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CURSO: VITIMOLOGIA ACÇÃO N.º E.

LEARNING

MÓDULO 5 – ORIENTAÇÕES DE APOIO A


MÓDULO: TRABALHO 5
VÍTIMA

FORMADOR: DRA. SUZANA MACHADO

DATA: 03/13 CLASSIFICAÇÃO:

NOME DO FORMANDO: JOSE VILSEMAR DA SILVA


ASSINATURA DO FORMADOR:

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
VITIMAÇÃO DA MULHER NO CONTEXTO DOMÉSTICO: CAUSAS E
CONSEQUÊNCIAS

RESUMO

Este estudo tem por finalidade a abordagem das agressões gerais pelas quais a mulher
passa no âmbito doméstico. Abordar as figuras da violência física, sexual, psicológica,
moral e patrimonial. Neste contexto são apresentadas algumas das causas da violência
de origem histórica do patriacalismo e do colonialismo. A teoria da vinculação é
abordada, verificando-se que a falta de vínculos afetivos na infância pode gerar, quando
adulto, mais violência no âmbito doméstico. São observadas as consequências das
agressões que resultam em traumas psicológicos e doenças. Na conclusão procura-se
indicar algumas medidas para minorar a violência no âmbito doméstico. Sugere-se que
no âmbito escolar, nos três níveis de educação, seja ministrada uma disciplina sobre o
assunto, bem como a criação de agremiações composta apenas por mulheres para inibir
a violência doméstica nos bairros, bem como prestar ajuda para as vítimas e fazer
denúncias sobre as agressões domésticas.

Palavras chaves: Violência doméstica, agressões, mulheres, patriarcado, doenças.

1. INTRODUÇÃO

Apesar dos muitos avanços, a violência doméstica contra a mulher não regride, pois
as causas não estão sendo erradicadas a contento, insistindo em permanecer como um
aspecto cultural de uma sociedade de cunho patriarcal. Entre essas causas, em nosso
estudo, iremos nos deter na herança do patriarcalismo, tipos de agressões e na teoria da
vinculação como pontos referenciais das agressões que a mulher sofre no âmbito
doméstico.

Por esses parâmetros, os tipos de agressões mais característicos enfrentados na


“violência doméstica contra a mulher, então, poderiam ser definidas em cinco pontos:
violência física, violência sexual, violência psicológica, violência moral e violência
patrimonial” (Sá; Shecaria (Orgs.),2008, p. 80).

Outrossim, entender as causas, algumas seculares e, por conseguinte, os efeitos


dessa violência somente poderão ajudar a incentivar atitudes preventivas primarias, as
quais podem desaguar no poder legislativo e posteriormente no Sistema Judicial

1
Criminal, além de incentivar mudanças culturais enraizadas pelo patriarcalismo. Ainda,
sendo cabível, desenvolver uma filosofia de não violência para com o vitimador e
vitimada principalmente no âmbito doméstico, visando mudanças culturais mais
harmônicas de igualdade, liberdade e fraternidade, baseadas sempre na razão e na
ciência. Nunca na desigualdade, discriminação e intolerância, características do sistema
patriarcal capitalista vigente, o qual foi herdado desde os tempos do colonialismo e por
diversos tipos de credos.

Na sequência faremos uma breve analise dos tipos de agressões perpetradas contra
o gênero do sexo feminino, geralmente ocorridos entre quatro paredes do lar.

2. VIOLÊNCIA FÍSICA

Para a ocorrência da violência física, é necessário ter a existência de um


instrumento ou apenas o contato corpóreo direcionado contra a pessoa vitimada. A
utilização de um instrumento ou o contato corpóreo, mesmo sem a ocorrência de lesão,
já seria suficiente para configurar a violência física. Esta forma de violência doméstica é
considerada a mais comum entre todas as formas de agressão (Sá; Shecaira, 208, p. 73).

Nesse sentido, segundo os dados apresentados no Mapa da Violência 2012, o


Brasil é um dos mais violentos países com homicídios de mulheres. Apresenta uma taxa
de 4,4 homicídios em cem mil mulheres, ocupando, entre 84 países, a 7ª posição.
Portugal ocupa 72º posição com apenas uma taxa de 0,3 homicídios em cem mil
mulheres durante o período situado entre 2006 e 2010 (Waiselfisz, p. 16).

O instrumento mais usado contra a mulher continua sendo a arma de fogo na


ordem de 49,2%, enquanto que nos incidentes masculinos chega a 72,4%. Os objetos de
agressão cortantes ou penetrantes, objetos contundentes, estrangulamento ou sufocação
e outros meios chamam a atenção pela maior incidência contra a mulher do que em
homens (Waiselfisz, 2012, p. 10).

Outrossim, a residência é o local onde ocorre a maior parte das lesões físicas,
proporcionadas na maioria das vezes pelo próprio cônjuge, pelos genitores ou filhos. O
ex-namorado ou namorado, além de vizinhos ou conhecidos também fazem parte dos
casos de agressão à mulher (GARBIN et al, 2006 Apud BIAGIONI, p. 2568).

2
3. VIOLÊNCIA SEXUAL

A violência sexual ocorre no âmbito doméstico em grandes proporções, cujos


autores estão ligados à vítima como cônjuges ou companheiros. A real dimensão dessa
violência fica ocultada por ocorrer dentro da residência do casal, além estar presente em
todas as classes sociais e inúmeras culturas (PREVENÇÃO à Violência Sexual Contra a
Mulher, http://www.ess.ufrj.br/prevencaoviolenciasexual /index.php/tipos-de-violencia-
cometida-contra-a-mulher). Não se descarta a violência e menor proporção cometida
contra a mulher por vizinhos ou conhecidos dentro do próprio lar.

De acordo com PAIVA e FIGUEREIDO (2003) as consequências de abuso sexual


da mulher acabam produzindo efeitos a curto e longo prazo prejudicando as suas
atividades diárias e apresentando uma maior taxa de absentismo.

4. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

A lei brasileira 11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, define o
que é violência psicológica em seu art. 7º:

[...] II - a violência psicológica, entendida como qualquer


conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima
ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise
degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e
decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação,
manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição
contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação
do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à
saúde psicológica e à autodeterminação; [...].(Brasília- Lei Maria da
Penha – Secretária Especial de Politicas para as Mulheres –
Presidência da república. 2006, p. 17).

Esse tipo de violência poderá estar consorciado com outras violências em todas as
fases da vida, deixando marcas indeléveis, o que irá influenciar a pessoa vitimada para
toda a sua existência, necessitando de orientação de especialistas da área.

Nesse sentido, no Brasil, o Serviço Único de Saúde (SUS), de acordo com


Wailselfisz (2012, p. 21), os atendimentos dessa modalidade de violência ocupa a
segunda posição de atendimentos (20%), para uma faixa etária que vai do primeiro ano
de vida, ou menos, aos sessenta anos ou mais, perdendo apenas para os casos de
violência física (44,2%).

3
Veja a tabela abaixo (Wailselfisz , Mapa da Violência 2012, p. 21):

Os números apresentados na tabela acima mostram que e 22.265 mulheres foram


vitimadas por agressões psicológicas, ocupando o 2º lugar na tabela. As agressões
físicas ocupam o 1º lugar e em 3º lugar a violência sexual. Tudo interligado.

Por este viés, Schraiber et al. (2007) comentam que ocorre uma superposição
desses três tipos de violência, ou seja, física, sexual e psicológica, despontando uma
estrutura inconveniente da violência física com a psicológica e a violência sexual com a
física.

Convém ainda salientar que os números de agressões psicológicas crescem ano


após ano e apesar do Brasil possuir uma legislação das mais avançadas do mundo sobre
violência contra a mulher, à situação real é muito pior se considerarmos que as cifras
negras1 não podem ser computadas.

5. VIOLÊNCIA MORAL

Essa modalidade de violência não deve ser confundida com a violência


psicológica, pois a violência moral procura atingir a honra da vítima utilizando-se de
calúnia, difamação e injúria (crimes tipificados no Código Penal brasileiro). E normal
que esteja congruentemente associada a outras formas de agressão, principalmente a
física. É considerada uma das maiores cifras negras no contexto da violência doméstica
(Sá; Shecaira, 208, p. 76).

6. VIOLÊNCIA PATRIMONIAL

1
São os crimes que não chegaram ao conhecimento público e, consequentemente, não foram julgados.
(http://pt.wiktionary.org/wiki/cifra_negra).

4
A violência patrimonial não é apenas a dilapidação de recursos financeiros e
envolve outros aspectos, muito bem definidos pelo art. 7º, inciso IV, da Lei Maria da
Penha, no Brasil, a qual assim aduz:

[...] IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta


que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus
objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores
e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a
satisfazer suas necessidades;[...]

Nesse sentido, essa modalidade é muitas vezes é usada pelo cônjuge ou pelo
companheiro com objetivo de impedir que trabalhe, estude ou fique em completa
dependência econômica do homem, satisfazendo o antigo brocardo machista hipócrita:
“Rainha do Lar”.

Todas essas agressões são geradas por várias causas que influenciam a qualidade
de vida da mulher. Para se ter uma compreensão mais exata iremos ver algumas das
causas geradoras da violência.

7. CAUSAS

Existe uma infinidade de causas, como a herança cultural patriarcal


(colonialismo), cujas consequências ainda são visíveis na sociedade de hoje. Por outro
lado a Teoria da Vinculação merece um destaque muito especial, a qual tem ajudado a
identificar algumas causas originadas na infância, o que leva o indivíduo, na vida adulta,
a cometer agressões ou desenvolver forma de passividade frente às agressões.

Outrossim, é importante que preliminarmente se diga, segundo Carvalho (2008, p.


22 apud Feeney), que a Teoria da Vinculação desenvolve um suporte para a análise do
ponto de partida dos conflitos que envolvem relacionamentos centrados nas diferenças
de cada indivíduo de como lidar com problemática conflituosa.

A seguir faremos uma sucinta análise das causas da violência herdada pelo
colonialismo e a seguir será feita uma abordagem da importante teoria da vinculação.

7.1 CAUSAS HISTÓRICAS DA VIOLÊNCIA FAMILIAR

No Brasil, há uma herança histórica oriunda do período colonial de cunho


escravocrata, na qual a violência era a forma mais comum, com práticas hediondas
5
praticadas pelos que aqui se instalaram, seguindo a filosofia de constrangimentos físicos
e morais pregados pela metrópole (CIRO, 2001, p. 21, http://www.scielo.br/pdf/
spp/v15n2/8573.pdf).

Por essa vertente:

A mulher e a terra eram metáforas uma da outra não só no sentido da


exploração sensorial e sexual, mas também como meio de produção e
de reprodução, como propriedades, tendo as mulheres sua
sexualidade abusada ou controlada conforme os imperativos da
colonização. Isso foi válido não apenas em relação às índias, mas
também em relação às negras, às mestiças e às brancas. O controle,
os estímulos e os influxos das mulheres foram relacionados ao seu
papel de reprodutora de braços e de transmissoras de valores em
função do interesse de colonização. Em função desse papel a mulher
foi devastada e desgastada. (LACERDA, 2010, p.9).

Esse aspecto histórico de colonialismo capitalista forneceu as raízes de uma


estrutura patriarcal que ainda influencia as agressões contra a mulher, pois se tornou
uma prática cultural herdada, cujas leis coercitivas atuais tentam inibir. Neste sentido
basta ver a denúncia feita por uma jornalista da revista Isto É (Daudém, p. 49): “entre
1980 e 2010, 92 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, 43,7 mil somente na última
década” e isto sem computar as cifras negras e as outras modalidades de agressão, as
quais crescem de maneira assustadora ano após ano. Um retorno à barbárie com ares de
anomia em muitas regiões do Brasil.

Como se observa, as causas históricas tem um fator importante na conjuntura


social da atualidade, na qual a mulher continua sendo alvo de agressões, no entanto há
outras causas provenientes da falta de vínculos afetivos durante a infância, como
veremos a seguir.

7.2 TEORIA DA VINCULAÇÃO

A teoria da vinculação (Portugal) ou teoria do apego (Brasil) tem por finalidade


descrever mudanças dentro de um longo período de convivência entre pessoas. O
aspecto de alta relevância dessa teoria fundamenta que um recém-nascido necessita
desenvolver vínculos com a pessoa que lhe presta cuidados diários (pai, mãe ou ambos),
o que irá refletir o grau do progresso emocional e social para mais ou para menos. Essa
teoria é considerada um grande acervo de conhecimentos ligados às teorias da área

6
evolutiva, da área psicológica e da área etológica (TEORIA do Apego, Wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_apego).

Nesse sentido, Paiva e Figueiredo (2003) defendem que realmente uma pessoa
pode desenvolver atitudes emocionais construídas no decorrer do intercâmbio com a
pessoa que lhe presta todos os cuidados emocionais e físicos ainda na infância, se não
vejamos:

Baseada nas experiências e nos padrões típicos de interacção


com as figuras significativas durante a infância, cada pessoa
presumivelmente constrói “modelos internos dinâmicos”, que se
constituem em verdadeiros guiões do seu comportamento interpessoal
subsequente, pois é a partir destes modelos que a mesma estabelece
expectativas acerca do que pode esperar de si própria e dos outros
quando uma relação se efectiva. Especificamente, os “modelos
internos dinâmicos” incluem expectativas acerca da disponibilidade e
da responsividade das figuras de vinculação que guiam as percepções
e os comportamentos do indivíduo nas suas relações com as mesmas,
vindo posteriormente, e no caso de serem mantidas, a ser aplicadas e
por isso a influenciar as restantes relações interpessoais do indivíduo
(Paiva; Figueiredo. 2003, p. 6. http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/
psd/v4n2 /v4n2a01.pdf).

Por esses parâmetros fica cristalizado, através dos estudos empíricos, que os
relacionamentos íntimos são de extrema importância. Crianças traumatizadas, abusadas,
vítimas de maus tratos ou abandonadas é um indicador de carências afetivas (vínculo
afetivo) nessa fase da vida. Na vida adulta acabam produzindo modelos “inseguros”, os
quais serão observados durante a convivência habitual no relacionamento íntimo. Os
maus tratos passam a ser uma possibilidade na vida adulta, tanto como vítima ou como
vitimador, em suas relações interpessoais com as pessoas intimamente próximas.
(Ballone GJ, Moura EC. 2008, www.psiqweb.med.br).

Além disso, Ballone (2008) ainda complementa que a formação de laços


“inseguros” seria oriunda das relações abusivas durante o período da infância. Essas
relações abusivas, por sua vez podem ocorrer repetidas vezes nos relacionamentos
também com as mesmas características de abusos em várias etapas da vida com
destaque para os relacionamentos íntimos.

Por outro lado, pessoas com experiências variadas estabelecidas pelos padrões de
vinculação acabam desenvolvendo processos mentais diversos (crenças) relacionados

7
sobre ele próprio e das pessoas que lhe cercam. Esses processos mentais trazem
implicações na qualidade da vida íntima com o companheiro(a) (PAIVA;
FIGUEIREDO apud COLLINS& READ, 1990). Por exemplo, pessoas que
desenvolvem um modelo de vinculação “inseguro” há uma tendência de ocorrer, no
âmbito das conexões pré-maritais, um grau de inferioridade e de insatisfação quando
comparados com pessoas que desenvolveram um modelo de vinculação do tipo
“seguro” (PAIVA; FIGUEIREDO apud Brennan & Shaver, 1995), “sobretudo quando
aderem a estereótipos baseados no género” (PAIVA; FIGUEIREDO apud COLLINS
& READ, 1990).

Outrossim, fica configurado que as consequências advindas dos maus tratos na


infância perpetuadas pelo vitimizador (pai, mãe ou tutores) acabam afetando o bom
desenvolvimento de uma criança e os reflexos se materializam em maior ou menor grau
na vida adulta, na convivência íntima com a(o) companheira(o).

Nesse sentido uma pesquisa feita em Portugal (PAIVA; FIGUEIREDO, 2004)


envolvendo 318 estudantes (53,8% de mulheres), com idade entre 19 e 24 anos,
demonstra a percentagem de vários tipos de agressões no relacionamento íntimo desses
jovens. A pesquisa contribuiu para o conhecimento da prevalência dos vários tipos de
abusos, além de sugestionar a criação de estratégias para o atendimento de acordo com
o tipo de abuso e graduação.

Portanto com a caracterização das causas aqui analisada é importante verificar


algumas das consequências geradas na vida das vítimas no âmbito domésticas,
preferencialmente, mulheres. É o que veremos a seguir.

8. CONSEQUÊNCIAS

As consequências físicas e psicológicas advindas, tanto dos aspectos históricos


do colonialismo imposto como das oriundas dos maus tratos durante o período da
infância, comentadas, pesquisadas e analisadas pela teoria da vinculação, acabam sendo
observadas todos os dias na atual sociedade e, o pior de tudo, em franco crescimento
apesar do surgimento de legislações mais avançadas que combatem apenas os efeitos.

Outrossim, para a Organização Mundial de Saúde (OMS) a questão da violência


doméstica que atinge as mulheres virou uma questão de saúde pública. Um círculo
8
vicioso foi configurado com as inúmeras busca dos serviços de saúde e o contínuo
retorno, pois sua integridade física, emocional e a segurança são atingidas
negativamente, o que provoca um aumento nos gastos na esfera de atendimentos
(FONSECA; SOUZA LUCAS apud GROSSI, 1996).

É incontestável que as vítimas da violência doméstica apresentam geralmente


sintomas psicológicos tais como pesadelos, irritabilidade, insônia, falta de concentração,
falta de apetite. Ainda a possibilidade de surgir problemas mentais e entre esses a
depressão, a ansiedade, a síndrome do pânico e estresse pós-traumáticos. Pode
apresentar também comportamentos autodestrutivos por meio de drogas, álcool e
tentativas de suicídio (KASHANI; ALLAN, 1998).

É importante ainda comentar que a violência, entre pai e mãe, observada por seus
filhos tendem estes a desenvolver complicações de baixo rendimento escolar, serem
mais depressivos, terem ansiedade, baixa autoestima e pesadelos. Poderão se tornar
mais agressivas, além ocasionar um aumento no índice da possibilidade de abusos
físicos, sexuais ou emocionais (DAY et al, 2003, p. 16-17).

Dessarte, o comportamento de um pai controlador, abusando constantemente da


mãe passiva dentro do lar, poderá induzir que o(s) filho(s) faça o mesmo na idade adulta
e se for menina acabe aceitando a condição de passividade frente à violência do seu
companheiro insculpido pelo sistema patriarcal vigente e pelos maus tratos sofridos
durante a infância, como bem argumenta a teoria da vinculação.

9. CONCLUSÃO

Apesar da legislação mais avançada, a violência contra a mulher não diminui, ao


contrário, pois estamos inseridos como um dos países mais violentos do mundo em
agressões contra o sexo feminino. Elas continuam sendo discriminadas, sendo
assassinadas por seus pretensos “proprietários”, massacradas psicologicamente e sendo
abusadas sexualmente, principalmente dentro da área domestica, onde o silencio, muitas
vezes é a diferença entre viver ou morrer, pois o medo favorece as cifras negras.

Sendo assim, a hipótese do trabalho foi verificar a existência da violência


doméstica e se esta realmente afetava o desenvolvimento social no âmbito doméstico da

9
mulher, sendo que os objetivos foram localizar as causas dessa violência e as
consequências advindas desse processo de vitimização.

O método de procedimento utilizado é o funcionalista, que enfatiza as relações


entre os diversos componentes de uma cultura ou uma sociedade e suas funções, visto
que considera toda atividade social como desempenho de funções. A técnica adotada foi
à pesquisa exploratória bibliográfica com ênfase na violência doméstica, causas e as
consequências advindas.

Uma dificuldade encontrada na pesquisa foi exatamente a necessidade de mais


tempo para o seu aprimoramento, já que o assunto é extremamente delicado, complexo
e secular com relação ao contexto de violência pelo qual a mulher vem passando dentro
da sociedade de origem patriarcalista e colonialista.

Outrossim, os resultados encontrados na pesquisa foram a real existência de uma


cultura de violência contra a mulher, herdado historicamente de um colonialismo
imposto e do patriarcalismo, onde muitas mulheres continuam a ocupar posição inferior
frente aos seus companheiros.

Por outro lado, na abordagem da teoria da vinculação ficou demonstrado que


crianças com problemas de vínculos afetivos podem desenvolver na idade adulta algum
tipo de agressividade ou forma de passividade exatamente pela violência que sofreram,
perpetradas por aqueles que deveriam de ter algum grau de compaixão e afetividade
para com elas.

Com relação às consequências ficou configurada a existência dos vários efeitos na


saúde da mulher, tais como desequilíbrios psíquicos, surgimento de doenças
psicológicas, medo, passividade etc., os quais provocam um círculo vicioso entre idas e
vindas dos centros de saúde e programas de apoio às vítimas.

Insta gizar que outra consequência deletéria recai exatamente sobre as crianças
que presenciam as várias formas de agressões de suas tutoras ou tutores. Tendem a
reproduzir essa violência quando adultas para com os seus futuros parceiros, trazendo
dificuldades sociais e materiais em suas vidas.

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Por todos esses aspectos, há a necessidade da criação de um maior número de
organismos modelos que prestem apoio jurídico, apoio sociológico e apoio social para
com as vítimas da violência doméstica, combatendo inclusive as causas da violência.

No Brasil, muito já foi feito, mas não está sendo o suficiente. Urge criar novos
mecanismos, mais instituições de proteção a mulheres e crianças.

Algumas instituições são verdadeiros exemplos a serem seguidos para a criação


de outras, tais como a APAV (Apoio a Vítima), localizada em Portugal, a qual presta
serviços gratuitos e especializados para com todas as pessoas que de uma maneira ou de
outra são afetadas pelo crime. Em São Paulo, no Brasil, outro exemplo a ser seguido:
projeto “Bem Me Quer” do hospital Pérola Brigton, o qual atende mulheres e crianças
vítimas de violência sexual. Mas tudo isso é pouco, muito pouco para uma Nação como
a nossa fundada na violência escravocrata e no insano patriarcalismo resultante do
colonialismo.

Outrossim, para realizar mudanças culturais em longo prazo na população, teria


que ser iniciada através do bom conhecimento a ser ministrado intensivamente para as
novas gerações. As escolas de nível fundamental, de ensino médio e todas as áreas de
formação das universidades deveriam de ter uma disciplina específica sobre a violência
doméstica e sobre o papel da mulher no contexto social frente às adversidades de uma
cultura patriarcal violenta que insiste em permanecer viva e atuante na sociedade em
geral e nas instituições ditas democráticas, na qual a participação da mulher é o mínimo.

Outra possibilidade simples para inibir a violência doméstica é a criação nos


bairros populares de agremiações composta apenas por mulheres para receber as
denúncias de agressões e maus tratos e pressionar as autoridades locais, da área judicial
e da saúde para uma solução mais eficaz e tratamentos especializados, bem como fazer
as denúncias para as mídias nacionais e internacionais de apoio às vítimas o que iria
incomodar muitos políticos demagogos, notadamente a maioria composta por homens.

Enfim, finalizamos essa pequeno trabalho, tendo-se a consciência de que a


situação é pior do que se tentou mostrar, mas que serve para despertar a consciência
desse grave problema que gera prejuízos incalculáveis para toda a sociedade e que desse
trabalho reflexivo possa enfatizar o surgimento de outros trabalhos de campo e

11
bibliográficos, pois só com muito conhecimento ministrado no combate as causas é que
a criminalidade contra a mulher no âmbito doméstico será domada e extirpada, com
reflexos em toda a sociedade.

REFERÊNCIAS

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