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MARTIN W. BAUER £ GEORGE GASKELL (ED.) PESQUISA QUALITATIVA COM TEXTO, IMAGEM E SOM UM MANUAL PRATICO. ‘Tradugio de Pedrinho A. Guareschi Dados Internacionais de Catalogacio na Publicagio (CIP) (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) sum manual (editores); tradugao RJ:Vores, 2007. Titulo original: Qualitative Researching with Text, Image Pesquisa qualitativa com texto: imagem ¢ so pratico/ Martin W. Bauer, George Gask de Pedrinho A. Guareschi. ~6.d, Pen o2s0ss Si G2r0% VOZES iva: Metodologia 001.42 Petropolis LEACH, E, (1970). Lévi-Strauss. London: Fontana. LEISS, W., KLINE, S. & JHALLY, S. (1997). Social Communication in Advertsing: Persons, Products and Images of Well-Being (2nd edn). New York: Routledge. SAUSSURE, F. de (1915). Course in General Linguistics (trans. W. Baskin]. New York: The Philosophical Library, 1959; New York: McGraw-Hill, 1966. SONTAG, 5. (1991). liness as Metaphor and AIDS and its Metaphors. Lon- don: Penguin. WILLIAMSON, J. (1978). Decoding Advertisements: Idealogy and Meaning in Advertising. London: Marion Boyars —342— 14 AWNALISE DE IMAGENS EM MOVIMENTO Diana Rose | Petacras-chave codificacao; representagio; narrativa; translacio, Neste capitulo, irei discuti televisio € outros materiais audiovisuais. O método foi desenvolvido especili- camente para investigar representagées da loucura na televisio ¢, inevitavelmente, alguma coisa do que tenho para dizer sera especifi- co para esse t6pico. Muito disso, contudo, tem uma aplicagio mais geral, pois abrange um conjunto de conceitos € técnicas que podem servir de orientacao na andlise de muitas representacdes sociais no mundo audiovisual. Parte da aplicabilidade geral do método provém de seus funda- mentos teéricos. Na verdade, a argumentacio te6rica é critica em cada ponto do desenvolvimento da técnica. Comecarei, entio, dizen- do algo sobre os fundamentos tedricos do método, limitando-me, nesse ponto, a um nivel mais geral. O que precisamente sdo meios audiovisuais, como a televisio? E atelevisio igual a um radio com figuras? Diria que nao. Além do fato de que 0 préprio ridio nao é simples, os meios audiovisuais sao um amalgama complexo de sentidos, imagens, técnicas, composi¢ao de cenas, seqiiéncia de cenas e muito mais. £, portanto, indispensavel evar essa complexidade em consideracio, quando se empreende uma andlise de seu contefido e estrutura. Todo passo, no processo de anélise de materiais audiovisu: envolve transladar. E cada translado implica em decisées ¢ escolhas, Existirdo sempre alternativas vidveis &s escolhas concretas feitas, e 0 que é deixado fora ¢ t4o importante quanto o que esta presente. A 308 — escolha, dentro de um campo miiltiplo, € especialmente importante quando se analisa um meio complexo onde a translagao ira, normal- mente, tomar a forma de simplificacao. Nunca haver4 uma andlise que capte uma verdade tinica do tex- to. Por exemplo, ao transcrever material televisivo, devemos tomar decisdes sobre como descrever os visuais, se vamos incluir pausas € hesitacdes na fala, e como descrever os efeitos especiais, tais como mtisica ou mudangas na iluminagio. Diferentes orientagoes teéricas levarao a diferentes escolhas sobre como selecionar para transcri- ho, como mostrarei a seguir. Como ja foi dito, nao hé um modo de coletar, transcrever ecodi- ficar um conjunto de dados que seja “ verdadeiro” com referéncia 20 texto original. A questao, entao, é ser o mais explicito possivel, a res- peito dos recursos que foram empregados pelos varios modos de translagio © simplificacao, Bernstein (1995) sugeriu que nds cha- méssemos o texto de “LL” (0 L esté por linguagem), eo referencial de codificagao “L2". O resultado da-andlise é, entdo, uma interacao entre L1e 12, E uma translagio de uma lingua para outra e, para Bernstein, ela possui regras ou procedimentos. O problema com esse modelo é que ele pressupde apenas dois passos. Ou, talvez, cle supe que os processos de selecdo, twanscrigao e codificacio dos da- dos possam ser vistos como uma tinica linguagem. A distingZo, con- tudo, nao deixa claro que nao pode haver um simples espelhamento mjunto ce dados na analise final. Processos de translado nao dio origem a simples cépias, mas levam, interativamente, 4 produ- ao de um novo resultado, ‘Tomemos um exemplo, novamente do campo da transcrigao. Potter & Wetherell (1987) propuseram um método para transcri¢ao da fala, Bles acentuam a importéncia de deserever pausas c hesita- Ges, €a duracio desses siléncios, em sua descrigao. Seria isso * mais verdadeiro” que uma simples transcrig4o, palavra por palavra? Eu diria que nao. © que dizer da inflexao ¢ da cadéncia (ver, por exem- plo, Crystal & Quirk, 1964)? E ainda mais importante para o nosso caso, que dizer dos aspectos visuais da comunicagio? A cinética é um enfoque descrito por Birdihistell (1970), mas raramente emprega- do. Este autor descreve as dimensoes nao verbais da comunicacao. ‘Uma énfase na fala, ou discurso, nunca pode incluir essas caracteris- ticas, Saussure reconheceu isso ha muito tempo atras, quando ele disse que a semiética é a ciéncia dos signos, e signos nao se limitam ‘20s campos da fala e da escrita 344 Voltando & anilise da micia, Wearing (1993), seguindlo Potter & Wetherell, analisou as reportagens da imprensa sobre um assassino considerado um doente mental. A anilise ficou totalmente ao nivel do texto, ignorando o leiaute, titulos, fotografias¢ localizacéio em re- lagio a outras hist6rias. Wearing insistiu que um novo retrato sido produzido pelo entrelacamento de dois discursos 0 jornalisti- co € 0 psiquiatrico. Devemos dizer que as representacdes da midia sao mais que discurs6s. Elas sao um amélgama complexo de texto, eScrito-on falado, imagens visuais, e as varias téenicas para modular © Seqiienciar a fala, as-fotografias ¢ a localizagio ce ambas. A questio nfo é que exista um caminho para captar todas essas nuangas a fim de produzir uma representagao mais fiel. F, antes, que alguma informagao sera sempre perdida, outras informacées pode- vio ser acrescentadas, e desse modo o proceso de analisar fala e fo- tografias € igual A traducao de uma lingua para a outra. Ao mesmo tempo, isso normalmente implicaré uma simplificagio, quando 0 texto a mao é tdo complexo quanto a televisio. O produto final, do mesmo modo, seré novmalmente uma simplificagdo — um conjunto de extratos ilustrativos, uma tabela de freqiiéncias. Hi casos onde a andlise extrapola o texto, tanto em tamanho, como em complexidade, Muitas obras sobre critica literdria sfio des- se tipo, sendo 0 livro de Barthes (1975) $/Z um exemplo disso. No trabalho de Birdwhistell (1970), mencionado acima, foram necess4- ios dois anos € todo um livro par analisar uma seqiiéncia de dois mi- nuts, de uma pessoa acendendo ¢ fumando um cigarro. Talver isso mostre o absurdo de tentar captar algo intrinseco ao texto concreto, ‘em um trabalho analitico. Além disso, e como jé se falou, os materiais de televistio nao sio definidos apenas a partir do texto. A dimensao visual implica técni- cas de manejo de camera ¢ direcio, que sao apenas secundariamen- te texto. Elas produzem sentidos, certamente, mas esses sentidos so gerados por técnicas de especialistas. Em vez de procurar uma perfeicio impossivel, necessitamos ser muito explicitos sobre as técnicas que nés empregamos para selecio- nar, transcrever € analisar os dados. Se essas técnicas forem tornad explicitas, entao o leitor possui uma oportunidade melhor de julgar a andlise empreendida. Devido a natureza da translacao, existira sem- pre espago para oposicao e conflito. Um método explicito fornece um espaco aberto, intelectual pritico, onde as andlises sto debaticlas 345 —