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O Estado, a sociedade e as políticas sócias: o caso das políticas de saúde

Boaventura de Sousa Santos (1987)

Santos (1987), analisando políticas públicas para saúde em Portugal e fazendo um paralelo com
outros países, alerta para o fato de que as políticas públicas na área da saúde precisam ser feitas no
contexto dos direitos sociais. Quando é colocado que o cidadão não tem acesso, em sua plenitude, a
saúde básica, seja por: falta de médicos, unidade básica de saúde, equipamentos hospitalares e
hospitais públicos, se evidencia um problema que necessita da atenção do poder público. A
inobservância a esta demanda não solucionada atenta diretamente aos direitos sociais da população.
Por sua vez, o Estado pode alegar falta de recursos para atender a demanda da população por acesso
a saúde básica, mesmo que o papel do gestor público é administrar os recursos públicos de forma a
garantir os serviços básicos a população. Sen (2010) coloca a importância da democracia para
sociedade, pois através da liberdade do voto a população pode corrigir falhas que o gestor público
cometeu em atender as necessidades básicas da população. Numa visão mais sistêmica, pode-se
observa a assimetria de informação numa campanha eleitoral, onde a venda da imagem de um
gestor público pode ser construída objetivando uma maior aderência ao voto, sem levar em conta a
capacidade administrativa do próprio gestor público,

A análise de políticas públicas pode evidenciar a ineficiência do gestor público em lidar com o
problema público. Essa ineficiência pode ser observada pelo simples fato da falta de conhecimento
ou expertise em lidar com o problema público, mas também pode evidenciar a destinação de
recursos para outras demandas, não levando em conta a isonomia na aplicação destes recursos. Esta
falta de isonomia pode levar a pensar que o gestor público tem maior interesse de aplicação de
recursos público num dado seguimento e que atinja apenas uma parte da sociedade, ou ainda que
parte da sociedade organizada venha influenciar este gestor seja por pressão política ou alinhamento
ideológico. A maior discussão é: Que parte da sociedade é essa? Em que condição se encontra esta
sociedade? Qual influência que este gestor público sofre? Quem são estes grupos organizados? A
qual interesses estes grupos atendem?

Identificando os atores na política pública oportuniza a construção das relações de poder presentes
entre estes atores. Os dados sobre a administração pública e a relação do Estado com poder
econômico e sociedade organizada, pode evidenciar influências externas que afetam a decisão
pública. Para se demostrar a influência presente na relação de poder entre estes atores será buscado
através do discurso ou atitudes públicas, promovidas por estes atores, seu real alcance materializado
no fato consumado que evidencie vantagem subjetiva ou real para um ator determinado.
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cont…

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o desperdício
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Boaventura aponta que a política pública quando traduzida em direitos tem um apoio massivo de
movimentos sociais que estejam nela interessada. O Estado, por sua vez, ficará atento ao apoio
social com intuito de flexibilizar estes direitos logo que houver diminuição do apoio político. Esta
flexibilização funcionaria como uma restrição de acesso a este direito social, onde só usufruiriam do
direito social aqueles que seguissem o critério objetivado na restrição de acesso. Esta flexibilização
do direito social não funciona apenas como restrição de acesso, ela se manifesta também
restringindo os serviços ofertados, deteriorando a qualidade, não regulamentando as leis que
proporcionaram este direito, não proporcionando uma estrutura administrativa a este serviço, não
orçando recursos para aplicação e manutenção, não alocando recursos humanos capacitados e
necessários para proporcionar tal serviço e etc. Boaventura mostra a contradição do Estado que
mesmo na flexibilização e diminuição dos direitos sociais, pode chegar a um ponto que o direito só
exista no papel, deixando de atender aqueles que se destinam o direito social.

O PMM vem para atender a demanda por médicos para APS que é oferecida nas UBS de forma
públicas, quando se ver a falta de gestão no PMM deixado áreas descoberta de atendimento, falta de
verba para UBS, onde resulta em unidades sem manutenção ou localidades sem posto de referência,
leva ao que Boaventura aponta, uma política pública para saúde que virou um direito social por APS
que deixa de ser atendida pelo Estado. O Governo por sua vez alega falta de recursos para atender
as demandas sociais, crise externa e falta de profissionais. Em certo momento o Governo alega o
tamanho da máquina Estatal como responsável por não haver recursos, onde a contradição se revela
num Estado que procura se desidratar para atender a população que carece cada vez mais do Estado.
Enquanto isso, a contradição se agrava quando se tem na constituição garantia de direito a saúde
universal, fato este, que não se realiza na vida real.
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VER O PAPEL DA BUROCRACIA

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Boaventura alerta para o fato de ser utilizado o discurso da crise com o objetivo “de sacrificar os
interesses sectoriais com menor peso político em benefício de outros que exigem satisfação
urgente.” Pagina 30. Esse fato muitas vezes encontra amparo na crítica e crise ao Estado-
Empresário (termo usado por Boaventura para se referir a parte do Estado empreendedor que “visa
criar bens e serviços a preço de mercado” p. 31). Então, a crítica e crise ao Estado-Empresarial se
transforma na critica e crise ao Estado-Providência, esta confusão contamina o debate sobre o
Estado-Providência e encontra amparo naqueles que querem atacar programas sociais. Boaventura
analisando a pesquisa de Abel-Smith coloca um ponto importante: o modelo de tratamento a crise é
o mesmo de países de centro, mas o impacto social é diferente nos países periféricos. Com isso, o
Estado-Providência deixa de prestar os serviços públicos de forma ampla e no caso da saúde para
lidar em partes com a deficiência do Estado-Providência, Boaventura mostra que a sociedade-
providência, através da medicina popular de produção artesanal ao lado da medicina oficial,
funciona como complemento à deficiência de atendimento da medicina estatal. Não se pode colocar
Portugal e nem o Brasil como Estado-Providência, tanto no nível de bem-estar produzido ou no
processo político conduzido, mas pelo caráter semiperiférico atribuído a ambos os países, pode-se
colocar que em partes simulam o Estado-Providência, mas de forma precária e ineficiente. Esta
brecha deixada pelo Estado no atendimento público à saúde, pode ser observada com crescimento
de clínicas, hospitais e centros de tratamento especializados, com acesso restrito a estes serviços por
uma pequena parcela da população que consegue arcar com a despesa cobrada. É importante
colocar que o acesso a estes serviços se dá por níveis e categorias específicas com valores diversos
selecionando ainda mais o seu público. A margem de atuação empresarial avança cada vez mais na
atuação do Estada no provimento social restringido acesso e segregando aqueles que não podem
arcar com o custo da saúde.

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