Vous êtes sur la page 1sur 29

MARKETING EM RÁDIO

- INFORMAÇAO TAMBÉM VENDE –


Trabalho ganhador do 4º Prêmio de Mídia do Estadão em 2001 – Categoria Estudante – Case Rádio

MARCOS DANIEL NERLING

Palmeira das Missões - RS, março de 2001.


SUMÁRIO

01. INTRODUÇÃO 03

02. QUANDO NASCEU O RÁDIO NO BRASIL? 04

03. EM QUE TIPO DE SOCIEDADE ESTAMOS 05


INSERIDOS NO BRASIL?

04. O RÁDIO UM GRANDE ALIADO 06


NO DESENVOLVIMENTO DE UM POVO

05. O MEIO RÁDIO NA DEFESA DO INTERESSE SOCIAL 08

06. O RÁDIO – POVO E CIDADANIA 09

07. DIFICULDADE DE INCLUSÃO DO RÁDIO NOS PLANOS DE MÍDIA 11

08. PERFIL DE AUDIÊNCIA EM AM E FM 14

09. PERSPECTIVAS DE MUDANÇAS 16


TECNOLÓGICAS DO MEIO RÁDIO

10. CRIAÇÃO PUBLICITÁRIA E ÉTICA 17

11. O SOM NA CAMPANHA PUBLICITÁRIA 18

12. O RÁDIO MELHORANDO A VIDA DAS PESSOAS 20

13. QUALIDADE DA PROGRAMAÇÃO 22


– UM DIREITO DO OUVINTE

14. CONCLUSÃO 26

15. BIBLIOGRAFIA 27
INTRODUÇÃO

Pesquisa da Standard Ogilvy & Mather, realizada nas sete principais capitais do
país, mostrou em quem os brasileiros confiam. A instituição mais votada foi a família
(76%), seguido dos correios (64%), da ciência / tecnologia (59%), da igreja (57%). Em
posição intermediária, ficaram o exército(42%), o RÁDIO (41%), a PUBLICIDADE
(40%) e outros. A lanterna ficou para a polícia (14%), o senado (7%) e os partidos
políticos (5%). * (Cadernos Umas e Outras – MENSAGEIRO LUTERANO de
Outubro/97 – N.º 10 – Ano 80 - Ed. Concórdia Ltda. – Porto Alegre – RS.

A partir dos dados que passamos a trabalhar, baseados em pesquisa de opinião de


que o meio rádio desfruta 41% de confiabilidade e a publicidade 40% de confiabilidade,
vamos buscar provar de que o meio de comunicação rádio e a publicidade andam de mãos
dadas e gozam de elevado percentual de receptividade positiva por parte das pessoas
consultadas. Baseados nestes dados, buscaremos alternativas de conciliar a informação
transmitida por este meio de comunicação, juntamente com a publicidade veiculada pelo
mesmo, em bons resultados e iniciativas de marketing.
QUANDO NASCEU O RÁDIO NO BRASIL?

Há controvérsias quanto ao nascimento do rádio no Brasil. Walter Sampaio, em seu


livro “Jornalismo Audiovisual”, afirma que o nascimento do rádio ocorreu exatamente no
dia 6 de abril de 1919, no Recife, quando foi fundada a Rádio Clube de Pernambuco por
Oscar Moreira Pinto, que, depois, se associou a Augusto Pereira e João Carlos Aires.
Em contrapartida, Mário Ferraz Sampaio, em sua obra “História do Rádio e da
Televisão no Brasil e no Mundo” faz o seguinte registro:
“Depois das efêmeras irradiações experimentais, realizadas durante a Exposição
do Centenário, em setembro de 1922, o Rio de Janeiro teve a grata notícia de que a 20 de
abril do ano seguinte, surgia a primeira emissora do Brasil. É que se havia organizado a
Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, tendo à frente os professores Roquette Pinto e
Henrique Morize. Eles conseguiram do Governo a cessão de uma das duas emissoras da
Western Eletric importadas para serviços telegráficos. Com uma potência de 500 watts, a
emissora foi adaptada à radiodifusão e na data marcada entrou no ar. Era a primeira a
inaugurar-se no país.”
Historiadores e pesquisadores como Saint-Clair Lopes concordam que o rádio
tornou-se efetivo no país, a partir do dia 20 de abril de 1923, quando foi ao ar a “Rádio
Sociedade do Rio de Janeiro,” de Roquette Pinto Morize, instalada na Academia Brasileira
de Ciências.
EM QUE TIPO DE SOCIEDADE
ESTAMOS INSERIDOS NO BRASIL?

Somos uma nação privilegiada. A formação étnica e cultural nos possibilita ocupar
uma posição de liderança na sociedade cosmopolitizada do próximo milênio. Uma
sociedade de perfil múltiplo como a nossa, está entre as mais aptas a enfrentar com
sucesso o próximo milênio. Nos elementos raciais que construíram a identidade do Brasil,
identificamos com a globalização, características fundamentais aos novos tempos: os
portugueses, pioneiros na Expansão Ultramarina do final do século XV; ainda no período
das Grandes Navegações, os nossos ancestrais lusitanos também corajosos navegantes de
mares desconhecidos; a riqueza da cultura negra, que em seu trabalho, suas cores, seus
ritmos, transbordaram criatividade e experiências até hoje. Não podemos deixar de citar a
importante contribuição da sabedoria dos indígenas, a eficiência e a eficácia administrativa
dos judeus, a destreza comercial árabe. Temos, portanto, a estrutura étnica ideal para
triunfarmos neste mundo de mudanças tão rápidas a que estamos assistindo. A base
cultural, fruto desta miscigenação de que somos oriundo dos mais variados continentes nós
possuímos. Devemos, agora, possibilitar condições iguais de oportunidades para todos os
brasileiros, para vencermos juntos os desafios da globalização; e isso, só será possível se
criarmos mecanismos de informação de massa, cada vez mais confiáveis e eficazes, para
diminuirmos as desigualdades sociais, que deterioram a cada dia o nosso tecido social. E,
o meio de comunicação rádio, por sua confiabilidade tem um papel fundamental para que
esta integração entre o conhecimento ( informação) e às pessoas sejam reais. A educação
de um povo somente acontece com informação e, quanto mais rápida e confiável, melhor
será seu resultado.
Somente uma população com formação educacional sólida, poderá competir com
êxito nos mercados internacionais e sobreviver no mundo globalizado que estamos
inseridos. Pela primeira vez na história da humanidade, as indústrias do conhecimento
ganham mais dinheiro do que as indústrias de recursos físicos. É neste ponto, na indústria
da divulgação do conhecimento e divulgação de novos produtos e serviços, que podemos
inserir o rádio, aliado ao marketing, meta a que se propõe este trabalho.
O RÁDIO, UM GRANDE ALIADO
NO DESENVOLVIMENTO DE UM POVO

Roquette Pinto, quando do surgimento do rádio no país, afirmou: “Todos os lares,


espalhados pelo imenso território do Brasil, receberão livremente o conforto moral da
ciência e da arte...pelo milagre das ondas misteriosas que transportam, silenciosamente,
no espaço, as harmonias.”
De Roquette Pinto e seu sonho até os nossos dias, muita coisa ocorreu. O som
fanhoso e de lata, transformou-se em alta fidelidade em estéreo e o satélite incorporou-se
ao dia-a-dia das emissoras, possibilitando a repetição dos sinais de radiodifusão sonora
para recepção e transmissão em todo território nacional, permitindo a formação das redes
nacionais de rádio. O satélite substitui as tradicionais transmissões terrestres por meio de
redes de microondas. Tecnicamente resultando em ganho em qualidade e diminuição de
custos.
A socialização das informações que o meio rádio possibilita apresenta ganhos
substanciais à economia de mercado, melhora o ambiente de consumo, eleva a qualidade
de vida de seus ouvintes e potencializa, na prática, o desenvolvimento de nosso país. Ao
ritmo atual, o Brasil não alcançará índices educacionais de primeiro mundo, que garantam
futuro, crescimento e desenvolvimento. No entanto, se a sociedade (governo, população,
iniciativa privada, meios de comunicação) se engajarem num projeto sério de construção,
objetivando educação e informação confiáveis para todos, podemos tirar a diferença. É aí
que se encaixa o meio de comunicação rádio, pois o saber é resultante da informação,
motivo especial de ser do meio rádio. A revolução tecnológica determina, através do
conhecimento e da rapidez com que se divulgam as informações, o modo de viver das
sociedades e a criação de novas demandas, o que desperta a necessidade do marketing em
suprir novas oportunidades de lucro das empresas que se encaixarem às mesmas.
As telecomunicações, a informática, a robótica e a biotecnologia, são setores
que deverão prevalecer no novo milênio e, por isso, aproveitados pelo meio rádio que,
cada vez mais, será o veículo veloz e confiável em levar conhecimento e informações
rápidas a seus ouvintes, tornando-se ainda mais uma opção de companhia em todos os
momentos da vida (rádio no carro, local de trabalho, quarto de hotel, em casa ou no lazer).
A cada vez que o meio rádio aumentar a sua importância na vida das pessoas, mais
despertará interesse publicitário e melhor retorno de marketing.
O grande McLuhan, o cientista da comunicação moderna, nos dizia que “os meios
de comunicação são extensões dos sentidos do homem”; assim sendo, o meio rádio é, pois,
uma extensão do ouvido humano e, por isso, não possui pálpebras, restando ao ouvinte a
defesa de troca de estação a uma programação ou produção comercial que não lhe agrade.
O MEIO RÁDIO NA DEFESA DO INTERESSE SOCIAL

O ambiente macroeconômico atual do Brasil impõem sérias limitações ao


crescimento. A política econômica vigente balizada no capital externo e nos juros elevados
para garantir a estabilidade, tem construído uma estrutura que inibe a produção e nos torna
extremamente vulneráveis à volatilidade financeira internacional. A capacidade produtiva
da indústria brasileira apresenta sérios problemas de esgotamento, fruto da estrutura
econômica. Não possuímos uma base de financiamento interno suficiente, o que torna cara
a produção. Isso aliado a dívida do setor público e uma estrutura tributária que aumenta
cada vez mais a transferência da renda da sociedade para o governo, fazendo com que
poucos paguem muito imposto, quando o sensato seria todos pagarem um pouco. O
subdesenvolvimento está ligado ao crescimento baseado no capital externo e na balança
comercial desfavorável gerando empobrecimento, desemprego, falências, ou seja , elevado
custo social. As alternativas para essa situação devem ser debatidas com a comunidade, na
busca do fortalecimento de nosso mercado interno, alavancando nossas pequenas e médias
empresas, investindo em educação, ciência e tecnologia, gerando, assim, desenvolvimento
e benefícios sociais ao povo brasileiro. O meio rádio tem papel preponderante no sentido
de, através de seu jornalismo, manter seu ouvinte informado destas transformações que
afetam diretamente a sua vida. Este é o grande compromisso do meio de comunicação,
pois, quanto maior for o universo de pessoas inseridas no mercado consumidor, maior será
o resultado das iniciativas de marketing inseridas neste instrumento de comunicação.
O RÁDIO – POVO E CIDADANIA

Ouvintes do interior preferem as emissoras locais. Esta é a constatação da pesquisa


realizada pela empresa “Como & Porquê”, apresentada em 19 de outubro de 1999. A
pesquisa mostrou que 94% dos ouvintes do interior apontam as emissoras de suas cidades
entre as suas preferidas, comprovando o que já era conhecido de forma empírica pelos
profissionais de rádio. A pesquisa, realizada para a Central de Rádio do Interior, que
representa 268 emissoras, ouviu 1.350 pessoas com idade entre 16 e 65 anos, em 24
cidades do interior gaúcho, sorteadas aleatoriamente. Opinaram ouvintes de ambos os
sexos, de todas as classes sociais. O trabalho mostrou, também, que nas cidades de médio
porte, as mulheres são mais fiéis às emissoras locais do que os homens. Também são elas
que predominam na audiência das 9h às 12h. A pesquisa é inédita e, segundo o presidente
da Central de Rádio do Interior, Raul Corrêa, superou as expectativas, pelas quais se
acreditava que a audiência média das emissoras do interior chegasse a apenas 80%.
João Marques, locutor de rádio a mais de 45 anos é categórico ao afirmar que a TV
ainda não matou o rádio, e dificilmente vai matá-lo. O rádio é mais imediatista. Quando a
notícia é importante e merece uma edição extraordinária, ela acontece com muito mais
rapidez. Marques também considera a penetração do rádio maior, e o alcance a lugares
remotos e inóspitos mais eficiente. “Um radinho de pilha pode ser ouvido até em lugares
onde não há luz elétrica, o rádio é uma companhia excelente”, conclui.
A função principal do rádio ainda é a proximidade com as comunidades locais,
não importando se rádio AM ou FM.
O brasileiro não vive sem rádio. Nos últimos 80 anos não há como negar que o
rádio, efetivamente, tornou-se parte integrante da vida de todos nós. Sua força é sentida
em todos os quadrantes do país. Não é exagero dizer que a integração se faz com rádio.
Como negar o poder do rádio? Ele chega ao motorista preso no congestionamento
ou na estrada, à dona de casa que está cozinhando ou lavando roupa, a lugares onde não
existe sequer energia elétrica. Existem situações em que só pelo rádio se atinge
determinado público.
Uma pesquisa recente realizada pelo instituto de pesquisas DATAFOLHA revelou
que o público de rádio supera o de televisão entre às cinco e 18 horas na Grande São
Paulo. Durante este período de tempo, o rádio concentra uma média de 1,5 milhão de
ouvintes por minuto na região, enquanto a TV reúne um público de 700 mil pessoas. “Isso
acaba com a idéia de que a audiência da televisão é maior, dia e noite, do que a do
rádio”, afirma Sérgio Cunha – Diretor Comercial da RBS Rádios.
Outro dado trazido pela mesma pesquisa apontada por Sérgio Cunha é de que, entre
às nove e às l2 horas, as rádios da grande São Paulo atingem, em média, 2,5 milhões de
pessoas por minuto. A televisão? Registra uma média de 580 mil telespectadores/minuto.
No Rio Grande do Sul, o IBOPE mostra que, em pesquisa realizada em 10 municípios da
Grande Porto Alegre, no mês de fevereiro de 1998, quase 82%, ou mais de um milhão e
700 mil entrevistados, de dois milhões e 86 mil pessoas, tem contato com o rádio ao
decorrer do dia. Tudo indica que, assim como na Grande São Paulo e Grande Porto
Alegre, o rádio lidere a audiência também no interior.
“Esses dados ajudam a devolver ao rádio um pouco a auto-estima perdida ao longo
do tempo”, diz Cunha.
DIFICULDADE DE INCLUSÃO
DO RÁDIO NOS PLANOS DE MÍDIA

Quais os motivos que impedem a inclusão mais freqüente do rádio nos planos
de mídia? Os palpites vão desde a falta de criação de peças adequadas e dirigidas
especialmente ao meio até o puro desconhecimento dos anunciantes e das agências quanto
a sua eficácia, passando pela extrema pulverização da audiência.
Do lado do anunciante, entre as maiores preocupações estão a permanente
insegurança causada pela falta de pesquisas contínuas e audigens independentes, falhas
estas admitidas inclusive pelos próprios executivos do setor.
Várias emissoras e redes tem desenvolvido trabalho sério, alguns em parceria, a fim
de mudar o que ainda resta de imagem negativa frente ao meio. Afinal, não se justifica que
um veículo tradicional e com tanto poder de penetração, ainda se restrinja a valores tão
baixos no bolo publicitário nacional. Em tempo, registre-se os avanços obtidos nos últimos
anos em aumentos percentuais.
O meio rádio deve aumentar os investimentos em si próprio, com estratégias de
marketing mais agressivas e novas técnicas de comercialização, criando assim estímulos
para que o mercado publicitário se sinta motivado a acreditar em sua força e popularidade.
Disposição é o que não deve faltar, para desenvolver estas mudanças na busca do
melhoramento da relação com o mercado, desenvolvimento de planos promissores para
que o meio rádio situe-se no verdadeiro patamar do prestígio que goza entre seus
ouvintes, transferindo-se merecidamente para o mercado anunciante em aumento de
percentual investido do bolo publicitário.
Na verdade, o rádio é uma mídia atual, moderna e extremamente competitiva, tendo
nos últimos anos crescido em audiência nas principais regiões metropolitanas do país e
ainda aumentado em número de aparelhos receptores em grande número. “Sendo assim ,
se soubermos passar o lado positivo do rádio para anunciantes e agências, o meio com
certeza dará um salto qualitativo no mercado publicitário, a exemplo do que ocorre nos
Estados Unidos”, segundo Osmar Albuquerque, Gerente de Desenvolvimento Corporativo
do Sistema Globo de Rádio. Osmar lembra ainda que, conforme pesquisa da Geraldo Leite
Arquitetura de Mídia, o rádio já aparece espontaneamente quando os anunciantes de Rio
de Janeiro e São Paulo são questionados sobre os dez melhores veículos, quanto à
qualidade de atendimento e relacionamento com o mercado (dados de dezembro de 1998).
“Há rádios e rádios. O mercado precisa ser educado para distingui-los”, completa Osmar
Albuquerque.
Roberto Meira, diretor de marketing da Rede Antena 1, “acredita que a maior
dificuldade é o pouco conhecimento que o mercado tem em relação ao meio rádio, que
durante anos teve importância vital. O meio televisão edita até hoje uma cartilha e um
manual de mídia, enquanto o meio revista, através da ANER, se reúne em foros de
discussão de negócios. Enfim, esses meios se fizeram importantes e souberam agregar
valor ao seu produto. Na contramão, veio o rádio sem representatividade, sem uma
conduta uniforme e postura comercial coerente, vendendo freqüência, desprezando o
horário noturno, os finais de semana, não entregando a totalidade do que vende e,
principalmente, deixando de se vender, de vender o produto, para vender o mais fácil, o
desconto”.
Roberto Meira diz que os veículos precisam ser coerentes e acreditar neles mesmos:
“No meio rádio, o anunciante, quando conhece, acredita”.
O diretor comercial da Bandeirantes AM de São Paulo, Mário Baccei, acredita que
“o que acontece com o meio é que todos os envolvidos, tanto quem vende como quem
compra, ainda não despertaram para o poder do rádio como mídia e, houveram desvios
de idéias levando muitos dos envolvidos com vendas a trocarem o discurso de
convencimento pelo discurso da lamentação, o que acabou prejudicando a imagem do
meio”.
O gerente comercial das rádios 105 FM e Planalto AM, de Brasília Jorge Leite,
também acha que o rádio não aprendeu a se “vender”. Diz ainda que o rádio é
essencialmente local, “e estudar o local, nesse imenso país, para quem está distante, dá
um bruta trabalho”. Ele aponta ainda o grande número de emissoras, que dificulta a tarefa
dos profissionais de mídia. “E como uma quantidade muito grande de concessões está nas
mãos de políticos e de igrejas, onde o profissionalismo é substituído pelo puro
assistencialismo, a parte que cabe à iniciativa privada fica prejudicada, pois a
generalização do “amadorismo” acaba atingindo a todos. As emissoras não conseguiram
sentar-se a uma mesa para se organizar, logo o meio não possui uma associação forte que
trate o rádio como um negócio”.
Armindo Ranzolin, diretor da Rádio Gaúcha, do grupo RBS, acredita que a
pulverização compromete o setor: “Acredito que o problema seja a exagerada quantidade
de rádios operando no país, o que complica a autorização e a entrega de material e o uso
correto do meio. Mas, ao mesmo tempo em que isso é um problema, passa a ser uma
oportunidade para a identificação correta do público a ser atingido”, segundo ele. Com
seus diferentes formatos, o rádio permite que se atinja o alvo certo. Agora, o surgimento
das redes via satélite permitirá melhor controle de comerciais e incentivará a divulgação.
Pulverização da audiência também é problema apontado por Mário Barbosa, diretor
comercial da Rádio FM 93, de Fortaleza: “As agências preferem veículos que determinam
uma concentração maior de audiência-leitura, pois isso se traduz em menor esforço para
cobrir o público-alvo”.
Márcio Ferreti, da 97 Fm Melodia, do Rio de Janeiro, e Edson Perrota, diretor
comercial das rádios Tupi AM e FM, também do Rio de Janeiro, têm opiniões próximas de
que a dificuldade está nas agências. Acreditam eles de que a criação de premiação para as
melhores peças publicitárias para rádio, estimularia a criação de melhores materiais,
inclusive de valorização do meio, resultando ainda em melhor remuneração aos espaços
comercializados. As campanhas de valorização do meio poderiam, segundo eles, serem
criados através da união associativa de vários empresários, emissoras e grupos.
Marcelo Pitanga, da Rádio Recife FM acredita que, “basta que o mercado perceba
as vantagens do rádio, como o dinamismo, eficácia e viabilidade”. Para que isso aconteça
é preciso cada vez mais estímulo, para que o mercado publicitário sinta-se motivado a
acreditar na força e popularidade do meio.
“O grande desafio das agências de publicidade nesses tempos de mudanças é
estabelecer a diferença entre o bom e o mau trabalho e valorizar o seu papel no processo
de comunicação. E, no momento em que os anunciantes passam a valorizar as suas
marcas, também precisam se dar conta que o trabalho de comunicação não se compra
pelo menor preço, e sim pela sua eficácia.” – palavras de César Paim, Diretor da Paim
Lauter Macedo e Twin Comunicações.
Sérgio Amado, presidente da Standard, Ogirvy & Mather, diz em suas palestras que
as agências de publicidade têm que ser criativas em todas as áreas, e, em relação a mídia
rádio diz ele haver, com raras exceções, uma estagnação na movimentação - falta
encontrar o casamento perfeito, não está 100% explorado. “Virá uma nova tendência, a
segunda revolução no meio, a busca da integração dos produtos com o rádio”.
Segundo o publicitário a segmentação é uma tendência muito importante. “O rádio
não é uma mídia de sustentação, é muito forte, ágil e dinâmico”.
Argumenta que é necessário provocar a curiosidade para o meio, tentar mudar a
performance do criativo. O aumento das redes, segundo Sérgio Amado, nacionalizou a
comunicação e ficou mais fácil de trabalhar com essa mídia reduzindo custos.
PERFIL DE AUDIÊNCIA EM AM E FM

Na época em que a principal função da mulher era ser apenas dona de casa, o rádio
aparecia como seu fiel companheiro. Hoje ainda é, mas além de companhia e distração, ela
busca informação, serviços, participação. Estudo mostrou que, entre 1985 e 1995, a
porcentagem de mulheres expostas ao meio se manteve praticamente estável. Apontando,
no entanto, no mesmo período, uma forte migração da rádio AM para FM.
A ouvinte de AM mudou suas preferências na programação. Ela deixou um pouco
de lado os programas policiais. Em compensação, houve um grande avanço dos programas
religiosos, comentários e entrevistas. A prestação de serviços também agrada em cheio à
mulher ouvinte de AM. Nas FMs, porém, ela se decide basicamente por uma linha de
programação musical.
De acordo com o superintendente do Sistema JB de Rádio, Flávio Salles, hoje em
dia não há grande disparidade entre os públicos masculino e feminino na audiência das
emissoras qualificadas. A mulher interessa-se muito por tudo o que acontece. Quer saber
sobre trânsito, compras, serviços, etc. De um modo geral, no entanto, a mulher é uma
ouvinte de rádio mais assídua do que o homem, com uma razoável distribuição pelas
diferentes classes sociais e faixas etárias.
Nos Estados Unidos as rádios FMs formaram grandes redes e se especializaram em
música; já as rádios AM ficaram com a parte mais comunitária, social e de serviço. Há
quem acredite ser este o caminho das rádios brasileiras.
O rádio tem a força. Mesmo diante de todas as inovações no campo das
comunicações que o mundo tem observado nas últimas décadas, o rádio não abandona o
seu lugar de honra junto ao público.
Com certeza muita coisa mudou com o passar dos anos, houveram modernizações
no veículo rádio desde que Hertz descobriu, em 1887, o princípio da propagação
radiofônica. Hoje, várias emissoras utilizam-se de satélites para transmitir sua
programação, é possível ouvir a narração de clássicos de futebol do mundo todo , através
da Internet e telefone celular, tornando instantaneidade sinônimo de informação
radiofônica.
O que não mudou com o passar dos tempos e avanços tecnológicos foi a relação
entre o rádio e o seu público. Mais do que um simples veículo, ele é uma espécie de
amigo, parceiro que viaja em nosso carro, canta com a gente ao banho, discute política,
religião e também futebol.
Podemos nos perguntar, o que leva as pessoas a, mesmo diante de novas opções,
cada vez mais acessíveis, manter esta forte ligação com o meio rádio? A explicação talvez
esteja na dualidade do rádio. Ele é um veículo “solitário”, na opinião do radialista,
professor e comentarista esportivo gaúcho Ruy Carlos Ostermann, que pode acompanhar
desde um grande executivo indo ao trabalho, como um peão em sua lida campeira. E
ainda, na mão de grandes comunicadores, o rádio, pode ser um veículo de mobilização de
um grande número de pessoas em curto espaço de tempo nas mais diversas iniciativas de
âmbito social.
PERSPECTIVAS DE MUDANÇAS
TECNOLÓGICAS DO MEIO RÁDIO

Enquanto permanece a discussão entre satélite e rede, o futuro mostra um novo


horizonte. Segundo o engenheiro Michael Rau, vice-presidente da NAB (Nacional
Association of Broadcasting), “a configuração dos sistemas de radiodifusão para o século
que estamos iniciando agora, é o rádio tornar-se digital para sobreviver no futuro”.
Afirmou ele, no 18º Congresso Brasileiro de Radiodifusão que, para a emissora de rádio
permanecer numa posição competitiva com os produtos eletrônicos digitais e outros
concorrentes, o primeiro passo será a transformação de tecnologia analógica para digital
“e isso significa a radiodifusão audiodigital (DAB).”
Djalma S. Ferreira, diretor da Rádio Globo do Rio de Janeiro, em artigo publicado
na revista ABERT, n.º 65, conclui o seguinte sobre o DAB (Digital Áudio
Broadcasting/Difusão de Áudio Digital): “Até aqui, nada de assustar a radiodifusão
sonora, em sua forma atual. Apenas a perspectiva remota de que um dia todos os
receptores de rádio existentes vão ficar obsoletos e serão substituídos por aparelhos
(evitando usar a palavra “rádio”). Nos Estados Unidos, esta quantidade ultrapassa os
500 milhões. Em todo o mundo é provável atingir a casa do bilhão. O mercado é,
portanto, extremamente atrativo e a competição já em andamento pelo domínio deste
mercado, ou de segmentos dele, é bastante aparente(...). Estes fatos confirmam a certeza
de que estamos no limiar de mudanças drásticas no panorama mundial da radiodifusão
sonora. O Brasil, que conta com um dos maiores conjuntos de emissoras de rádio do
mundo, provavelmente será atingida por esta onda. É dado para avaliar se sua
conseqüência será o fim da radiodifusão sonora em sua forma atual, ou a alvorada de
uma nova era com rádio mais eficiente, mais rentável e, sobretudo, mais útil para seus
ouvintes.”.
Com os avanços tecnológicos a qualidade de emissão e recepção faz do ouvinte um
privilegiado. Com os novos aparelhos que surgem, um futuro nítido e sem distorção já está
entre nós.
Neste novo milênio viveremos grandes desafios tecnológicos, progressos na
digitalização, na robótica e na fibra ótica . Teremos a purificação do som e da imagem
exigindo de cada um de nós preparação financeira e competência.
CRIAÇÃO PUBLICITÁRIA E ÉTICA

Na propaganda não basta ter uma campanha publicitária criativa, instigante e


emocionante, se ela não atingir o seu público alvo. Seu valor será incompleto se não for
visto e apreciado pelo maior número possível de pessoas. Todo o aparato do mercado
publicitário, envolvidos profissionais talentosos e sofisticados equipamentos, serão em vão
se a missão não puder ser completa e a obra levada ao público. E isso só é possível através
da comunicação de massa. Vemos aí, a grande responsabilidade que têm as agências de
publicidade e os meios de comunicação, em garantirem ao seu público materiais de
campanhas que não os agrida em seus valores, não causem prejuízo a sua saúde e nem ao
seu bolso, pois excessos podem provocar protesto da sociedade, ferindo inclusive a
imagem do produto, sua tradição e seu uso respingando, ainda, na imagem do meio que o
veiculou.
Nelson Sirotsky, um dos diretores do grupo RBS conceitualiza de que propaganda,
numa visão ampla deve ser livre, democrática, aberta e indiscriminada, e toda a empresa
deve ter o direito de vender seu produto dentro de sua perspectiva e de sua visão de
mercado. “O que não as isenta da utilização de ações éticas. Esta posição deve vir tanto
de parte de quem produz comunicação como da sociedade, que precisa criar mecanismos
reguladores, de preferência de auto-regulamentação, como o Conar, para inibir e
eliminar eventuais abusos”.
As emissoras de rádio e televisão são consideradas empresas jornalísticas. Assim,
estão sujeitas não só às normas baixadas pelo poder concedente, Minicom, mas também à
Lei de Imprensa (5.250/67) que, entre outros itens, estabelece o registro em cartório, como
ponto fundamental para a definição de responsabilidade legal pela programação.
Segundo o art. 9º da Lei de Imprensa em vigor, as empresas jornalísticas precisam
ter matrícula no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas (ou Cartório de Títulos e
Documentos), onde constarão: razão social, nome fantasia, sede de sua administração e
local das instalações e, ainda, o nome, idade, residência e prova de nacionalidade do
diretor ou redator-chefe responsável pelos serviços de notícias, reportagens, comentários,
debates e entrevistas, acompanhado dos documentos comprobatórios. A falta deste registro
ou da averbação de suas alterações pode ser punida judicialmente com multa. Se os
programas não cogitam de matéria referente a reportagens, noticiários, entrevistas, etc.
versando, ao contrário, assunto diverso (show sem designação do autor, cinema, etc.) a
responsabilidade pela autoria é a do diretor ou proprietário da estação emissora.
O SOM NA CAMPANHA PUBLICITÁRIA

David Ogilvy, sobre a utilização do som na propaganda através da música ou de um


jingle afirmou: “quando você não tiver nada de importante a dizer, diga cantando”. Ou
seja, faça um jingle. O som faz parte do mundo da propaganda.
Pouco se tem analisado, contextualizado e definido sobre a importância do som na
linguagem publicitária. Existem profundos estudos sobre criação, marketing,
planejamento, posicionamento, teoria da forma, mas sobre o som é uma raridade.
Não se pode ignorar, entretanto, que não valorizando a importância do som ficamos
sem um dos pilares da comunicação publicitária.
David Ogilvy teve a sua frase “quando você não tiver nada de importante a dizer,
diga cantando”, interpretada erroneamente ao longo do tempo e com sentido pejorativo.
Ele quis dizer, na realidade, é que se o produto ou serviço tem um atrativo racional,
explica-se melhor falando do que cantando. Mas quando o produto ou serviço é forte no
encanto emocional, a melhor forma de transmitir emoção é através da música.
Provavelmente, a música (som) é um dos caminhos da comunicação mais
participativos e eficazes. Embora muitas vezes maltratada por muitos publicitários que se
limitam a encomendar um jingle a uma produtora ou compositor, indicando apenas a
duração temporal, para ficar no tradicional, a música serve para comunicar coisas e
situações que seria muito difícil, ou impossível, transmitir de outra forma. Um
determinado estilo, virtude ou situação específica que exigem reações de um determinado
estado de ânimo.
Por isso, não é qualquer tema musical que se aplica a qualquer produto ou
circunstância. A opção por um tipo de música envolve os mesmos critérios de criatividade
e cuidados técnicos quanto à escolha de uma foto ou a seleção de imagens de um filme, no
caso de mídia eletrônica.
Como aditivo motivacional, a música contribui para reforçar elementos de
recordação, tornando a mensagem indelével na mente do consumidor. Ajuda a manter viva
uma imagem durante mais tempo. A música também ajuda a repetir uma frase muitas
vezes sem cansar o ouvinte, a torna uma marca mais agradável de ouvir.
Com a música pode-se segmentar determinado público, pinçando-os no universo de
uma grande audiência de uma determinada rádio.
Converteu-se a música na linguagem globalizante dos jovens e, seja este talvez o
único caminho para prender sua atenção, em meio à imensa quantidade de informações
emitidas pelos meios de comunicação. Quando adequadamente utilizada pode converter-se
em uma verdadeira força de envolvimento de grandes parcelas do público. Como estímulo
às vendas, propagação de uma idéia ou fator de mobilização social.
A força do movimento nazista teve muito impulso na época, fruto da utilização da
música em suas peças publicitárias, usadas com muita criatividade. Mas antes deste
movimento histórico, a música já havia sido utilizada como forma de comunicação de
massa, na Revolução Francesa, em 14 de julho de 1789, com o canto de La Marseillese,
um instrumento valioso na mobilização da população francesa, empolgando o povo para a
tomada da Bastilha. Assim como na publicidade, ao longo de sua história, através de
jingles que são pequenas jóias de criatividade e capacidade de emocionar.
Na relação do som com o ser humano, podemos dizer que o som é onda, que os
corpos vibram, que essa vibração se transmite para a atmosfera sob a forma de propagação
ondulatória e, também sabemos que o nosso ouvido é capaz de captá-la e que o cérebro a
interpreta, dando-lhe configurações e sentido estético.
O som, quando organizado pela sensibilidade humana, transforma-se em música,
para muitos a mais elevada expressão da complexidade do cérebro humano. Três
elementos constituem a música, são eles: a melodia, a harmonia e o ritmo e, os fenômenos
resultantes destes são as consonâncias e as dissonâncias.
Dependendo do condicionamento anterior do indivíduo, o som pode provocar toda
uma variedade de emoções e reações físicas: batidas mais rápidas do coração, riso,
lágrimas, agitação, lassidão ou rememorações. O som pode provocar movimentos e a fala,
despertar lembranças e fazer surgir imagens mentais há muito esquecidas.
Praticamente desde o nascimento o cérebro já começa a acumular sons no centro de
memória sonora que possui.
Quando este centro é lesado ou destruído, sobrevém um estado chamado de agnosia
auditiva. A pessoa ouve, mas os sons não são decodificados e entendidos pelo cérebro. É
como se alguém ouvisse uma transmissão em Código Morse sem conhecer o significado
das batidas e dos espaços e freqüências entre eles.
Os adultos saudáveis podem distinguir cerca de 400.000 sinais sonoros diferentes,
reagindo conforme cada combinação, incluindo ritmos musicais e suas variedades.
Dependendo da interpretação do cérebro, o indivíduo ouve o belo e o grosseiro, o
harmônico e o dissonante, o sutil e o estridente no mundo dos sons que o rodeia, incluindo
aí as mensagens publicitárias.
O RÁDIO MELHORANDO A VIDA DAS PESSOAS

De uma forma ascendente a problemática das drogas tem causado preocupação a


toda sociedade. Nos perguntamos se esse problema deve ser solucionado apenas pelo
poder público, através dos seus mecanismos de segurança ou os meios de comunicação
podem, com seu poder de divulgação e formação, ajudar por meio da educação, orientação
e ensino a pais e aos jovens a saberem enfrentar o problema?
A Doutora Carmen Silva Có Freitas, médica psiquiatra, integrante da diretoria do
CONEN/RS – Conselho Nacional de Entorpecentes, no seu trabalho “Drogas, uma
Abordagem Interdisciplinar”, escreve: “É preciso promover a Educação Preventiva como
instrumento para a redução da demanda do uso indevido de drogas(...). A Educação
Preventiva é diferente da mera repressão ou informação. Consiste em utilizar a educação
como técnica de prevenção no sentido de desenvolver e fortalecer a capacidade de
resistência dos indivíduos e grupos ante a oferta (até agora inevitável) de drogas. (...) A
Educação Preventiva tem por objetivo capacitar o jovem e o adulto a se decidir por si,
porque não as necessita, às rechaçar livremente e ter a liberdade de dizer NÃO ante a
sedução da oferta. (...) O dependente de drogas é um enfermo físico-mental; ético-moral,
pela dissociação entre o que crê e pensa e o que faz; social, porque se marginaliza;
econômico, porque se insere no processo de oferta e demanda do seu consumo;
existencial, porque vive uma crise em sua vida.”.
A propaganda contra drogas deve prestar, segundo a doutora, um serviço de
orientação aos jovens e às famílias. Se possível, com criatividade. Além disso, deve
transformar em inimigo público o traficante e todo aquele que induz alguém ao consumo
de drogas. É lógico que não é com uma campanha que vamos resolver o problema do
tráfico de drogas, mas com certeza não estaremos lavando as mãos como Pilatos.
O departamento de comercialização das emissoras não encontraria grandes
problemas de comercialização deste tipo de campanha desde que fossem de qualidade e
atingissem os objetivos sociais e financeiros.
Outro serviço de grande importância oferecido aos ouvintes tem sido a previsão
sobre o tempo, ou seja, a Meteorologia – Ciência que estuda os fenômenos atmosféricos.
Utilizam-se para a divulgação da previsão do tempo dados do Ministério da Agricultura,
Ministério da Aeronáutica, dos satélites (geoestacionário Goes e o de órbita polar NOAA),
além de informações de Órgãos Estaduais, iates clubes, usuários de BBS, super
computadores do INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) e do Centro Europeu de
Previsão do Tempo, que passa previsões do mundo todo (macro escala), entre outras
fontes.
Além da previsão do tempo existem os subprodutos deste trabalho: previsão do
vento, temperatura, pressão atmosférica, fotos de satélites, sessão de dados observados
para usuários, entre outros.
A meteorologia brasileira está progredindo, já existem ótimos softwares e hardwares
que possibilitam leituras mais claras, mas ainda falta muito investimento. O que os
Estados Unidos investe em um só dia, nós no Brasil investimos em um ano.
Carlos Magno, apresentador da previsão do tempo em dois programas da TV Globo
diz que: “Em situação de transição entre uma estação e outra, os dados que temos não
são suficientes, faltam informações meteorológicas mais apuradas, por isso algumas vezes
não acertamos as previsões, o índice de acerto é de 90%”.
Informações sobre o tempo também de fácil comercialização no meio rádio.
QUALIDADE DA PROGRAMAÇÃO
- UM DIREITO DO OUVINTE

Milhares de pessoas em todo mundo lamentam a lixeira em que se converteu boa


parte das rádios, em se falando de programação musical. Na Itália, nos Estados Unidos, na
França, no Japão, no Brasil, não importa, proliferam com raro ímpeto programas e
veículos que rodam, à exaustão, músicas que não passam de grandes equívocos. Há de
tudo, naturalmente, e dizer o que é bom ou não passa pela subjetiva questão de gosto.
Mesmo assim, há muitas coisas que, definitivamente, enquadram-se na grande vala
comum da porcaria. No caso da música popular brasileira – pelo menos nos últimos longos
dez anos! Essa porcaria emana sobretudo de inesgotáveis alê-auês que celebram desde
frondosas dores-de-cotovelo até ela, preferencia nacional, a bunda. Letras de torcer o
nariz e melodias incansavelmente repetitivas – por incrível, têm feito a glória da indústria
fonográfica brasileira, além de eleger ídolos da noite para o dia e poluir as ondas sonoras
com o que há de mais duvidoso. Mas, sendo justo, esse fenômeno da banalização da
música não acontece apenas nos círculos da axé music, do pagode ou do sertanejo, alvo
das maiores críticas. Ele alveja todos os estilos e vem de tempo. Raul Albornoz, diretor do
selo Antídoto, que já lançou nomes como Papas da Língua, Acústicos e Valvulados, pensa
que as coisas são colocadas muitas vezes de uma forma pejorativa. Mas no fundo diz ele, o
Tchan, por exemplo, segue uma tradição de músicas picantes brasileiras que existiam
desde os anos 20, 30, como “mamãe eu quero”, dentro do carnaval carioca.
Quem procura respostas para esta cadeia de mediocridade que sai das gravadoras e
invade as rádios para chegar aos ouvintes, encontrará muitas pistas. Fred 04, líder da
Banda Mundo Livre S/A, recorre ao que chama de “pacto da burrice” nacional para
justificar o fato de se estar ouvindo músicas tão discutíveis: “Todos os operadores
culturais se vêem compelidos a atuar mediante determinados parâmetros éticos e
estéticos, cada vez mais rígidos, estreitos, imediatos, rasteiros, para fazer com que o
dinheiro corra cada vez mais rápido e sempre na mesma direção.”. O consumidor mal
tem tempo de pestanejar. As gravadoras determinam o que se ouve, e os pequenos lojistas
são praticamente obrigados a encomendar cada vez mais discos, de cada vez menos títulos.
E isso não é uma teoria conspiratória. É uma conspiração declarada e largamente
difundida, dispara Fred.
O que geralmente acontece no universo das rádios, levando milhares de pessoas a
movimentar as altas cifras da indústria do entretenimento musical, é a repetição. Parece
simples, não é? Pois faça um exercício: mantenha o rádio ligado durante todo o dia, e
preste atenção em quantas vezes você vai ouvir a mesma música. Surpreso? É, esse índice
chega a uma média de 20! Isso mesmo, 20 vezes tocando a mesma coisa! “O sistema é
assim: a música vai tocar 300 vezes até que o cara acha que gosta daquilo”, afirma a ex -
diretora da rádio Ipanema FM e hoje colaboradora da rádio FM Cultura e do Jornal ABC
Domingo de Novo Hamburgo, RS, Katia Suman. A repetição contínua e programada
acaba estabelecendo um padrão de gosto. Isso define quais serão as estrelas do showbiz do
momento, quem mais vender e aparecer mais – pelo menos por um período de tempo. Que,
por sinal, está cada vez mais curto, “porque o mercado trabalha com entretenimento, não
com estética, e isso implica uma durabilidade cada vez mais volátil”, analisa o escolado
em dar murro na ponta de faca o cantor e compositor gaúcho Nelson Coelho de Castro. “O
produto cultural acaba sendo apenas um detalhe”, afirma.
O crítico José Miguel Wisnik, por exemplo, no livro “O Som e o Sentido” (Ed.
Companhia das Letras), afirma que esse fenômeno do mercado fonográfico é próprio da
condição pós-moderna - “O mercado pós-moderno é baseado em ciclos rápidos de
posição e reposição da história dos gêneros, da liquidação dos estoques, da queima de
estilos.”.
Vinte e quatro anos de balcão em loja de discos foram suficientes para que
Francisca Flores, a “Chica da Galeria Chaves”, em Porto Alegre, formulasse suas idéias a
respeito do que leva as pessoas a ouvir isso ou aquilo. “A gente acostuma o ouvido desde
criança. Começam a te empurrar e tu acabas gostando”, opina. Chica ressalta a influência
sublimar da música – “Trabalhando, a gente nem presta atenção direito ao que está
ouvindo. É a mesma coisa que acontece com a dona de casa. O rádio está sempre ligado,
e de vez em quando ela se lembra: ‘Ah, como eu gosto dessa música’... Enquanto isso a
música vai entrando...”.
O dj Claudinho Pereira chama esse fenômeno de “mídia acidental”. – “Tu podes ser
um cara que só escuta os seus discos, não houve rádio. Mas, um dia, tu acordas com
‘Pense em Mim’ na cabeça, porque estou num bar, na frente da loja, talvez com a
empregada.”.
Um dos grandes provocadores da cena musical brasileira nas últimas décadas,
Nelson Motta escreve de Nova Iorque que tudo começa torto, com as concessões de rádio
parando nas mãos de pessoas por interesses políticos. Paralelamente a isso, ele caracteriza
as rádios como a principal lixeira musical do país, não só no Brasil como em qualquer
outro lugar. - “Já pensei em pedir no ar, durante o Manhattan Connection, um adicional
de insalubridade, porque a quantidade de lixo em mídia que os norte-americanos
consomem é comparável à quantidade de comidas rápidas, sem qualidade que eles
ingerem – e a quantidade de remédios para o estômago que tomam. Hoje, nem se
pagassem meu peso em ouro eu seria um crítico musical profissional.”.
Katia Suman, ex-diretora de rádio diz que, “quando pára o break comercial, o que
vem depois continua sendo um break comercial. Um esquema em que a gravadora, a
rádio e o artista se beneficiam, mas no qual o público entra de otário, por ser o joguete no
meio desta manobra de insumos promocionais em que as gravadoras repassam dinheiro
ou benefícios a profissionais de rádio, sob a condição de que certas músicas sejam
tocadas com grande freqüência.”. As cinco grandes corporações fonográficas do planeta
– Sony, EMI, BMG, Universal e Warner – são poderosas o suficiente, conforme Katia,
para decidirem o que vai ser ouvido no mundo capitalista. Os critérios, obviamente, não se
limitam ao valor artístico. –“ São executivos que gerenciam a música como qualquer
outro negócio. O que está em jogo são números, não estética. Isso gera a mediocrização
da cena. Ouvindo rádio ou TV, um estrangeiro pode achar que a vida musical brasileira
se restringe a poucos nomes. Aí dizem que é isso que o povo quer. Não sei se é. É isso que
é enfiado goela abaixo “– opina Katia Suman.
Emílio Surita, diretor artístico da rede Jovem Pan FM, em São Paulo, é direto:
“Hoje, um CD é um produto, e um artista, idem. Muita gente pode não concordar e
considerar a música tão-somente parte da cultura, mas, para a indústria, a música é um
produto, e ele tem de vender.”. Para o consolo de ouvidos mais exigentes, o diretor da
Jovem Pan ressalta que, no futuro, “só será lembrado quem realmente produziu algo de
qualidade”.
Todas estas infindáveis discussões parecem partir, como muitas outras mazelas
brasileiras, da educação. Ainda na escola, as crianças se vêem convivendo com toda a
sorte de influências. São os coleguinhas que rebolam ao som da dança da boquinha da
garrafa, ou têm na ponta da língua canções nada ingênuas. Soma-se a esse processo o fato
de que dificilmente, como notou o francês Jean Baudrillard, as pessoas vão investir seu
tempo em questionamentos sobre o que invade seus ouvidos. Ele sugere que “o homem
moderno tem coisas mais ‘interessantes’ a fazer do que pensar e refletir”.
“Primeiro, rebaixam-se as pessoas para, depois, oferecer-se uma arte rebaixada”,
fulmina o crítico musical e historiador de cultura urbana José Ramos Tinhorão. E, ele volta
a carga: “O grosso da sociedade foi empobrecido em seu conteúdo, e as pessoas perderam
suas referências. A um ser esvaziado de conteúdo humano, corresponde uma arte vazia de
conteúdo artístico”, situa Tinhorão.
No campo específico da música, Tinhorão aponta as letras como o reflexo imediato
desse sistema. “Letras com emoções e psicologias densas só vão ser entendidas por uma
pessoa mais complexa. Quanto mais imbecis e vazios houver, melhor para vender o
produto mais fácil de fabricar. E, se não somos compradores, não somos pessoas para
essa indústria”, provoca.
A necessidade dessa formação, claro, também vale para os próprios artistas. “Você
acha que a visão cultural de sambistas antigos é comparável à de pagodeiros de hoje?
Você consegue se imaginar falando de algo com essas pessoas, senão sobre mercado?
Eles tem bagagem?”, desfere Zuza.
“Essa geração de lixo da MPB me passa uma impressão de que nunca se interessou
pela boa música brasileira para compor alguma coisa. Que conhecimento musical eles
demonstram, se fazem sempre o mesmo disco?”, questiona Kid Vinil – aquele da
igualmente discutível Eu Sou Boy, hit dos anos 80.
“Se continuarmos nos fingindo de burros, em breve teremos a maior indústria
fonográfica do mundo, e também a mais corrompida”. ( Fred 04, da Mundo Livre S/A).
CONCLUSÃO

“Ninguém liga o rádio para escutar um spot. Portanto, o anúncio tem que ser tão
verdadeiro, tão dramático, tão engraçado, ou mais emocionante do que o programa de
rádio que o contém” , palavras de Bill Bernbach.
Não podemos acreditar que as emissoras de rádio queiram criar ouvintes que não
pensem e não reflitam sobre o que acontece ao seu redor; portanto, até por uma questão de
humanidade têm estas, o papel de filtrar cultural e moralmente o material apresentado na
programação musical, publicitária e jornalística, tornando-se assim, a formadora prática
de uma sociedade pensante e ativa nos rumos de uma transformação verdadeira da
realidade desta imensa massa excluída em que estamos inseridos. Desta forma, como meio
de comunicação, o rádio terá uma maior inserção no bolo publicitário, pois maior será o
número de seres humanos interagindo e participando como agentes sociais, usufruindo
direitos de mais possibilidades, realizações e poder de consumo em uma totalidade
universal. Também, a responsabilidade de mostrar aos homens de que a nossa passagem
pela terra é bem mais complexa do que simplesmente nos mantermos vivos.
O bolo publicitário no meio rádio aumentará na medida que mais pessoas
participarem do mercado consumidor, porque até para mostrar a realidade ou transformá-
la, como veículo de comunicação, o meio rádio pode faturar. A crítica também tem
consumidor.
Portanto, afirmo que, conciliando informações em temas específicos através de stop
comercial ou programas em áreas afins, estes materiais poderão ser comercializados e
inseridos na programação com carimbos publicitários e veiculações comerciais que
atendam o interesse do investidor que passaria a ter a possibilidade de, juntamente com a
equipe comercial e jornalística do meio rádio, um grande retorno comercial ao seu
produto, aliado este a um bom trabalho informativo jornalístico, ganhando com isto o
ouvinte, o meio rádio e o investidor.
BIBLIOGRAFIA

01. REVISTA DA AMIRT (Associação Mineira de Rádio e Televisão), “Matéria de


Capa”; “História” – nº. 105, outubro de 2000.

02. JORNAL DA AESP (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de


São Paulo), “Informe Jurídico”; “Emissora-Rádio” – nº. 137, maio de 1995.

03. JORNAL DA AESP (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de


São Paulo), “Atividades”; “Dicas Técnicas”; “Rede-Rádio” – nº 138, julho de 1995.

04. JORNAL DA AESP (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de


São Paulo), “Comercialização” – nº 185, março de 2000.

05. JORNAL DA AESP (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de


São Paulo), “Propaganda passa por transformações radicais”; “Rádio e TV informam
sobre o tempo”; “Sintonia” – nº 158, novembro de 1997.

06. REVISTA RÁDIO-TV (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão –


ABERT), “Rádio digital terrestre ainda não tem um padrão”; “Racismo pode até tirar
emissora do ar”; “Agências aprovam auto-regulamentação”; “E o rádio continua
firme”; “Mulher, rádio e TV”; “Rádio digital por satélite”; “ABERT: confiança na
radiodifusão” – nº 118, junho de 1997.

07. REVISTA RÁDIO-TV (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão –


ABERT), “A tarefa de administrar uma rádio do interior”; “AM: a substituição por
sistemas digitais (2) ”; “Rádio e TV precisam de popularidade e prestígio”; “A
imprensa precisa é de liberdade”; “A responsabilidade legal numa emissora”; “Cresce
o número de rádios na Internet”; “Telecomunicações e Democracia” – nº 123,
novembro de 1997.

08. REVISTA RÁDIO-TV (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão –


ABERT), “Rádio: um fantástico potencial de alcance, eternamente aproveitado”; “O
maior desafio das emisssoras: liberdade de expressão na Era Digital” – nº 134,
novembro/dezembro de 1998.

09. REVISTA RÁDIO-TV (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão –


ABERT), “Pesquisa”; “Radiodifusão, ética, responsabilidades da ABERT”; “Sistema
de comunicação brasileiro está no rumo do primeiro mundo” – nº 82, abril de 1993.

10. REVISTA DA AGERT (Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão), “O


futuro das rádios no Estado (RS) e no Brasil” – ano 01, nº 01, dezembro de 1999.

11. REVISTA ADVERTISING (Associação Riograndense de Propaganda), “A


importância do áudio na propaganda”; “É possível construir grandes marcas sem
mídia de massa?” – ano 02, nº 27.

12. REVISTA ADVERTISING (Associação Riograndense de Propaganda), “A força do


rádio no Rio Grande do Sul”; “Drogas, que droga!”; “Quanto maior a procura, maior
o valor” – ano 01, nº 11, março de 1998.

13. REVISTA APLAUSO, “Como as gravadoras e rádios determinam o que é sucesso”;


“Por que você ouve tanta porcaria?” – ano 03, nº 22, 2000.

14. REVISTA APLAUSO, “O Gaúcho lê ou finge que lê?” – ano 03, nº 23, ano 2000.
15. LE GRAIN MARC; MAGAIN DANIEL. Publicidade e Propaganda – Série
Empresas Emergentes – Editora Makron Books do Brasil Ltda e Editora McGrau-Hill
Ltda – SP.