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REFERÊNCIAS

VELLOZO, Dario. Cinerário e outros poemas. Curitiba: Prefeitura Municipal de Curitiba,


1996.
A tradição simbolista paranaense tem entre seus expoentes o poeta – e também
professor, jornalista, filósofo, romancista, tradutor, ensaísta – Dario Vellozo. Utilizamos
como base a compilação de poemas Cinerário, em cuja introdução temos um poema de Paulo
Leminski, onde este destaca Vellozo e sua obra Atlântida, enfatizando sua modernidade:
além do Templo
o prof. Dario tinha construído outra obra
ATLÂNTIDA
poema de 300 páginas
terminado em 1933
editado em 1938
completamente fora do seu tempo
um fóssil
vindo de outras eras
anteriores à Semana de Arte Moderna
-- não se esqueçam de publicar a
Atlântida,
disse o mestre em seu leito de morte

Neste trecho podemos observar a influência do simbolismo na obra de Leminski,


a linguagem sendo desestabilizada. Ele também destaca o Templo das Musas, levantado em
1918 em Curitiba, cidade onde o simbolismo teve um grande impacto, incorporando até a
misticidade na arquitetura de inspiração grega. Enquanto grandes capitais estavam mais
interessadas no realismo, o simbolismo vingou no clima curitibano, sendo impulsionado pela
ideia de progresso e também pela Revolução Federalista.
Inserido no meio intelectual, Vellozo participou na criação de diversas revistas,
em destaque a revista Cenáculo, em conjunto com Silveira Neto e Júlio Perneta, com objetivo
de construir um movimento literário forte no Paraná, com a intenção da mudança da
mentalidade do público e a abordagem de questões sociais. Sua obra é extensa, com muitos
livros publicados, além de jornais e revistas.
O pensamento de Vellozo durante esta época toma o caminho do ocultismo,
mostrando forte interesse pelo Oriente, e aprimorando seu gosto por influência de Emiliano
Perneta, conhecendo Verlaine, Mallarmé, Rimbaud e outros.
Esta veia ocultista gera uma dissidência com outros intelectuais da época, mas
Vellozo defende e inclusive junto com outros intelectuais, trouxe tradições de um passado
remoto, como ceremônias helênicas, até se trajando com vestimentas gregas. Dário Vellozo
vivia a poesia, acreditando que o poeta é de fato um artista, vive a arte e confecciona sua obra.
O poeta deste período se depara com uma crise existencial, onde os valores em voga até então
perdem o sentido e assim busca refazer a sua literatura, busca a arte pela arte; é a crise de
representação e crise do eu. O simbolismo é a forma de retomar a arte para si, lhe dando um
novo sentido:

Argonauta

I
Flambelantes leões de áurea juba inflamada
Rugem na carne em flor, sol de ouro a rutilar...
Soam trompas, flamejam purpuras, fanfarras
Troam.

Asas abrindo, a galera entra a vogar...


(Galeras! Frota do Amor, da quimera passada!)
Vai-se! Levando as amarras,
Soltas no mar as amarras,
Leão de asas sobre o mar!

Carne! – flama do Irã! Jarra da babilônia,


De fragrâncias fidaldas!
Astartéia, domando os ciclopes da Jônia!...
Nostalgia das algas!...
Saudades de Isis morta, entre lótus, boiando!

Quem esgotou do Amor as fragrâncias fidalgas?

Babilônia, eu te vejo, entre flamas, brilhando!

Flambelantes leõs! – desejos que rugiam


Na trirreme do Sonho, em meu sangue levada,
E para o Coração, entre flamas, subiam...

Argonauta! – que importa a loucura passada?

Soam trompas de novo, e de novo fanfarras


Ouço troar...
Solta às frotas do Amor as brilhantes amarras!

Ah! Mas que nostalgia há nas vagas do mar!...

Ísis, talvez, que vai passando...


Ísis que vai recordando
Velho idílio de amor sob a luz do luar!...

II
Ai, sortilégio! Ai, malefício!
Alma, onde vais, triste e perambula?
A que suplício,
Argonauta do amor, da minha alma sonâmbula?

Ísis, que Gênio as minhas frotas guia


Para esse Além misterioso?
Frotas de opala... da nostalgia...
Frotas de um sonho delicioso.
Sei que me levas, Argonauta!...
A que regiões do Além sidéreo
Frotas de opala!... Ai, Nauta, Nauta!
Vamos vogando para o Mistério!... (VELLOZO, p. 212)

Em Argonauta, o poeta traz todo um imaginário e jogo com a linguagem muito


inovador para a época. Já no primeiro verso, “Flambelantes leões de áurea juba inflamada”,
observamos o potencial criativo ao inventar palavras com uma sonoridade forte.
Em “Rugem na carne em flor, sol de ouro a rutilar”, percebemos a mistura de
sensações, típica do movimento simbolista, assim como em “flamejam púrpuras”. A primeira
estrofe já demonstra a potência sonora que está por vir.
Também notamos os elementos mitológicos, como Argonauta e Isis, ciclope e a
influência oriental (“jarra da Babilônia”). Há grande uso de recursos estilísticos (Amor,
Sonho, Coração iniciando com letra maiúscula), assim como a linguagem fluida, a leitura em
voz alta dos versos causa uma sensação de musicalidade; também explora as figuras de
linguagem, como em “leões de asas sobre o mar!”.
O poema traz uma aura muito forte de misticismo, pois as imagens não ficam bem
definidas, são quase como um sonho, trazendo à tona o inconsciente; isto demonstra uma fuga
à realidade, em reação ao pessimismo da época.
O simbolismo entra como uma oposição aos valores do realismo, uma
desconstrução da linguagem que até então era utilizada. Enquanto o realismo e o naturalismo
eram de uma linhagem cientificista e sem subjetividade, o simbolismo entra com o total
oposto, dando uma liberdade muito grande para a literatura que surgiu a partir daquele
momento, desde a desconstrução da estrutura padronizada até as possibilidades de inovar com
a linguagem, abrindo terreno para os poetas que ainda surgiriam.