizadores de humor aumen-
PRECISA MESMO DE REMÉDIO? tou 18,2% no Brasil. Especialistas apontam
O psiquiatra Mário Louzã diz que as medi- que esse crescimento pode decorrer do au-
cações também podem ser usadas em ca- mento do número de casos e também de
sos de esquizofrenia, transtorno bipolar, TOC uma maior quantidade de casos diagnosti-
(Transtorno Obsessivo-Compulsivo) e Alzhei- cados.Mário Louzã considera que, além dis-
mer. “Nas drogadições, eventualmente é ne- so, as pessoas estão reconhecendo melhor
cessário usar medicação para controlar os que têm sintomas psiquiátricos e enfrentado
sintomas de abstinência (como no alcoolis- menos preconceitos para buscar um psiquia-
mo)”.Contudo, algumas pessoas podem con- tra do que antigamente. Mas o especialista
siderar que se trata de um transtorno leve salienta que a maioria das medicações psi-
e que não seja necessário o emprego da
medicação. “No caso do pânico, quando
alguém tem uma crise, a sensação é mui-
to desagradável. Apesar de ser uma doen-
ça relativamente leve, o sintoma é muito
intenso, por isso é indicada uma medica-
ção. Dessa forma, a pessoa não fica es-
perando um ou dois meses para verificar
o efeito da psicoterapia”, defende.“A ques-
tão é saber se a pessoa precisa só da
terapia ou da associação com a medica-
ção”, ressalta Mário. Isso ocorre porque,
mesmo um paciente que apresente ape-
nas o transtorno relacionado a ansiedade,
por causa de um problema familiar ou de
uma separação, a medicação vai ter um
quiátricas não é receitada por psiquiatras. “É
prescrita pelo clínico geral, pelo ginecologista, LEVA TEMPO
principalmente antidepressivos e ansiolíticos. Os medicamentos são grandes alia-
Por exemplo, quando uma paciente se queixa dos no reestabelecimento da saúde
no ginecologista que está triste, sem sono, mental. Contudo, a psiquiatra Licia
angustiada, o médico indica uma medicação Milena de Oliveira ressalta que o
psiquiátrica. Então, uma boa parte dessas
benefício deles não é instantâneo,
medicações que as pessoas estão tomando
não foram prescritas pelo psiquiatra”, alerta.
como ocorre com uma medicação
para dores de cabeça. “Geralmen-
te demora de duas a três semanas
para se sentir a ação do medica-
mento. É muito importante comu-
nicar isso ao paciente, para que
não ocorra abandono do tratamen-
to por descrença na medicação”. A
especialista considera igualmente
importantes a prática de exercício
físico, a psicoterapia e a alimenta-
ção adequada como aliados para a
melhora do paciente.

CONSULTORIAS Guido Boabaid May, médico


psiquiatra e CEO da GnTech; Licia Milena de
Oliveira, psiquiatra especialista pela Associação
Brasileira de Psiquiatria, especialista em
Psiquiatria e em Medicina Legal pelo HC-
FMUSP e professora da Medcel; Mario Louzã,
médico psiquiatra, especialista em Psiquiatria
Geral pela Associação Brasileira de Psiquiatria,
médico assistente e coordenador do Programa
de Esquizofrenia (PROJESQ) e do Programa de
Déficit de Atenção e Hiperatividade (PRODATH) do
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas
da FMUSP | FOTOS Shutterstock Images
“Em uma crise de pânico, a sensação é muito
desagradável. Apesar de ser uma doença
relativamente leve, o sintoma é muito
intenso, por isso é indicada uma medicação”
Mário Louzã, psiquiatra
Toque aqui para
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<
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