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História da Língua Portuguesa UNIDADE 03 AULA 13

Alessandra Gomes Coutinho Ferreira


Joseli Maria da Silva
Rosa Lúcia Vieira Souza
Rosângela Vieira Freire

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

A língua portuguesa
do século XIX

1 Objetivos da aprendizagem

„„ Conhecer a formação dos escritores do século XIX;


„„ Identificar os períodos da língua literária oitocentista;
„„ Entender os aspectos relacionados ao léxico e à frase no Romantismo.
A língua portuguesa do século XIX

2 Começando a história

Na aula anterior, estudamos a língua literária portuguesa do século XVIII a partir


da contribuição de escritores portugueses e brasileiros no tocante ao léxico e
à frase. Nesta aula, continuaremos estudando a evolução da nossa língua ao
longo do século XIX, período caracterizado por profundas transformações
políticas e sociais, pois, no ano de 1808, a corte portuguesa chegou ao Brasil e
o Rio de Janeiro tornou-se a sede do império, enquanto a Inglaterra combatia
os franceses em Portugal.

Na primeira metade do século XIX, precisamente em 1820, intelectuais portugueses


como Almeida Garret e Alexandre Herculano saudaram a revolução liberal e
empenharam-se em difundir uma literatura nacional, tendo a literatura popular
como foco. A circulação de jornais e romances atingia um público cada vez
maior de leitores da classe média. E em 1836, segundo Cardeira (2006, p. 77),
é “criado o Liceu em todos os distritos”. Na segunda metade do século XIX, as
pesquisas empreendidas por Adolfo Coelho, Epifânio da Silva Dias, Leite de
Vasconcellos, Gonçalves Viana, Carolina Michaelis, José Joaquim Nunes não
estavam preocupadas apenas com o ensino da língua portuguesa, elas também
estavam voltadas para a descrição e o funcionamento da língua. Em 1868, Adolfo
Coelho publica A Língua Portugueza, obra que “inaugura a moderna filologia
portuguesa” (CARDEIRA, 2006, p. 77) e, integrando o panorama internacional
da ciência linguística, em 1880, é publicada a Revista Lusitana, referendando a
atualidade das pesquisas sobre a língua portuguesa, a partir da sua estrutura e
do seu funcionamento.

No Brasil, o século XIX é o século imperial da vida política brasileira: começando


em 1822, com a Independência, aclamada por D. Pedro I, e terminando em 1889,
com a Proclamação da República, pelo Marechal Deodoro da Fonseca. E nesse
século, vê-se também o aparecimento de uma literatura conscientemente brasileira
com a explosão do Romantismo. Na poesia, a partir dos versos de Gonçalves de
Magalhães, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira
Freire, Castro Alves; na prosa dos romancistas Joaquim Manuel de Macedo, José
de Alencar, Manuel Antônio de Almeida, Franklin Távora, Bernardo Guimarães,
entre outros; e no teatro de Martins Pena – considerado o primeiro teatrólogo
brasileiro.

Segundo Elia (2003, p. 137), “a questão da Língua Portuguesa no Brasil, também


chamada questão da Língua Brasileira, surgiu no século XIX”.

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Para isso concorreram dois fatores: a) a Independência, que,


liberando o país da submissão oficial ao cânone português,
permitiu que os brasileiros passassem a cuidar por si mesmos
dos problemas relativos à língua herdada; b) o movimento
romântico, que buscava na alma do povo as bases da cultura
nacional. Contudo, um novo rumo não poderia ser tomado
sem turbulência. Em nossa elite cultural, continuavam ativos
vários letrados portugueses, que contavam, aliás, com a
solidariedade de alguns colegas brasileiros. Demais, como
separar o que já era brasileiro do que permanecia português?
Daí as “polêmicas da língua”, em que, de um lado, pontificava
um escritor brasileiro, de outro um português. (ELIA, 2003,
p. 137-138).

E sobre essa polêmica, tem-se um embate entre José de Alencar – escritor brasileiro
– e Pinheiro Chagas – publicista português. Este, ao ler Iracema, publicado no Rio
de Janeiro em 1865, critica as incorreções de linguagem do romancista brasileiro.
O defeito que eu vejo nessa lenda, o defeito que eu vejo em
todos os livros brasileiros e contra o qual não cessarei de
bradar intrepidamente, é a falta de correção na linguagem
portuguesa, ou antes, a mania de tornar o brasileiro uma
língua diferente do velho português, por meio de neologismos
arrojados e injustificáveis, e de insubordinações gramaticais,
que (tenham cautela!) chegarão a ser risíveis se quiserem
tomar as proporções duma insurreição em regra contra a
tirania de Lobato. (PINHEIRO CHAGAS apud ELIA, 2003, p. 138).

As incorreções levantadas por Pinheiro Chagas eram relativas ao padrão culto. O


que ocorria de fato, na maioria das vezes, era o desconhecimento da gramática
pelos brasileiros, daí as incoerências de linguagem a que o publicista português
tanto se refere. Elia (2003) pontua um acontecimento histórico que justifica tal
contradição: o ensino de língua tornou-se desorganizado após a expulsão dos
jesuítas pelo Marquês de Pombal, tendo em vista que os padres jesuítas foram
os responsáveis pela sistematização do ensino da língua portuguesa no Brasil.

Sendo assim, após esse mergulho na história da nossa língua, você, caro aluno,
deve estar se perguntando: como se deu a formação dos escritores do século
XIX? Quais os períodos da língua literária do século XIX? Quais as mudanças
lexicais e frasais nos textos literários do século em questão? Para responder a
esses questionamentos, faz-se necessário conhecer os textos produzidos durante
o período oitocentista.

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3 Tecendo conhecimento

A língua dos escritores contempla um misto da língua utilizada no ambiente familiar


associada à língua que se aprende na escola e nas leituras empreendidas ao longo
de sua existência. Essa fusão é o que molda o seu processo criativo e consolida
o seu estilo. O ensino dos escritores do século XIX tinha as humanidades como
pano de fundo – gramática e clássicos, retórica, estudos de línguas e de literaturas. O
português da escola não contemplava a língua falada cotidianamente. Na segunda
metade do século XIX, o número de gramáticas de língua portuguesa aumenta
significativamente. Eis algumas gramáticas desse período: Nova Grammatica
Analytica da Lingua Portugueza, de A. Grivet, que ficou indignado com o mau uso
da língua pelos falantes e por jornalistas e escritores; Grammatica Portugueza,
de Júlio Ribeiro, que utiliza exemplos de autores clássicos. O que se percebe é
que as gramáticas desse período não refletiam a língua que se falava e escrevia,
mas a de séculos passados.

A retórica teve um papel fundamental na formação dos escritores e nas campanhas


históricas da Independência, da Abolição e da República. Segundo Martins (2008,
p. 434), “a retórica, que atesta a importância da oralidade num país em que o
hábito de leitura era muito restrito, impregnou, de forma ora mais, ora menos
acentuada, não só a imprensa de caráter político, como também o teatro, a
poesia e o romance do período”.

No tocante às línguas estudadas no século XIX, o latim continua sendo reconhecido


como essencial à formação da atividade intelectual. Mas a juventude desse século
não se conformava em estudar apenas os clássicos latinos e portugueses; eles
buscavam outras línguas e literaturas como o francês, o inglês, o alemão, entre
outras. Da literatura do século XIX, resultam diversas possibilidades de expressão
de uma língua em pleno processo de consolidação, isto é, “a atividade literária
dos escritores do século XIX se expande em múltiplos gêneros, daí resultando
considerável diversidade de estilos assim como o aproveitamento da linguagem
em diferentes regiões e camadas sociais” (MARTINS, 2008, p. 436).

A periodização da língua literária do século XIX pode ser observada a partir dos
estudos de Octávio Tarquínio de Sousa no artigo O Meio Intelectual da Época da
Independência e no livro Formação da Literatura Brasileira de Antonio Candido.

Há dois períodos bem distintos (MARTINS, 2008).

O primeiro período consiste na luta pela independência do país, literariamente


pobre, refletindo as quatro primeiras décadas do século, e representa a continuidade
do século XVIII, sem inovações linguísticas e literárias.
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O segundo período corresponde ao restante do século XIX e começo do século


XX. Esse período pode ser subdividido em dois momentos: de 1840 a 1880, em
que floresceu o Romantismo, com muitas inovações e a busca de uma “expressão
linguística brasileira”; e de 1880 a 1920, no qual se observou a concomitância de
correntes estéticas – Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo – com
“certa reaproximação do padrão linguístico português e intensa preocupação
formal” (MARTINS, 2008, p. 437).

As características próprias da literatura brasileira no segundo período foram


observadas a partir da investigação da língua literária no tocante ao léxico e
à frase. Martins (2008, p. 440) pontua que “o léxico básico da língua comum
aparece acrescido de vocábulos mais ou menos marginais – latinismos, arcaísmos,
neologismos, tupinismos, estrangeirismos, regionalismos, vulgarismos”.

Os latinismos – empréstimos tomados ao latim –, frequentes em autores do


século XIX, conferiam nobreza, pompa e dignidade ao seu estilo. Eis alguns
exemplos: acerbo, acúleo, álacre, aprisco, estulto, flébio, hílare, lúbrico, miserando,
nefando, pávido, preclaro, prófugo, sólio, vate, etc. Em Iracema de José de Alencar
verificaram-se alguns exemplos – copiosas libações, crebros soluços, mão lesta,
múrmuros do deserto, tenro pâmpano, rúbido olhar, úmbria da serra, etc.

Os arcaísmos se justificam pela formação literária dos escritores e pelo interesse


da evocação do passado. Na obra de Gonçalves Dias1, observaram-se arcaísmos
fonéticos – mi (mim), imigo (inimigo), soidão (solidão), arruído (ruído), moimento
(monumento); arcaísmos morfológicos – nado (nascido: “não era nado o sol, quando
partiste” – “I-Juca Pirama”), ofeso (ofendido, “Deus ofeso / Tira os olhos do mundo,
e o mundo há sido” – “Dies irae”); e arcaísmos semânticos – praticar (conversar),
arrear (enfeitar), mesquinha (infeliz). Machado de Assis utilizou arcaísmos como
grão (grande), mor (maior), heis (haveis), peitar (subornar), garção (rapaz), etc.

Segundo Martins (2008), é difícil diferenciar expressões populares e os regionalismos


dos arcaísmos, pois são expressões e formas que o povo conserva. Em Memórias
de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, tem-se a representação
da língua falada pelo povo da cidade do Rio de Janeiro, na primeira metade
do século. Os vocábulos apresentam um teor pejorativo devido aos aspectos
negativos das personagens – arrenegar (amaldiçoar), banzar (cismar), carola (beato),
empacar (parar), escabrido (desconfiado), lambeta (mexeriqueiro), lambisgoia
(intrometido), safar-se (fugir), súcia (gente ordinária), xilindró (cadeia). Entre as
frases, eis alguns exemplos – ficar vendo estrelas, deixar-se de panos quentes, pior

1 Todos os exemplos citados foram retirados de: MARTINS, Nilce Sant’Anna. Século XIX. In: História
da Língua Portuguesa. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2008.
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a emenda que o soneto, com a boca na botija, pôr sal na moleira (obrigar a ser mais
ponderado), ver-se em calças pardas (ver-se em apuros), etc.

Outro traço importante dos aspectos lexicais são os regionalismos. Esses termos
foram usados em obras como O Gaúcho, O Sertanejo de José de Alencar e Inocência
de Alfredo d’Escragnolle Taunay, sempre acompanhadas de muitas notas de
rodapé. Outro autor que utilizou a linguagem regional foi Manuel Oliveira Paiva
no livro D. Guidinha do Poço. Eis algumas variações fonéticas características da
prosódia popular do Nordeste: abeia – abelha; arretirante – retirante; bebo –
bêbado; caje – quase; cuma – como; dereito – direito; dixe – disse; munto – muito;
tiquim – tiquinho, entre outros.

Outra contribuição ao acervo lexical são os indianismos, utilizados por românticos


como Gonçalves Dias e José de Alencar com a mesma nobreza dos vocábulos
considerados literários por excelência. Esses autores se dedicaram ao estudo da
língua tupi e Gonçalves Dias publicou o Dicionário da Língua Tupi. Os indianismos
usados com mais frequência se referem às danças, aos instrumentos musicais,
às crenças, como anhangá (espíritos maléficos), manitô (espírito tutelar), piaga,
pajé (chefe espiritual); aos costumes, como camotim ou camocim (vaso, pote).
Segundo Martins (2008, p. 452-453), “os indianismos são mais numerosos em
José de Alencar do que em Gonçalves Dias”.

Os africanismos não tiveram a honra literária como teve os indianismos, mas


muitas contribuições foram incorporadas na língua do Brasil. Pode-se verificar a
presença de africanismos na obra de Coelho Neto em personagens negras – Rei
Negro, banzo – e em vocábulos como batuque, calunga, candomblé, mandinga,
moleque, mucama, quilombola, samba, senzala, entre outros.

Em relação aos estrangeirismos, têm-se os empréstimos das diversas influências


culturais. A França contribuiu massivamente, pois o francês no século XIX era
considerado a língua universal. Entre os vocábulos franceses que apareciam
nas obras literárias com maior frequência, estão: bibelot (pequeno objeto de
adorno), boudoir (pequeno quarto de mulher), chic (chique, elegante), cocotte
(meretriz), coquette (mulher vaidosa, leviana), début (início, estreia), toilette
(toalete), entre outros.

No tocante aos neologismos, têm-se os simbolistas como principais representantes


dessa forma de uso da língua. Na tentativa de aproximar poesia e música,
encontram-se, na obra de Cruz e Sousa, muitas palavras novas, como
crepusculamento, diafaneidades, resplandescência; adjetivos como visões volúpicas,
meneios pantéricos, êxtase búdico, tantálicos sonhos, céu lirial, pureza hostial;
verbos como transcendentalizar, tentaculizar, nirvanizar, liriar, violinar, etc.
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No século XIX, a variedade frasal é muito grande e por isso Martins (2008) ressalta
que é arriscado generalizar, mas se podem observar alguns aspectos. Por exemplo,
A frase romântica é mais derramada, com abundância
de adjetivos, muitos deles supérfluos; predomina a frase
organizada, analisável, com exceção óbvia de parte dos
diálogos. Na ficção realista, a frase, ainda predominantemente
lógica, tende à concisão, a maior naturalidade, e a frase
nominal já é bem mais frequente. Na oratória, sobretudo de
Rui Barbosa, a frase ainda se aproxima da frase clássica, do
tipo ciceroniano ou vieirino. No Simbolismo, a frase perde a
logicidade discursiva e ganha valores sugestivos, diminuindo
a dominação do verbo como núcleo frasal. Enquanto na
poesia de cunho épico ou semi-oratório dos românticos e
nos versos mais trabalhados de alguns parnasianos ainda
encontramos inversões um tanto violentas e artificiais, na
prosa a ordem direta é a preferida. (MARTINS, 2008, p. 459).

Dos poetas românticos brasileiros, temos, em Gonçalves Dias, o emprego de


frases breves, sem muita complicação, como é o caso de poemas como Canção
do Exílio, Canção do Tamoio, Olhos Verdes, e o emprego de frases elaboradas,
com inversões sintáticas por razões métricas ou efeitos estilísticos, que podem
ser encontradas nos poemas de versos brancos como os Hinos e em Os Timbiras.
Também encontramos “inversões de sabor clássico” no poema I-Juca Pirama:
Assim lá na Grécia ao escravo insulano

Tornavam distinto do vil muçulmano

As linhas corretas do nobre perfil.

(I, 28-30)

Segundo Martins (2008), Castro Alves é o poeta que prefere as frases pomposas,
repletas de antíteses, apóstrofes e inversões. Podemos observar um caso de
antítese – determinando a repetição de uma mesma estrutura com perfeito
paralelismo – nos versos a seguir:
Eu, que a pobreza de meus pobres cantos
Dei aos heróis – aos miseráveis grandes –
Eu, que sou cego –, mas só peço luzes...
Que sou pequeno –, mas só fito os Andes...
Canto nest’hora, como o bardo antigo
Das priscas eras, que bem longe vão,
O grande NADA do heróis, que dormem
Do vasto pampano funéreo chão.

(“Quem Dá aos Pobres Empresta a Deus”,


Obra Completa de Castro Alves, p. 91)
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A frase bem estruturada também pode ser analisada nos versos dos poemas
parnasianos que buscavam a perfeição formal, de acordo com os preceitos das
gramáticas. Para futuras pesquisas sobre a língua literária dos poetas parnasianos,
conferir poemas de Raimundo Correia, Olavo Bilac e Alberto de Oliveira.

Exercitando

1) Qual a importância da chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, para


os estudos sobre a língua do século XIX?

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2) Pinheiro Chagas critica o romance Iracema de José de Alencar. Por qual motivo?

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3) Quais as contribuições lexicais dos poetas e prosadores do século XIX?

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4 Aprofundando seu conhecimento

O século XIX foi um período de intensa produção em verso e prosa, logo, temos
uma vasta produção bibliográfica portuguesa e brasileira para conhecer e
analisar as permanências e mudanças linguísticas do século em questão, além
de estudos teóricos sobre o tema.

O livro História da Língua Portuguesa de Serafim da Silva Neto apresenta um capítulo


sobre “Os Grandes Modelos da Língua Literária no Século XIX”, em que distingue
os escritores portugueses em três gerações: Garret, Camilo Castelo Branco e Eça
de Queirós. E dedica também um capítulo sobre a Língua Portuguesa do Brasil.
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Outro livro do mesmo autor de fundamental importância é Introdução ao Estudo


da Língua Portuguesa no Brasil, em que se dedica à investigação da história da
língua, compreendendo-a como expressão da sociedade.

O autor Gladstone Chaves de Melo apresenta


as críticas feitas a José de Alencar no tocante às
particularidades da gramática, rebatendo-as a Figura 1
partir da defesa e da posição teórica assumida
pelo autor de Iracema. Examina também
como Alencar utilizou a língua por meio do
levantamento dos traços linguísticos das obras
indianistas e da aristocracia carioca.

Outra obra importantíssima para a compreensão


das funções estéticas e históricas da literatura. A
perspectiva histórica situa-se no período de 1750 Figura 2
a 1880 e são numerosas as observações feitas
sobre a língua e o estilo dos autores. Excelente
material para a identificação da língua escrita
no Brasil nos séculos XVIII e XIX.

5 Trocando em miúdos

A língua literária brasileira teve uma contribuição muito vasta dos escritores do
século XIX. Pudemos perceber a expansão da liberdade no emprego de novos
termos, formados com elementos da própria língua ou tomados por empréstimo
através dos latinismos, estrangeirismos, indianismos, africanismos, entre outros
processos lexicais.

A gramática, cada vez mais, impõe a disciplina no emprego dos aspectos sintáticos.
A frase continua variada, viva e extremamente flexível ao contexto comunicativo,
tendendo ao encurtamento. E a formação humanística dos escritores permite a
compreensão da diferença entre o português escolar e a língua falada pelo povo.
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6 Autoavaliando

Como vimos ao longo desta aula, a produção escrita do século XIX permite o
empreendimento de várias pesquisas sobre a língua literária desse século. O
contexto histórico – a chegada da Família Real no Brasil –, a circulação das obras
literárias, os espaços de sociabilidade contribuíram para uma maior proliferação
de escrituras e escritores oitocentistas.

A fim de verificar a aprendizagem desse conteúdo, construa um texto destacando


a relevância da formação humanística dos escritores, os períodos literários do
século XIX e as contribuições lexicais nos textos escritos em verso e prosa.

Se você, caro aluno, conseguir redigir esse texto sem muitas dificuldades, podemos
afirmar que os objetivos da aula foram atingidos.

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Referências

ALENCAR, José de. Iracema. Rio de Janeiro/São Paulo: Edusp, 1979. Livros Técnicos
e Científicos.

ALVES, Castro. Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1966.

CARDEIRA, Esperança. O essencial sobre a História do Português. Lisboa:


Editora Caminho, 2006.

DIAS, A. Gonçalves. Obras Poéticas. São Paulo: Nacional, 1944.

ELIA, Sílvio. Fundamentos Histórico-linguísticos do Português no Brasil. Rio


de Janeiro: Editora Lucerna, 2003.

MARTINS, Nilce Sant’Anna. Século XIX. In: SPINA, Segismundo (Org.). História
da Língua Portuguesa. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2008.

TEYSSIER, Paul. História da Língua Portuguesa. Tradução de Celso Cunha. São


Paulo: Martins Fontes, 1997.

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